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Nostalgia ��et�

La Rochelle é o ponto de partida de uma viagem de 1500 quilómetros pela Bretanha francesa. Marinas, portos, faróis, muralhas e castelos repletos de História estão à sua espera.

Texto e Fotografias de Fernando Marques


Muitos dos nove milhões de visitantes anuais são atraídos pelo duty-free. Há mais de 1500 estabelecimentos comerciais no país – feitas as contas, uma loja por cada 56 habitantes.

A modéstia do aeroporto de La Rochelle não deixa adivinhar a riqueza da região onde fica uma das maiores marinas da Europa. Considerada a zona balnear de eleição dos parisienses, com mais de três milhões de turistas por ano, La Rochelle é uma das zonas marítimas mais visitadas de França. As ruas, entre torres e muralhas, enchem-se de pessoas descontraídas a pedalar nas bicicletas. As esplanadas são um convite irrecusável para os turistas, ora jovens casais com crianças pequenas, ora seniores bem-dispostos e com um gosto especial pela aventura náutica. O Aquarium, localizado entre o Porto Des Minimes e o Porto Velho, aberto todos os dias do ano, é um ex-líbris da cidade. Simboliza a modernidade, com um edifício grandioso que acolhe 12 mil seres vivos de seiscentas diferentes espécies. Quem ficar apenas em La Rochelle não precisa de alugar um carro, mas para visitar a vizinha ilha de Ré vale a pena o investimento. Para lá chegar atravessa-se uma ponte com três quilómetros e portagem (os carros pagam € 8 ou € 16,

consoante a época do ano). Aberta 24 horas, também há quem a percorra de bicicleta, sendo que, nesse caso, a viagem é gratuita. É um território com trinta quilómetros de comprimento por cinco de largura, com várias localidades pitorescas, como Rivedoux Plage, La Flotte, Saint-Martin de Ré, Loix, Ars-en-Ré, Les Portes en Ré, Saint Clément des Baleines, La Couarde sur Mer, Le Bois Plage en Ré e Sainte Marie de Ré. O areal, largo e amplo, faz que não haja grande concentração de veraneantes. Isso permite contemplar o Atlântico à vontade, como se impõe. Os restaurantes e bistrots da ilha têm quase sempre lotação esgotada. Nas mesas multiplicam-se os tachos pretos cheios de mexilhões, confecionados das mais diversas formas: marinados, com creme, com vinho branco – mas sempre acompanhados de batatas fritas. Para os apreciadores de ostras, o difícil é escolher entre seis, nove ou doze… Fresquíssimas com sumo de limão, e um copo de vinho branco, fazem uma refeição. São os pequenos prazeres da vida.


montras Andorra la Vella, a capital mais elevada da Europa, tem na Avinguda Meritxell a maior galeria de montras dos PirenĂŠus. Dizem que as compras nunca sĂŁo de mais, por aqui.


montras Andorra la Vella, a capital mais elevada da Europa, tem na Avinguda Meritxell a maior galeria de montras dos PirenĂŠus. Dizem que as compras nunca sĂŁo de mais, por aqui.


Muitos dos nove milhões de visitantes anuais são atraídos pelo duty-free. Há mais de 1500 estabelecimentos comerciais no país – feitas as contas, uma loja por cada 56 habitantes.


Os investimentos reces mudaram tudo

e colocaram algumas estâncias de Andorra entre as mais modernas da Europa. Pistas, actividades, meios mecânicos, hotéis e restaurantes seduzem os turistas.

montras Andorra la Vella, a capital mais elevada da Europa, tem na Avinguda Meritxell a maior galeria de montras dos Pirenéus. Dizem que as compras nunca são de mais, por aqui. 64

Volta ao Mundo Fevereiro 2011


El Tarter tem um excelente snowpark, tendo-se tornado uma meca do freestyle, e os viciados em adrenalina têm à disposição muitos quilómetros de esqui fora de pista em Soldeu.

O ducado da Bretanha era independente e autossuficiente até ser anexado pela França em 1532, marcando o início da Bretanha como província francesa. A riqueza histórica é visível um pouco por todas as cidades onde se passa, numa viagem cuja bússola apontou para norte, mas pelo interior. À chegada a Nantes, a sexta maior cidade francesa, com cerca de 282 mil habitantes, o bulício e o tráfego são intensos. Estacionado o carro (atenção aos parquímetros!) junto à catedral, percorre-se a zona velha com as igrejas a sobressaírem na arquitetura. Tempo para almoçar uma galette (espécie de crepe) e beber a sidra tão típica da região. Segue-se caminho por boas estradas nacionais, sem haver necessidade de ir pela autoestrada. Rennes surge de passagem já no lusco-fusco e, 47 quilómetros depois, uma bela surpresa: Dinan. Conhecida desde o século xi, é a cidade medieval mais bem conservada da Bretanha. Num planalto rochoso, é protegida por uma enorme fortaleza e o rio Rance acompanha o porto. São muitas as casas com estrutura em tabique de madeira que nos distraem num passeio pela Rue de l’Horloge. Falta pouco mais de uma hora para chegar ao Mont Saint-Michel, imagem emblemática da Bretanha que, na realidade, pertence à região da Normandia. Opulento e

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magnificente, mesmo de longe é preciso respirar fundo quando se olha pela primeira vez para um verdadeiro castelo de um conto de fadas, classificado pela UNESCO como Património Mundial. Num ilhéu de granito, mais de oitenta metros acima do nível do mar, fica a abadia fundada no século viii, a partir da suposta aparição de São Miguel Arcanjo. A água rodeia o monumento apenas 53 dias por ano nas grandes marés do equinócio. Seguimos viagem e, quase quarenta quilómetros depois, outro destino que faz parte dos livros. Embora Saint-Malo esteja rodeada por muralhas do século xiii (protegiam a cidade dos ataques de piratas e da fúria do mar), é precisamente no paredão junto ao oceano que melhor se desfruta a beleza desta cidade de veraneio. Dois rios, o Odet e o Steir, unem-se na cidade mais antiga da Bretanha – Quimper, cujo nome deriva da palavra kemper, que significa «confluência». É na Pointe du Raz, uma saliência sobre o mar, na extremidade do cabo Sizun, que melhor se reflete sobre a força e a imensidão do Atlântico. A viagem continua pela costa com paragem em Concarneau e em Vannes, com as muralhas medievais genuínas, antes do embarque no avião de regresso para o Porto.

Volta ao Mundo Fevereiro 2011


montras Andorra la Vella, a capital mais elevada da Europa, tem na Avinguda Meritxell a maior galeria de montras dos PirenĂŠus. Dizem que as compras nunca sĂŁo de mais, por aqui.


esqui para todos Soldeu tem uma das melhores escolas de esqui do Velho Continente, pistas para todos os gostos e heliski para os mais corajosos. Tudo com impagรกveis cenรกrios de montanha como pano de fundo.


esqui para todos Soldeu tem uma das melhores escolas de esqui do Velho Continente, pistas para todos os gostos e heliski para os mais corajosos. Tudo com impagáveis cenários de montanha como pano de fundo.

Em França, a costa litoral atlântica

estende-se ao longo de quatro regiões. Em Poitou-Charentes fica La Rochelle, no distrito de Charente-Maritime; o Pays-de-la-Loire acolhe Nantes; subindo O ducado da Bretanha era independente e autossuficiente até ser anexado pela França em 1532, marcando o início da Bretanha como província francesa. A riqueza histórica é visível um pouco por todas as cidades onde se passa, numa viagem cuja bússola apontou para norte, mas pelo interior. À chegada a Nantes, a sexta maior cidade francesa, com cerca de 282 mil habitantes, o bulício e o tráfego são intensos. Estacionado o carro (atenção aos parquímetros!) junto à catedral, percorre-se a zona velha com as igrejas a sobressaírem na arquitetura. Tempo para almoçar uma galette (espécie de crepe) e beber a sidra tão típica da região. Segue-se caminho por boas estradas nacionais, sem haver necessidade de ir pela autoestrada. Rennes surge de passagem já no lusco-fusco e, 47 quilómetros depois, uma bela surpresa: Dinan. Conhecida desde o século xi, é a cidade medieval mais bem conservada da Bretanha. Num planalto rochoso, é protegida por uma enorme fortaleza e o rio Rance acompanha o porto. São muitas as casas com estrutura em tabique de madeira que nos distraem num passeio pela Rue de l’Horloge. Falta pouco mais de uma hora para chegar ao

Mont Saint-Michel, imagem emblemática da Bretanha que, na realidade, pertence à região da Normandia. Opulento e magnificente, mesmo de longe é preciso respirar fundo quando se olha pela primeira vez para um verdadeiro castelo de um conto de fadas, classificado pela UNESCO como Património Mundial. Num ilhéu de granito, mais de oitenta metros acima do nível do mar, fica a abadia fundada no século viii, a partir da suposta aparição de São Miguel Arcanjo. A água rodeia o monumento apenas 53 dias por ano nas grandes marés do equinócio. Seguimos viagem e, quase quarenta quilómetros depois, outro destino que faz parte dos livros. Embora Saint-Malo esteja rodeada por muralhas do século xiii (protegiam a cidade dos ataques de piratas e da fúria do mar), é precisamente no paredão junto ao oceano que melhor se desfruta a beleza desta cidade de veraneio. Dois rios, o Odet e o Steir, unem-se na cidade mais antiga da Bretanha – Quimper, cujo nome deriva da palavra kemper, que significa «confluência». É na Pointe du Raz, uma saliência sobre o mar, na extremidade do cabo Sizun, que melhor se reflete sobre a força e a imensidão do


Bretanha