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ANO 5 | NUMERO 14 | JUNHO DE 2009

a das doenças A luta silenciosa contra um no Brasil que mais mata mulheres

Malhação

Os perigos da atividade física sem acompanhamento

Alcoolismo

O vício não escolhe idade e sexo

Alimentação

Alimentos antioxidantes são aliados de nosso corpo


ALCOOLISMO |

SAÚDE SÃO PAULO

Denilson Oliveira

E No Brasil, cerca de 3,5 milhões de jovens entre 12 e 24 anos sofrem com problemas causados pelo excesso de bebida

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m qualquer idade, o alcoolismo é uma tragédia. Na maioria dos casos, ele destrói o indivíduo, desequilibra a família e traz um custo imenso para a sociedade. Quando atinge pessoas jovens, no entanto, ganha cores ainda mais dramáticas – dá para imaginar, então, quando o álcool se associa à adolescência. Esse é um cenário que está se tornando comum no Brasil, como atesta pesquisa da Secretaria Nacional Anti-Drogas. Os adolescentes participam de forma cada vez mais expressiva da estatística do alcoolismo no País e já correspondem a 10% da parcela de brasileiros que bebem muito, somando um total de 3,5 milhões de jovens. Esse número é resultado da tendência de aumento de consumo nessa faixa etária, já verificado por estudos anteriores. Em levantamento feito no ano passado pelo Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas, em cinco anos a ingestão de bebidas alcoólicas aumentou 30% entre jovens de 12 a 17 anos e 25% entre jovens de 18 a 24 anos.

A pesquisa é a mais ampla já realizada sobre o consumo de álcool no Brasil. Foram 2,6 mil entrevistas, em 2008, com pessoas de 14 anos ou mais, em 129 municípios. Além de apresentar a parcela de jovens que abusam do álcool, o estudo mostra que, pela primeira vez, as meninas estão bebendo quase tanto quanto os meninos: 7% dos homens de até 25 anos bebem uma ou mais vezes por semana, consumindo, nessas ocasiões, cinco ou mais doses. Entre as mulheres dessa faixa etária, 5% manifestam o mesmo padrão de consumo. Acima dos 25 anos, a proporção é bem diferente: 27% dos homens contra 14% das mulheres. Se as adolescentes continuarem bebendo no ritmo detectado pelos especialistas, é provável que a participação feminina no drama do alcoolismo seja ainda maior no futuro. Dados atuais já são suficientes para disparar um alarme. Segundo estudo da Secretaria de Saúde de São Paulo, nos últimos três anos aumentou em 78% o número de mulheres que procuram tratamento nos centros de saúde. Há outros levantamentos que reforçam o alerta: os jovens estão iniciando mais cedo a


rotina de abuso de álcool. A idade média em que meninos e meninas de 14 a 17 anos começaram a beber foi 14,6 anos. A mesma pergunta foi feita para jovens de 18 a 25 anos. Eles começaram bem mais tarde: 17,3 anos. Mas não é só entre os jovens que esse número é um alerta. A partir dos 34 anos de idade, o alcoolismo passa a se tornar um problema crônico. É o que aponta estudo da Secretaria de Estado da Saúde com base nos atendimentos a dependentes realizados entre janeiro e setembro de 2008 pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), serviço da pasta na região central da capital. Segundo o levantamento, 41% dos 285 pacientes diagnosticados como alcoólatras, e que portanto passaram a fazer tratamento na unidade, tinham entre 34 e 44 anos. A grande maioria, 89%, era homem. A faixa etária dos 45 aos 55 anos respondeu por 23% dos pacientes. Outros 18,2% tinham entre 23 e 33 anos. “As pessoas viram alcoólatras antes mesmo de chegar à meia idade porque normalmente começam a tomar bebidas

alcoólicas ainda quando adolescentes. Sem se dar conta, muitas delas passam a beber todos os dias e, quando percebem, não conseguem mais ficar sem a cerveja, a pinga, o conhaque”, afirma a diretora do Cratod, Luizemir Lago. Os alcoólatras representaram 45% dos pacientes acolhidos pelo Cratod em 2008, seguido pelos dependentes de cigarro e derivados do tabaco, que representaram 31% do total. Em terceiro lugar vieram os usuários de cocaína, com 24%, seguidos pelos dependentes de maconha, com 15%. No Cratod os pacientes recebem atendimento por uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas e assistentes sociais. Além de consultas, os alcoólatras passam por dinâmicas de grupo, participam de oficinas e recebem medicação gratuitamente. Cada vez mais doses Já um levantamento do Ministério da Saúde mostrou que os brasileiros estão exagerando na dose de bebidas alcoólicas, mesmo com a lei seca em vigor. De acordo

No Cratod, os alcóolatras representam 45% dos pacientes atendidos em 2008. Além disso, aumentou o número de mulheres das classes mais altas que frequentam a unidade

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As consequências negativas do alcoolismo não são apenas comportamentais e sociais. O consumo excessivo do álcool é ponto de partida para diversos males

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com a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), o percentual de consumo abusivo de álcool pela população foi de 19% em 2008, contra 17,5%, em 2007, e de 16,1%, em 2006, primeiro ano do levantamento que traça o perfil dos hábitos da população. Para o estudo, foi considerado abusivo o consumo de mais de quatro doses de álcool para as mulheres e mais de cinco para homens, em mesma ocasião, evento ou festa, nos últimos 30 dias. A avaliação considera como dose de bebida uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de destilados como uísque ou vodka. A pesquisa revela que as mulheres estão bebendo cada vez mais. Em 2008, o percentual de pessoas do sexo feminino que beberam exageradamente foi de 10,5%, enquanto que, nos anos anteriores, os indicadores foram menores, sendo de 9,3%, em 2007, e de 8,1%, em 2006. Apesar do crescimento entre as mulheres, na comparação entre os gêneros, os homens continuam na frente. Entre as pessoas que afirmaram ter bebido exageradamente, o percentual de consumo abusivo de álcool para o sexo masculino foi de 29%, três vezes maior do que o registrado entre as mulheres e o maior desde 2006. Naquele ano, 25,3% dos homens entrevistados afirmaram ter consumido abusivamente

álcool, aumentando para 27,2%, em 2007, e 29%, no ano passado. Ainda sobre o sexo feminino, os números no Estado de São Paulo apontam uma mudança no perfil das mulheres que tem buscado tratamento contra o alcoolismo na rede pública de saúde. Agora, elas têm em média 43 anos, recebem acima de 15 salários mínimos e possuem diploma universitário. Em 2008, 478 pacientes das classes A e B foram atendidas em todo Estado para se livrarem do vício do alcoolismo. Já em 2006, 371 mulheres com esse perfil haviam buscado o tratamento. O crescimento no período foi de 22,3%. “As mulheres possuem maior dificuldade em procurar esse tipo de tratamento para os problemas relacionados com as bebidas alcóolicas. Pode ser pelo estigma com que a sociedade olha para as pessoas que sofrem com essa doença ou pela falta de informação de onde procurar, mas esses dados revelam que há uma mudança de comportamento e isso é muito positivo”, afirma Luizemir Lago. Ao todo, anualmente, cerca de 3.000 mulheres procuram deixar o vício do álcool. O Estado de São Paulo conta com uma rede de 47 CAP`s (Centros de Atenção Psicossociais). Danos ao corpo e mente As consequências negativas do alcoolismo não são apenas comportamentais e sociais. O consumo excessivo do álcool é ponto de partida para diversos males fisiológicos que podem levar à destruição de um organismo saudável em questão de meses. Além dos já conhecidos danos ao fígado, que podem levar à cirrose hepática, outros problemas, em outras áreas do corpo, podem decorrer da dependência da bebida. O órgão que garante o abastecimento de todo o resto do corpo é um dos que sofrem com os abusos do álcool. Segundo Daniel França Vasconcelos, presidente da Sociedade Brasileira de Cardio-


logia, o coração pode se enfraquecer devido ao alcoolismo. O excesso da substância danifica os músculos do coração e causa a cardiopatia alcoólica”, explica o médico. Ele reconhece que o consumo moderado de álcool pode ser benéfico ao coração. O abuso, porém, pode levar à pressão alta e a arritmias. O tempo de uso e a quantidade de álcool necessários para despertar problemas é variável, mas, quando surgem os sinais, não há outro caminho senão parar de beber. “Recomendamos total abstinência para o tratamento ser efetivo”, informa o cardiologista. Os ossos também são afetados quando se desenvolve o hábito contumaz da bebida. Os problemas ósseos começam a partir da degeneração do fígado, como diz o ortopedista Julian Machado. “O álcool prejudica a metabolização da vitamina D, responsável por calcificar os ossos, o que causa osteoporose. São afetadas também as regiões próximas às articulações, cuja circulação de sangue fica mais lenta. Isso pode levar a necroses no futuro”, detalha Machado. O esqueleto também é lesado indiretamente, uma vez que o estado de embriaguez deixa a pessoa mais propensa a sofrer acidentes que culminem em lesões, traumas e fraturas. Machado diz que o tratamento dos problemas ósseos depende da avaliação do nível de degradação a que os ossos já tenham chegado em cada caso. “As medidas são implantar próteses para substituir as articulações danificadas e receitar medicamentos contra a osteoporose”. Em se tratando do corpo humano, os distúrbios mais prejudiciais que o abuso do álcool pode causar são os que afetam o cérebro. A psiquiatra Hiltanice Bezerra, da Associação Psiquiátrica de Brasília, diz que feitos da substância não é sempre bem compreendido. “O álcool está difundido na sociedade como um problema menor entre as dependências químicas. Muitos pais ficam desesperados com a possibilidade de o filho usar maconha, e não percebem o ‘chopinho’ como substância de abuso. Parece que só veem risco se a droga for ilícita”. A psiquiatra lista os principais causas negativas do alcoolismo para a estabilidade mental. “Desde processos depressivos, transtornos ansiosos, agressividade e dificuldades respiratórias até aumento no risco de suicídio”. Junho Julho de 2009 | 15


ALIMENTAÇÃO |

SAÚDE SÃO PAULO

Defensores do organismo Flavia Queiroz

Alimentos antioxidantes ajudam a previnir doenças cardiovasculares e combatem os radicais livres em nosso corpo

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os últimos tempos, um termo vem aparecendo cada vez mais em propagandas de alimentos, rótulos de produtos e até revistas sobre beleza e boa forma: alimentos antioxidantes. Mas afinal, o que são esses tais alimentos e que propriedades eles têm? O nosso organismo produz alguns elementos tóxicos derivados do oxigênio, chamados “radicais livres”. Estes fazem com que as células oxidem e estão associados ao câncer e ao envelhecimento. Para proteger o corpo dos efeitos dessa oxidação, existem os antioxidantes, moléculas com carga positiva que se combinam aos radicais livres, de carga negativa, tornando-os inofensivos. Antioxidante é uma substância capaz de inibir tal processo, protegendo, dessa forma, o organismo. Todas as células do nosso corpo precisam ser abastecidas constantemente com oxigênio para converter os nutrientes absor-

vidos dos alimentos em energia. Os antioxidantes ajudam no bloqueio de radicais livres, que por sua vez, podem danificar células sadias do nosso corpo. A oxidação é um dos processos de envelhecimento, ou seja, cerca de 5% do oxigênio que respiramos não é queimado. Esse oxigênio que fica desestabilizado tem que roubar elétrons. Até os 25 anos, esse processo é compensado pelo próprio organismo. Depois dos 30, com a queda hormonal, o processo é acelerado. Portanto, as células do corpo inteiro tendem a envelhecer mais rápido. “Os alimentos antioxidantes atuam como anti-inflamatórios, anti-cancerígenos e protegem as disfunções neurológicas. Porém quando há excesso pode ser prejudicial à saúde, havendo uma hipervitaminose, que é o exagero de vitamina no organismo”, afirma Cristiane Kovacs, nutricionista coordenadora da seção de nutrição clínica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Segundo Cristiane alguns antioxidantes são produzidos por nosso próprio corpo e outros como as vitaminas C, E e o beta-caroteno, devem ser ingeridos através dos alimentos.


Antioxidantes por excelência, são as vitaminas A, C e E. e alguns minerais como o selênio em especial e, também o Zinco e o Cobre. Os polifenóis e dentro desses, os flavonóides, são poderosos antioxidantes, que em resumo constituem os corantes naturais dos vegetais, pelo que podemos observá-los nas mais vistosas e coloridas frutas e verduras. A vitamina C encontra-se em todas as frutas e verduras frescas em grandes quantidades. A vitamina E está estreitamente relacionada com a presença de gorduras insaturadas. Os óleos vegetais, especialmente azeite e óleo de girassol, são muito ricos nessa substância. Também contêm em grandes quantidades os frutos secos e alguns cereais como o trigo e o milho e, entre as frutas, destaca-se pelo seu grande conteúdo nesta vitamina o melão. A vitamina A está presente em produtos animais e vegetais. Entre os animais destaca-se pelo seu conteúdo o peixe, leite e derivados. Beta-caroteno encontra-se em cenoura, batata-doce, abóbora, espinafre, brócolis, vegetais folhosos verde-escuros. Compostos fenólicos encontrados no azeite de oliva extra virgem, vinho tinto ou suco de uva e no chá verde. É muito fácil distinguir os vegetais que contêm essas vitaminas, já que se destacam pelas suas cores vivas alaranjadas. Assim, são ricas nestas vitaminas as cenouras, a abóbora, o tomate, a papaia, a manga e ainda o melão e o milho. A dieta do mediterrâneo, rica em alimentos antioxidantes como frutas, legumes e verduras, alimentos integrais (rico

em fibras), azeite (extra virgem), frutas oleaginosas (castanhas), pode ser uma boa opção para manter a forma com uma alimentação saudável. É importante lembrar, que para aproveitar 100% das vitaminas existentes nos alimentos deve-se consumi-los logo após lavar, descascar ou partir, pois quanto maior o tempo de exposição dos alimentos ao ambiente inadequado, menor as vitaminas existentes nele. Muitas lanchonetes e restaurantes servem sucos naturais a partir da polpa de fruta congelada, mas essas não possuem quase nenhuma quantidade de vitaminas. DE VILÃO A ALIADO Até o chocolate, muitas vezes visto como vilão, também faz parte dessa lista. Mas o ideal é optar pela versão amarga, que contém mais de 70% de cacau, são ricas em flavonóides, que por sua vez são agentes oxidantes. Além de combater radicais livres, esse tipo de chocolate pode prevenir doenças cardiovasculares e até mesmo o câncer. Existem suplementos que garantem fazer o papel dos alimentos antioxidantes, porém deve-se obter um cuidado especial ao utilizá-los. Muitos desses suplementos não dão resultados satisfatórios e nunca devem substituir a alimentação natural. Alguns deles têm a digestão rápida demais e não faz efeito desejado em nosso organismo. Pelo contrário, quando ingeridos em excesso podem causar um aumento na oxidação. Os suplementos só podem ser usados quando a pessoa estiver doente e sob indicação de um médico ou nutricionista.

Até o chocolate, muitas vezes visto como grande vilão, possui substâncias com propriedades oxidantes

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AMAMENTAÇÃO |

SAÚDE SÃO PAULO

Mamãe, eu quero! Alessandra Pecoraro

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o No último carnaval quem estava nas ruas de Salvador ou acompanhava a folia baiana pela Tv se deparou com uma cena para lá de inusitada: a cantora Claúdia Leitte chegou a interromper algumas vezes duas apresentações para tirar leite materno e mandar para seu filho Davi, que havia nascido um mês antes. Além disso, mesmo depois de horas cantando e dançando, ela ainda acordava todos os dias às seis da manhã para amamentar o pequeno. Assim como a cantora, toda mulher que já deu a luz sabe da importância do leite materno. Alem do que, não existe sensação melhor do que amamentar, ter seu filho em seus braços com a certeza de que só ela tem o alimento que a criança precisa.O leite materno é o único que possui todos os nutrientes para esse bebê e na quantidade certa. Para se ter uma idéia, até mesmo a quantidade exata de água o leite contem. Além disso, o leite materno é fundamental que a criança receba o colostro, ou seja, o alimento produzido nos primeiros sete dias após o parto. É ele que terá a maior quantidade 36 | Junho de 2009


de imunoglobinas e de glóbulos brancos, responsáveis pela criação de anticorpos e fatores de proteção que estimulam o funcionamento do intestino. Para a OMS e Ministério da Saúde desde 2001, é aconselhável a amamentação exclusiva por seis meses, período já recomendado pelo Ministério da Saúde. Nesse tempo o organismo da criança não produz nenhum tipo de anticorpo, toda sua proteção vem do aleitamento materno. Também é recomendado até dois anos de idade, dar continuidade à amamentação, mesmo com a introdução gradativa de outro tipo de comida. “Se esse bebê parar de mamar aos três meses de idade, o organismo dele ficará sem proteção para as doenças infecciosas e estará mais exposta aos processos alérgicos”, diz Maria José Guardia Mattar, coordenadora do banco de leite do Hospital Leonor Mendes de Barros. Há muitas outras vantagens para as crianças que são amamentadas exclusivamente com o leite da mãe. Essas serão menos propensas a problemas como rinite, otite, sinusite, asma, serão mais seguras e abertas socialmente, podendo ser até mais inteligente. O aleitamento também contribui para o desenvolvimento psico motor e favorece o desenvolvimento fonoarticulatorio , melhorando o crescimento da mandíbula e do céu da boca ,a dentição harmoniosa preparando para a fala correta. A criança que é exposta ao leite de vaca in natura ou em formulas artificiais deixa o organismo mais sensível, aumentando o risco de diabetes tipo 1, obesidade, infecções e até hipertensão. Mesmo as fórmulas artificiais, que tentam chegar o mais próximo possível do leite materno ainda não conseguem substituir tudo, principalmente as proteínas e os anticorpos. Também aumentam a incidência de intolerância ao leite causando problemas de diarréias, de doenças crônicas , linfomas e leucemias. Somente se recomenda o uso dessas fórmulas artificiais apenas quando existirem razões medicas aceitáveis de causas maternas ou do bebe

Leite fraco não existe A produção do leite materno só será estimulada através dos movimentos de sucção que o bebê faz. “O famoso leite fraco, que muitas mulheres acreditam ter, não existe. Todo leite produzido pela mãe tem a quantidade exata de nutrientes e vitaminas. O leite do início da mamada é transparente por conter maior quantidade de água, mas ao longo da mamada ele vai mudando a sua composição e no final contem mais gordura que sacia a fome e faz o bebe ganhar peso.”, afirma Maria José. Durante a amamentação, é bom que a mãe siga uma dieta bastante controlada, evitando, principalmente, alimentos gaseificados e cafeína, facilitando a digestão da criança, além, é claro, de bebidas alcóolicas e do fumo que já devem ser evitados desde o inicio da gravidez. Vale lembrar que certos alimentos podem causar flatulências, por isso é indicado uma dieta rica em frutas, legumes e verduras. “Até o feijão, que um alimento rico em ferro, pode causar cólicas, por isso pode ser trocado por qualquer tipo de folhas verde-escuras”, diz Sandra Sestokas Zorzeti, diretora do Hospital e Maternidade Interlagos. Além disso, amamentar ajuda na queima de calorias e consequentemente na perda do peso que a mãe ganhou durante o período de gravidez. O contato entre mãe e filho também facilita a descida do leite, já que com a criança em seus braços a mãe ela se sente mais segura e menos ansiosa. Na amamentação, também é liberado o hormônio ocitocina, que ajuda na contração uterina e faz com que esse órgão volte ao tamanho normal mais rápido após o nascimento da criança. Outra vantagem para a mulher é que amamentar pode reduzir o risco de câncer de mama.

O leite materno é um poderoso alimento para os bebês. Além disso, amamentar traz outra série de benefícios para mulheres e crianças

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Revista Saúde São Paulo / junho 2009  

Revista trimestral feita para Secretaria da Saúde, circulação em todos os hospitais e postos de saúde do Estado de São Paulo.

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