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NOVEMBRO

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ENTREVISTA 3,/$5'(/5,2

A escrita de Saramago estĂĄ viva Pilar del Rio conta como foi publicar Claraboia, o livro que Saramago escreveu nos anos 50 e que ninguĂŠm quis publicar           mento forte da vida portuguesa.

Como surgiu a ideia de publicar Claraboia?         nos anos 90, tanto Zeferino Coelho, editor de JosÊ Saramago, como eu própria desejavamos publicar Claraboia, mas o autor não queria: dizia que não queria ver na rua um li          na altura, a editora nem se dignou responder-lhe‌ Mas que o publicassem os que lhe sobrevivessem. E Ê o que estamos a fazer: temos nas mãos uma jóia. Uma jóia de valor incalculåvel. Jå conhecia a obra? Pode contar-nos a sua história? Não creio que deva contar a história e retirar a surpresa aos leitores. Mas sempre direi que Ê um livro maduro, que traça muito bem a psicologia das personagens, que hå uma ação que todos reconheceremos, que Ê um momento da vida portuguesa narrada com vigor, com profundidade com fervor, com ironia, com um domínio das tÊcnicas narrativas que depois encontraremos no Memorial do Convento. Embora corresponda do ponto de vista formal a uma escrita que poderíamos chamar de convencional, hå mesmo momentos em Claraboia em que a imaginação do autor se deixa ir e aparece o Saramago que conhecemos, o narrador omnisciente e antidogmåtico que, a partir da humana compaixão, tudo pþe em dúvida.

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ÂŤClaraboia ĂŠ a histĂłria de um prĂŠdio com seis inquilinos suces  

       !    $%  #   tanto quanto me recordo, tem coisas que jĂĄ tĂŞm que ver com o meu modo de ser.Âť JosĂŠ Saramago

Qual a importância de a dar a conhecer ao público? Faz parte da missão que tomou para si como presidente da Fundação Saramago?

     %      )  coisa que nĂŁo se pode dizer deles    * "

   

         * +  ou religiosa.

Presidenta da Fundação, se faz favor, porque a palavra presidenta existe, está nos dicionários e é de justiça que se use. Pois assim é: é um dos trabalhos que considero meus pela responsabilidade assumida; que toda a obra de Saramago seja conhecida, divulgada, que        Porque é um bem para todos: para quem lê, para a língua, para o país. Não exagero: que cada leitor olhe para dentro de si próprio e veja se depois de ter lido Saramago com atenção, não é uma pessoa melhor. Porque conhecerá o mundo de uma forma mais profunda e terá mais meios para tomar as suas próprias decisões. Saramago abre-nos os olhos, ao mesmo tempo que nos transmite a beleza mais sublime.

É uma das grandes especialistas da obra de Saramago. Como Ê que olha para o seu conjunto? E como Ê que nela entrega este trabalho datado dos anos 50?

A publicação de Claraboia pode ser encarada como uma forma de manter viva a escrita de JosÊ Saramago e a ideologia que dela emana?

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  &'(     em todos os livros.

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   estava nele, mas ele nĂŁo a passava para os seus livros. Isto ĂŠ os seus    ! ! "

  #  a pessoa que escreve, e que estå contida nos livros, Ê um homem contemporâneo, branco, que vive primeiro no mundo, leu, ouviu música, conhece a Bíblia, a lei da relatividade e Ê marxista. Tudo isso estå

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Não sou perita de nada, e naturalmente não o sou na obra de Saramago. Simplesmente amo-a, aprecio-a, leio-a, acaricio-a. E este Ê mais um livro. Um livro que faz parte das obras completas de JosÊ Saramago com todo o direito e que Ê fundamental para se saber quem era Saramago antes de os meios de comunicação social começarem a falar dele. Muitos preconceitos poderão cair como castelos de cartas. A relação privilegiada e pessoal que viveu com o escritor trans-

formou o seu olhar sobre a sua escrita, enriqueceu-o, desmisti /!     !   1! 2     miração pela obra, outra é a relação entre duas pessoas que são iguais perante a lei e perante a vida. Mas isso é pessoal, disso não falo. Sobre os livros e a tradução, tudo o que quiser. Sobre a minha história com José Saramago não, é privilégio meu mantê-la no meu coração. Haverá mais textos passíveis de serem publicados? O livro inacabado terá que ser conhecido. Sê-lo-á. Mas não nos ante     

  Claraboia e            ele tinha entre mãos‌ aguardemos, a hora ainda não chegou.


Pilar Del Rio