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OPINIÃO

BELÉM, DE 6 A 12 DE SETEMBRO DE 2019

JOÃO CARLOS PEREIRA

PE. HELIO FRONCZAK

Jornalista e professor (jcparis1959@gmail.com)

heliofronczak@gmail.com

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU ...

PRIVILÉGIO DE SER CATÓLICO

A imagem peregrina e o povo

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ra uma segunda-feira, mais ou menos pelo meio da manhã, e eu vinha dirigindo pela 14 de Março, quando percebi uma movimentação atípica às proximidades da avenida governador José Malcher, que ainda prefiro chamar de São Jerônimo. O trânsito, normalmente confuso naquele local, estava pior. Os motoristas abriam a janela e esticavam os braços. Os motoqueiros saíam da faixa central e corriam para a lateral esquerda. Era uma confusão sem motivo aparente. Mas o motivo existia e não custei a descobrir. Um carro, estacionado à frente de uma instituição de ensino, esperava a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré. Qua-

tro Guardas da Santa protegiam a peça sagrada, no pequeno trajeto entre o portão e o veículo. As pessoas que passavam a pé não conseguiam acreditar que estavam diante da santa do Círio e se comoviam. Os carros paravam para vê-La. O trânsito ficou imobilizado por alguns minutos e ninguém buzinava. Num gesto de extrema generosidade, o Guarda que conduzia a peregrina decidiu parar um pouco para permitir que os motoristas e as motos se aproximassem. Todos queriam tocar na santinha, não como se pega um amuleto, mas com a delicadeza de quem encosta a ponta dos dedos na foto de uma pessoa muito amada. Não havia idolatria,

como os que não entendem a dimensão infinita do amor de Maria gostam de dizer, mas respeito, carinho, atenção, veneração, amor, não por uma obra de arte, mas pelo ícone sagrado e de tudo de especial que nele está concentrado. A imagem peregrina representa, em sua visitação, a ida de Nossa Senhora ao encontro de seus filhos. É amor no mais alto grau. Depois de permitir que o povo de Deus reverenciasse a imagem de Nossa Senhora, os Guardas seguiram em frente. Os batedores abriam caminho, cumprindo o que está determinado em Lei Estadual. Onde a imagem sagrada estiver, deverá ser tratada com honras de chefe de Estado.

Assimetria e igualdade

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o Novo Testamento afirmações surpreendentes até parecem paradoxais, como esta que, em seu Evangelho, João põe na boca de Jesus: “O Pai é maior que eu” (14, 28). E também certas admoestações aos cristãos que podem parecer discriminatórias, como: “considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Fl 2, 3); ou: “sejam submissos uns aos outros” (Ef 5, 21). É somente em chave trinitária que tais afirmações podem ser interpretadas corretamente. Pense comigo: De um lado é necessário reconhecer que na Trindade não existe “nenhum que seja maior ou menor”, já que “as três Pessoas são co-eternas e co-iguais entre elas”. Esta é uma afirmação absoluta, sem a qual se negaria uma característica constitutiva da fé trinitária; todavia,

dir-se-ia, talvez, que na Trindade existe uma “desigualdade”, “assimetria”, isto é, por um lado o Pai poderia dizer que é “superior” ao Filho no sentido que é a sua origem gerando-o eternamente; porém, simultaneamente é “dependente” do filho, dado que este, acolhendo o Amor do Pai e fazendo-o retornar a Ele, “regenera o Pai do qual foi gerado”. E aqui está a razão última do fato que a igualdade/desigualdade entre os seres humanos não é estática, mas em permanente dinamicidade. De um lado, uma atitude social trinitária protege os mais fracos e tende a uma distribuição sempre mais justa de todos os bens, promovendo a igualdade, a imparcialidade e a equidade. Mas, ao mesmo tempo, estabelecer relacionamentos trinitários é o exato contrário

de um nivelamento que sufoca e rebaixa. Adquirir mentalidade trinitária é, entre outras coisas, reconhecer diferenças entre os seres humanos, não apenas como obstáculo e mal-estar, mas dom e possibilidade de crescimento para todos, pois “quem me está próximo foi criado em dom para mim e eu fui criado em dom para quem me está próximo. Na terra tudo está em relacionamento de amor com tudo: toda coisa com cada coisa. Ocorre, porém, viver o Amor para encontrar o fio de ouro entre os seres” (C. Lubich). É só percebendo o ser como dom que se pode reconhecer o Outro como Outro e, portanto, com valor. Teodoro Adorno descreveu o amor como a capacidade de descobrir semelhanças no diferente. A trinitariedade faz também o contrário: promove as diferenças do semelhante, fazendo-o ser plenamente ele mesmo.

BIANCA MASCARENHAS Psicóloga e formadora do Seminário São Pio X (mascarenhaspsi@yahoo.com.br)

HUMANUS

Conhece-te!

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orreria, agendas lotadas, cobranças têm gerado cada vez mais distanciamento de nós mesmos... estamos sempre ocupados, com “coisas” a fazer. Mas, para conviver em meio às adversidades, é fundamental trabalharmos o autoconhecimento, ou seja,

conhecer nossa essência e aprender a bem gerenciar sentimentos, palavras e atitudes. Ocupamos o tempo olhando nossa imagem física no espelho e às vezes gostamos do que vemos, noutras queremos mudar alguma coisa. Mas quanto tempo dedicamos a olhar para

nosso interior e pensamos em nos mudar, por dentro? Você já se perguntou: Quem é você? Por que pensa/se comporta de um jeito ou de outro? Quais suas qualidades e fraquezas? Está satisfeito com seu modo de ser, com sua vida, com suas escolhas? Sabemos que mudar algo em nós, como algum comportamento, é um processo que dá tra-

balho e pede tempo, por mais que entendamos ser necessário. E, como estamos em constante mudança, o exercício de autoconhecimento precisa ser frequente. Conhecer-se é o caminho para estar bem consigo mesmo e com os outros; aceitar as exigências da vida; saber lidar com as emoções (boas e não tão boas); reconhecer limites

e buscar apoio, quando necessário. Mas por onde começar? Podemos buscar a psicoterapia, processo de ajuda que conecta as pessoas com suas falas, intenções e emoções, por meio da escuta ativa e do aparato técnico de um especialista. Mas também podemos usar nossos próprios questionamentos e/ou contar com a ajuda de amigos e

pessoas de confiança. À medida que reservamos um tempo para nos ouvir, já iniciamos, sem perceber, o processo de autoconhecimento. E autoconhecimento tem a ver com autoestima, com autocuidado, com automotivação, com amor próprio, enfim. “Conhece-te, aceitate, supera-te”. (Santo Agostinho)

PE. ANTÔNIO MATTIUZ, CSJ (antoniomattiuz@gmail.com)

CURSILHO DE CRISTANDADE

A violência no Pará

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os primeiros quatro meses de 2019 houve avanço no combate e diminuição da violência no Pará. Pelos dados publicados pela SEGUP (Secretaria de Estado de Segurança Pública), de janeiro a abril de 2018, no Pará, houve 39.103 roubos (325 por dia, em média), mas de janeiro a abril de 2019 houve só 28.682 (206 por dia). Em abril de 2018, no Pará, houve 305 homi-

cídios (10 por dia); 23 latrocínios; 7.405 roubos (247 por dia); 583 roubos de veículos (20 por dia) e 115 roubos em coletivos. Em abril de 2019 houve 237 assassinatos (8 por dia); 14 latrocínios; 5.161 roubos (172 por dia); 280 roubos de veículos (9 por dia) e 38 roubos em coletivos. A violência diminuiu uns 25%, mas ainda é alarmante, intolerante, absurda, desumana e

Fundado em 5 de julho de 1913 FUNDADOR Pe. Florence Dubois, barnabita

ARQUIDIOCESE DE BELÉM-PARÁ

PRESIDENTE Dom Alberto Taveira Corrêa Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará VICE-PRESIDENTE Antônio de Assis Ribeiro Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém do Pará

anti-cristã. As causas da violência são várias: falta de educação, impunidade, penas demais brandas, muitos privilégios e mordomias para os presos. A poluição sonora em casas, na rua e em carros é um forte combustível que ativa a violência. A falta da devida punição a esses crimes é vertente de mais violência. A violência cresce, floresce e frutifica pela poluição sonora. Quanto pior for a poluição sonora, tanto maior é a violência. O álcool e a droga in-

DIRETOR GERAL Padre Roberto Emílio Cavalli Junior DIRETOR ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO Marcos Aurélio de Oliveira DIRETOR DE COMUNICAÇÃO Mário Jorge Alves da Silva DIRETOR DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS Kleber Costa Vieira

crementam o crime; mas a poluição sonora não é menos perversa, pois agride e violenta todo o sistema nervoso das pessoas e é poderosa causa de enxaquecas nas pessoas mais frágeis. Se um doido quiser se embriagar ou se drogar, que o faça na sua casa se seus familiares agüentarem. Se outro doido quiser som alto, chato e intermitente, faça-o na sua casa sem deixá-lo sair. Há quase um século, na Europa e em nações cultas, é proibida a poluição sonora porque sabem

dos gravíssimos danos que provoca no povo. Naquelas nações, se um doido quiser alto som em sua casa, deve antes fazer isolamento acústico, senão a lei pega. No Brasil, legisladores sábios fizeram leis boas contra o crime da poluição, mas quase não são cumpridas. Com isso há graves danos à paz, tranqüilidade, saúde e redução da violência. As atuais leis federais e estaduais prevêem multa de até R$ 11.000,00 para quem produz a poluição sonora. Em caso de reincidên-

COORDENAÇÃO Bernadete Costa (DRT 1326) CONSELHO DE PROGRAMAÇÃO E EDITORAÇÃO Padre Agostinho Filho de Souza Cruz Cônego Cláudio de Souza Barradas Alan Monteiro da Silva EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Sérgio Santos (DRT/PA 579) Assinaturas, distribuição, administração e redação Av. Gov. José Malcher, Ed. Paulo VI, 915 CEP: 66055-260

cia, a lei prevê apreensão da aparelhagem de som e até prisão do criminoso. Se a violência não for combatida nas suas causas, ela voltará logo mais e com mais força do que antes. Todo cristão precisa fazer a sua parte, denunciando e exigindo do Poder Público que execute a Lei. Ligue para o 190 e peça a intervenção da Polícia. É fácil: ligue e dê o endereço da casa, do bar ou a placa do carro. O combate à violência nas suas raízes não é só caridade, mas também misericórdia e justiça.

- Nazaré, Belém - PA Tel.: (91) 4006-9200/ 4006-9209. Fax: (91) 4006-9227 Redação: (91) 4006-9200/ 4006-9238/ 4006-9239/ 4006-9244/ 4006-9245 Site: www.fundacaonazare.com.br E-mail: voz@fundacaonazare.com.br Um veículo da Fundação Nazaré de Comunicação CNPJ nº 83.369.470/0001-54 Impresso no parque gráfico de O Liberal

FUNDAÇÃO NAZARÉ DE COMUNICAÇÃO

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Voz de Nazaré  

Edição de 6 a 12 de setembro de 2019.

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