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Junho de 2017 | Jornalismo UEPG

Fernanda Wolf

Jornal Laboratório | Nº 193

Segundo Censo de 2010, há mais de 400 mil de umbandistas no Brasil, sendo 7 mil no Paraná. Apesar do crescimento relativo de 35% dos praticantes declarados no Estado entre 2000 e 2010, o desconhecimento sobre a religião criada no país, ainda a torna alvo de preconceito. | Vireo jornaleconfirao ensaio. UEPG, p. 2

PASSO-A-PASSO, p. 8-9

POLÍTICA, p. 5

POLÊMICA, p. 1 2

Comunidade reclama da situação Entenda como funciona e como da pista de atletismo de Uvaranas participarde uma licitação Restaurantes devem oferecer opções de cardápio em braille Matheus Pilleggi

UEPG, p. 2

Estudantes da UEPG protestam após Eric Navarro serbaleado no campus

Émoral a utilização de animais em laboratório? CURADORIA, p. 1 5

Fact-checking: confira balanço de um ano da gestão Temer

CULTURA, p. 7

Penteados afro reafirmam identidade negra

GABS


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UEPG

jun/2017

Comunidade denuncia situação da pista de atletismo da UEPG

Pista, falta de iluminação e sinalização geram reclamações entre frequentadores

A pista de atletismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa é atualmente de concreto, sem o material sintético original da cobertura. A falta de conservação incomoda quem frequenta e treina diariamente no local. O piso irregular afeta o rendimento da aula e pode provocar acidentes. A falta de iluminação também põe em risco a segurança dos frequentadores. A pista de atletismo foi construída em 1983 com um material de vida útil de 10 a 15 anos. Segundo Carlos Zarimba, professor e Chefe do Departamento de Educação Física, a cobertura começou a se soltar com o tempo e foi preciso retirála, deixando a pista de concreto puro que serviria de base para outros materiais, mas não foi aprimorada.

Impacto negativo

Os alunos de licenciatura de Educação Física que realizam aulas na pista criticam o estado da pista. O aluno Amazônas Santos Neto destacou a situação enfrentada: “Como fazemos licenciatura e o curso é noturno, fica impossível re-

A atleta profissional Wanessa Zavolski treina na pista diariamente. | Foto: Ana Flávia Aranna

alizar qualquer tipo de atividade na pista. Já tivemos que usar luz de celular para realizarmos atividades”, indigna-se Neto. A atleta Wanessa Taciana do Nascimento Zavolski, 27, já representou o Brasil no Sul-Americano do Chile em 2014 e treina diariamente na pista de atletismo da UEPG. Segundo o treinador de Wanessa, Miguel Dombrowski, a pista não é ideal para atletas por não ter cobertura de material sintético, um tipo de borracha que diminui o impacto nos músculos, ossos e articulações. A coordenadora dos Jogos Estudantis de Ponta Grossa (JEM), no atletismo, Milena Alves lamenta pelo descaso com essas estrutu-

ras. “É uma situação bem precária, é perigoso se machucar. A gaiola está enferrujada e não conta com a manutenção” .

Prejuízo no lazer

“Por indicação do meu ortopedista, evito correr na pista de concreto. O impacto é muito grande”, conta o professor e praticante de corrida Pedro de Oliveira. A aluna de zootecnia Aline Nabozny também lamenta a estrutura da pista. “Desestimula ir treinar. Ir pra voltar machucado? As placas macias que foram retiradas fazem falta”, lembra a acadêmica. Segundo Aline, a reforma é necessária, pois amenizaria os impactos no corpo.

O estudante de Agronomia Carlos Kapp só treina sobre a grama ao redor da pista porque desenvolveu uma patologia conhecida como canelite. “Eu treinava aqui na pista, mas acabei desenvolvendo esta doença por causa do impacto que a pista causa nos músculos, ossos e articulações, agora prefiro treinar na grama”. Maria Galvão frequenta a pista como local de esporte e lazer duas vezes por semana junto dos filhos e aponta a falta de iluminação como problema da pista. “Algumas pessoas que trabalham durante o dia, tem o hábito de vir aqui no final da tarde. Vejam que demoram até para acender as luzes, e isso compromete a segurança”, afirma Maria.

Outro lado: o projetista da

Pró-reitoria de Planejamento (PROPLAN), Eros Lourenço, explicou que há projetos criados pelos acadêmicos de Engenharia Civil para a implantação dessa camada e para melhoria da iluminação da pista, mas que não são executados pela falta de verba. Por Ana Flávia Aranna

e Letícia Dovhy

Estudantes da UEPG protestam por mais segurança no Campus

Na noite do dia 24, no Campus Uvaranas da UEPG, o estudante de pósgraduação em Odontologia Eric Acuña Navarro, foi baleado durante tentativa de assalto. Em protesto no dia seguinte (25), estudantes ocuparam a reitoria para pedir medidas imediatas por parte do reitor Carlos Luciano Sant'ana Vargas, que afirma que a prioridade é a iluminação do Campus de Uvaranas. . Por Ana Flávia Aranna

Reitor se pronuncia em protesto no campus de Uvaranas | Foto: Angelo Rocha

Recepção aos alunos de intercâmbio da UEPG No dia 05 de maio ocorreu a Segunda Recepção aos Calouros Internacionais organizado pelo Projeto “Internacionalização, Cidadania e Direitos Humanos: do Intercâmbio para as Migrações Internacionais Contemporâneas (InterMig)”. Criado em 2012, o Projeto de iniciativa de Serviço Social, tem como objetivo acolher os alunos intercambistas. Neste ano foram 11 acadêmicos recepcionadosa, a maioria vindo da Colômbia.

Recepção aos intercambistas. | Foto: Patrícia Guedes Por Amanda Santos

Sistema Meta-4 ameaça universidades públicas do Paraná

O Meta-4 é o nome de um sistema informatizado dirigido pela Secretaria Estadual de Administração e Previdência que roda a folha de pagamento dos servidores do estado do Paraná. As universidades, no entanto, possuem uma forma própria e autônoma de gestão que está prevista nas constituições tanto Estadual quanto Federal, fazendo assim sua própria folha de pagamentos. Sobre o assunto, o reitor Carlos Luciano Sant'Ana Vargas afirma “Nós somos contra esse sistema e vamos fazer o possível para que a UEPG não entre, porque entendemos que ele é ruim e desnecessário. No meu ponto de vista não vejo muita alternativa do que recorrer ao judiciário”. Por Maíra Orso e Pedro Andrade


cidadania

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"Sem permissão, ele retirou a camisinha"

Lei brasileira não prevê pena para quem retira camisinha sem consentimento do parceiro “Ele me disse que era normal ter uma relação sem camisinha já que estávamos há seis meses juntos. Eu não cedi, mas o amava. Mesmo eu não querendo ele retirou a camisinha. O resultado foi que fiquei grávida e ele abandonou eu e a criança”, conta a dona de casa Vera*, 20 anos A criança, hoje com dois anos, não conhece o pai. Vera conta que fez exames para verificar uma possivel DST. "Depois que ele me abandonou fiquei com medo de ter contraído alguma doença, fiz o teste e deu negativo. Acho que não fui a primeira e nem serei a última que ele irá fazer isso”, diz a dona de casa. O caso de Vera é apenas mais um nas estatísticas, a retirada da camisinha na relação sexual só tem aumentado. As vítimas na sua maioria são jovens heterossexuais. O caso também pode ser chamada de Stealthing (em português algo como “dissimulação”). O termo em inglês designa a prática da retirada da camisinha sem o consentimento do parceiro. Embora não haja

registro de quantas pessoas passaram por essa situação, o abuso é mais comum em mulheres. Segundo um artigo publicado no periódico científico Columbia Journal of Gender and Law, baseado em relatos de vítimas, homens homossexuais também são alvos do Stealthing.

Eu me considero agredida por ser enganada e ter percebido que estava desprotegida. “Ele tirava a camisinha nas nossas relações sem consentimento, não aceitava pois vivíamos em um relacionamento aberto. Ele tentava me convencer de que a relação era melhor sem o preservativo, muitas vezes eu só percebia que não foi usado a camisinha no final da relação. Eu me considero agredida por ser enganada e ter percebido que estava desprotegida”, conta a travesti Natalia* de 29 anos. A infectologista Márcia Weber de Carvalho alerta para o perigo da prá-

tica. "Além de ser uma prática criminosa, está expondo as pessoas às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a sífilis", alerta Márcia Carvalho. Segundo a infectologista, a sífilis é dividida em três fases, a primária tem lesões, chamadas de cancro duro, uma verruga dura e indolor, geralmente localizadas nos genitais. Na mulher, muitas vezes elas são internas e imperceptíveis. Essa lesão desaparece no prazo de uma a duas semanas”. Além de ser transmitida sexualmente, a sífilis também pode ser passada para o bebê durante a gravidez. De acordo com a lei brasileira a retirada da camisinha não poderia ser considerada estupro”, afirma a advogada Renata Moreira do Nascimento. No artigo 213 do Código Penal, o crime de estupro trata do ato de “constranger alguém através de ameaça, a ter relação carnal ". A advogada afirma que para enquadrar um ato como estupro é preciso que tenha ocorrido sob grave ameaça. “O termo Ste-

Camisinha previne DSTs. | Foto: Verônica Scheifer althing legalmente não se- AIDS: 81 mil brasileiros ria para denominar um começaram a se tratar no crime mas sim uma infide- ano de 2016, um aumento lidade do parceiro, pois ti- de 13% em relação a 2014, rar a camisinha sem a quando 72 mil pessoas autorização do companhei- aderiram aos medicamenro, por si só não é um cri- tos. De 2009 a 2015, o núme, pois não houve mero de pessoas em violência, e o ato sexual es- tratamento no Sistema tava de acordo entre os Único de Saúde aumentou parceiros”, explica a advo- 97%, passando de 231 mil gada. para 455 mil pessoas. O Brasil registrou, em 2015, segundo o *Nomes fictícios Ministério da Saúde, recorde no número de pessoas em tratamento de HIV e Por Luiz Zak

Endometriose atinge 10% das mulheres A doença não possui prevenção e muito menos cura, mas possui tratamento através de remédios A administradora Ana Flávia Zuartech, 35, foi diagnosticada há dez anos com a endometriose e relata que sentia muitas dores abdominais. “Fiz acompanhamento médico e como minha endometriose não era um estágio muito avançado, o médico pediu que eu parasse de tomar o anticoncepcional. Após dois anos eu engravidei”, relata Ana Flávia. A endometriose é uma doença ginecológica que atinge mulheres durante sua idade reprodutiva. Ela ocorre quando o endométrio, que reveste a parte interna do útero, se prolifera em outros órgãos, como ovários, intestino e

bexiga. Os sintomas segundo o ginecologista Francisco Carlos de Morais são três: dor durante a relação sexual, dor intensa antes de menstruar e sangramentos intestinais e urinários durante esse período. A doença é dividida em quatro estágios: I- Mínima; II- Leve; III- Moderada e VI- Grave. O médico explica que o exame mais confiável para fazer o diagnóstico é por videolaparoscopia e o mais comum é quando a paciente queixa-se de dores abdominais antes de menstruar, e durante a relação sexual. Segundo dados do Jornal Reproductive Scien-

ces, uma em cada 10 mulheres sofrem com a endometriose. O médico Francisco de Moraes aponta que “por não fazer laparoscopia o diagnóstico fica mais difícil, pois este exame permite visualizar os focos”. A doença não possui prevenções, nem cura, apenas tratamento através de remédios que causam a pausa da menstruação por um período de 6 a 9 meses, além de analgésicos, antiinflamatórios, análogos de GNHR, Danazol e Dienogeste. Ainda é possível fazer cirurgia quando o caso é mais grave, o que é muito raro. O SUS disponibiliza

os remédios para o tratamento, em período mensal ou trimensalmente, mas é preciso que a paciente comprove seu diagnóstico através de exames. A assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa explica que a referência em tratamentos especializados para mulher na cidade é o Centro Municipal da Mulher. Todas aquelas que precisam de tratamento são encaminhadas para esses médicos a fim de conseguir seu diagnóstico e tratamento adequado. Caso seja necessário, os médicos também podem encaminhar alguns desses

casos para a cirurgia. Segundo a assessoria, existem apenas três mulheres na fila de espera para realizar o procedimento pelo sistema de saúde pública.

Você conhece a endometriose?

24 Pessoas foram entrevistadas para a enquete. Por Marina Santos e Millena Lopata


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cidadania

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Ferroviários aposentados da “Rede” se encontram semanalmente há 25 anos

Rodas de conversa feitas por membros de associação ativam a história da Ferrovia de Ponta Grossa. Prestes a completar 25 anos de atividade, a Associação Beneficente dos Aposentados e Pensionistas Ferroviários (ASFER), reúne pessoas que fizeram a história da ferrovia em Ponta Grossa para compartilhar suas memórias. Há cerca de 15 associados e eles se encontram três vezes por semana no Centro de Ação Social 26 de Outubro - patrimônio encoberto atualmente pelo Shopping Palladium e antigo “Hospital dos Ferroviários” . “Me considero muito feliz por ser ex-ferroviário”, compartilha Amaury Macagmkn, ex-chefe de estação e aposentado há 32 anos. Amaury é filho de ferroviário e tinha amor pelo que fazia. Procurava sempre progredir na carreira. Os outros associados ocuparam funções como ajudante de maquinista, operador de movimento, telegrafista e guarda-freio. Os assuntos mais abordados na ASFER são recordações familiares e so-

ciais. A viagem no tempo inclui relatos sobre quem aproveitava a noite para namorar na rua XV de novembro, sobre idas ao cinema nos dias de semana, sobre os bailes ao som de orquestras onde “se dançava sentindo o corpo do par”. A ASFER foi fundada em 11 de novembro em 1992. Ela não possui cargos, porque tem menos membros, e não cobra mensalidade. O professor de geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Leonel Brizolla Monastirsky, estuda ferrovia e patrimônio cultural. Monastirsky explica que grupos como a ASFER contribuem para o patrimônio ferroviário, já que Ponta Grossa teve seu desenvolvimento por conta dos trens e, assim, conectou-se com o mundo. “Os ferroviários foram uma classe muito importante no século 20“, afirma Leonel.

Membros da ASFER conversando na sede da Associação. | Foto: Camila Zanardini Martinho Stremel, so e passou. boa, teve problemas, mas No primeiro dia de no fim o esforço foi recom74 anos, formou-se torneiro mecânico e passou a traba- trabalho, deram a Martinho pensado. “Não tem coisa lhar em uma oficina da ci- uma esponja de aço e um melhor do que fazer aquilo dade. Um dia passou por produto químico para lim- que você gosta, não parece uma rua que de longe se par uma locomotiva em re- ser um serviço, eu me senavistava a linha ferroviária, visão. Depois, foi chamado tia realizado" afirma Streviu um trem passar e pen- para ir viajar como auxiliar mel. sou: eu vou ser um maqui- de maquinista. Mais tarde nista. Dias depois viu em conquistou o cargo que deuma capa de jornal, que di- sejava desde o início. Para zia “Rede Ferroviária Fede- Martinho, a sensação de Por Camila Zanardini e Como eu me tornei ral precisa de maquinistas”. conduzir uma locomotiva Ingrid Petroski maquinista Se inscreveu, fez o concur- pela primeira vez é muito

AXPG promove torneio beneficente para pagar cirurgia de estudante de PG Júlia CristinaValenga tem duas síndromes e precisa de uma nova cirurgia até agosto. A Associação de Xadrez de Ponta Grossa (AXPG) organizou um torneio para arrecadar dinheiro para a cirurgia de Júlia Cristina Valenga, de 11 anos. O evento ocorreu no dia 8 de abril na escola Tales de Mileto, onde Júlia estuda e pratica o esporte.

Júlia tem Síndrome de Down e depois de ter sofrido um AVC em fevereiro, foi diagnosticada com uma síndrome rara chamada Síndrome de Moyamoya, doença que atinge as artérias do sistema nervoso central (SNC). O professor de xa-

drez e fundador da AXPG, Evandro Gonçalves, acompanha a menina desde o primeiro ano em treinos de xadrez. “Sempre foi uma criança participativa, mas aos poucos ela foi se afastando por causa da doença e seus colegas sentiram muito sua falta”, explica Evandro. Andréia Cabral, associada da AXPG, comenta como os alunos do colégio e também integrantes da associação abraçaram a causa, compareceram e participaram dos eventos beneficentes. Comenta também de pessoas que não conheciam Júlia. “No dia do evento muitas pessoas comparece-

ram para ajudar, até mesmo pessoas da comunidade que não sabiam jogar xadrez acabaram aprendendo e se divertindo por uma boa causa”, relembra. A síndrome causa fraqueza, dificuldades na fal e no aprendizado, e dores de cabeça. Com a troca de medicamentos, Júlia passou a desenvolver a Síndrome de Chada Stive Johnson, uma reação alérgica grave, que causa lesão da pele e fez com que Júlia ficasse 17 dias na UTI. A primeira cirurgia foi necessária para que não acontecesse mais AVCs. Daqui 3 meses Júlia passa por mais uma cirurgia, na outra

metade da cabeça. A doença não tem cura. Segundo médico responsável, o resultado do tratamento será satisfatório daqui um ano. O torneio contou com mais de 112 participantes, o dinheiro das inscrições e dos doces e bolos vendidos no dia foram cedidos a família da menina, o valor arrecadado foi de aproximadamente 1800 reais.

Por Ingrid Petroski e Jéssica Gradin


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Lei obriga restaurantes da cidade a oferecer cardápio em braille

política

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Ponta Grossa passou a executar lei de acessibilidade desde o dia 20 de maio. Desde o dia 20 de maio os bares, hotéis, restaurantes e lanchonetes de Ponta Grossa são obrigados a disponibilizar cardápios em braille em seus estabelecimentos. A decisão foi tomada após a aprovação da Lei nº 12.767 – sancionada pelo prefeito Marcelo Rangel, proveniente do projeto 030/2017 de autoria do vereador Felipe Passos. “O cardápio em braile nada mais é do que a execução de um direito", afirma a assistente social Regina Rosa Pedrozo Rosa. Em Ponta Grossa, o projeto se faz necessário devido ao número de pessoas com deficiência visual na cidade. Segundo o último Censo Demográfico (IBGE, 2010), só na cidade, residem 735 pessoas cegas, e mais de 9 mil com grau elevado de dificuldade visual, sem contar as dificuldades que esses cidadãos enfrentam para se inserirem com dignidade e autonomia no mercado de consumo. “Já

era uma lei estadual e foi transformada em lei municipal para conseguirmos dar essa atenção especial aos deficientes visuais da cidade”, explica Felipe. O projeto de lei garante que cada estabelecimento deverá conter pelo menos um exemplar do cardápio impresso em braille, onde deve constar, no mínimo, as mesmas informações do cardápio convencional. Para quem não respeitar a exigência do cardápio em braile, o texto determina a aplicação de multa de R$ 100, reajustada com base no índice de correção dos tributos federais. Além disso, a cada reincidência será cobrado o dobro da multa anterior.

Inclusão

O Estatuto da Pessoa com Deficiência do Estado do Paraná, assegura que toda pessoa com deficiência tem o direito à cultura, ao esporte, ao turismo, e ao lazer em igualdade de

oportunidades. A Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (APADEVI) é uma Organização Não Governamental (ONG) que atende pessoas com deficiência visual total e/ou com baixa visão em Ponta Grossa. O autor do projeto de lei Felipe Passos explica que na Apadevi existe a máquina de digitação e impressora em braille, onde o custo por página impressa seria de R$1 a R$2. “O maior trabalho dos donos de restaurante seria ir até o local e realizar a impressão, já que o custo é irrisório”, completa o vereador. O próximo passo será a regulamentação, no que se refere à fiscalização e aplicações das sanções em caso de descumprimento. Esta etapa será elaborada pelo Poder Executivo, através da Procuradoria do Município e secretarias competentes. A assistente social da APADEVI, Regina Rosa

Restaurantes estão sujeitos à multa impostas pela lei. | Foto retirada da internet. Pedrozo Rosa comenta a le, são até mesmo funcioLei: "Quando pensamos em nários aptos, que dominem acessibilidade e deficiência a linguagem". lembramos apenas das defiDurante a execução ciências físicas, tanto que o desta matéria tentamos símbolo é o cadeirante, po- contato com o setor reprerém há outros tipos que pre- sentativo de restaurantes e cisam ser notados” . bares, porém não obtiveA APADEVI atual- mos resposta. mente cuida de 191 deficientes visuais, desde recém nascidos até idosos. Para Regina, a falta de recepção que a lei teve perante o setor alimentício na cidade prova que tudo que mexe na zona Por Amanda Santos e de conforto assusta. “Não Patrícia Guedes são só os cardápios em brai-

MAIO NA POLÍTICA Confira os maiores eventos da política pontagrossense no mês de maio. CASSAÇÃO

Através de uma denúncia feita pelo Ministério Público Eleitoral, Rudolf Polaco (PPS) é investigado por crime de abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação social. Fábio Marcondes Leite, Juiz da 14ª Zona Eleitoral decidiu pela cassação do diploma eleitoral, ocorrendo, consequentemente a perda do mandato de vereador e a inelegibilidade nos próximos oito anos. Segundo o MPE, o vereador teria montado um esquema de telemarketing no seu escritório de advocacia, fazendo propagandas eleitorais através de listas obtidas da Agencia do Trabalhador- órgão que Rudolf desempenhou papel de diretor. O acusado recorre ao pedido do Juiz e continua cumprindo o mandato na Câmara Municipal. O vereador foi eleito com 3007 votos, sendo o mais votado na eleição de 2016 e o 5º mais votado na cidade, sendo assim o Presidente da Câmara Municipal de Ponta Grossa.

BOLSA DE VALORES

Com o vazamento das gravação não autorizada feita por Joesley Batista diretor da JBS, no dia 19 de maio, que incriminam o presidente Michel Temer , o Brasil se encaminha para um período de instabilidade política no país. Os efeitos foram sentidos na economia. Um dia após o vazamento dos áudios a IBOVESPA caiu 9%. O crescimento da bolsa estava estimado para chegar aos 70 mil pontos ainda nesse semestre, atualmente está em 62 mil mas especialistas estimam que haverá uma queda para os 55 mil pontos. Nesse mesmo dia o dólar valorizou 8% fechando o dia em 3,43 R$. Com a linha de sucessão ainda em xeque a economia brasileira enfrentará grandes dificuldades nesse ano.

VCG

No ultimo dia 19 de maio a passagem de ônibus da Viação dos Campos Gerais (VCG) voltou ao valor de 3,20. A decisão da juíza da 2ª Vara da Fazenda Pública de Ponta Grossa, Luciana Virmond Cesar, atende ao pedido de uma ação popular protocolada pelo Deputado Aliel Machado (REDE) e do Vereador Geraldo Stocco (REDE). O fato ocorreu pela ilegalidade no aumento da tarifa e por falta de transparência a quilometragens rodadas, quantidade de passageiros e a qualidade dos veículos. A passagem passou de 3,70 à 3,20 (valor usado até 25 de fevereiro).

Por Gabriel Clarindo, Lorena Panassolo e Rodrigo Charneski


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esporte & lazer

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Paratletas de Ponta Grossa reclamam da falta de apoio da Prefeitura Municipal Participação nas Paraolimpíadas está prejudicada sem patrocínios e apoio de órgãos oficiais Dez meses depois dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o esporte carece de investimento a nível nacional, realidade que também se reflete em Ponta Grossa. Paratletas da cidade criticam a falta de apoio da Prefeitura Municipal em suas práticas esportivas. O ciclista e vicecampeão brasileiro de tiro adaptado Daniel Auer ressalta que seu objetivo é ir para os Jogos Paraolímpicos representando Brasil em canoagem, tiro olímpico, calha e outras provas. Entretanto, pela falta de patrocínio muitos atletas não disputam competições com regularidade. “Não temos apoio da prefeitura e nem de empresas. Temos que tirar dinheiro do bolso para competir”, reforça Auer. Para o professor de

Educação Física, Leandro Martinez Vargas (32), falta incentivo para o esporte de pessoas com deficiência, tanto da iniciativa privada como do poder público. Vargas trabalha com a equipe Tubarões do basquetebol em cadeira de rodas e expõe que o Ginásio Jamal Farjalah Bazzi para pessoas com deficiência é utilizado inadequadamente por projetos sociais da cidade, o que impede o acontecimento de treinos e jogos no local. Em Ponta Grossa, a Associação Pontagrossense Esportiva dos Deficientes Físicos (APEDEF) possibilita às pessoas com deficiência, participar de várias modalidades adaptadas. Para transportar os atletas, a instituição tem apenas uma van e uma Kombi. Porém, quando a competição é em

um local distante, o transporte fica mais difícil. Para a fisioterapeuta Adriana Lemes os exercícios são fundamentais para aumentar a independência do deficiente. “A atividade física para o deficiente é de extrema importância para o ganho da força e amplitude dos membros não lesionados, para que o mesmo possa realizar suas atividades diárias”, completa. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, a Fundação Municipal de Esportes (Fundesp) forneceu bolsa-auxílio a paratletas da cidade através do projeto "Prata da Casa". Em 2016, o valor do benefício variou entre R$ 210 a R$ 350 por mês, conforme a modalidade praticada. Para este ano, o valor

Caminhada noturna atrai ponta-grossenses Os passeios acontecem aos fins de semana em períodos de lua cheia e nova Turistas visitam Vila Velha durante a noite para conhecer histórias, a geologia e lendas do parque sob a luz da lua. A cada edição do “Caminhada Noturna”, guias de ecoturismo conduzem os participantes por um trecho de 6 km. O projeto foi criado pela equipe que elaborou o plano de manejo do parque em 2013. Aorganização do projeto é feita através de uma parceria entre o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e a Associação de moradores do Jardim Novo Vila Velha. Os passeios acontecem aos fins de semana de lua cheia e nova, com duração de aproximadamente quatro horas e percurso total de 6 km. A caminhada é conduzida por guias de ecoturismo e turismo. “A maior parte dos frequentadores são pessoas que querem fugir da rotina, fotografar e observar os astros e a natureza”, explica a turismóloga Fernanda Haura, presidente

da Associação de moradores do Jardim Novo Vila Velha e uma das condutoras do passeio. Ao longo da caminhada, os condutores apontam os aspectos históricos, geológicos e lendas sobre as formações rochosas. "O guia nos explica sobre a área do parque, as características das rochas e quando chegamos a certo ponto todos sentam, enquanto ele toca uma flauta nativa americana”, relata Guilherme Vinícius Gonçalves, de 27 anos, participante de uma das caminhadas. “Fiquei sabendo do passeio através de um amigo e quis participar, pois gosto de trilha, e vi que era uma ótima oportunidade de fotografar o céu, a visão é sensacional" completa o participante. Adivulgação do projeto é feita através de eventos no Facebook, e diretamente no parque para os turistas que visitam o local durante o dia. Por Ana Lopes

Daniel Auer com uma calha, equipamento usado em jogos praticados pelos paratletas. | Foto: Millena Lopata

do benefício ainda está em da má utilização do Ginádiscussão e deve ser divulga- sio, a Prefeitura não quis se do em breve. Outro apoio pronunciar. dado pela Prefeitura é a manutenção do Ginásio Jamal Por Marina Santos Farjalah Bazzi para pessoas e Millena Lopata com deficiência. A respeito

Álbum Fantasma Aniversário de dois anos do título

Após 103 anos de espera, o Operário Ferroviário conquistou o título inédito de campeão estadual. No dia 3 de maio de 2015, o time chegava no Couto Pereira com uma

larga vantagem para a decisão. No jogo de ida, o “Fantasma” havia feito 2x0 no Estádio Germano Krüger. Em uma atuação impecável na final, o time

venceu o Coritiba por 3x0 e se consagrou campeão. Foram dois gols do meiaatacante Juba e um do meio-campista Ruy no segundo tempo da partida. No rádio, o locutor esportivo Cândido Neto fez a mais emocionada narração dos campeonatos estaduais. O jornalista e autor do livro “Operários da Bola”, Jeferson Augusto, conta que o time está atrelado à história da cidade. “O Operário faz parte da memória afetiva, e o cidadão ponta-grossense se sente representado". Além de ser o único time profissional da cidade, o OFEC foi fundado a partir de um setor muito presente em Ponta Grossa – o dos ferroviários. Texto: Millena Lopata Fotos: Site do OFEC Edição: Fernanda Wolf


cultura

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Cabelo afro como forma de resistência

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Empoderamento e beleza, homens e mulheres reafirmam identidade e cutura através do cabelo

Os penteados afroculturais carregam significados de identidade e pertencimento. São expressões culturais vindas da Africa para o Brasil junto com os escravizados no séc XVI. Segundo o IBGE em 2014, 54%, da população brasileira é negra ou parda. Valeria Silva é educadora social e coordena o projeto “Cabelo é Questão de Identidade”. Na iniciativa é trabalhada a identidade negra a partir dos penteados em cabelos crespos e cacheados, abordando conceitos ligados à resistência. “O cabelo é a moldura do rosto, então é com esse cabelo que nos apresentamos pra sociedade. E quando você não conhece a sua história é muito complicado assumir algo que é seu. Não adianta ter o cabelo black power e continuar com as ideias ‘alisadas’”, comenta Silva. Algumas pessoas ignoram ou desconhecem a origem e significado histórico-cultural das tranças e as adaptam ao cotidiano ou as usam como adorno facial em datas festivas. A trança africana tem basicamente três estilos: os dreadlocks, que se configuram por embaraçar o cabelo em cada mecha, a trança Nagô que são as feitas próximas ao couro cabeludo; e a trança rastafari, aquela em que o cabelo é trançado por inteiro e pode-se alongar o compri mento com apliques, podendo variar também na espessura.

“Na Nigéria as tranças são tradição, cada semana na escola é um tipo de trança. Nós aprendemos desde muito cedo a trançar nossos cabelos”, afirma Temitope Jane Aransiola,  mestranda em Linguística na UEPG e nigeriana. Jane conta que em seu país o penteado mais popular é o abacaxi (quando as tranças são feitas para cima, lembrando a coroa dos reis que o usavam). Turbantes não são originários da cultura africana, mas quando utilizados, possuem um sentido da crença e religiosidade ao candomblé e cada amarração significa uma posição religiosa. E como a trança nagô, suas cores e estampas significam status social.

zam o trançado afro são autônomas e o custo desses penteados não é acessível para todos os interessados. Dona Isabel Baril, cabeleireira há 40 anos, relata que sabe trançar cabelos para penteados de festas, mas não sabe fazer tranças afro, e que um curso específico deve existir só em Curitiba, e “nunca é barato esses cursos, né”, reclama. Existe uma sede de um instituto de beleza em Ponta Grossa, que não oferece cursos específicos para cabelos crespos, reflexo da baixa demanda por esse tipo de penteados em salões de beleza da cidade. Somente no dia 22 deste mês o instituto de beleza ofereceu um workshop com a finalidade de medir a procura dos profissionais para então implementar o curso especializado na cidade. O mini curso foi oferecido para divulgação de uma nova Kauane Martins linha de produtos para caHoraciele Elza belos cacheados. Carvalho aprendeu a amarrar turbantes na internet, e ressalta a importância da cultura afro-brasileira para o empoderamento dos Em maio, comenegros que constituíram e mora-se o dia (13) em que a constituem a maioria da po- abolição da escravidão no pulação do país. Brasil foi assinada pela A falta de profissio- Princesa Isabel, em 1888. A nais especializados em ca- data é considerada um marbelos crespos e cacheados co na história dos escravizaem Ponta Grossa é notável dos. Para o povo negro, a quando não existem espa- abolição foi de cunho buroços comerciais com essa crático, visto que não existia opção. As pessoas que reali- nenhuma condição social

de autonomia para eles, colocando-os em condições semelhantes à escravidão. Horaciele Carvalho comenta com indignação a lembrança da data. Ressalta que o dia deve ser recordado, mas não como uma data comemorativa. “O racismo permanece até hoje, nas carreiras de trabalhos, enquanto o racismo existir a escravidão permanece”, relembra. Para Valeria Silva, o 13 de maio não deve ser comemorado. Ela diz que vivemos numa falsa democracia racial: “dizem que negros

têm os mesmos direitos e acesso às coisas, quando na verdade os brancos é que tem privilégios”. “Nós continuamos nos piores empregos, recebemos menores salários. O tempo todo a gente tem que ficar expondo racismo. Lutamos pra ser vistos e ter dignidade a vida toda.” reitera Valeria. Por Barbara Popadiuk e Debora Chacarski

Os dreads pra mim são as raízes ancestrais da minha resistência.

Maio: o mês abolicionista

Kauane Martins usa dreadlooks e Ester Camargo faz tranças rastafá ri,ambas são estudantes e ativistas Foto: Debora Chacarski

Mostra Paranaense de Dança seleciona apresentações no estado

A Escola Municipal de Tibagi, apresentou Ukughba, na 10ª Mostra Paranaense no dia 14 de maio | Foto: Barbara Popadiuk

A Mostra Paranaense de Dança completa uma década de existência. O organizador do evento, Jorge Schneider comenta que a Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra assim como Mostra foram criadas para que o próprio Balé pudesse viajar. “Artista quer pisar no palco”, relembra o produtor. Com cerca de 40 apresentações por noite, a Seletiva em Ponta Grossa iniciou nesse sábado (13) e terminou neste domingo (14). Apresentações de vários estilos de dança foram realizadas na

primeira etapa de sábado, como dança do ventre, balé clássico e contemporâneo, jazz, danças de salão, urbana e folclóricas. Foram aprovados em Ponta Grossa 15 trabalhos para a Seletiva Final. A seleção para a Mostra Final, que acontecerá em Curitiba foi feita por uma Comissão Julgadora composta por três jurados, entre 16 e 18 de junho. Por Ana Istschuk e Barbara Popadiuk


8

jun

passo-a-passo

2017

passo-a-passo

9

Saiba o que é uma licitação e como ela funciona

Por Ana Istschuk, Lucas Cabral e Milena Villanueva

Quem pode pedir uma licitação

O que é uma licitação:

Licitações públicas são procedimentos feitos para que os Governo Federal, Estadual e Municipal e as unidades de administração pública realizem a compra de serviços como: a execução de obras, locações, o fornecimento de bens para o setor público e compras de materiais em geral. As Leis nº 8.666/1993, nº 10.520/2002 e a Lei Complementar 123/2006 regulam o processo de solicitação de serviço. Uma licitação deve buscar a proposta mais vantajosa para ambos lados e atender o interesse público. É preciso considerar aspectos relacionados à qualidade do produto e ao valor do objeto, capacidade técnica e econômico-financeira do licitante para que o trabalho seja de bom proveito para a população. Concorrência

Qualquer um, mesmo sem cadastro Bens e serviços: mais de R$ 650 mil Obras: mais de R$ 1,5 milhão 45 dias corridos

O Governo Federal, os 27 governos estaduais e 5.565 governos municipais podem usar o recurso de licitação para obter serviços e bens. Também existem mais de 34 mil unidades licitantes e todo Brasil incluindo secretarias, unidades, fundações, câmaras, autarquias etc.

1A administração - Fase interna pública percebe a

necessidade de algum bem ou serviço.

Concurso

45 dias corridos Usada para trabalhos artísticos e técnicos

Pregão Qualquer pessoa

Somente empresas cadastradas ou em condições de se cadastrar Bens e serviços: até R$ 650 mil Obras: até R$ 1,5 milhão

Não tem limite de valor 8 dias úteis Regulamentados pela Lei 10.520 de 2002. A competição é realizada em sessões públicas, presenciais ou eletrônicas.

30 dias corridos

Leilão

Convite

Empresas convidadas e cadastradas Bens e serviços: até R$ 80 mil Obras: até R$ 150 mil 5 dias úteis

2Os administradores - Fase externa tornam de conhecimento público suas necessidades por meio da publicação da licitação

Qualquer pessoa Ganha quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação. 15 dias corridos

3A -empresa Fase de contrato tem responsabilidade na execução do serviço Créditos Portal Conlicitação l Licitacao.net l Jusbrasil l Planalto.gov.br

fornecido. Cabe à administração pública fiscalizar a execução.

O QUE É

Os editais são os documentos que regem a licitação, que será fiscalizada pela Comissão de Licitação ou pelo pregoeiro. Neste documento, estão as regras que devem ser seguidas para participar e ganhar o processo licitatório. O documento busca também manter o princípio da isonomia que visa garantir a atuação do poder público de forma igualitária. É importante frisar que a lei proíbe a participação direta ou indireta entre os responsáveis pela licitação e qualquer um dos licitantes. De acordo com o art.41, §1º da lei 8.666/93, qualquer cidadão ou licitante pode contestar a validade de um edital caso ele apresente irregularidade.

ONDE ENCONTRAR NA CIDADE

Qualquer pessoa Premiação ou incentivo

Tomada de preços

Edital

Prefeitura Municipal de Ponta Grossa http://www.pontagrossa.pr.gov.br/licitacoes , através dos telefones (42) 3220-1349 / (42) 3901-1551 / (42) 3220-1337 / (42) 3224-1176 ou indo até a Prefeitura. Universidade Estadual de Ponta Grossa https://sistemas.uepg.br/producao/pro-reitorias/proad/dimapa/new/licitacao/licit_publicada.php Existe ainda o site “Licita Já”, que agrega licitações públicas pelo país. O link que contém os editais de Ponta Grossa é: https://www.licitaja.com.br/conteudo.php?veja=licitacoes+publicas+ponta+grossa+pr+pregoes+9284 1560

COMO SE CADASTRAR

Algumas modalidades de licitação exigem o cadastro do fornecedor. Em Ponta Grossa, a empresa que deseja se cadastrar deve enviar uma relação de documentos para o Departamento de Compras na Prefeitura Municipal. Os documentos passam por três análises: Técnica, contábil e jurídica. O certificado de cadastro é válido por 1 ano e leva de 15 a 20 dias úteis para ficar pronto. A lista de documentos é fornecida por e-mail pela prefeitura. O pedido pode ser feito pelo telefone (42) 3220-1405

Licitação deserta

Quando nenhum interessado aparece, a licitação torna-se dispensável e a administração pode contratar diretamente. Porém, é necessário demonstrar a existência de prejuízo em uma nova licitação.

Licitação fracassada

É quando nenhum interessado é selecionado por inabilitação ou desclassificação das propostas. Isso não significa que a licitação se torna dispensável. A Administração Pública determina o prazo de 8 dias úteis para que os licitantes apresentem uma nova documentação ou outras propostas. Para a modalidade de convite, o prazo é de 3 dias úteis.


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Saiba o que é uma licitação e como ela funciona

Por Ana Istschuk, Lucas Cabral e Milena Villanueva

Quem pode pedir uma licitação

O que é uma licitação:

Licitações públicas são procedimentos feitos para que os Governo Federal, Estadual e Municipal e as unidades de administração pública realizem a compra de serviços como: a execução de obras, locações, o fornecimento de bens para o setor público e compras de materiais em geral. As Leis nº 8.666/1993, nº 10.520/2002 e a Lei Complementar 123/2006 regulam o processo de solicitação de serviço. Uma licitação deve buscar a proposta mais vantajosa para ambos lados e atender o interesse público. É preciso considerar aspectos relacionados à qualidade do produto e ao valor do objeto, capacidade técnica e econômico-financeira do licitante para que o trabalho seja de bom proveito para a população. Concorrência

Qualquer um, mesmo sem cadastro Bens e serviços: mais de R$ 650 mil Obras: mais de R$ 1,5 milhão 45 dias corridos

O Governo Federal, os 27 governos estaduais e 5.565 governos municipais podem usar o recurso de licitação para obter serviços e bens. Também existem mais de 34 mil unidades licitantes e todo Brasil incluindo secretarias, unidades, fundações, câmaras, autarquias etc.

1A administração - Fase interna pública percebe a

necessidade de algum bem ou serviço.

Concurso

45 dias corridos Usada para trabalhos artísticos e técnicos

Pregão Qualquer pessoa

Somente empresas cadastradas ou em condições de se cadastrar Bens e serviços: até R$ 650 mil Obras: até R$ 1,5 milhão

Não tem limite de valor 8 dias úteis Regulamentados pela Lei 10.520 de 2002. A competição é realizada em sessões públicas, presenciais ou eletrônicas.

30 dias corridos

Leilão

Convite

Empresas convidadas e cadastradas Bens e serviços: até R$ 80 mil Obras: até R$ 150 mil 5 dias úteis

Créditos Portal Conlicitação l Licitacao.net l Jusbrasil l Planalto.gov.br

2Os administradores - Fase externa tornam de conhecimento público suas necessidades por meio da publicação da licitação

Qualquer pessoa Ganha quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação. 15 dias corridos

3A -empresa Fase de contrato tem responsabilidade na execução do serviço fornecido. Cabe à administração pública fiscalizar a execução.

O QUE É

Os editais são os documentos que regem a licitação, que será fiscalizada pela Comissão de Licitação ou pelo pregoeiro. Neste documento, estão as regras que devem ser seguidas para participar e ganhar o processo licitatório. O documento busca também manter o princípio da isonomia que visa garantir a atuação do poder público de forma igualitária. É importante frisar que a lei proíbe a participação direta ou indireta entre os responsáveis pela licitação e qualquer um dos licitantes. De acordo com o art.41, §1º da lei 8.666/93, qualquer cidadão ou licitante pode contestar a validade de um edital caso ele apresente irregularidade.

ONDE ENCONTRAR NA CIDADE

Qualquer pessoa Premiação ou incentivo

Tomada de preços

Edital

Prefeitura Municipal de Ponta Grossa http://www.pontagrossa.pr.gov.br/licitacoes , através dos telefones (42) 3220-1349 / (42) 3901-1551 / (42) 3220-1337 / (42) 3224-1176 ou indo até a Prefeitura. Universidade Estadual de Ponta Grossa https://sistemas.uepg.br/producao/pro-reitorias/proad/dimapa/new/licitacao/licit_publicada.php Existe ainda o site “Licita Já”, que agrega licitações públicas pelo país. O link que contém os editais de Ponta Grossa é: https://www.licitaja.com.br/conteudo.php?veja=licitacoes+publicas+ponta+grossa+pr+pregoes+9284 1560

COMO SE CADASTRAR

Algumas modalidades de licitação exigem o cadastro do fornecedor. Em Ponta Grossa, a empresa que deseja se cadastrar deve enviar uma relação de documentos para o Departamento de Compras na Prefeitura Municipal. Os documentos passam por três análises: Técnica, contábil e jurídica. O certificado de cadastro é válido por 1 ano e leva de 15 a 20 dias úteis para ficar pronto. A lista de documentos é fornecida por e-mail pela prefeitura. O pedido pode ser feito pelo telefone (42) 3220-1405

Licitação deserta

Quando nenhum interessado aparece, a licitação torna-se dispensável e a administração pode contratar diretamente. Porém, é necessário demonstrar a existência de prejuízo em uma nova licitação.

Licitação fracassada

É quando nenhum interessado é selecionado por inabilitação ou desclassificação das propostas. Isso não significa que a licitação se torna dispensável. A Administração Pública determina o prazo de 8 dias úteis para que os licitantes apresentem uma nova documentação ou outras propostas. Para a modalidade de convite, o prazo é de 3 dias úteis.


1 0 jornalismo literário

j u n /2 017

Os mil nomes de Jorge

Bradando sua lança, montado em seu cavalo branco e avançando sobre a terrível besta cuspidora de fogo está São Jorge, o santo guerreiro se multiplica por Ponta Grossa. No bar, na igreja, na cachoeira, no terreiro, onde o bem se atraque contra o dragão da maldade, ele está. O padre Fernando Noriega tem cabelos brancos e idade avançada, mas seu sorriso estampa o amor por sua vocação. Vigário da Paróquia São Jorge, alegra-se ao mencionar o nome do santo. Ele abre sua Bíblia e começa a contar sobre o Santo Guerreiro com sotaque castelhano. "São Jorge é um exemplo a ser seguido, teve humildade e bondade quando se converteu e usou todo o seu poder e riqueza para o bem.

fala que antes de criticar ou apontar o dedo para as crenças dos outros, precisamos primeiro olhar para aquilo que nos une", declara o padre. A Paróquia São Jorge se localiza na vila Madureira. Em 1978, ela tomou lugar de um antigo barracão de marcenaria. Na Tenda de Umbanda Pai João de Arruda, São Jorge ganha destaque. O pai-de-santo Hewerton Carlos Mielitz mostra em seu braço a orgulhosa tatuagem de Ogum. "São Jorge foi sincretizado como o Orixá da Guerra Ogum, ele é o meu orixá protetor, ou seja, Quadro exposto na paróquia São Jorge representa o santo contra o eu sou filho de Ogum. Aqui na gira, Dragão | Foto: Rodrigo Charneski o pai de Santo encarna um descenSão Jorge é um símbolo do sincretis- dente da linhagem de Ogum e pedimo religioso. Hoje a própria igreja mos pelas suas graças. A umbanda é

filha do catolicismo e do candomblé, o maior símbolo do sincretismo religioso e a prova de que as religiões podem conviver juntas" enfatiza Hewerton sobre o papel do orixá e santo em sua tenda Segundo a base de dados Nomes do Brasil, vinculada ao IBGE, há mais de 465 mil Jorges no Brasil. Até os anos 1960, o nome se tornou popular chegando a 113 mil escolhidos naquela década. Depois, caiu em popularidade. Mas não na Cachoeira São Jorge, nem no bar Thribus (no Centro), nem no bar do Didião (em Olarias), onde divide espaço com bebidas alcóolicas. São Jorge habita todos os lugares. Por Rodrigo Charneski

"O Brasil precisa abraçar a pluralidade étnica e não apenas propagar isso" A nigeriana conta histórias de sua chegada e estada no Brasil e fala sobre reconhecimento negro

Temitope Jane Aransiola não passa despercebida no meio da multidão. A nigeriana gesticula sem parar e seu sorriso conquista qualquer um. Com seu sotaque carregado, ela conta sobre a sua experiência de vida em outro país. Nascida e crescida em Lagos, segunda maior cidade do continente africano, Temi diz que a ideia da escolha do país para se estudar não partiu dela e sim de seu pai. “Eu escolheria um país que falasse Inglês […] Não queria vir ao Brasil por conta da língua mas, depois que comecei a estudar, eu queria muito vir, virou um sonho, me apaixonei e criei gosto, foi tipo marketing.” Antes de sua chegada, Temi conta que passou por algumas aulas em que aprendia português junto a alguns fatos e curiosidades sobre a cultura do povo brasileiro. “Antes eu conhecia só Seleção e Carnaval.” Temi é formada em Letras e atualmente cursa o mestrado na Universidade. Com 24 anos, a nigeriana possui uma linha de estudo e pesquisa muito específica: negros e África. Enquanto na graduação, sua pesquisa

retratava alunos africanos em Universidades Estaduais do Paraná. No mestrado, pesquisa discursos sobre a África no jornalismo brasileiro: “Imaginei uma coisa no Brasil muito diferente da que vivi. Então eu comecei a questionar algumas coisas […] Comecei a perguntar se o problema era comigo.” Ao engatar um debate sobre discriminação e racismo, Temi diz: “Me reconheci como negra, no Brasil […] Os estereótipos me incomodavam, e eu tentava sempre reafirmar que eu não tava louca, que não era só comigo que acontecia isso.” Realizada no que escolheu fazer, ela não mede esforços para se aperfeiçoar cada vez mais. Ministra palestras na Universidade e em colégios, além de reforçar o papel do educador na construção pedagógica e social de um ser humano, bem como de quem informa. “A mídia, acompanhada da escola é a principal responsável por criar esses estereótipos [sobre os negros]. Às vezes, nas palestras que eu ministro, eu pergunto o que eles sabem sobre a África e o discurso é sempre raso sobre escravidão e

consciência negra […] e pra mídia o bandido é sempre o negro, a mídia apresenta ele assim.” Sobre a saudade de casa – ela foi apenas uma vez para a Nigéria, durante seis anos no Brasil, – Temi ga-

rante: “Eu sei que eu não vou ficar no Brasil pra sempre, eu pretendo construir uma carreira, ficar com a minha família […] lá é meu território, mas o Brasil sempre vai ser a segunda casa pra mim.” Acerca da possibili-

Nascida e crescida em Lagos, na Nigéria, Temi vive no Brasil há 6 anos e atualmente cursa mestrado em Letras. Foto: Ingrid Petroski

dade de lecionar nas Universidades Nigerianas ela responde: “Talvez mais pra frente, imediatamente não. Mas eu tô querendo causar algumas polêmicas, porque eles são muito acomodados, sabe? Eu quero causar impacto! Eles precisam aprender que o mundo não é só uma via de mão reta.” Já no final da conversa, Temi, bem mais à vontade, conta o que ensinaria para os nigerianos sobre os brasileiros e vice-versa: “O Brasil é um país muito liberal, a Nigéria poderia aprender um pouco mais sobre o liberalismo dos brasileiros mas […] bem pouco” Questiono se no sentido político e ela responde positivamente. Para os brasileiros, sobre os nigerianos, Temi é enfática: “Os brasileiros deveriam abraçar verdadeiramente a multiplicidade étnica, eles não deveriam apenas propagar isso para parecerem bonzinhos […] Existem muitas Temis que escutam falar do Brasil “desse jeito” (democracia racial) e vem pra cá, e não é bem assim.” Por Pedro Andrade


jornalismo literário 1 1

j u n /2 017

Do buraco da fechadura para a história do carnaval da cidade de Ponta Grossa Anderson Pedroso, Rei Momo que carrega no sangue a origem da festividade na cidade "Quando acaba o carnaval, sempre digo que não irei me envolver mais. O problema é que lá por abril algo surge em mim. Começo a me coçar e, quando vejo, já estou novamente envolvido com o carnaval, preparando as coisas para o próximo ano." Essa relação de paixão, que só as saudades explicam, teve início em 1992, ano em que Anderson Pedroso foi eleito o Rei Momo mais jovem de todo o Paraná. À época com 14 anos, o menino de Olarias pode participar daquilo que só ouvia falar. A família de Anderson faz parte do berço das escolas de samba em Ponta Grossa. Reservado a participação de blocos e dos bailes em clubes até os 1950, foi a partir deste período em que as escolas começaram a fazer parte do carnaval na cidade. Em 1958, José Pedroso, pai de Anderson, fundou a Medonhos da Batucada com seu irmão. Os ensaios aconteciam na Rua Paraíba-198, bairro Olarias, local em que o Rei Momo mais vitorioso da cidade me recebeu para a entrevista. Uma rua íngreme, característica da perife-

C R Ô N I C A

ria mais antiga de Ponta Grossa: era naquele terreno grande e com duas peças que Anderson tanto tentava observar o ritmo mais cadenciado do samba de Olarias, diferente de qualquer outro. Quando criança, a figura de um homem alegre e gordo chamava a atenção entre as espiadas que ele e a irmã davam pela fechadura ou pela janela. Foi então que Anderson botou na cabeça a ideia de ser Rei Momo e representar a cidade durante os dias de carnaval. Ele se recorda do dia em que foi coroado Rei Momo pela primeira vez, quatro anos após a morte de seu pai, José Pedroso. “Ficaram apenas dois candidatos na final. Brinco que eu era o pobrinho e ele o rico, porque eu representava o Clube 13 de Maio e ele o Clube Guaíra, da elite ponta-grossense”, conta Anderson, que obteve a torcida de praticamente todos os clubes que prestigiaram a escolha do novo Rei Momo nas arquibancadas do Ginásio Oscar Pereira. Anderson foi condecorado em outras cidades do Paraná, como Curitiba e Paranaguá. Já em Ponta Grossa, ficou com um título de 1992 a 2001. Nesta déca-

Anderson Pedroso, eleito Rei Momo no carnaval de 2014 de Ponta Grossa. | Divulgação

da, levou o título em 2011 (ficando até 2013), em 2014 e também em 2015. O que mais desanima Anderson é a incompreensão de quem observa o carnaval de fora. Para eles, o dinheiro do carnaval poderia ser utilizado em áreas como saúde ou segurança. “As pessoas criticam sem saber, se gasta muito dinheiro para produzir uma boa fantasia”, conta. Sem a ajuda financeira da prefeitura e a reutilização de peças de outros carnavais, o desfile das escolas ficaria inviável. O contato com o po-

vo, entretanto, é o que motiva Anderson a estar sempre desfilando. Tirar uma foto com uma criança ou ver a animação deles em desfilar acaba compensando as dores de cabeça de quem já lida com carnaval há mais de 20 anos. Em Curitiba, Anderson se viu privado desse contato com o público. Lá, o Rei Momo é considerado uma realeza e não pode ter contato com a plebe. Nada que o impedisse de fazer tudo ao seu jeito, sempre escapando dos seguranças e se jogando nos populares.

Se não dava pra disfarçar, recorria a sua personalidade forte para sair. Foi assim que o Rei Momo pediu para ir embora durante as festividades de um carnaval de Curitiba, quebrando todos os protocolos, com saudades de sambar ao lado quem conhecia. “Fui pra rodoviária, cheguei aqui e ainda pulei carnaval com a minha gente”, lembra em meio a risadas.

Por Vitor Carvalho

Quer farofa? (ou "A busca pelos espetinhos") A cada carrinho de espetinho que passávamos, havia cheiro de gordura pingando no ar. Rebocando os dedos e a boca, nos deliciamos com as variedades do calçadão. Os verbos no plural significam eu, três amigos e mais três garrafas de vinho Campo Largo, experimentando os espetinhos com a cara mais feia que você já viu. O primeiro que paramos não tinha uma cara boa de “AI MEU DEUS, ME DÁ”, e realmente não era lá essas

coisas. Carne macia, sim. Comeria de novo? Jamais. Animados,respiramos fundo e continuamos em busca de um espetinho não gourmet. O que não foi difícil: a cada esquina tinha um carrinho diferente, com as mais variadas formas. Alguns têm até mesas, prontos pra receber os mortos de fome. Cada espetinho traz um gosto diferente. A carne é a mais barata do mercado. O que muda é o jeito de fazer. Existe amor ao fazer

espetinho, sim! O cheiro dos espetinhos quase no ponto faz com que a fome apareça durante a caminhada. Os preços são populares e convidativos: por 3 a 10 reais, você experimenta o lado ogro da cidade. Em algumas lojas, locutores chamam seus clientes com promoções. Tem quem convide cada um que passa, olho no olho. Artesãos de rua. Cigarros a R$2. A diversidade é bonita. Point de Ponta Grossa. É o momento em que cada indi-

víduo se depara com o diferente-típico. Agora a paixão, ou pelo menos penso eu que é — a última garrafa de vinho estava no fim — é o senhorzinho de máscara, na frente da Faculdade Cescage. Foi o último carrinho, com o estômago pedindo férias. Esse tinha que valer a pena. Nós pegamos três sabores: tinha muito queijo na káfita, muito bacon no medalhão e, bem, muito coração no coraçãozinho. O senhor nos agradeceu com guarda-

napo, palito de dente e bala de menta. Com o espetinho vinha também um kit! Naquele momento ninguém mais ligava pro suor, nem para as blusas cheias de farelos. Resumo da ópera: valeu a pena. Desculpem a todos os envolvidos, mas espetinho gourmet na versão não gourmet também existe. E com certeza, foi melhor que muita farofa. Por Gabriela Bulhões


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polêmica

j u n /2 017

É moral usar animais em laboratório?

SIM

O uso dos animais em experimentação se mistura com a história da ciência para o entendimento das patologias, fisiologia e bem estar humano no sentido amplo de saúde. Antes de Cristo; Aristóteles, Galeno, Hipócrates, René Descartes utilizavam animais para investigar a anatomia comparada com a de humanos. Foi nos animais que processos fisiológicos como circulação sanguínea e respiração foram descritos. No século XVIII onde diferentes tipos de doenças dizimaram nações, os animais foram utilizados como ferramentas de trabalho para testar vacinas como a da raiva. No século seguinte ocorre uma mudança de atitude em relação ao uso dos animais, chegando a se propor em The Cruelty to Animals (1875) que a vida animal estava acima da vida humana. No Brasil, todas as atividades referentes ao uso de animais são reguladas pelo COCEA/COBEA Lei n.o 6.638 , de 08 de Maio de 1979, suas derivações e normativas que devem ser cumpridas e fiscalizadas rigorosamente tendo como premissa o respeito no manejo e procedimentos, colocando o animal em nível de igualdade com ser humano, no que se refere a dor, memória, angústia, instinto de sobrevivência e manutenção do seu bem estar. O uso de métodos alternativos, como modelos matemáticos e sistemas biológicos "in vitro", são incentivados na legislação atual e internacional. O National Centre for the Replacement, Refinement and Reduction of Animals in Research é um dos que patrocina projetos voltados para a substituição ou redução do número de animais em pesquisa. Apesar da polêmica que envolve o tema, é importante lembrar que ao longo da história, a saúde humana só

atingiu os níveis atuais com a contribuição dos animais, sejam vertebrados ou invertebrados, uma vez que nenhum outro sistema consegue mimetizar a fisiologia humana. Por outro lado, o uso de animais em pesquisa é autorizada pela sociedade que os utilizam para a alimentação, para a domesticação, para a diversão, substituindo o homem em algumas atividades como policial onde, por exemplo, animais se tornam viciados em alucinógenos, e onde ninguém questiona, etc. Enfim, em qual prática se dê o uso de animais, eles devem ser tratados com respeito e ética e na pesquisa isso não deve ser diferente.

José Rosa Gomes é professor do Departamento de Biologia Estrutural Molecular e Genética na UEPG, responsável pela disciplina Animais de Laboratório em Pesquisa Biomédica do PPG. É doutor em Biologia Buco Dental pela UNICAMP e mestre em Ciências pela USP com estágio pós-doutoral em Oxford.

NÃO

Muito embora a prática seja defendida como meio de obtenção de segurança no uso de medicamentos e cosméticos em seres humanos, a utilização de animais em pesquisas científicas laboratoriais sem atenção à legislação caracteriza crime. Isso porque não se justifica a utilização de José Rosa Gomes animais em laboratório olvidando-se de que tais práticas causam dor e desconforto, e Não se justifica a apenas para satisfazer a busutilização de ca do ser humano por uma vida mais confortável. animais em Só lembrando que laboratório [...] na Segunda Guerra Mundiapenas para al éramos nós as cobaias dessatisfazer a busca do ser humano por tes testes.A legislação que prouma vida mais tege a fauna é extensa, mas confortável as mais importantes são a Gardência Mascarelo Constituição Federal, prevendo no artigo 225 que todos têm direito ao meio Essa seção tem a ambiente ecologicamente premissa de mos- equilibrado, impondo-se ao trar diferentes opi- Poder Público e à coletividaniões de maneira de o dever de defendê-lo e para as presentes crítica e civilizada. preservá-lo e futuras gerações e Lei de O Foca Livre convi- Crimes Ambientais que imda autores e apre- pede o uso cruel de animais senta suas opiniões no artigo 2º: “quem, de qual-

Ao longo da história, a saúde humana só atingiu os níveis atuais com a contribuição dos animais, sejam vertebrados ou invertebrados .

na íntegra.

quer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la.” “Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. § 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. § 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.” A lei 11.794/2008, que estabelece critérios para o uso de animais em testes laboratoriais, impõe que a utilização de animais em atividades educacionais fica restrita a estabelecimentos de ensino superior e a estabelecimentos de educação profissional técnica de nível médio da área biomédica. Já há provas científicas de que os animais são serem sencientes, ou seja, que sofrem dor, frio, fome, angústia porque possuem as mesmas terminações nervosas que o ser humano. A conclusão foi obtida em estudos realizados por um grupo de cientistas dos mais renomados do mundo, dentre eles Stephen Hawking.

Gardênia Mascarelo é

advogada e presidente da Comissão de Defesa dos Animais da OAB/Ponta Grossa.


ideias 1 3

j u n /2 017

Lima Barreto: o viés dos desvalidos

Afonso Henriques de Lima Barreto, nascido com nome de rei no ano de 1881, faleceu sem recursos e sem reconhecimento no ano em que oficialmente se iniciou o Movimento Modernista, em 1922. Ironicamente, o Modernismo ignorou a produção de Lima Barreto, apesar de a maioria dos temas do autor atenderem ao preceito crítico dos vanguardistas de São Paulo. Pobre, negro e alcóolatra, o autor só teve suas obras publicadas em 1956, em 17 volumes, por esforço de Francisco de Assis Barbosa, apoiado de perto por Manoel Cavalcanti Proença e Antônio Houaiss. A partir disso, seus textos começaram a de fato circular, no entanto, sem receber a merecida valoração; pelo contrário, durante bastante tempo os textos de Lima

Barreto foram utilizados como exemplo de escrita desleixada, sem valor estético. A partir de 1990 há um movimento de resgate e acolhida

Lima Barreto (1881-1917)

da produção barretiana na academia; dissertações e teses, seminários e colóquios dedicaram-se a ler seus textos e garantir-lhes espaço, tanto quanto ao seu valor estético como ético. Grande foi o espanto de se perceber que os temas e as preocupações de Lima Barreto apontavam, por um viés crítico, as contradições e as injustiças da sociedade brasileira da virada do século XIX para o XX. O olhar artístico do autor inaugura um ponto de vista raro na produção literária brasileira: o do desvalido socialmente; este olhar de baixo revelou, em alguns casos ironicamente, como em Triste Fim de Policarpo Quaresma (1911), em outros de forma absolutamente comovente, como em Diário Intimo (1953) e Cemitério dos Vivos (1956), a mentalidade e

o sofrimento daqueles que acreditaram, em algum momento, que teriam direitos e dignidade assegurados como seres humanos e cidadãos. A produção de Lima Barreto explicita o triste engano dos desvalidos e injustiçados, daí a atualidade e a importância desse autor para leitores, currículos escolares e estudos acadêmicos do nosso tempo. Trata-se de uma referência estética e ética das mais importantes para as reflexões contemporâneas sobre o que é e para que serve a literatura.

Silvana Oliveira é Professora associada do Departamento de Estudos da Linguagem da UEPG e Pós-Doutora em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

Recomendações Negra, pobre, mãe de três filhos, catadora de reciclá- A negação do João Pinheiro e veis e moradora do Canindé, na zona norte de São Brasil Sirlene Barbosa Paulo. Ali nasce um dos grandes fenômenos da litera- Joel Zito Araújo tura negra do Brasil nos anos 60, Carolina Maria de Jesus. Sua história de luta e declínio está em “Carolina”, biografia produzida pelo quadrinista João Pinheiro e pela pesquisadora Sirlene Barbosa. A narrativa em quadrinhos mescla fatos importantes da vida de Carolina com trechos de sua obra mais conhecida “Quarto do despejo: Diário de uma favelada.”

Carolina

Por Jéssica Gradin

Cumbe

Marcelo D'Salete

O documentário “Anegação do Brasil”, produzido e dirigido por Joel Zito Araújo, em 2000, reflete a ausência de diversidades étnicas nas telenovelas brasileiras, enfocando principalmente os papéis ocupados por negros. A produção discute os papéis atribuídos a negros na televisão, em sua maioria representando personagens estereotipados, inferiorizados, de pouca representatividade e fortemente ligados a pré-conceitos que remetem a escravidão e ao trabalho doméstico. A obra questiona e reivindica a incorporaçãopositivadosnegrosenegrasnasnovelas. Por Gustavo Ban

Cumbe é um livro em quadrinhos e conta quatro Sala de cinema: O documentário mostra como Antônio Pitanga cohistórias que remontam a época de escravidão. Cheio de Antônio meçou sua carreira de ator, e expõe a sua evolução – sentimentos como amor, liberdade e fé, a obra mostra a Pitanga como ele se encaixou e se transformou num dos maivontade que os escravos tinham de serem livres do Luiz R. Cabral ores atores desse segmento. O ator revela como eram sistema que os oprimia. O livro economiza nas palavras, feitas as construções de seus personagens. Antônio emocionando apenas com os traços dos desenhos. Um Pitanga é um dos grandes atores do Brasil, e o docuretrato cruel e real da história dos negros no Brasil, mentário apresenta a personalidade e genialidade recomendado para estudantes interessados em dessa estrela. aprendersobre o assunto de um formato diferente do que é apresentado na escola.

Por Lucas Boamorte

Por Letícia Gomes

Capão Pecado A periferia paulistana serve de pano de fundo para What Happened, O documentário relata a vida de Nina Simone, Ferréz contar a história de Rael. O jovem inteligente Miss Simone? abordando diversos momentos, desde a infância até a Ferréz e cheio de amigos cresce alheio à violência às drogas no Capão Redondo, mas se vê tragado por uma tragédia pessoal ao se apaixonar por Paula – então namorada de seu amigo de infância, Matcherros. Na comunidade, o amigo-que-rouba-mulher-de-amigo era inaceitável. O romance impressiona por sua linguagem crua e pelo conjunto de gírias.

Por Pedro Andrade

Liz Garbus

sua morte. A obra mostra quem era a cantora por trás dos shows e sua atenção relacionada a questões sociais e igualitárias. O filme retrata a violência sofrida por parte do marido, sua personalidade forte e seu amor por liberdade. Recomendado para conhecer melhor uma das mulheres negras mais marcantes da história. Por Juliana Krol


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da redação

EDITORIAL

A marca do Foca

Numa quarta-feira fria préferiado, o Foca Livre era distribuído dentro dos conformes. Após um árduo fechamento e a maluca carimbação, a redação era mimada com a normalidade, apesar do risco do LER pós-carimbo e entrega. Enquanto a redação rondava por Ponta Grossa deixando o jornal-laboratório onde chegavam, muitos exemlares ficaram descansando no auspicioso Departamento de Jornalismo (Dejor), aguardando a sua distribuição. Uma sucessão de paralisação-feriado-feriado impediria o descanso merecido dos Foca Livre. Eles precisavam ser retirados do Dejor e rapidamente distribuídos. Ao retornar para sua rocambolesca rotina, a redação do Foca não pôde deixar de perceber o curioso desaparecimento dos Foca. Ousaram pensar que todos haviam sido distribuídos! Para alguns, um alívio. Para outros, um pesadelo. A verdade é que, até mesmo Sherlock Holmes balbuciaria frente a esse mistério, pertencente somente a Deus (e a Darlene). Se você viu um maço de Focas, comunique-nos por email ou

OMBUDSMAN 1

O risco de olhar apenas um lado Vivemos uma época de polarização, maniqueísmo e ânimos acirrados. As redes sociais parecem ter dividido o mundo em dois times sempre a postos para um embate. Em tempos como esses, cabe ao jornalismo propagar a lucidez e o equilíbrio nos já acalorados debates. Infelizmente, a última edição do Foca Livre acabou pecando nessa tarefa. Na mesma página, duas reportagens são sintomáticas. A primeira delas traz o título “Debate da legalização da maconha chega a Ponta Grossa”. Ao longo do texto, porém, o que se vê não é exatamente um debate. A reportagem ouviu apenas partidários da liberação da

TIRINHA

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CHARGE

A Foca também pela nossa página. Ainda estamos esé humana! perando um pedido de resgate, porém, também aceitamos menPedimos desculpas pelos erros na sagens, dúvidas e sugestões sobre o edição 192. Foca Livre. De qualquer forma, o p. 3 tempo urge. Enquanto aguardamos A foto é de Matheus o bom filho retornar ao departamenPileggi. to, fechamos o Foca Livre 193. p. 6 Sempre esperamos melhoAo contrário do dito na rar nosso trabalho e almejamos deilegenda da matéria xar um Foca memorável para ser “Filmes legendados representam apenas lembrado por muitas gerações. 25% das opções de Afinal, ainda não estamos cinema em PG”, La La preparados para sair de cena - ao Land teve opções contrário de muito político por aí. legendadas. Nessa edição, o Foca continua a sap. 12 nar dúvidas ardentes do público O nome da fotógrafa é ponta-grossense, por exemplo, coKimberlly Safraide. mo funcionam licitações e como a pomba gira. Quem sabe nessa edi- LEITORES ção, a redação possa focar em deixar Em termos de pós-verdades, fake news e uma ainda necessária, porém sua marca nos leitores e não tanto na um tanto utópica, democratização da mídia, é com enorme prazer que capa do jornal. Ponta Grossa lê o Foca Livre. Não somente por ser um projeto universiO Foca Livre aproveita o estário, cuja prática jornalística fará dos ora alunos profissionais mais capapaço para lamentar a situação da secitados, mas por conter uma verve crítica, simultaneamente, política e gurança no campus Uvaranas da cultural, sem as amarras do capital que subjuga ideologias e impede reUEPG, que acarretou no incidente flexões contra-hegemônicas. Parabéns, e nos vemos no próximo Foca. com o estudante Eric Navarro. O - Pedro Miranda, advogado e professor da UEPG Foca também pede Diretas Já, em protesto ao instável cenário político brasileiro, que pode nos levar a outro Surpreendeu-me a pretensão de um jornal-laboratório em investigar presidente ilegítimo. temas importantes e polêmicos dentro da própria universidade, além de Boa leitura, esperamos que assuntos de interesse da comunidade. Este jornalismo hiperlocal que se você tenha gostado do Foca 193 e conecta ao cotidiano e promove desconforto, principalmente para continue nos acompanhando! quem manda..., (sic) é fundamental e auxilia a entender o porquê de ainda se fazer jornal impresso. Contudo, acredito que as matérias de geral se pautaram em protocolos e, em alguns casos, se contentaram com o declaratório de apenas uma fonte, muitas vezes mal escolhida. Senti substância, enumerando somente falta de charges, cartuns, um humor um pouco mais profundo. os supostos benefícios da medida. - Daniel Zanella, publisher jornal literário RelevO Prática similar se verifica na reportagem “Ativistas alertam para ameaças à flora e fauna com redu- OMBUDSMAN 2 ção da APA”. Mais uma vez, as fonpela cultura e arte da cidade, com tes ouvidas expõem apenas um lado matérias que chacoalham o leitor e o da moeda, o daqueles contrários à O Foca Livre, em sua edição retiram de sua zona de conforto. proposta de redução. Em dado moNesse mapa urbano, o roteiro nos lemento, é informado que “não obti- passada, mostrou ao público que va aos gráficos da realidade daqueles vemos respostas diretas às nossas cumpriu seu objetivo de desbravar a que vivem na cidade atrás das grades perguntas” do autor da proposta. Princesa dos Campos com um novo cuja trajetória desemboca na cidade Diretas ou não, se houve respostas, olhar, através da lente de jovens futu- dos mortos. ros profissionais, que na linguagem o leitor precisa saber. Através do Jornalismo LiteOuvir os dois lados é um jornalística são conhecidos como rário, somos convidados a fazer uma princípio jornalístico e, no mo- “focas” e aqui ganham a possibilida- parada nos bares em busca de uma mento delicado pelo qual passa- de de serem “livres”. Com essas pos- gastronomia perdida e também nos mos, um antídoto contra a histeria. sibilidades abertas, o resultado final convida adentrar no cotidiano daé surpreendente, onde a notícia ganha a liberdade de ser polêmica, crí- queles que a cidade não vê, com um Anderson Gonçalves é tica, educativa, criativa e aberta para olhar sensível, divertido e curioso do jornalista formado pela UEPG uma realidade das pessoas que nor- qual o jovem é dotado. e atualmente é editor do Com esses passos percorriCaderno G, da Gazeta do Povo. malmente não são notícias. Ao percorrer as páginas do dos, já é possível prever o que terejornal, caminhamos pela cidade e mos pela frente: uma boa prática seus diversos setores e segmentos, jornalística desenvolvida no olhar passando pela burocracia e desvirtu- aguçado, crítico e “novidadeiro” dades da política local; ouvindo a voz queles que sentem que podem fazer aos movimentos -diga-se aqui -neces- algo para mudar o mundo. sário, dos ativistas sociais, que lutam pelo maior esclarecimento da popuEliete Marochi é jornalista lação a favor de questões legítimas e formada pela UEPG e mestre dignas de um novo olhar. Camiem Teoria da Literatura na nhando um pouco mais, passamos UFSC por estudar João do Rio.

Um passo àfrente


curadoria

j u n /2 017

Marcos Correa/PR

DA REDAÇÃO: Publicada pelos AosFatos no dia 10 de maio de 2017, esta matéria aplica o método de fact-checking para analisar as principais propostas — cumpridasenãocumpridas — doplanodegovernodopresidenteMichelTemer.OseditoresdoFocaLivreescolheramessamatériapara orientarseusleitores diantedacrisepolítica.

Um ano de Temer: checamos o que ele cumpriu e descumpriu em sua 'Ponte para o futuro'

Na próxima sextafeira (12), Michel Temer completaumanonocargode presidente da República. As diretrizes de seu governo, no entanto, foram elaboradas bem antes. Em outubro de 2015, o PMDB divulgou o

documento "Uma ponte para o futuro" — um programa de governo travestido de projeções para o que a sigla acreditava ser a solução para a crise. Quando assumiu interinamente o cargo da ex-presidente Dilma Rousseff,

então afastada após a primeira votação no Senado, Temer se comprometeu a levar adiantereformaseajustespautadosnodocumento. Aos Fatos foi às 13 principaisbasesda"Pontepara o futuro" e avaliou como o

governo vem cumprindo suas promessas ponto a ponto. Delas, apenas duas foram plenamente colocadas em prática nesse período. Temer descumpriu ainda uma das principais diretrizes do documento peemedebista: indi-

cou para a Itaipu Binacional, ferindo a Lei das Estatais, pessoas com vínculos partidários. Veja abaixo o resultado.

Aonde vai a 'Ponte para o Futuro'?

Por Bárbara Libório e Tai Nalon

Nota: As gradações foram dadas de acordo com (1) a prerrogativa de Temer para levar adiante projetos (por exemplo, se não precisa passar pelo Congresso); (2) a fase de tramitação das propostas no Legislativo e (3) o tempo para que a promessa seja efetivamente cumprida.

Edição geral: Júlio César Prado, Lorena Panassolo, Pedro Andrade e William Clarindo. Edição de texto: Alessandra Delgobo, Ana Flávia Aranna, Ana Istschuk, Gabriel Miguel, Heloísa Vivan, Ingrid Petroski, Rafaela Martins, Rodrigo Charneski. Edição de Imagem: Ana Flávia, Camila Zanardini, Fernanda Wolf, Letícia Dovhy, Maíra Orso, Patrícia Guedes, Verônica Scheifer. Núcleo de pesquisa e revisão: Ana Lopes, Barbara Popadiuk, Enaira Schoemberger,

Guilherme Bronosky, João Vitor Rezende, Lucas Cabral, Luiz Irineu, Priscilla Pires, Rafael Chornobai. Núcleo de diagramação: Amanda Santos, Débora Chacarski, Jéssica Gradin, Marina Santos, Millena Lopata, Millena Villanueva, Nicolas Rutts, Patrícia Guedes, Saori Honorato. Repórteres: Consulte a autoria das reportagens diretamente na página da notícia. Colaborações: Gustavo Ban, Juliana Krol, Letícia Gomes, Lucas Boamorte (crítica),

Silvana Oliveira (resenha). Professores responsáveis: Curadoria: Bárbara Libório e Tai Nalon (Aos Ben Hur Demeneck (DRT 5664- PR) Fatos). Cibele Abdo Rodella (MTB- 22.156 SP) Os textos de opinião são de responsabilidade Impressão: Grafinorte, Apucarana (PR) de seus autores e não expressam o ponto de Tiragem: 2.000 exemplares vista do jornal. Telefone: +55.42.3220.3389 Endereço (cartas, CDs e DVDs para o Foca): Contato: focalivre25@gmail.com Departamento de Jornalismo UEPG - Campus Central Foca Livre éum jornallaboratorial Praça Santos Andrade, nº 01- Centro do segundo ano do curso de CEP 84010- 790 – Ponta Grossa – PR Jornalismo da UEPG.


A Todos Amar Fraternidade, Caridade e Respeito ao Próximo Princípios da Umbanda, Oxalá!

Enaira Schoemberger Fernanda Wolf

Centro de Umbanda Luz de Oxum

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Foca Livre - Ano 25 - Edição 193  

O Jornal Foca Livre é uma produção laboratorial do segundo ano de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Curta a nossa fan pag...

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