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Os espaços de brincar no parque Lina e Paulo Raia Trabalho Final de Graduação de Flora Fernandez


Universidade de São Paulo Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Trabalho de Final de Graduação Os espaços de brincar no Parque Lina e Paulo Raia

Flora Monte Alegre Olmos Fernandez orientadora: Cibele Haddad Taralli

São Paulo 2011


Sumário Introdução

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Desenvolvimento das premissas de projeto

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Espaços de brincar existentes

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Análise dos espaços de brincar nos parques paulistas Referências de brinquedos e espaços para brincar internacionais

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Análise do Parque Lina e Paulo Raia

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Histórico do Bairro Parque Lina e Paulo Raia Justificativa da escolha do lugar

Projeto das áreas de brincar para o parque Lina e Paulo Raia

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Propostas dos espaços de brincar Áreas de intervenção Brinquedos Dificuldades encontradas

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Bibliografia

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agradecimentos Queria agradecer Aos meus pais, minha família e meus amigos pelo apoio e ajuda. À Cibele Haddad Taralli, que me orientou e apoiou neste trabalho, com sua seriedade e cuidado. À Conceição, que me escutou e me ajudou a visualizar e esclarecer o que eu pretendia para este trabalho. À Alessandra e ao José Luís, pelo bom exemplo de arquitetura aplicada e pelo apoio e compreensão. Ao Jonas Malaco, por suas aulas que acabaram se transformando na base para o meu projeto. Ao Pedro pela revisão de texto e pelo apoio. À Cláudia, à Camila, à Larissa, à Estela, ao Chodin e ao Suzuki, por me ajudarem no processo de produção deste trabalho. Por fim agradeço ao Vladimir Bartalini, à Clice de Toledo Sanjar Mazzilli e à Rosa Iavelberg pela participação na minha banca.

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Introdução No presente caderno apresento meu Trabalho Final de Conclusão de Graduação, cujo objetivo final foi a criação de um espaço de brincar no Parque Lina e Paula Raia. Na primeira parte, Desenvolvimento das premissas, apresento e justifico o tema, objetivos e abordagens do projeto. Nas partes seguintes, Análise dos espaços de brincar nos parques de São Paulo e Espaços de brincar em parques internacionais, os espaços de brincar e brinquedos são descritos e estudados com base nas referências teóricas apresentadas na primeira parte. O parque Lina e Paulo Raia é descrito com maior detalhamento na parte seguinte. É feito um breve resumo da história do bairro e do parque, uma avaliação das características do parque e elaborada a justificativa da escolha deste local para desenvolvimento do projeto. Em seguida, no tópico Projetos dos espaços de brincar no Parque Lina e Paula Raia e em seus diversos subtópicos, o projeto de espaço de brincar desenvolvido para o parque é apresentado em toda sua complexidade. O projeto apresentado está na fase de anteprojeto sobre a implementação de um espaço de brincar no Parque Lina e Paula Raia. Seriam necessárias mais avaliações, levantamentos e detalhamentos para a aplicação do mesmo.

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Desenvolvimento das premissas para o projeto

A proposta deste TFG é o desenvolvimento de um projeto de espaço para brincar no parque Lina e Paulo Raia. Antes do começo deste trabalho surgiu a idéia de fazer um projeto de um espaço para brincar, pensando no caráter lúdico e educador desta atividade, na situação dos espaços públicos livres existentes na cidade de São Paulo e na qualidade dos espaços destinados às crianças. O jogo e a brincadeira são atividades voluntárias e livres; as crianças brincam porque gostam de brincar. Nesta atividade desenvolvem as faculdades físicas e críticas, capacidades que auxiliam na sua autonomia. As brincadeiras e os jogos ocorrem em um limite definido de tempo, espaço e de regras que são dadas como absolutas e indiscutíveis. Através da brincadeira e suas regras, um limite é dado para uma coletividade, e quem o ultrapassa ou não o respeita é expulso da brincadeira. O espaço de brincar é lúdico e propício ao aprendizado do domínio do corpo, além de propiciar outras relações, como as possibilidades de escolhas e vivências com outras crianças e adultos. Além disso, tem potencial na formação do caráter de uma criança ao sujeitá-la a diferentes experiências e colocá-la em confronto com limites. Pode propiciar à criança o desenvolvimento de um comportamento mais sociável e “virtuoso” e a formação de uma coletividade, de uma socialização, pois o vínculo que se estabelece na brincadeira se mantém após o término dela. Assim fica possível desenvolver uma relação de vizinhança e amizade. Na disciplina optativa de Jonas Malaco, no primeiro semestre de 2010, durante as aulas sobre a Ética a Nicômaco

(Aristóteles), me chamou a atenção a seguinte frase dita por ele: “A boa arquitetura é aquela que torna prazerosa a “virtude” e desprazeroso o “vício”.” Essa frase dirigiu o rumo do TFG, provocando o desejo de que o conceito das “virtudes” de Aristóteles estivesse no pensamento do projeto do espaço de brincar. A partir das leituras sobre as “virtudes” ficou clara a importância exclusividade de cada situação, na qual o contexto determina se a atitude é uma virtude ou não. Desta forma constatou-se a necessidade de que o projeto fosse feito para um lugar específico, o menos “vicioso” possível, para que não houvesse uma interferência negativa na internalização das “virtudes”. Outra premissa estabelecida foi a de implantar o projeto em um espaço público, onde as pessoas se relacionam de forma livre. Um espaço que pertencesse a todos da cidade, que dele poderiam se apropriar temporariamente e sem que ninguém restringisse esse apossamento temporário. Desta forma, as crianças estariam em um ambiente no qual conviveriam com a diversidade e também se relacionariam com a cidade. São Paulo é uma cidade hostil, com grande concentração de pessoas e veículos, e grande desigualdade social e violência. As pessoas vivem em alerta, em uma situação de insegurança, e as crianças não tem condições físicas e psicológicas para enfrentar este espaço sozinho. O espaço das ruas é o que conecta todos os espaços privados da cidade, assim as pessoas têm a liberdade de ir e vir sem nenhum impedimento. Tudo se torna acessível e as pessoas podem

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se encontrar livremente. Os carros dominam o ambiente das ruas com seu porte imponente, o barulho e a fumaça produzidas e tornam o ambiente das ruas desagradável. As calçadas têm uma dimensão muito pequena, o que deixa as pessoas muito próximas dos carros na maioria das ruas, dificultando a circulação das pessoas. As praças seriam o espaço onde um livre encontro pode se realizar mais demoradamente. Porém, em São Paulo, a maioria das praças é rodeada pelas ruas descritas acima, tornando o ambiente desagradável. A violência e a falta de respeito dos cidadãos agravam a situação degradada da maioria das praças e ruas. O espaço livre público é em muitos casos pouco cuidado, não tem manutenção. O parque urbano é um espaço público muitas vezes cercado por grades. O cerceamento do parque tem como função distanciar as pessoas do espaço hostil da cidade, protegê-las para que elas possam se sentir livre. Elas precisam sentir que não estão sujeitas à violência, à poluição urbana e à velocidade presentes nas grandes metrópoles. O cerceamento faz com que seja possível uma pessoa ou um grupo tomar o espaço publico para si, perdendo assim a sua característica de espaço público. O parque tem função de promover atividades destinadas ao ócio, livres ou recreativas. A natureza livre dessas atividades se assemelha com o uso do espaço público, que deve ser desimpedida, sem obstruções para que assim seja possível o encontro entre as pessoas da cidade sem que uma esteja sujeita à coação da outra. Portanto, o parque foi o lugar que restou para inserir o espaço para brincar.

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A proposta para este espaço de brincar é criar um cenário para brincadeiras que possibilitem a imaginação e a convivência das crianças (levando em consideração as diferentes etapas de desenvolvimento delas) e, a partir da brincadeira, se fundamente uma postura virtuosa, autônoma e sociável. É interessante que a partir desses espaços de brincar a criança seja educada para convívio social e para uso do espaço público, através de, entre outras, experiências sensoriais. Essa proposta coloca em questão algumas perguntas: O que é uma postura virtuosa? De que forma devemos educar as crianças para que elas sejam virtuosas? De que forma o espaço de brincar pode favorecer essa linha de educação? Essas questões não serão respondidas, mas serão apresentados alguns esboços para tentar respondê-las com base nas aulas sobre a “Ética a Nicômaco” e “Política”, ministradas por Jonas Malaco, e os livros “O juízo moral na criança de Piaget” e “As idéias de Piaget” de Margaret A. Boden e “Homo Ludens” de Johan Huizinga. ***

Com relação à primeira questão, sobre a postura virtuosa, segundo Aristóteles existem as “virtudes” morais e intelectuais e a postura do homem virtuoso é completa, formada por ambas. As “virtudes” morais se relacionam com o prazer e a dor. As pessoas fazem o que fazem em busca do prazer e para evitar a dor. O prazer é uma sensação de bem estar com o mundo de forma que nada precisa ser mudado, nem a pessoa, nem o ambiente onde ela está. É uma sensação atemporal, que se fecha em si mesma. A dor é a sensação contrária na qual há o sentimento de que algo precisa ser mudado. Os prazeres e dores são individuais. Cada pessoa tem estas sensações por coisas diferentes e o ambiente influencia nesta individualidade. Ao mesmo tempo, o homem é um ser gregário e social e necessita viver junto com outros semelhantes para que se sinta seguro o que influencia em seus prazeres. Há conflitos entre as pessoas por conta desses prazeres individuais e estes conflitos em uma comunidade devem ser pensados pela política de forma que eles possam ser equilibrados. As “virtudes” morais se relacionam com o prazer e com a dor procurando estabelecer um equilíbrio entre as duas sensações. A virtude é adquirida pelo hábito e é o meio termo entre a falta e o excesso e depende da circunstância do ato. A virtude é um meio limitado, diferente do vício. As ações serão virtuosas dependendo do tempo e do espaço e das relações existentes.

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Para alcançar a virtude moral o homem deve ser autônomo, ter domínio sobre si mesmo e suas ações devem ser voluntárias. A internalização das “virtudes” se concretiza por meio das ações, no meio em que elas se realizam. A reflexão sobre as idéias que tem “virtudes” não garante que elas serão tomadas para si nas ações. Aristóteles estabelece 12 “virtudes” e o homem virtuoso apresenta todas elas. Cada uma delas se relaciona de uma forma específica com um objeto que pode causar prazer ou dor para o indivíduo. A “coragem” abarca as dores para superar um obstáculo, se relacionando com o sentimento de medo e confiança, sendo seu excesso a “temeridade” e sua falta, a covardia. A “temperança” trata dos prazeres do corpo, sendo o excesso a “intemperança” e a falta, “insensibilidade”. Relacionadas com as riquezas e com dinheiro existem duas “virtudes”. A “liberalidade” trata os prazeres em relação a dar e receber riquezas. O “avaro” é o viciado em excesso de amor ao dinheiro enquanto ao “pródigo” falta este amor ao dinheiro. A “magnificência” relaciona-se com os prazeres das riquezas em uma escala maior que envolve gastos, sendo seus extremos o “mesquinho”, pela restrição, e o “vulgar”, pelos excessos. Referente às honras existem outras duas “virtudes”. A “magnanimidade” abrange os prazeres relacionados às grandes coisas e feitos, e os vícios são a “vaidade oca” e a “humildade indébita”. A outra virtude relacionada à honra não tem um nome, mas seus vícios são a “ambição” e a “falta de ambição”.

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Outras três “virtudes” abordam o intercâmbio de atos e palavras e o trato entre as pessoas. A “veracidade” é o meio termo entre a “jactância” e a “falsa modéstia”, no que diz respeito aos prazeres com a verdade. A “amabilidade” é o meio termo entre a “obsequiosidade” e a “grosseria”. Por último, a “espirituosidade” relaciona-se ao divertimento e seus “vícios” são a “chocarrice” e a “rusticidade”. A respeito da “modéstia”, a “virtude” relacionada com as paixões, possui em seus extremos o “despudor” e o “acanhamento”; A “calma” é a “virtude” que se relaciona com a cólera e a “irraciblidade” e a “pacatez” são seus vícios. A virtude que diz respeito a relação das pessoas com a fortuna de seus semelhante é a “justa indignação”, e está entre a “inveja” e o “despeito”. A “justiça” também é considerada uma “virtude” e estabelece um meio termo nas distribuições de bens e obrigações e em relação às trocas. Para cada uma destas existe uma relação proporcional que a define e as proporções só podem ser consideradas individualmente. Os extremos da justiça são o “injusto” e o “injustiçado”. Por fim, existem virtudes intelectuais, que se relacionam com os diversos tipos de conhecimento. Podemos dividir em cinco espécies as “virtudes intelectuais”: a “arte”, o “conhecimento cientifico”, a “sabedoria prática”, a “sabedoria filosófica” e a “razão intuitiva”. O meio termo dessas virtudes se estabelece no esforço para adquirir o conhecimento, que não pode ser nem excessivo nem demasiadamente pouco. ***

Em relação a como educar as crianças Aristóteles afirma “Com efeito, julga-se que ele (o prazer) está intimamente relacionado com a nossa natureza humana, e por essa razão, ao educar os jovens, nós os governamos com os lemes do prazer e da dor.” No último livro da “Política” ele fala que as crianças, para que se tornem homens livres, devem ser educadas como se fossem servos e ao mesmo tempo homens livres. Ela deve aprender a obedecer e aprender a ser autônomo ao tomar a suas próprias decisões. Os educadores e pais devem saber guiar as crianças, mostrando bons caminhos e boas ações. Piaget, ao escrever sobre o desenvolvimento epistemológico e do juízo moral da criança, mostra que deixar que a criança desenvolva a sua autonomia tem um papel fundamental em seu desenvolvimento. Ele critica àqueles que coagem à criança a tomar determinadas decisões e ter determinadas atitudes. A criança coagida pode ter dificuldades com o aprendizado e formação do juízo moral, pois estas atitudes e decisões não foram internalizadas de maneira crítica. Ao ter autonomia a criança tem que se responsabilizar por seus atos. Piaget mostra, ao descrever o desenvolvimento das habilidades físicas, como no entendimento e na aplicação das regras, que as crianças buscam sempre entrar em equilíbrio com o meio onde elas vivem. E o aprendizado se dá de uma forma dialética: o individuo age de uma forma diferente da ordem do mundo e depois tenta se adequar a ela. Assim, as crianças muitas vezes tentam imitar as pessoas com quem convivem e isso é essencial ao seu aprendizado. Com

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a imitação, a criança vai se acostumando com determinados movimentos e ações, que ao serem repetidas diversas vezes podem ser internalizadas e se tornarem hábito. Portanto, para uma boa educação é fundamental que a criança tenha bons exemplos e que estes sejam de mais de uma pessoa. É necessário que a criança tenha exemplos dos homens e coisas boas. ***

Quanto à última questão sobre como o espaço de brincar pode favorecer uma educação virtuosa e autônoma, primeiro devemos pensar como os espaços e objetos podem interferir na educação das pessoas. O espaço é o vazio. Para que ele seja definido precisa de obstáculos e a disposição destes pode determinar a forma das pessoas realizarem sua ocupação. Ao dispor os obstáculos de uma maneira virtuosa e agradável as pessoas podem vir a sentir prazer com as virtudes. Esta disposição deve ser virtuosa para auxiliar na educação do homem virtuoso, com uma postura autônoma e livre, e assim é necessário que os obstáculos encontrados possam ser superados. E para que haja possibilidades de escolha as funções do espaço devem ser determinadas pelo o usuário e não pelo espaço. Para que a criança mais velha possa ter uma atitude corajosa é preciso que o espaço incentive a postura desbravadora. Os objetos e os espaços apresentam qualidades distintas que podem servir como exemplo às crianças. As características do objeto podem ser avaliadas segundo os critérios do belo, bom, útil e agradável.

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de um desnível. A gangorra trabalha com o desafio do equilíbrio de dois corpos diferentes, com a interação de duas pessoas. O balanço exige equilíbrio e trabalha a sensação Avaliando segundo a beleza, os objetos e sua disposi-

tranqüilizante gerada pelas forças da ação do balançar. O

ção podem ter ou não qualidade estética. A beleza clássica

escorregador também exige o equilíbrio e a sensação da

é definida pelas palavras ordem e medida, caracterizando

queda e a sensação provocada pela velocidade. O tanque

dessa forma a inteligibilidade do objeto. Para uma coisa ser

de areia desenvolve habilidades construtivas para esculpir,

bonita ela deve ter um tamanho que seja possível tanto en-

encher e esvaziar recipientes.

tender a coisa toda como suas partes e detalhes. Para isso o objeto não pode ser muito grande nem muito pequeno e

As utilidades do objeto devem ser bem definidas e responder bem ao uso que lhe for proposto.

a proporção entre as partes também deve ser adequada de

Com relação ao agradável, depende das qualidades

forma que todas as partes se apresentem com clareza. A or-

sensoriais do material e do espaço. Os sentidos podem ser

dem também deve ser bem definida e as partes devem estar

exercitados e acostumados a uma ou outra sensação.

dispostas de forma distinta.

É possível transformar o gosto e os prazeres das pes-

Pensando no bom, o espaço e os objetos devem apre-

soas, mas para mexer com isso elas devem ser habituadas

sentar as virtudes e ser auto-suficiente no sentido de se sus-

a fazer de outra forma, e se for útil ou agradável fica mais

tentar sem ter que depender de outra coisa, de se fechar em

fácil de chegar ao objetivo, pois se trabalha com a necessi-

si mesmo, ser completo e inteligível. Os objetos presentes

dade e o conforto.

no espaço devem ser bem relacionados. Pensando em uma

Em praticamente todos os parques urbanos de São

escala maior esses espaços também devem se relacionar de

Paulo são utilizados uma mesma família de brinquedos,

uma forma boa entre eles. Essa relação se estabelece através

dispostos de uma maneira muito semelhante.

da transposição. Os espaços devem ter uma ligação física e funcional. Com relação ao útil, o objeto cria um obstáculo que pode influenciar e determinar a sua função e a forma com que as pessoas vão se relacionar com ela. Cada espaço se fecha em si ao ser suficiente para cumprir a utilidade a que se propõe. Como exemplo em relação a utilidade podemos ver as funções de diferentes brinquedos. O brinquedo de escalar desenvolve todas as faculdades motoras e intelectuais da criança ao colocar um desafio relacionado a transposição

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Espaรงos de brincar existentes


Análise de brinquedos e espaços de brincar nos parques paulistas Foram visitados os seguintes parques para avaliar os brinquedos e os usos decorrentes destes: Pq. Ibirapuera (fig. flickr US. Loxinha

arquitetonline 2

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1-3), Pq. Aclimação (fig. 4-5), Pq. Vila Lobos (fig. 6-7), Pq. Trianon (fig. 8), Pq. Buenos Aires (fig. 9) e Pq. Luís Carlos Prestes (fig. 10-11) e Pq. Lina e Paulo Raia (fig. 12). 3

Os brinquedos utilizados nestes espaços públicos são de tora de madeira com barras de aço e tem uma aparência rústica, na qual o material sofre o mínimo de transformação possível. As toras de madeira são cortadas com dimensões determinadas, furadas para possibilitar o encaixe das toras e tratadas de forma que a madeira não machuque as pessoas. As barras de ferro são encaixadas nas toras de madeira e fixadas com parafusos - em muitos casos esse parafuso fica exposto o que poderia causar acidentes sérios com crianças em movimento. Para proteção, peças de plástico em forma

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de meia esferas são colocadas sobre os parafusos e porcas, mas o plástico não apresenta muita firmeza e com a falta de manutenção ficam alguns parafusos desprotegidos. No parque Villa Lobos os brinquedos tem um acabamento diferente, com os parafusos embutidos na madeira. Os brinquedos são dispostos em patamares únicos e planos de forma que o espaço entre eles é necessário para que não ofereçam riscos e permitam a visualização das crianças pelos pais. A maioria dos playgrounds não apresenta nenhum tipo de desnível. Há exceções, mas mesmo elas trabalham pouco o potencial oferecido pelo desnível. O parque Buenos Aires fica (fig.9) dividido em patamares desnivelados e os

fotos da autora

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parques Villa Lobos (fig. 6-7), Ibirapuera (fig. 1-3) apresentam morrotes que podem fazer parte da brincadeira.


“Coragem” Ao longo do crescimento da criança há diferenças de estruturas de pensamento. Isso deve ser levado em consideração ao projetar o espaço de brincar, pois se pode div idir o desenvolvimento em pelo menos duas fases. Nestas distintas fases as crianças têm necessidades de estímulos diferentes, pois uma atividade pode ser corajosa em uma idade, mas

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covarde em outra. As crianças de até sete anos ainda estão desenvolvendo suas habilidades físicas e o seu domínio do corpo, enquanto as crianças mais velhas já têm um domínio sobre o corpo maior e precisa desenvolver sua autonomia, domínio sobre seus atos e também sobre o espaço. Os brinquedos encontrados nos parques paulistanos, são obstáculos a serem vencidos para crianças de até 6 anos, e incentivam a criança a ser corajosa. Neste desafio elas são estimuladas a aprender e desenvolver movimentos diversos.

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Já para crianças maiores, os brinquedos não são mais obstáculo e os movimentos já foram assimilados. Eles não oferecem desafios físicos mais, pois elas já dominam a relação de seus corpos com os brinquedos, e eles não mais enfrentam as questões de autonomia e do domínio do espaço que as Os brinquedos e playgrounds visitados em São Paulo

desafiariam.

foram avaliados a partir do conceito do bom, o belo, o útil

As crianças, ao poder percorrer diferentes obstácu-

e o agradável. Esta analise foi feita considerando os parques

los, podem ter ações corajosas e não ficar todo instante so-

como um conjuto por terem características muito seme-

bre a proteção e responsabilidade dos pais, de forma que

lhantes.

elas possam se responsabilizar pelos seus atos. A criança

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pequena, por não ter domínio sobre seu próprio corpo e do O bom

espaço, prefere ficar próxima aos pais, pois assim se sente fotos da autora

Para falar do bom, do virtuoso, iremos analisar os espaços de brincar e os brinquedos segundo algumas virtudes: a “coragem”, a “liberalidade”, a ”amabilidade”, a “espirituosidade” e por último a “justiça”. 12

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protegida. A criança mais velha, independente dos brinquedos já procura explorar mais o espaço, Na nossa sociedade existe um temor de que as crianças entrem em contato com adultos e adolescentes estranhos e que com isso tenham maus exemplos. Porém, as crianças devem ser guiadas para a conquista do espaço com segurança, de forma que não sejam influenciadas por essas pessoas. De um modo geral, os brinquedos da cidade de São Paulo podem ser considerados “covardes”, devido á dimensão excessiva das toras, excesso que parece ser justificado pelo temor ao vandalismo e pela falta de manutenção dos equipamentos. Por outro lado, a falta de cuidado com a especificação dos brinquedos e com a sua produção, instalação e manutenção, é temerária. Os espaços públicos não são cuidados, talvez por uma confiança excessiva de os materiais vão durar e que as pessoas vão entender as meias-especificações, e isso dura até que se chegue a um estado de deterioração além do aceitável. Os brinquedos só recebem manutenção quando oferecem riscos indevidos às crianças.

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“Amabilidade” Os brinquedos e o espaço de brincar em São Paulo têm um ideal e um projeto que protegem excessivamente as crianças evitando que elas se machuquem e que convivam com adultos. A experiência de contato com os adultos é importante para que elas não extrapolem e tenham bons exemplos dos pais e responsáveis. As crianças mais velhas são tratadas como se fossem mais frágeis do que são e as proteções excessivas fazem com que elas não se dêem conta de que uma forma desmedida de agir pode ser prejudicial. As crianças pequenas começam seu aprendizado tentando imitar os pais e as pessoas ao seu redor. Ao imitar “Liberalidade” Essa virtude diz a respeito a dar ou receber riquezas. Os brinquedos de tora de madeira não são muito trabalhados e possuem problemas não resolvidos. Um deles é a presença de parafusos externos. Para resolver esta questão, a solução paliativa encontrada foi a colocação de protetores de plástico nos parafusos para escondê-los, ao invés de repensar o projeto do brinquedo de forma que os parafusos não fiquem aparentes e ofereçam riscos às crianças. Além disso, os protetores têm durabilidade insatisfatória por serem de um material pouco resistente. Nos espaços de brincar, as crianças geralmente ficam restritas e não tem liberdade de conhecer o parque como

repetidamente a ação torna-se hábito, e assim ela pode ser internalizada. Ao ficarem encerradas no playground, elas perdem a possibilidade de ver bons exemplos dos adultos que estão no parque. Além disso, num ambiente onde está demasiadamente protegida ela ainda perde a possibilidade de adquirir a noção de que liberdade e autonomia estão ligadas à responsabilidade. Por outro lado, a falta de cuidado com as especificações dos brinquedos e com a sua produção coloca em risco a qualidade do produto final e por conseqüência a segurança das crianças. A especificação dos materiais feita de forma, algumas vezes relapsa, permite que seja escolhido um material de pior qualidade.

um todo de forma autônoma, sem depender dos pais. Ela é privada de conhecer o parque guiado por sua curiosidade e interesse. Com isso, a criança não pode se desafiar e passar os obstáculos do parque e enfrentar conflitos sem o controle e intervenção dos pais.

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“Espirituosidade” Nos parques públicos de São Paulo os espaços de brincar são rústicos e as formas dos brinquedos têm a intenção de remeter as árvores, como se a brincadeira acontecesse num ambiente natural sem interferência humana. Para a isso, os materiais não são muito trabalhados, e as formas são duras e sérias, e se aproximam menos da arte. As formas não são nenhum pouco divertidas. “Justiça” Se pensarmos em justiça distributiva, é justo que o espaço destinado às crianças em um parque seja menor do que o espaço destinado aos adultos, e que estes tenham espaços públicos exclusivos, uma vez que as crianças, por não terem domínio completo sobre o corpo podem trazer conflitos que não se referem aos adultos. Na cidade de São Paulo, o perigo das ruas para as crianças não permite nem que elas fiquem próximas as redondezas de suas casas. Elas podem brincar encerradas nos prédios com as outras crianças que moram em seu condomínio, mas isso não é um espaço público. O ambiente do condomínio costuma ser homogêneo e as crianças têm um padrão de vida semelhante. Já num espaço público, mais heterogêneo socialmente, elas estão mais sujeitas a aprenderem a lidar e serem justos com as diferenças. Os brinquedos são distribuídos nos parques de São Paulo de acordo com as atividades e interesses. O balanço é o brinquedo mais requisitado dos parquinhos junto com o tanque de areia, e é o brinquedo mais freqüente nos

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parquinhos infantis. Porém, nesses parquinhos há poucos brinquedos que possam ser de interesse das crianças mais velhas. O espaço destinado às crianças brincarem no parque é limitado e elas ficam excluídas do resto do parque. Esse encerramento da criança em determinado lugar não possi-

O belo

bilita que a ela explore o espaço do parque e tenha interesse de olhar através de diferentes pontos de vista e nem desenvolver sua autonomia, ao não tomar conta de si e depender do comando dos pais. Se pensarmos nos espaços e objetos dos parques de São Paulo destinados as crianças mais velhas percebemos a injustiça de suas características. Estas já têm um domínio maior do corpo e o que os brinquedos oferecem é menos interessante do que explorar o espaço e dentro da divisão do espaço entre crianças e adultos elas ficam sem espaço, ou com um espaço que não lhe apresenta muito interesse.

Do ponto de vista do belo, os brinquedos e espaços de brincar são feios. A maioria dos espaços não apresenta uma ordenação muito clara e há uma dificuldade de entender a ordem estabelecida e o motivo pelo qual cada parte está em determinado local. O número de brinquedos no parquinho às vezes é excessivo, e é difícil entender a variação do brinquedos e de sua disposição no espaço. Além de feios são maltratados. Um grande problema desses espaços de brincar é a falta de manutenção e muitos brinquedos ficam quebrados, lascados, enferrujados, oferecendo um risco de acidentes às crianças. O agradável Os espaços de brincar ficam na maioria das vezes em descampados ou clareiras, com piso em areia. Apresentam um aspecto seco e durante dias de muito sol o espaço torna-se desagradável. Os brinquedos não tem uma estética agradável. O Útil Os brinquedos são utilizados para o divertimento e desenvolvimento motor da criança. Cada um deles exercita e a cognição da criança de uma forma diferente.

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Referências de espaços para brincar Projetos Internacionais

Para os parques internacionais fica difícil de analisá-los de uma maneira mais aprofundada segundo a perspectiva do bom e do agradável, pois as fotos e informações obtidas dos espaços não foram suficientes (somente a “Granja de La Infancia” foi visitado). Desta maneira, as referências abaixo listadas, de parques e brinquedos internacionais, servirão como guia de idéias e propostas interessantes, a partir da observação de algumas relações construídas nos diversos parques cuja apreensão foi possível. Em relação à perspectiva estética, na maioria dos parques apresentados as medidas e a disposição dos espaços parecem harmônicas e inteligíveis.

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Granja de La Infancia Rosário, Argentina Paula Fierro A Granja de La Infancia é um espaço público destinado às crianças. Faz parte do projeto pedagógico da cidade de Rosário Triplice de la Infancia , formado por três parques infantis cada um com um foco de ação diferente. Os três lugares foram implantados em pontos da cidade da cidade a serem recuperados. A Granja de La Infancia foi projetada sobre o espaço do antigo lixão da cidade de Rosário. O projeto foi desenvolvido baseado numa pesquisa do que as crianças queriam no espaço de brincar. A proposta do parque é que a partir de elementos naturais 1

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fotos da autora

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e artísticos a criança descubra e experimente o espaço através dos sentidos. A distinção dos ambientes do parque foi obtida através da criação de morrotes, que dividem os espaços. A criança pode se esconder, se perder e se encontrar ao longo do parque. Os espaços para brincadeira são diferentes, e em cada um há apenas um brinquedo. Entre os espaços para brincadeira encontra-se no parque um labirinto (fig.1), uma espiral (fig.4) e um anfiteatro (fig.7), entre outros brinquedos. O labirinto é formado por planos de concreto  pintados de branco,  de altura e largura diferentes,  e é possível distinguir claramente as formas que o compõe. A espiral fica no meio do bosque e acompanha um desnível existente na granja. Ela é feita de toras de madeira a qual a altura aumenta a medida que se aproxima a parte central da espiral.  Há um canal de águas fluviais (fig.5), no qual as crianças entram em contato com a água e avistam animais aquáticos. O anfiteatro fica em um morro que cria o limite do parque, e é formado por bancos de concreto e madeira que se apóiam no morro que fica no limite do terreno. A partir do alto do anfiteatro é possível ter uma visão maior da dimensão do parque e da rua. Os limites que dão acesso as vias públicas são estabelecidos por morros de terra. Próximo as entradas há um gradil, com um grande portal. Após a construção do parque e  o seu uso pelas crianças alguns problemas no projeto original foram encontrados. Como por exemplo, na espiral que se desenvolve no talude, que antes começava com uma altura baixa, que ia  aumentado até o seu centro. Com o uso percebeu-se que as crianças brincavam não apenas dentro da espiral, mas também brincavam de andar sobre ela, o que oferecia riscos consideráveis às crianças.  O brinquedo original foi então alterado para que não houvesse mais este problema. Outro brinquedo que foi alterado pela utilização das crianças foi a casa da árvore (fig.3), que era uma plataforma aberta suspensa. As crianças não se contentavam em subir apenas na casa de árvore e subiam acima da plataforma, na própria árvore. Para que as crianças não corressem o risco de cair subindo ainda mais na árvore, as casas ganharam paredes e teto.

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Plaza Nicaragua

A Plaza Nicarágua é dividida em três partes: uma com desnível (fig.2 e 5), uma parte plana (fig.3) e um tanque de areia para crianças mais novas (fig.6). As partes com desnível e a plana estão interligadas e todo o parque é disponível para brincadeira. Os diferentes espaços proporcionam a movimentação das crianças de uma forma livre, onde a brincadeira define a ocupação do espaço. Os espaços interligados se caracterizam por não serem exclusivos às crianças. Os adultos e adolescentes também podem ocupá-lo. As crianças observam como os adultos e adolescente utilizam o espaço e podem ser advertidas por eles. A parte plana é no centro da praça e há bancos cerceando esta região. O espaço é livre, sem obstáculos e impedimentos, e, desta maneira, não tem um uso prédeterminado. Esta configuração permite diversas brincadeiras coletivas, assim como o uso de brinquedos como bicicleta e patins. Google Earth

Montcart i Reixac, Espanha Eva Prats & Ricardo Flores

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Alex Garcia

Google street view

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Alex Garcia

Alex Garcia

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A parte com desnível apresenta diversos caminhos que se interligam entre si, com a parte plana central e o entorno da praça. Há diferentes possibilidades de transposição do ponto mais alto para o ponto mais baixo do talude, como a rampa, a escada e o escorregador. A transposição é um elemento de grande importância, pois é o que estabelece a relação entre diferentes espaços e possibilita um maior entendimento deste como um todo, ao colocar a criança em diversos pontos de vistas de alturas e localidades. Ao se movimentarem pelo espaço as crianças ampliam a percepção geral do mesmo, o que ajuda no desenvolvimento da capacidade de se colocarem no lugar das outras pessoas. O tanque de areia fica na parte mais baixa e isolada. Este espaço possibilita as crianças a lidarem com situações físicas que sugerem o efeito de causa e conseqüência. O tanque de areia é um espaço de grande aprendizado para a criança, independente da idade, e de grande interesse para ela, pois nesse espaço pode tentar conformar o mundo segundo as suas idéias, ou representar coisas do cotidiano e suas fantasias. Os brinquedos e espaços são simples e feitos com materiais que resistem à ação do tempo. Os caminhos para transposições são de concreto aparente ou revestidos de azulejos com cores vivas (azul, amarelo, vermelho e verde). Essas transposições se integram ao espaço mas se apresentam claramente como objeto construído. É um projeto corajoso por permitir que a criança possa exercer sua autonomia e utilizar o espaço da praça como um todo.


Parc de Sceaux

Google Earth

Atelier Launay

Paris, França Atelier de Launay

Atelier Launay

Atelier Launay

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O parque apresenta diferentes espaços adaptados às fases da infância, nos quais são passadas noções de arte, história e paisagem. Em todos os brinquedos trabalha-se tanto com a percepção visual como tátil. Além disso, em todos há algum objeto ou espaço (ex: poltronas e mirantes) no qual é possível para a criança observar o entorno do espaço de brincar e o que acontece ao seu redor. Na interação da criança com os brinquedos a paisagem ao redor ganha grande valor, pois também passa ser objeto de observação. Todos os brinquedos utilizam a madeira e o aço como matéria prima. O primeiro espaço, para crianças mais novas, possui brinquedos-esculturas de madeira, que criam possibilidades de subir e descer com diferentes níveis de dificuldade. As crianças se relacionam com as esculturas de uma forma tátil e a brincadeira pode ocorrer sobre a escultura e ao seu redor. Devido a fato das estruturas serem opacas, as crianças também podem brincar de se esconder entre os brinquedos. O segundo espaço (fig.8), para crianças um pouco mais velhas, lembra uma sala, com uma espécie de tablado circular com redes ao centro, e em seu entorno poltronas de madeira dispostas radialmente em relação ao tablado com uma mesma distancia entre elas. As poltronas ficam viradas para fora. As atividades nesse espaço podem ser movimentadas, quando há a presença de mais crianças, ou calmas, pois os móveis virados para fora do centro convidam as crianças a contemplarem o que acontece ao redor do espaço de brincar. A mesa com rede convida a criança a ter um momento de relaxamento. O terceiro espaço (fig.9), para crianças de aproximadamente sete a nove anos, possui planos formados por blocos de madeira que lembram livros. Os blocos apresentam diferentes dimensões e posições variadas. Com isso, cria-se uma espécie de labirinto que proporciona uma brincadeira de esconde-esconde e os planos escaláveis possibilitam uma visão mais ampla do espaço. O quarto espaço (fig.4), para crianças mais velhas, possui um brinquedo conhecido no Brasil: uma torre com escorregador, saída de bombeiros e área para escalar, para acessar a parte superior do brinquedo. O que diferencia este espaço das áreas de brincar existentes no Brasil é que ele possui apenas um brinquedo, mas suas dimensões são maiores. A altura é mais desafiadora do que os brinquedos que temos em São Paulo, sem necessariamente comprometer a segurança das crianças. O brinquedo possui dois espaços contrastantes, que proporcionam diferentes estímulos visuais às crianças: um espaço no alto da torre, aberto e claro, que amplia o campo de visão da criança e permite com que ela tenha uma visão do entorno, e outro espaço no nível do solo, sombreado, escuro e fechado.

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Jardin des dunes (La Villette)

google earth

Paris, França Isabele Devin & Catherine Rannou

O Le Dragon é um brinquedo que se encontra no parque La Villette, próximo ao encontro de dois rios, um que cruza o parque e o outro que determina um dos limites do parque (fig.5). O brinquedo é uma monumental escultura no meio de um bosque na forma de

A. Legrain

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Le Dragon (La Villette)

Ursula Kurz 6

Ursula Kurz

flickr loneseb

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3 O Jardin dês Dunes em La Villette é formado por um terreno artificial com ondulações alternadas de dimensões regulares, como uma malha de ondas (ver figura 2). O relevo cria divisões no espaço e a transposição entre divisões é possível através de alguns elementos como cordas, barras e tubos. Há uma ordem muito clara de disposição dos brinquedos formada pela malha de ondas. As formas dos diferentes brinquedos de transposição são bem distintas e claras e proporcionais. A artificialidade dos morros é uma intervenção declarada do homem sobre o espaço, criando um cenário para brincadeira. São possíveis dois tipos de atividade na brincadeira, uma de transpor as dunas de diversas maneiras e outra de ficar no nicho formado pelas ondas. A configuração do parquinho proporciona às crianças um momento de desenvolvimento do domínio sobre os seus movimentos e sobre suarelação com o espaço. Alguns brinquedos trabalham com a relação de causa e efeito mostrando à criança que suas ações tem uma reação e outros brinquedos/objetos colocam a criança na posição de observador, fazendo com que ela apreenda a contemplar e observar o que está a sua volta ( ver figura 3).

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um dragão. Ele possui escadas e escorregadores e permite à criança brincar de escalar e se esconder nas partes do rabo e entre as patas do animal (ver figura8). Sua forma lúdica favorece ao acontecimento da brincadeira de faz de conta, no qual a criança cria representações de suas fantasias. Esta figura mítica desperta o interesse e olhar da criança. O dragão é um obstáculo que possibilita diferentes visuais: o que se vê de um lugar não se vê de outro lugar. Com isso, é necessário que se percorra o espaço em torno, sobre e embaixo do dragão para entendê-lo e contemplá-lo. É também interessante olhar dos diferentes pontos do brinquedo o seu entorno, com paisagens variadas. O brinquedo apresenta diferentes níveis de dificuldades, um escorregador maior e outro menor e desta forma inclui crianças de todas as idades sem criar conflitos. A criança maior se interessa pelo escorregador maior, mais desafiador, e a menor se satisfaz com o outro escorregador de menor proporção, pois é suficiente para experimentar a sensação provocada pelo escorregamento. Os dois escorregadores são acessados por duas escadas, uma ao lado da outra. Um deles, o menor, termina seu percurso próximo à escada de subida. Já o escorregador maior termina seu percurso para além dos limites do espaço do brinquedo, gerando um sentimento de surpresa para as crianças. (Ver figura 6)

Ursula Kurz

Paris, França Paso Double

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flickr paris best photos

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Playground Beleville Park

Carlon Gardens Playground

flickr bbonthebrink

O playground fica sobre um terreno acidentado e uma estrutura de madeira, que se assemelha a um barco, que define onde é o espaço de brincar (fig 9-10). O espaço propõe diferentes formas de transposição do espaço: barras de madeira cuja disposição parece um pouco aleatória; redes espacias(fig. 11); escorregador no talude (fig.12). O tablado de madeira tem recortes pequenos que permitem as crianças experimentarem diferentes formas de olhar (fig.13). E equipamentos que exploram os fenômenos acústicos (fig.13).

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Carla Gottegens, Ben Wrigley

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Este espaço, no parque Carlon, é formado por muros vermelhos e pretos paralelos de lâminas de concreto pré-moldado dispostos em uma planta quadrada de forma modulada (fig 12-14). Os muros têm uma altura variada e apresentam furos e passagens criando um labirinto. Duas plataformas cinza de metal e madeira estão inseridas nesse espaço possibilitando atividades complementares às do labirinto. O brinquedo foi feito com a preocupação de integrar o espaço de brincar ao espaço do museu que se encontra no parque utilizando uma linguagem escultórica.

Carla Gottegens, Ben Wrigley

Melbourne, Australia Taylor Cullity Lethlean Base paysagistes

Paris, França base paisagistes

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Carla Gottegens, Ben Wrigley

Base paysagistes

Base paysagistes

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Showa Memorial National Park-Play Structure Tokio, Japão Interplay Design & Manufacturing, Inc

Takino Suzuran Hills Park Hokkiaido, Japão Takano Landscape Planning Co

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O parque tem como proposta aproximar as crianças de estruturas construídas por diferentes animais. Suas estruturas tridimensionais seguem a lógica de construções naturais como a teia de aranha (fig. 5), túneis de formiga e outros tipos de túneis. Os brinquedos e cenários estão espalhados ao longo do parque, em ambientes abertos ou fechados. Essa variedade de estruturas dispersas incentiva uma postura curiosa e desbravadora da criança.

flickr Petitshoo

flickr Petitshoo

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Masaki Koizumi

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Takano Landscape Planning Co

qual com uma cor. As diferentes possibilidades de transposições das redes apresentam graus de dificuldade variados, possibilitando a brincadeira de crianças de todas as idades num mesmo lugar, fazendo com que elas aprendam a conviver com esta diversidade.

flickr Petitshoo

O brinquedo se encontra no parque Showa Memorial National Park. Ele tem uma forma de L e é constituído por um conjunto de redes quadrangulares que são presas ao chão e em postes dispostos de forma regular (fig.1-4). As redes têm seus vértices presos nos postes em diferentes alturas formando estruturas tridimensionais de distintos formatos. O conjunto possui quatro blocos de redes, cada

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Wooden Playthings

Tokio, Japão Atsugi Civil Engineering division & Tokio landscape O espaço para brincar fica em um parque, inserido de forma harmônica em um parque, inserido de forma harmônica em um bosque. Os brinquedos de madeira sem revestimentos se integram suavemente à paisagem. A disposição das árvores e dos brinquedos, assim como o relevo, cria considerável diversidade de cenários destinados às crianças, que possibilitam brincadeiras como o esconde-esconde. A visão obstruída pelas arvores desperta a curiosidade de se ver o que tem por trás delas. O escorregador também incorpora o relevo do terreno à brincadeira, pois se situa num desnível. (fig.6)

Akibadai Park Tokio, Japão Heads Co., Ltd

I Kanai

O espaço de brincar é formado por uma pirâmide de pedras, um grande escorregador metálico e um labirinto de morros artificiais de terra e pedra (fig.7-8). A pirâmide de pedra tem uma escala monumental e o escorregador inicia a descida no alto dela. A grande altura evidencia o contraste das dimensões e as diferenças visuais que se formam com o desnível. Os labirintos são baixos e escaláveis e desenvolvem as habilidades motoras das crianças.

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I Kanai

Kazuyuki Inoue Sakae. Co. Ltd.

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Birken III

The Climbclamberhangsitfootballcurtaintheatretube

Marktheidenfeld, Alemanha Robin Winoground

O brinquedo foi projetado para um pátio de uma escola infantil. Ele é formado por um tubo verde de 5 cm de diâmetro que está disposto em uma planta quadrada. Ele se desenvolve ao longo do pátio criando várias formas ao longo do caminho que possibilitam diferentes usos do espaço. O tubo começa desde fora do colégio anunciando a presença do brinquedo e se desenvolve ao longo do pátio (fig.7). São formados espaços para sentar, se pendurar, pular, escorregar e jogar bola. Por fim o tubo entra no auditório da escola formando um palco. (fig.4-6)

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Kaptein Roodnat

O pátio escolar tem sua forma definida pelos limites do terreno e os edifícios escolares. Esse terreno é formado por 3 patamares conectados por taludes de aproximadamente 1 metro de desnível. Os brinquedos tomam partido desse desnível; o escorregador traspõe o talude e os outros brinquedos foram instalados nestes patamares (fig.1-3). Os brinquedos são de madeira, aço ou pedra. A unidade do espaço se estabelece pelos diferentes elementos através de uma linguagem geométrica e do uso das cores e pela disposição deles no talude. Próximo ao edifício que apresenta uma forma de arco há uma área sem nenhum objeto.

Ypenburg, Holanda Kaptein Roodnat

Kai Lages, Hans Fuchs

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Kaptein Roodnat

Kaptein Roodnat

Kai Lages, Hans Fuchs

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PS244 Sound Playground New York, Estados Unidos Bill & Mary, Buchen Sonic Architecture

Este projeto é formado por dois playgrounds da escola Ps244 e brinquedos que exploram a música e os fenômenos acústicos. Um dos playgrounds, para crianças menores, é formado por uma série de tubos coloridos, dispostos de forma radial, entortados com diferentes curvaturas. Esse brinquedo permite às crianças se comunicarem através desses tubos ou brincarem com os obstáculos produzidos pelos mesmos. (fig.9-10) No outro playground foram dispostos ao longo do pátio tambores de bronze conectados a uma câmara subterrânea que permite que se ouça o som produzido pelos tambores de outros lugares do pátio. Outros tambores acompanhados por antenas parabólicas permitem a criança perceber o efeito da ampliação do som. O último tipo de brinquedo tem uma forma de uma espécie de palmeira feita por tubos de aço inoxidável, onde as crianças produzem sons percussivos ao tocar a extremidade mais baixa, com a possibilidade de sintonizar uma escala de sete notas diatônicas (fig.8).

Wall Holla

Purmerend, Holanda Carve

Sonicarchitecture

O brinquedo foi criado para um pátio escolar dividindo o limite do espaço de brincar com uma quadra. O projeto tirou partido da necessidade de colocar uma proteção para impedir que as bolas invadissem o parquinho. E foi feito um labirinto vertical encerrado com duas grades paralelas. O labirinto tem uma forma ondulada e são possíveis diversos percursos, devido as diferentes entradas em diferentes níveis. As grades são pretas enquanto os caminhos do labirinto são laranja. Do brinquedo pode-se ver tanto o que acontece na quadra como o que acon tras atividades e brincadeiras que não envolvem os brinquedos de playgrounds podendo haver ou não a presença de outros brinquedos como bolinha de gude. (fig.11)

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Milan Van Der Storm

Sonicarchitecture

Sonicarchitecture

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Local de implantação do projeto; Parque Lina e Paulo Raia


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Histórico do Bairro A região do atual bairro do Jabaquara era ocupada pelos viajantes que iam de São Paulo para Santo Amaro e Borda do Campo até o inicio do século XVII. A partir desta época começou a ser procurada por fazendeiros e sitiantes que estabeleceram no local comércio e cultivo agrícola. Até 1920 a ocupação deu-se de forma escassa, com chácaras mais características de um meio rural do que urbano. A região já era provida de um parque e meios de transporte, tanto o bonde como o trem passavam por lá e interligavam a cidade de São Paulo com Santo Amaro. O primeiro loteamento aconteceu por volta do final da década de 20, com a construção da estrada Washington Luis e a inauguração do aeroporto de congonhas em 1936. Em 1940 a construção da Paróquia São Judas Tadeu auxiliou na valorização das terras da região. Mas a região permaneceu praticamente desocupada até os anos 50. A valorização e o povoamento ocorreram com a implantação das estações de metrô Jabaquara (1968) e Conceição (1974) e com a inauguração do Terminal Rodoviário Intermunicipal Jabaquara (1977). Em 1973 São Paulo aderiu ao programa Comunidades Urbanas de Recuperação Acelerada – CURA, do Banco Nacional de Habitação. Quatro regiões foram indicadas, uma delas era o Jabaquara. O CURA tinha como proposta a reurbanização de áreas desapropriadas pelo metrô e visava reverter para o poder público os ganhos devido a valoriza-

entre o Aeroporto de Congonhas e a Rodovia dos Imigrantes, atingindo as estações Conceição e Jabaquara, chegando pela extensão da avenida Armando de Arruda Pereira até o Sitio da Ressaca e a Vila do Encontro. As intervenções feitas transformaram o bairro do Jabaquara em uma região de grande concentração populacional, formando uma nova centralidade irradiada a partir das estações de metrô. O CURA Jabaquara foi subdividido em quatro perímetros de reurbanização: o entorno da estação Conceição, as áreas próximas a estação Jabaquara, a área de reurbanização do Sítio da Ressaca e a Vila do Encontro. A região do entorno do metro Conceição conforma o entorno imediato do parque, portanto esta parte do projeto será mais detalhada. O CURA Conceição foi elaborado pela empresa PROMOM sob o comando do arquiteto Paulo Sérgio de Souza e Silva. O projeto previa a reestruturação do sistema viário, a implantação de uma praça junto ao metrô, um pequeno parque, um terminal de ônibus e empreendimentos comerciais e empresariais. Em 1981 o Grupo Itaú iniciou a investimento de seu centro empresarial. O projeto funde os espaços de acesso a uma praça de acesso ao metrô espaço público, praça de acesso ao metrô. Ao não cercar o edifício e liberar os térreos dos edifícios, cria uma relação mais amigável com o pedestre, no nível da praça de acesso ao metro não há a presença de automóveis. (fig.2-3)

ção imobiliária produzida pela sua implantação. A área de projeto do CURA Jabaquara se estendia ao longo de todo espigão ao sul da Avenida dos Bandeirantes,

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40 Google Earth

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Características físicas e de uso do parque

Parque Lina e Paulo Raia

O entorno do parque é formado pelo complexo do metro, o edifício da Volkswagen, da EMEI Laudo Ferreira de Camargo e edifícios residenciais. O fechamento do parque é determinado por grades verdes, sobre muretas de pedra ou concreto. As grades permitem a visão do que acontece no parque, mas a entrada só é feita através de três acessos. Os três acessos estão em ruas sem saída para carros. Dois na Rua Volkswagen, próximos 50 metros um do ou-

O Parque Público da Conceição foi instalado por volta de 1980 durante a reurbanização do entorno do metrô Conceição pelo programa Comunidades Urbanas de Re-

1. Parque Lina e Paulo Raia 2. Praça do metrô Conceição/Metrô Conceição 3. Av. Dr Hugo Beolchi 4.R. Volkswagen 5.R. Sargento Tomás de Medeiros 6. Complexo Itaú 7. EMEI Laudo Ferreira 8. Edificio Volksvagen

cuperação Acelerada – CURA, conduzido pelo EMURB. O Parque foi criado numa área na qual já existiam chacaras com uma vegetação vasta, e neste espaço haviam três casas as quais foram adaptadas para o funcionamento de uma Escola Municipal de Educação Artística – EMIA. Em 1994 o parque mudou de nome e passou a se chamar Parque Lina e Paulo Raia. A administração do parque é feita pela parceria pú-

tro, em frente ao complexo empresarial do Itaú e próximas a uma escadaria de acesso ao metrô. Um deles está a 45 metros da escadaria do metrô, e logo ao entrar no parque por este acesso, existe uma portaria e um playground. O segundo acesso da rua Volkswagen fica em frente à casa administrativa da EMIA. O terceiro acesso, do lado oposto aos demais, fica ao lado da EMEI Laudo Ferreira de Camargo, na Rua Sargento Tomás de Medeiros, que tem aspecto mais residencial. Ao entrar no parque por este acesso avista-se o segundo playground do parque e os fundos das edificações da EMIA.

blico-privado, da DEPAVE com o Banco Itaú. A função do banco é cuidar da segurança e da manutenção dos equipamentos existentes e da jardinagem do parque. A parceria foi feita por um contrato vitalício de compensação ambiental devido a construção do complexo empresarial que se situa ao lado do parque. O acordo de gestão compartilhada entrou em vigor em 2004. O orçamento que o banco dispõe ao fotos da autora

parque se refere aos gastos mensais do histórico do parque desde a oficialização do convênio. O banco interfere na administração a medida que a administração do parque registra as ocorrências, e cabe ao banco resolvê-las.

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1. acesso rua Volkswagen (administração)

entrada 2 - EMIA

2. acesso rua Volkswagen (casa principal do EMIA)

entrada 1 - EMIA

3. acesso na Rua Sargento Tomás de Medeiros

entrada 3 - EMIA

4. casa principal do EMIA (música e artes corporais)

R. Volkswagen - R. Sargento de Medeiros

mapa de vegetação

grama

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mapa de fluxos

vegetação de porte baixo (forrações) vegetação de porte médio (arbustos ou forrações) vegetação de porte alto (arbustos)

5. casa EMIA (artes plásticas) 6. casa EMIA (acervo) 7.administração do parque 8.orquidário

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TCUDORP LANOITACUDE KSEDOTUA NA YB DECUDORP

mapa de acessos edificações

TCUDORP LANOITACUDE KSEDOTUA NA YB DECUDORP

TCUDORP LANOITACUDE KSEDOTUA NA YB DECUDORP

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O parque de 15580m² apresenta uma grande variedade de percursos com diferentes visuais e espaços de dimenPRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

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TCUDORP LANOITACUDE KSEDOTUA NA YB DECUDORP

sões variadas que possibilitam diversas apropriações. O desenho do parque foi definido pela vegetação e pelas casas já existentes. A vegetação é formada por um bosque heterogêneo com espécies brasileiras e asiáticas. Ao todo existem por volta de 450 árvores de 70 diferentes espécies. Como consequência há uma grande variedade de pássaros habitando o parque. (ver planta de vegetação) O parque tem dois fluxos importantes de não-visitantes: a entrada dos alunos do Emia e a transposição da Rua Volksvagen para a rua Sargento Tomás de Medeiros. Os demais fluxos são de uso das pessoas que estão passeando no

área com mesas espaços livres espaços de estar PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

grounds (próximos à acessos do parque), uma área com me-

mapa pisos

sas (num canto do parque, isolado num platô) e trilhas para TCUDORP LANOITACUDE KSEDOTUA NA YB DECUDORP

playgrounds

três casas dispersas na região central do parque), dois play-

pedras

TCUDORP LANOITACUDE KSEDOTUA NA YB DECUDORP

caminhos

O programa do parque inclui a EMIA (composta de

TCUDORP LANOITACUDE KSEDOTUA NA YB DECUDORP

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mapa de usos

TCUDORP LANOITACUDE KSEDOTUA NA YB DECUDORP

TCUDORP LANOITACUDE KSEDOTUA NA YB D TE CC UU DD OO RR PPLANOITACUDE KSEDOTUA NA YB DECUDORP

TCUDORP LANOITACUDE KSEDOTUA NA YB D TE CC UU DD OO RR PPLANOITACUDE KSEDOTUA NA YB DECUDORP

parque. (ver mapa de fluxos)

caminhada.( ver mapa de usos)

mosaico português terra concreto areia

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As três casas têm uma localização central do parque, duas mais próximas e outra perto de um canto do parque(fig.1-3) É possível dar a volta em torno delas. As casas foram construídas antes do parque e faziam parte de chácaras desapropriadas. As duas casas que estão mais próximas apresentam uma fachada recortada, formando nichos 1

ao longo do entorno que tornam aprazível o passeio por trás

4

delas. As trilhas e caminhos interligam todo o parque de forma que não é necessário fazer o mesmo caminho para ir

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e voltar. Essa continuidade é interessante porque não gera

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becos sem saídas e espaços residuais. Há uma diversidade de nichos ao longo desses caminhos que apresentam dimensões diferentes, desde espaços pequenos para um casal ficar

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junto; como mais amplos onde podem acontecer reuniões

2

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e diferentes atividades. Ao longo destes caminhos existem alguns espaços de brincar. Há um espaço com mesas que pode se destinar a pi-

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queniques no parque, mas mesa não tem um uso determi7 N

nado, e possibilita atividades que necessitam de uma mesa,

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podendo ser utilizada para a alimentação, jogos e estudo e também simplesmente estar. Esse espaço fica isolado co-

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nectando-se com o parque por uma ponte e uma escada o

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que da uma sensação de ser reservado. Este aspecto torna o

fotos da autora

lugar atrativo para os adolescentes. (fig.4)

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Há um vale no parque (fig.7), com um piso de areia, como nos parquinhos, apresenta uma grande extensão este também é utilizado como espaço de brincar, crianças utilizam esse espaço para brincar com bola. Essa parte do parque apesar do piso de areia e suas grandes dimensões sem O parque tem dois espaços de brincar diferentes, próximos as entradas (talvez para facilitar os pais ao buscarem as crianças após as aulas do EMIA). Os brinquedos são praticamente os mesmos encontrados nos outros parques visitados. O piso é de areia. O parquinho menor fica em uma área sombreada, com árvores entre os brinquedos, o que em um dia de sol tornam mais aprazível a brincadeira (fig.5), o outro parquinho fica mais árido pela falta de sombra (fig.6). Os dois parquinhos se distinguem de leve pela dificuldade dos brinquedos, os brinquedos no parquinho maior parecem se destinar mais as crianças mais velhas, porém o uso não se distingue por faixas etárias (talvez para que a família permaneça em apenas um lugar), assim há crianças de diferentes faixas etárias utilizam o mesmo espaço. As crianças e os adultos procuram ficar próxima a sombra, dessa forma um dos parquinhos passa bastante tempo com muitos dos brinquedos vazios. Muitas crianças nem utilizam os brinquedos disponíveis no parque para brincar com a areia, e nessa brincadeira acabam percorrendo o parque em busca de água, mesmo ela não fazendo parte dos brinquedos

a presença de arvore ao longo dessa área, por estar em uma região que se conforma como um vale e as árvores do entorno estarem bem desenvolvidas o espaço fica menos árido. O público do parque é formado pelas crianças que freqüentam a Escola Municipal de Iniciação Artística (EMIA), os alunos da EMEI (que se encontra ao lado do parque), os executivos (que trabalham nos centros empresarias que ficam na proximidade) e os moradores das proximidades do parque. Os alunos da EMIA utilizam o parque nas atividades da escola e os parquinhos infantis. Os alunos da EMEI utilizam o parque dessa forma, os adolescentes que estudam nas proximidades utilizam o espaço do parque como ponto de encontro. Muitos casais freqüentam o parque para namorar. E os trabalhadores vão ao parque para descansar ou passear durante o período do almoço. O uso do parque de fim de semana se difere muito do uso durante a semana em dias de semana há um uso maior dos trabalhadores que não cria o clima familiar do uso dos parques durante os fins de semana, cujo uso principal é levar as crianças ao parque. Os adolescentes preferem as praças do metrô e do Centro empresarial do Banco do Itaú.

a água faz parte da brincadeira. O balanço é o brinquedo mais utilizado no parque maior. As crianças percorrem o parque todo com os pais e algumas crianças mais velhas sem a presença dos pais, há um sentimento de segurança dentro do parque.

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Justificativa da escolha do parque

O parque é pequeno e destinado a população que freqüenta a região. Portanto quem freqüenta o parque são os moradores do bairro e as pessoas que trabalham no entorno. Esta situação favorece que as pessoas do bairro se conheçam ao menos de vista, o que faz com que o espaço seja A escolha do local não foi definida a partir de uma necessidade de recuperação do espaço e sim da necessidade de que o espaço tivesse uma série de qualidades que fossem favoráveis a uma atitude virtuosa. O local escolhido foi o parque Lina e Paulo Raia. Este parque apresenta um entorno heterogêneo com diferentes

mais seguro e mais amistoso. As crianças se sentem seguras de percorrer o parque sem acompanhamento. O espaço do parque tem uma vegetação densa e um desnível irregular que formam alguns vazios diferentes, proporcionando uma variação grande da paisagem e possibilitando várias experiências com relação ao espaço.

usos, que gera um movimento de pessoas na rua. Este movimento torna o ambiente mais seguro. As ruas que dão acesso ao parque não tem uma movimentação grande de carros por serem sem saída, mas o parque é bem acessível, próximo a uma grande via. Com isso, o acesso de pedestres é mais agradável e cria uma situação favorável ao uso do parque pelas pessoas que moram próximas. A circulação feita pelos pedestres estabelece um contato muito maior com a rua do que a circulação de carros, tanto pela questão da velocidade quanto pelo contato direto das pessoas com o meio. Dentro do parque encontra-se uma EMIA e ao seu lado há uma EMEI, o que torna freqüente a presença de crianças nas proximidades, o que justifica os espaços de brincar no parque.

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Projeto dos espaรงos de brincar e brinquedos para o Parque Lina e Paulo Raia


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Proposta dos espaços de brincar

A criança precisa aprender a se localizar no espaço, ter domínio sobre o corpo e a conviver de uma forma virtuosa com as pessoas e o espaço do parque. Pensando na brin-

Este projeto mantém as estruturas existentes no par-

cadeira como a descoberta do espaço, é interessante que a

Com relação à qualidade do objeto, os brinquedos

criança possa ver o parque a partir de diferentes pontos de

apresentam estruturas independentes, que não se apóiam

vista para conseguir uma percepção do espaço como um

em outras estruturas. Os materiais escolhidos foram aço,

todo. Ao experimentar os diversos espaços do parque, seus

concreto, madeira, cordas e plástico. Houve uma preocupa-

brinquedos e seus percursos, a criança reflete de que forma

ção com a escolha dos materiais, para que fossem duráveis

utilizará os brinquedos e os espaços de brincar, desenvol-

e assim não houvesse uma necessidade de troca freqüente.

vendo sua capacidade de cuidar de si e tomar decisões, por

Foi levada em conta a facilidade de reposição dos materiais

menores que sejam.

de durabilidade menor.

que: a vegetação, os pisos de pedra e mosaico português, as

Os brinquedos não são temáticos e apresentam difi-

Buscou-se um uso racional dos materiais, que elimi-

áreas de estar, as áreas com mesas, os bancos ao longo do

culdades que demandam da criança uma postura ativa na

nasse ao máximo o desperdício. Para isso foram desenvol-

parque, as três casas. Somente foram alterados os espaços

brincadeira. A criança necessita transformar o brinquedo

vidos objetos que pudessem ser pré-fabricados, garantindo

de brincar existentes e o vale e alguns elementos foram in-

a partir da sua imaginação para definir o seu uso. Os brin-

um padrão de acabamento. Um exemplo foi a criação de

seridos ao longo dos caminhos. Esta alteração na forma de

quedos criam dificuldades, que propõe à criança uma pos-

uma família de módulos de concreto pré-moldado que fo-

uso do parque para a brincadeira afeta o parque como um

tura observadora, curiosa, cuidadosa, calma, equilibrada,

ram utilizados em vários pontos do parque. O parque não

todo.

coordenada e criativa.

comporta um maquinário com dimensões grandes, fato que

O projeto para o parque consiste em três áreas prin-

Para um objeto se tornar um exemplo com relação

também justifica a opção pelos brinquedos pré-fabricados.

cipais para que nestes espaços ocorram as brincadeiras com

às virtudes, este deve ser bem feito, ter uma forma clara e

Os brinquedos são de fácil montagem e manutenção.

lugar definido: o Vale, Praça de areia e água e o Praça das

inteligível e estar bem relacionado com o meio onde se en-

Eles apresentam formas geométricas e de fácil entendimen-

árvores; que são interligados por trilhas-brinquedos criadas

contra e com as pessoas que se relacionam com ele (quem

to. Somente o brinquedo de cordas apresenta uma comple-

para uma brincadeira de passagem e exploração dos espa-

constrói, quem cuida e quem usa).

xidade maior.

ços do parque. O projeto do espaço de brincar foi uma oportunidade de reflexão de como os objetos (neste caso, os brinquedos) podem auxiliar no aprendizado das virtudes. Os brinquedos foram definidos a partir da idéia de que deveriam ser eles próprios um exemplo das virtudes e, além disso, incentivassem as crianças a desenvolverem uma postura virtuosa de maneira prazerosa.

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ÁREA DE INTERVENÇÃO/ “BRINQUEDOS” trilha

tanque de areia

brinquedos com cordas

escorregador

barras

mirante

jatos de água

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1. Conexões

2.Praça de Areia e Água

3.Praça das Árvores

4.Vale


LEGENDA 1

1. Conexões 2.Praça de Areia e Água 3.Praça das Árvores 4.Vale

3

1 1

1

1 2 1 4

ESCALA 1:700 N

53


Claudia Bresciani

maquete eletr么nica vista a茅rea do parque 1

54


Claudia Bresciani

maquete eletr么nica vista a茅rea do parque 2

55


56


Áreas de intervenção Praça das Árvores

Trilhas

Praça de areia e água

Vale

57


58


Trilhas

Ao determinar mais de um espaço destinado à brincadeira, pareceu necessário estabelecer uma conexão entre estes diferentes espaços. Esta ligação proporciona a exploração do espaço do parque pelas crianças, que neste percurso desenvolvem o domínio sobre seu corpo e sobre o próprio espaço. Por este motivo, pareceu importante pensar de que forma será feito o passeio da criança por todo o parque, pois outras pessoas utilizam os caminhos do parque e devem ser respeitadas. Foram criadas trilhas de cilindros e muretas de concreto com diferentes alturas e distâncias. Nestes percursos a proposta é trabalhar o equilíbrio, a atenção e a calma da criança, pois neles o passo é desautomatizado e é preciso pensar em cada movimento examinando as distâncias e alturas dos diferentes cilindros e muretas. As trilhas foram pensadas para locais gramados, onde a vegetação é menos densa.

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60 D EMIA 2

escala 1:100

ampliação trilhas 1 e 2

A

C

tril

ha2

EMIA 3

enrada/administração orquidário

trilha1

N

B


B_ elevação trilha2 cortes C e D pág 78

orquidário

escala 1:100

EMIA 3

EMIA 2

A _ elevação trilha 1

orquidário

EMIA 3

enrada/administração

Trilhas

escala 1:100

61


entrada1 EMIA 3 trilha

3

B

A

entra

da1

trilha 4

EMIA 2

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trilha 5

62

ampliação trilhas 3,4 e 5 escala 1:200

N

EMIA 1


enttrada 3

E _ corte trilha 3

B_ elevação trilha4

entrada1 escala 1:100

EMIA 3

entrada 2

Trilhas

escala 1:100

63


tril

ha

7

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de

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ampliação Praça de Areia e Água escala 1:100

6

N

tril

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64 es

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Praça de Areia e Água

Esta praça foi pensada para uma faixa etária não definida; é um espaço para todas as idades brincarem. A areia e a água são elementos naturais que inspiram a todos. O espaço é versátil, formado por jatos d’água, que podem estar ou não ligados, e tanques de areia, que podem estar abertos ou fechados. A praça, apesar de aberta e ampla, apresenta alguns nichos formados por bancos que podem servir para uma reunião de amigos, assim como uma brincadeira. A idéia do espaço de brincar com areia e água surgiu ao ver o interesse das crianças em brincadeiras com estes dois elementos. A areia e a água proporcionam juntas possibilidades de criação de esculturas, na qual a criança exercita sua criatividade. O local definido para implantação desta espécie de praça foi o espaço onde se encontra atualmente o playground para crianças maiores. Este espaço é ensolarado e o uso do playground fica restrito à sua periferia, onde as crianças e pais procuram se acobertar nas sombras, muitas vezes brincando com areia e água. Com estas características esta região pareceu ser o melhor local para se implantar brinquedos com água. A conformação como praça foi definida pelo caráter plano do local pela ausência de obstáculos e devido à proximidade da rua.  

65


66


Praça de Areia e Água

Claudia Bresciani

maquete eletrônica da Praça de Areia e Água

67


Claudia Bresciani

maquete eletrônica da Praça das Árvores

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Praça das Árvores

As crianças menores sentem-se mais seguras ao estarem em um lugar onde elas têm um domínio maior do espaço e a certeza da presença dos pais. O local escolhido para este playground, destinado a crianças de até seis anos, foi a área do parquinho já existente próximo a saída da Rua Volkswagen. O playground projetado é formado por um brinquedo principal, de cordas, caminhos de cilindros, tanque de areia e um escorregador no talude. O tanque de areia foi posto neste espaço para delimitar o lugar para a brincadeira com areia, visto que todo o piso do local já é a areia. Blocos de concreto na forma de bancos podem ser utilizados como elemento da brincadeira, criando obstáculos e uma conexão entre o brinquedo de cordas e o tanque de areia. As árvores também são obstáculos que podem fazer parte da brincadeira e a disposição dos brinquedos favorece este diálogo com elas.

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esc orre gad or

trilha

8

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A

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ampliação Praça das Árvores escala 1:100

70

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adm

traç inis

ão


entrada 1/ administração

Praça das Árvores

e

bancos

A_ corte Praça das Árvores

o sc

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casa de cordas

escala 1:100

71


es c ex

mirante 2

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bancos

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ampliação Vale

escala 1:200

ga

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da

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Pra

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escor regad or

miran te 1

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trilha sobre pedrisco da e

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72 com a ad en ist dr

esca

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espaços mesas a qu e ad

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ponte existe nte

entrada 2

da

escada de concreto

ca

pedras es

EMIA 1

ente


Vale É um lugar que tem um lugar vazio de onde se consegue ver a vegetação, mas o espaço é pouco utilizado por conta da dificuldade de acesso e devido à falta de lugares para sentar. Para facilitar o acesso foram propostas duas escadas que ligam o vale ao parque em lugares próximos a entradas do parque. Para o acesso também foram pensados em mirantes e escorregadores. Os mirantes possibilitam as pessoas olharem o vale de ângulos distintos e os escorregadores são formas de acessos fácil e rápido ao vale. A idéia é que no vale em si haja poucos elementos: uma delimitação de espaço para jogos com bola, um brinquedo de cordas que possibilite admirar este lugar do

quadra de barras

A_ elevação Vale

Praça de Areiae Água

rre

a6

co

esc

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es

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ga

do

gad

r

or

mirante

Entrada 2

parque e uma trilha sobre o pedrisco.

teia de aranha

escala 1:200

73


ampliação Vale_ mirantes årea com mesas

escala 1:100 trilh

isco

A

mirante 2

esc

caminho existente

A

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mirante 1

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A

A escorregador B

74


mirante 2

mirante 1

Vale

ponte existente

trilha sobre pedrisco

75


Claudia Bresciani

maquete eletrônica do Vale e da Praça de Areia e Água

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Claudia Bresciani

maquete eletr么nica brinquedo teia de aranha e escorregador

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78


Brinquedos trilha

tanque de areia

brinquedos com cordas

escorregador

quadra de barras

mirante

jatos de รกgua

79


cilindros de concreto

C_ corte trilha 1

escala 1:40

C1_ malha-guia da disposição das peças de concreto trilha 1

escala 1:40

mureta de concreto cilindros de concreto

80

D_ elevação trilha2

escala 1:40

D1_ malha-guia da disposição das peças de concreto trilha 2

escala 1:40

planta com a indicação do corte C e D pág 58


Trilha cilindro 1

escala 1:10

cilindro 2

Como elementos de ligação entre as diferentes áreas de brincar do parque foram criadas trilhas com cilindros de concreto de dimensões alturas e afastamentos diferen-

cilindro 3

tes, criando uma nova forma de percorrer o parque com o desafio de pisar no lugar certo. Esse desafio demanda que a criança fique calma, atenta, segura e equilibrada. As trilhas são formadas por cilindros de concreto pré-moldado com dimensões de 20, 30 e 40 centímetros de diâmetro e 30, 45, e 60 centímetros de altura respectivamente. As trilhas foram definidas sobre uma malha modular, na qual o módulo é o pé de uma criança de seis anos (18x6 cm). Estabeleceu-se uma distância máxima dos blocos de acordo com a passada máxima de uma criança sem que sem esta tenha que saltar. Os blocos nunca se encostam uns nos outros. Outro elemento criado para este percurso foram muretas de concreto pré-moldado com dimensões de 72x12x60cm ou 72x15x60cm. Elas foram definidas sobre a mesma malha modular dos cilindros (18x6 cm). Sua dimensão foi

mureta vista

mureta 1

mureta 2

definida a partir de uma necessidade construtiva: a possibilidade de ser carregada por duas pessoas durante sua implantação. Para estabilidade da peça foi desenvolvido um encaixe para os módulos e uma concretagem no local para fazer a liga entre módulos. Outros módulos de concreto foram criados para vários lugares do parque.

guia

mureta tanque de areia

banco 1

banco 2

81


Tanque de Areia Nos parques infantis o tanque de areia sempre foi um

O tanque de areia é uma caixa retangular formada

lugar de grande importância. No tanque de areia é onde a

por paredes de concreto pré-moldado com um módulo de

criança exerce a sua criatividade e tenta construir formas.

72 cm. Cobrem esta caixa dois decks, que deslizam sobre

A brincadeira com areia muitas vezes vem acompanhada da

trilhos paralelos do lado externo da caixa. Estes decks pos-

água para dar liga e facilitar a construção.

suem rodas em “U”, estrutura de aço e réguas de madeira.

A areia pode oferecer riscos de contaminação às

Duas muretas-banco de concreto pré-moldado interrom-

crianças. Portanto a manutenção e limpeza destes espaços

pem o movimento dos decks. Devido a sua estrutura robus-

são importantíssimas. Para o auxílio neste cuidado, neste

ta, o deck será pesado, e para ser deslizado de uma forma

projeto foi pensado um sistema de decks sobre rodas que

menos cansativa poderia ser desenvolvido um braço que se

pudessem cobrir a areia. Os decks têm a utilidade de pro-

encaixasse no deck e que facilitasse seu movimento, já que

teger a areia e ser um lugar para sentar, deitar, ler, descan-

os decks devem ser abertos e fechados todos os dias.

sar, para uma brincadeira mais calma ou ainda ser utilizado como palco. Movimentar os decks não faz parte da brincadeira e, para garantir isso, a idéia é travar o tanque com um

rodas em”U” de aço sobre trilho chapa de aço

deck

vigota de madeira 6X8 cm

rodas em”U”de sobre trilho

aço

sistema de fechaduras.

tanque de areia

82

A_ Corte transversaltanque de areia escala 1:40


mureta 3

rodas em”U” sobre trilho

fechadura

mureta-banco

deck

B_ Corte longitudinal tanque de areia tanque de areia piso de pedra 40x40cm

viga de aço em “L” 10x19cm

viga de aço em “T” 10x19cm

viga de aço em “L” 10x19cm

chapa de aço

vigota de madeira 6X8 cm

B

deck

escala 1:40

83

A


84


Brinquedos com Cordas

O parque tem dois tipos de brinquedos de cordas, para duas faixas etárias distintas no qual apresentam diferentes níveis de dificuldade. Nestes brinquedos o fato das cordas oscilarem demanda que a criança fique em um estado de calma, atenção e mantenha o corpo firme. Ao ser utilizado por mais de uma criança a desafio aumenta, pois oscilações são geradas por ambos. A presença da outra criança torna-se evidente no movimento das cordas, e para uma boa brincadeira deve-se levar em consideração a outra pessoa.

85


pilar de aço

rede

árvore

pilar de aço

pilar de aço

pilar de aço

cilindro de concreto

pilar de aço

rede palmeira

ba

nc

cilindro de concreto

o

pilar de aço

pilar de aço

rede

86

planta Casa de Cordas

escala 1:40


rede red

e

red

rede

e

cilindro de concreto

guarda corpo de aço

pilar de aço

pilar de aço

Casa de Cordas

O espaço no qual foi inserida a Casa de Cordas é intercalado por várias árvores de espécies variadas. Este brinquedo é formado por planos de redes de cordas ancorados em postes de aço. Duas árvores são envolvidas pelo brinquedo, que não se apóia nelas. Este brinquedo foi pensado para crianças mais novas e oferece o desafio do brinquedo de corda mas também se relaciona com as árvores e o meio onde se encontra.

elevação Casa de Cordas

escala 1:40

87


pilar de aço

arco de aço

arco de aço

pilar de aço

mirador de cordas

pilar de aço

cabo de aço revistido de corda de nylon

ram

88

elevação Teia de Aranha

pa

de

red

e

escala 1:40


Teia de Aranha pilar de aço

arco de aço pilar de aço

cabo de aço revistido de corda de nylon

mirador de cordas

rampa de rede

planta Teia de Aranha

escala 1:40

A Teia de Aranha é um brinquedo de cordas que foi

O brinquedo explora os desafios causados pelas osci-

projetado para o vale do parque. Ele é formado por uma

lações da corda e proporciona a criança uma diferente for-

trama de cordas que formam triângulos, quadrados, pen-

ma de ver o vale.

tágonos, hexágonos e octógonos. Dois arcos de aço e oito postes estruturam esta teia.

89


Praça de Areia e Água

es

rr co

e

d ga

or

vale

Vale

co

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camiho existente

mirante

es

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A_ Corte longitudinal escorregador-mirante

B_ Corte longitudinal escorregador-Praça

escorregador

90

a gu

e

ad

A escorregador escala 1:100

eia

aç Ar

Pr

Vale

camiho existente

vale

mirante

trilha 6

B

escala 1:100


Os escorregadores também foram pensados como

A parte escorregável dos escorregadores é de plástico.

elementos de ligação do parque. O escorregador provoca

Sua estrutura é composta de um trecho de entrada e um de

uma sensação de vertigem devido à velocidade. A escorre-

saída, e módulos de 2 metros fixados em pilares metálicos.

gada intensifica o contraste dos ambientes percorridos, que

O escorregador para as crianças mais novas é formado por

são vistos em um período muito curto de tempo.

uma peça única, e tem chegada e saída planas.

barra

trecho de entrada

degrau

m

u ód

lo

Praça de Areia e Água

Escorregador

estrutura de aço

Vale

trecho de saída

B_ Corte longitudinal escorregador

escala 1:40

91


92


Quadra de Barras

No vale foi definido um espaço destinado a jogos com bola, com um limite formado por barras de aço que podem ser utilizadas como gol ou tabela. As barras de aço determinam o limite da brincadeira de bola e, ao mesmo tempo, são um brinquedo. Foram criados três tipos de barra dobradas em U com dimensões 2x1 2x2 e 2x3 metros.

tabela

limite da quadra

trave

escala 1:40

93


A guarda corpo

guarda corpo

guarda corpo deck de madeira deck de madeira

B

estrutura de aรงo

guarda corpo

Planta do mirante

94

escala 1:40

A_ Corte transversal mirante

escala 1:40


Mirante Os mirantes foram criados para que se tenham espaços de parada na brincadeira É interessante que a criança seja incentivada a parar e olhar e perceber o que acontece a sua volta. O mirante é formado por uma estrutura de deck como a do tanque de areia, com diferenças decorridas da necessidade de apoiar a estrutura sobre pilares, e um guarda corpo,

guarda corpo

caminho existente

com barras verticais.

deck de madeira

Vale

estrutura de aço

B_ Corte longitudinal mirante

escala 1:40

95


ia are de que

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tan jatos de água

grelha

concreto perfurado

piso de pedra 40X40cm

96

ampliação jatos de água

escala 1:40


Jatos de Água

jato de água B

grelha

corte grelha/ jato de água escala 1:10

jato de água

grelha

concreto perfurado

concreto perfurado

O brinquedo com água consiste em uma série de jatos de água com inclinações para formar parábolas que se cruzam, criando uma série de obstáculos. A brincadeira pode ser tanto de se molhar como de tentar passar entre as águas sem se molhar. O objetivo de passar sem se molhar só será alcançado se a criança correr com cuidado. A água não pode ser desperdiçada e deve ser usada de forma criteriosa. A idéia é que se tenha o controle dos jatos ativos e de sua intensidade, que será exercido de acordo com o número de pessoas utilizando este espaço. Os jatos saem de grelhas metálicas circulares. A maior parte da água disparada deverá ser absorvida pelas mesmas grelhas, responsáveis pela drenagem do local. Parte da água é drenada através de furos no concreto e é absorvida pelo solo e outra parte é mandada para uma caixa para seu reuso

coletor de água

A_corte grelha/ jato de água

em atividades de limpeza do parque e irrigação das plantas..

escala 1:10

97


98


Desafios encontrados Outra dificuldade foi encontrar uma forma de adequar os brinquedos ao espaço, levando em consideração quem os montará, quem os manterá e quem os usará. Os decks dos tanques de areia são um exemplo disto. Eles foram projetados para que um adulto pudesse empurrá-los No desenvolvimento do projeto surgiram alguns desafios e problemas, alguns resolvidos e outros que necessitariam uma reflexão maior, no caso de uma execução do projeto. Com relação ao entendimento do lugar, o primeiro problema enfrentado foi a base do parque. As plantas obtidas não tinham informações essenciais, como as curvas de nível. As informações disponíveis das curvas de nível estavam erradas ou incompletas. Se o projeto fosse realmente implantado, um levantamento topográfico do parque todo seria necessário. As curvas de nível no atual projeto foram desenhadas a partir de um levantamento fotográfico e algumas medições. Com relação à vegetação, a planta deste projeto está pouco precisa. Grande parte das árvores foi locada a partir de uma base do parque encontrada no DEPAVE, e foi feita uma aferição a partir de visitas ao parque e do le-

sem ter que fazer um esforço muito grande e para que o movimento dos decks não fizesse parte da brincadeira. O brinquedo de cordas foi um objeto desafiador, devido à necessidade do entendimento do funcionamento do elemento flexível que toma forma de acordo com os pontos de fixação e ancoragem. O desenho apresentado necessitaria de uma verificação através de protótipos e programas de computador e cálculos estruturais que garantissem a estabilidade do brinquedo. Também não foi possível compreender e pensar quantas cordas seriam necessárias e como estas se entrelaçariam. Neste trabalho caberiam ainda diversos detalhamentos construtivos, como o da trava do deck no chão e de uma estrutura que se anexasse ao deck para que fosse possível empurrar o carrinho sem ter que abaixar, da forma com que as cordas seriam amarradas e como elas se entrelaçariam.

vantamento fotográfico. Outra dificuldade enfrentada foi causada pelas as limitações devido ao parque já ser um espaço consolidado, definido prioritariamente por uma vegetação densa sem muitas possibilidades de alteração. Com relação aos materiais e aspectos construtivos, houve uma experimentação de uma variedade de materiais nos brinquedos, que num projeto a ser executado exigiria um cuidado maior com cálculos estruturais no dimensionamento das peças e fundações.

99


100


Bibliografia PLATÃO. A República; [tradução Pietro Nasseti]. – 3ª Ed.

BARTALINI, Vladimir. Praças do Metrô: enredo, produ-

São Paulo: Martin Claret, 2000.

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O espaço de brincar no parque Lina e Paulo Raia  

Trabalho Final de Graduação de Flora Fernandez sob orientação de Cibele Haddad Taralli

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