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Eles estão de

Fevereiro 2011 - Ano 10 - No 85

férias

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Cultura carnaval

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Lilibeth Cardozo

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no Rio Turistas falam como curtem a cidade

Viva o Zé Pereira

Esta mania de felicidade

Saúde

Quimioterapia Oral


Bella Gestante Um espaço exclusivo voltado para o bem-estar da mulher na fase mais especial de sua vida Atividades físicas, terapias corporais, yoga, cursos, palestras, acompanhamento dermatológico e nutricional. Tudo num só lugar para facilitar a vida das grávidas Durante os nove meses de gravidez e no primeiro ano de vida do bebê, tudo o que a gestante/ mãe quer (e merece!) é ser paparicada, se sentir segura e – por que não? – bela também. Afinal, é uma época única da sua vida. Ela precisa de cuidados especiais, conforto e qualidade em serviços e produtos para usufruir deste momento mágico e tão esperado que é gerar um filho. Pensando em reunir saúde, boa forma, bemestar e conhecimento num local exclusivo para gestantes e mães de bebês até um ano de idade, foi inaugurado em outubro no Rio de Janeiro o Espaço Bella Gestante - um charmoso ambiente

com um conceito inédito no país. Localizado em uma casa tombada da década de 30 e numa das ruas mais aprazíveis do Humaitá, na Zona Sul do Rio, o Espaço possui 500m2 e é dirigido pela Dra. Isabella Tartari Proença, uma renomada obstetra do Rio de Janeiro, com 28 anos de experiência na área médica e mais de cinco mil partos realizados. O espaço oferece atividades físicas, terapias corporais, cursos, palestras, serviços estéticos e até baby sitters para os pequenos, além de acompanhamento domiciliar para amamentação e cuidados com o bebê, entre outras novidades. “Sempre recomendei que minhas pacientes fizessem atividades físicas durante a gestação. Mas ouvia muitas queixas delas de que as academias só ofereciam aulas misturadas com outras pessoas, que estão em outro timing de exercício, outro ritmo de vida. Por isso, gestantes acabam geralmente

Rua Conde de Irajá 125, Botafogo, Rio de Janeiro Tels: 2530-4779 | 2537-8980

fazendo hidroginástica com idosos, por exemplo. No Bella Gestante é tudo pensado e preparado exclusivamente para elas. Todas ali encontram-se no mesmo momento e têm as mesmas necessidades e particularidades”, explica a Dra. Isabella, que para isso recrutou uma equipe multidisciplinar que reúne profissionais especializados no assunto: professores de educação física, nutricionistas, dermatologista, psicólogos, enfermeiras e fisioterapeutas.


índice

editorial

Turistas de férias no Rio de Janeiro O Rio de Janeiro é internacionalmente conhecido pela beleza de suas praias e morros, além de ser um grande pólo de turismo cultural, contemplado por vários museus, teatros, centros culturais e casas de espetáculos. Segundo a Embratur é o destino mais procurado pelos turistas estrangeiros que visitam o Brasil a lazer, e o segundo colocado no turismo de negócios e eventos. No turismo interno também é opção certa para milhares de brasileiros. Neste verão o Rio de Janeiro deverá receber 2,59 milhões de turistas. Caso a expectativa da prefeitura seja confirmada, isso representará um aumento de cerca de 30% em relação ao número de turistas que visitou a capital fluminense no verão passado - 1,85 milhão. Sinal que a cidade está se preparando para os dois grandes eventos eu se aproximam: Copa do Mundo e Olimpíadas. Sabemos que ainda falta muito que fazer. Apenas na festa da virada do ano a estimativa foi de 621 mil turistas na cidade. No carnaval, são esperados 730 mil turistas e uma receita de R$ 900 milhões injetados na economia carioca. São números que não se podem desprezar. Mas, o que fazem os turistas aqui para se divertirem? Onde vão? O que curtem? Saiba a partir da página 14 a opinião deles, quais são os pontos positivos e negativos da cidade e o que os turistas pensam dos cariocas. Com o fim das férias as preocupações dos pais com o futuro escolar dos filhos se intensificam. Depois de um longo descanso, as crianças não estão mais acostumadas com a rotina escolar. Como passaram as férias sem preocupações, horários e, eventualmente, cuidados com a alimentação, é normal terem algumas dificuldades nas primeiras semanas de aula. Portanto, para driblar possíveis aborrecimentos, é fundamental tomar logo no início algumas providências. Vivian Ellinger, médica endocrinologista, aborda a questão alimentar e Patrícia Lins e Silva, educadora, fala do papel do estudante no ano letivo. Os cidadãos cariocas têm demonstrado grande solidariedade diante da tragédia que assolou em janeiro a região serrana do Rio de Janeiro. Muitos fizeram de suas próprias casas pontos de arrecadação e outros o voluntariado, se dispondo em prol das vítimas. As estradas que ligam o Rio à região serrana ficaram cheias de voluntários que resolvem fazer as entregas do acumulado de doações por conta própria em seus veículos. Alguns desses voluntários desafiaram a prudência e tentaram entrar em lugares de difícil acesso. Na página 12 acompanhe o relato de quem acompanhou de perto a recuperação do distrito de Vieira, em Teresópolis, bastante castigado pelas chuvas. Boa leitura!

2295-5675 2259-8110 9409-2696 Fundadora Regina Luz Editores Paulo Wagner / Lilibeth Cardozo Distribuição Gratuita Jornalista Fred Alves (MTbE-26424/RJ)

Capa Arte: Renan Pinto sobre ilustração de Billy Alexander Projeto gráfico e arte Vladimir Calado (vlad.calado@gmail.com Revisão Marilza Bigio / Petippa Mojarta

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Cultura

Viva o Zé Pereira História

Casa de banho de D. João VI Saúde

Volta às aulas 10

Educação

Esperança no ano letivo 12

Solidariedade

A tragédia serrana 16

Capa

Eles estão de férias no Rio 18

Vida saudável

Estresse e o sistema imunológico 19

Saúde e bem-estar

Pilates para corredores 22

Saúde

Quimioterapia oral 23

Marketing cultural

Os shopping centers

colunas 06 06 08 09 10 11

Gisela Gold Susan Lee Hansan Arlanza Crespo Vivian Ellinger Patricia Lins e Silva Lilibeth Cardozo

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Alexandre Brandão Linda Lerner Ana Cristina de Carvalho Oswaldo Miranda Tamas Haron Gamal

ENTRE EM CONTATO CONOSCO Leitor, escreva pra gente, faça sugestões e comentários. Sua opinião é importante.

folhacarioca@gmail.com Colaboradores Alexandre Brandão, Alvino Costa Filho, Ana Cristina de Carvalho, Ana Flores, Arlanza Crespo, Carlos Wagner, Cristina Leal, Gisela Gold, Haron Gamal, Lilibeth Cardozo, Linda Lerner, Maria Zuleika, Oswaldo Miranda, Suzan Lee Hanson, Tamas, Vivan Ellinger

Captação de Anúncios Angela: 2259-8110 / 9884-9389 Marlei: 2579-1266 O conteúdo das matérias assinadas, anúncios e informes publicitários é de responsabilidade dos autores.


Cultura carnaval

Viva o Zé Pereira

Fevereiro 2011

Cristina Leal

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Você já parou para pensar qual é a diferença entre o carnaval de ontem e o de hoje? Será que as transformações por que passou o carnaval estão de acordo com as transformações por que passou o BrasiI do Império Colonial até aqui? Os entrudos, primeiras manifestações carnavalescas do Brasil, eram caracterizados pela brincadeira de sujar uns aos outros, valendo tudo: cal, água, pó de mico etc. É diferente o que ocorre hoje? Claro que sim, afinal três séculos depois o homem mudou. Mudou? Os bailes de máscaras surgiram depois dos entrudos. Da França, principalmente, vinham as máscaras, acessórios, adereços. Atrás das máscaras vinha a permissão temporária de liberar desejos e fantasias; costumes falsos tornavam-se o traje quase obrigatório do carnaval. A imaginação ganhou asas e a competição começou. Qual a melhor, a mais criativa, a mais original? Individualmente ou em grupo, virou comércio, virou indústria e estabeleceu competições e desfiles, dos bailes às agremiações recreativas, às Escolas de Samba de hoje. Lúdico, irreverente, criativo. Antes, três dias de folia; hoje, quatro dias, que encolhem ou se esticam dependendo do bairro, da freguesia. Dos bailes em salões particulares e públicos, o carnaval voltou para as ruas onde desfilavam carros cheios de alegorias e carnavalescos. Do primitivismo dos entrudos às batalhas de confete e serpentina, um salto qualitativo e temporal.

O inesquecível do carnaval da virada do século 19: Zé Pereira, o português sério e bigodudo que, de bumbo pendurado no pescoço como uma grande barriga proeminente, saía fazendo um grande estardalhaço. Era o líder da folia, do “barulho”. Passava, e atrás dele seguiam crianças e adultos batendo prato, panela, sino e pandeiro. Pare e pense rápido: não será o trio elétrico de hoje o nosso representante do Zé Pereira de ontem? Na mesma época, movido pelo mesmo espírito carnavalesco, as ruas do subúrbio e do centro eram invadidas por palhaços mascarados que, de bola de meia na mão, sozinhos ou em grupos, “horrorizavam” a vizinhança. Sobrevivem, ainda hoje no mesmo lugar, como a parte intocável do carnaval do passado ou, talvez, como os verdadeiros detentores do segredo da folia. Muitos insistem em dizer, a cada ano, que o carnaval morreu e fazem dos quatro dias de Momo simples feriados. Não é verdade. Só porque é carnaval, já no primeiro dia a gente se pega rindo do fantasiado que faz graça na esquina. No segundo dia, põe um batom mais vermelho na boca. No terceiro dia, o velho pano esquecido num canto do armário vira fantasia e, no quarto, é um folião jurado e sacramentado, que amanhece na quarta-feira de cinzas já com saudades do carnaval que passou, sonhando com a fantasia do próximo. E viva a Mangueira! Cristina Leal, roteirista-cineasta


Corpo e mente: os benefícios da massagem pontos, promove bem-estar e relaxamento, além de cuidar da saúde. Por fim, também podemos destacar a massagem dreno-relaxante que atua no alívio circulatório e muscular e, especialmente, no combate ao estresse. Todas estas podem ser realizadas em conjunto com outros tratamentos, dependendo da intenção de cada paciente e da indicação médica.

PROGRAMAS LA LIQ • MANTHUS + POWER MASSAGE Atua no combate à gordura localizada e à celulite em qualquer grau. Conjugado com a power massage local, proporciona melhores resultados na redução de medida, principalmente na região do glúteo, abdômen e perna. • DRENAGEM LINFÁTICA (MÉTODO TRADICIONAL) + POWER MASSAGE

Skin, Body and Health: venha conhecer o universo La Liq Av. Ataulfo de Paiva, 226, sala 302, Leblon, Rio de Janeiro Acesse o nosso site www.laliq.com.br ou ligue para (21) 2512-2460

Além de ativar a circulação, auxilia na eliminação da gordura localizada e toxina. Este programa é indicado para redução de medidas do corpo como um todo. • DRENO RELAX + SHIATSU Esta é uma combinação perfeita que associa alívio circulatório e muscular, combatendo o estresse.

Fevereiro 2011

Quando pensamos em massagem, naturalmente vem à tona a palavra relaxamento. No entanto, as massagens - aplicadas por profissionais altamente qualificados - têm diferentes finalidades que vão desde tratamento clínico até estético. Embora com resultados e propostas diferenciadas, todas as técnicas têm um objetivo comum: garantir saúde e bem-estar. A drenagem linfática, por exemplo, beneficia a circulação e ameniza os edemas e a celulite. Também é indicada para o pré e o pós-operatório; para tratamentos de pós-esclerose; para gestantes (a partir do 3º trimestre e com liberação do obstetra) e pós-parto. Já a power massage é uma técnica que utiliza movimentos firmes e ritmados que ativam a circulação, ajudando na eliminação de toxinas e gordura localizada. Há também a massagem desportiva - voltada aos atletas de competição e amadores – e é indicada para tratar e prevenir lesões musculares. Outra técnica é o shiatsu, método terapêutico que, a partir da pressão de determinados

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Gisela Gold

Fevereiro 2011

giselagold@terra.com.br

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Gota d´agua

Inédito

Desejo de quem sua. Gracejo pra quem sonha. Chuva veste janelas de silêncio pela cidade. Parabrisa anda enquanto moço rabisca a palavra saudade no vidro do carro. Alguém já está em casa e tem o corpo ninado por João Gilberto na vitrola. Em outro canto, gente tem a alma lavada em recital de música clássica. Romances esparramam um no sofá e dois num cobertor. Água escorre lágrimas e o Rio chora, molha, gripa e se benze. Trânsito estaciona e freia relógio dos homens atrasados para reuniões. Não é a gota d’água. É a gota de água que orienta a modernidade ocidental: nada é tão para ontem.

Era uma mulher de casamentos. Dez anos comprando pão e queijo minas com Seu Manoel, mais oito colhendo dicas com a Maria da locadora, sem contar os vinte gritando em jogo do Flamengo. Há cinco anos, escolheu a mesma calçada do homem de sua vida. Ele ousou mudar seu roteiro. Desejaram pôr um rebento no mundo. Foi tentar fazer o papel de Deus, desenhando o jeito da criança vir pra vida. Rebento veio de uma forma não escrita no caderno. Talvez escrita nas estrelas. E essas.... ah, essas só brilham sem hora marcada.

Suzan Lee Hanson suzan.hanson@gmail.com

Ervas frescas Diz um ditado popular que se opinião fosse útil não seria grátis. Mas, indo na contramão da respeitável sabedoria popular, ouso aconselhar: quem quer brincar de cozinhar, deve pensar na possibilidade de plantar ervas em casa. Pode ser em um único vaso, com poucas variedades, ou mais de um canteiro na janela do apartamento. O meu tem manjericão, manjerona, alecrim, tomilho, sálvia, salsa, cebolinha, capim-limão e hortelã. Se eu tivesse um jardim, meu canteiro seria em frente à varanda da cozinha. Mas, por quê? Porque não tem nada como o cheiro e o sabor de uma erva ainda com raiz. Se você duvida, faça a experiência de passar as mãos em uma erva plantada e outra na feira e sentir o cheiro. Não tem comparação. Quanto às ervas secas, esse é um capítulo à parte. Trata-se de outro cheiro e sabor, e tema para outra vez. Mais uma coisa a favor desta experiência: antes de usar uma erva, ter a possibilidade de sentir o seu cheiro até decidir

qual delas combinar com o prato que deseja cozinhar, é um estímulo à criatividade. Falando desse jeito parece exagero. Mas, ainda assim, provoco a vontade de que façam essa experiência. Para dar um exemplo prático - outro dia, recebi amigos em casa, e, na ausência total de algo para servir como acompanhamento de um vinho, descongelei pães franceses de alta qualidade – disponíveis nas boas padarias, sem bromato -, temperei-os com alho espremido, tomate picadinho e azeite. Tudo bem, simples bruschetas caseiras, sem sequer utilizar pão italiano. Mas, a grande diferença, foi salpicar tomilho do canteiro sobre esta mistura, cobrir tudo com um bom queijo parmesão ralado na hora, e, com uma regadinha final de azeite, levar ao forno, sem deixar torrar demais. O pão deve ficar crocante, mas ainda macio - o derretimento do queijo é secundário. Ficou realmente especial. Dias depois, ao visitar umas das minhas convidadas, encontrei um canteirinho com quatro variedades de ervas na varanda.

Pequeno

grande menino

A mãe não desgrudava os olhos do garoto que brincava com o amiguinho de pular escada. Certa hora o menino soltou: “Minha mãe está querendo que a gente não brinque com medo que eu me machuque. Acontece que meu joelho já está ralado há maior tempão’’. Acho que vou dar férias ao meu analista e marcar hora com esse menino para pular escada.


Fevereiro 2011

Novidades Serviรงos e Entregas

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Arlanza Crespo arlanzacrespo@yahoo.com

Banho de mar

Fevereiro 2011

Podemos dizer, de certa forma, que o hábito do banho de mar surgiu, no Rio de Janeiro, com D. João VI

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Tendo sido mordido por um carrapato, produzindo um ferimento que inflamou, ele foi aconselhado pelo médico a tomar banhos periódicos de água salgada. Foi então construída uma banheira perfurada, que era mergulhada na água em intervalos regulares. Esse tratamento foi feito na praia do Caju, onde foi construído um pequeno cais, tornando-se assim o primeiro balneário da cidade. Mas os banhos de mar só começaram a ser frequentes por volta de 1850, sempre sob

prescrição médica. Nesse tempo, a praia mais frequentada era a do Boqueirão, junto à Igreja de Santa Luzia. Os banhistas chegavam antes do nascer do sol e o vestuário vale a pena ser descrito: para os homens, calções de casemira escura, que iam até os pés, e camisetas; já para as mulheres, calças também de lã escura, que iam igualmente até os pés, se abrindo em babados, debruadas de cadarço branco (as mais ousadas usavam cadarço vermelho), uma touca que cobria os cabelos e as orelhas e, ainda, sapatos de lona. Uma moça correta e digna jamais pisaria na areia descalça ou com os cabelos à mostra. Com a abertura do Túnel Velho para Copacabana, em 1893, e a chegada do bonde facilitando o acesso, os banhos de mar tornaram-se mais frequentes. Data de 1906 o primeiro regulamento da prefeitura sobre os balneários cariocas, exigindo para cada um deles “sala ampla e arejada destinada a receber afogados”, um estoque de medicamentos urgentes, tais como “amônia líquida, solução de cafeína, óleo canforado

para injeções hipodérmicas” e, por fim, as peças de curativo e material cirúrgico, como “abridor de boca”, tesouras, pinças, “pincéis para provocar vômitos”, camisolas de flanela, luvas de crina e escova para fricções. O horário dos banhos foi regulamentado em 1917. Dizia o decreto municipal: “O banho só será permitido de 1° de abril a 30 de novembro das 6h às 9h e das 16h às 18h. De 10 de dezembro a 31 de março, das 5h às 8h e das 17h às 19h”, sendo que nos domingos e feriados havia uma tolerância de mais uma hora em cada período. Dizia mais: “As pessoas que fizerem uso do banho de mar devem apresentar-se com vestuário apropriado, guardando a necessária decência e compostura, de acordo com as exigências da autoridade respectiva. São expressamente proibidos quaisquer ruídos e vozerios na praia e no mar durante o período do banho.” E um parágrafo único advertia: “As transgressões serão punidas com multas de 20 mil réis ou cinco dias de prisão”. São passados pouco mais de cem anos!


Vivian Ellinger

Se existe uma coisa da qual podemos ter certeza é de que pais se preocupam com o futuro de seus filhos. Neste período de volta às aulas, procuramos as melhores escolas, cursos de idiomas e aulas de esportes que preparem nossos filhos para um futuro melhor. Apesar da lista enorme de cuidados e preocupações, existe uma lacuna que precisa ser preenchida com urgência, que não pode esperar. Trata-se da educação nutricional. A boa alimentação na infância e adolescência é importantíssima, pois garante um adulto mais saudável e é capaz de prevenir uma série de doenças. Sobram razões para investirmos na educação alimentar de nossos filhos e vários estudos científicos comprovam isso. Por exemplo, os ossos se formam na infância e a ingestão adequada de cálcio nessa fase influencia a formação da massa óssea. Outro exemplo: alguns tipos de câncer podem ser evitados com a ingestão adequada de fibras, ou seja frutas, legumes e verduras. Mais um exemplo, a prevenção de diabetes, hipertensão e doença cardiovascular. A aterosclerose leva muitos anos para se manifestar, mas as primeiras alterações podem ser observadas precocemente. Outro aspecto de suma importância é que os hábitos alimentares devem ser adquiridos na infância para que sejam

internalizados e levados para a vida toda. Nenhum pai ou mãe questiona se a criança vai tomar banho diariamente ou escovar os dentes depois das refeições, mesmo que muitas vezes ela chore e esperneie. Hoje em dia é inconcebível uma criança que não tenha adquirido esses hábitos básicos de higiene. Entretanto, mesmo pais zelosos que escolhem os melhores colégios e pagam caro para oferecer uma educação de qualidade aceitam que seus filhos tenham uma alimentação pobre em legumes, verduras e fruta. Na merenda escolar, mandam biscoitos recheados e achocolatado! Deixam as crianças irem para o colégio sem tomar um bom café da manhã! Se questionados sobre o valor nutricional dos alimentos consumidos por seus filhos, simplesmente balançam a cabeça e lamentam. Quando se fala em alimentação vimos que na maioria das famílias quem decide é a própria criança. Vocês já pensaram se fossemos deixar que as crianças resolvessem se vão tomar banho? Ou que decidissem se e quando vão para a escola? Está na hora de mudar. O ano letivo está prestes a começar e o momento é ideal para tomarmos algumas providências.

Aqui vão algumas dicas: – não deixe seu filho ir para a escola sem tomar café da manhã. Está provado que as crianças que fazem desjejum tem um melhor rendimento escolar. – a merenda tem que ter algum valor nutricional. – crie algumas regras em casa como, por exemplo, a necessidade de comer fruta, verdura e legumes diariamente. – Bebidas doces, tipo refrigerantes, deverão ser apenas para ocasiões especiais, como festas. – não torne rotineiro o final de semana “liberado”, pois estamos falando de criar hábitos. Não querendo ser repetitiva, mas seu filho deixa de tomar banho ou escovar os dentes nos finais de semana? Estamos falando de saúde! Alimentação saudável não é castigo! – procure não associar recompensa com bala ou doce e sim com um passeio, um livro ou um brinquedo. Hoje em dia a noção da importância do exercício físico já está bem difundida, mas a necessidade de uma alimentação saudável ainda necessita de divulgação. Por isso, nesta volta às aulas, é importante incluir esse item no topo da lista de preparo do futuro das crianças e adolescentes.

Fevereiro 2011

Volta às aulas

Vivian Ellinger – médica endocrinologista, presidente SBEM-RJ Contato: 2239-7041

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educação

Esperança no ano letivo

Fevereiro 2011

Patrícia Lins e Silva

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As aulas começaram. Algumas coisas mudaram na escola, outras nem tanto. Mas ainda há novidades no ar. Aquele professor que não se conhecia, uma nova coordenação, um novo livro, alguns novos colegas. Ainda se sente fortemente no ar a atmosfera de expectativa, de vontade de começar bem, de aprender, de estabelecer novas relações sociais. Todos estão crescendo e quando se é jovem há sempre um mundo a conquistar. Os feriados do carnaval interrompem uma rotina escolar que mal começou. Mas quem sabe pode servir para se pensar sobre a organização do estudante para o ano letivo? Afinal, a escola vai funcionar até o fim do ano. Um estudante, desde bem jovem (ou desde sempre?), deve saber o que é que se espera dele neste papel. O que é ser estudante? Uma boa reflexão para pais, filhos e escola. Todos devem construir o significado da ida do aluno à escola. Em princípio, não se vai à escola apenas porque é uma instituição de frequência obrigatória numa sociedade que exige níveis comprovados de escolaridade para o exercício de diversas ocupações, isto é, de certificados legalizados de conclusão de cursos. Não se vai à escola apenas para cumprir uma exigência burocrática. Famílias, escola e alunos esperam mais, têm expectativas quanto à função da escola

como provedora de conhecimentos. Há divergências quanto aos conhecimentos mínimos necessários para crianças e jovens, mas há a expectativa de que o aluno aprenda alguma coisa na escola. Então, o que é ser estudante? Estudante, como qualquer ser humano, é interessado em tudo e está sempre procurando respostas as suas indagações. Não importa se está ou não na escola. É possível conciliar a vida e a escola? Certamente, já que ambas tratam da mesma coisa. Vida e escola não são excludentes. Para garantir a escola na vida e a vida na escola é preciso acreditar que aprender é divertido (e se leva para fora da escola) e que ensinar inclui falar da vida (que se traz para dentro da escola). Na escola o aluno encontra muitos motivos para se divertir: o encontro com os amigos, as conversas no recreio, as brincadeiras no pátio, os jogos, os livros, os filmes, os projetos que constrói com colegas e professores, as aulas com a descoberta de vários assuntos desconhecidos, o exercício da curiosidade etc. Como manter sob controle tanta coisa? Como organizar o tempo de modo a que a passagem do ano escolar traga a sensação de desafios enfrentados, de curiosidades satisfeitas, de enigmas resolvidos, de tempo de estudo recompensado, de assuntos aprendidos, sem dificuldades desnecessárias, sem a sensação de tarefas não cumpridas? Como não perder as datas

das provas nem os prazos dos trabalhos? Como exercer o papel de estudante? Seguem algumas sugestões que podem contribuir para que cada um se organize. – destinar um lugar apropriado e determinado para os livros e cadernos. – ter uma mesa onde possa estudar. – programar o tempo semanal, organizando a agenda para cada semana de aula. – organizar os dias de modo a estudar todos os dias. Ou ter tempo para refletir e pensar sobre diversos assuntos conscientemente todos os dias. – acompanhar as discussões e professor, mantendo o foco de sua atenção nos assuntos de classe. – contribuir para a discussão do grupo em aula, fazendo comentários pertinentes. – usar um caderno de anotações nas aulas e fora delas. – anotar no caderno as reflexões feitas em casa e levar para as discussões das aulas. – procurar na internet, em livros e revistas assuntos que contribuam para pensar sobre o que ouviu nas aulas. – pesquisar para acompanhar e participar de cada aula do dia seguinte. – realizar todas as tarefas propostas em classe. – interessar-se para além da obrigação escolar, ler jornais, livros, assistir a filmes. Os feriados de carnaval darão tempo suficiente para aderir à folia e refletir de como exercer o papel do estudante no ano letivo.


Lilibeth Cardozo

lilibethcardozo@hotmail.com

“Tristeza não tem fim felicidade sim... A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor brilha tranquila depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor.” A Felicidade Vinícius de Moraes e Tom Jobim

Detesto esta quase obrigação de estar sempre feliz! Você nem pode um dia estar de mau humor, estar zangada com alguma coisa, se sentido abandonado ou triste. Lá vem cobrança: “que tal melhorar esta carinha?” “Por que não se arruma e vai dar uma volta?” “Dê uma caminhada, olhe que céu azul, que dia lindo!” Nos pacotes modernos, nos instrumentos eletrônicos, nos papéis de seda, nesta louca e agressiva comunicação de massa, estão sempre escritas as frases da felicidade a qualquer custo. Uma fisionomia triste ou preocupada não gera lá muitas perguntas do tipo “Você está bem?”, “Posso te ajudar?” ou “Quer conversar”. São sempre assertivas do tipo, você não está bem ou, muito piores, os comentários de longe, “Fulano é mal-humorado”, “Ela é PMD”, “É bipolar”, “tem TOC” e essas e outras leviandades que se diz sempre tomando emprestado

da Psicologia ou Psiquiatria o diagnóstico de coisas muito sérias. Ninguém recorre, lá no seu dicionário arquivado na vivência e no aprendizado, a umas velhas e humanas considerações: “Tristeza é um sentimento humano”. Quem está triste pode, também, ser feliz. E quanto mais moderno, mais culto, mais informado, mais o verbo analisa, avalia e diagnostica. Os mais simples lidam mais verdadeiramente com essas emoções. Vocês já viram funeral de gente pobre, gente simples? Compararam com um de ricos e muito bem educados? Nos enterros do povão as manifestações de dor são genuínas, escancaradas, gritadas, expressas tal como são suas manifestações de alegria, indignação ou aborrecimentos: verdadeiras. Nos funerais de rico convencionou-se um enredo de vestes pretas, óculos escuros e tudo mais que possa mascarar as lágrimas e a dor. Se tiver alguém muito emocionado e chorando muito, tem outro alguém pronto a oferecer um comprimidinho daqueles que tampam a dor e um outro alguém para criticar a falta de controle ou, ainda pior, dizer: “está fazendo teatro”. Já vi até menino em enterro de mãe, vestido de paletó e de óculos escuros. Lembro sempre da imagem do então menininho, filhinho da Lady Diana, no funeral da mãe, talvez quebrando protocolos, com emoção verdadeira, sem ritual, colocar um pequeno ramo de flores sobre o caixão de sua mãe. Nunca mais esqueci daquela cena. A velha Inglaterra espalhou pelo mundo a imagem de uma mulher que sentia, sofria, adoecia, mas não acho que tenha sido a infeliz. E talvez ela tenha deixado pros seus filhos que essa mania de ser feliz é uma coisa muito chata e que é permitido, sim, sentirmos, sofrermos, nos entristecermos e nos alegrarmos, mesmo que humanos, sejamos, reis, príncipes ou princesas. Adoro ver como as emoções humanas, ainda nada lapidadas ou cerceadas, brotam nas crianças. Se têm medo, choram, se dói, choram, se estão felizes, sorriem, se zangadas, protestam. E nós, adultos civilizados (?) vamos ensinando a eles um montão de “não

pode” que, vão sufocando as emoções de dor, de tristeza, de indignação e os fazem embotados. Quantos adultos conhecemos embotados? O cadeado foi fechado lá na infância e o bichinho muitas vezes passa a vida inteira procurando as chaves. Felizes daqueles que conseguem arrancar as trancas, na força ou no paciente estudo da engrenagem da fechadura. Acho que quando crescemos a “céu aberto” na realidade, de mãos dadas as nossas mais genuínas emoções, nos expandimos, crescemos e brotamos para sempre buscar os ramos de nossa felicidade. Parando alguns minutos em frente da televisão, folheando uma revista ou lendo as inúmeras mensagens publicitárias espalhadas pela cidade, tudo está voltado para ser feliz! Se eu comprar determinadas roupas, mudar a cor do cabelo, consumir um tal alimento, eu vou ser muito mais feliz. Nas livrarias e bancas de revista multiplicam-se os livros e revistas com extensos textos sobre como ser feliz: seja feliz no trabalho; seja feliz com seu marido, seja feliz com sua mulher; caminhos para a felicidade, criança feliz, mulheres felizes e mais, muito mais. Mas o que é essa felicidade que se vende? A prescrição, quase médica é estar bonita, bem cuidada, sorridente, amando e sendo amada, com casa, comida, amigos, programas, festas. E nunca, nunquinha mesmo, ficar triste. Tristeza não combina com o mundo moderno, tristeza é entendida como infelicidade e tornou-se imperativo ser feliz para que não se faça a infelicidade do outro. É obrigatório não ficar nunca, nunca mesmo, nem mesmo um pouco triste. Ah, que coisa chata! Será que vou ficar bastante alegre hoje e morrendo de felicidade só porque consegui terminar de escrever este texto? Pena que não possa vender, pois no mercado moderno essas coisas podem mesmo valer uma grana; afinal estou “vendendo felicidade” com esse pontinho final. Felicidade sim, mas verdadeira, sem ter de comprar nada. Ou, enfrente a sua tristeza. É humano ficar triste!

Fevereiro 2011

Esta mania de felicidade

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solidariedade

Vieira - distrito de Teresópolis: a solidariedade vivenciada Carlos Wagner

Fevereiro 2011

Dia 12 de janeiro é um marco na região serrana do Rio de Janeiro. Essa data está gravada na lembrança de cada morador fluminense. A catástrofe vivida e assistida em detalhes na mídia tem componentes trágicos e heroicos. Tenho um sítio na nascente do rio Vieira, no distrito de Teresópolis, que leva o mesmo nome, uma das regiões mais afetadas pelas chuvas, e pude testemunhar o impacto ocorrido na cidade. O turismo e a agricultura são as principais atividades econômicas da região, resultado da combinação favorável de clima ameno e água em abundância. As terras da região são valorizadas e até onde a vista alcança vemos terraços de lavoura cultivados ou sendo preparados para tal. Por ser uma região montanhosa, a demanda sobre a utilização da terra muitas vezes ultrapassou os limites do razoável, com moradia e terrenos de lavoura preparados em aclives “suicidas” e margens ocupadas literalmente sobre o leito do rio. A essa situação se somou a ocorrência do maior volume de chuva dos últimos sessenta anos, pois ela não poupou nem mesmo uma pequena represa construída nesse rio em 1950. Heróis saíram de seus anonimatos e arriscaram a vida contra a força das águas ou no perigoso resgate de sobreviventes dos deslizamentos de barrancos. Alguns até morreram neste ato. A catástrofe mudou a cidade fisicamente e o emocional dos moradores. Todos tiveram que lidar com situações adversas, quase sempre guiados por suas éticas pessoais.

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Foto: Wilton Júnior/AE

Foto: Carlos Wagner

Após os primeiros momentos dedicados a encontrar sobreviventes, a atitude geral foi direcionada aos necessitados. À presença do poder público com máquinas e pessoal responsável se somou a ajuda expressiva de doações e trabalho voluntário, vindos de diversas partes do Brasil e até do exterior. Muitos moradores receberam a visita de pessoas em camionetes ou motos levando remédios, roupa, comida, água potável, material de higiene e brinquedos. Três dias depois da tragédia, encontrei vários grupos percorrendo os caminhos, perguntando de casa em casa se precisavam de alguma ajuda, anotando quantas pessoas moravam aqui e ali para retornarem depois com novas ajudas. Grupos de várias origens estavam lado a lado na logística, assistência médica, segurança ou simplesmente o apoio a quem trabalhava diretamente para recompor a cidade. O que fazer quando vemos destruição e necessidade por todos os lados? Enquanto um dono de supermercado anotava o nome de cada cliente e permitia que levasse fiado para um dia, quem sabe, pagar, outro aumentou os preços de quase todas as mercadorias e de tanta revolta popular foi passar um tempo na delegacia. Creio que para manter sua integridade física. Aos heróis visíveis somaram-se os desconhecidos: um vizinho não aceitou nem uma cesta básica, pois percebeu que muitas famílias estavam em piores condições que ele. Outra família que perdeu tudo que havia em casa me disse que sua única necessidade era de lençóis, pois recebera uma peça de roupa para cada membro da família, e ainda profissionais gratuitamente trabalhando em suas especialidades, muitos recebendo a gratidão ou um sorriso em troca. Mesmo depois de dias do ocorrido, a chegada de donativos ainda se faz presente, mas agora a ajuda necessária passa a ser de outra natureza. Com 20% das lavouras destruídas e o turismo praticamente nulo, manter o nível de emprego tem sido uma

atitude de coragem e otimismo. Vários estabelecimentos estão fechados, por falta de cliente, mercadoria ou estrutura física. Vieira se recupera devagar: muros aparecem onde só existia uma singela cerca; vazios onde existiam moradias, comércios ou plantações; e casas permanecem abandonadas com a marca da água na parede de um, dois ou três metros de altura, testemunhas vivas do que se passou naquela noite. A solidariedade do primeiro momento ajudou a suportar a dor de tantas perdas, agora a luta se estabelece em recompor o que foi destruído. É chegado o segundo momento de solidariedade, quando a presença do poder público é imprescindível, orientando a reconstrução com indicação das áreas que podem ser ocupadas e conscientizando sobre aquelas que devem ser preservadas; executando um plano de recuperação de encostas e manutenção de estradas vicinais essenciais para o escoamento dos produtos agrícolas. Chegará também o momento de refletir porque tantas vidas foram perdidas, o que fazemos e como lidamos com a natureza. Será que continuaremos imaginando que podemos domá-la e que uma catástrofe desse tamanho nunca ocorrerá onde vivemos? A natureza não está reagindo contra nós, apenas retornando o que mudamos ou retiramos dela. Cabe a nós aprendermos a conviver com ela, e nisto não estamos nos saindo bem.


Alexandre Brandão

No Osso

xanbran@gmail.com

Foto: Wilton Júnior/AE

Nada de escrever maldizendo Deus, senhor da chuva e do homem. Quero apenas esboçar uma oração à criança que não virá a ser isso ou aquilo. Ao velho que não poderá morrer com os filhos a seu redor. À mulher que não irá parir o feto que carrega. E ao filho que não rebentará. Ao pai que não deixará de beber. Ao jovem que cai doido de crack no colo da morte. Ao casal que leva o amargo das carícias interrompidas. (Abraçado ao álbum de casamento.) À tia que não se casará. Ao bombeiro soterrado. Quero improvisar uma canção para, à moda de Drummond, fazer dormir uns e acordar outros. Fazer dormir os que morreram inconformados. Os que foram embora sem acreditar no amor. Os que se viram melhor mortos do que vivos. Nada no além lhes dirá respeito. (Isso não necessariamente é ruim.) Despertar os anjos que andavam perdidos entre nós. Os mendigos que louvavam a segurança do verão serrano. Os pobres que conquistaram uma casa como exércitos

conquistam terras. E os bichos, que não têm dimensão da morte. É deles o reino dos céus. Quero depositar meu silêncio sobre as fotografias da tragédia. Quero fechar meus olhos à idiotice dos pragmáticos. Ah, criança que seria alfabetizada este ano, vai sem saudade dos homens. Aposentado pelo INSS, vai sem saudade dos homens. Gigolô, craque de bola, ás do skate, menina que gostava de menina, baderneiro de rua, filatelista, fã da Carmem Miranda, gótico, turminha do baile funk, vão, mas vão sem saudade dos homens. Aqueles cujo convite de missa circulará nos jornais. Aqueles cujo convite de missa circulará de boca em boca. Aqueles que não terão missa, mas serão lembrados em cultos. Aqueles que não terão nenhuma homenagem religiosa. Por fim, aqueles que não serão encontrados. Vão sem saudade dos homens. Vão sem saudade dos homens. Sem nenhuma. Eu fico. Triste, minha única vontade é mijar no pé do poder.

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Choveu

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Eles estão de

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Turistas falam à Folha Carioca como curtem o Rio de Janeiro

Foto: Rodrigo Cardozo

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férias Lilibeth Cardozo Paulo Wagner

Cariocas observam os diferentes sotaques da língua portuguesa e vários idiomas falados nas praias, nos pontos turísticos, nos centros comerciais e culturais e nos “embalos” da noite. A Folha Carioca foi conversar com turistas, estrangeiros e de outros estados brasileiros, ouvir deles as satisfações de curtir a cidade, suas reclamações e sugestões para que o abraço ao turista o prenda mais dias na cidade ou deixe saudades. “Vale a pena conhecer o Rio. A cidade é realmente maravilhosa!”. Foi assim que Frederico, um brasilense, manifestou sua satisfação em passar as férias no Rio de Janeiro. Em Copacabana, bairro que não pode faltar no roteiro de nenhuma pessoa que pretende conhecer a cidade, uma noite de calor abrasador de domingo, o calçadão fervilhava de cariocas e turistas. Foi naquele cenário que a Folha Carioca encontrou o casal Vanda e Frederico jantando num quiosque da orla. Os dois disseram que todos os anos vêm ao Rio por cinco dias, dos trinta em que gozam suas férias. Eles complementaram: “Dividimos o mês em períodos de cinco dias e todos os anos visitamos seis lugares diferentes, mas o Rio está sempre no roteiro. O Rio é uma cidade de gente boa e prestativa.

De todos os estados do Brasil que já visitamos este é o mais receptivo”. Frederico acrescenta: “Nos últimos anos o Rio mudou muito e para melhor. Visitamos a cidade desde 1987 e nunca tivemos problemas com a segurança. Observamos que ela está mais policiada e os serviços de limpeza funcionando muito bem. A cidade fica muito suja por conta da falta de educação do povo. Agora mesmo assistimos a uma turma de garis varrendo a calçada e logo a seguir vários lugares estavam sujos de novo. Não há serviço público que dê conta!” O casal, hospedado em Copacabana, foi visitar a Igreja da Penha pela primeira vez e ressaltaram a receptividade que tiveram ao chegar ao local. Segundo eles, foram recebidos por um policial militar que fazia a segurança próxima à igreja e ouviram instruções de como circular na região, até onde deveriam ir e o melhor transporte para voltar à Zona Sul. “Ficamos muito bem impressionados”, acrescentou.

Na Urca encontramos na estação do bondinho do Pão de Açúcar turistas brasileiros que se dispuseram a comentar suas férias. Ariel é uma jovem paulista de 18 anos de idade que escolheu passar os meses de janeiro e fevereiro na cidade. Hospedou-se numa pensão em Copacabana e o namorado, Marco, também de 18 anos, veio ao Rio por um fim de semana. Ariel, há 32 dias na cidade, disse que estava gostando muito do Rio, embora tenha algumas críticas. Ela nos diz: “Fiz a parte cultural e gostei de tudo. Adorei a arquitetura da cidade, principalmente o que foi preservado no Centro. Visitei o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional e vários outros prédios e centros culturais. O que não gostei foi a falta de atenção ao turista. Algumas pessoas são ignorantes e não dão atenção”. Quanto aos cuidados com a cidade, Ariel sentencia: “O Rio é um lixo! Os bairros onde os moradores têm

Vanda e Frederico, moradores de Brasília, sempre passam alguns dias de suas férias no Rio de Janeiro


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maior poder aquisitivo, como Ipanema e Leblon, percebemos que são mais limpos. Mas a cidade como um todo é suja demais”. Marco nos diz que achou o Rio mais bonito do que imaginava. Ele comenta: “Os cariocas estragam as belezas da cidade, não cuidam e destroem os monumentos com pichações”. Quanto aos preços, consideram caros, mas justificam os valores por estarem visitando a cidade na alta temporada. Tarcísio, também paulista, é um turista habitual da cidade e nos diz que o Rio de Janeiro melhorou e está lindo. Ele chegou num navio que faz cruzeiro de Santos ao Rio. Tem usado as vans de companhias de turismo para os passeios e elogiou o serviço. Tarcísio destacou alguns pontos fracos da cidade tais como poucos banheiros públicos nos pontos turísticos que, segundo ele, quando existentes, são mal higienizados. Reclamou da alimentação pouco diversificada nos quiosques das praias e dos preços

altos praticados nesses estabelecimentos. Ele nos diz: “Uma água de coco por R$3,50 é cara demais e uma latinha de cerveja a R$ 4,50 é um absurdo!” Embora com queixas, que ele mesmo considera normais, Tarcísio ressalta: “O Rio de Janeiro é uma cidade linda e merece ser bem cuidada. O carioca precisa cuidar melhor dela!” Conversamos também com um casal de gaúchos, Claudio e Jaira, turistas de férias com seus filhos, Leonardo de 15 anos e Andressa de 11 anos. Eles visitavam o Pão de Açúcar e estavam bem felizes com as férias na cidade. O filho do casal, um jovem acostumado a ver as imagens da cidade na televisão e ainda não preparado para separar filmes e fotos da realidade, se disse decepcionado porque esperava muito mais e reclamou: “As imagens da TV e as fotos enganam muito. Eu esperava que tudo fosse mais bonito. Achei as praias sujas e as pessoas feias. Na TV é tudo muito mais bonito”. Claudio, que já conhecia o Rio, fez reclamações quanto ao serviço de táxis e sentiu-se até agredido com o assédio de taxistas no aeroporto. O turista também fez queixas quanto aos preços da alimentação e das taxas cobradas nos pontos turísticos. Sua esposa, Jaira, dizia-se encantada com a cidade por suas belezas e não tinha reclamações. Na noite em Copacabana a Folha Carioca conversou com outra família gaúcha composta por um casal, Roberto e Jack, e dois filhos adolescentes, Bruno, de15 anos e Lucas, com 13, vindos de Porto Alegre. Desses, só Roberto é carioca, mas vive há muitos anos no sul e, com conhecimento da cidade faz questão de comparar alguns serviços, tal como a segurança. Ele destacou:“O Rio está muito bem policiado, muito melhor que Porto Alegre. A população carioca não tem noção de como a cidade

Acima, o casal Ariel e Marco reclama da falta de atenção com os turistas

está bem equipada”. Os sulistas destacaram também os danos causados pelo acúmulo de lixo nas ruas e ressaltaram que não só a população suja como, principalmente, os restaurantes que deveriam zelar pela cidade e lucrariam mais com uma maior limpeza no entorno. Um dos destaques comentados pela família foi a quantidade e qualidade de programas culturais gratuitos dispostos pela cidade. Roberto e Jack comentaram, bem impressionados, sobre a peça de teatro que assistiram na véspera: ”Vimos cenas das mais importantes peças de William Shakespeare - como Ricardo III, Romeu e Julieta, A megera domada, A tempestade e Sonho de uma noite de verão -, entremeadas com esquetes e sonetos musicados, num belo palacete, ao redor da piscina da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, e não gastamos nada. Foi maravilhoso.”, referindo-se ao espetáculo ShakesParque, em cartaz durante todo o mês de fevereiro, com entrada franca. No mesmo cenário conhecido internacionalmente, no calçadão da praia de Copacabana, entrevistamos dois jovens argentinos, Mariano, de 26 anos e Maximiliano de 22, que fizeram rasgados elogios à cidade. Hospedados em um albergue na Lapa, elogiaram as belezas naturais do Rio, a diversão farta e destacaram a beleza e alegria das mulheres cariocas. A única reclamação foram os preços altos, que foi ressalvada pela diferença de valor do real com o peso argentino. Mocinhas do norte do Brasil, Gabriela de 17 anos de idade e Isabella de 13, visitavam o Rio pela primeira vez. Encantadas pela cidade consideraram os cariocas muito diferentes. Perguntadas sobre as diferenças que veem entre o Rio e suas cidades de origem, Manaus e Macapá, as moças se disseram encantadas com o comportamento e jeito carioca e comentaram: “São pessoas descoladas, soltas, que falam com todo mundo”. As meninas felizes com as férias, não deixaram de ressaltar o quanto estavam encantadas com o que o Brasil e o mundo continuam chamando de Cidade Maravilhosa. A impressão das nortistas foi comentada também por Celina, uma atriz de teatro na Argentina que visitava o

Andressa, Claudio, Jaíra e Leonardo no Pão de Açucar: opiniões diferentes sobre a cidade

O casal Roberto e Jack e seus filhos, Lucas e Bruno, curtem a noite em um quiosque em Copacabana


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lugares do Rio, e serve para mim como ponto de referência. Recomendo uma ida ao Pão de Açucar, ao Jardim Botânico e a lugares únicos no Centro revitalizado, como a Feira do Lavradio, a Confeitaria Colombo, as exposições no Centro Cultural Banco do Brasil, o Theatro Municipal, o Real Gabinete de Leitura, entre outros. Nem mesmo de madrugada a cidade para, quando é mais fácil encontrar a nova geração se divertindo na Lapa. Lá você encontra desde os shows no Circo Voador e na Fundição Progresso até as casas de samba, passando por uma infinidade de botecos e ritmos”. A mineira, que já se considera meio carioca, não acha a cidade suja e elogiou o serviço de limpeza das praias, que considera bastante eficiente, com equipes trabalhando dia e noite. Como ponto negativo reclama dos altos preços de hospedagem e moradia. Outro item que destaca é a triste realidade da mendicância, principalmente nos bairros de Copacabana e no Centro. Em sua opinião os preços da alimentação e compras em geral estão dentro Fevereiro 2011

Rio pela primeira vez. Celina nos perguntou se o jeito descontraído de vestir dos cariocas era um hábito de todas as classes e enfatizou que a informalidade e criatividade a encantaram. A opinião da atriz argentina foi também assinalada por jovens de outros estados do Brasil, como a catarinense Martha, que nos disse: “Muito bom poder usar Havaianas, shortinhos ou passar o dia inteirinho de biquíni e uma canga. Só no Rio ninguém te olha diferente por estar vestido assim e entrar numa loja ou num restaurante”. Isabel Cristina, 52 anos, é moradora de Belo Horizonte e sempre que pode vem passar as férias e os feriados prolongados no Rio de Janeiro. Para ela o turismo na cidade oferece diversas atrações naturais e culturais, e longe do estigma da violência mostrada na TV, continua linda. “Com uma natureza exuberante, que a torna uma das áreas urbanas mais bonitas do mundo, a cidade ainda guarda relíquias inestimáveis da época em que foi capital da República, joias que contam a nossa história espalhadas entre montanhas, mar, asfalto e favela. Não por acaso, o Rio é uma cidade em que vista de quase todos os ângulos é um cartão-postal”. Isabel aponta como ponto positivo a grande quantidade de eventos gratuitos que ocorrem nas ruas da cidade. Como o lugar que mora é cercado de montanhas, com muitas ladeiras, poucas áreas planas e longe do litoral, ela adora frequentar as praias e caminhar pelos calçadões da Zona Sul no fim da tarde, apreciando a vista do mar e das areias brancas e finas, para no final beber uma água de coco gelada e assistir ao por do sol. Destaca que nos domingos e feriados o melhor programa para curtir a cidade é andar pelas pistas que beiram toda a orla, do Leblon ao Leme, passando pelo Arpoador. Diz que é um grande, harmonioso, delicioso ir e vir de gente de todo o tipo, aproveitando a ausência de trânsito, pois os carros são proibidos de circular na beira-mar nesses dias.

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Isabel, moradora de Belo Horizonte, diz que em breve virá morar no Rio Os argentinos Mariano e Maximiliano disseram estar impressionados com a beleza das mulheres cariocas Gabriela e Isabella ficaram encantadas com a cidade e pelo jeito descontraído dos cariocas

Com relação à segurança, Isabel acredita que melhorou bastante nos últimos anos. “Antigamente eu tinha medo de vir ao Rio por conta da violência. Hoje faço meus trajetos de ônibus, táxi ou a pé, e não acontece nada que me faça ficar insegura. Não confio inteiramente nos taxistas, como em qualquer lugar do mundo, mas se o turista estiver com disposição para circular pela cidade, não lhe faltará o que fazer. Eu sou encantada pela estátua do Cristo Redentor, no alto do Corcovado, que pode ser vista de quase todos os

do esperado. Para Isabel, além da beleza natural, duas coisas diferenciam a cidade: o alto astral da população e o jeito descontraído de se vestir do carioca. E conclui a entrevista confessando que logo não será mais uma turista na cidade, pois pretende vir morar no Rio de Janeiro o mais breve possível.


vida saudável

Estresse e o sistema

Imunológico

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Linda Lerner

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Nosso corpo tem um impressionante mecanismo de proteção chamado sistema imunológico. Ele foi elaborado para defendê-lo de milhões de agentes infecciosos como bactérias, micróbios, vírus, toxinas e parasitas que adorariam invadi-lo. Existem vários fatores que podem danificar o sistema de defesa, tais como a má alimentação, a falta de exercício, a baixa qualidade do ar e da água e o estresse psicológico que influencia profundamente o terreno no qual o grão de um câncer pode se desenvolver. Os traumas trazem um forte sentimento de impotência, de que a vida não nos pertence mais e de que não há mais alegria a se esperar dela. Esse aspecto “psico” do nosso cérebro libera hormônios que ativam o sistema nervoso, aceleram o ritmo cardíaco, fazem subir a pressão arterial e tensionam os músculos para que estejam prontos para os golpes. Em decorrência os glóbulos brancos, que têm receptores, detectam o que se passa dentro do cérebro e reagem em função dessas oscilações emocionais. Não é o estresse em si que causa as doenças e sim os “choques elétricos” que a vida nos apresenta, que favorecem a progressão do câncer. É a nossa maneira de responder a eles, com sentimento de abandono, a não expressão das emoções, a falta de calma interior, impotência e desequilíbrio que nos invadem diante das provações. De uma forma ou de outra todos nós fomos feridos e aprendemos a sentir vergonha disso. Nossa única saída para obter saúde e manter o equilíbrio é modificar hábitos e passar a funcionar de outro jeito. Para sermos plenamente humanos devemos estabelecer com o outro uma relação a mais autêntica possível. Para isso, é preciso ultrapassar a imagem que temos de nós mesmos e a que fazemos dos outros. Devemos saber, no mais íntimo, que somos intrinsecamente ligados para nos reconstruir, para transformar e aprender a atribuir aos outros estes mesmos poderes. Nosso grande desafio é reencontrar esta força vital que nos conecta com a vontade de viver e reagir positivamente, e de forma criativa, perante a vida. Um bom terapeuta, terapias

alternativas, alimentação saudável e exercícios físicos prazerosos sempre integrados nos trazem a alegria e o prazer de estar vivo. Para cada ser humano haverá um caminho de encontro à luz criadora de ação. Algumas dicas para a reconstrução do sistema imunológico: - praticar atividades físicas sempre ligadas ao prazer, divertimento e alegria. Quanto mais o exercício for lúdico, mais fácil será continuar a ação. - praticar atividades físicas regularmente, não necessariamente com muito esforço, mas sim com frequência. - as atividades suaves, como a ioga, tai-chi que estimulam delicadamente, melhoram a autoestima e o fluxo energético. - fazer uma dieta balanceada, rica em vegetais crus, frutas, castanhas e cereais. - evitar os produtos químicos e industrializados, sempre que possível. - aprender a deixar as emoções se dissiparem sem se prender a elas. Nosso corpo foi desenhado para se movimentar... assim o oxigênio e nutrientes serão facilmente transportados para todas as células. Conscientizarmos da beleza e da vida que existe dentro de nós, e de nossa criança interior, requer atenção e cuidado. Essa consciência nos permite evitar a degradação da saúde e também nos apropria de tudo que nos nutre e anima nossa força vital. Linda Lerner Educadora de Saúde pelo Hipocrattes Health Institute – Flórida/EUA Coordenadora de aulas sobre alimentação saudável lindalerner7@gmail.com tel.: 2286-8772 / 7867-9809


saúde e bem-estar

Pilates para

São inúmeros os benefícios da prática de Pilates para corredores de fundo, os que percorrem grandes distâncias. Tanto que técnicos e treinadores do mundo todo têm incluído esse método na rotina de treinamento de seus atletas, em busca de melhores resultados. Os corredores que adotam o treinamento utilizando Pilates aprimoram a capacidade física relacionada às estruturas neuromusculares que são essenciais na corrida. Adquirem uma postura correta, que é de fundamental importância, pois promove o melhor aproveitamento biomecânico, evitando sobrecargas nas articulações, ossos, músculos e trazendo maior economia nos movimentos. Isso faz com que os corredores consigam suportar a sequência de disputas, prevenindo lesões, amenizando o desgaste físico, a fadiga muscular, as dores nas articulações e, principalmente, conseguindo desenvolver mais velocidade com menos esforço. O foco do treinamento de Pilates é a estabilização dinâmica do Core (que é formado pelos músculos abdominais, o diafragma, os estabilizadores da coluna e o períneo), fortalecendo assim os músculos necessários para a estabilização da pelve e da coluna vertebral. Outro ponto

importante é o sincronismo da respiração com o gesto específico da corrida, melhorando de forma expressiva a postura do corredor. Com esses resultados o corredor afasta o risco de lesões esportivas relacionadas aos desequilíbrios musculares que podem estar presentes no atleta devido à diferença de força e flexibilidade entre grupamentos que atuam na mesma articulação. A prática de Pilates nos aparelhos proporciona um aumento da consciência corporal e o reconhecimento, e a reabilitação dos desvios posturais e desequilíbrios musculares. Os movimentos básicos da corrida exigem uma coordenação precisa de todo o organismo que alonga, flexiona, gira e se contrai. Durante a corrida, as rotações da coluna, da pelve, dos ombros e da cabeça devem ocorrer de maneira fluida e, para isso as articulações devem estar móveis e flexíveis, permitindo que os membros trabalhem de forma dissociada, sem movimentos em bloco. A rotina de treinamento de Pilates deve ser instalada de forma gradativa no programa do corredor. Mesmo em atletas de alto nível devemos respeitar a adaptação fisiológica ao novo estímulo. Os resultados começam a ficar evidentes após 10 semanas de treinamento.

Para atletas de alto nível ou para os corredores que praticam o esporte com finalidade de prazer e bem-estar, o treinamento deve ser adotado alternando os estímulos leves e pesados para não levarem o atleta ao over training. O treinamento de Pilates deve ser realizado alternando a rotina de força e resistência muscular localizada com a rotina de treinamento com caráter de recuperação, através de alongamentos, estabilizações, correções técnicas e posturais e exercícios mais desafiadores de equilíbrio. Os melhores resultados vêm quando existe um sincronismo entre mente e corpo trabalhando juntos para alcançar a melhor performance desejada pelo corredor. O treinamento de Pilates vai estimular ao mesmo tempo a mente e o corpo do atleta, desenvolvendo a arte da concentração e ensinando-o como usar sua energia em favor de melhores resultados. A prática de Pilates vai transformar sua corrida numa movimentação fluida entre sua mente e corpo. Experimente! Ana Cristina de Carvalho Espaço Pilates Gávea anacris.c@terra.com.br

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corredores

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Espaço Oswaldo Miranda oswaldomiranda@uol.com.br

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Antigamente - e bota antigamente nisso, pois comigo é tudo anos-luz - havia na Rádio Nacional o belo programa Honra ao Mérito, comandado pela voz bonita do Heron Domingos. Propunha-se a homenagear aquelas pessoas que não passaram pela vida em branco. E que infinidade, por aí... santo Deus! Pessoas que quando saem, deixam um grande saldo para a posteridade. Houvesse ainda, então, o citado programa, quem certamente estaria lá, no auditório, ao microfone, recebendo o reconhecimento público pelo que realizou na vida - uma definitiva obra em favor da cultura em nosso país - seria o maestro Florentino Dias. Sua impressionante jornada com a Filarmônica acompanho desde que o coloquei, com seus 72 instrumentistas, diante das câmeras, no “Show sem limite”, do nosso saudoso J.Silvestre, liderança total na TV daquele tempo, na Tupi. Era o programa do casamento da Noivinha da Pavuna e suas irmãs, ela o mito Leni Orsida, que respondera sobre o poeta português Guerra Junqueiro. Marcamos então o recorde ainda hoje não superado de Ibope, com 80% de audiência! A Filarmônica abrilhantaria a festa com Villa-Lobos e outras peças e ainda um arranjo especial sobre o clássico “Na Pavuna”, feito pelo maestro Ary Barbosa. Na plateia, emocionados, Almirante, o criador do samba e o autor, Homero Dornelas, o popular Candoca da Anunciação. Passagem da década de 60 para a de 70.

Deu na

mídia

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A fascinante saga de um maestro e o comovente apelo à Dona Dilma E lá vem nosso idealista, visionário, lutador, maestro Florentino Dias na sua via crucis à frente de sua orquestra. Pagando do próprio bolso, investindo seu INSS, vendendo a casa, recorrendo a tudo e a todos para manter sua orquestra. Que saga a desse homem Florentino, que vem de Florença, de flor, de florescência... Aos 87 anos de idade, completa 50 anos, sim, meio século, de carreira envolvido com sua arte. Nasceu em Traipu, interior de Alagoas, uma das três cidades mais pobres do país. Menino, rapaz, adolescente, aventurou-se em busca de seu ambicioso projeto de vida em prol da música, pronto ao sacrifício no Rio de Janeiro, capital da República. Estudos já aos 9 anos, mais tarde nos Fuzileiros Navais, onde cresceu chegando a regente da famosa banda. Daí pra cá, a dura caminhada sem jamais esmorecer. O currículo é de espantar. Aqui, não dá. Mas quem se interessar e quiser saber, é só acessar www.filarmonica-rio.com. br ou pelo e-mail orquestrafilarmonica@yahoo.com. Tem tudo e resumo: mais de 150 concertos, defensor do músico brasileiro, professor titular da Escola de Música da UFRJ, mestrado em regência pela Washington University, regente em festivais por toda a Europa, Estados Unidos, Ásia, várias condecorações... Não, não cabe. Preciso espaço para um detalhe importantíssimo. É uma carta endereçada à presidente Dilma Roussef.

O maestro Florentino Dias (à direita) recebendo a medalha do Mérito da República Marechal Deodoro da Fonseca

Florentino deseja comemorar o cinquentenário de sua carreira com um grande concerto no Theatro Municipal. É seu desejo que Dona Dilma esteja presente. Por outro lado, na carta, ele pede à presidente, não só que reserve data em sua agenda para poder comparecer, bem como que autorize sua Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, a patrocinar o espetáculo. Diz a carta que o concerto deverá ser aberto com a Batuta de Ouro que foi outorgada ao maestro pela Alerj. A carta enfatiza ainda a importância do Rio de Janeiro ter sua orquestra filarmônica internacional, a exemplo das de cidades como Nova Iorque, Berlim, Viena e outras. O documento é uma síntese da bagagem artística de Florentino, oferecendo à Dona Dilma os elementos necessários para que ela a conheça e se interesse pela ideia. Sua manifestação em favor da cultura e o fato de termos uma carioca à frente da Cultura são bons indicadores para que a sugestão de Florentino seja acatada. Depois do carnaval. Há tempo bastante para que o projeto seja analisado e aprovado, a presidente marcando um ponto em favor da cultura carioca e consagrando a vida e a obra de um homem de fé, do trabalho, que jamais se deixou abater diante da adversidade, na consecução do seu ideal: a Filarmônica do Rio de Janeiro. Anjos, por favor - digam amém!

O GLOBO: “Brasil tem 5 milhões de pessoas em área de risco. Sistema nacional de alerta contra desastres só ficará pronto em 4 anos.” Tout lasse, tout casse, tout passe... // RÁDIO IMPERIAL, Petrópolis: “Na serra, Dilma está pisando na lama.” Coisa comum em Brasília, aliás. // ESTADÃO: “Brasília admitiu à ONU despreparo para tragédias. Relatório enviado em novembro previa o aumento de ocorrência de desastres.” Dialeticamente falando perfeito. // FOLHA DE S.PAULO: “Novo Código Florestal amplia risco de desastres. Proposta permite construir em encostas.” Juro que não estava de porre quando li isso na banca. // GLOBO NEWS: José Sarney em entrevista: “Política só tem uma porta de entrada; não tem porta de saída.” Esta frase nos anais da República? // FOLHA DE S.PAULO: Redução do estômago pode causar falhas neurológicas. A cirurgia que reduz o estomago pode levar a distúrbios neurológicos similares às vistas em pessoas desnutridas, diz estudo da Universidade de Ohio. Os distúrbios vão desde formigamento até amnésia e desmemória. Em 2009 foram feitas 30 mil cirurgias bariátricas no Brasil.” Bariátricas? Só o nome. // O DIA: “Ex-mulher de Collor consegue manter pensão de 30 salários e ex-presidente ainda tem de pagar 950 mil em bens a Rosane”. Bons tempos os da Casa da Dinda...


xixi

Imaginem - xixi já é tema de marchinha para o carnaval. João Roberto Kelly, cara bom de música e de piano, que tem sucesso permanente por aí, até na televisão, pegou a deixa, depois, segundo disse, de flagrar um monte de marmanjos se aliviando nas ruas no carnaval passado, apesar de várias cabines espalhadas na cidade pela prefeitura. A marchinha ficou assim: “Tá com vontade de fazer xixi? / Não faz aqui / Nosso bloco a gente vê / É cheiroso, é maneiro / Tô falando pra você / Lugar de mijão é no banheiro.” Ainda não conheço a melodia, mas deve ser alegrinha, bem humorada, na cadência para ser cantada pelos foliões, pois o autor tem a inspiração no sangue, já que para a folia emplacou sucessos definitivos como Mulata bossa-nova, Colombina iêiêiê, Bota a camisinha e Cabeleira do Zezé; esta em parceria com o saudoso galã da Rádio Nacional, Roberto Faissal, sempre omitido pela mídia. Tem também o Rancho da Praça Onze, maravilhosa marcha-rancho, em dupla com Chico Anísio, eternizada na voz de Dalva de Oliveira. Só que a gente tem de fazer uma ressalva, ainda que levando em conta os mijões beberrões que enchem a cara de cerveja e, claro, apertados, têm de resolver o problema a qualquer custo... Há multa de lá sei quanto e até prisão - atentado ao pudor, o que parece, não se aplica às mulheres, ou aos cachorros junto aos postes... Mas e os velhinhos, os dos Lasix ou remédios outros que provocam um mijinho constante, sem tempo para segurar, mesmo com as fraldinhas especiais, os da incontinência urinária, como ficam? Dia desses, meio apertado, no centro da cidade, longe da geografia do xixi, que domino no Leblon, entrei num restaurante apressado e olhem o que li na plaquinha na porta... Bem, nascido em 1937, Kelly já vai nos 74 aninhos e nem sei se já estaria no bloco daqueles que têm se desapertar onde puder...

Chopin e George Sand Um inédito imperdível Sabem? Aquela reprodução que fiz aqui na edição de maio do ano passado, do Repórter da História, Flávio Cavalcanti entrevistando Chopin, a propósito dos duzentos anos da morte do compositor, despertou o interesse de Alexandre Lins, por sinal, integrante de um grupo que então cuidava da preparação do grande espetáculo “Chopin & Sand: romance sem palavras” a ser encenado a partir de 22 deste mês no Centro Cultural dos Correios, na rua Visconde de Itaboraí, 20 - Centro. Um e-mail abria o elo entre nós para um encontro em que soube até que meu diálogo teria inspirado o autor do texto, Walter Daguerre, em alguma passagem. Que bom! Então ficou assim: dia 22 para convidados e do dia 23 até 20 de março, para o público que, certamente vai prestigiar tão expressivo evento, uma realização inédita em prosa e música, baseado na correspondência e na obra de Fryderyk Chopin, como já disse, dos clássicos, um dos meus preferidos. Direção de Jacqueline Laurence, direção musical de Roberto Duarte, a peça conta com Marcelo Nogueira no papel de Chopin e Françoise Forton como George Sand, acompanhados pela renomada pianista Linda Bustani. Que equipe, hein? O espetáculo dialoga com questões relativas às dimensões artísticas e humanas dos personagens – Chopin e George Sand. Transitando entre poloneses, prelúdios, noturnos, improvisos, mazurcas, valsas... a maravilhosa montagem traz a reflexão da intelectualidade artística do casal singular: virtuosismo e sensibilidade - a união perfeita dos mais admirados artistas dos salões parisienses e suas reflexões em um dos momentos mais produtivos da história na Cidadeluz, entre 1831 e 1849. Não percam e toquem já para 2253-1580 para as devidas reservas. Françoise Forton, George Sand, e Marcelo Nogueira, Chopin – “Romance sem palavras”

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Carnaval e

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Espaço do leitor

Cartões, senhas e carteiras

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Maria Zuleika

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Na fila do caixa em uma loja de roupas, a mulher abriu a bolsa para pegar a carteira. Apalpa daqui, apalpa dali... “Gente, cadê ela?” Foi quando notou o rasgão na bolsa. Por ali deveria ter saído a carteira, decerto levada por mão amiga do alheio, e recheada com R$ 150,00, cópia da identidade, dois cartões de débito, talão de cheques e o cartão de crédito. Uma carteira novinha, cheia de divisões, onde cabe tudo e mais alguma coisa. Capaz de satisfazer o apetite de qualquer ladrão. Caro leitor, fuja dessa! “Minha nossa!” A mulher empalideceu ao se lembrar que anotara a senha num papelzinho e juntara ao cartão. Por causa da sua memória octogenária, tivera medo de esquecer aquela senha tão diferente das outras dos cartões de débito, mais antigas e bem decoradas. “Meu Deus, o que é que eu faço?” E largando as peças de roupa que pretendia comprar, disparou em velocidade olímpica, admirável para as modestas possibilidades de suas pernas. Por sorte, havia perto dali uma agência do seu banco. Entrou pela porta giratória como se fosse um tornado, rezando para que ela não travasse. Travou. Teve de voltar e deixar na caixinha o celular básico e o molho de chaves, caridosamente poupados pelo ladrão. Ofegante, chegou ao balcão. Não era ali. O funcionário lhe indicou o colega encarregado dos bloqueios. Era a segunda da fila. A sua frente, uma senhora cheia de cordões prateados, larga como uma barcaça, foi indiferente aos seus apelos para que lhe cedesse o lugar. Vieram-lhe à lembrança os versos de Drummond – “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”.

Mesmo ouvindo o motivo de sua aflição, o atendente não lhe deu a mínima. Trêmula, suando frio, quase chorando, ela esperou chegar a sua vez, invejando a paciência de Jó. Se houvesse nos bancos um teste vocacional que indicasse a função adequada a cada atendente, sem dúvida a daquele rapaz não seria bloquear cartões. Graças à sua “presteza”, o ladrão felizardo teve tempo de sobra para fazer uma boa compra em uma grande loja de móveis e eletrodomésticos próxima ao banco. Bloqueio do cartão, registro na delegacia, pensamento positivo – de nada adiantaram. Já não se exige a assinatura do dono do cartão ao ser efetuada a compra. Com uma fatura de mais de cinco mil reais nas mãos, minha tia é o desconsolo em pessoa. Sim, caro leitor, trata-se de minha tia que, todo mês, até o fim deste ano, vai desembolsar quatrocentos e tantos reais para pagar a compra feita pelo ladrão. Tão desgostosa ficou, que nem quer mais falar no assunto. Resignada, ela garante que aprendeu a lição e que terá mais cuidado com cartões, senhas e carteiras. E você, meu atento leitor, aprenda com esse exemplo e corrija-se a tempo. Procure usar apenas um cartão e jamais anotar a senha! Não dê maior chance e lucro ao ladrão em caso de furto ou de sequestro relâmpago. No mais, repasso a todos a reza que me ensinaram lá pras bandas de Minas. Deve ser feita quando se sai à rua: Anjo do Senhor me dá a mão. São Bento afasta o escorpião. São Dimas me livra do ladrão. Garantiram que funciona.

Marcas Como aves no céu Refletindo a paz eternamente presente Vamos usufruindo deste eterno presente Vazio de signficâncias Mas pleno de significados. As aparências carecem de realidade Mas apontam, em sua vazia substancialidade, À luminosidade estampada, invisível aos olhos Clara ao coração eternamente jovem. Jovem mesmo, pois embora os anos passem E as rugas marquem cada vez mais esta pele, A marca do coração, uma vez desperto, Segue intangível, Demonstra sua perfeita presença Vazia, eterna, luminosa... Eduardo Piereck

Shopping da Gávea

pela i nternet

Pontuação em foco Um homem rico estava muito mal, agonizando. Pediu papel e caneta. Escreveu assim: “Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres.” Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava a fortuna? Eram quatro concorrentes. 1) A irmã fez a seguinte pontuação: Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres. 2) O sobrinho chegou em seguida. Pontuou assim o escrito: Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

3) O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele: Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres. 4) Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação: Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres. Moral da história: “A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Somos nós que fazemos sua pontuação.” E isso faz toda a diferença.

Resultado do concurso de Natal do shopping da Gávea, no qual os vencedores ganharam viagens de 7 dias com acompanhante para Orlando. – Leonardo Cavalcante: “Natal é único! Um momento especial onde o “eu” vira “nós” e o “ser” torna-se mais importante que o “ter”. – Onisses dos Santos Israel: “Porque ele pode começar realizando o sonho de uma cartinha e acabar com um cartão de embarque realizando outro sonho”.


Entende-se como quimioterapia oral o emprego de medicamentos para o combate das células tumorais em diversas formas de câncer. As apresentações para o consumo pela via oral podem ser administradas em casa, na forma de comprimidos, cápsulas e líquidos, proporcionando mais conforto aos pacientes e melhorando a adesão ao tratamento. Hoje os quimioterápicos orais tendem a ser menos tóxicos e mais específicos, podendo ser associados às chamadas terapias-alvo, que utilizam agentes biológicos de alta especificidade no combate às células cancerosas. É essencial que a indicação da terapia esteja baseada em protocolos médicos bem definidos para alcançar resultados, ou seja, não é qualquer paciente que pode ou deve ser tratado com quimioterapia oral, sendo este modo de tratamento específico para cada paciente e cada caso clínico. A quimioterapia oral se mostra muito positiva no campo da adesão ao tratamento pelo paciente. Este, por sua vez, não se sente tão agredido por estar se tratando fora do ambiente hospitalar que tanto o aflige, com determinados ganhos emocionais e até mesmo físicos no decorrer do tratamento. Os efeitos colaterais tão temidos podem ser mais bem controlados e, em alguns casos, até mesmo minimizados, pelo suporte familiar, pela situação emocional e, consequentemente, o estado clínico do paciente. Estudos científicos já relatam o uso de quimioterápicos orais como tratamento complementar à

radioterapia isolada ou combinada com quimioterapia venosa em diversos casos. A quimioterapia oral domiciliar é coberta pelos planos de saúde nos Estados Unidos e disponibilizada em diversos países europeus. A rede de assistência médica vinha se recusando a fornecer os medicamentos orais com base na Lei 9656/98 da Agência Nacional de Saúde Suplementar sobre planos e seguros privados de assistência à saúde, com a prerrogativa de que a lei prevê somente o tratamento em âmbito hospitalar ou ambulatorial. O argumento, no entanto, não convence à Justiça, que entende que esta recusa afronta a Constituição, violando o direito à saúde e o princípio da dignidade da pessoa humana. Recentemente uma operadora de plano de saúde foi obrigada, por meio de liminar, a oferecer cobertura total ao tratamento quimioterápico de câncer, mesmo que não seja realizado em unidades hospitalares. Os tratamentos quimioterápicos orais domiciliares são muitas vezes acompanhados pelas empresas de internação domiciliar, que oferecem recursos para a administração dos quimioterápicos e adjuvantes, controle dos efeitos colaterais e acompanhamento clínico integral do paciente durante o tratamento, de forma mais segura e confortável, complementando o tratamento iniciado no ambiente hospitalar. Esta modalidade de tratamento, sem dúvida nenhuma, melhora a qualidade de vida do paciente portador de câncer e, conforme relatado em artigos científicos, aumenta a chance de sucesso no processo de regressão da doença, não se tratando de mero fornecimento do-

Sergio Siqueira é diretor médico da Clínica São Vicente

miciliar de remédios, como analgésicos e antibióticos, mas de uma etapa integrante de todo o tratamento do paciente. A justiça entende que o tratamento domiciliar torna-se uma complementação do tratamento iniciado em regime hospitalar, sempre sob uma recomendação médica precisa e com a concordância do paciente ou da família. A mais recente atualização, através da Resolução Normativa da ANS nº 211 de 11/01/2010 do rol de procedimentos para cobertura mínima dos planos de saúde, conforme estabelece a Lei 9656/98, inclui na esfera da oncologia a mamografia digital, a radioterapia tridimensional e o transplante autólogo e alogênico de medula óssea para casos de linfoma e leucemia, entre outros. A Legislação Federal assegura ao paciente o tratamento de doenças listadas pela Organização Mundial de Saúde; os procedimentos e terapias utilizados em cada caso variam constantemente com as descobertas da ciência e os consensos da comunidade médica. A Resolução Normativa da ANS nº 167 de 05/08/2010 veio se comprometer com a garantia da integralidade de ações da saúde, não impedindo que em casos concretos e mediante a adequada indicação médica possam ser utilizados outros tratamentos reconhecidos pela comunidade científica. Referências Instituto Nacional do Cancer – Inca Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS Revista ABCâncer – Edição nº 53 - Outubro 2009

EMERGÊNCIA

GERAL

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Tel.:2529-4422

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Quimioterapia oral: novos paradigmas

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t

Tamas

esparrama-se a noite no monte calvário crucificados olham estrelas pela última vez acabou-se o tempo a culpa a salvação será preciso ressuscitar ano após ano o super herói fracassado e tornar a matá-Io convenientemente

“O mestre disse ao discípulo: -Você, meu discípulo, tem muito que aprender para alcançar a iluminação. Eu, seu mestre, tenho muito que lhe ensinar do caminho da luz. Nós dois temos que procurar juntos a conta de luz que vence hoje.” “Foi contemplando a imensidão do céu nas altas montanhas do Tibete, o voar tranquilo do condor, o silêncio quebrado somente pelo uivar do vento e a lentidão do tempo, que o Sábio que durante toda sua vida procurou respostas para as grandes aflições humanas, finalmente acabou dormindo.” “O jovem discípulo perguntou ao mestre: - Meu Mestre, quantas vidas viveremos até nosso encontro final com a Divindade superior? O mestre nada respondeu enquanto refletia sobre os longos caminhos já percorridos. Levantou os olhos e quebrou o silêncio dizendo: - Cada jogo é um jogo, cada campeonato é um campeonato e a bola só rola porque é redonda.”

Pensamentos Pró-fundos

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Ponto poético

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2004.tamas@openlink.com.br

Haron Gamal hjgamal@ig.com.br

Resistência ideológica Romance retrata comportamento dos ativistas políticos na Berlim contemporânea Os países europeus nunca couberam dentro de si próprios. Essa questão, muito contemporânea por sinal, está presente em Parte da Solução, de Ulrich Peltzer. Por outro lado, poderíamos perguntar: o que caracterizaria uma literatura nacional na atualidade? Encontrar a resposta seria difícil. Logo, a literatura alemã dos dias de hoje (assim como qualquer outra literatura ocidental) poderia ser chamada de literatura apenas, porque a problemática discutida é comum a todo o mundo ocidental. Estamos em Berlim nos primeiros anos do século 21. A narrativa começa com dois velhos amigos, Christian e Jakob, vendo um documentário sobre os anos 1970. Mais precisamente sobre a turbulenta Itália daquele período, assassinatos políticos e as Brigadas Vermelhas. O primeiro é um jornalista que vive de frilas, está escrevendo um romance que não consegue levar adiante, mora de favor no apartamento da ex-mulher e tem algumas dívidas; o segundo pertence ao mundo acadêmico, é professor universitário, dá aulas sobre o Romantismo Alemão e também sobre Focault e Deleuze. Na mesma universidade há um professor de filologia românica que nos anos de juventude pertenceu à luta armada, chama-se Carl Brenner. Christian quer que seu amigo sirva de ponte para que este último coloque-o em contato com um ex-líder brigadista. Na verdade, está interessado numa matéria jornalística visando à autopromoção. Nos dias de hoje, quando se pensa que a juventude aderiu por completo ao mundo do consumo, Peltzer nos apresenta uma Berlim plena de resistência política. Uma resistência subterrânea, é bom dizer, em que militantes das mais diversas organizações agem de modo a enganar as autoridades, como sabotar empresas públicas, colocar obstáculos a câmeras que devassam a privacidade das pessoas, danificar máquinas de venda de bilhetes do metrô, pichar vidraças de lojas famosas, tudo com a razão de que ainda existe algo digno por se lutar. Mas Crhistian deseja uma entrevista com aqueles homens que no século 20 abalaram

o poder e o mundo com violentos atentados políticos, ou atentados terroristas. Para a justa definição depende de que lado se esteja. Onde estarão hoje aquelas pessoas? Como sobrevivem? Então, sabemos que muitos vivem numa espécie de limbo, entre a clandestinidade e uma legalidade até certo ponto permitida. Outros abandonaram as hostes de luta e entraram para a vida burocrática de uma universidade. Também percebemos que ora é conveniente ao governo permitirlhes asilo, ora é melhor extraditá-los, ou pedir a extradição, como assim fez Berlusconi numa espécie de campanha política. Mas o romance não se resume apenas nisto. Entra na história uma mulher, estudante, bonita por sinal, chamada Nelly. Inicialmente é orientada por Jakob no seu trabalho de término de curso. Através de seu professor conhece Christian, aproxima-se dele e acabam se relacionando. O velho amigo de Jakob quer um contato com alguém que pertenceu às Brigadas Vermelhas, mas, guardadas as devidas proporções, tem ao seu lado uma mulher capaz de atos também belicosos. Só que Christian vai demorar a descobrir essa face de sua namorada. Nelly pertence a uma organização de resistência senão política, ao menos ideológica. A esquerda europeia desfila diante de nossos olhos. O romance não faz concessão alguma ao leitor. Há uma pequena introdução, que é seguida de três partes. Uma espécie de escrita em bloco, que muda de foco constantemente de modo intercalado. Acompanhamos Christian em sua vida diária, Jakob, Nelly, Brenner, e os homens da segurança que tentam descobrir os integrantes das organizações clandestinas. O trabalho destes é frustrar as ações antes que elas aconteçam e juntar provas para condenar aqueles que atentam contra o bem público ou privado. Nas ações da atualidade, retratadas no livro, nada igual às explosões e aos assassinatos de três décadas passadas. São ações pontuais, mais simbólicas do que de efetivos resultados. A juventude revela que sempre está pronta para protestos seja em Berlim,


marketing cultural O mundo encantado dos shopping centers

seja em Zurique, em Paris ou mesmo em Roma. Às vezes ardem alguns automóveis, nada muito além do que um prejuízo a mais para as companhias de seguro. O mais interessante no livro, no entanto, não é propriamente todo esse périplo político. Mas os pequenos fracassos ou pequenos sucessos de cada personagem, tanto na atuação pública quanto na esfera de suas vidas privadas, a convivência do existencial como o ideológico. É digna de nota a parte final do romance, chamada Belleville, bairro de Paris em que Christian acompanhado de Nelly está prestes a conseguir sua entrevista. Um fato ocorrido em Berlim horas antes, porém, ameaça colocar tudo a perder. Salutar a discussão, porque a partir dela chega-se à conclusão de que o mundo não acabou depois da queda do Muro. Parte da Solução Ulrich Peltzer 472 páginas, Estação Liberdade

Quando os primeiros shoppings centers se instalaram no Brasil, já traziam todas as experiências comerciais dos Estados Unidos, pioneiros nesse tipo de negócio. Aqui também se tornaram templos de consumo, onde a varinha mágica que realizava nossos sonhos foi substituída pelo cartão de crédito. No país, por semana, quinze milhões de pessoas frequentam os shopping centers, não só para consumir, mas também para desfilar, encontrar amigos, sentar na praça de alimentação e usufruir de um bom teatro ou de um cinema. Foi dentro desse clima de festa e de comércio que os profissionais de promoções e de marketing encontraram o ambiente ideal para realizar permanentes negócios de compra e venda. Eles acreditam que dificilmente uma família que leva os filhos para “passear” no shopping, deixa de comprar alguma coisa, sob pressão das crianças. O negócio é tão bom que em pouco mais de 50 anos instalaram-se nas principais capitais brasileiras cerca de 500 unidades, sendo agora a vez das populações das cidades médias terem o prazer e o desejo de frequentar seu próprio shopping center. Para o consumidor este estabelecimento oferece segurança, bem-estar (climatização), estacionamento, praça de alimentação e uma diversificação de produtos quase sempre exposta em vitrinas elegantes e muito bem iluminadas. A moda comanda a maioria das lojas, considerando-se que a mulher é a principal consumidora, de acordo com as pesquisas dos profissionais de marketing e promoções. Somente 39% dos frequentadores têm a intenção de comprar, sendo que a maioria aí vai por puro lazer.

O setor é muito dinâmico e tende a crescer; até o momento foram gerados cerca de 750 mil empregos diretos e uma circulação de mercadorias que justifica os investimentos realizados e consequentes lucros. A cada ano que passa aumenta a concorrência entre as lojas, o que obriga os profissionais de promoções a terem mais criatividade e apresentarem melhor qualidade dos produtos expostos, obviamente com um preço compatível ao consumidor. Como consequência, os shoppings centers estão necessitando de mais espaço, gerando investimentos num negócio altamente lucrativo. Atualmente as vendas a varejo que ocorrem dentro deles representam 18,8 % das vendas no varejo nacional, participação essa com tendência a crescer. Na próxima edição da Folha Carioca, falaremos das promoções em datas comemorativas do calendário comercial brasileiro. Resumo de matéria publicada na revista ESPM da Escola Superior de Propaganda e Marketing, edição n°1 de jan/fev de 2011 Alvino Costa Filho é arquiteto e produtor cultural

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GÁVEA

Banca do Carlos Rua Arthur Araripe, 1 Tel.: 9463-0889 Banca Feliz do Rio Rua Arthur Araripe, 110 Tel.: 9481-3147 Banca João Borges Clínica São Vicente Banca MSV Rua Mq. de São Vicente, 30 Tel.: 2179-7896 Banca New Life R. Mq. de São Vicente,140 Tel.: 2239-8998 Banca Alto da Gávea R. Mq. de São Vicente, 232 Tel.: 3683-5109 Banca dos Famosos R. Mq. de São Vicente, 429 Tel.: 2540-7991 Banca Speranza Rua dos Oitis esq. Rua José Macedo Soares Banca Speranza Praça Santos Dumont, 140 Tel.: 2530-5856 Banca da Gávea R. Prof. Manuel Ferreira,89 Tel.: 2294-2525 Banca Dindim da Gávea Av. Rodrigo Otávio, 269 Tel.: 2512-8007 Banca da Bibi Shopping da Gávea 1º piso Tel.: 2540-5500 Banca Planetário Av. Vice Gov. Rubens Berardo Tel.: 9601-3565 Banca Pinnola Rua Padre Leonel Franca, S/N Tel.: 2274-4492 Galpão das Artes Urbanas Hélio G.Pellegrino Av. Padre Leonel Franca, s/ nº - em frente ao Planetário Tel: 3874-5148 Restaurante Villa 90 Rua Mq. de São Vicente, 90 Tel.: 2259-8695 Menininha Rua José Roberto Macedo

Soares, 5 loja C Tel.:3287-7500

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Banca Rua Venâncio Flores, 255 Tel.: 3204-1595 Banca Miguel Couto Rua Bartolomeu Mitre, 1082 Tel.: 9729-0657 Banca Palavras e Pontos Rua Cupertino Durão, 219 Tel.: 2274-6996 Banca Rua Humberto de Campos, 827 Tel.: 9171-9155 Banca da Emília Rua Adalberto Ferreira, 18 Tel.: 2294-9568 Banca Rua Ataulfo de Paiva com Bartolomeu Mitre Banca Novo Leblon Rua Ataulfo de Paiva, 209 Tel.: 2274-8497 Banca Rua Humberto de Campos, 338 Tel.: 2274-8497 Banca Rua Alm. Pereira Guimarães, 65 Banca J Leblon Rua Ataulfo de Paiva, 50 Tel.: 2512-3566 Banca Av. Afrânio Melo Franco, 353 Tel.: 3204-2166 Banca Rua Prof. Saboia Ribeiro, 47 Tel.: 2294-9892 Banca Largo da Memória Rua Dias Ferreira, 679 Tel: 9737-9996 Colher de Pau Rua Rita Ludolf, 90 Tel.: 2274-8295 Garapa Doida R. Carlos Góis, 234 - lj F Tel.: 2274-8186 Banca do Augusto Rua Humberto de Campos, 856 Tel: 3681-2379

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Folha Carioca / Fevereiro 2011 / Ano 10 / nº 85