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Distribuição Gratuita

FOCA LIVRE

Jornal Laboratório | Nº 192

Abril de 2017 | Jornalismo UEPG

Homenagens chegam a 70% das aprovações na Câmara Municipal Expedientes como nomear ruas e obras dominam pautas propostas e aprovadas pelos vereadores, p. 5

- Infográfico explica como um projeto vira lei, p. 8 e 9

É viável legalizaramaconha? Saori Honorato

UEPG, p. 2

- Eventos discutem e apoiam a descriminalização, p. 3 - Convidados confrontam opiniões sobre a legalização, p. 12

CULTURA, p. 7

CRÔNICA, p. 1 1

Preço do Coro Cidade Culinária ogra: restaurante da suspende em busca do UEPG dobra atividades rollmops Projeto de lei ameaça Escarpa Devoniana

William Clarindo

O projeto de lei 527 do deputado estadual Plauto Miró (DEM) prevê a redução de cerca de dois terços da Área de Preservação Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana. Para o diretorexecutivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Cló-

vis Borges “as atividades de agricultura e silvicultura convivem com a existência da APA”. Novas ações serão tomadas após o parecer da comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).

Cidadania, p. 7

Fernanda Wolf

90 anos do Regente

Esse mês de abril marca os 90 anos do Colégio Estadual Regente Feijó. Fundado em 1927, a instituição acumulou uma bagagem de memórias e saudades.

Cultura, p. 7

ESPORTE & LAZER, p. 6

Apenas 25% das sessões em PG são filmes legendados

IDEIAS, p. 1 3

Qual foi a última vez que você foi ao cinema? Recomendações: livros e documentários

CURADORIA, p. 1 5 O grafitti nas paredes do Centro Pública: Números não de Convivência apontam benefícios em

Vireo jornal econfira o ensaio!

cadeias privatizadas POLÍTICA, p. 4

Vítimas reclamam da falta de estrutura da Delegacia da Mulher


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UEPG

Preço do R.U. aumenta em 100% O Conselho de Administração da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) aprovou a proposta de aumento no preço do Restaurante Universitário (R.U.) feita pelo conselheiro Amaury dos Martyres. A decisão foi contra a posição dos estudantes presentes nas discussões. O valor atual de R$ 1,90, estipulado treze anos atrás e considerado acessível pela comunidade acadêmica, passa a custar R$ 3,80 a partir do dia 1º de junho. O novo custo para os visitantes é de R$ 12. O reitor Carlos Luciano Vargas relaciona o aumento do restaurante com uma revisão da Política de Assistência Estudantil. “Nós entendemos que a forma como o R.U. está cobrando é injusta, porque uma série de servidores e alunos poderiam pagar um valor maior para aumentar o subsídio daqueles que não podem pagar”, justifica o reitor. Para o representante discente Gabriel Schleder as considerações do

Durante as assembleias, os alunos se manifestam contra o aumento. | Foto: Saori Honorato/Lente Quente.

reitor são válidas. "Nós, representantes estudantis, queremos duas faixas de isenção: os estudantes que sejam registrados no Cadastro Único (CAD-Único) devem ter 100% de isenção; já os estudantes com até seis salários mínimos, 50% de isenção; e os que têm acima de seis salários mínimos pagam o valor integral”, completa o aluno.

São aproximadamente oito reais por dia, como a gente vai estudar?

O movimento estudantil esteve presente em todas as reuniões do Conselho manifestando descontentamento com o andamento da proposta. Para o movimento, o aumento prejudica diretamente a comunidade. Com o valor de R$ 3,80 o estudante que necessita utilizar o restaurante para almoço e janta, por exemplo, precisará gastar R$ 152 por mês. Somado ao valor de meia passagem no deslocamento para universidade, ida e volta, o custo para se manter na UEPG chega a R$ 226 por mês. “Para nós, alunos, pagar quase quatro reais

por dia é muita coisa. São aproximadamente oito reais por dia, como a gente vai estudar?”, questiona o estudante Lucas Feld, representando a Resistência Estudantil. O voto do representante discente Gabriel Schleder foi favorável ao aumento, mesmo com os protestos dos estudantes contra a proposta. Já o representante docente no Conselho, Robson Laverdi, contrário ao aumento do R.U., enfatizou o papel do Estado como responsável pelos custos do restaurante. “A grande verdade é que o Governo do Estado do Paraná está cada vez mais ausente da responsabilidade com o funcionamento das universidades públicas”, critica Laverdi. Para ele, quando o Conselho aceita o reajuste do R.U., “ele está cumprindo a pauta do Governo do Estado.” Por Julio César Prado

Ambulatório da UEPG agiliza o resultado do exame Preventivo

O Ambulatório da UEPG fornece o exame Preventivo e a entrega dos resultados tende a ser em 20 dias mais ágil do que nos postos de saúde. Em 2016 foram analisados cerca de 17 mil exames preventivos em Ponta Grossa. A demora para o recebimento do resultado faz com que muitas mulheres optem por realizar o procedimento em clínicas particulares. Popularmente conhecido como Papanicolau, o “Preventivo” tem a finalidade de informar as mulheres sobre a possibilidade de câncer de colo de útero. A professora Emilyn

Diniz, por exemplo, tenta marcar há três meses um exame Preventivo na Unidade de Saúde Antonio Russo, localizada no Bairro Órfãs. “Só se eu madrugar no posto é que consigo agendar", desabafa a professora. A unidade só realiza 20 exames desse tipo ao mês e gestantes tem preferência. “Durante o ‘Outubro Rosa', a procura pelo Preventivo em Ponta Grossa é de aproximadamente 3 mil mulheres no mês, enquanto nos outros meses é de aproximadamente mil”, informa a coordenadora do Centro Municipal da Mulher (CMM) Renata Mora-

es. A gestora observa que, no caso do Ambulatório da UEPG, há maior disponibilidade para análise dos exames do que nos postos de saúde. A quantidade de alunos de Farmácia orientados pelos professores que realizam o serviço torna o processo mais ágil. Segundo a enfermeira do Ambulatório da UEPG Sonia Tosato, ocorrem por mês cerca de 30 atendimentos relativos ao teste Preventivo, porque as mulheres ainda não sabem que o exame pode ser feito no ambulatório. “No Centro da Mulher e em outros lugares que realizam a análise do exame, a entre-

ga dos laudos pode demorar até quatro meses”, compara a enfermeira lembrando que casos de intercorrência podem prolongar a demora. O Ambulatório da UEPG atende alunos, servidores e comunidade em geral. Funciona de segunda-feira a sexta-feira das 8h às 12h, das 13h às 17h e das 18h às 22h. Para a realização do Papanicolau é necessário agendar o exame pelo telefone (42) 3220-3469. O Ambulatório atende no Campus Uvaranas e no Campus Central.

abr/2017

Assistência Estudantil A Política de Assistência Estudantil, voltada aos estudantes de vulnerabilidade econômica, foi discutida e aprovada na última reunião do Conselho Universitário da UEPG, após anos de atraso. Bolsas UEPG concede 150 bolsas de monitoria no valor de duzentos reais para acadêmicos em disciplinas de sala de aula e laboratórios dos cursos de graduação. Preço elevado Taxa de inscrição para prestar o vestibular na Universidade Estadual de Ponta Grossa sobe de R$ 135,00 para R$ 141,00. Paralisação Geral Servidores e professores da UEPG decidem pela paralisação das atividades acadêmicas no dia 28 de abril em forma de apoio à mobilização nacional contra reformas previdenciária e trabalhista e o desmonte do ensino público. Mais assaltos em Uvaranas Neste ano, quatro roubos e sete assaltos, um deles à mão armada, já foram registrados. A falta de fiscalização e segurança preocupa novamente estudantes e professores que temem pela permanência no campus, principalmente no período noturno em que a iluminação é precária. Flagra

Por Barbara Popadiuk e Debora Chacarski

Está procurando um baterista para a sua banda? Montando um grupo de ativismo? Organizando algum projeto ou evento interessante? Entre em contato com o Foca Livre pelo e-mail “focalivre25@gmail.com” e divulgue nos nossos classificados não-comerciais.

"Este poste está sem iluminação".


abr/2017

cidadania

Debate da legalização da maconha chega a Ponta Grossa maconha. Cego, portador de epilepsia e autismo, o garoto de 11 anos chegou a ter 15 convulsões por semana enquanto era medicado através da maneira convencional. Segundo a mãe Maria Aline Gonçalves, depois que ele passou a ingerir o óleo de cannabis as crises de epilepsia do filho se limitam a poucos episódios semanais. “O Victor não toma mais remédio. Ele está melhor do que quando tomava os medicamentos, porque agora ele não sofre com os efeitos colaterais”, declara Maria. O uso medicinal da erva no tratamento de epilepsia e Parkinson já é recomendado por alguns médicos. Maria Gonçalves afirmou, durante o seminário “Maconha! Por que legalizar?”, que conseguir o óleo de forma legal no Brasil é complicado. O uso Uso medicinal da erva de forma medicinal Victor Augusto é é permitida apenas com um dos beneficiados pela autorização da ANVISA exploração medicinal da (Agência Nacional de Vigi-

lância Sanitária). Mas devido ao preço alto do medicamento importado e a burocracia para conseguir a autorização, muitas famílias buscam formas alternativas de consegui-lo. Um médico ofereceu à família de Maria uma oportunidade por meio da Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), que disponibiliza óleo de cannabis aos associados.

O projeto de lei 527/2016 propõe a redução da área de preservação ambiental (APA) da Escarpa Devoniana de 392 mil para aproximadamente 126 mil hectares, o que representa reduzir pouco mais de dois terços de sua área atual. A proposta do deputado estadual Plauto Miró (DEM) causou a reação de ativistas. “As atividades de agricultura e silvicultura do Segundo Planalto convivem com a existência da Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana”, argumenta Clóvis Borges, diretor-executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). Para Borges, o projeto proposto na

contrário ao projeto e explica que além do agronegócio e da plantação de pinus que irão destruir a área, há diversos motivos para o projeto não ser aprovado. Segundo o político, preservar a Escarpa Devoniana e os Campos Gerais é agir pelo interesse público dos paranaenses a partir do instrumento legal APA. “É preservar a pureza da água, a fertilidade do solo e um território para investigação científica e a identidade de todo um povo”, afirma Péricles. Entramos em contato com a Assessoria de Imprensa do deputado Plauto Miró solicitando informações para verificar se o PL respeita a preservação do meio ambiente. Não

A legalização da maconha entrou de vez no debate público de Ponta Grossa durante abril de 2017. Houve seminário sobre o tema no Grande Auditório do Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) no dia 7 (sexta-feira). No dia seguinte, ativistas se reuniram na Estação Saudade para participar da primeira Marcha da Maconha em Ponta Grossa. A erva cannabis, conhecida como maconha, é a droga ilícita mais usada no mundo, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). O psicoativo é usado anualmente por mais de 180 milhões de pessoas de forma recreativa e medicinal. Apesar de inúmeras pesquisas, os efeitos da droga ainda não são plenamente conhecidos.

Questão legal

O advogado e publicitário paulista Fernando da Silva participou do evento “Maconha! Por que legalizar?” e ressaltou os riscos trazidos pelo tráfico e pela ilegalidade da droga. “Os danos da proibição são muito maiores do que os danos da própria droga. O número de pessoas que morrem consumindo droga é muito menor do que as mortes dos confrontos entre polícia e usuário”, defende Silva.

Marcha em prol da legalização medicinal e recreativa aconteceu dia 8. | Foto: Gabriel Miguel/Lente Quente

O professor de direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Aknaton Toczek Souza, apontou no seminário “Maconha! Por que legalizar?” que drogas piores que a maconha são legalizadas, como o álcool, cigarro e a automedicação. “Temos 480 mil pessoas morrendo por consumo do

tabaco e zero com o consumo da maconha, por que está se proibindo isso?”, indaga o advogado, concluindo que a lei não criminaliza apenas drogas, mas pessoas também. Por Saori Honorato e William Clarindo

Ativistas alertam para ameaças à flora e fauna com a redução da APA Assembleia Legislativa do Paraná “não é em favor da sociedade do Segundo Planalto” e pode envolver a chegada de empresas poluidoras e aumento da mineração. A presidente do Grupo Fauna, Isabele Futerko, destaca que em “cada área plantada de soja e pinus, os animais perdem seu espaço e são extintos”. A ativista atua há 18 anos em Ponta Grossa e região em defesa dos direitos dos animais. “Assim como nós não queremos que invadam nossas casas, os animais também têm esse direito. Se não, serão conhecidos apenas pelos livros”, alerta Futerko. O deputado estadual Péricles de Mello (PT) é

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obtivemos respostas diretas diu um laudo para o Instituto de Terras, Cartografia as nossas perguntas. e Geologia do Paraná (ITCG) e para a Secretaria Área de preservação A Escarpa Devonia- do Estado do Meio Ambina está localizada entre o ente (SEMA) e aguarda Primeiro e Segundo Pla- manifestações. A audiência públinalto. As rochas que sustentam a região fazem ca do dia 10 de março, reparte do período Devonia- alizada do Cine-Teatro no – há cerca de 390 mi- Ópera, causou grande relhões de anos – e dão o volta na população que nome do espaço. A APA foi tentou participar e não criada em 1992 e abrange conseguiu devido à superlotação do local. Novas 392.363 hectares. O projeto de lei pa- ações da comissão só serão ra a redução da Área de tomadas após o recebiPreservação da Escarpa mento do parecer da coDevoniana foi submetido à missão de Ecologia e Meio Comissão de Ecologia e Ambiente da Assembleia Meio Ambiente, presidida Legislativa do Paraná pelo deputado Rasca Ro- (ALEP). drigues (PV), que se posiciPor Verônica Scheifer onou contrário à proposta. No entanto, a comissão pe-


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abr/2017

política

Ecoturismo precário afetaeconomiade PG

Carência de investimento prejudica o turismo de Ponta Grossa, afetando a economia. Os maiores problemas são a ausência de planejamento e a indisponibilidade de transporte. Ponta Grossa se destaca por seus atrativos naturais e é destino dos adoradores do ecoturismo. O principal local visitado por turistas é o Parque Estadual de Vila Velha, acompanhado de outros pontos importantes como o Buraco do Padre, a Cachoeira da Mariquinha, a Cachoeira do Rio São Jorge e o Capão

da Onça. Contudo, esses locais parecem não ter tanta importância para as autoridades do município. As maiores críticas são pela ausência de planejamento e transporte, uma vez que os locais são de difícil acesso. Esta reclamação vem tanto dos moradores da cidade quanto dos turistas. O professor de História José

Galdino pratica o ecoturismo e reclamou da falta de estrutura dos locais. “Não existe preservação dos lugares, e outra coisa é a inexistência de horários de funcionamento e guias para levar a população. É aí que o município entra: o papel dele é formar guias, convênios, mapear os locais e colocar telefones para casos de

Gabrieli Oliveira

emergência”, ressalta. Afetado pela omissão de ajuda da prefeitura, o técnico em Guia de Turismo Cleverton Bigaski criou um grupo no Facebook em busca de novos turistas. “A ideia do grupo é divulgar os atrativos turísticos da cidade de Ponta Grossa para os visitantes e também trabalhar o turismo receptivo. Meu foco são as caminhadas trekking e também o montanhismo”, explica Biganski. Ele ainda reclama que apenas algumas atividades recebem apoio da Fundação Municipal de Turismo (FUMTUR), como é o caso dos foodtruck. Com um incentivo maior da Prefeitura Municipal na área de turismo, a economia do município cresceria, pois com a vinda de mais pessoas para a cidade, hotéis, bares e restaurantes, ganhariam mais clientes. O empresário Felipe Podolan, dono de um hotel

de Ponta Grossa, mostrou interesse no possível investimento na área de turismo. “Falta fomento municipal. Nosso hotel recebe bastante turistas, mas acredito que esse público possa aumentar tendo em vista o potencial que nossa região possui”, conclui Podolan. Festividades de final de ano, como a München Fest, são as comemorações mais atrativas. Em 2015, o Turismo Paraná divulgou uma pesquisa mostrando que 70% dos turistas da cidade vêm para eventos e negócios e apenas 10% a passeio. Ponta Grossa seria a quarta cidade no turismo de indutores, ficando atrás apenas de Foz do Iguaçu, Curitiba e Paranaguá, porém a falta de infraestrutura, acessibilidade e divulgação afetam os viajantes. Por Guilherme Bronosky & Lorena Panassolo

Vítimas enfrentam dificuldades para registrar queixas na delegacia da mulher Delegacia da mulhernão tem preparo para atendervítimas, desmotivando mulheres a denunciar Vítimas têm dificuldade de registrar queixas e dar continuidade no processo judicial em casos de violência contra a mulher: a delegacia da Mulher em Ponta Grossa não tem plantão 24 horas e não abre nos finais de semana; já as demais delegacias da região não têm preparo técnico para atender as vítimas de agressão e o Instituto Médico Legal (IML) da cidade conta apenas com um médico legista. Com o intuito de ajudar vítimas de agressão em Ponta Grossa, a advogada e participante da Comissão da Mulher da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Katiuscia Rockenbach, teve contato com casos de agressão contra a mulher através do 'Sororidade PG', grupo da cidade

criado em uma rede social. “Parece que até a polícia não entende bem a lei Maria da Penha (nº11.340) quando se trata de violência psicológica ou ameaça aos filhos e patrimônio”, reclama Rockenbach. De acordo com a advogada, os funcionários públicos precisam de preparo técnico para prestar o auxílio correto em casos de violência contra à mulher. Muitas vezes, os policiais acusam a vítima, questionando-a sobre seu comportamento antes da agressão. Além disso, é ne-

Duvidarda palavra da vítima a desestimula a continuara queixa.

cessário um cuidado psicológico que compreenda a fragilização da mulher agredida. Wanderléa Barbosa auxiliou sua vizinha que foi agredida pelo marido e relatou que, ao ouvir o pedido de ajuda da filha do agressor, ligou para a polícia. A orientação que recebeu foi de pedir para a vizinha solicitar uma viatura, uma vez que a denúncia deve partir da vítima. Após uma hora e três ligações, a polícia chegou ao local pra conciliar o casal. O agressor fez cortes nos braços de sua esposa com uma faca de cozinha e a manteve sob cárcere privado por cerca de uma hora. A vice-presidente da Comissão da Mulher da OAB, Merylene Teleginski, comenta as dificuldades pa-

ra ajudar as mulheres vítimas de violência: “muitas dessas mulheres dependem financeiramente de seus maridos e têm filhos que precisam de cuidados. Em alguns casos, os próprios familiares ignoram a violência que ela sofre, deixando-a sozinha”. Teleginski relata que por conta disso, a vítima costuma disfarçar, para evitar problemas, pois com frequência ela é considerada a culpada pela situação. Outro problema apontado pela vice-presidente é que essas agressões acontecem quando o casal está sozinho, o que impede qualquer ajuda externa ou testemunha que tenha presenciado a cena. Ela aponta que o maior motivo dos casos de agressão, é o machismo enraizado na sociedade, onde, desde criança, o menino

aprende que homens são superiores às mulheres e por isso sentem direito de posse sobre elas e ainda de agredir para mostrar sua masculinidade. Telegenski elogia os progressos conquistados nesta geração: “essa geração têm muito mais acesso à informação do que as gerações anteriores, portanto são mais politizadas que seus antepassados”. Por Lucas Feld & Jean Borg

Camila Zanardini


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política

Vereadores concederam quase 50 títulos durante o ano eleitoral

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Após aumentar cota, vereadores propõem metade do limite anual de homenagens em apenas um mês

Sete em cada dez projetos apresentados e aprovados por vereadores em 2016 eram homenagens. Excluídas as honrarias, a categoria mais sancionada foi a de “Serviços e Obras” – apenas 13%. As homenagens podem ser concedidas de duas maneiras pelos legisladores: por meio de títulos (cidadão honorário ou cidadão benemérito) e pela nomeação de logradouros (homenagem póstuma). Para coibir as homenagens, cada vereador só pode conceder dois títulos ao ano. Apesar dos limites impostos às homenagens, os projetos de concessão de títulos de cidadão honorário ou de cidadão benemérito correspondem a 48 das 174 promulgações de 2016 – o que equivale a 28% do total das aprovações. Somadas as propostas de títulos às de nomeação de ruas e obras, o número alcança a cifra dos 70% de todos projetos sancionados. Somente entre novembro e dezembro do ano de 2016, os vereadores ponta-grossenses apresentaram 24 propostas de concessão de títulos. Em apenas um mês, o valor ultrapassou metade do limite

atual de 46 propostas determinado pelo regulamento da Câmara Municipal, que estabelece uma cota de duas homenagens por vereador. Vinte dos 23 representantes usaram o valor destinado. O responsável por esse aumento é o Projeto de Resolução Nº 004/2016, proposto pelo vereador Pascoal Adura (PMDB). Segundo a justificativa do documento, a mudança se fazia necessária, já que alguns vereadores sairiam da Câmara e a demora das homenagens causaria constrangimento. Treze vereadores aproveitaram o novo limite e ultrapassaram as duas concessões de títulos. O vereador Pietro Arnaud (REDE) lamenta a aprovação do projeto. No ano passado, Pietro não propôs nenhuma homenagem. Mesmo assim, destaca a importância da concessão de títulos: "É competência do vereador homenagear […]. Eu acredito que um título de cidadão honorário é muito gratificante. Tem muitas pessoas que merecem", defende o vereador. Contudo, ele alerta que as concessões "devem ser usadas com parcimônia". Segundo o legislati-

Quanto custa a sessão solene?

Aqueles que recebem o título de Cidadão Honorário ou Benemérito recebem um diploma em uma sessão solene convocada pela Câmara. Os itens custosos da cerimônia são os diplomas, molduras e arranjos de decoração. Segundo a chefe do departamento de administração da Câmara Municipal Patrícia Costa, o contrato de 2017para a realização das cerimônias solenes projeta um custo de R$ 12.900. Estão previstas quatro solenidades, sendo três na Câmara e uma obrigatória no Cine-Teatro Ópera, em comemoração ao aniversário da cidade. A empresa Celia Kouba é a responsável pelos cerimoniais em 2017. As organizadoras são escolhidas por licitação: a proposta mais barata vence.

vo da Câmara, no início de março desse ano, foi aprovado o projeto proposto pelo vereador Julio Küller (no período filiado ao PMB e atualmente na REDE), que estabeleceu a volta do limite de duas homenagens. Como são projetos que alteram o regimento interno da Câmara, outros oito vereadores participaram das proposições. Para a vereadora Professora Rose (PSB), a concessão de dois títulos por ano é suficiente. "[O limite] visa evitar qualquer tipo de banalização ou de interesse político que possa ocorrer por meio das concessões", completa a vereadora.

gia o Presidente da Câma- "Penso que a figura da mura. Quando questionado se lher ainda é desvalorizada o médico trabalha na rede em nossa sociedade, mas pública ou particular, o ve- estamos conquistando, reador não soube respon- ainda que a passos curtos, der, mesmo que isso esteja mais espaço, principalpresente no currículo ane- mente na cena política", Como funciona xo ao projeto que ele acredita a única vereadora O vereador que de- propôs. eleita Professora Rose. seja realizar uma homenaDuas homenagens gem deve escolher alguém O perfil dos ho- foram revogadas em 2016. que tenha importância pa- menageados Para o vereador Pietro Arra a comunidade. O curríSessenta e quatro naud (REDE), isso não caculo do cidadão ou uma homenagens foram propos- be aos vereadores. "Nós biografia resumida é anexa- tas em 2016. As áreas mais não estamos lá para revoda ao projeto e permite que frequentes de atuação dos gar. A pessoa que recebeu os demais vereadores co- homenageados são: Reli- o título é merecedora", nheçam o homenageado. gião (11), saúde (9), em- afirma. "Todo o protocolo presários (7) e justiça (6). que vem das comissões já Por Ana Istschuk Apenas 14% delas vem com o currículo, a foram para mulheres. & Lucas Cabral menção de quem foi determinada pessoa. Então todos os vereadores ficam “Hoje sustenta o legado da única família do mundo sabendo o conhecimento de lutadores de MMA que se tem hoje em dia.” [sic] dessas pessoas homenagea- “Paulão e seus filhos são os únicos lutadores que das, beneméritas ou nome conseguiram os maiores títulos nacionais e internade rua, nomes de prédios cionais para a cidade de Ponta Grossa.” Paulo Sérgio Bueno, homenageado públicos, através dessas coporRomualdo Camargo (PSDC) missões", explica o vereador Eduardo Kalinoski "Recebeu em 2014, 2015 e 2016 intensas manifesta(PSDB). Kalinoski, assim co- ções populares de apoio ao combate efetivo da cormo todos os outros verea- rupção sistêmica no país, nas redes sociais, nas manifestações de rua, na frente da Justiça Federal e dores, votou a favor da Polícia Federal em Curitiba". homenagem proposta pelo Sérgio Moro, homenageado porGeorge (PMN) Presidente da Câmara Sebastião Mainardes (DEM). “Durante toda minha vida sempre trabalhei e lutei A proposta foi votada na muito para poder dá [sic] o melhor aos meus filhos". sessão do dia 5 de abril. SeNeusa Nunes Pedroso, homenageada gundo Mainardes seu hoporDanielMilla (PV) menageado merece o título de Cidadão Honorário por- “Pelas características pessoais que apresenta, além de que "ele faz um trabalho ser considerado como luz pelos membros da comuexemplar dentro da medi- nidade que guia, o Padre Metodio Techy é merecedor cina" e "está sempre a dis- de tal homenagem”. MetodioTechy, homenageado posição da população porMarcio Schirlo (PSB) quando é procurado", elo-

Características dos homenageados


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esporte & lazer

Filmes legendados representam apenas 25% das opções de cinema em PG

Durante o mês de março, nenhuma das quatro salas do shoppingPalladium exibiu filmes legendados. Filmes dublados representaram três entre quatro programações de cinema comercial em Ponta Grossa durante o mês de março deste ano. Os dados se referem a levantamento de dados feito pela reportagem do Foca Livre. A pesquisa analisou programações de quatro sexta-feiras, entre os dias 10 e 31 de março, divulgadas na imprensa local. Apenas 25% da programação no Shopping Total (Lumière) era de filmes legendados. No caso do Multiplex Palladium (Cine Araújo), 100% dos filmes estrangeiros eram dublados. Apenas uma das programações – do Total –, contemplava um filme nacional. O motivo da discussão sobre a preferência entre filmes legendados ou dublados acontece devido à predominância dos filmes estrangeiros na programação. “A dublagem prejudica muito os filmes, mais que a legendagem”, explica o doutor em Literatura, Antônio Teixeira, criador do projeto Tela Alternativa. “A interpretação dos atores fica comprometida, existem problemas de sincronia dos diálogos com o movimento labial, e a mixagem do áudio fica prejudicada”, completa Antônio. Para ele, deveria existir mais salas de cinema com filmes legendados.

Faixa Etária

A demanda por filmes legendados foi constatada a partir de enquete da Redação do Foca Livre. Um grupo de 20 pessoas, de 13 a 78 anos, foi entrevistado aleatoriamente no pátio da UEPG Central, durante à tarde do dia 10 de abril (segunda-feira), e as preferências se dividi-

ram. Onze pessoas disseram preferir os filmes legendados, enquanto que nove gostam mais dos filmes dublados. Uma pessoa se disse indiferente à pergunta. A faixa etária parece afetar na escolha do idioma do áudio, pois todos os contatados com idade menor que 30 anos preferem filmes legendados, enquanto que os idosos gostam de filmes dublados. “Tanto faz se é legendado ou dublado, vou assistir ao filme que me interessa no horário em que esteja disponível”, comenta a professora aposentada Edna Gonçalves dos Santos, 66. A gerente do Multiplex Palladium, Franciane

Aparecida Augustinho Silva, afirma que o cinema leva em consideração a preferência do público para filmes dublados e que pesquisas internas comprovam a escolha. “Os universitários sempre dizem que preferem filmes legendados, mas, na hora de comprar ingresso, a maioria do público escolhe as programações com dublagem”, rebate a administradora. Quanto ao Cine Lumière (Shopping Total) o grupo não retornou contato feito pelas redes sociais e sites. A metodologia do levantamento relativo às programações legendadas e dubladas partiu da análise da agenda cultural publi-

Ganhador de 65 prêmios, La La Land chegou em Ponta Grossa em fevereiro com opções apenas de dublagem. | Foto: retirada da internet

cada na imprensa regional sa a agenda disponível no em quatro sextas-feiras de dia ao ler um jornal local. um mesmo mês. Foi considerado cada “bloco de programação” e não o horário Por Enaira Schoemberger ou o filme, que é como o consumidor de filme aces-

Álbum Fantasma No dia 3 de maio de 2017, o Operário Ferroviário completa dois anos da conquista do Campeonato Paranaense. A assessoria de imprensa do Fantasma autorizou que o Foca Livre publicasse a foto dos jogadores no formato de álbum de figurinhas #EuAcreditoEmFantasma Fundado em 1° de maio de 1912, o Operário Ferroviário Esporte Clube surgiu em partidas de futebol entre trabalhadores de ferrovias do Paraná e Santa Catarina. Inicialmente denominado Operário Sport Club, o time que tem como símbolo o trabalhador. Segundo time em atividade mais antigo do Paraná, o Operário preserva o patrimônio cultural da cidade. Na próxima edição do Foca Livre você confere a sequencia do álbumde figurinhas do Fantasma de Vila Oficinas. Acompanhe o jornal e colecione. Por Lorena Panassolo Foto: Site oficial do OFEC | Edição: Fernanda Wolf


abr/2017

cultura

Nostalgiados 90 anos: Regente Feijó comemoraaniversário A história do tradicional colégio contada pelas gerações de Regentinos. O Colégio Estadual Regente Feijó comemorou seus 90 anos no Cine-Teatro Ópera em 31 de março. Professores, alunos e exalunos prestaram homenagens. Fundado em 1927, o Ginásio Regente Feijó nasceu para ser a representação da educação burguesa na cidade de Ponta Grossa e, futuramente, ampliou para o Ensino Ginasial. A primeira instalação do Ginásio era onde hoje fica o Centro de Cultura. Somente a partir de 1939 mudou-se para a Rua do Rosário, onde está localizado o famoso prédio, que foi tombado como patrimônio histórico na década de noventa. A professora de Português do Colégio, Elizabete Kosloski, comenta que foi uma aluna e guarda grandes recordações do hino cantado pelos alunos. Célia Regina Bahls Gomes, professora técnica, complementa sobre a sua participação na fanfarra e a separação de meninas e meninos nas salas de aulas. As professoras, Elizabete e Célia, comentaram sobre as mudanças que afetaram o Regente dos anos 70 conforme os anos. A conclusão é de que os alunos hoje têm mais liberdade para se expressar e criar. “Hoje é mais liberal, pois o

aluno pode falar e pode decidir. Ele é o sujeito da educação", constatou Elizabete. Atualmente, o colégio oferta Ensino Médio e Ensino Profissional nos três turnos, para dois mil estudantes. Cláudio Schleder, professor da disciplina de Educação Física, se orgulha de ter sido aluno em uma escola em que “todo moleque tinha o sonho de estudar”. “Eu tinha a felicidade de ter a mãe enquanto professora e o bom dessa história era que quando eu fazia alguma besteira a mãe já ficava sabendo”, brinca Schleder da época em Comemoração dos 90 anos do Regente Feijó em que sua mãe era do- primeiro de abril. | Foto: Fernanda Wolf centenocolégio. Os Regentinos carregam e ver em todos os dias da semana de memórias nítidas das cores do Re- comemoração: o quão importante gente Feijó registradas desde o uni- o Colégio Estadual Regente Feijó é forme escolar, memórias internas para a história da cidade e formação do colégio até eventos realizados. dos cidadãos; o quão enriquecedor Uma das grandes memórias é do éparaavidadequempassaporele. “medo” dos estudantes de subir a escada que levava à sala do diretor. Por Fernanda Wolf Esse sentimento era possível sentir

Coro Cidade paralisa suas ações por falta de músicos

A seleção de músicos foi cancelada no ano passado. Os concertos do CCPG não acontecem desde dezembro de 2016. O Coro Cidade de Ponta Grossa (CCPG), ativo há cerca de nove anos, não executou o processo seletivo de integrantes para esta temporada. O teste acontece depois da última apresentação de cada ano. Por conta de mudanças na legislação do Coro Cidade e da Orquestra Sinfônica da Cidade de Ponta Grossa, a seletiva foi cancelada. "O processo está caminhando de forma lenta por diversos gabinetes da Prefeitura", comenta a maestrina Carla Roggenkamp, responsável pelo CCPG desde 2008.

O diretor da Fundação de Cultura, Eduardo Godoy, explica que a pausa foi necessária devido à remodulação. Segundo Eduardo, tanto o Coro quanto a Orquestra têm funcionado de maneira profissional, o que contraria a ideia inicial de que seria a formação de músicos ao longo da participação nos projetos. O novo edital foi encaminhado para a Câmara Municipal e cabe à Prefeitura aprová-lo. “O teste seletivo para a temporada 2017 deve ocorrer em maio, para que tenhamos o Coro Cidade ativo du-

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Tela Alternativa muda direção e periodiocidade O Tela Alternativa que exibe filmes e promove debates, neste ano, será coordenado pelas professoras Mariza Túlio e Mariza Marques. Com a nova direção a frequência das sessões alterou, passando a ocorrer a cada 15 dias. Alterna entre terças e quartas-feiras devido a disponibilidade de cada professora.Os blocos temáticos do primeiro semestre trabalham a representação feminina, e no segundo semestre a masculina. As sessões gratuitas ocorrem às 19h30 no Auditório B do Cine-Teatro Ópera. Por Ingrid Petroski

Academia de Letras da região completa dezoito anos A Academia de Letras dos Campos Gerais (ALCG) comemorou 18 anos de história nos Campos Gerais no dia 20 de março. A representatividade e preservação da leitura marca a trajetória da instituição, que participa e promove diversos eventos culturais que abordam a literatura da região. Por Priscilla Pires

“Sexta Às Seis” incorpora novos estilos musicais dentro de sua programação

rante o Festival Universitário de Música (FUC) que está programado para julho", promete o diretor da Fundação A musicista Priscila de Oliveira (31), que atuou no Coro, relata: “Durante a última temporada havia um aviso prévio de que o teste ocorreria apenas no ano seguinte". Priscila afirma que pretende voltar a cantar assim que os ensaios e concertos retornarem.

O "Sexta Às Seis" acrescentou novos estilos musicais em sua programação. Desde 2014, o estilo predominante do evento era o rock. Nessa edição o pagode, axé e música gaúcha são exemplos da diversidade. Outra alteração foi o deslocamento do local, da Estação Saudade para o Parque Ambiental. As inscrições contaram com bandas de qualquer estilo e teve recorde de 83 inscritas.

Por Rafaela Martins

Por Letícia Dovhy


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abril

passo-a-passo

Como funciona a tramitação de um p Por Millena Villanueva

A aprovação de um Projeto de Lei pode demorar 5 meses ou apenas um dia, dependendo de sua importância. O caminho dela pela Câmara é o mesmo. Cinco passos para que um Projeto de Lei seja promulgado

1º Passo O prefeito, os vereadores ou a população faz uma proposição.

2º Passo

Esta proposição é analisada primeiramente pela Comissão de Legislação, Justiça e Redação e depois pelas demais comissões dependendo de qual tema ela se trata.

3º Passo

Os integrantes de cada comissão irão registrar por escrito os pareceres contendo um relatório com o autor, uma síntese e o pronunciamento da Comissão como um todo.

Todo Projeto de Lei se inicia através das proposições que podem ser feitas pelo prefeito, pelos vereadores e pela população. É necessário que seja feita no Plenário da Câmara para que a Assessoria Técnico-Legislativa verifique se há semelhança com outros projetos, possa corrigir possíveis erros e direcione qual comissão deverá tratar o assunto. Após a proposição ser feita e apresentada à Câmara, a Comissão de Legislação, Justiça e Redação (CLJR) analisa se ela fere a Constituição e a Lei Orgânica do Município, se está ou não dentro da esfera municipal e indica para qual comissão este projeto deve ser estudado para que possa ser votado no plenário. Esta comissão tem Rudolf Polaco (PPS) na presidência no ano de 2017. Na Câmara Municipal as comissões permanentes são: Comissão de Legislação, Justiça e Redação, Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização; Comissão de Saúde e Ação Social; Comissão de Educação, Cultura e Esporte; Comissão de Obras, Serviços Públicos, Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Acessibilidade; Comissão de Agricultura, Pecuária, Indústria, Comércio, Turismo e Meio Ambiente; e a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Segurança. Dentro da Câmara existem, além das comissões permanentes, as comissões temporárias que podem ser: comissões especiais, Parlamentares de Inquérito,

de Representaç Elas se extingue chido o fim a q com o término Comissão Parla rito só se constit ço dos Vere requerimento e unicamente par todo acontecime teresse para a vid ordem constituc e econômica d um certo prazo. Os presi sões permane mensalmente, c da Câmara, par cias e registrar p ceres. Cada Com de 15 dias úteis ser prorrogável, pelo Presidente mente uma úni se inicia a partir da da proposição o prazo se esgot ir ao plenário e rão ser dados o votação. A prop da pelos órgãos superior da C num prazo de oi Parecere ções dadas pela rão ter em se Relatório, que quem foi o auto registro das prin durante a trami se, o voto do rel da comissão, qu pectivos votos e to da comissão

4º Passo

Cada comissão terá o prazo de 15 à 30 dias úteis para registrar os pareceres. Se o prazo se esgotar, eles deverão ser dados oralmente antes da votação.

5º Passo

O Projeto de lei precisa passar por duas discussões e duas votações para ser aprovado, podendo ser arquivado e vetado. Se vetado, deve voltar para a Câmara.

O texto ao lado explica em detalhes sobre o processo de tramitação de um Projeto de Lei dentro da Câmara

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O veto, parcial ou total, deve ter uma justificativ

O prefeito tem o prazo de 15 dias para se manifestar. Se ele não se justificar e manter-se em silêncio, o veto é inexistente.


2017

passo-a-passo

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projeto de lei na Câmara Municipal?

ão e Processantes. em quando preenque se destinam ou o da legislatura. A amentar de Inquétui quando um tereadores faz um e ela é destinada ra a apuração de ento que tenha inda pública e para a cional, legal, social do Município por

dentes das Comisentes reúnem-se com a presidência ra adotar providênpor escrito os paremissão terá o prazo para isso, podendo por período igual e da Câmara soica vez. Este prazo r da data de entrao na Comissão. Se tar, o projeto pode os pareceres deveoralmente antes da osição será instruíde assessoramento Câmara Municipal ito dias. es sobre as proposias comissões deveeu conjunto: um e deverá conter or da proposição, o ncipais ocorrências itação, uma síntelator e a conclusão ue indicará os rese o pronunciameno como um todo.

Somente em alguns casos esses pareceres poderão ser feitos verbalmente e elas não poderão ser quando referem-se a: um projeto de emenda à Lei Orgânica; projeto de lei complementar; projeto de lei de iniciativa privada do prefeito e por fim, projetos de codificação. Os projetos precisam passar por duas discussões e duas votações para que possam ser aprovados. Se não for aprovado em alguma das votações, o projeto é arquivado. Se o projeto for vetado, ele deve voltar para a Câmara. Resoluções e Decretos Legislativos são promulgados pelo presidente da Câmara e alguns tipos de projetos, precisam ser sancionados pelo Prefeito para virarem leis. O prefeito tem o prazo de 15 dias para se manifestar. Os vereadores então têm que analisar o veto do prefeito e votar por mantê-lo ou derrubálo. O veto do Prefeito pode ser total ou parcial. O parcial pode recair sobre algum artigo ou parágrafo, não podendo se aplicar a palavras soltas. Ele precisa justificar esse veto baseado na inconstitucionalidade, ilegalidade ou contrariedade ao interesse público. Se ele não se justificar e manter-se em silêncio, o veto é inexistente . A Câmara tem então 30 dias para analisar o veto e por maioria absoluta (metade mais um) pode rejeitar o veto. Consequentemente o projeto voltará para o prefeito para que a lei seja promulgada.

Câmara Municipal de Ponta Grossa. | Foto: Divulgação

ção évetadapelo prefeito ?

va para que seja considerado pelos vereadores

- A Câmara tem 30 dias para analisar o veto e a , maioria absoluta, poderá rejeitá-lo. Conse-

quentemente o projeto voltará para o prefeito para a proposição se tornar uma lei.

Alguns dos Projetos que tramitaram na Câmara Municipal de Ponta Grossa durante o mês de abril Projeto de lei Ordinária em trâmite 79/2017-REGIME DE URGÊNCIA Este Projeto busca autorizar o Poder Executivo a celebrar Acordo de Parcelamento de débitos do FGTS e Contribuição Social com a Caixa Econômica Federal em 60 meses no valor de aproximadamente 26 milhões com o intuito de regularizar a situação do Município junto ao Fundo. O propósito é tornar a dívida viável com a atual escassez de recursos decorrente a crise econômica nacional. O projeto foi apresentado a Câmara no dia 27 de março e passou pelas Comissões de Legislação, Justiça e Redação e Finanças; e Orçamento e Fiscalização. Já participou da Ordem do Dia e teve discussão e votação favorável na sessão ordinária do dia 17 de abril . Projeto de lei Ordinária em trâmite 82/2017-REGIME DE URGÊNCIA Este Projeto busca autorizar o Poder Executivo Municipal a ingressar como associado no Consórcio Intergestores Paraná Saúde. Este consórcio é responsável por otimizar os recursos da assistência farmacêutica básica do Estado do Paraná. A proposta visa melhorar a aquisição dos medicamentos diminuindo o seu valor. Com isso, não será mais necessário a alocação de servidores da assistência para a instrução de procedimentos licitatórios e as compras serão feitas de acordo com o histórico de consumo verificado pelo Município. O projeto teve entrada na Câmara no dia 28 de março e passou por 4 Comissões, sendo elas: Legislação, Justiça e Redação; Finanças, Orçamento e Fiscalização; Obras, Serviços Públicos, Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Acessibilidade; Saúde e Ação Social. Já participou da Ordem do Dia e teve discussão e votação favorável na sessão do dia 17 de abril. Projeto de lei Ordinária em trâmite 93/2017 Este Projeto busca proibir a queima de resíduos sólidos de qualquer material orgânico ou inorgânicos no Município de Ponta Grossa. A proposição está aguardando parecer da Comissão de Legislação, Justiça e Redação, com o prazo de entrega até 4 de maio, sendo assunto de Serviços e Obras do município proposto pela Vereadora Roseli Mendes (Profª Rose) com a justificativa de que é dever da União, Estados, Distrito Federal e Município de proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. Projeto de lei Ordinária em trâmite 92/2017 Este Projeto busca deixar instituído, no âmbito do Município, o Guia de Direitos e Serviços para pessoas com deficiência. A proposição foi feita pelo Vereador Felipe Passos e está aguardando o parecer das Comissões de Finanças, Orçamento e Fiscalização e de Obras, Serviços Públicos, Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Acessibilidade que tem o prazo de até 5 de maio para ser entregue. O objetivo é favorecer que todas as pessoas com deficiência que moram em Ponta Grossa tenham acesso claro e fácil a todos os seus direitos. Projeto de lei Ordinária em trâmite 96/2017 Este Projeto busca declarar a Associação Ministério Melhor Viver-Filial, com sede em Ponta Grossa, como utilidade pública. A proposição foi feita pelo Vereador Ezequiel Bueno (Pastor Ezequiel) e aguarda o parecer da Comissão de Legislação, Justiça e Redação que tem o prazo de entrega de até 9 de maio. A justificativa para este projeto é que a entidade é dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos e encontra-se exercendo seus objetivos, finalidades e atribuições para com o município. Projeto de lei Ordinária em trâmite 90/2017 O Projeto busca conceder o título de Cidadão Benemérito de Ponta Grossa para o Senhor Adilson Vieira Simões. A proposição foi aprovada pela Comissão de Legislação, Justiça e Redação e participa do assunto de Homenagens e Honrarias proposto pelo Vereador Ricardo Zampieri. Deu entrada na Câmara dia 06/04/2017 e tem o prazo de até o dia 5 de maio para a Comissão de Educação, Cultura e Esporte entregar seu parecer.


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abr/2017

jornalismo literário

"Fico doente se parar de trabalhar" Dona Maria auxiliou na fundação de uma das associações de catadores de Ponta Grossa Em um barracão localizado na Avenida Souza Naves, próximo à entrada do bairro Borato, funciona a Associação dos Recicladores Rei dos Plásticos (Arrep). O local se divide, basicamente, em duas partes: o lugar onde é feito todo o processo de separação do material reciclável e a parte onde se cuida do lado administrativo e onde os catadores associados fazem as refeições. Em uma bancada externa, feita de chapas de compensado, junto à uma parede, trabalha Maria da Luz de Oliveira ou, simplesmente, Dona Maria. Dona Maria foi uma das primeiras catadoras associadas da Arrep. Começou o trabalho em 2011, limpando o barracão e conversando com a vizinhança, para ver se aceitavam que houvesse ali um trabalho de separação de material reciclável e se os moradores poderiam ajudar com a doação de material. O rosto marcado pela passagem do tempo (tem 72 anos) não impede que um sorriso apareça com facilidade. Extrovertida, dona Maria é daquelas pessoas que te convida para sentar e não se envergonha de contar as histórias da

Dona Maria é a integrante mais velha da Associação dos Recicladores Rei dos Plásticos. | Foto: Daniel Schneider

sua vida. Nascida em dez de maio de 1944 na cidade de Reserva, no interior do Paraná. De família pobre, começou a trabalhar na roça para ajudar os pais, aos 14 anos. Teve o primeiro filho aos 15 anos, mesma idade em que deixou a casa dos pais para viver com o marido para ter outros oito filhos. O parceiro faleceu há dois anos e quatro meses. Com os filhos casando e indo embora, disse que se sentia muito sozinha em casa, então, quando a filha falou que precisava mudar de cidade, pediu para deixar o neto com ela. Na época o garoto tinha apenas um ano e sete meses, hoje, já possui 15 anos e continua morando com a avó, mesmo com a mãe re-

Nota de Falecimento No dia 13 de abril, faleceu o locutor de rádio Jauri Gomes, aos 47 anos. Nascido em 1969 em Santa Maria do Oeste (PR), Gomes foi desde bancário a candidato à prefeito de Guarapuava. Apesar do interesse por política, foi como locutor de rádio que ganhou reconhecimento. Trabalhou por 20 anos na Rádio T. O Foca Livre reconhece a importância de Jauri Gomes na comunicação popular. Por Gabriel Miguel

tornando para a cidade de Ponta Grossa. Dona Maria já está aposentada, os colegas falam que ela não precisa mais trabalhar ali, mas ela mesma diz que gosta. “Fico doente se parar de trabalhar”, diz ela. “Aqui na associação nós somos como uma irmandade”, diz dona Maria, se referindo ao modo como os catadores associados tratam uns aos outros e ela faz questão de tratar a todos como se fossem parte de sua família. Membro da associação há um ano e cinco meses, Lucilene Aparecida Paes relata que todos querem muito bem a dona Maria. “Ela foi uma das que mais me recebeu bem aqui”, lembra a catadora. Ela conta que, quando

chegou à Arrep, dona Maria a ensinou como funcionavam as coisas por ali, para que servia cada parte do barracão e em que cada um trabalhava. Há duas coisas que tiram dona Maria do sério: mexer em seu local de trabalho e cometer uma injustiça com alguém. Lucilene fala que, se alguém inventa alguma história para prejudicar uma pessoa ou distorce um fato e dona Maria sabe o que realmente aconteceu, não pensa duas vezes em defender a vítima. Sobre o fato de mexerem no lugar onde trabalha, Lucilene conta uma história recente: “uma vez nós estávamos limpando ali onde ela trabalha e tinha uns pedaços de EVA jogados. Ela dizia que eram os artesanatos dela, acabamos jogando tudo fora na limpeza. Ah mas a velhinha ficou tão brava!”, conta aos risos. Nos dias de seu aniversário, os associados costumam comprar um bolo e fazer alguma coisa em homenagem à integrante mais velha e, também, a mais antiga do grupo. Isso quando ela mesma não resolve dar um dinheiro aos colegas para comprar pão, vina e mais alguma coisa para comemorar a data. “A associação é a segunda casa dela”, conta outra de suas colegas, Marlene de Moraes da Silva, amiga pessoal há mais de vinte anos e presidente da associação

O fim deumaera

“Ela não precisa vim aqui, ganha aposentadoria, só vem porque gosta mesmo”, relata Marlene. Dona Maria conta que não gosta e nem consegue ficar

muito tempo em casa. Dona Maria ajudou na fundação da associação de catadores. Procurou o barracão, limpou, mobilizou a comunidade para doar os materiais que eles precisavam, orientou a cada um que entrou ali trabalhar. Porém, sua história como catadora associada vai chegando ao fim. A Prefeitura irá abrir uma cooperativa de catadores no Distrito Industrial e todos os associados passarão a ser cooperados. Dona Maria não se encaixa no perfil dos que podem entrar no novo estabelecimento: tem uma idade muito avançada e ganha aposentadoria. Deram um prazo de até março de 2017 para limparem e desocuparem os barracões das associações para entregar aos proprietários (todos os barracões são alugados pela Prefeitura). Os colegas terão de se acostumar a não ter o sorriso fácil dela por perto e não poder ouvir seus “causos”. Muito extrovertida, conversa durante quase o dia todo, chega até a cantar e dançar durante o serviço, garantem os colegas. “Parece até um rádio a velhinha”, brinca Marlene. Com uma saída iminente da associação, dona Maria fala em retomar o trabalho no clube de mães, ensinando outras mulheres a fazer artesanato e conta, também, que um rapaz do Santa Luzia, dono de uma sorveteria, ofereceu um freezer para que ela possa vender sorvete em casa, como uma filial no bairro onde mora, um meio de se manter ocupada e complementar a renda da aposentadoria. Por Daniel Schneider

Dona Apolonia, uma benzedeira que ensina e cura

Filha de mãe polaca e pai galiciano, Apolonia Lesniak Mance é uma benzedeira de 78 anos. Ela afirma ter nascido com um dom, que foi aperfeiçoado ao observar suas tias e a avó. Exerce sua função há 45 anos. A avó de Apolonia também era parteira e a encantava tanto por seus dons de benzimento quanto por auxiliar em partos. A avó fazia a criança nascer mesmo quando parecia impossível. “Por mais difícil que fosse, não precisava de cesariana. Minha vó fazia simpatia e a criança nascia de parto normal com saúde”, conta Apolonia. Apolonia garante que tem coisas que só uma benzedeira cura. “Certa vez, veio um moço que estava tratando com médico havia um ano.

Então ele veio aqui e, em três meses, com minhas orações e remédios ele sarou”. Mãe de três filhas, ela tem seis netos e cinco bisnetos, Apolonia Mance foi a única entre os dois irmãos que se interessou pelas simpatias, orações e ervas de remédio e acabou desenvolvendo habilidades nesse meio que segue até hoje. Benzer não têm nada a ver com religião, apesar de muita gente fazer essa associação. Para dona Apolônia, os remédios e orações independem da religião da pessoa e cada benzedeira aprende a curar de um jeito. Por Alana Bittencourt


abr/2017

jornalismo literário

Em busca do rollmops Uma experiência com a comida ogra em Ponta Grossa

PRIMEIRA PARADA: Bar Guerreiro

Esse já era nosso conhecido, já sabíamos até o preço da cerveja. Ele fica perto do Terminal Central, indo em direção ao antigo Mercado Municipal. Chegamos e cumprimentamos o dono do Bar: “Opa, boa tarde, seu Guerreiro! Pode dar um litrão pra nós e alguma conserva que você tiver?”. Logo veio a cerveja com quatro ovinhos de codorna. Começamos bem, sem nenhuma surpresa. Salgamos os ovinhos e atiramos os petiscos para dentro como se estivéssemos jogando uma moeda na fonte dos desejos. Tomando nossa cerveja, conversamos com o seu Alberto, um senhor que estava encostado na parede, que contava diversas estórias da sua vida, desde as sobre seu neto até as de seu filho famoso. Após acabar a bebida, nos despedimos de seu Alberto e de seu Guerreiro. Seguimos nosso caminho atrás do rollmops.

SEGUNDA PARADA: Bar Oriental

Infelizmente, não encontramos nenhuma das iguarias que buscávamos no Bar do Carlito, que fica na frente do Terminal Central. Fomos até o seu vizinho, o ‘Bar Oriental’. Lá tivemos mais de uma

opção de comida. Sentamos na mesa do lado da porta e, enquanto eu pedia a cerveja, quatro vinas - salsicha é coisa de paulista, aqui é paranaense! - e mais quatro ovinhos de codornas. Começamos de leve. Enquanto servíamos a cerveja, todos pegamos mais um ovinho de codorna e mandamos pra dentro - no mesmo ritual, sem pensar muito. Encaramos as vinas que esperavam a gente. Sem titubear fomos para o novo prato. Comemos e todos fizeram a mesma cara de “é bom mesmo”. Demos mais um gole na cerveja e fomos para o próximo ponto.

TERCEIRA PARADA: Lupus Bar

Estávamos na famosa rota dos ‘bares da morte’. Suas lendas são de que sempre dá morte em alguns deles. Espero que não seja pela comida. Paramos no ‘Lupus Bar’ e, antes de entrar, já vi o dono com a camiseta do Operário. Tinha gostado do lugar mesmo antes de ver o que poderia encontrar lá dentro. Entramos e pedimos mais uma cerveja, uma ficha de sinuca (um dos chamarizes do lugar) e mais algumas vinas em conserva. Dessa vez tivemos uma grata surpresa

quando o dono trouxe as vinas picadas e com um molho de pimenta que parecia estar no balcão já tinha uns anos. Mais uma vez comemos sem cerimônia alguma, colocamos a pimenta em tudo como se fosse um dos melhores molhos do mundo, esquecendo do trágico resultado que poderia ter. Ainda estávamos atrás da rollmops e faltavam apenas duas visitas para nós, os dois bares tradicionais da cidade que mudaram de lugar: o ‘Bar do Gerson’ e o ‘Ita Junior’ (herdado do ‘Itatiaia’).

QUARTA PARADA: Bar do Gerson

O ‘Bar do Gerson’ era do lado, portanto mais rápido para chegar. Nessa hora nosso professor já estava nos acompanhando pois éramos o único grupo que ainda não tinha terminado o trabalho. Logo que subimos as escadas do ‘Bar do Gerson’, avistamos de longe as cebolinhas em conserva, mas o que realmente nos chamou a atenção foi a costela e os galetos que giravam nos seduzindo numa daquelas churrasqueiras que qualquer bar e lanchonete têm nos domingos. Entramos e fizemos o ritual novamente. Escolhemos uma mesa, compramos a conserva e uma cerveja. Dessa vez tivemos um acompanhante novo: um galeto para cada. Comemos para forrar o estômago – ficaria mais fácil para as cebolinhas e a cer-

Famoso em botecos de Ponta Grossa, o rollmops é uma conserva de sardinha com cebola. Foto: Matheus Pileggi

veja. Enquanto comíamos o mais típico da comida de bar que tínhamos a disposição, um vira lata resolveu nos fazer companhia. Claro que o cachorro recebeu o resto do galeto de todos e deve ter ficado mais feliz do que em qualquer outro dia. Já estávamos nos despedindo do estabelecimento quando Gerson (o dono) resolveu conversar com a gente. Talvez desconfiado pela nossa idade ou somente curioso por saber o que fazíamos, Gerson trocou poucas palavras e deu um sorriso gigante. Ele é o típico dono de bar, lembrava vagamente todos os ‘bicheiros’ que a televisão insiste em mostrar para nós. Retornamos para o ‘role antigourmet’ que estávamos e tínhamos como destino final o ‘Ita Junior’. Não sabíamos o que acharíamos lá. Todos já tinham desistido de comer rollmops por não termos achado em nenhum dos lugares visitados. Caminhamos até nosso destino desacreditados que, num dia experimentando comidas em conservas, não acharíamos a pequena cebola coberta por uma fina camada de pele de sardinha.

QUINTA PARADA: Ita Junior

Entramos, olhamos bem, avistamos nossa mesa no canto e fomos. Enquanto a gente sentava, um de nós foi até o balcão e perguntou se tinha rollmops. O sorriso no rosto indicava para nós a resposta positiva, vibramos em pensamento e preparamos nosso estômago. Finalmente teríamos o prato principal. Quando chegou a rollmops, a troca de olhares foi direta. Como deve ser, a aparência assustou, não sabíamos mais o que esperar. A ‘tequila das conservas’ (apelido dado pelo nosso professor durante a atividade) estava na nossa frente. Todos nós olhamos, pegamos e sem pensar duas vezes jogamos para dentro o petisco. Ninguém quis mostrar sentir demais - ou

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de menos - o sabor. Ninguém queria ser menos do que o petisco pedia. Tivemos um colega que quase não aguentou e precisou dar uns goles na cerveja. Finalmente a gente tinha achado o prêmio. Então seguimos nosso caminho após a pequena alegria de encontrar o que procuramos durante o dia todo; sabíamos que tínhamos cumprido nosso propósito. Por Danilo Schleder

"Será que algum dia eu vou machucar alguém de novo?" Confissões de um detento

“Pessoas que conviviam comigo antes e depois do crime - que conviviam enquanto eu respondia em liberdade -, passaram a ter medo até de me pedir uma carona. Elas achavam que eu poderia feri-las também. “Uma pessoa um dia me reconheceu em uma loja, e me agrediu verbalmente. Ela gritou que eu havia cometido um assassinato. Os seguranças foram chamados e eu fui expulso do estabelecimento. “O ideal de se cumprir uma pena é de que o detento possa se resgatar e voltar para a sociedade. A sociedade tem que estar preparada para que os presidiários possam ser reincluídos nela um dia. Durante o cumprimento da minha pena, eu mudei minha cabeça, meu pensamento e - principalmente eu mudei.” Thiago Souza (nome fictício): 34 anos, branco, ponta-grossense, detento da Cadeia Pública Hildebrando de Souza. Foi condenado por homicídio, por um crime passional cometido no ano de 2005. Passou 11 anos respondendo o processo em liberdade, porque não tinha sido julgado. Arrependido, ele afirma que nada justifica ter tirado a vida de uma pessoa. Por Giulia Savi e João Guilherme Castro


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polêmica

abr/ 2017

É viável legalizar a maconha no Brasil?

SIM

O uso de drogas é algo inerente ao ser humano, de modo que não há história de sociedade  sem o consumo de  estimulantes e relaxantes.  Assim como  domesticamos os animais, selecionamos e engenhamos aquilo que nos era útil.  Foi assim com os  cães, com o trigo e com a maconha –  portanto, não se trata de um acaso, misterioso e esotérico, mas  algo  criado pelos seres humanos. A  ciência, impedida e censurada pela proibição, passou a descobrir dezenas de usos medicinais  apenas recentemente. No entanto, este tipo uso  já era  visto  há cinco mil anos. Uma planta repleta de  utilidades servindo para as velas e cordames das grandes navegações, óleo, alimento das sementes e uso medicinal e místico das suas flores, que somente no século XX passou a ser proibida. A  proibição é a recém-chegada da história.  Ela que desrespeitando evidências e dados impõe através da força e da violência penal um comportamento inexigível, com uma política sem qualquer critério de racionalidade científica e alteridade. Uma política marcada pelo racismo e preconceito, atuando brutalmente sobre uma população específica, inviável é submeter centenas de milhares de jovens as consequências nefastas da prisão. Um remédio que mata mais que a  “doença”  que pretende curar. A proibição favorece um mercado ilegal violento, submete o usuário a condições terríveis – justamente aqueles a quem se quer proteger –  se gasta  dinheiro, tempo e vidas em uma guerra vã. Por outro lado, a legalização significa regulamentar, tratar via direito civil, permitindo proteger

eventuais grupos de risco (p.e.  jovens e doentes mentais),  ampliar a pesquisa e uma educação não moralista sobre as drogas para evitar abusos. Temos evidências suficientes para afirmar que a legalização da maconha é necessária e urgente.  Experiências internacionais e a ONU indicam para uma política mais inteligente e humana em relação as drogas. Para maiores informações pesquisem em plataformas científicas  (p.e. Scielo)  as consequências da proibição.

Aknaton Toczek Souza é

professor de direito penal e criminologia, advogado e sociólogo. Doutorando e mestre em Sociologia pela UFPR e especialista em direito penal e criminologia.

NÃO

No ano de 2006, o Brasil alterou a legislação penal em relação às drogas, modificação que veio a despenalizar o crime de Rauli Gross Junior ser  usuário  previsto no art. 28 da lei nº 11.343/2006, matéria já pacificada pelo A  ciência, impedida STF  [Supremo Tribunal pela proibição, Federal]. Ocorre que, passou a descobrir coincidentemente a partir dezenas de usos desta data, houve um aumedicinais  apenas mento significativo dos recentemente. crimes de ordem patrimonial e dos homicídios  no Aknaton Toczek Souza Brasil  –  tal incidência está diretamente ligada ao auO Foca Livre mento do consumo de convida os autores drogas. e apresenta suas Apesar do art. 33 opiniões na da referida lei ter agravaíntegra. A seção do a pena em relação ao tem a premissa de tráfico, a liberação tácita mostrar diferentes decorrente da despenaliopiniões de zação do usuário impulmaneira crítica e sionou o consumo de civilizada. drogas na última década, principalmente da  maco-

O fato de legalizar a maconha  não irá acabar com o tráfico de drogas.

nha e do crack. Hoje, a maconha é facilmente encontrada em diferentes meios da sociedade, sendo notório que se trata de uma droga de acesso, tendo em vista que grande parte dos seus usuários em determinado momento passam fazer uso de  drogas mais pesadas. Ademais, o utilização da maconha está diretamente ligada ao consumo de álcool, a droga lícita que mais mata em nosso país. Já que o uso  de drogas está diretamente relacionado  ao aumento das praticas ilícitas, não há como defender a legalização em nosso país, principalmente sabendo que o Estado não terá como fiscalizar e inibir o tráfico  –  o que resultaria no aumento do consumo, principalmente entre os adolescentes, a exemplo do que já ocorre com o álcool. Entendemos que o Brasil não está culturalmente preparado para dar um passo tão  grande, seja pela falta de fiscalização ou pela incapacidade  de  desenvolver políticas públicas de prevenção ao consumo. O fato de legalizar a  maconha  não irá acabar com o tráfico de drogas, isto porque sempre existirão fornecedores  que venderão a droga  de forma ilícita, mais barata que  nos pontos oficiais, a exemplo do que já ocorre com o cigarro e as bebidas contrabandeadas de outros países ou adulteradas em adegas clandestinas.

Rauli Gross Junior é

Marcha da Maconha em Ponta Grossa, 08 de abril de 2017 | Foto: Kimberly Safraide / Lente Quente

professor de processo penal e prática forense. Doutor em Direito na Universidade Católica de Santa Fé/Argentina e mestre em Ciências Júridicas na Univali/SC.


ideias 1 3

abr/2017

Qual foi a última vez que você foi ao cinema?

Durante a tarde de 10 de abril (segunda-feira) foi realizada uma enquete pelos acadêmicos de jornalismo nos arredores do Campus Central da UEPG. Cinquenta pessoas responderam à pergunta "Qual foi a última vez que você foi ao cinema?". Atenção: a amostragem foi aleatória, ela não possui valor estatístico. A amostra indicou que a maioria desse público foi ao cinema nas duas semanas anteriores à pesquisa. Em contrapartida, a opção de mais longo tempo (10 anos ou

mais) foi a segunda mais citada pelo grupo. Cerca de 24% dos entrevistados preferem o gênero comédia. Ação e terror são os preferidos, respectivamente, de 22% e 18% das pessoas consultadas na pesquisa. Os participantes da enquete podiam optar por mais de um gênero ou nenhum. Nas entrevistas, as produções brasileiras foram lembradas regularmente, o que destaca uma tendência dos últimos anos – a de valorização do cinema nacional. Por Barbara Popadiuk e Pedro Andrade

PRATIQUE ARTES VISUAIS NA UEPG

Quem gosta de gravura, fotografia, desenho e pintura pode participar dos encontros semanais do Grupo Grimpa. O projeto de extensão do Departamento de Artes abre o ateliê para os interessados em produzir e discutir Artes Visuais. Os encontros ocorrem todas as quintas das 9h às 12h, no Campus Uvaranas, na sala 58 da Central de Salas. Informese no Deartes (3220-3787) ou pelo e-mail do professor responsável Renato Torres (torresrenato@yahoo.com.br).

Há mais de seis meses que não vou, mas gosto de cinema nacional. Jair Gonçalves Mendes, 31, Funcionário Público.

Fui ontem, mas não vou com frequência. Às vezes a gente esquece, perde o hábito. Rosalva Silva, 60, aposentada.

Recomendações

O Sal da Terra O Sal da Terra enquadra a trajetória do fotógrafo Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado

AMY AsifKapadia

brasileiro Sebastião Salgado, enquanto refugiado da Ditadura Militar, Sebastião conheceu a fotografia. O documentário de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado acompanha o fotógrafo em suas expedições, em que expõe a realidade ao registrar a natureza e seus ocupantes, ambos sobreviventes de guerras. Assim como a obra monocromática de Salgado, o filme emociona com relações e surpreende ao revelar novas perspectivas sobre a fotografia. Por William Clarindo Sócia do “clube dos 27”, o documentário "Amy" divide a trajetória da cantora e compositora-problema entre a vida de Amy Winehouse, em um tom intimista e confortável, e a vida que queriam (tirar) dela. Nesse sentido, as mais de 100 entrevistas e depoimentos - em forma de áudios e vídeos caseiros coletados - desenrolam a breve vida da estrela do jazz que nunca quis fazer parte da estrela da fama, mas entre ter a reabilitação negada e ser obrigada a entrar em palcos pelo próprio pai, viu sua carreira ser degradada junto com a sua própria vida. Por Ellen Almeida

Janela da Alma Documentário marcado pela subjetividade, o filme de João Jardim e Walter Carvalho

2014 traz ao espectador experiências de percepção de mundo de dezenove personagens, cada um deles portador de alguma deficiência visual. Contendo momentos cômicos e cenas que causam desconforto, a obra induz à contemplação de visões distintas da realidade e, a partir de relatos dos entrevistados, à interpretação das mesmas. O documentário é recomendável para quem gosta de fotografia ou de filosofia. Por Gabriel Miguel

A Luta

Norman Mailer

Uma narrativa descritiva da maior luta do século, que te leva a se sentir parte da história, instigando a imaginação em 210 páginas. “ALuta” traz conversas de bastidores, os medos e manias de Muhammad Ali e George Foreman, contados pelo jornalista que se apresenta no texto como mais um personagem, Norman Mailer. E um trabalho etnográfico sobre o Zaire e as diversidades africanas, uma viagem no tempo e na história do pugilismo mundial.

Por Thanile Ratti 41 Inícios Falsos O livro consiste em 16 perfis de personalidades do cenário criativo de Nova York. A autora utiliza o JanetMalcolm perfil como um instrumento de luta, forma que encontrou para mostrar e combater o machismo e preconceito no cenário artístico. Sua dissecação sobre os perfis beira a análise psicológica profunda. As mulheres no livro são retratadas com intensidade, mas acredito que o maior retrato que temos a partir dessa leitura é o da própria Janet. Seus perfis não buscam agradar o leitor e sim tem o intuito de perfazer uma busca incessante pelo realismo. Por Anna Cuimachowicz

Vozes de Tchernóbil

Svetlana Aleksiévitch preza quase que somente pelatranscriçãodeentrevistascompessoasenvolvidas Svetlana Aleksiévitch no desastre nuclear sem que o livro perca fôlego ou fique monótono em algum momento..“Vozes...” deixa sua marca no jornalismo literário justamente pela abordagem e construção incomuns. É uma obra esclarecedora sobre o contexto social e histórico que contribuiu para que o desastre ocorresse. Por Enrique Bayer


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da redação

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EDITORIAL

Foca: da tradição à novidade Mesmo no ano 25, reencontrou sua juventude e se levantou para uma nova vida. Quem sabe suas mudanças possam atordoar. Ele está menor, mais volumoso. Agora o Foca Livre virou um classudo berliner de 16 páginas e decidiu se renovar por dentro também. No novo Foca, a notícia vem antes - na página dois. A folha de opinião foi da clássica segunda página para o final do jornal, visando valorizar a informação, enquanto agrega maior diversidade de gêneros no miolo. Uma das novidades é a página da polêmica, em que a redação indagará uma pergunta e escolherá pessoas capacitadas para respondê-las, criando um debate além da notícia. Nem tudo são rosas opinativas. O “Foca Ano 25” reconhece a relevância do jornal e esperamos honrar as vésperas das bodas de prata. Explorando a infografia e a utilidade pública, os especiais do Foca busca-

rão sanar as dúvidas da população. Nós nos aventuraremos no jornalismo literário, na fotografia e especialmente, na notícia. Na página 15, estreamos um espaço de curadoria que procura valorizar a capacidade dos jornalistas de estabelecer parcerias com outras redações. Foca Livre na era do jornalismo pós industrial. Se sobrar tempo, exploraremos até mesmo Ponta Grossa. Os repórteres do Foca almejam desbravar a Princesa dos Campos Gerais, de cabo a rabo. Chegar à fronteira final e revelar os nichos culturais além do Conservatório e do professor Ben-Hur. Abrimos o champanhe para um novo ano e encaramos o desafio de um jornal-laboratório como o Foca Livre, que agora respirará novos ares. Ele está velhinho, mas está bem conservado. O que importa é não estar vencido, sempre em busca da vitória. Ao infinito e além!

A Foca Crítica O Foca Livre critica a Prefeitura de Ponta Grossa por burocratizar a concessão de entrevistas, obstruindo o livre exercício do jornalismo. Repórteres do Foca Livre foram entrevistar funcionários públicos que eram a fonte primária da notícia e saíram sem nenhuma informação. Qual foi a justificativa dada? Disseram que só dariam entrevista mediante ofício expedido pela Prefeitura. Jornalista que coloca o pé na rua sofre em Ponta Grossa, mas não desiste. O Foca apela ao bom senso dos funcionários e dos gestores para agilizarmos entrevistas e levarmos a melhor informação aos leitores de PG. Editores de texto: Ana Istschuk, Enaira Schoemberger, João Vitor Rezende, Marina Santos Daum, Millena Lopata, Rafael Chornobai, Rodrigo Charneski, Verônica Scheifer Editores de imagem: Ana Lopes, Ingrid Petroski, Lorena Panassolo, Priscilla Pires, Saori Honorato Núcleo de pesquisa e revisão: Alessandra Delgobo, AmandaSantos, HeloísaVivan, Julio CésarPrado, Lucas Cabral, Pedro Andrade, Rafaela Martins

Buscando inspiração em João do Rio

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Cinco qualidades indispensáveis para um jornal-laboratório

Não são dias fáceis para o jornalismo esses em que vivemos. A transformação dos processos de comunicação trouxe a necessidade de refletir diariamente sobre o trabalho de produzir notícias. Para que um jornal-laboratório cumpra seu papel, entregando jornalismo de qualidade, são necessários alguns predicados.

Em todos os lugares, do quintal de casa aos corredores do poder público. Inclusive naquele cantinho ao qual ninguém dá bola.

4) Problematização

O jornalismo é feito de perguntas e a mais importante delas é: por quê? Se está certo, errado, de onde veio, para onde irá... pode até não haver resposta, 1) Criatividade mas o leitor precisa saber disFoi-se o tempo que so. bastava uma boa história pa- 5) Organização ra ganhar a atenção do lei- Criatividade e ousadia não tor. Da escolha do assunto à significam fazer o que quimaneira de apresentá-lo, é ser de forma aleatória. Copreciso sempre pensar além mo uma máquina, o jornal do trivial. funciona quando cada en2) Ousadia grenagem roda no tempo e Não há melhor lugar no lugar certo. para experimentar do que na Academia. Sem riscos, não Anderson Gonçalves é há inovação. E, se não funjornalista formado pela cionar, sempre restará o meUEPG e atualmente é lhor de tudo: o aprendizado. editor do Caderno G, da 3) Olhar aguçado Gazeta do Povo. Onde está a notícia?

Núcleo de diagramação: Barbara Popadiuk, Débora Chacarski, Fernanda Wolf, Letícia Dovhy, Millena Villanueva, Patricia Guedes, William Clarindo. Repórteres: Consulte a autoria das reportagens diretamente na página da notícia. Colaborações: Alana Bittencourt (perfil), Anna Cuimachowicz (crítica), Danilo Schleder (crônica), Daniel Schneider (perfil), Ellen Almeida (crítica), EnriqueBayer(crítica), ThanileRatti(crítica).

Curadoria: Bruno Fonseca, Iuri Barcelos, Lucas Ferraz, Thiago Domenici (Agência Pública). Endereço (envie cartas, livros, CDs e DVDs para o Foca): DepartamentodeJornalismo–UEPG| Campus Central | Praça Santos Andrade, n.º 01 – Centro | CEP 84010-790 - Ponta Grossa – PR

O Foca Livre comemora seu 25º ano, nesta 1ª edição de 2017, trazendo uma grande vertente do jornalismo em suas páginas: o jornalismo literário. Quem sabe assim, João do Rio, que dá nome ao Centro Acadêmico de Jornalismo (CAJOR), possa realmente ser homenageado de maneira mais direta pelos alunos – escrevendo e publicando sob sua inspiração. João do Rio foi, em primeiro lugar um jornalista, que se tornou cronista e recorria à literatura como um preceito estetizante para aproximar-se da arte através da ótica do dandismo e da independência com distinção do flâneur (o observador anônimo do cotidiano). Em seus trabalhos havia personagens tanto do lado mais obscuro quanto os do lado mais “cintilante” da cidade. Qual é o fio condutor que liga um jornalista dos 1900 com jovens aspirantes à carreira, nos meados dos anos 2000? Se, por um lado, as diferenças sociais evoluíram e tantas cidades se tornaram metrópoles, por outro, o jornalista perdeu o contato com a rua, com o material humano. O jornalismo literário consegue fazer com que o “efêmero’’ se torne “eterno”, ele permite que o jornalista recupere sua relação com as histórias de vida e com a rua. Eliete Marochi é jornalista formada pela UEPG. Ela obteve o título de mestre em Teoria da Literatura na UFSC estudando João do Rio.

Jornalista responsável Ben-Hur Demeneck (DRT 5664 – PR) Impressão: Grafinorte, Apucarana (PR) Tiragem: 2.000 exemplares Telefone: +55.42.3220.3389

Ostextosdeopiniãosãoderesponsabilidadedeseusau- Contato: focalivre25@gmail.com tores e não expressam o ponto de vista do Jornal. Foca Livre é Jornalismo independente.


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curadoria

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O Foca Livre seleciona nesta edição o melhor do jornalismo independente brasileiro A publicação foi autorizada pela Agência Pública de Jornalismo

Números não apontam benefícios nas cadeias com participação privada Mesmodefasados, dadosoficiaisindicammortalidade maiornospresídiosdagestãoprivada;presençadas empresasnosetorprisionalaindaétímida.

Por Bruno Fonseca Iuri Barcelos Lucas Ferraz Thiago Domenic

Matéria publicada dia 16 de janeiro de 2017

Um dos grandes problemas quando se fala do sistema penitenciário é a falta de dados atualizados. Quando apresentou um plano nacional de segurança para dar uma resposta à matança nos presídios, neste mês, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou que não há registro sobre a quantidade de presos nas penitenciárias brasileiras. No entanto, existem dados disponíveis do próprio [Ministério da Justiça], que foram compilados pelo Departamento Penitenciário Nacional, e o último levantamento é de 2014. “Houve uma mudança de sistema e os dados de 2015 estão sendo consolidados. O Depen depende do envio de informações dos estados, por esse motivo, o prazo mínimo é um ano de defasagem”, afirmou o ministério em nota enviada à Pública.

Quantidade de presídios por sistema prisional

Presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a ministra Cármen Lúcia anunciou a ideia de fazer um recenseamento da população carcerária. Após o início das rebeliões nos presídios neste início do ano, ela reforçou a proposta em encontros que teve com o presidente Michel Temer. *Segundo o Ministério O censo deve ser realizado pelo da Justiça, no entanto, IBGE com o apoio do Exército. atualmente existe uma única penitenciária no modelo Os dados mais recentes do Sistema de PPP, em Ribeirão das Neves, Minas Gerais. Integrado de Informação Penitenciária (INFOPEN), do Ministério da Justiça, são de dezembro de e indicam que sob gestão das Mortalidade de presos por população de cada sistema prisional 2014, empresas privadas estão, aproximadamente, 18 mil detentos; o que representa 3% da população carcerária brasileira, estimada em mais de 600 mil pessoas. A privatização, chamada oficialmente de cogestão, pode ser viabilizada por meio de duas leis: a de Licitações e Contratos (8666), onde o Estado constrói e o privado Presos por sistema prisional de acordo com pena equipa, mantém e opera, a maioria dos casos. E a lei das PPP – Parceria Público-Privada (11.079), no qual o privado projeta, constrói, mantém e opera a unidade. Atualmente, somente uma penitenciária no país funciona nesse modelo, em Ribeirão das Neves, Minas Gerais. Lá, o Estado garante 90% de lotação mínima e seleciona os presos para facilitar o sucesso do projeto. Em todos os casos, por questões legais, o Estado se mantém responsável pela custódia e garantia do cumprimento da pena estabelecida, e a empresa é responsável por prover os meios para que o preso cumpra a pena.


a arte urbana ocupa as paredes da UEPG Centro de Convivência do Campus Uvaranas

Por Ingrid Petroski, Priscilla Pires, Saori Honorato e William Clarindo

#FocaNasPessoas A redação do Foca Livre registrou os trabalhadores de Ponta Grossa com câmeras analógicas

Por Jéssica Gradin, Julyana Nocêra, Maíra Orso, Millena Villanueva, Priscilla Pires, Saori Honorato e Verônica Scheifer

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Foca Livre - Ano 25 - Edição 192  

O Jornal Foca Livre é uma produção laboratorial do segundo ano de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Curta a nossa fan pag...

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