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ANO 06 / 2010 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

#061 LEITURA NÃO RECOMENDADA PARA MENORES DE 18 ANOS.

A O V E U Q S I Ó N


INTRO

NESSA EDIÇÃO

É F.O.D.!

EM PROL Quer viver em um mundo melhor para você e os seus netinhos? Comece copulando em frente às câmeras.

Na aviação, F.O.D. é a abreviatura de foreign object damage, que quer dizer exatamente isso (se o seu Yázigi serviu para alguma coisa): o dano causado por algum objeto externo à aeronave. A Void é o objeto estranho que provoca danos à sua cachola todo mês. Chega de surpresa, passa pelo radar e ainda faz esse estrago no seu intelecto. E se você já nos achava assim, salientes, saiba que só agora colocamos as asinhas de fora.

READER’S DIGEST O apocalipse em quadrinhos de Pedro Franz.

“EU GOSTO DE ROSAS E ROSAS” Leandro Vignoli elocubra qual será a nova musa da Lesbian Music.

CAPA(S)

VOID # 060 NADAAVER

VOID # 059 BABY BOOM

LEITURA NÃO RECOMENDADA PARA MENORES DE 18 ANOS. ANO 06 / 2010 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

#057

VOID # 058 EU ACREDITO

ITO

MAU SUJE

VOID # 057 MAU SUJEITO

VOID # 056 FOTOS

VOID # 055 AGORA VAI

FOTO DA CAPA: MAURICIO CAPELLARI www.youtube.com/watch?v=cV1AlRlUA5I


EXPEDIENTE

PONTOS DE DISTRIBUIÇÃO

Direção: Gabriel Rezende Marco Arioli Pedro Hemb Rodrigo Santanna Vicente Perrone

BELO HORIZONTE

Editores: Denise Rosa e Pedro Damasio Repórteres: Felipe de Souza, Piero Barcellos e Gabriela Mo

Black Boots – R. Fernandes Tourinho, 182 Blunt – Montes Claros, 173 Brechó Brilhantina – R. Tomé de Souza, 821 Café com Letras – Ant. de Albuquerque, 781 De Rua Skateshop – R. Paraíba, 1061 Desvio – R. Tomé de Souza, 815 Estabelecimento – R. Monte Alegre, 160 Fumec FCH – Rua Cobre, 200 Hard Core – Av. Contorno, 6.000, sl. 201 La Tosqueria – R. Claudio Manoel, 329 Mini Galeria – Rua do Ouro, 1381 Obar – Rua Cláudio Manoel, 296 Pieta Tatoo – Rua Paraíba, 1441, loja 1 Quina – R. da Bahia, 1148, sobrelj. 06 Social – R. Ceará, 1580 Tribe – Av. Presidente Carlos Luz, 3001 Una – Rua da Bahia, 1764 Uzina – Rua Grão Mogol, 908 CURITIBA

Revisora: Maria Edith Pacheco Projeto gráfico e Diagramação: Lucas Corrêa e Rafael Chaves @ Lava www.lavastudio.com.br Diagramação: Claudio Sudhaus Fotografia: Maurício Capellari Gabriela Mo Comercial: João Francisco Hein Jurídico: Galvão & Petter Advogados office@galvaoepetter.com.br

30 Pés – Shopping Omar 30 Pés – Shopping Barigui 30 Pés – Shopping Crystal 30 Pés – Shoppng Curitiba 30 Pés – Shopping Mueller Airlab – Al. Prudente de Moraes, 1668 Arad – Rua Vicente Machado, 664 Brique – Rua Duque de Caxias, 380 Café Novo Louvre – R. Trajano Reis, 36 Café Skate Bar – Praça do Gaúcho Casa dos Bruxos – Rua Mario Spyra, 321 De Outros Carnavais – Rua Duque de Caxias, 378 Desmobilia – Av. Vicente Machado, 878 Fran’s Café – R. Dr. Carlos de Carvalho, 1262 Galeria Lúdica – Rua Inácio Lustosa, 367 Kitinete – Duque de Caxias, 175 Lamb – Vicente Machado, 674 Lolitas Salon de Coiffure – Trajano Reis, 115 Nayp - Shopping Omar Piola – Al. Dom Pedro II, 105 PUC - DCE Restaurante Quintana – Av. Batel, 1440 Tamarindo – Shopping Omar Teix Tatoo – Av. Vicente Machado, 666 Tienda Design – R. Fernando Simas, 27 FLORIPA Hi Adventure – Sotero José Faria, 610 Players – Floripa Shopping Sul Nativo – Shopping Beira Mar

Convexo – Shopping Praia de Belas Donuts Shop - Rua Lopo Gonçalves, 108 ESPM – Bar Prédio 2 ESPM – Bar Prédio 3 Fita Tape – Praça Garibaldi, 46 Folklore – Padre Chagas, 276 King 55 – Dona Laura, 78 Lancheria do Parque – Osvaldo Aranha, 1086 Matriz Skate Shop – Shopping Total Ocidente – Osvaldo Aranha, 960 Ossip – República, 677 Panda&Mônio – 5ª Avenida Center Perestroika – Furriel L. A. V., 250/1302 Pó de Estrela – Alberto Torres, 228 Puc – Administração Puc – Famecos Puma – Barra Shopping Sul Rouparia – Fernandes Vieira, 656 Sexton –Barão de Sto Ângelo, 152 STB – Anita Garibaldi, 1515 STB – Quitino Bocaiúva, 267 Thippos – Miguel Tostes, 125 Tow In – 24 de Outubro, 484 Tow In – Barra Shopping Sul Ufrgs – Arquitetura Ufrgs – Fabico Uniritter – Orfanatrófio, 555 Vulgo – Padre Chagas, 318 W House - Rua Santo Inácio, 164 RIO DE JANEIRO 021 Multimarcas – Av. das Américas, 500 – Bloco 20 – Lj. 120 Addict – Shopping Leblon Addict – Rua Aristides Espínola, 64 Baratos do Ribeiro – R. Barata do Ribeiro, 354 – Lj. D Boards Co – Galeria River Circo Voador – Rua dos Arcos – Lapa Home Grown – R. Maria Quitéria, 68 Hospedaria – Rua Visconde de Pirajá, 303, loja B Junkz – R. Francisco de Sá, 95 Junkz - Rua Dagmar da Fonseca, 33 , sala 209 Junkz - Rua Uruguiana, quadra d, box 357/358 La Cucaracha – R. Teixeira de Mello, 31, Lj. H Plano B – R. Francisco Muratori, 2ª Redley – R. Maria Quitéria, 99 Redley – Shopping Leblon Redley – Shopping da Gávea Street Force – Galeria River Ultraeco – Galeria River Viva Retro – R. Francisco Sá, 95 – Lj. H Versão 02 – Rua Arquiteto, 360 - Recreio Wall Colors – R. Lopes de Souza, 8 SÃO PAULO

Porto Alegre Azul Cobalto – Lima e Silva, 744 Callohã – Shopping Lindóia Casa Azul Hostel – Lima e Silva, 912 Cervantes - Rua João Caetano, 285 Convexo – Shopping Iguatemi

American Apparel - Rua Oscar Freire, 433 AMP – R. Augusta, 2729 Arterix - Praça Benedito Calixto, 103 B.Luxo – R. Augusta, 2633 Lj. 18 Bacuri - Rua Alagoas, 852 Baratos Afins – Galeria do Rock

Belas Artes – DvCM Buin Bom - Rua Armando Penteado, 48 Cartel 011 - Rua Artur de Azevedo, 517 DCK – R. Augusta, 2716 Doombox – Galeria Ouro Velho Eastpak – R. Augusta, 2685 El Cabriton y Amigos - Rua Augusta, 2008 Espanhol – Rua Dr. Álvaro Alvim, 135 ESPM – CA4D Estúdio El Rocha – Rua Simão Alvares, 552 FAAP – CA de Artes Forever Skate – Galeria do Rock Galeria Choque Cultural – João Mora, 997 Galeria Polinesia – R. Pedro Taques, 110 Galeria Vermelho - Rua Minas Gerais, 350 Grapixo – Galeria do Rock Hotel Tee’s – R. Augusta, 2633 – Lj. 20 HQ Mix - Praça Franklin Roosevelt, 142 Japonique - Rua Girassol, 175 Juisi by Licquor – Alameda Tietê, 43 - Loja 8 Johnny B Good – Rua 24 de Mai0, 116 – Loja 14 King 55 – Harmonia, 452 Kebabel – Rua Fernando de Albuquerque, 22 Kebabel – Rua João Moura, 871 Livraria POP - Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 297 Mackenzie – DA de Comunicação e Artes Matilha Cultural – R. Rego Freitas, 542 Maze Skateshop – R. Augusta, 2500 Mission Store – Galeria do Rock Mercearia São Pedro - Rua Rodésia, 34 Nike Sportwear – Praça dos Omaguás, 100 Poderosa Ísis – R. Augusta, 2202 Polaco Tatoo – Rua 24 de Maio, 225 - 1º andar Rip Curl - Rua da Consolação, 4544 Sala Cega – Rua Augusta, 2203 - loja 07 Sensorial – Galeria Presidente Super Cool Market - Rua Purpurina, 219 Surface To Air - Alameda Lorena, 1985 Terraço Major – Rua Major Maragliano, 421 Ultra420 - Galeria Ouro Fino Ultra Skate – Av. Moací, 537 Visionaire – Galeria Ouro Fino Volt – R. Haddock Lobo, 40 Wave Boys – Galeria Ouro Fino Z Carniceria – R. Augusta, 934 OUTRAS Alucinado – Novo Hamburgo / RS Ambiente – Goiânia / GO Exult – São Marcos / RS Hangar – Santa Maria / RS Hip – Caxias do Sul / RS Ideal Shop – São Bernardo do Campo / SP Nollie – Contagem / MG Roques – Niterói / RJ Stb – Caxias do Sul / RS Swell Skatepark – Viamão / RS Vulgo – Búzios / RJ Yzen – São Leopoldo / RS


COLABORADORES Leandro Vignoli é radialista

da Unisinos FM e nosso expert em música e adjacências. Ele é residente nas seções “Na Caixa” e “1001 Discos”.

Lairton Rezende, também conhecido como Jacaré do Mar, é artista visual e pai do HomemBanana, o herói da dúvida. lairtonrezende@gmail.com

COLABORARAM TAMBÉM NESSA EDIÇÃO...

Raphael Fernandes é editor da

MAD e acha que sua melhor piada é tentar se levar a sério como jornalista. Escreve sobre quadrinhos, cinema, literatura e comportamento.

Lise Bing NÃO É uma garota quietinha. Gadgets e bizarrices internéticas são o recheio da sua coluna Bing Bang! http://lisebing.tumblr.com

Vini De La Rocha é jornalista, noiado e morador de São Paulo... Ainda quer ser roteirista, também noiado, e morar um tempo na Espanha. vinidelarocha@gmail. com

Lucas Pexão é dono da Galeria

Flavio Samelo,é uma pessoa

Fita Tape e representa artistas via noz.art. Na Void ele escreve sobre arte e faz a curadoria da seção Magma. www.noz.art.br/pexao

sem expressão e meio surdo. Apesar (ou por causa) disso, ele assina a coluna “Blogadis”. www.flourishestudio.com

Ana Ferraz faz um monte de

Caito Mainier é de Niterói,

VOCÊ TAMBÉM TEM ALGO A DIZER, MOSTRAR, SOCAR NA FERIDA OU ARREMESSAR NO VENTILADOR? MANDE UM EMAIL PARA VOID@AVOID. COM.BR E CORRA O RISCO DE ENTRAR PARA ESSA LISTA DE NOBRES IMORTAIS PENSADORES.

antipublicitário e está aí pra ser processado. www.antipropaganda.com

CORROBORE!

coisas ligadas a projetos de arte e divide com Pexão a responsa na Galeria Fita Tape, e na seção Magma da Void.

Fabrizio Baron vive em um mundo envolvente onde tudo é possível. Nas horas vagas, trabalha com carteira assinada. É dele a coluna “I Shot Macunaíma”. Tobias Sklar é editor da

Vista e colabora para a Void na seção Na Base.

Marcos Gabriel tá dando um rolê de skate pelo velho mundo. O que ele vê por lá, você confere na coluna “Cadê o cara?” do Na Base. marquinhosskt@hotmail.com

Rua Felipe Neri, 148/303 Porto Alegre - RS - 90440-150 Fone: (51) 3023-7662 Email: void@avoid.com.br

www.avoid.com.br A VOID não se responsabiliza por opiniões emitidas em artigos assinados que não refletem, necessariamente, a opinião da revista. Os trabalhos identificados pelo ícone da licença Creative Commons têm sua publicação permitida nas seguintes condições: Distribuição e adaptação livre sem fins comerciais mediante o crédito do autor. Info: http://creativecommons.org/international/br

A REVISTA VOID É UMA PUBLICAÇÃO MENSAL COM DISTRIBUIÇÃO GRATUITA E TIRAGEM DE 20 MIL EXEMPLARES


CORREIO VOID@AVOID.COM.BR // PETER CALYPSO RESPONDE

SOBRE ZOOFILIA E OTRAS COSITAS Oi Peter, Trabalho com o Olívio, do Bar Estabelecimento em BH. Recebemos a Void e por isso comecei a ler, para saber do que se tratava antes de distribuir para os privilegiados. E preciso dizer que já arrebanhamos um universo paralelo de gente que degusta enlouquecidamente as pérolas voidianas. E que pérolas! Então, ao ler a edição “boneca bebê” deste mês, vi a repercussão por vezes dramática causada pela matéria anterior sobre a Zoofilia. Como eu não tinha lido exatamente essa matéria, fui ao acervo vóidico (com bastante gelo e um pouco de Red Bull) e li a dita cuja matéria animalesca. Por isso, enfim, que lhe escrevo: nunca vi uma matéria tratar de um assunto tão polêmico e delicado (hummmm) com tamanha leveza e originalidade. Hilário, hilário, hilário!!! Eu ri de cabo ao rabo (tomando os devidos cuidados com as consequências escatológicas) e sofri quando cheguei a rabo e não havia mais o que ler sobre o fantástico mundo dos que gostam de dar uma variada na mesmice

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sexual. Acho de extrema importância que QUALQUER assunto venha à tona. Só assim vemos o quanto falta mesmo para nossa sociedade evoluir intelectual e criticamente. Muitíssimo obrigado a vocês e principalmente à Mademoiselle Gabriela M.O. Quem leu essa matéria passou a olhar para as variedadespreferências alheias com qualquer tanto mais de tolerância (além de cobiçar tudo quanto é animalzinho diferente que vê passando, bem verdade). Trabalho com tradução português-alemão e me deu super vontade de traduzir essa matéria pra que seja lida também lá na terra do Tio Dolfi. Caso vocês tenham contato com alguma publicação de lá estilo voidístico de ser, pode contar com meus serviços. Bem, acabei, graças a Deus! Aguardo a próxima edição ansiosamente... Abraços L. K. L. R: Do jeito que os caras encaram o sexo por lá, zoofilia deve ser assunto de revista pra menininhas pré-adolescentes. Dá até pra imaginar o título da matéria: “Ich Liebe Meinen Esel, Sein Name Ist Justin Bieber”. Escrevi certo?

#58

tudo. De qualquer maneira, a galera do Idealshop sempre tem.

Oi, tudo certo com vocês? D. B. Sou leitor da Void há algum tempo, mas pela primeira vez senti vontade de mandar um e-mail. Primeiro para responder a pergunta feita na INTRO da #58 que dizia que ninguém lia o editorial. Sou jornalista e tenho o hábito de ler editoriais, por isso, sim, havia alguém alí! Em segundo lugar para mandar os parabéns para a dupla Felipe de Souza e Mauricio Capellari pela matéria sobre o futebol capixaba. Sensacional o texto, a última página explicando porque o futebol deles não está no horário esportivo das tardes de domingo da Globo e pela imparcialidade de falar sobre duas torcidas rivais, obviamente cada uma com seus personagens ímpares, e conseguirem manter a imparcialidade (talvez porque tenham seus próprios times). Enfim, parabéns pela matéria e pela revista como um todo. Vocês tão fazendo um trabalho do caralho! Abraços PS: ta meio complicado achar a #59 aqui em SP. Os pontos de distribuição dizem que, ou não receberam, ou que veio uma avalanche de gente e levou

R: Já passamos uma lista com mais de vinte desculpas, mas os caras insistem em usar sempre as mesmas. De qualquer forma, obrigado por acreditar nelas e na nossa intro. Não sei o que é pior.


NA PRIVADA POR FELIPE DE SOUZA, GABRIELA MO E PIERO BARCELLOS

SHUT THE F*** OFF

BOA INFLUÊNCIA Se, para influenciar toda a nova geração, for preciso a garota prodígio Dakota Fanning interpretando Cherie Currie e da atriz de Crepúsculo Kristen Stewart no papel de Joan Jett, tudo bem.

Alguém aí do outro lado destas páginas sabe dizer que merda está acontecendo na Austrália? Políticos filhos da puta da cidade de Queensland aprovaram a porra de uma lei que permite aos policiais aplicar uma multa do caralho em qualquer pessoa que falar palavrão em lugares públicos. Os bocas-sujas estão tomando no cu e no bolso, tendo que pagar entre 100 e 300 dólares australianos, de acordo com a sensibilidade auditiva dos putos de farda.

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E se a Dakota pode se transformar de queridinha da América para uma rebelde safadinha e a Kristen de vampira para roqueira lésbica, qualquer uma pode deixar de ser emo e ser roqueira. Até que enfim! CRÉDITO: CC - BANDITA

A medida já fodeu anteriormente com os habitantes das cidades de South Brisbane e Townsville, onde foi aplicada por um ano, aumentando a arrecadação dos cofres públicos dos municípios. Em solidariedade ao povo australiano, enrabado por não poder expressar com liberdade a sua má-educação verbal, recheamos esta nota de merda com o maior número de palavrões possível. E se você não gostou, vá pra puta que o pariu.

Porque pode anotar: o filme The Runaways, que estreia agora em agosto, vai mudar a vida das adolescentes. O filme conta a história da banda de meninas que tocavam rock nos anos 70. The Runaways foi um grupo de verdade que juntou um time de garotas estilosas.


CC_BARK

NOVE QUILOS DE SILICONE PELOS ARES A modelo russa Irene Ferrari tem nove quilos de silicone nos peitos. Não deve ser fácil (nem barato) transportar essa mama toda pra lá e para cá. Pois a menina está processando a empresa aérea Swiss Airlines e pedindo 82 mil libras (R$ 220 mil) por danos físicos e morais. Motivo? Segundo Irene, a prótese de sua teta esquerda teria se rompido em plena aeronave, por conta de uma forte turbulência enfrentada no trecho Moscou-Zurique. Durante a tremedeira no avião, a menina teria batido com força sua peitola canhota contra o corpo de um outro passageiro, cujo estado de saúde não foi divulgado. Esperamos que ele esteja vivo e se recuperando bem da colisão.

URBANO EM TÓQUIO

SEM 4 OLHOS NO 3D

EXCESSO DE GOSTOSURA

Se você é antenado em moda, curiosidades do comportamento humano e curte uma bizarrice japonesa, a TV a cabo pode ser a solução. O programa Urbano mandou Renata Simões ficar um mês na terra do sol nascente e a ordenou que só voltasse quando tivesse muitas pautas (ou ficasse louca). A Missão Tokyo foi dignamente cumprida por Renata, que passou por clubs noturnos, karaokês, apartamentos minúsculos e alta densidade demográfica.

Essa tecnologia de televisões com imagem em 3D é bem foda. Ter em casa um aparelho que oferece este tipo de experiência deve ser realmente muito bom. Mas fala sério, ficar usando aqueles óculos dentro da sala de estar da própria residência é um mico chato de pagar (mesmo pra quem mora sozinho). Por isso o Microsoft’s Applied Sciences Group está investindo em um novo tipo de projetor em três dimensões que não necessita tapar a nossa cara com lentes especiais.

Um milhão de referências fotográficas na internet, mais um milhão de sites com fotos sensuais. Só aí temos bilhares de modelos lânguidas e longilíneas vestindo lingeries. Mas o mundo não é composto só de mulheres magras e esbeltas.

O esquema não deve ter sido tão difícil para ela, já que a menina trampou com o mergulhador Lawrence Wahba no Planeta Oceano e comandou o Expedição Caiçara, no GNT. A quarta temporada de Urbano já teve dois episódios. O primeiro mostra o desembarque e a adaptação ao fuso. No segundo, Renata vai a um café onde a pilha é brincar com gatos. Tem até um cardápio para escolher o bichano que mais lhe agrada. Info: multishow.globo.com/Urbano/

O “milagre” é possível graças às lentes mais grossas no topo da tela e mais finas na base, que permitem que o espectador sente-se em qualquer canto da sala, sem perda no efeito. Por enquanto, o protótipo funciona legal para até duas pessoas por vez na frente da TV. De qualquer maneira, óbvio que ainda vai demorar um bocado para uma destas estar ao alcance do crediário no terceiro mundo.

Um espertinho organizou um Tumblr com imagens de pessoas acima do peso, mas bonitas e gostosas de verdade. Bom para elas se sentirem bem consigo mesmas, e ótimo para os homens terem outro referencial de perfeição. Tem até famosas como Christina Ricci e Marilyn Monroe. Melhor do que isso, só MAIOR do que isso. Info: gostosa.tumblr.com

FISGAMOS

Fisgou alguma? void@avoid.com.br

“POR QUE A GENTE BEBE, NÉ?” Do segurança de uma agência, dormindo sentado na privada. Fisgado por: Felippe Canale (via Lise Bing)

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NA PRIVADA

A MORTA

GIROCÓPTERO NÃO MAIS

JABÁ AGORA DÁ CANA

O Chatroulette, a penúltima modinha da internet, está prestes a acabar com um dos fatores que o deixou mais popular: a putaria. Atualmente não é tão raro entrar no site e dar de cara com um demente fazendo imitação de helicóptero na webcam. E este tipo de comportamento dificulta a venda de espaços publicitários para empresas, hã, “cristãs”.

Na época em que as rádios FM imperavam e decidiam o que a geral iria ouvir, um trâmite envolvendo gravadoras e transmissoras era muito falado, mas ninguém admitia sua real existência: o jabá, dinheiro que a indústria fonográfica despejava na porta dos grupos de comunicação para que um disco fosse tocado centenas de vezes por dia.

Uma das soluções encontradas pelos desenvolvedores está em utilizar um “detector de pintos”, que impediria os exibicionistas de balançarem suas xongas na web, bloqueando as imagens antes de elas serem transmitidas. Agora, se o cara ficar pelado na frente da câmera e o programa anticacete não reconhecer a vírgula no meio das pernas, será uma depressão do caralho (literalmente).

Apesar de batida, só agora essa putaria pode ser enquadrada como crime, graças ao novo texto de reforma da Lei de Direitos Autorais, que ainda está sob consulta pública. Na real, é um bom castigo para os figurões do meio do entretenimento. Lembra quando eles esperneavam contra a disseminação da música em arquivos MP3? Quer dizer, copiar música não podia, mas pagar espaço em rádio para fazer o cartaz de uma pá de bandas fuleiras, sim. Se foderam. Cana neles! A intenção do Ministério da Cultura é também regular o pagamento do autor na era digital, sem apelar para leis anacrônicas dos tempos analógicos.

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DIVULGAÇÃO

CC - LDRBRS

CC_JEFFBELMONTE

ASES ENVENENADOS Para aqueles que procuram uma profissão que reúna emoção, adrenalina, perigo, velocidade e altitude, ser aviador agrícola é a realização de um sonho. Porém, é uma atividade para poucos. Sabem por quê?

NO SOUP FOR YOU! Quem não lembra dos seriados dos anos 90 pode voltar para o sofá e assistir ao seu The Big Bang Theory. E para quem viveu o verdadeiro humor do final do século passado, temos uma notícia para você: Ele existe, o personagem do episódio “The Soup Nazi”, de Seinfeld, é real. E foi Al Yaganeh o homem que inspirou a frase mais célebre da sitcom: “no soup for you”. Como hoje em dia está todo mundo mais interessado em House, resolvemos relembrar a comédia oldschool da televisão americana e dar uma forcinha para divulgar o novo comércio do cara da sopa. Ele começou servindo sopas no Soup Kitchen International em Nova York, ganhou fama com “Soup Nazi”, fechou sua lojinha e abriu um negócio de sopas congeladas. E agora, dia 20 de julho, ele reabre sua loja original. Essa tem que entrar para a rota turística de Nova York!

MANOBRAS HARDCORE Você vê aqueles pilotos da Esquadrilha da Fumaça fazendo letrinhas no céu e acha o máximo? Sente um frio na barriga quando vê as manobras feitas pelos aviadores em corridas aéreas? Isso porque você nunca pulverizou uma plantação de arroz! Os caras dão um rasante nas plantações com um teco-teco, ficando a poucos metros do chão. Em vez de fumacinha branca, os caras carregam um tonel de VENENO nas costas. Quer fazer frescurinha no céu? Empina uma pipa! TRABALHO DE MACHO Cojones. Você tem? Não? Então isso não é pra você. Além do veneno e da baixa altitude de voo, os pilotos precisam desviar de fios de luz, postes, aves, tudo isso sem contar com auxílio terrestre, na grande maioria das vezes. Se tiver que pulverizar uma área de reflorestamento, e o avião tiver uma pane, a única solução é pousar em cima de uma árvore e aguardar o resgate. Conseguiria fazer isso sem se borrar? STATUS SOCIAL Pense em como as suas relações sociais vão mudar. Você não tem um emprego burocrático dentro de um escritório onde tem que usar um terno cheirando a naftalina, tampouco leva serviço para casa. VOCÊ É PILOTO, MANOLO! Não interessa se você sobrevoa um campo de guerra ou uma lavoura, você é piloto, vive de adrenalina, e isso é um chamariz para “maria-turbinas”. Prepare-se para pulverizar outros “campos” antes mesmo de decolar, se é que você me entende.


NA PRIVADA

BLOGADIS

CC_EUSTAQUIOSANTIMANO

POR FLAVIO SAMELO

DELAY DE 24 HORAS Onde você curtiu a Copa do Mundo que passou? No conforto do sofá da sala, com uma transmissão em Full HD ou quiçá 3D? Ou no trampo com seu celular equipado com TV Digital? Na mesa de um bar? Na TV de outras copas ou no radinho de pilha mesmo? De qualquer maneira, é provável que você tenha conseguido assistir a tudo ao vivo, real time, certo? Pois na Coreia do Norte, um dos adversários de futebol famélico que o Brasil enfrentou, esse negócio de transmissões ao vivo não tá com nada. A derrota por 2x1 para o escrete canarinho só chegou por lá em VT, e com 24 horas de atraso. O que pega é que o governo do ditador Kim Jong II adquiriu os direitos de transmissão, mas tinha medo de que alguma manifestação contra seu regime despótico fosse feita nas arquibancadas, e não queria que seu povo tivesse ideia do que o ocidente pensa de seu país. Até a torcida que esteve na África do Sul era fake. Na real, Kim Jong contratou um punhado de atores chineses que foram lá tremular as bandeirinhas da #pkr, todos uniformizados com as cores do país comandado pelo regime mais fechado do planeta. 22

ANDANDO E CLICANDO O primeiro taxista/fotógrafo de sucesso foi David Bradford. Ele dirigia seu carro amarelo pelas ruas nova-iorquinas e clicava o que chamava atenção. O trabalho dele foi publicado em livro em meados de 2000. Até hoje, ele mantém seu site Drive-By Shootings com imagens bem legais do seu ponto de vista sobre a cidade. Depois dele, o londrino Dominic Shannon fez a mesma coisa. Sidónio Félix também conseguiu reconhecimento recentemente, em língua portuguesa. Ele largou de vez a direção para se dedicar às lentes em Portugal. E agora tem até fotógrafo/taxista brasileiro fazendo a sua fama também. O motorista Antônio Miranda Pereira tem a Vila Madalena como uma escola de fotografia. Foi nesse bairro que ele aprendeu a usar o equipamento. E hoje ele aponta sua câmera para todos os lados. Viu só? E você querendo ser DJ-efotógrafo! A nova onda é ser taxi driver com uma câmera na mão.

NEATORAMA – NEATORAMA.COM O que eu gosto mesmo é disso, blogs que me façam rir, ou blogs que façam eu me questionar por que é que alguém riu daquilo. Vários deles eu vou escrevendo e compartilhando com vocês por aqui, como no Neatorama. Um blog bem variado, cheio de coisas legais e até interessantes para nossa vida, mas eles capricham quando postam as porcarias. Como, por exemplo, o post que mostra um projeto do Instituto de Pesquisa Marítima Japonês, que criou uma máquina para controlar o movimento das águas – isso mesmo, uma máquina que cria ondas em forma de estrela, coração, etc. Claro que o instituto disse que o intuito do equipamento é controlar os fluxos de mares e rios de maneira segura, mas parece que alguém lá se empolgou um pouco mais com a traquitana.

DVICE – DVICE.COM Essas engenhocas tecnológicas também são coisas que me divertem muito, pois a grande maioria delas não presta pra nada. Porém, às vezes tem umas que realmente trazem alguma utilidade. Tem vários site disso, como o Dvice, por exemplo. E no Dvice eu vi um post que me chamou a atenção pela loucura da

ideia. Era sobre 20 robôs dançando, só que sincronizados, é mole? O próximo passo é fazer esses robôs à prova d’agua, aí já era, pode acabar como modalidade nas Olimpíadas.

SOCYBERTY – SOCYBERTY.COM Bem variado, cheio de notícias atuais sobre curiosidades pelo mundo afora, bem básico. Na real, porém, uns tempos atrás rolou um post que me chamou atenção. Alguém inventou no começo do século passado um caixão especial para pessoas que possam, por engano (ou não), terem sido enterradas vivas. O post é gigante, tem várias imagens, explicações e casos sobre o assunto. A tecnologia envolvida nesse azar, de fato, é muito grande: um sino com uma cordinha para dentro do caixão.


NA PRIVADA FUZILAMENTO VIRTUAL Os sites de relacionamento criaram um sistema social onde cada um é capaz de fazer o seu Big Brother particular, divulgando seu mundinho até então oculto para milhões de pessoas. Pelo Twitter, por exemplo, todo mundo sabe o que você está fazendo em tempo real. O problema é quando você é o procurador geral do estado de Utah (EUA), e larga nos 140 caracteres disponíveis da postagem algo do tipo “vou ali fuzilar um detento e já volto”. CRÉDITO: KEYPUBLISHING.CO.UK

Foi o que Mark Shurtleff fez diante da execução por fuzilamento de Ronnie Lee Gardner. A forma como o procurador fez a manifestação em sua página pessoal levantou indignação da população pela frieza e descaso. Mas, do jeito que andam as coisas, será normal que soldados em guerra compartilhem fotos das suas vítimas no Twitter, Facebook e afins...

BOA

A LULILÂNDIA DE LULINA POR FERNANDA CASTELLO BRANCO

A Lulilândia é uma cidade onde todo mundo pode viver. O site oficial (www. lulilandia.com.br) da cantora Lulina é um “reino” inventado por ela, com passaporte (cada show rende um carimbo no passaporte dos fãs), um príncipe sem cavalo branco, um número 13 que é rei e até os desacreditados – mas tão queridos – ETs. Depois de nove discos caseiros, a pernambucana de 31 anos radicada em São Paulo lançou Cristalina (Yb Music), já fez turnê pelos Estados Unidos e virou quase uma mania entre os indies paulistanos.

Como o disco é uma compilação, tive essa ideia de reunir personagens e histórias de todos os discos caseiros. O passaporte foi uma ideia que tive quando estávamos desenvolvendo o site. É divertido porque acabamos carimbando braços, rostos, camisetas, livros, notas de dinheiro, vira uma zona em cada show. VOID: Como foi a turnê nos Estados Unidos? Uma delícia. Foi uma grande surpresa perceber que as pessoas gostavam muito das canções e do show, mesmo não entendendo uma palavra do que eu cantava.

CRÉDITO: CC_ RENATO PARADA

Tirou uma? void@avoid.com.br

Morada embaixo do Minhocão.

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Foto enviada por Danilo Pêra, de São Paulo. flickr.com/photos/danilopera

VOID: Você vive de música? Como é um dia na sua vida hoje? Acordo às 7h30, pego busão e trem, chego na agência às 9h, fico fritando o juízo lá até umas 21h e faço todo o trajeto de volta para casa depois. Sou redatora em tempo integral, e a música se encaixa nos intervalos disso. É assim há cerca de 10 anos e isso não me impede de ter uma extensa produção musical. VOID: Como nasceu a ideia do disco, com mapa, passaporte e afins?

VOID: Quem não pode viver na Lulilândia?Acho que hoje em dia todo mundo pode viver na Lulilândia. O tempo provou que até gente mau caráter contribui para o fortalecimento da cidade. Seu inimigo é o seu maior professor, já diria alguma dessas religiões por aí. VOID: E a sua ligação com o número 13, que aparece também nas músicas? Acredita em numerologia? Não acredito em numerologia, acredito em invenções. Houve uma fase da minha vida em que desenvolvi uma fixação por esse número. Depois que lancei um disco caseiro chamado “Aceitação do 14”, exorcizei o 13 da minha vida. VOID: Se pudesse ser abduzida, para onde gostaria de ir? Gostaria de ir para o planeta onde está a minha vó.


BING, BANG POR LISE BING

TRALHAS

SEU NOVO MELHOR AMIGO John é o melhor amigo que alguém poderia ter. Ele vai ser seu companheiro nos churrascos aos domingos, vai assistir aos capítulos da novela ao seu lado sem contar para ninguém que você chorou e vai ver você jogar videogame sem nunca reclamar. John não se importará de ficar escutando seus fracassos amorosos, não rirá da sua cara, não o julgará ou chamará de loser. John estará sempre disponível com um ombro fofo para você, literalmente, se apoiar. Por US$18 John é seu, para sempre. Aqui: www.stupid.com

GOOD MORNING

NÃO É UM SONHO?

DIGA XIIIIISSSS

“Hello Moshi” é um despertador que funciona por controle de voz. Ele possui 11 comandos que nos possibilitam saber as horas, a temperatura e o dia, e permite ajustar o relógio, tocar rádio, mp3, entre outras funções. Achei a ideia genial, se você não for tipo 95% da população, que acorda toda sonolenta, sem vontade de falar e sair dando ordens em voz alta (e em inglês) por aí. De resto tá Ó-T-E-M-O! Por US$70 aqui: www.moshilifestyle.com

Não seria um sonho poder andar de moto e comer um churrasquinho ao mesmo tempo? (WTF???) Pois agora isso é totalmente possível. Essa moto, chamada de The RUB Chopper, foi criada pelo Orange County Chopper, e possui uma churrasqueira ao lado do banco do motorista e do passageiro. Aff, my dream: dirigir uma chopper enquanto belisco uma linguicinha bem apimentada. :P Para encomendar a sua correndo, como eu fiz: www.orangecountychoppers.com

Este acessório é para você, meu amigo vaidoso e narcisista, que adora ficar fazendo poses e tirando fotos de si mesmo. Agora suas fotos feitas de celular não vão mais sair sem pé nem cabeça, pois chegou o “IsnapMe”. Ele é um espelho com duas ventosas que se parece com um minirretrovisor para ser colocado atrás do celular. Se liga: você vai ter que inventar outra desculpa ao cortar seus amigos das fotos. Por US$20, aqui: www.isnapme.com

COLETTE

OPEQUI

UEBA

Você já deve ter ouvido falar da loja Colette de Paris, certo? Não??? POBRE!!! Corre pro site para fuçar horrores agora mesmo e deixa de ser chinelão: www.colette.fr

Se você é féchon e muderno, vai amar este site. Sempre tem o último grito do que anda rolando no mundo descolex. Hein? Olha lá: www.opequi.com

Talvez eu não concorde com o conceito do site – “Os melhores links” –, mas que tem link para tudo o que é gosto, ahhh, isso tem: http://ueba.com.br

WEB WHO KILLED BAMBI? Só vale a pena entrar neste site quando você tiver muitooooo tempo disponível, pois ele tem horrores de coisas para oferecer sobre os mais diversos assuntos: música, arte, moda, fotografia, street art... www.whokilledbambi.co.uk

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BARALHINHO DO MOMENTO POR CAITO MAINIER

CARTA DO MÊS: VAI! Comentário e Exemplos Ilustrativos de Uso misturados: A carta VAI é uma carta curta. Tudo bem. Tem momento que é curto mesmo e você tem que prestar atenção pra aproveitar bem. Porque tem muita coisa curta por aí, e a carta VAI veio pra trabalhar nesse creme. A carta VAI tem tantos sentidos e pode ser aplicada numa gama tão grande de situações que a gente só vai falar de duas. A primeira é que a carta VAI é, antes de tudo, um incentivo, um empurrão. A velhota hesitou na beirola do abismo? VAI e vai de cambalhota! Tua prima abriu a brecha pra marmota? VAI e volta com a marmota dentro da toca! O carcereiro largou aberta a porta? VAI e solta o resto, um, dois, três, salve todos! É gol do seu time e a grade pouco firme da arquibancada muito alta cedeu na sua mão? VAI e cai gritando que a torcida vai atrás! Porque a carta VAI é esse mistério, né. Ela não tem direção, muito menos garantia. Ela tem o VAI! E foi. Porque, com a carta VAI, você vai com a mente. E quando a mente vai não tem volta. O corpo estremece, as pernas desobedecem e inconscientemente a gente dança. E dança bonito. E a carta VAI é isso, esse tranco nas costas na entrada da área do futebol de rua, que faz você sentir o gosto do paralelepípedo pipocar na sua boca. Doce mel. Dente de cristal. Frontside-explode-face de tão forte que vira até nome de manobra radical, tema de seminário, figurinha carimbada, peça de museu. 28

Mas não importa o drama, importa o momento. E o Baralhinho do Momento está aí para iluminar. Virar cimento. Alavancar o movimento. Às vezes as pessoas precisam de muito pouco pra ir, e você, que está preparado pra mandar, manda. E a pessoa vai, porque vale a carta. Isso é que é o bonito do jogo: vale a carta. Jogou a carta, foi. E pra fechar abrindo, vou deixar no ar uma segunda proposta embutida na mensagem da carta VAI, que é a de servir como abreviatura de um xingamento mais longo, um destempero mais cruel, uma sinceridade mais nervosa, um “vai pra puta que te pariu teu filho de uma puta descaralhada”! Na carta VAI só vai o VAI mesmo, porque o resto você vai expressar no clima. E vai ficar claro, óbvio. Ninguém terá dúvidas de que aquele VAI vai mais longe. Teu computador zero bala, vinte e cinco mil dólares, estourou na 220 volts na bobeira do seu pai? Vai, filho da puta! Encheram sua traseira na ponte Rio-Niterói, e a gata que você estava levando pra comer em casa agora está cuspindo vidro do painel? Vai, viado! Quer dizer ia, né. Porque agora não vai mais. Agora volta. Volta pro hospital. Aliás, vale sinalizar que a carta VOLTA ainda não tem, ok? Existe uma certa incompatibilidade natural da mensagem VOLTA com a dinâmica do Baralhinho do Momento, que exige a observação da carta. Mas, pra poesia, pedra é coisa macia, então tudo pode acontecer. Vai!

Sugestões para o Baralhinho? caitomainier@gmail.com


Foto: Lucas Cunha Producao: Supercondensador/Allyson Alapont


Magma TEXTOS E CURADORIA POR ANA FERRAZ E PEXÃO

EPIC DISNEY Por mais que muitos grandinhos torçam o nariz ao ouvir falar em Disney, é inegável que os mais de 70 anos de imagens animadas entraram na mente de artistas que hoje em dia fazem sucesso. Nomes que você já viu por aqui, como Bruno 9li e Dalek, assumidamente têm esse universo como referência para seus trabalhos. Mas, para não ficar só com a imagem infantil, o império Disney tem investido em algumas ações fora do padrão. A primeira delas é o desenvolvimento do game Epic Mickey, em conjunto com o famoso criador de jogos Warren Spector. Sucesso na E3 desse ano (maior feira de videogames do mundo), Epic Mickey se passa em um mundo sombrio, onde os personagens abandonados vão parar. A concept art do jogo, desenvolvida por Fred Gambino e Gary Glover, é animal e em nada lembra o mundo bonitinho a que estamos acostumados. Cenários bizarros, Patetas e Mickeys deformados, num estilo que lembra as artes apocalípticas do mestre Billy Argel, poderão ser vistos em breve no wii mais próximo. Outra da Disney é uma nova concept store na China, chamada Men in the Forest, em parceria com a marca CLOT. A loja é focada em produtos especiais desenvolvidos com designers e estúdios como Irmãos Campana, Bounty Hunter e Devilrobots. 30

BRANCO NO BRANCO

DESTRUIÇÃO É ARTE

FOI PRO BURACO

Até 7 de agosto, Pjota, nosso convidado para a página seguinte do Magma, está em cartaz no Acervo da Choque (SP) com sua primeira individual no Brasil. A exposição “Considerações sobre o branco” é uma extensão da sua primeira mostra, “Walking on the White”, que aconteceu em 2009 na galeria Anno Domini, em San Jose, Califórnia. As cinco grandes telas da nova expo carregam o peso urbano de uma maneira muito particular. São diversas camadas de tinta branca sobre o branco, que montam o campo ideal para Pjota intervir com imagens figurativas bizarras, com um senso de humor perturbador. Além disso, detalhes minuciosos, que remetem diretamente a banheiros públicos ou classes de colégio, permeiam as obras e demandam uma aproximação íntima do observador. E claro, como nas paredes de um banheiro público, a visão pode não ser das mais agradáveis. Além da exposição, Pjota vai reunir seus trabalhos em um livro de 40 páginas em parceria com a Volcom.

Nem ouse pensar “pfff, mais uma exposição de shape pintado”. Destroy and Create, em exposição na Matilha Cultural (SP), é um projeto que só pelo set de artistas já chama atenção, mas definitivamente vai além do clichê. Essa expo leva em conta o destino natural de um shape de skate: ser destruído pelo skatista. E busca refletir sobre a criação que existe nessa destruição, que vai das manobras em si às marcas que elas deixam na arte do shape. Para isso, os shapes originais pintados foram pras ruas de fato, nos pés da equipe brasileira da adidas Skateboarding, que fez sessions na Av. Paulista registradas por fotógrafos e videomakers adeptos às experimentações. Destroy and Create consiste nas fotos dos shapes pintados, nas imagens dos skatistas andando de skate e nos shapes usados, expostos com todo o desgaste das manobras. Estes são os artistas (sim, todos são artistas!) envolvidos nesse experimento de criação/destruição: Luis Flavio Trampo, Klaus Bohms, Bruno 9li, Alex Brandão, MZK, Fabio Amad Bitão, Flavio Samelo, Carlos Dias, Marcelo Barnero, Daniel Marques, Walter Nomura Tinho, Akira Shiroma, Sesper, Gabriel Sandalo, Billy Argel e Alexandre Cotinz.

Esses tempos falamos aqui no Magma do super art dealer, colecionador e curador Jeffrey Deitch, que está fechando sua famosa galeria Deitch Projects, em Nova York, para assumir a diretoria do Museum of Contemporary Art (MoCA) de Los Angeles. Entre toda a polêmica, uma dúvida pairava no ar: para onde vão os artistas representados pela Deitch Projects, entre eles alguns dos preferidos aqui do Magma, como Barry McGee “Twist” e Steve Powers “ESPO”. E, ainda, como seria preenchido o buraco deixado na cidade com o fim da galeria? A resposta surgiu com a abertura da galeria The Hole, com seu logo tão genial quanto o nome, uma iniciativa de duas ex-diretoras da Deitch Projects, Kathy Grayson e Meghan Coleman. Começaram bem, com a expo “Not Quite Open for Business”, só com obras inacabadas de diversos artistas, assumindo a urgência de abrir o novo espaço.

Info: choquecultural.com.br

Info: destroyandcreate2010.tumblr.com

Info: theholenyc.com


MAGMA

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CONVIDADO: Pjota INFO: www.flavors.me/pjota

Merece essa pรกgina? void@avoid.com.br


PUBLIEDITORIAL

D N A B T S LO CH, R A ! E A S R U C O A PR 74W[\*IVL;MIZKPu]UNM[\Q^ITWZOIVQbILWXMTIUIZKI KITQNWZVQIVI4W[\Y]MM[\nKItIVLWIUIQ[\ITMV\W[I JIVLILMOIZIOMULW*ZI[QT-I\uIOWZIW\ZIUXW \MU[QLWnZL]W6rWXMTIM[KI[[MbU]Q\WIV\M[XMTW KWV\ZnZQW"U]Q\IJIVLIJWI[MQV[KZM^M]I\ZI^u[LW ___TW[\KWUJZJIVLI[LM[LMIJZQT6WUM[UWUw[NWQ IJMZ\WWXMZyWLWLM^W\ItrWVW[Q\MMW[OZ]XW[UIQ[ ^W\ILW[XI[[IZIUXIZII[MO]VLIXIZ\MLWKWVK]Z[W <IUIVPIKWZZMZQIuUIQ[Y]MR][\QÅKILI")JIVLI^MVKM̉ LWZIOIVPI]UJIKSTQVMKWUXTM\WXIZIKIQZVIM[\ZILI PWZI[LMOZI^ItrWMUM[\ƒLQW[PW_[IOMVLILW[ XMTI4W[\MIKMZMRILWJWTWWLQZMQ\WLMIJZQZW[PW_ LIJIVLI.Q[PJWVMY]MXMTIXZQUMQZI^Mb\WKIW[WTW JZI[QTMQZW ,MXWQ[LWKWZZMXIZI[MQV[KZM^MZWLM[IÅWXIZII[UIQ[ ^W\ILI[NWQNIbMZW]XTWILLMLWQ[^yLMW[Y]MXI[[IZIU XMTWKZQ^WLWRƒZQLW4W[\*IVL;MIZKPKWUXW[\WXWZ ÅO]ZI[KWUW+TMUMV\M^WKITQ[\ILITMVLnZQIJIVLI 1VWKMV\M[M,2.WKSIITuULMOMV\MXM[KILIVW[\INNLM MUXZM[I[KWUWI5M\MWZWIUXTQÅKILWZM[MLIZM^Q[\I :WTTQVO;\WVM

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Ases da Lavoura POR FELIPE DE SOUZA

FOTOS MAURICIO CAPELLARI

A AVIAÇÃO TEM VÁRIOS PERSONAGENS: O COMANDANTE DE LINHA COMERCIAL, O PILOTO DE TÁXI AÉREO, O OCIOSO MILICO QUE MANEJA CAÇAS DA AERONÁUTICA BRASILEIRA E OS CARAS QUE LEVAM PRA LÁ E PRA CÁ AS ENCOMENDAS EM JATOS DA FEDEX. NO ENTANTO, TALVEZ NENHUM DELES TENHA TANTA DESCARGA DE ADRENALINA QUANTO O PILOTO AGRÍCOLA. FOMOS ATRÁS DESSES ASES INDOMÁVEIS DO MEIO RURAL, QUE SE ARRISCAM EM LAVOURAS MINADAS DE ÁRVORES E FIOS DE ALTA TENSÃO. DOIDOS QUE PREPARAM O RANGO QUE VAI NA MESA DE MUITO BRASILEIRO E QUE POUCA GENTE CONHECE. TEM MEDO DE VOAR? SENTE CAGAÇO DE ALTURA? RELAXA, AQUI O VOO É RASANTE, QUASE COLADO NO CHÃO. 36


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de zimmermann a fontelle e candiota

Decidimos dar luz ao cara que voa rente ao solo, borrifando defensivos, herbicidas ou fungicidas no milho que vai ser transformado no sucrilhos crocante que você mete para dentro no café da manhã. No milho, na soja, na cana de açúcar, no que tiver que fazer eles fazem. Por obra do destino, caímos de paraquedas (trocadilho infame) em um celeiro de ases indomáveis do mundo rural, a Santos Dummont, empresa que presta serviço e forma os melhores pilotos do país. A firma fica dentro do aeroclube da cidade de Cachoeira do Sul, um simpático município de economia baseada principalmente no arroz. Antes de qualquer coisa, é bom fazer algum tipo de registro histórico. A aviação agrícola teve como seu pioneiro o agente florestal alemão Alfred Zimmermann, que pilotava um teco-teco de cockpit aberto e jogava cal nas florestas germânicas, a fim de combater a praga das lagartas na região. Isso lá pelo ano de 1911. No Brasil, o primeiro voo agrícola foi no Rio Grande do Sul, em 1947, na cidade de Pelotas. A intrépida dupla de pilotos formada por Leôncio Fontelle e Clóvis Candiota estava em batalha contra uma praga de gafanhotos, e o jeito foi apelar para as máquinas voadoras (Pelotas em festa agora, ao saber que o pioneirismo da dupla pode superar o velho estigma

de polo produtor da boiolagem nacional). Na ocasião, Candiota era a mão por trás do manche de uma aeronave Muniz, modelo M-9. Ah, e o primeiro mito a ser derrubado é de que o piloto agrícola é um comandante de aviação civil frustrado, um cara que desejava a ponte aérea Rio-Roma e, não tendo sucesso na empreitada, teve que se contentar com um tanque cheio de produto químico e um motor barulhento movido a hélice. Para encarar o ofício precisa ser bom, muito bom. E nego tem que chegar na escola preparatória com, no mínimo, 370 horas de voo nas costas. Isso só pra se apresentar como candidato. Comandante Carnio, um dos instrutores da Santos Dumont, ressalta

Tamanho zelo pela formação desses pilotos é compreensível. O cara decola carregando uma carga de até mil litros de herbicida, fungicida ou qualquer outro produto casca-grossa, tem que identificar o alvo da aplicação, dar um mergulho quase kamikaze, voar a cinco metros do solo, realizar a aplicação e voltar para cima. Dependendo do caso, essa manobra digna de um Top Gun é repetida dezenas de vezes durante o dia e, dentro do avião, o sistema de acionamento é todo manual, nada é automatizado. Para poder sair por aí abalando geral nas melhores lavouras, além do background do aeroclube de origem e do certificado de 370 horas de voo, o aluno ainda vai encarar aulas teóricas de tecnologia de aplicação de defensivos, orientações

“Seguramente você não é mais o mesmo por uns 30 ou 60 dias. Depois, ao longo da atividade, você vai se amansando.” que ninguém ali tem moleza. “Vamos observar como foi a formação dele. Temos fases eliminatórias, provas que são feitas em voo duplo, com o instrutor observando o desempenho do aluno. É durante essa fase que temos a condição de avaliar a conduta do piloto, a base que ele traz dos aeroclubes e das empresas que ele voou.” Às vezes acontece de o candidato ter que ser mandado pra casa. “A gente visa principalmente à segurança e, por extensão, à vida do piloto. Nós temos consciência de que nossa tarefa é proporcionar ao candidato uma situação em que ele consiga estabelecer-se no mercado com qualidade e segurança.”

sobre as aeronaves agrícolas, uso de GPS e medicina aeroespacial, isso só pra ficar nas matérias mais importantes. O sujeito que não se sair bem não ganha arrego, nem se tiver vindo de longe. No dia em que chegamos por lá para conhecer o local, Carnio e sua equipe de avaliadores tinham recém-despachado cinco angolanos de volta para a terra do Kuduro. Ah, sim, a Santos Dummont é referência no setor e já formou alunos de todos os cantos do país, além de Uruguai, Chile, Costa Rica e Estados Unidos. O tom de voz pausado de Carnio lembra o pragmatismo e a disciplina de um militar, mas com um pouco mais de conversa conseguimos arrancar histórias cabulosas de sua carreira de Tom Cruise rural.

O cara já passou por quatro acidentes, e num deles o motor simplesmente rachou ao meio em pleno ar. “O motor já havia cumprido com seu tempo de voo, e o dono da aeronave tinha negligenciado a manutenção. Embora soubesse que (o motor) estava com problemas, ele resolveu insistir para que a aeronave continuasse voando”, lembra o comandante, com a calma de quem não se borra por pouca coisa. Na ocasião, Carnio lembra que, em frações de segundo, teve que esvaziar o tanque da aeronave, descartar o produto que seria aplicado e tentar voltar para a pista. Como o campo de pouso estava longe da lavoura onde ele trabalhava, o lance foi lembrar de Nossa Senhora de Loreto, padroeira da aviação, e aterrissar a rota máquina em um local repleto de árvores e cabos de alta tensão. No entanto, não há muito tempo para curar o cagaço. “Seguramente você não é mais o mesmo por uns 30 ou 60 dias. Depois, ao longo da atividade, você vai se amansando.” Enquanto nosso comandante lembrava o passado, cinco alunos projetavam o futuro na fase final do curso. Dentro de poucos dias, estariam formados e prontos para borrifar qualquer tipo de produto sobre qualquer terreno, haja o que houver e passe o que passar.


hélice no fio, avião no chão Outro instrutor da escola que já passou por apertos aéreos é Jeferson Guilherme Schenkel, 25 anos. Schenkel sofreu uma queda na cidade de Paracatu, no interior de Minas Gerais, depois de perder a ponta da hélice de seu avião. Como isso foi acontecer? O colega que o antecedeu no turno raspou a hélice num fio de alta tensão, mas ficou na miúda, não relatou o choque para a chefia. “Por fora a pá da hélice estava perfeita, mas houve uma fissura interna”, lembra Schenkel. Novamente a Nossa Senhora de Loreto, aliada à alta perícia de Jeferson, fez com que o cara pudesse estar nos contando o episódio ao vivo e em cores, numa relax, numa tranquila, numa boa. A ferramenta de trabalho do piloto geralmente é um modelo Ipanema, produzido pela Embraer e que está na linha de fabricação desde 1972. Pintado de verde, parece um grilo gigante, com dois metros de altura e sete de comprimento, tendo envergadura de pouco mais de 11 metros e pesando 1,8 mil kg. Em cada asa há uma haste metálica que carrega 18 bicos injetores, e é por eles que vai sair o produto a ser colocado na lavoura. Tem capacidade de carga de até 950 litros e sua autonomia é de três horas e a velocidade chega a 200km/h. Ah, e a empresa brazuca é pioneira no esquema dos combustíveis alternativos: o Ipanema é o primeiro avião produzido em série no mundo a ser alimentado com Etanol. Preço? R$ 700 mil na versão completa. Há também quem voe com os Cessna Ag Truck, modelo similar ao tupiniquim, só que fabricado nos Estados Unidos. 40


Trocou o trampo pelo avião

É fato que a excelência da Santos Dumont se deve à competência de instrutores como Carnio e Schenkel, mas tal grau só foi conquistado graças a um bravo senhor chamado Laudelino Bernardi, o Comandante Bernardi. Trinta anos atrás ele era um pacato funcionário público federal, que desfrutava os benefícios de uma sólida e segura carreira no Banco do Brasil. Conheceu a aviação e decidiu largar tudo. “Pedi demissão com 18 anos de casa. Permaneci no banco enquanto fazia os cursos de piloto privado, de instrutor de voo e de piloto comercial. Também fiz especialização no Cavag (Centro de Aviação Agrícola), que na época ainda era do governo federal e ficava em São Paulo, na cidade de Sorocaba”, lembra Bernardi, hoje com 70 anos. Nessa época de formação ele ainda tinha uma jornada dupla: durante o dia ia se aprimorando como piloto enquanto a noite era reservada para cumprir o expediente de bancário. Em 1980, então, o início da Era de Aquário fez com que Seu Laudelino rompesse de vez com a modorra das jornadas de compensação de cheques e aplicações em cadernetas de poupança e comprasse sua primeira aeronave. Que as oleaginosas o aguardassem de prontidão, pois ele não tardaria. Na real, comprou um terço de um avião e pagou o restante trabalhando pesado nas lavouras. A manobra deu certo, e muitos voos nas plantações de soja da região do Planalto

do Rio Grande do Sul fizeram com que um segundo avião pudesse ser comprado. De lambuja, toda a empresa Santos Dumont, que na época não vivia bons momentos, veio junto. Naqueles tempos, quem cuidava da formação dos pilotos agrícolas era o Governo Federal. Depois de um tempo, os homens de Brasília decidiram abandonar o barco, deixando que a iniciativa privada cuidasse disso. Bernardi foi rápido e montou sua escola.

“Avião não cai, é o piloto que derruba”. Engrossando as histórias contadas por Carnio e Schenkel, Bernardi também tem seus reveses. “Não tem piloto agrícola que não tenha passado por acidente. Passei por isso e tive sucesso, mas temos que ter muito cuidado, respeitando em primeiro lugar a meteorologia. No meu caso eu ignorei um pouco a temperatura do dia. Estava muito quente, e o avião não tem tanta sustentação na decolagem. Foi um pequeno detalhe que me levou a um acidente. Mas eu saí ileso. Temos sempre que respeitar as condições meteorológicas.” Apontando para o vento violento que soprava no lado de fora do hangar da Santos Dummont, Bernardi disse que naquele dia não haveria voo. No fim, completou com a frase certeira: “Avião não cai, é o piloto que derruba”. 41


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Churrasquinho, Kenny G e canudo na mão Simpatia e camaradagem parecem ser características obrigatórias para todos na aviação agrícola. Prova disso é que o pessoal, além de abrir as portas para nossa reportagem, ainda permitiu que tivéssemos a honra de acompanhar a cerimônia de formatura de sua 45ª turma. No estacionamento do pico, carros vindos de todos os cantos dividiam o espaço com as aeronaves, e o cheiro forte do fertilizante (que nos acompanhou sempre nessa matéria) se misturou com o odor do churrasco que era assado na brasa. Cervejinha, Kenny G e vuvuzelas sendo sopradas pelos familiares dentro do hangar, que a essa altura fora transformado num salão de festas. Entre os formandos, um dos que sintetizam melhor o sentimento de pilotar um Ipanema campo afora é Claudio Soares Filho. Natural de Bagé (confins do Rio Grande do Sul), começou rebocando planador e não pensa em pilotar boeings ou airbuses. “Trabalhar em companhia aérea não é voar, é controlar um aparelho que voa. Aqui não! Na aviação agrícola é no braço. A gente sente o avião na bunda’”, esmiúça Claudio. Fabricio Capelletti é o mais velho entre os alunos que estão recebendo o diploma. Com 38 anos de idade, voa desde os 14. “Comecei com o planador e depois fiz o curso de piloto privado. Hoje já tenho mais de 1.300 horas de voo. Estou saindo daqui já empregado”, disse o cara, mandando o recado de que está de mala pronta e macacão passado para ir fertilizar soja no interior de Goiás. Confirmando a vocação internacional da Santos Dumont, um aluno angolano está participando da solenidade. Ele foi o único de sua terra a sobrar do grupo de seis que tinha desembarcado por aquelas bandas.

Formado piloto na força aérea, Eusébio* preferiu não se identificar. “Se essa matéria parar na mão de alguém lá, posso ter problemas, pois sou militar e não posso falar sem a autorização dos meus superiores.” Eusébio faz parte de um grande projeto entre uma empresa brasileira e o governo de Angola, um intercâmbio que visa formar profissionais que resgatem a agricultura local, devastada por trinta anos de guerra civil. Combater a malária e a praga da mosca tsé-tsé, que transmite a doença do sono, também estará na pauta de Eusébio.

“Trabalhar em companhia aérea não é voar, é controlar um aparelho que voa. Aqui é no braço, a gente sente o avião na bunda’” A cerimônia segue com discursos, cerveja gelada e muito orgulho. O comandante Bernardi fuma seu cigarrinho ao lado de Bill Lavender, americano editor-chefe da Ag Air Update, revista especializada do setor, que veio dos EUA só para prestigiar os novos profissionais formados pela escola. “Vocês voarão milhares e milhares de hectares, então cuidem sempre da segurança. E agora vamos tirar uma foto de vocês para a capa da próxima edição”, falou Lavender ao microfone. No fim da festa, o comandante Bernardi foi ajeitar seu jaco de piloto para sair na foto, com direito a pose na frente de um Cessna. Emocionado, Seu Bernardi? “Claro, são mais de 500 garotos que eu formei. Mas não tenho muito tempo, daqui a alguns dias já tem mais candidatos chegando”, responde. *Nome fictício

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Na solidão do Tocantins Obedecendo a todo o protocolo de segurança, naquele dia de vento inclemente nenhum Ipanema saiu do chão no aeroclube de Cachoeira do Sul. Voltamos para casa bem jururus por não termos testemunhado a ação de um daqueles gafanhotos de aço. Dias depois, acordamos sob céu de brigadeiro e rumamos para Montenegro, outra cidadezinha simpática distante 80km de Porto Alegre. É lá que vive e trabalha Leandro Kemmerich, 28 anos, outro que foi formado sob as rigorosas orientações do staff da Santos Dumont. Num dia excepcionalmente quente para esta época do ano, ele nos recebe pronto para fazer uma simulação na pista de pouso do aeroclube do local. “No início, até tinha o interesse em pilotar para linhas aéreas, mas fui criado lá no interior, meus pais chegaram a ter uma pequena lavoura, então era normal que meus interesses profissionais fossem guiados para esse lado”, lembra. Além do meio em que viveu, outro atrativo é a facilidade de arranjar trampo quando se é um bom piloto agrícola. “Temos essa vantagem de trabalho imediato. Dificilmente um piloto agrícola se forma e fica sem emprego”, diz ele. O pagamento é feito através de comissão por hectare voado, além do piso salarial indicado pelo sindicato local (algo em torno de R$ 1.200,00). No entanto, há a parte ruim. No começo da carreira, para não ficar parado e ir ganhando experiência, a molecada muitas vezes tem que voar longe de casa. Aliás, longe de tudo. “Voei no Tocantins, em uma fazenda que ficava 60km distante da cidade mais próxima. E essa cidade mais próxima era um lugar que só tinha uma rodovi44

O perigoso voo da banana ária e um boteco com uma TV. Dividia um quartinho em uma casa dentro da propriedade com mais três caras que eu só fui conhecer lá”, recorda Leandro. Por aquelas bandas ele voava sobre uma lavoura de soja, acordando todos os dias às 5 da matina e dando duro até o sol se pôr. No entanto, o cara garante que duro mesmo era suportar o tédio quando não estava dentro do avião. “Nos dias de folga não tem como ir visitar a família. Vai visitar como? Você está no meio do nada, a três mil quilômetros de casa. O jeito era dormir, ver TV...”

“Nos dias de folga não tem como ir visitar a família. Vai visitar como? Você está no meio do nada, a três mil quilômetros de casa. O jeito era dormir, ver TV...” Marco Dietrich, que trampa junto com Leandro, reforça que o isolamento é duro, mesmo. “Voei muito no interior do Mato Grosso. É duro, você fica lá sozinho e tendo que lidar com um tipo de gente meio rude, com uma visão de mundo bem diferente. No começo é assim, o cara tem que ir para pegar experiência e ganhar dinheiro. Depois, com o tempo, dá pra ir selecionando os trabalhos”, explica. Marco rala há trinta anos neste nobre ofício e hoje é proprietário da Taguató Aviação Agrícola.

Leandro e Marco também tiveram seus perrengues no ar. Leandro, aliás, recentemente perdeu um amigo que estava trabalhando em uma propriedade na fronteira com a Argentina. “Na realidade foi um acúmulo de fatores. Era fim de tarde, a visibilidade estava baixa, havia um vento perigoso e, na real, rolou uma pressão do dono da fazenda para que o voo fosse feito”, recorda. O resultado: a aeronave acabou colidindo com um fio de alta tensão. No entanto, Marco ressalta que a maioria dos donos de fazenda são prudentes e que esse tipo de pressão não é comum na aviação agrícola. “É preciso ter calma e planejamento. Até porque na época do pico da safra não adianta você ter 20 aviões que não vai dar conta de todo o serviço. Então tem que fazer aos poucos, com calma.” Há um consenso entre todos os pilotos: cada tipo de plantação tem suas peculiaridades, mas há as mais perigosas. Voar num bananal pode ser bem perigoso se o comandante não tiver o preparo necessário. “É difícil porque a área de plantio da banana geralmente é em morro, não é como a soja, milho ou arroz, que são plantados em terrenos planos. Por isso a aplicação nesses casos é um pouco mais perigosa”, explica Marco. Outro consenso é o prazer que a atividade agrícola traz. Segundo os caras, depois de um tempo o piloto sente o avião como se fosse uma roupa, uma luva. “É um voo prazeroso. A gente voa baixo, em alta velocidade, faz manobras como o balão, que é o retorno depois do voo baixo. É uma coisa muito gostosa de se fazer”, afirma Marco. “Com o tempo você passa a conhecer a aeronave”,

completa Leandro. Minutos depois, ele mesmo estava rasgando os céus e dando rasantes diante dos nossos olhos, borrifando água por tudo, só pelo prazer da demonstração. Empolgados, nós também embarcamos nessa. Boa praça, Marco nos convidou para um outro passeio em um arrozal próximo, só que dessa vez a bordo de seu Piper Arrow 1973, com capacidade para quatro passageiros. O tal do balão que eles fazem depois do voo baixo dá uma tonturinha gostosa, como a do

“É um voo prazeroso. A gente voa baixo, em alta velocidade, faz manobras como o balão, que é o retorno depois do voo baixo. É uma coisa muito gostosa de se fazer” lança-perfume, recorda? (Será que é por isso que eles gostam tanto de voar? Vai saber!) O fato é que esperamos que depois dessa matéria você lembre que aquele arroz integral que faz você manter a forma recebeu uma borrifada certeira e rasante de um desses malucos e, graças a eles, você pode estar fazendo esta frugal refeição sem que parasitas o fizessem antes. AGRADECIMENTOS: Aero Agrícola Santos Dumont Taguató Aviação Agrícola (Montenegro-RS) Bar Azul (Cachoeira do Sul – RS)

ACESSE O SITE DA VOID E DÊ UMA OLHADA NOS VÍDEOS QUE SEPARAMOS COM O MELHOR DA AVIAÇÃO AGRÍCOLA. QUEM SABE A INSPIRAÇÃO NÃO VEM?


Em vós depositamos nossa confiança SIMPATIZOU COM OS PILOTOS AGRÍCOLAS DE NOSSO BRASIL VARONIL? SACOU A IMPORTÂNCIA DO TRAMPO DOS CARAS? ENTÃO VÊ SE COLABORA DE ALGUMA MANEIRA, NEM QUE SEJA REZANDO A PRECE DOS AVIADORES: Ó Maria, Rainha di Céu, gloriosa Padroeira da Aviação, erguese até vós a nossa súplica. Somos pilotos e aviadores do mundo inteiro; e arrojados aos caminhos do espaço, unindo em laços de solidariedade as nações e os continentes, queremos ser instrumentos vigilantes e responsáveis da paz e do progresso para as nossas pátrias. Em vós depositamos a nossa confiança. Sabemos a quantos perigos se expõe a nossa vida; velai por nós, Mãe piedosa, durante os nossos voos. Protegei-nos no cumprimento do árduo dever cotidiano, inspirai-nos os vigorosos pensamentos da virtude e fazei com que nos mantenhamos fiéis aos nossos compromissos de homens e de cristãos. Reacenda em nosso coração o anelo dos bens celestiais, vós que sois a Porta do Céu; e guiai-nos, agora e sempre, nas asas da fé, esperança e do amor. Amém

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NA ESTICA POR GABRIELA MO

FOCINHO DE UM... A nova coleção de óculos escuros da Chilli Beans foi criada em parceria com quatro dos mais importantes estilistas da Semana de Moda da Casa de Criadores. Der Metropol, Gêmeas, Gustavo Silvestre e Walério Araújo desenvolverem modelos inéditos, fotografaram e produziram um vídeo registrando as peças de acordo com seus estilos pessoais. Como cada um teve total liberdade na personalização de dois modelos, as inspirações foram as mais distintas: de alusões retrô à atualidade das passarelas. No final, a campanha da marca ficou uma mistura de cores e materiais! Cada modelo de óculos escuros ganhou a cara e a imagem de seu criador. O próximo estilista a lançar uma coleção para a marca será Alexandre Herchcovitch, dando continuidade ao trabalho com a Casa dos Criadores. Ele firmou uma parceria de um ano com a Chilli Beans e a partir do mês que vem vai lançar quatro modelos por mês. Os primeiros têm detalhes de miçangas e acetato com textura de madeira e bambu. No mercado a partir do dia 30 de agosto. 46

CLOG-SE

BLOG NA MOCHILA

Damos a morta do que promete estar nos pés das mulheres a partir de agora. São os clogs, aqueles tamancos pesados, ou babuches, que já foram vistos décadas atrás e lembram sapatos holandeses (klonpen) misturados com chinelos árabes. Quem trouxe o modelo das cinzas este ano foi Karl Lagerfeld e sua musa Alexa Chung – os grandes culpados pela volta desses tamancos.

Admita que, antes de começar a trabalhar, você dá uma olhadinha em alguns blogs e tabloides por aí! Você se atualiza sobre o que está acontecendo no seu mundo e no mundo dos outros, certo? Não se preocupe, porque você é como qualquer pessoa ligada na web.

A diferença é que agora eles vêm com aplicações, como tachas, pérolas, pedrarias, flores, em estampas coloridas e em materiais diferenciados. A marca Santa Lolla é uma que está investindo nesses clogs modernos. Suas versões podem ser encontradas em multimarcas de todo o país.

Inspirada nesse universo comunicativo dos dias de hoje, a marca de mochilas e acessórios Eastpak lançou sua coleção Blog & Tabloid. As mochilas vieram superilustradas e cheias de informações, como se você andasse por aí com a internet nas costas – ou com a timeline do seu twitter, pelo menos.


DIÁRIO DE BORDO

TANQUE DE FORA

MELHOR NÃO

E por falar em diário, algumas marcas possuem blogs para manter seus clientes atualizados e antenados. É o caso da King 55: moda, lifestyle, referências, música e cultura com a cara da grife são postadas diariamente nesse diário virtual. É para ficar ligado nas tendências enquanto a próxima coleção não chega. Rolam até dicas de livros, filmes, revistas e fotos. Sem contar com as promoções...

Macho que gosta de andar sem camisa exibindo o pânceps por aí vai gostar dessa. Mal tentaram empurrar as saias para os guarda-roupas masculinos e já inventaram uma nova ousadia para eles: a barriga de fora. Homens agora vão ter que manter o tanquinho em forma (ou não!) para exibir seus umbigos se quiserem estar na moda. Quem deu a letra foi a Calvin Klein, lançando tendência para o verão 2011.

Sempre falamos de estampas legais, figuras engraçadas e camisetas divertidas. Dessa vez vamos fazer exatamente do contrário! Que tal tees para não usar? “I Love HIV Boys”, “Face Sitting Lover” e “Eri Johnson fã clube” são só algumas das frases inventadas pelo criativo Matias Lucena para ilustrar as básicas. A ideia a princípio não é imprimir os desenhos de verdade para vender camisetas. O desenhista apenas faz graça com o que as pessoas poderiam estar vestindo por aí – e tira um sarrinho das estampas hype.

Já vá economizando para adquirir as peças da grife, ou passe a tesoura nas suas camisetas e casacos. Melhor do que isso, só com um piercing no umbigo.

Mas se você realmente quiser alguma, torça para que as pessoas entendam a sua ironia, ou corre o risco de alguém “sentar na sua cara” de verdade.

A Absurda é outra marca que mantém seu blog cheio de notícias absurdas, além de novidades sobre seus produtos. Por sinal, lá também tem o making of da última campanha realizada em parceria com o fotógrafo Matias Stoliar e com o grupo Kamuflash, do Circo La Arena. Uma loucura! Info: www.blog.absurda.com www.king55lifestyle.blogspot.com

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NA ESTICa

DIY BOTTONS

DEBUT ROCK ’N’ ROLL

JOVEM E COSMOPOLITA

A Cavalera apagou 15 velinhas! E, no lugar da valsa e do vestido de gala, rock ’n’ roll e look bailarina na coleção de verão 2011. O destaque da temporada são as saias curtas em tule preto combinadas com rendas, paetês e cristais.

Sol e chuva, alfaiataria e surfwear. A personalidade da Redley e a inovação de suas peças garantem que seja uma marca esportiva e ao mesmo tempo um ícone fashion. As peças se encaixam perfeitamente com o clima da cidade grande, confortável, arrumada e eficiente, faça tempo bom ou ruim.

A marca investe também em juntar saias com bermudas. Isso mesmo! Como os modelos são curtinhos, por que não? Para eles, o comprimento também sobe, mas nas calças! A coleção masculina aposta na alfaiataria descolada, com coletes e costumes.

No último SPFW, a marca desfilou cáqui, vinil, neoprene elástico, nylon de diferentes texturas e tecidos sintéticos em tons naturais. Cores como o laranja apareceram em algumas peças, combinada com roxo, azul, rosa em tons pastel aos mais ácidos. As estampas geométricas, assim como cortes mais quadrados, dão um aspecto cítrico à nova coleção de verão.

ESQUENTA CORAÇÃO Sua coleção de VOID empoeirada na prateleira seria um prato cheio para Andre Britz. Depois de encontrar pilhas e pilhas de revistas abandonadas no porão de casa, ele decidiu que faria bottons com as imagens impressas nas páginas. Centenas de bottons foram criados a partir de publicações dos anos 50 e 60. E ele jura que elas não faziam parte do acervo histórico de ninguém! Pelo menos agora você já sabe o que fazer com aquelas revistas de mulher pelada de 1980 que você ainda mantém embaixo da cama! 48

A dica da Reverbcity é o desapego! Sabe aquele suéter velho que você adora, o casaco do inverno passado ou a calça jeans de guerra que já mostra sinais da idade? Desapegue! Esse monte de agasalho que ficou encostado no fundo do armário o ano inteiro tem que dar espaço aos novos cardigans, jaquetas, camisas e outras peças de inverno da marca. Destaque para as leggings coloridas e para as calcinhas e moletons de caveira! As camisas xadrezes aparecem para todos – os cardigans também. No site da Reverbcity é possível comprar roupas, acessórios e objetos para a casa, como canecas bacanas para enfeitar a sua mesa. Info: www.reverbcity.com


NA ESTICa 2

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POR Denise Rosa FOTOS 1 Gabriela Mo 2 Divulgação Absurda Ä&#x203A;ĹŠ(*#1ĹŠ 50

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INSHALLAH FOTOGRAFIA ALICE MARTINS ENTREVISTA POR PEDRO DAMASIO

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ALICE MARTINS GOSTA DE VIAJAR PELO MUNDO TIRANDO FOTOS. ATÉ AÍ TUDO BEM, QUEM NÃO GOSTARIA? SÓ QUE ELA TAMBÉM CURTE SE METER EM ALGUNS LUGARES UM POUCO MAIS INÓSPITOS DO QUE O NORMAL, COMO AS SAVANAS DA NAMÍBIA E, EM BREVE, A FAIXA DE GAZA. DÁ PRA ENTENDER ISSO? DÁ. Quem é você, de onde vem e do que se alimenta? Quem eu sou e do que eu me alimento são perguntas que eu faço todos os dias, e sempre encontro respostas diferentes! De onde venho? Ainda tenho minhas dúvidas. Quando escolhemos as fotos dessa matéria, você falou que precisava de um tempo pra digitalizar elas. Quer dizer que é tudo na película mesmo? Por quê? Sim. Eu sempre preferi usar filme. A textura é diferente. A atitude na hora de fotografar é diferente também. Eu vejo que, quando as pessoas fazem fotos digitais, acabam fazendo a foto antes e pensando depois. Pra mim isso não faz sentido. Gosto de ver a foto antes de clicar. Não é uma questão de tempo... claro que, quando se faz fotografia documental, é preciso ser ágil, ou o momento se perde. Mas eu preciso ver a foto na minha cabeça antes de clicar, mesmo que seja por um instante. Eu já percebi que as melhores fotos que eu fiz de uma pessoa ou lugar são aquelas que são únicas, e não parte de uma série. Pra mim uma boa foto vem de uma visão clara e de uma conexão real que eu faço com o personagem que eu fotografo, mesmo que seja por um instante. Não é uma foto em uma série de tentativas. Mas e aquele suspense de não saber se a foto ficou boa, especialmente se foi tirada em um lugar onde você não vai voltar tão cedo? Não rola nem uma cybershotzinha no bolso pra garantir? Confessa! 53


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Não, não rola uma cybershotzinha no bolso (pode revistar!). Eu curto essa expectativa, de não saber como a foto ficou. Também adoro esquecer as fotos que eu fiz, e daí, depois de ter os filmes revelados, viver aquela experiência de novo como se fosse inédita. Também acho que, assim como a luz ambiente e os movimentos que o personagem fotografado faz, as minhas escolhas na hora de selecionar o diafragma e a velocidade fazem parte da experiência. Eu sou bem desencanada com relação à técnica. Acho que vale experimentar. Lembro que, depois de um ano inteiro morando na África, eu ainda não tinha visto nenhuma foto que eu fiz lá. Não era fácil nem encontrar filme pra comprar, menos ainda encontrar um laboratório pra revelar, então decidi guardar tudo na geladeira (um eletrodoméstico de luxo, com certeza) e revelar as fotos só quando voltei pra Califórnia. O que eu mais curti foi ver uma foto que pra mim era a única que eu lembrava ter feito, a única que ficou na minha memória (fraca, diga-se de passagem) tão nítida quanto no momento em que eu cliquei... e quando eu revelei o filme lá estava ela, exatamente como eu lembrava. É uma foto em preto e branco de um casal que eu visitei na Namíbia. Até hoje uma das minhas preferidas. Falando nisso, deu pra perceber que você viaja bastante pra fotografar. Essa é a pilha principal, fotografar lugares e culturas diferentes? Sim. Eu sempre fui muito curiosa. Sempre quis saber como viviam as pessoas do outro lado do oceano. Quando eu tinha 9 anos, meu pai me deu uma câmera Kodak Instamatic que eu comecei a usar pra fotografar cachorros de rua... depois, com o tempo, minha atenção se voltou a pessoas que vivem uma realidade diferente da minha. Hoje eu quero usar a fotografia como uma ferramenta pra ajudar o mundo a conhecer melhor a si mesmo, e eu acho que isso começa quando a gente consegue se relacionar com pessoas e culturas diferentes das nossas. O maior barato pra mim é quando uma pessoa vê uma foto que eu fiz do outro lado do mundo, e olhando nos olhos da pessoa fotografada, sente como se estivesse lá. E de repente aquele estranho na foto não é mais assim tão estranho... Você também costuma fotografar o surf e o lifestyle de beira de praia. De onde veio isso? Eu sempre vivi perto do mar, mas não tinha entendido a importância dele na minha vida até me afastar dele, quando morei em Londres, e depois no meio das savanas na Namíbia.

Logo depois disso, eu voltei a morar perto do mar e comecei a surfar. Daí ficou claro pra mim que esse mundo é mais do que uma parte de quem eu sou, é minha essência. A paz e a sensação de conexão com a natureza que o surf traz pra mim são coisas preciosas demais pra serem experimentadas por uma minoria. Eu quero dividir isso com o mundo, seja através de fotos, ou através de projetos que ensinam crianças menos privilegiadas a surfar. Sempre que eu visito meu irmão no Rio de Janeiro e a gente passa pelo Complexo de Favelas do Alemão, na chamada Faixa de Gaza, me dá um gelo na espinha. Você tá indo pro lugar que deu origem a esse apelido. O que diabos você vai fazer por lá? Um grande amigo meu, o Matt Olsen, criou uma organização não governamental brilhante – a Explore Corps. O primeiro projeto dele foi o Gaza Surf Club – uma escolinha de surf feita pros jovens que vivem na Faixa de Gaza, que começou há uns 3 anos. O Matt sempre gostou das minhas fotos, e sempre disse que eu seria a pessoa perfeita pra visitar o projeto e fotografar. Então, sem pensar duas vezes, eu topei, e agora sou oficialmente a fotógrafa da Explore Corps. Finalmente tá chegando a hora de eu ir até Gaza visitar o projeto e conhecer o pessoal que participa, curtir umas ondas com eles e com certeza também visitar suas casas, conhecer as famílias, e quem sabe voltar de lá com algumas fotos que vão ajudar o mundo a conhecer melhor a realidade de quem vive na Faixa de Gaza e quer ser tão livre quanto a gente. Confesso que não entendo porra nenhuma sobre os conflitos entre israelenses e palestinos, por isso não vou forçar a barra com uma pergunta sócio-geopolítica-cultural-religiosa-yasser-arafat. A questão é: Se a bala começar a comer por lá, você sabe pra que lado correr? Boa pergunta...

E o que a sua mãe tá achando de tudo disso? Eu decidi contar por partes... “mãe, eu tô indo pra Israel.” Daí, quando eu vi que ela tava pronta pra ter um ataque histérico, eu resolvi usar a mesma tática que eu usei quando tive malária na África. Depois que eu voltar de lá ilesa, eu conto pra ela que fui.

Na edição passada, publicamos uma nota sobre o projeto de foto e vídeo Skateistan, que retrata o skate no Afeganistão. Vi num dos sites que você me passou que eles são parceiros do pessoal que está por trás desse projeto em Gaza. Que resultados esse tipo de iniciativa pode alcançar? A ideia é criar uma realidade dentro de outra. Seria inútil, como um pequeno grupo de pessoas bem intencionadas, tentar influenciar o governo ou mudar as crenças religiosas das pessoas, que tantas vezes causam conflito por lá. O que me faz acreditar e querer apoiar esses projetos é que a intenção (e o resultado que já pode ser visto) é ajudar as pessoas que vivem naquela realidade hostil a ter uma perspectiva diferente do mundo, e experimentar momentos de paz e liberdade em meio ao caos. Não tenho dúvida de que muitas crianças que estariam hoje segurando armas e treinando pra lutar agora estão ocupadas demais treinando uma manobra nova no skate ou nas ondas, e quando voltam pra casa dividem essa nova vibe com a família. Quanto tempo você vai ficar em Gaza e que tipo de souvenir você espera trazer pros seus amigos? O plano é ficar uns 2 meses por lá. O melhor souvenir que eu espero trazer é conscientização – pra agradecer todos os dias pela liberdade que temos, e pra lembrar que quem vive lá não pertence a outro mundo e nem mesmo a outra espécie... são como nós e também querem curtir a vida com paz e liberdade. Alguma chance de a gente publicar umas fotos aqui quando você voltar? Com certeza! Bom, só nos resta dizer boa sorte, boa viagem, boas fotos e que Alá (?), Maomé (?), Jesus (?), Tutancâmon (?), Mestre dos Magos (?), Yoda (?) e todos eles estejam com você! Obrigada, Mahalo, Inshallah! _ Info: www.alicemartins.com www.explorecorps.org www.gazasurfclub.com 55


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POR LEANDRO VIGNOLI

POETAS, JUNKIES E CHATOS A história de Jim Morrison, vocalista da banda The Doors, morto aos 27, em 1971, está sendo contada em When You’re Strange. O documentário é narrado simplesmente por Johnny Depp, bem conhecido pela sua ligação com o rock, e tem na direção Tom DeCillo (autor de alguns filmes independentes), que capturou uma centena de imagens nunca vistas dos Doors e de Morrison, no palco e também fora dele. Por outro lado, a história de William Burroughs, escritor chave da geração beatnik, morto aos 84, em 1997, está retratada no documentário A Man Within’. Realizado pela produtora chefiada por Adam Yauch, dos Beastie Boys, a direção do filme é do novato Yony Leyser, que capturou entrevistas de Iggy Pop, Jello Biafra, os guitarristas do Sonic Youth – Thurston Moore e Lee Ranaldo –, entre outros músicos influenciados pelo escritor. Info: whenyourestrangemovie.com burroughsthemovie.com 62

YES WE OBEY

QUEM SABE

Para quem curte música, moda, design, artes gráficas, tudo junto e ao mesmo tempo, é indispensável conhecer o trampo da Obey Giant. Completando seus vinte anos, o multiprojeto é capitaneado por Shepard Fairey, famoso por aquele pôster de Barack Obama simulando uma propaganda soviética com a palavra HOPE em letras garrafais. Além da sua linha de roupas (com camisetas de bandas, mas não só), o cara também desenvolve grafias para capas de disco, como o recém-lançado Stone Temple Pilots, e de livros sobre rock, como Woodstock Experience, de Michael Lang, e A Heartbeat and A Guitar: Johnny Cash and the Making of Bitter Tears, de Henry Diltz. Nesse campo das capas, não bastassem os desenhos, um dos artistas contratados na Obey Giant é Spencer Elden, ninguém menos do que aquele bebê fotografado na capa do álbum Nevermind do Nirvana, hoje com 19 anos, e com mão forte na street art.

O Radiohead, talvez, possivelmente, é provável, lance disco novo ainda esse ano. Falar sobre “é provável”, “talvez”, “possivelmente”, não passa de alimentar boatos, algo fora do padrão do jornalismo sério que praticamos (ahá!). Mas, nesse caso aqui, tá valendo. Porque todo mundo deve se lembrar do último álbum da banda, In Rainbows, em 2007, quando fizeram o lançamento do nada, sem avisar, naquele esquema de pague-quanto-quiser. Dessa vez, a ideia é lançar nos moldes tradicionais, e quem adiantou a “data” (é, na real, algo entre agora que você está lendo e o final de 2010) foi o guitarrista Ed O’Brien, em entrevista para a rádio BBB 6. Entre o que ele também disse havia aquele velho blábláblá de que será um álbum muito diferente do anterior. Mesmo que seja tudo um “possivelmente talvez é provável”, os fãs podem ficar molhadinhos. Aqueles que odeiam a banda podem odiar por antecipação.


NA CAIXA

CORDAS VAGINAIS POUCO ME IMPORTA O QUE VOCÊ FAZ COM SUA LÍNGUA, DEDOS OU ÓRGÃO GENITAL. PORÉM, PARECE ABSURDO, MAS BOA PARTE DE QUEM CONSOME MÚSICA ELEGE SUAS PREFERÊNCIAS PELA HOMOSSEXUALIDADE DO ARTISTA. NUMA LISTA COM CÁSSIA ELLER, ZÉLIA DUNCAN, ANA CAROLINA, SIMONE E ÂNGELA RORO, É NOTÓRIO QUE NO BRASIL AS CANTORAS TÊM LARGA TRADIÇÃO NESSE STATUS, E COMO JÁ DISSERA O FILÓSOFO EDSON CORDEIRO, CANTAR É COISA PARA MULHER, POIS “AS CORDAS VOCAIS SE ASSEMELHAM A LÁBIOS VAGINAIS”. DE DOIS ANOS PRA CÁ, VÁRIAS CANTORAS TÊM RENOVADO MUITO A MPB, COM VOZES SUAVES, ARRANJOS MODERNOS E BASTANTE OUSADIA. ENTÃO, NÃO HÁ COMO NÃO PERGUNTAR: QUEM SERIA A NOVA BOLACHA DO PEDAÇO?

Quem: Mariana Aydar. Que: Em 2007 foi indicada a revelação na premiação da MTV, sendo intérprete de samba, choro, forró e a lista segue. É ou não é: Recentemente tocou em projeto chamado Bem-Casado com o marido. Que é um homem, acredite.

Quem: Tié. Que: Em seu primeiro disco, Sweet Jardim, toca piano e violão, canta em português, inglês e francês dez faixas de autoria própria, bem delicinha. É ou não é: Caso isso signifique algo, ela já foi modelo da Ford Models.

Quem: Nina Becker. Que: Vocalista da Orquestra Imperial, ela acaba de estrear solo com dois discos, Azul e Vermelho. Voz doce, melancólica, puro charme e tesão. É ou não é: Com a pílula azul, namora o batera do Caetano. Com a pílula vermelha, quem sabe?

Quem: Maria Gadú. Que: A revelação popular de 2009, com música em novela da Globo, violão na mão, e muito shimbalaiê. É ou não é: Apesar de nunca ter aberto a sexualidade, no próprio círculo homossexual há uma espécie de clamor “Assume logo, Gadú!”.

Quem: Mallu Magalhães. Que: A menina-prodígio cresceu, ficou bem lugar-comum e as pessoas perderam o interesse. É ou não é: Namora um ex-Los Hermanos, então homem é que não é o seu forte.

Quem: Céu. Que: Considerada pela Época em 2009 uma das 100 brasileiras mais influentes, o seu segundo disco, Vagarosa, tem 12 composições autorais de valer cada segundo. Referendado até pelo The New York Times. É ou não é: Gatíssima, ela é casada, e tem filho, ou seja, um baita desperdício hétero.

Quem: Ana Cañas. Que: Formada em artes cênicas, é mais uma da safra que canta e compõe, e também emplacou um hit em novela das oito, com “Esconderijo”. É ou não é: Sóbria talvez não seja, mas na “cañas”, quem sabe? #piadaóbvia

Quem: Cibelle. Que: Vivendo na Inglaterra, é mais conhecida na cena indie. Canta, toca, atua, experimenta, tudo inclassificável. É ou não é: Ahn, inclassificável. 63


NA CAIXA

1001 DISCOS PARA OUVIR DEPOIS dE MORRER ANA CAROLINA Ana & Jorge

Em algum ponto a MPB passou a ser associada a intelectualoides abostados. Pessoas de pulôver por volta do pescoço discutindo pobreza como se soubessem algo sobre. O exato estereótipo que adora gostar de Ana Carolina. Porque ela, além da pose blasé e do estilo, tem aquela “atitude” de quem abre sua sexualidade na capa da Veja. E entre as coisas mais terríveis dessa MPB recente são os cantores (as) que acreditam estar acima da música. Seu Jorge, que tem algumas boas qualidades como instrumentista, tem esse mal elevado ao quadrado. Nos primeiros dois minutos desse disco, gravado ao vivo, tudo que se ouve são “ô iô iôô”, “laraiai laraiai”, “uuu ahhhh”, como se a porra da música não fosse suficiente, como se ela precisasse de complemento do seu “majestoso timbre”. Não bastasse o exagero, é um cara que atrai todo tipo de gente meiaboca, de estudantes de comunicação de esquerda ligados ao DCE da universidade às periguetes e playboys que vão se

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pegar “na night” ouvindo samba-rock. Seu Jorge = povo. Ana Carolina = intelectuais. Mistura acima do catastrófico. A descolada bissexual, apesar de toda a pompa, o máximo que faz numa música é sempre aquele dramalhão, não saído da alma (como a boa MPB), mas duma novela global – e não é à toa que várias de suas músicas param justamente em novela. O maior de todos os dramas vem com “É isso aí”, versão livre da música “Blower’s Daughter”, famosa na trilha sonora do filme Closer. Não bastasse a original ter massacrado nosso saco de tanto que tocou até em propaganda de remédio, essa versão ultrapassa os limites da pieguice (e da sanidade mental). Porque o problema dessa gente meio-intelectual é que levar muito a sério o que a maioria encara como piada. Por exemplo, sabe quando você e seus amigos estão na praia, todo

mundo podre de bêbado e começam a INVENTAR em português clássicos das bandas gringas? Pois então, essa tradução de “É isso aí” parece feita por um bando de bêbado na praia, de tão mal-acabada – ou mesmo pela sobrinha de 12 anos da Ana Carolina, pra uma aulinha de inglês. Como tentativa de mudar seu status brega, no meio do show ela RECITA UM MANIFESTO contra a corrupção, prelúdio duma música que se imagina um berro de indignação, um chute na cara da politicagem filha da puta. Muito pelo contrário, de “Brasil Corrupção” sai outro chororô reclamando que “tem sempre alguém se dando bem / De São Paulo a Belém”. Nenhuma legitimidade, mesmo com um ex-morador de favela cantando ao seu lado. Dá até vontade de votar no Maluf. Entre a burrice de um voto e a de perder mais de uma hora ouvindo esse disco, vamos pelo mais rápido.


Fucking for Change

POR FELIPE DE SOUZA

ILUSTRAÇÕES RAFAEL CHAVES

O SEXO COMO SIMPLES ATO DE REPRODUÇÃO É BALELA. DESDE A PRÉ-HISTÓRIA O HOMEM USA A FORNICAÇÃO VISANDO AO PRAZER ABSOLUTO EM PRIMEIRÍSSIMO LUGAR. BASTA DAR UMA OLHADA NAS PINTURAS RUPESTRES ESTAMPADAS NOS LIVROS ESPECIALIZADOS. NO PICHO PALEOLÍTICO, O RISCO DOMINANTE RETRATA SEXO ANAL E ORAL. Através da história, aprendemos também que o sexo pode ser usado como ferramenta de ascensão social, através da já conhecida “profissão mais antiga do mundo”. Mas atualmente, com a pá de problemas que estamos enfrentando em um mundo cada vez mais caótico e com data de expiração já definida (2012?), eis que o ato de trepar pode ser usado para chamar a atenção para causas sociais, políticas, ambientais e até mesmo se propor a salvar o mundo do aquecimento global. Na internet, pipocam exemplos de malucos que se juntaram para colocar na rede ensaios sensuais a troco de uma grana que, juram eles, é destinada para reafirmar bandeiras como a preservação do meio ambiente ou o direito dos animais. O primeiro e mais gritante exemplo dessa nova modalidade de pornografia é o site da ONG Fuck For Forest (www.fuckforforest.com). O grupo foi fundado na Noruega em 2004. Atualmente tem sede na frenética Berlim, e a ideia do business é simples: por US$15 mensais o internauta tem acesso a um vasto arquivo de fotos e vídeos de sexo explícito. A diferença nesse caso é que o cenário 66

da fornicação quase sempre é um matagal, uma árvore, um gramado... Enfim, sexo ecológico à vera, entende? E, segundo os diretores da ONG, grande parte dessa grana que geral paga para assistir sexo selvagem vai para projetos que salvarão florestas nativas, rios, oceanos e comunidades indígenas ao redor do globo. Bacana, né? Leona Johansson e Tommy Ellingsen são as cabeças pensantes por trás do Fuck For. “No começo éramos apenas os dois, tentando fazer algo com sentido em um mundo sem sentido, usando apenas o que tínhamos: nosso amor e sexualidade”, recorda Leona. Segundo ela, além de foder gostoso para salvar o planeta, a intenção era mostrar que o sexo pode ser algo criativo e “com fortes propriedades de cura”. Nesses quatro anos de luta e gozo, cerca de 1.400 pessoas se juntaram ao casal para transar sob lentes de câmeras e tentar arrecadar dinheiro para sarar a Terra. Curioso pra assistir aos vídeos e fotos com trepadas que salvarão nossas vidas do dilúvio fatal? Se não quiser pagar as 15 doletas,

outra maneira é fazer seu próprio material de cunho Eco Porn e mandar para Leona, tornando-se um membro do staff do Fuck For Forest, o que vai lhe dar livre acesso a todo o site. Mas capriche, pois os managers e clientes do FFF não curtem nada fake. “A esmagadora maioria do material erótico que circula nas revistas e sites por aí são montagens. Não mostram o sexo, a nudez e o corpo humano como verdadeiramente são. No FFF todo o material erótico é feito de maneira impulsiva e espontânea, sem ensaios”, afirma Leona, que aproveita para avisar que os candidatos a estrelas do Eco Porn não recebem nenhum tipo de pagamento. Não espere encontrar no site europeias peitudas, grandes bundas ou homens que seriam vistos nos vídeos eróticos do circuito comercial. Peitinhos estilo muxiba, mulheres peludas e europeus à la “Fórum Social Mundial” dominam. “Estamos lançando uma nova maneira de ver a liberação sexual e a conexão do nosso corpo com a natureza que está ao redor”, completa Leona.


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PEU O R U E O INO T ORGASM A L O I D SALVA ÍN Ok! Todo esse papo de libertação sexual, conexão corpo/ mente e respeito ao meio ambiente emocionam, mas quais resultados práticos essa fodelança arvorista já alcançou? Será que mais alguns anos de orgias no mato e estaremos a salvo de chagas como o degelo das calotas polares e o aquecimento global? Segundo os managers do FFF, a estratégia do “Transar localmente, agir globalmente” vem dando expressivos resultados, inclusive aqui, perto de nós. A grana arrecadada com o material erótico já estaria ajudando comunidades indígenas da Amazônia, localizadas próximas à cidade de Boa Vista, no estado de Roraima. No Rio de Janeiro, um sítio administrado sob a filosofia da permacultura estaria recebendo recursos para desenvolver projetos de educação ambiental. No Equador, o pessoal da tribo Shuar é que se beneficia cada vez que uma branquela europeia fode em streaming. Reflorestamento na Costa Rica e proteção aos lobos e ursos da Eslováquia também constam na lista de boas ações da Fuck For Forest. Apesar de agir em todo o mundo, Leona admite que o Brasil é o lugar que a excita mais. “As pessoas aí têm a mente aberta para novas ideias e isso é muito inspirador”. Inspirador mesmo é saber que esses gringos arrecadam 100 mil euros por ano em dinheiro vivo e livre de impostos. Além da certeza de que é trepando que o futuro será salvo, boa parte do staff da organização se abstém do consumo de carne. “Todos nós da administração somos vegetarianos e pensamos que essa é uma maneira muito importante de cuidar do meio ambiente e respeitar todas as formas de vida animal. A indústria alimentícia passa dos limites, e muitas das empresas desse ramo são diretamente responsáveis pela poluição e desmatamento.”

CO A V O S PELO NOU SENSUAL E O TOF E entrando na seara do veganismo e direitos animais misturados ao sexo e à sensualidade, na internet não há expoente maior do que o VegPorn.com. Segundo a coordenação do negócio, ele é o primeiro e único site com material erótico feito por e para o público vegano e vegetariano. Há sete anos no ar, possui 33 modelos no casting, entre homens, mulheres e transexuais. Segundo a administração, nenhum deles foi selecionado seguindo critérios como altura, peso, tamanho da bunda, calibre do pau ou volume dos peitos. O que eles têm em comum é a escolha ética por não consumir nenhum alimento que envolva sofrimento animal em sua alimentação. A assinatura anual do Veg Porn dá acesso livre a todas as seções, custa US$ 50, e a pilha é promover a escolha vegana, chamar atenção para a crueldade com que os animais são tratados pelas indústrias da alimentação e vestuário e, óbvio, ganhar uma grana dando em troca um pouco de diversão quente. A dona do Veg Porn é uma das meninas que posa sensualmente para o site, atendendo ao pessoal que tem o peculiar gosto por minas peludas, bem peludas. Seu nick é Furry Girl e entramos em contato com ela. O papo corria tranquilo e amistoso até cairmos na besteira de perguntar, via web, se a cabeludinha se importaria em dizer seu nome completo. A resposta veio em uma frase: “Não continuarei concedendo entrevista a alguém rude o suficiente a ponto de perguntar meu nome”. Ui! Essa hipertricose na buceta e axilas deve estar comprometendo o sistema nervoso da rapariga. Tadinha.

Método holístico de planejar, atualizar e fazer manutenção de ambientes como jardins, vilas, aldeias e comunidades, levando em consideração a sustentabilidade completa do empreendimento, tornando o local socialmente justo e financeiramente viável.

DA O Ã C E U I OC A V N O MACHAOS BICHOS SALVAR Bem mais acessível que sua patroa, Victoria Gimpelevich concordou em falar conosco. Sob o nome artístico de Machaon, ela é modelo do VegPorn desde os 18 anos. Em seu ensaio, a menina aparece de moicano, seios à mostra e cueca samba canção folgada, em posição de decúbito dorsal sobre um verdejante gramado. “Estou nessa há três anos. Gosto deste tipo de trabalho e espero continuar por bastante tempo. Estou fazendo arte e ajudando a promover uma consciência de diversidade corporal e também dos direitos dos animais.” Se você pensa que é só no Brasil que veganos são às vezes vistos como tipos freaks, enganou-se. Victoria, que mora em São Francisco, Califórnia, diz que, apesar de viver em um local onde há muita diversidade, a zoação também rola. “As pessoas brincam de maneira amigável. No fundo acho que elas sacam que a indústria da carne causa sofrimento e problemas ao meio ambiente, mas se recusam a tomar partido e mudar os próprios hábitos.” Sobre a corrente que diz que vegetarianos transam mais e melhor, Victoria, apesar de ser veggie, discorda. “Eu gostaria de dizer que sim, mas já dormi com onívoros que foram muito bem na cama”, relembra.

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, , ACESSE A PUNHETINHA UA TR BATA UM ALGO E CONS A APREND DO MELHOR N UM MU

ADO N E S S O SEXO N A PARA TODO E VIAGR Bem, mas para que todo esse pessoal que transa pelo planeta ou fica pelado pelos direitos dos animais possa fazer seu trampo numa boa, é preciso alguém que esteja batalhando para que sua liberdade individual seja mantida. Em resumo: é preciso a ajuda de políticos. E é por isso que o The Australian Sex Party (Partido Australiano do Sexo) foi criado em 2008 durante a Sexpo, feira de entretenimento adulto e saúde sexual que rola todo ano na cidade de Melbourne.

repressão ou preconceito. Mas Fiona deixa bem claro que a coisa por lá não é tão tranquila e bucólica. “Por aqui, temos mais repressão em relação a imagens eróticas do que na maioria dos países, com exceção das nações muçulmanas, é claro. Nossos representantes estão interessados nos votos que vêm das organizações religiosas e acabam se posicionando contrários à questões envolvendo os direitos dos homossexuais, direito ao aborto e educação sexual nas escolas.”

O principal objetivo do ASP é que na Austrália o sexo seja visto e tratado como algo positivo. Mas o que seria uma visão positiva do sexo? A líder Fiona Patten tem a resposta: “Aqui na Austrália muitos dos nossos políticos só falam do lado negativo do sexo. Acho que eles sentem vergonha em dizer que o sexo é algo bom e importante para a vida de todos”, explica.

Fiona parece ter um dínamo dentro de si e não descansa enquanto não colocar mais diversidade sexual até mesmo dentro do sisudo Senado. Ela tem um projeto para promover a igualdade de gêneros dentro da casa. Assim, tendo sucesso, mulheres deverão ter o mesmo número de cadeiras do que os marmanjos. E ela não para por aí: quer que Viagra e Cialis, as famosas pílulas contra impotência, sejam distribuídas gratuitamente a todos os necessitados. “A disfunção erétil não deveria ser considerada uma doença diferente de qualquer outra. Por aqui, se você tem distúrbios de apetite ou problemas respiratórios, o governo vai lhe dar a medicação necessária. Sexo é importante na vida de todo mundo e isso não deveria ser visto como luxúria.”

Fiona curte sexo, óbvio. E para ela o velho e bom in and out é assunto para se tratar na política do país. “Há muito tempo (o sexo) se tornou assunto público para mim. Em 1990 eu comecei a trabalhar em uma ONG de amparo a portadores do vírus da aids e também representei profissionais do sexo, lutando por uma reformulação das leis da classe”. Quando nós brasileiros pensamos na Austrália, as primeiras imagens que vêm à cabeça são praias e ondas. É difícil associar o país com 70 40

DEPOIS DE TODA ESSA NARRATIVA SOBRE O SEXO COMO FORMA DE APOIAR CAUSAS NOBRES, SEPARAMOS ALGUNS LINKS PARA VOCÊ CURTIR E AJUDAR O PLANETA. ěũ1.3(!ũ#"ũ(www.eroticred.com) Se você tem um peculiar fetiche por mulheres menstruadas, esse é o site. Galerias de fotos com muita vagina sangrenta. A assinatura semestral sai por US$ 80, e 5% do valor é destinado para a St. James Infirmary, clínica que presta atendimento médico e amparo psicológico a profissionais do sexo na cidade de São Francisco. ěũ'#ũ#-24+ũ#%- (www.thesensualvegan.com) Aqui dá pra comprar toda sorte de brinquedinhos sexuais, desde as obrigatórias camisinhas até lubrificantes e vibradores. Detalhe: todos eles são 100% veganos. Compre, divirta-se e ainda por cima contribua para a redução do sofrimento animal. ěũ#338ũ."2.-ũ6(3'ũ1+(-%ũ.22 (dodsonandross.com) Site comandado pela dupla de feministas e sexólogas. Lá, homens e mulheres podem aprender e se informar sobre quase tudo: sexo, drogas, brincadeiras anais, cultura do sexo, estimulação clitoriana. O site tem uma seção de vídeos de sexo explícito (para fins educativos), e parte da grana arrecadada vai para o The Betty Anne Dodson Foundation for the Sexual Arts. Bonito, né? ěũũ4231+(-ũ#7ũ138 (www.sexparty.org.au) Se você planeja aquela trip pra Austrália, a fim de estudar e surfar, que tal já ficar enturmado com o pessoal que luta pelos direitos sexuais de lá? Fiona Patten precisa de sua ajuda e, cá entre nós, a coroa tá com tudo em cima.


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REPRODUÇÃO

REPRODUÇÃO LAT34.COM

POR FELIPE DE SOUZA, TOBIAS SKLAR E PEDRO DAMASIO

DOUBLE FRONT FLIP DA PUBERDADE Já ouviu falar em Brett Banasiewicz (êta sobrenome impronunciável da porra!)? Não tenha vergonha em admitir que não sabe de quem se trata, mas é bom ficar atento, pois esse molequinho de apenas 15 anos já é um pequeno monstro do mundo do BMX. Mês passado ele faturou o ASA Big Air Triples, maior evento da modalidade nos Estados Unidos, tocando o terror nos veteranos com três double front flips. Brett foi derrotado durante as quartas de final e ganhou uma última chance em uma espécie de repescagem do evento. Sem mais nada a perder, ele foi encaixando um front flip atrás do outro, derrubando um a um seus adversários até ganhar a final do evento, numa bateria contra James Foster. Detalhe: o moleque jura que nunca tinha nem tentado fazer a manobra antes. O double front flip é tipo um “duplo twist carpado” do mundo do BMX. Até então, apenas o mestre Anthony Napolitan conseguia executá-lo. 72

RALLY DE BELDADES RUSSAS

BIG BMX AIR

Automobilismo não é um tema muito recorrente por aqui, mas um rali feminino de carros antigos realizado numa autoestrada moscovita merece uma exceção, não? No mês que passou, beldades russas colocaram pra rodar seus bólidos vintage na região de Pavlovo Podvorie, nas cercanias da capital da Rússia. A regra era clara: no volante, apenas meninas. O equipamento: somente automóveis produzidos antes de 1979. Realmente não dá pra definir o que chamou mais atenção, se as belas europeias do leste ou os automóveis do naipe de Jaguar, Mercedes e Lótus que circularam pelo local. Na dúvida, ficamos com as duas coisas. Não sabemos informar quem venceu, mas o certo é que quem saiu ganhando foram os olhos do público.

Num filme produzido por Johnny Knoxville, você espera muita ação estilo Jack Ass, certo? No caso de Birth Of Big Air, os ossos quebrados, o sangue e a diversão estão presentes, mas a estrela é o pai do big air, Mat Hoffman. Foi ele que teve a ideia de executar o maior aéreo em uma bike nos anos 80, ultrapassando a marca de 6 metros de altura e estabelecendo o recorde mundial da época. O documentário conta a trajetória deste herói do BMX e foi concorrente no famosíssimo festival de cinema de Tribeca. Vale muito voar para assistir. Info: tribecafilm.com/tribecafilm/Birth_ of_Big_Air.html


SKATEBOARDING DAY PELO MUNDO POR TOBIAS SKLAR

Ainda não foi dessa vez que Sergio Laus quebrou seu próprio recorde mundial no surfe de maré (pororoca). Ele passou os últimos quatro meses no Amapá, deslizando sobre as ondas infinitas do rio Araguari pra tentar superar os 11,8 km que alcançou em junho de 2009. “A temporada de inverno de 2010 entrou pra história”, segundo ele, com ondas nunca antes vistas na selva Amazônica, algumas acima dos 5m na face. Em termos de recorde, dessa vez a natureza venceu. Mas o cara, que já surfou pororocas até na China, não vai parar por aí. Em breve, Sergio vai se mandar de prancha e cuia pro Alasca, em busca de marés consideravelmente mais geladas e complicadas. Todas essas aventuras estão relatadas, na medida do possível (ou você acha que tem wi-fi nas margens do Araguari?), no blog dele. Vai lá e confere.

Claro que bom mesmo é andar de skate, e isso acaba em roupas sujas e muito suor. Resumindo, nenhum glamour envolvido. Porém, não podemos negar que os momentos tapete vermelho também são combustíveis para que a indústria do carrinho não pare. Por isso que, nos últimos dias, o mundo todo ficou aguardando ansiosamente para saber os vencedores do Transworld Awards 2010, premiação da revista norte-americana Transworld Skateboarding, onde o Brasil esteve muito bem representado. Mesmo não levando prêmios individuais, subiram ao palco Luan de Oliveira, Rodrigo TX e Bob Burnquist, integrantes da equipe Flip, a melhor do ano. Veja todos os escolhidos. Melhor novato: Brandon Westgate Melhor parte em vídeo: Grant Taylor – Debacle Melhor equipe: Flip Melhor skatista street: Chris Cole Melhor skatista transição: Grant Taylor Melhor vídeo: Extremely Sorry Melhor skatista, votação popular: Lizard King

O US Open 2010 está prometendo ser ainda mais furioso que o de 2009. O mega evento, que rola em Huntington Beach, Califórnia, de 31 de julho a 08 de agosto, está confirmando uma lista de atrações de responsa dentro e fora d’água. Nomes como Rob Machado, Timmy, Ryan Burch e Tom Curren já garantiram seu lugar. A trilha sonora vai ficar por conta de bandas do calibre de Weezer, Cold War Kids, Cobra Starship, Switchfoot, Hot Hot Heat e The Soft Pack. Isso sem falar na super estrutura montada na beira da praia onde rola de tudo e mais um pouco em termos de esporte, moda, arte, música e californications em geral. Cobiçou? Nós também.

SÃO PAULO SÃO PAULO

Info: usopenofsurfing.com

NEW YORK

Info: aventurasdolaus.blogspot.com twitter.com/serginholaus ogio.com.br

CHINA

CABULOSICE À VISTA

CURITIBA

PREMIADOS

BASEL - SUIÇA

HOMEM VS. POROROCA

NEW YORK

LONDRES

ARQUIVO PESSOAL - SURFANDO NA SELVA

Dia 21 de junho é o dia mundial do skate. Para comemorar, skatistas saem pelas ruas embalando seus preciosos. Em homenagem a esses manifestantes, publicamos algumas imagens do Go Skate Day pelo mundo.

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NA BASE

CADÊ O CARA? POR MARCOS GABRIEL

E aí, Voiders. Sou o Marcos Gabriel e, a partir desta edição, estarei mostrando um pouco do universo skate por onde passo na Europa. Por aqui o skate não tem hora, idade ou padrão técnico de manobras, cada um anda como se sente melhor. O estilo das competições é bem diferente, os gringos transformam aquela tensão e pressão normal da disputa numa grande session onde todos se sentem à vontade. No último mês, fui a Seregno, uma cidade no norte da Itália, para a inauguração de um skatepark com campeonato. Num gap rolou best trick, onde os três primeiros colocados levavam uma grana. Já no bowl foi free session, com os skaters recebendo os euros conforme o público fazia barulho pelas manobras ou linhas. Me empolguei tanto que mandei sete linhas barulhentas e remunerada$. Para encerrar o evento, o de sempre: rock ’n’ roll e geladas! Agora imagine mais de trezentos skatistas fazendo street pelos monumentos e praças da grandiosa cidade da moda. Estou falando do Go Skate Day, um grande encontro que acontece uma vez por ano em diversas cidades do mundo. Em Milão, a galera se reúne na estação Centrale e de lá vai até o bowl do parque Lambro, embalando pela rua, parando o trânsito e até mesmo a polícia. Ao chegar ao parque, os realizadores do evento fazem uma recepção calorosa com música, lanche e cerveja. Então rola uma gincana onde, no topo de um morro, eles espalham vários shapes, bonés, rodas, camisetas, e dão o sinal pra que todo mundo saia correndo pra pegar os brindes. Quem sobreviver e chegar primeiro leva. O dia segue com várias sessões no bowl e mais um ponto alto da comemoração: competição de beber cerveja direto no barril! E esse é só o primeiro mês da trip. Por aí vem mais... Info: www.vimeo. com/12851290

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POR RAPHAEL FERNANDES ARTE PEDRO FRANZ

Você deve estar se perguntando: que diabo de título é esse? Calma, cocada, o negócio é meio brisa mesmo. Esse papo de louco surgiu lá na subestimada Florianópolis, onde nasceu o desenhista e escritor Pedro Franz, que acaba de lançar a primeira parte de Promessas de Amor a Desconhecidos Enquanto Espero o Fim do Mundo, um dos quadrinhos brasileiros mais revolucionários dos últimos anos (tá começando a sacar a parada?). Franz narra uma história que mistura anarquismo, movimentos artísticos extremistas, rebeldia e revolta popular daquele jeito cavalar que tanto faz falta na cultura pop (que anda pop até demais). Aproveitamos o lançamento desse coquetel molotov disfarçado de gibi para mostrar alguns momentos dessa HQ totalmente subversiva e um pouco das ideias inflamáveis do seu idealizador. Não fume por perto. Confira a entrevista completa em www.avoid.com.br. 77


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“Alguns dirão terrorismo, outros táticas de guerra. Normalmente são a mesma coisa, o que muda é o foco que você quer dar àquilo, como você quer enxergá-lo.” 73


“A idEia de apresentar uma HQ em série funciona muito em torno disso, de como você muda como autor, como pessoa, enquanto produz o trabalho.“

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“Acho que é bom as pessoas terem contato com ideias que de alguma forma questionem o lugar em que elas estão.”

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“Acho que é bom as pessoas terem contato com ideias que de alguma forma questionem o lugar em que elas estão.”

Quer ver mais? Então entre no site do Pedro Franz e baixe todas as partes do gibi pra ler na faixa. Info_ sobreofim.wordpress.com 73


APRESENTA:

VOID #060: FLN E SEGUE O BAILE! MAIS UMA CAPITAL BRASILEIRA CELEBROU O LANÇAMENTO DE NOSSA INADJETIVÁVEL REVISTA: FLORIPA. DEPOIS DAS FESTAS EM PORTO ALEGRE, CURITIBA E BELO HORIZONTE, CHEGOU A VEZ DA ILHA DA MAGIA NOS RECEBER PRA UMA SESSÃO DE DIVERTIMENTO EXTREMO. O LUGAR ESCOLHIDO FOI O CLUB MADÊ, ABALADO SISMICAMENTE PELAS BATIDAS DO DJ KING. FOTOS: LUCAS CUNHA APOIO: ROCAWEAR

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FREEZE#061 Black Drawing Chalks / Beco POA / 05.07.10 fotos: gabriela mo


I SHOT MACUNAíMA POR FABRIZIO BARON

A FORMIGUINHA E O CIGARRO

ATARILÂNDIA

Gozado que nos contos do “nosso” folclore não existam aquelas pequenas e marcantes lições de moral das grandes fábulas. Há quem defenda que lições de moral estariam outdated desde que as mulas sem cabeça assumiram o Ministério da Educação. Mas, pra quem ainda acredita que exemplo é tudo nesta vida maluca, nada como relembrar um clássico, adaptado a nossa surrealidade. “O mendigo batia umazinha defronte a igreja. Nem terminava aquele gozo seco já corria pra praça: saída do teatro! Madames e bolsas cheias, e melhor ainda: forradas de pena. ‘Ai essa pena, que dádiva meu sinhô!’, se enchia de satisfação o mendigão. Não tão alto na hierarquia como os ‘flanelinhas’, recebia menos mas levava a vida sem grandes preocupações. Afinal, os dias se repetiam infinitamente iguais e novos mendiguinhos não paravam de brotar. Pois um dia o mendigoso foi atropelado e teve amnésia. Saiu do hospital lesado e caminhou pro sul, só parando 666 dias depois, quando no acostamento arrancava a última unha do pé e acabou atropelado, de novo. Foi daí que saindo do coma sentiu uma coisa muito doída que fazia bater dente. Antes de ser devolvido às ruas perguntou pro estranho doutor de seis pernas o que era aquela ‘doença’. ‘É o inverno’, respondeu surpreso. Arrastou-se até o primeiro viaduto, onde mais colegas aqueciam-se à fogueira. Explicaram onde ele estava e que o frio do tal de inverno era um fenômeno que acontecia forte naquela região todos os anos. Mais tarde, já com o ar da madrugada congelando, Saramago (o mendigão) morreria. Seus cigarros, espalhados próximos ao corpo, seriam imediatamente coletados e transformados em monumento. Na inauguração, 88

um Nobel póstumo lhe seria entregue, por ter inspirado tantos intelectuais na ‘luta contra o imperialismo e a favor do urânio enriquecido e o fim de Israel’. Alheias ao nonsense geral, as formigas trabalhavam sem parar. Tinham dia e hora pra acumular os recursos que garantiriam a sobrevivência durante os meses frios. Estoicas, sustentavam todos aqueles milhões de mendigos, inclusive aqueles mais gordos de gravatas coloridas (os eleitos). Porém, desde que os Imensos Cigarros em homenagem ao mendigão do arraial foram acesos, todas as formigas adoeceram e pararam de produzir. Como a fumaceira entrava diretamente no formigueiro, todas morreriam em poucos anos. Uma nova carta magna seria escrita, e ofender alguém de ‘fumante assassino’ passaria a constituir crime hediondo. A história continuaria com 666 novos viadutos por ano, 666 CCs por mês, 666 invasões de terra por semana, 666 carrões emplacados por dia, 666 mendiguinhos por hora, 666 fugas do todo-aberto por minuto, 666 baganas por segundo no chão de escolas e paradas de ônibus...”

Todos os anos, grandes feiras de games rolam pelo mundo, sendo as duas maiores no Japão e esta que terminou dias atrás em L.A., a E3. Como sempre, foi novidade demais pra contar aqui. Então o jeito foi dar um pulo numa feira alternativa que rolou semana passada na cidade de Atarilândia do Piauí. Contraponto à indústria transnacional hegemônica e com apenas uma barraquinha (autossustentável com um jumento rodando feito hamster) e um expositor (PlayGlobo), a feira mostrou poucos mas originais lançamentos. Muqueca é um RPG online baseado na vida de Jorge Amado, com trilha de Gal. Cansado de ter sua cultura invadida pelo Guitar Hero? Berimbau Hero já vem com berimbauzinho uéssibê e água de coco. Com gráficos realistas e detector de lágrimas, Viajo porque preciso e volto porque não sei inglês é um adventure épico sobre a saudade do agreste e do Galvão. Programados em mandioca para rodar no Ué (clone araguaio do Wii, da Severino & Severino), os jogos ainda não têm data de lançamento. Sabe-se apenas que virão embutidos no console e a distribuição será exclusiva para mendigos sem terra.

LAVAGEM CEREBRAL Fatima, 2 anos. Podia aprender ballet, piano, videogame, desenho... Mas não vai. Info: www.youtube.com/ watch?v=FP6xQ2fDzcg


PERMANência Temp.03 EP.05 Por: PDR e MAU

E AÍ, BRASIL, VAI QUERER O QUE? VODKA COM SUCO DE LARANJA?? HUHUHU...

CHURRRASHCO NA LÁCHE DO CAMARRRÁDA BANÁNA... BEBIDA NÃO PÓDE FALTARRR!!

MERDA, CAGÃO...

ALGUÉM VAI NA MAMINHA?

ESSA CARRRNE É MINHA BRRRÁSIL, SAI FÓRRRA! VOLTA EM QUATRRRO ÁNNNOS... HÓ-HÓ-HÓOOI!

MERDA, CAGÃO...

QUER MAIS CARNE? A COSTELA TÁ QUASE PRONTA...

MAMA...

PERMITA-ME DIZER QUE CHURRASCO NÃO É O SEU FORTE, FRUTÃO... MAS EU SEI NO QUE VOCÊ SE DESTACA... BOLINA ME CONTOU...

BOLINA!? ONDE ELA ESTÁ? VOCÊ CONHECE ELA??

CONHEÇO BEM... E SEI QUE ELA ESTÁ ARREPENDIDA DE TER IDO EMBORA... VOCÊ PODE ENCONTRÁLA NO MESMO LUGAR ONDE SE VIRAM PELA ÚLTIMA VEZ... EU NÃO PERDERIA TEMPO... PERCEBE?

continua...

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© HB É UM PERSONAGEM ORIGINAL DA LAIRTON REZENDE COMICS. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS, NÃO VAI QUE É FRIA.


chuck taylor all star

conchetinas perform poetic acts. what do you do? converseallstar.com.br/linhapremium


Void #61