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Versus Modernistas

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quadrinhos com o texto fiel da obra ( como as “ Memórias de um Sargento de Milícias” feitas por Bira Dantas) ou adaptações completas que acrescentam sabor e visual deliciosos á obra original, como “ A Relíquia da Marcatti. Por outro lado, é cada vez maior o número de HQs transformadas em filmes, alguns deles menos blockbusters que atraem multidões baseados em efeitos especiais, outros tão geniais que arrebatam a crítica mundial e vencem prêmios e preconceitos. Também ganharam as estantes das livrarias e bancas dois tipos importantes de quadrinhos: os romances de não-ficção e os quadrinhos jornalísticos. Romance de não- ficção é um termo cunhado por (ou para) a obra maior de Truman Capote, A sangue Frio, no qual o autor romanceou fatos reais para contar a história da um terrível assassinato ocorrido ocorrido nos EUA. “Nem tudo no livro é verdade, mas tudo é verdadeiro”, já disse um famoso jornalista brasileiro a respeito da obra. Convencidamente, um dos belos quadrinhos lançados no Brasil neste gênero é justamente Capote no Kansas, obra na qual é mostrada em belíssimos quadrinhos a investigação desenvolvida pelo autor para escrever o livro. Em tempo, um parêntese: no posfácio da obra, um dos autores, Ande Parks (o outro é Chris Samnee), comenta “ se você não leu A Sangue Frui, o que há de errado com você?”. Motivado pelo quadrinho e o comentário, eu, jornalista que há muito tempo adiava a leitura, peguei o livro no dia seguinte e devorei uma das melhores obras já escritas...

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O outro gênero usa os quadrinhos como suporte para fazer jornalismo, ou seja, o profissional entrevista pessoas, apura os fatos e, em vez de escrever ou gravar a matéria, transforma tudo em uma bela HQ. Creio que no Ocidente, Will Eisner foi um dos primeiros a fazer isso, mesmo sem saber, mas o gênero vem se concretizando com o grande Joe Sacco, autor de “Palestina: uma Nação Dividida” e outras reportagens em HQ. Atento a essa evolução, o jornal carioca O Globo publicou em agosto de 2008, pela primeira vez, uma matéria em história em quadrinhos! Quer mais? Políticos publicam biografias e propostas em HQs na época de campanha e fora dela; no Rio de Janeiro, os quadrinhos estão sendo utilizados para alfabetizar crianças surdas (no país inteiro já se usa quadrinhos para alfabetizar crianças sem deficiência auditiva), o Ministério Público de São Paulo tem planos de lançar uma HQ para alertar crianças sobre pedofilia. Há inúmeros outros exemplos sobre a importância dos quadrinhos, sobre como eles podem ser usados para educar, como incentivam a leitura e se intercambiam com a leitura tradicional. Há inúmeras pesquisas que mostram o quanto ler e fazer quadrinhos ajuda a melhorar o desempenho escolar, as habilidades de escrita e leitura e até mesmo a autoestima do aluno. Não pretendo, porém, ficar aqui elencando razões e regurgitando números. Prefiro fazer a você leitor um convite e um desafio, vá até uma livraria que tenha uma boa área de quadrinhos e escolha uma Graphic Novel que lhe parecer atraente, que desperte seu interesse. Leia o quadrinho e veja se ele lhe trouxe e remeteu a outros conhecimentos, se o incentivou a ler outros comics ou outros livros. Reflita ainda se ele lhe trouxe tanta ou mais satisfação do que os últimos três livros que você leu. Se a resposta for não, abro mão de meus argumentos. Se for sim, é com muita felicidade que você e eu nos encontraremos de novo no mundo fantástico dos quadrinhos ... e no dos livros também.

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LOBATO CONTRA MODERNISTAS: A GUERRA QUE Nテグ EXISTIU

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E MÔNICA. E HOMEM-ARANHA. E DRAGON BALL. E ... A Semana de Arte Moderna No livro Furação no Botocúndia, Carmen Lúcia de Azevedo, Márcia Camargo Vladmir Sanchetta argumentaram que o preconceito contra Lobato, motivava pelo episódio Mafalti, foi a única razão pela qual ele ficou fora da Semana de Arte moderna, já que Lobato seria o líder natural deles. Afinal, no campo das idéias sociais, políticas e econômicas, ele foi o praticante mais sistemático da agenda modernista. Mas nas artes, os modernistas foram bater às portas de Graça Aranha, que pouco tinha a ver com o movimento. Lobato fez graça com a situação: “ Se eu tivesse participado da semana, talvesz me tivessem contaminado com a inteligência nela manifestada. Preferi ficar na minha burrice”, escreveu ele, dispondo-se a participar de uma Semana, aumentada, na qual ficaria com o cargo de papa, logo abaixo do Papão Oswald de Andrade.

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Mesmo MĂĄrio de Andrade, provavelmente o maior responsĂĄvel pela disseminação da idĂŠia de que Lobato era inimigo dos modernistas, admitiu o alinhamento desse autor com ideais daquele movimento: â&#x20AC;&#x153;Quanto a dizer que ĂŠramos, os de SĂŁo Paulo, uns antinacionalistas europeizados, creio ser falta de sutileza critica. Ă&#x2030; esquecer todo o movimento regionalista aberto justamente em SĂŁo Paulo e imediatamente antes, pela Revista do Brasil ĂŠ esquecer todo o movimento editorial de Monteiro Lobato.â&#x20AC;?

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Lobato sempre esteve mais alinhado com ideais modernos do que com a tradição. Seu movimento pelo petrĂłleo brasileiro e pela industrialização estĂĄ mais prĂłximo do futurismo do que da tradição intelectual brasileira, que se prendia aos bons tempos do cafĂŠ. Sua obra infantil ĂŠ moderna ao extremo, inclusive em termos de linguagem, ao aproximar a literatura da fala coloquial. Suas vĂĄrias editoras sempre foram inovadoras e tiveram papel importante na divulgação dos autores modernistas. AtĂŠ mesmo no campo social Lobato se revelava revolucionĂĄrio, defendendo, por exemplo, que os jovens fizessem uma espĂŠcie de â&#x20AC;&#x153; estĂĄgioâ&#x20AC;?, morando com seus futuros cĂ´njuges antes de casarem.

de 1935, Ilustrado por J.U Campos

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Paródias nonsense Eu estava tranquilamente em meu escritório, limpando os restos de pólvora de meu 38, e imaginando qual seria o meu próximo caso. Gosto muito dessa profissão de detetive particular e, embora ela me obrigue de vez em quando a ter as gengivas massageadas com um macaco de automóvel, o aroma das abobrinhas até que faz a coisa valer a pena. Sem falar nas mulheres, nas quais não costumo pensar muito, exceto quando estou respiriando. O cara, texto que abre Cuca Fundida, é uma paródia das histórias de detetive. No estilo seco que celebrizou nomes como Dashiell Hammet ( O falcão Maltês), ela é narrada por Kaiser Lupowitz, um detetive particular de Nova York, que certo dia recebe em seus escritório a visita de uma loira escultural á procura de alguém. Só que esse alguém não é um cara qualquer. É O Cara: Deus.

De origem judia, o Detetive Lupowitz inicia sua busca com o interrogatório de um rabino. Este, questionado a respeito de sua certeza de existência de Deus sem nunca tê-lo visto, responde: “Que pergunta mais cretina! Como poderia usar um terno caro como este se Ele não existisse? Olhe aqui, sinta o tecido. Caríssimo! Como posso duvidar de sua existência? “(Allen, de família judia, não perde a oportunidade de satirizar os judeus.) Ainda em sua procura, Lupowitz trava um diálogo filosófico com Chicago Phil- “falsificador, assaltante de bancos, meliante tristemente célebre e ateu confesso”-, que cita Hegel e Schopenhauer. Durante a investigação, o detetive convers até com o Papa, o qual encontra comendo fettucine num restaurante italiano de Newark. O questionamento filosófico da efemeridade da existência humana e a fé na divindade e na vida pós-morte são temas recorrentes na obra do cineasta. Outra história de Cuca Fundida, A morte Bate á Porta, é uma paródia de O Sétimo Selo ( 1957), filme de Ingmar Bergman em que um cavaleiro vence a Morte num jogo de xadrez . No enredo de Allen, a Morte não sabe jogar xadrez, e o homem a quem busca escapa graças a um jogo de biriba.

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De fina inteligência e vasta cultura, Allen nunca cursou uma faculdade. Diz ele que tentou, mais foi expulso por duas vezes: a primeira sob acusação de “ ter sonhos erótico durante a aula de Epistemologia” ; a segunda porque o professor de Metafísica o “flagrou olhando para a alma de um colega durante uma prova”. Autor de praticamente todos os roteiros de seus filmes, Allen tem na afiada verve humorística seu maior trunfo. Em testa de ferro por Acaso, de 1976- que também dirigiu-, ele interpreta um sujeito sem talento para a escrita, que acaba servindo de testa-de-ferro para um grupo de roteiristas impedidos de trabalhar por terem os nomes na lista negra do Comitê de investigação de Atividades Anti- Americanas, presidido pelo então senador estadunidense Joseph MacCarthy. Além de seu trabalho com roteiros, Allen manteve sua atividade de escritor, colaborando com a importante revista The New Yorker. Seu primeiro livro, Cuca Fundida (Getting Even, 1971), é uma complicação de textos seus escritos para a revista nova-iorquina.

Aleen e Scarlett Jhoansson em Scoop: O Grande Furo (2006): crítica considera a atriz a nova “queridinha”do diretor” no lugar que já foi de Diane Keaton e Mia Farrow

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Redesign da Revista Discutindo Literatura  

Trabalho editorial acadêmico, o qual foi proposto fazer o redesign de duas edições da Discutindo Literatura. O objetivo foi deixar suas sess...

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