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Correio espírita

Março de 2013

Infâncias armadas Marcus Vinicius de Azevedo Braga

C RREIO

MULHER

Colaborador CCCE / De Brasília

ANGELA DELOU

Certa feita na fila do caixa XX eletrônico um menino na flor de seus quatro anos olhava insistentemente para a arma no coldre do policial militar que se postava na fila a espera da sua vez. Ele se aproximou do policial para tocar na arma. Ouviu desse então que com aquele brinquedo ele não poderia brincar pois era perigoso. Surpreendentemente, o menino respondeu que não se tratava de um brinquedo e sim de um revólver e que o mesmo atirava. Das espadas de madeira aos revólveres de espoleta da década de 80, passando pelas atuais armas padrão “paintball”, temos uma cultura bélica crescente em nossa infância, a qual é reforçada em filmes, animações e toda gama de produção cultural que rodeia o universo infantil. N o s videogames simulamos com armas destruições cada vez mais realistas. Corpos viram números... A psicanálise nos apresenta a arma para a criança como um símbolo de força, de derrota de seus medos e de exercício de heroísmo, na luta para superar a selva desvairada que é a vida. Entretanto, no mundo real, a nossa infância armada assalta nos sinais, comete genocídios nas escolas, fere o rival da gangue. Outros brincam com a arma do pai e matam o amigo. Sonham com uma arma no armário ou na cintura quando forem adultos. - O instrumento resolverá meus problemas... me protegerá.... - A arma fascina e as casuísticas povoam os periódicos onde armas caem nas mãos infantis convertendo-se em tragédias que nos consternam e nos fazem chorar. Faltam seguranças armados nas escolas - bradam os defensores das armas nos Estados Unidos - em uma solução que aumenta mais esses artefatos no sistema. Precisamos da arma para defender a nossa família afirmam outros - sem sopesar o custo-benefício dessa estratégia defensiva. Em um quadro herdado das guerras, frias ou quentes, ainda no século XXI, vemo-nos diante de uma incógnita para a questão da infância. Até que ponto essa cultura bélica fomenta a atitude violenta no processo de forma-

8 de março – Homenagem ao Dia Internacional da Mulher Comemorado em 8 de março o Dia Internacional da XX Mulher tem por objetivo valorizar as conquistas femininas e divulgar as lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como de direito de voto. O dia 8 de março de 1857, ano do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, foi marcado pela luta das mulheres por melhores condições de vida. Neste dia as operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque entraram em greve. A carga horária chegava, muitas vezes, a 16 horas por dia e recebiam, por serem mulheres, um terço do salário dos homens. Lutavam pela redução da jornada de trabalho para 10 horas. Em razão dessa manifestação cerca de 130 mulheres foram trancadas na fábrica que foi incendiada. Todas desencarnaram carbonizadas. Em 1910, numa conferência realizada na Dinamarca ficou decidido que o dia 8 de março seria marcado pela comemoração em favor da luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Importantes conquistas:

ção do espírito encarnado? Afirmam alguns que essas brincadeiras não afetariam em nada, por serem apenas vivências psicológicas de situações, no processo de enfrentamento do mundo, como a violência estampada nos contos de fadas, que prepara o indivíduo para o mundo real. Não desconsidero isto, mas preocupa-me a violência exacerbada, a “terra arrasada” apresentada como solução para os problemas, inundando a criança pelas múltiplas influências. Ensinamos o diálogo ou a destruição para a solução dos problemas? Realengo e as incontáveis chacinas na América do Norte desde Columbine, nos apresentam uma tipologia de espíritos opressos, que alimentam a raiva de seus opressores e resolvem – Bum! - explodir tudo como em um “game” que você “reseta” e começa tudo de novo após seu fracasso. Não tenho uma visão utópica de banir armas e explosões totalmente do convívio das crianças. Se tornará uma jornada ingrata, desgastante e inútil. Porém, a competência da conversa, da compreensão que cede e avança, não pode substituir uma relação isola-

da e repleta de mitos e medos com o mundo, produzindo soluções violentas, cuja relação construída com os armamentos oferece o aparato necessário. Ataques de ódio verbais ou na internet são expressões mais brandas dessa problemática que, somada a uma arma, transformam-se em verdadeiros desastres. Dialogar é uma competência da vida, seja pessoal, profissional ou espiritual. Mas, a arma se apresenta como força, poder para resolver todos os problemas de forma unilateral, rompendo essas relações dialógicas. A obra “O menino do Dedo Verde (1957)”, de Maurice Druon, apresenta o menino Tistu transformando a fábrica de armas de Mirapólvora em um jardim florido, em um sonho utópico pós-guerra de trocar canhões por flores. A infância, momento de sonho e de esperança, precisa encontrar soluções para seus problemas por outras vias que não o canhão. Ao comprarmos um instrumento desses de brinquedo ou um jogo violento para nosso filho, reflitamos na substituição desse presente. Não escondamos dele a violência e os problemas da vida, mas

façamos com ele a reflexão sobre como superar as dificuldades da vida e que aquela violência toda estampada na televisão, ainda que real, não é construtiva e que a conversa é um caminho possível. Muitos desses autores de chacinas necessitavam apenas de um amigo para se abrir. A indústria desses artefatos, reais ou de brinquedo, dão vazão aos instintos violentos de crianças-adultas e de adultos-crianças. É uma realidade da qual não podemos nos omitir. Os fatos nos mostram, como pais e educadores, que a reflexão, em doses homeopáticas, é um bom caminho para darmos elementos à criança para conviver nesse mundo onde a violência será uma constante, mas nem por isto cabe a ela “dar o troco na mesma moeda”. A arma machuca, faz doer. O outro é nosso irmão. Devemos compreender, perdoar, educar... A lição é difícil e nos encaminhamos para soluções imediatas numa época onde tudo tem pressa. Como Tistu, na visão da vida eterna e da fieira das reencarnações, precisamos utilizar nosso “dedo verde” para transformar pólvora em flores.

EM DEFESA DA VIDA

Cuide da sua vida Marcus De Mario marcusdemario@gmail.com

Cuidar da própria vida XX e deixar que o outro cuide da vida que lhe é própria, é um aprendizado que todos precisamos fazer para gerar mais felicidade no mundo, permitindo que cada um tenha suas experiências e tome suas próprias decisões. Isso porque o que mais fazemos é tomar conta da vida alheia, querendo determinar comportamentos dos outros, tentando controlar as ações de familiares e amigos, como se pudéssemos controlar tudo e todos, quando na verdade deveríamos nos conhecer e nos controlar, no famoso vigiar e orar ensinado por Jesus. Normalmente quem vigia os outros faz sempre sua opinião prevalecer e vive se queixando do comportamento alheio, sendo necessitado de olhar para si mesmo, de se descobrir e de permitir que cada um viva de acordo com seus pensamentos, experiências e anseios. Quem muito controla, opina e faz, não deixando muito espaço para os

outros, está em desequilíbrio íntimo, fugindo de trabalhar a si mesmo no autoaperfeiçoamento. Quando cuidamos mais da vida dos outros do que da nossa própria vida, tendemos a cair em dois vícios morais

muito perigosos: a fofoca e a mentira. E também nos deixamos levar para o desculpismo do tipo “minha vida só não é melhor por causa da minha família”; “as coisas não andam bem por culpa do meu patrão”; “o resultado só sxc.hu

Cuidar mais da vida dos outros do que da nossa leva à fofoca

não foi melhor porque a equipe não é tão boa”. E passamos a tecer juízos individuais que não nos pertencem: “você não vai ser nada quando crescer”; “é por isso que eu vivo dizendo que assim não dá”, e outros julgamentos que não levam em consideração os próprios erros e deficiências, que teimamos em não querer enxergar. Aprendamos a olhar para nós mesmos, a sermos honestos com a própria consciência, cuidando de combater em nós os vícios de toda ordem para assegurar espaço para as virtudes, permitindo que o outro respire por sua vez, saindo da sufocação que lhe impingimos. A arte de se educar para ser bom exemplo é o objetivo a que devemos nos propor nesta existência, bem aproveitando as oportunidades de aprendizado, serviço e crescimento espiritual, deixando que Deus cuide do resto. Marcus De Mario é Educador; Escritor; Palestrante e Consultor Educacional e Empresarial.

• Em 1788 o filósofo francês Condorcet reclamou para as mulheres o direito à educação, à participação na vida política e o acesso ao emprego. • Em 1840 Lucrécia Mott lançou nos Estados Unidos as bases de “Equal Rights Association” pedindo igualdade de direitos para as mulheres e para os negros. • Em 1859, na Rússia, começou em St. Petersburgo um movimento feminino visando a emancipação da mulher. • Em 1862 na Suécia as mulheres votaram nas eleições municipais. • Na Alemanha, em 1865 Louise Otto fundou a Associação Geral das Mulheres Alemãs. No ano seguinte John Stuart Mill, filósofo e economista inglês, reclamou o direito de voto para as mulheres. • Em 1868 foi criada, no Reino Unido, a Sociedade Nacional para o Sufrágio Feminino. • Em 1869, nos Estados Unidos, surgiu a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres, no estado do Wyoming. • Em 1870 na França e Suécia as mulheres tiveram acesso aos estudos médicos e na Turquia foi criada uma Escola Normal para formar professoras para as escolas primárias e secundárias. • Em 1874 o Japão abriu sua primeira Escola Normal para moças. • Em 1878 surgiu em St. Petersburgo, na Rússia, a primeira universidade feminina. • Em 1882, nos Estados Unidos, Susan Anthony fundou o Conselho Nacional de Mulheres, tendo como patrono Victor Hugo, o mais importante escritor francês, autor do romance “Os Miseráveis”. • Em 1893 foi concedido às mulheres, na Nova Zelândia, o direito de voto. • Em 1901, na França o deputado socialista René Viviani, sustentou pela primeira vez um debate sobre o direito de voto das mulheres. • Em 1932 foi instituído no Brasil o voto feminino.

Somente em 1975 a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional da Mulher. Em 1977 o Dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres.

Campanha da Fraternidade

Em 1990 a Campanha da Fraternidade, organizada pela CNBB, órgão da igreja católica, escolheu o tema “Mulher e Homem – imagem de Deus”, trabalhando a igualdade de gêneros, sensibilizando a sociedade para a necessidade de mudanças.

Lei Maria da Penha

A Lei 11.340, sancionada em 7 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, cria mecanismos para coibir a violência doméstica contra a mulher. Dispõe também a lei sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal. Maria da Penha Maia Fernandes foi brutalmente espancada, diariamente, pelo marido durante seis anos de casamento. Em 1983 ele tentou matá-la. Na primeira vez usou arma de fogo e ela ficou paraplégica e na segunda vez tentou afogá-la e eletrocutá-la. Após esses fatos dolorosos ela o denunciou. O marido só foi punido depois de 19 anos de julgamento. Entretanto, ficou preso por dois anos apenas. Esse fato teve repercussão internacional e o Centro pela Justiça, pelo Direito Internacional e o Comitê Latino Americano de Defesa dos Direitos da Mulher juntamente com Maria da Penha formalizaram uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, órgão internacional responsável pelas questões de violação de acordos internacionais.

Marcha do progresso

A marcha do progresso é inexorável, faz parte da Lei de Deus. A humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e instruem. Assim ensinam os Espíritos Superiores. A Lei da Reencarnação realça a Justiça Divina. Cada um de nós é o construtor de sua própria vida. As gerações do Terceiro Milênio estarão vivenciando em melhores condições do que as gerações passadas, que voltarão ao cenário terrestre para novas experiências e assim as civilizações irão continuamente se aperfeiçoando. É a marcha do progresso. Quanto mais a Terra tiver povos que sintonizem com o bem estes arrastarão os demais e o Planeta futuramente viverá em união fraternal. Para que isto aconteça é fundamental que homens e mulheres (seres espirituais) caminhem lado a lado. Relembrando, neste mês, tantas conquistas da sociedade em favor de um mundo melhor deixo aqui a homenagem ao dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher. Parabéns leitores e leitoras pelas lutas a favor do Bem e... obrigada pelo carinho!


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