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EDITORIAL Uma década de descoberta Foi há 10 anos que começou a aventura e a concretização de um sonho. Em 1999, o espaço mais nobre de Sines, o Castelo, estava subaproveitado para a dinâmica cultural da cidade e queríamos trabalhar para que deixasse de ser assim. Queríamos acrescentar valor ao monumento e que as suas qualidades raras para receber grandes espectáculos fossem colocadas ao serviço da população e dos visitantes. A ideia nasceu e foi ao encontro da vocação do local. Aquele era o berço de Vasco da Gama. Daí a criação de um festival de músicas do mundo que evocasse o espírito universalista das suas viagens, dos caminhos de ligação entre os povos - como uma inspiração, homenagem e cunho da nossa história e do carácter cosmopolita da nossa cidade. Passou uma década desde então. Não podemos dizer que a promessa está cumprida, porque é impossível dizê-lo de um evento que se projecta de forma tão vibrante no futuro. Mas podemos dizer que o que sonhámos se realizou em larguíssima escala. Organizado inteiramente pela Câmara Municipal de Sines, o Festival Músicas do Mundo assume-se hoje, sem falsas modéstias, como uma referência no universo cultural português. Não fomos surpreendidos pelo sucesso, porque ele é o resultado de um percurso sustentado no talento e empenho da equipa que o concebeu, organizou e concretizou. De ano para ano, o festival foi ganhando novos palcos, mantendo-se no Castelo, mas alargando-se a outros espaços da cidade e de Porto Covo. De ano para ano, a produção aperfeiçoou-se, o acolhimento melhorou e o programa foi sendo cada vez mais enriquecido, criando uma relação de qualidade e confiança que explica o número de espectadores que o FMM conquistou e que era antes impensável para este tipo de evento. A edição de 2008 será um festival para celebrar os 10 anos desta extraordinária aventura. Quarenta concertos de música de todo o mundo e de todos os géneros fazem de Sines novamente um destino de descoberta da arte e do outro. É o mais vasto e mais equilibrado programa de sempre. Estreantes ou veteranos do FMM, esperamos-vos de braços (e coração) abertos. O Presidente da Câmara

Manuel Coelho 3


PROGRAMA DE CONCERTOS 2008 QUINTA-FEIRA, 17 DE JULHO Siba e a Fuloresta (Brasil), 19h00, Exterior do Centro de Artes Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba (Mali), 22h00, Auditório do Centro de Artes Serra-lhe Aí!!! & Os Rosais (Galiza), 00h00, Exterior do Centro de Artes SEXTA-FEIRA, 18 DE JULHO A Naifa (Portugal), 21h30, Porto Covo Herminia (Cabo Verde), 23h00, Porto Covo Hazmat Modine (EUA), 00h30, Porto Covo SÁBADO, 19 DE JULHO Flat Earth Society meets Jimi Tenor (Bélgica / Finlândia), 21h30, Porto Covo The Last Poets (EUA), 23h00, Porto Covo Enzo Avitabile & Bottari (Itália), 00h30, Porto Covo DOMINGO, 20 DE JULHO Danças Ocultas (Portugal), 21h30, Porto Covo Asha Bhosle (Índia), 23h00, Porto Covo A Tribute to Andy Palacio feat. Special Guests (Belize / Honduras), 00h30, Porto Covo SEGUNDA-FEIRA, 21 DE JULHO Moskow Art Trio (Rússia / Noruega), 22h00, Auditório do Centro de Artes Lo Còr de la Plana (Occitânia), 23h30, Auditório do Centro de Artes Danae (Portugal), 01h00, Exterior do Centro de Artes TERÇA-FEIRA, 22 DE JULHO Iva Bittová (Rep. Checa), 22h00, Auditório do Centro de Artes Moriarty (EUA / França), 23h30, Auditório do Centro de Artes Dead Combo (Portugal), 01h00, Exterior do Centro de Artes

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QUARTA-FEIRA, 23 DE JULHO Waldemar Bastos (Angola), 21h30, Castelo Vinicio Capossela (Itália), 23h00, Castelo Justin Adams & Juldeh Camara (Reino Unido / Gâmbia), 00h30, Castelo Anthony Joseph & The Spasm Band feat. Joe Bowie (Trinidad / R. Unido / Estados Unidos), 02h30, Av. Vasco da Gama QUINTA-FEIRA, 24 DE JULHO Mandrágora & Special Guests (Portugal / Bretanha), 19h30, Av. Vasco da Gama Marful “Salón de Baile” (Galiza), 21h30, Castelo Toto Bona Lokua (Antilhas Francesas / Camarões / RD Congo), 23h00, Castelo Orchestra Baobab (Senegal), 00h30, Castelo Silvério Pessoa (Brasil), 02h15, Av. Vasco da Gama Toubab Krewe (EUA), 03h45, Av. Vasco da Gama SEXTA-FEIRA, 25 DE JULHO Rachel Unthank & The Winterset (Reino Unido), 19h30, Av. Vasco da Gama Asif Ali Khan & Party (Paquistão), 21h30, Castelo KTU (Finlândia / EUA), 23h00, Castelo Cui Jian (China), 00h30, Castelo Firewater (EUA), 02h15, Av. Vasco da Gama Nortec Collective p. Bostich and Fussible (México), 03h45, Av. Vasco da Gama SÁBADO, 26 DE JULHO The Dizu Plaatjies’ Ibuyambo Ensemble (África do Sul), 19h30, Av. V. da Gama Koby Israelite (Israel / Reino Unido), 21h30, Castelo Rokia Traoré (Mali / França), 23h00, Castelo Doran - Stucky - Studer - Tacuma (Irlanda / Suíça / EUA), 00h30, Castelo Jean-Paul Bourelly meets Melvin Gibbs & Will Calhoun (EUA), 02h30, Av. Vasco da Gama Boom Pam (Israel), 04h00, Av. Vasco da Gama SINES: CENTRO DE ARTES - EXTERIOR: ENTRADA LIVRE SINES: CENTRO DE ARTES - AUDITÓRIO: 10 EUROS / DIA PORTO COVO: JUNTO AO PORTO DE PESCA: 5 EUROS / DIA SINES: CASTELO: 10 EUROS / DIA SINES: AVENIDA VASCO DA GAMA (OU DA PRAIA): ENTRADA LIVRE Todos os detalhes sobre bilhetes na página 56 do guia. 5


Brasil

SIBA E A FULORESTA Mestres do samba rural nordestino descobrem os palcos do mundo. O FMM 2008 abre com alma nordestina. O primeiro protagonista da décima edição do festival é Siba Veloso, um homem de bigode à malandro, um falso rústico. Nascido no Recife, capital de Pernambuco, e durante sete anos habitante de São Paulo, Siba decidiu em 2002 que o seu lugar não era a cidade, mas os canaviais da Mata Norte, junto dos velhos mestres do samba rural. Depois da experiência como líder da banda Mestre Ambrósio, que nos anos 90 fez parte do movimento Manguebeat de Chico Science & Nação Zumbi, Siba mergulhou de corpo inteiro nas origens, promovendo o reagrupamento dos músicos da Fuloresta. Foi com esse conjunto de cantores-percussionistas da pequena cidade de Nazaré da Mata que gravou, num estúdio móvel, o disco de estreia, “Fuloresta do Samba”. Encontro de veteranos de estilos tradicionais como o maracatu e a ciranda com o olhar de um músico com horizonte contemporâneo, Siba e a Fuloresta abrem o FMM com um novo disco na mão - “Toda a vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar” (2007) - e prometem armar o forró nas ruas do CAS.

17 JULHO, EXTERIOR DO CENTRO DE ARTES, 19H00.

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© Thomas Doran

Mali

BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA Melhor disco “world” e melhor artista africano 2008 nos prémios BBC. 17 JULHO, AUDITÓRIO DO CENTRO DE ARTES, 22H00. Logo no primeiro dia, um dos concertos fundamentais do festival 2008. É um momento especial na carreira do músico maliano Bassekou Kouyaté. O seu disco de estreia “Segu Blue”, baseado em textos sobre a resistência do império Bamana à ocupação colonial, foi considerado o melhor de 2007 nos prémios da BBC Radio 3, os mais importantes atribuídos às músicas do mundo. Como se não bastasse, Bassekou, ele próprio, foi também eleito o melhor artista africano do ano. Natural de uma aldeia perto da cidade de Segu, nas margens do Níger, Bassekou pertence à elite musical do Mali, tendo trabalhado ao lado de génios como Ali Farka Touré e Toumani Diabaté. Com Ngoni Ba forma um quarteto de “ngoni” (tipo de alaúde africano) que produz um som acústico descarnado mas riquíssimo, dentro de um universo musical marcado pela escala pentatónica, considerado ancestral dos “blues”. No grupo, mas com brilho próprio, está Amy Sacko, mulher de Bassekou e cantora com carreira autónoma, onde o marido retribui o apoio que ela lhe dá aqui.

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Galiza

SERRA-LHE AÍ!!! & OS ROSAIS A alegria da música das tabernas e festas populares galegas. 17 JULHO, EXTERIOR DO CENTRO DE ARTES, 00H00. Embora

nas suas terras chova mais, embora nas suas falésias o vento sopre mais forte, embora durante séculos a vida não lhe tenha sido amena, o povo galego sempre soube fazer uma festa. O que Serra-lhe Aí!!! & Os Rosais trazem a Sines é a música da alegria. O quinteto Serralhe Aí!!! nasceu, há mais de 10 anos, entre Lugo e Ferrol, para recuperar o repertório da música das tabernas, com dois acordeões compassados, gaita, metais, bombo, vozes e outros instrumentos cheios do sopro vigoroso do ar do norte. Em Sines, é acompanhado por uma família lendária da música galega: os Rosais. A tocar nas romarias e festas populares da comarca de Salnés desde os anos 50, Maruxa Miguéns (voz e pandeireta) e Xosé Romero (gaita-de-foles) são um casal de verdadeiros pioneiros: ela, porque na conservadora Galiza da era de Franco não era habitual ver mulheres a tocar neste tipo de grupos; ele, porque a gaita não foi sempre, como é hoje, reconhecida como instrumento representativo da Galiza. Música generosa, que aquece o peito, para encerrar o primeiro dia do Festival Músicas do Mundo.

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Portugal

A NAIFA O fado novo de uma das mais originais bandas portuguesas do novo século. 18 JULHO, PORTO COVO, 21H30. O

milénio virou e os criadores portugueses deram-se conta que tinham no seu país uma das expressões musicais europeias com maior capacidade de abraçar a modernidade: o fado. Porque o séc. XXI amanheceu fadista: melancólico, levemente agreste, cruzado. A Naifa percebeu-o e é considerado um dos mais importantes projectos musicais a surgir em Portugal na presente década. Fundado em 2004, representa um encontro especialmente bem sucedido entre a pop, a electrónica e o universo composicional e poético do fado. Os artífices são dois músicos com escola no punk - o ex-Despe & Siga Luís Varatojo (guitarra portuguesa) e o ex-Sitiados João Aguardela (baixo e programações) -, a cantora Maria Antónia Mendes e o baterista Paulo Martins. Depois de “Canções Subterrâneas” (2004) e “3 Minutos Antes de a Maré Encher” (2006), acabam de lançar o disco “Uma Inocente Inclinação para o Mal”, com letras sobre o quotidiano português contemporâneo escritas por uma fã rodeada de mistério chamada Maria Rodrigues Teixeira. Portugal autêntico, sem anacronismo, na abertura do FMM em Porto Covo. 9


Cabo Verde

HERMINIA A descoberta de uma figura única da música de Cabo Verde. 18 JULHO, PORTO COVO, 23H00. Prima

da mais conhecida diva cabo-verdiana, Herminia só tem com Cesária Évora mais duas coisas em comum além do sangue: o talento comovente e uma vida inteira de pobreza antes que o mundo reparasse nela. Nascida em 1942 na capital musical de Cabo Verde, São Vicente, Herminia interessa-se cedo pela música, mas é só depois da morte do pai, quando vai viver para a ilha do Sal, que começa a cantar. Fá-lo na rua, com músicos ambulantes, em cafés, em todos os lugares onde for preciso, porque tem oito filhos para criar. Nunca renegará essas origens e a voz com que ainda canta é a voz natural que sempre foi a sua, não a voz suave, grave de fumo, de Cesária, mas uma voz aguda, próxima do pregão e do pranto, que aprendeu a usar com a doçura de quem canta uma cantiga de embalar. Nos palcos internacionais a vida de Herminia só começa já perto dos 60 anos, depois de gravar o disco “Coraçon Leve”, em 1998. Apelidada de “Edith Piaf de Cabo Verde”, Herminia vem a Sines com um novo disco da bagagem (“Do Sal”, 2006), acarinhado por críticos e público de todas as partes do mundo.

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Estados Unidos

HAZMAT MODINE A música total de um dos melhores grupos das Américas em 2008. Se Nova Iorque tivesse uma música típica, talvez soasse a algo parecido com Hazmat Modine, a banda-sonora original da grande metrópole, música excêntrica que não podia ser mais autóctone. Formada no virar do milénio e liderada por Wade Schuman, Hazmat Modine (nome que junta a referência a um grande aquecedor industrial - “modine” - a uma contracção de tradução inglesa de materiais perigosos - “hazmat”) é um verdadeiro cadinho de influências. A enumeração das fontes podia começar com os “harmonica blues”da primeira metade do século XX, seguir pelas melodias klezmer, fazer uma curva nas guitarras havaianas, continuar pelo calypso de Trinidad, planar no reggae da Jamaica e subir pelos metais de Nova Orleães, mas na verdade nunca iria parar. O CD de estreia de Hazmat Modine, “Bahamut”, editado em 2006, é uma hora inteira cheia desta música sincrética e divertida e, ao vivo, em Porto Covo, a anarquia ainda será maior. Um dos grupos mais activos no circuito da “world music” no último ano, foi nomeado para melhor grupo das Américas nos prémios da BBC Radio 3.

18 JULHO, PORTO COVO, 00H30.

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© Jo Voets

Bélgica / Finlândia

FLAT EARTH SOCIETY meets JIMI TENOR “Big band” iconoclasta e génio inclassificável unem-se para rebentar. Existe uma organização sedeada na Califórnia que advoga que a Terra afinal não é redonda, mas plana, como acreditavam os Antigos. Flat Earth Society (FES), a banda, é uma sociedade musical que mostra que a criação das “big bands” pode ser mais que uma repetição dos standards do passado. Uma das mais excitantes orquestras de jazz europeias, a FES foi criada no final dos anos 90 pelo compositor e clarinetista Peter Vermeersch, o "Frank Zappa flamengo". Desde então, pega na força dos metais, mas também nos inesperados vibrafone, acordeão ou sintetizador, para produzir uma viagem por lugares tão diferentes quanto o rock, o funk, o jazz ou as bandas sonoras de filmes de desenhos animados. Depois, há Jimi Tenor. Este excêntrico multiinstrumentista finlandês começou a carreira na electrónica, mas tem vindo a ganhar interesse por outras músicas e pelo desafio de trabalhar para grandes conjuntos instrumentais. Um dos concertos mais auspiciosos do FMM.

19 JULHO, PORTO COVO, 21H30.

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Estados Unidos

THE LAST POETS Os precursores do movimento hip hop apresentam-se em Porto Covo. 19 JULHO, PORTO COVO, 23H00. É difícil avaliar com rigor a dimensão do contributo que The Last Poets tiveram para a cultura negra do séc. XX e para o movimento hip hop em particular. Formados nas lutas pelos direitos civis dos anos 60, estão na raiz mais profunda da árvore genealógica do rap e continuam hoje, como há 40 anos, a influenciar toda uma geração de músicos. O mais experiente produtor da música negra, Quincy Jones, não teve pejo em reconhecer: “Foi através dos Last Poets que fui pela primeira vez atraído para a noção de hip hop”. Marvin Gaye, Curtis Mayfield, Bob Marley e Fela Kuti são outros artistas cuja obra tem a marca dos Poets. Desde os anos 90, o seu ressurgimento tem sido impressionante. Artistas como Kanye West, Common, Public Enemy ou Erykah Badu gravaramlhes um disco de tributo. Em Sines, ouviremos uma formação com Abiodun Oyewole (voz), Umar Bin Hassan (voz) e Don Babatunde (percussões), acompanhados por uma banda constituída por Robert Irving III (teclas), Jamaaladeen Tacuma (baixo) e Shannon Jackson (bateria). Marca na história do FMM, é o espectáculo da palavra com sentido dentro. 13


Itália

ENZO AVITABILE & BOTTARI Percussão medieval italiana ganha nova vida em espectáculo global. 19 JULHO, PORTO COVO, 00H30. Durante a Idade Média, os homens de uma pequena aldeia do sul da Itália juntavam-se e, armados de barris (“botti”) e foices, iam para campos e celeiros fazer barulho para afastar os maus espíritos das suas colheitas. Esse ritual evoluiu, foi incorporado pela religião e acabou por transformar-se em arte. A percussão dos “bottari” (tocadores de barris) é a parte mais espectacular deste concerto, mas o seu cérebro é o saxofonista e cantor Enzo Avitabile. Nascido em Nápoles, em 1955, Enzo é um dos nomes mais respeitados da música italiana e um dos pioneiros da “world music”. Depois de ter colaborado com grandes figuras da música mundial - como James Brown e Tina Turner - começou a ganhar um interesse redobrado na música da sua Campânia natal. O espectáculo que traz ao FMM, baseado no disco “Festa Farina e Forca”, mistura os ritmos pulsantes e primitivos dos “bottari” com jazz, blues e música africana. Se seguir os padrões de qualidade que justificaram a sua nomeação para o prémio do público nos BBC Radio 3 World Music Awards 2006, será uma noite de dança imparável. 14


Portugal

DANÇAS OCULTAS As concertinas regressam ao FMM com novo espectáculo audiovisual. Inventada no séc. XIX, a concertina (ou acordeão diatónico) já foi um instrumento popular. Era o preferido dos emigrantes, uma vez que produzindo notas diferentes nos dois movimentos das teclas conseguia ser mais pequeno e, logo, mais portátil e barato que o acordeão normal. Com o tempo, porém, este haveria por fazer impor o seu maior leque de recursos e remeter a velha concertina para o esquecimento. Em 1989, Artur Fernandes, um professor de Águeda, decide fazê-la renascer com três dos seus alunos: Filipe Ricardo, Filipe Cal e Francisco Miguel. Músicos de formação erudita, operam uma completa reinvenção da concertina, criando até uma nova, a concertina-baixo, para reforçar a paleta de graves. Nos três álbuns gravados, ouve-se tradição transformada, respirações clássicas e repertório original, onde se explora os diálogos em quarteto de um instrumento normalmente tocado a solo. Entre a melancolia e desgarradas de grande fulgor rítmico, o espectáculo de Porto Covo verá o grupo com uma nova apresentação em palco e terá um sistema audiovisual interactivo especialmente concebido para o FMM.

20 JULHO, PORTO COVO, 21H30.

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Índia

ASHA BHOSLE A rainha da música de Bollywood canta pela primeira vez em Portugal. 20 JULHO, PORTO COVO, 23H00. Adorada

por centenas de milhões de pessoas ao longo de seis décadas de carreira, Asha Bhosle é uma das mais extraordinárias figuras da cultura indiana do séc. XX e uma das mais importantes cantoras de todo o mundo. Hoje com 74 anos, Asha é ainda, mas não só, a figura de referência do repertório musical de Bollywood (indústria cinematográfica indiana). Desde 1943, quando se iniciou com a sua irmã (outra diva, Lata Mangeshkar), foi voz de mais de 950 filmes e gravou um total estimado de mais de 12 mil canções, um muitíssimo provável recorde mundial. Já trabalhou em praticamente todos os géneros de música e línguas indianas e, na sétima década da sua vida, continua com espírito aberto para todas as experiências, tendo sido a última das quais, em 2005, a gravação do disco nomeado para um Grammy “You've Stolen My Heart”, com o aclamado quarteto de cordas americano Kronos Quartet. Uma das mais amadas figuras da história da música popular, Asha faz a sua primeira apresentação em Portugal no Festival Músicas do Mundo, uma honra que fica registada na história do evento. 16

APOIO


Belize / Honduras

A TRIBUTE TO ANDY PALACIO FEAT. SPECIAL GUESTS A elite da música garifuna faz reviver um legado excepcional. 20 JULHO, PORTO COVO, 00H30. No séc. XVII, dois navios de escravos africanos afundam junto à ilha de S. Vicente, Caraíbas. Os sobreviventes misturam-se com os índios e criam uma cultura própria. Quando, mais tarde, os ilhéus resistem à colonização britânica, são deportados para a costa da América Central, onde hoje vivem os seus descendentes. Andy Palacio fez renascer a cultura garifuna no seu país, o Belize. Infelizmente, faleceu no início de 2008, ano em que, com o álbum “Wátina”, recebeu a consagração internacional, vencendo postumamente a categoria Américas dos prémios da BBC Radio 3. No FMM, não teremos Andy, mas teremos uma reunião dos melhores músicos que o acompanhavam no Garifuna Collective, três cantoras de outro grande grupo garifuna, Umalali, e o vocalista hondurenho Aurelio Martinez. Será um espectáculo de “punta rock” (ritmo comandado pela guitarra eléctrica, mistura de tradição, rock e reggae), que mais do que a memória de Palacio terá a força do seu espírito.

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Rússia / Noruega

MOSKOW ART TRIO O trio que está a mudar a relação entre jazz, música clássica e folclore. 21 JULHO, AUDITÓRIO DO CENTRO DE ARTES, 22H00. Num dia de Verão, há muitos anos, o músico ucraniano-moldavo Misha Alperin, hoje radicado na Noruega, estava a ensaiar no seu apartamento de Moscovo. De repente, sente que está alguém do outro lado das janelas abertas. E está mesmo. “Quem és tu?”, pergunta. O seu interlocutor responde: “Chamo-me Arkady Shilkloper. Toco trompa no Teatro Bolshoi. Gostei da tua música”. Dentro de pouco tempo, estão a trabalhar juntos, explorando a surpreendente capacidade de diálogo entre o piano clássico de Misha e os metais de Arkady. Ainda no final dos anos 80, num retiro de músicos da Europa de Leste junto a um lago alemão, Misha volta ter um encontro inesperado: um grupo de artistas canta pela noite dentro e não o deixa dormir. Um deles é o cantor, clarinetista e especialista em folclore Sergey Starostin, que virá a tornar-se o terceiro elemento do trio. O agrupamento estreia-se em 1990 no 1.º Festival Internacional de Jazz de Moscovo e torna-se um verdadeiro laboratório de composição erudita, folclore e jazz. O seu quinto disco, “Instead of Making Children” (2006), será a base do concerto de Sines. 18


© S. Benacer

Occitânia

LO CÒR DE LA PLANA A tradição polifónica de uma velha nação europeia ganha asas. 21 JULHO, AUDITÓRIO DO CENTRO DE ARTES, 23H30. Nas

camadas de história que fazem a Europa contemporânea cabe a lembrança de uma velha nação chamada Occitânia, situada num território que abrange parte do sul da França actual e, em termos linguísticos, se ramifica pela Catalunha e pelos Alpes italianos. Na música do sexteto vocal masculino Lo Còr de la Plana, a cultura occitana vibra como nunca. Originários de Marselha, Denis Sampieri, Sebastien Spessa, Manu Théron, Benjamin Novarino-Giana, Manu Barthélemy e Rodin Kaufmann recuperam desde 2001 um património musical que se estava a perder nas igrejas. A forma como o fazem é moderna, aberta a cruzamentos (é exemplar o recurso ao “bendir” norteafricano na gama de percussões que utilizam) e, sobretudo, completamente efervescente. Lo Còr de la Plana é polifonia com esteróides, uma abordagem surpreendente à música vocal que faz deste um espectáculo invulgar, rico no contraponto, mas também no ritmo, apelando à dança. Com o maravilhoso segundo álbum, “Tant Demain” (2007), em rodagem, Lo Còr apresenta-se como uma das mais ricas propostas do FMM 2008. 19


Portugal

DANAE Uma das mais interessantes cantautoras da nova música portuguesa. 21 JULHO, EXTERIOR DO CENTRO DE ARTES, 01H00. Danae Estrela é a verdadeira artista tricontinental: nasceu nas Américas, viveu a maior parte da sua vida em África e reside hoje na Europa. Biográfica e criativamente, Danae está no centro desse triângulo. Filha de mãe cubana e pai cabo-verdiano, nasceu em Havana em 1979. Aos 3 anos, mudou-se para Cabo Verde, onde cresceu no meio de alguns dos melhores artistas do país. Em jovem, veio estudar para Coimbra e foi em Portugal que iniciou a carreira. O seu primeiro CD, “Condição de Louco”, incluído na lista dos 10 melhores do ano do Blitz, fez dela a revelação da música portuguesa em 2005. Faz em Sines a apresentação oficial do seu novo projecto, “Cafuca”, onde aposta novamente numa linguagem muito pessoal, com raízes nas músicas africana, latina e europeia. Acompanha-a uma equipa multinacional de músicos que vivem e trabalham em Portugal. São eles o alemão Raimund Engelhardt (tablas, cimbal e outras percussões), o cabo-verdiano Danilo Lopes (guitarra e coros) e o segundo alemão do grupo, o trompetista Johannes Krieger. Calor despojado para ouvir em mais uma noite de música no Centro de Artes de Sines. 20


República Checa

IVA BITTOVÁ Na voz e no violino, uma “performer” singular da música de vanguarda. Iva Bittová nasceu em 1958 numa família artística perfeita da antiga Checoslováquia. Ambos os pais eram músicos e toda a sua educação, bem como a das suas irmãs, foi orientada para uma vida na cultura. Hoje, com 46 anos, é uma artista consistente e completa como poucas: um dia é actriz de cinema, outro dia canta ópera; numa semana toca com DJ's, noutra integra um quarteto de cordas clássico ou um grupo de jazz. O violino e a voz (que usa de forma desconcertante) são os instrumentos que mais marcam o seu trabalho. E marcam-no, para o espectador, de uma forma imprevista, porque não são poucas as vezes em que os usa ao mesmo tempo. Actualmente a viver rodeada pela natureza no norte do estado de Nova Iorque, Iva está como gosta: no meio do silêncio absoluto. É dele que nasce a sua música sem género, pura na sua confusão e estado permanente de surpresa. Na linha de grandes personalidades femininas da vanguarda musical, como Meredith Monk, Laurie Anderson ou Björk, Iva Bittová apresenta no festival de Sines uma versão a solo da sua “muito pessoal música folk”.

22 JULHO, AUDITÓRIO DO CENTRO DE ARTES, 22H00.

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© Lea Crespi

Estados Unidos / França

MORIARTY A doce melancolia de uma grande revelação da folk independente. 22 JULHO, AUDITÓRIO DO CENTRO DE ARTES, 23H30. A que soa Moriarty? É simples: “um sofá de veludo, uma catedral subterrânea, a taiga russa, um comboio no campo”. Assim se definem os Moriarty no Myspace e metáforas oníricas parece mesmo ser a ferramenta ideal para descrevê-los. Tomando um nome com ecos múltiplos no nosso imaginário (do arqui-rival de Sherlock Holmes ao protogonista do romance “On the Road”, de Jack Kerouac), a banda Moriarty, formada em Paris no virar do milénio, flutua entre os géneros folk, country, blues e cabaret, produzindo baladas que são filmes completos de três minutos. Na voz está a maravilhosa Rosemary Moriarty, uma espécie de Joan Baez que cantasse letras de Lewis Carroll. Acompanha-a em harmónica, baixo, guitarras, contrabaixo e outros instrumentos uma formação base de quatro músicos com raízes nos EUA, e que, à semelhança dos Ramones, assumem todos o apelido artístico Moriarty. Depois de tocar num dos santuários da indie europeia, Benicassim, Moriarty está em Sines com o seu álbum de estreia “Gee Whiz, but this a Lonesome Town” (2007), para a sua primeira apresentação em Portugal. 22


Portugal

DEAD COMBO Um dos imaginários mais poderosos da nova música portuguesa. Se entendermos a viagem não como um acto mas como um estado psicológico, não há projecto musical português mais viajante que os Dead Combo. Com um contrabaixo, uma guitarra eléctrica e pouco mais, os Dead Combo levam-nos a um mundo inteiro: de Nova Iorque a Havana, dos blues à música latina, de Alfama ao Oeste americano, do fado a Ennio Morricone. A forma como o fazem nada tem a ver com fusão: servindo-se apenas do material tímbrico dos seus instrumentos e da sua criatividade, é pura transformação de som em imaginário. O poder visual é tão forte que, acabado o concerto, a sensação é a de que, mais do que a ouvir música, estivemos a ver cinema. Formada em 2003, para uma homenagem a Carlos Paredes, a dupla Tó Trips (guitarra) e Pedro Gonçalves (contrabaixo, guitarra, melodica e kazoo) tem um CD fresco a rodar pelo país desde Abril. Depois do sucesso de “Vol 1” (2004) e “Vol 2 - Quando a alma não é pequena” (2006), o novo “Lusitânia Playboys”, que contou com colaboradores como Carlos Bica e Howe Gelb, é já um dos discos de 2008 e abre-se no FMM.

22 JULHO, EXTERIOR DO CENTRO DE ARTES, 01H00.

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Angola

WALDEMAR BASTOS O artista solar que deu dimensão mundial à canção angolana. Filho de enfermeiros, Waldemar Bastos passou a infância vendo como os seus pais tratavam o corpo dos angolanos. Hoje, a sua música cheia de esperança trata os males da alma de todos quantos a escutam no mundo. Nascido em 1954, a vida de Waldemar tem as marcas da história do seu país. Durante a ditadura de Salazar, foi preso pela PIDE. Depois da independência, com o eclodir da guerra, decidiu sair de Angola. Após 1982 viveu quase sempre em Portugal, mas foi no Brasil, com a ajuda de músicos como Chico Buarque, que gravou o primeiro disco, “Estamos Juntos”. Lisboa é cenário de outro momento decisivo. Em 1996, conhece David Byrne, que lhe proporciona verdadeira projecção internacional com a gravação de “Pretaluz” na editora Luaka Bop. O disco será considerado um dos melhores da década pelo The New York Times. Um dos mais universalistas músicos mundiais, ponte privilegiada entre as tradições africana, europeia e brasileira, Waldemar é, há mais de uma década, um dos nomes mais importantes do circuito da “world music”. O festival entra, pela sua mão, no palco mágico do Castelo. 23 JULHO, CASTELO, 21H30.

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Valerio Spada ©©Thomas Dorn

Itália

VINICIO CAPOSSELA Entre Tom Waits e Paolo Conte, um grande cantautor italiano. Demónios, sombras, almas penadas, homens miseráveis, malditos e derrotados. São estes os protagonistas típicos de uma canção de Vinicio Capossela, uma das maiores figuras da música italiana contemporânea. Nascido na Alemanha, em 1965, mas residente em Milão desde muito cedo, Vinicio é, desde 1990, quando lançou o disco de estreia "All'Una E Trentacinque Circa", um cantautor de referência, comparado a Paolo Conte e Tom Waits pela voz rouca, pelo "pathos" criativo e pela capacidade comovente de nos fazer encontrar com a verdade do lado menos luminoso da experiência humana. Depois de no início da sua carreira se ter interessado pela estética underground norte-americana (Kerouac, Bukowski e, sobretudo, Waits), a partir do quarto álbum deixa-se fascinar pelo som e mistério do imaginário rural italiano, no modo "pasoliniano". Incorporando influências de géneros com o tango, os blues, a rebetica, a morna ou o cabaret, Capossela venceu, com o seu último disco, “Ovunque Proteggi”, o prémio Tenco para melhor álbum do ano 2006. Em Sines, realiza um concerto com muitas surpresas. 23 JULHO, CASTELO, 23H00.

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© Gavin Matheson

Reino Unido / Gâmbia

JUSTIN ADAMS & JULDEH CAMARA Prémio BBC para melhor disco de cruzamento de culturas do ano. O que fazem juntos um guitarrista de rock e um “griot” africano? Fecham o círculo. A história não é desconhecida: os escravos levam a sua música para a América e nasce o que conhecemos por blues; os blues ajudam a formar o rock; o rock cresce e chega a todas as partes do mundo, inclusive às mais recônditas aldeias onde soaram os sons seus antepassados. É no fim desta longa viagem que encontramos um dos discos mais explosivos de 2007, "Soul Science", vencedor dos prémios de “world music” da BBC Radio 3 na categoria "Cruzamento de culturas". Os seus autores são o inglês Justin Adams, guitarrista de Robert Plant e produtor dos Tinariwen, e o gambiano Juldeh Camara, cantor e especialista do"riti", antepassado africano do violino. Conheceram-se quando Camara ouviu “Desert Road”, o disco a solo onde Adams materializou o seu velho interesse pelos blues da África Ocidental. A afinidade foi total e o resultado da colaboração é um dos mais sensacionais discos de fusão do novo século, considerado uma “obra-prima” pela bíblia do género, fRoots. Um concerto imperdível.

23 JULHO, CASTELO, 00H30.

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Trinidad / Reino Unido / Estados Unidos

ANTHONY JOSEPH & THE SPASM BAND FEAT. JOE BOWIE O projecto musical de um dos mais promissores poetas britânicos. O FMM tem o seu quinhão de artistas aclamados pelas melhores publicações do mundo. Em que é que Anthony Joseph é diferente? No facto de ser nas páginas de literatura que o seu nome é mais citado como um dos maiores da sua geração, tendo mesmo sido eleito pelo The Times como uma das 10 estrelas da literatura inglesa para 2008. Considerado o “líder da vanguarda negra da Grã-Bretanha”, Joseph (nascido na ilha de Trinidad, Caraíbas, mas a viver no Reino Unido desde 1989) é um extraordinário poeta e romancista, mas também um grande músico. O que ouviremos em Sines é “spoken word” (Joseph recitando os seus poemas com a “soul” de um Gil ScottHeron) com o suporte instrumental da Spasm Band, num encontro da mais vibrante poesia com free jazz, calypso e os ritmos dos espirituais baptistas que Joseph ouvia em Trinidad. A Sines chega também o convidado Joe Bowie, trombonista fundador dos Defunkt, para uma grande noite de funk e poesia.

23 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 02H30.

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Portugal / Bretanha

MANDRÁGORA & SPECIAL GUESTS Músicos portugueses e bretões juntos num encontro com marca FMM. 24 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 19H30. O grupo portuense Mandrágora tem um nome que ressoa na memória secular das florestas europeias, aquela raiz de propriedades mágicas e forma humana que, diz a lenda, grita como uma criança quando a arrancam da terra. É de uma Europa grande e encantada a música que os vamos ouvir fazer em Sines. Prémio José Afonso 2006, o quinteto Filipa Santos, Ricardo Lopes, Pedro Viana, Sérgio Calisto e João Serrador chegam com um disco fresco, “Escarpa”, e um projecto original criado por iniciativa do FMM. Em Abril, estiveram na Bretanha, numa residência artística na Kreiz Breizh Akademi, sob direcção do violinista Jacky Molard. Já conhecemos Jacky de várias actuações em Sines e também o nível da formação da Akademi (Norkst, a sua primeira orquestra, estreou-se em Portugal no FMM 2007). Em Sines teremos, além de Molard, dois músicos dessa academia especializada em recuperar repertório bretão de tradição modal. São eles o clarinetista Guillaume Guern e a cantora luso-francesa Simone Alves. Dão ainda mais horizontes a uma das mais abertas bandas da folk portuguesa. 28


Galiza

MARFUL “SALÓN DE BAILE” A surpresa da música galega faz do Castelo um salão de baile. 24 JULHO, CASTELO, 21H30. Nos salões de baile galegos dos anos 30, 40 e 50 do século XX operava-se uma miscigenação da música tradicional com ritmos vindos da América Latina, da América do Norte e do resto da Europa. Era um período de forte emigração e de intensas trocas culturais, entrando pelos portos galegos e penetrando na tradição galega estilos musicais estrangeiros, como tangos, habaneras, twists e foxtrots. É essa estética, transformada numa linguagem contemporânea e com letras em que a ironia é uma nota dominante, que os Marful recuperam e com a qual surpreenderam a Galiza no seu disco de estreia, “Salón de Baile”, em 2006. À frente deste projecto está o poder de Ugia Pedreira (uma das vozes mais transgressoras da música galega, directora do Conservatorio de Musica Tradicional e Folque de Lalín), acompanhada por Pedro Pascual (acordeão diatónico), Pablo Pascual (clarinete baixo), Marcos Teixeira (um guitarrista com a marca genética do flamenco) e vários outros músicos e bailarinos convidados. Com o segundo disco em preparação, a revelação da música galega faz do Castelo um grande salão de baile. 29


Antilhas Francesas / Camarões / R. D. Congo

TOTO BONA LOKUA Um dos encontros vocais mais fortes da música de raiz africana. 24 JULHO, CASTELO, 23H00. No final de 2004, o produtor Laurent Bizot leva três músicos para um estúdio de Paris e faz-lhes uma proposta que, para os níveis de hiper-construção da indústria musical de hoje, se pode considerar indecente: Entrem, improvisem, divirtam-se. Os músicos que aceitam o desafio são Gerald Toto, Richard Bona e Lokua Kanza. Toto é um cantautor cosmopolita com origem na ilha de Martinica, nas Antilhas Francesas. Bona é um vocalista e multiinstrumentista (o baixo é o seu instrumento base) nascido nos Camarões e radicado nos EUA, com uma carreira sustentada, quer no seu projecto a solo, quer como músico de jazz e produtor. Lokua Kanza vem do Congo e é outro músico completo: vocalista, guitarrista, teclista e compositor. O que resultou do seu encontro? “Toto Bona Lokua”, um disco onde tradição da África Ocidental, jazz, pop, soul e R&B ganham forma em canções que impressionam pelos intrincados jogos vocais (que lembram Bobby McFerrin) e pela força das melodias que os arranjos minimais fazem brilhar. Insinuante e texturada, música para uma noite perfeita. 30


© Jonas Karlsson

Senegal

ORCHESTRA BAOBAB Com os ouvidos em Cuba, uma das bandas fundadoras da pop africana. Nos anos 70, a classe dirigente de Dakar gostava de descontrair no clube da moda conhecido por ter um bar em forma de tronco de “baobab”, a espectacular árvore africana entre nós mais conhecida por embondeiro. Um dos motivos do sucesso do clube era o grupo de músicos residentes, a Orchestra Baobab, banda pioneira da pop africana. Os ritmos afrocubanos em que assentava o seu som não eram originais (a música de Cuba dominava a África Ocidental desde o final dos anos 40), mas o modo como a orquestra a fundia com a rumba congolesa, o “high life” ganês, canções em crioulo do português e um amplo leque de ritmos locais nunca mais teria paralelo. No final do séc. XX, com a música senegalesa dominada pelo mbalax, a orquestra fez um interregno. Voltou a ouvir-se já no novo século, com aclamação internacional. Em 2003, venceu dois prémios da BBC Radio 3 (melhor grupo africano e melhor álbum do ano) e foi nomeada para um Grammy. No final de 2007 gravou o irresistível “Made in Dakar”, um dos discos do ano para a BBC e para todos os amantes de música africana.

24 JULHO, CASTELO, 00H30.

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Brasil

SILVÉRIO PESSOA O forró eléctrico de um revolucionário da música nordestina. Uma explicação etimológica para a palavra “forró”, esse conjunto de estilos que marca o carácter musical do nordeste brasileiro, é o portuguesíssimo “forrobodó”. Um concerto de Silvério Pessoa é um forrobodó do bem, uma desordem dançante onde a tradição acústica criada na poeira do sertão e a matriz rock tecida na cidade se cruzam sem se contradizerem. Natural da Mata de Pernambuco, fez a sua formação musical programando rádios do interior e participou na premiada banda Cascabulho, integrada na corrente Manguebeat. O seu primeiro disco a solo, “Bate o Mancá” (2001), evoca Jacinto Silva, grande cantador de coco, um dos estilos do forró. Lançado na Europa, foi eleito um dos melhores de 2004 pela publicação francesa Vibrations. “Batidas Urbanas”, o segundo disco, revisita a obra carnavalesca de Jackson do Pandeiro e recebeu nota máxima da Folha de São Paulo. “Cabeça Elétrica, Coração Acústico” (2005) é um retrato do interior pintado por pincel contemporâneo. Com disco novo na forja, mostra no FMM como rural e urbano estão cada vez mais próximos na música do Brasil do novo século.

24 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 02H15.

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Estados Unidos

TOUBAB KREWE Cinco músicos americanos abrem caminhos afro no rock instrumental. 24 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 03H45. Se,

nos anos 60, cinco jovens saíssem dos EUA para ir aprender música em África seria entendido como devaneio “hippie”. No mundo globalizado de hoje, é apenas uma opção normal de carreira. Foi isso que fizeram os Toubab Krewe, um quinteto instrumental que, desde 2005, tem erguido novas pontes entre as músicas da América e da África Ocidental. A recepção tem sido calorosa e a explicação é fácil: disciplina e consistência. No Mali, na Guiné Conakri, na Costa do Marfim, inseriram-se na cultura local e estudaram com os maiores mestres. Em 2007, subiram ao oásis de Essakane (Mali) e tocaram no Festival do Deserto, baptismo obrigatório de todos os grandes músicos da região. Hoje, com um disco gravado e outro em gravação, continuam a ser “toubab” (estrangeiros), mas já não são estranhas as transformações rock que operam em temas tradicionais. Trabalhando com rigor instrumentos africanos e ocidentais (kora, ngoni, kamelengoni, guitarra eléctrica, baixo, etc.) representam o melhor que a fusão pode oferecer: a sensação de que certos encontros não são forçados, mas inevitáveis. 33


Reino Unido

RACHEL UNTHANK & THE WINTERSET Um dos mais aclamados projectos da nova folk britânica. 25 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 19H30. É difícil um álbum receber um cabaz de adjectivos tão positivos para descrevê-lo quanto recebeu "The Bairns", lançado em 2007 por Rachel Unthank & The Winterset: "glorioso" (Uncut), "lindo" (The Guardian), "mágico" (The Telegraph), "simplesmente sublime" (The Word). Originário da Nortúmbria, um reino medieval que hoje compreende parte do norte da Inglaterra e do sul da Escócia, este quarteto feminino já conquistou um lugar cimeiro na hierarquia da folk britânica, sendo o BBC Radio 3 Horizon Award 2008 precisamente expressão disso. A música de Rachel (voz e violoncelo), Becky Unthank (voz), Stef Conner (piano e voz) e Niopha Keegan (fiddle e voz) alimentase do repertório tradicional, mas também de canções de autores como Antony & The Johnsons, Robert Wyatt e Bonnie Prince Billy. O delicadíssimo “The Bairns”, um marco na história da folk alternativa, sucede a “Cruel Sister”, álbum folk do ano de 2005 para a revista Mojo, e promete um concerto tocante. 34


Paquistão

ASIF ALI KHAN & PARTY O aluno favorito de Nusrat Fateh Ali Khan prepara uma festa sufi. 25 JULHO, CASTELO, 21H30. Diz a lenda que ao ouvir o canto dos qawwâl os sultões entravam num tal estado de êxtase que rasgavam as próprias roupas. Os espectadores do FMM não terão de chegar a tanto para expressar a sua emoção perante Asif Ali Khan, mas não se duvide que será uma das mais intensas experiências do festival. Para um ocidental será apenas música, mas para um oriental que compreenda a profundidade do sufismo (o misticismo muçulmano) é uma verdadeira experiência de contacto com Deus. Aliás, os qawwâl são cantores especiais, membros ordenados de uma ordem monástica criada na Índia do séc. XIII. Através da repetição, usam a palavra (em árabe, “qaul”) dos poetas inspirados como forma de fazer o ouvinte sair de si e entrar em estado de graça (o efeito “tarab”). Nascido em 1973, Asif é um qawwâl notável, discípulo dilecto do maior representante do género no século XX, Nusrat Fateh Ali Khan. Gravou um disco espantoso em 2006, “Mazarana”, e apresenta-se em Sines com a sua Party, uma secção vocal e rítmica de nove elementos que faz o que o nome significa: uma grande e hipnótica festa. 35


© Tuomo Manninen

Finlândia / Estados Unidos

KTU Pohjonen, Mastelotto e Gunn voltam a Sines com novo espectáculo. 25 JULHO, CASTELO, 23H00. Depois de a crítica elegê-los, quase consensualmente, como a melhor banda da edição de 2005 do festival, os KTU voltam ao lugar onde foram felizes: o Castelo de Sines. Neste momento em trio, a banda chega mais madura e capaz de tirar sons ainda mais surpreendentes do acordeão de Kimmo Pohjonen, das percussões de Pat Mastelotto e da guitarra Warr (guitarra de 10 cordas, com o alcance de um piano) de Trey Gunn. A música de KTU é um rugido difícil de definir. Embora com fundações na música tradicional, o acordeão do finlandês Pohjonen está longe do instrumento simpático das nossas festas populares: escuro, industrial, é uma besta ameaçadora, um Gremlin à espera de sangue. Os americanos Mastelotto e Gunn, conhecidos pelo que fizeram numa das bandas mais criativas do rock progressivo, os King Crimson, são a companhia ideal, criando e improvisando dentro do ambiente sonoro fantasmagórico desenhado por Heikki Iso-Ahola. No FMM, ouviremos um espectáculo totalmente novo, com temas do disco sucessor de “8 Armed Monkey” (2005), actualmente em preparação. 36


China

CUI JIAN Entre o rock e a tradição, a voz da China moderna estreia-se em Portugal. 25 JULHO, CASTELO, 00H30. Em 2006, realiza-se um concerto especial em Xangai: o palco vibra com "Wild Horses", tocado pelos míticos Rolling Stones, mas não só. Junto a Jagger, Richards e companhia está Cui Jian, o pai do rock chinês. Formado como trompetista clássico, Cui Jian começa a interessar-se pelo rock através de cassetes introduzidas por estrangeiros no país. Em 1984, já com a guitarra eléctrica a tiracolo, forma uma das primeiras bandas pop da China, começando a criar uma fusão de rock, rap e música tradicional completamente nova no universo musical chinês. Canções com temas como a sexualidade e o individualismo são também novidade na criação musical do país. Em 1986, num concerto comemorativo do Ano da Paz, canta "Nothing To My Name", que se converte num hino da juventude chinesa do final da década. O disco onde essa canção é incluída, “Rock n'roll on the New Long March”, será o mais vendido da história da China. Com uma carreira ímpar no seu país e na posição de grupo moderno chinês com maior impacto global, Cui Jian faz em Sines a sua estreia em Portugal.

APOIO

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Estados Unidos

FIREWATER Pioneiro do punk de fusão descobre as músicas do Oriente. 25 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 02H15. O ano de 2005 foi difícil para Tod A.: acabava de se separar da mulher; Bush ganhara as eleições e mandava na América; Nova Iorque já não o estimulava. “Ou me mato ou me faço à estrada”, pensou. Escolheu a segunda opção e, durante três anos, apenas com alguma roupa e um portátil na mochila, foi, nas suas próprias palavras, conhecer os países que o seu andava a bombardear. Percorreu o Médio Oriente, o sub-continente indiano e o Sudoeste Asiático, onde foi preso, drogado e raptado, mas onde também descobriu muita música nova. Mas quem é mesmo Tod A.? É o baixista, vocalista e compositor Tod Ashley, esteio da banda Firewater, formada em 1997, cuja mistura pioneira de punk rock e música cigana (entre outras músicas do mundo) não terá ficado alheia a projectos similares posteriores, como os Gogol Bordello, que fecharam o FMM2007, e os Beirut de Zach Condon. Em Sines, estarão os Firewater do disco “The Golden Hour”, lançado em 2008, onde a música dos países pelos quais viajou ganha um lugar no punk de fusão concebido por Tod A. Uma verdadeira aposta Festival Músicas do Mundo. 38


México

NORTEC COLLECTIVE presents BOSTICH and FUSSIBLE Música “norteña” e techno juntas para uma madrugada a dançar. 25 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 03H45. Situada na fronteira com os EUA, Tijuana é uma das cidades do México mais próximas da realidade norte-americana. Nenhum lugar seria mais apropriado para berço do “nortec”, encontro da música “norteña”, marcada pelo som dos metais, com a música techno. O Nortec Collective não é um grupo nem uma banda e também não é música tradicional nem simples música electrónica. É música de dança nova, por um projecto com várias formações. Em Sines estarão presentes os produtores Bostich e Fussible com os seus laptops, um VJ, um acordeão, dois trompetes e uma tuba. A Rolling Stone escreveu que “o mundo latino não é o mesmo desde o lançamento das assustadoramente originais e refrescantes Tijuana Sessions”. O que veremos em Sines é uma versão ao vivo de uma das “Tijuana Sessions”, escutáveis em disco em várias compilações, tendo o vol. 3 da colecção sido nomeado para dois GRAMMYs em 2005. Música do mundo no séc. XXI para dançar até o sol nascer. 39


© Patrick Lee Thorp

África do Sul

THE DIZU PLAATJIES’ IBUYAMBO ENSEMBLE Sábio da música africana percorre tradições do sul do continente. 26 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 19H30. Dizu Plaatjies, 48 anos, é um grande conhecedor da riqueza da música da África Subsariana: estudou-a e ensina-a na universidade do lugar onde nasceu, a Cidade do Cabo. Antes de assumir este projecto em nome próprio foi o fundador e líder do grupo Amampondo, com o qual correu mundo durante 15 anos e cujo som tinha origem dominante no instrumento que talvez prefira entre os muitos que toca, as marimbas. Com o Ibuyambo Ensemble - grupo com quem gravou o disco de estreia, homónimo, em 2003 -, faz uma música que designa de “neo-tradicional” e que cobre uma área muito alargada. Melodias do Zimbabué, percussões moçambicanas, um coro congolês, cliques feitos com a língua pelo povo San, histórias do Uganda, cantos infantis, hip hop, tudo isto se mistura numa viagem que sabemos ser pelo sul do continente mas onde nunca estamos num único lugar ao mesmo tempo. Vestidos a rigor (a rigor africano), Dizu e o seu grupo levam-nos aos sons do berço da humanidade. 40


Israel / Reino Unido

KOBY ISRAELITE Acordeão de vanguarda com a marca das tradições klezmer e cigana. Lírico, fantasmagórico, inusitado, Koby Israelite é um dos mais talentosos representantes da estética “Tzadik”, a editora formada por John Zorn que se dedica a publicar música experimental onde a respiração de liberdade do jazz é a principal linha de continuidade. No caso de Koby, trata-se de jazz com evidentes reminiscências de “klezmer” e de música cigana do leste europeu, mas onde também cabem surpreendentes acentos de “heavy metal”. Nascido em TelAviv, em 1966, e actualmente a viver no Reino Unido, Koby Israelite estudou piano clássico em criança, mas foi na bateria que se tornou um músico profissional. Depois de, há alguns anos, assistir a um concerto epifânico da banda romena Taraf de Haidouks, tem vivido uma paixão pelo acordeão e é esse instrumento que agora toca nos seus espectáculos. Já com três discos a documentar o seu valor - “Dance of the Idiots” (2003), “Mood Swings” (2005) e “Orobas” (2006) -, apresenta-se em Sines com uma banda composta por mais cinco músicos de elite e promete ser um dos concertos-revelação do festival.

26 JULHO, CASTELO, 21H30.

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© Richard Dumas

Mali / França

ROKIA TRAORÉ A mais original cantautora africana mostra o seu novo disco em Sines. 26 JULHO, CASTELO, 23H00. Entre a sucessão de milagres que é a produção musical do Mali, este é um dos mais extraordinários. Com mais de Joni Mitchell do que de Oumou Sangaré, Rokia Traoré é, no talento e na sua própria figura (cabelo curto, guitarra a tiracolo), uma cantautora que derruba todos os estereótipos da “diva africana”. Filha de um diplomata, teve oportunidade de viajar e isso sente-se. Conhece os "griots", mas também o jazz, a música clássica, o rock, os blues, a música indiana. Tudo isso está nas suas canções, pérolas de depuração acústica, em que a delicadeza não se confunde com fragilidade. Desde o seu primeiro disco, “Mouneïssa” (1998), que é amada por público e crítica. "Wanita" (2000) foi premiado pela BBC e eleito álbum do ano pela fRoots. O quase perfeito “Bowmboï” (2003), que contou com a colaboração dos Kronos Quartet, foi novamente premiado pela BBC. “Tchamanché” (2008) entra sem complexos nos blues e no rock (toca a guitarra Gretsch amada pelas bandas de rockabilly) e mostra como nunca que Rokia é, já hoje, uma das mais originais cantautoras da música mundial. 42


Irlanda / Suíça / EUA

DORAN - STUCKY - STUDER - TACUMA O jazz corteja o rock e faz a alma de Hendrix baixar no Castelo. 26 JULHO, CASTELO, 00H30. O

jazz tem esta mania: não pode ouvir um grande músico que o considera logo da família. O espólio “acid rock” de Jimi Hendrix tem sido objecto de inúmeras apropriações jazzísticas: a que vamos ver a encerrar o FMM no Castelo é uma das mais explosivas. Em palco estão quatro músicos de individualidade fortíssima. O primeiro é o guitarrista irlandês Christy Doran, que se aproxima de Jimi pelo lado do rock, mas de forma experimental. O segundo é o baterista suíço Fredy Studer, velho companheiro de Doran, com quem já explorou o universo hendrixiano no seio da banda “Om” e do projecto “Hendrix Forever”. Erika Stucky, refinada agitadora do festival passado, é a cantora suíça que faz do palco um cabaret vanguardista onde cada minuto de performance não permite prever o seguinte. Completa o grupo o baixista Jamaladeen Tacuma, situável entre o jazz, o hip hop e o free funk. É este quarteto dinâmico que traz o espírito de Hendrix ao FMM, sob uma chuva de fogo-de-artifício. 43


© Jules Follet / Karen Ingram

Estados Unidos

JEAN-PAUL BOURELLY meets MELVIN GIBBS & WILL CALHOUN Blues, funk e rock numa “jam” com três grandes músicos americanos. 26 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 02H30. Um trio de luxo da música norte-americana abre com uma explosão de blues e funk a última noite na praia. Jean-Paul Bourelly (o nome francês vem da sua ascendência haitiana) é um dos melhores guitarristas de blues contemporâneos, com um som eléctrico e fortes aproximações ao funk e ao rock. Também cantor, Bourelly já trabalhou com músicos como Miles Davis, no álbum “Amandla”, e Vernon Reid, dos Living Colour. É precisamente desta banda pioneira do rock negro que chega Will Calhoun, eleito por várias revistas da especialidade o melhor baterista do mundo. A sua bateria poderosa tem dado coração rítmico a grandes nomes, do rapper Mos Def a B. B. King. Se Calhoun foi considerado o melhor baterista do mundo, Melvin Gibbs, terceiro elemento do grupo, foi eleito o melhor baixista. O seu baixo lendário tem um historial de quase 200 discos de diferentes géneros. É este trio “allstars” que, depois do fogode-artifício ter caído no Castelo, pega na mecha sonora para incendiar a Avenida. 44


Israel

BOOM PAM Ambientes Tarantino e Kusturica em “surf rock” do Médio Oriente. 26 JULHO, AV. VASCO DA GAMA, 04H00. Se Dick Dale criou o “surf rock”, nos anos 50, sob influência das músicas que o seu pai libanês ouvia, então o que Boom Pam faz não é mais que regressar às origens. Formada em 2003, a mais demolidora banda israelita funde as guitarras eléctricas do “surf rock” com músicas tradicionais do Médio Oriente, dos Balcãs, da Grécia e do resto do Mediterrâneo. O efeito é, nas palavras de um crítico alemão, a banda sonora perfeita para um filme realizado ao mesmo tempo por Quentin Tarantino e Emir Kusturica. Com um disco de estreia, homónimo, gravado em 2006, Boom Pam é constituída pelas guitarras de Uzi Feinerman e Uri Brauner Kinrot, pela bateria de Dudu Cohav e pela mais exótica, mas não menos “rockante”, tuba de Yuval “Tubi” Zolotov. O nome da banda é inspirado num êxito do final dos anos 60, original do grego Aris San, pioneiro no arranjo de música tradicional com guitarra eléctrica. Com grande sucesso em vários países da Europa, o centro da banda continua a ser Israel, onde, além de em festivais e salas de concerto, continuam a tocar em festas e casamentos. Encerram o FMM com uma enorme celebração. 45


INICIATIVAS PARALELAS

A BARREIRA DO SOM: SEMINÁRIO “MÚSICA, CULTURA E NAÇÃO” Centro de Artes de Sines, 16 Julho. Organização: Câmara Municipal de Sines e INET Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa. Coordenação científica: Manuel Deniz Silva. Entrada livre

Desde há alguns anos, os sons que nos vão chegando dos quatro cantos do mundo têm mudado de estatuto. O interesse etnográfico pelas práticas musicais dos povos não-europeus foi sendo substituído por uma nova experiência de escuta, aberta à diversidade das práticas sonoras, para lá das fronteiras políticas e culturais. É a este ideal de música "sem barreiras" que se tem dado o nome de "world music". Mas o que é a "música do mundo"? Procura de autenticidade ou fascínio pelo híbrido? Aposta na diversidade ou tendência para a normalização? Recusa da música comercial ou criação de um novo mercado? De onde vem, qual a sua história, quais as suas raízes? Que efeito tem nas identidades musicais nacionais? E o que é isto de identidades musicais nacionais? E de que "mundo" nos falam estas músicas? Este encontro pretende reunir especialistas da etnomusicologia, da musicologia e de outras ciências sociais para discutir algumas das questões levantadas pela ambiguidade deste processo, associando à discussão os diferentes actores - músicos, críticos ou programadores - que têm procurado trazer e difundir as "músicas do mundo" no nosso país. 12h00 Manuel Deniz Silva - "Música do mundo" e Globalização 15h30 Salwa Castelo-Branco - Processos de folclorização em Portugal José Neves - Um Mundo de Culturas: Fernando Lopes-Graça e Outros Comunistas Nuno Domingos - Cultura popular e a Companhia de Ópera do Trindade Pedro Moreira - A música ligeira na Emissora Nacional nos anos 30/40 21h30 Debate entre programadores, músicos e críticos Moderação: Pedro Boléo (musicólogo e jornalista do Público)

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INICIATIVAS PARALELAS

EXPOSIÇÃO “TRANSURBANA”, DE LUÍS CAMPOS Centro de Artes de Sines, 19 Julho - 20 Setembro. Todos os dias, 14h00-20h00. Inauguração: 19 de Julho, 15h00. Parceria O Museu Temporário / CAS

[1] >Da série TRANSURBANA, 1994 [#L.C. 03/94], Ilfochrome classic montado em alumínio/; Ilfochrome classic mounted on aluminium, 124,5 x 462 cm, Edição de/Edition of 3 [2] >Da série TRANSURBANA, 1994 [#L.C. 02/94]; Ilfochrome classic montado em alumínio/; Ilfochrome classic mounted on aluminium, 124,5 x 462 cm, Edição de/Edition of 3

"Transurbana” é uma exposição integrada na retrospectiva “LUÍS CAMPOS>Obras 1982_2008>Fotografia & Vídeo”. Sobre ela, João Fernandes escreveu: «Transurbana é um projecto fotográfico de Luís Campos realizado em 1994, constituído por diversos trípticos de fotografias montadas sobre alumínio, nos quais encontramos retratos de pessoas anónimas enquadradas em não menos anónimos contextos suburbanos da região de Lisboa. A tradição formal e religiosa do tríptico encontra-se subvertida por uma relação de identidade e de indiferenciação. Esta relação exemplifica a rotina da integração dos habitantes de uma cidade nos espaços aparentemente neutros que esta lhes apresenta como territórios impessoais. O processo fotográfico permite a revelação de pessoas e paisagens que os ritmos contemporâneos vulgarizam e invisibilizam. São pessoas retratadas numa situação fugaz que lhes interrompe o quotidiano mas não lhes desmente o quotidiano. Gente “de todos os dias”, mas não gente banal. Só é banal quem se deixa canibalizar pela banalidade que lhe impõem, como todos sabemos no nosso íntimo.» 47


INICIATIVAS PARALELAS

CICLO DE CINEMA DOCUMENTAL: “MIGRAÇÕES” Centro de Artes de Sines, 23-26 Julho. Sessões às 16h00. Entrada livre

Num tempo de circulação de informação, sons, imagens, pessoas e coisas, o ciclo de cinema do FMM aborda em 2008 a ideia de migração, viagem, circulação, contaminação de formas de produzir, ver e ouvir discursos e linguagens. No ano em que o FMM cumpre dez anos olhamos para discursos de fusão, confrontos de realidades geográfica e culturalmente distintas, que deram origem a novas formas de falar. Não se restringindo a filmes que colocam a música no centro da sua atenção, o ciclo abordará este tema de diferentes formas, com aproximações políticas, culturais e económicas. 23: “Les Maîtres Fous”, de Jean Rouch Clássico do cinema antropológico de Jean Rouch, mostra uma cerimónia de possessão, mas também tudo aquilo que a antecede e que se lhe segue, a vida de cada um dos “possuídos” independentemente desta cerimónia. (1954, França, 36m)

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24: “Before the Flood”, de Yan Yu e Li Yifan A barragem das Três Gargantas na China, a maior jamais construída no mundo, deverá estar terminada em 2009. Até lá, milhões de pessoas terão que ser realojadas e várias cidades e monumentos ficarão submersos. Neste filme, regista-se o processo de realojamento na cidade de Fengjie e o modo como afectou a vida dos seus habitantes. (2005, China, 143m) 25: “Bab Sebta”, de Pedro Pinho e Frederico Lobo “Bab Sebta” significa “a porta de Ceuta” em árabe e é o nome da passagem na fronteira entre Marrocos e Ceuta. É o local para onde convergem aqueles que, vindos de várias partes de África, procuram chegar à Europa. Neste filme percorre-se quatro cidades, ao encontro dos rituais de espera e das vozes desses viajantes. (2008, Portugal, 110m) 26: “One Plus One”, de Jean-Luc Godard “One Plus One” não é um musical com ou sobre os Rolling Stones, mas uma reportagem sobre o capitalismo, a publicidade, a sociedade de consumo, o nazismo, as lutas raciais, as guerras mundiais e tantos outros dramas do Ocidente. (1968, França, 110m)


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INICIATIVAS PARALELAS

ATELIÊS PARA CRIANÇAS Centro de Artes de Sines, 24-26 Julho. Sessões às 11h30. 6-12 anos. Gratuito sob marcação no Centro de Artes.

24: Toubab Krewe Estados Unidos Os músicos da Toubab Krewe saíram dos EUA e foram para a África Ocidental descobrir a sua música. No FMM, mostram às crianças o que aprenderam com os mestres. 25: Rachel Unthank & The Winterset Reino Unido Com imaginação e muita vontade de sonhar, as “fadas” Rachel, Becky, Niopha e Stef levam as crianças do FMM ao mundo encantado das florestas da Nortúmbria através do som. 26: The Dizu Plaatjies' Ibuyambo Ensemble África do Sul Dizu Plaatjies é um dos maiores especialistas da música dos vários países da África Subsariana. Neste ateliê, organiza uma expedição a esse mundo sonoro maravilhoso. 50


INICIATIVAS PARALELAS

MASTERCLASSES Escola das Artes de Sines, 23-26 Julho. Duração média das sessões: 2 horas. Preço: 25 euros. Marcação no Centro de Artes. 23: Pat Mastelotto EUA, 11h30 Dos King Crimson aos KTU, Pat Mastelotto tem trabalhado em vários registos na bateria e outras percussões. Artífice do ritmo e das texturas, ensina no FMM o que gosta de fazer. 23: Carlos Bica Portugal, 15h30 Um dos mais importantes contrabaixistas do jazz europeu, Carlos Bica é um criador com o qual todos, jovens músicos e músicos experimentados, podem aprender. 24: Zé Eduardo Portugal, 11h30 Zé Eduardo é um dos sábios do jazz português e o seu contrabaixo uma das máquinas mais criativas da música nacional. Está no FMM para transmitir as linhas da sua ideia de jazz. 25: Jacky Molard Bretanha, 11h30 Considerado um dos maiores violinistas e inovadores da música bretã, Jacky Molard é sobretudo um músico de primeira. Do jazz à tradição, tem muito para partilhar. 26: Koby Israelite Israel, 11h30 Da bateria ao acordeão, da música de origem judaica ao jazz e ao universo cigano, Koby Israelite é um músico do nosso tempo, aberto nos gostos e multi-facetado no trabalho.

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INICIATIVAS PARALELAS

CONVERSAS COM ARTISTAS Centro de Artes de Sines, 24-26 Julho. Sessões às 18h00. Entrada livre. 24: Silvério Pessoa Brasil Integrado na banda Cascabulho, foi um dos protagonistas do movimento Manguebeat. Os fundamentos do movimento ainda estão vivos? E o que é isso de fazer forró eléctrico? 25: Cui Jian China É considerado o pai do rock chinês. Como tudo se passou? É fácil ser um roqueiro no País do Sol Nascente? E como vivem os jovens chineses a música nos nossos dias? Cui Jian responde. 26: Boom Pam Israel Há quem diga que a sua música podia ser ouvida num filme de Tarantino ou num filme de Kusturica. Será que concordam? E como nasceu a ideia de fazer “surf rock” em Israel? INICIATIVAS PARALELAS

SET DJ: BAILARICO SOFISTICADO + ANTÓNIO PIRES Avenida Vasco da Gama, 26 Julho. A partir das 5h30. Entrada livre. Na última noite do festival, a música prolonga-se até ao nascer do sol com quatro DJ's veteranos dos palcos do FMM. Bruno Barros, Pedro Marques e Vítor Junqueira, com o convidado especial António Pires, montam a festa final do FMM 2008 com a melhor música de dança do mundo. 52


PALCOS Características dos palcos do FMM 2008. PORTO COVO A aldeia de Porto Covo é uma das mais pitorescas povoações alentejanas. A cerca de 1km da aldeia, localiza-se a Ilha do Pessegueiro, que nos lembra que estamos num dos santuários naturais da costa europeia. O palco é instalado junto ao Porto de Pesca, com a Ilha em fundo. Localização: Junto ao Porto de Pesca Capacidade: Cerca de 8000 pessoas (de pé)

SINES: CASTELO O principal monumento de Sines é o palco histórico do FMM. Erigido na primeira metade do séc. XV, foi cenário da infância e juventude de Vasco da Gama e é um dos seus mais prováveis locais de nascimento na cidade. Hoje, é um cenário de concertos de carisma único no país. Localização: Debruçado sobre a baía da cidade de Sines Capacidade: Cerca de 6500 pessoas (de pé e em bancadas)

SINES: AV. VASCO DA GAMA (OU DA PRAIA) O festival tem, desde 2004, um palco na marginal da Praia Vasco da Gama. Dentro do tecido urbano da cidade, a praia está enquadrada no conjunto falésia-Castelo-Igreja Matriz e é adjacente ao Porto de Pesca, fazendo parte do rosto de Sines e do coração dos sineenses. Localização: Junto à praia do mesmo nome, na cidade Capacidade: Cerca de 15000 pessoas

SINES: CENTRO DE ARTES Inaugurado em 2005 e finalista do prémio de arquitectura europeu Mies van der Rohe, o Centro de Artes de Sines integra num único edifício quatro equipamentos: um centro de exposições, uma biblioteca, um auditório e um arquivo histórico. Recebe concertos e iniciativas paralelas. Localização: À entrada do centro histórico de Sines Capacidade: 200 pessoas (Auditório), 500 (espaço exterior)

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MAPAS Oriente-se nas zonas de palco do FMM2008. d R.

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A programação do Festival Músicas do Mundo reparte-se em 2008 por quatro espaços: na aldeia de Porto Covo, um palco junto ao Porto de Pesca; na cidade de Sines, o Centro de Artes (Auditório e palco exterior), o Castelo e o palco da Av. Vasco da Gama (ou da Praia).

CONCELHO Tróia V. N. Santo André

Santiago do Cacém

Cidade de Sines

Os palcos na cidade ficam próximos uns dos outros, sendo possível circular entre eles em menos de 5 minutos a pé. Porto Covo

A cidade de Sines (a norte) e a aldeia de Porto Covo (a sul) distam cerca de 15km uma da outra.

Cercal

V. N. Milfontes

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INFORMAÇÕES ÚTEIS Informações fundamentais para usufruir do FMM 2008.

BILHETES Preço Concertos Centro de Artes (Auditório): 10 euros / dia Concertos Centro de Artes (exterior): entrada livre Concertos Porto Covo: 5 euros / dia Concertos Castelo: 10 euros / dia Concertos Av. Vasco da Gama: entrada livre Iniciativas paralelas: entrada livre [*] [*] Excepto masterclasses (25 euros) e ateliês para crianças (gratuito, mas sob marcação)

Locais de venda SINES: Posto de Turismo de Sines, Posto de Turismo de Porto Covo, Centro de Artes de Sines. TODO O PAÍS: Lojas FNAC, Lojas Bliss, Lojas Worten, Livraria Bulhosa (Oeiras Parque e CC Cidade do Porto), agências de viagens Abreu, pontos MegaRede, loja VGM (Lisboa Rua Viriato). ONLINE: www.ticketline.pt. RESERVAS: 707234234. DIAS DOS ESPECTÁCULOS: Bilheteiras junto aos recintos. Nota: Os bilhetes para os concertos no Centro de Artes de Sines (Auditório) são vendidos apenas no local. Reservas através dos seus contactos.

Notas e advertências sobre as entradas - Compre o seu bilhete antecipadamente. A lotação pode esgotar. - Os “vouchers” adquiridos na Ticketline são trocados por bilhetes nas bilheteiras. - Com excepção do Auditório do Centro de Artes, o bilhete não dá direito a lugar sentado. No Castelo, existem bancadas com 550 lugares. - As crianças com menos de 12 anos não pagam bilhete. Nos termos da lei, está vedada a entrada a menores de 4 anos nos recintos dos espectáculos. - É proibida a entrada de animais e objectos perigosos (incluindo latas e garrafas de vidro). - As saídas durante os espectáculos são controladas por uma senha. Não a perca. - No palco do Castelo, existe uma plataforma elevada para utentes em cadeiras de rodas. - É proibido realizar registos áudio e vídeo dos espectáculos. Devido à natureza do espaço, é estritamente proibido fotografar os concertos realizados no Centro de Artes. Todos os fossos para fotógrafos são reservados aos profissionais credenciados.

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DESLOCAÇÕES E TRANSPORTES Chegar a Sines CARRO: Sines situa-se exactamente no centro da costa alentejana, 163km a sul de Lisboa e 130km a sul de Setúbal. Para chegar a Sines de carro, a partir de Lisboa ou Setúbal, pode seguir-se, entre outros, dois itinerários: 1) Tomar a A2, sair em Grândola e seguir pelos IC33 e IP8; 2) Tomar o ferry-boat de Setúbal para Tróia e seguir pela estrada para Sines. LISBOA

SINES

AUTOCARRO: Sines é servido pela Rede Expressos. Confira os horários das partidas e chegadas em www.rede-expressos.pt ou pelo telefone 269632268 (terminal Sines).

Deslocar-se na região Os transportes inter-urbanos na região são assegurados pela Rodoviária do Alentejo. Saiba os seus horários através do telefone 269632268 (terminal de Sines). Se pretende usar o serviço de táxis ligue, na cidade, 269632405 (até à meia-noite). A cidade de Sines tem desde 2005, durante o dia, um sistema de transportes urbanos, útil para pequenas deslocações. Mais informações sobre circulação em Sines, alterações de trânsito, etc., no site www.fmm.com.pt.

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ALOJAMENTOS A região de Sines tem alguns parques de campismo, mas não muitas unidades hoteleiras. Recomenda-se que se trate do alojamento com antecedência. Ver lista de alojamentos no site do FMM.

ALIMENTAÇÃO Além dos restaurantes de Sines e Porto Covo, a oferta de refeições é reforçada em 2008 com o prolongamento parcial do serviço das Tasquinhas Sines, instaladas num recinto próprio na Avenida Vasco da Gama. Nas proximidades dos palcos do FMM estão instalados pontos de venda de alimentos e bebidas.

APOIO AO ESPECTADOR Durante os concertos no Castelo, existe um Gabinete de Apoio ao Espectador junto à Alcáçova. O gabinete presta os seguintes serviços: informações genéricas, livro de reclamações, perdidos & achados e primeiros-socorros.

CONTACTOS Informações para espectadores / imprensa Tel. 269 630 665 [*] girp@mun-sines.pt Serv. Informação, Divulgação e Imagem

Organização / Produção Tel. 269 860 089 [*] info@fmm.com.pt Serviço de Cultura

Centro de Artes de Sines Tel. 269 860 080 Câmara Municipal de Sines Tel. 269 630 600 (*) Os números de telefone fornecidos funcionam apenas antes do início do festival. Os contactos telefónicos directos a usar no decurso do evento estão disponíveis, em Julho, no site www.fmm.com.pt.

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FMM Sines - Guia 2008