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EDITORIAL

Capital das músicas do mundo Primeiro a Porto Covo, depois aos vários espaços da cidade, correntes de músicas oriundas de todos os mares, de todos os continentes, de todos os universos estéticos e culturais confluem em Sines entre 17 e 25 de Julho. É a 11.ª edição do FMM e uma das mais pujantes de sempre em propostas criativas, provando-se que, mesmo ajustando o orçamento (assim o obriga o contexto económico), é possível continuar a subir o nível. Este é o festival que continua a trazer a Portugal alguns dos maiores nomes da música mundial, como são os casos do pianista cubano Chucho Valdés, do mestre indiano Debashish Bhattasharya ou da lenda do reggae Lee ‘Scratch’ Perry. Mas este é também o festival da apresentação de novos músicos e músicas (em 2009 são mais de 20 os projectos em estreia nacional), abrindo-se espaço à revelação de jovens criadores, com o que têm de génio individual e condensação do espírito de uma geração. Entre esses novos músicos, não posso deixar de destacar o guitarrista sineense Rui Vinagre, que, integrado no quarteto Trilhos, inaugura o programa de concertos no Castelo, no dia 22 de Julho. É sempre um dos momentos mais altos do festival e Rui Vinagre e os seus companheiros souberam conquistar o direito a vivê-lo com a sua visão original do que podem ser os novos caminhos desse instrumento extraordinário que é a guitarra portuguesa. Sines recebe de braços abertos todos os espectadores deste grande festival, este ano com a cidade enriquecida com o Castelo totalmente recuperado, acolhendo no seu seio a Casa de Vasco da Gama, a figura tutelar de Sines e do FMM. Sejam bem-vindos. Prometemos continuar a surpreendê-los. O Presidente da Câmara

Manuel Coelho 3


PROGRAMA DE CONCERTOS 2009 PORTO COVO Sexta, 17 de Julho O'QUESTRADA (Portugal), 21h30 RUPA & THE APRIL FISHES (EUA), 23h00 CIRCO ABUSIVO (Itália), 00h30 Sábado, 18 de Julho VICTOR DÉMÉ (Burkina Faso), 21h30 THE UKRAINIANS (Reino Unido), 23h00 DELE SOSIMI AFROBEAT ORCHESTRA (Nigéria / Reino Unido), 00h30 Domingo, 19 de Julho WYZA (Angola), 21h30 ORQUESTA TÍPICA FERNÁNDEZ FIERRO (Argentina), 23h00 DAARA J FAMILY (Senegal), 00h30 SINES Segunda, 20 de Julho MOR KARBASI (Israel / Reino Unido), 22h00, Centro de Artes de Sines PORTICO QUARTET (Reino Unido), 23h30, Centro de Artes de Sines Terça, 21 de Julho CORNELIU STROE & AROMANIAN ETHNO BAND (Roménia), 22h00, Centro de Artes de Sines CARMEN SOUZA (Portugal / Cabo Verde), 23h30, Centro de Artes de Sines Quarta, 22 de Julho MAMER (China), 18h30, Centro de Artes de Sines TRILHOS - NOVOS CAMINHOS DA GUITARRA PORTUGUESA (Portugal), 21h00, Castelo JANITA SALOMÉ (Portugal), 22h15, Castelo UXÍA (Galiza), 23h30, Castelo ACETRE (Extremadura), 00h45, Castelo L'ENFANCE ROUGE (França / Itália / Tunísia), 02h30, Av. Vasco da Gama 4


Quinta, 23 de Julho ASSOBIO (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines ALÔ IRMÃO! - NARF & MANECAS COSTA (Galiza / Guiné-Bissau), 19h30, Av. Vasco da Gama HANGGAI (China), 21h30, Castelo CHUCHO VALDÉS BIG BAND (Cuba), 23h00, Castelo KASAÏ ALLSTARS (Rep. Dem. Congo), 00h30, Castelo DAMILY (Madagáscar), 02h30, Av. Vasco da Gama Sexta, 24 de Julho PAULO SOUSA (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines NJAVA (Madagáscar), 19h30, Av. Vasco da Gama WARSAW VILLAGE BAND (Polónia), 21h30, Castelo DEBASHISH BHATTACHARYA (Índia), 23h00, Castelo CYRO BAPTISTA ‘BEAT THE DONKEY’ (Brasil / EUA), 00h30, Castelo CHICHA LIBRE (EUA), 02h30, Av. Vasco da Gama Sábado, 25 de Julho MELECH MECHAYA (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines BIBI TANGA & THE SELENITES (Rep. Centro-Africana / França), 19h30, Av. Vasco da Gama JAMES BLOOD ULMER (EUA), 21h30, Castelo ALAMAAILMAN VASARAT (Finlândia), 23h00, Castelo LEE 'SCRATCH' PERRY (Jamaica), 00h30, Castelo SPEED CARAVAN (França / Argélia), 02h30, Av. Vasco da Gama

BILHETES PORTO COVO: JUNTO AO PORTO DE PESCA: 5 EUROS / DIA

SINES: CENTRO DE ARTES - AUDITÓRIO: 10 EUROS / DIA (20 E 21 JUL.) | 5 EUROS / DIA (22 A 25 JUL.) SINES: CASTELO: 10 EUROS / DIA SINES: AVENIDA VASCO DA GAMA (OU DA PRAIA): ENTRADA LIVRE Todos os detalhes sobre bilhetes na página 54 do guia.

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Portugal

O'QUESTRADA Música feliz made in Portugal. 17 JULHO, PORTO COVO, 21H30. Dizem que os portugueses fazem bem tristeza, mas alegria nem por isso. Conheçam então O'Questrada, música feliz Made in Portugal a abrir com um sorriso o FMM 2009. Formado em Almada em 2002, o quinteto é composto por Miranda na voz, Lima na guitarra portuguesa, Zeto na guitarra e voz, Donatello no acordeão e Pablo na contra-bacia (um contrabaixo feito com uma bacia…). Criam música 100% livre, 200% bem-humorada e 300% genuína. Cantando em português, crioulo, espanhol, francês e inglês, os O'Questrada juntam, por vezes na mesma canção, referências criativas tão diferentes quanto o fado, o funaná e a canção francesa. Um dos seus clássicos é, por exemplo, a versão fado / valse musette do tema “Killing Me Softly”, de Roberta Flack, mas há mais híbridos ternurentos a descobrir. Num palco transformado em tasca imaginária, onde as desgarradas são constantes e o teatro acompanha a música, o público deixa de ser apenas espectador e torna-se cúmplice do espírito. O primeiro disco da banda, “TascaBeat: O Sonho Português”, lançado em Abril, é o ponto de partida. 6


© Thomas Doran

© Judith Burrows

Estados Unidos

RUPA & THE APRIL FISHES A nova embaixadora da América cosmopolita. 17 JULHO, PORTO COVO, 23H00. Nascida na Califórnia, filha de pais indianos, foi durante a adolescência passada em França que a cantautora Rupa Marya descobriu que a cor da sua pele não era neutra: confundiam-na com os árabes e os ciganos e isso tinha um preço. Hoje, a par da carreira como médica, faz música que é uma resposta luminosa a todos os que teimam ver a vida a preto e branco. Cantando em inglês, francês, espanhol e hindi, buscando referências na canção francesa, no tango, na música cigana e na folk americana, entre outros géneros, Rupa faz do mundo inteiro o seu território estético. Estético, mas também ético, não fosse o nome do seu disco de estreia - “Extraordinary Rendition” (2008) - uma expressão que tanto significa uma interpretação artística excepcional como a prática de levar prisioneiros para fora do país de modo a usar técnicas de interrogatório ilícitas. Na companhia dos seis April Fishes - Ed Baskerville e Pawel Walerowski (violoncelos), Safa Shokrai (baixo), Isabel Douglass (acordeão), Marcus Cohen (trompete) e Aaron Kierbel (bateria) - Rupa faz no FMM a estreia em palcos portugueses. 7


Itália

CIRCO ABUSIVO Um circo sonoro com música cigana, klezmer e muito mais. 17 JULHO, PORTO COVO, 00H30. Com sede espiritual em Valtelatija, destino de antigas migrações ciganas entre os lagos e montanhas dos Alpes italianos, o grupo Circo Abusivo cumpre desde 2001 a missão a que se propôs: fazer a festa, mas não uma festa qualquer, fazer a festa total, porque só assim vale a pena montar o chapitô. Com um disco acabado de sair - “Valtellazija Revolucija” -, onde participa Eugene Hütz, líder dos Gogol Bordello, os Circo Abusivo colocam em palco a mesma energia explosiva e o mesmo humor desarmante da banda americana que fechou epicamente o FMM 2007. Música cigana dos Balcãs, klezmer, polka, samba, tarantella, surf-rock, mazurka, jingles publicitários, genéricos televisivos, enfim, todas as músicas capazes de dar o seu contributo para uma grande celebração da vida são engolidas pela orquestra louca encabeçada pelo acordeonista e vocalista Alex de Simoni e devolvidas ao público sob a forma de um jacto coeso de luz e felicidade. Nova e velha, próxima e distante, música de dança libertadora para usar e abusar no final da primeira noite do FMM 2009. 8


© David Commeillas

Burkina Faso

VICTOR DÉMÉ As baladas de um grande trovador saem da sombra. 18 JULHO, PORTO COVO, 21H30. A um dos mais discretos países de África não falta nome para impor respeito: Burkina Faso, a Terra do Povo Íntegro. Victor Démé, o cantautor que neste momento melhor o representa, tem um percurso condicente com o carácter nacional. De origem mandinga, Démé herdou a música da mãe, “griot” que nos anos 60 celebrava os mais importantes casamentos e baptizados da sua cidade. O pai era alfaiate na Costa do Marfim, onde Victor passou a juventude e começou a carreira, tocando nos principais clubes de Abidjan. De regresso ao seu país, em 1988, trabalhou na noite da capital, Ouagadougou, mas nunca conseguiu trilhar a carreira que merecia. Foi só em 2008 que um conjunto de encontros felizes permitiu que, numa editora criada à sua medida, a Chapa Blues Records, gravasse, aos 46 anos, o seu disco de estreia, “Victor Demé”. Sobre a limpidez da sua guitarra acústica, Victor dá voz a baladas onde cruza a tradição mandinga com influências latinas e a respiração dos grandes trovadores folk. Mais uma pérola de África a fazer a sua estreia nacional no FMM. 9


Reino Unido

THE UKRAINIANS Folk punk britânico com ouvidos no Leste. 18 JULHO, PORTO COVO, 23H00. Nas últimas duas décadas, milhares de jovens ucranianos emigraram para a Europa Ocidental em busca de uma vida melhor. Foi essa diáspora, que Portugal conhece tão bem, que inspirou o disco lançado em Fevereiro pela banda The Ukrainians, um dos melhores representantes da fusão entre a folk e a música (pós-)punk com origem no Reino Unido. Baseados em Leeds, The Ukrainians nasceram da experiência de um outro grupo, The Wedding Present, numa sessão lendária com John Peel, na BBC, onde, seguindo a sugestão do guitarrista Peter Solowka, filho de pai ucraniano, fizeram música quase totalmente baseada no folclore daquele país. Peter, juntamente com o cantor e violinista Len Liggins, acabaria por fundar The Ukrainians pouco tempo depois, no início dos anos 90. Num espectáculo que a revista Q considerou “a mãe de todas as festas”, a música de The Ukrainians é uma fogueira alimentada a canções ucranianas e êxitos dos T.Rex, The Sex Pistols, The Smiths, The Velvet Underground, entre muitos outros. Um dos pontos altos do FMM em Porto Covo. 10


Nigéria / Reino Unido

DELE SOSIMI AFROBEAT ORCHESTRA Química Afrobeat por um dos seus melhores criadores. 18 JULHO, PORTO COVO, 00H30. Se o Afrobeat foi o produto do encontro de várias músicas (o jazz, o funk, os ritmos tradicionais da Nigéria), foi também o resultado do encontro de vários músicos. Visão pioneira do génio Fela Kuti, é certo, mas também criação colectiva das dezenas de artistas que com ele partilharam os palcos e reinventaram o seu legado. Dele Sosimi foi um dos mais notáveis entre essa galeria de grandes músicos. Teclista dos Egypt 80 a partir de 1979, Dele, juntamente com Femi Kuti, tomou as rédeas do grupo quando Fela foi preso pelas suas posições políticas em 1984/85. Essa foi a sua primeira experiência como director musical e arranjador, que viria a consolidar, a partir de 1986, como líder dos Positive Force, a banda de Femi Kuti. Em 1995, foi viver para Londres e começou finalmente a trabalhar numa carreira em que já é totalmente seu o controlo criativo. Gravou dois discos - “Turbulent Times” (2002) e “Identity (2008) - e assumiu a liderança da sua Afrobeat Orchestra, uma máquina de ritmo nutrida a percussão e metais que Porto Covo acolhe como uma das mais consistentes delegações da nação Afrobeat. 11


Angola

WYZA A grande revelação da música angolana do séc. XXI. 19 JULHO, PORTO COVO, 21H30. Acabada a guerra, Angola sacode a poeira e desabrocha, projecta-se para o futuro e redescobre-se a si própria. É isso que também o jovem cantor e compositor Wyza está a fazer, trazendo para os nossos dias a riqueza ancestral do “kilapanga”, o estilo musical do povo de que é originário, os Bakongo. João Sildes Bunga de nome próprio, Wyza nasceu no Uíge, norte de Angola. Em 1984, fugiu para Luanda com a mãe, por causa da guerra. Foram anos duros, trabalhando no que havia, mas sempre aproveitando as energias que lhe restavam ao fim do dia para pegar no violão e compor. A sua primeira música a tocar nas rádios foi “Mpasi” (“sofrimento”, na língua “kikongo”), mas, só mais tarde, com o apoio de Paulo Flores e da Maianga Produções, entrou em definitivo no circuito musical angolano, gravando o seu primeiro disco, “África Yaya”, em 2004. “Bakongo”, editado em 2007, gira em torno do “kilapanga” e da pop mais sofisticada e é um dos mais surpreendentes trabalhos de um músico da África de língua portuguesa produzidos no novo milénio. Perspectiva um espectáculo memorável no FMM. 12


Argentina

ORQUESTA TÍPICA FERNÁNDEZ FIERRO Tango de sempre por uma orquestra da nova geração. 19 JULHO, PORTO COVO, 23H00. Sem laboratórios, sem modernismos inconsequentes, apenas fazendo tango, tango eterno, puro e duro, a Orquesta Típica Fernández Fierro é um caso ímpar de popularidade na música argentina, em particular junto da nova geração. Criada em 2001 por um grupo de estudantes de Buenos Aires, recupera a tradição das grandes orquestras de tango dos anos 50, fazendo arranjos de velhos temas, criando novos, e mantendo-se fiel a um som integralmente acústico, com quatro bandoneons, três violinos, uma viola, um violoncelo, um contrabaixo, um piano e a voz de Walter “Chino” Laborde. A marca geracional, no entanto, nota-se, quer no aspecto exterior decididamente séc. XXI e informal dos músicos, quer no modo intenso, altamente musculado, como as peças são executadas. Já com cinco discos gravados no currículo, é ao vivo que a orquestra está no seu meio. Em Buenos Aires, toca no seu próprio clube, o Club Atletico Fernández Fierro, destino dos jovens argentinos para ouvir tango. Em Porto Covo, não há o Rio de la Plata, mas há um mar de ouro para fazê-la sentir-se em casa. 13


Senegal

DAARA J FAMILY O expoente do “hip hop” melódico africano. 19 JULHO, PORTO COVO, 00H30. Para N'Dongo D e Faada Freddy, o duo base dos Daara J Family, não há dúvidas: tal como o gospel ou os blues, também o rap teve origem em África antes de se desenvolver como o género que conhecemos nos EUA. As raízes remontam ao “tasso”, uma velha forma de poesia ritmada que os povos do Senegal usavam para falar dos dramas e dos anseios que atravessavam a sua vida. Em actividade há mais de 10 anos, os Daara J (“escola da vida”, na língua Wolof) são uma das referências do “hip hop” africano. Demonstração cabal da sua qualidade, venceram a categoria África dos BBC Radio 3 World Music Awards em 2004, batendo na competição nomeados do gabarito de Cesária Évora, Oumou Sangaré e Rokia Traoré. O principal responsável pelo prémio foi o disco “Boomerang” (2003), o quarto e mais bem sucedido da sua carreira. Chegam ao FMM em fase de preparação do seu novo CD, a lançar no Outono, encerrando o último dia de música em Porto Covo com o “hip hop” melódico, temperado de tradição africana, ragga, R&B e música cubana, que os tornou conhecidos. 14


© Rob O’Connor

Israel / Reino Unido

MOR KARBASI A mais jovem diva da música israelita. 20 JULHO, CENTRO DE ARTES DE SINES, 22H00. Na linha de Ofra Haza e Yasmin Levy, Mor Karbasi é o novo milagre da galeria dourada das vozes femininas do mundo judaico. Com pouco mais de 20 anos, esta cantora israelita radicada no Reino Unido seduz o espectador com o poder delicado do seu desempenho vocal e com a riqueza das suas canções em hebraico, castelhano e Ladino, a língua extinta dos judeus da Península Ibérica. A fonte de inspiração é a música dos judeus sefarditas, cabendo no seu repertório temas tradicionais do séc. XV e novas canções baseadas no Ladino compostas por si. O flamenco é também referência, presente nos melismas da sua voz e na filigrana da guitarra de Joe Taylor. Instrumentista e director musical, este artista britânico foi decisivo para a consistência que Mor Karbasi revela no seu álbum de estreia - “The Beauty and the Sea” (2008) - e nos seus espectáculos ao vivo, ao mesmo tempo intimistas e electrizantes. Quando já trabalha no segundo disco, Mor Karbasi chega ao FMM Sines com o estatuto firmado de “uma das grandes jovens divas da cena musical global” (The Guardian). 15


Reino Unido

PORTICO QUARTET A revelação do jazz “indy” britânico. 20 JULHO, CENTRO DE ARTES DE SINES, 23H30. Nomeado para o Mercury Prize e considerado o melhor álbum de jazz, “world music” e folk pela revista Time Out, o disco “KneeDeep In The North Sea” foi um dos fenómenos da música britânica em 2008. O seu “som original” (The Times) é a criação inimitável do Portico Quartet, um quarteto de músicos na casa dos 20 anos com aspecto de banda “indy” que busca elementos sobretudo no jazz, mas também no rock, no minimalismo e em várias matrizes tradicionais do mundo. Formado em 2005, o grupo foi descoberto a tocar na rua frente ao National Theatre de Londres pelo clube The Vortex, que criou uma etiqueta discográfica só para lançar a sua música. O alinhamento é composto por Jack Wyllie, nos saxofones e na electrónica, Duncan Bellamy, na bateria e no “glockenspiel”, Milo Fitzpatrick, no contrabaixo, e Nick Mulvey, no “hang”, um instrumento de percussão criado em 2000 na Suíça que domina o som do grupo com a sua sonoridade exótica, entre os “steel drums” das Caraíbas e os gamelões indonésios. Pós-jazz 'cool' e fantasmagórico para ouvidos ávidos de aventura. 16


Apoio

Roménia

CORNELIU STROE & AROMANIAN ETHNO BAND A música do povo aromeno transfigurada pelo jazz. A história da expansão imperial de Roma nos Balcãs e no Leste da Europa tem a sua principal marca humana ainda viva na língua e no carácter dos povos valacos. Um desses povos latinizados do Leste é o povo aromeno, com uma importante comunidade na Drobuja, região romena à beira do Mar Negro. É precisamente o seu folclore que está em destaque na música da Aromanian Ethno Band. Stelu Enache é o cantor solista e compositor da banda, autor dos álbuns "Bachita" e "Iskender" e companhia frequente dos nomes mais notáveis da música romena. O estilo da banda que lidera é uma fusão entre a música tradicional aromena e os elementos modernos do rock e do jazz, pigmentados com sonoridades de música grega e balcânica. O toque jazzístico na fórmula é dado por Corneliu Stroe, percussionista perito das dinâmicas do “ethnojazz” com inúmeros álbuns gravados na Roménia, mas também em Inglaterra, França e Alemanha. Mais nova-velha música da Europa para descobrir no FMM. 21 JULHO, CENTRO DE ARTES DE SINES, 22H00.

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Portugal / Cabo Verde

CARMEN SOUZA Jazz vocal com sabor africano. 21 JULHO, CENTRO DE ARTES DE SINES, 23H30. Quando se fala de música, Cabo Verde não é apenas um arquipélago, é também uma constelação, tal a quantidade de estrelas que, ano após ano, acrescentam novos brilhos ao firmamento da canção popular. Carmen Souza, nascida em Portugal, mas filha de pais cabo-verdianos, é mais uma cantora cintilante com origens nas ilhas. Os vários géneros cabo-verdianos, o gospel e a soul são fontes assumidas de inspiração, mas Carmen encontra sobretudo no jazz as linhas-guia do seu trabalho mais maduro. Esta é uma cantora cabo-verdiana em que é tão importante a referência de Cesária Évora como são as de Billie Holiday, Nina Simone, Ella Fitzgerald, ou o seu produtor e mentor, Theo Pas'cal. Jazz vocal com tempero “soul” e africano que ouviremos através do repertório original dos dois discos lançados por Carmen até agora: “Ess ê nha Cabo Verde (2005) e “Verdade” (2008). No concerto de Sines traz a companhia de um convidado 5 estrelas: o saxofonista Jay Corre, que tem no seu currículo trabalhos com nomes como Frank Sinatra, Tony Bennett e Sammy Davis Jr., entre muitos outros. 18


© Mu Qian

China

MAMER Folk alternativa com raízes na China profunda. 22 JULHO, CENTRO DE ARTES DE SINES, 18H30. Xinjiang, no interior profundo da China, é um território de grandes estepes povoadas de cavalos, pastores e uma espiritualidade que já não se encontra nas metrópoles do “boom” económico. Natural destas planícies batidas pelo vento, Mamer, a mais recente estrela da música chinesa, está a operar uma recuperação comovente do património musical do povo cazaque de Xinjiang, criando canções com raízes na tradição mas totalmente contemporâneas, belas baladas folk sobre a vida nómada na pradaria, que ganham vida no baixo ressonante da sua voz e nas duas cordas do alaúde “dombra”. Editado em Maio, pela Realworld, o seu álbum de estreia, “Eagle”, conta com a participação de Béla Fleck, um dos mais importantes intérpretes de banjo do mundo, e do recentemente falecido Hector Zazou, selos de qualidade para um artista que promete ser uma das grandes exportações musicais da China nos próximos anos. Com elogios entusiásticos de toda a crítica que ouviu o seu disco, Mamer vai ser uma das grandes surpresas do festival. 19


© Gonçalo Chinita

Portugal

TRILHOS - NOVOS CAMINHOS DA GUITARRA PORTUGUESA O mais belo instrumento português ganha novos mundos. 22 JULHO, CASTELO DE SINES, 21H00. Sobretudo utilizada a solo ou na companhia da viola do fado, a guitarra portuguesa não tem tido muitas experiências em formações mais complexas. Nascido em 2002, o projecto Trilhos propõe que a guitarra perca a timidez e seja colocada ao serviço da música gregária. Natural de Sines, Rui Vinagre estudou guitarra portuguesa em Coimbra e juntou-se a Miguel Calhaz (contrabaixo), Marco Figueiredo (piano) e Joaquim Teles - Quiné (percussões) num quarteto que abre novos horizontes para um instrumento que começa a libertar-se do estatuto, por vezes constritor, de símbolo nacional. Desde o jazz à música tradicional, Trilhos transforma o modo como ouvimos a guitarra. Carlos Paredes e o desdobrar fractal das cordas estão aqui, mas também surgem associações inesperadas, como quando, no tema “Viagem”, a guitarra parece assumir a função de banjo numa malha “bluegrass”. O disco de estreia, “Avariação”, é a base de um projecto a descobrir. 20


Portugal

JANITA SALOMÉ Um dos maiores cantautores portugueses canta o vinho. 22 JULHO, CASTELO DE SINES, 22H15. José Afonso viu nele um dos discípulos com maior potencial e o mínimo que se pode dizer é que, como intérprete e como compositor, as expectativas não foram goradas. Dono de uma voz de alcance formidável e brilhante no modo como fez a recuperação da ligação do Alentejo e do seu cante ao mundo mediterrânico, entre a Andaluzia e o Norte de África, Janita Salomé entrou para a elite dos criadores portugueses. Neste espectáculo, toma como ponto de partida o disco “Vinho dos Amantes” (2007), onde usa as palavras de autores como o grego Anacreonte, o francês Baudelaire ou o português Camilo Pessanha, para cantar o vinho como elixir da poesia, do amor e de tantas outras coisas boas da vida. O suporte instrumental é dado pelo 'bendir' e o adufe que ele próprio toca e por uma banda, também ela de primeira linha, formada por Filipe Raposo (piano / teclas), Jorge Reis (violino / sax soprano), José Peixoto (guitarras), Mário Delgado (guitarras), José Salgueiro (bateria / percussões) e Yuri Daniel (baixo / contrabaixo). Música a brotar do fundo da terra entre as muralhas do Castelo de Sines. 21


© Lea Crespi

© Oscar Martínez

Galiza

UXÍA A voz do Atlântico galaico-português. 22 JULHO, CASTELO DE SINES, 23H30. Uma corrente de música percorre o Atlântico: parte das brumas da Costa da Morte galega, desce pelas praias e falésias portuguesas, atravessa Cabo Verde, absorve o calor do Golfo da Guiné e corre com os ventos que rumam ao Brasil. O nome dessa corrente é Uxía, uma das maiores cantoras ibéricas há mais de 20 anos, presente no FMM com um espectáculo onde investe como nunca nos frutos criativos desta comunhão musical. O ponto de partida é “Eterno Navegar” (2008), o seu sexto disco, gravado em Sintra, cuja canção “Rumores de Falúas” venceu o prémio de melhor canção galega nos prestigiados Premios de La Musica 2009. Apoiada por uma banda dirigida pelo pianista açoriano Paulo Borges, que também produziu o disco, Uxía faz deste concerto uma ocasião ainda mais especial com o seu grupo de convidados de excepção: Guadi Galego (Galiza), Zeca Medeiros (Portugal) e Manecas Costa (Guiné-Bissau). Do canto popular galego alalá ao fado, da morna à música tradicional açoriana, um concerto onde sopra a brisa da grande música do Atlântico lusófono. 22


Apoio

Extremadura

ACETRE O grupo folk que une as músicas de Portugal e Espanha. 22 JULHO, CASTELO DE SINES, 00H45. Originário de Olivença, município da Extremadura cuja soberania espanhola Portugal nunca reconheceu oficialmente, o grupo Acetre é um exemplo de como a música deve servir para unir, nunca para separar. Criado em 1976, é um dos projectos mais consistentes da folk espanhola, assumindo um repertório bi-cultural que encontra na fronteira em que se situa não um muro mas um território de encontro. Nos concertos de Acetre ouvimos perantones, pindongos, tonadas festivas e alboradas extremenhas, mas também fados e corridinhos portugueses, trabalhados em arranjos com influências de outras músicas do mundo. O seu sétimo e mais recente disco, "Dehesario" (2007), é um dos melhores da sua carreira. Apresenta canções em castelhano e português, destacando-se quer a suavidade do pano instrumental tecido pelos nove músicos, dirigidos por Jose Tomás Sousa, quer a beleza das vozes femininas, Raquel Sandes e Ana Márquez. Manuel Mendes (guitarra portuguesa, Lisboa) e Francisco Pinto (guitarra flamenca, Badajoz) são os convidados especiais para deste concerto. 23


© Wallendorff

França / Itália / Tunísia

L’ENFANCE ROUGE Rock de vanguarda com inspiração magrebina. 22 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 02H30. Entre o porto siciliano de Trapani e o porto tunisino de Halq al Waady, o Mediterrâneo é um mar estreito, quase pede licença para passar. É neste território em que Europa e a África do Norte são capazes de se ver, sem mediações, uma à outra, que se desenvolve o projecto mais recente de L'Enfance Rouge, que Thurston Moore (Sonic Youth) considerou "um dos melhores grupos europeus". "Trapani - Halq al Waady" (2008), gravado em Tunis e Lecce, junta ao trio base constituído por François Cambuzat (voz e guitarra), Chiara Locardi (voz e baixo) e Jacopo Andreini (bateria) os músicos tunisinos Zied Zouari (violinos), Hend Zouari (qânun e voz) e Wassim Derbel (percussões). O encontro resulta numa experiência de grande potência e rigor musical entre o rock progressivo, sobretudo na linha do noise, e a música árabe tradicional. Internacionalista, anti-imperialista e assumidamente anarquista, L'Enfance Rouge responde ao fechamento do Ocidente com música de fronteiras abertas e crítica social. Art rock com "perfume de liberdade" (Libération) na estreia das madrugadas de música junto à praia. 24


Portugal

ASSOBIO A expansão electrónica da música tradicional portuguesa. 23 JULHO, CENTRO DE ARTES DE SINES, 18H00. Das serranias da Beira Alta para as praias de Sines, chega um dos projectos mais audaciosos da música portuguesa de raiz tradicional. Num percurso iniciado em 2003, com a gravação do CD "Canções do Ceguinho", e no seguimento do projecto Chuchurumel, recentemente terminado, César Prata volta a apostar na expansão do material acústico popular através do espectro de novos sons e timbres que é possível produzir por computador. Um disco e um espectáculo, realizados em co-produção com o Teatro Municipal da Guarda, o projecto Assobio, estreado em Maio, conta com a participação da cantora Vanda Rodrigues, que acrescenta a sua voz ao impressionante arsenal sonoro de César Prata: bandolim eléctrico, ewi (instrumento electrónico de sopro), flautas, fole, guitalele (híbrido entre a guitarra e o cavaquinho), guitarra sintetizada, laptop, mbira (instrumento da África Oriental), ocarina, ponteira, percussões e viola braguesa. Máquinas e humanos, artefactos orgânicos e artefactos digitais, passado, presente e futuro, tudo se encontra neste concerto a não perder. 25


Galiza / Guiné-Bissau

ALÔ IRMÃO! - NARF & MANECAS COSTA Músicas galega e africana em encontro fraternal. 23 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 19H30. Se há intercâmbio transfronteiriço que realmente funciona e mostra frutos é o que se passa entre os músicos galegos e os músicos de língua portuguesa. Manecas Costa, guitarrista, cantor e compositor guineense radicado em Portugal, é um dos mais activos nestas incursões pelo noroeste da península, tendo já colaborado na gravação de um disco de Uxía Senlle e mantendo vivo um projecto - Humor Neghro - com o artista galego Carlos Blanco. No palco do FMM Sines, Manecas apresenta-se com outra grande figura da música da Galiza, Fran Pérez (Narf), cantautor de horizontes abertos com experiência em trabalho com música africana, particularmente em Moçambique, onde colaborou, por exemplo, com o grupo Timbila Muzimba e o poeta José Craveirinha. No espectáculo que criaram juntos - Alô Irmão! -, as suas vozes e as suas guitarras (acústicas e eléctricas) desbravam, através de repertório original para esta formação e canções que cada um deles já trazia do seu repertório, um território estético comum no meridiano que desce sobre a Galiza, Portugal e a Guiné-Bissau. 26


China

HANGGAI O som das estepes chinesas chega ao séc. XXI. 23 JULHO, CASTELO DE SINES, 21H30. Uma modernização tão rápida como a que acontece hoje na China pode conduzir à perda de identidade. Muitos jovens músicos chineses percebem isso e, para evitá-lo, estão a voltar às raízes. Liderado por Ilchi, antigo punk, o grupo Hanggai recupera para o presente a música tradicional da região da Mongólia Interior. No seu disco de estreia - "Introducing Hanggai" (2008) encontram-se os principais elementos da música desta terra de pradarias e cavaleiros nómadas: o canto diafónico "khommei", mais conhecido na sua expressão tuvana, e os instrumentos tradicionais "morin khuur" (violino com cordas feitas de crina de cavalo) e "tobshuur" (espécie de alaúde de duas cordas). Sem ceder à aculturação, os Hanggai não fecham, porém, as vias de comunicação com a música ocidental. É o caso da surpreendente canção "Five Heroes", perfeita para a banda sonora de um "western spaghetti" passado na planície mongol. Enquadrado no ambiente mágico do Castelo, um concerto para onde todos os espíritos das planícies chinesas são convocados. 27


Cuba

CHUCHO VALDÉS BIG BAND Jazz latino por um dos melhores pianistas do mundo. 23 JULHO, CASTELO DE SINES, 23H00. O ramo latino do jazz na sua linhagem mais nobre chega a Sines. Filho de Bebo Valdés, um dos mais destacados artistas cubanos do século XX, Chucho Valdés não é menos importante na história da música de Cuba das últimas décadas, com mais de 50 discos gravados e cinco Grammys conquistados, entre 14 nomeações. Nascido em 1941, Chucho começou a tocar piano de ouvido aos 3 anos de idade e formou o seu primeiro trio de jazz aos 15. Estreou-se em disco com "Chucho Valdés y su Combo", em 1963, e sete anos mais tarde, em 1970, foi considerado um dos cinco melhores pianistas de jazz do mundo, com Bill Evans, Oscar Peterson, Herbie Hancock e Chick Corea. Em 1973, fundou o grupo mítico do jazz cubano, Irakere, sendo seu pianista, compositor, arranjador e director até hoje. Com um percurso repartido entre os Irakere e múltiplas outras formações e colaborações, toca no FMM com a sua "big band", onde está presente a sua irmã, a cantora Mayra Valdés, e mais sete instrumentistas, com forte representação dos metais. Quente, complexo, virtuoso, um concerto fundamental. 28


© Vincent Kenis

Rep. Dem. Congo

KASAÏ ALLSTARS África psicadélica pelo super-grupo da música congolesa. 23 JULHO, CASTELO DE SINES, 00H30. O que leva um festival a programar um grupo que, por problemas de vistos, teve de cancelar nos dois anos anteriores? Resposta 1: Não vergar perante a lógica da Europa-fortaleza. Resposta 2: apoiar quem, nos meios mais pobres, trabalha por amor à música. Resposta 3: confiança total no poder de um espectáculo. Descoberta pelo belga Vicent Kenis, esta é a música africana diferente revelada no projecto "Congotronics": experiências domésticas de amplificação eléctrica de instrumentos tradicionais, cheias de distorções, num casamento feliz do espírito do rock com ritmos de transe nativos. Reunindo 13 músicos de várias etnias da região congolesa do Kasaï, convivem neste grupo guitarras eléctricas, likembés electrificados, balafons, vozes, muita percussão e dançarinos que tomam o palco em espectaculares fatos e pinturas tradicionais. Apresentando o seu primeiro disco em nome próprio, "In the 7th Moon, the Chief Turned Into a Swimming Fish and Ate the Head of His Enemy by Magic" (2008), o terceiro da série Congotronics, prepara-se um fim de noite hipnótico. 29


Madagáscar

DAMILY O baile do “tsapiky” desce à Avenida Vasco da Gama. 23 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 02H30. Depois do concerto dos Kasaï Allstars no Castelo, o transe induzido pela febre eléctrica africana prolonga-se para o palco da praia. Tal como no caso dos congoleses, a música do guitarrista Damily é electricidade, mas electricidade ligada à terra. Nascido em 1968, é a grande figura do Tsapiky, o ritmo de dança originário do sudoeste da ilha do Madagáscar, com temperos da África Oriental que os amantes da música moçambicana e sul-africana vão reconhecer. A guitarra coberta pela poeira de Tulear, a cidade natal de Damily, é o leme de uma música com raízes fundas na vida do povo malgaxe, acompanhando enterros, casamentos, circuncisões e todos os acontecimentos sociais mais importantes. Gany Gany (voz e dança), Rakapo (baixo e guitarra), Naivo (bateria e “katsa”) e Claude (voz e “langoro”) juntam-se a Damily num espectáculo que tomará como referência o álbum “Tsapiky from Tulear”, lançado este ano pela Helico. Como diriam os naturais de Tulear para desejar boa sorte: “Ravinahisty, Damily!”. Este concerto substitui o de Ramiro Musotto & Orchestra Sudaka, cancelado por motivos de saúde. 30


© Mário Pires

Portugal

PAULO SOUSA A paixão contemplativa do sitar indiano. 24 JULHO, CENTRO DE ARTES DE SINES, 18H00. Embora seja um dos instrumentos com maior valor identitário (ouvimo-lo e as paisagens da Índia acendem-se na nossa imaginação), o sitar é, pela sua capacidade expressiva, património da humanidade. Ao longo das últimas décadas, muitos músicos ocidentais têm aprofundado o interesse pela sua aprendizagem. Foi o que aconteceu com Paulo Sousa (n. 1964), que depois de, na década de 80, ter co-fundando, como guitarrista, a banda de poprock Esse Entente, tem vindo a construir um percurso como sitarista, aprendendo com grandes mestres da música clássica do Hindustão, tais como o Pandit Hindraj Divekar e Swanand Arole, de quem foi discípulo num “ano lectivo” passado na Índia entre Outubro de 2006 e Agosto de 2007. Discos gravados são três: “Thar” (2005), no seio do grupo Alap; “Sitar para o Anoitecer” (2008), registo de um espectáculo no CCB; e “Ao Vivo no Museu do Oriente”, editado em Maio. No FMM, toca duas ragas e um “dhun” na companhia do grande tablista indiano Makarand Tulankar. Para todos os amantes de intensa música contemplativa. 31


Madagáscar

NJAVA Tradição e modernidade na música da Ilha Vermelha. 24 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 19H30. Mais do que uma ilha, o Madagáscar é um mundo à parte, um santuário natural, mas também um caso único no património humano do planeta, pela ligação ancestral que nele se operou entre as culturas de África, do sudeste asiático e dos arquipélagos da Oceania. Formado por quatro irmãos e um primo, Njava reflecte toda a riqueza da música do país, do “salegy” do norte ao “tsapiky” do sul, passando pelo canto dos pastores Antandroy. Nas suas mãos, porém, esta tradição é reinventada através de linguagens contemporâneas. Entre o Madagáscar e a Europa, os irmãos Monika (voz), Lala (voz), Pata (percussões) e Max (guitarra, baixo, loops e samples) e o primo Dada (guitarra, baixo e “valiha”, instrumento de cordas malgaxe) fazem música de dança que tanto remete para uma discoteca da Bruxelas onde vivem desde os anos 90 como para um terreiro de Vohipeno, a aldeia de onde são originários. Com três discos da bagagem - “Vetse” (1999), “Source” (2005) e “Vox Populi” (2007) - Njava estão a caminho de Sines com a promessa de um poderoso baile “Ethnotic Groove” junto à praia. 32


Polónia

WARSAW VILLAGE BAND Os novos caminhos de um grupo folk de culto. 24 JULHO, CASTELO DE SINES, 21H30. A fase mais recente dos Warsaw Village Band foi inspirada pelo nascimento de uma criança. Foi a pensar na pequena Lena que Maja Kleszcz e Wojtek Krzak, seus pais e músicos da banda, decidiram fazer o que nunca tinham feito até aí: em vez de apenas transformar canções tradicionais, começaram a criar canções completamente de raiz. “Infinity” (2008) é a materialização desse desejo de gravar um disco com música original. Doze novas canções em que Lena e as futuras gerações se possam inspirar, como eles fizeram com as velhas canções da região da Mazóvia, nos discos que os revelaram ao mundo: “Hop Sa Sa” (1997), “People’s Spring (2001) e “Uprooting” (2004). Eleito grupo revelação nos BBC Radio 3 World Music Awards 2003, o sexteto Warsaw Village Band é um fenómeno da folk internacional, produzindo música de dança baseada em instrumentos de cordas, tambores poderosos e uma forma peculiar do uso da voz, o “canto branco”, adaptado do grito que os pastores usavam para comunicar a longas distâncias. Apresenta-se no Castelo no auge do seu potencial criativo. 33


Índia

DEBASHISH BHATTACHARYA O mestre da “slide guitar” indiana. 24 JULHO, CASTELO DE SINES, 23H00. Desde que descobriu a “slide guitar”, com apenas três anos, Debashish Bhattacharya (n. 1963) tem devotado a sua vida a tornar-se um dos melhores intérpretes deste instrumento, com grande tradição na Índia, sendo hoje reconhecido como um dos seus “pandit” (mestres). Melhor artista da Ásia / Pacífico nos BBC Radio 3 World Music Awards 2007, Debashish transformou a “slide guitar”, criando versões adaptadas do instrumento que usa como veículo para improvisações de imaginação rara pela raga indiana. Ao lado do seu irmão Subhashish, nas tablas, e das únicas mulheres indianas que tocam as percussões tradicionais “pakhawaj” e “mridangam” - Chitrangana Reshwal e Charu Hariharan -, Debashish apresenta-se em Sines com um espectáculo baseado nos seus últimos dois discos, “O Shakuntala!” e “Calcutta Chronicles”, que lhe valeu uma nomeação para um Grammy em 2009. Extraordinária em todas as suas dimensões - ritmo, melodia, harmonia, timbre - a música de Debashish Bhattacharya prepara-se para enfeitiçar o Castelo numa noite inesquecível de encantamento oriental. 34


Brasil / EUA

CYRO BAPTISTA ‘BEAT THE DONKEY’ A festa da percussão por um génio musical e a sua trupe. 24 JULHO, CASTELO DE SINES, 00H30. Um espectáculo do brasileiro Cyro Baptista é um exemplo de como, mesmo na era do digital, nada pode substituir a experiência gloriosa da música ao vivo: é verdade, nunca, mas nunca, vais conseguir replicar isto no teu iPod. A viver nos EUA desde 1980, Cyro é um dos mais respeitados percussionistas do mundo, tendo já trabalhado com músicos tão diferentes quanto John Zorn, Daniel Barenboim e Snoop Dogg. Em nome próprio tem seis discos, três dos quais com o grupo multinacional de percussionistas que traz a Sines. Beat the Donkey (tradução da expressão “pau na mula”) é um show de percussão de todo o mundo (Brasil, Médio Oriente, Indonésia, África, EUA) preparado por músicos que, pela maneira exuberante e teatral como se apresentam em palco, mostram que também pode haver humor (e muito auto-humor) dentro do ritmo. Líder da trupe, Cyro confunde e arruma, mas não deixa o espectáculo perder, por um segundo, o rigor musical e a atenção do espectador. Entre o repertório de Beat the Donkey e o seu disco de 2008, “Banquet of the Spirits”, um dos acontecimentos do FMM 2009. 35


© Tuomo Manninen

© Chris Smith

Estados Unidos

CHICHA LIBRE A nova vida das cumbias psicadélicas da selva amazónica. 24 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 02H30. “Chicha” era a bebida feita à base de milho que os Incas bebiam na América pré-colombiana. Foi também o nome do movimento musical nascido nos anos 1970, entre os índios da Amazónia peruana, que misturava o som das cumbias colombianas com melodias andinas, “son” cubano, sonoridades psicadélicas de guitarras do surf rock e órgãos e sintetizadores baratos. Ora, esta música avançada para o seu tempo está a renascer no século XXI no meio de uma selva muito diferente, Nova Iorque. Composto por Olivier Conan (guitarra “cuatro” e voz), Joshua Camp (Hohner Electravox e voz), Nicholas Cudahy (baixo), Vincent Douglas (guitarra), Timothy Quigley e Greg Burrows (percussões latinas), o sexteto Chicha Libre foi o responsável por um dos discos mais surpreendentes de 2008: “Sonido amazónico!”. Versões de clássicos da “chicha”, originais cantados em francês, variações de pop dos anos 70 e versões cumbia de obras dos compositores impressionistas Satie e Ravel são as propostas do disco e de um espectáculo absolutamente a não perder na penúltima noite do FMM. 36


Portugal

MELECH MECHAYA Festa portuguesa com sabor klezmer. 25 JULHO, CENTRO DE ARTES DE SINES, 18H00. No arranque do último dia do FMM 2009, a celebração começa ainda o sol não se pôs. No Auditório do Centro de Artes, ouvese o espírito festivo do klezmer, a mais conhecida música secular do povo judaico. Desde há algumas décadas, este antiquíssimo género solar vive um revivalismo que, no virar globalizado do milénio, é capaz de ter expressões nos mais variados pontos do mundo. Com forte tempero cigano e árabe, o quinteto Melech Mechaya demonstra que o nosso país também merece figurar num mapa onde se destacam lugares como a Hungria, os Balcãs, Israel e Nova Iorque. Formado em 2007, Melech Mechaya é a soma da potência acústica dos músicos João Graça (violino), Miguel Veríssimo (clarinete), André Santos (guitarra), João Sovina (contrabaixo) e Francisco Caiado (percussão). Depois de um EP homónimo lançado em 2008, editaram, em Junho, o seu primeiro álbum, “Budja Ba” (Ovação), que estará em rodagem no espectáculo de Sines. Recorrendo às palavras da biografia do grupo, vai ser, “entre o riso e a dança, uma pândega não aconselhada a cardíacos”. Não falte. 37


Rep. Centro-Africana / França

BIBI TANGA & THE SELENITES A vibração “soul” de uma voz única do coração de África. 25 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 19H30. O último concerto vespertino na Avenida Vasco da Gama vai ser hora e meia de “groove”, essa felicidade de estar na crista da onda do ritmo, essa sensação de completude musical de definição difícil mas que todos desejamos sentir. Nascido na República Centro-Africana, mas criado em França, o cantor e baixista Bibi Tanga é um artista onde convergem várias linhas das grandes tradições da música africana e afro-americana: a soul de Curtis Mayfield, o funk de James Brown e Sly Stone, o funk-jazz de matriz africana de Fela Kuti e Franco, as fusões Afropop dos guineenses da Bembeya Jazz National, o gospel, o hip hop, os sons do coração de África onde tem as suas raízes. Em 2000, gravou o seu primeiro disco, “Le Vent Qui Souffle”, dominado pelo Afro-funk. Em 2003, conheceu o produtor e DJ Professeur Inlassable, cientista do som que acrescentou novas texturas à sua música, contribuindo para torná-la mais urbana e quente do que nunca. Parceiros na gravação do disco “Yellow Gauze” (2007), apresentam-se também juntos no espectáculo de Sines. 38


© Bill Douthart

Estados Unidos

JAMES BLOOD ULMER Uma voz e uma guitarra enchem o Castelo de “blues”. 25 JULHO, CASTELO DE SINES, 21H30. O dístico colocado no Myspace de James Blood Ulmer diz quase tudo: “o jazz é o professor, o funk é o pregador”. Falta dizer que ele é hoje, principalmente, um homem dos blues e com isto cobre, com uma abrangência incomparável, três vértices fundamentais da música afro-americana. Nascido em 1942, na Carolina do Sul, começa a carreira em bandas de R&B e funk. Já músico maduro, em Nova Iorque, toca com Ornette Coleman, cuja subversão da harmonia do jazz em favor da improvisação livre, atonal, influenciará a sua produção dos anos 70 e 80. Hoje, a sua música é mais estruturada e ganhou ascendência a tradição que o rock tem no seu instrumento (Jimi Hendrix é determinante), bem como, desde o virar o século, a rica história dos blues. Os discos “Birthright” (2005) e “Bad Blood in the City: The Piety Street Sessions” (2007), produzidos por Vernon Reid, são os melhores exemplos do Blood Ulmer actual, cantor de blues do Delta sofridos, agrestes, mas cheios de alma, que teremos o privilégio de ouvir num concerto em que enche o palco apenas com a sua voz e a sua guitarra. 39


Finlândia

ALAMAAILMAN VASARAT Jazz, metal e outras músicas em explosão acústica. 25 JULHO, CASTELO DE SINES, 23H00. Com o quinto disco lançado na Primavera - “Huuro Kolkko”, um álbum conceptual baseado nos diários de um viajante finlandês do início do séc. XX - os Alamaailman Vasarat chegam ao FMM 2009 mais frescos e estimulantes que nunca. Nascidos em 1997 a partir do núcleo de um grupo de rock progressivo, os Martelos do Submundo (é essa a tradução literal do seu nome) são um projecto essencialmente acústico, mas nada bem comportado. Numa entrevista, o saxofonista, Jarno Sarkula, classificou o sexteto instrumental como “uma combinação de world music ficcional com elementos de heavy metal, jazz e klezmer”, mas cada ouvinte terá a sua própria definição. De um lado, há violoncelos que soam como guitarras distorcidas e baterias brutais que lembram hardcore; do outro, há sopros tocando elegantemente uma valsa ou uma polka e um órgão desenhando no ar doces linhas meditativas. Artilhado sobretudo de armas antigas – velhos metais e instrumentos de cordas – Alamaailman Vasarat apresenta um espectáculo poderoso que Lee ‘Scratch’ Perry vai ter de se aplicar para bater. 40


Jamaica

LEE ‘SCRATCH’ PERRY O grande visionário da música jamaicana. 25 JULHO, CASTELO DE SINES, 00H30. Incluído na lista dos 100 maiores artistas de sempre publicada na revista Rolling Stone em 2004, Lee ‘Scratch’ Perry deu um contributo para o desenvolvimento do reggae sem comparação com qualquer outra figura viva. Produtor de Bob Marley, Max Romeo e The Clash, é considerado um dos primeiros “produtores-artistas”, ao nível de pioneiros como George Martin, Phil Spector e Brian Wilson. Determinante no nascimento do ritmo lento que conferiu autonomia estilística ao reggae, diferenciando-o do ska, as suas experiências na mesa de mistura ajudaram também a formar outra criação de génio, o dub. Na sua discografia, merecem destaque os álbuns históricos dos anos 70, como “Super Ape” (1976) e “Roast Fish, Collie Weed, and Cornbread” (1978), e a compilação “Arkology” (1997), que o revelou a uma nova geração. “Jamaican E.T.”, vencedor do Grammy para melhor álbum de reggae em 2003, e “Repentance”, nomeado em 2009, são os seus dois grandes triunfos na última década. Coroado de fogo-deartifício, mais um momento para a história do FMM. 41


França / Argélia

SPEED CARAVAN Tradição árabe e rock n’ roll nas cordas do alaúde eléctrico. 25 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 02H30. A 11.ª edição do Festival Músicas do Mundo despede-se na Avenida a bordo de uma caravana supersónica. Deixemos falar quem sabe: “Speed Caravan é uma mescla maravilhosa de influências tradicionais argelinas, batidas electrónicas e a energia crua do rock. É um dos híbridos mais excitantes que ouvi desde há muito tempo”, disse Peter Gabriel, figura patriarcal da “world music”, na revista Songlines. No núcleo vital deste som está Mehdi Haddab, músico de origem argelina que retirou o alaúde do reduto da música árabe tradicional e o transformou numa máquina electrificada e amplificada ao serviço do rock. Com Pascal Teillet no baixo e Hermine Frank nas percussões electrónicas, lançou em 2008 o disco de estreia do trio, “Kalashnik Love”, uma inter-zona sonora onde um clássico do mestre do alaúde acústico Udi Hrant, uma criação dos Chemical Brothers e uma versão dos The Cure (no caso, do clássico “Killing an Arab”) parecem feitos da mesma massa. Música de corpo para mentes abertas, nova, feroz, vital, é a proposta para o baile de encerramento do FMM 2009. 42


Iniciativas paralelas

“CARAVANÇARAI”, 10 ANOS DE FMM EM FOTOGRAFIA

© José Manuel Rodrigues

Centro de Artes de Sines. 11 de Julho a 23 de Agosto. Todos os dias, 14h00-20h00. Entrada livre.

Tal como os caravançarais do deserto, também o Festival Músicas do Mundo é um ponto de encontro que procura ser generoso para os viajantes, oferecendo-lhes guarida e mantimentos para que continuem a sua busca. Oriundos de todas as partes do mundo, reúnem-se aqui os músicos e os espectadores mais aventureiros, unidos por um elo imaterial que se foi formando ao longo dos anos e que faz do FMM hoje, mais do que um evento, uma comunidade. Nesta exposição, os músicos são os protagonistas - especialmente naqueles momentos em que o êxtase da música lhes faz sair a alma pelos poros, pela boca, pelos olhos - mas não são esquecidos todos os outros homens e mulheres que souberam transportar dentro de si o espírito FMM ao longo de 10 anos. É o espectáculo humano do FMM captado por fotógrafos que, nas mais diferentes qualidades, acompanharam o festival: António Melão, Bruno Fonseca, Enrique Vives-Rubio, Fred Huiban, José Manuel Rodrigues, José Sérgio, Mário Pires, Sofia Costa e Tiago Canhoto. 43


Iniciativas paralelas

CICLO DE CINEMA DOCUMENTAL Centro de Artes de Sines. 22 a 25 de Julho. Sessões às 15h00. Entrada livre.

22: “B FACHADA, TRADIÇÃO ORAL CONTEMPORÂNEA” E “MANDRAKE”, DE TIAGO PEREIRA Projecção de dois documentários do jovem realizador Tiago Pereira: o primeiro parte do músico pop B Fachada para reflectir sobre a tradição oral e o que sustenta (ou não) as dicotomias urbano x rural e criação individual x criação colectiva; o segundo sobrepõe e intersecta música feita hoje com recolhas de rituais arcaicos, muitos deles de carácter mágico. © Jules Follet / Karen Ingram

23 E 24: “MUSIC OF RESISTANCE”, DE JASON BRECKENRIDGE - AL JAZEERA Filmada em vários pontos do mundo, do deserto do Sahara a Lisboa, a série “Music of Resistance”, produzida por Jason Breckenridge para a cadeia de televisão Al Jazeera, aborda a música como força de mudança política. Apresentados por Steve Chandra, figura central da Asian Dub Foundation, veremos no FMM os seis episódios que a compõem: os primeiros três (Asian Dub Foundation, Tinariwen e Seun Kuti), na tarde de 23 de Julho; os restantes (Massoukos, Chullage e AfroReggae), na tarde de 24 de Julho. Cada sessão tripla tem uma duração de 68 minutos.

25: “É DREDA SER ANGOLANO”, PELO COLECTIVO RÁDIO FAZUMA Inspirado no disco "Ngonguenhação", do Conjunto Ngonguenha, "É Dreda Ser Angolano" propõe uma viagem informal pela paisagem musical e humana da nova Angola em forma de "mambo tipo documentário". 44


Iniciativas paralelas

ATELIÊS PARA CRIANÇAS Centro de Artes de Sines. 20 a 25 de Julho. Às 11h00. Para crianças dos 6 aos 12 anos. Gratuito, mediante inscrição no balcão do Centro de Artes.

20: PORTICO QUARTET O quarteto revelação do jazz britânico apresenta as suas ideias sobre música e mostra às crianças o misterioso instrumento que torna o seu som tão especial, o “hang”.

21: CARMEN SOUZA Entre Cabo Verde e Portugal, entre o jazz, a soul e os ritmos africanos, Carmen Souza explica às crianças como é viver entre tantas músicas e tantas culturas. © Jules Follet / Karen Ingram

22: UXÍA

Uxía não é apenas uma das maiores cantoras ibéricas, é também uma artista empática e inspiradora que não vai deixar de cativar as crianças que se inscreverem para o seu ateliê.

23: KASAÏ ALLSTARS Este grupo congolês é especialista em criar instrumentos novos a partir de instrumentos tradicionais. O seu engenho criativo é um exemplo para os mais novos.

24: WARSAW VILLAGE BAND Filha de Wojtek e Maja, a pequena Lena inspirou uma nova fase da banda polaca Warsaw Village Band. Neste ateliê, os músicos pegam nos seus instrumentos e explicam porquê.

25: BIBI TANGA Toda a grande música africana e afro-americana encontra espaço dentro do coração de Bibi Tanga. Agora é altura de partilhar essa paixão num ateliê que vai surpreender os mais novos.

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Iniciativas paralelas

CONVERSAS COM ARTISTAS Escola das Artes de Sines. 18, 19, 23, 24 e 25 de Julho. Às 14h30. Entrada livre.

18: DELE SOSIMI Companheiro de Fela e Femi Kuti, o teclista e director de orquestra Dele Sosimi fala do percurso que tem traçado no movimento Afrobeat e de como projecta o seu futuro.

19: DAARA J FAMILY O “tasso” senegalês é a forma original do rap? Esta e outras perguntas são o ponto de partida para uma conversa com um dos mais estimulantes grupos africanos da actualidade. © Jules Follet / Karen Ingram

© Puyol

23: CHUCHO VALDÉS Embora pequena, Cuba foi uma das nações que mais contribuiu para o património da música popular do século XX. Chucho Valdés, uma das suas maiores figuras, explica porquê.

24: DEBASHISH BHATTACHARYA Qual é o papel da “slide guitar” na música indiana? O que torna a música indiana especial e tão fascinante para os ocidentais? O público pergunta e o mestre Debashish responde.

© Barbès Records

25: CHICHA LIBRE

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O que leva músicos nova-iorquinos a iniciar um projecto de recuperação de um estilo nascido na Amazónia peruana dos anos 70? Nesta conversa, resolve-se o mistério.


Iniciativas paralelas

ATELIÊS DE INSTRUMENTOS Escola das Artes de Sines. 20, 21 e 22 de Julho. Inscrição na Escola das Artes: 5 euros para alunos da Escola das Artes e 20 euros para não alunos.

20: ZÉ EDUARDO (CONTRABAIXO) 14h30 Poucos contrabaixistas na Europa têm um percurso tão rico quanto Zé Eduardo. Para todos os interessados pelo instrumento, será um privilégio dialogar com ele e colher os seus ensinamentos.

21: JOÃO AIBÉO (TUBA) 14h30 A tuba é o maior e um dos mais expressivos sopros metálicos. Neste ateliê, João Aibéo ajuda a ir mais além na exploração da originalidade sonora de um verdadeiro “bom gigante” musical.

22: JOÃO FRADE (ACORDEÃO) 11h00 Um dos melhores acordeonistas nacionais, primeiro classificado em mais de 20 competições de acordeão em todo o mundo, João Frade mostra a sua visão de um instrumento de grande potencial e modernidade.

22: PEDRO MESTRE (VIOLA CAMPANIÇA) 14h30 Natural de Castro Verde, Pedro Mestre é um apaixonado pela música tradicional alentejana e um perito da viola campaniça, instrumento cujos segredos partilha neste ateliê a não perder. 47


Iniciativas paralelas

© Mário Pires

DJ’S

RÁDIO FMM AO VIVO, COM LUÍS REI E RAQUEL BULHA Em 2009, vai haver um modelo diferente de animação musical dos finais de tarde. Luís Rei, autor do site mais activo na área das músicas do mundo, www.cronicasdaterra.com, e, nos dias 17 e 18, Raquel Bulha, uma das maiores divulgadoras deste género de música na rádio portuguesa (Antena 3), são DJ’s, MC’s, apresentadores e entrevistadores e tudo o mais que lhes der na gana numa rádio FMM ao vivo instalada em vários espaços urbanos centrais do festival. 17 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00 18 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00 19 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00 20 de Julho - Exterior do Centro de Artes (Sines), das 18h00 às 21h00 21 de Julho - Exterior do Centro de Artes (Sines), das 18h00 às 21h00 22 de Julho - Largo Poeta Bocage (Sines), das 18h00 às 21h00 48


© Rita Carmo

SETS DE DJ’S 23: RMA (RDP ÁFRICA - ÁFRICA ELÉCTRICA) E MR_MUTE (DEUBREKA) Avenida Vasco da Gama. 23 de Julho. 04h00 às 06h00. Entrada livre Com o programa África Eléctrica, na RDP África, Rui Miguel Abreu (RMA) tem explorado o legado urbano da África dos anos 60 e 70. Neste Dj set, propõe viajar pelo afrobeat, afrofunk, afro-disco, juju, highlife e seus derivados. Ao seu lado estará Mr_Mute, referência emergente no lado mais funky da noite lisboeta com quem RMA já partilhou muitas viagens.

24: ANTÓNIO PIRES + TONI POLO Avenida Vasco da Gama. 24 de Julho. 04h00 às 06h00. Entrada livre Chamam-se os dois Antónios, mas um é espanhol e o outro é português: Toni Polo (aka DJ Cucurucho), dos Groovalizacion DJs, e António Pires. Juntos, cruzam sonoridades de todo o mundo (flamenco, Balcãs, música africana dos anos 60 e 70, bhangra, cumbia, funk carioca, ska, kuduro, hip-hop e muito mais) num alegre, vibrante e dançável duelo ibérico.

25: BAILARICO SOFISTICADO Avenida Vasco da Gama. 25 de Julho. 04h00 às 07h00. Entrada livre Tal como vem acontecendo desde 2006, a despedida do FMM 2009 faz-se ao som do trio de DJ’s Bruno Barros, Pedro Marques e Vítor Junqueira. “Imagine-se que durante umas horas poder-se-iam apagar fronteiras com uma borracha, acender fogos com dois calhaus e ser-se de qualquer tribo, da África à Europa de Leste, passando por Brooklyn e praias tropicais. É que desde 1999 que se pode ser cidadão do mundo com um Bailarico Sofisticado assim.” (Joana Batista)

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Iniciativas paralelas

ENCONTRO COM MIA COUTO E JOSÉ EDUARDO AGUALUSA Centro de Artes de Sines. 20 de Julho. Às 18h00. Entrada livre. Org. Livraria a das artes. Apoio Câmara Municipal de Sines

Numa organização da livraria a das artes, a propósito da comemoração do seu sexto aniversário, o Centro de Artes de Sines acolhe uma apresentação de livros invulgar: Mia Couto apresenta “Barroco Tropical”, o novo romance de José Eduardo Agualusa, e José Eduardo Agualusa apresenta “Jerusalém”, o novo romance de Mia Couto. Angola, Moçambique e todo os espaço da lusofonia, visões cruzadas, cumplicidades, discordâncias, numa ocasião única para conversar com dois dos maiores escritores de língua portuguesa da actualidade.

Iniciativas paralelas

ANIMAÇÃO DE RUA: SKALABÁ TUKA SINES, PORTUGAL Uma das cidades com maior tradição carnavalesca do país, Sines apresenta no FMM o grupo de bateria de samba e batucada Skalabá Tuka, ligado à bateria “Pelicanos da Baia”, criada em 1999 pelas mãos do mestre Reinaldo Nunes, fundador de várias escolas de samba em Portugal. Depois de alguns períodos de paragem, o grupo tem actualmente como mentores João Matos e Alexandre José e desenvolve as suas actividades com a parceria da Escola das Artes de Sines e o apoio da Siga a Festa Associação de Carnaval. As apresentações programadas são: Porto Covo: 17 de Julho, 17h30 Porto Covo: 19 de Julho, 21h00 Sines (Lg. Poeta Bocage): 22 de Julho, 17h30 e 21h00 Sines (Av. Vasco da Gama): 23 de Julho, 19h00

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PALCOS Características dos palcos do FMM 2009.

PORTO COVO Porto Covo é uma das mais pitorescas povoações alentejanas. A 1km da aldeia, localiza-se a Ilha do Pessegueiro, que nos lembra que estamos num dos santuários naturais da costa europeia. O palco é instalado junto ao Porto de Pesca, com a Ilha em fundo. Localização: Junto ao Porto de Pesca Capacidade: Cerca de 8000 pessoas (de pé)

SINES: CASTELO O principal monumento de Sines é o palco histórico do FMM. Erigido no séc. XV, foi cenário da infância e juventude de Vasco da Gama e é um dos seus mais prováveis locais de nascimento na cidade. Hoje, é um cenário de concertos de carisma único no país. Localização: Debruçado sobre a baía da cidade de Sines Capacidade: Cerca de 7000 pessoas (de pé e em bancadas)

SINES: AV. VASCO DA GAMA (OU DA PRAIA) O festival tem, desde 2004, um palco na marginal da Praia Vasco da Gama. Dentro do tecido urbano da cidade, a praia está enquadrada no conjunto falésia-Castelo-Igreja Matriz e é adjacente ao Porto de Pesca, fazendo parte do rosto de Sines e do coração dos sineenses. Localização: Junto à praia do mesmo nome, na cidade Capacidade: Cerca de 15000 pessoas

SINES: CENTRO DE ARTES Inaugurado em 2005 e finalista do prémio de arquitectura europeu Mies van der Rohe, o Centro de Artes integra num edifício quatro equipamentos: centro de exposições, biblioteca, auditório e arquivo histórico. Recebe concertos e iniciativas paralelas. Localização: À entrada do centro histórico de Sines Capacidade: 200 pessoas (Auditório)

SINES: ESCOLA DAS ARTES A antiga estação de caminhos-de-ferro, à entrada da cidade, é um dos mais belos edifícios de Sines. Desde 2008, é a casa do serviço de música da nova Escola das Artes de Sines, acolhendo, neste festival, conversas com artistas e ateliês de instrumentos. 51


MAPAS Oriente-se nas zonas de palco do FMM 2009. ESCOLA DAS ARTES (Antiga estação de caminhos-de-ferro)

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A programação do Festival Músicas do Mundo reparte-se em 2009 por cinco espaços: na aldeia de Porto Covo, um palco junto ao Porto de Pesca; na cidade de Sines, o Castelo, o palco da Av. Vasco da Gama (ou da Praia), o Centro de Artes de Sines e a Escola das Artes de Sines.

CONCELHO Tróia V. N. Santo André

Santiago do Cacém

Cidade de Sines

Os palcos na cidade ficam próximos uns dos outros, sendo possível circular entre eles em menos de 5 minutos a pé. Porto Covo Cercal

A cidade de Sines (a norte) e a aldeia de Porto Covo (a sul) distam cerca de 15km uma da outra.

V. N. Milfontes

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INFORMAÇÕES ÚTEIS Informações fundamentais para usufruir do FMM 2009.

BILHETES PREÇO Concertos em Porto Covo: 5 euros / dia Concertos no Castelo: 10 euros / dia Concertos no Centro de Artes de Sines (20 e 21 de Julho): 10 euros / dia Concertos no Centro de Artes de Sines (22 a 25 de Julho): 5 euros / dia Concertos na Av. Vasco da Gama: entrada livre Iniciativas paralelas: entrada gratuita, com excepção dos ateliês de instrumentos (5 euros para alunos da Escola das Artes de Sines e 20 euros para não alunos) Valores indicados com IVA incluído à taxa de 5%

LOCAIS DE VENDA SINES: Posto de Turismo de Sines, Centro de Artes de Sines, Serviço de Atendimento de Porto Covo. TODO O PAÍS: Lojas FNAC, Lojas Worten, Lojas Bliss, CC Dolce Vita, Livraria Bulhosa (Oeiras Parque e CC Cidade do Porto), agências de viagens Abreu, pontos MegaRede. ONLINE: www.ticketline.pt. RESERVAS: 707234234. DIAS DOS ESPECTÁCULOS: Bilheteiras junto aos recintos. Nota: Os bilhetes para os concertos no Centro de Artes de Sines são vendidos apenas no local. Reservas através dos seus contactos. 54


ADVERTÊNCIAS SOBRE AS ENTRADAS - Compre o seu bilhete antecipadamente. A lotação pode esgotar. - As crianças com menos de 12 anos não pagam bilhete. Nos termos da lei, está vedada a entrada a menores de 4 anos nos recintos dos espectáculos. - Os “vouchers” adquiridos através do circuito da Ticketline são trocados por bilhetes nas bilheteiras. - Com excepção do Auditório do Centro de Artes, o bilhete não dá direito a lugar sentado. No Castelo, existem bancadas com 550 lugares. - Em caso de alteração da data ou local do espectáculo, os bilhetes são válidos para a data ou local definitivos, não podendo ser reclamada a sua importância. Em caso de cancelamento do espectáculo, há direito a reembolso pela CM de Sines. - No palco do Castelo, existe uma plataforma para utentes em cadeiras de rodas. - É proibida a entrada de animais e objectos perigosos (incluindo latas e garrafas de vidro). - As saídas durante os espectáculos são controladas por uma senha. Não a perca. - É proibido realizar registos áudio e vídeo dos espectáculos. Devido à natureza do espaço, é estritamente proibido fotografar os concertos realizados no Centro de Artes. Todos os fossos para fotógrafos são reservados aos profissionais credenciados.

DESLOCAÇÕES E TRANSPORTES Chegar a Sines CARRO: Sines situa-se exactamente no centro da costa alentejana, 163km a sul de Lisboa e 130km a sul de Setúbal. Para chegar a Sines de carro, a partir de Lisboa ou Setúbal, pode seguir-se, entre outros, dois itinerários: 1) Tomar a A2, sair em Grândola e seguir pelos IC33 e IP8; 2) Tomar o ferry-boat de Setúbal para Tróia e seguir pela estrada para Sines. AUTOCARRO: Sines é servido pela Rede Expressos. Confira os horários das partidas e chegadas em www.rede-expressos.pt ou pelo telefone 269632268 (terminal Sines). Deslocar-se na região Os transportes inter-urbanos na região são assegurados pela Rodoviária do Alentejo. Saiba os seus horários através do telefone 269632268 (terminal de Sines). Se pretende usar o serviço de táxis ligue, na cidade, 269632405 (até à meia-noite). A cidade de Sines tem desde 2005, durante o dia, um sistema de transportes urbanos, útil para pequenas deslocações. Mais informações sobre circulação em Sines, alterações de trânsito, etc., no site www.fmm.com.pt. 55


ALOJAMENTOS A região de Sines tem alguns parques de campismo, mas não muitas unidades hoteleiras. Recomenda-se que se trate do alojamento com antecedência. Ver lista de alojamentos e informações sobre áreas de acampamento alternativo no site do FMM.

ALIMENTAÇÃO Além dos restaurantes de Sines e Porto Covo, a oferta de refeições é reforçada em 2009 com o prolongamento parcial do serviço das Tasquinhas Sines, instaladas num recinto próprio na Avenida Vasco da Gama. Nas proximidades dos palcos do FMM estão instalados pontos de venda de alimentos e bebidas.

APOIO AO ESPECTADOR Durante os concertos no Castelo, existe um Gabinete de Apoio ao Espectador junto à Alcáçova. O gabinete presta os seguintes serviços: informações genéricas, livro de reclamações, perdidos & achados e primeiros-socorros.

CONTACTOS Informações para espectadores / imprensa Tel. 269 630 665 [*] sidi@mun-sines.pt Serv. Informação, Divulgação e Imagem

Organização / Produção Tel. 269 860 080 [*] info@fmm.com.pt Serviço de Cultura

Centro de Artes de Sines Tel. 269 860 080 Escola das Artes de Sines Tel. 269 636 225 Câmara Municipal de Sines Tel. 269 630 600 56

[*] Os números de telefone assinalados funcionam apenas antes do início do festival. Os contactos telefónicos directos a usar no decurso do evento estão disponíveis, em Julho, no site www.fmm.com.pt.


10 ANOS: FESTIVAL SERVIÇO PÚBLICO

© Mário Pires

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo comemorou 10 anos em 2008. Carlos Seixas, director artístico e de produção desde a primeira edição, faz o balanço.

Num fim-de-semana de Verão do ano 1999 iniciava-se entre as muralhas do Castelo de Sines uma aventura única no panorama da música ao vivo em Portugal. Considerado por alguns como um risco inútil, efémero e insensato, inadequado aos ventos do novo século e à utilização nobre do espaço, foi difícil o parto. O FMM nascia tecnicamente débil e periférico na sua produção mas, já na altura, frontal na sua afirmação como espaço artístico da diversidade de projectos e em ruptura imediata com a ortodoxia do conceito que lhe dava o nome. Mobilizador e pertença de uma cidade culturalmente aberta à diferença, que recebe e acolhe como seus pares artistas de todo o mundo e um público fraterno e conhecedor, passados 10 anos, o balanço não deixa de surpreender. Liberta-se das fronteiras do Castelo, desce para a Avenida, instala-se no Centro de Artes e voa para a aldeia de Porto Covo, em crescimento sustentado. Consegue visibilidade e consenso junto dos órgãos de comunicação social nacionais e internacionais e, passe a expressão, entra a jogar na primeira divisão sempre com casa cheia. Recordado e elogiado pelos artistas participantes, admirado e solicitado a comparecer nos fóruns da categoria, internacionaliza-se. 57


© Mário Pires

Sobrevive aos seus irmãos mais velhos, que infelizmente foram soçobrando pelo caminho, e mostra que veio para ficar. O impacte económico e turístico na região é extraordinário e seguramente contribui para uma imagem prestigiante e positiva da cidade. Curiosamente, ou não, é exemplo seguido por outros promotores nacionais e tem responsabilidades no aumento significativo de festivais e de público das músicas do mundo. Sines conquista o título de capital da worldmusic. Agregador do espírito de serviço público cultural e de descoberta de novos músicos ou de outros esquecidos pela máquina do “showbizz”, com uma identidade muito própria, impera na sua programação, e só, a qualidade da música e a sua diversidade, oferecendo a todos eles condições técnicas dignas, as mesmas oportunidades de divulgação e um público atento e crítico. Depoimentos vários apelidando-o como festival modelo e pioneiro, críticas duras e apaixonadas lamentando opções de programação, sugestões para melhorar o acolhimento e a organização ou para aconselhar o projecto preferido, tudo indica que há paixão e que o festival não é indiferente a um auditório ano para ano mais numeroso. Depois de centena e meia de concertos vistos e sentidos, uns mais e outros menos, por cerca de trezentos mil espectadores, depois de alguns tiros no pé e de muitas e boas surpresas partilhadas, a cumplicidade gerada entre o FMM e o público continua viva. Acreditamos que sim! Longa vida ao FMM! Carlos Seixas Director artístico e de produção 58


FMM Sines - Guia 2009  

Guia do FMM Sines - Festival Músicas do Mundo 2009

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