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CIRCULANDO ANO 16 NÚMERO 404

JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVALE - ABRIL/MAIO DE 2013

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Impresso, de pano ou digital... o importante é ler Alexandrina Sant’Anna

Arquivo pessoal

Os hábitos de leitura do brasileiro estão mudando. Uma pesquisa aponta que lemos, em média, quatro livros por ano; desses, apenas 2,1 são lidos integralmente. As mulheres são as mais interessadas pela leitura. Instigados em saber como anda a questão na cidade, os repórteres Ronalt Lessa e Alexandrina Sant’Anna descobriram histórias e ações animadoras. Conheceram um jovem valadarense, de 17 anos, que pela leitura, conheceu a escrita. Ficou tão bom com as palavras que venceu um concurso de redação promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Uma iniciativa de baixo custo e de muita criatividade se destaca. Atenta à necessidade de envolver e despertar o interesse pela leitura desde os primeiros anos de vida – como orientam os especialistas - a professora de educação infantil Karla Nascimento de Almeida confeccionou livros de pano. Apesar das novas tecnologias, há quem não abra mão da leitura “no papel”. Grande parte do público da Biblioteca Municipal Professor Paulo Zappi é assim. Alguns comparecem, diariamente, para se inteirarem das notícias por meio dos jornais e revistas; outros preferem locar um bom livro para degustarem no conforto de casa. E você, está esperando o quê para colocar a leitura em dia? Corra para as Páginas 4 e 5 e mergulhe nesse universo fascinante.

Arquivo pessoal

Hobby que alia prazer e conhecimento

Arquivo pessoal

Ágatha Brunelly

Eles são apaixonados por objetos que, para muitos, não significam nada. Passam horas contemplando-os e se esforçam para manter tudo organizado e bem vistoso. Há os que se encantam por miniaturas de carros brasileiros, as que querem entender ao máximo de moda e os aficionados por filmes. Conheça a investida de três colecionadores da cidade que, indiretamente, ajudam a recontar a história. Página 6

Curso de Jornalismo

Muitos sofrem, poucos denunciam

Jefferson Chandle

No dia 21 de março desse ano, um caso na cidade mineira de Manhuaçu, que fica a 200 km de Governador Valadares, chamou a atenção para a proporção que atitudes ofensivas via internet podem tomar. Um garoto, de 16 anos, esfaqueou o colega de sala após ser vítima de comentários homofóbicos feitos pelo adolescente, também de 16 anos, que acabou morrendo. Especialista chama atenção para a participação efetiva dos pais na vida das crianças e adolescentes para evitar ações violentas como essa. Em Governador Valadares, não existe uma delegacia especializada em crimes cometidos na rede. Para as vítimas de manifestações ofensivas, injúria ou difamação a orientação é tirar o print screen da página, registrar em cartório e, na sequência, formalizar a ocorrência na delegacia da Polícia Civil. Página 7

OPINIÃO

As quatro turmas do curso de Jornalismo estão em ritmo acelerado de produção. Os conteúdos e discussões vistos em sala de aula se transformam em matérias jornalísticas, crônicas, ilustrações, blogs e produções fotográficas. Aula magna, Ciclo de Ideias e encontros com profissionais do mercado também foram realizados recentemente. A expectativa para o fechamento do semestre recai sobre os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC’s), desenvolvidos pelo 7º período (foto), que buscam inovação e experimentação. Detalhes na Página 3.

Com a crônica “Indizível”, Vanessa Fófano, graduanda do 5º período de Jornalismo, compartilha suas angústias sobre a rotina diária, memórias de infância e as delícias de ser quem é.

Já os calouros de Jornalismo Salomão Renato Ribeiro e Lettícia Gabriella de Oliveira se desdobraram numa parceria que rendeu uma “frase ilustrada” acerca da sabedoria dos mais velhos. Confira essas produções na Página 2.


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OPINIÃO

Arquivo pessoal

CRÔNICA

Indizível VANESSA FÓFANO / 5º PERÍODO DE JORNALISMO

Acordei cedo como sempre e fui tomar meu banho. Lá fora, um grilo ainda cantava, deve ter esquecido que amanheceu. Eu também esqueço às vezes e continuo meu sono como se não tivesse que ir trabalhar. É tão cedo e eu já me preocupo com a roupa no varal, com o almoço, meus textos, trabalhos, pesquisas para fazer, amor para dar e, quem sabe, receber. Saio do banho e olho no espelho. Cabelo bagunçado e molhado, cara amassada, ainda com as marcas do lençol. Acordar é um processo. A gente se olha no espelho logo cedo sabendo que vai encontrar um estranho. Durante a noite, a gente sonha, viaja, muda... às vezes, acorda no susto ou acorda sem querer acordar, esperando encontrar no mundo real aquilo que encontramos durante a noite. Sonhos são cruéis, te decepcionam pela mentira e pela verdade, mas sair da realidade tem lá suas vantagens. O espelho está ali para mostrar que eu ainda sou eu, que não me perdi no caminho de volta para casa, que não mudei tanto assim, que acordei mais uma vez enquanto alguns não vão acordar nunca mais. Foram dormir pensando que o outro dia seria igual, que encontrariam a cara amassada no espelho, mas o que têm para hoje é o adeus.

Eu escovo os dentes, confiro se não falta nenhum. Penteio o cabelo todo embolado e lembro que preciso cortá-lo. Quando era criança cortava o próprio cabelo. Me escondia com a tesoura na mão e picava minha franja. A sensação de poder era tremenda mas quando encontrava minha mãe a empolgação diminuía. Eu a procurava para mostrar meu novo corte, orgulhosa do meu trabalho, e ela respondia minha expectativa com um castigo e um interrogatório sobre como consegui uma tesoura. Colocava a culpa nas minhas irmãs mais velhas, claro! Irmãs mais velhas servem para isso. Hora de me vestir! Mais um tempão diante da indecisão e da vontade de bater a porta do guardarroupa e pular na cama outra vez. Nada serve, nada está bom. E o que está bom quando se acorda cedo? Decido-me entre tons de cinza e estampas alegres, assim como em várias situações. Volto para o espelho. Dessa vez reconheço quem está lá ou, pelo menos, penso que sim. Passo um batom colorido para não ficar tão apagadinha e ensaio um sorriso. Lá fora, o grilo ainda canta. Grilo folgado, não precisa trabalhar e nem passar batom, deve ter esquecido que amanheceu e eu me esqueci de deixar a água do banho levar junto os meus pensamentos.

Karoline T. de Almeida (Ilustração) 7° Periodo de Design Gráfico

FRASE ILUSTRADA

Sabedoria “ O passado pode nos ser um bom professor. Só cabe a nós vê-lo com bons olhos.”

O Jornal-Laboratório Circulando é uma publicação bimestral do Curso de Jornalismo da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC). Fundação Percival Farquhar Presidente Francisco Sérgio Silvestre Universidade Vale do Rio Doce Reitora Profa. Mylene Quintela Lucca   Coordenador do Curso de Jornalismo Prof. Pedro Lucca Neto   Editora e Jornalista Responsável Profa. Fernanda de Melo F. da Silva (MG11497/JP)

Salomão Renato R. Santana (Ilustração) 1° Periodo de Jornalismo

Letícia Gabriella C. de Oliveira (Texto)

Revisão Textual Alessandra Barreto, Junio Emanoel Pereira, Kamila Subtil, Renata Alves , Zorionária Garcia (3º Período de Letras) sob a supervisão da Profª Elisângela Rodrigues Andrade Vieira Helal Editoração Eletrônica Aline Ribeiro, Andréia Márcia de Oliveira, Gisele Cunha, Karoline Almeida, Renan Duarte, Sylvia Gomes, Victor Pigoretti (Alunos do 5º e 7º Período de Design Gráfico/Univale) Impressão / Tiragem Gráfica Unidos / 500 exemplares Redação Laboratório de Jornalismo Carlos Olavo da Cunha Pereira (LabJor) Rua Israel Pinheiro, 2.000, Bairro Universitário - Campus Antônio Rodrigues Coelho - Edifício Pioneiros, Sala 4 - Governador Valadares/Minas Gerais - CEP: 35.020-220. Contato: (33) 3279-5956 / circulando@univale.br


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Experimentar e inovar

CURSO DE JORNALISMO

Clicks jornalísticos

Sob a coordenação da Professora Eliana Marcolino, os alunos do 7º período de Jornalismo vivenciam, na prática, conhecimentos sobre o jornalismo on-line. A experimentação de novas linguagens e formas de produção jornalística é feita por meio do blog Focalize, criado em parceria com o Laboratório de Design, do curso de Design Gráfico da Univale. No Focalize, os alunos exercitam a produção jornalística nas suas distintas fases: reunião de pauta, pesquisa, apuração, entrevista, fotografia, edição, revisão e postagem do conteúdo produzido.

Os estudantes do 3º período do curso de Jornalismo se aventuram, nesse semestre, no universo do fotojornalismo. Sob a coordenação da Professora Silvana Soares, semanalmente, cobrem assuntos que revelam os problemas de infraestrutura da nossa cidade, eventos culturais e esportivos, política, entre outros. Toda a produção dos universitários pode ser conferida no blog Photo Grafando: www.photografandogv.blogspot.com.br.

Conheça mais em: www.focalizeunivale.blogspot.com.br

Jefferson Chandle

TCC TCC

TCC TCC TCC TCC

TCC TCC TCC

TCC

Expectativa e muito trabalho Na reta final de concluírem o curso superior em Jornalismo, alunos do 7º período se desdobram entre a falta de tempo e o cansaço para garantir inovação e qualidade nos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC’s), conhecidos também como Projetos Experimentais. É o momento de somar os conhecimentos apreendidos no decorrer do curso e aplicá-los na criação de uma produção jornalística inédita. Nesse semestre, os alunos optaram por experimentar os seguintes produtos: site jornalístico, programa de TV, revista e documentário. A feitura dos trabalhos corre em sigilo, pois surpreender o público presente e a banca avaliadora é uma das intenções. As apresentações dos TCC’s do curso de Jornalismo estão marcadas para 20 de junho. A atividade é aberta à comunidade em geral e acontecerá no campus Antônio Rodrigues Coelho. Google Imagens

Sonhos que nos movem FRANCISLAINE RIBEIRO 1º PERÍODO DE JORNALISMO

Corremos atrás de sonhos por toda a vida. Estar em uma universidade é um sonho realizado para mim. Posso dizer que é uma espécie de portal mágico: você o atravessa e a diversidade de opiniões, idades, alegria e o conhecimento são contagiantes. Confesso que o cansaço, esgotamento físico e psicológico nos consomem. Às vezes, parecemos tão perdidos que dá até graça. Temos a impressão de que somos tão pequenos para um feito tão gigantesco. Tem um trecho de uma música do Engenheiros do Hawaii que diz que “... a dúvida é o preço da pureza, e é inútil ter certeza”. Talvez, quem sabe, sejamos tão pequenos para um mundo tão cheio de informação. Mesmo assim, de vez em quando, dá vontade de parar. Aí a gente pensa: ”Será que eu chego lá?”. Os sonhos, expectativas, entusiasmo e a busca por um futuro melhor são os motivos para prosseguir.

Dica de livro MARCELA FERREIRA 1º PERÍODO DE JORNALISMO

Recomendo a leitura do livro “O Milagre”, de Nicholas Sparks. A obra traz a história de Jeremy Marsh, um respeitado jornalista que não consegue emplacar um relacionamento afetivo que o faça feliz. Acostumado a viajar pelo mundo à procura de lendas urbanas, Jeremy parte em direção a uma cidadezinha do sul dos Estados Unidos para investigar as misteriosas luzes de um antigo cemitério escravo que teria sido alvo de uma maldição. Lá, ele conhece a bela Lexie Darnell, que irá ajudá-lo em sua fantasmagórica missão. Prestes a descobrir um segredo que poderá abalar os alicerces da comunidade, esse implacável destruidor de mitos terá de se confrontar com o único fenômeno que considera genuinamente misterioso e sobrenatural: uma paixão avassaladora. Vale a pena conferir!


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leitura

Novas formas de consu

Alexandrina Sant’Anna

ALEXANDRINA SANT’ANNA E RONALT LESSA 7º período de jornalismo

Os amantes da leitura relatam que ao ler um livro é possível dar asas a imaginação viajando para diversos lugares, aventurando-se, e para os mais ousados sentir até cheiros presentes nas histórias narradas através de suas páginas. Além de ser uma prática saudável, os leitores se apropriam de outros benefícios, dentre eles, o conhecimento que se adquire por quem tem a leitura como um hábito. Devido às muitas variedades presentes do mercado tecnológico, outro tipo de produto vem ganhando espaço: os e-books, livros eletrônicos que permitem que a leitura seja feita na tela do computador ou mesmo em aparelhos como celulares, iPads, tablets e também no moderno e sofisticado leitor de livros digitais, o Kindle. É assim que o jovem Marcus Vinicius de Freitas Silveira, de 17 anos, gosta de ler. Até porque, “o livro impresso ainda não apresenta um preço acessível à todos”, avalia. Cheio de criatividade, o jovem procurou adequar-se à forma eletrônica de ler. Na internet, ele baixa os livros disponíveis, passa para o processo de

Palavra de especialista A psicóloga Glaucia Rosa explica que o hábito da leitura possibilita o desenvolvimento intelectual e cognitivo do indivíduo. O que, consequentemente, irá refletir no seu comportamento pessoal e profissional. A pessoa que lê tem mais facilidade em se expressar e se comunicar de forma verbal ou escrita. Ela aponta alguns problemas existentes neste processo de incentivo à leitura: “O governo deveria criar mais ações de incentivo à leitura direcionando as pessoas aos locais que possibilitam o acesso aos livros. Mas não podemos jogar a responsabilidade

formatação correto e transfere para seu aparelho de videogame que dispõe de leitor de bloco de notas. De acordo com Marcos, a leitura tem se adequado às diversas mídias digitais. A vantagem dessa mudança, destaca animado, é poder ler em qualquer lugar. Os livros de ficção, literatura brasileira e internacional são os favoritos do estudante. O prazer pela leitura levou Marcus a ganhar gosto também pela escrita. Neste processo de interação e conhecimento, as boas influências surgiram, levando-o a participar de um concurso de redação promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais e a Secretaria de Estado da Educação se tornando um dos ganhadores do concurso. Como prêmio, recebeu um notebook e uma viagem para a cidade mineira de Ouro Preto. Para Marcus, as pessoas têm buscado outras formas de entretenimento mais rápidas. A internet e as redes sociais são exemplos delas. “O hábito de ler não está no gosto dos jovens. Eles tem se preocupado com a escolha profissional, e se esquecem que, a boa formação intelectual adquirida através da leitura contribui para isto”, ressalta. O jovem leitor faz cursinho pré-vestibular e planeja cursar a faculdade de Zootecnia ou Engenharia Florestal. Mas outro sonho também faz parte dos anseios de Marcus: se tornar um escritor famoso. Os primeiros passos já estão sendo dados. O estudante tem se dedicado a escrever um livro de ficção. O enredo pretende popularizar a cidade tornando-a mais conhecida agregando mais escritores de nossa região e assim, por meio da escrita, contribuir com a sociedade. só nos governantes; este processo de formação do ser humano é também dos educadores e dos pais”. “Os pais deveriam ler mais para os filhos desde bem pequenos para desenvolver nos pequenos o hábito da leitura. Em livrarias os pais podem encontrar disponíveis alguns materiais didáticos estratégicos para estimular a leitura nos filhos”. A psicóloga lembra que as crianças aprendem muito mais através do comportamento observado, ou seja daquilo que veem os pais fazendo, do que através do que eles orientam em relação ao que deve ser feito. “Ouvir e ler histórias é entrar em um mundo

Competição entre os meios Pesquisas revelam dados e comportamentos interessantes. De um lado, constata-se a queda do número de leitores, do outro, ascensão e a divisão da leitura entre os meios impresso e os digital. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em março de 2012 pelo Instituto Pró-Livro (IPL) ao Ibope Inteligência, o brasileiro está lendo menos. De acordo com os dados da pesquisa, em 2007, o Brasil contava com 95,6 milhões de leitores. Em 2011, esse número chegou a 88,2 milhões. Um declínio de 9,1%, mesmo período em que o crescimento da população atingiu 2,9%. A pesquisa aponta que o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano, sendo que, desses, lê integralmente apenas 2,1 livros. Entre os que estão mais interessados pela leitura, o sexo feminino aparece na frente. As mulheres representam 53% do total do público. Já os que não têm o hábito de ler encontram-se na base da pirâmide social: são pessoas de idade mais avançada e tem como principais entraves à leitura a alfabetização precária, o desinteresse e a falta de tempo. A pesquisa também mostrou que os brasileiros estão deixando a leitura de lado e optam por assistir televisão ou DVD e, ainda, navegar na internet por entretenimento.

encantador, cheio de mistérios e surpresas, que desperta a curiosidade, ensina e o leitor também se diverte. Atualmente, observamos a presença maior dos meios de comunicação (televisão e internet) em nosso meio do que a comunicação escrita. Mas se estas duas ferramentas forem utilizadas para estimulo à leitura, atingirá diretamente todo o tipo de público”, opina. Para a psicóloga, a internet também proporciona esse acesso à leitura. “Isso de uma forma rápida e gratuita, pois encontramos vários livros, resenhas e artigos presentes nesse meio de comunicação”.

Arquivo Pessoal

De leitor a roteirista da Turma da Mônica O gosto pela leitura e escrita acompanha o ipatinguense João Marcos Parreira Mendonça desde a infância. Quando pequeno fazia suas tirinhas ilustradas e entregava para seus primeiros leitores: os pais. Não imaginava que esta atividade iria compor o trabalho desenvolvido por ele hoje, na vida adulta.O professor do curso de Design Gráfico da Univale, escritor de livros infantis e roteirista conquistou seu espaço e presta sua contribuição para a educação,

João Marcos, criador de Mendelévio e Telúria

principalmente das crianças. João é o criador dos personagens infantis Mendelévio e Telúria, têm dois livros publicados já na segunda tiragem, além de outras séries com personagens voltados para o público infantil. Seu talento lhe proporcionou outra importante conquista profissional: desde fevereiro de 2009, compõe a equipe da Mauricio de Sousa Produções, responsável pela produção de histórias em quadrinhos com os personagens da Turma da

Mônica, fundada por um dos maiores quadrinistas e roteiristas brasileiros: Mauricio de Sousa. O escritor explica que escrever para os pequeninos “é algo natural, mas uma função cheia de responsabilidades”. Acredita também que o incentivo para a leitura deve vir dos pais. “Não há como uma criança gostar de livros se a família não tem o hábito de ler para os filhos. O primeiro passo é da família, a escola vem logo em seguida”, propõe o escritor.


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LEITURA

umir um antigo hábito Livros de tecido: criatividade para incentivar os pequenos Arquivo Pessoal

Para que a criança sinta-se envolvida pelos livros é importante que possa manifestar suas vontades diante do conteúdo. Pensando nisso, Karla Nascimento de Almeida, jornalista e professora auxiliar na escola Centro Solidário de Educação Infantil Raio de Luz em Valadares, teve a iniciativa de criar livros de pano para despertar o gosto pela leitura nos pequenos. Com muita criatividade e dotada de habilidades artesanais, decidiu confeccionar livros de pano. Tudo isso para que eles pudessem ficar à vontade ao manusear o material, pois com os livros de papel o alcance seria restrito por receio de danificá-los. Karla criou livros temáticos, com personagens de cantigas de roda, como a Dona Baratinha, O Sapo, A Formiga, livros de frutas e de animais do fundo do mar, além de um livro que a criança monta e desmonta as peças. “Um trabalho que valeu a pena! As crianças se deliciam com eles. Podemos incentivá-los à leitura desde de cedo”, garante. Professora Karla Nascimento durante contação de histórias para as crianças do Centro Solidário de Educação Infantil Raio de Luz

Ações visam formar uma cidade de leitores

Ronalt Lessa

90 mil exemplares de autores conhecidos mundialmente. Para ter acesso a um dos livros, segundo o bibliotecário Raul Carvalhal Alves, é necessário fazer um cadastro que exige duas fotos 3X4, comprovante de endereço e cópia da identidade. Os empréstimos são gratuitos, mas há a cobrança de uma taxa simbólica para a manutenção dos exemplares. O leitor pode levar até dois exemplares para a casa e tem oito dias para devolver. Tem gente que adora frequentar o local. É o caso do representante comercial Adinaldo Barros, frequentador do local há 4 anos. “Sempre na hora do almoço procuro marcar presença neste lugar. A leitura é fundamental para o desenvolvimento pessoal e para exercitar a mente. Por meio dela aprimoro a comunicação falada e o convívio com as pessoas. Gosto de ler temas da atualidade, economia e política. As pessoas deveriam frequentar mais este espaço”, recomenda. Atualmente, a biblioteca funciona na Rua Dom Pedro II, nº 635, em frente à Praça de Esportes. O telefone de contato é o 3271-2871.

Ronalt Lessa

Na Biblioteca Pública Municipal Professor Paulo Zappi, em Governador Valadares, existem projetos de incentivo ao hábito da leitura. A “Roda de Leitura” é um desses projetos que levam alunos de escolas do município para dentro do espaço de conhecimento e lazer. “As reuniões acontecem uma vez por mês e todas as escolas do município são convidadas. Sempre tem um tema diferente; é a menina dos olhos da nossa biblioteca”, revela orgulhosa a gerente da biblioteca, Ana Aparecida Souza. A realização dos projetos de incentivo à leitura envolve profissionais da educação, voluntários e artistas, que colaboram com a cantoria de histórias, leitura dramatizada e ministram palestras para a comunidade escolar. De acordo com Ana, o público é diversificado. “Antigamente era somente alunos de escolas, mas hoje existem pessoas que procuram ler revistas, estudantes universitários e pessoas que estão se preparando para concurso estão sempre por aqui”, enumera. O acervo da biblioteca conta com mais de

Diariamente, Adinaldo Barros frequenta a Biblioteca

“ Fachada da Biblioteca Pública Municipal Paulo Zappi

Sempre na hora do almoço procuro marcar presença neste lugar. A leitura é fundamental para o desenvolvimento pessoal e para exercitar a mente.


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CULTURA

Coleções que revelam muitas histórias Agatha Brunelly

Agatha Brunelly

VANESSA FÓFANO 5º PERÍODO DE JORNALISMO

O

Arquivo pessoal

Marcello exibe orgulhoso sua coleção

Arquivo pessoal

Agatha e uma de suas 44 revistas Vogue

Sérgio posa com o Incrível Hulk, famoso personagem dos quadrinhos e do cinema

rganizar uma coleção é um passatempo antigo e universal. Pessoas dos mais diferentes lugares e perfis, de todas as idades, se dedicam ao hábito de juntar e organizar selos, cartões de telefone, moedas, miniaturas, embalagens, brinquedos e uma infinidade de outros objetos. Mais do que juntar coisas, a pessoas pesquisam e aprendem muito com o hobby: acabam estudando geografia, história e curiosidades sobre Miniaturas de carros brasileiros diferentes culturas. O interesse por colecionar vem em muitos casos desde a infância, como conta o supervisor de vendas de veículos Marcello de Araújo Santos, de 37 anos. “Desde criança, sempre gostei. O sonho de ter carro de verdade não estava ao alcance; então, comecei a colecionar miniaturas”. Marcello, que hoje está reestruturando sua coleção de miniaturas de carros, já teve uma coleção no passado, mas acabou se desfazendo dela com o tempo e perdeu muitos carrinhos. O primeiro item da nova coleção foi um Opala, já que Marcello tem um carinho especial pelos carros brasileiros. “Fiquei um tempão sem esse interesse, até por falta de tempo. Um dia, eu estava passando numa banca para comprar a revista ‘4X4 & Cia’, outra coisa que gosto de colecionar, porque gosto dos carros off road. Aí, vi uma revista chamada ‘Carros Inesquecíveis do Brasil’, que vinha com miniaturas de carros nacionais e recomecei a coleção. Dali pra frente, todo mês, eu comprava a revista”. Numa estante com espaço devidamente dedicado às miniaturas, Marcello as mantém organizadas e mostra com orgulho os 20 carros que já adquiriu. “São replicas idênticas. Quando eu era criança, via em filmes e na televisão e ficava doido. Representa um pouco daquilo que a gente viu no passado. São carros clássicos que fizeram história”, destaca. Os colecionadores enxergam os itens colecionados como parte de algo que ajuda a contar uma história. Devotam tempo e dinheiro a esses itens, mas também atribuem a eles sentimentos, não pelo objeto em si, mas pela história por trás do objeto. A estudante de jornalismo Agatha Brunelly Soares Santos, de 20 anos, é uma apaixonada por moda. Coleciona a revista Vogue há quatro anos e possui 44 exemplares. Ao falar sobre como iniciou sua coleção demonstra entusiasmo e muito bom humor. “Meu interesse por moda vem desde pequena. Quando estava na primeira série ,tinha aula de Arte e, ao invés de desenhar bichos, essas coisas, desenhava roupas, falava que ia vender minhas roupas e tal. Desenvolvi a vontade de fazer Design de Moda, mas, quando eu cheguei na adolescência, descobri que não tinha tanto talento para desenhar quanto para escrever. Eu tinha mais vontade de ler sobre moda, gostava de pesquisar na internet sobre as roupas, ver como eram produzidas, o que a roupa causava nas pessoas. Daí, comecei a pesquisar mais o que é escrever sobre moda e descobri as revistas de moda. A principal referência que eu tive foi a Vogue”. Quando o assunto é a edição preferida Agatha diz que todas são especiais, mas que a primeira revista que comprou é a que guarda com mais carinho. Ao ser perguntada sobre seu assunto de maior interesse na revista Vogue, responde prontamente. “Gosto demais do editorial, nem olho a capa direito. Gosto de saber o que o editor vai falar sobre aquela revista, a apresentação dele. Gosto muito também da parte de beleza, escrita p e l a Victoria Ceridono”. Garimpar sempre em busca de um novo item para a coleção é comum para os colecionadores. Ter a surpresa de conseguir esse item por um preço baixo pode não ser tão comum assim. Mas foi exatamente o que aconteceu com o designer gráfico Sérgio Lopes Filho, de 23 anos. “Já comprei por R$ 5,00 o DVD de ‘Sin City - A Cidade do Pecado’ de uma locadora, depois de alugá-lo duas ou três vezes. Acho que a dona simpatizou comigo”, brinca. Sérgio coleciona filmes e já possui em seu acervo cerca de 200 títulos. São filmes marcantes para ele, que vão desde clássicos premiados e ovacionados pela crítica até besteiróis de Sessão da Tarde, animações e filmes de super heróis. “Eu me apeguei muito ao cinema graças a uma professora de inglês, que me deu aula no ensino médio. As aulas dela eram ‘cinematográficas’. Ela sempre trazia filmes muito legais para assistirmos sem o auxílio da legenda. Foi justamente nessa época que eu tive meu primeiro emprego e, como não havia despesas ,comecei a colecionar DVDs de filmes bacanas, começando por aqueles que assisti nas aulas”, comenta. É comum aos colecionadores terem itens repetidos. Quando isso acontece muitos utilizam como moeda de troca, outros preferem guardar os itens repetidos por ter variações. No caso dos filmes, Sérgio diz que possui alguns filmes repetidos devido às cenas extras e entrevistas. Outro ponto em comum aos colecionadores é sempre se lembrar do primeiro item da coleção. “Meu primeiro DVD foi o filme Clube da Luta, com o Brad Pitt e o Edward Norton”. Os grandes acervos, em todo o mundo, sejam particulares, de museus, iniciaram-se, em sua maioria, por pequenas coleções particulares. A história relata, em diversas etapas do desenvolvimento humano, uma série de pessoas, em diferentes locais, preocupadas em guardar e preservar objetos diversos. Se isso não tivesse ocorrido, não teríamos, hoje, o conhecimento que temos de nosso passado.


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CYBERBULLYING

Perigo na rede Apesar das vantagens da internet, em especial das redes sociais, para promover a interação de pessoas e culturas, atitudes agressivas e ofensivas na rede mundial de computadores ganham destaque. O código penal registra tais ações como crime, podendo o agressor ser detido ou mesmo ter de pagar multa. Previna-se e, caso seja vítima de cyberbullying, saiba como denunciar MARIA FREITAS 5º período de jornalismo

Nas últimas décadas, a internet se tornou um dos principais meios de comunicação e uma grande rede de relacionamentos. A socialização da internet permitiu que todo tipo de pessoa tivesse acesso ao cyberespaço, proporcionando maior interação entre as pessoas, mesmo que virtualmente. Pessoas que conhecemos no dia a dia se tornam nossos contatos no mundo virtual. Passamos a conversar com nossos amigos pelo chat na internet, nos relacionamos por meio de publicações na página do amigo, marcações em fotos e comentários. Com essa virtualização dos relacionamentos, acontece também a mudança de atitudes muito comuns no dia a dia das relações face a face. Entre essas atitudes do comportamento humano, uma se destaca: o prazer de ofender e diminuir uma pessoa, agravada pelo teor público que a internet dá a tudo o que “cai na rede”. No dia 21 de março deste ano, um caso na cidade de Manhuaçu, que fica a 200 km de Governador Valadares, chamou a

Se os pais acompanhassem, se eles soubessem daquilo que o filho estava passando, essa atitude poderia ter sido evitada. Rafael Martins da Costa Psicólogo

atenção para a proporção que atitudes ofensivas via internet podem tomar. Um garoto de 16 anos, esfaqueou o colega de sala após ser vítima de comentários homofóbicos feitos pelo adolescente, também de 16 anos, que acabou morrendo. Essa atitude extrema é apenas um exemplo das consequências que injúrias virtuais podem acarretar. Para o psicólogo Rafael Martins da Costa, o acompanhamento dos pais é indispensável para evitar que esse tipo de fato aconteça. “Se os pais acompanhassem, se soubessem daquilo que o filho estava passando, essa atitude poderia ter sido evitada”, avalia.

Crime

Além das consequências extremas que a exposição causada por ofensas feitas por meio da internet pode acarretar tanto para a vítima, quanto para o opressor, tal atitude encontra-se prevista no código penal brasileiro. Ao tratar dos crimes contra a pessoa, o capítulo V, em seu artigo 140 registra que “injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro” prevê detenção de 1 a 6 meses ou multa. No caso de injúria feita pela internet, o artigo 141, inciso III prevê aumento de pena em um terço se a injúria é feita na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite sua divulgação. Bruna*, 20 anos, é estudante e sentiu na pele os efeitos negativos que as relações que se tornam virtuais causam. Ela tinha um relacionamento real que, depois de algumas complicações, teve um término virtual. O rapaz com quem se relacionava ofendeu-a publicamente em uma rede social, utilizando comentários hostis sobre o peso e o caráter de Bruna. A estudante afirma que essa foi a primeira e única vez que alguém usou a internet para ofendê-la em relação ao seu tipo físico. “Eu sempre fui gordinha, sempre brincaram comigo em relação a isso

Os efeitos que essas ofensas podem causar são graves, por isso é importante procurar ajuda de um profissional. Bruna*

e eu sempre entrei na brincadeira, nunca me senti ofendida”. Segundo Bruna, o fato de a injúria ter sido feita em uma rede social agravou o efeito negativo sofrido. “Só me atingiu muito porque foi público, se não tivesse sido talvez eu tivesse deixado até passar”, explica. Bruna diz que, na época, preferiu não registrar a ofensa na delegacia da Polícia Civil, mas se acontecesse hoje denunciaria o caso. Para ela, quem passa por esse tipo de transtorno de alguma forma se sente abalado emocionalmente. “Mais importante do que denunciar é se proteger, mas nem sempre conseguimos prever uma atitude como essa. Os efeitos que essas ofensas podem causar são graves, por isso é importante procurar ajuda de um profissional”, conclui. O caso de Bruna é mais comum do que se pensa. Não é preciso ir muito longe para perceber a quantidade de ofensas que existem nos comentários das famosas redes sociais. Do computador de casa é possível encontrar, sem muito esforço, comentários ofensivos sobre sexualidade, gostos musicais, tipo físico, times de futebol e cor da pele. São incontáveis as formas de ofender e oprimir publicamente as pessoas.

Se a pessoa não souber como proceder, a página apresenta uma central de ajuda em português acessando o link: facebook.com/ help. É possível encontrar também páginas que oferecem ajuda às vítimas de crimes virtuais. O site ‘safernet.org.br’, além de ter um espaço exclusivo para denúncias, um espaço para prevenção e outro para orientação das vítimas, oferece ainda o acompanhamento online com psicólogos, cartilhas educacionais entre vários outros recursos que podem ajudar quem sofre esse tipo de violação. Algumas delegacias especializadas em crimes virtuais também contam com um espaço na internet propício para denúncias. No site do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) existe uma relação das delegacias especializadas em crimes cibernéticos, que pode ser acessada por meio do endereço: www.mp.mg.gov.br/ portal/public/interno/repositorio/id/3815. A delegacia de Polícia Civil de Governador Valadares informou que os casos na cidade não costumam ser denunciados, muitas vezes pelo desconhecimento dos internautas. Para denunciar, a vítima deve tirar o print screen da página, registrar em cartório e depois registrar um boletim de ocorrência na delegacia.

Como denunciar

Em Governador Valadares, não existe uma delegacia especializada em crimes cometidos na rede, mas é possível pela própria internet denunciar tais crimes. A página do Facebook disponibiliza um ícone de denúncia na própria publicação.

* Nome fictício para preservar a identidade da fonte.

Ilustração: Gisele Cunha


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INSTITUCIONAL

Circulando  

Jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Univale

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