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Correio espírita

Março de 2013

Cientistas e experiências mediúnicas

C RREIO

Científico Dr. JORGE ANDRÉA

Curt John Ducasse Reprodução

Psiquiatra e cientista espírita

Evolução e Mediunidade Em relação à formação do nosso Universo, a teoria que XX

mais aceitamos é a do conhecido Big-Bang de Gamov, originário há 15 bilhões de anos. Representa o ponto de partida de todas as formações, onde poderemos incluir os conteúdos representativos do mundo espiritual e material, das dimensões mais quintessenciadas às mais densas do mundo físico, todos obedecendo ao inevitável impulso da evolução. Em nosso conhecido sistema, a fagulha espiritual, o Grande Eu, o Self, zona específica colhedora da ressonância divina, com necessários atributos possibilitarão aquisições de experiências. Estas trafegarão nos reinos da natureza, dos mais simples elementos às mais complexas organizações de vida. A riqueza da fenomenologia anímico mediúnica convida-nos a algumas apreciações devido às amplas observações realizadas pela ciência. Os efeitos de tais fenômenos vêm modificando e acentuando novos para paradigmas, de modo a exigir esclarecimentos com adequadas posições. O fenômeno mediúnico, comumente conhecido como fenômeno de incorporação, compõem-se de duas partes: a emissora e a receptora. Esta última, por envolver-se e absorver campo vibratório diverso do seu, mostra alterações perceptivas da consciência, isto é, o receptor, o médium, desenvolve um estado de transe. Devemos ser cuidadosos com os mecanismos da estrutura mediúnica, porquanto existem muitas variedades de transes provocados pelas modificações metabólicas da organização física, como no caso das taxas de glicose sanguínea (hipoglicemia), das variações hormonais e de muitas outras origens, inclusive os causados pelos quadros patológicos mentais (epilepsia e outras distonias). Devemos registrar os transes causados pelos fármacos e até mesmo as drogas proibidas (cocaína, heroína, ópio e muitas outras). Além dessa diversidade de transes, consideremos o transe mediúnico desencadeado a expensas de sensibilidade específica do médium. Este desenvolve-se de modo espontâneo, com as naturais variações pessoais, sendo um autêntico fenômeno fisiológico, jamais patológico. Em seu aspecto de apresentação, o transe mediúnico pode mostrar-se superficial ou profundo, parcial ou total, até mesmo fugaz ou demorado. Nos dias atuais, a ciência está dando importância a um órgão – a glândula pineal – situada na base cerebral como o mais específico transdutor das energias perispirituais emissoras, condicionando-as às percepções pela zona material, porquanto, em sua íntima estrutura, foram encontrados cristais de hidróxido de apatita, responsáveis pelas respectivas conversões energéticas (S.F. Oliveira) O Espírito André Luiz nos oferece um significativo modelo desse mecanismo ao informar que a Vontade-resposta (médium). Dessa união haveria o que poderemos denominar de ideação do conteúdo informativo. A seguir, acontecerá uma natural elaboração em que o perispírito do médium, pelas suas condições evolutivas, de educação, compreensão, enfim, biotipológicas, mesmo em estado inconsciente, fará a seleção do conteúdo informativo, com a respectiva autocrítica, a fim de expressar a mensagem através da zona intelectiva cerebral. O processo mediúnico, em seu natural avanço evolutivo e bem equacionado pela doutrina espírita, não se tem limitado, tão somente, ao fator humano – o médium. A correspondência com o mundo espiritual e sua respectiva ligação, tem-se mostrado, também, através de aparelhagem, desde as ligações telefônicas até mesmo com as imagens em vídeo, com a sigla TCI – Transcomunicação Instrumental, ficando denominada TCM de Transcomunicação Mediúnica. É necessário que se diga que a TCI não veio para substituir a TCM, porém ratificá-la, porquanto o processo mediúnico faz parte da natureza humana, com suas imensas variações, graus e tonalidades; é processo inerente ao psiquismo. De forma resumida, a transcomunicação instrumental por telefone, foi registrada no Brasil, em 1925, por Dargonel, com preciosas e interessantes informações pessoais. Na década de 60 do século passado, Raudive e, por sua vez, Yurgson, mostraram mediante gravadores, imensos e variados registros das chamadas vozes do além. Posteriormente, na década de 70, G. Meeck e O´Neal construíram um aparelho que denominaram de Spiricon, cujas vozes possuíam a característica de ser sintetizadas. A CTI foi crescendo e já na década de 80, deste mesmo século, Schereber, como também o casal Magee e Jules Fishback, em Luxemburgo, recebiam comunicações espirituais por computadores, ao lado do aparecimento de imagens, no vídeo, embora ainda sem movimento. Todas as pesquisas vem mostrando os valores das informações pelo descortinar da vida em dimensões outras, confirmando assim a imortalidade.

Por Dirceu Machado Colaborador CCCE

INÍCIO DE UMA VIDA

Curt John Ducasse nasceu em Angouleme, França, em 7 de julho de 1881. Seu pai era capitão da marinha francesa e sua mãe era filha de um pintor alemão. Seus primeiros estudos foram feitos na cidade de Bordeaux, França, e, mais tarde, em Staffordshire, Inglaterra. Começou a trabalhar muito cedo e seu primeiro emprego foi numa casa de comércio em Paris. Mais tarde, foi trabalhar em uma firma de utensílios na cidade do México. Sua função era carregar fardos de roupas para cima e para baixo nos diversos andares da loja. Dormia nas dependências da mesma para economizar dinheiro. Mudou de emprego mais algumas vezes até se firmar como secretário de um engenheiro que trabalhava na construção de ferrovias. Decidiu, então, estudar Filosofia. Com o dinheiro economizado no emprego, matriculou-se na Universidade de Washington, onde se graduou em 1908.

INÍCIO DE UMA CARREIRA

Em 1909, obteve o grau de Mestre em Artes e foi tão bem nos estudos que recebeu

Curt John Ducasse

o convite para se tornar professor nesta Universidade. Lecionou durante três anos e decidiu abandonar a posição em Washington para se matricular na Universidade de Harvard e cursar o Doutorado em Filosofia. Obteve o título de Ph.D em Harvard, no ano de 1912. Retornou à Universidade de Washington onde reassumiu sua posição de professor. Enquanto lecionava publicou seu primeiro livro, Causas e tipos de necessidade. Em abril de 1924, participou de um congresso em Chicago onde apresentou um trabalho na Divisão Oeste da Associação Americana de Filosofia. Durante sua viagem de volta, decidiu fundar a Divisão do Pacífico desta Associação. Em 1926, foi convidado e aceitou o cargo de Profes-

sor Associado de Filosofia na Universidade de Brown. Em 1929, foi promovido a Professor Titular, tendo se tornado Chefe do Departamento de Filosofia entre os anos 1930 e 1951. Foi Reitor desta Universidade de 1947 a 1949. Em 1951, aposentou-se compulsoriamente aos 70 anos de idade. Foi convidado e aceitou continuar lecionando “meio-expediente” até 1958, quando aceitou o mesmo cargo na Universidade de Nova York.

FENÔMENOS MEDIÚNICOS

Ducasse era interessado em fenômenos mediúnicos, de uma maneira geral. Escreveu uma série de artigos sobre o assunto sendo bastante apreciados. Ele defendia a ideia da reencarnação baseado em conclusões de ordem filosófica, quando se levantava a questão da justiça universal. Afirmava, em suas palavras, que o estudo dos fenômenos paranormais “expandiu os horizontes sobre as potencialidades da natureza humana e do universo. Tantas pessoas se tornam limitadas por crenças e descrenças por convenções e coisas que são tomadas como sendo verdadeiras e que acabam fechando seus olhos para o fato de

que o mundo material não é apenas esse que conhecemos, mas que existem dimensões da natureza ainda desconhecidas e inexploradas... Eu vejo a perspectiva de morrer como uma aventura interessante, uma espécie de experimento de laboratório”.

FINAL DE CARREIRA

Ducasse morreu em 03 de setembro de 1969, com 88 anos. Suas cinzas foram lançadas em um terreno junto ao local onde foram lançadas as cinzas de seu gato de estimação. Seus principais livros foram: A filosofia da Arte, em 1930; Natureza, Mente e Morte, em 1951 e Pesquisa Crítica sobre a vida após a morte, em 1961. Publicou ainda inúmeros artigos em revistas e outros livros. Curt John Ducasse – Mestre em Artes, Doutor em Filosofia, pesquisador, professor da Universidade de Nova York – é mais um exemplo de que Ciência, Pesquisa e Espiritualidade podem caminhar juntas. A presente biografia foi baseada no trabalho de Martha Mitchell, apresentado na Enciclopédia Brunoniana da Brown University Library.

Severidade das leis Por Doris Gandres dorisgandres@yahoo.com.br

Hoje vemos as autoridades XX competentes dedicarem-se a proporcionar à sociedade maior cobertura legal e jurídica por meio de leis mais rigorosas, exigindo de seus executores em todas as instâncias mais atenção e empenho na sua aplicação criteriosa e imparcial. Isso de certa forma nos satisfaz, enquanto que, ao mesmo tempo, nos entristece. Se por um lado essa observância mais eficaz tem-se demonstrado capaz de atingir até mesmo aqueles que até a pouco estavam – ou julgavam estar – acima da lei, regozijando-se com a impunidade flagrante, por outro lado vem mostrar claramente o quanto ainda somos uma sociedade necessitada de “rédeas curtas”, “cabresto apertado”. Na q.796 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta: “A severidade das leis penais não é uma necessidade, no estado atual da sociedade?” E os Espíritos Superiores respondem: “Uma sociedade depravada tem certamente necessidade de leis mais severas; infelizmente essas leis se destinam mais a punir o mal já praticado, do que a cortar a raiz do mal. Somente a educação pode reformar os homens, que assim não terão mais necessidade de leis tão rigorosas”. Observemos que Kardec se refere ao estado atual da sociedade, isso em 1856-57; no entanto, parece estar se referindo ao nosso presente estado social... A desordem, a insegurança e o desrespeito aos direitos humanos atingiu um nível tão grave que, por absoluta e premente necessidade, as autoridades tiveram que instituir métodos de contenção que pudessem de certa forma controlar tal situação. Conhecemos hoje o Estatuto do Idoso, o da Criança e do Adolescente, a Lei Maria da Penha (para proteger a mulher contra a violência doméstica), a penalidade para todo tipo de preconceito e segregação (em particular étnica e de opção sexual), a atualização da legislação trabalhista para empregados domésticos de diversas atividades, inclusive os temporários/diaristas, e outros tantos instrumen-

tos legais para defender essas chamadas minorias tantas vezes violentadas, não só fisicamente, mas ainda psíquica e moralmente, ou seja, espiritualmente. Estão sendo tomadas igualmente outras medidas mais severas na área administrativa, implicando em maior fiscalização, maiores exigências de segurança, de condições de higiene etc. Vimos recentemente o estabelecimento da “tolerância zero” em relação à ingestão de bebida alcoólica e/ou drogas seguindo-se condução de veículo... E isto por quê? Porque dirigir estava se tornando um ato irresponsável e imprudente, realizado sob quaisquer condições físicas e psíquicas, transformando o veículo em uma arma e, assim, assumindo o risco de acidentes, leves, graves e até fatais, contra si mesmo e contra terceiros... O mesmo se deu com relação ao ato de fumar – vedado em qualquer recinto fechado, seja onde for e em qualquer horário. Os fumantes inveterados protestaram, “espernearam”, quiseram alegar discriminação, mas a lei “pegou”, como se diz.

E hoje os chamados “fumantes passivos” em muito agradecem – porque muitos de nós que já visitamos o INCA (Instituto Nacional do Câncer) sabemos da grande quantidade de enfermos com sintomas de câncer devido ao fumo que nunca puseram um cigarro na boca... A fumaça expelida pelo fumante carrega nada menos do que 4700 substâncias tóxicas! Os comentários de Kardec à q.685a de O Livro dos Espíritos são de extrema sabedoria e atualidade: “Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato?” É por isso que a resposta dos Espíritos na q.796, inicialmente citada, destaca o fato de que as nossas leis mais se destinam a punir o mal já praticado e não a preveni-lo, a arrancar o mal pela raiz. E isso só se consegue com a educação. E voltamos a Kardec: “não a educação intelectual, mas a moral, a que consiste na arte de formar os

caracteres. Quando essa arte for bem conhecida, compreendida e praticada, o homem seguirá no mundo os hábitos de ordem e previdência (...). Nisto está o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança para todos”. E vamos ainda lembrar a q.793 do mesmo livro: “Reconhece-se uma civilização completa pelo seu desenvolvimento moral. Acreditais estar muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e invenções maravilhosas; mas não tereis verdadeiramente o direito de vos dizerdes civilizados senão quando houverdes banido da vossa sociedade os vícios que a desonram e quando passardes a viver como irmãos (...). À medida que a civilização se aperfeiçoa, vai fazendo cessar alguns dos males que engendrou, e esses males desaparecerão com o progresso moral”. Nesse ponto, as nossas leis humanas já estarão bem mais próximas das leis naturais, divinas – e isso acontecerá naturalmente e, como diz Kardec, “pela força das coisas e a influência das pessoas de bem”.

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