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Revista Lar Crist達o

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Lar Cristão

{ SUMÁRIO }

jan/fev 2010 – nº 112

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Pra Início de Conversa Superando as crises { Jaime Kemp }

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Harmonia nos relacionamentos A graça do casamento { Aécio Ribeiro }

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O propósito de Deus Celebrando o final de conflitos { Carlos Alberto Bezerra }

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Finanças para a vida Não consigo pagar tudo. E agora? { Paulo de Tarso }

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Internacional Eu não aguento mais { Jan Markell }

18 Capa

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Crise, conflitos e estresse

Conflitos familiares Dividindo a responsabilidade para resolver conflitos { Dora Bomilcar }

{ Iara Vasconcellos }

12Quando

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Confiança

um filho não sobrevive aos pais

Discipulando filhos Jovens: um desafio para pais e discipuladores { Ramon Tessmann }

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Comunicação A construção da comunicação { Magno Paganelli }

{ Jaime Kemp }

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Autocontrole Controlando sua raiva { Alcindo Almeida }

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Superando conflitos Eu achei que conhecia { Marcos Antonio Garcia }

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Entrevista

Amigo de Deus { Pastor Adhemar de Campos }

Nossa realidade Apaixonados e desapaixonados, eis a questão { Rubens Muzio }

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Fique por dentro Kids com Mig e Meg { Márcia M. d’Haese } Revista Lar Cristão

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{ PRA INÍCIO

DE

CONVERSA }

Lar Cristão janeiro/fevereiro 2010

Superando as crises

A Revista Lar Cristão é uma publicação da Editora Fôlego Ltda. dirigida à família brasileira. Seu conteúdo oferece orientação bíblica, clara e segura. Diretor Jaime Kemp

N

os dias de hoje é preciso ser cego, surdo e às vezes mudo para não ficar estressado. É muito difícil encontrar alguém que fique alheio às estressantes pressões da vida moderna. Basta ler o jornal, ligar a televisão ou acessar a Internet e lá estão elas, notícias e mais notícias sobre fatos e fatores que nos deixam chocados, apreensivos, amedrontados e... esgotados. Crises e conflitos rondam nossa vida. Mas é possível fugir de tudo isso? Vivemos numa época em que tudo o que acontece ao redor do mundo entra, imediatamente, on line. A grandiosa característica do nosso tempo é a rapidez da intercomunicação. Todos se preocupam em estar sempre atualizados e preparados para enfrentar a agressiva competição de conquistar um lugar ao sol. A raça humana tenta se adaptar como pode à poluição atmosférica e sonora, a megacidades – verdadeiras florestas de concreto com milhões de pessoas espremendo-se em gigantescos edifícios, a crescentes exigências profissionais e pessoais, agendas tiranas, perda de privacidade, ausência de profundidade em relacionamentos interpessoais etc. O resultado é o desequilíbrio. Pessoas mais estressadas, em crise, em conflito consigo mesmas e, muitas vezes, com outros. Maridos não têm tempo para suas esposas, muito menos para suprir as necessidades delas, e vice-versa. Os filhos mal veem seus pais – que estão ocupados demais em manter seu padrão de vida, lutando para segurar seus empregos diante da rigorosa competição. Então, a escola, as babás, a TV e, ultimamente, o computador, são convocados como substitutos – comprovadamente ineficazes – dos pais. Valores morais como lealdade, honestidade, solidariedade e outros têm sido traiçoeira e sorrateiramente postos de lado. A busca pelo êxito financeiro, profissional e social assumiu papel de magnitude na sociedade, em detrimento de um relacionamento profundo com Deus, porque as pessoas não encontram tempo para conhecê-lo melhor. Portanto, conscientes do que tudo isso pode causar à vida das pessoas, nesta edição de Lar Cristão falaremos sobre crises, conflitos e estresse e como procurar impedir que eles nos levem “ao fundo do poço”; o que fazer para enfrentá-los e superá-los e como tentar amenizar possíveis consequências que possam interferir em nossa vida. No mundo maluco em que vivemos, vamos procurar remar contra a corrente e, juntos, coordenar nossos esforços no sentido de desestressar, seguindo os ensinamentos e orientação da Palavra de Deus, para alcançarmos uma qualidade de vida melhor. Na expectativa de aprender sempre. Boa leitura! Jaime Kemp

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Editores Emilio Fernandes Junior Rosana Espinosa Fernandes Editora Ministério Lar Cristão Iara Vasconcellos Jornalista Responsável Luiz Francisco de Viveiros MTB 23258 Revisor Paulo César de Oliveira Projeto Gráfico e Diagramação Neriel Lopez (NLopez Publicidade) Atendimento Editora Fôlego assinatura@revistalarcristao.com.br (11) 2122-4243 Publicidade Deve ser encaminhada para Editora Fôlego: Caixa Postal 16610 - CEP 03149-970 - São Paulo - SP - Fone: (11) 2122.4243 Fax: (11) 5539.4329 anuncios@revistalarcristao.com.br Seções Permanentes Adhemar de Campos, Aécio Ribeiro, Carlos Alberto Bezerra, Iara Vasconcellos, Jaime Kemp, Luiz Antonio Caseira, Márcia M. d’Haese, Marcos Antonio Garcia, Paulo de Tarso, Ivonildo Teixeira, Magno Paganelli, Judith Kemp, Dora Bomilcar, Julio Lima. Conselho Editorial Rev. Hernandes Dias Lopes – Igreja Presbiteriana de Vitória (Vitória/ES); Dr. Luiz Antonio Caseira – médico e missionário de Vencedores por Cristo (RJ/RJ); Pr. Ismail Sperandio (Curitiba/PR); Alex Dias Ribeiro – diretor de Atletas de Cristo (SP/SP); Ary Velloso – Igreja Batista do Morumbi (SP/SP); Sonia Emilia Andreotti – redatora do Ministério Lar Cristão (SP/SP); Pr. Edson Alves de Souza – Igreja Batista de São Gonçalo (S. Gonçalo/RJ); Pr. Armando Bispo – Igreja Batista de Fortaleza (Fortaleza/CE); Dr. Carlos Oswaldo Cardoso Pinto – Seminário Bíblico Palavra da Vida (Atibaia/SP). Correspondentes Internacionais Dr. Luiz Palau – escritor e evangelista argentino (EUA); Paul Landrey – Christ for the Cities; Dr. Bill Lawrence – teólogo e professor no Dallas Theological Seminary (EUA); Hans Wilhelm – vicediretor da Chinese International Mission. Material Jornalístico e de Divulgação Deve ser encaminhado para a Editora Fôlego: redacao@revistalarcristao.com.br www.revistalarcristao.com.br Caixa Postal 16610 – São Paulo/SP CEP 03149-970 – Tel: (11) 2122.4243 Fax: (11) 5539.4329 A Revista Lar Cristão não se responsabiliza pelo conteúdo e pelos conceitos emitidos nos artigos assinados, pois não representam, necessariamente, a opinião da revista. É permitida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo do material editorial publicado, desde que citada a fonte e com autorização prévia e documentada da Revista Lar Cristão. As imagens publicadas nesta edição, pertencem ao banco de imagens com utilização permitida.

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{ E N T R E V I S TA | P A S T O R A D H E M A R

DE

CAMPOS }

Amigo de Deus Uma história de amor com o Pai

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dhemar de Campos é músico, compositor e pastor auxiliar na Igreja Comunidade da Graça no Brasil. Paulistano, teve a infância e a adolescência bem-aproveitadas ao lado dos irmãos, primos e amigos. Adhemar entende que os planos de Deus tiveram início a partir da conversão de sua mãe, de seus irmãos e, posteriormente, da própria experiência com Cristo, que aconteceu durante um retiro em 1974. No terceiro ano de sua conversão começou a namorar Aurora, hoje sua esposa, que também é pastora. Enfrentou muitos obstáculos e, no primeiro ano de casamento, deparou-se com a luta mais difícil de sua vida: sua primeira filha, Raquel, veio a falecer. O consolo veio do Senhor, que deu ao casal uma promessa em Isaías 65:17-23. E dessa forma nasceram seus três filhos – Rodrigo, Mariana e Juliana. Adhemar de Campos é o

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idealizador do Reciclando a Visão, um seminário de louvor e adoração pelo qual passaram várias pessoas que hoje são ministros em suas igrejas. Foi também um dos fundadores e presidente da AMC – Associação de Músicos Cristãos do Brasil. É autor de mais de 500 canções e versionista de mais de 100, cantadas por várias igrejas dentro e fora do Brasil. Esta edição tem como tema “Crise, conflitos e estresse”. Como superar os principais medos e conflitos para dar continuidade na caminhada da fé? Creio que a fé é a chave de acesso para uma vida emocionalmente segura e saudável. Temos na Bíblia vários relatos de homens que enfrentaram todo tipo de crise e venceram por confiarem num Deus vivo e poderoso. Daniel é um exemplo clássico de quem enfrentou e venceu o medo de ser devorado por leões, pois dependia e confiava totalmente no seu Deus.

É possível resolver sozinho todos os conflitos? A participação de outras pessoas pode ajudar ou acaba prejudicando? Dependendo do contexto e do nível de maturidade é possível uma pessoa resolver sozinha determinados conflitos, no entanto se ela puder contar com a ajuda de alguém mais experiente e maduro será melhor. Muitas vezes os líderes são levados por situações que necessitam de muito autocontrole a fim de chegar ao final de um conflito com resolução saudável e equilibrada. Como chegar a este amadurecimento? Todo cristão deve ter o cuidado de resguardar-se do mal. Jesus ensina-nos a orar pedindo ao Pai que não nos deixe cair em tentação e que nos livre do mal. Um caminho para isso é aprofundar a comunhão com Deus e a Palavra, buscar proteção e cobertura no cônjuge ou nos pais, buscar proteção e cobertura no pastor ou

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discipulador. O amadurecimento passa por esse processo. Muitas pessoas se iram com facilidade, gerando atitudes desequilibradas por sua falta de autocontrole. Quais os passos ou existe um guia que pode ajudar os leitores a caminhar para a resolução? A Palavra de Deus ordena: “Iraivos e não pequeis, não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Efésios 4:26). Qualquer cristão pode irar-se, mas se essa ira afetar e prejudicar pessoas é necessário que haja retratação, pois do contrário, além de cometer pecado, ele será reprovado por Deus. Qual é a melhor comunicação, que gera bons frutos, que traz harmonia no casamento e nos relacionamentos? A única linguagem do cristão é a linguagem do amor. Jesus disse que seus discípulos seriam conhecidos em todo mundo pelo amor (João 13:35). O apóstolo Paulo descreve o amor como a fonte da qual emana todo o bem e a capacidade de superar todas as dificuldades nos relacionamentos. Esse amor foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo a nós outorgado, e dessa forma podemos praticar o amor através da obediência, da misericórdia, do perdão e do serviço, construindo e mantendo um relacionamento conjugal,

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{ E N T R E V I S TA | P A S T O R A D H E M A R

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por parte de todos os membros da família no sentido de priorizar os valores e ensinos bíblicos, colocando em plano secundário a opinião pessoal.

familiar e interpessoal saudável e frutífero. Cada dia mais se fala do “cônjuge misterioso”, um assunto tão delicado. Por que isso acontece? Por causa da sociedade em que vivemos ou cada dia mais as pessoas estão vivendo seu individualismo? Há vários fatores que contribuem para esse tipo de comportamento. Isso se explica pela maneira como se desenvolve a formação e educação no âmbito familiar. Infelizmente, os relacionamentos nos lares tendem a ser superficiais, e se não houver mudança os filhos se tornarão individualistas e superficiais, adotando um comportamento 8

semelhante na sua futura família. Por isso não podemos negligenciar o princípio de Provérbios 22:6 quanto à maneira bíblica de educar filhos com base no amor e na verdade. Durante todo o ano passado o senhor escreveu na seção Discipulando Filhos. Como lidar com os diferentes pontos de vista em uma família, em especial com os jovens/filhos que muitas vezes não avaliam nem medem os resultados de suas ações? Sempre devemos nos basear na Palavra porque ela aponta para princípios transformadores e nos levarão ao encontro da vontade de Deus. Deve haver cooperação

Sabemos que perdeu sua primeira filha, chamada Raquel. Quando se perde um filho, o que fazer? Como os familiares podem ajudar ou a quem recorrer? Primeiramente recorrer a Deus e sua Palavra. Devemos buscar também o apoio da família, dos líderes e da igreja, confiar e esperar o milagre de Deus, como fizemos. Sabemos da importância da adoração a Deus e da sua intimidade com ela, mas gostaríamos de saber se uma vida de adoração a Deus pode cooperar para superar conflitos e crises. Olhando para a vida de Davi percebemos que seus salmos são o registro de expressões de louvor a Deus, mas também relatam os momentos difíceis que viveu e como encontrou consolo e alento, fruto da comunhão intensa desenvolvida com seu Deus. Não tenho dúvida de que quanto maior for meu relacionamento com Deus, maiores serão as possibilidades de vencer os conflitos (Salmos 32:7).

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{ HARMONIA

NOS RELACIONAMENTOS

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Aécio Ribeiro é formado em Letras e Teologia, mestrando em Teologia Pastoral, pastor adjunto da Assembléia de Deus Bom Retiro e secretárioexecutivo do Conselho de Pastores do Estado de São Paulo. É casado com Jesiana Rita e tem dois filhos: Kemuel e Kandace.

A graça do casamento

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eus últimos sete meses de 2009 foram marcantes. Adoeci. Jamais imaginei que teria de enfrentar uma doença na alma. Justo eu, um pastor bem-resolvido, em plena ascensão ministerial, com todas as minhas funções sendo habilmente desempenhadas... Pois é, fiquei doente. Diagnóstico: estresse agudo com esgotamento físico. Esta doença manifesta seus sintomas de forma plural. No meu caso, começou com uma arritmia, estendeuse com problemas de circulação, dores musculares, crises de pânico e oscilações emocionais. Visitei o terreno da depressão, mas não me detive nele. Esta é a doença do século que acomete um expressivo número de pessoas em todo o mundo. No entanto, eu não me considerava apto para tanto! Pensei que estava imune. Engano! Nestes sete meses vi meu casamento por uma ótica que nunca havia visto. Vi minha esposa e meus filhos com outros olhos. Os laços que tenho construído com minha família foram meu maior suporte. Claro que eu sempre tive esta convicção, mas tudo ainda era teórico. Fico feliz em saber que não estava errado. Na prática são esses laços que nos firmam mesmo! Minha esposa é sábia. Jovem e sábia. Em nenhum momento deixou-se levar pela pressão emocional, nem mesmo espiritualizou meu sofrimento. Entendeu tudo, prontamente, e não arredou de perto. Dedicou-se 24 horas a mim, sem se anular e sem comprometer sua liderança sobre nossos filhos. Como isso foi possível? Pergunte a ela, pois somente as mulheres têm esta habilidade. O estresse não é simplesmente um cansaço. Não me sentia cansado! O estresse não é, necessariamen-

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te, a intolerância ou a pressão da responsabilidade. Tudo isso pode advir do estresse, mas esta doença é muito mais sutil. Ela nos permite distinguir de modo mais eficaz a diferença entre a pressão e a opressão. A trilha de uma leva à outra. E embora seja num campo semelhante ao espiritual, centra-se na alma, não no espírito. Quando a opressão é espiritual, uma oração de libertação resolve. Quando a opressão é no terreno psicológico, tem de ter médico, remédio e uma esposa como a minha! Quem acompanha meus textos já percebeu que sempre valorizei a mulher que Deus me entregou. Mas devo confessar: tudo o que disse não dá para avaliar o quilate dela. E como versei num dos meus artigos, foi ela quem tomou posse da batuta e regeu com maestria nossa relação. Foi capaz de compreender meus impulsos, minhas neuras, minha intolerância, meus choros e minhas angústias. O que a torna especial? Afirmo, sem dúvida, que é a graça do Senhor. A graça, aquela da qual falei num dos primeiros artigos, que se traduz na força de suportar as fraquezas. A graça que, associada ao amor, inspira a mais perfeita harmonia. A graça tem esta graça! Foi a graça da mulher sábia; a graça da família bem-estruturada; a graça de uma dedicação e de uma disposição; a graça que consegue enxergar pelas escamas da dor. Foi essa graça que sustentou meu ministério e me deu condições de reagir em favor da minha família. Foi essa graça que fluiu espontaneamente de uma relação sadia e madura. Pela lente da graça vejo hoje minha família muito mais forte, muito mais ousada, muito mais destemida! A graça não me isenta da dor, mas me permite passar por ela de cabeça erguida.

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{ CRISE,

CONFLITOS E ESTRESSE

} CONFIANÇA

Quando um filho não sobrevive aos pais “

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uço muitas pessoas dizerem que não sabem como aguentamos. Mas nós conhecemos muito bem o quanto Deus age na vida de uma pessoa e

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sempre sentimos isso. Nosso médico é um grande e velho amigo da família. Naquela manhã, antes de nossa filha entrar na sala de cirurgia, ele nos alertou: ‘Pode

ser grave’ – porém, lá no fundo do coração, nós não acreditamos. Isso não aconteceria com nossa filha, não aconteceria conosco. Então oramos. Como qualquer pai e

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mãe, pedimos fervorosamente que não fosse verdade. E a notícia nos pegou despreparados: ‘Talvez dois ou três meses’ – foi o que ele nos disse. Daquele momento


em diante, entramos num turbilhão de sentimentos contraditórios. Por que aquilo estava acontecendo? Por que Deus agia assim conosco? Por que ele não realizava um milagre e curava nossa filha? O aparente silêncio de Deus parecia ampliado em nossa angústia. De repente ela se foi e o vazio tomou conta do nosso coração. Quanto tempo se leva para a gente entender isso? Nossa expectativa sempre foi que nossa filha sobrevivesse a nós. Diariamente, acordávamos e deitávamos ainda achando impossível acreditar que o que tínhamos de mais precioso nos fora levado. Um indescritível pesar rasgava nossa alma; sentíamos solidão, raiva, ressentimento, desespero e finalmente uma estranha letargia. A vida perdeu toda cor e propósito. A esperança foi substituída pela tristeza. A realidade do senso de perda se instalou e começamos a viver de recordações, que só nos deixavam mais entristecidos e amargurados. Quando paramos de nos debater diante da dor e derramamos todo o nosso sofrimento nas mãos de Deus, aos poucos encontramos a

paz que tanto precisávamos. Reunimos forças para sair do nosso isolamento e passamos a não fugir de familiares e amigos queridos, que, dispostos a nos amparar em nossa aflição, choravam e oravam conosco, ouviam nossas lamentações e compartilhavam nossas lembranças. Mergulhamos na leitura e meditação da Palavra, na oração e

vivenciamos nosso luto contando com o auxílio de pessoas, mas principalmente do Senhor. O tempo passou, e ele não eliminou o amor que sentimos por ela, não diminuiu nossa saudade nem apagou as nossas recordações, mas permitiu que a esperança ressurgisse com novos objetivos e que, vagarosamente, algumas cores alegres retornassem à

Quando o Senhor parece estar em silêncio, nós, mesmo que dobrados pela dor, precisamos crer que Ele está ativo e envolvido em nossa vida. Na realidade, o momento em que Deus permanece mais próximo de nós é quando enfrentamos a dor mais intensa. reencontramos coragem, mesmo que um fiapo no início, para reiniciar a luta pela esperança. Lemos muitas passagens na Bíblia que nos deram forças, como Isaías 33:3, que representou um sussurrar constante de Deus ao nosso coração sempre que a dor da perda de nossa filha pesava sobre nós. Apesar do que isso significou,

nossa vida. Nossa filha sempre será insubstituível, assim como a ajuda significativa dos nossos parentes e amigos, que, com paciência, permitiram que partilhássemos com eles nossos sentimentos e nos encorajaram a enfrentálos, quer fossem racionais ou não. Mas ressalto, acima de tudo, a consolação que Deus nos dá

quando enfrentamos os momentos mais escuros da nossa existência. Em sua obra “Pássaros errantes” Tagore disse: “A morte pertence à vida, como o nascimento. O caminhar tanto está em levantar o pé, como em pousá-lo no chão”. O depoimento que narrei, apesar de fictício, talvez vá de encontro a muitos corações que choram a inexplicável morte de um filho e gritam por uma resposta à pergunta: Por que isso aconteceu? Por mais profunda e cruel que seja a nossa dor, precisamos lembrar que Deus tem um plano e que seu desenrolar atravessa nossas adversidades. Contudo, é certo que Ele permanecerá ao nosso lado, passo a passo, em todas as dificuldades que tenhamos de enfrentar. Ele sempre estará conosco na fornalha da provação. O seu poder se manifesta na direção de todos os detalhes do nosso sofrimento, para que eles resultem em bênção para nós e glória para Ele, mesmo que, inicialmente, isso pareça impossível, descabido e até ofensivo. Quando entendemos que tudo faz parte de um plano perfeito, quando descansamos na verdade que Ele nos

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{ CRISE,

CONFLITOS E ESTRESSE

acompanha no nosso sofrimento e quando temos fé em seu poder para trabalhar as tragédias em nosso benefício, poderemos passar pela experiência da dor sem ressentimentos em relação a Deus ou àqueles que nos ferem. Quando o Senhor parece estar em silêncio, nós, mesmo que dobrados pela dor, precisamos crer que Ele está ativo e envolvido em nossa vida. Na realidade, o momento em que Deus permanece mais próximo de nós é quando enfrentamos a dor mais intensa. O apóstolo Pedro nos deixou alguns ensinamentos valiosos em 1 Pedro 5:6-7 a respeito do sofrimento: (1) “...humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus...”. Ele sabia que não há paz fora da vontade de Deus. Quanto mais nos afastamos dele, mais o sofrimento nos desespera. Quando nos humilhamos, somos levados ao ponto em que temos de confiar em Deus quanto a inevitáveis dores e pressões da vida e aguardar que Ele trabalhe em nosso coração e nas circunstâncias. Obediência ao Senhor, então, é um componente-chave. (2) “... para que ele os exalte no tempo devido.”

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} CONFIANÇA

Não deveríamos demorar tanto para compreender que não adianta tentar resolver as coisas ao nosso tempo e do nosso modo. Deus é soberano. Não deveríamos demorar tanto para compreender que não adianta tentar resolver as coisas ao nosso tempo e do nosso modo. (3) “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.” Aqui, o verbo lançar deve ser entendido literalmente. Significa jogar em cima do Senhor todas as causas do nosso sofrimento e estresse, ou seja, nossas dores, tristezas, decepções, medos, desesperanças, preocupações e ansiedades. Essa entrega mostra que damos a Deus acesso a áreas de nossa vida sobre as quais possuímos pouco ou nenhum controle. Deus cuida de nós e não deseja que fiquemos à mercê do sofrimento. “E a paz de Deus, que

excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês, em Cristo Jesus” (Filipenses 4:7). Se você foi surpreendido pelo temporal da perda de um ente amado, creia que Deus, o Bom Pastor, está caminhando ao seu lado, colocando à sua disposição seu infinito abrigo e amparo. Lembre-se de tudo o que Ele já lhe concedeu no passado e de que Ele é

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um Deus de impossíveis. Portanto, confie, apesar de no momento isso parecer absurdo, que o futuro trará novas bênçãos. Jaime Kemp é doutor em Ministério Familiar e diretor do Lar Cristão. Foi missionário da Sepal por 31 anos e fundador dos Vencedores por Cristo. É palestrante e autor de 50 títulos. Casado com Judith, é pai de 3 filhas e avô de 3 netos.


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{ O PROPÓSITO

DE

DEUS }

Celebrando o final

de conflitos É

correto pensar que viver sem conflito é como viver em um paraíso. A falta de conflito era uma das marcas predominantes do jardim do Éden antes de o primeiro casal pecar. A partir da queda, o paraíso transformou-se num campo de batalha e novos sinônimos como luta, intriga, guerra, combate, colisão, choque, desavença, injúrias, ameaças e muitos outros foram surgindo para descrever com perfeição o período pós-pecado até os dias de hoje. Penso que um dos grandes desafios para a Igreja deste século, e é claro que me refiro principalmente aos líderes, é desenvolver a capacidade de lidar com os conflitos. A dinâmica do reino de Deus é bem diferente da dos homens. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo…” (Romanos 14:17). E “façam todo o possível para viver em paz com todos” (Romanos 12:18). São inúmeros os exemplos bíblicos de conflitos; um que salta aos nossos olhos é a intriga que existia entre Saul e Davi. Num dado momento, o rei Davi teve a grande chance de eliminar Saul, seu desafeto. Mas não o fez por temor a Deus e confiança nos princípios imutáveis das Escrituras. Livrar-se de Saul seria, para Davi, como a volta ao paraíso. Mas ele preferiu outro caminho: “… e então disse [Davi] a seus soldados: Que o SENHOR me livre de fazer tal coisa a meu senhor, de erguer a mão contra ele, pois é o ungido do SENHOR. Com essas palavras Davi repreendeu os soldados e não permitiu que atacassem Saul” (1 Samuel 24:6-7). A sequência do texto é muito didática. Davi, o perseguido, teve uma rápida conversa com Saul, o perseguidor. O homem segundo o coração de

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Deus, como é conhecido, fez referência a um provérbio dos antigos: “Dos ímpios vêm coisas ímpias; por isso não levantarei a minha mão contra ti” (1 Samuel 24:13). A resposta de Saul a Davi é ainda mais surpreendente: “Você é mais justo do que eu, disse a Davi. Você me tratou bem, mas eu o tratei mal. Você acabou de me mostrar o bem que me tem feito; o SENHOR me entregou em suas mãos, mas você não me matou. Quando um homem encontra um inimigo e o deixa ir sem fazer-lhe mal? O SENHOR o recompense com o bem, pelo modo como você me tratou hoje. Agora tenho certeza de que você será rei e de que o reino de Israel será firmado em suas mãos” (1 Samuel 24:17-20). Conhecendo todo o contexto do conflito entre Saul e Davi, o capítulo 24 de 1 Samuel se transforma em uma referência e em um conjunto de lições relacionadas com a administração de conflitos que servem de estímulo a todos nós.

Segredos para a solução de conflitos internos e externos Ganhar um novo coração A menos que haja uma mudança de natureza e de coração, o homem jamais terá condições de lidar com seus próprios conflitos ou de terceiros. Isso vale para líderes ou membros comuns de igreja. Jesus falou com Nicodemos em João 3 sobre a necessidade de nascer de novo, que nada mais é do que receber de Deus, pela fé no evangelho, um novo coração. Davi era um homem segundo o coração de Deus, por isso soube lidar consigo mesmo e com Saul.

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Carlos Alberto Bezerra é fundador e líder nacional da Comunidade da Graça no Brasil. Casado com a pastora Suely Bezerra, é pai de 6 filhos e avô de 12 netos.

Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne (Ezequiel 36:26).  Respondeu Jesus: Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito (João 3:5-6).  Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! (2 Coríntios 5:17). 

Temer a Deus Uma vez transformado em filho de Deus pela fé em Jesus, e nascendo de novo mediante uma obra perfeita do Espírito Santo, o desejo natural do cristão é observar o mandamento de Deus. Os dois grandes mandamentos exigem amor a Deus e ao próximo (Mateus 22:36-40). Para o crente, a não observância ao mandamento é pecado. A Bíblia ainda define o temor do Senhor como uma atitude constante de aborrecer o mal, a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa (Provérbios 8:13). O ódio ou a indiferença (que é pior que o ódio) são elementos presentes na vida de uma pessoa arrogante.

Enxergar as pessoas em uma perspectiva divina Os soldados de Davi viam Saul como um inimigo ferrenho. Davi o via como o “ungido do Senhor”; alguém designado por Deus; uma pessoa que poderia estar nos planos de Deus. No Novo Testamento o apóstolo Paulo nos adverte a não olhar para as pessoas a partir de suas próprias limitações. De modo que, de agora em diante, a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano (2 Coríntios 5:16).  Por isso, daqui em diante, não vamos mais usar regras humanas quando julgarmos alguém (Linguagem de Hoje).  Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz (Mateus 6:22).  Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os pecadores amam aos que os amam (Lucas 6:32). 

A menos que haja uma mudança de natureza e de coração, o homem jamais terá condições de lidar com seus próprios conflitos ou de terceiros. Isso vale para líderes ou membros comuns de igreja.

 Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis (Ezequiel 36:27).  Vocês ouviram o que foi dito: Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos (Mateus 5:43-45).

Fazer o bem Os filhos de Deus praticam as mesmas obras do Pai. Jesus, incontestavelmente, é o melhor exemplo de prática do bem, mesmo quando recebia o mal. Satanás sempre tenta usar o mal contra nós e o faz através de outras pessoas, geralmente próximas a nós. Mas a recomendação bíblica é muito clara:  Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem (Romanos 12:21).  Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor (Romanos 12:19).  E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos (Gálatas 6:9).

Davi e tantos heróis da fé seguiram este percurso. Agora é a nossa vez.

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{ CRISE,

CONFLITOS E ESTRESSE

} C A PA

Crises, conflitos e estresse Aprendendo a lidar com as situações

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vida pode ser descrita como uma sequência de experiências, se positivas ou negativas dependerá de quem as vivencia e de como são encaradas e assimiladas. Aprendizado e crescimento deveriam ser os alvos mais almejados de cada situação. Infelizmente, nem sempre isso ocorre. Alegria e tristeza acabam sendo, em afunilamento, as duas emoções finalistas dos testes da vida. Porém, há muitas outras lições a serem aprendidas e aí reside a diferença entre o sábio e o insensato. Algumas pessoas, aparentemente, sofrem mais do que outras. Por outro lado, nem sempre os

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que mais sofrem são, necessariamente, os mais infelizes. Elucubrando sobre o tema podemos dizer que alguns, a despeito de experiências trágicas, desestruturantes, se mantêm equilibrados e até tranquilos. Outros, porém, sofrem exageradamente por motivos aparentemente banais, entrando em crise por quase nada. O que faz essa diferença? Medo, temor, pavor, apreensão, inquietação, receio são sinônimos de sentimentos que invadem nosso ser perante situações de perigo, seja ele real ou imaginário. O instinto de preservação é um dos responsáveis por esses sentimentos

e um dos motivos pelos quais aguardamos o farol de pedestre ficar verde antes de atravessarmos uma movimentada avenida. Diante das responsabilidades e compromissos

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diários, muitas vezes somos assaltados por sentimentos de medo. Alguns são racionais, outros nem tanto e revelam temores adquiridos ao longo da vida. A Psicologia chama a esses


medos irracionais de fobias. Há os que têm medo de altura – acrofobia; de trovões e relâmpagos – astrofobia; de animais inofensivos – zoofobia; de lugares apertados – claustrofobia;

de aranhas – aracnofobia, e assim por diante. Entre esses receios alguns procedem, pois são provenientes de experiências anteriores dolorosas. Outros, porém, são causados por situa-

ções imaginárias, apesar de legítimos nas mentes das pessoas por eles assaltados. A verdade é que a vida, principalmente nos grandes centros, tem sido invadida por medos e pelas doenças da moda, ou seja, o Estresse e a Síndrome do Pânico. Em muito elas nos acometem como consequência das crises pelas quais passamos, com perdas súbitas de entes queridos, de emprego, de patrimônio, com as violências, separações, catástrofes, impessoalidade, solidão... E esta lista pode ser personalizada e completada por cada leitor. Após ter sido vítima de um sequestro relâmpago, o missionário americano e diretor da Sociedade Religiosa Lar Cristão, Jaime Kemp, que mora no Brasil desde 1967, disse que esse tipo de trauma é difícil de ser superado. “Muitos pensam que pastores e missionários são uma espécie de superheróis que não temem a ninguém e a nada e enfrentam qualquer situação da vida com coragem e senso de humor. Somos pessoas normais, iguais a qualquer outra. Temos nossos pontos fracos, fortes, sofremos, choramos e

corremos para o colo do mesmo Deus.” O doutor em Ministério Familiar pela BIOLA University compartilhou que ficou profundamente abalado ao ser interceptado por três homens armados enquanto estacionava em frente ao escritório do “Lar Cristão” às 8h30 da manhã de uma terçafeira, em 2004. Ele foi empurrado para o banco do passageiro enquanto um dos bandidos assumia a direção, e outros dois entravam pela porta de trás e encostavam o cano do revólver em sua nuca. “Em todos os meus anos de Brasil eu nunca tinha ouvido tantos palavrões ditos ao mesmo tempo! Inclusive, alguns eu nem conhecia!” Jaime conta que ao irem ao banco para sacar dinheiro, ele simplesmente esqueceu todas as suas senhas. Os bandidos ficaram furiosos. E depois de dizer outro tanto de “cobras e lagartos” pararam o carro, entraram em outro e foram embora em alta velocidade. O que mais marcou o pastor, porém, não foram as ameaças de morte, nem as coronhadas recebidas, mas a seguinte frase e sua implicação: “Estamos com a sua agenda. Temos seu

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endereço. Quando você menos esperar vamos aparecer e pegar a sua esposa”. “Até hoje, quando minha esposa se atrasa para chegar, vou ficando desassossegado e tento localizá-la. Se não consigo falar com ela começo a orar e a derramar minha preocupação perante o Senhor. Procuro me apropriar das promessas do cuidado de Deus com seus filhos para diminuir o nível de ansiedade em meu coração. Mas não é fácil, nem instantâneo e, sendo muito transparente, só volto a respirar aliviado quando Judith chega.” Jaime Kemp diz que já melhorou muito e que desenvolveu uma intimidade com Deus que não tinha antes dessa experiência. “Marcos, capítulo 14, versículo 35 diz que Jesus prostrou-se ao chão. Mateus 26:37-38 revela que a sua alma estava profundamente triste, numa tristeza mortal: prostrado com rosto em terra, mãos estendidas agarrando, quem sabe, a terra ou a grama, o corpo sacudindo compulsivamente. Jesus, o próprio Filho de Deus, sentiu medo e ansiedade! Para nós isso é encorajador e um grande incentivo! Ele não escondeu sua emo-

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ção. Nós, seres humanos, tememos compartilhar nossos sentimentos e nos fechamos. Não foi assim com Jesus. Ele não colocou uma máscara de força inabalável, sobrenatural, mas expôs sua fragilidade e vulnerabilidade que agora nos encorajam. E como Jesus suportou aquele terror da crucificação? Ele recorreu ao Pai

libertas de seus temores. Porém, há aquelas que continuam a ser atormentadas pelo resto de sua vida. Qualquer situação que, de alguma forma, lembre o que vivenciaram pode detonar o dispositivo do medo, do pavor experimentados. Há quem diga que qualquer tipo de medo é falta de fé, de confiança

Há quem diga que qualquer tipo de medo é falta de fé, de confiança em Deus. Sobre isso nos fala o psiquiatra cristão Pérsio Ribeiro Gomes de Deus: “Podemos dizer que o medo é uma reação de defesa do ser humano”. implorando que o socorresse em seus momentos de pavor. E é também ali, aos pés da cruz, que nossos temores são aliviados e nossas almas aflitas restauradas por um bálsamo refrescante e curador.” Como ele, inúmeras pessoas que moram em metrópoles são vítimas desse tipo de violência. Algumas se recuperam rapidamente, outras levam mais tempo, mas acabam conseguindo ser

em Deus. Sobre isso nos fala o psiquiatra cristão Pérsio Ribeiro Gomes de Deus: “Podemos dizer que o medo é uma reação de defesa do ser humano. Quando nos sentimos ameaçados sentimos medo. Quando a ameaça desaparece, a tendência normal é que o medo também desapareça, permitindo que voltemos ao curso normal de nossas vidas. Então, de forma muito resumida podemos dizer que, o medo sem

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identificação de motivo é o que chamamos de medo patológico ou doentio.” O doutor Pérsio afirma que como psiquiatra cristão tem constatado muitos casos de Síndrome do Pânico em cristãos fiéis, que se debatem por não entender o porquê de tantos temores e medos a despeito da confiança que depositam em Jesus. O psiquiatra diz que em vários casos os motivos são anos sem férias, excesso de trabalho e de preocupações, estafa e estresse de tal forma que os “relês”, os sistemas de alerta ficam sobrecarregados e entram em colapso. É aí que ansiedade, angústia, medo, pânico e depressão começam a invadir sistematicamente. O tratamento é feito com orientações e medicamentos, e o cristão tem a seu favor o fato de poder desenvolver uma vida espiritual autêntica e verdadeira, não como antídoto para medos, mas como suporte e sustentação. “Davi teve medo ao enfrentar Golias, mas o fez, não é?” O doutor Pérsio acrescenta que um cristão autêntico que venha a ser vítima da Síndrome do Pânico deve fazer duas coisas:  Buscar um médico


especialista para tratamento seguro.  Buscar no exercício da fé, através da oração e comunhão com Deus, suporte para enfrentar os fatos indesejados, bem como afastar o medo que não é medo, mas falta de fé. Finalizando, ele diz que com fé em Deus podemos procurar e achar, em nível humano e espiritual, ajuda e tratamento para medos e pânicos, sejam eles reais ou não. O ano de 2008 trouxe à tona uma crise financeira mundial com diferentes graus de profundidade e repercussões ainda em andamento. Há experts que afirmam ter essa conjuntura sido até pior que a Grande Depressão de 1929. Em um mundo globalizado o “Efeito Dominó” vai invadindo, derrubando fronteiras e causando desestruturação financeira. Perda de emprego ou de patrimônio por investimentos malsucedidos, por golpes recebidos ou por alguma situação do mercado financeiro que escape ao controle do investidor desestabiliza seus protagonistas desde os primórdios da Economia, com a passagem da negociação da troca para a moeda.

Thomas Hahn conta que foi um empresário bem-sucedido até que seus negócios entraram em colapso. Em seu depoimento para Lar Cristão ele disse: “Eu me fiz por mim mesmo. Era bem-conceituado, bemcasado, pai de três lindos filhos, mansão de 800 metros quadrados em

–– Deus, eu sou teu filho (recém-nascido, mas sou!), isso é jeito de me tratar? Thomas declara, então, ter descoberto que Deus tinha muitas coisas a lhe ensinar. Ele foi entendendo o significado de “onde estiver o seu tesouro ali estará também o seu coração” (Mateus

Em um mundo globalizado o “Efeito Dominó” vai invadindo, derrubando fronteiras e causando desestruturação financeira. Perda de emprego ou de patrimônio por investimentos malsucedidos. terreno de cinco mil metros quadrados, viagem à Europa, carro do ano... Não dava pra reclamar! Nessa época fui evangelizado por um de meus funcionários recebendo a Jesus como meu Salvador. E... Quando as coisas pareciam ir às mil maravilhas, perdi tudo... Foi-se a casa, a mordomia, as viagens, o bom nome. De concreto sobrou-me somente a família e, também, a grande pergunta:

6:21). E seu coração, mesmo convertido estava em seu patrimônio. “Eu era arrogante, prepotente, não tinha nem vestígios de humildade. Comecei, então, a mudar e uma das coisas que decidi foi conhecer mais a Deus. Aprendi que Ele é o Senhor do Universo, e não um Deus que, agradecido por eu haver me convertido, sentia-se na obrigação de derramar sobre mim todas as bênçãos materiais. Foi duro aprender essa lição... Mas

que lição importante se aprende com facilidade? O que Deus me ensinou nesse período foi muito precioso.” Resumindo, Thomas Hahn diz que, além dessa primeira lição, Deus lhe deu mais duas. Depois de quarenta e duas entrevistas buscando emprego, ele e a esposa pararam e oraram o seguinte: “Senhor, já fizemos nossa parte e não alcançamos nenhum resultado. Agora, descansamos em Ti e agradecemos pelo que Tu vais fazer”. Algumas horas depois, ele conta, o telefone tocou e de uma agência surgiu um contrato de trabalho, depois outro e outro. E em alguns anos conseguiu saldar todas suas dívidas. Então, s segunda lição foi: faça sua parte, mas descanse no Senhor. “Continuei a dar não somente o dízimo, mas também a ofertar a missões, assistências sociais e a pessoas em penúria. Meu coração tornou-se mais sensível. E o dinheiro dirigido a essas contribuições nunca nos fez falta.” Thomas Hahn, então, conta que aprendeu aí sua a terceira lição: a de que Deus é realmente fiel. Por outro lado, há pessoas que nunca

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enfrentaram situações tão críticas como as anteriores, sua vida está em relativa bonança, mas elas vivem estressadas. Hugo Moura, advogado e pastor, fala que um dos motivos de estresse é a falta de planejamento na vida. Ele afirma que a realidade cotidiana é marcada por dois elementos que pautam nossas ações e nosso viver: o tempo e os recursos. “Essas realidades são fatores concretos que se impõem a todos. Os recursos são os que temos disponíveis e o tempo é um dado concreto que não podemos alterar.” Segundo ele, se não utilizarmos tempo e recursos em nosso favor eles poderão se tornar nossos tiranos. Quando isso ocorre, entramos em um círculo vicioso de cansaço, angústia, estresse, depressão. É preciso, então, perceber e lidar adequadamente com essa estrutura. O reverendo Moura acrescenta que muitas pessoas estão aparentemente bem, tudo parece tranquilo, porém seu interior está em tumulto e sofrimento. Nada de muito dramático ocorre, mas o desassossego torna o viver insuportável e abala até o relacionamento com elas mesmas, com o próximo e com Deus.

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O reverendo acrescenta um simples, porém efetivo exemplo de uma característica que pode causar esse desequilíbrio interior: a impossibilidade de se dizer Não. “Às vezes, as pessoas acham que podem atender à demanda, outras vezes mesmo sabendo que não poderão cumprir tempo e exigências, não conse-

quando estabelecemos um método, um ritmo para nossa vida, do que se vivermos desarticuladamente.” E como reforço de sua voz deixou o versículo “basta a cada dia suas próprias dificuldades” (Mateus 6:14). Se olharmos para a vida humana como se fosse um filme ou uma série de acontecimentos lineares

Se olharmos para a vida humana como se fosse um filme, ou uma série de acontecimentos lineares passando pelas diversas eras e séculos e chegando até hoje, sem dúvida teremos um emaranhado de circunstâncias e de sentimentos delas resultantes. guem recusar e acabam não realizando as tarefas no nível em que elas mesmas exigem e que se espera delas. Dessa forma não atingem suas expectativas e nem às dos outros criando, assim, uma frustração geral.” O reverendo Hugo acredita que a solução para se conviver com esses fatores seja o planejamento e a sua implementação. “Digo isso, não por ser um planejador nato, ou um administrador competente, mas por ter descoberto que sofremos bem menos

passando pelas diversas eras e séculos e chegando até hoje, sem dúvida teremos um emaranhado de circunstâncias e de sentimentos delas resultantes. Nisso tudo, a pergunta que não quer calar é: “Como Deus pode amar um mundo como o nosso, com muito mais injustiça do que justiça, mais desamor do que amor, mais desonra do que honra, mais desonestidade do que honestidade, mais perversão do que inocência, mais mal do que bem, que vive mais em crise do

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que em harmonia, mais em conflito do que em paz, mais em estresse do que em tranquilidade? O evangelho de João, no capítulo 3, versículo 16 diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. Jesus desceu à Terra exatamente por causa de nossas limitações. Por haver se encarnado em ser humano conheceu nossa essência. E, por isso, é com propriedade que afirma: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33). Ou seja, uma vez conscientes de que deste lado do Jordão teremos aflições, poderemos enfrentá-las sabendo que elas fazem parte “do pacote” da vida. Além disso, o fato de Jesus tê-las vencido, se já somos d’Ele, podemos contar com sua “expertise” e seu conhecimento de como vencer as aflições que chegarem até nós. Iara Vasconcellos é jornalista, tradutora e produtora editorial do Ministério Lar Cristão. É casada com João Marcos Vasconcellos e frequentam a Igreja Batista do Morumbi em São Paulo.


{ FINANÇAS

PA R A A V I D A

Paulo de Tarso é engenheiro civil e mestre em Teologia. É o idealizador e organizador do Site, Palestra e Seminário Finanças para a Vida e do Projeto Educação Financeira para Todos. www.financasparaavida.com.br

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Não consigo pagar tudo. E agora?

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ara entrar bem o ano é importante planejar sua vida financeira e colher os frutos deste bom planejamento. As festas de fim de ano passaram e é muito comum que exageros tenham sido cometidos, e as contas ficaram para o novo ano. Não é um bom sinal, mas se esse é o seu caso, vou dar umas dicas para ajudar você a colocar ordem nas finanças.

que possam ajudá-lo nesta tarefa, tais como o PROCON etc.

Use suas reservas Caso tenha reservas em poupança e fundos, por exemplo, use-as para quitar as dívidas que cobram juros superiores à rentabilidade paga pelos bancos. Não vale a pena ter reservas e ir afundando nos juros das dívidas.

Faça uma lista de entradas e saídas Deve ser algo simples. Uma planilha manual ou eletrônica vai ajudar. O que você ganha menos tudo o que você paga mensalmente é o que resta para pagar as dívidas.

Venda um bem

Liste suas dívidas

Priorize as dívidas caras

Faça uma lista de tudo o que você deve. Não tenha medo de fazer a lista. Talvez você tome um susto no início, mas relaxe, você vai sobreviver. A partir dessa lista, veja qual é o comprometimento mensal com as dívidas. Compare este valor com sua disponibilidade financeira que você calculou no item anterior. Se você tem dinheiro suficiente para pagar o valor mensal das dívidas, ótimo. Caso não seja suficiente, terá de negociar com seus credores.

Normalmente o “cheque especial” e rotativo do cartão de crédito são as que cobram as taxas mais elevadas. Portanto, trate de quitá-las o mais rápido possível.

Negociando as dívidas Nunca fique na retaguarda, esperando que seus credores liguem para cobrar. Adiante-se. Negocie parcelas mensais que caibam dentro de sua capacidade de pagar. Na negociação, deixe claro que quer pagar, mas dentro do limite possível. Se você tem dificuldades para negociar, procure a ajuda de pessoas preparadas ou mesmo de órgãos do governo 24

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Se for necessário, venda algum bem, que não seja essencial, para ajudá-lo a sair mais rapidamente das dívidas.

Troque uma dívida cara por outra mais barata A ideia básica é tomar um empréstimo pessoal ou consignado, que cobra juros menores, para quitar uma dívida mais cara, como o do cheque especial ou o rotativo do cartão de crédito. É muito provável que possa tomar esse empréstimo alternativo no próprio banco em que você tem conta.

Não volte a se endividar A melhor coisa daqui para frente é criar reservas para as compras e não contar mais com as “suaves parcelas mensais” para que elas não continuem a tirar seu sono. Sucesso!

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} INTERNACIONAL

Eu não aguento mais! Aprendendo a lidar com o estresse

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á centenas de outras formas, além de se ter uma vida equilibrada e alimentação adequada, para lidar com o estresse. Algumas são dispendiosas, apesar de eficazes, como viagens e SPAS, portanto não disponíveis a todos; outras são simples, utilizadas sabiamente por alguns. Porém, há escapes desaconselháveis como a utilização do álcool e tranquilizantes na tentativa de diminuir o nervoso e equilibrar as emoções. Não me refiro a prescrições médicas, mas quando tais medicamentos são utilizados aleatoriamente tornam-se tão perniciosos quanto o próprio estresse. 28

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Alguns entram em um mundo de fantasia e se abstraem em frente a uma televisão. Grande parte dessas pessoas acaba “tomando” doses exageradas desse tipo de remédio. A falta de equilíbrio é uma característica do estressado e acaba se revelando na própria tentativa de superar o próprio estresse. Entre as várias formas utilizadas para a superação do estresse gostaria de propor mais algumas: 1. Identifique as causas de seu estresse. Faça uma lista. Aprenda a dizer “não”. Aceite seus limites. Não tente ser a mulher maravilha nem o super-homem. Uma vez que reconheçamos os pontos de estresse

saberemos até onde ir para não “esticar demais o elástico”. 2. Evite, se possível for, assumir muitos compromissos ao mesmo tempo. Se você tiver em sua agenda projetos estressantes muito próximos um do outro, procure redistribuí-los. 3. Treine e procure viver com imperfeições. Ninguém é perfeito – nem você! Os perfeccionistas, de acordo com pesquisas, são os maiores candidatos ao estresse e esgotamento.

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4. Participe de um grupo de apoio. Interessese pelo próximo. Compartilhe, confidencie, encoraje e ore pelos outros. Carregar o fardo juntos trará maior alívio a todos. 5. Procure desenvolver uma atitude de gratidão, em vez de autopiedade. Agradeça ao Senhor porque “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8:28). O apóstolo Paulo aprendeu a estar contente em todas as circunstâncias


(Filipenses 4:11). Mas isso não aconteceu instantaneamente. Ele aprendeu a pensar no que era verdadeiro, amável e a regozijarse mesmo quando sob estresse. Ele se concentrava na bondade de Deus, em vez de focar-se nas situações. 6. Aprenda a cultivar uma boa autoestima e aceite aquilo que não pode ser mudado. Você terá altos e baixos. Nem sempre receberá aplausos; nem sempre será compreendido(a). 7. Expresse suas emoções – risos e lágrimas são excelentes diminuidores de estresse. Jeremias chorava e clamava ao Senhor. Jesus, no jardim do Getsêmani, chorou e orou. “O coração bem disposto é remédio eficiente, mas o espírito oprimido resseca os ossos” (Provérbios 17:22). Use o bom humor. Pessoas com um senso de humor apurado ajudam a si mesmas e aos outros, descontraindo o ambiente. Mas se você for do tipo que não consegue se expressar, procure manter um diário para extravasar. Sentimentos não liberados podem se manifestar através de doenças psicossomáticas. 8. Controle aquilo que você absorve. Recebemos muitas más notícias

através da mídia. Somos bombardeados com escândalos, desastres, violências. Não estou incentivando ninguém a “enterrar a cabeça na areia”, mas há muitos que se tornam obcecados e veem só desgraças em todo lugar. 9. Aprenda a delegar e a dividir responsabilidades. Moisés não tinha tempo para lidar com todos os problemas do povo. Seu sogro, Jetro, detectou o ponto real da situação: ele não estava repartindo suas responsabilidades (Êxodo 18:18). 10. Descanse no Senhor. Confie n’Ele de todo o seu coração. Davi aprendeu a colocar sua confiança no Senhor e a evitar que sua pressão arterial subisse: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei temor?” (Salmos 27:1-3). Entramos em pânico e nos estressamos porque não conseguimos resolver todos os nossos problemas. Esquecemos de confiar em Deus, de descansar n’Ele e de crer que Ele não nos dará peso maior do que podemos suportar. 11. Procure diminuir o excesso de barulho – janelas antirruído, paredes mais grossas etc. Somos bombardeados pelo barulho do trânsito, de sirenes, motores de avião e

maquinários de toda sorte. Nem sempre há o que fazer, mas todo e qualquer decibel que conseguirmos diminuir será proveitoso. 12. Não se deixe dominar pela obsessão da sociedade por números: quantidade de tarefas, cotas atingidas, vendas fechadas. Evite competições desnecessárias e focalize em uma melhor qualidade de vida. 13. Seja diligente e assertivo. Quando sua tarefa exigir concentração, procure eliminar focos de distração. 14. Não comece outro projeto enquanto não terminar o anterior. Este princípio também se aplica a atividades de lazer. Não comece a ler um novo livro tendo outras leituras já iniciadas. 15. Seja maleável. Insistir em sempre estar certo só cria tensão. 16. Faça o que é certo, ético e lícito. Quem precisa esconder algum comportamento inadequado sofre grande estresse. 17. Treine não fazer movimentos bruscos. Fale, ande e coma mais devagar. 18. Tenha uma “válvula de escape” em seu ambiente de trabalho. Procure caminhar no horário de almoço. Ache um cantinho para orar. Elogie seus colegas. Não se deixe

“engolir” pelo trabalho. Estas atitudes aumentarão sua eficiência. Na maioria das vezes Deus trata do nosso estresse de forma simples (1 Reis 19). Elias estava cansado e deprimido: um caso clássico de esgotamento, para o qual Deus providenciou alimento, descanso e mudança de cenário. Quando Elias estava estressado, Satanás tirou vantagens dele. Porém, quando estava descansado e alimentado, Deus lhe deu uma nova tarefa e uma nova perspectiva. E isso o tirou da depressão. Coloque seu foco mais em agradar a Deus do que aos homens. Martinho Lutero sempre dizia: “Hoje vou trabalhar muito, de manhã até a noite. Por isso vou dedicar as três primeiras horas de trabalho à oração!”. O tempo que passarmos a sós com Deus nos fortificará, renovará e se tornará imprescindível para sobrevivermos em nossa geração. Jan Markell escreveu o livro “Superando o estresse”, publicado pela Victor Books. Artigo originalmente publicado pela revista “Family Life Today” e traduzido com a devida permissão por Iara Vasconcellos.

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} CONFLITOS

FAMILIARES

Dividindo a responsabilidade

para resolver conflitos

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m 1999 passamos por um conflito familiar, e vale aqui definir a palavra conflito. Gosto especificamente desta definição: conflito é a oportunidade para resolver diferenças. Ele é caracterizado sempre por, no mínimo, duas posições diferentes que são incompatíveis: ou você segue uma direção ou a outra. Eu e nossa família estávamos com uma viagem marcada para visitar um irmão que morava no Canadá. Cinco passagens compradas, estadia etc. etc. Minha mãe ficou muito doente três meses antes da viagem. Ela era viúva e não havia ninguém dos filhos que pudesse cuidar dela para que eu pudesse fazer esta viagem descansada. Os médicos haviam-na desenganado. Eu não queria ir, pois tinha medo de que ela morresse

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no período em que estivesse fora. Meu marido, na época, exercia a medicina e achava que devíamos viajar. Estava caracterizado um conflito. É importante ressaltar que pelo fato de termos opiniões diferentes sobre determinada situação não implicava que um estava certo e outro estava errado. Este conflito tornou-se um relacionamento saudável, pois aprendemos então a pedir ajuda. Podíamos ter desenvolvido uma raiva ou ódio um pelo outro; uma capacidade de brigar e argumentar; uma disputa para ver quem venceria ou quem era mais forte; um sentimento de vingança e ressentimento. Pedindo ajuda para alguém de fora tivemos a oportunidade de desenvolver uma boa comunicação, responsabilidade, respeito e principalmente aprender a ter uma percepção diferente de nosso conflito. Pedimos para um casal maduro que viesse depois do serviço intermediar este desentendimento. Sentávamos na cozinha, nós quatro, e conversávamos sobre este conflito. Muitas razões nos serviram de estímulo para procurar ajuda (na

multidão de conselheiros há sabedoria) e os resultados foram: tivemos a oportunidade de expandir o nosso próprio ponto de vista e conseguimos entender as razões do outro; aprendemos a ser mais flexíveis e consequentemente a discuti-las com a outra parte; eu e meu marido

ser tratado de forma objetiva e transparente.

O conflito foi resolvido Querido leitor: quando não se chega a um consenso em uma situação de conflito, existem diversas alternativas para procurar uma terceira pessoa, um mediador de conflitos. Há situações em que procurar um

Procurar o árbitro ou o juiz em determinados contextos pode mostrar o que é justo e estaria de acordo com a lei. Estou sugerindo um mediador ou conselheiro. Ele não pode ser visto como um solucionador de problemas. fomos mais atenciosos um com o outro; aprendemos a ter autocontrole e equilíbrio entre a razão e a emoção. Estávamos mais confiantes e esperançosos. O mais importante de tudo foi que estávamos ocupados demais em nossas argumentações para resolver o conflito, e trazendo um casal de fora tudo se tornou mais fácil. Eles nos ajudaram a não achar que o problema é o outro, a não fazer do outro uma lata de lixo e tratamos o que precisava

professor é sábio, pois este, com o seu conhecimento, pode resolver um problema. Procurar o árbitro ou o juiz em determinados contextos pode mostrar o que é justo e estaria de acordo com a lei. Estou sugerindo um mediador ou conselheiro. Ele não pode ser visto como um solucionador de problemas. Ele também não faz o papel de advogado. Esta pessoa ou casal vai ajudá-lo a alcançar uma solução satisfatória para

resolver suas diferenças. Mediação é facilitar uma negociação e a comunicação para que os envolvidos cheguem a um acordo. É um processo voluntário (a pessoa decide espontaneamente participar da mediação depois de convidada) e neutro (imparcial), ou seja, o mediador não favorece qualquer lado. No texto de João 8 envolvendo a mulher adúltera e a turma que queria apedrejá-la o mediador é Jesus Cristo. A sabedoria de Jesus, quando afirma “se alguém de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra nela”, fez a atitude dos homens ser questionada e a vida da mulher ser salva. Sem a presença de Jesus podemos imaginar o que teria acontecido. Em Atos 15 temos o relato do concílio de Jerusalém. Paulo e Barnabé foram designados no papel de mediadores entre os apóstolos, presbíteros e a igreja. Eles puderam distinguir o problema e no final chegar a uma solução. Procure um mediador ou conselheiro cristão. Estou certa de que um cristão deve proclamar as boas-novas da paz. Viver como um pacificador

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pode contribuir para ajudar a encontrar um mediador cristão ou conselheiro. Fernanda e Carlos Glasser também ajudam pessoas a resolverem seus conflitos. Eles têm quatro filhos e uma larga experiência no aconselhamento. Veja o que dizem: a) Resolvam o passado, identifiquem as falhas do passado. É fácil ver o erro dos outros e não o nosso (Mateus 7:1-5). b) Confessem suas falhas e admitam ter magoado outras pessoas. c) Aprendam a perdoar. Perdão não é sentimento, perdão é mandamento (Mateus 18:21-22). d) Semeiem bênção nas situações de conflito. Tenham sempre palavras, atitudes e ações positivas. Aquilo que pensamos influencia o que fazemos. Podemos dizer que as nossas ações influenciam nossas emoções. e) Tenham habilidade de falar e ouvir. É fundamental saber conversar e ouvir. Ouça com seu físico (olhos, mãos, pés etc.), com atitude de compreensão e não de julgamento. Resista à vontade de compartilhar sua opinião antes de 32

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} CONFLITOS

ouvir tudo e mesmo que não concorde tente imaginar o que está se passando. f) Tenha sempre uma atitude positiva de resolver o conflito. Escolhas positivas levam a ações positivas, que resultam em sentimentos positivos. g) Procure a ajuda de um conselheiro ou um

FAMILIARES

para eles e agora para você também. Veja se pode respondê-las: 1) Você procura entender o ponto de vista do outro em uma relação de conflito? 2) Você deixa de trabalhar em um conflito acreditando que com o tempo ele vai deixar de existir?

Eu e meu marido costumamos reunir noivos e namorados em um curso de preparação para o casamento. Nesse curso falamos sobre conflitos atuais e futuros, com sogro e sogra, namorados, chefes, vizinhos etc. mediador cristão, mas lembre-se de que temos um livro que explica e ensina como viver uma vida plena: a Bíblia, a Palavra de Deus. Eu e meu marido costumamos reunir noivos e namorados em um curso de preparação para o casamento. Nesse curso falamos sobre conflitos atuais e futuros, com sogro e sogra, namorados, chefes, vizinhos etc. Aqui estão algumas perguntas que fazemos

3) Costuma colocar panos quentes no problema, achando que esta é a forma de ser um cristão? 4) Como suas emoções se manifestam em uma situação de conflito? 5) Por que é tão difícil ouvir o outro quando discordamos? 6) O que é preciso fazer para se expressar corretamente quando você conversa com uma pessoa que tem opiniões diferentes das suas? 7) Você tem humil-

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dade e disposição para se expor, procurando um mediador ou conselheiro cristão, visando transformar uma batalha em triunfo para todos? Que haja transformação e crescimento em seus relacionamentos. Certamente isto requer a presença da graça e da misericórdia de Deus. Contudo, também requer obediência, esforço e perseverança na resolução dos conflitos. Lembre-se de que nunca sabemos de quanto tempo dispomos para amar nosso cônjuge, amigos, filhos, pais, vizinhos da maneira honrosa que eles merecem ser amados. Aprenda então a resolver seus conflitos! Dora Bomilcar de Andrade é coordenadora regional para Sul e São Paulo do movimento Desperta Débora – MPC. É formada em Teologia e Pedagogia. Atualmente apresenta o programa Entre Amigas na Rádio Transmundial. É casada com Paulo Andrade, pastor e médico, e têm três filhos. P.S.: Se você quiser saber como terminou o nosso conflito, escreva para dora@despertadeboras.com.br


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{ DISCIPULANDO

FILHOS

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Jovens: um desafio

para pais e discipuladores

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rabalhar com pessoas sempre foi um grande desafio para mim. Atuo na área da música e louvor há mais de 20 anos, e isso me propiciou a convivência com centenas de jovens, adolescentes e crianças. Há muito tempo tenho convivido com os mais diversos tipos de problemas e dúvidas enfrentados por jovens cristãos. Também tenho notado que pastores, líderes e discipuladores sofrem por não saberem lidar com situações adversas vividas por seus filhos ou discípulos. Vejo que um dos maiores desafios para discipuladores é mostrar que com a idade vem a liberdade. A idade traz consigo uma independência muito maior. Isso é bom, pois o indivíduo precisa crescer e se desenvolver. Mas a liberdade e a independência têm um preço. Elas requerem mais responsabilidade e propiciam maior perigo. Quando uma criança erra, ela pode causar problemas pequenos, mas quando

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um adulto erra, os problemas e consequências são maiores. Acredito que um trabalho vital na vida das crianças, adolescentes e jovens é alertá-los através da Palavra sobre os perigos que a independência pode trazer. Conheci muitos jovens que foram mal educados por seus pais ou mal discipulados por seus líderes.

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Ramon Tessmann tem sido muito solicitado no Brasil como conferencista em áreas como adoração, ministério, vida cristã, crescimento espiritual e outras. Tem ministrado para centenas de pastores, líderes e adoradores em diversas igrejas, seminários e congressos.

Conheci músicos soberbos, mimados, “estragados” pela ausência de ensinamento. Portam-se como crianças, mesmo após passarem dos 30 ou 40 anos. A uns faltou conselho, “puxão de orelha”, acompanhamento. A outros faltou atenção, amor e carinho. O fato é que a adolescência/juventude é uma fase problemática e requer atenção por parte dos pais e discipuladores. Você já deve conhecer a parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32). O filho caçula de um homem pediu sua herança adiantada, antes da morte de seu pai. Fez as malas e foi embora. Em outro país, ele desperdiçou todo o dinheiro de forma desenfreada, soberba e egoísta. O filho mimado sofreu as consequências de suas decisões equivocadas e chegou a passar fome. Sujeitou-se a uma condição humilhante ao aceitar cuidar de porcos e cobiçar o alimento deles. Conheço dezenas de histórias parecidas com esta. Em sua igreja você deve conhecer histórias assim. Jovens que tomaram decisões erradas e pagaram caro, com consequências devastadoras. Lamento por isso, pois várias situações terríveis podem ser evitadas se nossas crianças, adolescentes e jovens forem ensinados corretamente à luz da Palavra de Deus. Os tempos atuais exigem um grande esforço por parte dos pais, pastores ou discipuladores. A história de José (Gênesis 39-50) pode ser estudada com profundidade pelos líderes e servir como base para um discipulado eficaz. José era um jovem que foi rejeitado pelos seus irmãos, que chegaram a forjar sua morte. Apesar disso ele foi firme e fez o que era correto. José também foi acusado falsamente, mas

não cedeu às pressões. Ele sofreu muito por permanecer no caminho correto, mas se tornou um homem usado por Deus. A vida de José é uma lição preciosa para os jovens. A seguir deixo algumas dicas importantes que aprendi trabalhando com a juventude: 1) Ensine o jovem a não ser impaciente. Ele vai crescer, desenvolver-se e tudo ocorrerá no tempo certo, se ele for paciente. 2) Ensine o jovem que a independência vem com o tempo e maturidade. Enquanto isso não acontece, os pais é que tomam as decisões e devem ser respeitados. 3) Ensine o jovem que ele irá escolher seu destino. Os pais, discipuladores ou amigos poderão até exercer alguma influência, mas ele precisará entender que cedo ou tarde terá de tomar suas próprias decisões e será julgado por isso (2 Coríntios 5:10; Hebreus 9:27). 4) Ensine o jovem a ser um adulto responsável, amável, trabalhador. Se ele não aprender isso cedo, dificilmente aprenderá depois. 5) Não é necessário que pais e discipuladores se mostrem perfeitos, pois não são. Os jovens precisam de referenciais, de exemplos. Quer ensinar alguém? Não é necessário ser perfeito, mas você pode muito bem ser um modelo. 6) Quando seu filho ou discípulo errar, perdoe. Deixe o filho pródigo voltar para casa. A falta de maturidade faz com que os jovens errem com bastante frequência. Esteja preparado para perdoar. 7) Se o seu filho ou algum jovem que você discipula sair da igreja, permaneça na igreja para recebê-lo de volta.

Não é necessário que pais e discipuladores se mostrem perfeitos, pois não são. Os jovens precisam de referenciais, de exemplos. Quer ensinar alguém? Não é necessário ser perfeito, mas você pode muito bem ser um modelo.

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{ CRISE,

CONFLITOS E ESTRESSE

} COMUNICAÇÃO

A construção

da comunicação A

os dez anos de casados minha esposa e eu desejamos ter nosso primeiro filho. Durante os meses de gravidez conversamos sobre os mais variados aspectos da sua educação, fosse ela de berço, cristã ou escolar. Após observar (reparar mesmo) os erros dos outros na criação de seus filhos, combinamos como seria a nossa ação e reação diante das várias situações observadas. Pusemos o plano em prática. Passados quatro anos, temos satisfação por um filho que nos orgulha. Mais que isso, a criação de nosso filho é até aqui um dos projetos mais bem sucedidos em nosso casamento; diria mesmo que é o nosso projeto conjunto com maior número de acertos.

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Há um segredo para isso? Sim, há. E não é a comunicação em si. Sabemos que é preciso comunicar, que a comunicação é a área mais complexa nos relacionamentos e a que mais afeta casais e famílias. O segredo, então, é

é verdade! Há livros e mais livros sobre o tema; nós os compramos, lemos, ouvimos seus autores. Mas é preciso realizar a comunicação e não apenas elaborá-la ou aprender sobre ela. É preciso ter vontade e

É preciso saber como as pessoas nos compreendem (o que os psicólogos chamam de comunicação ativa). Os profissionais da comunicação sempre querem saber qual é o público a quem dirigem sua mensagem. praticar aquilo que sabemos ser necessário. Conhecemos os benefícios da comunicação, mas usufruímos pouco do que ela pode dar. “Quem não se comunica se trumbica”, dizia o famoso apresentador – e

disposição de exercer a comunicação no lar e em outros ambientes.

Entende o que eu digo? Surgem, então, duas questões: o que é comunicar? E como comunicar-se? Comunicar é

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tornar comum, partilhar uma informação, uma mensagem, uma ideia ou mesmo um desejo. Gary Collins1 diz que a comunicação envolve o envio de mensagens verbais e não verbais. “Quando a mensagem verbal e a não verbal se contradizem (...) isso causa confusão e interrupção da comunicação.” E acrescenta que “a boa comunicação requer que a mensagem enviada seja idêntica à mensagem recebida”. Se um marido compra um presente porque ama a sua esposa, mas ela acha que ele não a ama porque nunca diz “eu te amo”, então ela começa a imaginar que ele comprou o presente porque se sente culpado de alguma coisa. Está havendo má comunicação aqui, porque a mensagem enviada não é a mensagem que está sendo recebida.


É preciso saber como as pessoas nos compreendem (o que os psicólogos chamam de comunicação ativa). Os profissionais da comunicação sempre querem saber qual é o público a quem dirigem sua mensagem. Essa informação determinará a linguagem, os símbolos, o vocabulário e as expressões usadas para que a comunicação seja recebida adequadamente e faça sentido. Se a mensagem não fizer sentido, não haverá comunicação.

Prova de amor Dessa forma, a exigência vai além de simplesmente falar. Comunicar-se satisfatoriamente envolve o amor à pessoa com quem nos comunicamos, porque exige de nós a preocupação com o modo como serei entendido e o esforço de averiguar se fui compreendido. Não basta despejar palavras e transferir a responsabilidade à outra pessoa; isso pode dar a falsa sensação de aliviar a consciência por haver dito algo, mas não é comunicação. Às vezes é provocação!

Essa questão é especialmente grave quando envolve pais de adolescentes, pois os adolescentes nutrem códigos de linguagem diferentes daqueles utilizados pelos pais. Assim, há instruções e informações que precisam ser detalhadas, dadas as razões e simplificadas para que seja estabelecido um contato frutífero entre pais e filhos, e assim traumas serão evitados. O Dr. Everett Worthington2 associa a comunicação com a

necessidade de dar e receber amor, portanto comunicar é manifestar amor. Ele afirma que a boa comunicação deve “comunicar amor diretamente; positivamente; prestando atenção; compartilhando informações, experiências, sentimentos e valores; assegurando tempo para se comunicar; e evitando desvalorizar a comunicação”. Parceiros com padrões saudáveis de relacionamento “comunicam seu amor um pelo outro diretamente através de

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modos que cada parceiro consegue entender; comunicam os aspectos dos relacionamentos deles que eles valorizam – as partes positivas; escutam um ao outro com respeito; compartilham experiências, incluindo (a) informações importantes, (b) seus pensamentos, necessidades percebidas e desejos, (c) seus sentimentos e (d) seus valores e disponibilizam tempo e oportunidade para uma boa comunicação”.

Brainstorm Em uma reunião para elaboração de uma peça publicitária os participantes têm um momento de criatividade em estado bruto chamado brainstorm (tempestade). É quando dizemos e anotamos qualquer ideia, expressão ou dado. Depois, essas informações são elaboradas até tomar a forma de um anúncio ou uma peça. Em nossos relacionamentos temos os momentos de brainstorm, só que esses não são momentos criativos, mas momentos perigosos, pois eventualmente “entregamos” a mensagem da forma como surge em nossa

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} COMUNICAÇÃO

mente. A boa comunicação deve ser elaborada, trabalhada, refinada. Isso exigirá um tempo de depuração quando aquilo que não serve dará lugar a palavras e expressões que edificam, que constroem, que curam e expressam amor. A má elaboração do modo como nos comunicamos dará lugar a

que você pensa contempla todos os aspectos da questão. 2. Escolha o momento adequado para falar. Quando o cônjuge chega cansado do trabalho não é a melhor hora para falar de problemas cotidianos. 3. Escolha palavras certas e precisas. Seja econômico, sem omitir informações. Algumas

Em nossos relacionamentos temos os momentos de brainstorm, só que esses não são momentos criativos, mas momentos perigosos, pois eventualmente “entregamos” a mensagem da forma como surge em nossa mente. relacionamentos infrutíferos, doentios e amargos. Por isso, valem algumas dicas que ajudam a evitar desgastes e promover uma relação saudável com pessoas do nosso convívio: 1. Gaste tempo meditando na maneira como irá transmitir uma informação. Veja a questão por ângulos distintos, pelo ponto de vista da outra parte, e avalie se o

palavras, dependendo da situação, podem parecer ofensivas ou provocantes. 4. Convide a pessoa (cônjuge ou filho) para a conversa. Pergunte se está disposto a tratar de determinado assunto naquela hora e sentemse para conversar. Faça daquele momento a prioridade, deixando de lado outras atividades que estiverem fazendo. Valorize aquele momento.

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5. Certifique-se de que foi compreendido. Depois de falar, pergunte se a pessoa entendeu e se é assim que ela pensa. 6. Saiba ouvir. Dê oportunidade para a outra pessoa expressar suas impressões e argumentar. Muitas vezes não vemos todos os elementos que envolvem determinada questão e podemos ser surpreendidos com uma melhor abordagem de um problema. 7. Faça follow up. Quando aquilo que foi conversado e combinado acontecer, recorde seu cônjuge ou seu filho de quando elaboraram aquela estratégia, de quando planejaram fazer determinada coisa e vivam a alegria de ter alcançado os objetivos propostos. Isso fortalecerá e dará mais espaço para que a comunicação seja mais valorizada no relacionamento diário. Magno Paganelli é casado com Roseli e pai do Magninho. É formado em Publicidade, bacharel em Teologia e pós-graduado em Novo Testamento. Tem mais de 20 livros publicados e é editor da Arte Editorial. 1. Aconselhamento cristão, Ed. Vida Nova. 2. Casamento, ainda resta uma esperança, Ed. Palavra.


{ CRISE,

CONFLITOS E ESTRESSE

} AUTOCONTROLE

Controlando sua raiva P

rimeiramente há a necessidade de definir o termo raiva. Alguns dicionários trazem a definição como a privação de raciocínio lógico, a falta de calma, distúrbio do equilíbrio emocional. A raiva é um sentimento de protesto, insegurança, timidez ou frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego se sente ferido ou ameaçado. A intensidade da raiva, ou sua ausência, difere entre as pessoas (http://pt.wikipedia.org/ wiki/raiva). Olhando para a raiva nas Escrituras Sagradas percebemos logo no início da criação, após a queda, este sentimento no coração humano.

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Caim, irmão de Abel, é o primeiro exemplo de raiva. A pergunta que Deus faz a ele é objetiva: “Então o Eterno disse: Por que você está com raiva?

Por que anda carrancudo? Se você tivesse feito o que é certo, estaria sorrindo; mas você agiu mal, e por isso o pecado está na porta, à sua espera. Ele

Como a raiva surge A raiva pode ter diversas origens, e isso acontece evidentemente por causa do problema interno dentro de todos nós, aquilo que chamamos de depravação total. Lembre-se do texto de Mateus

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quer dominá-lo, mas você precisa vencê-lo” (Gênesis 4:6-7 – BLH). As Escrituras tratam a raiva como algo que por natureza é ligada ao ser humano. Não há quem não fique com raiva, e isso é natural. Mas quando ela não é dominada, poderá nos levar a condições físicas, mentais e espirituais desfavoráveis. Depois voltaremos ao exemplo de Caim.

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15:18 a 20. Em um dos versículos Jesus mostra que aquilo que sai da boca procede do coração, e é isso o que contamina o homem. Há um processo terrível dentro de nós como seres humanos. Pensamos e praticamos ações terríveis que produzem raiva, como: Inveja: Uma pessoa pode sentir raiva de outra pelo fato de esta ter algo que aquela gostaria para si. E pelo fato de não possuir os recursos necessários para adquirir algo que deseja, ela começa a sentir raiva de quem tem. Então a pessoa tem um carro BMW e uma outra vê aquilo e sente raiva por não poder ter. E alguém até diz: “Por que ele tem e eu não?”. Há quem diga que por isso a inveja mata. Ego: Uma pessoa pode sentir raiva de outra pelo fato de ter afrontado ou ridicularizado seu ego. A raiva, neste caso, é uma tentativa de proteção ao se impor uma postura agressiva diante da afronta. Para não citar exemplos de outros, falo de mim mesmo. Confesso que já passei por este processo. Um dia alguém me chamou de burro, isso mexeu com meu ego. O primeiro sentimento

imediato que veio sobre mim foi o de uma grande raiva. Queria engolir aquela pessoa! Instinto de superioridade: Alguém que no seu íntimo tem a falsa percepção de superioridade em relação aos demais. Quando se vê em uma situação em que não é compreendido ou aceito como gostaria, o sentimento que surge é a

e emocionalmente abalados por anos, porque reprimiram esta raiva dentro de si mesmos. Foram palavras ditas pelos pais, desprezos, abandonos. Conheço uma pessoa que foi abandonada pelos pais. Quando converso com ela em atendimento pastoral e tenho de tocar no fato, o sentimento dela é de choro e com

Em diversas situações podemos perceber que a raiva de alguma maneira sempre está presente. E nelas reagimos de várias formas. Porque alguns têm pavio curto, perdem o controle, falam mal, brigam, batem, quebram objetos e depois se arrependem. raiva. Por isso, algumas vezes vemos pessoas perdendo a postura e o equilíbrio por coisas absolutamente simples. Família: Pode ocorrer quando os pais não dão a devida atenção aos filhos, desinteressando-se pelos problemas que venham a afligir a prole. Inconscientemente o indivíduo começa a se ressentir, o que ao longo dos anos pode gerar raiva acumulada. Há muitos filhos que estão doentes

muita raiva. Ela passa um tempo profundo de pesar por causa da condição passada. E o sentimento forte é sempre da raiva.

O que a raiva gera A raiva é um sentimento dentro de nós que, se não for controlado, vai corroendo de dentro para fora, e com toda certeza ela causa diversos prejuízos físicos, mentais e espirituais para a pessoa. Como consequências da raiva podemos ter:

violência verbal; violência física; ódio; comportamento agressivo. Em diversas situações podemos perceber que a raiva de alguma maneira sempre está presente. E nelas reagimos de várias formas. Porque alguns têm pavio curto, perdem o controle, falam mal, brigam, batem, quebram objetos e depois se arrependem. Muitos não conseguem controlar seus impulsos agressivos e têm dificuldade de lidar com a raiva. Como já exemplifiquei, quero trabalhar um pouco a vida de Caim dando, no final, algumas dicas para termos cuidado com este sentimento que é interno e gera efeitos externos na nossa vida. Olhando para o contexto de Gênesis percebe-se que os capítulos 4 e 5 mostram a consequência do pecado sobre a raça humana, não apenas sobre os nossos primeiros pais, Adão e Eva, mas sobre a sua descendência direta. A começar pelos filhos do primeiro casal, o mau exemplo, conduta e ensino já se estendem para gerações. Quando examinamos o relato bíblico do primeiro homicídio, observamos que a raiva se

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CONFLITOS E ESTRESSE

encontra na raiz daquela primeira quebra dos mandamentos divinos. Paradoxalmente, tudo começa em um contexto espiritual ou religioso. Dois irmãos, Caim e Abel, se apresentam ao Senhor com suas ofertas. Deus se agrada da oferta de um e rejeita a do outro. A verdade é que o texto não indica a razão e apenas se limita a sugerir que Caim não havia procedido bem (Gênesis 4:7), mas revela que a inveja diante da aceitação da oferta de Abel progride dando lugar à ira e à raiva. Caim dorme irado e acorda com muito mais raiva no coração. Ele toma suas refeições com raiva e desenvolve as atividades profissionais com ela no coração. Esta é uma realidade do coração dele e se expressa no estado de espírito e no semblante dele. A pergunta de Deus a ele é: “Por que anda carrancudo?” (Gênesis 4.6b). Caim teve inveja de seu irmão (Gênesis 4.4b-5b) e isso gerou raiva dentro dele. Então ele foi dominado pela raiva e ira. O que resultou desta atitude?

Coração envenenado: ele não dormia por causa

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do pensamento e atitudes de raiva.

Vazão para a depravação interna: a Bíblia nos ensina que o pecado destrói a reputação, a moral e a nossa paz. O pecado desnuda outros problemas humanos pervertendo o coração. Como diz um autor de quem gosto muito: “O pecado é a cegueira e a surdez diante de Deus.

não ficaria sossegado enquanto não resolvesse aquela raiva em relação a seu próprio irmão Abel. O resultado dos acontecimentos você já sabe. Ele acabou matando seu próprio irmão do coração por causa de um sentimento que o dominou: a raiva. Isto é algo para nos preocupar hoje. Porque se não aprendermos a controlar os nossos

As nossas relações são mais importantes do que qualquer coisa. Para manter nossos relacionamentos necessitamos afastar urgentemente de nós as disputas da nossa vida. Bíblia nos ensina que somos criação de Deus e de maneira única. Então, tomemos cuidado, porque ele nos faz ficar cegos em relação ao coração de Deus. O pecado é a culpa pela quebra do Shalom” (PLANTINGA JR., Cornelius. Não era para ser assim. Um resumo da dinâmica e natureza do pecado. São Paulo: Cep, 1998, p. 17). O pecado brotou sentimentos que saíram da página interna de Caim e o sentimento de homicídio tomou conta do seu coração. Ele

sentimentos internos em relação à raiva, podemos cometer atos terríveis para com as pessoas que andam conosco. Assim, deixo algumas dicas para controlarmos a nossa raiva e trabalharmos com graça diante de todos os obstáculos que enfrentarmos na vida:

Afaste-se das disputas As nossas relações são mais importantes do que qualquer coisa. Para manter nossos relaciona-

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mentos necessitamos afastar urgentemente de nós as disputas da nossa vida. A Bíblia nos ensina que somos criação de Deus e de maneira única. Temos personalidades e temperamentos diferentes. Então não deveríamos nos surpreender quando nos irritamos uns com os outros. Mas se alguém não concordar com a nossa posição ou opinião, não podemos ficar bravos e raivosos, porque esta atitude ganhará peso e fatalmente entraremos em disputa. Porque sempre desejaremos mostrar que temos a melhor ideia e a melhor alternativa para detalhes da vida. Como diz Joel Osteen: É preciso ter a maturidade para conviver com alguém que é diferente de você. Exige paciência não começar uma disputa sobre questões menores ou ficar facilmente ofendido. Se o objetivo é manter disputas fora da nossa vida, então precisamos aprender a dar às pessoas o benefício da dúvida. Precisamos passar por cima de algumas coisas. Toda pessoa tem falhas, todos temos fraquezas (OSTEEN, Joel. O que há de melhor em você – desenvolva seu potencial e


realize seus maiores sonhos. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2008, p. 162).

As Escrituras nos ensinam que o amor faz concessões às fraquezas das pessoas. O amor cobre falhas. Não é por acaso que Paulo disse algo profundo para a igreja de Roma: “Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos” (Romanos 15:1). E no versículo 2 ele diz mais: “Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o bem dele, a fim de edificá-lo”. Quando ignoramos as fraquezas dos outros e

não trazemos conflitos dando vazão à raiva, plantamos as sementes pela graça para que Deus trabalhe sobre a outra pessoa.

Cultive a simplicidade na vida Quando experimentamos a realidade interior da simplicidade, ela nos liberta exteriormente. É exatamente o que percebemos no pedido do escritor sábio de Provérbios: “… não me dês nem pobreza nem riqueza; dáme apenas o alimento necessário. Senão, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria: Quem é o Senhor? Se eu

ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus” (Provérbios 30:8-9). Como precisamos de uma vida simples, uma vida de simplicidade que nos liberta para recebermos a provisão do Eterno, isso sem soberba, sem orgulho. Porque sem a simplicidade não sabemos reconhecer que tudo vem da bondosa mão do Eterno. A realidade da simplicidade nos ajuda a fugir da soberba e da prepotência humanas. A realidade da simplicidade nos ajuda a buscar em primeiro lugar o Reino de Deus sabendo que no demais seremos sustentados na vida. O que a simplicidade gera em nós? A simplicidade envolve uma vida de alegre despreocupação com os bens materiais. Ela nos ajuda a viver pela graça todos os dias. Ela nos ajuda a depender de Deus para obter os mais simples elementos da vida: ar, água, sol. Ela nos ajuda a perceber que aquilo que temos não é resultado de nosso próprio labor, mas do gracioso cuidado de Deus. O resultado é que não damos espaço para a competição dentro de nós, porque o espírito que reina é o da simplici-

dade no coração. Daí olhamos para os outros como superiores a nós, olhamos para os outros com um coração simples. Olhamos para os outros sem orgulho e soberba querendo ser os melhores. Termino citando o velho apóstolo Paulo refletindo sobre quem ele era e quem Cristo era para ele: “Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós” (2 Coríntios 4:7). Alcindo Almeida é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, formado pelo Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição. É pastor da Igreja Presbiteriana da Lapa, na cidade de São Paulo, casado com Erika de Araújo Taibo Almeida, graduado em aconselhamento cristão no Centro Andrew Jumper e a validação do bacharelado em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. É autor dos livros Silenciando o coração diante do Pai, Conselhos para uma vida sábia – Reflexões no Livro de Eclesiastes, a coleção Dores, lágrimas e alegrias nos Salmos - Volumes I, II e III,Vivendo na presença do Pai e Os encontros de Jesus - Pessoas que foram transformadas por ele, todos publicados pela Editora Fôlego. É membro há 12 anos e diretor do grupo de apoio pastoral Projeto Timóteo (blog: http:// alcindoalmeida.blogspot.com; email: alcindo0807@.terra.com.br – skype: ajalmeida151 – Twitter: @alcindoaja).

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{ SUPERANDO

OS

CONFLITOS }

Eu achei que conhecia... T

rês situações iniciais: “Por algum motivo acordei no meio da madrugada e ao descer as escadas vi uma cena inimaginável: meu marido assistindo a um filme pornográfico. Nunca podia imaginar isto...”; “Cheguei a casa fora do horário habitual. Fui ao quarto onde estava o computador e vi uma tela aberta de um chat. Não acreditei. Era uma conversa de minha esposa usando termos que nem sequer poderia imaginar que ela falasse, quanto mais escrevesse... não podia ser...”; “Toca o telefone: pastor, pelo amor de Deus, venha até minha casa, o oficial de justiça está aqui, vamos ser despejados... meu marido não pagou as contas sob sua responsabilidade... pastor, eu não reconheço meu marido...”. Estes relatos revelam algo que está acontecendo em nossos dias, e infelizmente não são raros. No dia a dia do ministério pastoral, especialmente no acompanhamento de famílias, relatos acontecidos no meio do povo de Deus, relatos a respeito do lado “misterioso dos cônjuges” têm nos assustado. De pornografia, masturbação, adultério virtual a infidelidade econômica, financeira, fatos que vêm detonando os relacionamentos familiares, tudo em nome do prazer individual, de uma busca de felicidade egoísta,

egocêntrica. A grande questão é: o que está acontecendo? Afirmar que é o fim do mundo ajuda? Creio que não. O primeiro aspecto a ser destacado é a questão espiritual, a falta do temor de Deus, associada à “síndrome” da impunidade: “eu nunca serei pego, nunca vão me descobrir”, “não tem nada de mais, eu sou o único prejudicado”, “ninguém está vendo”, e assim tem sido desconsiderada a Palavra do Senhor, que diz: “Não existe pecado que fique oculto, tudo será revelado!”. O segundo aspecto está ligado ao distanciamento no relacionamento familiar. Nesse distanciamento o cônjuge não consegue ou não quer perceber as alterações no comportamento do seu esposo ou esposa. Busca-se a justificativa de que é “uma fase”, vai passar, é melhor não mexer. E não se tem trabalhado estas questões, preferindo-se ignorar, fingir, a enfrentar a crise! O terceiro aspecto é que existem questões que deveriam e não foram trabalhadas ao longo do namoro e do noivado, questões ligadas à história de cada um dos cônjuges, formação do caráter em todos os níveis, não só espiritual. Já existiam sinais, porém sempre acreditamos que vai “mudar”. Existem muitos casais que vão ao altar para o casamento sem nenhum

Se você tem vivido este lado obscuro no casamento, dê uma oportunidade a você mesmo. Renda-se ao amor de Jesus, busque ajuda e invista no casamento que o Senhor lhe deu como presente.

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Marcos Antonio Garcia é pastor na Catedral Metodista de São Paulo, no bairro da Liberdade, mestre e doutor em Ciências da Religião,Teologia Prática e Sociedade pela Universidade Metodista de São Paulo, professor no Centro Metodista de Capacitação – Cemec e palestrante em encontro de casais. É casado com Ivana e tem dois filhos: Mateus e Larissa.

preparo, orientação, reflexão sobre o que significa ser “uma só carne”. E o quarto aspecto é que encontramos desgastes no relacionamento conjugal, estresse, desânimo, desvios na vivência conjugal, deturpação de valores. Posso citar como exemplo a presença de filmes eróticos para produzir excitação no marido (ou na esposa); o cônjuge acaba sendo violentado na sua formação emocional, espiritual. É preciso coragem para enfrentar estas situações. Se você tem vivido este lado obscuro no casamento, dê uma oportunidade a você mesmo. Renda-se ao amor de

Jesus, busque ajuda e invista no casamento que o Senhor lhe deu como presente. Ou, ao perceber que está vivendo com um lado “misterioso do seu cônjuge”, é preciso acreditar na importância do diálogo, do valor do amor e do investimento na vida conjugal. É preciso investir neste casamento. Lembre-se sempre da presença da graça amorosa e restauradora do nosso Deus na pessoa de Jesus Cristo! Se você está precisando de ajuda, busque-a, invista na saúde da sua vida conjugal. Com certeza você será o maior beneficiado! Deus tem o melhor para sua vida!

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{ NOSSA

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REALIDADE

Apaixonados e desapaixonados, eis a questão parte 1

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omo você percebeu, nossa intenção nas últimas edições foi mostrar que pesquisa também é assunto da vida diária.

Pesquisamos para comprar um produto no supermercado, ao visitar um shopping - center, ao clicar na net e entrar no google, amazon.com,

submarino.com, mercadolivre.com, e assim por diante. Pesquisa “é algo que você e eu praticamos todos os dias de nossa vida” (Babbie,

E. 2000). Somos curiosos e sherlockianos, famintos pelas razões, motivos e implicações. Assim, olhamos para informações e estatísticas, desejando

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investigá-los, interpretálos, compreendê-los e buscar soluções coerentes e cristãs. Neste sentido, duas pesquisas nos chamaram a atenção nas últimas semanas. Uma delas, divulgada em São Paulo, mostra que o número de casamentos aumentou 4,5% entre 2007 e 2008. Por outro lado, foi divulgado no Rio o crescimento da taxa de divórcios em 2008. Cada vez se casa mais. Segundo o IBGE, o número de matrimônios registrados no Brasil foi de 959.901 em 2008. Na comparação entre 1998 e 2008, o número de casamentos cresceu 34,8%, entre os maiores de 15 anos, enquanto o crescimento da população ficou em 21,4%. O total de casamentos no Brasil aumentou em termos absolutos e relativos nos últimos dez anos. Esse crescimento está relacionado à melhoria no acesso aos serviços de justiça, à procura de casais para formalizarem uniões consensuais (uma prática comum entre novos cristãos) e à oferta de casamentos coletivos. Ao mesmo tempo, os brasileiros têm se casado cada vez mais tarde. Na média, homens solteiros

com 29 anos se casaram com mulheres solteiras com 26 anos. Para todos os grupos de homens, a partir de 25 anos, as taxas de nupcialidade aumentaram, ou seja, se casaram mais tarde. Para as mulheres algo parecido aconteceu: o número de adolescentes casadas entre 15 e 19 anos de idade caiu de 22,6% para 16,3%, enquanto o total de moças que se casaram entre 25 e 29 anos, subiu de 19,4% para 28,4%, entre 1998 e 2008. Infelizmente, cada vez mais casamentos são desfeitos. A taxa foi de 0,8 separações para cada mil pessoas de 20 anos ou mais de idade, enquanto a de divórcios ficou em 1,5 por mil, a maior já apurada pelo instituto. Os casamentos entre indivíduos divorciados atingiram as maiores proporções no Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo, com 3,8%. Segundo o documento do IBGE, “a elevação do número de divórcios em relação ao de separações, ocorrida no período, se explica pela maior aceitação do divórcio no Brasil e pela ampliação do acesso aos serviços de Justiça, além da possibilidade de realizar os divórcios nos

tabelionatos, o que desburocratiza este evento para os casos previstos em lei”. Nos casos de divórcios, a hegemonia na guarda dos filhos menores foi das mulheres. Em 2008, 88,7% dos divórcios concedidos no Brasil tiveram a responsabilidade pelos filhos concedida às mulheres. “Esse elevado porcentual de responsabilidade para com a guarda dos filhos menores é um dos fatores que explica o maior número de homens divorciados que recasam com mulheres solteiras”, diz o IBGE. Olhando tudo isso, percebemos que a definição bíblica do casamento “até que a morte nos separe” está evidentemente fora de moda. O significado cristão, “romântico” e duradouro da palavra amor foi enterrado e encoberto, dando lugar a um apaixonar-se e desapaixonar-se que acontece com rapidez, fluidez, abundância e liquidez. Em nossa época há muitos que chamam de amor suas várias experiências de vida: as noitadas em que ficaram com alguém, os finais de semanas avulsos que “fizeram amor”, os

períodos em que se corresponderam com um desconhecido pelo MSN, apesar de nunca se tocarem ou até mesmo a excitação sexual ao assistir o vídeo pornô em seu laptop. Tudo isso é amor. Amar e deixar de amar funciona atualmente em dimensões práticas, empresariais, superficiais e frágeis. Falar em casamentos de longo prazo é algo utópico, ilusório para muitos: “vamos ver se funciona, se as minhas necessidades serão supridas, senão a gente se separa”. Ressentimentos, inseguranças, incertezas, ciúmes, traição, conflitos, vida e morte estão assombrando muitas das nossas famílias. Por essas e muitas outras razões, devemos nos submeter à vontade de Deus expressa na sua Palavra. Rubens Ramiro Muzio graduouse bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, é missionário da Sepal e coordenador nacional do Brasil 21.

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20 degraus para escalada da fé!

Vinte degraus para escalada da fé não é um texto de contos de fadas, um livro de simpatias ou de metodologia sistematizada para o ser humano. Não está relacionado à sequência dos capítulos, mas à atitude dos personagens - atitudes de fé! A partir de Hebreus 11, o autor desenvolve um estudo dos heróis da fé, fruto de seu estudo e de sua caminhada pessoal de fé. O texto nos permitirá evidenciar que é possível ser um herói da fé hoje! Autor: Publio Carlos de Azevedo 216 páginas Editora Fôlego

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Espiritualidade subversiva É uma coletânea de escritos de Eugene Peterson sobre teologia espiritual, desenvolvidos ao longo de vinte e cinco anos. O livro está dividido em cinco grandes partes, todas subdivididas em capítulos: espiritualidade; estudos bíblicos; poesia; leituras pastorais; conversas. Um mosaico composto de artigos, estudos, leituras e entrevistas que revelam o resgate em boa hora da indispensabilidade da teologia espiritual como fonte de renovação da cristandade. Autor: Eugene H. Peterson 320 páginas Editora Mundo Cristão Depressão: tem luz no fim do túnel A psicóloga Esther Carrenho, diante das inúmeras pesquisas que apontam a depressão como um dos distúrbios psiquiátricos mais frequentes no Brasil e no mundo, apresenta uma abordagem esclarecedora e atualizada sobre o tema. A autora inclui reflexões sobre momentos depressivos das personagens bíblicas Davi, Jó, Moisés e Elias. Depressão: tem luz no fim do túnel traz a mensagem reconfortante de que “a depressão é desesperadora, mas na maioria das vezes não é doença; que há também tesouros infindáveis nos processos depressivos”. Autora: Esther Carrenho 224 páginas Editora Vida

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Crise, conflitos e stress  

Valores morais como lealdade, honestidade, solidariedade e outros têm sido traiçoeira e sorrateiramente postos de lado. A busca pelo êxito f...

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