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Correio espírita

Março de 2013

A cantora Paula Fernandes é vítima de intolerância religiosa Reprodução

Redação Correio Espírita A intolerância religiosa XX atingiu a cantora Paula Fernandes. Ela declarou em entrevista a João Dória Jr., no programa “Show Business”, que segue o Espiritismo. “Tenho comigo que só a doutrina espírita ou algo ligado a isso justifica muitas coisas que eu sinto; meu dom. Eu acho que a gente nunca está sozinho, eu não componho sozinha”, declarou. Seguidores da igreja Testemunhas de Jeová se destacaram como os mais ferrenhos a criticá-las nas redes sociais. Entretanto a cantora respondeu às críticas pelo Twitter. Ela escreveu: “O que a Bíblia prega? Respeito ou preconceito? Viva a liberdade de expressão!” Nós, brasileiros vivemos num país laico também conhecido como Estado Secular, onde o Estado não possui uma religião oficial, mantendo-se neutro e imparcial no que se refere aos temas religiosos, desta forma não deveria haver perseguição religiosa. As liberdades de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal do Brasil. A religião e a crença de um ser humano não devem constituir barreiras de uma boa convivência fraterna nas relações humanas. Todos devem ser respeitados e tratados de maneira igual perante a lei, independente da orientação religiosa. A intolerância religiosa é a prática insana de um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a diferentes crenças e religiões, cuja mente é caracterizada pela falta de conhecimento e sobretudo na falta de vontade em aprender e a respeitar as diferenças. Aliás, muitas diferenças há entre nós ainda neste curso de aperfeiçoamento moral. Sabemos que a reencarnação é uma oportunidade bendita de redenção dos nossos erros, na evolução incessante de nossos valores morais, norte de toda a felicidade. Entretanto, muitos fanáticos do ontem renascem hoje em grupos e etnias cada vez menores, nas suas práticas e ações ridículas e que nos servem de reflexão para nossas atitudes

C RREIO

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Estejamos atentos: a criança imita o que vê Lucas tem cinco anos. No último Natal, pela priXX

A cantora Paula Fernandes foi hostilizada

perante ao semelhante. A bem da verdade, a intolerância religiosa está enraizada no nosso espirito, cujas ideias foram fanatizando ao longo dos tempos causando sérios danos à humanidade, chegando às perseguições e guerras, registros de triste memória para todos nós. As perseguições já existem há milénios. O povo judeu era escravizado pelo povo Egipcio, por sua vez os cristãos foram levadas a cabo não somente pelos judeus, mas também pelos imperadores de Roma, que controlavam grande parte das terras onde o cristianismo primitivo se distribuía, e onde era considerado uma seita. Isso ocorreu até o início do Século IV – com o Imperador Constantino, que oficializou a religião cristã. Nos últimos séculos, os cristãos foram perseguidos por outros grupos religiosos, incluindo muçulmanos e hindus, e por Estados ateístas como a extinta União Soviética.

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Perseguições aos cristãos vêm ocorrendo hoje em dezenas de países, como Irã, Uzbequistão, Maldivas e Eritreia, principalmente por parte de fundamentalistas islâmicos, Coreia do Norte e ouros países. Na Índia, terra do inesquecível Mahatma Gandhi, o apóstolo da não violência, há um aumento na violência perpetrada por Nacionalistas Hindus contra cristãos, reproduzindo os princípios que assentam os conflitos religiosos. O nazismo de 1933 a 1945 afetou a vida de cerca de 10 mil alemães que professavam a doutrina das Testemunhas de Jeová, contrária à política belicista de Adolfo Hitler, e mais de 2.450 Testemunhas de Jeová perderam a vida. Os nazistas perseguiram, além de judeus, homossexuais, ciganos, comunistas, cristãos e esperantistas que se recusavam a aderir ao regime. E agora, grupos religiosos ligados a igreja Testemunhas de Jeová vêm procurando in-

citar a violência contra a cantora Paula Fernandes. Os fenômenos espíritas durante milênios também sofreram amargas perseguições pela ignorância e cegueira espiritual, onde médiuns foram levados à fogueira. O próprio Allan Kardec viveu momentos difíceis muito embora na França de Voltaire (16941770), que foi considerado o maior dos filósofos iluministas e um dos maiores críticos do antigo regime e da Igreja. Defendeu a liberdade de pensamento e de expressão. Mais recentemente, o médium mineiro Chico Xavier de inesquecível memória foi ridicularizado, difamado e perseguido por religiosos contrários aos ensinos espíritas, bem como a sua mediunidade missionária que ele tão bem vivenciou e ajudou a milhares de pessoas a saírem da fé cega para a fé raciocinada, como apresenta o Consolador prometido pelo Cristo, o Espiritismo. Muita Paz!

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meira vez, conseguiu se desfazer de um brinquedo para doar a uma criança necessitada, depois de muita negociação com sua mãe. Seu irmão mais velho, Pedro, de sete anos, é mais desapegado. Sempre separou, espontaneamente, roupas e brinquedos para encaminhá-los a outras crianças. Agora, com a volta às aulas, a mãe, constantemente preocupada em ajudar a quem precisa, sugeriu que ambos doassem as mochilas usadas para meninos com dificuldades financeiras. Desta vez, Lucas prontamente deu não somente a mochila, mas também a merendeira. Lara tem quatro anos. Participa diariamente do Culto do Evangelho do Larcom a mãe, a avó e a irmã. No ano passado, manifestou o desejo de também fazer preces. De início, dirigindo-se sempre ao Papai do Céu, fazia petitórios muito simples. Aos poucos, foi mudando. Outro dia, surpreendeu a todos repetindo palavras usadas pelos adultos: “Senhor, abençoa...”, ou “Mestre, obrigada por...”. Esses dois casos têm algo em comum. Eles revelam o quanto a criança imita o comportamento alheio. De fato, na última década, estudos sobre o que leva o ser humano a imitar outro sofreram grande avanço. Pesquisas na área das neurociências estão apontando que, tanto os animais quanto os seres humanos parecem ter uma capacidade de imitar automaticamente o que vemos outros fazer. Hoje, acredita-se que isso é função dos neurônios-espelho. Dito de uma forma bem simplificada, esses neurônios têm por função representar e organizar no cérebro da pessoa suas próprias ações, como seus gestos, movimentos do corpo, expressões faciais etc. Acontece que essas mesmas células também são ativadas quando se observa essas ações sendo realizadas por outra pessoa. Tal como um espelho, tais neurônios "refletem" automaticamente ações alheias, permitindo ao observador tanto imitá-las quanto interpretá-las. O que era do conhecimento do senso comum agora é confirmado pela ciência: a criança imita aquilo que vê e ouve das pessoas do seu entorno, ou mesmo dos meios de comunicação. Por isso, deveríamos ser muito cuidadosos com aquilo que fazemos e falamos diante das crianças. Nos dois exemplos citados, percebemos a criança imitando atitudes positivas que observou no seu meio familiar. Se considerarmos as lições do Evangelho e, em particular, as exortações do Mestre Jesus, veremos que há um imenso leque de atitudes e comportamentos que poderíamos externar diante dos nossos pequeninos, como forma intencional de fazê-los aprender, sem palavras. Preocupa-nos, no entanto, a quantidade de famílias que parecem ignorar a existência desses padrões imitativos da criança e agem, na sua presença, de forma muito equivocada, imaginando que não há nenhuma consequência para seus atos. Muitos são os exemplos a esse respeito. Fiquemos aqui com o da agressividade. Dificilmente uma criança que é tratada de forma violenta deixará de usar da violência para com o seu próximo. Por outro lado, ambientes calmos, onde se fala de forma equilibrada com a criança, mesmo diante das suas pirraças ou dos seus choros e gritos, onde se age com firmeza sem perder a calma e sem partir para a agressividade, acabam por servir de modelo para os seus neurônios-espelho, ajudando-a na aquisição de comportamentos mais sociáveis. Do ponto de vista da Doutrina Espírita há, ainda, um fator que devemos levar em consideração: a bagagem trazida pelo espírito ao nascer. Há crianças que manifestam, desde cedo, comportamentos agressivos, desrespeitosos e egoístas, que precisam ser combatidos com presteza, como nos diz Santo Agostinho em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XIV. De posse desse conhecimento sobre a imitação, seria desejável que seus pais e educadores não se limitassem a orientá-las com palavras e conselhos, mas que redobrassem a atenção no sentido de fornecer-lhes exemplos de comportamentos pacíficos, respeitosos e altruístas. Sabemos, porém, que também nós, adultos, precisamos de modelos, uma vez que nos encontramos muito distantes do perfil de homem de bem. E, conforme registrou Kardec, o Mestre Jesus é o nosso modelo mais perfeito. Analisando sua trajetória entre os homens, notamos as inúmeras passagens em que o vimos exemplificando, com o próprio comportamento, aquilo que ensinava aos seus seguidores, ou narrando-lhes histórias edificantes, para serem imitadas. E como a sua voz ecoou através dos séculos e chega, ainda hoje, vibrante e clara até nós, deveríamos – já que estamos mais cientes da nossa predisposição biológica para copiar as ações alheias – imitá-lo de forma mais fiel possível. Talvez seja hora de aproveitarmos a riqueza de material audiovisual de que hoje dispomos e nos deixarmos envolver com os seus exemplos de amor, bondade, fé, indulgência, perdão, entre outras qualidades de que tanto necessitamos para o nosso adiantamento moral.

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