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ALso CIe pe PEão d EqSuest

E A SAÚDE

Focas e a Saúde adentra no universo dos transtornos alimentares PÁG. 08 a 11

Jornal Laboratório da Faculdade Cearense | Curso de Jornalismo | Quinto Semestre 2012.1 | Turno Manhã Foto: Internet

POLÍTICA

Um grande buraco negro Prefeitura de Fortaleza e Governo do Estado investem mais de R$ 240 milhões em saúde. PÁG 03

SAÚDE PÚBLICA

Mortalidade materna se enfrenta com informação Mortes de gestantes em Fortaleza alertam para a importância do pré-natal. PÁG. 05

SOLIDARIEDADE

Instituto Peter Pan: trabalho que salva vidas

Consumo de crack cresce de forma alarmante

O álcool pode ser a porta de entrada para drogas ilícitas Especialistas dizem que o consumo alcoólico pode ser o responsável pela entrada do jovem nas drogas ilícitas. PÁG. 06 e 07 Foto: Focas e a Saúde

Foto: Focas e a Saúde

ECONOMIA

Reajustes de plano de saúde não garantem qualidade Estudantes da FaC são voluntárias por um dia

Sem fins lucrativos, o hospital atende crianças e adolescentes com câncer. PÁG. 12

Todo ano, há reajustes nos planos de saúde. O aumento na fatura, a cada aniversário de contrato, não é sinônimo de melhoria no atendimento. PÁG. 04

Filas são rotina em hospitais particulares


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Focas e a Saúde Jornal Laboratório

EDITORIAL

OPINIÃO

Saúde: como funciona essa necessidade tão básica? Não é difícil lermos notícias sobre epidemia de dengue, falta de profissionais e recursos, pessoas sendo atendidas nos corredores e até mesmo no chão de hospitais, sem falar na falta de informação por parte da sociedade. O caos existe e não há como negar. Quem não tem um plano de saúde sofre ao procurar atendimento, mas até a saúde na rede particular está precária. Na rede pública as denúncias de desvios de verbas se tornam cada vez mais comuns, recursos da capital e de mais 19 municípios foram cortados por irregularidades encontradas em diversos programas de saúde. Já na rede particular, sobra na carestia e falta na estrutura de atendimento. Pois, mesmo com o reajuste anual, os clientes não têm o retorno do que pagam em benefícios. É importante ressaltar a falta de informação e transparência na prestação de contas da gestão de saúde e a falta de instrução para a população. Doenças que ultrapassam os problemas físicos, na maioria das vezes, não são compreendidas pela sociedade e não há o conhecimento de equipamentos públicos que ofereçam tratamento, como a dependência química, transtornos alimentares e a própria obesidade. Nessa perspectiva, o Focas na Saúde vem esclarecer, denunciar e tornar públicos os vários pontos que norteiam a saúde em Fortaleza. Trazendo não só os pontos negativos, mas também mostrando o que há de positivo na saúde, no atendimento à população e na possibilidade de melhoria de um setor que ainda apresenta tantas falhas. *Este jornal foi produzido durante o semestre 2012.1, sendo sua impressão viabilizada somente em novembro de 2012.

Sistemas de saúde Victória Rocha Há 49 anos, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) promove durante a Quaresma um dos maiores eventos da Igreja Católica no Brasil. A Campanha da Fraternidade (CF) visa a despertar a solidariedade nas pessoas com relação a um problema da sociedade brasileira e buscar soluções para esse problema. Longe de qualquer desejo de arrematar fiéis para alguma religião, é preciso comentar a Campanha deste ano. Com o tema “Fraternidade e Saúde Pública” e o lema “Que a saúde se difunda sobre a Terra”, a CF vem discutir e refletir a precariedade do nosso sistema público de saúde e o papel da sociedade civil na possível e necessária mudança desse sistema. A saúde é um direito garantido por lei. Mas será que nossos sistemas de saúde, público e privados, respeitam e garantem essa necessidade básica? É preciso refletir, entender, exigir e contribuir para que as melhorias no sistema aconteçam já.

OMBUDSMAN Nesta primeira edição de 2012, foi gratificante ler textos tão atuais e inteligentes, escritos por alunos que, estando em formação, já demonstram bastante personalidade, informação e dedicação no que fazem. Destaca-se como pontos positivos da publicação, o pensamento claro do que se buscou defender em cada texto, assim como, a estrutura simples, mas eficiente, da linearidade, ou seja, textos com começo, meio e final bem delimitados. Como aspectos a serem aperfeiçoados, podemos elencar as questões referentes à ortografia, pontuação e acentuação. Entretanto, vale ressaltar, as dificuldades com a língua

portuguesa em um momento de mudanças tanto impostas por leis quanto decorrentes dos novos signos e símbolos; advindas do uso da tecnologia. É sempre um desafio mesmo para autores bastante experientes. O que só aumenta o mérito destes futuros jornalistas do FOCAS. Que todos sigam produzindo, crescendo e se aperfeiçoando. Afinal, é pelas obras que conhecemos os homens. Agradeço, então, pelo convite para participar desta excelente iniciativa que é o jornal FOCAS.

Ana Luíza Almeida do Monte Jornalista e professora

Aborto de fetos anencéfalos

As drogas no ambiente familiar

Até que ponto o amor adoece

Rochely Silva

Caio Ramires

Anna Glécya R. Domiciano

A gestação de um feto anencéfalo é para a mãe, desde a sua descoberta ,um sofrimento, pois é uma gestação, de certa forma, triste. Que mãe ficaria feliz ao saber que, após nove meses, aquele filho tão esperado terá menos do que vinte e quatro horas de vida? No início do ano, essa questão foi discutida pelo Supremo Tribunal Federal. E o aborto nesses casos de defeito congênito foi liberado. Mas, os médicos ainda não são obrigados a fazer o aborto. De acordo com o Código de Ética Médica, o profissional tem o direito de “recusar-se a realizar atos médicos que, embora permitidos por lei, sejam contrários aos ditames de sua consciência”. E o sofrimento da mãe e do pai não conta? A mãe é quem deve decidir se continuará ou não com a gestação, já que seu filho não terá chances nenhuma de sobrevivência após o parto e a gestação comprometerá também a sua vida. Mesmo com a opção de optar ou não em fazer o aborto, os médicos não podem ir contra a decisão da mãe, mesmo que não concordem com tal ato. A dor maior maior, com certeza, não será para ele, mas sim para a própria mãe que de uma “certa forma” antecipará a morte do próprio filho.

A família brasileira sofre com o maior problema do século, as drogas. Não existem paredes para impedir sua ação, sem distinção de raça ou classe social, as consequências são devastadoras. As drogas estão destruindo os nossos jovens. Os problemas de relacionamento entre país e filhos podem ser uma grande brecha para que o problema se inicie ou até a ausência dos pais. O Segundo passo é dado com as más companhias, amizades erradas que passam na vida de qualquer adolescente. A má formação de caráter do adolescente contribui para que ele não consiga discernir o que seria o certo. A relação da educação como ato de formação de personalidade, pode ser a solução para neutralizar esse problema. Segundo o psicólogo Paulo Quinderé, “o que precisa ser feito é educar esses jovens e como consequência estruturar sua consciência deixando hábeis a ter uma personalidade consistente e capaz de raciocinar as consequências de seus atos”. Essa solução todos conhecemos, o que precisamos é pôr em prática.

EXPEDIENTE

“Uma pesquisa na Universidade do Texas mostrou que as mulheres que sofrem com violência psicológica podem desenvolver estresse pós-traumático por causa dos abusos.” Ter que aturar insultos, brincadeiras severas, humilhações diárias e ingratidão, é uma questão de amor ou podemos dizer desamor? É necessário dar um basta e pensar mais em si. Tudo isso vai além do trauma. A pessoa humilhada adoece, adquire doenças sérias como a diabetes, a tireóide e a gastrite nervosa, adquirida por estresse das pessoas que engolem verdadeiros socos verbais e choram por dentro guardando mágoas, ódio e rancor sem expor o que sentem. Na maioria desses casos, os problemas estão nas mulheres que não conseguem romper os laços amorosos e permitem as agressões verbais e só enxergam que estão doentes quando a pressão eleva, veem-se hipertensas, obesas, estressadas, com “os nervos a flor da pele”. É possível afirmar que agressões verbais ferem tanto quanto tapas, causando doenças de forma lenta e silenciosa.

Focas e a Saúde é uma publicação da disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso, da Faculdade Cearense. Os textos assinados refletem o trabalho jornalísticos dos estudantes da disciplina. Conselho editorial Bruna Marques // Caio Ramires // Lucas Diniz // Marcília Sousa // Victória Rocha Projeto gráfico André Luís Cavalcanti Diagramação Thiago Bezerra Ombudsman Profa. Ana Luíza Almeida do Monte Orientação e revisão da edição Profa. Klycia Fontenele Coordenador do Curso de Jornalismo Prof. Edmundo Benigno Gestor Acadêmico Prof. Marco Antonio Diretor Geral Prof. José Luiz Torres Mota Tiragem: 500 exemplares Faculdade Cearense - Campus I: Av. João Pessoa, 3884 Damas. Fortaleza - Ceará. Fone: (85) 3201.7000. www.faculdadescearenses.edu.br Quer falar conosco?! Escreva-nos jornalfocas@gmail.com


Focas e a Saúde Jornal Laboratório

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POLÍTICA

Saúde pública no Ceará: um grande buraco negro Investimentos em saúde chegam a R$ 241,5 milhões DE REAIS, MAS NÃO SÃO SUFICIENTES Bruna Marques Luciana Menezes

A

prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado do Ceará investem pesado na saúde, mas não parece ser suficiente para melhorar o atendimento da população. Só em 2012 a prefeitura investiu quase R$ 1,3 milhões na saúde. A Secretaria da Saúde do Estado realizou em 2011 investimentos de R$ 241,5 milhões em projetos listados no Monitoramento de Ações e Projetos Prioritários do Governo do Estado (MAPP) da Saúde. O volume de recursos inves-

tidos no ano já representa 38% da programação preliminar do MAPP da Saúde para o quadriênio 2011 até 2014, que prevê um investimento total de R$ 635,5 milhões. De acordo com dados divulgados pelo Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS), a lei orçamentária exige que, no mínimo, 15% dos recursos sejam aplicadas à saúde nos municípios e 12% no Estado. Em 2011, a prefeitura investiu 24,24%, enquanto o Governo do Estado aplicou 15,51%. O orçamento da Prefeitura de Fortaleza perpassa as redes de atenção e de políticas transversais. As redes de atenção se constituem na atenção básica que são os postos de saúde; saú-

de da família; alimentação; nutrição; e doenças como tuberculose, hanseníase, hipertensão e diabetes. Na atenção especializada, são os casos da saúde do trabalhador, saúde da pessoa com deficiência, marcação de consultas, exames especializados e regulação de leitos. Na atenção secundária, são os hospitais de urgência e emergência e saúde mental. As políticas transversais são um conjunto de princípios e diretrizes que se traduz em ações nas diversas práticas de saúde e esferas do sistema caracterizando uma construção coletiva. Elas constituem as vigilâncias em saúde, educação permanente, saúde do trabalhador, saúde bucal, DST/HIV/AIDS.

IRREGULARIDADES

Verba suspensa na capital Bruna Marques Patrícia Uchôa A cidade de Fortaleza passa por uma crise na saúde, mas isso não acontece apenas nesta cidade. É um problema de todo o país.

Em abril, o Ministério da Saúde suspendeu a transferência de incentivos financeiros da Capital e outros 19 municípios, por conta de irregularidades encontradas nas equipes da Saúde da Família, Saúde Bucal e de Agentes Comunitários de Saúde. Foram encontradas na Capital: duas irregularidades nas equipes de Saúde da Família, três nas equipes da Saúde Bucal e sete

nas equipes de Agentes Comunitários de Saúde. Segundo o Ministério da Saúde o repasse será normalizado quando os municípios solucionarem todas as inadequações. Após a correção, a Prefeitura recebe um retroativo do mês que deixou de ganhar. A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não enviou nota explicando a irregularidade à equipe do Focas até o fechamento desta edição.

A equipe do Focas fez uma enquete para saber se a população sabe o que são políticas públicas de saúde. As pessoas ainda ficam em dúvida na hora de responder. Então, vamos ao conceito: as políticas públicas podem ser definidas como conjuntos

de disposições, medidas e procedimentos que traduzem a orientação política do Estado e regulam as atividades governamentais relacionadas às tarefas de interesse público. As políticas públicas em saúde pública integram o campo de ação social do Estado orientado para a melhoria das condições de saúde da população e dos ambientes natural, social e do trabalho.

Sua tarefa específica em relação às outras políticas públicas da área social consiste em organizar as funções públicas governamentais para a promoção, proteção e recuperação da saúde dos indivíduos e da coletividade. A enquete foi realizada nas instituições de ensino: Faculdade Cearense e Colégio Irmã Maria Montenegro. Vamos conferir algumas respostas.

O que você entende por políticas públicas de saúde? “Deixa muito a desejar no nosso estado. Nós não temos hospitais, nós não temos, inclusive, médicos. Faltam postos, falta saneamento, falta um bom atendimento.” José Maria Duarte, secretário, Colégio Irmã Maria Montenegro

Márcia Cardoso, secretária, Colégio Irmã Maria Montenegro

“Os representantes políticos têm que prover para a população: postos de saúde melhores, hospitais. Ajudar a população mais carente que hoje está muito sofrida.”

Monalisa Franco, professora, Colégio Irmã Maria Montenegro

“É tentar tornar a saúde acessível para as pessoas. É a universalização mesmo, como as pessoas têm acesso à educação, ao lazer. A saúde é um dos pontos primordiais.”

“São programas ou políticas que o governo faz para melhorar a saúde.”

Elizadora Fontes, estudante de jornalismo, 5º semestre, FaC

No exercício de 2011 foi investido o valor de mais de R$ 1 bilhão na Saúde de Fortaleza. No orçamento executado para o Hospital da Mulher com obras, instalações, equipamento e material permanente (anos 2008 a 2012) – quase R$ 87 bilhões. 90% dos recursos investidos no Hospital da Mulher provém de recursos próprios do Município. O Hospital da Mulher de Fortaleza está sendo construído em um terreno de mais de 70 mil metros quadrados, com área total construída de 26.465 metros quadrados, que será dividida em quatro blocos. O primeiro bloco, o mais avançado do projeto, será dividido em duas etapas. A primeira parte, onde funcionarão a Administração, Consultórios, Laboratórios e Centro de Imagens, está quase concluída. Na segunda parte do bloco funcionarão Pronto-Atendimento; Parto Cirúrgico; Centro Cirúrgico; Parto Normal; UTIs Neonatal, Médio Risco e Adulto; e Centro de Terapias Alternativas. O Hospital terá ao todo 184 leitos (incluindo 10 leitos de UTI Neonatal, 16 leitos de UTI Neonatal de médio-risco e 10 UTIs Adulto). Hospital da Mulher de Fortaleza Av. Lineu Machado, 155 - Jóquei Clube. Fortaleza/Ce. Tel. (85) 3105.2229

HOSPITAIS REGIONAIS

ENQUETE Bruna Marques

HOSPITAL DA MULHER

Andrea Araújo, estudante de jornalismo, 5º semestre, FaC.

“São as medidas que os governantes tomam para que a população tenha uma boa qualidade de vida. Saneamento básico, um bom programa de saúde pública, hospitais e médicos bem pagos.”

“Eu entendo que são todas as medidas adotadas pelo governo em prol da saúde da população”

Beatriz Souza, estudante de Publicidade, 5º semestre, FaC

O maior volume de recursos de investimentos alocados em 2011 foi aplicado no Hospital Regional do Norte (HRN), que está sendo construído pelo Governo do Estado em Sobral, com 382 leitos, para atender a população dos 55 municípios da região em casos de alta complexidade. Este ano, a construção do HRN recebeu investimentos de R$ 73,5 milhões. A previsão é de que seja inaugurado em cinco de julho deste ano, com investimento de R$ 151.276.633,97 em obras e R$ 59.429.435,57 em equipamentos, totalizando R$ 210.706.069,94. Para o projeto de apoio aos municípios, que inclui construção e reforma de Unidades Básicas de Saúde e ainda aquisição de veículos e equipamentos, foram destinados R$ 17.377.840,00 ao longo de 2011. Das 150 unidades básicas de saúde programadas, 102 já foram concluídas. O governador Cid Gomes e o secretário da Saúde do Estado, Arruda Bastos, fizeram a entrega de 159 veículos às equipes de saúde da família de 143 municípios, no começo do ano. O governo do estado investiu R$ 5.200.999,71 na aquisição dos 159 veículos. Para a construção das Unidades Básicas de Saúde serão investidos, no total, R$ 31.999.999,71.

Hospital Geral de Fortaleza - Rua. Ávila Goulart, 900 - Papicu. Fortaleza/Ce. Tel. (85) 3101.3272


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Focas e a Saúde Jornal Laboratório

ECONOMIA

Planos de saúde: preço alto e péssimo atendimento Foto: Focas e a Saúde

TODO ANO, HÁ REAJUSTE DOS PLANOS DE SAÚDE, MAS O AUMENTO NA FATURA NÃO ACOMPANHA A QUALIDADE DOS SERVIÇOS Gessyka Costa Glennda Rodrigues Lucas Diniz

E

Foto: Focas e a Saúde

Crianças com suspeita de dengue precisam enfrentar longas filas

ram mais de 50 pessoas, entre crianças e adolescentes esperando por atendimento médico. Esse foi o cenário encontrado por Maria Madalena, que levou sua sobrinha de 2 anos, Maria Bianca, para uma consulta no hospital Luiz de França com suspeita de dengue. A situação não seria de assustar se fosse em um hospital público, porém, isso aconteceu em um hospital particular que atende a vários planos de saúde. O caso não é isolado. Muitos hospitais que têm convênio com planos de saúde estão na mesma situação. Pagar mais caro por atendimento insatisfatório ainda vale a pena? O reajuste anual feito pela ANS (Associação Nacional de Saúde) estipula um aumento máximo de 7,69% pelos planos de saúde este ano. Mas o retorno feito pelo contratante não está satisfazendo. As grandes filas para atendimento e poucos médicos é a prova disso. Madalena disse que havia apenas quatro médicos para atender a todos. “A gente paga um plano de saúde buscando atendimento imediato, porque se ocorre algo grave o atendimento tem que ser logo. Imagina aí se fosse uma emergência, como seria ter que esperar esse tempo todo?”. Reclama Madalena que esperou oito horas pelo atendimento. A dona de casa Mariana da Conceição levou seu filho, José Levi, de 5 anos, para a emergência da Unimed. Com dores o menino teve que enfrentar uma sala de espera lotada para enfim ser atendido e descobrir que estava com apendicite. A criança foi levada à sala de cirurgia às pressas. “Se meu filho tivesse esperado por mais tempo ele podia ter morrido. Eu não pago caro pra passar por isso.”, reclamou a mãe.

De acordo com o órgão de defesa e proteção do consumidor, o Procon, não há tempo mínimo de espera para o atendimento. Mas ele deve ser de qualidade, já que o consumidor paga caro pelo serviço. O Procon orienta ainda que os que se sentirem lesados façam denuncia formal à ANS. Por meio de nota, o órgão garante que todas as denúncias são apuradas e que cobra medidas dos convênios médicos e que, com o número do protocolo da reclamação, é possível ao usuário do convênio acompanhar o andamento da denúncia. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 0800-701-9656. Segundo os planos de saúde, a explicação para tudo isso tem sido o surto de dengue que Fortaleza está passando. Os planos de saúde têm procurado alternativas para atender à demanda que extrapola os limites do atendimento. A Unimed, por exemplo, reservou uma sala apenas para casos de suspeita de dengue; o Mont Klinikum criou uma emergência exclusiva com nove leitos para pacientes com dengue. Já no Hospital Antônio Prudente, os pacientes tem sido encaminhados para uma van providenciada pela instituição que os leva para outras unidades associadas à rede. Porém, o surto de dengue, alegado pelos planos de saúde como a causa de toda essa superlotação não justifica a espera que Maria do Socorro teve que passar para ser atendida no final do ano passado, quando o surto ainda não se desenvolvera. A consulta, com hora marcada, não era uma emergência, mas a espera estava como uma. “A sala de espera estava cheia de gente e todos eram para o mesmo médico, o mesmo que eu fui me consultar”, desabafa. Ela conta ainda que o atendimento foi ruim, pois o médico, sabendo da longa fila, apressava a consulta tentando terminar logo, atendendo mal a todas.

Longa espera no Hospital Luis de França

Nova metodologia de cálculos para reajuste é discutida pela ANS

Foto: Focas e a Saúde

teriores, uma média do reajuste coletivo. Essa média leva em consideração as despesas operacionais e a sinistralidade da carteira do plano, ou seja, o índice de pessoas cobertas pelo plano coletivo. O percentual máximo de reajuste estabelecido pela ANS para este ano foi de 7,69%. O valor incide sobre contratos de cerca de 8 milhões de consumidores, ou seja, 17% de pessoas com planos de assistência médica no país desde 1999. O reajuste é aplicado, a partir da data do aniversário de cada contrato, com a permissão de cobrança do valor retroativo caso a defasagem seja de no máximo quatro meses. Devem também constar no boleto de pagamento o índice de reajuste autorizado pela ANS, o número do ofício de autorização, nome, código e número de registro do plano, bem como, o mês previsto para aplicação do próximo reajuste.

Desde 2010, a Câmara e Grupo Técnicos de Reajuste, criada pela Associação Nacional de Saúde (ANS), tenta adotar uma nova metodologia para calcular o reajuste dos preços dos planos de saúde individuais ou familiares. Participam dela empresas de planos de saúde, dos órgãos de defesa do consumidor, de entidades representativas das associações médicas, entre outras. No início deste ano, a Câmara Técnica desenvolveu diversos estudos em busca de novas metodologias. Uma delas seria regionalizar o índice. Contudo, verificou-se que isso poderia acarretar em uma elevada diferença de preços entre regiões do país, sobrecarregando as de menor poder aquisitivo. Concluiu-se que é preciso continuar a estudar novos métodos. Com isso o reajuste deste ano permaneceu sendo feito seguindo o mesmo cálculo dos anos an-

TABELA COM OS ÚLTIMOS REAJUSTES FEITOS PELA ANS: 1

2001_____________7,69% 2010_____________6,73% 2009_____________6,76% 2008_____________5,48%

2008; 25%

2009; 25%

2

3

4

2001; 25%

2010; 25%

Crianças são as principais


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SAÚDE PÚBLICA

Informação ajuda a reduzir mortalidade materna A FALTA DE INFORMAÇÃO ENTRE AS GESTANTES PODE SER UM DOS MOTIVOS PARA A ALTA TAXA DE MORTALIDADE Foto: Focas e a Saúde Barem Sanha

G

arantir a saúde da mãe e do filho durante a gestação não depende apenas do Sistema Único de Saúde (SUS), mas das pacientes, que muitas vezes por falta de informação, não procuram os postos de saúde nos primeiros meses da gravidez. No ano 2000, foi criado o programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento (PHPN) pelo Ministério da Saúde, cuja finalidade era reduzir as altas taxas de mortalidade materna e ampliar o acesso ao pré-natal. O estabelecimento de critérios para qualificar as consultas pré-natais e a promoção do vínculo entre a assistência ambulatorial e o parto são outros critérios essências do programa. Segundo Heloísa Souza Costa, técnica em enfermagem no Hospital Nossa Senhora da Conceição no Conjunto Ceará, quando ocorre erro ou problema com alguma paciente durante a gestação é negligência da mãe, não do SUS. “Os postos encaminham pacientes, principalmente as que apresentam risco ou outros problemas durante a gravidez. Quando chegam, recebem os primeiros atendimentos, no qual realizam o cadastro, medem o peso e a pressão arterial. Depois elas são orientadas a iniciar o pré-natal, com acompanhamento médico.”, explica. Em gestações normais, as grávidas frequentam o consultório médico uma vez ao mês, mas quando apresentam algum risco, são aconselhadas

Acompanhamento pré-natal é disponibilizado nos postos de saúde

a comparecer duas vezes ao mês nas consultas. A Secretaria Municipal de Saúde criou um programa nos postos de saúde em cada regional, para orientar as gestantes nas áreas de puericultura, higiene geral e responsabilidade parental.

Medicamentos A Distribuição de medicamentos para acompanhamento de gestantes é uma Política Pública que atende mulheres carentes. Segundo o farmacêutico responsável pelo Serviço de Assistência Farmacêutica do Centro de Saúde Anas-

CAOS NA SOBREVIVÊNCIA

LEIS QUE PROTEGEM

Luciene de Souza

Rochely Silva

O caos na Saúde Pública tem sido estampado nas primeiras páginas de todos os jornais do Estado, em especial com as gestantes. Como se não bastasse a falta de atenção dos gestores do Sistema Único de Saúde para com a população. Um surto de gripe A veio aterrorizar a população principalmente as gestantes. Um caso recente do descaso com a Saúde Pública aconteceu também com uma gestante, no mês de fevereiro deste ano no Hospital Geral de Fortaleza, por conta da superlotação e da falta de estrutura daquele hospital causou mais um óbito com uma gestante e seu filho, a paciente Isabel Cristina evangelista de 22 anos. A ausência de vagas e de profissionais no setor de obstetrícia está sendo a maior causa nesses casos. Portanto, se todo dinheiro destinado à saúde, fosse bem administrado, nenhuma dessas tragédias estariam acontecendo em nosso país. A falta de caráter dos nossos gestores é a real causa da corrupção no país. Faltam planejamento e atenção dos atuais gestores.

Dados preliminares do Ministério da Saúde revelam que 1.614 mulheres morreram em 2010 em decorrência de complicações da gravidez ou do parto. O número é considerado elevado, embora tenha havido redução de 14% em relação a 2009. Segundo o Ministério, o Sistema Único de Saúde (SUS) atende atualmente cerca de 2,2 milhões de grávidas. O governo quer estimular as brasileiras a começarem o pré-natal antes dos três primeiros meses de gestação. Um dos obstáculos para isso é a falta de dinheiro para o transporte das gestantes. Dessa forma, para incentivar as futuras mães a fazerem o pré-natal completo, a presidente Dilma Rousseff lançou a chamada Rede Cegonha — conjunto de ações para melhorar o atendimento a grávidas e bebês. O governo concederá benefício de até R$ 50,00 para grávidas, como auxílio-transporte. O objetivo é cobrir despesas de deslocamento e garantir que as gestantes tenham acesso a consultas de pré-natal e assistência ao parto. As gestantes possuem outras leis que as amparam, durante o pré-natal e no parto.

tácio Magaleans, João Carlos de Nascimento, os remédios são fornecidos quinzenalmente pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios, no qual são enviados semanalmente para as unidades de saúde. “Mulher, durante a gestação, não pode tomar nenhum outro tipo de remédio, existem remédios específicos que elas recebem aqui no posto. Paracetamol, para dores de cabeça. O ácido Fólico, o ferro e o cálcio são fundamentais e ajudam no desenvolvimento do feto.” diz o farmacêutico. A quantidade varia de acordo com a demanda dos usuários.

Gravidez de risco Gravidez de risco é quando ocorre, na gestação, qualquer doença materna ou condição sociobiológica que pode prejudicar a boa evolução do bebê. Muitas mulheres sofrem de problemas de saúde durante a gestação e podem também surgir complicações mais graves. Todos os sintomas pouco habituais devem ser comunicados ao médico assistente. Quando se considera que uma gravidez é de alto risco e se procede, consequentemente, ao diagnóstico pré-natal, deve-se efetuar o mínimo de testes possível, de modo a reduzir os problemas e a ansiedade que estas situações costumam gerar na mulher grávida e no parceiro. Quanto mais cedo diagnosticada a gravidez de risco, mais cedo atitudes seguras poderão ser tomadas para cuidar da saúde da mãe e do bebê.

Você sabia Se uma mulher estiver sofrendo uma gravidez de risco, ela e o bebê podem ter complicações no parto e até mesmo ir ao óbito, se não procurar o serviço de um hospital terciário. Para que não haja o risco de complicações, pacientes com gravidez de risco já detectada pelo serviço de saúde devem seguir a risca as orientações médicas e de enfermagem.

Gestante morre e outra fica em estado grave Luciene de Souza

Morreu este ano, Ezi Costa Figueiredo de 27 anos, vítima da gripe A. A paciente deu entrada na Maternidade Escola no último mês de fevereiro e morreu quatro dias após seu internamento, com falência múltipla dos órgãos. A gestante estava no seu sexto mês de gestação e teve seu parto induzido por motivo de morte intra- uterina do feto, causada pela gripe. Segundo médico responsável pela unidade de obstetrícia da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, Edson Lucena, Ezi já deu entrada em estado avançado da doença. Deveria ter sido tratada no inicio da doença no posto de saúde de sua comunidade, no bairro Janguruçu em Fortaleza. A família da paciente relata que o posto não tomou medidas preventivas quando a paciente procurou a unidade. A doença se agravou e os familiares buscaram socorro na maternidade Escola Assis Chateaubriand, quando a doença não tinha mais cura. Uma segunda gestante esteve internada na maternidade Escola com a mesma doença, Maria do Socorro Pereira, 21 anos, residente da região de Sucatinga distante 19 km de Beberibe-Ce. A gestação foi de exatamente nove meses e a criança foi socorrida a tempo e encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal daquela unidade de Saúde. A paciente também esteve internada na UTI Materna da Maternidade Escola em estado de saúde considerado gravíssimo. Seu estado de saúde hoje é estável após passar 27 dias internada, pois foi socorrida a tempo e levada para maternidade onde foi submetida ao tratamento correto. Mãe e filho encontram-se de alta hospitalar, mas ainda estão sendo acompanhadas pelo Programa Saúde da Família (PSF) da cidade de Beberibe-Ce.


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Focas e a Saúde Jornal Laboratório

COMPORTAMENTO

Drogas: vício que começa com o consumo de álcool EM 20 ANOS, O BRASIL SOFREU UM AUMENTO CONSIDERÁVEL NO CONSUMO DE DROGAS. ORGANIZAÇÕES NÃO-GOVERNAMENTAIS ASSUMEM O TRATAMENTO DE MUITOS USUÁRIOS Foto: Alexsandra Montenegro

Caio Ramires

S

egundo a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, em 20 anos, o Brasil sofreu um grande aumento no consumo de drogas. As tendências usuais são frutos de vícios lícitos (permitidos juridicamente) que fazem na maioria dos casos, uma progressão de consumo tendenciosa. Indo do álcool até as drogas químicas. “A linha que divide as drogas lícitas e ilícitas é uma linha tênue entre o uso e o abuso.”, afirma Paulo Quinderé, Doutor em Psicologia. Um estudo feito, em 2006, pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) avaliou o padrão de consumo do álcool na população, mostrando que 11% dos homens e 4% das mulheres adultas eram dependentes alcoólicos. “Essa alta tem um impacto enorme na sociedade brasileira. Cerca de uma em cada sete famílias apresentam problemas significativos em relação ao álcool.”, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira. O impacto nas crianças também é grande. “Uma em cada cinco crianças já presenciou ou sofreu violência doméstica por alguém sob efeito de álcool ou drogas.”, explica Laranjeira. Entre os adolescentes, o álcool é a porta de entrada para várias outras drogas ilícitas. “Eles buscam na bebida a coragem para encarar outras drogas. Nunca uma sociedade desenvolvida havia enfrentado um problema tão impactante.”, avalia Quinderé. Crack: “a pior droga” A maioria dos especialistas aponta o crack como a pior droga em circulação na atualidade. É a droga com maior poder destrutivo dentro do ciclo de drogas existentes. “O descontrole mental faz com que o dependente se desfaça de todos os seus bens materiais, chegando a cometer crimes para conseguir manter seu vício.”, afirma Cristiane Ramires, vice-presidente do Centro de Recuperação de Dependentes Químico Leão de Judá. Segundo dados levantados pela instituição, 90% dos internos entram no centro de recuração por conta do vício no crack, 7% devido ao álcool e 3% por outras drogas que variam entre cocaína, heroína e maconha.

Centro de Recuperação Leão de Judá é uma instituição filantrópica que atende 350 usuários O tratamento dura em média oito meses, podendo ser prolongado de acordo com a evolução e comportamento do interno. Mais de 90% dos internos do centro Leão de Judá são ex-moradores de rua que foram recolhidos pela instituição com o intuito de ajudar aqueles que não têm o apoio familiar. Vida nova O Centro de Recuperação Leão de Judá é uma entidade filantrópica que atua em Fortaleza há mais de 10 anos. Cuida de trezentos e cinquenta internos e sobrevive de doações. Sebastião Leitão (68) está há mais de quatro meses sem usar drogas. Internado e em trata-

mento no Leão de Judá, ele diz que a estadia no centro de recuperação é uma oportunidade para mudar de vida. “Minha esposa e meus filhos me deixaram, acabei com depressão. Uso a pedra (crack) há mais de dez anos.”, relembra o interno. “A vida estava muito ruim. Comecei por brincadeira e acabei me viciando. Abandonei todo mundo. Sofri muito.“, conta emocionado Sebastião. Apoio governamental A problemática das drogas na capital cearense não é diferente de outras capitais brasileiras. Durante a sessão de abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa do Ceará, no

dia 2 de fevereiro, o Governador Cid Gomes reconheceu a situação de emergência. “O Estado não deve investir na construção de equipamentos para tratar dependentes químicos. Mas, apoiar as entidades que realizam trabalhos nesse sentido.”, diz o Governador. Segundo ele, o estado que atua dessa forma, atua mal. Hoje, o Governo trata esse problema como epidemia, que precisa ser tratada com a mais absoluta urgência. Ainda sem apoio do governo, a instituição Leão de Judá se apoia na coragem de seus líderes e organizadores para conseguir vencer a guerra contra as drogas.

A busca exagerada pelo prazer torna-se vício Anderson Feitosa

O

vício é o lado negro do prazer e está associado a movimentações e ligações cerebrais que desencadeiam aspectos aterrorizantes como a tolerância, desejo, abstinência e recaídas, sendo acompanhado pela substância dopamina, o neurotransmissor responsável pelo sistema de recompensa. Por isso, os vícios não são somente aqueles associados às drogas, ao álcool ou fumo. Existem

outros que norteiam a vida dos jovens, como o desejo por atividades físicas, comidas, compras ou jogos. Isso acontece, porque os adolescentes passam por mudanças físicas e psicológicas, tendo que se adequar a comportamentos do grupo ao qual pertence. Além disso, eles estão mais interessados no prazer do que no compromisso e os vícios servem como alívio. Ilusão pra suas dúvidas e questionamentos advindos da idade. Para além das drogas - Vigorexia: É o desejo por atividades físicas e

que tende a atingir pessoas muito perfeccionistas e com baixa autoestima. Quaisquer comentários negativos ou rejeição sobre o corpo pode aumentar o problema. O jovem deixa de exercer outras atividades somente para malhar. - Dependência sexual: É o desejo por sexo que se tornou obsessivo a ponto de ficar fora de controle. Ela é causada por várias condições criadas ao longo do tempo como a exposição à imagens pornográficas ainda na infância, insegurança, medo de rejeição em relacionamentos, abuso físico ou sexual. O dependente se co-

loca em situações perigosas, sempre em busca de novas fontes de estímulo sexual. - Internet-dependência: É a compulsão em que a pessoa passa horas por dia na frente do computador. Normalmente, os cibernéticos acessam sites de leilões, compras e buscam atividades como jogos, salas de bate-papo etc. Os sintomas do ciberviciado são o isolamento da sociedade, mentira quanto ao conteúdo acessado, lesões como dores nas costa, olhos, mãos, aumento de peso ou emagrecimento e apatia por outras atividades do dia-a-dia.


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OPINIÃO

Drogas: causas e efeitos

Drogas: O terror em várias faces

“A NICOTINA PODE SER COMPARADA À HEROÍNA”, DIZ O PSICÓLOGO DO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ÁLCOOL E DROGAS (CAPSAD), PAULO QUINDERÉ. ELE ESCLARECE, AINDA, OUTRAS DÚVIDAS SOBRE O CONSUMO DE DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS.

Alexsandra Montenegro

Foto: Internet

ENTREVISTA

Crack: a droga da vez Focas - Como você define droga? Quinderé - É toda e qualquer substância, natural ou sintética que, introduzida no organismo, modifica suas funções. O termo droga envolve os analgésicos, estimulantes, alucinógenos, tranquilizantes e barbitúricos. Além do álcool e substâncias voláteis. Focas – E onde elas podem ser encontradas? Quinderé - As drogas naturais são obtidas, através de determinadas plantas; de animais e de alguns minerais. Exemplo à cafeína (do café), nicotina (presente no tabaco), o ópio (na papoula) e o THC tetraidrocanabinol (da maconha). As drogas sintéticas são fabricadas em laboratório. Focas - Como as drogas são classificadas? Quinderé - As drogas estão classificadas em três categorias: as estimulantes, os depressores e os perturbadores das atividades mentais. As psicotrópicas são as drogas que afetam o Sistema Nervoso Central, modificando as atividades psíquicas e o comportamento. Podem ser usadas por injeção, inalação, via oral, injeção intravenosa ou aplicada via retal (supositório). Focas - Pode-se dizer que é em busca por momentos felizes que as pessoas usam drogas? Quinderé - As pessoas não buscam apenas felicidade nas drogas. São vários os sentidos e significados relacionados ao uso delas. Muitas das drogas podem ser utilizadas sem trazerem malefícios. Uma dose de álcool consumida diariamente pode trazer benefícios ao sistema circulatório humano. A maconha é utilizada de maneira terapêutica em muitos países do mundo. Sem falar nas propriedades anestésicas do ópio e seu derivado, a morfina. Focas - Como se passa de um consumo esporádico, que é benéfico, para o uso exagerado? Quinderé - A frequência de uso de uma dada

droga depende de vários fatores: a disponibilidade da droga, o efeito da substância no organismo... Se ele tem um efeito rápido ou prologado. Está associada também à forma de uso. A cocaína em pó aspirada (e de qualidade), por exemplo, leva certo tempo fazendo efeito no organismo humano; de 2 a 4 horas. Já o crack (forma fumada de cocaína) tem ação rápida e seu efeito passa logo, podendo levar o usuário a ter um padrão mais compulsivo de uso (maior frequência). Focas - Que danos elas podem causar? Quinderé - Problemas pulmonares, complicações urológicas, complicações gastrointestinais, indução de estados psicóticos, síndrome de abstinência... Há estudos que relatam que o uso da maconha pode afetar a memória de curta duração. Aquela memória que está relacionada a fatos recentes. A pessoa não se concentra e acaba esquecendo. Focas - Mas a maconha é uma droga mais leve, não? Quinderé - O fato de uma droga ser considerada leve tem relação com o potencial de levar a uma dependência e, claro, o potencial danoso ao indivíduo e à sociedade. As duas drogas que mais causam problemas de saúde no mundo são o álcool e o cigarro. O álcool está associado à maioria das causas mortis por agentes externos. Assim como, o cigarro. A nicotina pode ser comparada à heroína por se adaptar muito rapidamente e estabelecer logo uma tolerância. Focas - Como assim? A nicotina é semelhante à heroína? Quinderé - Ah, o organismo humano se adapta rapidamente à nicotina e precisa de doses cada vez maiores para se obter os mesmos efeitos... Além disso, a situação piora pelo fato de o tabaco ser uma substância de fácil acesso, barata,

legal e com pouco controle social sobre o seu consumo. Focas - É fácil identificar alguém que usa drogas? Quinderé - As características de um usuário de drogas são as mesmas de qualquer outra pessoa. O problema é exatamente o estigma e o preconceito que a sociedade exerce em relação ao usuário que o transforma num desviante social; o excluindo e o afastando... Fazendo com que esta pessoa passe a ter comportamento diferenciado e tendo uma reação à exclusão que é normal. Focas - O senhor pode explicar melhor... Quinderé - É bom diferenciar o que é um usuário de drogas (seja ela lícita ou ilícita) de alguém que é dependente. O comportamento dependente, este sim tem características que dificultam o funcionamento do cotidiano do individuo. A relação deste usuário com a droga se dá de forma desorganizada e destrutiva. Focas - Há como reverter este quadro? Quinderé - Quando o usuário quer se tratar! Uma das características que classifica a pessoa como dependente químico é o fato de ela continuar usando a substância, mesmo sabendo dos impactos negativos da sua relação com a droga... Bem, a entrevista motivacional é uma técnica cognitiva comportamental com bons resultados na abordagem a pessoas com problemas relacionados ao uso abusivo de drogas. Mas o fator primordial é a vontade de querer abandonar o vício.

Paulo Henrique Quinderé é graduado em Psicologia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mestre em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará (Uece) e doutorando em Saúde Coletiva (Uece/UFC).

Hoje, a sociedade sente o peso dos efeitos catastróficos que o uso indevido e indiscriminado das drogas pode fazer a uma pessoa e à sua família. O balanço das consequências é devastador e difícil de reparar seus danos. O que vemos hoje é o terror nos olhos do usuário do crack, o suicídio nas atitudes desatinadas e inconsequentes dos usuários do LSD e do ecstasy (alucinógenos sintéticos que permanecem na corrente sanguínea por mais de cinco anos, causando lampejos de alucinações). O usuário começa na maioria dos casos pela maconha, passa pela cocaína, a heroína, segue com uma série de outras substâncias e termina de diversas formas: vagando pelas ruas como indigentes, vítimas de esquizofrenias e amnésias, internações em clínicas de desintoxicação ou manicômios psiquiátricos, e por fim a morte por fatores diversos associados ao vício. Um dos aspectos pouco explorados pela sociedade no que se refere ao uso de drogas e que acontece com muita frequência é a co-dependência familiar. Ao descobrir que um membro da família é viciado em drogas, certas vezes, a família se torna dependente também. Ao ter que dar mais atenção à pessoa, a situação do parente se torna o principal motivo de vida dos entes, o que dificulta o quadro do usuário ainda mais, pois, mesmo que ele queira se distanciar da droga, a tarefa fica mais difícil devido à pressão familiar que ele acaba exercendo por sua doença. Vivemos num mundo caótico e a droga é uma das principais vias de acesso ao crime. Ela altera o caráter e marginaliza o indivíduo que se exclui e é excluído do convívio social sadio e se coloca à margem da lei. Embora exista uma legislação em vigor que prevê penalidades para a questão das substâncias que causam dependência física e psíquica, ainda é difícil imaginarmos quando isso irá terminar. A defesa segura que temos em mãos no momento é a prevenção: protejam seus filhos e sua casa, estejam sempre alerta a tudo. O mal vem de onde menos se espera e um momento de distração pode por vidas a perder.

Unidades de Atendimentos Leão de Judá Ceará Rua Lobo do Mar n° 76 - Parque Leblon Telefones: 85 8742.4224 ou 8861.3490 CAPS Álcool e Drogas Rua Manoel Firmino Sampaio, nº 311 Parque do Cocó (85) 3105.1625 ou 3452.2451 Serviço Hospitalar de Referência em Álcool e Drogas Unidade de Desintoxicação Rua Barão do Rio Branco, nº 20 - Centro (85) 3455.9130


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Focas e a Saúde Jornal Laboratório

QUESTÃO DE PESO

Você é o que você come MAIS DA METADE DOS FORTALEZENSES TEM SOBREPESO. MUITOS INSISTEM EM DIETAS MILAGROSAS E EM AUTOMEDICAÇÃO PARA ENCONTRAR O PESO IDEAL Foto: Marcília Sousa

Inibidores de apetite ou dieta saudável: a busca pelo corpo ideal De acordo com Myrian Fragoso, nutricionista e coordenadora do Núcleo de Nutrição Marcília Sousa Renato Freire do Nami (Núcleo de Atenção Médica Integrada), não só o que e quanto comemos influencia no ganho de peso. Uma vida sedentária onsiderada uma das doenças da mo- também é um dos grandes fatores que ocadernidade, a obesidade pode ocasio- sionam o sobrepeso e a obesidade. nar outros problemas de saúde que “A obesidade e o sobrepeso são causados intensificam a situação do obeso, como hi- por um estilo de vida inadequado provocado pertensão, diabetes, etc. E essa é uma reali- por grande inatividade física, pelo consumo dade que está se tornando cada vez mais co- de bebidas alcoólicas, através do processo de mum não só nas grandes metrópoles, mas no industrialização dos alimentos, a mídia, enBrasil todo. tre outros.”, ressalta Fragoso. De acordo com a pesquisa da Vigilância A nutricionista adverte que muitas pessode Fatores de Risco e Proteção para Doenças as em condição de obeso ou sobrepeso proCrônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), curam por remédios, “dietas milagrosas” ou realizada em 2011 pelo Ministério da Saúde, qualquer coisa que os faça perder peso de 54% dos fortalezenses possuem sobrepeso e forma rápida. Mas essa prática não é sau15,8% são obesos. dável. “Em uma dieta não existe nada de Um dos maiores fatores que ocasiona esse milagroso, existe a formação de um hábito sobrepeso é a mudança dos hábitos alimen- alimentar.”. tares, a necessidade de se alimentar com proPessoas na condição de obesos ou sobredutos industrializados devido à falta de tem- peso, devem abrir mão de dietas ditas “milapo do cidadão que passa o dia fora de casa e grosas” e procurar a reeducação alimentar do o costume de comer em fastfoods. seu organismo. “Esse tipo de dieta funciona Uma pesquisa feita pela Shopper por apenas um curto período de tempo, pois Experience, empresa que atua em pesquisa ela sempre acaba restringindo algum tipo de de mercado e marketing, diz que 74% da grupo alimentar, como a gordura e o carboipopulação brasileira prefere frequentar drato, e não supre as necessidades diárias do fastfoods a restaurantes tradicionais, organismo.”, adverte. comprovando, assim, a mudança da cultura Para um individuo perder dois quilos por alimentar do brasileiro.

C

O Despertar para uma nova vida As pessoas com excesso de peso sabem o quanto a gordura atrapalha nosso cotidiano e principalmente a saúde. Algumas pessoas não se incomodam, mas grande parte sim, sempre preocupadas com os seus quilinhos a mais. Com Sabryna não foi diferente. Em junho de 2010, pesando 100 kg, Sabryna iniciou o árduo processo de emagrecimento. Começou da forma mais natural possível, já que todas as dietas anteriores foram a base de inibidores de apetite. “Hoje percebo que tomar essas drogas é o maior erro que uma pessoa pode cometer”, conta. A base da dieta passou então a ser a diminuição do consumo de alimentos calóricos e a ingestão de refrigerantes, principalmente nas refeições. Com vergonha de ir à academia, a estudante passou a fazer exercícios físicos de forma leve

usando uma bicicleta ergométrica e fazendo caminhada de domingo a domingo. Apesar da dificuldade de fazer seu organismo entender que aquela quantidade de comida não seria mais ingerida, ela não desistiu. Com o passar dos meses e percebendo a mudança no corpo, Sabryna entrou na academia e foi a partir desse momento que a sua vontade de chegar ao peso normal aumentou. “Eu pesava 100 kg e isso era muito além do que o meu corpo suportava. Fiz a combinação exata de atividade física e dieta de baixa caloria. Os resultados foram excelentes.”, relata. Hoje, dois anos depois do início da dieta, Sabryna ainda caminha em busca do peso ideal, procura viver normalmente sem aquela fixação de que precisa perder peso. “Preciso amar meu corpo, minha saúde e entender que essa meta só eu posso alcançar.”, ensina.

mês, é necessário que ele diminua 500 calorias todos os dias de sua alimentação. Uma diminuição superior a essa quantidade é severa demais para o corpo entender e suportar. Mas nem tudo está perdido. Sabryna Estanek (28), cansada da luta incessante com a balança, conseguiu emagrecer 26 kg sem precisar do auxilio de remédios ou dietas drásticas. Priorizando a qualidade de vida, ela passou a buscar o ideal de saúde combinando alimentação equilibrada com atividade física frequente. “No começo de 2011, melhorei minha alimentação. Em abril, entrei na academia e estabeleci um ritmo sem pressão para não desanimar. É importante manter o foco, a disciplina e não desistir.”, Sabryna explica. Muitas pessoas interpretam o obeso como alguém sem força de vontade, que encontra-se na condição de excesso de peso porque simplesmente não conseguem controlar a vontade de comer. Acontece que o processo de emagrecimento não ocorre assim de forma fácil. O tratamento médico e a ajuda de um especialista são uma boa alternativa para perder peso de forma saudável. endocrinologistas e nutricionistas podem auxiliar e orientar na busca pela perda de peso e por adquirir bons hábitos alimentares.

Meu corpo pede calma Anna Glecya Rodrigues

Sempre fiz atividade física e de repente descubro que estou grávida! Vaidosa como sempre, fiz de tudo para não engordar, mas, paranoica como sou, chorei cada mês que chegava achando que não voltaria a meu corpo jamais. Após oito dias de ter dado a luz ao Isaac e louca pra voltar à forma, fui logo me sufocando com uma cinta P. Claro que fiquei dormente o dia inteiro e com a cabeça latejando. Mas tudo bem... O que eu não faria pra não quebrar a barriga? Para completar minha paranoia, eu amamentava e não comia bem pra não engordar. Imaginem o que aconteceu. Fui parar no hospital com hipoglicemia em alto grau, febre, um peito pedrado inchado altamente dolorido e o outro vazando pra todos os lados. Doidaaaaa!!! Fiquei fraca, magra e tão seca que quebrei todos os espelhos da casa. Por um instante achei que ia morrer. Pensei em meu filho e passou um filme estranho vendo meu bebê sendo criado por outras pessoas. Foi horrível, chorei dois dias sem parar. Mas foi, a partir dessa minha loucura que, além de respeitar o resguardo, eu respeitei o limite do meu corpo, o meu limite! Curti meu filho, um bebê recém-nascido que precisava de uma mãe forte e viva ao lado dele. Aproveitei todos os momentos e vi que era loucura cobrar um corpo perfeito logo após uma gravidez e principalmente uma cesariana. Após três meses me recuperei do resguardo, voltei a malhar calmamente e coloquei na cabeça que eu era de novo uma iniciante e estava pronta pra começar tudo do zero. Um ano e meio depois voltei à minha forma totalmente e para minha alegria voltei ainda melhor do que antes. Detalhe, sem tanta tortura, inibidores de apetite, regimes loucos, sem paranoias. Só malhando, equilibrando a alimentação e com muita determinação de que, se eu realmente quero um corpo perfeito e saúde pra ter condições de cuidar do meu filho, eu preciso de nada mais do que paciência pra malhar dia após dia dentro dos meus limites. Hoje, percebo que dá pra ficar em forma depois da gravidez. É uma questão de tempo.

Foto: Arquivo pessoal

Sabryna: à procura pelo peso ideal, mas sem viver obcecada com a balança


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QUESTÃO DE PESO

Obesidade infantil cresce no Brasil 20% DAS CRIANÇAS BRASILEIRAS SÃO OBESAS. HÁBITOS ALIMENTARES CONTRIBUEM PARA ISSO Leidiane Cavalcante

A

obesidade infantil vem crescendo no Brasil e nos últimos 20 anos aumentou cinco vezes, atingindo cerca de 20% das crianças brasileiras. Segundo o Instituto Brasileiro Geográfico e Estatístico (IBGE), uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso. Os hábitos alimentares e a falta de exercício físico são os principais causadores. Esse excesso de peso pode levar as crianças a grandes problemas de saúde como diabetes, problemas cardíacos e má formação do esqueleto. O “corre-corre” do dia a dia e as diversas opções de comidas muito fáceis e rápidas fazem com que os pais se alimentem errado e os filhos também. O hábito de deixar as crianças em casa em frente a um computador ou videogame, sem praticar nenhum exercício físico, contribui para o ganho de peso. Com a cozinha cheia de guloseimas, elas não comem nenhuma fruta. O estresse do dia a dia faz com que as

crianças tenham problemas psicológicos. Ficar muito tempo dentro de casa (porque não tem quem as leve para passear ou porque é perigoso sair) faz com que elas vivam a rotina dos pais. Para a endocrinologista Annelise Barreto de Carvalho, a sociedade está vivendo dessa maneira. “O pai é obeso e o filho pode ser obeso pelo fator genético ou porque come errado igual ao pai.”, diz Annelise . A classe mais baixa está com o índice de obesidade assustadora, as crianças têm acesso a alimentos hipercalóricos e não nutritivos. Por custarem barato, o acesso ficou mais fácil. De acordo com a endocrinologista para uma criança manter a sua alimentação equilibrada, ela precisa comer, por dia, 2 a 3 porções de vegetais; frutas 1 a 3 vezes; peixe, frango ou ovos que são proteínas saudáveis; leite e derivados, duas vezes. Deve-se comer com moderação carne vermelha e manteiga, doces, chocolates, pão, arroz branco e massas. Beber bastante água durante o dia e fazer exercícios diariamente. Os exercícios podem ser aqueles que as crianças tenham prazer em fazer, pelo menos três vezes por semana. Uma dieta base-

Foto: Arquivo pessoal

ada como essa foi passada para a pequena *Beatriz, de apenas 10 meses que pesa 12 quilos e 600 gramas. Com 4 meses a menina começou a engordar, apenas mamando. Sua mãe, a operadora de cobrança *Liliane Santos (31) conta que a menina foi ganhando peso. “Dos cinco para os seis meses eu comecei a dar mingau a ela, pois ela não se conformava só com o leite do peito”, conta. Liliane levou a garota ao médico que passou uma dieta. O peso da menina estabilizou, mas hoje ela tem dificuldade para engatinhar, levantar e transpira muito. A mãe preocupada segue à risca a dieta passada pela médica, a fim de que dê resultado. Uma criança na idade de Beatriz precisa comer de três em três horas. Às 8h, a garota come uma fruta amassada, 12h toma uma sopa de legumes com carne seca ou peito de frango, às 15h um suco de frutas ou fruta amassada, 18h outra sopa e a cada intervalo uma mama.

*Nome fictício para preservar a identidade da fonte.

“Com 4 meses, Beatriz já pesava 6 kg”, conta a mãe Liliane Santos

Obesos têm assentos reservados no transporte público FORTALEZA POSSUI 54% DA POPULAÇÃO COM SOBREPESO. 850 ÔNIBUS E 116 TOPICS DO SISTEMA COMPLEMENTAR CIRCULAM COM A ESTRUTURA DE ACESSIBILIDADE Marcília Sousa

Diante dessa nova realidade para população obesa, o engenheiro Antônio Ferreira acredita na importância das pessoas para cumprimento da lei e melhoria da mobilidade nos transportes públicos.

“A gente pede também para que as pessoas com mobilidade reduzida façam valer o seu direito. Já que esses acentos foram feitos para essas pessoas, é direito delas.”, afirma o engenheiro chefe Antonio Ferreira. Foto: Marcília Sousa

O

Brasil possui altos índices de população com excesso de peso e, em Fortaleza, não é diferente. 54% dos fortalezenses possuem sobrepeso e 15,8% são obesos, de acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, realizada em 2011 pelo Ministério da Saúde. O que antes predominava nos países desenvolvidos, a obesidade, hoje, afeta parcelas cada vez mais crescentes dentro das populações pobres. Dessa forma, pensando nessa população que se desloca diariamente nos transportes coletivos, é cada vez mais necessário que a frota seja preparada para receber essa demanda de usuários. De acordo com Antonio Ferreira Silva, engenheiro chefe da Divisão de Planejamento de Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), atualmente 850 ônibus e 116 topics do sistema complementar circulam com a estrutura de acessibilidade, equipados com elevador para cadeirantes; espaço para deficientes

visuais e cão-guia e cadeiras acolchoadas para obesos. Até dezembro de 2014, toda a frota de transporte coletivo deve estar adaptada. Segundo a lei municipal 7.163/92, que regulamenta o transporte coletivo, a pessoa com obesidade deve ter o acesso facilitado no transporte coletivo, subindo pela porta dianteira e utilizando o acento preferencial. “A Norma 14022 dita sobre os acentos preferenciais no transporte coletivo. Para o obeso, transformaram o acento duplo em um só. É um banco específico, acolchoado e preferencial para pessoas obesas.“ diz Ferreira. A Etufor disponibiliza aos usuários através de seu site oficial, os horários de todas as linhas de ônibus que são adaptadas. Ao acessar o site é possível ver se a linha desejada tem a estrutura de acessibilidade e os horários desses ônibus, fazendo com que os passageiros possam se programar com os horários. Quem não tem acesso ao recurso da internet pode entrar em contato com o órgão.

Capacitação Cursos de capacitação são realizados constantemente, através da Etufor, para que motoristas e cobradores sejam orientados a informar os usuários sobre o uso correto dos acentos e os direitos de quem possui mobilidade reduzida. O motorista Antonio Erivan explica como fala aos passageiros “A gente tem que saber pedir, tem que saber lidar com pessoas. Eu sempre peço a colaboração dos usuários. Falo que as cadeiras preferenciais são um direito das pessoas especiais e os outros passageiros sempre me apoiam.”, diz.

850 ônibus e 116 topics já circulam com as cadeiras acolchoadas para obesos


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QUESTÃO DE PESO

Quando a briga com o espelho vira um transtorno alimentar Victória Rocha

Q

uantas vezes nos olhamos no espelho e não ficamos satisfeitos com o que vemos? Quantas vezes, vendo TV ou conversando com amigos, achamos que nosso corpo é inadequado? Desde pequenos buscamos nosso lugar na sociedade, desejamos aceitação. Mas até que ponto essa busca é saudável? Para a aluna de ciências contábeis, Rebeca Coelho (20), que sofreu com a bulimia aos 14 anos, a busca por aceitação deixa de ser saudável quando o emagrecimento e a sensação de se sentir bonita se tornam um vício capaz de fazer você desconsiderar a própria saúde. “É viciante você ver o resultado, ver que tá ficando bem. Principalmente, a mulher que liga muito pra estética, pro físico, pra aparência. Tem muito a ver com a mídia, porque ela define um padrão de beleza e na minha época era [um padrão] magro, esquelético.”, diz Rebeca, fazendo referência ao que sentia. Os chamados transtornos alimentares, ou transtorno da percepção corporal, atingem principalmente crianças e jovens do sexo feminino e se caracterizam por fazer com que as jovens tenham uma visão errada do seu próprio corpo, acreditando sempre que estão “gordas”, mesmo quando isso contrasta com a realidade. Entre esses transtornos, estão as clássicas anorexia e bulimia. Segundo José Carlos Appolinário, membro do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro), e Angélica M. Claudino, membro do Programa de Orientação e Assistência aos Transtornos

Alimentares do Departamento de Psiquiatria (Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo), a anorexia geralmente ocorre na adolescência e se inicia pela restrição de alimentos considerados “engordantes”, como os carboidratos e acaba por restringir todos os outros grupos alimentares. Já a bulimia, geralmente apresenta-se em mulheres jovens e adolescentes e é caracterizada por episódios de compulsão alimentar seguidos da indução ao vômito. Ambos apresentam visão deturpada do corpo, medo mórbido de engordar, prática excessiva de exercícios físicos e métodos inadequados de expurgação. A nutricionista e coordenadora do setor de nutrição do Núcleo de Atenção Médica Integrada (Nami) da Universidade de Fortaleza (Unifor), Myrian Fragoso, alerta para os sintomas que devem ser observados em pacientes com suspeita de transtorno. “Uma coisa comum a todos eles [transtornos] é o aspecto emocional muito forte e uma autoavaliação, a partir do peso e da forma corporal.”, explica.

Tratamento O médico cearense, PhD em psiquiatria e orientador do Centro de Tratamento de Transtornos Alimentares (Cetrata) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fábio Gomes de Matos e Souza, afirma que os principais fatores ocasionadores de transtornos são psicológicos e sociais. “O tratamento é basicamente psicológico. A doença é tratada com essa percepção de que eu tenho que estruturar meu mundo de forma diferente. A sociedade, a família e os amigos são extremamente importantes nesse processo.”. Explica o psiquiatra, que informa, ainda, que apenas os sintomas secundários (ansiedade, depressão) são tratados com medicamentos.

Foto: Victória Rocha

Rebeca Coelho, hoje, já livre da bulimia No tratamento nutricional, Myrian Fragoso destaca duas fases importantes: a educacional, feita a partir da coleta e transmissão de informações e a fase experimental, que se dá com o trabalho do nutricionista para que o paciente perceba que situações desencadeiam o sintoma do transtorno e aprenda a dissociar o sentimento ou emoção dele do comportamento alimentar. “Nessa fase só um nutricionista treinado em transtorno alimentar consegue identificar. Tem que ter o treinamento e a vivência em uma equipe, porque esse vai ter objetivos mais terapêuticos”. Esclarece a nutricionista a respeito da responsabilidade e capacitação que o profissional deve ter na fase experimental do tratamento.

Cálculo IMC Calcular peso ideal, através do Índice de Massa Corporal (IMC), é uma das formas para se obter um indicativo de que você está acima ou abaixo do peso ideal, de forma simples e rápida. Desevolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o cálculo do peso ideal é feito utilizando a fórmula:

Peso (em quilos) IMC = Altura x altura (em metros)

IMC Menor que 18,5 18,5 – 25 25 – 30 30 – 35 35 – 40 Maior que 40

Classificação Excesso de magreza Peso normal Excesso de Peso Obesidade (Grau 1) Obesidade (Grau 2) Obesidade (Grau 3)

PERFIL Pazes com o espelho Filha de pais separados, estudiosa, decidida e divertida. Rebeca era o que se consideraria uma criança “normal”. Mas seu corpo sempre foi motivo de reclamação por parte dela, que se considerava baixa e gordinha. Porém, na infância, o peso não chegava a ser uma de suas grandes preocupações. Com a chegada da adolescência, no entanto, chegaram também as inquietações, a necessidade de se encaixar, a cobrança e os comentários daqueles que eram mais próximos a respeito de seu peso. “Lembro muito da minha madrasta falar que eu tava gorda e a gente ir comprar roupa com meu pai no fim do ano e nunca dar certo. Era muito ruim passar por isso.”, diz ela a respeito da frustração que sentia com o peso. O padrão era magro e ela não estava inserida nele. As dietas, feitas por conta própria ou indicadas por pessoas que nada tinham a ver com a nutrição, não surtiam efeito e o próprio corpo passava agora a ser seu grande inimigo. Por volta dos 14 anos, ao acaso, em uma brincadeira com uma das irmãs mais velhas durante as férias na casa do pai, Rebeca descobriu a “facilidade” de poder comer tudo o que tinha vontade e depois se desfazer do que poderia aumentar seu peso. “Eu comecei a forçar o vômito. Eu sentia muita fome. Comia até encher a barriga, bebia água e depois forçava. Eu sabia que não fazia bem pra mim, mas eu queria emagrecer.”, revela. Começava aí a bulimia e os episódios se tornaram frequentes. Era uma maneira de diminuir a culpa por ter comido “besteira”. Após pouco mais de seis meses, Rebeca contou ao namorado o problema pelo qual estava passando. A preocupação dele e os avisos que o corpo começava a dar (estava muito magra e o organismo já começava a rejeitar todo tipo de comida) fizeram com que ela lutasse contra a bulimia. O processo não foi fácil, mas o apoio e as frases de incentivo daqueles que diziam que ela estava ótima começaram a fazer com que ela aceitasse o próprio corpo e evitasse dia após dia a indução ao vômito. Hoje, com 20 anos, 1.67m de altura e 63 kg, Rebeca conta que procurou uma nutricionista e buscou se alimentar de forma balanceada. Ela afirma que, às vezes, se sentir culpada pelo que come ainda é inevitável, mas o amadurecimento a faz lembrar que se enquadrar nos padrões ditados pela sociedade não é tão importante.

Atendimento Gratuito • Cetrata Toda terça-feira pela manhã Telefone: 3366-8149 • Nami Toda segunda e quarta à tarde Telefone: 3477-3621


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QUESTÃO DE PESO

O que é ser vegetariano? MAIS DO QUE UM HÁBITO ALIMENTAR, UMA LUTA A FAVOR DOS ANIMAIS E DA TERRA Foto: Renato Freire

Carnes e frutas e verduras: O hábito de comer carnes tem previsão de aumento para os próximos 10 anos

Renato Freire

T

alvez poucos tenham parado para pensar que a carne que consumimos é produzida através de animais criados especialmente para abate e que essa produção causa grandes impactos ao meio-ambiente, como o desmatamento e o aumento do buraco na camada de ozônio. São essas as principais queixas de quem faz a opção do vegetarianismo – hábito que se divide, basicamente, em dois: ovo-lacto vegetariano, no qual não se ingere carne, mas inclui derivados lácteos e ovos; e o vegano ou vegetariano estrito, que exclui qualquer tipo de alimento procedente de animais. O agronegócio é um setor que, desde os anos 70, continua em constante crescimento no Brasil. A produção de carnes, então, possui expectativa de grande aumento para os próximos 10 anos. Segundo estudo realizado pela Assessoria

de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, o consumo de carnes, principalmente a do frango, deve crescer. Por outro lado, segundo pesquisa feita entre agosto de 2009 e julho de 2010, o IBOPE comprovou que 9% da população brasileira já era adepta do vegetarianismo. O que significa que 17,5 milhões de brasileiros aderiram a esse tipo de alimentação.

Saúde Além da proteção ao meio-ambiente e aos animais, a dieta vegetariana proporciona uma vida mais saudável. É o que comprova a nutricionista Anna Araújo Anderson. “Existem muitos estudos indicando que a inclusão de fontes vegetais na alimentação protege o ser humano contra muitas doenças crônicas, ao mesmo tempo em que há estudos que relacionam a ingestão de carne vermelha com o risco de desenvolver as mesmas”. Mas, a nutricionista alerta que esse hábito só será mais saudável do que

a dieta onívera (come carne e vegetais), se for balanceada, ou seja, abrangendo todos os nutrientes necessários para uma boa saúde. Ana Rachel, 20 anos, nunca possuiu acompanhamento nutricional, mas pesquisa bastante na internet sobre as deficiências nutricionais do hábito, o que faz com que seja ovo-lacto vegetariana a 5 anos e meio. Apaixonada por doces e massas, Rachel, normalmente, almoça arroz e feijão, e como passa o dia fora de casa, acaba lanchando algum salgado de queijo. Ao contrário do que alguns pensam, com uma alimentação balanceada, quem é ovo-lacto vegetariano consegue suprir todos os nutrientes para uma alimentação saudável. Para os veganos, o único nutriente que sua alimentação não cobre é a vitamina B-12, pois sua única fonte é animal. De acordo com Anna Araújo, é importante o vegetariano fazer “exames laboratoriais para saber se existe carência (nutricional) e suplementar através de suplementos específicos”, afirma.

TIPOS DE VEGETARIANISMO Basicamente, os tipos de vegetarianismo mais comuns são o ovo-lacto-vegetariano e o veganismo, mas existem outros tipos menos comuns. Ovo-lacto-vegetariano: Não consome nenhum tipo de carne, mas pode consumir produtos de origem animal como ovos, leite e derivados. Lacto-vegetariano: Não consome carne, mas come leite e derivados Ovo-vegetariano: Não inclui carne, mas ingere ovo. Veganismo: Excluem todo e qualquer produto de origem animal, seja ele alimento ou até mesmo vestimentas. Frutarianismo: Nessa dieta, a alimentação é baseada em frutas em geral, cruas ou cozidas. Flexitariano: Funde os conceitos vegetariano e flexível, pois seus adeptos se alimentam de vegetais, mas se permitem em determinados momentos comer carne. Crudivorismo: Só permite o consumo de alimentos crus.

PERFIL Apaixonada por animais “Não é muito difícil manter consumo ideal diário de proteínas, não preciso tomar suplementos nem nada. Arroz e Feijão já possuem todos os aminoácidos necessários e nem precisam ser ingeridos em grande quantidade, como a maioria pensa. Soja também é muito rica em proteínas, tanto que é a ração preferível para se alimentar gado.” Ana Rachel Vidal, 20 anos, estudante de medicina veterinária na UECE, explica que a dieta vegetariana pode ser fundamental para a saúde. Rachel nunca gostou muito de carne vermelha e decidiu se tornar vegetariana, principalmente, depois de assistir o documentário A Carne é Fraca do Instituto Nina Rosa. Por ser estudante de veterinária, já se percebe que ela leva a sério a causa e se diz apaixonada por animais. Como possui uma vida corrida e estuda na UECE, ela acaba se alimentando por lá, mesmo sem muitas opções de alimentos sem carne. Rachel diz que os supermercados, geralmente, possuem comidas sem carne e de soja, e, acaba que a compra desses alimentos fica mais barata financeiramente. Mas, por outro lado, ainda é difícil conseguir comida rápida sem carne. Alguns amigos da sua idade admiram e queriam conseguir deixar de comer carnes, outros, principalmente mais velhos, estranham e criticam o seu hábito. Por essa e outras coisas Rachel diz que “os animais não foram feitos para servirem aos latifundiários”. Ressaltando, ainda, não ser um sacrifício para ela deixar de comer carnes, é, além de tudo, uma escolha alimentar saudável e uma proteção aos animais e ao meio-ambiente.

Dieta balanceada vegetariana Para quem é vegetariano ou pretende ser, a nutricionista Anna Araújo preparou uma dieta balanceada ovo-lacto vegetariana diária, o que acaba não sendo muito diferente do que uma alimentação onívera deveria ser, só não se inclui carnes. Desjejum: • Vitamina de leite de soja com banana + aveia, granola e linhaça. • Sanduiche de pão integral com queijo branco, tomate e orégano e azeite de oliva extra virgem. Lanche: • Barra de cereal e castanhas + 1 copo de suco de cenoura com laranja. Almoço: • Almôndegas de soja ao molho de tomate + arroz integral + feijão verde com jerimum + purê de batata doce + salada crua e legumes ao vapor com azeite de oliva. Sobremesa: • 2 fatias de abacaxi. Lanche: • Cookies integrais com suco de uva. Jantar: • Omelete de legumes e salada verde. Ceia: • 1 copo de leite de soja com achocolatado orgânico.


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Focas e a Saúde Jornal Laboratório

SOLIDARIEDADE

Peter Pan: tratamento que cura VOLUNTARIADO, DOAÇÕES E BOA VONTADE PERMITIRAM QUE O HOSPITAL ATENDESSE CERCA DE 2 MIL CRIANÇAS E ADOLESCENTES Fotos: Focas e a Saúde Danielle Oliveira Jorsandra Cunha Larissa Cavalcante Mariana Freitas Naiara Julião

O

Instituto Peter Pan é uma entidade sem fins lucrativos, sem caráter religioso ou partidário. Atualmente, ele assiste cerca de duas mil crianças e adolescentes com câncer, assim como, suas famílias. O projeto nasceu a partir de visita de voluntários ao Hospital Infantil Albert Sabin em 1996. Com parceria do Instituto Ronald Mcdonald e sendo beneficiado pela campanha Mc Dia Feliz de 1999 e 2000, a Associação Peter Pan conseguiu construir o Hospital Peter Pan. No hospital é realizado o serviço de quimioterapia, atendimento social das crianças, adolescentes e familiares. O atendimento das crianças no instituto é dividido em três ações: tratamento especializado, atendimento humanizado e diagnóstico precoce. O hospital conta com o trabalho de voluntários e recebe profissionais do centro pediátrico do Hospital Infantil Albert Sabin. “Me interessei em conhecer o Peter Pan quando vi o trabalho de umas amigas aqui no hospital. Resolvi ser voluntária e estou adorando. Trabalho aqui às quartas e sextas pela manhã.”, relata Juliana Marques, voluntária e aluna de serviço social da Universidade de Fortaleza (Unifor). Renata de Lima, assessora de comunicação do hospital, explica que a maioria dos atendimentos realizados é feito em crianças de outros estados. Nesses casos, o paciente fica internado no próprio hospital e seus familiares podem ficar hospedados para acompanhá-los. Francisco Junior* veio de Belém do Pará para acompanhar a neta no tratamento contra o câncer. Francisco conta que os médicos de um hospital do Pará revelaram que a chance que a criança tinha de viver era de 10%, devido à gravidade da doença. Ele não desistiu e se mudou para Fortaleza com a filha e a neta, quando soube do trabalho realizado pelo Peter Pan. Lá, a criança realizou o tratamento durante 5 anos e se curou do câncer. Hoje, ela vai mensalmente ao hospital apenas para um acompanhamento padrão. O avô contou a história, emocionado, e comentou: “O Peter Pan salvou a minha neta, a minha guerreira.”. *Nome fictício para preservar a identidade da fonte.

Estudantes da FaC vivem um dia de voluntariado no Hospital Peter Pan que trata crianças e adolescentes com câncer

Amigas voluntárias As alunas do curso de jornalismo, Danielle Oliveira, Naiara Julião, Larissa Cavalcante, Mariana Freitas e Jorsandra Valéria, resolveram sentir um pouco da experiência de passar um dia como voluntárias do Instituto Peter Pan. Para elas o dia foi inesquecível, maravilhoso e as crianças eram meigas e atenciosas, sendo ótimo levar alegria e diversão para o local. Realizaram brincadeiras, pinturas e contaram histórias infantis. As jovens universitárias afir-

maram que a experiência é única e que todos deveriam experimentar. Para ser um voluntário é necessário ir ao centro pediátrico, falar com Luciana Silva, diretora e assistente social do instituto, para saber como funciona o voluntariado. Também é preciso ter vontade de ajudar, de levar amor e carinho para as crianças e ter disposição de horário. Além de voluntários, o Instituto Peter Pan re-

cebe doações que podem ser feitas em boleto bancário, doações de restituição do imposto de renda (informações pelo número 4008-4104) e notas fiscais. Com a ajuda, através de doações de notas fiscais, o Hospital Peter Pan arrecadou, nos últimos cinco anos, R$ 329 mil. O Instituto tem 115 urnas espalhadas pela cidade. Você pode encontrá-las em farmácias, supermercados e nas lanchonetes McDonald’s.


Focas e a Saúde