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Mais uma vez estamos aqui para trazer a você conteúdo evangelizador, e o nosso intuito é que este provoque transformações de vidas, mas de verdade. Caso contrário ele será somente mais um punhado de informações, e de informações medianas o mundo já está bem saturado. O que vale é aprofundar na dinâmica da amizade com Cristo, e estamos aqui pra isto! Na nossa primeira edição cometemos um erro ligeiro, logo na capa (eita!), pois não se escreve “Eche Homo”, e sim “Ecce Homo”; vimos através deste erro que precisamos melhorar um pouco o nosso latim, mas o melhor de tudo foi perceber que existem pessoas que estão acompanhando a revista e que estão bem dispostas a somar cada vez mais. #tamojunto! Agradecemos a todos que colaboraram dando toques, orientações e puxões de orelha na nossa primeira edição, e sobretudo pelos louvores que subiram aos céus graças ao bom êxito dela. Agora estamos aqui com a segunda, que cada vez mais a graça de Deus nos sustente e nos impulsione a lançar as redes! Aprecie sem moderação e boa leitura!


sentes e as luzes da Igreja. Depois o círio é colocado na coluna ou candelabro que vai ser seu suporte, e se proclama em torno dele, depois de incensá-lo, o solene Pregão Pascal.

É a vela grande acesa na vigília Pascal como símbolo de Cristo – (1) Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado. O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília. Em meio à escuridão (toda a celebração é feita de noite e começa com as luzes apagadas) de uma fogueira previamente preparada, se acende o Círio, que tem uma inscrição em forma de (2) cruz, acompanhada da (3) data do ano e das (4) letras Alfa e Ômega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem incrustado em sua cera (5) cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz. Na procissão de entrada da Vigília se canta por três vezes a aclamação ao Cristo: “Luz de Cristo, demos graças a Deus”, enquanto progressivamente vão se acendendo as velas do pre-

O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do tempo pascal, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o tempo Pascal, convém que o Círio seja dignamente conservado no batistério. O Círio Pascal também é usado durante os batismos e as exéquias, quer dizer no princípio e o término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna. (Fonte: Site Catequisar)

Vanessa Silva

Missionária Fraternidade Fogo do Céu

Sugira temas para as próximas edições!


Honrar nossas mães Há um amor que é capaz de curar, que tem o poder de consolar e animar, que é remédio certo seja qual for a ocasião. Este amor é capaz de ser um abraço caloroso e um beijo amoroso que nos acalma e revigora; amor que tem apego para desejar o nosso ficar e, ao mesmo tempo, tem a coragem de nos incentivar na nossa partida se ela for nos tornar mais felizes. Para amar desta forma, com apego e desapego, sem esperar nada em troca a não ser a nossa felicidade, só posso estar falando do amor de mãe. Fiquei muito feliz com o desafio de escrever algo para nossa revista, refletindo o mês das mães. E que benção e sabedoria da Igreja de, em maio, celebrarmos nossa mãe Maria, e celebrarmos nossas mães. Como é bom poder parar um pouco e relembrar o quanto somos agraciados por Deus por termos uma mãe, e podermos dedicar todo um mês de reflexão e homenagens nas nossas celebrações e encontros. Claro que nossas mães merecem ser homenageadas todos os dias. Não temos dia para manifestar amor àquela que nos amou desde o início, mas a beleza deste mês e deste dia está em ser universal, em ser um dia que o mundo celebra o amor materno que é dom de Deus. E celebrar é festejar, é reviver, é honrar! Honrar algo ou uma pessoa é dar aquilo que temos de melhor.


Recordo-me de uma visita do Papa ao Brasil em que escolheram diversos cantores, posso dizer os melhores, para cantarem para o Papa. Era uma forma de honrar o Pontífice Católico, honrá-lo apresentando o que temos de melhor na nossa música. É esta a maravilha deste mês de maio: refletir, celebrar e trazer na alma este desejo de honrar nossas mães todos os dias do ano. Honrar é dar o nosso melhor, e pergunto a vocês, filhos: vocês têm honrado vossas mães? Tem procurado dar o seu melhor a elas? Não bastam flores ou um almoço bacana no segundo domingo de maio. Honrar é dar o melhor de nós mesmos a elas durante todo o ano. Honrar é dar tempo e presença, é carinho, é compartilhar das alegrias e preocupações, é deixar nossa mãe participar de nossa vida, é rezar junto, é lembrar de elogiar, de agradecer. Honrar é transformar nossos sentimentos por ela em atitudes de amor, pois muitas vezes amamos, mas esquecemos de amar em gestos. Partilhando algo da minha vida com vocês, há mais de 15 anos minha mãe, Maria Gorete, faleceu. Fica aquela saudade, e claro, bate um aperto no peito quando lembro, mas o aperto é de querer estar junto, é a ausência que dói, mas não deixa de vir acompanhada de alegria e boas lembranças. De forma inconsciente, a vida me levou a amar minha mãe em gestos, em atitudes, devido a sua enfermidade. As lágrimas que derramo, graças a Deus, são de saudades, e não de remorso, pois o remorso é ficar remoendo o que podíamos ter feito e não fizemos. Falo isso como um conselho: amem em vida, amem em gestos, transforme amor em gestos e nunca derramarás uma lágrima que seja de remorso. Despeço-me desejando um feliz dia das mães a todas as mães. Que possamos, neste mês, celebrar e honrar com toda alegria e amor, o mês e o dia das mães. Helder Andrade

Missionário Fraternidade Fogo do Céu


mos, de tudo o que somos e temos, para que sejamos possuídos divinamente por Deus. Viver a Fraternidade Fogo do Céu deve ser assim também, um desejo louco e desesperado de ser esposa de Cristo, e de entender que o irmão que está ao meu lado é também imagem do próprio Cristo. Outro sentimento que vem em meu coração é o de desejar ser o menor, desejar ser pequeno e frágil, pois assim entenderemos que nada somos nem podemos fazer sem o amor e a misericórdia de Deus. Meus irmãos e irmãs em Cristo, eu gostaria de partilhar com vocês o quanto o amor de Deus tem se intensificado em minha vida. Depois que comecei a ler e aprofundar nas obras de Santa Teresa D’Avila e nas cartas sobre a Teologia do Corpo do nosso amado João Paulo II, eu pude sentir a maravilha que é ser amado por Deus, sentir que posso ser alma esposa d’Ele. Nós nascemos do amor e para o amor, sendo assim, Jesus é esse amor que encarnou e deu a vida por amor a todos nós. Ele se esvaziou inteiramente, assim como São Paulo nos narra em sua carta aos Filipenses. Naquele momento em que a lança perfurou o seu lado e jorrou sangue e água, Jesus se aniquila para ser empossado e cheio do Espírito Santo. Por isso nós somos chamados a viver essa “Kénosis”, esse esvaziar por completo de nós mes-

Se você quiser confirmar este sentimento, é só parar e refletir: de onde você foi resgatado por Deus? O quê seria da sua vida se Deus não tivesse lhe chamado? Com isso meus irmãos e irmãs, convido vocês a sonhar e a buscar serem também esposas de Cristo, se colocar de prontidão, como aquelas noivas que conservaram suas lâmpadas acesas à espera do noivo. Que Deus possa nos dar o discernimento necessário para crescer no amor, e levar esse mesmo amor a todos os que ainda não o conhecem. Que a paz do Cristo esteja com todos vocês!

Paulo Jacques

Missionário Fraternidade Fogo do Céu


Pensar na terceira pessoa da Santíssima Trindade nos coloca em estado de espírito reflexivo. O Espírito Santo é o Deus sem face, é o fogo abrasador, a brisa suave, vento impetuoso, doce hóspede de nossas almas. Ele atua das mais variadas formas, o extraordinário e a simplicidade demonstram sua particularidade. As almas que o procuram encontram na sua sutileza e delicadeza as inspirações mais profundas nas coisas do dia a dia. Ele sonda nossos corações, nada em nós lhe é obscuro. Ele clama em nós: Aba Pai! (Gl 4,6) “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.” Ele é o pai dos pobres, é o consolo que nos acalma; é o hóspede da alma; no labor é descanso; na aflição, remanso; no calor, aragem. Como luz Ele guia nossos passos e doma nossa rebeldia, diante do homem pecador, Ele o purifica. Dispensar a ação do Espírito Santo seria como retirar o ar dos nossos pulmões, pois nos sufocaríamos em nossas próprias limitações. Pensar no homem sem a atuação do Espírito é o mesmo que andar na escuridão. Demonstra-se assim a importância das palavras de Jesus quando disse:

“Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.” (João 16:7) Sem a ajuda do Espírito Santo é impossível ao homem agradar a Deus, portanto nos é necessário abrir o coração e suplicar ao Pai que nos envie o Espírito Santo. Quando tudo está perdido para o homem e já não há mais esperança, o Espírito se manifesta como o elemento surpresa e de repente aonde havia morte, brota vida e esperança, pois Ele é o único capaz de renovar a face da terra. Vinde ó Paráclito Consolador! Giovanni “Joca”

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Diante da enxurrada de informações que recebemos no nosso dia-a-dia, fica cada vez mais difícil encontrar algo que desperte a nossa afeição, por estarmos tão saturados de opções. Mal conseguimos nos concentrar em um único ponto, e somos bombardeados por inúmeras possibilidades. Não estamos preparados para o atual volume de variedades de entretenimento que se apresentam em nossa tela, antes fosse se tivéssemos somente uma tela (o computador), mas agora temos uma segunda (o celular 24 horas on-line em nossas mãos). Diante deste contexto em que vivemos, precisamos levantar uma questão que anda um tanto quanto obscura: como vamos evangelizar num mundo assim??? Apresentar Jesus em um mundo repleto de holofotes que ofuscam a verdadeira Luz, e ao mesmo tempo um mundo que clama a Deus sem assumir a sua verdadeira nomenclatura, por ter se perdido dentre tantas “variações de estilos” do vínculo com o eterno e o sagrado. Vez ou outra nomea-se de Destino, Sorte, Acaso, Força de vontade, Universo, Energia positiva, entre tantas outras. Às vezes sim de Jesus Cristo, mas um Jesus Espírito puro, ou Jesus Agente social, que em muito pouco tem a ver com o rosto visível do Deus invisível e com sua proposta que vai totalmente em desencontro ao que estas novas ideias propõem hoje. Cabe a nós, como iniciativa evangelizadora, encarar os novos desafios com muita sabedoria e humildade. “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede pois prudentes, como as serpentes e simples como pombas.” Mateus 10-16. Nunca antes as organizações, sejam elas financeiras, sociais ou religiosas, buscaram tanto a tal da “Criatividade/Inovação”, justamente por não ser mais suficiente apresentar-se nos moldes convencionais. Já nos cansamos e queremos coisas novas! É

necessário uma “nova sacada”, ser diferenciado para ser notado em um mundo de gente louca para aparecer ou louca para vender o seu produto ou ideologia a todo custo, e que na primeira boa nova proposta, a replica tanto que a torna velha em tão pouco tempo. É necessário saber se reinventar sempre! Abrir-se constantemente ao novo de Deus para cumprir este dever supremo dos Cristãos que é o anúncio da Boa-Nova: “Eis que renovo todas as coisas.” Apocalipse 21-5. Por que ainda se vê tão poucas manifestações autênticas do verdadeiro Senhor da Criatividade, o Espírito Santo? Por que ainda predomina o querer humano tapado e fechado em si mesmo, que sequer compreende que é um grão de areia no grande ecossistema eclesial, mas que tem uma importância fundamentalmente local e definida? Qual Espírito tem movido esses sistemas? O que tem nos movido? A sede e o ardor em pescar almas para Deus? Por que estes estão se auto-destruindo sem um sentido, e precisam urgentemente do conhecimento do Bem-Supremo? Ou o ego acariciado vendo os resultados palpáveis em nossas páginas no Facebook com um punhado de curtidas, como se fosse a resposta que o espelho deu à pergunta da Madrasta da Branca de Neve: “Existe alguém mais bom do que Eu?” Não dá para medir em uma planilha do Excel o nosso alcance evangelizador, e nem se deve! Não tratamos de números e sim de vidas, de almas, e isto não dá para medir. Quem trabalha pela evangelização, na maioria das vezes não verá o resultado do trabalho exposto para si mesmo, pois: “... e teu Pai que vê o invisível, ele mesmo te dará a recompensa.” Mateus 6-4. Se fôssemos tratar teologicamente do significado da palavra “criatividade”, que é a capacidade de criar, somente Deus é criativo, ao pé da letra, como vai dizer Antoine Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Deus já sonhou, com sua capacidade criativa, TUDO o que deveria ser designado, então cabe a nós sermos cooperadores e abertos a este sopro autêntico que vem Dele, que consegue ser uma constante novidade. Eis que tudo se fez Ctrl+N!

Fábio Fernandes

Missionário Fraternidade Fogo do Céu


A prova decisiva: A prova do amor

Bem sabemos que as palavras “eu te amo”, infinitamente repetidas em todos os tempos e lugares do planeta, na maioria dos casos podem ser apenas expressão provisória e vazia do sentimento humano, a famosa “paixão”. Compreendemos que nós, seres humanos, somos frágeis e carentes de afeto, de carinho, e buscamos este amor às vezes em lugares errados, talvez para suprimir a ausência do Amor maior que é de Deus. Por isso, antes de dizer “eu te amo” para alguém, saiba se este sentimento é verdadeiro dentro de você, porque se você não é capaz de amar a si próprio também não será capaz de amar a outra pessoa. Amar é um projeto existencial em que as nossas energias, nossas forças, bem como nosso coração são postos a duras provas: tribulação, discórdia, dificuldades, dentre tantas coisas; e temos que compreender e aceitar os defeitos e limitações da outra pessoa. Amar é doar, amar é suprimir, amar é morrer pelo outro, amar é dar seu sim todos os dias para o próximo. Amar é ir além, como Jesus Cristo fez. Jesus rompia as barreiras e com simples palavras transmitia a verdade e tocava os corações. Mesmo sendo pecadores, Jesus enxergava em seus discípulos o bom coração que eles tinham. Isso chama muito a atenção nos dias de hoje, pois nós também devemos romper as barreiras e ir além, levar o Evangelho às pessoas e tocar com a Palavra do Senhor o íntimo dos corações, com o coração transbordante de amor, levar ao coração das pessoas mais amor, alegria e paz. Amar quer dizer estar disponível para fazer da própria vida um dom, estar pronto para ultrapassar as fronteiras da existência individual e se consumir para a felicidade dos outros. É sempre bom lembrar que assim como foi com Jesus, a prova do nosso amor passa pelo caminho do calvário.

Matheus Mendonça

Missionário Fraternidade Fogo do Céu


Gostaria de partilhar o que foi esse fim de semana, ou melhor o que foi esse encontro Ruah. Cheguei a esse encontro desanimado e já me deparei com uma adoração, Jesus presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Subi para ficar nas barracas de salgado como nós foi designado. E lá de onde estávamos podíamos ver a graça que era realizada, comunidades unidas por uma única bandeira que é Jesus Cristo. E eu vendo Jesus e ao fundo a cruz de São Damião me relembrava de São Francisco de Assis, que encontrou a cruz suja, enterrada, e dela sentiu emanar o amor, a graça e o pedido de que era necessário reconstruir a igreja de Jesus. Ali naquele momento eu com os olhos fitados e cheios de lágrimas, sentia, aquilo que São Francisco sentiu, que o amor não era amado. E quando mais eu pensava nisso mais meu coração se quebrantava. A certeza que Deus me dava era de que estamos no início de algo grande, e de que nada disso é mérito nosso, nada é para que nós sejamos lembrados, muito pelo contrário é para que sejamos esquecidos para que Deus seja lembrado. Eu fui inflamado, e fui renovado. Sou grato a Deus que esteja com vocês. O que eu desejo é que nos realmente sejamos servos, que não escolhem o que querem fazer, quem devem amar, onde devem ir, mas que apenas servem.” Shalom - Missionário Paulo Jacques


“Quem Ama faz sempre comunidade”


Um dos santos mais cultuados pela Igreja Medieval, e ainda hoje tem um número considerável de devotos que peregrinam aos santuários a ele dedicados no mundo inteiro. Para se ter uma ideia de tamanha devoção, popularidade e utilização da imagem do santo no Brasil e no mundo, São Jorge é cultuado como padroeiro pela torcida do Sport Club Corinthians Paulista e de sua torcida “Gaviões da Fiel”. Foi também utilizado na capa do álbum Temple of Shadowns da banda de metal tupiniquim Angra, é citado na música “Flash of the Blade”, no disco Powerslave da banda de metal inglesa Iron Maiden. Infelizmente, por adeptos do secretismo religioso o santo de origem católica é utilizado de forma errada e lamentavelmente mentirosa em cultos espíritas da cultura afro-descendente. Mas afinal, o que se conhece sobre Jorge da Capadócia? Qual a sua origem e significado para a Igreja Católica de Roma e para a Igreja Ortodoxa? O ano era o de 303 d.C e o Império dominante do mundo, o Romano, era governado por César Caio Aurélio Valério Diocleciano Augusto, em um período na história denominado dominato, que foi marcado por uma intensa


perseguição aos cristãos. Neste contexto, um corajoso soldado do império de Diocleciano cujo nome era Jorge, nascido em torno do ano 275 na Capadócia (atual região da Turquia), se declarou cristão após o imperador publicar um édito que mandava prender todos os soldados cristãos romanos, além de impor que todos deveriam oferecer sacrifícios aos deuses. Porém, não querendo perder Jorge diante de tudo o que ele representava nas forças do exército, o Imperador tentou persuadi -lo oferecendo terras, dinheiro e escravos. Mas Jorge foi fiel a sua fé, por isso foi torturado de vários modos. Diante de cada uma das torturas, o soldado fiel de Cristo era levado perante o Imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar aos deuses cultuados pelo Império. Contudo, Jorge reafirmava sua fé a cada interrogação, e seu martírio cruento marcado por muitas dores ganhava notoriedade entre o povo, levando inclusive a mulher do imperador a se converter ao cristianismo. Não tendo êxito e derrotado pelo testemunho sobre aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida, Diocleciano ordenou que Jorge fosse degolado no dia 23 de abril de 303 em Nicomédia, Ásia Menor. Naquele instante o céu se abriu a mais um mártir da história, e os restos mortais do Santo foram sepultados na cidade onde cresceu, Lida. Mais tarde o Imperador cristão Constantino ergueria o ali o primeiro santuário dedicado ao Santo, fazendo com que sua devoção fosse espalhada por todo o ocidente. Durante a Idade Média, várias histórias foram contadas sobre São Jorge. Dentre elas uma das lendas mais difundidas até

hoje, a de que Jorge acampou com sua armada romana próximo à cidade de Salone na Líbia, e na região existia um gigantesco Dragão que estava devorando os habitantes, que buscavam refúgio sob as pedras da muralha. Ninguém podia entrar ou sair da cidade, pois a enorme criatura alada se posicionava em frente aos portais da muralha. O hálito da criatura era tão venenoso que pessoas próximas podiam morrer envenenadas. Com o intuito de manter a besta longe da cidade, a cada dia ovelhas eram oferecidas à fera, até que aquelas acabaram, então passaram a sacrificar as crianças. Com isso, o sacrifício caiu então sobre a filha do Rei, chamada Sabra. Com apenas catorze anos e vestida como se fosse para o seu próprio casamento, a menina deixou a muralha da cidade e ficou à espera da criatura. Jorge, o valente tribuno, ao ficar sabendo da história decidiu corajosamente dar fim ao episódio, e montou em seu cavalo branco e foi até o reino resgatá-la. Mas antes Jorge fez o Rei jurar que se trouxesse Sabra de volta, ele e todos os seus súbditos se converteriam ao cristianismo. Após tal juramento, Jorge partiu atrás da princesa e do “dragão”. Ao encontrá-lo, Jorge o atinge com sua lança, porém ela fica despedaçada ao ir de encontro à pele quase impenetrável do monstro e, com o impacto, São Jorge cai de seu cavalo. Ao cair, ele rola o seu corpo, até uma laranjeira, onde fica protegido do veneno do dragão até recuperar suas forças.


Ao se colocar novamente em posição de combate, Jorge acerta a cabeça do dragão com sua poderosa espada Ascalon. O dragão derrama então o veneno sobre ele tentando ser mortal e exterminar o guerreiro, porém a criatura só consegue dividir sua armadura. Inteligentemente e de forma ligeira, Jorge busca a proteção da laranjeira e, em seguida, crava sua espada sob a asa do dragão, onde não havia escamas, de modo que a besta cai muito ferida aos seus pés. Jorge amarra uma corda no pescoço da fera e a arrasta para a cidade, trazendo a princesa consigo. Conduzindo o dragão como um cordeiro, a princesa volta para a segurança das muralhas da cidade. Chegando na cidade o valente tribuno Jorge corta a cabeça da fera na frente de todos e toda a cidade se torna cristã. Porém, como ele foi parar na Lua? Essa é outra história, distorcendo a verdadeira história do Santo. O mito de São Jorge na lua vem da cultura africana sincretizada que herdamos aqui no Brasil. Para a religião afro-descente candomblé, São Jorge é a entidade Ogum, que tem como elementos o mar e a lua e é por isso que dizem que ele mora na Lua, com direito a espada, cavalo e dragão. A Igreja Católica, dotada de um magistério que tem compromisso com a verdade e a história, toma a posição de que não há como duvidar da existência do Santo mártir, porém não coloca convicção nas histórias fantásticas sobre o Santo criadas principalmente durante a Idade Média. De forma simbólica, no que tange as lendas, podemos interpretar de forma análoga o dragão como o demônio, representando a idolatria de Dioclesiano e do Império Romano aos falsos deuses destruída pela espada que é a fé; já a donzela que o Santo defendeu pode ter um sentido conotativo de representar aquelas pessoas da qual todas as heresias foram extirpadas pelo seu testemunho e que se converteram a fé em Cristo Jesus. Portanto, veneramos o São Jorge histórico, mártir em razão da verdadeira fé, o valente soldado que jamais negou ao Senhor, mesmo mediante as torturas, o padroeiro de várias cidades europeias, o qual foram dedicados vários Santuários tanto por parte da Igreja Católica Romana, quanto pelo Catolicismo ortodoxo do oriente.

Felipe de Paula

Missionário Fraternidade Fogo do Céu



Revista Digital Fraternidade Fogo do Céu - Edição 2