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Janeiro 2014 Ano 7 nยบ14

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Folha Literรกria

Biblioteca da Escola Secundรกria Abel Salazar


O PRISIONEIRO DO CEÚ Carlos Ruiz Zafón Editora Planeta

Novidades

Estamos novamente na Barcelona de A Sombra do Vento, em 1957. Agora, os heróis desse aclamado romance, Daniel Sempere e Fermín, voltam a encontrar-se para uma aventura excitante que exigirá dos dois um esforço máximo para enfrentarem o maior desafio das suas vidas. Lá está, outra vez, a livraria Sempere, com o seu mundo de sombras e de livros misteriosos. Há uma personagem que os visita e que deixa antever um terrível segredo, enterrado há vinte anos, que vai revolver a vida de Daniel, pondo em causa todos os seus princípios morais e levando-o a enfrentar a sombra que cresce agora dentro de si, a mais perigosa. Temos, pois, uma nova narrativa que repete os condimentos do best-seller de Zafón: o feitiço da literatura, os enigmas que percorrem os dias da Barcelona de meados do século XX e o Cemitério dos Livros com todo o seu encantamento e maldição.

101 LUGARES PARA TER MEDO EM PORTUGAL Vanessa Fidalgo A Esfera dos Livros

Novidades Novidades

Os amantes de histórias sobre assombrações e forças sobrenaturais vão gostar deste livro que adquirimos na última Feira do Livro, tal foi a sua procura para consulta pelos nossos visitantes. A autora de Histórias de um Portugal assombrado investigou diferentes espaços de Portugal e desencantou mistérios e fenómenos inexplicáveis e maldições, revelando um país deveras “assustador”! Assim, associada a cada espaço, surge uma pequena história fruto da pesquisa da autora. O livro contém uma estruturação em sete capítulos – I. mistérios, coincidências assustadoras; II. superstições, encantamentos e maldições; III. fantasmas; IV. bruxarias; V. crimes; VI. sustos; VII. abismos. No final, há um índice de localidades para facilitar a consulta.

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A VIDA DE PI Yann Martel Edições Martel

Trata-se de uma viagem fantástica ao mundo da imaginação, e já adaptada ao cinema, num flime recentemente galardoado pela academia de Hollywood. Pi Patel é o filho de um administrador do jardim zoológico de Pondicherry, na Índia, e tem um dom: um conhecimento enciclopédico fora do comum sobre animais e uma visão da vida peculiar. Com 156 anos, emigra com a família para os EUA num navio cargueiro, juntamente com os habitantes do zoo. Mas dá-se um naufrágio logo no início da viagem. Perdido na imensidão do oceano Pacífico, num bote salva-vidas, Pi está acompanhado por uma hiena, um orangotango, uma zebra ferida e um tigre de Bengala. E então… a magia acontece… Publicado em mais de 40 países, A VIDA DE PI recebeu o Man booker Prize (2002).

LEITURAS ESCOLARES

MEU PÉ DE LARANJA LIMA José Mauro de Vasconcelos Dinapress

“ Pense bem, Zézé. Ele é novinho ainda. Vai ficar uma baita pé de laranja. Assim ele vai crescer junto com você. Vocês dois vão se entender como se fossem dois irmãos. Você viu o galho?(...) parece até um cavalinho feito para você montar”(Glória, a irmã). Desci adorando o meu pé de Laranja Lima. - Olhe (…) sempre quando puder, (…) eu venho dar uma palavrinha com você” (pp. 32 e 34). E assim, Zezé, um menino pobre, inteligente, sensível e carente, de seis anos, procura afeto e, não o encontrando na família, envereda por um mundo faz-de-conta, desabafando com o seu Pé de Laranja Lima, o Xururuca, e aprendendo sozinho, agindo como “ descobridor de coisas”. Finalmente, encanta-se com a amizade especial com o Portuga e vai des cobrindo as agruras da vida. Magia e poesia num só livro, seleção do PNL e da autoria de um brilhante escritor brasileiro já falecido. Propriedade da Biblioteca da Escola Secundária Abel Salazar

Redacção da Equipa da Biblioteca Colaboradores: funcionárias da Biblioteca Tiragem:100 exemplares

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GEORGE ORWELL

1984

Mil Folhas 25.Público

Esta obra-prima denunciou as mazelas do totalitarismo e tornou-se um dos mais influentes romances do século XX. De modo profético, George Orwell abordou temas relevantes como a quebra da privacidade, "Era um dia frio e luminoso de abril, e os relógios davam 13 horas." Assim começa um dos romances mais citados do século XX. A frase omite o ano da ação, mas isso seria redundante, pois ele dá nome à obra: 1984. Só a menção ao título desencadeia uma avalanche de associações mentais: comunismo, polícia política, nazi-fascismo, tortura... Winston, o herói, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel. O'Brien é quem explica a Winston que "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro". Trata-se de um romance que reúne como principais ingredientes atrativos - um homem sozinho desafiando uma ditadura; sexo furtivo e libertador; horrores letais. Algumas das ideias centrais do livro dão muito que pensar até hoje, como a contraditória Nova fala imposta pelo Partido para renomear as coisas, as instituições e o próprio mundo, manipulando ao infinito a realidade. Obra magistral, ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre os excessos delirantes, mas perfeitamente possíveis, de qualquer forma de poder incontestado, seja onde for.

Império Gore Vidal

O Império recria de forma brilhante uma época cheia de possibilidades e promessas, um período que viria a ser recordado como a idade de Ouro da América. Tudo se desenrola nos palcos da política e do jornalismo numa América de transição, na viragem do século XIX para o século XX. E, enquanto o país luta para definir o seu destino, a bela e ambiciosa Caroline luta para afirmar a sua própria personalidade. O livro mostra detalhadamente a classe alta e dirigente da sociedade norte-americana, desde o verão de 1896 até 20 anos depois (passando pela guerra de Espanha, Cuba e Filipinas, o assassinato do presidente McKinley e a presidência de Theodore Roosevelt). Caroline Sanford é a encarnação desta jovem e complexa nação. Proprietária do diário Washington Tribune, luta contra o meio-irmão, protegido pelo magnata da imprensa William Hearst, para controlar o seu futuro. Mil Folhas 35.Público

A GERAÇÃO DA UTOPIA de Pepetela

Publicações Dom Quixote Neste livro, o escritor angolano, já galardoado com o Prémio Camões (1997), traça um retrato despojado dos heróis angolanos autores da epopeia das lutas pela independência do território e da guerra civil subsequente, um período de sombras e de glórias fugazes, num clima de ódios velados, descontentamento, indiferença que marcaram as vidas desses homens e mulheres que, afinal, construíram um país novo. Percorrendo as datas do índice, percebemos a trajetória histórica: 1961 – 1972 – 1982 – 1991 e anos seguintes.

O Violino de Auschwitz Maria Àngels Anglada

O Holocausto nazi foi dos momentos mais difíceis de entender da História do século XX. Com uma sonoridade de palavras digna da afinação dos melhores violinos, vamos conhecer Daniel Luthier, um judeu preso no diabólico campo de morte situado na Polónia, que é encarregado pelo melómano e mefistofélico comandante de construir um instrumento com a qualidade de um Stradivarius. Uma tarefa quase impossível de consumar e que não estaria ao alcance de qualquer um. Com o conhecimento que herdou do pai, Daniel conseguiu criar uma verdadeira preciosidade, apesar das condições miseráveis em que foi obrigado a trabalhar. Assim, o comandante do campo, o mesmo que comanda o processo de desumanização dos prisioneiros, ao encomendar ao artesão Daniel a criação de um instrumento capaz de gerar a música mais pura, faz com que ele reafirme, de forma palpável, a profundidade de sua condição humana. Faz, também – e este é outro tema do livro –, com que Daniel encontre força para sobreviver. O violino, do qual dependeu a sua sobrevivência, veio a perdurar no tempo como que numa homenagem ao talento e capacidade de sofrimento do seu inspirado autor. Muitos anos depois do holocausto, um músico famoso assiste a um concerto e reconhece o som inconfundível do violino de Daniel, que tinha utilizado em Auschwitz. Através do contacto com o violinista que agora possui o instrumento, desencadeia-se uma viagem ao passado que fundamenta o romance. O romance de Maria Àngels Anglada tem apenas 140 páginas e lê-se de um só fôlego. Recomenda-se, porque o tempo aqui retratado não pode cair no esquecimento. E dificilmente isso algum dia será possível.

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DEPOIS

Rosamund Lupton Editora Civilização

“Não conseguia mexer-me, nem mesmo um dedo ou sequer pestanejar. Não conseguia abrir a boca para gritar. (…) As minhas pálpebras estavam soldadas. Os meus tímpanos rebentados. As minhas cordas vocais destruídas”. Assim começa o prólogo deste romance de suspense e de terror, sobre um dia perfeito e um crime terrível. Tudo sucede numa escola que começa a arder. Uma mãe salva a sua filha que está lá dentro e, depois, inicia uma busca para descobrir a identidade de um implacável assassino que quer acabar com a sua família, uma luta sem tréguas que a vai levar a forçar os seus limites físicos e psicológicos. Trata-se de um thriller muito bem concebido que recomendamos aos nossos leitores de policiais.

O Hipnotista Lars Kepler Porto Editora

Trata-se de um policial nórdico que, na realidade, é da autoria de um casal de escritores suecos: Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril (de ascendência portuguesa). Sob este pseudónimo, lançaram O Hipnotista, com uma trama bem montada, cheia de peripécias, reviravoltas e surpresas, capaz de prender o leitor mais exigente de policiais. Neste romance, há uma série de crimes violentos, revelando os podres de uma sociedade sueca que, afinal, não será tão perfeita como se idealiza à distância. Há dois casos que se cruzam: um jovem (Josef) que, em Estocolmo, assassina de forma bárbara os seus familiares, e um rapaz doente (Benjamin) que é raptado de sua casa. Em comum nestes dois casos temos o hipnotista Erik Maria Bark. Foi, em tempos, o mais famoso hipnotista sueco, mas quando, ao serviço da Medicina, ocorrem graves problemas com pacientes seus, promete a si próprio nunca mais hipnotizar ninguém. Quebra a promessa dez anos mais tarde para tentar ajudar a deslindar um caso gravíssimo da tal família assassinada de forma atroz. Só há um sobrevivente, mas está inconsciente, pelo que apenas através do hipnotismo será possível aceder às informações preciosas de que será detentor. Outro dos protagonistas deste romance é, inevitavelmente, um polícia finlandês, Joona Linna, personagem dotada de uma personalidade persistente, perspicaz, mas, também, com as suas carências a nível de afetos e relações pessoais e que convence Erik a retornar ao hipnotismo

OS CANTOS Maria Filomena Mónica Alétheia

Este romance, adaptado para a televisão – “Uma família açoriana”, RTP –, conta a história da família de José Canto, suas irmãs, sua mulher, filhos e amigos. Há um trágico destino que pesa sobre a cabeça de José, típico homem iluminado e clarividente, que viu ruir os seus projetos, pois a vida, o país retrógrado não lhos deixavam realizar. Descendente de uma ilustre família açoriana, José do Canto, nascido em 1820, era, no sentido próprio do termo, um ‘vitoriano’. Apesar de natural de São Miguel e não de Inglaterra, a sua cultura era cosmopolita, sem no entanto jamais deixar de ter saudades da neblina, do mar e das laranjeiras da sua ilha – que queria perfeita. Foi por isso que a deixou e, por isso que, muitos anos passados, a ela voltou. Nesta obra biográfica, Maria Filomena Mónica conta a história desta família em várias gerações, num retrato vívido e apaixonante de época. É uma história do Portugal insular do século XIX, da crença no progresso e na educação. É também uma história de grandes expectativas e de desilusões e um excelente meio de meditarmos sobre os limites à nossa liberdade.

O TESTAMENTO DO SR. NAPUMOCENO DA SILVA ARAÚJO Germano de Almeida

O romance de Germano de Almeida, já adaptado ao cinema, retrata a história de um dos mais ricos comerciantes de Cabo Verde, revelada através do seu testamento e que enriquecera à custa de um insólito engano numa encomenda de

guarda-chuvas. Quando morreu, o Sr. Napumoceno era um conceituado comerciante do Mindelo. A reputação da sua casa comercial tinha uma correspondência perfeita na vida pessoal – bom, íntegro, sério, sem vícios, rico e respeitado. Dez anos antes de morrer, o sr. Napumoceno escreveu um testamento de "trezentas e oitenta e sete laudas de papel almaço pautado". Ninguém imaginava que pudesse haver tanta novidade na vida do comerciante solteirão, de hábitos rigorosamente metódicos. Mas, nas centenas de folhas onde o sr. Napumoceno registou a própria vida, não apenas a história do garoto de pés descalços que enriqueceu com trabalho, sorte e alguma malandragem: entrelaçado naquela existência surpreendente, emerge o quadro vivo do quotidiano numa cidade de Cabo Verde antes da independência de Portugal. A leitura das centenas de páginas do seu testamento lançou, pois, «uma nova luz sobre a vida e a pessoa do ilustre extinto» - uma personagem fascinante, rica, complexa, contraditória, fortemente enquadrada no pano de fundo que é a sociedade cabo-verdiana. Caminho

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ANNA KARENINA Leão Tolstoi

Crime e Castigo Fiódor Dostoiévski

Embora seja uma das maiores O clássico da literatura unihistórias de amor da literatura mundial, versal, Crime e Castigo, uma das meAnna Karénina não é apenas um romance lhores obras do russo Fiódor de aventura. Há na trama uma questão Dostoiévski , ele mesmo um antigo premoral que não é certamente o ter sidiário (1866), privilegia particularcometido adultério. A ação gira em torno mente a conquista da redenção através do caso extraconjugal da personagem que da dor, sem no entanto excluir o debate dá título à obra, uma aristocrata da Rússia Czarista que, a despeito sobre os inevitáveis temas do regime soColeção Mil Folhas, de parecer ter tudo (beleza, riqueza, popularidade, um casamento cialista e da filosofia niilista. Relata o crime quase perfeito, perpecom Lévin e um filho amado), sente-se vazia até encontrar o im- trado pelo estudante Rodion Românovitch Raskólnikov que vive à petuoso oficial Conde Vronski. “O casamento com Lévin é baseado beira da miséria e da desesperança. Dominado por um grande connum conceito metafísico, não apenas físico, do amor, na boa-von- flito interior e alimentando a ideia fixa de praticar uma ação signitade e no sacrifício, no respeito mútuo. A aliança Anna-Vronski é ficativa que o converta em alguém superior capaz de instituir fundada apenas no amor carnal e é aqui que reside a sua ruína.» - profundas mutações sociais, o jovem projeta a morte de uma velha Posfácio, de Vladimir Nabokov. agiota, concretizando um assassínio brutal, para lhe roubar as suas Apesar de a história de Anna, que se apaixona por outro joias. Porém, perde o sangue-frio e assassina outra vítima que cahomem que não o marido e abandona este último, ser bastante cen- sualmente o apanha em flagrante. Não consegue lucrar com o tral, é apenas um dos fios condutores do enredo. Muitas outras per- roubo, devido aos seus remorsos atrozes e vai deambulando pela sonagens, das relações de Anna, têm o seu destaque, e o livro está cidade, afundando-se naquele lodo existencial. Perseguido por um longe de se centrar exclusivamente nas interações entre personagens, detetive implacável que lhe vai tecendo a teia, pelos seus fantasmas porque contém variadas secções dedicadas à descrição da vida russa interiores, avassalado pela culpa e pelos remorsos que o atormenda segunda metade do século XIX, sempre com a dicotomia tam, e inspirado pelas orientações de Sónia, uma inesperada amiga campo/cidade presente. Muitos outros temas são aflorados, tal e confidente, que lhe apresenta os meandros do Evangelho, o ascomo a política, arte, questões sociais, relisassino vai tentando aguentar-se à tona da giosas e filosóficas, entre outras. água…. a Germano de Almeida nasceu na ilha da Boavista, id e Cabo Verde, em 1945. Licenciou-se em Direito na Universidade Cláslm e A sica de Lisboa e exerce actualmente advocacia na cidade do Mindelo. Estreou-se d ano como contista no início da década de 80, colaborando na revista Ponto & Vírgula, de que m r foi fundador e co-diretor, publicando textos assinados com o pseudónimo de Romualdo Cruz. Ge Estes relatos, juntamente com outros até então inéditos, foram publicados em 1994 sob o título A ilha fantástica, a que se juntou A família trago, publicado em 1998, obras que recriam os anos da sua infância e o ambiente social e familiar da Ilha da Boa Vista. O meu poeta (1990), Estórias de dentro de casa (1996), A morte do meu poeta (1998) e As memórias de um espírito (2001) formam aquilo a que se poderia chamar o ciclo mindelense da obra do autor. Em traços gerais, o retratam a vida social e política do Mindelo, a esfera do privado e vida íntima. A ideia de ciclo é reforçada pelo facto de que muitos dos personagens circulam com maior ou menor assiduidade pelas quatro obras. Entre a sua extensa obra também destacam-se ainda títulos como O testamento do senhor Napumoceno da Silva Araújo (1991), Dona Pura e os camaradas de Abril (1999), O mar na Lajinha (2004) e Eva (2006). Germano Almeida foi co-proprietário e diretor do jornal Aguaviva e é sócio da editora Ilhéu, a qual publica a sua obra em Cabo Verde. A sua obra de ficção representa uma nova etapa na rica história literária de Cabo Verde. Está publicada em Portugal pela Caminho e começa a despertar interesse no estrangeiro, nomeadamente o romance O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo, do qual vários países compraram os direitos, encontrando-se já publicado no Brasil, em Itália e França, Espanha, Alemanha, Suécia, Holanda, Noruega e Dinamarca.

PRIVATE

James Patterson

Jack Morgan recebeu de seu pai, como herança, o comando de Private, uma agência de investigações falida. Cinco anos depois, a Private torna-se numa das maiores, mais modernas, eficientes e sigilosas agências investigativas do mundo. Com equipamentos tecnológicos de ponta, funcionários com QI elevadíssimos, discrição absoluta e agilidade em solucionar casos, é uma agência que celebridades, governantes, empresários e grandes personalidades procuram quando precisam de alguém. É, finalmente, o único recurso quando a polícia não pode fazer mais nada e os criminosos estão à solta. Enquanto Jack e sua equipa investigam o assassinato de 13 raparigas, surgem dois outros casos mais pessoais. Os três mistérios parecem insolúveis, mas Jack conta com os melhores investigadores e com o que há de mais avançado em tecnologia. Além disso, a agência não responde a instituições oficiais, portanto, nem sempre precisa jogar de acordo com as regras….

CONTACTO Carl Sagan

Editora Gradiva

Desta vez, propomos a leitura de um romance de ficção científica de um dos mais famosos cientistas do século XX, já falecido, e que ficou conhecido também pelos seus documentários televisivos sobre a origem da vida e do universo. Contudo, tal como inicialmente afirmámos, este livro é um romance que relata o primeiro hipotético encontro da espécie humana com outros seres inteligentes que vivem noutra galáxia. A aproximação de Ellie e dos seus companheiros de busca à nova realidade de um contacto com alienígenas, o diálogo entre ciência e religião que ela mantém com o reverendo Rankin são apenas alguns dos ingredientes que tornaram esta história fabulosa e que depois deu origem ao filme com o mesmo título, interpretado por Jodie Foster. O futuro está aí … nesse sonho de Ellie tornado realidade!

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Alice Munro

Alice Munro foi por três vezes vencedora do prémio de ficção literária «Governor General's Literary Awards», do seu país e em 1998 foi premiada pelo National Book Critics Circle dos Estados Unidos, pela obra O amor de uma mulher generosa.

Obras -Dance of the Happy Shades, 1968, contos. -Lives of Girls and Women, 1971, romance (contos interligados) O Prémio Nobel da Literatura 2013 foi atribuído à ca- -Something I’ve Been Meaning to Tell You, 1974, nadiana Alice Munro,. A escritora, de 82 anos, foi contos apresentada como "mestre do conto contemporâneo" -The Beggar Maid (surgiu antes como Who Do You Think You Are?), 1978, contos. e é a 13ª mulher a receber este galardão. -The Moons of Jupiter, 1982. -The Progress of Love, 1986. -Friend of My Youth, 1990. Alice Ann Munro, é uma escritora canadiana de con-Open Secrets, 1994. tos, considerada uma das principais escritoras da at-The Love of a Good Woman, 1998. ualidade em língua inglesa. Com 11 anos, ela decidiu -Hateship, Friendship, Courtship, Loveship, Marque queria ser escritora e nunca hesitou na escolha riage, 2001. da carreira. -Runaway, 2004 -The View from Castle Rock, 2006. Alice Munro nasceu a 10 de julho de 1931 -Too much happiness, 2009. em Wingham, na província canadiana de Ontário. -Dear Life, 2012. Após terminar o liceu, começou a estudar jornalismo e inglês na Universidade de Western Munro é sobretudo conhecida pelos seus Ontário, mas interrompeu os estudos quando se contos e publicou muitas coleções ao longo dos casou, em 1951. Juntamente com o marido, estaanos, nomeadamente "Amada Vida", "Fugas" e beleceu-se em Victoria, na British Columbia, onde "O Amor de Uma Boa Mulher", publicadas em o casal abriu uma livraria. Tiveram três filhas e diPortugal pela editora Relógio d'Água. vorciaram-se em 1972. Nessa altura, Alice regressou à sua província natal e tornou-se escritora-residente na sua antiga universidade. A partir daí, consolidou a carreira de escritora, que tinha iniciado jovem com crónicas (desde 1950). A autora de 82 anos é apreciada pelos seus contos, que focam intensamente a vida doméstica em histórias passadas na zona rural de Ontário, onde a escritora cresceu. A sua prosa realista usa temas do quotidiano para abordar a condição humana, tratando do amor e da morte. Pela sua clareza e realismo psicológico, muitos críticos a consideram "a Tchekhov do Canadá". Os seus contos centramse na fragilidade das relações humanas, analisadas através da lente da vida quotidiana, em narrativas afinadas que se caracterizam pela clareza e pelo realismo psicológico, na opinião da academia sueca que a galardoou e a classificou como "mestra do conto contemporâneo". As suas histórias passamse frequentemente em pequenas localidades, onde a luta por uma existência socialmente aceitável, muitas vezes, resulta em relações tensas e conflitos morais - diferenças geracionais e ambições de vida que colidem. Em The View from Castle Rock, de 2006, fez um balanço da história da sua família, que emigrou para o Canadá e descreveu as dificuldades que os seus pais tiveram.

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O MENINO QUE ESCREVIA VERSOS

— Ele escreve versos! Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico levantou os olhos, por cima das lentes, com o esforço de alpinista em topo de montanha. — Há antecedentes na família? — Desculpe doutor? O médico destrocou-se em tintins. Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava bem, nunca lhe batera, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias: — Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol. Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra mulher ousa sequer sonhar? Pobres que fossem esses dias, para ela, tinham sido lua-de-mel. Para ele, não fora senão período de rodagem. O filho fora confeccionado nesses namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol. E oleosas confissões de amor. Tudo corria sem mais, a oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo. Mas eis que começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com versos. O filho confessou, sem pestanejo, a autoria do feito. — São meus versos, sim. O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega-refrega com as meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. O que se passava: mariquice intelectual? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem se queda em ponto morto? Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu: então, ele que fosse examinado. — O médico que faça revisão geral, parte mecânica, parte eléctrica. Queria tudo. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões e, sobretudo, lhe espreitassem o nível do óleo na figadeira. Houvesse que pagar por sobressalentes, não importava. O que urgia era pôr cobro àquela vergonha familiar. Olhos baixos, o médico escutou tudo, sem deixar de escrevinhar num papel. Aviava já a receita para poupança de tempo. Com enfado, o clínico se dirigiu ao menino: — Dói-te alguma coisa? —Dói-me a vida, doutor. O doutor suspendeu a escrita. A resposta, sem dúvida, o surpreendera. Já Dona Serafina aproveitava o momento: Está a ver, doutor? Está ver? O médico voltou a erguer os olhos e a enfrentar o miúdo: — E o que fazes quando te assaltam essas dores? — O que melhor sei fazer, excelência. — E o que é? — É sonhar. Serafina voltou à carga e desferiu uma chapada na nuca do filho. Não lembrava o que o pai lhe dissera sobre os sonhos? Que fosse sonhar longe! Mas o filho reagiu: longe, porquê? Perto, o sonho aleijaria alguém? O pai teria, sim, receio de sonho. E riu-se, acarinhando o braço da mãe. O médico estranhou o miúdo. Custava a crer, visto a idade. Mas o moço, voz tímida, foi-se anunciando. Que ele, modéstia apartada, inventara sonhos desses que já nem há, só no antigamente, coisa de bradar à terra. Exemplificaria, para melhor crença. Mas nem chegou a começar. O doutor o interrompeu: — Não tenho tempo, moço, isto aqui não é nenhuma clinica psiquiátrica. A mãe, em desespero, pediu clemência. O doutor que desse ao menos uma vista de olhos pelo caderninho dos versos. A ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o médico aceitou e guardou o manuscrito na gaveta. A mãe que viesse na próxima semana. E trouxesse o paciente. Na semana seguinte, foram os últimos a ser atendi dos. O médico, sisudo, taciturneou: o miúdo não teria, por acaso, mais versos? O menino não entendeu. — Não continuas a escrever? — Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida — disse, apontando um novo caderninho — quase

a meio.

O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia pensar. O menino carecia de internamento urgente. — Não temos dinheiro — fungou a mãe entre soluços. — Não importa — respondeu o doutor. Que ele mesmo assumiria as despesas. E que seria ali mesmo, na sua clínica, que o menino seria sujeito a devido tratamento. E assim se procedeu. Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto onde está internado o menino. Quem passa pode escutar a voz pausada do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração. E o médico, abreviando silêncios: — Não pare, meu filho. Continue lendo...

Mia Couto

AS ESCALAS DO LEVANTE Amin Maalouf Difel Editora

No passado, os viajantes europeus faziam “as escalas do Levante” quando percorriam a rota das cidades mercantis até ao Oriente: de Constantinopla a Alexandria, passando por Beirute, Esmirna… Tornaram-se, pois, espaços interculturais riquíssimos, masa também demolidores para as vidas de passagem… Ossyane, o protagonista deste romance do aclamado escritor e jornalista libanês Amin Maalouf, tem, no passado familiar, as duas guerras do século XX e ainda a desagregação do Império Otomano: recorda o seu passado, menino nascido em berço de ouro, mas com uma avó louca, um irmão desonrado e a sua estadia em França durante a ocupação nazi… mas também Clara e os seus momentos de paixão! Resta-lhe a tristeza e a angústia de um amor à espera, tranquilo, mas poderoso.

CONCURSO Nacional de leitura – PNL

Está aberto o concurso do PNL. Desta vez, alargado ao Ensino Secundário. Das obras sugeridas, selecionámos Cão como nós (narrativa) e O colar( teatro) para o ensino básico; O violino de Auschwitz e O Testamento do sr. Napumocemo (narrativas) para o ensino secundário. A 1ª fase já se realizou e os resultados foram os seguintes: EB - 1º lugar - Mariana Fernandes - 8ºG; 2º lugar - Beatriz Melo - 8ºG; 3º lugar - Ana Pereira - 7º G. ES - 1º lugar - Eduarda Freitas - 10ºA; 2º lugar - Diana Vidal 10ºB e Maria Barbedo Tavares - 10º A. As próximas etapas são as seguintes: 2ª fase - Distrito- Provas distritais - Bibliotecas Municipais – DGLAB - 01/03/2014 a 06/05/2014 3ªfase - Nacional - Fase Final - Prova Nacional - 6 de maio 2014 a final de junho.

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Nova Gramática do Português Contemporâneo

livros de apoio

A nossa biblioteca possui umas estantes próximas da área dos computadores e onde há livros de apoio sobretudo para a preparação de exames. Selecionámos esta coleção pela sua abordagem pragmática, mas essencial e cientificamente correta: nos três anos contemplados, aborda-se cada temática, primeiramente de modo expositivo, breve, mas completo (contextualização das obras e do autor) com pequenos questionários interpretativos (pergunta resposta/escolha múltipla, associação de frases…) orientadores do estudo e propostas de redação que encaminham os alunos para a necessária sistematização de conhecimentos.

OS LUSIADAS NARRADOS AOS JOVENS JOSÉ JORGE LETRIA

José Jorge Letria aventurou-se pelos mesmos caminhos de João de Barros, adaptando a obra maior da nossa literatura aos mais jovens – privilegiou a narrativa, respeitou a ordem dos dez Cantos, completou o texto com a inclusão de fragmentos do poema épico, “de forma a que o jovem leitor possa comparar dois registos bem diferentes”, sempre com a “preocupação de elevar o tom da narrativa (…) à solenidade que caracteriza Os Lusíadas”. O texto traz ilustrações magistrais de Terumi MoriYama, autora mexicana conceituada nesta área. “Esta adaptação é para os mais jovens, mas também para os leitores de todas as idades, porque tenta estabelecer a ponte, num mundo global, entre o ontem e o amanhã” (Jose Jorge Letria, in Prefácio).

ASTÉRIX NA HSIPÂNIA

COM ATUALIZAÇÃO DIFERENCIADA

Celso Cunha Lindley Cintra

A gramática de Português de referência para professores, estudantes universitários e alunos em geral tem nova edição, revista e adaptada ao Dicionário Terminológico (orientações científicas sobre os novos conceitos gramaticais – consultar on-line) e ao Acordo Ortográfico atual. Se já era a bússola orientadora para muitos, o livro traz agora equiparações à nova perspetiva gramatical, a azul, revelando o que muda relativamente à anterior. Documento fundamental e já à venda nas livrarias.

Gramática Formativa de Português Luísa Oliveira, Leonor Sardinha Didáctica Editora

Escrita segundo o Acordo Ortográfico, esta GRAMÁTICA FORMATIVA pretende contribuir de forma significativa para o conhecimento explícito da língua portuguesa. Teve como princípio orientador as novas terminologias preconizadas pelas recentes correntes linguísticas. Destina-se a professores e alunos de diferentes graus de ensino ou a todos aqueles que se interessam pelo aprofundamento do uso da língua..

A VIDA DOS REIS E DAS RAINHAS DE PORTUGAL em números,

Editora Verso de Kapa

R. Goscinny e Albert Uderzo

Desta vez, propomos-vos um clássico da dupla mais famosa da BD francesa, quando ainda estavam os dois vivos: uma viagem dos dois gauleses indestrutíveis, Astérix e Obélix, à Hispânia, porque resgataram o filho endiabrado do chefe da Hispânia, Péricles, aos romanos e terão de o levar de volta. E essa volta é o encontro com a cultura hispânica, o cantar tristonho andaluz, as comidas estranhas, o orgulho latino – tudo em doses de exagero caricatural e de comicidade que levará o leitor a rir até às lágrimas…. Edições Asa

O livro é pequenino, mas traz muita informação para os fãs da História de Portugal. As primeiras páginas apresentam um índice, acompanhando as sucessivas (4) dinastias de reis que nos governaram ao longo dos tempos, cada um com o seu cognome – ex: D. Afonso “O Conquistador” , o primeiro e D. Manuel II “O Rei Saudade”, o último. Depois, introduzindo cada dinastia, há uma árvore genealógica esclarecedora. Finalmente, nas últimas páginas, surge um apontamento em forma de tabela cronológica, sobre acontecimentos históricos relevantes associados a cada época. Enfim, são mais de sete séculos , onde aparece, (imagine-se!), a mais curtinha dinastia, só com 60 anos de governação e com reis não muito cá da nossa terra! … A descobrir, na nossa biblioteca!

FL

8/8


Folha Literária, nº 14, 2014