Issuu on Google+


CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO|UNISEB FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

FRAGMENTOS PATRIMONIAIS: PERCURSOS PELA HISTÓRIA DE RIBEIRÃO PRETO

FLÁVIA FERNANDA SEGISMUNDO VILAS BOAS RIBEIRÃO PRETO 2016


FRAGMENTOS PATRIMONIAIS: PERCURSOS PELA HISTÓRIA DE RIBEIRÃO PRETO

Trabalho final de graduação submetido ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Estácio|UniSEB para obtenção do título de graduada em Arquitetura e Urbanismo.

Orientadora: Profª. Msª. Ana Teresa Cirigliano Vilella CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO|UNISEB RIBEIRÃO PRETO - 2016


AGRADECIMENTOS Dedico este trabalho e agradeço imensamente a todos que, de alguma forma, estiveram presentes comigo ao longo dessa jornada. Aos meu pais, Lúcia e Mário, primeiramente, pois sem eles eu não teria todas as oportunidades para chegar até aqui. À minha irmã, Marina, que dividirá em breve comigo essa profissão tão bonita. À toda minha família, que sempre me deu forças e me apoiou de todas as formas possíveis, principalmente a minha avó, tia Marlene, tia Ida e tia Joana, Tia Mara e Tio Germano, tia Rose, minhas queridas primas Ana Paula e Suzane, o meu mais profundo agradecimento principalmente pelo carinho cuidado nessa reta final. À minha amiga Sília, que me deu o empurrão de coragem que eu precisava para iniciar o curso em uma outra cidade, e também a todos amigos que tive o prazer de trabalhar junto nessa época. Aos meus amigos de longa data, Kemilly, Paulo Eduardo, Aquiles, Larissa, que ficaram apreensivos de eu estar me mudando para outra cidade, mas que me apoiaram com muito carinho sempre, sobretudo nas noites em claro fazendo maquetes, juntamente com meus pais e irmã. Um agradecimento especial para meu irmão Bruno, que está comigo em todos momentos, sempre me apoiando, auxiliando e colocando um sorriso em meu rosto. Aos meus amigos da ”caverna”, Marvin e Felipe, que me acolheram tantas vezes durante esse ano. Aos meus amigos Lidiane e Serginho, que me auxiliaram muito no começo em um nova cidade, sendo umas das pessoas mais generosas que já conheci. As meninas dos aptos que morei, que estiveram muito presentes nessa minha trajetória, Horts, Lia, Kety, Carol e Amanda, já sinto grande saudades das que já foram, e vou sentir ainda mais das que estarei deixando. Aos amigos que fiz no estágio, onde passei dois anos incríveis, e onde eu obtive conhecimento mais que somente para a profissão, obtive conhecimento para a vida, um agradecimento especialmente a Cinthia e Raquel, que foram ótimas supervisoras, sempre as verei como exemplo. Aos meus amigos que conheci durante o curso, sobretudo Priscila, Rodrigo R., Marcela, Guilherme, Marília, Jú, Rodrigo L., onde juntos passamos longas madrugadas desesperadoras e divertidas, e muito momentos felizes. Ao Otávio, que virou tantas noites trabalhando em minha ajuda, e que sempre segurou minha mão e me puxou para cima, quando eu não queria mais levantar, e que mesmo às vezes longe, sempre me deu o conforto nas horas de desespero, e que sempre estava comigo quando eu precisava dar um respiro de tudo. Aos meus professores, que com maestria dividiram seu conhecimento comigo, sobretudo ao mestre Francisco Gimenes (in memória), que me ensinou a amar história e urbanismo, a professora Marcela, que sempre foi muito solicita e gentil, ao professor Marcelo, que me ensinou o gosto pelos patrimônios, e finalmente, a minha orientadora, Ana Teresa, uma professora nova que eu não conhecia e por isso tive receio de ser orientanda, e que já nas primeiras orientações me mostrou que foi a melhor escolha que podia ser feita, agradeço por todo esse ano, por toda orientação, apoio, e principalmente por sempre me acalmar. Sem todos vocês, eu não estaria hoje escrevendo essa dedicatória, vocês ajudaram a formar parte do que eu sou, e principalmente, parte da profissional que eu vou ser daqui para frente, por isso lhes serei grata não somente agora, mas por toda vida!


“A memória que falha, não guarda referências. As referências que se perdem, não revelam um povo. Um povo sem memória reivindica sua história, que se for negada, leva ao fim o que sempre deveria ser um eterno começo.” (Autor Desconhecido)


RESUMO Este trabalho final de graduação tem por objetivo tratar como tema principal a conservação patrimonial, tratando desde de seus primórdios, até seu desenvolvimento nos dias atuais. Com vistas a uma conservação urbana ampla, os demais temas tratados baseiam-se em conceitos de conservação integrada, que une mais de um tipo de instrumento no planejamento das cidades. Trata-se sobretudo da requalificação das áreas mais antigas de Ribeirão Preto, que possuem exemplares importantes de sua história, onde muito estão se perdendo ou denegrindo a área em que estão, quando seria ideal que estes estivessem abertos ao uso da população, com atividades institucionais ou culturais. Durante todo o trabalho, são desenvolvidas muitas leituras a cerca de se obter um bom embasamento teórico para então se propor algo. Um das maiores partes e que dispenderam o maior tempo do trabalho, foi o remapeamento dos imóveis/locais de interesse histórico e patrimonial de Ribeirão Preto, catalogar cada um deles, que chegaram a 100 exemplares, e posteriormente estabelecer estudos de vocações e diretrizes de usos para alguns casos exemplares. Acoplado a este produto, um outro produto produzido diz respeito à mobilidade urbana, uma vez que o tema do trabalho é a COSTURA entre os FRAGMENTOS PATRIMONIAIS de Ribeirão Preto, e esta costura é então proposta a ser feita através de diretrizes cicloviárias, nas quais se considera uma alternativa interessante, mais simples e básica a serem implantadas até de maneira bem rápida, causando poucas alterações e impactos. O trabalho é dividido em sete capítulos, onde o primeiro trata de dos conceitos acerca do Patrimônio, contando sua história e a evolução que os conceitos sobre esse tema tiveram até a atualidade. O segundo trata da questão das camadas da cidade, suas sobreposições, os fluxos que fazem as cidades funcionarem, e como a história vai deixando resquícios, ficando fragmentada, contando pedaços de várias histórias, e trata principalmente como estes fragmentos de história devem ser integrados ao cotidiano das pessoas e de como é importante a integração entre o passado e o presente, o antigo e o novo. O terceiro capítulo destina-se a estudar a obra Riegl, que trata dos julgamentos de valor destinados aos bens patrimoniais. O quarto capítulo já entra no caso de Ribeirão Preto, em sua história, desde a formação da cidade, sua evolução, períodos que passou, até chegar na atualidade, o tema também entra como são tratados os bens patrimoniais na cidade, e o que o descaso pode resultar. O quinto capítulo trata dos reflexos da ocupação urbana sobre o patrimônio, como estes podem ser prejudicais, mas também como estes podem conviver harmoniosamente. E o sexto capítulo entra no tema da mobilidade urbana, como tema secundário importante desse trabalho, como a mobilidade pode influenciar nos usos ou no abandono de uma área, como a área de bens patrimoniais, tratando de uma maneira geral da mobilidade, o capítulo chega ao tema da bicicleta como alternativa de transporte e ali se abstém a falar um pouco sobre como ela pode ajudar nas estratégias de conservação integrada. O extenso capítulo seis, trata-se de tudo que foi levantado no trabalho, a vistas de cumprir seu objetivo. Começando pela delimitação das área de estudos, explica a metodologia em que este é baseado, apresenta a leitura de casos exemplares, apresenta as fichas dos bens patrimoniais selecionados, bem como levantamentos das áreas, e o trajeto até chegar nos objetivos mais específicos que é a seleção dos bens passíveis de intervenção, o estudo de vocações, e a elaboração de diretrizes cicloviárias.

Palavras-chave: Fragmentos Urbanos, Conversação Patrimonial, Conservação Integrada, Mobilidade e Patrimônio.


SUMÁRIO INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................................................................12

1. DEFINIÇÕES E CONCEITOS.........................................................................................................................................................................................13 1.1 Patrimônio Histórico Cultural.......................................................................................................................................................................................................

14

1.2 Patrimônio Urbano........................................................................................................................................................................................................

21

1.3 Ampliação do Patrimônio Histórico......................................................................................................................................................................................................

26

2. PATRIMÔNIO EM FRAGMENTOS...............................................................................................................................................................................30

3. “O CULTO CONTEMPORÂNEO DOS MONUMENTOS” ............................................................................................................................................35

4. AS ORIGENS HISTÓRICAS DA DESVALORIZAÇÃO PATRIMONIAL EM RIBEIRÃO PRETO.........................................................................................45 4.1 Os Primórdios da cidade

46


4.2 A Consolidação da Cidade...................................................................................................................................................................................49 4.3 A Expansão da Cidade..........................................................................................................................................................................................52

5. REFLEXOS DA OCUPAÇÃO URBANA SOBRE O PATRIMÔNIO............................................................................................................

....55

5.1 Abandono dos Imóveis Históricos.......................................................................................................................................................................

58

5.2 Esvaziamento do Centro......................................................................................................................................................................................

6. APORTES GERAIS SOBRE MOBILIDADE URBANA E PATRIMÔNIO 6.1 Conflitos entre Mobilidade, Arquitetura Patrimonial e o Cotidiano Contemporâneo 6.2 Panorama Geral da Mobilidade Urbana em Ribeirão Preto 6.3 Bicicleta como alternativa de transporte

7. O DELINEAMENTO DE UMA PROPOSTA PARA RIBEIRÃO PRETO: ESTUDO DE VOCAÇÕES (DIRETRIZES DE USO) E INTEGRAÇÃO NA CONSERVAÇÃO PATRIMONIAL

60

63 64 70 75

80


7.1 Leituras Projetuais

80

7.1.1 Porto Maravilha – RJ

80

7.1.2 Bolonha, Itália

85

7.2 Procedimentos Metodológicos para Definição da Área de Intervenção

90

7.3 Apresentação da Área de Estudo

92

7.3.1 Área 01 – Centro

101

7.3.2 Área 02 – Vila Virgínia

145

7.3.3 Área 03 – Campos Elíseos

156

7.3.4 Área 04 – Ipiranga

182

7.3.5 Área 05 – Vila Tibério

206

7.3.6 Morro do São Bento

222

7.3.7 USP – Fazendas de Café – Museus

237

7.4 Levantamentos

243

7.5 Estudos das Vocações e Diretrizes de Uso 7.5.1 Metodologia e Diretrizes Gerais 7.5.2. Estudos de Vocações e Diretrizes – Área Central 7.5.3 Estudos de Vocações e Diretrizes – Vila Virgínia

264 267 269 284


7.5.4 Estudos de Vocações e Diretrizes – Campos Elíseos 7.5.5 Estudos de Vocações e Diretrizes – Vila Tibério

289 297

7.5.6 Estudos de Vocações e Diretrizes – Ipiranga

303

7.6 A Costura entre os Fragmentos Patrimoniais

308

7.6.1 Tipologias de percurso.

310

7.6.2 Mobiliário Urbano

317

CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS


Introdução Este Trabalho Final de Graduação trata da requalificação,

em escala urbana, dos fragmentos patrimoniais da cidade de Ribeirão Preto, a partir de um estudo das vocações destes, resultando em diretrizes de uso, acoplado a estudos de um sistema cicloviário que faça a ligação e o fácil acesso a todos os bens patrimoniais levantados. O objeto de estudo é a cidade como um todo, dentro da qual foi delimitada uma área específica para intervenção, definida a partir da identificação dos principais bens de interesse históricoarquitetônico, estes que incluem patrimônios industriais, ferroviários e do chamado “período do café”. O objetivo do trabalho é a revitalização das áreas

centrais e adjacentes da cidade de Ribeirão Preto, que contenham exemplares importantes da história da cidade, tendo em vista o abandono de grande parte deste patrimônio cultural, fruto de uma nova lógica de ocupação urbana, que se expande para a periferia em detrimento das pré-existências da cidade. Serão desenvolvidas diretrizes de uso para os edifícios identificados sem uso ou com uso inadequado, e posteriormente o estudo de um

plano cicloviário e diretrizes gerais de mobilidade urbana ligando estes edifícios e os demais identificados como bens patrimoniais importantes, que transforme as áreas que, atualmente estão desconexas e fragmentadas, em um conjunto.

Este trabalho justifica-se, sobretudo por sua relevância histórica, arquitetônica e urbana. A problemática que dá origem ao projeto é fruto da urbanização sem planejamento, do abandono de certas áreas da cidade em prol de um novo polo de atração, da “política do novo”, onde o que é antigo fica à mercê do tempo, até ser substituído ou simplesmente transformado em um vazio urbano. A intenção do projeto é reincorporar os edifícios de valor histórico para o cotidiano das pessoas, recuperando sua

vitalidade e sua história. Alguns dos edifícios selecionados para intervenção se encontram abandonados, em locais degradados e sem utilidade, que poderiam estar sendo utilizados como equipamentos urbanos a fim de melhorar a quantidade e qualidade dos serviços, porém estão fazendo uma função contrária, contribuindo para o afastamento da população e o aumento dos índices de degradação. A proposta visa dar funcionalidade a essas áreas, transformando as relações entre os usuários e os espaços, os usos de cada um, para os que estão sem uso, em particular, serão definidos pela necessidade da população local e da cidade em geral. A relevância acadêmica do projeto se dá pelo levantamento de bens patrimoniais da cidade e o estudo das áreas em que se encontram, além de imóveis já tombados, o projeto incluíra bens de interesse patrimonial, como no caso dos alguns galpões industriais, sendo de utilidade para futuras pesquisas. Abordando também o tema da ligação entre eles, o projeto contribuirá para a visão de como reintegrar esses edifícios ao tecido e à vida da população através de uma proposta de como isso pode ser feito.

12


Cap.1 Definições e Conceitos 1.1 O QUE É PATRIMÔNIO HISTÓRICO – PATRIMÔNIO CULTURAL? “Patrimônio histórico. A expressão designa um bem destinado ao usufruto de uma comunidade que se ampliou a dimensões planetárias, constituído pela acumulação contínua de uma diversidade de objetos que se congregam por seu passado: obras e obrasprimas das belas-artes e das artes aplicadas, trabalhos e produtos de todos os saberes [...] dos seres humanos. ” (CHOAY, 2001, p.11)

O termo PATRIMÔNIO nos remete à ideia de posse. Falar de patrimônio histórico, ou patrimônio artístico abrange algo maior, relacionado à própria cultura de uma sociedade, seus produtos e práticas culturais. O Patrimônio Histórico e Artístico pode ser entendido como um dos segmentos de um acervo maior que é o de Patrimônio Cultural. Vale explicar, primeiramente, a evolução que se deu até o termo “patrimônio histórico”, que uma vez definido, foi ampliado algumas vezes, englobando mais conceitos, até ser englobado na categoria maior, definida como Patrimônio Cultural. Conforme CHOAY (2001), no Quattrocento italiano, e até um pouco antes disso, começou a se intensificar uma tendência de preservação dos elementos do passado. A partir de Roma, onde a autora afirma ter nascido o monumento histórico, definidos como os artefatos que possuíam valor histórico e artístico, os quais foram chamados genericamente de “antiguidades”, sendo preciso mais de três séculos para que ganhassem seu nome definitivo.

Figura 1 - Phanteon, Roma.¹ Sendo assim, no final do século XVIII, durante a Revolução Francesa, a partir dos atos de vandalismo que estavam acontecendo, foi levantada a questão da conservação dos bens do passado para as próximas gerações, e então criado o termo Monumento Histórico, para designar os bens que exigiam o comprometimento da nação para sua proteção. ¹ Disponível em https://s-media-cacheak0.pinimg.com/originals/2c/26/c6/2c26c64614da7413c0e9e673b1cf5763.jpg. Acesso em 15/05/2016.

14


Cap.1 Definições e Conceitos O termo veio com o sentido original de Monumento, que do

monumentum, deriva de monere, que significa advertir/lembrar, se constitui daquilo que não somente latim

apresenta algo, ou contém uma informação neutra, mas que toca, pela emoção, uma memória viva. (VILELLA, 2010). A partir de então, muitas teorias de preservação e restauração foram desenvolvidas, ainda cheias de contradições. “Na França, onde se consolidaram os princípios e as instituições de conservação, o despreparo dos arquitetos provocou atitudes deturpadoras e destrutivas nas intervenções das edificações [...] resultando em demolições e reconstruções arbitrárias. ” (GRAMMONT, 2006, p. 438).

Por isso era preciso dar início a políticas efetivas para preservação, em âmbito internacional, e a partir daí foram criadas as cartas patrimoniais. A primeira foi a Carta de Atenas em 1931, que divulgou importantes critérios de preservação aos monumentos, como o respeito e o uso continuo destes, porém ela era mais restrita. Depois deu origem a uma segunda Carta de Atenas, em 1933, onde a questão da preservação encontra na cidade um complexo estruturado de símbolos. (VILELLA, 2010). As discussões continuaram e mesmo antes que as práticas estivessem efetivamente estabelecidas, a destruição provocada pela Segunda Grande Guerra as colocou novamente em cheque. E a partir daí, quanto à necessidade de reconstruir as cidades, o papel do planejamento urbano passa a ser percebido como um

eficiente instrumento (GRAMMONT, 2006).

de

preservação do patrimônio.

Nesse período as sociedades sentiram desprovidas de sua história, pois em muitos lugares, houve perdas irreparáveis, em maior ou menor escala, aumentando sua relação com os elementos

remanescentes, que ainda guardavam sua memória. Segundo GRAMMONT (2006), em 1962, a XII Conferência da UNESCO aprovou recomendações sobre o entorno do monumento histórico. E em maio de 1964, a Carta de Veneza, reforçou a relação entre os monumentos e a cidade defendida no CIAM, onde “houve uma ampliação no conceito de monumento histórico de como objeto único para o conjunto ao qual pertencia no conjunto urbano. ” (VILELLA, 2010, p.24). Considerando-se uma mutilação retirá-lo do seu entorno. (CHOAY, 2001). Além disso, a Carta de Veneza também trouxe a extensão de conceito, acrescentando obras modestas à sua definição de monumento histórico. (GRAMMONT, 2006). Devido às evoluções do significado do termo monumento com o tempo, este apresentava contradição com a nova visão, pois já bem antes o termo teria ganhado uma definição de grandeza, conforme destaca CHOAY em suas análises que por muito o monumento era visto como “Testemunha que nos resta de alguma grande potência ou grandeza dos séculos passados [...]” e este foi associado a valores estéticos e de prestígio: “Monumento ilustre, soberbo, magnífico, durável, glorioso. ” (CHOAY, 2001, p.19). Sendo assim, o termo remetia a construções grandiosas, e quando houve a ampliação do conceito da preservação, em que as cidades poderiam

15


Cap.1 Definições e Conceitos carregar consigo uma rede símbolos que poderiam ser lidos em conjunto, ao invés de isolados, retomando de forma tangível a própria história, (VILELLA, 2010) além da incorporação de construções “menores” um novo termo foi proposto na década de 60. O novo termo, PATRIMÔNIO HISTÓRICO, encontra definição no conceito de que “Do mesmo modo que uma pessoa pode ter sua identidade definida pela posse de determinados bens, a nação define-se a partir da posse de seus bens culturais. ” (GONÇALVEZ, 1988, p.267). E a origem do termo, segundo CARNEIRO (2009) e destacado por VILELLA (2010) está nos vocábulos greco-latinos Pater (no sentido das heranças deixadas pelo chefe da família) e Nomos

Segundo GRAMMONT (2006), apesar de algumas Cartas Patrimoniais já fazerem referências à necessidade de respeitar e também valorizar as tradições, os costumes e as culturas

locais, somente em 1989, durante uma conferência da UNESCO, em Paris, é que o conceito de patrimônio efetivamente abarca esses quesitos. Há a “mudança na concepção de patrimônio apenas material, para abarcar também o patrimônio imaterial, e esta demorou a ocorrer porque somente na década de 1980 as ciências sociais se interessaram pela produção cultural imaterial. ” (GRAMMONT, 2006, p. 440). O Patrimônio Histórico, então, passa a integrar o conceito de Patrimônio Cultural, novo termo adotado, que insere no século XXI.

(grupo social). Ou seja, Patrimônio então representa a herança de

um grupo social, ideia que foi reforçada pela Carta Italiana Del Restauro, em 1972, quando abordou a ideia de centros-históricos e posse coletiva. (VILELLA, 2010). Vale destacar que dentre essa evolução dos termos, também surgiu o termo de patrimônio urbano, muito bem posicionado por GIOVANNONI, que será explicado posteriormente. Também em 1972, a UNESCO, acrescentou o conceito de “lugares notáveis”, dando início ao que se chamaria patrimônio imaterial e expandindo, um pouco mais, o conceito de Patrimônio Histórico, que agora seria abrangido pelo termo Patrimônio Cultural. (GRAMMONT, 2006).

Tendo explicado a evolução do termo, com base em um breve contexto histórico, pode-se agora explicar melhor o que venha a compor o Patrimônio Cultural, com vistas, sobretudo a entender sua aplicação nas ações preservacionistas do Brasil. De uma forma geral, Patrimônio Cultural é tudo o que é importante e que deve ser valorizado como constituinte de uma sociedade. Apresenta elementos heterogêneos que caracterizam e dão especificidade para cada uma. Ele é dividido entre material e imaterial, e engloba os conceitos antropológicos de cultura enquanto todo fazer humano, desde objetos, conhecimentos, capacidade e valores.

16 Segundo GRAMMONT


Cap.1 Definições e Conceitos criação da lei que contemplaria a proteção dos monumentos históricos na Constituição Federal do Brasil de 1937. Art.1 – Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico. (Decreto-Lei n.25, 30 de novembro de 1937).

Figura 2 – Patrimônio Cultural Imaterial – Frevo² Sendo assim o Patrimônio Cultural entra no século XXI, representando uma visão contemporânea, que não se restringe apenas grandes imóveis, palácios, igrejas, mas se estende a “arquitetura menor”, imóveis particulares, trechos urbanos, ambientes naturais, imagens, utensílios, mobiliário, crenças, técnicas, dentre outros. Conforme já explicado na evolução do termo, antes o termo utilizado era Patrimônio Histórico e Artístico. Portanto, no Brasil, a primeira definição de patrimônio histórico foi feita pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o SPHAN, órgão responsável pela preservação do patrimônio brasileiro. Segundo VILELLA (2010) esse órgão foi criado com a influência dar Cartas de Atenas (1931-1933), que impulsionaram o Estado brasileiro na

Na década de 1960, o SPHAN foi substituído pelo Instituto de Preservação do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, que é o atual órgão responsável pelo patrimônio cultural brasileiro, que em 1988, adotou esse termo em substituição ao anterior. Ampliou-se então o conceito de Patrimônio Histórico e Artístico, previamente estabelecido em 1937, para Patrimônio

Cultural Brasileiro, uma vez que não apenas os bens imóveis eram de interesse público, mas também as manifestações de caráter imaterial. Sendo assim, o IPHAN subdivide o Patrimônio Cultural em

Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial, que são os grupos básicos, e ainda destaca as categorias Patrimônio Arqueológico e Patrimônio da Humanidade. ² http://www.professoraroberta.com/uploads/3/8/2/9/38290069/8087600_orig.jp g. Acesso em 15/05/2016.

17


Cap.1 Definições e Conceitos

Figura 3 – Patrimônio Cultural Móvel e Imóvel³ Conforme destaca LEMOS (2000), Huges de Varine-Boham, professor francês da UNESCO, define que todo patrimônio cultural pode ser visto como a divisão em três grandes categorias de elementos. O primeiro abrange os elementos naturais, que dizem respeito à natureza e ao meio ambiente, como rios, montanhas, o clima, etc, (estes podem ser incluídos, de forma geral, o patrimônio material). O segundo grupo é constituído das

técnicas, do saber fazer, do conhecimento, das práticas de sobrevivência da humanidade, são os elementos não tangíveis (estes podem englobar, também de uma forma geral, o patrimônio imaterial). E o terceiro grupo, o qual é o mais importante para o presente trabalho, é constituído por elementos que unem as duas primeiras categorias, que são os elementos naturais com as

técnicas, produzindo o que se pode chamar de artefatos , os quais englobam toda sorte de coisas, desde pequenos objetos até grandes construções. Pode-se dizer que estes fazem parte dos bens materiais imóveis e móveis.

Segundo as definições do IPHAN, os bens tombados de natureza material podem ser:

Imóveis: como as cidades históricas, sítios arqueológicos e paisagísticos e bens individuais; ou

Móveis: como coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.

arquivísticos,

Dentro destes também podem ser classificados os bens de consumo imediato ou que são utilizados apenas uma vez, e outros que perduram muito tempo, com vida demorada e uso prolongado, alguns perduram por tanto tempo que tem seus usos redefinidos, ³ http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/images/Banners/Banners_Menu/Ban ner_Patrimonio_Material.jpg. Acesso em 15/05/2016.

18


Cap.1 Definições e Conceitos onde um exemplo móvel é que quando um objeto comum como um prato antigo é em outras épocas pendurado na parede como um quadro, tornando-se de instrumento cotidiano em peça de arte. Outro exemplo, dessa vez imóvel, e aqui, de extrema importância para o trabalho, é quando construções importantes e históricas têm seus usos originais substituídos, “embora a função abrigo própria do espaço arquitetônica continuasse sendo exercida”. (LEMOS, 2000, p.13)

Os novos conceitos contemporâneos de conservação patrimonial prezam para que não ocorra o que foi citado no exemplo. As mudanças do tempo são importantes e devem ser expressas pelo próprio patrimônio, porém, este deve ser preservado e não pode ser deixado em ruínas ou ser demolido totalmente, outras partes da cidade podem dar local as novas edificações, como destaca Giovannoni, sem que preciso seja se imporem ao antigo como substituições.

Cabe destacar também “o programa e as sucessivas alterações nos usos também exigem modificações nos artefatos de uso prolongado” (LEMOS, 2000, p.13). As casas de morada, por exemplo – cabe atentar que nesse exemplo pode se englobar vários outros tipos de construções, que não somente residenciais, até englobar paisagens, cidades, áreas urbanas - vão sofrendo adaptações conforme as necessidades da nova época e de seus moradores, até que, em muitos casos, acabam sendo mutiladas, fracionadas, e chega um ponto que são consideradas como não capazes de atender as novas demandas, e então são demolidas para dar lugar a outras que possam fazer isso. “Cada família sucessiva que nela habita, vai deixando sua marca [...] mas chega um tempo em que [...] realmente não pode mais oferecer o conforto exigido pelas novas concepções [...] e, então vemos [...] perder a sua compostura antiga [...] e de degradação em degradação, chega a seu dia de demolição para dar lugar a “edifício” concebido dentro das novas regras [...]” (LEMOS, 2000, p.14).

Embora no Brasil tenha se observado a cultura do “bota-

abaixo” (VILELLA, 2010) principalmente sob a pressão da especulação imobiliária, atualmente pode-se considerar que há um panorama mais positivo no que tange a questão acima levantada. Cabe entrar no assunto, de forma mais detalhada que anteriormente, do por que se preservar, e o que se deve preservar. É pela preservação do patrimônio que uma sociedade conta sua história, pois eles têm o poder de evocar a memória de um povo, daí o porquê de se preservar. “Devemos garantir [...] a compreensão de nossa memória social preservando o que for significativo dentro do nosso vasto repertório de elementos componentes do patrimônio cultural. ” (LEMOS, 1891, p.29). O que é significativo representa então “o que se deve

preservar”, e por muito tempo seguiu critérios pré-estabelecidos, restritos, que atribuíam valor praticamente a bens de maior escala, abrangência, maior idade, e maior valor artístico segundo as regras

19


Cap.1 Definições e Conceitos clássicas. Atualmente, porém, o campo do patrimônio ampliou-se muito, e na contemporaneidade cabe a um

julgamento de valor (melhor detalhado no capítulo que trata das teorias de RIEGL) que fica a critério de cada órgão responsável pela preservação – estes devem se valer, com extrema importância, da opinião pública também. Conceito melhor explicado no capítulo 2 do presente trabalho. A partir da seleção dos bens a serem preservados, surge então outra questão, sobre como preservar. Essa questão sempre provocou muitas opiniões adversas, desde conceitos extremos de “anti-preservação”, até conceitos atuais que dão novos usos contemporâneos aos patrimônios históricos e fazem adaptações marcadas para tal fim. Tendo em vista a fluidez do presente trabalho e pertinência para seu tema, não se entrará em detalhes sobre técnicas de restauração, somente sobre alguns conceitos, melhores explicados nos próximos capítulos, sobretudo nas considerações das diretrizes de uso para os bens patrimoniais selecionados, que será desenvolvida nas próximas etapas do trabalho.

20


Cap.1 Definições e Conceitos

1.2 PATRIMÔNIO URBANO E AS FIGURAS DA CIDADE A observação das especificidades do ambiente urbano já era foco de vários estudos desde meados do século XIX. Passando pelas teorias mais conservadoras de vários autores como Cattaneo (18011869), Buls (1837-1914), Ruskin (1819-1900), Morris (1834- 1896) 5 , até uma evolução que consideraria as mudanças do julgamento de valor no tempo e a abrangência do conceito de patrimônio, defendidas por Boito (1836-1914) e Riegl (1858-1905), além das contribuições de Sitte (1843-1903) e Violet Le Duc. Todos estes, conformaram um panorama a respeito das considerações do ambiente urbano que permitiram o surgimento e ampliação do conceito de “patrimônio urbano”, utilizado pela primeira vez por Giovanonni, um precursor das teorias de restauro urbano e posteriormente, do urbanismo moderno, que propôs de forma

Figura 4 – Ouro Preto, MG - Brasil.4

inovadora, intervenções entre o antigo e o novo, baseandose nos aspectos espaço-tempo, e respeitando as diferenças entre

urbanas inteiras em nome da higienização e modernização das cidades. 6

essas parcelas urbanas, com o objetivo de tratamento adequado do patrimônio histórico e a solução dos problemas urbanísticos, através de soluções projetuais compatíveis com a estrutura existente e levando em conta sua expansão.

Disponível em http://img.dicasdehoteis.net/2015/04/ouro-preto-melhoreshoteis.jpg. Acesso em 15/05/2016.

Teoria que ia contra as soluções radicais como de Hausmann, em Paris, ou Sisto V em Roma alta, (onde se salvou o Coliseu, mas destruiu vários outros, conforme conta Giovannoni em seu livro

5 Ruskin e Morris são mais conservadores pois estes seguem a teoria romântica de não interferência na história, e apesar de se atentarem para as questões da conservação urbana, o seu foco está na conservação urbana não em sua totalidade, mas sim as cidades pré-industriais, que julgam serem intocáveis, as demais, não consideram como parte história.

“Vecchie Città ed Edilizia Nuova”, 1931) que destruíram parcelas

6

4

Intervenções descritas de forma mais detalhada no capítulo 5.

21


Cap.1 Definições e Conceitos Analisando o contexto histórico, o pensamento dos séculos anteriores permitiu que tais fatos ocorressem, e também motivou os sucessores estudos urbanos, pois, um grande intervalo de tempo se passou entre a invenção termo monumento histórico e a invenção do patrimônio urbano, conforme relata CHOAY (2001). E esse atraso, deve-se a complexidade de analisar o organismo da cidade como um todo, suas escalas e, sobretudo, a dificuldade nas documentações da evolução da urbanização, que eram escassas e imprecisas antes do século XIX. A maior motivação dos estudos urbanos se deu então pelo

“contraste” que surgiu entre a cidade antiga e a cidade nova, de acordo com o panorama criado na época da industrialização, podendo então chama-las de cidades pré-industriais e cidades industriais ou pós-industriais. Quando as cidades expandiram em tamanho e em habitantes, e novas funções foram exigidas para um espaço que não as suportava, o caos foi instalado, e em dado momento ficou insustentável, fazendo-se necessárias as

intervenções para higienização, revitalização, modernização, e tantos outros termos empregados, do espaço urbano. Isso explica as sucessoras propostas de intervenções, citadas anteriormente, onde muitas não obtiveram sucesso e resultaram em perdas irreparáveis, devido ao pensamento fragmentado dos séculos passados. A partir de tais estudos, iniciados no século XIX, as cidades começaram a serem vistas como objeto de conhecimento histórico, fomentando a noção de patrimônio urbano, e quando se fala da

interação entre a cidade antiga e a nova, três abordagens podem ser identificadas, conforme destaca CHOAY (2001), em ordem cronológica, a figura memorial, figura histórica e figura

historial. Ruskin é o primeiro a falar sobre a figura memorial das cidades antigas, em 1860, exatamente na época em que começaram as obras da reforma de Paris. Ele alerta para as práticas negativas das intervenções que lesam a estrutura das cidades, pois estas elas são a essência da cidade. (CHOAY, 2001). Ruskin defende que a cidade desempenha papel memorial de documento, uma vez que constitui um monumento não intencional, ela é por si só um monumento, pois tem o poder de contar sua história e enraizar seus habitantes no espaço e no tempo. Porém Ruskin tem uma visão romântica, englobado entre os conservadores, para ele, as cidades antigas são consideradas como intocáveis, sendo assim, ele não propõe interação entre o antigo e o novo, pelo contrário, ele as separa, visto que cultua o antigo e não vê valor no novo. Ruskin contribui muito para a formulação do patrimônio urbano - assim como Cattaneo, Bulls e Morris - porém abstém-se ao antigo, não admitindo a adequação das cidades as novas demandas, fato que será base para muitas críticas e novas formulações distintas sobre esse pensamento. Sobre a figura histórica da cidade, pode-se dividi-la em duas funções, em um primeiro momento ela tem um papel, denominado por Choay de propedêutico e em um segundo momento, um papel

22


Cap.1 Definições e Conceitos um papel museal. As teorias de Sitte, englobado como um dos que defenderam as mudanças e evoluções das sociedades sobre as cidades, ainda que de forma muito menos abrangente e às vezes até contrária aos próximos Boitto e Riegl, dizem que a cidade préindustrial pertence ao passado, e torna-se obsoleta conforme as novas demandas, mas ela tem o seu papel histórico, que deveria servir de base, um exemplo para a nova cidade, mas isso não ocorreu por isso a maior indagação de Sitte, que compara sua

beleza à falta dela nas cidades contemporâneas. Ele analisa como as novas demandas modelaram as cidades, e estas foram transformadas em produções em massa, como produtos da indústria. Condena as novas cidades por terem perdido o prazer estético e serem agora quase exclusivamente técnicas. Cabe destacar que as teorias de Sitte se assemelham muito as de LeDuc, mesmo que separadas por dois séculos, onde se tem a busca de uma arte própria do período, porém com os fundamentos e ensinamentos do passado levados em consideração, tomando os elementos que deram certo nas cidades antigas, estes que qualificavam as cidades como únicas, fugindo da monotonia que estava sendo instaurada, de forma a se ter mais liberdade na urbanização. Contudo, às cidades antigas, nisso, ainda assim, não tem papel mais dinâmico para as novas, o que fica explicito é que o “antigo” das cidades devem ser salvos enquanto se pode, e de uma forma implícita, dá base para dar-lhes um papel museal, “um objeto raro, frágil, precioso para a arte e para história e que, como as obras conservadas nos museus, deve ser colocada fora do circuito da vida.” (CHOAY, 2001, p. 191).

Figura 5 – Exemplo de Museificação - Museu Histórico do Pará, Belém7 Nesse contexto, o uso dos habitantes das cidades é visto como prejudicial, e a única forma de salvar os elementos antigos é, como não é possível coloca-los em uma redoma, pelo menos, restringir sua interação com tudo que possa “machucá-lo”, e transformá-los em museu parece atender, da melhor forma, esses pressupostos.

7 Disponível em http://boeingonline.com.br/wp-content/uploads/2014/01/MHEPMUSEU-HIST%C3%93RICO-DO-ESTADO-DO-PAR%C3%81-.jpg. Acesso em 15/05/2016.

23


Cap.1 Definições e Conceitos Por fim, a figura historial das cidades antigas, e a que mais interessa ao presente trabalho, visto que é a visão mais contemporânea e adepta as demandas atuais. Presente na obra de Giovannoni dará a base para a efetivação do conceito de patrimônio urbano e para abrangência das questões sobre patrimônio em geral, já citadas no início deste capítulo. A proposta é incluir os conjuntos urbanos antigos na organização geral do território, propondo sua conservação para a história, para arte e para a vida presente, conforme relata CHOAY (2001). Giovannoni previa que as cidades do presente, e do futuro estariam em

movimento e comunicação, e se antecipa nas teorias de integração entre diferentes espaços, camadas da urbanização. Ele passa a tratar a cidade como um todo, como território, em que todas as partes devem “conversar” entre si, para o bom funcionamento do conjunto. Giovannoni não separava o antigo do novo, como os anteriores, pois as novas demandas exigem articulações. A intenção é a integração, a união das figuras acima descritas com o presente. Dar uso aos elementos antigos, desde que esses usos sejam compatíveis com sua escala, seu entorno. Ele contribuiu enormemente para as questões do patrimônio urbano, tanto que suas teorias se encontram fortemente presentes em praticamente todas as recomendações sobre o tema, sobretudo nas cartas patrimoniais. Segundo KUHL (2013), na confederação que resultou o documento da Carta de Atenas, já mencionado, assuntos

pertinentes ao tema são também discutidos, sobre a conservação

dos conjuntos urbanos, desde as considerações sobre o entorno dos monumentos, até como se intervir no patrimônio urbano, nas cidades históricas, a noção de integração entre o patrimônio construído e urbanismo, a partir das considerações apresentadas por Giovannoni. São apresentadas questões conceituais e de métodos, que orientam para o “progressivo caminho em direção ao entendimento do valor patrimonial de inteiras zonas urbanas, para as quais seriam aplicadas medidas de conservação e restauro equivalentes àquelas voltadas aos monumentos individuais” (KUHL, 2013, p.81). Contudo, essas primeiras considerações das Cartas de Atenas, apesar do pioneirismo na formulação de princípios e diretrizes no que diz respeito a problemática dos conjunto urbanos, não chegou a assimilar a amplitude do tema abordado, que foi sendo discutido amplamente nas próximas reuniões, gerando outros documentos que abordaram o assunto. Segundo KUHL (2013) , em 1938, nas Instruções para Restauração de Monumentos, sugere-se uma expansão do conceito de “ambiente”, enquanto composição global, abarcando obras Atenta-se para a preservação de complexos construtivos que

“maiores” e “menores”. mesmo sem particulares elementos artísticos, elevam-se como solução urbanística histórica, buscando aí quebrar o conceito deste como apenas “pano de fundo” de obras excepcionais.

24


Cap.1 Definições e Conceitos Ainda segundo a autora, essas questões são mais impulsionadas e discutidas depois de 1940, sobretudo no pósguerra, e quando parte do modernismo deixava as questões de conservação do patrimônio urbano para segundo plano, em busca de um novo universal. Porém a necessidade de ligação com a memória tornava as discussões sobre preservação cada vez mais importantes. Essas discussões levaram ao amadurecimento dos conceitos do patrimônio urbano, e as conquistas teóricas finalmente acordadas na Carta de Veneza, em 1964, e também a documentos posteriores como a Declaração de Amsterdam, de 1975, que elaborou diretrizes para a aproximação entre preservação e urbanismo, conforme os preceitos de Giovannoni sobre as análises multidisciplinares sobre o tecido urbano, que produzem resultados/projetos positivos que atendam a tanto as exigências da

preservação do patrimônio, quanto desenvolvimento urbano e territorial.

aquelas

a história e tampouco produzam farsas. Pode-se concluir então que estes princípios, em maior ou menor grau, dão base para a sequência dos capítulos e deste trabalho em geral, pois se encontram muito atuais no tange a questões da cidade como organismo complexo e vivo, constituinte e consequência da história e vivência atual de sua sociedade.

do

Em resumo, a teoria de Giovannoni pode ser descrita em grandes princípios. Segundo CHOAY (2001), O primeiro princípio diz respeito à integração de todo fragmento antigo num plano, o qual simboliza sua relação com a vida presente, dando-lhe uso e acesso através de um trabalho de articulação, abrindo-o para a população, mantendo um caráter social. O segundo faz referência a seu entorno, que não deve ser mutilado, se este estabelecer com ele um conjunto, e fizer parte, de alguma forma, de sua história. E por fim, no que diz respeito às intervenções para sua preservação e para atender os princípios citados antes, são admitidas e até necessárias intervenções, mas que bem estudadas, não machuquem

25


Cap.1 Definições e Conceitos 1.3 A AMPLIAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO Esse subcapítulo explica melhor a questão já levantada, sobre a ampliação do conceito de patrimônio para a chama “arquitetura menor” e legados posteriores à industrialização e ao século XX. A essa ampliação, engloba-se a maior parte dos patrimônios brasileiros e também os de Ribeirão Preto, constituído em sua maior parte de exemplares da arquitetura eclética, e também do legado que a indústria deixou, justificando porque estes estão incluídos nos bens selecionados para o trabalho. Segundo CHOAY (2001), os principais fatores responsáveis pela ampliação do campo cronológico em que se inserem os patrimônios históricos foram as descobertas da arqueologia e o refinamento do projeto memorial das ciências humanas. Anteriormente, como já mencionado, somente as obras maiores e providas de valores mais clássicos eram consideradas bens patrimoniais. Com a industrialização, houve a tendência da padronização e da produção em série em qual a arte e o individual/único, foram subestimados, em detrimento da praticidade e facilidade do que era feito de forma rápida e que poderia se repetir infinitamente. Diante desse panorama, o que era remanescente da cultura pré-industrial era considerado como fonte de identidade, em oposto as novas práticas e produtos da industrialização que não refletia quem os produzia. Então, a era industrial representava limites que pareciam intransponíveis, porém com uma mudança de mentalidades, a

Figura 6 – Exemplo de arquitetura industrial- Antiga Cerâmica São Luiz, Ribeirão Preto.8

consagração da era dos avanços técnicos passou a constituir parte do que deveria ser preservado. E assim, os produtos técnicos da indústria passaram a ter os mesmo privilégios e direitos à conservação que as obras de arte arquitetônicas e as mais elaboradas realizações da produção artesanal. (CHOAY, 2001). 8 Disponível em http://2.bp.blogspot.com/v1InqIp18FQ/VdIm01eCGhI/AAAAAAAALsg/KzHKWYXHw6s/s640/ceramica%2Bsa o%2Bluiz.jpg. Acesso em 15/05/2016.

26


Cap.1 Definições e Conceitos Ainda segundo CHOAY (2001), impõe-se também uma expansão tipológica do patrimônio histórico, que agora engloba “um mundo de edifícios modestos, nem memóriais, nem prestigiosos, reconhecidos e valorizados por disciplinas novas como a etnologia rural e urbana, a história das técnicas, a arqueologia medieval, foram integrados ao corpus patrimonial.” (CHOAY, 2001, p. 209). A transposição desse muro da industrialização também englobou na esfera da preservação as novas práticas de construção, e bens que foram produzidos a partir da segunda metade do século XIX e século XX (a maioria dos casos brasileiros, e todos de Ribeirão Preto, visto sua data de formação), incluindo imóveis para habitação, grandes lojas, bancos, e também usinas, entrepostos, hangares, “refugos d o processo técnico ou das mudanças estruturais da economia, grandes conchas vazia que a maré industrial abandonou na periferia das cidades e mesmo em seu centro.” (CHOAY, 2001, p.209). Ainda cabe destacar que estes quase sempre estão ameaçados de demolição, em vista de seu mau estado. (CHOAY, 2001). Uma vez que constituem geralmente, espaços de maior escala, e em lugares mais afastados, geralmente na periferia das cidades, quando estes se encontram abandonados, eles contribuem imensamente para a depreciação do contexto urbano onde estão inseridos, uma vez que poderiam glorificar o local, exercem a função contrária e denigrem a paisagem, além de outros problemas. Tratando-se da arquitetura eclética, englobada mais pela essa expansão cronológica do que a tipológica, esta, pode-se dizer que foi renegada pelos modernistas, pois as consideravam mais como “imitações” das técnicas passadas, com sua composição de elementos clássicos, que eram tão detestados pelo período

moderno, que buscava a produção de uma nova identidade baseada nas novas dinâmicas urbanas em geral. Sua desvalorização foi muito grande nesse período, e muitos exemplares dessa arquitetura foram abaixo. O abandono e/ou a demolição desses exemplares patrimoniais, sejam de tipologia “pré-industrial” (ecléticos, mais precisamente no caso de Ribeirão Preto) ou de tipologia industrial, comprova que mesmo que as discussões e orientações e mesmo leis de conservação abarque-os, onde muitos estão tombados, ou seja, entende-se que “protegidos”, acabam sendo deixados à mercê do tempo, e ele se encarrega de sua depreciação. As questões sobre o que preservar já foram expostas de forma mais abrangente, e serão melhor detalhadas no terceiro capítulo, que traz uma conclusão dos valores aplicados para a seleção dos bens patrimoniais na contemporaneidade. As questões sobre o porquê preservar também já foram expostas, e serão mencionadas e reforçadas durante todo o trabalho, pois é preciso que isso seja fixado. As questões sobre como preservar, também já foram mencionadas em seus conceitos mais gerais, considerando o que é mais válido para o trabalho, também serão reforçadas no decorrer do mesmo e como conclusão do que é proposto. Agora, unir os conceitos em sua maior complexidade, dessas três questões, parece, no entanto, mais fácil que justificar um por que plausível – uma vez que todas essas sejam conhecidas – de acontecem perdas irreparáveis do patrimônio. Talvez, porque isso seja injustificável.

27


CAPA CAP 2


Cap.2 Patrimônio em Fragmentos Segundo CHOAY (2001) uma cidade histórica constitui em si um monumento, mas ao mesmo tempo é tecido vivo. Utilizando da metáfora dos sistemas fisiológicos do corpo humano, comparando-o com as cidades9. cada órgão, cada célula, sistema, que as compõe, faz parte de um todo maior, formando um organismo complexo, onde só se é possível a funcionalidade, devido as ligações e mutua cooperação entre todas as partes. Além disso, para MORAES (2009), as cidades e seus espaços são fenômenos em continuo processo de transformação no espaço e no tempo. Deve-se tentar entender os fundamentos sociais nela envolvidos e quais seus valores, no passado, presente e futuro, e analisar a relação histórico-social que os homens travam com as cidades, e o que isto significa. “Ao entrelaçarmos todas essas condições, [...] percebemos a cidade ainda como [...] local do encontro não só dos seus habitantes, mas de vários tempos, espaços, saberes, tecnologias, produtos, tradições e culturas acumuladas pelos atores sociais.” (MORAES, 2009, p.8)

MEIRA (2004) define que mesmo sendo uma única cidade, esta se manifesta através de diversas realidades e abriga muitas dimensões: a materialidade, a realidade, a fantasia, o imaginário e o simbólico habitam nela, conjunta e simultaneamente. Complementa ainda que

“As cidades geram possibilidades de diálogos e de encontros entre o espaço e o tempo (que dependem da corporalidade e da memória social, de cada um dos seus componentes, com seus códigos, tradições e existências compartilhadas), fatores que atuam na configuração das identidades. ” (MEIRA, 2004, p.34)

Assim, pode-se definir a cidade como uma sobreposição de camadas, fragmentos de tempo, espaço e usos, constituídos em distintos períodos e contextos, que articulados conformam um acervo de memória, a qual está sujeita a constante transformação e adição de novas vivências. Portanto, “É na fusão de todas essas costuras e camadas que a cidade permite aflorar sua própria urbanidade, (re)construindo, a cada novo olhar, o seu patrimônio” (MORAES, 2009, p.2) . No presente trabalho, pretende-se resgatar camadas da cidade que se apesar de estarem presentes no espaço, não estão fazendo parte do tecido vivo urbano, fragmentos dispersos sem ligação, como órgãos que as veias não irrigam, configurando-se como áreas doentes do organismo, onde a memória está se perdendo. Definidos como bens materiais imóveis 10, as diferentes Em 1628, William Harvey contribui com suas descobertas científicas sobre a circulação sanguínea humana, trazendo mudanças significativas sobre a compreensão do corpo. Desde então, essas descobertas foram aplicadas e comparadas ao funcionamento das cidades, e termos como “pulmão da cidade”, “artérias”, “coração da cidade”, etc, foram incorporados ao vocabulário urbano no século XVIII. 9

10 Como exemplo dessa afirmação, pode-se citar a Carta de Burra (Austrália), resultante

30


Cap.2 Patrimônio em Fragmentos edificações e espaços de interesse histórico, que, segundo Moraes (2009) assumem posto de símbolos¹¹ , na esfera do patrimônio. Estes também são definidos por PIERRE NORA (1993), como “lugares de memória”.

“As considerações sobre patrimônio mostramnos que [...] as edificações tombadas – tomadas como “objetos patrimoniais” – podem ser referências e/ou indicadores da memória social. Acreditamos que o conjunto desses elementos [...] estruturaram-se através da: cultura material, lugares de acumulação e da construção de sínteses que nos permitem entrever, por um lado, os contextos sóciohistóricos e ideológicos da formação de seus acervos e, por outro, os modos pelos quais a natureza e a cultura [...] foram e são representados. (LOUREIRO, LOUREIRO, SILVA, 2007, p. 3).”

“O valor patrimonial que possui os lugares de memória reveste-se de uma variedade de símbolos, compreendidos pelas mais diversas formas da atividade humana. Estes símbolos trazem o sentido que o indivíduo ou um grupo os percebem e são reconhecidos por uma particularidade: são as realidades concretas, os objetos ou os atos físicos, portanto a existência factual e relativamente independente das significações que lhe damos. Constituem-se, portanto, como instrumentos de conhecimento e de comunicação, portanto de integração social” (BOURDIEU,1989, p.86).

Ainda segundo MORAES (2009), na busca da recuperação da memória social e da cidade, é preciso “entender o potencial comunicante relativo às edificações, espaços e territórios localizados em sítios históricos urbanos privilegiando os fenômenos que subjazem aos mecanismos de revalorização patrimonial das cidades, enfatizando a materialização destas unidades dotadas de sentidos.” (MORAES, 2009, p.2)

É preciso compreender então, que as edificações e espaços são a produção humana que mostra sua vivência, seus fluxos, seus modos de viver.

MORAES (2009) atenta para a percepção do espaço urbano como o local onde, por excelência, manifestam-se as permanências, rupturas, continuidades e relações do antigo com o novo e afirma que o patrimônio se mostra presente, constituindo-se numa ponte do encontro internacional do ICOMOS – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, 1980 – onde consta a seguinte definição: “o termo bem designará um local, uma zona, um edifício ou uma obra construída, ou um conjunto de edificações ou outras obras que possuam uma significação cultural, compreendidos, em cada caso, o conteúdo e o entorno a que pertencem”. Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Cartas Patrimoniais 10

11 O simbólico dos lugares pode ser entendido também como uma necessidade do passado. O símbolo é o arquétipo, um sistema virtual que se estrutura através do inconsciente coletivo, permitindo sua passagem de uma geração à outra. O lugar comporta o conjunto de símbolos que representam o universo do significado em oposição ao mundo físico do sujeito. (JUNG, 1977).

31


Cap.2 Patrimônio em Fragmentos entre o passado e o futuro, onde agrega várias características espaciais, formais e de relação com o entorno, as quais apontam para a necessidade de se buscar valorizar, harmonizar e reintegrá-la à cidade. Nesse sentido, FERRARA (1997), ainda ressalta a importância da preservação desses fragmentos nas cidades contemporâneas, uma vez que são identificados como resquícios históricos da produção urbana, além de representarem elementos, de uma certa forma, imunes e resistentes às transformações espaço-temporais.

PANTALEÃO (2008) define os fragmentos históricos como “espaços peculiares e exclusivos de cada uma dessas cidades, em função da sua própria evolução, localização, sociedade e cultura, evitando que a cidade resulte, apenas, da lógica do consumo, como mercadoria, passando a ser conhecimento, que se amplia e se torna mais complexa.” (PANTALEÃO, 2008, p.13) Portanto, reafirma-se a necessidade de sua valorização e incorporação ao cotidiano das cidades.

“Mesmo que os novos elementos, inseridos no urbano, seja uma tentativa de inserção na economia global, [...], é possível, intuir o processo de construção desse ambiente, pelo regaste do imaginário, de fragmentos urbanos que resistem à própria dinâmica da modernidade e da cidade contemporânea.” (PANTALEÃO, 2008, p.13)

“Todo fragmento urbano antigo deve ser integrado num plano diretor local, regional e territorial, que simboliza sua relação com a vida presente. Nesse sentido, seu valor de uso é legitimado, ao mesmo tempo, do ponto de vista técnico, por um trabalho de articulação com as grandes redes primárias de ordenação, e do ponto de vista humano, “ pela manutenção do caráter social da população”” (CHOAY, 2001, p. 200)

Pode-se dizer que são as dinâmicas e permanências os fatores principais que constituem a imagem das cidades atuais. Cidades que tem como característica a transitoriedade, a fragmentação, conforme destaca PANTALEÃO (2008) processos que enfraquecem sua identidade, pois no consumo do novo sua memória se perde. Destaca ainda que a fragmentação representa a perda das relações que permitem o diálogo com a história urbana. “As identidades também se fragmentam ao lado das imagens, dos imaginários e do enfraquecimento da memória, pela ausência dos pioneiros, da força das vozes, ou da adoção do consumo e do descarte em todos os níveis.” (PANTALEÃO, 2008, p.13)

FERRARA (1997), exemplifica várias características e referências da imagem urbana, no que diz respeito à decodificação da imagem da cidade. Para este trabalho, uma das mais importantes a serem analisadas é a imagem referencial da cidade, que a autora define como a imagem urbana consegue demarcar

funcionalmente o espaço, de modo a nortear roteiros, lugares, delineando o percurso da cidade com marcas descontínuas. Marcas descontínuas estas que podem ser analisadas como os elementos naturais como cursos d’água ou topografia, também englobando os elementos históricos. De acordo com LYNCH (1972) “com um mínimo de coletivização em seus significados,

32


Cap.2 Patrimônio em Fragmentos passam a ser referências para todos os cidadãos e passam a ser percebidos como lugares referenciais: é isto que dá origem às estruturas referenciais das cidades. Tornam-se o substrato da

“memória da cidade” (BOYER, 1996; LYNCH, 1972). Uma vez que representam esses elementos históricos, os fragmentos patrimoniais constituintes da produção da cidade podem ser entendidos como versos soltos que quando

Figura 12 – Exemplo de plano de “costura” dos fragmentos ¹¹ - Bolonha, Itália.

separados não expressam sentido total, mas que costurados contam uma história. A costura entre esses se caracteriza então como o roteiro citado, um percurso pelo tempo e espaço, resignificando a memória coletiva da cidade.

Figura 13 – Exemplo de plano de “costura” dos fragmentos ¹² - Bolonha, Itália.

12 Disponível http://www.avoe.org/images/avoe_ascom_BO10.jpg. Acessado em 18/05/2016.

¹³ Disponível em http://www.avoe.org/images/PiazzaMalpighi_AVOE.jpg. Acessado em 18/05/2016.

33


CAPA CAP 3 – O CULTO COMTEMPO...


Cap.3 “O Culto Contemporâneo dos Monumentos” O presente capítulo trata da questão do caráter de valor dos monumentos/patrimônios históricos e artísticos. O valor atribuído ao patrimônio histórico e artístico é consequência do contexto cultural a que pertence e da ampliação do conceito de patrimônio, amplamente discutida em âmbito internacional, conforme já exposto nos capítulos anteriores. No Brasil, o valor cultural desse patrimônio muitas vezes é subjugado pela especulação imobiliária, por interesses particulares, pela dita dificuldade de se manter imóveis antigos, e por uma série de outros fatores que convergem no contínuo abandono de edificações isoladas ou de áreas de especial interesse histórico-arquitetônico...mediante tantos “tipos” de valores atribuídos ao patrimônio, que transpõe apenas a ideia de antiguidade ou de exuberância artística. Utilizaremos aqui, a teoria de Alois Riegl, autor de “O Culto Moderno dos Monumentos”,¹4 escrito em 1903, para exemplificar que tantos outros valores podem e devem ser levados em consideração quando se trata da valorização do patrimônio, ou ainda mais, na “escolha” do que tem ou não valor na contemporaneidade. Alois Riegl ¹5 (1903) define e lista os “tipos” de valor que irão classificar os monumentos e nortear os princípios para sua preservação histórica, estes valores consideram as diversas maneiras de recepção, percepção e fruição dos monumentos segundo o contexto social e o momento que estão inseridos. Segundo CHOAY (2001) Riegl divide, primeiramente, duas classes opostas de valor: Valor de rememoração, ligado à memória, e valor de contemporaneidade, ligado ao presente. Dentre essas classes maiores, outras categorias surgem e por sua vez, segundo

GONSALES (2014) dentro do valor de rememoração: valor intencionado, valor histórico e valor de antiguidade; e dentro do valor de contemporaneidade: valor de uso e valor artístico, dividindo-se este último em valor de novidade e valor artístico relativo. A definição mais antiga e original de monumento, citada por RIEGL (1903), refere-se Ao valor intencionado, onde “uma obra criada pela mão do homem com o intuito preciso de conservar para sempre presente e viva na consciência das gerações futuras a lembrança de uma ação ou destino”. Nesse sentido, trata-se de monumentos intencionais, que já nascem com o intuito de serem elementos de memória, imagens simbólicas. Por outro lado, mais recentemente, o termo monumento passa a ser utilizado também para designar os elementos não intencionais, mas que constituintes de valor histórico e artístico, também exercem e representam valores de uma sociedade e devem ser preservados. “Não é sua destinação original que confere à essas obras a significação de monumentos; somos nós, sujeitos modernos, que à atribuímos”. (RIEGL, 1984, p.43). 14

O Título do capítulo é um trocadilho com o título da obra de Alois Riegl, onde se troca o período “moderno” para o “contemporâneo”, para dar ênfase que a sua teoria de valorização continua presente nos dias atuais, onde se deve analisar precisamente cada monumento/patrimônio, em todas suas instâncias de valor. 15 Filósofo,

historiador e jurista. Esta era a formação daquele que foi um dos primeiros a abordar o monumento como objeto social mergulhado em significados atribuídos pela sociedade.

36


Cap.3 “O Culto Contemporâneo dos Monumentos” Este tipo de monumento ganha destaque na sociedade moderna. Ele representa um novo valor de rememoração. “a partir do século XV, na Itália, as obras da Antiguidade começam a ser valoradas por suas características artísticas e históricas, não mais apenas por serem símbolos ou memoriais das grandezas de Grécia e Roma.” (RIEGL, 1984, p.49). As cidades são bons exemplos de monumentos não intencionais, conforme relata Choay, ao se referir ao pensamento de Ruskin, no fim do século XIX, autor que ajudou a fundar o panorama do patrimônio urbano. “Ao longo dos séculos e das civilizações, sem que aqueles que a construíam ou viviam tivessem a intenção ou consciência, a cidade desempenhou o papel memorial de monumento: objeto paradoxalmente não elevado a este fim, e que [...] possuía [...] o duplo e maravilhoso poder de enraizar seus habitantes no espaço e no tempo.” (CHOAY, 2001, p. 181) Riegl (1903) define como valor histórico aquilo que tem relação com a história, tudo aquilo que já foi e não é mais, e que também produziu um elo de desenvolvimento, e que estabelece uma evolução.

Figura 13- Exemplo de bem contemporâneo tombado – Brasília, DF.¹6

englobado pelo valor histórico. Essa ideia surgiu na metade do século XIX, e dá direito de existência histórica a toda e qualquer corrente artística, inclusive as não clássicas (RIEGL, 1995, p. 143).

16

Seguindo essa linha, a ideia de evolução é a base para o conceito do valor artístico relativo que o autor se refere, ele é

Brasília é tombada como patrimônio Cultural da Humanidade. Disponível em https://estudandoedicao.files.wordpress.com/2014/12/mosaico-bsb.jpg. Acesso em 13/08/2016.

37


Cap.3 “O Culto Contemporâneo dos Monumentos” Uma vez que para o autor não existe um valor artístico

absoluto, pois não há um ideal objetivo na arte, desde que se desconstruiu essa ideia, no século XX, isso justifica o termo utilizado “valor artístico relativo”. “Em consequência, a definição do conceito de “valor de arte” deverá variar segundo o ponto de vista que cada um adote. Segundo a concepção antiga, uma obra de arte possuía um valor artístico na medida em que ele respondesse às exigências de uma estética supostamente objetiva, mas não sucedeu nesses dias dar lugar a alguma formulação incontestável. Segundo a concepção moderna, o valor de arte de um monumento se mede pela maneira com que ele satisfaça às exigências da vontade artística moderna.” (RIEGL, 1984, p.41)

Essa visão abrange muito o conceito da valorização patrimonial, deixando aberto o debate, ao invés de estabelecer uma lista do que se deve ou não conter, obrigatoriamente. Já o próximo valor, o de antiguidade, possui caráter mais restritivo, pois seu valor baseia-se no contraste, na diferença que existe entre as características do antigo e do novo, diferenças facilmente identificadas por todos as massas, fazendo desse valor ascendente no período moderno. “O valor de ancianidade do monumento histórico não é para ele uma promessa, mas uma realidade. A imediatez com a qual esse valor se apresenta a todos, a facilidade com que se oferece à apropriação

das massas (Massen), a sedução fácil que ela exerce sobre estas deixam entrever que ele será o valor preponderante do monumento histórico no século XX.” (CHOAY, 2001, p.169)

A eficácia desse valor sobre as massas se dá pela estética do monumento, a qual apresenta visivelmente a ação do tempo, mostrando traços da decomposição natural a que tudo se submete. Desse modo, defende a lei de não-intervenção “ao menos em princípio, ele rejeita toda ação conservativa, toda restauração, enquanto intervenção injustificada sobre o desenrolar das leis da natureza” (RIEGL, 1984, p.69). Destaca-se que apesar da ideia dos modernos se assemelhar a dos românticos, existem claras diferenças, pois ao passo que uma representava a contemplação das ruínas que expressavam a grandeza do passado e a decadência do presente, a outra representa uma visão do ciclo natural das coisas, que tem um começo e estão destinadas a um fim, com o passar do tempo. Contudo, conforme relata Cunha (2006), o valor de antiguidade não substitui o de historicidade, mas se complementam ao mesmo tempo em que se opõe, visto que “O prazer estético proveniente da contemplação de um monumento não se esgota na constatação de sua vetustez, de seu aspecto antigo, mas se completa com o conhecimento, ainda que superficial, do estilo empregado, da época em que foi construído, o que implica um conhecimento de história da arte e, portanto, o prazer proveniente desse conhecimento não é um

38


Cap.3 “O Culto Contemporâneo dos Monumentos” prazer imediato, ao contrário, é reflexivo e científico (RIEGL, 1984, p.77), extrapola o valor de antiguidade e caracteriza o valor histórico.” (Cunha, 2006 – pag.12)

E a partir daí, quando classificado como monumento histórico, ele é entendido como documento, e, “por essa razão, deve ser mantido o mais fiel possível ao estado original, como no momento preciso de sua criação, implicação direta no método de conservação adotado, que deve, por oposição ao postulado pelo valor de antiguidade, buscar a paralisação do processo de degradação sofrido pela obra, ainda que admita as transformações já impostas pelo tempo como parte da história do próprio monumento.” (CUNHA, 2006, p.12)

O último dos valores definidos por Riegl é o de rememoração intencional, sendo esse o que mais se aproxima dos valores de contemporaneidade, conforme destaca CUNHA (2006), na medida em que exige do monumento um eterno presente, uma “imortalidade”, e remeter a seu estado original. Porém o valor de rememoração considera o monumento antigo tal como ele é, já o valor de contemporaneidade “tenderá de imediato a nos fazer tê-lo como igual a uma criação moderna recente, e exigir portanto que o monumento (antigo) apresente um aspecto característico de toda obra humana em sua primeira aparição: dito de outro modo, que dê a impressão de uma perfeita integridade, não tocado pela ação destrutiva da natureza.” (RIEGL,1984, p.87)

O valor de contemporaneidade divide-se em dois tipos, sendo o primeiro o valor de uso e o segundo o valor de arte, este que também se divide em valor de arte relativo e valor de novidade. Segundo o autor, o valor de uso deve atender às necessidades materiais do homem, enquanto o valor de arte atende às necessidades do espírito. “Ao lado do transcendente “valor artístico”, Riegl coloca, com efeito, um valor terreno “de uso”, relativo às condições materiais de utilização prática dos monumentos. Consubstancial ao monumento sem qualificação, segundo Riegl, esse valor de uso é igualmente inerente a todos os monumentos históricos, quer tenham conservado seu papel memorial original e suas funções antigas, quer tenham recebido novos usos, mesmo museográficos.” (CHOAY, 2001, p.169)

Segundo CUNHA (2006), o valor de arte relativo refere-se à capacidade que o monumento antigo tem de sensibilizar o homem moderno. Por outro lado, o valor de novidade refere-se ao caráter acabado do novo, o indivíduo não precisa ser provido de nenhuma cultura para exprimir tal valor, “uma atitude milenar que atribui ao novo uma incontestável superioridade sobre o velho” (CUNHA, 2006, p. 13), A qual não será extirpada tão facilmente, visto que sempre esteve ancorada solidamente na sociedade, tanto que até hoje é esse o maior valor responsável pelo “recente” crescimento do gosto pelos monumentos do passado, ao contrário do que acreditava Riegl, que acreditava que o valor de antiguidade o ultrapassaria.

39


Cap.3 “O Culto Contemporâneo dos Monumentos” “O gosto crescente pelos monumentos do passado, fator incontestável em nossa sociedade – a ponto de se falar em uma inflação patrimonial –, (CHOAY, 2001, p.240 et seq.) não se dá em função de seu aspecto de vetustez [...] Mesmo aos monumentos antigos impõe-se que se apresentem como novos, com seu aspecto acabado e fresco, tal como uma obra recente. Assim, o patrimônio histórico na sociedade contemporânea, mais do que perpetuar uma memória, presta-se a reafirmar o desejo humano de imortalidade, de perenidade, em sua constante luta contra a dissolução e a morte.” (CUNHA, 2006, p. 13)

Figura 14- Exemplo de bem histórico tratado também com o valor de novidade. Teatro Pedro II, Ribeirão Preto, SP. ¹7

Tendo explicado todos os valores classificados por Riegl, sua contribuição se dá na indicação destes, essa multiplicidade de escolhas a qual cada responsável pela preservação deverá se atentar e assim delimitar suas ações segundo seu juízo crítico de valor, antecipando as discussões do “restauro crítico”, que se aprofundou nesse tema. Riel é o precursor que insere esse debate no campo da cultura, defendendo a busca das razões éticas e estéticas pelas quais conservar um monumento. O pensar da modernidade que trabalha com a subjetividade e com a ausência de referências absolutas foi fundamental para a abertura e alargamento do olhar em relação ao patrimônio que se dá daí em diante. Esse pensamento continua presente atualmente e foi ele que possibilitou que, muitas “categorias” de monumentos (patrimônio) fossem inseridas na questão da preservação contemporânea. Segundo GONSALES (2014), tratando-se de monumentos antigos são os valores de rememoração são os principais empregados, onde a sua história é o maior fator determinante para sua preservação. Já aos monumentos recentes são mais aplicados os valores de contemporaneidade, onde, na maior parte dos casos, sua artisticidade é o maior fator para sua preservação.

17

Teatro Pedro II, Ribeirão Preto. Construído em 1930. Disponível em http://static.panoramio.com/photos/large/5635199.jpg. Acesso em 13/08/2016.

40


Cap.3 “O Culto Contemporâneo dos Monumentos” Ela destaca ainda que “A Arquitetura e o espaço urbano modernos são ainda, em muitas situações [...] capazes de sensibilizar o homem contemporâneo em sua artisticidade. Nesse caminho, pode-se dizer que algumas edificações e áreas urbanas do patrimônio recente, apesar de apresentarem já algo de rememoração, sensibilizam os sentidos a partir de seu valor artístico. Valor [...] que se manifesta a partir da coincidência, pelo menos sob alguns aspectos, entre vontade de arte de então e vontade de arte presente: a “vontade contemporânea”, se bem rejeita muitos dos preceitos da arquitetura moderna, identifica-se, inquestionavelmente, com algumas de suas características.” (GONSALES, 2014, p. 21).

Cabe ainda lembrar que a valorização e a preservação do patrimônio histórico e artístico são também relativas à cultura a que pertence. No Japão, por exemplo, a reconstrução de monumentos, quando os mesmos atingem idade avançada e são desgastados pelas marcas do tempo, é pratica comum, e não é entendida como falso histórico. Adentramos assim em outro conceito, amplamente discutido nos últimos anos, o conceito de autenticidade. O que é autêntico, afinal? Pode-se dizer que o conceito mais puro de autêntico é diretamente ligado ao conceito de verdade, que por sua vez está ligada ao que é original, que segundo JUKKA JOHILETO este que pode tanto ser entendido como algo que foi algo único ou o “primeiro” a ser criado, sendo também uma ideia que revoluciona. PICOLLO (2008) entra nessa discussão criticando o fato de

não existirem balizadores para a autenticidade como instrumento na preservação urbana, este que é imprescindível para tal. É um conceito muito complexo, que não é bem explicado nas cartas patrimoniais. De acordo com a leitura sobre esse assunto, conclui-se que não há de se realizar um conjunto de regras universais, pois cada local tem suas especificidades, cultura, e visões distintas de reconhecer a autenticidade de um bem, porém, realmente, deve-se criar parâmetros para melhor compreensão desse conceito, que é tão complexo, para que este possa ser efetivo nas cidades, pois tudo que é falho nesse sentido, tem consequências graves para o patrimônio. Por não serem reconhecidos como autênticos diversos trechos do passado das cidades são perdidos, ou seja, uma lacuna nas orientações e leis, pode criar uma lacuna nas cidades, mutilando-a e destituindo a sua capacidade de expressão. Atualmente, algumas cidades brasileiras, inspiradas na proposta do Estatuto da Cidade de instituição de Zonas Especiais de Interesse Social, desenvolvem em seus planos diretores, áreas especiais de interesse patrimonial, áreas especiais de interesse do ambiente cultural, dentre outras denominações. Um ponto positivo muito interessante na questão da valorização patrimonial. [...] são áreas especiais de interesse do ambiente cultural, aquelas que apresentam patrimônio de peculiar natureza cultural e histórica, que deva ser preservado, a fim de evitar perda, perecimento, deterioração ou desaparecimento das características, das substâncias ou

41


Cap.3 “O Culto Contemporâneo dos Monumentos” das ambiências culturais e históricas que lhe determinem a especialidade, visando a recuperação dos marcos representativos da memória da cidade e dos aspectos culturais de sua população (PREFEITURA MUNICIPAL DE PELOTAS, 2008, p.19).

Na questão da ampliação patrimonial que se encontra na contemporaneidade, englobando patrimônios recentes, patrimônio urbano, pontos que recuperam a imagem da cidade, pode-se citar outro trecho do plano diretor da cidade de Pelotas como exemplo, uma vez que apontam diversos focos de interesse com valores/qualidades a serem destacados. “históricas, quando estão relacionadas a fatos ou períodos representativos da formação e desenvolvimento da cidade; arquitetônicas, quando apresentam espaços construídos com características representativas da arquitetura tradicional de Pelotas; urbanísticas, quando apresentam configurações de caráter urbano relevantes por suas características morfológicas diferenciadas ou de relação com a formação urbana; paisagísticas, quando apresentam paisagem peculiar, caracterizada por espaços abertos com potencial de sociabilidade através de atividades de lazer ativo e passivo; relativas às práticas sociais, quando apresentam espaços relacionados a usos e atividades específicas e relevantes à identidade local da comunidade” (PREFEITURA MUNICIPAL DE PELOTAS, 2008, p.19-20).

Pode-se dizer então que o “culto contemporâneo dos monumentos” engloba sim os valores de rememoração, mas tem sua base nos valores da contemporaneidade, pois é, sobretudo, baseado em ideias vivas de caráter social.

Observa-se que o trato do patrimônio antigo, na atualidade, está mais ligado aos valores rememorativos, uma vez que o mais importante a ser considerado, na maioria, é sua importância histórico-cultural e arquitetônica, e implicitamente também está presente o valor da antiguidade. “Observa- -se que nas últimas décadas uma volta à atração pelo antigo, reconhecido por outros rasgos que não o arruinamento, cria um estado de espírito muito positivo de preservação” (GONSALES, 2014, p. 23) Porém, também há o emprego de valores da contemporaneidade a esses patrimônios, sobretudo o de novidade e de uso, quando, primeiramente, os pontos ou áreas de interesse são demarcados por apresentarem, em certo ponto, uma integridade da forma, a qual se procura manter e incrementar, além de que uma forte tendência atual é a intenção de reintegrálos ao cotidiano das pessoas, dando-lhes usos, originais ou novos. Também é empregado, em muitos casos, o valor artístico relativo, no que diz respeito ao potencial sensível dos monumentos tocarem o homem, seja através de elementos nele contido, ou paisagens que são proporcionadas por ele. “Há sempre uma tentativa de chamar a atenção em relação aos valores “vivos”, atuais, contemporâneos, que se pode ainda extrair desses lugares” (GONSALES, 2014, p. 23) E por outro lado, no trato do patrimônio recente, estes apresentam valores que, devem ser preservados como um exemplo, pois desde já, não deixa suas características se perderem, uma vez que é exatamente a contraposição entre antigo e novo que dá base para toda a discussão de patrimônio.

42


Cap.3 “O Culto Contemporâneo dos Monumentos” “Contemporaneidade e rememoração, o novo e o antigo, valor de novidade e vetustez, a arquitetura era moderna e renovadora no momento em que era posta sobre o pano de fundo da “antiguidade”“. (GONSALES, 2014 – PAG 27) “Assim, se no patrimônio antigo os valores histórico e de antiguidade – que indicam um caráter de exceção – são os fundamentais, na busca de atribuição de valores positivos para o legado moderno em seu amplo espectro, são dos valores de contemporaneidade – que o caracterizam como exemplo, modelo – que se deve lançar mão, pelo menos enquanto esse patrimônio permanecer “tão novo” e tão atual em muitos de seus aspectos.” (GONSALES, 2014, p. 27)

Pode-se concluir então, que, na contemporaneidade, todo edifício, paisagem, espaço urbano, é passível de interesse patrimonial, sendo ele antigo ou recente, desde que a ele se possa atribuir os valores mencionados, de acordo com suas características explicitas e implícitas, que devem ser mantidas ou incrementadas, como já falado. A discussão é aberta, e cabe as pessoas responsáveis ouvir, além de uma equipe técnica, a sociedade - pois as pessoas que vivem os espaços são fundamentais para a definição dos mesmos - e baseados no contexto atual, definir quais devem ser preservados e como esta preservação deve ser feita. Estes não precisam e nem devem ser objetos de “culto”, como define RIEGL (1903), pois isso remete a serem “intocáveis”, mas sim devem ser passíveis de intervenções – desde que não se faça perder suas características importantes para sua integração na sociedade atual, uma vez que atualmente,

mais importante que a observação do passado, é poder interagir com ele, vivenciando o antigo e o novo.

Relacionando essas questões com Ribeirão Preto, é possível analisar que elas foram levadas em consideração na seleção dos bens de interesse patrimonial da cidade, estes que poderão ser identificados no decorrer do trabalho. Porém, a desvalorização é algo muito presente na cidade, desde muito tempo, desde seus primórdios, sua expansão e os tempos atuais, com o crescimento da cidade, o que resultou em várias perdas de bens importantes, que foram abaixo, deixando uma lacuna na história, que poderia ser vivida ao invés de somente mantida em documentos, quando estes existem. Por outro lado, muitos bens que restaram, e tiveram seu julgamento de valor para serem preservados, se encontram abandonados, reforçando a ideia explicita no penúltimo parágrafo, de que os impedir de serem demolidos já é em si uma questão muito válida, porém, somente isso não basta, estes não devem ser intocáveis, pelo contrário, eles devem ser incluídos na vivência das pessoas, como já explicitado no capítulo que trata dos fragmentos patrimoniais. Tudo isso motivou o desenvolvimento deste trabalho, e o caso de Ribeirão Preto, começa a ser então contado no próximo capítulo, a partir de suas origens, as mesmas origens da desvalorização.

43


Cap.3 “O Culto Contemporâneo dos Monumentos” Patrimônios Históricos/Arquitetônicos “perdidos” em Rib. Preto (exemplos) 18

Palacete Pascoal Inecchi (in memória) Ribeirão Preto. Construído em 1938, foi demolido e deu espaço para uma agência bancária.. Disponível em http://emc.acidadeon.com/dbimagens/113c3bb1f411-403a-ab3f-0ce9199006b0.jpg. Acesso em 13/08/2016. Acesso em 20/08/2016. Cerâmica São Luiz, Ribeirão Preto. Construído 1948, foi demolida em partes e deu espaço para supermercado. Disponível http://emc.acidadeon.com/dbimagens/52abca86fca1-4f67-a6d5-bf4ee3ac01ed.jpg Acesso 20/08/2016. 19

Figura 15- Palacete Paschoal Inecchi. Ribeirão Preto, SP. ¹8

Figura 18- Cervejaria Paulista, Ribeirão Preto, SP. ²1

em um em em

Teatro Carlos Gomes (in memória) Ribeirão Preto. Construído em 1837, foi demolido em 1944. Disponível em http://emc.acidadeon.com/dbimagens/b5b49ec4d492-4e8a-8450-0ec81a0100e4.jpg. Acesso em 20/08/2016. 20

Cervejaria Paulista, Ribeirão Preto. Construída em 1911, foi desativada em 2003 e deixada a mercê do tempo desde então. Disponível em http://emc.acidadeon.com/dbimagens/66dbc6cca092-4ca1-8558-a89124ea113d.jpg. Acesso em 20/08/2016. 21

Figura 16- Antiga Cerâmica São Luiz. Ribeirão Preto, SP.

¹9

Figura 17- Teatro Carlos Gomes. Ribeirão Preto, SP. ²0

Figura 19- Hospital de Isolamento, Ribeirão Preto, SP. ²²

22 Hospital de Isolamento ou Lazareto (in memória) demolido em 1964, quase 30 anos depois da sua desativação. Disponível em http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/06/17/288910970x600-1.jpeg Acesso em 20/08/2016.

44


CAPA CAP 4 – AS ORIGENS DA DESVALORIZAÇÃO....


Cap.4 As Origens Históricas da Desvalorização Patrimonial em Rib. Preto 4.1 O Início da Formação da Cidade Os primórdios da cidade de Ribeirão Preto estão ligados diretamente com a extração do ouro no país, onde primeiramente, segundo BACELLAR e BRIOSCH (1999), em 1725, os paulistas descobriram ouro na região de Goiás, e começaram a utilizar a Estrada do Anhanguera ou “caminho de Goiás” para a ligação entre essa região, o Triangulo Mineiro, São Paulo e Rio de Janeiro. Essa estrada se tornou o principal eixo de ocupação das chamadas “áreas do sertão”, mas ela ainda não passava exatamente por Ribeirão Preto, que ficava a oeste, o “sertão desconhecido”, mas foi ponto de partida para adentrar aquela região. Ainda segundo esses autores e também LAGES (2000), em função do aumento da circulação de pessoas pela estrada, precisou-se criar locais de pouso aos bandeirantes, mineradores e comerciantes, o que fez com que posseiros de longa data legalizassem o uso de suas terras. Essas eram usadas apenas como passagem e após o esgotamento das minas de Goiás e a criação de outra estrada a região ficou estagnada de 1740 a 1790. Mas a partir da vinda da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro, os caminhos de Goiás e o Triângulo Mineiro passaram a abastecer a capital. Os mineiros de outrora, agora precisavam desenvolver outras atividades econômicas, e então lançaram-se na criação de gado e cultivo de roças, sobretudo no sul de Minas, que tinha terras mais favoráveis. A partir daí começa a ocupação de terras não exploradas pelos antigos mineiros. Do Sul de Minas, a criação de gado e

gado e agricultura expandiu-se para o Nordeste Paulista, região onde se encontra Ribeirão Preto. As atividades citadas permaneceram como fonte da economia da região no século XIX. E nessa época foram sendo formados os ajuntamentos, posteriormente arraiais, como São

Sebastião do Ribeirão Preto, que teve os primeiros habitantes nas suas terras em 1811. Segundo LAGES (2000), seu primeiro posseiro, José Dias Campos não registrou a propriedade da área da fazenda Rio Pardo, que corresponde à área de Ribeirão Preto, e acabou perdendo-a para os irmãos Reis em 1846, que conseguiram comprovar sua permanência na área dividindo a fazenda e vendendo partes a terceiros. Essa divisão deu origem às fazendas Barra do Retiro, que marcava o centro da área que viria a se tornar o município de Ribeirão Preto, e as outras fazendas: Palmeiras; Ribeirão Preto ou Pontinha; Retiro; Serrinha; Serra Azul; Tamanduá; Capoeirinha; Figueira; Cravinhos; Cabeceira do Ribeirão Preto; Lageado; Laureano ou Braço Direito do Ribeirão Preto e Sertãozinho. Conforme relata VALADÃO (1998), nessa época, metade do século XIX, a população da região cresceu devido a acontecimentos políticos no país e como a religiosidade era muito presente, sentiuse a necessidade de se erigir uma capela sob a invocação de um

46


Cap.4 As Origens Históricas da Desvalorização Patrimonial em Rib. Preto santo, sedo escolhido São Sebastião. Além da religiosidade, a construção da capela consolidaria aquela população como uma comunidade, que teria acesso aos sacramentos, registros de nascimento, de óbito, dentre outros. (LAGES, 1996). LAGES (1996) relata que essa vontade foi acoplada a um recurso que servia para legitimar a posse das terras no país, que era a doação de parte das terras aos patrimônios eclesiásticos. Em 1845, José Mateus dos Reis doou parte da fazenda Palmeiras, mas os termos de sua doação não atendiam às exigências, sobretudo de valores de área, da Câmara Episcopal. Com o aumento da população das fazendas, outras doações foram feitas em 1852, também fracassadas. Até que novas doações foram feitas no mesmo ano, dessa vez com êxito, por posseiros e condomínios da Fazenda Retiro, onde se fez o requerimento da divisão judicial das terras e como os condôminos não especificaram a localização das terras doadas, decidiu-se adquirir, em conjunto, uma área na fazenda Barra do Retiro para servir exclusivamente para o patrimônio de São Sebastião. Ainda segundo LAGES (1996), outras doações foram feitas em 1853 e 1956, da mesma fazenda, onde 64 dos 263 alqueires da fazenda foram doados ao santo. Sendo esses últimos doadores considerados os fundadores da cidade de Ribeirão Preto. Conforme relata VALADÃO (1996), uma das exigências que deveriam ser cumpridas era a construção de uma igreja em um sítio alto e arejado, por isso demarcou-se a área do Patrimônio de São Sebastião na área mais alta entre os ribeirões do Retiro e Preto, e lá foi edificada uma primeira capela provisória.

Após a construção da igreja, a área começou a configurar-se como um

povoado, cujos Arruamentos começaram a ser traçados em 1859. (VALADÃO, 1998) A partir daí a população começou a crescer. Em 1861, foi feita uma doação para a construção de uma nova capela, em 1868 ela já estava pronta no lugar posteriormente de Largo da Matriz, local ocupado hoje pela Fonte Luminosa na Praça XV de Novembro, segundo informações da secretaria da cultura. Figura 20 - Patrimônio da fábrica da Matriz²³

Patrimônio da fábrica da Matriz elaborada pelo engenheiro Antônio Soares Romero em janeiro de 1932. (Fonte: Silva, 2006, p.51) ²³

47


Cap.4 As Origens Históricas da Desvalorização Patrimonial em Rib. Preto Em 1870, o povoado foi elevado a Freguesia de São Sebastião do Ribeirão Preto, quando se fixaram os limites de sua área, correspondentes aos atuais municípios de Ribeirão Preto, Sertãozinho, Cravinho, Serrana, Pontal, Dumont, Guatapará e Bonfim Paulista. No ano seguinte, elevou-se para a categoria de Vila e foi desmembrado do município de São Simão, e em 1º de abril de 1889, através da lei nº 88,

Ribeirão Preto recebeu o predicado de cidade.

48


Cap.4 As Origens Históricas da Desvalorização Patrimonial em Rib. Preto 4.2 A Consolidação da Cidade O café chegou ao Brasil em 1724, primeiramente na região Norte do país, e em busca de condições mais favoráveis para seu cultivo traçou seu caminho ao Rio de Janeiro, e logo “espalhou-se” pelo Sudeste, através do Vale do Paraíba, chegando até São Paulo. (LEVI, 1977). Essa cultura teve uma aceitação e expansão muito grande no país, passando já em 1830 a substituir o principal produto de exportação brasileiro, que era a cana-de-açúcar. (BACELLAR & BRIOSCHI, 1999). Conforme relata CANO (1993), a produção no Vale do Paraíba foi intensa, e em 1870 os solos da região já estavam esgotados. Devido a isso uma parte de seus fazendeiros se lançou na busca de novos territórios para plantio, onde uma parte deles foi rumo ao oeste de São Paulo, movimento conhecido como “Marcha para o Oeste”. Este movimento centralizou-se em Campinas, que teve a implantação da ferrovia logo em 1872, e estendeu-se numa faixa para o norte do estado até Ribeirão Preto. As terras do chamado “Oeste Paulista” apresentaram características muito vantajosas para o cultivo do café, tinham o solo mais fértil para o cultivo já encontrado no país, além de contar com as estradas de ferro e o Porto de Santos. (PRADO JÚNIOR, 1986). A expansão do café por essas terras, a partir de 1870, seguiu de forma cronológica por onze zonas de expansão, e Ribeirão Preto fazia parte da quinta zona, denominada Mojiana, que tinha esse nome por causa da Companhia Mojiana de Estradas de Ferro e Navegação, criada em 1872. (HOLLOWAY, 1984).

Até 1870, as atividades da região giravam entorno da agricultura de subsistência e pecuária, mas a partir daí alguns posseiros da cidade, em antecipação a chegada dos paulistas, começaram a formar seus cafezais. (Secretaria da Cultura de Ribeirão Preto). Segundo MONBEIG (1984), em 1876 chegam os paulistas, que encontraram as terras já ocupadas pelos antigos mineiros, e houve disputa por posse entre os cafeicultores e pecuaristas, até que os pecuaristas foram vencidos, pois, pode-se dizer que, a massa dos cafeicultores era muito mais hierarquizada, pois os seus fazendeiros representavam muito mais que produtores, eram importantes homens de negócios. Neste mesmo ano os irmãos Pereira Barreto chegam a região e constatando a fertilidade da “terra roxa”, que compõe a maior parte do solo da região, as condições favoráveis do clima e da topografia, então introduzem o intensivo cultivo do café. Estabelecendo parcerias com outros cafeicultores, iniciam uma grande publicidade em torno da fertilidade das terras do município, divulgando os resultados do cultivo a imprensa, atraindo investidores para a região. (LAGES, 1996; VALADÃO, 1998). Com essa expansão cafeeira, houve a necessidade imediata de mão de obra, problema que foi resolvido em parte por trabalhadores locais, em parte por trabalhadores trazidos de outras regiões do país, que em sua maioria eram livres e também uma parcela de escravos.

49


Cap.4 As Origens Históricas da Desvalorização Patrimonial em Rib. Preto São Simão, fator que facilitou muito o escoamento do café e a chegada dos imigrantes, e pessoas para trabalhar e se firmar na cidade, atraídas por sua prosperidade. No mesmo ano foi inaugurada a estação provisória, a estação Ribeirão Preto, que se situava onde é hoje o início da Av. Caramuru, de frente a chácara Vila Lobos e logo após outra estação foi inaugurada de frente a atual rua General Osório. E pode-se dizer que a partir desse fato a cidade começou a se expandir para além do Largo da Matriz, aumentando sua área central, dando início a outros loteamentos, a formação do Núcleo Colonial Antônio Prado, inaugurado em 1887, que por sua vez daria origem a outros bairros da cidade, descritos no próximo capítulo.

Figura 21 – Imigrantes na colheita do café ²4

A mão de obra do imigrante também foi empregada, sendo essencial para a produção do café e que contribuiu muito para o aumento da população da cidade.

Em 1883 foi inaugurada a estrada de ferro Mojiana que ligava Casa Branca a Ribeirão Preto, passando por 24 Imigrantes na colheita do café em fazenda do interior de São Paulo. Disponível em: http://s2.glbimg.com/A0AbI5m6eQ7X8z2MCEyBvFNhkI=/620x465/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2016/06 /20/imigrantes_colheita.jpg. Acessado em 22/08/2016.

Vale ressaltar os dados que SILVA (2006) levanta, que dizem respeito ao aumento da população da cidade, de 1874 até o início do século XX, onde 24% da população de Ribeirão Preto era formada por imigrantes, e após 1912 esse número quase dobrou para 41,83% da população, intensificando a dinâmica urbana. Para finalizar o processo de consolidação da cidade, antes de entrar em um capítulo específico sobre a formação e expansão espacial de Ribeirão Preto, de forma resumida, pode-se dizer valer das palavras de SILVEIRA (1998) e SILVA (2006), que dizem que Ribeirão Preto formou-se a partir da combinação do mercado interno com vários processos: a expansão da cafeicultura no oeste paulista, a extinção do regime de trabalho escravo e a aceitação do regime de trabalho livre, e a imigração de trabalhadores para a lavoura. (SILVEIRA, 1998).

50


Cap.4 As Origens Históricas da Desvalorização Patrimonial em Rib. Preto “De acordo com a dinâmica das diversas etapas do “complexo cafeeiro”, Ribeirão Preto então consolidando um segmento urbano cada vez mais importante e interdependente: comércio de importação, intermediação financeira, comércio atacadista, fábricas e serviços de apoio à produção, que induziram o crescimento de outras atividades: comércio varejista, transporte urbano, serviços, construção civil, etc.” (SILVA, 2006, p.55).

A cidade evoluiu a partir da transição da pecuária para a agricultura com o cultivo do café, e depois às atividades comerciais, de prestação de serviço, e industriais, sendo essa última em menor proporção. Ribeirão Preto soube aproveitar suas condições, tanto que quando houve a queda das exportações de café, devido à quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929, o município já tinha uma rede urbana e capital acumulado e já não dependia exclusivamente do setor primário-exportador, conseguindo reverter o quadro da crise, investindo em outros bens e serviços e garantindo a sua estabilidade. (SILVA, 2006).

51


Cap.4 As Origens Históricas da Desvalorização Patrimonial em Rib. Preto 4.2 A Expansão da Cidade A partir das propagandas e constatações da prosperidade de suas terras, Ribeirão Preto teve um grande crescimento, desde sua fundação, com a demarcação do patrimônio de São Sebastião, em 1856, a construção de suas primeiras capelas, em 1861-1868, até a chegada dos cafeicultores em 1870-1874 e a chegada da ferrovia em 1883 e dos imigrantes e força de mão de obra. E só foi aumentando desde então, chegando ao ano de 1920, com cerca de 68.838 mil habitantes. Isso representava uma expansão de mais de cinco vezes na sua população original, de 5.552 habitantes. Entre o período de fundação da cidade até a chegada do café, a população ainda era muito rarefeita. Mas com a chegada do café e o aumento da população, destaca FARIA (2010) que no final do século XIX houve um crescimento da área urbana, com a expansão do arruamento num tabuleiro linear no qual predominavam as residências e comércios. O autor define que houve dois eixos de crescimento, sendo o primeiro compreendido no período de 1874 até 1883 (chegada do café até a instalação da ferrovia). Ainda segundo o autor, essa primeira vertente de crescimento situava-se nas proximidades do córrego Retiro, e a atual rua Mariana Junqueira era a rua do comércio, sendo o principal eixo comercial. A população foi aumentando e a área carecia de novos serviços urbanos e de infraestrutura e aos poucos o poder público municipal foi realizando serviços de iluminação, água, esgoto, implantação de jardins públicos e calçamento na área entorno do lardo da Matriz (que tinha como limites os córregos do Retiro e Ribeirão Preto), o que foi

Figura 22 – Largo da Matriz, 1890²5

constituindo a ideia de centro da cidade. Nas proximidades da capela, construída no território da atual praça XV, consolidava-se o território de sociabilidade da comunidade, que tinham como uma das únicas formas de lazer, as festividades religiosas. O segundo eixo citado por FARIA (2010), surge em 1883, com a chegada da ferrovia. Uma primeira estação provisória foi construída em frente a chácara Villa-Lobos, na atual Av. Caramuru. Largo da Matriz – Rib. Preto, 1890. Disponível em: http://www.ribeiraopretoconvention.org.br//wp-content/uploads/1A-Largo-daMatriz-1890-1024x759.jpg Acessado em 22/08/2016. 25

52


Cap.4 As Origens Históricas da Desvalorização Patrimonial em Rib. Preto Porém essa localização não agradou, pois se encontrava longe do núcleo urbano consolidado (centro) e em uma área sujeita a alagamentos. Então a Companhia Mojiana construiu uma nova estação, em 1885, localizada próxima às margens do Ribeirão Preto, na atual Av. Jerônimo Gonçalves, de frente para a Rua General Osório. (Fonte: Secretaria da Cultura de Ribeirão Preto). E a partir daí o (que ainda era uma vila) naquela direção. (VALADÃO, 1998). núcleo original é expandido até a estação Mojiana, incentivando o desenvolvimento de Ribeirão Preto. Conforme citado no capítulo anterior, a chegada da ferrovia em 1883 facilitou muito o aumento de mão-de-obra à região, sobretudo de imigrantes europeus, em sua maioria italianos. Segundo SILVA (2006), muitos desses possuíam algum outro tipo de profissão, geralmente ligada à manufatura. E assim que conseguiam deixar o trabalho o trabalho agrícola, voltavam-se para o mercado de bens e serviços local, o qual já havia uma crescente demanda, tanto incentivada pelos próprios imigrantes, quanto as demais parcelas da população que estavam se instalando em Ribeirão Preto. Assim, essas atividades foram ocupando as ruas do eixo de expansão, e conforme relata FARIA (2006), nesse período se consolida a tão importante Rua José Bonifácio que abrigava várias edificações comerciais e residenciais, além de barracões para o armazenamento de café. O uso misto dessa rua pode ser identificado até hoje, onde há muitos sobrados em que o comercio encontra-se no térreo e a moradia acima. Outras edificações importantes foram construídas ali, estas que serão descritas nos próximos capítulos. Com esse grande aumento da população, o tecido urbano atual já não suportava mais o crescimento,

“o que levou à formação de novos loteamentos e bairros para acolher os trabalhadores urbanos, além da abertura de grandes avenidas em torno do centro. Em 1886, tem início o primeiro grande projeto para de expansão para a Vila de Ribeirão Preto [...] e o projeto para a instalação de um núcleo colonial, que seria inaugurado já no ano seguinte.” (SILVA, 2006, p. 59).

Os novos bairros e loteamentos, e também o núcleo colonial Antônio Prado, juntamente com o centro, decorrentes da expansão demográfica, constituem as primeiras camadas do tecido urbano de Ribeirão Preto, as quais formam e dão origem aos bairros mais antigos da cidade, compreendidos como o próprio Centro, a Vila Virginia (República), Vila Tibério, Campos Elíseos e Ipiranga, além das áreas do Bosque Municipal e da USP, que são o objeto de estudo do presente trabalho. A partir da década de 1890, com ênfase no século XX, acontecem marcos significativos nessa expansão da cidade, os quais, para garantir a fluidez do trabalho, serão separados e apresentados no capítulo que trata de área de estudo, que se destina a explicitar as características históricas e espaciais de cada um dos bairros mencionados. Da mesma forma, a sequência do crescimento da cidade até os dias atuais - de acordo com a pertinência para o presente trabalho, passando pelos os fenômenos urbanos, como por exemplo a valorização do centro e em seguida seu esvaziamento, o abandono dos imóveis antigos e os conflitos de mobilidade - são apresentados nos próximos capítulos.

53


CAPA CAP 5 – REFLEXOS DA OCUPAÇÃO...


Cap.5 Reflexos da Ocupação Urbana sobre o Patrimônio Com a globalização, a facilidade de acesso e de deslocamento, houve uma mudança nos processos urbanos. Essa mudança pode ser datada mais precisamente a partir de 1980, revelando uma nova lógica na ocupação urbana, (VARGAS E CASTILHO, 2009) sendo essa a lógica do século XXI, das cidades contemporâneas. Segundo as autoras, houve uma internacionalização da economia provocada pela agilização das comunicações – sobretudo devido a tecnologia da informática – que conduziu, entre outros fatos, uma alteração no significado de espaço e tempo. A partir daí o espaço físico adquiriu uma nova e diferente

condição. Há também o fator de que atualmente, mais de 84% da população brasileira vive nas cidades. (IGBE, Censo 2010). Segundo o IBGE, em 2000 esse índice era de 80%. Ou seja, o aumento de demandas urbanas está constantemente em crescimento. Como tudo que se expande necessita de mais espaço, as cidades também necessitam se adequar as demandas populacionais. Surgindo decorrentes desse aumento de demandas e serviços, os fenômenos urbanos, que podem ser entendidos como os processos de como a cidade responde a tais fatos. Os fenômenos que podem ser destacados, mais pertinentes para o tema tratado seriam o da verticalização, da criação de novos centros e a periferização. Primeiramente, a verticalização veio em detrimento ao

espaço das cidades, há de se concordar que é mais fácil e mais barato ocupar melhor o terreno disponível, verticalizando. Esse processo implicou diretamente nos imóveis patrimoniais, uma vez que a maioria destes, conforme suas técnicas de construção, materialidade e idade, não permitem esse processo. E na visão da economia, dependendo de onde estão localizados (pode-se dizer que a maioria nos centros), ocupam um lugar que poderia ser melhor ocupado por um prédio, por exemplo. Segundo VARGAS E CASTILHO (2009), o desenvolvimento contemporâneo, com as questões levantadas, fez com que o espaço urbano passasse a ser menos o locus da produção, para ser mais objeto de consumo. O capital tem então, a capacidade de criar localizações, mais atrativas, melhor estruturadas e que oferecem melhores serviços, e divulga-las, com o intuito de atrair a população para se instalarem ali, residencial ou comercialmente, ou desenvolverem ali outras atividades. Um marketing é desenvolvido para tal, para que essas localizações despertem o interesse de consumo, de investidores, políticos, moradores e turistas. Paralelo a isso, com o fácil deslocamento das pessoas, essas podem realizar suas atividades em diferentes lugares, embora isso não seja tão prático. As pessoas passaram a morar em um local, trabalhar em outro, ter seu lazer em um terceiro, etc. Com tudo isso houve uma desvalorização das áreas já consolidadas, sobretudo os centros urbanos, e uma crescente expansão das áreas periféricas. O que causou o abandono de inúmeros centros urbanos, em todo o mundo, processo que será melhor explicado no próximo texto.

56


Cap.5 Reflexos da Ocupação Urbana sobre o Patrimônio Desde a época das cidades industriais, as áreas consolidadas, mais especificamente as centrais, foram sendo deixadas em detrimento a novos eixos de expansão, a lógica era ir para longe do caos urbano, e começava ali a lógica da periferização. Contudo, opostos existem ao se tratar desse assunto, pois ao mesmo tempo que a periferia é destinada às classes mais altas, também é destinada a classes mais baixas, o que diferencia esses territórios, pelo menos no caso de Ribeirão Preto, são as zonas urbanas, sendo a zona sul a mais valorizada, e a zona norte a menos. Esse processo é destacado por SILVA (2006), onde relata que o centro da cidade, até 1960 era a área mais valorizada cidade – cabe ressaltar que em detrimento a isso, nesse período a população operária, imigrantes, em geral, a população de classe mais baixa já foi afastada do local da elite, o que deu origem aos bairros da zona norte e zona oeste da cidade – porém houve a criação de outros loteamentos, destinados à essa classe mais abastada. A instalação de novos polos de atração como os shoppings centers em outras áreas, deram origem ao fenômeno urbano contemporâneo do abandono da área central, em 1980, tendo a população elitizada de mudança para esses novos locais. O abandono também do poder público, que voltou seus investimentos para outra zona da cidade, especialmente a zona sul. Outra característica das cidades contemporâneas é o crescente aumento dos condomínios horizontais, fechados, estes que geralmente também são localizados em áreas mais distantes, as pessoas tendem a se isolar, por acreditarem que é mais seguro e que tem ali uma melhor qualidade de vida. Esse fenômeno interfere diretamente na consolidação de cidades espraiadas, que tem seus moradores cada vez mais afastados e isolados.

Figura 23 – Verticalização da Área Central, Ribeirão Preto.²6

Diante de todos esses processos apresentados, os imóveis inseridos na malha urbana antiga são substituídos por outros novos que se instalam nos setores de expansão da cidade, e por isso são abandonados. E por isso tantos são deixados à mercê do tempo, ocasionando muitas perdas de história e identidade da sociedade que tem/tinham ali expressos muitos valores.

Verticalização da Área Central – Rib. Preto. Disponível em: https://guiacidades.files.wordpress.com/2009/12/catedral-vista-aerea.jpg Acessado em 22/08/2016. 26

57


Cap.5 Reflexos da Ocupação Urbana sobre o Patrimônio 5.1 O Abandono dos Imóveis Históricos Diante da lógica da ocupação urbana contemporânea, apresentada anteriormente, já puderam ser analisadas as causas do abandono dos imóveis históricos na atualidade. E a discussão que se quer entrar aqui, é sobre questões referentes aos instrumentos de preservação, com enfoque ao instrumento de tombamento, uma vez que o que se percebe, é que este não é suficiente para proteção efetiva do bem. Cabe explicar, primeiramente o que é o tombamento, e quais órgãos são responsáveis por esse processo. “O tombamento é um ato administrativo realizado pelo poder público, com o objetivo de preservar para a população bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e até afetivo. A intenção é impedir que esses bens venham a ser destruídos ou descaracterizados.” O tombamento no Brasil, pode ser promovido pelas esferas federal, estadual ou municipal. Sendo o órgão federal o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Em âmbito estadual, cabe a cada estado o seu conselho. No caso do estado de São Paulo, o órgão é o CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico). E no âmbito municipal, no caso de Ribeirão Preto, o órgão responsável é o CONPPAC/RP (Conselho de Preservação do

Patrimônio Cultural do Município de Ribeirão Preto). Ribeirão Preto também possui um Plano Municipal da Cultura, que desde 2010, quando foi aprovado, norteia as ações acerca do Patrimônio Cultural da cidade.

De uma maneira mais breve, é possível reforçar a afirmação de o tombamento não é suficiente para a preservação, olhando diretamente para os bens patrimoniais tombados de Ribeirão Preto, no campo das edificações.

Em analise a lista de bens tombados da cidade – disponível no site da prefeitura – é possível identificar cerca de 60 imóveis tombados, com a responsabilidade do CONDEPHAAT para alguns e para a maioria do CONPPAC. A maioria destes imóveis podem ser vistos em um capítulo posterior , nas fichas de cada bem patrimonial. Através das pesquisas, foi possível analisar que, não raros os casos, muitos destes estão “protegidos” da ação do homem, mas não da ação do tempo. É o caso, sobretudo dos patrimônios particulares. Conflitos entre o CONPPAC e os proprietários ocasionam o abandono dos imóveis. Os proprietários dos imóveis tombados reclamam que o CONPPAC tomba o imóvel e faz inúmeras exigências de restauração, sem dar nenhum respaldo ou apoio.

58


Cap.5 Reflexos da Ocupação Urbana sobre o Patrimônio O Tombamento não é suficiente Muitas vezes os proprietários reclamam que nem sequer são consultados, ou informados que o imóvel está em processo de tombamento. Muitos ainda, reconhecem a importância da preservação, mas questionam o modo como tem sido feito. “ - Foi tombada? Não sabia. Não fui notificado e não quero que seja tombada [...] A Prefeitura tomba o bem e entrega a responsabilidade para o dono, sem se importar com os custos para restauração de um imóvel assim” (Depoimento de José Branco Neto, em entrevista para o jornal A Cidade – 2013, sobre o tombamento do imóvel de sua família no centro de Ribeirão Preto). “ - Não tenho como restaurar a fachada como é exigido a quem tem um bem tombado”. (Depoimento de outro proprietário – que não quis ser identificado - em entrevista para o jornal A Cidade – 2013). OLIVEIRA (2013) observa que isso ocorre em extensão nacional e ainda observa que, em outros países, há políticas públicas para ajudar o proprietário a manter o local, e aqui no Brasil, pelo contrário, não há nenhum incentivo. Ela destaca ainda que, muitas vezes, imóveis desativados são tombados, e como não se dá um novo uso a estes, acabam por ir se desfazendo com o tempo.

Exemplos de imóveis particulares tombados em Rib. Preto e que estão se desfazendo com o tempo: Respectivamente: Figura 24 – Palacete Albino de Camargo Netto, Ribeirão Preto.²7 Figura 25 – Casa Caramurú ou Solar Vila Lobos, Ribeirão Preto.²8 Figura 26 – Palacete Jorge Lobato, Ribeirão Preto.²9

Palacete Albino de Camargo Neto, Centro, Rib. Preto. Disponível em: http://www.revide.com.br/media//u pload/tinymce/653_20.jpg) Acessado em 22/08/2016. 27

Casa Caramurú, Vila Virgínia, Rib. Preto. Disponível em: http://2.bp.blogspot.com/-OZuEunjFaw/UQRl0cGvPUI/AAAAAAAACdc/q JQMufnArf0/s320/1483_539246342 752668_2097211992_n.jpg)Acessad o em 22/08/2016. 28

Palacete Jorge Lobato, Centro, Rib. Preto. Disponível em: http://www.revide.com.br/media/ca che/3a/e8/3ae8faa0f9e95d97129ffb 170c1d0d63.jpgAcessado em 22/08/2016. 29


Cap.5 Reflexos da Ocupação Urbana sobre o Patrimônio 5.2 O Esvaziamento dos Centros Atualmente, têm sido mais frequentes projetos de reabilitação de áreas centrais, que foram progressivamente desocupadas nas últimas décadas, devido a lógica contemporânea de expansão urbana, já menciona anteriormente, que ocupa as regiões periféricas, em detrimento de áreas e imóveis préexistentes. Para entender esse processo de desocupação precisamos recorrer a história dos centros urbanos, que em sua maioria, representam o início da formação de uma cidade, o “coração da cidade”, que porta uma enorme carga de memória e vivência, parte que sempre sofreu muitas transformações ao longo de todas as mudanças de pensamentos, de interesses, de esforços; talvez sendo a primeira parte da cidade a ser povoada e também a primeira a ser abandonada. Conforme já falado, o fenômeno do esvaziamento das áreas centrais veio a decorrer, principalmente, do surgimento de novos eixos de expansão nas cidades. Os centros foram sendo considerados ambiente que não correspondia mais as demandas modernas e contemporâneas, e por isso ocorreu sua desvalorização progressiva e esvaziamento. Segundo Rodrigues (2013), os centros são identificados como ponto de convergência, e podem ser considerados o lugar mais dinâmico da vida urbana, devido a forte presença de atividades diversificadas, comércio, serviço, educação, lazer, financeiro, hospedagem, entre outras.

Essa variedade e a tolerância de diversidades reforça os centros urbanos como de um caráter único, além de sua representação simbólica e histórica, em relação aos novos subcentros. Esses subcentros se englobam no fenômeno urbano dos novos centros, onde os investimentos são concentrados para criar um novo polo de atração. Não se pode deixar de salientar que também há o fator dos centros congestionarem-se com a intensidade de suas atividades, mas ao mesmo tempo, cresce a concorrência de outros locais para morar e viver. Há um êxodo de atividades nobres e saída de outras grandes geradoras de fluxos, sendo substituídas por de menor rentabilidade, informais, e às vezes, ilegais e praticadas por pessoas de pouco ou nenhum poder aquisitivo. Desse modo, a arrecadação de impostos diminui, reduzindo a atuação do poder público nos serviços de limpeza e segurança pública, intensificando formas crescentes de segregação e exclusão social da área. Visto sua situação anterior, onde o centro era a área mais valorizada da cidade, houve uma total inversão de seu valor. A elite saiu dali em busca de novas comodidades oferecidas pelas novas áreas e com a população central diminuindo, também caiu o interesse por imóveis, estes ficando desvalorizados e levando também embora muitas das atividades comerciais e empresariais (de mais elevado padrão). Com essa desertificação central, foram

60


Cap.5 Reflexos da Ocupação Urbana sobre o Patrimônio abertas as portas para os problemas de degradação, como a violência, a marginalidade, desvalorização monetária e social. Tratando-se de Ribeirão Preto, como já mencionado, esse processo também aconteceu, quando houve a expansão da zona sul da cidade, o centro deixou de ser a área da elite e houve sua desvalorização e esvaziamento. Contudo, assim como a maioria das áreas centrais, apesar de sua degradação, convergem ainda um grande fluxo de pessoas, configurando-se como um grande local de passagem e trocas, o que de certa forma agrega também em sua degradação, uma vez que o ambiente não suporta o contingente de fluxo que recebe, causando vários conflitos.

heterogênea, definido por CASTELLO (2000) como um verdadeiro “mosaico cultural” e “onde todos os segmentos constitutivos dos moradores da cidade - e da cidadania - encontram-se representados”. É tarefa extremamente importante a identificação das relações apresentadas, reforçando a ideia de que essas áreas devem ser estudadas com muita atenção, minuciosamente. Ao longo dos capítulos, muito é falado sobre as intervenções em centros históricos, inclusive em como se intervir em sua malha viária para melhorar o fluxo - que será apresentado no próximo capítulo – sendo abordado o tema geral da mobilidade urbana, porém, com foco na bicicleta como uma alternativa de intervenção integrada, sendo a área central um ponto importante do trabalho.

“Os ambientes centrais das cidades - em particular, das concentrações metropolitanas - guardam um volumoso e profundo acúmulo dos fatos que vêm marcando de maneira mais significativa sua memória - a memória de sua evolução - desde o tempo de suas fundações até o estágio que sua urbanização atingiu no presente. Há neles uma riqueza concentrada de referências culturais que expressam, de maneira muitas vezes bastante clara, os componentes que conformam a memória da cidade, do seu passado e também de seu presente.” (CASTELLO, 2000, p. 5)

Sendo assim, percebe-se que os centros apresentam uma variabilidade cultural muito grande, um núcleo complexo, sobretudo, para se identificar os elementos estruturais – julgados mais importantes, quando se trata de propor intervenções - por serem frequentados por uma população extremamente

61


CAPA CAP 6 – APORTES GERAIS SOBRE MOBILIDADE URBANA E PATRIMÔNIO


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio 6.1 CONFLITOS ENTRE MOBILIDADE, PATRIMÔNIO E O COTIDIANO CONTEMPORÂNEO “A vida urbana compõe-se de dois elementos essenciais, que englobam todas as funções e todos os atos da vida. O homem descansa, se move: isso é tudo. Não existe senão repouso e movimento” (CHOAY, 2006 p. 146)

A partir da metade do século XIX, quando começou a “higienização” das cidades³0, ficou muito clara a separação entre o antigo e o novo, onde o antigo assumiu o papel de vilão insalubre e o novo o herói da saúde, limpeza, renovação urbana, modernização. De fato, em muitos sentidos, esse era o panorama real, porém a generalização desse conceito e a falta de preparação em planejamento acabou por destruir paisagens importantes na história das cidades em prol a um plano que, em muitos casos, não foi bem estudado e não cumpriu bem seu objetivo. Cabe destacar a discussão, citada por GIOVANNONI (2013), entre as duas tendências citadas, estas que determinaram relações extremas quando se trata de renovação urbana, a tal ponto que para uma os elementos do passado são “obstáculos” para a nova organização das cidades, e para outra, são “pontos de referência” intocáveis e imutáveis. Contrapondo assim, a Vida e a História. “Os inovadores dizem: as cidades não são museus ou arquivos, mas são feitas para serem vividas da melhor forma possível e nós não podemos comprometer o desenvolvimento delas e parar o

Figura 27 – Trânsito/Ponto de Ônibus em frente a Catedral, Ribeirão Preto.³1 caminho da civilização, fechando a vida nova dentro de ruas estreitas e tristes, apenas por um equivocado respeito fetichista em relação ao passado. As nossas exigências são completamente diversas daquelas dos

Teve início com a reforma de Paris, por Haussamann, que encontra seu equivalente no “bota-abaixo” do rio de janeiro, realizado pelo Prefeito Pereira Passos, em 1906.

30

31 Trânsito/Ponto de Ônibus em frente a Catedral– Rib. Preto. Disponível em: http://f.i.uol.com.br/fotografia/2012/12/03/216140-970x600-1.jpeg Acessado em 30/08/2016.

64


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio nossos antepassados; e, a essas, nós não podemos mais nos adaptar [...] Ar, luz, comodidade, higiene, isso nós queremos! As habitações, sejam cômodas e abertas, as ruas, sejam amplas, úteis, de rápido percurso; e se, em seu traçado, encontram-se edifícios importantes e obras de arte que não possam ser removidas [...], não há outra coisa a fazer além de demoli-los, e no máximo, se houver tempo, conservar a lembrança deles por meio de documentos gráficos. Respondem os conservadores: a vida não pode ser movida somente por um conceito material utilitário, sem um ideal, sem uma busca de beleza; menos ainda do que a vida de individuo, pode ser tal vida coletiva das cidades, que deve conter em si os elementos de educação moral e estética e que não pode prescindir da tradição na qual se encontra boa parte da glória nacional. E a tradição é ofendida no dia em que se demole ou se deturpa um monumento e se tira um testemunho de arte e de história ou que se transforma violentamente a fisionomia do ambiente em que os séculos paulatinamente imprimiram um bairro. A razão de ser, a importância, frequentemente também a prosperidade presente em muitas cidades [...] está, bem mais do que no seu valor atual, na luz que o passado irradia sobre elas: não a obscureçamos destruindo seus restos monumentais e ofuscando seu caráter. E se esse respeito [...] levará a percorrer uma via com maior incômodo, não nos lamentemos disso se assim se salvam os direitos da Beleza e da História. “ (GIOVANNONI, 2013, p. 95-96)

A visão restrita dos inovadores, fortemente presente no período das grandes mudanças e intervenções sanitárias, da chamada modernização e renovação urbana, resultou, como já citado, em

inúmeros casos de planos que atenderam parcialmente seus objetivos e pode-se dizer malsucedidos, visto que causaram muitas perdas em cidades antigas e fizeram surgir novas cidades monótonas. Como cita Giovannoni (2013), o caso das intervenções propostas pelo papa Sisto, e mais adiante por Napoleão I, em Roma, que consistiam em planos sem ligação com um programa pensado, que apresentava soluções pouco estudadas, sobretudo na prática. Estes, assim como muitos outros, mais adiante, em inúmeros casos, propunham um traçado seguindo formas geométricas feitas em projeções sobre um plano e queriam impor tal desenho as cidades, justificando-se pelos ideais da renovação, do novo, da limpeza, da melhor circulação, mesmo que isso implicasse cortes, demolições, perdas irreparáveis e a repetição enfadonha de um mesmo desenho. Um outro exemplo muito conhecido desse processo são as intervenções de Haussmann em Paris, seria injusto dizer que seu plano fracassou em seu objetivo, de uma nova Paris salubre, higienizada, porém, apesar do cuidado de se fazer um levantamento de monumentos, edifícios, considerados importantes, salvando assim, muitos deles, seu plano acabou por destruir outros, julgados de menor interesse, e uma grande parte da malha urbana, considerados obstáculos a modernização da cidade, conforme cita CHOAY (2001) “O barão tinha boa-fé e a ele devemos efetivamente a conservação de numerosos edifícios que [...] estavam fadados à demolição [...] Destruiu, contudo, em nome da higiene, do trânsito e até da estética, partes inteiras da malha urbana de Paris.” (Choay, 2001, p. 175)

65


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio Tratando-se da malha

viária, das questões de

mobilidade urbana, o que se encontrava a partir de então era, na maioria dos casos, traçados regulares, de geometria retangular, o conhecido traçado “tabuleiro de xadrez”, que facilitava a divisão de quadras e lotes iguais, repetidamente, causando monotonia, e a perda da individualidade dos locais. A maioria das cidades atuais tem como herança o traçado racionalizado difundido nesse período, como é o caso de Ribeirão Preto. Também foi difundido o traçado radial, onde se converteram algumas artérias em nós, mas este também era geometrizado, porém melhor e exceção em comparação ao primeiro. Essa organização sistemática da cidade apresentou outros problemas, além dos já citados. Com enfoque no tráfego, o movimento e a quantidade de automóveis foi outra vez aumentado, sobretudo quando chegaram os bondes elétricos, e as vias não planejadas de acordo com os previstos fluxos se mostraram insuficientes, e o traçado com inúmeros cruzamentos se tornou muito perigoso. Além disso, a implantação artificial da geometrização, uma vez que o terreno deveria ser adaptado a ela, custou muito para a economia, causando um grande ônus para as administrações, conforme relata Giovannoni em seus estudos. Tais fatos evidenciaram que as análises deveriam ser feitas de uma melhor forma, minuciosamente, atentando às especificidades de cada lugar, buscando uma forma de diálogo entre os elementos, resultando em planos eficientes pensando na cidade como um todo complexo e vivo, conforme já explicado também por RIEGL (1903), no capítulo 3. Foi o que defenderam muitos dos sucessores estudos sobre urbanismo e se faz presente

até a contemporaneidade - do final do século XIX, passando pelo discurso do modernismo e pós-modernismo do século XX e agora no século XXI, desde o desenvolvimento das cidades-jardins na Inglaterra, juntamente com os bairros mistos propostos na Alemanha, as discussões, experimentos e documentos dos CIAMs, as ideias de Sittle e Bulls sobre a imagem da cidade, as reflexões de diversos autores sobre as áreas centrais, até chegar na contemporaneidade, com os instrumentos urbanísticos que visam a conservação integrada da cidade como um todo. Com enfoque nas tendências das evoluções das malhas viárias propostas, a adaptação altimétrica e planialtimétrica ao relevo natural do terreno, além de um novo sistema de vias baseado nos fluxos e ligações (conceito que foi evoluindo até que no modernismo, surgiu o mais difundido sistema chamado de sistema de 7 Vs, as quais as vias são classificadas baseadas no sistema de veias do corpo humano, maiores para o maior e mais rápido fluxo e menores para os menores e mais lentos fluxos), a valorização das visuais naturais e monumentais, além dos espaços abertos, nos trajetos e percursos. De uma maneira geral, as teorias de Giovannoni, ajudam a compreender todo esse panorama em relação ao patrimônio e ao cotidiano urbano. Ele descreve um panorama de como as novas construções podem perturbar o ambiente dos patrimônios históricos, com um caráter invasivo, causando desarmonia, sobretudo, nos centros urbanos, que sofrem muito esse processo. Por outro lado, outra prática prejudicial é um tipo de valorização equivocada que separa o patrimônio do seu entorno, dando-lhe um destaque que ao invés de valora-lo, descaracteriza-o.

66


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio Com a evolução de usos, e com a inserção de cada vez mais automóveis nas cidades, e por fatores de articulações, a abertura de vias internas em centros antigos é, por vezes, uma necessidade. É necessário atravessar o centro, e isso demanda estudos específicos e cuidadosos. “Mas essas novas ruas devem ser, por número e por largura, não maiores do que o necessário para dar vazão ao movimento, e traçadas articulando as exigências da circulação e da ligação entre os principais nós com aquelas do respeito pelos monumentos e pelo ambiente, adaptando-se por traçado e por elementos pictóricos e arquitetônicos, ao sistema edilício que está em vigor e que representa uma natural e continua expressão de vida da cidade” (GIOVANNONI, 2013, p. 148)

Uma visão que ainda é atual, pois é nítido que tanto o centro quanto os demais bairros antigos, não suportam intervenções compatíveis aos altos níveis de fluxo das cidades, pois estes foram projetados em outro contexto urbano. Em resumo, Giovannoni, propõe intervenções mínimas, minuciosamente estudadas, ponto por ponto e de caráter restritivo, que não perturbem o caráter do local. Vias adjacentes a ele devem ser destinadas a função de ligação entre pontos importantes das cidades, com maior capacidade, e as vias internas devem ser destinadas a pouco fluxo, com um projeto que respeite o traçado antigo, e privilegie o percurso mais lento, mais orgânico, dando visão aos monumentos. “Melhorar as condições de circulação com o mínimo de demolições e com um máximo de expedientes [...] pontos focais e de perspectivas que chamem atenção e distraiam o olhar. “ (RUBBIANI E G.PONTONI, 2013, p.11)

Figura 28 – Traçado Orgânico do Centro Histórico de Berna, Suiça.³2

“Desbastamento” é a técnica de Giovannoni para a restauração urbana, que segue a lógica já citada, há o estudo minucioso de todos elementos da paisagem e a determinação do que deve ser preservado, só então demolições, ampliações, reformas, são feitas, de forma mínima, apenas as imprescindivelmente necessárias para o bom funcionamento, circulação e equilíbrio do conjunto ou bairro antigo, visto as novas exigências da cidade nova em expansão. Porém, conforme demonstra o autor, pensar em tudo isso é sempre mais difícil que 32

Traçado Orgânico do Centro Histórico de Berna, Suiça. Disponível em: http://4.bp.blogspot.com/ayz4_PgFBVc/U7nL2evXjtI/AAAAAAAABwM/G3Pm_MaP2nk/s1600/berna.pn g. Acessado em 07/07/2016.

67


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio simplesmente traçar linhas paralelas baseadas em conceitos pouco práticos, e por isso tantos patrimônios foram perdidos, perdendose aí parte da história da cidade. “Como é possível obter soluções complexas, que em todos os seus passos trazem consigo um quesito histórico, uma dificuldade prática, uma busca artística, quando é tão fácil atingir com a geometria do esquadro, e no máximo a do compasso, soluções simples que uma bela frase pode depois dignificar? [...] Pela beleza de nossas cidades gloriosas, variadas de aspecto assim como de recordações históricas, que devem manter o seu caráter e a sua poesia, sem que a vulgaridade que tudo iguala as atinja. Muito pode ainda ser salvo. Ainda pode aflorar à mente a ideia que, enquanto novíssimas aglomerações de edifícios se estendem longe pelos doces campos em bonitos bairros alegrados pelo verde e pelo sol, no interior das cidades tão vividas, a ciência e a arte moderna possam unir-se exatamente para despertar, não para violar, a “alma dos séculos”.” (GIOVANNONI, 2013, p. 177)

Esse desejo expresso no último verso da frase, representa, o desejo, desde essa época, de se sanar os conflitos entre a circulação/mobilidade, patrimônio e cotidiano, onde a cooperação mutua, a integração técnica das diversas áreas e a valorização dos interesses públicos representam a boa formulação de soluções para a situação. CASTELLO (2000), apresentando uma visão atual da situação, confirma as teorias já previstas, destacando que para uma boa análise urbana contemporânea e bons projetos arquitetônico-urbanísticos, é necessário, uma análise multidisciplinar empenhada na identificação dos “lugares urbanos”,

estes que exprimem a lógica urbana, lugares associados ao termo genius loci (“espirito do lugar”) (NORBERG-SCHULZ, 1980), “fortes o suficiente para se tornarem percebidos como os elementos estruturais daquele ambiente” (LYNCH, 1960), pois “a (boa) arquitetura da cidade depende em parte considerável de permitir a inserção de uma articulação de lugares na estrutura da cidade (CASTELLO & MARZULO, 1998). “Tudo indica que somente uma aproximação mais íntima entre as Ciências Sociais Aplicadas, as Humanas e as Ambientais, intermediadas pelas modernas colaborações das Ciências Cognitivas e Neurociências, é que permitirá sediar o grande locus onde serão gestados os necessários entendimentos sobre o conceito de lugar, para sua igualmente necessária e definitiva inserção no campo da Arquitetura e Urbanismo.” (CASTELLO, 2000, p. 8)

Os projetos de revitalização dos lugares e edifícios patrimoniais devem resgatar a memória do local, onde haja “a justaposição entre os cenários que se encontram presentes na área, cenários todos, vinculados a elementos da memória, como se esses elementos do passado estivessem permeando os caminhos atuais da vida do bairro, encontrando um veículo por onde penetrar no presente.” (CASTELLO, 2000, p. 16) Nas últimas décadas do século XX, com o novo interesse pela cultura e valorização de patrimônios, sobretudo por interesse econômico do turismo, eclodiu uma tendência acerca do que há muito tempo existe e sempre foi tema de muitos debates, ao qual aqui, se vê, como uma prática muito prejudicial à memória, a reconstrução, reconstituição de elementos. Ampliado a escala urbana, CASTELLO (1998) critica a postura de (re) construção de

68


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio lugares que se apropriam da memória coletiva e a carência causada pela perda de história, com interesses que circundam o extremo consumo contemporâneo, recriando imagens simbólicas impulsionadas pelo poder de comunicação e marketing, produzindo não-lugares, como cenários a serem consumidos, é o que ele chama de meta-urbanismo, ou seja, um urbanismo não real. “Nas estratégias de revitalização, muitas dessas áreas recebem projetos que intentam reproduzir os ‘lugares de antanho’, buscam encenar a vida como ela era antigamente, criando uma realidade urbana que hoje não é mais real, originando não-lugares (Augé 1994)” (CASTELLO, 1998, p. 17)

Disso se deve ter o máximo de afastamento possível, pois é considerado como a produção de falsos históricos, em contrapartida ao que se propõe o trabalho, na busca da memória verdadeira, viva, da cultura própria da cidade de Ribeirão Preto. Existem tantos lugares reais nas cidades, que se encontram desvalorizados e esquecidos, estes sim carecem e merecem os investimentos e esforços para sua integração no cotidiano contemporâneo. Tratando-se mais detalhadamente da mobilidade urbana nas cidades, diante do panorama geral já introduzido, cabe reforçar que a maneira como as pessoas se movimentam, influencia diretamente na sua percepção do espaço, por isso, uma mudança aparentemente singela na mobilidade já é suficiente para causar um grande impacto nesse quesito. Conforme relata MELLO (2008), os meios de locomoção

utilizados ao longo dos tempos foram essenciais para o desenvolvimento das atividades humanas e do desenvolvimento das cidades, ao mesmo tempo em que também produziram “efeitos colaterais”, prejudicando e acarretando problemas urbanos. Ainda segundo o autor, as formas como as pessoas se deslocam, em sua maioria, vem em detrimento dos meios que a cidade lhes oferece, onde as pessoas devem optar pelo que é mais fácil ou mais barato, não que um fator seja necessariamente ligado ao outro. Atualmente, com mais de 84% da população vivendo nas cidades (IBGE), a uma sobrecarga na demanda de serviços e recursos urbanos, que acoplado a uma falta de planejamento público qualificado, acarreta em cidades que não atendem todas as parcelas de sua população, ou atendem de forma precária. Diante disso, a sociedade contemporânea vem sofrendo com a dependência do transporte individual por automóvel, a ineficiência do transporte público, falta de infraestrutura que atenda a pedestres e ciclistas, o que faz ocasiona o desrespeito às pessoas com dificuldades de deslocamento, gera necessidades de deslocamento cada vez maior, congestionamentos, demanda de maior tempo, dentre outros. Tal panorama geral é refletido na cidade Ribeirão Preto. Sendo a mobilidade urbana, apontada como um dos maiores problemas da cidade. (Folha de S. Paulo, 2013). O que será melhor explicado no subcapítulo a seguir.

69


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio 6.2 PANORAMA GERAL DA MOBILIDADE URBANA EM RIBEIRÃO PRETO A mobilidade urbana é apontada como um dos maiores problemas de Ribeirão Preto. (Folha de S. Paulo, 2013).

enquanto a população cresceu 20%, ou seja, um ritmo muito superior ao apresentado pela infraestrutura urbana.

Segundo o urbanista Silvio Contart (2013), a mística das facilidades do automóvel foi vendida para a população nos últimos anos, e agora muito mais pessoas podem ter carro, e em vistas à precariedade do transporte público da cidade, os carros são a preferência da população. Mas ele atenta que não se pode sair demolindo as ruas para abrigar toda essa quantidade de veículos. Por isso, há a grande necessidade de uma reordenação na mobilidade da cidade.

De acordo com a análise dos gráficos e dados, chega-se ao resultado de 1 veículo para cada 1,3 habitantes em Rib. Preto. Esses números ultrapassam as estatísticas de cidades do mesmo porte como Sorocaba e São José dos Campos, chegando até a ultrapassar a frota da capital São Paulo, que possui 1 veículo para cada 1,6 habitantes.

“Se não houver um planejamento adequado e incentivos ao uso do transporte público e integração dos mesmos com modais não motorizados junto ao desestímulo aos usos de veículos automotores, o sistema viário da cidade não mais suportará a frota de veículos existente em questão que anos, uma vez que o ordenamento das cidades priorizando o automóvel é insustentável.” Musembani (2014)

Nos últimos 12 anos, a frota de veículos cresceu cerca de 5 vezes mais que a população, batendo a marca dos 500 mil

Esse total fica ainda mais alarmante quando somado a quantidade de carros de outras cidades que também circulam pela cidade, totalizando um aumento de 5 a 20% na frota de veículos, dependendo da época do ano e do horário diário. Moradores da cidade que utilizam o automóvel, confirmam a proporção inadequada do aumento da frota, em comparação a infraestrutura viária. “ Cinco anos atrás eu levava de 5 a 8 minutos para levar meu filho na escola de manhã – moro no Jardim Palmares e a escola é nos Campos Elíseos. Hoje esse tempo aumentou de 15 a 20 minutos”. (Cláudia de Araújo Lima -Moradora da cidade de Rib. Preto em entrevista para a o jornal A Cidade).

veículos em 2016, que circulam pelos 2 mil km de vias pela cidade, registrando o crescimento de 95% nesse período,

70


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio Frota de Veículos – Ribeirão Preto/2016

4424

105

65

36

21

2663

7062

1

1805

27477

103329 1078

2019

2

19528

34015

1935

11007

285249

501821

RIBEIRAO PRETO - 2016

Gráfico 1 – Gráfico Frota de Veículos de Ribeirão Preto/2016.³3

33

Gráfico Frota de Veículo de Rib. Preto, 2016. Desenvolvido pela autora. Fontes: Ministério das Cidades, Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN. Frota Nacional de Veículos 2016 (última atualização: Junho/2016). Frota por município e tipo.

71


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio Muito se planeja a respeito dos incentivos nos transportes públicos e grandes obras viárias, mas o problema vai além do aumento da frota de veículos, segundo especialistas em trânsito. Afirmam que essas obras, apesar de extremamente necessárias e bastante eficazes, ainda deixarão a desejar enquanto novos empreendimentos forem instalados na cidade, sem um estudo de impacto e obras para seu bom funcionamento em questão de quantas pessoas irão visitar o local diariamente e quais alterações viárias devem ser realizadas para tal. Qualquer empreendimento novo traz impactos imediatos e futuros, por menores que sejam, e estes devem ser levados em conta em uma grande cidade. (Costa, 2014). Segundo NETO (2014), a falta de planejamento é a maior causa dos problemas de mobilidade urbana na cidade, e não o aumento da rota em si. Figura 29 – Trânsito lento na Av. Presidente Kennedy, Ribeirão Preto.³4

Antes desse aumento da rota, congestionamentos e maiores dificuldades eram encontrados apenas na região central, mais precisamente em horários de pico, no início da manhã e final da tarde, durante a semana. E ainda as avenidas Nove de Julho, Independência, Francisco Junqueira e Maurílio Biaggi eram grandes corredores de fluxo de automóveis. Atualmente essas avenidas não suportam mais o fluxo, e a situação de trânsito lento, e dificuldades de locomoção, estendeu-se também para os bairros, e em suas principais vias, são registrados pontos de tráfego lento diariamente.

Um dado importante a ser destacado é que a prefeitura recebeu há 3 anos atrás verbas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, para o incentivo aos transportes coletivos e melhorar o fluxo na cidade, porém até hoje a prefeitura conclui licitações para escolher qual será a empresa responsável pelas obras de duplicação e instalação de corredores de ônibus em 4 km da Av. Antônia Mugnatto Marincek (obras previstas para começar esse ano, se não houver mais “imprevistos”, com orçamento previsto de 36 milhões de reais e com previsão de 34

Trânsito na Av. Presidente Kennedy. Disponível http://f.i.uol.com.br/folha/cotidiano/images/13049517.jpeg. Acesso 20/11/2016.

em em

72


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio durarem 2 anos) e outra empresa responsável pelos projetos executivos das demais obras previstas no plano de mobilidade, sendo 12 obras entre viadutos, pontes, túneis e passarelas e de 52 km de corredores de ônibus (tais projetos orçados em aproximadamente em 6,2 milhões de reais).

quais os responsáveis pela mobilidade urbana em Ribeirão Preto. Dentro

desse

assunto,

cabe

câmeras de vídeo (REALIZADO PARCIALMENTE), informações por áudio dentro dos veículos sobre a próxima parada (REALIZADO PARCIALMENTE), um sistema completo de monitoramento (REALIZADO PARCIALMENTE), etc. Além de oferecer veículos novos com maior capacidade de passageiros e a totalidade da frota acessível à cadeirantes ((REALIZADO PARCIALMENTE).

destacar

Em Ribeirão Preto, a principal responsável pela mobilidade urbana é a TRANSERP – Empresa De Trânsito e Transporte Urbano de Ribeirão Preto. Ela foi instituída em 1980, na condição de empresa de economia mista da administração indireta do governo municipal. Atualmente ela atua nas áreas de engenharia de tráfego, educação para o trânsito e fiscalização. Tem serviços de transporte coletivo prestados pela RITMO – Rede Integrada de Transporte Municipal por Ônibus, por meio do Consórcio Pró Urbano. Esse consórcio é vencedor do edital de licitação do transporte coletivo urbano de Ribeirão Preto, de lote único é formado por três empresas: Rápido D’Oeste, Transcorp e Turb. Essa licitação tem 20 anos de vigência de contrato, a partir de 2012, e pode ser prorrogado por até mais 20. De acordo com o edital, os investimentos somam a quantia de 131 milhões de reais, e entre eles estão a construção de dois terminais centrais (REALIZADO), oito estações de integração nos bairros (NÃO REALIZADO), parada de ônibus na Praça das Bandeiras (PROJETO PRONTO – CONTRUÇÃO TEMPORARIAMENTE BARRADA), 500 abrigos em pontos de parada (REALIZADO PARCIALMENTE),

Em suma, existem muitos projetos em andamento, e muito planejado, mas os órgãos responsáveis não caminham com a velocidade da cidade, o transporte público, e os demais meios de transporte que poderiam e deveriam ser utilizados, apesar das melhorias, ainda não tem a infraestrutura necessária e isso acaba levando a população ficar insatisfeita e aumenta a tendência a utilização do automóvel, que parece o meio menos pior de enfrentar o trânsito na cidade. Gráfico 2 – Gráfico das causas da desaprovação do transporte público em Rib. Preto.³5

Pode-se concluir, a partir da análise da pesquisa, que se, esse serviço fosse oferecido com qualidade, poder-se-ia diminuir a quantidade de automóveis nas ruas.

35

Gráfico 2 – Fonte: MUSEMBANI, 2014, p.83.

73


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio De acordo com o plano municipal de mobilidade, a população de Ribeirão Preto realiza mais 1.143.116 viagens diariamente. Na tabela, pode-se analisar, em ordem decrescente, qual os modos mais utilizados nas viagens. Confirma-se que o automóvel (condutor) é o mais utilizado nos deslocamentos, seguido de locomoções a pé, por ônibus, automóvel (passageiro) e motos, desse último para ó próximo modo que é a bicicleta há uma variação bastante considerável.

Tabela 1 – Divisão modal e Índice de Mobilidade de Rib. Preto.³6 “As classes média e alta já descartam, de primeira mão, usar veículos de massa, como os ônibus, já que esse tipo de veículo não oferece qualidade adequada para ninguém. Há famílias com quatro pessoas e quatro carros na garagem de casa, elas investem cada vez mais em veículos próprios. Os coletivos deveriam, no mínimo, ter ar-condicionado devido ao clima de Ribeirão Preto e é inadmissível os usuários ainda tomarem chuva nos pontos de ônibus sem cobertura, que são inúmeros espalhados pela cidade. [...] Se em dez anos não for feita uma política para melhorar o transporte público e já começar a se pensar em outras opções, como o metrô, chegaremos ao caos”. (Geraldo - advogado especialista em trânsito - 2016 – A CidadeON)

Em alguns casos, moradores já optam por outros meios de transporte, como a bicicleta, afirmando ser mais rápido devido aos congestionamentos nas ruas, e afirmam ainda que essa prática seria muito mais comum se não oferece tantos riscos, pois não há planejamento na cidade para esse tipo de deslocamento. O presidente do Conselho Municipal de Urbanismo, José Roberto Geraldini Júnior, ainda atenta que o meio de transporte público oferecido na cidade é somente focado nos ônibus, e que é preciso investir em outros, como as ciclovias, e também veículos elétricos. Tabela 1 – Dados/tabela: Plano Municipal de Mobilidade. Disponível em: www.ribeiraopreto.sp.gov.br/transerp/mobilidade/i07apresentacao.html. Acesso em 20/10/2016.

36

74


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio 6.3 BICICLETA COMO ALTERNATIVA DE TRANSPORTE A bicicleta é um dos vários meios de transporte que existem, e pode ser o que é menos valorizado. Vasconcellos (2013), alega que o poder público não demostra muito preocupação com esse modal, menos ainda valoriza que pode ser uma ótima alternativa para desafogar o trânsito das cidades. O que se vê são ciclistas “brigando” por espaço nas ruas, correndo altos riscos. Sendo esse panorama bem mais presente em países como o Brasil, visto que países como a Holanda e Dinamarca, possuem maciças redes cicloviárias, e incentivam sua população a adotar esse modal de transporte. As vantagens de se utilizar a bicicleta como meio de transporte são muitas, como por exemplo: - Não gastam combustível; - Possuem baixo custo de manutenção; - São práticas e podem ser trancadas na maioria dos lugares; -Promovem benefícios a saúde como redução de peso e risco de doenças; -Melhoram a qualidade de vida; -Não poluem o ar e não emitem ruídos; -Podem ser usadas por pessoas de todas as idades; -Acessível a qualquer classe social; -Não exigem habilitação para sua condução.

Figura 30 – Cilofaixa.³7

Dentre os motivos mais comuns, alegados pela população, quando se perguntam o porque de não utilizarem a bicicleta, estão a falta de ciclovias/ciclofaixas, a falta de segurança, a falta de respeito no trânsito e as condições das vias existentes.

37

Ciclofaixa. Disponível em: http://www.revistabicicleta.com.br/admin/fotos/noticias/201220141107132 854ciclofaixa-paulista-01.jpg Acesso em 20/11/2016.

10 75


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio O perfil mais comum dos ciclistas é utilizar esse meio de transporte para o trabalho, estudos e lazer. Como o título do capítulo já diz, a utilização da bicicleta vem como uma alternativa de transporte, e não em total combate ao principal meio de transporte utilizado hoje, que é o automóvel. Por isso, e por ser um meio de transporte muito adaptável, inserilo na malha urbana não é tão complicado quanto se parece, visto que há diferentes maneiras de se faze-lo de maneira a dar mais segurança e comodidade ao ciclista, com as opções separadas entre Ciclovia, Ciclofaixa e Ciclorrota. Sendo: “Ciclovia: via exclusiva para ciclistas construída de forma a ficar separada do tráfego motorizado por meio de barreiras físicas como muretas, alambrados, balizadores e demais estruturas; Ciclofaixa: faixa exclusiva para ciclistas, apenas pintada no chão paralela a calçada e em alguns casos com sinalizadores do tipo "olho de gato"; Ciclorrota: rua dotada de sinalização alertando que o ciclista possui preferência na via. Normalmente são implantadas em regiões onde o fluxo de ciclistas costuma ser maior e que se torne inviável a implantação de ciclovias ou ciclofaixas.” (Blog: Ribeirão Utopia)

Figura 31 – Cilofaixa.³8

Ribeirão Preto possui ciclovias instaladas em alguns trechos da cidade, e ciclovias previstas no plano de mobilidade, além do programa da ciclofaixa aos domingos, porém o que existe não é suficiente, onde diariamente acontecem acidentes com veículos e ciclistas e se vê ciclistas pedalando por entre estes, sem nenhuma segurança. Segundo informações do Blog Ribeirão Utopia (2016), Ribeirão Preto possui 13km de ciclovias, o que em comparação com outras cidades de porte parecido, é muito inferior. 38

Diferenças de percursos de bicicleta. Disponível em: http://3.bp.blogspot.com/--FtuWb-_TmQ/UE8hkpCl0I/AAAAAAAAb0M/iQO1h8M5kF8/s1600/fb_ciclofaixa.jpg 20/11/2016.

Acesso

em

76


Cap.6 Mobilidade Urbana e Patrimônio Ainda segundo o blog, além de Rib. Preto possuir poucos km destinados ao tráfego de ciclistas, estes ainda ficam em lugares mais isolados e não encontram continuação para demais destinos. O programa da ciclofaixa consiste em um programa de lazer, funcionando apenas aos domingos, no período da manhã. E o plano cicloviário, incluído no plano de mobilidade de Rib. Preto, que contém projetos para a implantação de mais ciclovias, ainda é acanhado e não tem previsão de ser realizado. Contudo, o panorama geral sobre o assunto é otimista, onde uma crescente onda de pensamento sustentável e saudável vem adentrando as cidades, e cada vez mais se vê reinvindicações de melhores alternativas urbanas, e o uso da bicicleta vem como um ponto chave nesse quesito, sendo uma opção muito importante de integração urbana, onde a população tem opções de qualidade para optar no seu cotidiano. Relacionando com o tema da preservação patrimonial, o grande desafio é conciliar as demandas de cidade contemporâneas com novos hábitos, meios de transporte, modos de vida – à manutenção da memória e da história presente nas casas, ruas, praças e tantos outros elementos que compõe a paisagem urbana. Após a elaboração de diretrizes de uso dos bens patrimoniais que estão sem uso na cidade, um segundo desdobramento é a ligação entre estes, para que se transformem em um conjunto cultural e arquitetônico, em que as pessoas possam acessar com facilidade e deslocar-se entre eles.

Figura 32 – Ciclovia na Via Norte, Ribeirão Preto³9

A bicicleta foi escolhida, no presente trabalho, como o instrumento de costura entre os fragmentos urbanos selecionados. A mobilidade urbana tem o poder de promover ligações, além de valorizar os espaços, uma vez que com a mudança dos locais de circulação e das formas de circulação, locais abandonados e/ou despercebidos poderão ser incluídos no cotidiano das pessoas. É proposto uma desaceleração do ritmo para se perceber melhor os lugares, e uma forma saudável e segura de fazê-lo. 39

Ciclovia na Via Norte, Rib.Preto. Disponível em: http://f.i.uol.com.br/folha/cotidiano/images/14169258.jpeg Acesso em 20/11/2016.

77 10


CAPA CAP 7 – O DELINEAMENTO DE UMA PROPOSTA PARA RIBEIRÃO PRETO....


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.1 Estudo de Casos Exemplares Conforme já mencionado, o presente trabalho trata-se de da elaboração de diretrizes de uso para bens patrimoniais que se encontram abandonados em Rib. Preto, e posteriormente integrá-los como um conjunto cultural/arquitetônico, por isso buscou-se referências que pudessem ampliar a visão da conservação integrada, com enfoque em preservação patrimonial, apresentadas aqui de forma resumida. Valendo ressaltar que outras referências também foram consultadas e estudadas, além das que estão melhor detalhadas neste caderno.

7.1.1 Porto Maravilha, Rio de Janeiro.

PROJETODE

OPERAÇÃO

URBANA:

PORTO

MARAVILHA 40 DESENVOLVIMENTO:

CDURP – COMPANHIA DE

DESENVOLVIMENTO URBANO DA REGIÃO DO PORTO

DO

DATA:

2013-2016

RIO

DE

(Atualmente

JANEIRO em

Obras)

LOCAL: REGIÃO PORTUÁRIA DO RIO DE JANEIRO – RJ ÁREA DO TERRENO: 5 MILHÕES M²

O projeto do Porto Maravilha, na cidade do Rio de Janeiro, foi escolhido para como caso exemplar a ser analisado devido a aproximação com o tema do presente trabalho, nos aspectos de

revitalização de uma área histórica, valorização do patrimônio, mobilidade urbana, ampliação dos espaços públicos e implementação de projetos de grande impacto cultural.

Os links de referência para as leituras projetuais estarão descritos juntamente com a bibliografia geral do trabalho, no final deste.

40

80


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Sendo uma parte histórica da cidade, localizada às margens da baía de Guanabara, um dos maiores ícones da cidade do Rio de Janeiro, foi considerada por décadas a porta de entrada do país desde a abertura dos portos em 1808 e se encontrava em situação de abandono, descaso. Por ser considerada uma região de alto potencial de desenvolvimento da cidade, foi então desenvolvido o projeto de requalificação. O projeto abrange uma área de 5 milhões de metros quadrados, abrangendo 3 bairros completos. Contando com 22 mil habitantes.

A região do porto é marcada pela sua arquitetura do início do século, hoje tombada, e pelos prédios comerciais e galpões. Porém estes se encontrava em estado de degradação e abandono, denegrindo a paisagem da região.

Dentro do projeto de reurbanização da área, A CDURP criou o Programa Porto Maravilha Cultural, que visa a valorização do patrimônio material e imaterial da região. E entre as principais linha de ação está a Recuperação e restauro material do patrimônio artístico e arquitetônico. A Região Portuária guarda muito da história do Rio de Janeiro. Abriga obras de grandes arquitetos, Trapiches redescobertos, representações da cultura afro-brasileira, palacetes, sobrados do início do século XX e galpões ferroviários. Preservada com a lei que cria a Área de Proteção do Ambiente Cultural dos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo (Apac Sagas), a região em que nasceu o samba tem notória vocação cultural, com manifestações artísticas de todo tipo, marco da identidade desses bairros.

81 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Dentre os principais bens patrimoniais destacados, encontram-se bens patrimoniais arquitetônicos, urbanos, culturais, religiosos. Os bens do perímetro foram incluídos nos planos de mobilidade, afim de garantir acesso a todos.

Os bens patrimoniais inclusos no projeto foram selecionados de acordo com sua relevância histórica e cultural e no mapa foram marcados os mais importantes de 1-5. Ao todo foram 76 bens tombados pelos órgãos de tutela federal, estadual e municipal. Os principais bens patrimoniais destacados, são o Centro Cultural José Bonifácio; Igreja São Francisco da Prainha; Museu de Arte do Rio de Janeiro, Galpões Gamboa, Fábrica de Espetáculos, Fábrica Behring; AquaRIO; Memorial Pretos Novos; Armazém da Utopia; Centro Cultural Ação e Cidadania; Pedra do Sal; Cais do Valongo e da Imperatriz; Praça Mauá; sede do Talma; Praça da Harmonia. Há ainda a implantação de novos equipamentos culturais, com destaque ao Museu do Amanhã, no pier.

10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Para todos estes, foram estudadas suas vocações e propostas novas diretrizes de uso em sua maioria usos culturais. O Plano de ocupação geral do porto foi proposto através da identificação e reforço das vocações já existentes em cada região

As propostas de mobilidade aproveitaram as ligações existentes e melhoraram toda a circulação no local, implantando: 650 mil m² de calçadas 3 km vias para pedestres 4 km de tuneis 70 km de vias (28km de vias para o VLT) 17 km ciclovias 15000 arvores plantadas.

10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Dentre as propostas de mobilidade urbana, destaca-se a implantação de 17 km de ciclovias, que completará a integração modal, onde os transportes se complementam, trazendo comodidade, opções e qualidade para os usuários.

Com as análises / leituras feitas a partir do projeto do Porto Maravilha é possível ter uma visão geral de como pode ser feito uma revitalização de uma área antiga e degradada da cidade, com todos seus componentes, e como é possível reintegrá-la a cidade, e mais, transformá-la em um polo de desenvolvimento, cultura, lazer, um exemplo de qualidade urbana. Para o presente trabalho de conclusão de curso, essa análise foi muito importante, pois compartilha dos mesmo objetivos gerais. Foi possível ver como os patrimônios são inseridos no projeto e como é possível dar-lhes novos usos a partir de premissas históricas e locais, é possível encontrar suas vocações. E como o sistema de integração viária entre todos os elementos de uma área é importante para que esta funcione como conjunto.

84 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.1.2 Bolonha, Itália. Bolonha é uma cidade da Itália, capital da região da EmíliaRomanha. Com uma área de aproximadamente 140 km² e com cerca de 390.000 habitantes, é a sétima maior cidade no país em termos populacionais. Se encontra no centro de uma área metropolitana, e é considerada como tal. Uma cidade muito antiga, atualmente é reconhecida pela sua arte, culinária, cultura e música, além de abrigar muitos estudantes, sendo uma cidade universitária e animada, um forte polo turístico dá Itália. A cidade de Bolonha teve início no século VI a.C com civilizações etruscas que fundaram a cidade de Felsina. Em determinado momento da história a tribo gaulesa dos Boios chegou a região e fundiram sua cultura com a dos etruscos, trocando o nome da cidade para vila de Bononia. Posteriormente, Roma dominou a cidade, e esta prosperou até se tornar a segunda cidade mais importante do império romano. Com a queda deste, Bolonha passou a fazer parte do Império Bizantino, e depois passou a fazer parte da Liga da Lombarda, também foi governada por Carlos Magno, no período em que fundaram a sua universidade, e posteriormente foi governada por Napoleão e foi parte dos Estados Pontífices até 1859. Anterior a este período, no século XVII a cidade prosperou em torno da indústria da seda, até por volta de 1800 e em 1840 passou por uma estagnação econômica. No período napoleônico houveram muitas transformações do tecido

urbano como adaptações das edificações religiosas do século XVIII para os novos usos da classe média, escritórios e serviços públicos (hospitais, prisões, quartéis militares e armazéns). A cidade passou por vários conflitos até o maior no período da Segunda Guerra Mundial, e a partir daí houveram planos de reconstrução baseados em ideais socialistas e comunistas.

A cidade passou por vários bombardeios durantes conflitos e foi também “reconstruída” várias vezes* Isso deu espaço para a incorporação de transporte (ferrovias no período tratado) e alguns planos de expansão (crescimento além das fronteiras do centro histórico). A partir destes bombardeios, a cidade foi sendo campo experimental para planos de reconstrução,.

85 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto O grande bombardeio de Bolonha se deu em 1943-1944, a população não foi reduzida, contando com 300.000 nesse período. As consequências imediatas foram: • 44% dos edifícios foram destruídos ou danificados; • Situação crítica na habitação: muitas familias passaram a viver em situações precárias; Foram disponibilizados estádios, escolas, para abrigar parte da população. • Desvio de um plano diretor abrangente e elaboração de planos de reconstrução começando pelas áreas devastadas

No período do desenvolvimento dos planos o governo era de esquerda – Os planos seguiram ideais socialistas e comunistas.

Identificação das áreas destruídas Plano de Reconstrução de 1946/48

• Pode-se dizer que nesse período, Bolonha foi um campo experimental para as ideias urbanisticas de esquerda. • Política urbanística de esquerda: afastar a cidade do caos gerado pelo mercado capitalista” • “um processo de reivindicação global, baseado em temas fundamentais da vida humana: direito a um trabalho equitativamente retribuído, à moradia, à educação e à assistência” A primeira coisa feita após o bombardeio foi a identificação das áreas destruídas (em vermelho). E após isso, um primeiro plano de reconstrução foi proposto em 1946/1948. O Objetivo era começar uma “modernização” a partir da destruição, alargar vias, “abrir” mais o centro histórico e transformar radicalmente algumas áreas afetadas.

86 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto

Plano Regulador de 1955/58

Vários planos foram sendo feitos para a cidade chegar até atualmente, mas pode-se afirmar que Bolonha foi então reconstruída sem a pressão da especulação imobiliária, visando o bem estar de sua população e a conservação de sua história. Seu centro histórico foi reconstruído e dado usos a ele, ele foi aberto à população, sobretudo no quesito onde foi implantado um programa de moradias ali (PEEP), o que garantia a dinâmica do local.

Plano PEEP 1972 Cada edifício e área foi estudado, feito levantamentos morfológicos, históricos e arquitetônicos, para então se destinar um novo uso, tomando isso como premissa fundamental pra o trabalho que segue. Os objetivos gerais do plano, tomados aqui como premissa são:

- Respeito pelo passado histórico; - A preservação da cidade; - Integração do patrimônio artístico, histórico e cultural; - Adaptação dos prédios antigos respeitando estruturas e tipologia; - Repopulação do centro histórico.

87 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Os primeiros pontos positivos que ficaram desses planos foram:

Antes e Depois de Intervenções 2008/2010

- Retenção e retorno das classes sociais que originalmente habitavam o centro após o restauro; - Restauração/ conservação arquitetônicas degradadas;

das

estruturas

urbanas

e

- Até 1978, foram recuperados entre osbens públicos 212 apartamentos e 17 lojas de uso privado, foram 226 casas e 42 lojas. E a conservação integrada não parou nesses planos de reconstrução, após estes, Bologna continuou com esse caráter de restauração e conservação e hoje é referência nessa área.

88 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Além de tudo, Bolonha é símbolo de mobilidade sustentável, sendo um exemplo para todo mundo. Tendo feitas intervenções bloqueando a total passagem de automóveis em algumas áreas, implantando 143 Km de CICLOVIAS,

postos de abastecimento para carros elétricos, renovação da frota de ônibus e grande investimento em veículos sob trilhos.

Linhas Transportes Coletivos VLT

Linhas Transportes Coletivos

Mobilidade Bolonha

Mobilidade Bolonha

89 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.2 Procedimentos Metodológicos A premissa para a realização deste trabalho veio por meio do conhecimento e análise de um trabalho realizado em 2010/2011, denominado “Inventário de Referências Culturais de Ribeirão Preto” 41, em seus relatórios de fase I e fase II, produzido em parceria com a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, a Secretaria da Cultura e a Rede de Cooperação de Identidades Culturais. Esse inventário foi uma exigência do Plano de Cultura da cidade, que, em sua primeira fase, realizou o levantamento e mapeamento dos bens culturais materiais e imateriais de Ribeirão Preto, e em sua segunda fase, estabeleceu algumas diretrizes para conservação patrimonial. O presente trabalho, tem objetivos parecidos com o trabalho já realizado, tendo este como base, sobretudo para a seleção dos bens patrimoniais a serem estudados, e também visa a conservação patrimonial, mas aqui são incluídos alguns outros bens, e é proposto uma leitura mais profunda sobre cada um, e através de estudos de vocações de parte destes (os que estão sem uso) são então traçadas diretrizes de ocupação, e para finalizar, incluindo o tema da conservação integrada já mencionada e destacada nos estudos de caso, é proposto diretrizes de mobilidade, com foco na bicicleta como alternativa de costura/integração entre os vários bens selecionados no trabalho, propondo uma mobilidade mais sustentável e uma desaceleração para melhor apreciação e vivência dos espaços / percurso.

Para o facilitar o entendimento e fluidez da leitura, os Relatórios do Inventário de Referências Culturais de Ribeirão Preto, mencionado como base principal desse trabalho, será a partir daqui chamado apenas de Relatório Base. O Relatório Base seleciona e classifica bens materiais e imateriais, porém neste presente trabalho, estudaremos apenas os bens materiais, ou seja, os bens imóveis e os fragmentos urbanos destacados, chamados no inventário de marcos edificados e urbanísticos. O perímetro delimitado para o levantamento segue o proposto pelo Relatório Base, com algumas alterações, visto a inclusão de alguns bens. 41

Vale ressaltar que as informações presentes no inventário são fruto do cruzamento de pesquisas teóricas sobre a formação da cidade, pesquisas no Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto, pesquisas junto ao IPHAN, órgão norteia as práticas preservacionistas de todo país, e também pesquisas de campo, formulários respondidos pela população, que foi de grande auxilio na decodificação dos elementos importantes da paisagem e em todas suas considerações sobre cultura e preservação na cidade. Inventário de Referências Culturais de Ribeirão Preto. Relatório Fase I, disponível em: https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/cafe-acucar/relatorio.pdf,

acessado em 18 de março. Relatório Fase II, disponível em: https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/cafe-acucar/relatorio_2.pdf, acessado em 18 de março.

10 90


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto O perímetro delimitado abrange os primeiros bairros da cidade e onde se encontram mais vestígios da sua história. No Relatório base, o distrito de Bonfim Paulista é incluído, porém este não será incluído no trabalho, nem as fazendas que estão além do perímetro urbano, de modo que a integração entre os bens patrimoniais abrangerá precisamente o interior da mancha urbana de Ribeirão Preto.

Classificação esta que, no presente trabalho, optou-se por fazer de forma diferente, classificando então os bens patrimoniais a partir de seus usos (vide Mapa Fragmentos/Tipologia).

Uma das fontes de informação importantes recolhidas no relatório base, em sua fase II, são as entrevistas4² realizadas com a população da cidade, nos diferentes bairros selecionados e diferentes “tipos” de perfis de usuários da área. A partir destas, foi possível compreender o que a população entende como um bem patrimonial, quais ela considera importante na cidade, quais suas avaliações sobre alguns e o que reivindicam ser feito. Pontos de coleta de dados foram montados em cada área (bairro) e ali aplicados cerda de 495 questionários à população. Os dados mais importantes recolhidos apontam que 62% dos entrevistados diz saber o que é um bem cultural, sendo que destes, 51% os relaciona a prédios antigos ou históricos. Os três prédios históricos mais importantes para a população são o Teatro Pedro II (49%), o Pinguim (6%) e o Museu do Café (5%) e os três lugares culturais mais importantes da cidade são o Parque Curupira (Jábali) (13%), o Museu do Café (10%) e o Teatro Pedro II (10%). 58% dos entrevistados não concordam com o título que a cidade recebeu em 2010, de “Cidade da Cultura”, uma vez que falta investimento e manutenção por parte do poder público, ao qual, segundo eles, deveriam caber os investimentos para a preservação de seus bens culturais. O restante 42% que concordaram com o título, na maioria, acreditam que há condições pré-existentes: históricas e investimentos, e também que há eventos culturais. Os entrevistados também deram notas para alguns bens considerados mais importantes e destacaram a importância de ações culturais propostas para esses e outros bens imóveis.

42

Além da pesquisa de campo citada, a equipe responsável pelo levantamento dos bens dispunha de uma lista do IPHAN com os bens tombados e em processo de tombamento da cidade, em âmbito nacional, estadual e municipal, que foi de onde partiu o mapeamento. Posteriormente, o que foi levantado junto à população e aqueles imóveis considerados relevantes pela própria equipe foram inseridos no mapeamento e classificado como bens de valor cultural. No entanto, nos mapas apresentados no Relatório Base, não constam todos os imóveis e sua classificação é limitada a: bens tombados, em processo de tombamento e os que não são tombados.

91 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.3 Apresentação da Área de Estudo

Conforme já mencionado, o trabalho é desenvolvido na cidade de Ribeirão Preto – SP. O município está localizado a nordeste do estado de São Paulo a aproximadamente 300 km de distância da capital. A cidade tem atualmente, cerca de 604.682 habitantes e o município teve um crescimento de 1,42% desde o último censo realizado em 2000. Tais dados colocaram Ribeirão Preto ente as cidades que mais crescem no país, chegando a alcançar e até superar a taxa da capital. (IGBE, 2010). Esse alto índice se deve a seu poder atrativo, no que diz respeito a serviços, comércio, indústria, lazer, o que atrai cada vez mais pessoas para a cidade. Visto as grandes demandas que seu crescimento exige, uma série de problemas é agravada na cidade, conforme a discussão já foi apresentada, sobretudo os problemas dos efeitos da expansão sobre as áreas mais antigas da cidade, e também um dos maiores problemas urbanos de Ribeirão Preto hoje, que é a mobilidade.

Mapa 1 - Localização da área de intervenção em relação ao município. 43 43

Mapa 2 – Aproximação da Área de Estudo Geral. 44

Localização da área de intervenção em relação ao município. (Base: Goole Earth, 2016. Organização: Flávia Vilas Boas.) 44 Aproximação da Área de Estudo Geral. (Base: Google Earth, 2016. Organização: Flávia Vilas Boas.)

Além disso, a cidade foi escolhida, por além de ser a atual cidade residente da autora, por apresentar uma grande diversidade cultural, a qual é expressa já nos seus bens patrimoniais mais antigos. A cidade conta com um relativo acervo desses bens, onde muito estão se perdendo, levando junto a memória da cidade, tempo que fizeram ela ser como é hoje, e refletem no seu continuo progresso. É nesse panorama que o presente trabalho pretende intervir, propondo a conservação integrada das camadas mais antigas da cidade, estas que uma vez aplicadas a uma parte, podem também ser expandidas para outros setores.

92 10


93 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto DIVISÃO DA ÁREA DE ESTUDO – MAPA 3

O perímetro da área de estudo foi sendo desenhado com base nas informações do Relatório Base e a partir das localizações de cada bem patrimonial classificado.

A área 06 corresponde ao Morro do São Bento – englobando todos elementos da história do lugar - e entorno imediato; e A área 07 corresponde a atual área da USP.

Então, a área de intervenção geral foi definida a partir do mapeamento dos bens patrimoniais - (fragmentos, apresentados no mapa 4), a partir dos bairros mais antigos da cidade, onde se encontram mais vestígios de sua história. As áreas então definidas no mapa 3 não correspondem aos bairros inteiros, mas a sua parte mais significativa para o trabalho. O mapa 3, permite a visualização da divisão da área geral entre 7 áreas menores, que se optou por numerar e descrever o seu bairro correspondente, para uma identificação mais fácil. A Área 01 corresponde ao centro da cidade, em sua totalidade; A área 02 à praticamente a totalidade do bairro Vila Virginia; A 03 à grande parte do Campos Elíseos; A 04 a quase totalidade da Vila Tibério; A 05 corresponde a um fragmento do Ipiranga e também a Vila Albertina;

45

Mapa 3 – Divisão Área de Estudo. (Base: Goole Earth, 2016. Organização: Flávia Vilas Boas

94 10


Mapa 3 – Divisão Área de Estudo45


96 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto DIVISÃO DA ÁREA DE ESTUDO – MAPA 4 O mapa em seguida – mapa 4 – conforme já mencionado, representa a seleção dos fragmentos patrimoniais remanescentes. A partir dele também se pode identificar a tipologia de cada bem patrimonial, que se dividem em patrimônios arquitetônicos do tipo residencial; comercial; institucionais de ordem cultural, educacional e órgãos municipais; religiosos; industriais e ferroviários; patrimônios urbanos, abarcando praças, vias, e conjuntos. Por meio desse mapa se tem a dimensão do quando esses bens estão espalhados pela área, e não há nenhuma integração entre esses, mesmo os que se encontram em áreas muito próximas. Por isso a costura desses fragmentos, deverá ser feita em totalidade por meio de eixos principais definidos como estruturadores de um percurso entre eles, e estes serão apresentados nas diretrizes e próximas etapas. A identificação mais precisa de cada um dos bens, os nomes de cada um, será apresentada por área (bairro), nos próximos itens. Houve um levantamento da história de cada um, porém, visto a fluidez do trabalho, optou-se por não colocar uma por uma, mas há a menção sobre a história de alguns bens, diluídas nos textos da história de cada bairro em questão.

46

Mapa 4 – Fragmentos / Tipologia. (Base: PMRP. Dados: Goole Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas).

97 10


Mapa 4 – Fragmentos/ Tipologias 46


100 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.3.1 ÁREA DE ESTUDO - ÁREA 01 - CENTRAL Delimitação da área Por seu valor de importância para a história da cidade, o centro, delimitado com a primeira área, é incorporado inteiramente na análise, não sendo recortado como os demais no trabalho. É a área em que se localiza maior quantidade de bens patrimoniais, 33 no total, abrangendo a tipologia de patrimônio arquitetônico residencial, comercial, institucional, religioso, além de patrimônios urbanos. Esses bens foram sendo listados na ordem em que foram identificados. O mapa 5 localiza todos os imóveis da área central, e traz fotos de alguns. E em seguida, as fichas dos imóveis dão um panorama geral sobre cada um deles.

47

Mapa 5– (Fontes > Base: Google Earth. Dados: Relatório da Fase I do Inventário de Bens Culturais de Ribeirão Preto / Google Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas)

101 10


22

Mapa 5 – Área 01 - Central47


FICHAS – BENS PATRIMONIAIS – Centro

104 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Urbano 2. LOCALIZAÇÃO Rua José Bonifácio, s/n – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1885 Toda extensão da rua 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual X Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Via local Razoável - Ruim

9. IMAGENS

Bem patrimonial (1) RUA JOSÉ BONIFÁCIO

Observações: Tombada pelo CONPPAC-RP.

Foto: Arquivo pessoal

8. HISTÓRIA / VALOR

A Rua José Bonifácio foi uma importante rua dos primórdios de Ribeirão Preto, onde se instalaram muitos comércios, pensões, hospedarias e hotéis, constituindo-se um eixo importante de comércio, serviços e sociabilização dos moradores da cidade. Muitos dos prédios daquela época resistiram ao tempo e atualmente dão à rua valor enquanto conjunto arquitetônico (ecletismo), apresentando vários elementos ornamentais nas fachadas em bom estado de conservação, além de apresentar as características dos lotes urbanos do início do século XX com seus recuos laterais, e também de raízes coloniais com o lote junto à calçada, sem recuos frontais. Nessa rua estão localizados bens patrimoniais importantíssimos como o Mercadão, a UGT, e o Centro Popular de Compras.

Foto: Arquivo pessoal

105 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Comercial 2. LOCALIZAÇÃO Rua São Sebastião, 130 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Jaime Zeiger. 1958 4.150m² 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Mercado Municipal Razoável - Ruim

9. IMAGENS

Bem patrimonial (2) MERCADÃO MUNICIPAL

Foto:http://www.mercadomunicipalderibeirao.com.br/promocoes/produtos/mercado_m u nicipal_28_OK_jpg.jpg

Observações: Tombado pelo Condephaat em 1993 como Patrimônio Histórico através da lei Municipal nº 6.597 e em 08 de novembro de 2004 a lei municipal nº 10.250, declara o Mercado Municipal ponto turístico do município. 8. HISTÓRIA / VALOR

O primeiro prédio do mercado foi construído em 1900, constituindo-se um ponto importante de compras e sociabilização dos moradores da cidade. O prédio original foi substituído posteriormente, devido a um incêndio ocorrido em 1942. O Prédio atual começou a ser construído em 1956 e foi inaugurado em 1958, 16 anos depois do incêndio. Esse novo prédio difere muito do primeiro, que possuía a arquitetura grandiosa do período colonial, era alto, cobertura envidraçada e feito de tijolos de barro, enquanto o novo é um exemplar da arquitetura moderna. Com 4.150 metros quadrados divididos por um corredor principal, cinco corredores secundários, a parte externa, revestida por pastilhas foi presenteada com a obra do artista Bassano Vaccarini. Atualmente é de responsabilidade da prefeitura, e conta com 152 boxes que oferecem os mais diversificados produtos.

Foto: https://guiacidades.files.wordpress.com/2009/12/mercado-municipal-detalheda- fachada-bassano-vaccarini.jpg

106 10


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (3) Tipologia CENTRO POPULAR DE COMPRAS Patrimônio Arquitetônico - Uso Comercial 2. LOCALIZAÇÃO Avenida Jerônimo Gonçalves, 651 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1999-2000 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Centro Popular de Compras Razoável - Ruim

9. IMAGENS

Foto: http://static.panoramio.com/photos/large/118790524.jpg

Observações: Não é tombado, porém, nas regras estabelecidas pela prefeitura, para sua administração, suas características arquitetônicas e suas instalações devem ser preservadas e deve ser realizada manutenção constante (a cada três anos, por exemplo, a fachada deve ser pintada). 8. HISTÓRIA / VALOR O centro popular de compras foi construído no ano de 2.000, com a intenção de retirar camelôs das ruas do centro, e tem capacidade para abrigar 153 lojas, tendo boxes com metragens diferentes. É administrado pela Associação dos Permissionários, que dentre suas responsabilidades, tem o dever da preservação do prédio. Recentemente, no projeto de revitalização do centro, houve a intenção de transferir os lojistas para outra localidade, e deixar o prédio para abrigar um centro de convivência com exposições e outras atividades culturais, proposta que os lojistas se posicionaram contra e reivindicaram a reforma da fachada do CPC como parte da revitalização. Com mais de 15 anos de existências, o CPC é visitado por muitas pessoas todos os dias, em busca de variados tipos de produtos, e sua presença é marcante na Foto: baixada, ao lado do Mercadão, formam um conjunto para compras nessa região.

https://3.kekantoimg.com/QxhxzmOm_lr5LQcunRydMPnrsXY=/fitin/600x600/s3.amazonaws.com/kekanto_pics/pics/303/812303.jpg

107 10


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (4) Tipologia UGT (União Geral dos Trabalhadores – Rib.Preto) Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural 2. LOCALIZAÇÃO Rua José Bonifácio, 59 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Desconhecido – O prédio foi erguido em regime 1934 - -de mutirão de pessoas da classe trabalhadora. 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Sede UGT / Atual: Atividades Culturais Bom - Razoável Observações: O Prédio foi tombado pelo CONPPAC - Decreto nº 48, de 26 de fevereiro de 2.004. Declara tombamento, observando áreas envoltórias definidas por legislação estadual.

9. IMAGENS

Foto: http://www.paubrasil.org.br/img/foto-sede-ugt.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR O prédio foi erguido em regime de mutirão pela classe trabalhadora e foi inaugurado em 4 de maio de 1934 com a função de sede da União Geral dos Trabalhadores de Ribeirão Preto. Em 1964, devido ao golpe militar, o prédio deixa de exercer sua função original e passa a sediar ações sociais e culturais das associações mantidas pelo povo negro da cidade. No início da década de 2000, no entanto, com o passar do tempo e pela falta de investimentos na estrutura física do prédio, a UGT se encontrava extremamente degradada. Havia uma decadência física do prédio e também a perda dos objetivos políticos e culturais. Em 2003 então, depois de uma ação conjunta contra a Construtora Walter Torre Júnior LTDA, que foi a responsável pela demolição ilegal do prédio da antiga Cerâmica São Luiz. O acordo feito foi que a Construtora deveria realizar uma previa uma compensação ao município, adquirindo algum prédio de valor histórico na cidade e se responsabilizar por seu resgate e conservação. Sendo assim, o prédio da antiga sede da UGT foi o escolhido, restaurado, passado para as mãos da sociedade civil, tombado em 2004, e ali foi instalado e é mantido até hoje o “Memorial da Classe Operária – UGT” e a “Biblioteca do Foto: http://pt-ribeirao.org.br/uploads/images/slide1.jpg Memorial da Classe Operária – UGT”, inaugurados em 1° de maio de 2004. O prédio é sede de suas associações sem fins lucrativos que promovem ações sociais, culturais e políticas na cidade. Possui valor arquitetônico por ser um prédio histórico de estilo colonial e valor cultural por sua história e atividades ali realizadas.

108 10


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (5) Tipologia ALAMEDA DA RUA VISCONDE DE INHAÚMA Patrimônio Urbano 2. LOCALIZAÇÃO Rua Visconde de Inhaúma – Entre as Ruas Mariana Junqueira e Visconde do Rio Branco – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -Extensão da Alameda 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Estacionamento de carroças e cavalos / Atual: Via – Alameda – Estacionamento de carros

9. IMAGENS

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: Não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR

A alameda tem essa configuração devido ao fato de ser o local do antigo estacionamento de carroças e cavalos da cidade. Apesar de ainda não ser tombado, o lugar é considerado como patrimônio urbano devido sua espacialidade de valor histórico e paisagístico e que atualmente abriga uma pequena área verde e respiro ambiental.

Foto: Google Maps - Street View – Earth

109 10


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (6) Tipologia POSTO DAERP – RESERVATÓRIO SCHMIDT Patrimônio Urbano 2. LOCALIZAÇÃO Esquina da Rua Campos Salles com a Rua Marechal Deodoro – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -Aprox. 1986 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Poço – Reservatório DAERP Razoável

9. IMAGENS

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: Não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Mais que um poço e reservatório comum, o local tem valor arquitetônico pelo conjunto neocolonial e paisagístico.

110 10


Bem patrimonial (7) ANTIGA CERVEJARIA PAULISTA – ATUAL ESTÚDIOS KAISER DE CINEMA

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural

2. LOCALIZAÇÃO Rua Mariana Junqueira, 33 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Baudílio Domingues 1914 13 mil m² AC 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Fábrica de Cervejas / Atual: Bom - Razoável Atividades Culturais – Centro de produção áudio visual

9. IMAGENS

Foto:http://www.lleite.com.br/painel/assets/images/albuns/2/foto_1414073733.jpg

Observações: As instalações tornaram-se patrimônio histórico e cultural tombado pelo CONDEPHAAT e também pelo CONPPAC, através da inscrição n°355, p.96 do Livro de Tombo Histórico em 20/12/2007. 8. HISTÓRIA / VALOR O prédio definitivo da Cervejaria Paulista foi inaugurado em 1914, localizada às margens da atual Av. Jerônimo Gonçalves, praticamente de frente para a Cervejaria Antarctica, porém do outro lado do córrego. Vale destacar que desde a sua inauguração até a década de 70, essas duas fábricas de cerveja contribuíram muito para a modernização da cidade, gerando muitos empregos e especializando a mão-de-obra, impulsionando melhorias para os bairros onde localizavam-se, e o seu crescimento, além de puxar investimentos na época da crise do café, depois da década de 20. Ela se fundiu com a concorrente Antarctica em 1973, tornando-se a Cervejaria Antarctica Níger, e em 1999 foi vendida para a empresa canadense Molson, que nos anos seguintes adquiriu a Kaiser, Heineken e Bavária, e desativou as fábricas de Ribeirão Preto alegando alto custo de operação e sua modernização exigiria muito investimento. Em 2006/2007 a Fomento Econômico Mexicano S.A. (FEMSA) adquiriu boa parte das cervejarias Kaiser, esta que no mesmo ano cedeu em regime de comodato as instalações do prédio da antiga Cervejaria Paulista para a São Paulo Film Commission, mantenedora dos Estúdios Kaiser de Cinema, para a implantação do seu centro de produção audiovisual e para o desenvolvimento de atividades culturais na cidade. Foram realizadas obras de restauro e adequação por parte do Governo Estadual, pela Prefeitura Municipal e também pelo setor da construção civil de Ribeirão Preto, e o prédio foi tombado também em 2007. Atualmente, no local, funcionam as sedes do Núcleo de Cinema de Ribeirão Preto, da São Paulo Film Comission, da Fundação da Feira do Livro e do Projeto CineCidade. Sendo assim, o local é muito importante para a cidade tanto como espaço, por suas qualidades arquitetônicas históricas, tanto por suas atividades culturais e artísticas.

Foto:https://universodesaia.files.wordpress.com/2015/03/1468514_597074180340697 _ 1944972432_n.jpg?w=665

111 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Residencial/Prestação de Serviços 2. LOCALIZAÇÃO Esquina da Rua General Osório com a Av. Jerônimo Gonçalves – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Antônio Soares Romêo 1921 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Hotel / Atual: Sem Uso Ruim - Péssimo

9. IMAGENS

Bem patrimonial (8) HOTEL BRASIL

Foto:http://www.revide.com.br/media//upload/tinymce/hotel%20brasil%20(12).JPG

Observações: Tombado pelo CONPPAC, através da Lei Municipal n. 6.067, de 21 de agosto de 1991. 8. HISTÓRIA / VALOR O pedido para aprovação do projeto de construção de um grande hotel, de propriedade de Vicente Viccari, foi encaminhado à Prefeitura Municipal em abril de 1921 e aprovado no mesmo ano. Com o falecimento de Vicente Viccari o prédio do hotel foi legado em herança para sua filha, casada com Pedro Moschini; havendo uma cláusula que não permitia a venda do hotel, então Pedro Moschini permutou o prédio com Pedro Biagi, em troca de 03 imóveis e 01 chácara. O Hotel Brasil foi arrendado ainda nos anos 1930 por José Antonio Chinez, imigrante chinês. Posteriormente foi arrendado por Pedro Sinivaldi, imigrante italiano e, Antonio Sacramento, imigrante português que alugou o hotel até o ano de 1945. Em seguida os irmãos da família Belíssimo: José, Felipe e Antonio permaneceram a frente dos negócios até falecerem. Mais tarde, os filhos de Antonio Belíssimo ficaram como sucessores do arrendamento até o ano de 1982. O último locatário do Hotel Brasil foi Sebastião Gualberto Machado e seus filhos Marco e João Gualberto, estes que constituíram a organização hoteleira Machado de Campos Ltda. No final da década de 1980 o prédio do hotel foi vendido para o empresário Maurício Marcondes de Oliveira. Conforme depoimento de Domingos Belíssimo (antigo funcionário do Hotel Brasil) entre os anos de 1930 e 1955 ficaram hospedados no hotel muitos estadistas, membros de associações internacionais, homens de negócios e clubes de futebol famosos. Em 1991 o prédio do hotel foi considerado de valor histórico e arquitetônico e atualmente permanece sem uso, de propriedade da família Marcondes, protegido da destruição pelo homem, mas não da ação do tempo. Vários projetos foram feitos para ele, mas nenhum saiu do papel. Atualmente ele apresenta portas e janelas quebradas e também teto danificado.

Foto:http://s852.photobucket.com/user/Apollo_Bianchi/media/Ribeirao%20Preto/Passe i o%20de%20domingo/20140921_095618_zpsc0bc91c9.jpg.html

112 10


Bem patrimonial (9) ANTIGA ALGODOEIRA MATARAZO – FACHADA/ FRONTÃO/ TRELIÇAS

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial / Ferroviário

2. LOCALIZAÇÃO Esquina da Rua Campos Salles com a Rua José Bonifácio – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Francisco Verrone 1932-1935 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Algodoeira / Atual: Sem Uso – Ruim – Péssimo - Ruínas Futuro templo da igreja Universal

9. IMAGENS

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: O CONPPAC-RP tombou apenas a Fachada, Treliças e Frontão em 2007. 8. HISTÓRIA / VALOR A importância desse patrimônio se dá por sua arquitetura de estilo inglês e neoclássico e por sua história na cidade, sendo um dos primeiros galpões industriais a serem construídos na cidade. Após a desativação da indústria, o local é de propriedade da igreja Internacional da Graça de Deus, que pretende construir um templo ali, e que, aproveitando-se do artigo da lei de tombamento que permitia que um projeto pudesse ocupar todo o terreno, desde que fossem preservadas a fachada, treliças e frontão, houve então a demolição de 75% do prédio em 2008. Esse patrimônio fica na sua parte mais importante, escondido pelo muro. Foi entregue um projeto para o novo templo ao CONPPAC, que dizia atender as especificações do órgão, porém as obras não foram feitas e o terreno continua sem uso. O projeto teria capacidade para alojar 2 mil pessoas, teria 5 andares, sendo 3 deles somente para estacionamento, e nos 2 andares restantes funcionariam cultos, salas de cursos, creches e berçários. Atualmente, não está acontecendo obras no local e a parte tombada do prédio sofre com a ação do tempo.

Foto:https://encryptedtbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTEVBoC3IxDibl8kO1jR998Y326ss299H2MmbPbgwyjcOFVT980 w

113 10


Bem patrimonial (10) PALÁCIO DO RIO BRANCO – PREFEITURA MUNICIPAL

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Órgãos Municipais

9. IMAGENS

2. LOCALIZAÇÃO Praça Barão do Rio Branco, s/n – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Antônio Soares Romeu 1917 1800 m² AC 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Sede Política / Atual: Prefeitura Municipal Bom - Razoável Observações: Prédio tombado pelo CONPPAC, através da lei n° 5.243, de 28 de março de 1988. 8. HISTÓRIA / VALOR Antes chamado de Paço Municipal, o Palácio do Rio Branco começou a ser construído em 1914/1915, já predestinada a ser a sede da política municipal. O estilo de sua fachada é uma transição do barroco para o moderno, e foi inspirado nas fachadas de edifícios franceses. Sua arquitetura, assim como outros patrimônios da cidade, é uma mistura de tendências, art-decó com neoclássico e algumas características de art-noveau. O Edifício é composto de dois pavimentos e um porão. No andar térreo foram instaladas salas destinadas à Prefeitura, Procuradoria, Instrução Pública, Contadoria, Repartição de Obras, Secretaria, Biblioteca, Portaria, Pagadoria e Recebedoria, Tesouraria e o vestíbulo de entrada. No andar superior funcionavam as salas de Sessões, das Comissões, do Presidente e do Prefeito, e o Salão Nobre para recepções. Atualmente ele ainda mantém seu uso original, sendo agora sede da prefeitura municipal. Está em bom estado de conservação, porém precisa passar por reformas de restauro e adequações.

Foto: https://gds-wifmtpphmjvvgffvmg.netdnassl.com/contentFiles/system/pictures/2010/12/10446/original/prbp- palacioriobranco_r.jpg

114


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (11) Tipologia ANTIGA CASA DE CAMARA E CADEIA – ATUAL Patrimônio Arquitetônico – Uso Órgãos Municipais 1° DISTRITO POLICIAL DE RIB. PRETO 2. LOCALIZAÇÃO Rua Duque de Caxias, 1048 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -1904 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Casa Camara e Cadeia / Razoável Atual: 1° Distrito Policial de Rib. Preto

9. IMAGENS

Foto:http://s2.glbimg.com/gbHhLOwLPsY4zEVhF9nMpYkZtOLylm3U0J8IOEjhS7sLifJcwDVLjq0zDaEcY3r/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2012/06/19/1distrito1.j p g

Observações: Imóvel tombado pelo CONPPAC, através do decreto n°60, de 13 de março de 2003. 8. HISTÓRIA / VALOR

Inaugurado em 1904, foi uma das primeiras instituições penais da cidade de Ribeirão Preto, com a função de arcar com a responsabilidade da constituição do patrimônio público, sua guarda e fiscalização, e demais processos civis. O prédio manteve-se preservado, com algumas adequações e modificações, tornando-se aparentemente mais simples que o original, ele é tombado pelo CONPPAC e atualmente abriga o 1° Distrito Policial de Rib. Preto. Foto: http://s2.glbimg.com/D9cpY7Xx1Gsqt6aIdh2k8NcVY=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2014/09/22/1_dp.jpg

10 115 1


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Residencial 2. LOCALIZAÇÃO Esquina da Rua Tibiriçá com a Rua Florêncio de Abreu – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -Sec. XIX – Início séc.XX - - 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Residência / Faculdade / Secretaria Ruim - Razoável Atual: Dependência da Policia Militar

9. IMAGENS

Bem patrimonial (12) PALACETE JOAQUIM FIRMINO

Observações: Tombado pelo CONPPAC em 2005. O prédio principal deve ser preservado e restaurado como originalmente, porém o edifício de 3 pavimentos ao lado, devido seus vários usos ao longo do tempo, deve-se preservar as fachadas originais, mais pode-se modificar / adaptarem seu interior. 8 HISTÓRIA / VALOR

Foto: google.com.br/search?q=ANTIGA+CASA+DE+CAMARA+E+CADEIA++Ribeir%C3%A3o+Preto&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwitnbmthKzQA h UJjpAKHZAFBT4Q_AUICSgC#tbm=isch&q=PALACETE+JOAQUIM+FIRMINO+Ribeir %C3%A3o+Preto

O palacete foi construído para ser a casa do Major Joaquim Firmino Junqueira. Seus sucessores também moraram na casa, o caso de seu genro Veiga Miranda, que foi figura muito conhecida na cidade, sendo vereador e prefeito entre 1908-1909. Veiga Miranda morreu em 1936 no casarão. Posteriormente o edifício foi reformado para abrigar a Faculdade de Odontologia e ao seu lado foi construído um edifício de 3 pavimentos. Os Cursos de Farmácia e Administração funcionaram no local até 1975. Após isso os edifícios foram utilizados como sede da Secretaria Municipal da Fazenda e hoje é utilizado como uma dependência da Polícia Militar.

Foto: Foto: Google Maps - Street View – Earth

116 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Residencial/ Prestação de Serviços 2. LOCALIZAÇÃO Rua São José, 606-624 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -1916 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Residência / Ruim - Razoável Atual: Residência - Comércio

9. IMAGENS

Bem patrimonial (13) SOLAR FRANCISCO MURDOCO

Observações: Tombado pelo CONPPAC em 2008.

Foto: Foto: Google Maps - Street View – Earth

8. HISTÓRIA / VALOR

Não foram encontradas maiores informações sobre a história do casarão. O que se sabe é que ele data de aproximadamente 1916, e atualmente abriga um bar no térreo, este que descaracterizou parte da fachada do imóvel, sobretudo pelo letreiro e toldo fixados, e no andar superior é utilizado como residência.

Foto:http://f.i.uol.com.br/fotografia/2014/03/15/374402-970x600-1.jpeg

117 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Residencial 2. LOCALIZAÇÃO Rua Álvares Cabral, 716 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Total 2.000m² Geribello & Quevedo - Engenheiros e Empreiteiros (500m² área / aprovado pelo engenheiro municipal Antônio 1922 construída) Soares Romeu. 5.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Residência / Ruim Atual: Sem uso - Ruínas

9. IMAGENS

Bem patrimonial (14) PALACETE JORGE LOBATO

Foto:http://www.revide.com.br/media/cache/8d/fd/8dfd2cc0a86dda25773571f4cd1dde d 7.jpg

Observações: Tombado pelo CONPPAC em 2008. 8. HISTÓRIA / VALOR O palacete carrega em sua arquitetura, muitas referências estrangeiras, sobretudo, italiana. É composto da mistura de vários estilos, resultando na arquitetura eclética, comum daquela época, além de ter características neocoloniais, como as paredes ornamentadas com madeira. Possui vitrais com temáticas religiosas e de paisagens, hall de entrada, detalhes em ferro, característicos dos palacetes burgueses da época. Os cômodos são distribuídos em dois pavimentos, e conta também com um vasto jardim, e um porão. Uma construção que rompeu com os padrões de cômodos interligados, característicos das famílias patriarcais da época. Segue o modelo tripartite, sendo dividido entre área social, intima e de serviços, porém tem a “circulação francesa”, que permite transitar entre as áreas sem precisar passar pelas outras. Os ambientes do térreo são: sala de recepção, de música, de visitas, de jantar, escritório, banheiro, cozinha, despensa e escada de acesso; e no pavimento superior, há o hall da escada, banheiro, duas varandas e seis dormitórios. A área dos funcionários ficava em uma construção separada da casa. Construído em 1922, foi um presente do fazendeiro Joaquim Cunha Diniz Junqueira à sua filha Anna Junqueira, pelo casamento com Jorge Lobato, que foi figura importante na região; engenheiro civil, trabalhou para o estado, atuou como comerciante, agricultor e empresário, e ainda foi vereador e presidente da câmara municipal de Rib. Preto. O prédio está Foto:http://s2.glbimg.com/PdQYpuNagHCgYAZhGO80dGBabandonado desde a morte de seu último morador, em 1991. Tombado em 2008, ele não está livre da ação do tempo. Em 2014, DWM=/620x465/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2015/06/11/0.18.jp os irmãos Héctor e Ingrid Sominami Lopes compraram o imóvel e pretendem restaurá-lo com o apoio da Universidade Moura g Lacerda. Os levantamentos estão sendo feitos e os donos pretendem realizar o projeto de algo que reconheça a história do local, como um café e também um espaço cultural.

118 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Residencial 2. LOCALIZAÇÃO Rua Visconde de Inhaúma, 241 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área 1902-1923 (período em que foi construído e Vicente Lo Giudice - -inaugurado) 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Residência / Péssimo Atual: Sem uso - Ruínas Observações: Tombado pelo CONPPAC em 2007.

9. IMAGENS

Bem patrimonial (15) PALACETE ALBINO DE CAMARGO NETTO

Foto:http://2.bp.blogspot.com/8ll2UowWIec/UYFP4W2L2rI/AAAAAAAAAKA/HNXHcjCp5go/s1600/Ribeir%C3%A3o+f otos+atuais+25+de+Setembro+de+2010+073.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR O Casarão Albino Camargo, é o que tem o pior estado de conservação entre os imóveis protegidos no centro. O imóvel, que já sofreu vários incêndios, e segundo um membro do CONPPAC, há indícios que estes incêndios tenham sido criminosos, para que o terreno fosse logo liberado. Como o imóvel não possui muros ou cadeados, o local fica aberto e virou abrigo para usuários de entorpecentes e andarilhos. Ali está acumulado muito lixo, ameaçando a saúde pública. O casarão data do início do século XX, e é mais um remanescente do auge do café na cidade, residiu ali Albino de Camargo Netto e sua família, figura importante na cidade, Albino trabalhou em Rib. Preto como professor de psicologia e lógica em 1912, como redator, delegado de polícia, foi escritor, atuou como vereador em 1926-1929, prefeito em 1930, e posteriormente deputado estadual em 1963-1967. O palacete ficou de herança para sua filha Maria Lúcia de Camargo Junqueira Reis, esta que sempre se mostrou contra as medidas do CONPPAC, pois alega não ter assistência com o imóvel, ela afirma que não tem condições Foto:http://4.bp.blogspot.com/-financeiras de restaurar o imóvel. O CONPPAC alega que, no caso, ela poderia doar o imóvel a prefeitura, SZOiAgBxk4/UYFn2j4lIlI/AAAAAAAAAMg/Qwx_iHuRc18/s1600/Ribeir%C3%A3o+fotos ou vende-lo, mas não há propostas nesse sentido. Enquanto isso, o casarão sobre com a ação do tempo e +atuais+25+de+Setembro+de+2010+069.jpg das pessoas que ali frequentam, encontrando-se atualmente em ruínas.

119 10


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (16) Tipologia PALACETE CAMILO DE MATTOS Patrimônio Arquitetônico – Uso Residencial 2. LOCALIZAÇÃO Rua Duque de Caxias, 625 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Antônio Soares Romeo 1920 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Residência / Ruim Atual: Sem uso - abandonado

9. IMAGENS

Foto: http://1.bp.blogspot.com/xfgaTsF5Rl0/UWxSOPoC7vI/AAAAAAAAACk/Ow68UIFkr3A/s1600/IMG_8242.JPG

Observações: Tombado pelo CONPPAC em 11/07/2008, através do decreto 221. 8. HISTÓRIA / VALOR O edifício foi construído em 1920, para residência de Joaquim Camilo de Mattos e sua família. Joaquim Camilo se mudou para cidade após 1917, foi delegado em Cravinhos e em seguida se inseriu na política de Rib. Preto e região, chegando a assumir o cargo de prefeito da cidade em 1929-1930. Após esse período, afastou-se da política, atuou como consultor jurídico e ainda exerceu diversas funções em entidades sociais. Após a morte dos proprietários, o casarão ficou para seus herdeiros, que não tem mais interesse nele, e alegam que o imóvel foi muito desvalorizado após seu tombamento em 2008, pois ninguém se interessa em comprar um imóvel que não se possa fazer modificações. A prefeitura alega que já tentou várias permutas do casarão em troca de outro terreno na cidade, mas o dono afirma que somente houve uma proposta interessante e que a prefeitura desfez de última hora. O dono afirma pagar um guarda para vigiar o imóvel contra possíveis invasores, e reclama do tempo em que o imóvel está parado por falta de vontade da prefeitura, e família acumula dívidas por isso. Há alguns projetos para o local, inclusive um projeto para fins Foto: http://www.agenciaphotopress.com/wp-content/uploads/2015/02/agenciaphotopress-andre-silva-00002.jpg culturais de transformar o palacete na sede da Fundação Feira do Livro, porém nada saiu do papel. Com esses conflitos, o casarão sofre com a ação do tempo, abandonado por tanto tempo e sem previsão de novo uso.

120 10


1. IDENTIFICAÇÃO 9. IMAGENS Tipologia Patrimônio Urbano 2. LOCALIZAÇÃO Conjunto em frente à praça XV, s/n – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -Extensão do Conjunto 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Foto: http://2.bp.blogspot.com/Pública Patrimônio mundial X Estadual/ conjunto Ps3KLuuvMgE/T3pSa3gnScI/AAAAAAAAApE/AWyGbe5UGRg/s1600/2012_Modelo_ Privada Federal/ individual Municipal/ individual 4 2_QuarteiraoPaulista.jpg X Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual X Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Edifício Comercial / Theatro / Hotel / Praça Bom - Razoável Atual: Choperia / Theatro / Centro Cultural / Praça Observações: Os imóveis que constituem o quarteirão paulista são tombados individualmente e também como conjunto, no que Bem patrimonial QUARTEIRÃO PAULISTA

se trata do conjunto, ele é tombado pelo CONDEPHAAT e pelo CONPPAC, e está em processo de tombamento no IPHAN. O CONPPAC compreende o conjunto como os imóveis à Rua Alvares Cabral, n° 322 a 354 e n° 390 a 396, tombados pela lei n° 4.584, de 13/03/1985. O CONDEPHAAT compreende o conjunto como os imóveis, mais a praça XV, tombados pelo processo 29840/92, resolução de tombamento 26 de 15/12/1993 e no livro de tombo histórico com a inscrição n° 311, p.78, 23/02/1994.

8. HISTÓRIA / VALOR Conjunto formado pelo Edifício Meira Júnior (Atual Choperia Pinguim), Theatro Pedro II, Centro Cultura Palace e Praça VX de novembro. A praça foi a primeira a ser construída, estando presente desde os primórdios da cidade, foi o antigo largo da matriz de São Sebastião, e em 1886 iniciaram-se as primeiras obras de ajardinamento da praça, passando por várias reformas e remodelações, e em 1919 atingiu suas dimensões atuais. Veio o período do auge do café na cidade, e os investimentos foram voltados para o centro, antigas construções em frente à praça foram adquiridas pelo barão do café Adalberto Roxo, que construiu então um hotel à altura da importância de Rib. Preto na época, e em 1926 foi inaugurado o Central Hotel (Palace). O Hotel foi comprado pela Cervejaria Paulista um ano depois, quando também adquiriu terrenos próximos. Quatro anos depois, em 1930, após a crise econômica que enfraqueceu os cafeicultores, o comércio vinha se destacar como nova fonte financeira da cidade, e a CIA Cervejaria Paulista investe na construção e inaugura o Theatro Pedro II e o Ed. Meira Júnior (passou a funcionar como Choperia Pinguim somente em 1978), além da reforma da fachada do Hotel para compor uma mesma linguagem arquitetônica com os demais, nesse ano também realizou-se última grande reforma da Praça XV, que teve a inauguração de sua fonte, para mostrar seu poder econômico. Portanto, o quarteirão paulista está presente em períodos históricos muito importantes para a cidade, desde sua fundação, passando pela década de 20 com o auge do café, pela a década de 30 com a ascensão do comércio e indústria, e permanece até os tempos atuais, daí seu elevado valor para Rib. Preto como fonte de memória, tombados como bens culturais de valor histórico-arquitetônico e paisagístico.

`Foto:http://imguol.com/c/entretenimento/2013/08/09/depois-de-16-anos-fechado-porcausa-de-um-incendio-o-theatro-pedro-ii-foi-restaurado-e-reabriu-em-1996localizado- no-quarteirao-paulista-e-um-dos-maiores-teatros-de-opera-do-brasil1376086561651_615x300.jpg

121 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Urbano 2. LOCALIZAÇÃO Praça XV de Novembro, s/n – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -Extensão do Conjunto 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial X Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual X Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Largo – Praça (Espaço Público) Razoável Observações: Tombado em conjunto, sendo parte do quarteirão paulista, é resguardado pelo CONPPAC desde 1982, e pelo CONDEPHAAT desde 1993, além de estar em processo no IPHAN. 8. HISTÓRIA / VALOR

9. IMAGENS

Bem patrimonial (17) PRAÇA XV DE NOVEMBRO

O local da praça está presente desde os primórdios da cidade, foi o antigo largo da matriz de São Sebastião, no começo era apenas um espaço aberto que dava acesso ao local onde hoje é a atual Praça Barão do Rio Branco. Em 1886 o presidente da província de São Paulo visitou Rib. Preto e nessa ocasião foram plantadas três figueiras na praça, que ainda estão lá, foi o começo do seu ajardinamento. Foi a partir do largo que a cidade foi demarcada como tabuleiro linear e entre 1900 e 1901 recebeu canteiros de flores, arbustos, coreto, lago, chafariz, bancos, e foi inaugurada como “Jardim Dr. Loyola”, nome em homenagem ao prefeito na época. A partir daí o local caracterizou-se como um espaço dedicado ao convívio e lazer. Ali também se encontrava a Igreja da cidade, que foi demolida em 1905, dando espaço para ampliação do jardim. Em 1919 foram feitas outras reformas, como a construção do bar da Antarctica, adquiriu novos contornos de canteiros, novo mobiliário foi adquirido e a vegetação refeita. Entre 1928 e 1930 o bar da Antarctica foi demolido e feito um bar que tinha térreo e mirante. Em 1930 foi inaugurado o quarteirão paulista à sua frente e a praça passou por outras reformas, dentre elas, a construção e inauguração da fonte luminosa. Ao longo desse processo seu entorno embelezou-se, tornando-se a principal localização para a construção de imóveis importantes, como os palacetes dos barões de café. Passou por reformas em 1990, que recuperaram algumas características dos anos 1920 e 1930. A praça faz parte do conjunto do quarteirão paulista, tornando o local um ponto importantíssimo de Rib. Preto, expressando história, arquitetura, sociabilidade, convívio, turismo, recreação, no coração da cidade.

Foto: http://static.panoramio.com/photos/large/72088306.jpg

Foto:http://s1158.photobucket.com/user/brauliomqueiroz/media/RIBEIRAO%20PRETO / RIBEIRO1-4.jpg.html

122 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural 2. LOCALIZAÇÃO Rua Duque de Caxias, 322 – Quarteirão Paulista - Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1924-1926 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial X Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Hotel / Atual: Centro Cultural Bom - Razoável

9. IMAGENS

Bem patrimonial (18) CENTRO CULTURAL PALACE

Observações: Tombado em conjunto, sendo parte do quarteirão paulista, é resguardado pelo CONPPAC desde 1982, e pelo CONDEPHAAT desde 1993, além de estar em processo no IPHAN.

Foto: http://emc.jornalacidade.com.br/dbimagens/f9d90b26-18d0-4a13-82f3563d7741498e.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR Na época do auge cafeeiro na cidade, um importante barão do café, Adalberto Henrique de Oliveira Roxo, adquiriu alguns prédios antigos em frente à praça XV, e ali construiu um grande hotel a altura da elite da cidade, intitulado como Central Hotel, inaugurado em 1926. Pouco tempo depois, em 1927, o hotel foi comprado pela CIA Cervejaria Paulista, que também comprou os terrenos próximos, para a construção de um conjunto, que incluiria o Theatro Pedro II e o Ed. Meira Júnior. Com a construção dos demais prédios, para estabelecer uma mesma linguagem arquitetônica, a fachada do hotel passou por reforma em 1930, projeto de Hippolyto Gustavo Pujol Júnior. Após essa reforma, passou a se chamar Palace Hotel, que permaneceu em funcionamento até 1992, encerrando suas atividades. Tombado em 1982 pelo CONDEPHAAT, em 1996 a prefeitura permutou o prédio com a Cervejaria Antarctica, iniciando o processo de recuperação do prédio e a adaptação para Centro Cultural. O Centro Cultural Palace foi inaugurado em 2011, oferecendo palestras, oficinas, diversas aulas e atividades artísticas, promovendo a integração da arquitetura, história e cultura. Foto: http://photos.wikimapia.org/p/00/02/28/59/10_full.jpeg

123 10


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (19) Tipologia THEATRO PEDRO II Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural 2. LOCALIZAÇÃO Rua Álvares Cabral, 370 – Quarteirão Paulista - Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Arquiteto: Hippolyto Gustavo Pujol Júnior 1930 5.000m² Proj.Estrutural: empresa alemã Kemmitz. 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial X Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Theatro Bom Observações: Além de ser parte do conjunto do quarteirão paulista, o teatro também é tombado individualmente. Tombado pelo CONPPAC, através da lei n° 2.764, de 08/06/1973. Tombado pelo CONDEPHAAT, Resolução 32 de 07/05/1982, livro do tombo histórico com a inscrição n° 186, p.44, de 17/06/1982.

9. IMAGENS

Foto:http://www.revide.com.br/media//upload/tinymce/quarteiraopaulista%20antes%20d e%201930.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR O teatro faz parte do quarteirão paulista, e foi idealizado e construído a partir de iniciativa da Cia Cervejaria Paulista. O projeto foi inspirado no Teatro de Ópera de Paris e reúne diversos estilos arquitetônicos, do neoclássico, barroco italiano ao art-deco, resultando em uma arquitetura eclética única. Foi inaugurado em outubro de 1930, com capacidade para 2.000 lugares, e transformou a região em um centro de convivência da elite da cidade, até por volta de 1960. Nessa época o teatro foi transformado em cinema, passando por reformas que o descaracterizou, onde vários elementos decorativos foram destruídos, a plateia reduzida, e placas encobriram os camarotes, frisas e galerias. O teatro tem ao todo, seis pavimentos, incluindo o subsolo e sótão. Entre 1950 e 1970 seu subsolo foi transformado em um salão de bailes de carnaval, e fora desse período era utilizado como salão de jogos e o local ficou conhecido como “Caverna do Diabo”. Em 1978, o teatro já estava fechado ao público devido ao péssimo estado de conservação, e em 1980, ocorreu um incêndio que destruiu a cobertura, o forro do palco e grande parte do seu interior, além de comprometer a estrutura. Após esse episódio, uma grande mobilização social foi feita, e em 1982 o prédio foi tombado pelo CONDEPHAAT. Em 1990 iniciaram-se as obras de restauração e modernização do prédio, por parte da prefeitura e empresas privadas, a obra custou cerca de 4 milhões de reais e durou 5 anos. Em 1996 foi reinaugurado o teatro, agora como o segundo maior teatro de ópera do Brasil, restaurado com seu uso original, com um novo forro introduzido, projetado pela artista plástica Tomie Ohtake, ampliado para 2.500 lugares, ganhou oficina de cenário,carpintaria, sala de balé, e um auditório no subsolo com capacidade para 198 pessoas, além de recursos de mecânica cênica, infraestrutura, acessibilidade e segurança. Atualmente acontecem ali diversos eventos, e é considerado um dos pontos mais

Foto:http://www.vaievemdavida.com.br/media/cache/38/fb/38fb890df17786bffefcbb9973 5d5e2d.jpg

importantes de Rib. Preto.

124 10


Bem patrimonial (20) EDIFÍCIO MEIRA JÚNIOR – ATUAL CHOPERIA PINGUIM

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico - Uso Comercial

9. IMAGENS

2. LOCALIZAÇÃO Rua General Osório, 389 – Quarteirão Paulista - Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Hipólito Gustavo Pujol Júnior 1930 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial X Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Edifício Comercial Bom Atual: Choperia Observações: Tombado em conjunto, sendo parte do quarteirão paulista, é resguardado pelo CONPPAC desde 1982, e pelo CONDEPHAAT desde 1993, além de estar em processo no IPHAN. 8. HISTÓRIA / VALOR O imóvel faz parte do conjunto do quarteirão paulista. Construído pela CIA Cervejaria Paulista, cabe ressaltar que a instalação da empresa na cidade foi um projeto idealizado por um alemão chamado Hans Scherholz em conjunto com diversos empresários da cidade, entre eles o Dr. Meira Júnior, que assumiu o cargo de presidente da empresa. Dentre suas inúmeras contribuições à cidade, a CIA trouxe transformações importantes para o centro de Rib. Preto. Após comprar o Central Hotel, a CIA deu início às obras dos demais imóveis, e um deles era um prédio comercial que comportava salas de escritórios e uma confeitaria, batizado em homenagem ao ilustre advogado e empresário Dr. Meira Junior. O conjunto foi inaugurado em 1930 e atingiu seu esplendor. Em 1937 estava sendo construído o Ed. Diederichsen e ali se instalou a primeira unidade da Choperia Pinguim, que foi crescendo e se tornando conhecida até no exterior, difundindo a história que teria um duto que levava o chope da cervejaria antártica até a unidade. Em 1979, com o crescimento da empresa, o Ed. Meira Junior passou a brigar o Pinguim II, que em 2001 passou por reformas e ficou como a única unidade da choperia no centro. Incorporou-se na história do prédio, passou por trocas de administração/proprietários e hoje é um importante ponto de Rib. Preto, oferecendo qualidade nos serviços e história.

Foto:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2b/Pingui_Pedro_II.JPG/ 220px-Pingui_Pedro_II.JPG

Foto: http://rodaribeirao.com/custom/domain_1/image_files/13_photo_329.jpg

125 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico - Uso Comercial / Prestação de Serviços 2. LOCALIZAÇÃO Rua Álvares Cabral, 469 - Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Antonio Terreri e Paschoal de Vicenzo 1936 /1937 4.000m² 3.PROPRIEDADE 4.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Edifício Multifuncional Ruim - Razoável Atual: Edifício Multifuncional

9. IMAGENS

Bem patrimonial (21) EDIFÍCIO DIEDERICHSEN

Foto: http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/01/diederichsen.jpg

Observações: Tombado como bem cultural pelo CONDEPHAAT, Resolução SC n° 33 de 08/08/2015. Incluindo trechos das ruas em que se localiza, Álvares Cabral 469, entre as ruas São Sebastião e General Osório. 8. HISTÓRIA / VALOR O Edifício Diederichsen foi o primeiro prédio da cidade de Ribeirão Preto, inaugurado em 1936, com a inovadora técnica do concreto armado, e em estilo art-decó. Além do térreo, no primeiro e no segundo andares existem 118 salas comerciais, no terceiro e no quarto andares existem 64 apartamentos, estes que representam moradias fixas, e no quinto (restaurante) e sexto andares funcionava o “Grand Hotel”, sendo assim, o Diederichsen representava o primeiro edifício multifuncional do interior do Brasil, abrigando lojas, moradia, cinema, restaurante, hotel, bar e café. Da sua inauguração até a década de 1970, o edifício abrigava em grande parte salas de consultórios médicos e odontológicos, representando um alto status social. A primeira unidade da choperia Pinguim instalou-se ali, transformando o local em grande atrativo. Antes de morrer, o dono do edifício, Antônio Diederichsen, deixou a direção do prédio nas mãos da Santa Casa de Misericórdia de Ribeirão Preto, que até hoje administra-o. O prédio foi tombado pelo CONDEPHAAT em 2005, e passou por reformas e adaptações. Atualmente continua com seu caráter multifuncional, porém se encontra em mau estado de conservação.

Foto: http://farm4.static.flickr.com/3131/2819688025_be44a426fe_b.jpg

126 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Educacional 2. LOCALIZAÇÃO Rua Prudente de Moraes, 764 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Carlos Rosencranz 1907 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Escola Razoável

9. IMAGENS

Bem patrimonial (22) ESCOLA ESTADUAL OTONIEL MOTA

Foto: https://encryptedtbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTqG3E2NMjYFV9NkczPoxdY8U9F2lfH09QXR _ckP6LK1LNXTHE_ig

Observações: Imóvel tombado pelo CONDEPHAAT, Res. SC 60 de 21/07/2010. Livro do Tombo Histórico com inscrição n° 377, p.103 a 110, de 05/09/2011. 8. HISTÓRIA / VALOR

Inaugurado em 1907, por decreto oficial, foi o primeiro ginásio do interior e o terceiro do Estado se SP. Construído pelo Departamento de Obras Públicas do Estado, como parte da política pública de investimentos para promover a educação básica da população. O prédio é um exemplar de uma das tipologias de edificação escolar implantadas durante a Primeira República do Governo do Estado de SP, contando também com biblioteca e laboratório. Foi tombada pelo CONDEPHAAT em 2010, por possuir alto valor histórico na evolução educacional do Estado, além do valor arquitetônico das instalações. Atualmente, a escola oferece educação de Ensino Médio, conta com 23 salas de aulas, sala de diretoria, sala de professores, laboratórios de informática e de ciências, quadra de esportes, refeitório, cozinha, sala de leitura, banheiros adaptados, banheiros com chuveiro, secretaria, almoxarifado, auditório, pátio coberto, além de equipamentos para auxiliar o ensino e manutenção, as dependências também são adaptadas para alunos/funcionários conforme normas de acessibilidade.

Foto:http://www.cultura.sp.gov.br/StaticFiles/SEC/Condephaat/Bens%20Tombados/ribei r%C3%A3opreto%20otoniel.jpg

127 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Educacional 2. LOCALIZAÇÃO Rua Amador Bueno, 220 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Manuel Sabater 1911 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Escola Razoável

9. IMAGENS

Bem patrimonial (23) ESCOLA ESTADUAL FÁBIO BARRETO

Foto: http://4.bp.blogspot.com/-zq-t9VnxAJc/T39Lazzf3HI/AAAAAAAAAXY/h2_PM_53bQ/s1600/fabio+barreto.jpg

Observações: Imóvel tombado pelo CONDEPHAAT, através da Resolução 60 de 21/07/2010. Livro do Tombo Histórico com a inscrição n° 377, p. 103 a 110, de 05/09/2011. 8. HISTÓRIA / VALOR A escola foi construída em 1911, com projeto de Manuel Sabater, inicialmente contava com 10 salas. Sua fachada e volume diferenciam-se das edificações da época, apresentando um volume com cantos arredondados. A Escola Fábio Barreto faz parte do conjunto de escolas públicas construídas pelo Governo do Estado de São Paulo entre 1890 e 1930, que compartilhavam significados cultural, histórico e arquitetônico. O prédio representa o caráter inovador e modelar das políticas públicas educacionais durante a Primeira República, que tem a intenção de promover o ensino básico (primário) e a formação de professores. O prédio representa também a estruturação racional das políticas de obras públicas desse período, onde foram construídas edificações adequadas ao programa pedagógico por todo interior e capital do Estado. A qualidade arquitetônica se dá pela técnica construtiva simples, com o uso da alvenaria em Foto:http://www.cultura.sp.gov.br/StaticFiles/SEC/Condephaat/Bens%2 tijolos e uma linguagem estilística clássica mais simples. A organização espacial segue os preceitos de 0Tombados/ribeiraopretofabiobarreto.jpg higiene e conforto ambiental, além de ter eixos de circulação em plantas simétricas. Atualmente fornece Ensino Fundamental, contando com 10 salas de aulas, sala de diretoria, sala de professores, laboratório de informática, sala de recursos multifuncionais, cozinha, refeitório, sala de leitura, banheiros adaptados, sala de secretaria, despensa, almoxarifado, pátio coberto, pátio descoberto, área verde, além de equipamentos para auxiliar o ensino e manutenção, as dependências também são adaptadas para alunos/funcionários conforme normas de acessibilidade.

128 10


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (24) Tipologia ESCOLA ESTADUAL DR. GUIMARAES JÚNIOR Patrimônio Arquitetônico – Uso Educacional 2. LOCALIZAÇÃO Rua Lafaiete, 584 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área José Van Humbeeck Aprox. 1901 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Escola Razoável

9. IMAGENS

Foto: http://1.bp.blogspot.com/-rC_RTH_BKQA/TZo6kCOV8I/AAAAAAAAAAM/VDsagvqCi1w/s1600/Guima.JPG

Observações: Imóvel tombado pelo CONDEPHAAT, através da Resolução 60 de 21/07/2010. Livro do Tombo Histórico com a inscrição n° 377, p. 103 a 110, de 05/09/2011. 8. HISTÓRIA / VALOR O Grupo Escolar Dr. José Guimarães Jr. foi inaugurado em 1 º de julho de 1901. Primeiramente, funcionou em dois prédios adaptados na Rua Duque de Caxias e outro na Rua do Comércio. Posteriormente foi transferido para o prédio atual, que foi construído a partir de um conjunto de projetos feitos por José Van Humbeeck, implantados em 5 municípios, uma característica desse período da implantação de escolas, era a reprodução de plantas em diferentes locais. Ampliações foram realizadas posteriormente, fazendo muitas intervenções no projeto inicial. Também faz parte do conjunto de escolas públicas construídas pelo Estado de São Paulo entre 1890 e 1930, com a intenção da promoção do ensino básico e a formação de professores pelo interior e capital do Estado. Seu projeto inicial seguiu a estruturação racional, a técnica construtiva simples, com alvenaria de tijolos e uma linguagem estilística clássica mais simples, além de sua organização espacial seguir os preceitos de higiene e conforto ambiental, e salas dispostas em eixos de circulação em plantas simétricas. Atualmente a escola oferece ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos – supletivo. Conta com 15 salas de aulas, sala de diretoria, sala dos professores, laboratório de informática, laboratório de ciências, quadra de esportes coberta, refeitório, cozinha, sala de leitura, banheiros acessíveis, sala de secretaria, despensa, auditório, pátio coberto e área verde, além de toda infraestrutura e equipamentos.

Foto:http://www.cultura.sp.gov.br/StaticFiles/SEC/Condephaat/Bens%20Tombados/Im a gem/ribeir%C3%A3opretoguimaraes.jpg

129 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Urbano 2. LOCALIZAÇÃO Avenida Nova de Julho, s/n – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data - -1922

9. IMAGENS

Bem patrimonial (25) AVENIDA NOVE DE JULHO

Área Toda extensão da via – + 2 km 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual X Entorno de bem protegido Foto:http://f.i.uol.com.br/folha/cotidiano/images/14071558.jpeg 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Via pública Razoável Observações: Tombada pelo CONPPAC, por decreto em 2008. Foi declarado o tombamento do leito carroçável (cobertura de paralelepípedos), ao piso das calçadas de mosaico português, e às árvores Sibipiruna, juntamente com a área de abrangência, conforme determina o CONDEPHAAT. 8. HISTÓRIA / VALOR Inaugurada em 1922, a avenida tinha como papel ser um novo eixo de estruturação e crescimento da cidade. O seu nome inicial era “Av. Independência”, em homenagem ao centenário da independência do Brasil. Dois anos mais tarde seu nome foi trocado para o atual “Av. Nove de Julho”, em homenagem a Revolução Constitucionalista de 1932. Em 1949 a avenida foi prolongada e calçada com seus famosos paralelepípedos e arborizada com Sibipirunas. Até 1960 foi um grande eixo de expansão da área central, abrigando muitas mansões da elite da cidade, e em seguida, consolidou-se ali o setor bancário, devido a localização privilegiada. Atualmente ainda há várias agências bancárias na avenida, porém não há mais praticamente nenhuma residência, a avenida atualmente é ocupada por lojas, cafés, restaurantes, prestação de serviços, etc. Possui um grande valor histórico para a cidade, e hoje um dos maiores problemas que enfrenta é a mobilidade urbana, pois a via é Foto: http://www.espacoturismo.com/blog/wp-content/gallery/ribeirao-preto-sp/avenidademasiadamente estreita, além de seu calçamento de paralelepípedos não ter sido projetado para 9-de-julho-ribeirao-preto.jpg aguentar fluxo intenso.

130 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Religioso 2. LOCALIZAÇÃO Rua Bernardino de Campos, 550 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1946 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Capela Razoável

9. IMAGENS

Bem patrimonial (26) CAPELA DO COLÉGIO MARISTA

Foto: https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcT-6J_ZyXCpYL8nMMKrtZOxWvBZ5luh3UjNoxIHYwVOQKEKc_u

Observações: Tombada pelo CONPPAC. 8. HISTÓRIA / VALOR

O Colégio começou a funcionar com suas atividades pedagógicas em 1938, com o nome de Ginásio Nossa Senhora da Aparecida, que permaneceu com esse nome até 1961, quando mudou para o nome Colégio Marista, fazendo referência ao sobrenome dos irmãos fundadores do colégio. De ordem religiosa, desde sua inauguração já se realizavam missas ali, porém, somente em 1946 a capela foi inaugurada. O Colégio oferece ensino básico e em sua capela são celebradas missas, vigília, primeira eucaristia, crisma. A capela é tombada pelo CONPPAC. Não foram encontradas maiores informações.

Foto:http://www.drfotos.com.br/momentcristo2.jpg

131 10


Bem patrimonial (27) CATEDRAL METROPOLITANA DE SÃO SEBASTIÃO

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Religioso

9. IMAGENS

2. LOCALIZAÇÃO Rua Florêncio de Abreu, s/n – Praça das Bandeiras - Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Carlos Ekman 1917 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial X Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual X Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Igreja Razoável Observações: Tombada pelo CONPPAC em 2009/2011. Tombada pelo CONDEPHAAT em 2012/2014. O tombamento abrange o conjunto arquitetônico e histórico que inclui o entorno da Catedral, incluindo a Praça das Bandeiras e o Palácio Episcopal. E na descrição do perímetro do conjunto enquadram-se as ruas Tibiriçá, Lafaiete, Américo Brasiliense, Florêncio de Abreu e Visconde de Inhaúma.

8. HISTÓRIA / VALOR A cidade de Ribeirão Preto foi fundada em 1856, através de doações para formar o patrimônio de São Sebastião, devido a religiosidade dos moradores dos arreadores na época. E foi aí que se iniciou a história da Catedral. Logo na inauguração da cidade, já existia uma primeira capela em homenagem a São Sebastião, no local mais alto do território, porém, conforme o crescimento da vila, que logo constitui uma cidade, era necessário um espaço maior. Uma nova capela foi erguida na praça XV de novembro, mas conforme as novas urbanizações da cidade e o caráter do local ter se tornado prioritariamente de manifestações culturais, um terceiro templo começou a ser erguido em meados do século XIX (1904), mais amplo, de estilo arquitetônico eclético, com predominância do românico e neogótico, muito usado em edificações religiosas no Brasil naquela época. A atual catedral ficou pronta por volta de 1917, faltando apenas decorações internas. Em meio a construção da Igreja, também foi erguido o Palácio Episcopal, em 1911. Erguida em meio a uma praça, a Catedral é imponente e destaca-se no centro da cidade. Possui grande riqueza arquitetônica e de arte, destacando as pinturas de seu interior, é um dos legados da época da elite do café na cidade. Possui três naves com transepto, a nave central é terminada pelo altar mor e duas laterais, com capelas secundárias correspondentes. Externamente há ausência de revestimento e poucos ornamentos, uma torre principal e a presença de torres hierarquizadas, há a presença de motivos geométricos e torre quadrada centralizada e alinhada com a fachada principal, e cada torre dispõe de um relógio e quatro pináculos finalizam as laterais com a cruz em cima. É um dos cartões postais de Ribeirão Preto e vem sendo conservada pelos fiéis e párocos e, atualmente há uma iniciativa de arrecadar fundos para sua restauração. Ali são realizadas missas, batizados, crismas, etc.

Foto:http://www.imobiliariapiramide.com.br/foto_referencia/2009/295/2951369534a87ff679a2f3e71d9181a67b7542122c0909002809900802_IMOBILIARIA_PI R AMID.jpg

132 10


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (28) Tipologia PALÁCIO EPISCOPAL Patrimônio Arquitetônico – Uso Religioso 2. LOCALIZAÇÃO Rua Lafaiete, 452 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Carlos Ekman 1911 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial X Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual X Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Palácio Episcopal Razoável Observações: O Palácio Episcopal faz parte do conjunto arquitetônico da Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto, portanto, tem o mesmo ato de tombamento. Tombado pelo CONPPAC em 2009/2011. Tombado pelo CONDEPHAAT em 2012/2014. O tombamento abrange o conjunto arquitetônico e histórico que inclui o entorno da Catedral, incluindo a Praça das Bandeiras e o Palácio Episcopal. E na descrição do perímetro do conjunto enquadram-se as ruas adjacentes. 8. HISTÓRIA / VALOR

9. IMAGENS

Foto: http://cdn.olhares.pt/client/files/foto/big/572/5727889.jpg

A atual Catedral começou a ser erguida em meados do século XIX (1904), mas só teve suas obras finalizadas por volta de 1917/1918. Em 1909, mesmo com a Igreja em obras, Dom Alberto José de Gonçalves assumiu como o primeiro bispo, sendo ele responsável pelas obras do Palácio Episcopal, que terminaram por volta de 1911/1913. O Palácio Episcopal representa a residência oficial dos bispos e tem função de suporte à Diocese de São Sebastião. Ele faz parte do conjunto arquitetônico da Catedral, seu modelo segue a das residências apalacetadas comuns na capital do Estado, da época, tendo torre e mirante. A ele deve-se dispender atenção igual a dada à igreja, pois seu valor para a cidade também é muito grande. Foto: http://static.panoramio.com/photos/large/99218827.jpg

133 10


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (29) Tipologia IMÓVEL NA RUA BERNARDINO DE CAMPOS Patrimônio Arquitetônico – Uso Residencial 2. LOCALIZAÇÃO Rua Bernardino de Campos, 1071 – Esquina com a Rua Marechal Deodoro - Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Final séc. XIX / início - -- -séc. XX. 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Residencial Razoável

9. IMAGENS

Foto: Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: O imóvel está em processo de tombamento pelo CONPPAC. 8. HISTÓRIA / VALOR

Foto: Foto: Google Maps - Street View – Earth

Não foram encontradas maiores informações sobre o imóvel, somente que ele está em processo de tombamento e data do final do séc. XIX / início sec. XX.

134 10


1. IDENTIFICAÇÃOX Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural 2. LOCALIZAÇÃO Rua Barão do Amazonas, 343 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Arquiteto: Affonso Geribello / Execução da 1908 - -Obra: Vicente Lo Guidice 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Sede Clube Razoável Atual: Museu

9. IMAGENS

Bem patrimonial (30) MARP – MUSEU DE ARTE DE RIB. PRETO

Foto: http://www.cidadederibeiraopreto.com.br/thumb.php?./img/1399.jpg

Observações: Tombado pelo CONPPAC, pelo decreto n°318 de 23 de setembro de 2008. 8. HISTÓRIA / VALOR

O atual museu foi inaugurado em 1992, com a função de reunir o acervo pertencente a prefeitura e também abrigar exposições transitórias. Porém a data da construção do prédio é de 1908, sendo sua função original ser sede da Sociedade Recreativa de Rib. Preto, que construiu o prédio imponente na região central da cidade, ao estilo eclético da época da grande elite do café. Em 1922 teve sua ampliação, englobando o terreno ao lado, e em 1935 foram feitas novas adaptações. Posteriormente em 1956, quando o clube constrói outra sede, tem seu uso alterado, e passa por reformas pela prefeitura, pois passa a brigar então a Câmara Municipal. Quando esta também troca de prédio, o edifício então é entregue para a Secretaria da Cultura para abrigar o Museu de Arte de Rib. Preto, em 1992, passando por reformas para se adaptar ao novo uso. O Prédio possui dois pavimentos, onde ficam a recepção, salas de exposição, biblioteca, banheiros, suporte, e o subsolo que abriga o acervo. Foto: http://emc.jornalacidade.com.br/dbimagens/50eaed28-c038-4af6O foco do acervo do museu é a arte regional, mas também traz exposições importantes da arte moderna e 86d0- 0affc4ba1efc.jpg contemporânea brasileira. Funciona todos os dias (exceto às segundas-feiras), prioritariamente com entrada franca. Além de possuir um alto valor arquitetônico, o MARP também possui grande valor cultural para a cidade.

135 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural 2. LOCALIZAÇÃO Rua Duque de Caxias, 547 – Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Ramos de Azevedo 1932 600 m² 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Residencial Razoável Atual: Biblioteca

9. IMAGENS

Bem patrimonial (31) BIBLIOTECA ALTINO ARANTES

Observações: Tombada pelo CONPPAC e pelo CONDEPHAAT em 1985.

Foto: http://static.panoramio.com/photos/large/70161587.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR O prédio foi construído em 1932 para ser residência de um casal conhecido na cidade como coronel Quito Junqueira e sua esposa Sinhá Junqueira. O projeto foi do famoso arquiteto Ramos de Azevedo, e foi feito ao estilo neoclássico muito comum na época, século XX, e é mais um dos exemplares da elite do café na cidade. O casarão principal ocupa o centro do terreno, ladeado por um belo jardim, é uma construção de dois pavimentos, sem porão. Atrás do volume principal, ao fundo do lote se encontram as construções destinadas aos empregados e áreas de serviço, comum ao período. A planta é simétrica, sendo os cômodos dispostos ao redor de um grande hall central. A casa também possui inovações tecnológicas como um elevador e sistema de aquecimento. Além de seu interior ser muito rico em decorações, pinturas, vitrais, móveis de madeira importados. A casa serviu como inspiração para muitas outras construções na cidade nos anos 30 e 40. Os proprietários da casa viveram e morreram no local. Sempre tiveram grande participação em obras sociais e o prédio onde moravam se tornou biblioteca um ano após a morte de Sinhá Junqueira, em 1955. A intenção era facilitar o acesso de livros às pessoas carentes. O acervo da biblioteca possui por volta de 40 mil títulos, englobando cerca de 2 mil livros em braile, e anualmente, recebe a visita de aproximadamente 43 mil pessoas, funcionando de segunda à sexta-feira, porém precisa passar por reformas para adaptações de acessibilidade e tecnologia, e já há um projeto de ampliação de mais 890m² para a biblioteca, realizado em 2014, porém nada saiu do papel ainda.

Foto: http://www.revide.com.br/media/upload/altino_arantes_170915779.jpg

136 10


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico - Uso Comercial / Prestação de Serviços / Clube Lazer 2. LOCALIZAÇÃO Avenida Nova de Julho, 299 - Centro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1943 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Clube Bom Atual: Clube

9. IMAGENS

Bem patrimonial (32) EDIFÍCIO DA SOCIEDADE RECREATIVA E DE ESPORTES DE RIB. PRETO - RECRA

Foto:Arquivo pessoal

Observações: Tombado pelo CONPPAC. 8. HISTÓRIA / VALOR A primeira sede da Sociedade Recreativa de Rib. Preto se instalou onde hoje é o MARP, devido ao aumento de sócios e necessidade de expansão para novas atividades, uma nova sede foi construída na Av. Nove de Julho, novo eixo de expansão da cidade na época. O prédio foi inaugurado em setembro de 1943, que além de promover esportes e atividades recreativas, também era um grande centro de convívio social, realizando diversos eventos, como bailes tradicionais da cidade. O clube também conta com uma unidade de campo, a cerca de 20 minutos da cidade. O clube já sediou vários campeonatos e passaram por ele vários nomes conhecidos do esporte brasileiro. Atualmente na unidade em questão, dentro da cidade, são oferecidas várias aulas, conta com várias quadras, piscinas, campo, área de eventos, artes, área de alimentação (lanchonete / restaurante), e toda infraestrutura necessária, sendo um local muito presente na memória e na atualidade dos ribeirão-pretanos.

Foto:http://www.recra.com.br/img/site/uploads/historias/04_trampolim_antigo_recra_4.j p g

137 10


Bem patrimonial (33)

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

QUADRAS ENTRES AS RUAS MARIANA JUNQUEIRA E RUA VISCONDE DO RIO BRANCO / ENTRE AV. JERÔNIMO GONÇALVEZ E AV. INDEPENDÊNCIA

9. IMAGENS

Patrimônio Urbano

2. LOCALIZAÇÃO Centro – Ribeirão Preto/SP. Arquiteto - --

3. CONSTRUÇÃO Data

Área Toda extensão do perímetro 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Vias públicas / Quadras Razoável Atual: Vias públicas / Quadras Séc. XIX (Início da ocupação da área central)

Observações: Não são tombadas. 8. HISTÓRIA / VALOR

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Estas quadras são consideradas manchas de importância histórica e arquitetônica, pois estão presentes desde o início da formação da cidade, da ocupação da área central, e passaram por pequenas transformações e alterações na sua tipologia, sendo hoje remanescentes de grande valor histórico e urbanístico da cidade.

138 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto História e Evolução do Bairro “O centro urbano sintetiza,melhor do que qualquer outro local, todo o retrato social de um país. A sua carga simbólica, neste sentido, é muito forte.” (JOSÉ GERALDO SIMÕES JR.) O centro foi o princípio da formação da cidade de Ribeirão Preto, compreendido como o núcleo urbano principal, tendo a configuração espacial de centro a partir da expansão urbana, com o surgimento de outras localidades. (VALADÃO, 1997).

Figura 47 - Desenho feito em cima de uma foto do Largo da Matriz em 1890.48

Vale destacar que a principal atividade desenvolvida na área, desde essa época, era o comércio, pois segundo SILVA (2010), como características das fazendas da região do Oeste Paulista, essas dependiam fundamentalmente dos serviços dos centros próximos, promovendo seu desenvolvimento. Então, como consequência da chegada do cultivo de café na região, esse núcleo central original teve a necessidade de se expandir. Figura 48 Mapa primórdios de Ribeirão Preto.49 Figura 47 -Desenho feito em cima de uma foto do Largo da Matriz em 1890. (Autor desconhecido – Fonte: Aula Urbanismo – áreas centrais, 2014 – profª. Vera Migliorini) 49Figura 48 - Mapa primórdios de Ribeirão Preto. (Autor desconhecido - Fonte: Aula Urbanismo - áreas centrais, 2014 - profª Vera Migliorini) 48

A atual Rua Mariana Junqueira constituía um eixo de expansão, pois era a rua do comércio. Em 1883, com a chegada da Companhia Mojiana e a estrada de ferro na vila, como já mencionado, houve a instalação de uma

139 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto estação provisória em frente a chácara Villa-Lobos na atual Av. Caramuru, mas como esta se encontrava longe no núcleo urbano, uma nova estação foi feita de frente a Rua General Osório, na atual Av. Jerônimo Gonçalves, que foi aberta em 1885, devido a essa estação, assim como a Rua José Bonifácio. E a partir daí o núcleo original é expandido até a estação Mojiana, incentivando o desenvolvimento de Ribeirão Preto (que ainda era uma vila) naquela direção. (VALADÃO, 1998). Vale destacar que obras de infraestrutura começaram a ser realizadas para melhorar a área. Houve a retificação dos primeiros trechos do Ribeirão Preto entre 1883 e 1884, que possibilitaram essa ampliação da área central. E com o passar o tempo o calçamento das ruas a partir de 1889, a implantação de canalização de luz elétrica entre 1897 e 1899 e instalação de águas e esgoto em 1903. (Silva, 2006).

“Com o tecido urbano começando a se expandir para além dos limites do núcleo urbano original, esta porção da cidade passou a constituir a área nobre, onde famílias de fazendeiros e comerciantes enriquecidos com a produção de café instalavam suas residências. ” (SILVA,2006). Segundo VALADÃO (1998), o órgão da Câmara Municipal já tinha sido criado em 1874, e suas sessões aconteciam na casa dos vereadores e era a Matriz que executava todos os trabalhos pertinentes diante da Igreja e do Estado. Porém havia a necessidade de instalações para o funcionamento institucional da cidade, então em 1890 são construídas as primeiras instituições penais da cidade: a Casa de Câmara e Cadeia, com a função de arcar com a responsabilidade da constituição do patrimônio público, sua guarda e fiscalização, e logo em seguida, em 1904, o Fórum e Cadeia.

Conforme já mencionado, muitos imigrantes vieram a partir desse período e passaram a ocupar as áreas de expansão e, em seguida, os novos loteamentos e o núcleo colonial Antônio Prado, em 1886. Fatos que influenciaram muito no que aconteceria no núcleo original que se tornou principal centro a partir daí. Pode-se adiantar que as áreas novas seriam consideradas como periferia, para abrigar os trabalhadores, e o centro seria destinado aos nobres e às instituições da cidade. 50 51

Figura 49 - Casa de Câmara e Cadeia – (Fonte: Silva, 2006 – pag.60) Figura 50 - Fórum e Cadeia – (Fonte: Silva, 2006 – pag.60)

Figura 49 – Casa de Câmara e Cadeia. 50

Figura 50 – Fórum e Cadeia. 51

140 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Paralelamente a essas construções, como já mencionado, a Rua José Bonifácio foi uma importante rua onde se instalaram muitos comércios, pensões, hospedarias e hotéis. Nesta rua, aberta em 1885, foi construído o primeiro mercado da cidade, em 1900, constituindo-se um ponto importante de compras e sociabilização dos moradores da cidade. O prédio original foi substituído posteriormente, na metade do século XX, devido a um incêndio. Contudo, entre a construção de um edifício e outro acima, um marco muito importante foi erguido na cidade, o Theatro Carlos Gomes, em 1897, simbolizando o poder da elite cafeeira (SILVA, 2006). “Era a representação física de um desejo de mostrar-se como uma sociedade moderna.” (SILVA, 2010).

Figura 51 – Prédio Antigo do Mercado Municipal 52

52 53

Figura 52 –Theatro Carlos Gomes 53

Figura 51 – Prédio Antigo do Mercado Municipal – (Fonte: Silva, 2006 – pag.56) Figura 52 – Theatro Carlos Gomes – (Fonte: Silva, 2006 – pag.60)

O Theatro foi construído nas imediações do Largo da Matriz, no centro de onde hoje é a atual praça Carlos Gomes, levando para o local - que até então era exclusivo de manifestações religiosas – um caráter cultural. Tanto que, conforme SILVA (2010) e SILVA (2006), em 1905, quando surgiu a necessidade da construção de uma igreja maior e mais “rica”, foi demolida a capela, que era a Igreja Matriz, localizada na atual praça XV, o território religioso foi deslocado dali, o local para se erguer a nova igreja foi escolhido uma área mais adiante, onde ergueu-se a atual Igreja Matriz, entre as ruas Tibiriçá, Visconde de Inhaúma, Florêncio de Abreu e Lafaiete, deixando a área do teatro como território cultural mundano. A atual praça XV, antigo Largo da Matriz, foi então transformada em jardim público. A partir do início do século XX, ocorreu uma transformação estrutural no entorno dessa área que anteriormente era dedicada à fé. Surgiram belos sobrados residenciais das poderosas famílias da cidade, como o palacete Paschoal Innecchi, as residências de Camilo de Mattos, Sinhá Junqueira, Albino de Camargo, entre outros. (SILVA, 2010). Outros tipos de edifícios também foram sendo construídos nessas proximidades, como o antigo prédio da sociedade recreativa de Ribeirão Preto, que hoje abriga o Museu de Arte de Ribeirão Preto, construído em 1905. Sendo assim, nas duas primeiras décadas do século XX, essa área consolidou-se como principal território de convívio das classes mais abastadas, porém como o comércio e a prestação de serviços eram abertos ao público em geral, e essa era a área cultural da cidade, havia conflitos de classes. Tratando-se das demais áreas, a elite ligada diretamente ou indiretamente ao café ocupava o centro em todos os sentidos.

141 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto E outros marcos importantes foram sendo constituídos, como o Paço Municipal, com a edificação do atual Palácio do Rio Branco, que foi a sede do poder político local, abrigando a prefeitura e a câmara, inaugurado em 1917. (Paisagem Cultural do Café, 2010). Neste mesmo ano, foi concluída a obra da nova igreja matriz, a Catedral Metropolitana de São Sebastião, construída em um ponto mais alto que antiga, sendo locada na Praça 13 de Maio (atual praça das Bandeiras) e próxima ao Palácio Episcopal, que teve suas obras concluídas seis anos antes, em 1911. (SILVA, 2010) (SILVA, 2006). Muitos outros edifícios importantes foram ali localizados entre o fim do século XIX e início do século XX, como outros casarões residenciais, edifícios escolares, grandes casas financeiras, galpões, hotéis, grandes casas de comércio, entre outros, além das áreas livres como as praças Aureliano de Gusmão, Praça da Estação (Atual praça Schimit), entre outras. A expansão continuava e novas ruas iam sendo criadas. Como a Av. Independência (atual Av. Nove de Julho), em 1922. Nesse período, a cultura da higienização já se fazia presente na região, e obras de higienização e embelezamento eram feitas, além de os edifícios como a maioria dos de saúde, cemitério, matadouro, eram locados nos outros bairros da cidade. Pode-se datar esse período de urbanização do centro, como o período da ascensão do café na cidade, que durou até o fim da década de 1920, onde em 1929 houve a quebra da bolsa de Nova Iorque, decorrendo no declínio das exportações de café. Como já mencionado, Ribeirão Preto já tinha consolidado outras atividades, sobretudo as comerciais e prestação de serviços,

estas tanto se desenvolveram pela ascensão do café como também alavancaram esse processo, então com a queda dessa atividade agrícola na cidade, o desenvolvimento comercial permitiu que a cidade se mantivesse e contornasse a crise. “a cidade nasceu e cresceu sob os auspícios da riqueza agrícola, mas conquistou sua emancipação pelo seu grande desenvolvimento comercial”. (GUIÃO, 1923, p. 17) Em 1930 já havia um grande desenvolvimento comercial e também algum industrial na cidade, com destaque para a indústria cervejeira, que tinham suas principais instalações no centro e próximo a ele, como o caso da Cervejaria Paulista, na rua José Bonifácio. O grande marco da transição entre a era cafeeira para a era comercial da cidade foi a construção do Theatro Pedro II, o Edifício Meira Júnior e o Palace Hotel, conjunto que foi edificado com o capital da indústria cervejeira, com o intuito de marcar a consolidação dessa nova fase. Localizados no centro da cidade, que ainda era a parte mais valorizada, em frente à praça VX, que a incorporando, constituíram o chamado quarteirão paulista, marcos importantíssimos na história do centro. (SILVA, 2010). O centro, então se manteve vivo, e ainda como a parte mais importante da cidade, pois era ali que desenvolvia as principais atividades.

142 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto “ apesar de cair em depressão, no início da década de 1930 o centro da cidade era o lugar da cafeteria Única, do Theatro Pedro II, das Casas Pernambucanas, da Ótica Especialista, da Agência São Paulo, do Colégio Santa Úrsula, da Cervejaria Paulista, das fábricas de jóias, dos escritórios dos advogados, das companhias de seguro, das casas de tecido e artigos de luxo, dos agiotas [...] (PINTO, 1998, p10).

Outros edifícios históricos importantes foram sendo construídos a partir dessa década, como o edifício Diederichsen, em 1934, que foi o precursor do processo de verticalização na cidade. (Paisagem Cultural do Café). Outras obras de infraestrutura também foram sendo realizadas, juntamente com reformas como a da Praça XV de Novembro, em 1939. Na década de 1940 Ribeirão Preto teve um crescimento populacional de 15,5%, processo acompanhado por um grande processo de urbanização que intensificou o deslocamento da população rural para a cidade. (SILVA, 2010). Neste período, houve começou então o processo de verticalização do centro. (Relatório da Fase I do Inventário dos Bens Culturais de Rib.Preto). Vale destacar que foi nessa década, em 1944, que houve a demolição do teatro Carlos Gomes, cujo motivo ainda é desconhecido. (entre as ruas Tibiriçá e São José), a troca de nomes ocorreu em entre 1934-1939 e seu prolongamento se deu em 1949.

Passando por mais obras foi inaugurada em 1955, e até 1960 se configurou como um eixo de expansão da área central, abrigando muitas mansões de propriedade da elite econômica. (SILVA, 2010). Que continuou seu processo de expansão, como o prolongamento da Av. Nove de Julho, que já tinha seu primeiro trecho inaugurado em 1922 com o nome de Av. Independência (entre as ruas Tibiriçá e São José), a troca de nomes ocorreu em entre 1934-1939 e seu prolongamento se deu em 1949. Passando por mais obras foi inaugurada em 1955, e até 1960 se configurou como um eixo de expansão da área central, abrigando muitas mansões de propriedade da elite econômica. (SILVA, 2010). Com a expansão acelerada da cidade, novos loteamentos foram sendo abertos, somente entre 1940 e 1970, 185 foram aprovados, o que representou uma grande expansão urbana. Esse processo demandou mais serviços, infraestrutura e trabalho. O centro na década de 50, era o responsável por atender essa demanda, e concentrava a maioria das atividades de comércio, serviços, administração pública e lazer. E ainda se localizavam nessa área as residências da elite ribeirão-pretana, sendo a área mais valorizada da cidade até por volta da década de 1960. Porém, houve a criação de outros loteamentos, destinados à classe mais abastada. A instalação de novos polos de atração como os shoppings centers em outras áreas, deram origem ao fenômeno urbano contemporâneo do abandono da área central, em 1980, tendo a população elitizada de mudança para esses novos locais. O abandono também do poder público, que voltou seus

143 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto investimentos para outra zona da cidade, especialmente a zona sul. (SILVA, 2010). Outras interferências urbanas marcaram o centro ao decorrer do tempo, como a construção da Rodoviária, o centro popular de compras, o calçadão, outros patrimônios religiosos, os terminais de ônibus. Alguns destes configurando-se também como bens patrimoniais.

Atualmente – Análise Geral Atualmente, o centro, configurado entre as avenidas Jerônimo Gonçalves, Francisco Junqueira, Nove de Julho e Independência, é predominantemente comercial e de prestação de serviços. Muitas pessoas deixaram de viver ali para viver em outras áreas da cidade, embora permaneçam residências. Hoje configurase também como um grande espaço de passagem, onde pessoas precisam atravessar para chegar em outras partes da cidade, causando também um caos na mobilidade. Talvez a urbanização de outras partes da cidade tenha ajudado a preservar algumas de suas características históricas. Alguns de seus principais edifícios se tornaram de uso institucionalcultural, porém outros bens patrimoniais se perderam pelo abandono e muitos que ainda estão de pé foram deixados à mercê do tempo, e estes deverão receber diretrizes de uso.

144 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.3.2 ÁREA DE ESTUDO - ÁREA 02 – VILA VIRGÍNIA Delimitação da área A área de estudo 02 corresponde à grande parte do bairro Vila Virgínia, que apesar de ser destacado como o primeiro bairro da cidade, não possui muitos exemplares remanescentes de bens patrimoniais, valendo-se disso o recorte da área se limita na localização dos que ainda restam, conforme mapa 06. Seis bens patrimoniais são destacados na área, se contar a Av. do Café, que está presente na história dessa área e também da Vila Tibério. Entre esses bens se encontra a casa mais antiga da cidade, O Solar Villa-Lobos ou conhecida também como casa Caramuru, que se encontra abandonada. Os outros imóveis destacam a presença da época do café na cidade, sobretudo com os galpões/ armazéns gerais “ceagesp”, um bem que também se encontra em processo de ruínas, apesar de não poder ser demolido; é uma área que apresenta um grande potencial para transformação do bairro, e isso deve ser aproveitado e exemplificado melhor nas diretrizes de uso. O Mapa 06, assim como o mapa anterior, também dá a localização desses bens e apresenta fotos de alguns.

54

Mapa 6 – Área 02 – Vila Virgínia (Fontes > Base: Google Earth. Dados: Relatório da Fase I do Inventário de Bens Culturais de Ribeirão Preto / Google Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas)

145 10


Mapa 6 – Área 02 – Vila Virgínia 54


FICHAS – BENS PATRIMONIAIS – Vila Virgínia

10 147


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Residencial 2. LOCALIZAÇÃO Av. Caramuru, 232 – Vila Virgínia – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -Aprox. 1883 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Residencial Péssimo - Ruínas Atual: Sem uso / Abandonado

9. IMAGENS

Bem patrimonial (34) SOLAR VILA-LOBOS / CASA CARAMURU

Observações: Tombado pelo CONPPAC através da Lei 4881/86, de 06 de agosto de 1986. Tombado pelo CONDEPHAAT pelo processo n. 25.774/87 e Resolução 611, de 28 de outubro de 1988.

Foto: http://2.bp.blogspot.com/-OZuEunjFaw/UQRl0cGvPUI/AAAAAAAACdc/qJQMufnArf0/s1600/1483_539246342752668_20 9 7211992_n.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR

O Casarão possui estilo neoclássico, do final do séc. XIX. Indica uma arquitetura rural (através de análises das suas repartições internas), uma sede de fazenda que foi sendo transformada com o tempo, conforme a área foi “engolida” pela cidade. É uma das primeiras casas de Ribeirão Preto. Sua fachada foi trazida da Itália pelo arquiteto Vicente Lo Giudice, em 1892, sendo incorporada na construção anos depois da casa já existir, transformando o que era os fundos na atual entrada, quando a Av. Caramuru estava sendo construída. No seu interior são encontradas pinturas que retratam cenas italianas e também muitos ornamentos, que também seriam da década de 1890. A casa foi implantada a meia encosta, repetindo a solução encontrada em outras regiões do estado, onde a parte frontal da casa (à época) era voltada para o córrego, abrigava a sala e os quartos se abriam para a varanda, construídos sobre um porão habitável. Já a cozinha e o banheiro ficavam no fundo da casa e eram construídos sobre o terreno. Construída em tijolos de barro cozido, a estrutura do telhado de quatro águas é de madeira, coberta de telhas de barro. Os pisos dos quartos, salas e varanda eram de tábua corrida sobre barrotes e nas áreas molhadas a pavimentação era de ladrilho hidráulico e do porão de ladrilho cerâmico. Os forros eram de madeira de dois tipos. O proprietário atual do imóvel é Nelson José Scorsolini, que o adquiriu em leilão em 2012e tomou posse em 2014, este tem intenção de restaurar a casa, porém precisa da ajuda e recursos dos órgãos de proteção. Projetos já foram encaminhados com verbas estaduais e também municipais para o restauro da casa, inclusive foi realizado um concurso público de restauro, em 2012/2013, por meio do Programa de Ação Cultural (ProAC), mantido pela Secretaria de Estado da Cultura, o projeto teve ganhador (Siaa Mpdm Arquitetos Ltda.), teve aprovação do CONPPAC, mas não se sabe o que estão aguardando. Um projeto de restauro com parceria da prefeitura em comodato com o proprietário da casa, era para ter sido iniciado em 2014, com o objetivo de transformar o local em uma cafeteria aberta ao público, o valor da restauração estava estimado de 2 a 4,5 milhões (podendo chegar a 6 milhões), mas nada ainda não saiu do papel, a construção continua abandonada e malcuidada, apesar de alguns esforços dos órgãos de proteção para mantê-la de pé, como a reforma do telhado. Em suma, o casarão tem imenso valor histórico para a cidade e região, pois é um exemplar monumental da arquitetura do café do “Oeste paulista”, além de ser uma das raras construções remanescentes do século XIX em Rib. Preto.

Foto:http://piniweb.pini.com.br/construcao/arquitetura/imagens/i391988.jpg

10 148


Bem patrimonial (35) CHÁCARA DA FAMÍLIA VILLA LOBOS (VALOR ARQUEOLÓGICO)

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Urbano

9. IMAGENS

2. LOCALIZAÇÃO Às margens da Av. Caramuru - Vila Virgínia – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -Aprox. 1880 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Chácara Razoável Atual: Foi incorporada no tecido urbano Observações: Tombada pelo CONPPAC. 8. HISTÓRIA / VALOR Foto: Google Maps - Street View – Earth

Essa região da chácara Vila Lobos abriga as primeiras edificações do bairro República (atual Vila Virginia) e também umas das primeiras edificações da cidade. Uma estação de trem provisória foi instalada bem em frente a chácara, e a partir daí o local foi sendo povoado. O Solar Villa Lobos (Casa Caramuru) era a edificação sede desta fazenda, que atualmente já foi desmembrada e há incorporada no tecido urbano. Nessa região também se identificou valor arqueológico, mais especificadamente nas margens do córrego Ribeirão Preto, pois era costume o descarte de inúmeros objetos cotidianos no rio.

10 149


10 150


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico - Uso Comercial / Prestação de Serviços / Clube Lazer 2. LOCALIZAÇÃO Avenida Primeiro de Maio,151 - Vila Virgínia – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1938 + 13.000m² 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Clube Razoável - Ruim Atual: Clube

9. IMAGENS

Bem patrimonial (37) SEDE DO ESPORTE CLUBE MOGIANA

Foto: Google Maps - Street View – Earth

`

Observações: Ainda não é tombado, mas possui grande valor histórico para a cidade. 8. HISTÓRIA / VALOR O clube foi fundado pelos empregados da Companhia de estradas de Ferro Mogiana, em 1938, com o intuito de ser um lugar para o time de futebol formado por eles, além de uma área de lazer e recreação. As obras foram iniciadas em um amplo terreno doado pela Cia. Mogiana, de mais de 13.000m². No início existia apenas a piscina, e ao passar do tempo foram sendo construídas as outras áreas, dentre elas, o sonhado campo de futebol. Era simples, e foi utilizado até 1954 para treinos e disputas de campeonatos amadores. Na década de 50, o Comercial, tradicional time da cidade, reorganizou-se e precisava então de um local para mandar seus jogos, escolhendo então o Clube Mogiana para tal, arrendando-o e promovendo melhorias como a instalação da arquibancada no campo, que então tornou-se um estádio para 12.000 pessoas, sedeando jogos importantes. Esse período durou até 1964, quando o comercial inaugurou seu próprio estádio, o da Mogiana voltou a sediar jogos amadores, as arquibancadas foram desmontadas para dar lugar a canchas de bocha e malha. Nos anos 70 o clube tornou-se mais recreativo, porém quando a Cia. Mogiana se tornou FEPASA, esta não mais queria manter o clube, e ele chegou a quase ser vendido nos anos 80, porém seus sócios compraram ações para que pudessem desvincular o clube da empresa. Nessa época o EC Mogiana viveu seu auge, sendo o clube recreativo de Rib. Preto, até 1994, ano que um vendaval causou muitos danos ao clube. Após esse episódio o clube passou por uma crise financeira, porém reergueu quase tudo e em 2007 fez parcerias com o Sertãozinho para escolinhas de futebol. Em suma, o clube tem muita presença na história da cidade, sendo remanescente vivo dela.

OK!!!

Foto: Google Maps - Street View – Earth

10 151


10 152


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Urbano 2. LOCALIZAÇÃO Avenida do Café - Vila Virgínia – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data - -- --

9. IMAGENS

Bem patrimonial (39) AVENIDA DO CAFÉ

Área Toda extensão da avenida 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Estrada de ferro Razoável

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Atual: Via pública - Avenida

Observações: Não foram encontradas informações sobre o tombamento. 8. HISTÓRIA / VALOR

A atual Avenida do Café era a antiga estrada de ferro, eixo que o trem seguia saindo da estação Ribeirão Preto e seguindo rumo as fazendas de café, Monte Alegre (que de sua sede deu origem ao Museu do Café e o Museu Histórico de Ribeirão Preto, e o Campus da USP) e Dumont. Em 1949 passou a chamar-se Via do Café e em 1966 de Avenida do Café, depois da remoção dos trilhos, período que constituiu um importante eixo comercial no bairro Vila Virgínia e Vila Tibério, sendo limite entre estes. Atualmente ainda se constitui como um eixo dos dois bairros, além de ser via principal de acesso a USP.

Foto: Google Maps - Street View – Earth

10 153


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto História e Evolução do Bairro Segundo SILVA (2010), o primeiro bairro que se formou além do núcleo original (centro), foi o bairro República. Pode-se dizer que a Vila Virginia veio a ser um bairro paralelo ao da República, os dois existiram ao mesmo tempo e mais tarde, a Vila Virginia incorporou o bairro da República, formando sua configuração hoje como um único bairro. O bairro da República teve sua formação espontânea, e seu marco inicial foi em 1883, quando os trilhos da Companhia Mojiana chegaram a cidade e a primeira estação foi ali construída, em frente a chácara Villa-Lobos, numa área que compreende o início da atual Av. Caramuru, local que era sujeito a constantes alagamentos, devido a presença do córrego. Deve destacar que esse bairro, devido a sua configuração espontânea, teve sua formação mais lenta, se desenvolvendo entre 1883 e 1905, conforme informações do relatório da fase I do inventário dos bens patrimoniais. Porém, pode-se levantar a questão que este se desenvolveu de maneira, talvez menos urbanizada, quando se busca uma resposta a sua ausência em muitos dos primeiros mapas da urbanização da cidade, onde o Núcleo Colonial Antônio Prado, inaugurado em 1886, ganha destaque. Com a instalação da estação no local, em 1883, alguns imigrantes se instalaram nas proximidades, o que posteriormente deu origem ao bairro, que foi ocupado por portugueses, espanhóis, italianos e brasileiros.

A casa mais antiga ainda edificada da cidade de Ribeir��o se encontra nessa área, O Solar Villa-Lobos ou, mais conhecida como Casa Caramuru, e se encontra abandonada e em estado de degradação. Outro bem histórico remanescente desse período na área, que se encontra no mesmo estado são os conhecidos Galpões Ceagesp, construídos no início do século XX. Esses galpões na verdade foram os armazéns reguladores de café, sua localização na atual Av. bandeirantes, englobava os trilhos da ferrovia pelos quais o produto era distribuído. Representam um marco da expansão da elite cafeeira em Ribeirão Preto, por isso seu valor tão importante para o bairro e para a cidade. Pouco antes de 1924, a fazenda Paraíso foi vendida, loteada, e tornou-se efetivamente o bairro Vila Virginia, que se expandiu quando houve o loteamento das demais áreas ao seu redor. Em 1933, para garantir passagem de um lado para o outro do córrego, foi construída uma ponte de madeira na rua Guatapará para permitir a expansão do bairro, que posteriormente foi demolida e substituída por uma de concreto. Do outro lado dos trilhos, haviam as fazendas Boa Vista, Chácara Carborante e Paraíso, e o Beco da Vitória era uma antiga passagem utilizada por seus moradores para acessar a República. Compreendida entre os terrenos da Cia. Mojiana e da Chácara Villa-Lobos, depois do loteamento e o surgimento da Vila Virginia, de fato, tornou-se a Rua da Vitória, que era a única passagem entre os bairros, até a venda dos lotes dos terrenos da Vila Virginia em 1924.

154 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto A partir da venda dos lotes, a Cia Mojiana cedeu uma faixa de terra para a criação outra via de acesso entre os bairros, então surgiu a Av. 1° de Maio, que consolidou-se como um eixo de expansão comercial da Vila Virginia. Com a expansão do bairro, a Rua da Vitória foi expandida algumas vezes, e houve até o pedido do seu fechamento para incorporá-la ao futuro estádio da Cia Mojiana, requerimento feita pela própria, em 1934, por dizer que a rua pertencia ao seu terreno. Porém os proprietários dos lotes da área se opuseram, mas somente de início, pois concordariam com os termos se o estádio fosse realmente feito. Contudo, o estádio do clube da Mojiana foi feito sem incorporar a Rua, e este constitui-se como um importante local de convivência do bairro.

Atualmente – Análise Geral O bairro atualmente chega até na atual Av. do Café, tendo como limite a Av. Caramuru, a Av. Pio XX e a rua Monteiro Lobato. Mantém eixos comerciais e, sobretudo, de prestação de serviço nas principais vias, e ademais, apresenta predominância de uso residencial. Vale destacar que abriga muitas famílias antigas, de muitos trabalhadores da Cia Mojiana, sendo predominantemente ocupado por famílias de renda mais baixa.

155 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.3.3 ÁREA DE ESTUDO - ÁREA 03 – CAMPOS ELÍSEOS Delimitação da área A terceira área de estudo compreende grande parte do bairro Campos Elíseos, e seu recorte é feito a partir dos bens patrimoniais destacados. As principais vias de acesso à área são a Av. Marechal Costa e Silva e Rua Silveira Martins, a Av. Francisco Junqueira e a Av. da Saudade. Cabe destacar que como o bairro foi um dos primeiros a se desenvolver como expansão da cidade, na época em que os imigrantes estava aqui se estabelecendo, esse bairro possui vários exemplares remanescentes de partes dessa história. Todavia cabe destacar que seu desenvolvimento e localização atraíram indústrias para a área, onde se pode destacar a Cerâmica São Luiz como um dos tristes casos de perda, e também onde a principal instalação que sobrou foi a Fábrica Matarazzo, porém está se perdendo, que também é considerada um ponto-chave para as diretrizes. A área é fortemente caracterizada pela presença de associações e órgãos que promovem ações sócias, dentre eles também não pode deixar de destacar a importância dos de ordem religiosa, resultando em uma maior quantidade de bens patrimoniais dessa tipologia. Além de tudo, como um ponto importantíssimo e de identidade do bairro, ele abriga o cemitério da saudade. Esses e outros bens poderão ser identificados no mapa 7, onde aponta sua localização e apresenta fotos de alguns bens em questão.

55 Mapa 7 – Área 03 – Campos Elíseos (Fontes > Base: Google Earth. Dados: Relatório da Fase I do Inventário de Bens Culturais de Ribeirão Preto / Google Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas)

156 10


Mapa 7 – Área 03 – Campos Elíseos 54


FICHAS – BENS PATRIMONIAIS – Campos Elíseos

10 159


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial 2. LOCALIZAÇÃO Avenida Eduardo Andréia Matarazzo, 650 – Campos Elíseos - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Eng. Mário Calore 1945-1951 39.000m² 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Fábrica – Estamparia Péssimo - Ruínas

9. IMAGENS

Bem patrimonial (40) ANTIGA FÁBRICA MATARAZZO / CIANÊ

Atual: Sem uso - abandonado

Foto:http://www.revide.com.br/media/cache/56/06/56066fbbec5c2339fac5c185cf179737 .jpg

Observações: Tombado em 2010 pelo CONPPAC. 8. HISTÓRIA / VALOR As Industrias Unidas Francisco Matarazzo chegaram em Rib. Preto no ano de 1935, instalando-se no centro da cidade. Em 1945-1951 construíram 3 galpões e anexos para tecelagem, em um amplo terreno no barracão, bairro que estava desenvolvendo um forte eixo industrial. Essa fase industrial foi responsável por uma grande expansão daquela área, onde com a queda do café, a mão-de-obra foi absorvida pela indústria, e o bairro pôde se manter. A fábrica em questão contava com muitos funcionários italianos, e foram construídas casas para estes, uma vila operária em frente a fábrica. Declarou falência em 1981 e foi então adquirida pela CIANÊ (Companhia Nacional de Estamparia), que no ano de 1994 também decretou falência. Com isso os prédios ficaram abandonados. Tombados em 2010, esse processo não garantiu em nada sua preservação, pois este sofre com a ação do tempo e encontra-se em ruínas (Ex: em 2010 houve um incêndio que derrubou o telhado de um dos galpões), além de atrair usuários de drogas para o local. Os moradores do bairro citam-nos como os principais bens patrimoniais e lamentam o estado em que se chegou. Projetos já foram feitos para o local, como a instalação da Secretaria Municipal de Cultura, o Museu da Imagem e do Som, uma Biblioteca-Parque e o Arquivo Histórico e Público, também já se teve a intenção da implantação de uma FATEC, e também um Instituto de Ciência e Tecnologia, porém nenhum Foto:http://s2.glbimg.com/OiluBvcvgNqUt96qdbYcSJbczRo=/s.glbimg.com/jo/g1/f/origi projeto saiu do papel. A área pertencente a prefeitura é de 40.000m² e abriga os 3 galpões históricos e n al/2012/11/08/ciane1.jpg anexos.

10 160


Bem patrimonial (41) QUADRAS COMPREENDIDAS ENTRE A RUA PERNAMBUCO E AMAZONAS.

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Urbano

9. IMAGENS

2. LOCALIZAÇÃO Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Data 1887

Arquiteto - --

X Pública Privada Mista Outra

4.PROPRIEDADE Patrimônio mundial Federal/ individual Federal/ conjunto Estadual/ individual 6. USOS

Original: Vias Públicas - Quadras Atual: Vias Públicas – Quadras

Área Toda extensão do perímetro

5.PROTEÇÃO EXISTENTE Estadual/ conjunto Municipal/ individual Municipal/ conjunto Entorno de bem protegido 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável

Observações: O perímetro ainda não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR Foto: Google Maps - Street View – Earth

Este perímetro representa os primórdios do bairro Campos Elíseos. As quadras em questão apresentam características urbanas da época da consolidação do local, preservadas, daí sua importância para a história da cidade, além da importância urbana, devido sua configuração.

10 161


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Religioso 2. LOCALIZAÇÃO Rua Paraíba, 757 – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1922-1934 / 1947-1952 - - 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Igreja Bom - Razoável

9. IMAGENS

Bem patrimonial (42) IGREJA SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA

Atual: Igreja

Foto:http://www.futurocasal.com.br/modulos/upload/grandes/2087fotos_paginas1lrky3g6hj.jpg

Observações: Tombada pelo CONPPAC. 8. HISTÓRIA / VALOR Já haviam erguido um templo no bairro em 1903, a Capela Santo Antônio do Pobres, porém com a expansão dos Campos Elíseos, houve a necessidade da consolidação de uma igreja maior ali. As obras foram iniciadas em 1922 e terminadas em 1934, ano de sua inauguração. O Salão paroquial foi construído ao lado, para ser a moradia dos padres. Em 1947 foi encaminhado o pedido de se criar ali a paróquia Santo Antônio de Pádua, este que foi atendido e as obras iniciadas, em 1952 finalizou-se por completo a sequência de obras da igreja, que começou desde 1922. A igreja tem estilo romântico, quando erigida tornou-se matriz da paróquia, existente até a atualidade. No local também foi construído o mosteiro. Uma das únicas igrejas da ordem dos Beneditinos Olivetanos no Brasil, sua arquitetura é muito parecida com a igreja do Monte Oliveto, na Itália – tal fato se deve aos muitos imigrantes italianos na área. A paróquia e os outros membros religiosos foram muito importantes para o desenvolvimento do bairro, promovendo diversas ações sociais. A Igreja tem uma arquitetura imponente, e uma carga histórica muito valiosa para o bairro, além da realização das atividades religiosas. Foto:http://www.ribeiraoturismo.pmrp.com.br/Fotos/igreja-padua/1.jpg

10 162


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (43) Tipologia CAPELA E ANTIGO PAVILHÃO DA SANTA CASA DE Patrimônio Arquitetônico – Uso Religioso MISERICÓRDIA 2. LOCALIZAÇÃO Rua Capitão Salomão, 1154 – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área 1886-1910 (Inauguração Santa Casa) / 1952 (Construção da Capela)

- --

X

Privada Pública Mista Outra

4.PROPRIEDADE Patrimônio mundial Federal/ individual Federal/ conjunto Estadual/ individual 6. USOS

Original: Capela Atual: Capela

9. IMAGENS

17.000m² (Área total da Santa Casa)

5.PROTEÇÃO EXISTENTE Estadual/ conjunto Municipal/ individual Municipal/ conjunto Entorno de bem protegido 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Ruim

Observações: Tombada pelo CONPPAC. 8. HISTÓRIA / A Santa Casa de Misericórdia foi criada por volta deVALOR 1896 pela Sociedade Beneficente, um hospital para atender a população carente, sem fins lucrativos. Os primeiros atendimentos eram realizados em um simples casarão, mas com o crescimento da cidade e demanda de pessoas da região, foi preciso expandir, então a prefeitura doou um terreno de cerca de 17.000m² para a construção da Santa Casa. As obras foram sendo feitas aos poucos e foram alavancadas em 1902, com a administração do Padre Euclides. Entrando em funcionamento como Santa Casa de Misericórdia em 1910. Passando por várias obras até em 1923 foram construídos 02 pavilhões, em 1935 a escola de enfermagem da Santa Casa e em 1936 a associação médica. Em 1939 a Santa Casa já contava com 12 pavilhões, diversos colaboradores, e prestando atendimento em diversas áreas. A Capela foi construída em 1952. A construção do Pavilhão Edgard Cajado, em 1.967, mudou o local arquitetonicamente e no funcionamento. Com o passar do tempo foram sendo feitas melhorias na qualidade do atendimento e na infraestrutura, em 2010-2013 foi executado um plano de revitalização que modernizou a fachada do prédio e área verde, além de ampliar a recepção, construir novas salas e adquirir novos equipamentos e novas funções de atendimento. Atualmente conta com 247 leitos, e atendimento as mais variadas áreas, atendendo opúblico de Rib. Preto e região. O pavilhão em que se encontra a capela está atualmente desativado, e não foram encontradas maiores informações sobre o local.

Foto: http://www.ferias.tur.br/thumbnail/9560/600/300/n_ribeirao-preto-sp-igreja-desao- benedito-fotoaltemiro-olinto-cris.jpg

10 163


Bem patrimonial (44) CAPELA SANTO ANTÔNIO PÃO DOS POBRES (SANTO ANTONINHO)

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Religioso

9. IMAGENS

2. LOCALIZAÇÃO Avenida da Saudade, 222 – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1903 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Capela Razoável Atual: Capela

Observações: Tombada pelo CONPAAC em 09 de dezembro de 2009.

Foto:http://4.bp.blogspot.com/_VUAJlGZNWtc/Sytd9E7KxGI/AAAAAAAABZI/Jj586QLle gQ/s320/stoantpobres.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR

A Igreja Santo Antônio Pão dos Pobres é a mais antiga de Ribeirão Preto que ainda permanece edificada, construída ainda no séc. XIX (entre 1892 – 1898), foi inaugurada em 1903, e ergueu-se com o auxílio dos imigrantes. Seu nome se deve ao fato da igreja atender a população carente, sobretudo os imigrantes, que chegavam à cidade, dando comida (pães) a eles. Possui uma singularidade, sua torre fica no altar do fundo da igreja, em contraposição com a maioria das outras que têm a torre na frente. Ela foi doada para arquidiocese de Rib. Preto pela família Santos Proença da Fonseca. Atualmente ainda abriga atividades religiosas. Seu valor, portanto, se deve tanto a história do bem, como a representação histórica da religiosidade e ação social da comunidade do local (sobretudo os italianos). Foto: http://arquidioceserp.org.br/paroquias/12/12.jpg

10 164


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (45) Tipologia ANTIGO IMÓVEL DA ESTAÇÃO SÃO PAULO Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial / Ferroviário E MINAS 2. LOCALIZAÇÃO Rua Marquês de Pombal, 103 – Campos Elíseos - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - --

1928

9. IMAGENS

Aprox. 7.000m² (área terreno da antiga estação, excluindo empresa telecomunicação)

4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Estação Atual: Sede do sindicato da SPM / Razoável Empresa Telecomunicações Observações: Tombada pelo CONPPAC.

Foto: http://www.estacoesferroviarias.com.br/r/fotos/ribpreto-spm3.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR A estação foi inaugurada em 1928 para servir de ponto de chegada do ramal Ribeirão Preto, que saía da estação de Serrinha, para unir o tronco original da original ferrovia São Paulo-Minas à Ribeirão Preto. Este ramal funcionou por pouco tempo, tendo seu tráfego suspenso já em 1930, por problemas financeiros da companhia. Tempo depois ele passou por reforma e foi reativado, em 1944. Mudanças nas vias em 1964 fizeram as locomotivas seguirem por outro caminho, que desviava desta estação, que ainda funcionou até 1970, quando a Mogiana já administrava a São Paulo – Minas. Quando a Fepasa assumiu a Mogiana, a estação já estava desativada. Posteriormente o terreno foi cedido à prefeitura, pela Fepasa e esta vendeu todo o pátio de manobras à Embratel, que construiu ali seu cal-center e a velha estação foi praticamente envolvida pelo prédio.

Foto: Google Maps - Street View – Earth

10 165


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Urbano 2. LOCALIZAÇÃO Avenida da Saudade, 1775 – Campos El��seos – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data

8. IMAGENS

Bem patrimonial (46) CEMITÉRIO DA SAUDADE

Cemitério: - - Necrotério: Projeto de Cícero Martins Brandão / Execução por Antônio Giroto. Capela: Projeto de Cícero Martins Brandão / Execução por Antônio Terreri. Portão: Projeto de Cícero Martins Brandão / Execução por Alexandre Sette.

Pública Privada X Mista Outra

Cemitério:1893 Necrotério:1933 Capela:1934 Portão:1935 Cruzeiro:1952

Área

+103.836m²

4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Federal/ individual Municipal/ individual Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO

Original / Atual: Cemitério

Razoável (porém, muitos túmulos encontram-se “abandonados”)

Observações: Tombado pelo CONPPAC. 7. HISTÓRIA / VALOR

O primeiro cemitério da cidade foi possivelmente no local onde se encontra atual praça XV (local onde fica o monumento do Soldado Constitucionalista), pois lá também existia a capela (local da atual fonte luminosa), durante a formação da cidade, entre 1868-1880. Em 1878 foi criado o segundo cemitério, localizado nas imediações da atual praça da Catedral, funcionando até 1887. E depois um terceiro foi localizado próximo a atual praça Sete de Setembro, funcionando possivelmente entre 1887-1892. Com novas leis de higienização urbana, equipamentos desse tipo foram mandados para fora das áreas mais importantes (centro), e em 1892-1893 o Cemitério Público de Rib. Preto foi construído em um lote rural da 3ª Secção do Núcleo Colonial Antônio Prado (Loteamento criado em 1887 - expansão). Essa secção tornou-se o bairro Campos Elíseos. A área inicial totalizava 16 quadras. Com o passar do tempo, foram sendo feitas reformas e ampliações. Durante a década de 1930, sendo construído um necrotério em 1933, a capela em 1934, o portão monumental na entrada em 1935, projetos de autoria do arquiteto da prefeitura, que adotou elementos no estilo arte eco. Neste mesmo ano de 1935 a área do cemitério já contava com 23 quadras. Em 1952 foi construído o Cruzeiro. Nos anos 70 o cemitério já estava lotado e em 1974 um novo cemitério foi construído, o Bom Pastor. Por volta de 1983- 1988 inúmeros túmulos foram demolidos no cemitério da saudade (muitos com alto valor artístico), sem nenhum critério. Já em 1986, dois primeiros túmulos foram tombados como patrimônio municipal. Atualmente todo o perímetro do cemitério é tombado, seu portão e elementos, além de túmulos individuais. Atualmente o cemitério conta com quatro entradas, onde são localizados guaritas e banheiros públicos; área administrativa (entrada da Av. da Saudade); capela onde são realizadas missas semanais; cruzeiro com local próprio para queimar velas, além de 7.500 jazigos (sem área para novas concessões) e 2.622 gavetas ossurárias (muro). Em suma, o cemitério possui grande valor histórico e artístico, sobretudoem seus túmulos monumentais, característicos da época da elite cafeeira na cidade.

Foto:http://2.bp.blogspot.com/_VUAJlGZNWtc/TT814KGY52I/AAAAAAAADb4/IohiMhW nHRg/s1600/DSCF0831.JPG

10 166


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (47) ANTIGA FÁBRICA – CERVEJARIA LIVI & BERTOLDI

9. IMAGENS

Tipologia

Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial / Ferroviário

2. LOCALIZAÇÃO Rua Capitão Salomão, aprox. 526 (Esquina com Rua M. de Pombal) – Campos Elíseos - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1900-1901 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Fábrica de cervejas Péssimo - Ruínas Atual: Sem uso – Abandonado Foto:http://s222.photobucket.com/user/cervisiafilia/media/cervejarias/Livi%20e%20Bert oldi/liviebertoldi1.jpg.html

Observações: O imóvel não é tombado e encontra-se abandonado. 8. HISTÓRIA / VALOR Foi a primeira grande cervejaria da cidade, existiam outros produtores menores, mas a Livi & Bertoldi foi a maior que se destacou mais no período. Os imigrantes italianos sentiam falta do vinho da Itália, porém não se arriscavam a produzilo no clima quente de Rib. Preto, e tampouco eram apreciadores da cerveja já produzida na cidade, então no ano de 1900, dois deles, Quarto Bertoldi e Salvatore Livi associaram-se e fundaram uma fábrica de cerveja de alta fermentação, licores, gazosas e xaropes. A fábrica foi situada na Rua Capitão Salomão da terceira secção, área conhecida como Barracão, onde começava nessa época a ser o eixo de comércios e industrias do bairro. A fábrica também produzia licores e água mineral. Logo em seus primeiros anos já foi premiada com seus produtos. Em 1902 associou-se a eles, Calixto Tegnano, mas esta durou somente até 1905, e Livi e Bertoldi voltaram a produzir com o nome inicial. As suas melhores cervejas eram a Guarani, Indiana e Mulata, sendo um bom ramo de empreendedorismo para os proprietários. Em 1928 a cervejaria contava com 12 funcionários e tinha um grande capital, nos anos seguintes foram diminuindo seus funcionários, em 1930 tinha apenas 8, a maioria de origem italiana, considerados mais como amigos do que empregados, onde as relações de trabalho eram deixadas em segundo plano, o que provavelmente foi o problema para o encerramento da fábrica, além do problema das concorrentes que se instalaram na cidade, a cervejaria Paulista em 1913 e posteriormente a cervejaria Antarctica. Vale ressaltar que Quarto Bertoldi, tinha uma Foto: Google Maps - Street View – Earth intensa vida social, ajudou na fundação do Grupo Escolar Antônio Diederichsen, trabalhou com Padre Euclides na instalação da santa Casa, ajudou os padres Olivetanos na construção da Abadia de Santo Antônio, entre outras ações sociais. Ele faleceu em 1867.

10 167


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia ANTIGA FÁBRICA DE VINAGRE DAS IRMÃS PROENÇA Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial / Ferroviário 2. LOCALIZAÇÃO Rua Rio de Janeiro, 689 (Ao fundo da Igreja Santo Antônio) – Campos Elíseos - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -Terreno aprox. 350m² 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Fábrica de Vinagre Ruim - Péssimo Atual: Sem uso – Abandonado

9. IMAGENS

Bem patrimonial (48)

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: O imóvel não é tombado e encontra-se abandonado. (Indicação do arquivo Público e Histórico) 8. HISTÓRIA / VALOR

Não foram encontradas maiores informações sobre a fábrica. Mas sabe-se que a empresa deu baixa em seu CNPJ em 2011, provavelmente, desde então o prédio está abandonado, este que possui, nitidamente, valor histórico e arquitetônico. Foto: Google Maps - Street View – Earth

10 168


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Educacional 2. LOCALIZAÇÃO Rua Padre Euclides, 988 – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -1936 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Educacional - Creche Razoável

9. IMAGENS

Bem patrimonial (49) CRECHE SANTO ANTÔNIO

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: O imóvel ainda não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR A creche ou lar da criança Santo Antônio é uma creche pública conveniada e organização não governamental de assistência social com ações educacionais. Fundada em 1936, por Emília Engracia Bartsch, através da Associação Apostólica da Oração, o nome inicial da instituição era “Externato Creche Coração de Jesus”. Foi criada inicialmente para que as mulheres da antiga Indústrias Matarazzo pudessem deixar seus filhos enquanto trabalhavam e com o tempo estendeu seu atendimento para mais famílias de baixa renda da cidade. Atualmente atende cerca de 250 crianças (com uma fila de espera com cerca de mais de 200 crianças), tendo sua atuação com crianças em situação de vulnerabilidade social. As atividades ali oferecidas visam impulsionar o desenvolvimento das capacidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais das crianças, nas diferentes idades, além de também oferecer saúde e lazer. Além da educação, oferecem alimentação e outras atividades como judô, capoeira, informática, atividades com músicas e brincadeiras. Também oferecem oportunidades de trabalho às famílias dos alunos, através do programa de bolsa de empregos, e também oferece apoio sócio-familiar, atividades recreativas, terapias, palestras e cursos. A creche é mantida com 40% de recursos da prefeitura municipal e o restante de doações. Tem uma grande importância e valor histórico e arquitetônico para a área e para a cidade.

Foto: http://s2.glbimg.com/YvN1WZmdh9gmJTMDZxbaqMTH94=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2013/11/26/crecfe.jp g

10 169


Bem patrimonial (50) ABRIGO ANA DIEDERICHSEN

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

9. IMAGENS

Patrimônio Arquitetônico – Uso Órgãos Municipais / Sociais 2. LOCALIZAÇÃO

Rua Pernambuco, 298 (Esquina com Av. Mal. Costa e Silva) – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP.

Arquiteto / Engenheiro - --

3. CONSTRUÇÃO Data 1939 1960-1968

Área - --

4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Abrigo de idosos Razoável - Ruim Atual: Abrigo de tuberculosos Observações: O imóvel não é tombado.

Foto: Google Maps - Street View – Earth

8. HISTÓRIA / VALOR Não foram encontradas informações mais precisas sobre a história do Abrigo. Sabe-se que sua área foi doada pelo benemérito Antônio Diederchsen, à Santa Casa de Misericórdia, no período de 1939, e ali funcionou como abrigo de idosos, denominado Abrigo Ana Diederichsen. A Santa Casa de Misericórdia foi aumentando, e na década de 1960, com doações de pessoas físicas, empresas, clubes como o Lions e verbas municipais, foi construído o centro clínico ao lado, e um bloco cirúrgico para operações no tórax na área do abrigo, que então passou a ser um Hospital de Tuberculosos, referência para a região. Atualmente, o abrigo destina-se a atender e cuidar de pessoas carentes que contraíram a tuberculose ou o vírus do HIV. E há mais de 55 anos é administrado por um grupo de freiras, mantido pela Santa Casa de Misericórdia de Ribeirão Preto. O abrigo já teve capacidade para atender 65 pessoas, mas atualmente, em condições precárias, por falta de apoio financeiro, atende somente por volta de 12 pacientes. Configura-se como um patrimônio arquitetônico e histórico, de caráter social, que faz parte do caráter social do bairro, e complementa os serviços de saúde da cidade, demandando cuidado, pois atualmente, encontra-se em estado ruim de conservação.

Foto: Google Maps - Street View – Earth

10 170


Bem patrimonial (51) ANTIGO CURTUME

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico - Uso Comercial / Prestação de Serviços / Fábrica

9. IMAGENS

2. LOCALIZAÇÃO Rua Alagoas esquina com Rua Antônio Grelet – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP. Arquiteto - --

3. CONSTRUÇÃO Data - --

Área - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável (tratando-se do que ainda parece Original: Curtume ser remanescente do curtume) Atual: Prestação de Serviços e Comercio para oficinas, lojas, estacionamento, etc.

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: Não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR

Não há muitas informações sobre o antigo curtume, porém foi um dos imóveis identificados com valor histórico, apesar da falta de documentos e dados, em análise da área é possível perceber que o imóvel guarda carga histórica, sendo mais um remanescente dos primórdios do bairro. Atualmente, pode-se analisar que ele provavelmente foi desmembrado, e partes do prédio foram demolidas, dando lugar a outras edificações, e partes ainda são remanescente, com usos adaptados, sobretudo para oficinas. Foto: Google Maps - Street View – Earth

10 171


Bem patrimonial (52) LAR PADRE EUCLIDES

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

9. IMAGENS

Patrimônio Arquitetônico – Uso Órgãos Municipais / Sociais 2. LOCALIZAÇÃO

Avenida da Saudade, 1577 – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP.

3. CONSTRUÇÃO Data 1919-1920

Arquiteto / Engenheiro Área Pavilhões e Casas: Eng. Antônio Soares - -Romeu Capela: Antônio Terreri 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Abrigo de mendicidade Razoável - Ruim Atual: Lar de idosos Observações: Imóvel tombado pelo CONPPAC.

Foto: http://www.uniseb.com.br/webkit/Imagens/Galeria/39319.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR Fundado por iniciativa de Padre Euclides, em 1919-1920, denominava-se inicialmente “Asilo de Mendicidade de Ribeirão Preto”, destinado à atender mendigos de todas as idades. Construído e mantido através de doações e parceria com a prefeitura e órgãos municipais. A construção foi sendo feita aos poucos, seguiu a tipologia de uma vila, com alguns pavilhões e casas simples. As obras iniciaram-se com a construção de 10 casas duplas e os alicerces do pavilhão do refeitório, que se concluiu vagarosamente, visto os poucos recursos, terminado em 1920 o pavilhão conta com dispensa e instalações sanitárias, e posteriormente foi construído um barracão para abrigar um forno e um tanque. A construção do pavilhão da administração foi iniciada em 1920 e terminou em 1923. Nesse período foram construídos uma horta, pomar e plantações de cereais, além do tanque de irrigação e ferramentas, somando a doações de alguns animais, medidas para o asilo obter um pouco de renda própria. Em 1920 o asilo começa a receber mendigos da cidade. Em 1921 é construída a caixa d’água e o muro, através de muito esforço e a ideia de se montar uma pequena produção de tijolos no local para tal fim. Em 1922 o nome foi modificado para “Asilo Padre Euclides”, onde a denominação “Lar Padre Euclides” passou a ser usada somente em 1979. Em 1925 foi inaugurada a Vila Operária Adalberto Roxo na Avenida Luis Barreto, formada por 10 casas duplas, cujo aluguéis eram revertidos para o asilo. Melhorias foram sendo construídas pelos funcionários e abrigados para manter o abrigo e obter renda, como um paiol, um galinheiro e um depósito. Em 1927 iniciou-se também o cultivo de flores e do bicho da seda, e também todos os melhoramentos para o funcionamento dessas atividades. Em 1930 iniciou-se a apicultura. Havia também uma oficina onde se desenvolvia atividades de carpintaria, ferraria, além de moinhos de fubá e café. A construção da Capela de Nossa Senhora iniciouse em 1930 e inaugurada em 1932, e ampliações foram feitas em 1952-1954. As quermesses realizadas no local ficaram famosas, obtendo boa renda. Em 1951 a diretoria do asilo opta por vender o terreno destinado ao cultivo de cereais, pois não estava gerando renda. A partir de alguns fatores, o lar foi mudando seu “tipo” de abrigados, onde por volta de 1970 destina-se a abrigar quase exclusivamente idosos / incapacitados e então mudanças de infraestrutura foram sendo feitas, como em 1971 o prédio que abrigava a carpintaria foi adaptado para enfermaria. Atualmente, cada idoso abrigado tem seu quarto e banheiro, cama, guarda-roupas e televisão, e eles recebem alimentação correta, higienização, além de atividades de recreação e aulas (de artesanato, por exemplo, onde o que é produzido é vendido na loja da instituição). Os abrigados que são aposentados ou pensionistas deixam 70% do seu salário para a entidade, mas quem não pode contribuir também é acolhido. Voluntários auxiliam nas atividades. O lar, desde o começo de seu funcionamento, tem capacidade para 100 pessoas, e durantes anos manteve níveis próximos a sua capacidade total, porém, atualmente não tem recursos para atender esse número, atendendo hoje cerca de 50 idosos. O abrigo enfrenta problemas financeiros e recentemente correu o risco de ter parte interditada por problemas na infraestrutura, reformas estão planejadas com verbas do governo.

Foto:http://s2.glbimg.com/i4vlU_ge6uvdrrvXHDrgHWdLn7o=/620x465/s.glbimg.com/jo/ g 1/f/original/2016/06/23/padre_euclides.jpg

10 172


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

Bem patrimonial (53) PRAÇA SANTO ANTONIO

9. IMAGENS

Patrimônio Urbano / Ambiental

2. LOCALIZAÇÃO Praça Sto. Antônio, s/n – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -1940 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO

Original / Atual: Espaço Público (Praça)

Razoável (porém, muita sujeira)

Observações: Não é tombada. 8. HISTÓRIA / VALOR

Foto:Arquivo Pessoal

Em 1936, a Câmara Municipal mandou desapropriar os terrenos necessários para a construção da Praça Santo Antônio, e sua construção data de aproximadamente 1940. Nessa praça se encontra um importante monumento à Padre Euclides e também um relógio. Atualmente, moradores reclamam da sujeira da praça. Eventos e atividades sociais são realizados constantemente no local.

10 173


Bem patrimonial (54) CLUBE PALESTRA ITÁLIA

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

9. IMAGENS

Patrimônio Arquitetônico - Uso Comercial / Prestação de Serviços / Clube

2. LOCALIZAÇÃO Rua Padre Euclides, 543 – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1917 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Clube Razoável Observações: Ainda não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR

Fundado em 1917, o clube foi iniciativa dos imigrantes italianos, seus filhos, e moradores das proximidades, ao formar um time de futebol. Amplo, o clube se tornou um polo atrativo, promovendo esporte e cultura na região, exercendo um valor muito importante no bairro. Em seu auge, chegou a ter 8.000 associados, porém, atualmente enfrenta um cenário de dificuldade e tenta se levantar de uma crise, causada por falta de sócios, através de melhorias físicas e investimentos nos esportes, como escolinhas de vôlei e basquete, além da escolinha de futebol.

]

Foto: http://s2.glbimg.com/_EB5i7OX8W3vU6C9MBD532cYeI=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2013/11/16/palestra_2.jp g

10 174


Bem patrimonial (55) ANTIGA CERÂMICA SÃO LUIZ

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

9. IMAGENS

Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural 2. LOCALIZAÇÃO

Rua Municipal, 32 (Marginal Via Norte) – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -1932 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Cerâmica Razoável-Ruim Atual: Hipermercado / Sede ONG VIVACIDADE Observações: Remanescentes do antigo prédio tombados: três chaminés, forno industrial, pórtico de entrada, rua interna de entrada, rua interna com calçamento em paralelepípedos, o conjunto de prédios formado pela antiga casa do caseiro e galpão contíguo, e as árvores existentes no entorno. Decreto n° 12, de 28 de janeiro de 2004, declara tombamento áreas envoltórias definidas por legislação estadual.

Foto: http://www.blogdogaleno.com.br/ribeirao/uploads/colunistas/vivacidade2.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR A Cerâmica São Luiz foi fundada em 1932, foi um símbolo do desenvolvimento do bairro, e de seu caráter operário. Funcionou até 1995. Em 2003 teve boa parte de suas instalações demolidas para a dar lugar a um hipermercado da rede Carrefour. Com o começo das demolições de um prédio que já estava em processo de tombamento, a obra foi embargada, porém a demolição continuou, Quatro das suas 7 chaminés foram demolidas, restando apenas 3. Restou também a antiga casa do caseiro e o portal de entrada, um forno industrial, um galpão contiguo, algumas árvores e parte do calçamento, que são resguardados por tombamento. Esses elementos têm acesso através do estacionamento do hipermercado. Atualmente o local é sede da ONG VIVACIDADE e tem uso cultural, sendo a proposta da ONG um centro de documentação e Foto:http://1.bp.blogspot.com/educação patrimonial. Vários eventos são ali promovidos para acarretar fundos para a revitalização do GtFizogFztc/VdOLOv0tLEI/AAAAAAAALwk/3YrTy4klvHI/s640/demoli.pn local, recentemente a biblioteca foi reinaugurada. O valor da cerâmica está sobretudo em sua história para g o bairro, além de ser um grande exemplo que a lei do tombamento não é suficiente para evitar danos aos bens patrimoniais, e um exemplo também que muitas pessoas se interessam por esse assunto e lutam por ele (ONG).

10 175


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (56) Tipologia ANTIGA SECRETARIA DA CULTURA DO BAIRRO Patrimônio Arquitetônico – Uso Órgãos Municipais – 2° DIST. DA POLÍCIA CIVIL – SEM USO 2. LOCALIZAÇÃO Praça Santo Antônio 68-88 – Campos Elíseos – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -- -Aprox. 450m² 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Sede da Secretaria da Cultura Razoável - Ruim Atual: Sem Uso Observações: Não é tombado.

9. IMAGENS

Foto: http://s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2012/06/19/2distrito1.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR

Foi sede da Secretaria da Cultura e depois do 2° Distrito da Polícia Civil até 2013. Atualmente o prédio está sem uso. Não foram encontradas maiores informações sobre.

Foto: http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/fotos/2012/06/fotos-depredios- historicos-mostram-passado-de-ribeirao-preto.html#F479895

10 176


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia ANTIGA FÁBRICA DE REFRIGERANTES DOURADINHA Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial 2. LOCALIZAÇÃO Rua Industrial, 3 – Ipiranga - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -Fábrica: 1953 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Ruim - Abandonado Original: Fábrica de Bebidas

9. IMAGENS

Bem patrimonial (57)

Foto:http://cervisiafilia.blogspot.com.br/

Atual: Sem Uso Observações: Tombada pelo CONPPAC. 8. HISTÓRIA / VALOR A bebida Douradinha foi produzida durantes as décadas de 50 a 90. A Fábrica que a produzia, chamada Santa Antônio, foi fundada em 1953, mas o refrigerante já era produzido há algum tempo. Gino Alpes era o dono, comprou as marcas e patentes da Comandos Douradinha de João Ferreira Ribeiro. A fábrica produzia, além da Douradinha, que era o principal produto, outros refrigerantes, além de cervejas e conhaques. A Douradinha fazia muito sucesso, ganhando do guaraná das outras fabricações como da Cervejaria Antarctica e Paulista. A sua grande diferença era a forma de ser produzida, com ingredientes mais naturais que as outras. No início, toda produção era manual e os aproximadamente 100 funcionários trabalhavam durante o dia e a noite. Além de tudo, a Douradinha também tinha propriedades medicinais, pois a essência do refrigerante era retirada das folhas da planta Douradinha e auxiliava no tratamento de doenças nos rins, a família Alpes era bastante procurada por isso também. Foto:http://www.blogdogaleno.com.br/ribeirao/uploads/noticias/capa/douradinha_4chzt Grandes tachos aquecidos a lenha faziam o cozimento do xarope. As garrafas eram fabricadas em outro local, na Fábrica Santa s 7li2jtkmyy3wec.jpg Marina, que depois de inspecionadas, seguiam para a linha de produção do refrigerante. Na fábrica eles tinham duas máquinas, uma para fazer a Douradinha e a outra, o guaraná, uma mangueira conduzia o xarope e a essência para a garrafa, e a outra conduzia a água já misturada ao gás. Colocava-se a tampa e seguia para outra vistoria. A produção foi encerrada em 1994, depois de 40 anos, em um período que a indústria de refrigerantes passava por processo de modernização, e na fábrica seria necessário muito investimento. Antes do encerramento, os refrigerantes ainda foram engarrafados em plástico “pet”. Gino Alpes vendeu suas patentes para a Refrescos Ipiranga, mas o negócio não durou muito tempo. Atualmente, o maquinário ainda está preservado pela família Alpes, que dizem haver muitas propostas para compra deste, das marcas e patentes ou para fazer parcerias, mas a grande procura é pela fórmula da Douradinha, mas esta é muito bem guardada. A fábrica faz parte da história do bairro Ipiranga e Vila Tibério, a família Alpes, sobretudo Gino Alpes, que faleceu em 2000, é bem lembrada por seu caráter social. A família conta com a possibilidade de transformar a antiga fábrica, patrimônio tombado do município, em um museu, mas não quer doar o imóvel para a prefeitura.

10 177


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto História e Evolução do Bairro

Como já mencionado, o Núcleo Colonial Antônio Prado surgiu da necessidade de novas áreas de expansão da vila de Ribeirão Preto, tem sua origem na divisão da fazenda do Ribeirão Preto Abaixo, em 1886, que deu origem a várias glebas que posteriormente divididas dariam origem ao núcleo, que teve sua inauguração em 1887.

O atual bairro Campos Elíseos constitui uma área muito importante para a história da cidade, uma vez que tem sua formação quando Ribeirão Preto ainda era uma vila. É um bairro grande, que se constituiu a partir do antigo Núcleo Colonial Antônio Prado e do bairro do Retiro. Mais especificadamente, segundo SILVA (2006), o Campos Elíseos se originou da terceira seção do núcleo colonial, que foi uma das primeiras a se desenvolver, em 1887. Devido à proximidade das casas que constituíam o bairro Retiro, nas margens do córrego, próximo a área central, este foi incorporado, expandindo o bairro.

Deve-se ressaltar que, de acordo com SILVA (2006) o núcleo teve duas fases: a agrícola até a década de 1920 e, posteriormente, a industrial. Na fase agrícola os lotes serviam como chácaras abastecidas pelos rios em que os agricultores se aproveitavam dos trilhos da Mojiana para o escoamento do café. SILVA (2006) afirma que o núcleo foi dividido em 200 lotes, e estes foram dispostos em cinco partes, formando quatro seções 57 e a sede. Pela área situava-se o córrego Ribeirão Preto e também já os trilhos da Mojiana, além da estrada para Batatais, e uma via de acesso para o centro, que constituíram as barreiras entre uma seção e outra.

A partir da imagem 53, pode-se entender melhor essa configuração, a terceira seção corresponde a área marcada em azul, e a área do bairro Retiro faz limite com esta, e se liga ao centro.

Figura 53 - Recorte – Mapa Seções do Núcleo Colonial Antônio Prado 56

“Não existem registros específicos – nem acadêmicos, nem de memória oral – sobre quando houve a mudança do nome do bairro para Campos Elíseos. O que a história nos permite considerar é que o nome faça referência ao perfil do bairro a partir da presença do Cemitério da Saudade, da Sociedade Beneficente Santa Casa de Misericórdia e da proposta de higienização para proteção da saúde dos moradores.” (Relatório fase I do inventário de bens culturais, 2010, p.57)

A via de acesso entre a terceira seção e o centro da cidade era a antiga rua Saldanha Marinho, atual Av. da Saudade. Cabe ressaltar que chamavam as terras da terceira sessão de Barracão de Baixo, pois ali havia se instalado para servir de estadia temporária para os imigrantes que chegavam ao bairro. Utilizam o termo “de baixo” para diferenciar do Barracão de Cima, a famosa Estação Barracão (um bem patrimonial que como muitos outros já mencionado está abandonado) Figura 53 - Recorte – Mapa Seções do Núcleo Colonial Antônio Prado – Fonte: SILVA (2006) 57 Ainda segundo a autora, a terceira seção que deu origem a maior parte do bairro em questão foi formada, ao todo, por 22 lotes, retangulares, de aproximadamente 520 metros de largura e 220 de comprimento. 56

178 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto que ficava na primeira sessão, esta que daria origem ao bairro Ipiranga. (SILVA, 2010) De acordo com SILVA (2006), conforme a área central foi se consolidando como território de elite, qualquer agente passivo de contaminação deveria ser eliminado dali, e por isso em, 1888 o cemitério da Saudade foi construído no atual Campos Elíseos. Posteriormente, em 1897, o hospital de isolamento de leprosos. A maioria dos moradores do núcleo eram imigrantes que vinham para servir de mão-de-obra na produção de café, em sua fase agrícola. Porém, no mesmo período também foram identificados muitos estabelecimentos comerciais, olarias, depósitos comerciais do ramo da construção civil, pequenas industriais alimentícias e de produtos de primeira necessidade, sendo algum destes de maior alcance – regional – como a Fábrica de Cerveja Bertoldi, cujo edifício considerado como um bem patrimonial, também se encontra abandonado, no bairro Campos Elíseos. Segundo SILVA (2006), a partir de 1893, a maioria dos colonos proprietários de lotes do Núcleo já haviam saudado suas dívidas, o que possibilitou sua emancipação, e a partir daí observam-se as primeiras divisões dos grandes lotes iniciais da terceira seção, que foi a se urbanizou mais rapidamente. E após a década de 20 esses loteamentos aumentam muito. Os loteamentos apenas deveriam cumprir o código de postura, seguindo os alinhamentos das ruas projetadas para o núcleo, que em uma versão mais antiga de 1902 deveriam respeitar

a largura das ruas de no mínimo 16m e as avenidas mínimo de 22,5m, conservando seus prolongamentos e as praças e largos deveriam ser de preferência quadradas/simétricas; em um código mais novo, de 1921 as ruas deveriam ter no ter 13m, com exceção das Av. da Saudade e Capitão Salomão, que tinham 20m, e a Rua Luiz Barreto com 16m. Vale ressaltar que como haviam poucas restrições, a divisão de muito lotes resultava em algumas travessas e ruas sem saída, que são características do bairro atualmente, prevalecendo algumas, que não foram incorporadas pelas quadras. Essas divisões deram origem a várias vilas, como a Vila Giroldo (1915), Vila Dr. Luiz Pereira Barreto e Vila Schmidt (1925), Vila Operária (1925), Vila Santa Irene (1928), Vila Matarazzo (1940), Vila Brússolo, dentre outras. Pode-se dizer que os órgãos religiosos tentavam acompanhar o crescimento de cidade, e como marco muito importante no bairro e para a cidade, por volta de um pouco antes de 1902, foi erguido o primeiro templo religioso de Ribeirão Preto, em louvor a Santo Antônio. A Capela Santo Antônio dos Pobres foi inaugurada em 1903, erguida com o auxílio dos imigrantes, na atual Av. da Saudade (SILVA, 2010), um bem patrimonial que resistiu ao tempo, podendo dizer que devido seu uso religioso. Com a expansão populacional do bairro, houve a necessidade de se construir a Igreja de Santo Antônio. As obras foram de 1922 a 1934, quando foi inaugurada, na rua Paraíba. O salão paroquial foi construído ao lado, para servir de auxilio e moradia dos padres. Em 1947 houve o pedido de se criar ali a paróquia Santo Antônio de Pádua, o que foi atendido e em 1952 foi

179 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto erigida, a igreja construída passou a ser a matriz da paróquia, ainda presente nos dias atuais. Entre esse período mencionado, também coube a Igreja Católica, a criação de meios sociais, e 1920 foi inaugurado o “Asilo de Mendicidade”, em um terreno doado pela prefeitura em frente ao cemitério da Saudade. Esse asilo abrigava mendigos da cidade, e em 1979 teve seu nome alterado para “Lar Padre Euclides”. (SILVA, 2910). Bem patrimonial destacado no bairro, que ainda funciona e pode-se classificar como preservado. Contudo, nesse período, e desde finais do século XIX, no Campos Elíseos já se desenvolviam ações sociais, evidenciadas pela construção da “Casa de Misericórdia”, que entrou em funcionamento em 1910 e foi denominada “Santa Casa de Misericórdia”. Como outros marcos da área estão o Clube Palestra Itália, que foi legalizado em 1917 e a Escola Profissional Mista, de 1922. A Cia Electro-Metalúrgica Brasileira, do mesmo ano, contribuiu para o eixo de expansão rumo a zona norte da cidade, passando pelo bairro. Seu dono interferiu na instalação da Companhia de Estrada de Ferro São Paulo-Minas, pois Ribeirão Preto não tinha minério e era preciso buscar em outras terras. Contudo, a estação da companhia foi erguida no bairro, e trabalhadores vieram a morar ao seu redor. Seu antigo imóvel se encontra como bem patrimonial, em situação de degradação. Abrindo agora uns parênteses na história desses marcos do

bairro, no meio de uma construção e outra, mais necessariamente a ampliação destas, sabe-se que estas foram necessárias devido ao crescimento populacional do bairro, e uma das principais razões para tal fato foi a transição do núcleo colonial de sua “fase agrícola” para sua “ fase industrial”. A partir da década de 20 os loteamentos das terras do núcleo começam a aumentar, e a razão disso está no fato da quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929, que provoca um declínio nas exportações de café, fato que leva os proprietários, que muitos até então, utilizavam os seus lotes apenas para chácaras de produção de café, a tentar driblar a crise, dividindo suas terras e comercializandoas em pequenos lotes. Também como já dito, Ribeirão Preto conseguiu contornar essa crise pois já estava bem estruturado em outras atividades, principalmente no ramo comercial, e então continuava a chamar investimentos. Tanto que entre a década de 30 e 40, importantes indústrias vieram se instalar na cidade. Uma das importantes empresas que se constituíram no bairro foram as Indústrias Matarazzo, que segundo Vichnewski (2010), chegaram em Ribeirão Preto por volta 1935, com uma instalação no centro da cidade. E em 1945-1951 constroem no Campos Elíseos, três galpões e anexos para a tecelagem. Vale ressaltar que esses galpões são um dos principais bens patrimoniais da cidade, e se encontram em estado de ruína, depreciando o bairro ao invés de constituir um ícone positivo.

180 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Outras duas empresas também importantes foram instaladas no bairro: o Frigorífico Morandi (1946) e a Cerâmica São Luiz (1948). As duas localizavam-se na rua Industrial. E cabe a tristeza e a lacuna na história que surgiram pela perda desses edifícios.

Atualmente, o bairro é autônomo, possuindo comércio com lojas de grandes redes nacionais, agências bancárias de todos os bancos brasileiros, pequenas industrias, unidades de saúde, escolas, entre outros. E continua visto como antes, um bairro onde se pode morar, trabalhar e conviver.

Essa fase industrial foi responsável por uma grande expansão daquela área, onde com a queda do café, a mão-de-obra foi absorvida pela indústria, e o bairro pôde se manter.

Atualmente – Análise Geral Contudo, pode-se dizer que o Campos Elíseos, mantém seu uso misto característico dos seus primórdios quando ainda fazia parte do núcleo colonial, que foi marcado pela diversidade de ocupações, mesclando atividades comerciais, pequenas indústrias e agricultura. (Relatório da fase I do inventário de bens patrimoniais, 2010). Apesar de não haver um plano viário de fato que organizasse-o e ordenasse melhor seu crescimento, o seu caráter misto atraiu a população e fez com o bairro se desenvolvesse primeiro que outras áreas da cidade, que tinha foco apenas em uma área, mesmo atualmente. Cabe ressaltar que essa área, assim como as demais originais do núcleo, foram sendo ocupadas sem uma lei que previa a destinação de áreas verdes, por isso há a carência destas. E seu traçado seguiu o comum “tabuleiro de xadrez”.

181 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.3.4 ÁREA DE ESTUDO - ÁREA 04 – VILA TIBÉRIO Delimitação da área O recorte da área 04, compreende o bairro Vila Tibério em quase sua totalidade, excluindo uma pequena parte que não se encontrava nenhum bem patrimonial remanescente. Apesar da área da Vila Virginia, já apresentada, já ter incorporado a Av. do Café, optou-se por também englobá-la nessa área, visto que ela é o limite entre os dois bairros. Essa área será representada pelo mapa 08, o qual além de localizar os bens, também apresenta fotos de alguns para uma melhor identificação.

Antarctica, que depois de tanto sofrer com o tempo, agora sofre com uma obra que, talvez, não seja compatível ao seu uso, um Shopping, por isso, retomando muito do que foi dito nas referências teóricas, é preciso intervir de maneira cuidadosa, não se pode exigir mais do que um edifício permita, pois isso o prejudica e prejudica direto a memória que ele preserva.

Os principais acessos e limites ao bairro é, a Av. do Café, Av. Jerônimo Gonçalves, Av. Fábio Barreto, e Av. Antônio e Helena Zerrener. Devido ao rápido desenvolvimento dessa área, assim que a fazenda de que ela deriva foi loteada, por seus bons preços e proximidade da área central, muitas pessoas ali se instalaram, inclusive fábricas e pequenas produções de bens de primeiras necessidades, o que ocasionou a um bom volume de bens patrimoniais que contam essa história. Alguns destes remanescentes se encontram sem uso e abandonados, por isso necessitam de uma rápida intervenção, para que não se percam. 58 Mapa

Contudo pode-se ressaltar o caso da antiga Cervejaria

8 - Área 04 – Vila Tibério. (Fontes > Base: Google Earth. Dados: Relatório da Fase I do Inventário de Bens Culturais de Ribeirão Preto / Google Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas)

182 10


61

63

64

68

66 59

72 73

74

58

68 60

71 59 67

65

61

69 63

65

62 64 70 73

65

62

Mapa 8– Área 04 – Vila Tibério 58


FICHAS – BENS PATRIMONIAIS – Vila Tibério

10 185


Bem patrimonial (58) ESCOLA ESTADUAL SINHÁ JUNQUEIRA

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

9. IMAGENS

Patrimônio Arquitetônico – Uso Educacional 2. LOCALIZAÇÃO

Rua Conselheiro Dantas, 358 – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. Arquiteto / Engenheiro

3. CONSTRUÇÃO Data 1919

Área - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Escola Conservação Razoável Atual: Escola

Maruo Álvaro

Observações: Imóvel tombado pelo CONDEPHAAT, através da Resolução SC 60 de 21/07/2010. Livro do Tombo Histórico com a inscrição n° 377, p. 103 a 110, de 05/09/2011. 8. HISTÓRIA / VALOR Inaugurada em 1919, a Escola Estadual Sinhá Junqueira oferece ensino fundamental – anos iniciais. Também faz parte do conjunto de escolas públicas construídas pelo Estado de São Paulo entre 1890 e 1930, com a intenção da promoção do ensino básico e a formação de professores pelo interior e capital do Foto: http://cdn.olhares.pt/client/files/foto/big/563/5637102.jpg Estado. É representante da estruturação racional e adequada ao programa pedagógico do interior e capital do Estado de São Paulo. Possui técnica construtiva simples, com o uso de alvenaria de tijolos e uma linguagem estilística simples. A organização espacial foi concebida seguindo os conceitos e recomendações de higiene e ventilação que se formaram desde o séc. XIX. O programa pedagógico distribuía as salas de aula ao longo de eixos de circulação em plantas simétricas. Atualmente a escola atende por volta de 850 alunos e conta com 30 salas de aulas, sala de diretoria, sala de professores, laboratório de informática, quadra de esportes coberta, quadra de esportes descoberta, cozinha e refeitório, sala de leitura, banheiros adaptados à alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, sala de secretaria, refeitório, despensa, almoxarifado, pátio coberto, pátio descoberto e área verde.

10 186


Bem patrimonial (59) IGREJA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

9. IMAGENS

Patrimônio Arquitetônico – Uso Religioso

2. LOCALIZAÇÃO Rua Martinico Prado, 599 – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -Paróquia:1914 - -Igreja:1918-1919 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original/ Atual: Igreja Bom Observações: Tombada pelo CONPPAC. 8. HISTÓRIA / VALOR A Paróquia de nossa Senhora do Rosário foi criada em 1914, por decreto de Dom Alberto José Gonçalves, primeiro bispo da Diocese de Rib. Preto. Em setembro de 1917 a Paróquia passou às mãos dos Missionário Filhos do Imaculado Coração de Maria, sendo um dos responsáveis o Pe. Valdomiro Ciriza, que muito trabalhou para juntar fieis e recursos para a igreja, ele aumentou a religiosidade e a frequência aos santos sacramentos por muitas pessoas antes abandonadas, atendendo os colonos das fazendas e operários do bairro. Com o aumento dos fiéis, era necessário uma nova igreja, maior e mais cômoda, o projeto da nova matriz surgiu, e as atividades mudaram para um endereço provisório enquanto ela era erguida. A construção da matriz iniciou-se em agosto de 1918 e foi construída rapidamente em 16 meses, sendo inaugurada em dezembro de 1919, ainda sem os acabamentos finais que foram se completando nos anos seguintes. Uma igreja de estilo neogótico, com riqueza de detalhes. A casa paroquial foi erguida ao lado da igreja e mais obras foram completando a organização da paróquia, nos anos seguintes. A paróquia realizava inúmeras atividades sociais através das suas associações, ajudando o bairro Vila Tibério e também os demais. Em 2002, a matriz de Nossa Senhora do Rosário foi elevada à categoria de Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora do Rosário. Em 2004, foi consagrada ao Imaculado Coração de Maria. Atualmente, com quase 100 anos, a igreja realiza diversas atividades religiosas, entre missas, batizados, confissões, casamentos, etc., e é um bem religioso importantíssimo para o bairro e para toda cidade.

Foto:http://www.osmair.com.br/admin/upload/textos/santuario%20ribeir%C3%A3o%20p reto.jpg

10 187


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (60) Tipologia PRAÇA CORAÇÃO DE MARIA Patrimônio Urbano / Ambiental 2. LOCALIZAÇÃO Rua Martinico Prado / Rua Cel. Luiz da Cunha – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -Final sec. XIX 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável Original / Atual: Espaço Público (Praça)

9. IMAGENS

Observações: Tombada pelo CONPPAC em 2014. 8. HISTÓRIA / VALOR

A praça Coração de Maria foi construída no final do século XIX e é um ponto de referência do bairro. Ao seu redor, concentram grande parte da diversidade arquitetônica, econômica (comércio/serviços) e cultural da Vila Tibério, fazendo essa região ser muito representativa para compor um panorama do bairro em geral, a partir das suas características locais. À sua frente localiza-se a Igreja Nossa Senhora do Rosário, e ao lado a E.E. Sinhá Junqueira. Algumas atividades são desenvolvidas ali, como no carnaval, há ali a concentração do Bloco da Vila.

Foto: http://static.panoramio.com/photos/large/38054541.jpg

10 188


Bem patrimonial (61) ANTIGA CERVEJARIA ANTARCTICA

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

9. IMAGENS

Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial

2. LOCALIZAÇÃO Avenida Jerônimo Gonçalves/ Av. Fábio Barreto/ Rua Cel. Luiz da Cunha – Vila Tibério - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Eng. Oscar Terreri foi um dos responsáveis por 1911 35.000m² / Terreno parte da obra. de 52.000m² 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Foto: http://emc.acidadeon.com/dbimagens/66dbc6cc-a092-4ca18558a89124ea113d.jpg Abandonado / Péssimo estado de conservação / Início Original: Fábrica de cervejas das obras para a construção do Shopping Buriti. Atual: Sem Uso / Obras Observações: Tombada pelo CONPPAC em 2012. 8. HISTÓRIA / VALOR Construída em 1911, instalada em frente a Av. Jerônimo Gonçalves, no fim da área central e início da Vila Tibério. Pode-se dizer que foi o marco inicial, mais importante, da industrialização na cidade. Era considerada uma das fábricas de cerveja mais importantes do país. A Cervejaria produziu muitas marcas famosas, e foi essencial para a modernização da cidade, gerando emprego (mais de 1.600 funcionários fazem parte de sua história) e especializando mão-de-obra, impulsionando melhorias para sua localidade e seu crescimento, além de puxar investimentos depois da crise do café depois da década de 20. Em 1973 fundiu-se com sua concorrente a Cervejaria Paulista, transformando- se em Cia Antarctica Paulista, com denominação da fábrica de Cervejaria Antarctica Niger. No ano 2000, essa cervejaria se fundiu com a Brahma, formando a Ambev, quinta maior cervejaria do mundo, mas para que isso fosse possível foi preciso vender algumas marcas e fábricas para a cervejaria canadense Molson, e então a fábrica de Rib. Preto foi vendida em 2001 e desativada em 2002/2003, porque a necessária modernização do seu maquinário seria muito onerosa, e suas instalações ficaram abandonadas desde então. Atualmente há um projeto para se construir o Shopping Buriti ali, que já tem aprovação do CONPPAC e as obras já foram iniciadas em 2015. O projeto do shopping conta com lojas, restaurantes, salas de cinema e deve empregar, depois de inaugurado, três mil pessoas. Parte da construção original será preservada, um edifício comercial de três pavimentos de 270m², uma edificação de 870m² onde eram feitos o beneficiamento do algodão e o depósito dos cereais, a caixa d’água de 20m de altura e 4 de diâmetro, o antigo núcleo da fábrica de 4.000m², além de elementos como volumetria das fachadas, incluindo caixilharias, esquadrias, cornijas e outros. Também está prevista a instalação do Memorial da Antarctica. A data de previsão para a obra era o final de 2017. O valor do local está na sua história, na sua arquitetura e no que ela representa para Ribeirão Preto, os prédios que o CONPPAC exige a preservação são os considerados representativos, com as suas fachadas de um rigor geométrico rigoroso, a caixa d’água, alta, considerada um símbolo da fábrica. Ela está na memória da cidade e de seus moradores, um novo projeto para o local é esperado há algum tempo, que faça uma ponte entre passado e futuro, Foto: http://emc.acidadeon.com/dbimagens/ae43ec91-0b92-47farespeitando a história e dando continuidade a ela.

955d- 742640fcef69.jpg

10 189


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (62) Tipologia PRAÇA FRANCISCO SCHIMIDT - LOCOMOTIVA Patrimônio Urbano / Ambiental 2. LOCALIZAÇÃO Av. Jerônimo Gonçalves/ Rua Martinico Prado / Rua Cel. Luiz da Cunha – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -1901 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Ruim Original: Largo da Estação Atual: Espaço Público (Praça) Observações: Não é tombada.

9. IMAGENS

Foto: http://f.i.uol.com.br/fotografia/2012/08/07/176666-370x270-1.jpeg

8. HISTÓRIA / VALOR

Entre os anos de 1884 e 1900 o local, atualmente ocupado pela Praça Schmidt, era conhecido como Largo da Estação ou Praça da Estação, em função da presença da estação ferroviária da Companhia Mogiana no trecho onde hoje se encontram as ruas General Osório e Martinico Prado. Em 1900, houve uma indicação de um vereador para a construção de uma praça nesse local, em homenagem ao Cel. Francisco Schmidt. Figura muito importante na história de Rib. Preto, um migrante alemão que chegou no Brasil em 1858, ainda criança, comprou sua primeira fazenda em Sta. Rita do Passa Quatro, em 1888, e em 1890 adquiriu a fazenda Monte Alegre, em Ribeirão Preto, que seria o centro administrativo dos seus negócios, que totalizavam 69 fazendas espalhadas por municípios, com o cultivo de café. Foi também membro da política da cidade, sendo presidente da Câmara Municipal, se desiludiu com esse cenário, mudou-se para São Paulo, onde falece em 1924, sendo sua fazenda desapropriada pelo governo mais tarde, dando lugar ao Campus da USP). O terreno indicado para a construção da praça abrangia a Praça da Estação da Cia Mogiana e os terrenos entre esta, a Av. Jerônimo Gonçalves, as ruas São Sebastião, General Osório e Duque de Caxias. A indicação foi aceita e a construção da praça se iniciou em 1901, quando foi aterrada e construíram os parapeitos ao lado do córrego, realizados pela Cia. Mogiana através de um convenio com a Câmara Municipal. Com o passar do tempo mais obras foram feitas, em 1923 foi feito o calçamento com paralelepípedos e no paredão do Ribeirão Preto. Em relatórios de 1925 há registros de que a praça foi “transformada em um parque com soberbo gramado e esplendidos passeios de mosaicos de cor, instaladas artísticas balaustradas de cimento e esbeltos suportes de ferro que sustentam belos globos de luz elétrica", e ainda nesse ano há referência sobre o embelezamento e a construção de uma pequena casa que teria instalado um sanitário e uma bomba para irrigação da praça. Em setembro de 1927 foi inaugurado o busto de Francisco Schmidt no local. Em relatório de 1928 apresenta que a praça foi reformada, os canteiros foram reformados, foram colocados bancos e um chafariz com água potável. Na praça também se encontra a Locomotiva “Phantom”, em estrutura metálica, de 1912, doada para o município pelas empresas Matarazzo. Ao lado da UBDS Central e próximo a rodoviária, atualmente o local está em condições ruins, sendo uma das praças mais frequentadas por usuários de drogas, onde os maiores problemas são a segurança, limpeza, assistência social, iluminação, cultura e meio ambiente. Ali acontecem assaltos frequentes, afastando a população. Em 2006, o busto do monumento em homenagem a Francisco Schimidt foi roubado e já foram constatadoscasos de pessoasutilizandoa Locomotiva para usar drogas, ou como dormitório, devido a isso e ação do tempo, a locomotiva teve que passar por obrasde restauro.

Foto: http://www.revide.com.br/media//upload/tinymce/IMG_0290ok.jpg

10 190


Bem patrimonial (63) SOCIEDADE AMIGA DOS POBRES DE RIB. PRETO – ANTIGO ALBUERGUE NOTURNO

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Órgãos Municipais - Sociais

9. IMAGENS

2. LOCALIZAÇÃO Rua Castro Alves, 477 – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -1905 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Assistência Social - Albergue Razoável Atual: Assistência Social e Centro Educacional Observações: Não é tombada. 8. HISTÓRIA / VALOR Foi construído em 1905, por iniciativa de Antônio Ribeiro Resende e um grupo de funcionários da Cia Mogiana de Estradas de Ferro e líderes comunitários, com o intuito de alojar os imigrantes que pretendiam seguir viagem, mas devido ao horário de trens precisavam posar na estação por um dia ou mais. Para evitar que famílias inteiras posassem na estação, criaram o Albergue, e por muito tempo investiram no local dando manutenção. O albergue atendia também pessoas carentes, oferecendo abrigo e refeições. Funcionou como albergue até a década de 60, após esse período, o prédio abrigou uma creche e uma escola de primeiro grau. Atualmente, seguiu o caráter educacional, contando com a parceria da prefeitura municipal, vem realizando diversos cursos profissionalizantes e oficinas abertos à comunidade. Em 2003, alterou sua denominação para Associação Amiga dos pobres mantenedora do Centro Educacional “Castro Alves”. Em 2015 completou 110 anos de sua fundação, e tem um grande valor para o bairro, reforçando seu alto índice de assistência social, e para toda cidade, fazendo parte da história de Rib. Preto e também da atualidade.

Foto: Google Maps - Street View – Earth

10 191


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Órgãos Municipais – Sociais – Associações 2. LOCALIZAÇÃO Rua Conselheiro Dantas, 984 – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Área Construída: 6.642m² - -Aprox. 1932

9. IMAGENS

Bem patrimonial (64) LAR / ORFANATO SANTANA

Terreno: Aprox. 8.000m²

Pública Privada X Mista Outra

4.PROPRIEDADE Patrimônio mundial Federal/ individual Federal/ conjunto Estadual/ individual 6. USOS

5.PROTEÇÃO EXISTENTE Estadual/ conjunto Municipal/ individual Municipal/ conjunto Entorno de bem protegido 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Ruim

Original: Assistência Social Atual: Sem Uso - Desativado Observações: Em processo de tombamento pelo CONPPAC. (2015)

Foto:http://www.irmaclarafietz.com.br/livro_fic/casas_fic/imagens/ribeirao/lar_santanap.j pg

8. HISTÓRIA / VALOR O prédio data de 1932, funcionando como Colégio Santana, um colégio mantido por religiosas austríacas e que teve adesão da grande comunidade alemã presente no bairro, na época. Foi construído em um terreno doado por um membro de uma importante família de cafeicultores. O Colégio passou por dificuldades financeiras ao longo da década de 1930, pois enfrentou concorrência com outros colégios da cidade, então pensou-se em sua conversão a um orfanato que atendesse meninas órfãs e pobres do município. Foi inaugurado em 1948 como Lar Santana (Orfanato) era mantido pela Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição (FIC), que tem sede em Araraquara. Em Ribeirão Preto a direção é exercida por três irmãs já idosas que têm dificuldades para manter os trabalhos. Conta com 6.642m² além de área externa com plantação e criação de aves. Criado para atender crianças carentes da periferia da cidade, foi um orfanato e instituição de ensino. Foi o cenário da prisão da madre Maurina Borges da Silveira no período da ditadura militar, em 1969, sob suspeita de ceder algumas salas para que os militantes de esquerda se abrigassem, realizassem reuniões e produzissem impressos. Atualmente está desativado. Os motivos para o fechamento do local foram que as irmãs já idosas tinham dificuldades para manter os trabalhos. A falta de meninas para a vocação religiosa também foi um dos maiores fatores, pois não havia quem ajudasse no trabalho, o local também foi considerado muito grande para somente 40 crianças (entre 6-14 anos, no contra turno escolar), que atendia na data do seu fechamento, além de seus inúmeros problemas de infraestrutura. Há falta de acessibilidade para deficientes físicos, goteiras, há fissuras e rachaduras nas paredes, e até problemas estruturais. Além da falta de segurança do local. Outro fator foi que o lar perdeu o principal sentido da obra franciscana que era acolher os mais pobres, pois na época de seu fechamento, estava atendendo crianças da região central, e não da periferia. O lar funcionou por mais de 80 anos e foi desativado em dezembro de 2014. Não foram encontradas notícias sobre compradores, porém está em processo de tombamento e a prefeitura tenta permuta com a Ordem das Irmãs Franciscanas para que o prédio possa ser utilizado pelo arquivo público e histórico de Rib. Preto ou pela instalação do Museu da Imagem e do Som. Além do potencial arquitetônico, possui um potencial histórico que faz parte da comunidade da Vila Tibério, além de fazer parte da história da resistência à ditadura militar no país.

Foto: http://www.jornaldavilatiberio.com.br/img/noticias/LarZSantanaZFBraga.jpg

10 192


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (65) Tipologia SOCIEDADE ESPÍRITA ALLAN KARDEC Patrimônio Arquitetônico – Uso Órgãos Municipais – Sociais – Associações – Centros 2. LOCALIZAÇÃO Rua Monte Alverne, 667– Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -Fundação: 01/1944 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: - - Bom Atual: Centro Espírita

9. IMAGENS

Observações: Não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR

A Sociedade Espirita Allan Kardec foi fundada em 01/01/1944 e trabalha com questões espirituais e educacionais, auxiliando na formação do caráter de seus frequentadores. Ali são realizados trabalhos como o Narcóticos Anônimos, Atendimento Fraterno, entre outros. A sua missão é multiplicar a aumentar as oportunidades de doação ao próximo, ampliando as condições de crescimento espiritual e material. Oferecem atendimento todos os dias da semana, em horários programados. Não foram encontradas maiores informações sobre a história do local.

Foto: http://static.panoramio.com/photos/large/38777852.jpg

10 193


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (66) Tipologia QUADRILATERO FORMADO PELAS RUAS LUIS DA CUNHA / ÁLVARES DE AZEVEDO / Patrimônio Urbano AUGUSTO SEVERO / AV. ZERRENER 2. LOCALIZAÇÃO Rua Luís da Cunha / Álvares de Azevedo / Augusto Severo / Av. Zerrener – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Toda extensão do - -- --

9. IMAGENS

perímetro

4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável Original / Atual: Espaço Público – Vias, quadras. Observações: Não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR Foto: Google Maps - Street View – Earth

Não foram encontradas maiores informações sobre o perímetro, somente que possui valor histórico e arquitetônico, sobretudo por suas características urbanas originais estarem bem preservadas.

10 194


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Órgãos Municipais – Sociais – Associações – Centros 2. LOCALIZAÇÃO Rua Rodrigues Alves, 588– Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -1930 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Centro Espírita Razoável

9. IMAGENS

Bem patrimonial (67) CENTRO ESPÍRITA BARTUÍRA

Observações: Não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR Fundado em julho de 1930. Originou-se de um grupo de pessoas denominado “Corrente Batuyra”, que se reunia semanalmente, em sessão mediúnica, em que eram orientados na doutrina e estimulados aos estudos e a prática no dia-a-dia. Foi uma época difícil, visto que os padres católicos faziam campanha contra o espiritismo. Na década de trinta, iniciaram duas reuniões de estudo, uma para adultos e uma para crianças, tendo a última crescido bastante, abrangendo quase cem crianças. Com o passar dos anos, livros foram sendo escritos ali, e a sociedade espírita cresceu em entendimento, trabalho e união. Ali era instala uma gráfica que desenvolvia compromissos normais de comércio, mas reservava parte da receita para a divulgação da doutrina espírita, através da impressão de mensagens, Foto: http://cebatuira.org.br/images/centro/ceb-fachada.jpg que enviava gratuitamente a casas espiritas. A gráfica acabou sendo desativada por falta de verba para modernização. Com a venda dos equipamentos e materiais, a diretoria resolveu destinar o capital arrecadado para o uso exclusivo da divulgação espirita, foi quando adaptaram uma sala que dava para a rua, para a instalação da Livraria / Biblioteca Espírita Batuíra, montada toda em madeira, inaugurada em janeiro de 1992, com 992 unidades (representando 352 títulos) com os mais representativos livros do espiritismo. Atualmente a livraria já conta com 1130 títulos e fica aberta todos os dias da semana nos horários que o centro também está aberto. Além da livraria, atualmente o centro desenvolve várias atividades para diferentes faixas etárias como estudos da doutrina, do evangélico, passes, atendimento fraterno, escola de pais, reuniões mediúnicas, pronto-socorro espiritual, bazar, grupo de costura, distribuição de cestas básicas, tarde da pizza, coral, distribuição de enxovais para gestantes, musicalização infantil.

10 195


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (68) Tipologia ANTIGO CINE VITÓRIA Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural 2. LOCALIZAÇÃO Rua Luiz da Cunha / Frente Praça Coração de Maria – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -Dec. 1960 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto X Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Cinema / Aptos Ruim Atual: Sem Uso

9. IMAGENS

Observações: Não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR

O cine Vitória foi construído na década de 1960, por um político candidato na época, que colocou o nome de vitória pois achava que iria ganhar as eleições, porém isso não ocorreu. Cinema em baixo e aptos em cima. O Cinema fica em frente à praça Coração de Maria, qual caracterizava uma grande área de lazer, um espaço público importante para o bairro, nas décadas de 60 e 70. Funcionou como cinema até aprox. 1975/1976 e suas características originais não sofreram muitas alterações. O prédio abrigou também uma igreja e atualmente, a parte do cinema está fechada, mas os aptos, aparentemente estão em uso. Não foram encontradas informações sobre proprietários.

Foto: Google Maps - Street View – Earth

10 196


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico - Uso Comercial / Prestação de Serviços / Clube 2. LOCALIZAÇÃO Rua Gonçalves Dias, 470 – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Escola: até 1932 / Transformação em - -+2.000m² Sede do Clube: 2007 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Escola Alemã Razoável - Bom Atual: Sede de torcida

9. IMAGENS

Bem patrimonial (69) ANTIGA ESCOLA ALEMÃ – ATUAL SEDE DO BOTAFOGO

Observações: Não é tombado. (Indicação do Arquivo Público e Histórico)

Foto: Google Maps - Street View – Earth

8. HISTÓRIA / VALOR Não foram encontradas informações precisas da data da construção do prédio. As Irmãs Franciscanas, de origem austríaca, chegaram na cidade em abril de 1926, e em abril de 1927 a Diretoria Geral de Instrução Pública (antigo órgão de administração escolar) autorizou o funcionamento do Colégio Coração de Maria sob a administração das religiosas. Este imóvel foi alugado então para abrigar a escola, que oferecia cursos nível pré-primário e primário, atendendo a 57 crianças no primeiro mês, mas pouco tempo depois já contavam com 140 matrículas. Parte do sucesso da escola se deu pela grande comunidade alemã que vivia em Rib. Preto e que passou a frequentar o colégio por afinidade linguística e cultural. Como o número de alunos aumentou, a escola teve que mudar para um local maior, e foi quando foi construído o Lar Santana. Após esse período não foram encontradas informações sobre os usos do local, somente quando se transformou em sede da torcida fiel força tricolor, do botafogo. O botafogo futebol clube foi criado em 1918, e construiu seu primeiro estádio no bairro, que foi importantíssimo para seu desenvolvimento da Vila Tibério. Mesmo após a desativação do estádio no bairro em 1968, o bairro ficou com muitos torcedores do time, o botafogo faz parte da identidade do bairro e vice e versa, por isso, quando a torcida fiel força tricolor foi criada, a sua sede foi localizada na região. A torcida foi criada em 1992, por torcedores de outro bairro, exintegrantes de outras torcidas do botafogo, e com o fim dessas mais antigas, ela se tornou a única. A torcida teve uma ascensão meteórica, arrecadando muitos recursos nos primeiros anos, e teve uma crise em 1995-2001 devido a proibição de torcidas organizadas. Em 2002 foi inaugurada a primeira sede da torcida organizada, no centro da cidade, mas a torcida se estabilizou somente em 2005. Em 2007 conseguiu uma parceria com o time e a transferência para uma sede melhor, voltando ao seu auge. A sede atual é uma das maiores e mais bem equipadas do Brasil, utilizando todos os espaços do prédio, contando com esportes e atividades de lazer para toda comunidade botafoguense, quadra de esportes, boutique, 3 vestiários, 6 salas de mesa de sinuca, sala de jogos, salão de festas, área de churrasco, bar, secretaria, e toda infraestrutura e equipamentos necessários. Funciona de terça à sábado e todos os dias de jogo do botafogo. Promove eventos ao longo do ano para arrecadar recursos para manter seus projetos, como campeonatos, festa junina, festa de carnaval, feijoadas, confraternizações, etc. Além de promover campanhas solidárias e projetos sociais, como arrecadação e doação de agasalhos e alimentos, a escolinha de futebol para crianças de baixa renda, acolhe um grupo de 3ª idade, entre outros. Seu valor no bairro é então duplo, guardando parte da história da formação do mesmo, com ponte aos dias atuais.

10 197


Bem patrimonial (70) ANTIGA FÁBRICA DE REFRIGERANTES KALOURO

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial

2. LOCALIZAÇÃO Rua Eduardo Prado, 1066 – Vila Tibério - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -- -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Fábrica de Refrigerante Ruim Atual: Comércio

9. IMAGENS

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: Não é tombado. (Indicação do Arquivo Público e Histórico) 8. HISTÓRIA / VALOR

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Não foram encontradas maiores informações.

10 198


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial 2. LOCALIZAÇÃO Rua Martinico Prado, 640 – Vila Tibério - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -Aprox. 1933 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Fábrica de garrafas Ruim - Ruínas Atual: Sem Uso

9. IMAGENS

Bem patrimonial (71) ANTIGA FÁBRICA DE GARRAFAS

Observações: Não é Tombado. (Indicação do Arquivo Público e Histórico)

Foyo: https://encryptedtbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSgqn2TD7pSUesMLoSqAGuFdFKiMg2eWWl h cT0jfZZPXX-tsGia

8. HISTÓRIA / VALOR Encerrou suas atividades em janeiro de 1983, após 50 anos trabalhando. Teve seu fechamento devido a uma crise econômica no final dos anos 70 e início da década seguinte, que fechou mais dez fábricas de vidro no estado de São Paulo. Seus proprietários foram, respectivamente, José Buischi, família Pontim, João Pagano e seu filho Ivo. Entre os clientes da fábrica estavam o conhaque Presidente, a Cervejaria Paulista e a Água Palmital. Antigos funcionários contam que o forno era composto pela maceira, que era o corpo do forno, com uns 20 metros de comprimento, 4 de largura e 2 de altura, construído de tijolos refratários, e nele ficava a massa de vidro, a maceira tinha 4 bocas de cada lado onde ficavam funcionários fazendo as garrafas. Cada boca do forno fazia em média 1.500 vasilhames de um litro por turno, e eram produzidas desde garrafas de guaraná pequena até garrafão de cinco litros. Uma esteira levava os vasilhames até a saída, onde outros funcionários podiam eliminar os com defeito, e depois eram ensacados e encaminhados para o despacho. A fábrica chegou a trabalhar em três períodos, na época do seu auge, e por dois na época próxima a seu fechamento. Empregava 130-150 funcionários. Foto: Google Maps - Street View – Earth Não foram encontradas mais informações sobre, mas atualmente o imóvel está abandonando, em péssimo estado.

10 199


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (72) Tipologia ANTIGA FÁBRICA DE CERA BEATRIZ Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial 2. LOCALIZAÇÃO Rua Machado de Assis / Esquina Rua Dr. Jorge Lobato – Vila Tibério - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -- -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Fábrica de cera Razoável - Ruim Atual: Residencial

9. IMAGENS

Observações: Não é Tombado. (Indicação do Arquivo Público e Histórico) 8. HISTÓRIA / VALOR Foto: Google Maps - Street View – Earth

Não foram encontradas informações sobre o imóvel.

10 200


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (73) Tipologia CONJUNTO POLIESPORTIVO BOTAFOGO Patrimônio Arquitetônico - Uso Comercial / Prestação de Serviços / Clube 2. LOCALIZAÇÃO Rua Paraíso, 671 – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1921-1924 Aprox. 12.000m² 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Estádio / Poliesportivo Abandonado / Estado de Conservação Ruim Atual: Sem Uso Observações: Não é Tombado. (Indicado pelo grupo de referências culturais).

9. IMAGENS

Foto: http://imagens.terceirotempo.bol.uol.com.br/46/97/22697.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR O time de futebol Botafogo foi fundado em 1918, a partir da união de três times do bairro da Vila Tibério (União Paulistano, Tiberense e Ideal Futebol Clube). A escolha do nome do novo time foi difícil, e só foi consumada após um dos diretores ameaçar botar fogo em todos os documentos da fusão da equipe, e esse episódio resultou levou ao nome definitivo, devido também a homenagem ao famoso time Botafogo do Rio de Janeiro. Funcionários da Cervejaria Antarctica e da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro logo aderiram ao novo clube, como torcedores e colaboradores. Era importante que o clube tivesse um local próprio, e então em 1921 foi comprado o terreno, junto à Antarctica, e as primeiras partidas ocorreram em terra batida. As obras duraram pouco mais de dois anos, sendo o estádio, denominado posteriormente de Estádio Luiz Pereira (1941 – em homenagem póstuma a um dos diretores), inaugurado em 1924, ainda inacabado. Foi o segundo estádio de futebol da cidade e um dos poucos do estado. Antes de sua nomeação, o estádio foi chamado de campo da Vila Tibério, campo do Botafogo, Fortim da Vila e até de Madeirão devido sua estrutura de madeira. Tinha capacidade inicial para 10.000 torcedores, e em 1956, quando o Botafogo subiu para a primeira divisão do Campeonato Paulista, o estádio foi ampliado para receber 15.000 pessoas. Em 1958 foram inaugurados refletores no estádio. Sediou muitos jogos até seu último jogo oficial em dezembro de 1967, quando o time passou seus jogos para o novo estádio Santa Cruz, construído no bairro Ribeirânia/ Santa Cruz, devido ao grande aumento da torcida tricolor. O local foi parcialmente preservado, um lance da arquibancada de concreto lateral foi preservada e no local do campo foi construído o clube poliesportivo. Não foram encontradas muitas informações sobre o poliesportivo desde então, mas vale ressalvar que ali eram realizados, além dos esportes e interação, bailes de carnalval e eventos, que ficarão na memória do bairro. Em 2009, o poliesportivo foi entregue à administração da torcida Fiel Força Tricolor. E em 2011 é anunciada sua venda, através de um leilão, medida judicial tomada para sanar parte das dívidas trabalhistas do botafogo. O poliesportivo foi comprado por R$ 4,6 milhões, por um empresário de Brasília, e o total arrecadado pagou 95% das dívidas, após 10% de desconto dado pelos credores. O local encontra-se a abandonado a algum tempo, e este ano foi colocado à venda novamente, por aprox. R$ 10 milhões de reais. Ex-jogadores, membros da velha guarda, querem organizar um movimento para que torcedores e empresários comprem o local e devolvam para atividades do botafogo. Enquanto isso, o local continua sem uso. Um local de imensa importância na memória do bairro, da história do clube de futebol e da cidade.

Foto: http://emc.jornalacidade.com.br/dbimagens/d5352ff7-2f03-4e9f8309- 4d5399d34ceb.jpg

10 201


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Urbano / Ambiental 2. LOCALIZAÇÃO Praça José Mortari, s/n (Rua Padre Anchieta/ Rua Dois de Julho) – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área

9. IMAGENS

Bem patrimonial (74) PRAÇA JOSÉ MORTARI

Praça: aprox. 1991

- --

X Pública Privada Mista Outra

4.PROPRIEDADE Patrimônio mundial Federal/ individual Federal/ conjunto Estadual/ individual 6. USOS

Original: Estádio / Poliesportivo Atual: Sem Uso

Aprox. 10.000m²

5.PROTEÇÃO EXISTENTE Estadual/ conjunto Municipal/ individual Municipal/ conjunto Entorno de bem protegido 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO

Razoável

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: Não é Tombado. (Indicação do Arquivo Público e Histórico) 8. HISTÓRIA / VALOR O Tupy Futebol Clube foi fundado em 1956, em Ribeirão Preto, e nos anos 80 esteve próximo de ser profissionalizado, mas a possibilidade de a equipe deixar o amadorismo dividia a diretoria do clube, muitos não queriam que o clube perdesse a origem. Foi um dos times amadores da Vila Tibério, com maior destaque. Seu campo se encontrava onde é hoje a atual praça José Mortari. O time deixou o bairro em 1991, mandando seus jogos para a Vila Virginia. A mudança deu uma esfriada na torcida, pois abalou a identidade do time com a Vila Tibério, e foram perdendo a originalidade. Não foram encontradas maiores informações sobre a construção da praça. Os moradores das proximidades reclamam muito da sujeira da praça, mas há relatos que os próprios moradores do bairro jogam lixo no local. A praça já passou por reformas, e ali são desenvolvidas várias atividades, como cinema ao ar livre, bazares, celebrações religiosas, concentração de bloco carnavalesco, oficinas e apresentações culturais, além de ter fixo uma banca de revistas e um ponto de táxi. Atualmente está sendo desenvolvido o projeto “Cidade Além das Paredes”, que promove oficinas, discussões e apresentações culturais todo primeiro domingo do mês na praça. Portanto a praça tem um grande valor na história do bairro, sendo área do antigo campo do Tupy, e após isso, como praça, se configura com uma importante área de recreação e lazer.

Foto:http://static.panoramio.com/photos/large/38553777.jpg

10 202


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto História e Evolução do Bairro Enquanto o Núcleo Colonial Antônio Prado começava a se organizar, o agrimensor Tibério Augusto Garcia de Senna se antecipou e loteou as terras que foram herdadas de sua esposa, estas que confrontavam com o núcleo original, inaugurando assim, em 1894 a Vila Tibério, constituindo o primeiro loteamento urbano de Ribeirão Preto. (SILVA, 2010). Ainda conforme a autora, os lotes foram vendidos por preços muito mais acessíveis a classe trabalhadora, do que os do núcleo, e por isso foram rapidamente ocupados. Além disso a área se encontrava praticamente junto ao centro urbano, atrás da estação, o que fez com que sua maior parte abrigasse, no início, funcionários da Mojiana, conformando-se como um bairro tipicamente operário. Rapidamente a Vila recebeu serviços de infraestrutura. Vale destacar que nas proximidades da estação, por onde a locomotiva passava, ergueu-se a praça Francisco Schmidt, com um monumento da maria-fumaça em lembrança a essa época. Um marco importantíssimo para o bairro e para a cidade foi, em 1911, a inauguração da Cervejaria Antarctica, no fim da área central e início da Vila Tibério, área de frente a atual Av. Jerônimo Gonçalves, onde permanecem o que sobrou de suas instalações. Logo em seguida, em 1913, foi fundada a Cervejaria Paulista, embora localizada em uma área pertencente ao centro, ela foi importante para o desenvolvimento de toda cidade, e essencial para área central e a Vila Tibério.

A primeira de sua fábrica foi instalada na rua Visconde do Rio Branco, porém no ano seguinte já foi inaugurada a definitiva que fica quase em frente a Cervejaria Antarctica, porém do outro lado do rio, do outro lado da Av. Jerônimo Gonçalves. Vale destacar que desde a sua inauguração até a década de 70, essas duas fábricas de cerveja contribuíram muito para a modernização da cidade, gerando muitos empregos e especializando a mão-de-obra, impulsionando melhorias para os bairros onde localizavam-se, e o seu crescimento, além de puxar investimentos na época da crise do café, depois da década de 20. Com isso, a Vila Tibério ganhava cada vez mais habitantes, que sentiram então a necessidade de edificar uma igreja no bairro, como resposta, a Paróquia Nossa senhora do Rosário foi criada em 1914 e a construção de sua igreja foi iniciada em 1918 e inaugurada já no ano seguinte. Localizada em frente à praça Coração de Maria e ao lado do grupo escolar Sinhá Junqueira, constituindo um conjunto importante para o bairro. Antes da construção da igreja, segundo informações do relatório, as atividades religiosas eram realizadas na antiga sede da Sociedade Alemã, cujo prédio posteriormente foi doado ao Botafogo, e configura-se como um dos bens patrimoniais da área. O grupo escolar Sinhá Junqueira foi erguido dois anos depois da inauguração da igreja, em 1921, em um terreno doado pela prefeitura. Era o terceiro grupo escolar da cidade.

203 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto No mesmo ano foi comprado um terreno para a construção do Estádio do Botafogo, clube fundado na década de 10, e muito importante para a identidade do bairro e também para a cidade. Em 1924 teve sua inauguração, localizado no centro da Vila Tibério, foi nomeado como estádio Luiz Pereira (RAMOS, 2008). Abrigou os jogos até 1967, quando passaram para o novo estádio. O terreno e uma das arquibancadas foi preservado, mas o campo deu lugar a um conjunto poliesportivo. Porém, atualmente, este encontra-se abandonado. Outros marcos muitos importantes para o bairro foram sendo construídos, como o edifício da Sociedade Amiga dos Pobres, que foi um albergue noturno, construído com o intuito de alojar as famílias de imigrantes que pretendiam seguir viagem, mas devido ao horário de trens precisavam posar na estação por um dia ou mais. Para evitar que famílias inteiras posassem na estação, foi criado e mantido pelos funcionários da Mojiana, com o tempo se tornou escola, e atualmente desenvolve oficinas profissionais com o auxílio da prefeitura. O Lar Santana foi outro marco também de caráter social, este foi criado e mantido por uma fundação religiosa, a das Irmãs Franciscanas, onde as freiras davam abrigo e formação para as meninas do bairro. Funcionou até recentemente, mas atualmente encontra-se fechado, por falta de adequação as normas e verbas. As Sociedades Espíritas também são muito presentes no bairro, desenvolvendo funções filantrópicas, alguns de seus edifícios são classificados como bens patrimoniais.

Como um marco de caráter de lazer da área, pode-se destacar o Cine Vitória, construído em 1960, que funcionou até cerca de 1975 e atualmente também se encontra fechado. Cabe destacar também a importância da Av. do Café para o bairro. Era a antiga estrada de ferro, eixo que o trem seguia saindo da estação Ribeirão Preto e seguindo rumo as fazendas de café, Monte Alegre (que de sua sede deu origem ao Museu do Café e o Museu Histórico de Ribeirão Preto, que será melhor explicada na história da área 07) e Dumont. Em 1949 passou a chamar-se via do café e em 1966 de av. do café, depois da remoção dos trilhos, período que constituiu um importante eixo comercial no bairro.

Atualmente – Análise Geral O traçado da vila Tibério seguiu a lógica do “tabuleiro de xadrez”, cujo uso é predominantemente residencial, embora tenha também estabelecimentos de comércio e prestação de serviços, além de escolas, e unidades de saúde. Nesse bairro ficam importantes equipamentos da cidade, como a Rodoviária, que substituiu a antiga estação de trem. A área abriga muitos exemplares remanescentes de bens patrimoniais, porém muitos destes estão fechados e abandonados, e se nada for feito, poderão se perder.

204 10


10 205


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.3.5 ÁREA DE ESTUDO - ÁREA 05 – IPIRANGA Delimitação da área O recorte da quinta área abrange parte dos bairros Vila Albertina e Ipiranga, e se delimita conforme a seleção de bens patrimoniais remanescentes nesse território. Os principais acessos e limites da área são as Av. Eduardo Andréia Matarazzo, Av. Dom Pedro, Av. Rio Pardo e Rua Cel. Américo Batista. A área também derivou do Núcleo Colonial Antônio Prado, assim como o bairro Campos Elíseos, porém como essa área demorou mais para se desenvolver, talvez não tenha tanto exemplares de patrimônio como em comparação ao outro. Porém seu bem mais importante e de importância histórica do período do café e da chegada dos imigrantes, para a cidade toda, é a Estação Barracão, que como tantos outros bens importantes já mencionados, também se encontra abandonada.

59 Mapa

9 - Área 05 – Ipiranga. (Fontes > Base: Google Earth. Dados: Relatório da Fase I do Inventário de Bens Culturais de Ribeirão Preto / Google Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas)

206 10


Mapa 9 – Área 05 – Ipiranga59


FICHAS – BENS PATRIMONIAIS – Ipiranga

10 209


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial / Ferroviário 2. LOCALIZAÇÃO Rua Rio Grande do Sul / Esquina com Av. Dom Pedro – Ipiranga - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1900 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra X Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO

9. IMAGENS

Bem patrimonial (75) ESTAÇÃO BARRACÃO

Original: Estação Ferroviária Atual: Sem Uso

Abandonado / Péssimo estado de conservação

Observações: Tombada pelo CONDEPHAAT. N° do processo 21364/80. Resolução de tombamento em 07/05/082. Livro do tombo histórico com inscrição n° 184, p.43, 16/06/1983. Tombada também pelo CONPPAC.

Foto: http://www.estacoesferroviarias.com.br/b/fotos/barracao0111.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR Estima-se que a primeira estrutura no local tenha sido feita em 1892, uma estrutura simples para desembarque. Mas em 1900, foi inaugurada a Estação Barracão tal como é atualmente. Vale destacar que essa área não fazia parte do núcleo original do bairro, porém era um terreno junto a sede, que a Mogiana instalou a estação e comprou-o posteriormente (1913), essa área não tinha sido loteada. Seu nome se deu devido à presença de um barracão próximo, onde os imigrantes eram acolhidos e cadastrados para serem encaminhados as fazendas de café, e como este imóvel pegou fogo, indica-se que a estação Barracão foi construída para o desembarque e também para assumir as funções do antigo barracão. A presença desta deu o título do bairro Barracão de Cima (Ipiranga), pois havia também um outro barracão em outra área que intitulou o outro bairro como Barracão de Baixo (Campos Elíseos). A estação Barracão conta com planta regular, e caracteriza-se pelo prolongamento das águas da cobertura, apoiadas em estrutura de madeira, protegendo a plataforma de um dos lados. A construção foi feita em tijolos aparentes, de procedência inglesa, seguindo o modelo da maioria das estações da época. É descendente da arquitetura fabril inglesa. Possui também elementos internos de madeira, forro tipo saia e camisa, ladrilho hidráulico, telhas francesas de Marselha, óculo para ventilação. A distribuição interna do espaço é separada em armazém, saguão, escritório, sala, quartas, copa e pátio. Com a compra dos lotes, em 1913, a Mogiana pode construir novos ramais, que ofuscaram a importância da estação Barracão, que funcionou até a década de 1990, quando ainda era palco de manobras de trens cargueiros, que duravam 40 minutos, com o objetivo de encaminhar os trens para o ramal de Sertãozinho, episódios que atrapalhavam o transito da Av. Dom Pedro. Foi tombada antes de ser desativada. Após ser desativada, serviu como depósito para os bens da estação, e apesar de tombada, se encontra hoje abandonada em péssimo estado de conservação. Em 2009 foi criado o Instituto do Trem, que tem como proposta a criação do Museu do Trem no local, inclusive, essa proposta é apoiada por várias entidades e foi inserida no Plano Municipal de Cultura, porém nada foi feito. A intenção é explorar o caráter cultural e turístico da área, incluindo na proposta um percurso de trem turístico de aprox. 8km, proposta que visa garantir também a revitalização do local e o resgate da sua história, pois ali se guarda uma parte muito importante da memória do bairro e da cidade.

Foto:http://www.cultura.sp.gov.br/StaticFiles/SEC/Condephaat/Bens%20Tombados/Im a gem/21364-1980-F.jpg


Bem patrimonial (76) PRAÇA CONSELHEIRO ANTONIO PRADO

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

9. IMAGENS

Patrimônio Urbano / Ambiental

2. LOCALIZAÇÃO Rua Rio Grande do Sul / Av. Dom Pedro (Fechada por muros da EMEFEM Prof. Alfeu Luiz Gasparini) – Ipiranga – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -- -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável – Ruim Original: Espaço Público

Atual: Espaço Público - Fechado Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: Não é tombada. 8. HISTÓRIA / VALOR

Não foram encontradas muitas informações sobre a praça. Sabe-se que ela faz parte da história do bairro sendo parte das adjacências da estação Barracão e do anterior Barracão que recebia, registrava e encaminhava os imigrantes às fazendas de café. Atualmente a praça encontra-se como parte da EMEFEM Prof. Alfeu Luiz Gasparini. Um caso raro de praça pública lacrada.

Foto:Google Maps - Street View – Earth


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Educacional 2. LOCALIZAÇÃO Avenida Dom Pedro, 196 – Ipiranga – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Área Construída: 4.445 - -1976

9. IMAGENS

Bem patrimonial (77) EMEFEM ALFEU GASPARINI

m² Área Livre: 12.591 m²

Pública Privada Mista Outra

4.PROPRIEDADE Patrimônio mundial Federal/ individual Federal/ conjunto Estadual/ individual 6. USOS

Original: Escola Atual: Escola

5.PROTEÇÃO EXISTENTE Estadual/ conjunto Municipal/ individual Municipal/ conjunto Entorno de bem protegido 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável

Observações: Não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR Inaugurada em dezembro de 1976, tem seu nome em homenagem a um conhecido educador ribeirãopretano, e foi construído no ano da comemoração de 120 anos da cidade. Tem um total de 16.986 m². Oferece educação infantil, ensino fundamental, educação de jovens e adultos nível ensino fundamental e nível ensino médio, atendendo aproximadamente 2.600 alunos, distribuídos em período matutino, vespertino e noturno. A escola também oferece aos alunos cursos extracurriculares de informática, esportes, dança e capoeira, apoio escolar em línguas estrangeiras e indígenas, atendimento educacional especializado em libras, língua escrita para alunos com deficiências, cursos de uso da informática acessível, cursos de comunicação alternativa e aumentativa, cursos para autonomia na escola, cursos para alunos com deficiências, cursos para o desenvolvimento de processos mentais. Conta com 36 salas de aulas, sala da diretoria, sala de professores, laboratório de informática, laboratório de ciências, quadra de esportes coberta, quadra de esportes descoberta, cozinha, refeitório, biblioteca, parque infantil, sala de secretaria, banheiro com chuveiro, despensa, auditório, pátio coberto, pátio descoberto, área verde, além de equipamentos e suporte necessários, contando também com atendimento odontológico, porém não possui banheiros acessíveis a portadores de deficiência ou dificuldade locomotora. Participa de várias competições esportivas, concursos culturais e artísticos. A escola tem a visão de, além de educar, dar base social aos seus alunos.

Foto: Google Maps - Street View – Earth


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Urbano / Ambiental 2. LOCALIZAÇÃO Praça Pedro Biagi, s/n (Av. Dom Pedro I / Rua Pará / Rua André Rebouças) – Ipiranga – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -Aprox. 12.000 m² Antes de 1965 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável - Ruim Original: Espaço Público – Praça

9. IMAGENS

Bem patrimonial (78) PRAÇA PEDRO BIAGI

Atual: Espaço Público – Praça Observações: Não é tombada. 8. HISTÓRIA / VALOR Não foram encontradas informações precisas sobre o ano de construção da praça, mas sabe-se que em 1965, quando o bairro Ipiranga ainda era chamado Barracão, ela já existia e recebeu a denominação de Praça Pedro Foto: Google Maps - Street View – Earth Biagi. Ela passou por uma grande reforma e revitalização em 2007, assim como outras praças nesse período. Esta reforma incluiu o reforço da iluminação, pintura de bancos e do coreto, poda e jardinagem em geral, e isso atendeu as reivindicações dos moradores das imediações, da direção e alunos da escola Alfeu Gasparini (que fica em frente à praça). Em 2012 foi inaugurada a sua academia ao ar livre, sendo a décima praça da cidade a receber este equipamento. É palco de alguns eventos e ações esporádicas, como o atendimento do posto móvel do Poupatempo, sorteios da associação e sindicato comercial, feira livre. Na praça tem também instalado, além da academia ao ar livre, um ponto de táxi e ponto de ônibus. Em notícia de 2015, há a previsão de se instalar uma faixa de pedestres elevada entre a praça e a escola, mas nada foi feito. Recentemente (2016), a população reivindica iluminação na praça, onde dos dez postes instalados, apenas dois estão funcionando, isso ajuda a atrair usuários de drogas, que perturbam a segurança da área. A população também vem há tempos reclamando da sujeira do local.


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Religioso 2. LOCALIZAÇÃO Rua Bahia, 318 (Esquina com a Rua Rio Grande do Norte) – Ipiranga – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1962 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Igreja Razoável - Bom

9. IMAGENS

Bem patrimonial (79) PARÓQUIA SÃO PEDRO APÓSTOLO

Atual: Igreja

Foto:http://arquidioceserp.org.br/paroquias/35/35.jpg

Observações: O imóvel não é tombado. (Indicação do Arquivo Público e Histórico) 8. HISTÓRIA / VALOR

Não foram encontradas maiores informações sobre a igreja. Mas sabe-se que existiu anteriormente uma capela, e que depois foi construída a Igreja, que passou por ampliações. A Igreja realiza missas diariamente, dentre outras atividades religiosas, além de promover quermesses e ações sociais.

Foto: Google Maps - Street View – Earth


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Urbano / Ambiental 2. LOCALIZAÇÃO Praça dos Trabalhadores, s/n (Ruas Espírito Santo, Rio Formoso, Manaus, Avanhandava) – Ipiranga – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -- -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável Original: Espaço Público – Praça Atual: Espaço Público – Praça

9. IMAGENS

Bem patrimonial (80) PRAÇA DOS TRABALHADORES

Foto: Google Maps - Street View – Earth

Observações: Não é tombada. (Indicação do Arquivo Público e Histórico) 8. HISTÓRIA / VALOR

Não foram encontradas maiores informações sobre a praça. Sabe-se que no início do ano de 2016, a prefeitura realizou ali um trabalho de limpeza, recolhendo lixo, pode de galhos, rastelamento das áreas gramadas e jardinagem, melhorando o estado de conservação da praça. E há intenções da sociedade na revitalização e uso cultural da praça.

Foto: Google Maps - Street View – Earth


1. IDENTIFICAÇÃO 9. IMAGENS Bem patrimonial (81) Tipologia GALPÕES INDUSTRIAIS / ARMAZÉNS Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial / Ferroviário 2. LOCALIZAÇÃO Rua André Rebolças com Rio Grande do Sul – Ipiranga - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -Aprox. 12.000m² 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual Municipal/ individual Foto: Google Maps - Street View – Earth Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Não Encontrado Razoável - Ruim Atual: Sem Uso Observações: Não encontrado. 8. HISTÓRIA / VALOR

Não foram encontradas maiores informações sobre o imóvel, somente que podem ter sido armazéns cerealistas, e que podem fazer parte dos antigos imóveis da Cia Mogiana, por sua tipologia e sobretudo pela proximidade da Estação Barracão. Mas também pode ser uma antiga fábrica que utilizava do ramal de trem. O imóvel abrange uma grande área e atualmente se encontra sem uso.

Foto: Google Maps - Street View – Earth


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Industrial / Ferroviário 2. LOCALIZAÇÃO Rua Acre, 1300 – Ipiranga - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -- -- -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto X Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Origina / Atual: Armazenagem de grãos e produtos

9. IMAGENS

Bem patrimonial (82) NOVOS ARMAZÉNS CEAGESP

Observações: Não é tombado. 8. HISTÓRIA / VALOR

Foto: http://www.ceagesp.gov.br/wpcontent/uploads/2014/11/ribeirao_silo_vertical- 600x469.jpg

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) foi fundada em 1969, surgindo da fusão de duas empresas mantidas pelo governo do Estado de São Paulo, o Centro Estadual de Abastecimento (CEASA) e a Companhia de Armazéns Gerais do Estado de SP (CAGESP), e é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que representa um importante elo na cadeia de abastecimento de produtos hortícolas. Rapidamente se consolidou na atuação nas áreas de comercialização de hortícolas e armazenagem de grãos, possibilitando que a produção do campo, proveniente de vários estados brasileiros e até de outros países, alcance às pessoas com regularidade e qualidade, oferecendo serviços de armazenagem e entrepostagem. A unidade de Ribeirão Preto trata-se de uma unidade de armazenagem, sendo uma das 18 do Estado de São Paulo.Não foram encontradas informações sobre a construção do imóvel. Mas sabe-se que oferecem serviços de armazenagem, limpeza e expurgo de grãos e/ou produtos embalados. Nessa unidade, o armazém convencional tem capacidade para 4,8 mil toneladas e o silo vertical para 5 mil toneladas. Constitui-se como um marco na área, sobretudo pelo destaque do seu gabarito. Foto: http://www.ceagesp.gov.br/wpcontent/uploads/2014/11/ribeirao_armazem_silo_vertical600x469.jpg


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (83) Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Órgãos Municipais – CASA DE BETÂNIA – ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA Sociais – Associações – Inst. Religiosas / Educacional / EEI EURÍPEDES BARSANULFO - CRECHE 2. LOCALIZAÇÃO Rua André Rebolças, 1434 – Vila Tibério – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -1962 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Centro Espírita Bom

9. IMAGENS

Foto:http://www.casasdebetania.com.br/images/stories/nossa_historia/banner1/Historia _casas_de_betania03.jpg

Observações: Não é tombado. (Indicação do Arquivo Público e Histórico) 8. HISTÓRIA / VALOR Fundada em 1962, a Casa de Betânia é uma associação espírita civil de direito privado, sem fins lucrativos. É mantenedora da Escola de Educação Infantil “Eurípides Barsanulfo”, atendendo anualmente 300 crianças de três meses a seis anos, de famílias de baixa renda, moradoras de vários bairros da periferia da cidade. As crianças são atendidas em período integral, de segunda a sexta-feira. A Instituição e Escola é constituída por pessoas que adotam e praticam a Doutrina Espírita e é reconhecida como utilidade pública. Tem mais de cinquenta funcionários entre professoras, auxiliares pedagógicos, estagiárias, cozinheiras, auxiliares de serviços gerais e outros. Conta com biblioteca, brinquedoteca, sala de informática, área de recreação/lazer, quadra, piscina, refeitório, cozinha, além da área administrativa. As crianças também recebem atendimento de nutricionista e assistência social, realizam atividades complementares de capoeira, dança, música e esportes. O objetivo da instituição é desenvolver o potencial individual das crianças, desenvolvendo a linguagem oral e escrita, estimulando a imaginação e criatividade, despertando a consciência da consciência e convivência e sociabilidade, além de promover segurança, autoestima e integração social. Atuando há mais de 40 anos, a instituição tem enorme valor social no bairro Ipiranga e Foto: http://www.casasdebetania.com.br/images/stories/principal/imagem05.jpg para vários outros bairros periféricos de Ribeirão Preto.


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto História e Evolução do Bairro Entende-se que a Vila Albertina é uma nova nomenclatura para parte do bairro Ipiranga, então a história fará menção apenas ao primeiro nome. Essa área, assim como a área do bairro Campos Elíseos, foi originada a partir do Núcleo Colonial Antônio Prado, que foi inaugurado em 1887, conforme já explicado anteriormente. Segundo SILVA (2006), o núcleo era dividido entre cinco partes, sendo a sede e mais quatro seções. O bairro Ipiranga originou-se da sede e da segunda seção. A sede constituía a menor área no núcleo, com uma área de 90 hectares dividida em 64 lotes quadrados. Vale destacar que essa área também fazia limites com terras particulares, que vieram a ser loteadas posteriormente. Uma informação muito importante sobre a Sede, que a autora destaca, é que, diferente das outras seções, essa área foi feita para ser uma “continuação” do centro e por isso, para adquirir seus lotes era necessário que o requerente comprovasse profissão urbana e demonstrasse o desejo de instituir ali uma oficina ou estabelecimento comercial. Em consequência, esses lotes “urbanos” eram cerca de dez vezes maior que os lotes “rurais” das outras seções. Essa seção era a única que possuía dois equipamentos urbanos no núcleo original, um deles denominado por “Barracão”,

e uma estação de trem. O Barracão funcionava como “prefeitura” e hospedaria para os imigrantes, que chegavam na estação, e ali eram recebidos e orientados, faziam o pedido de um lote ou eram dirigidos para as fazendas. Todas as informações a respeito do núcleo também ficavam ali, porém está foi incendiada, logo no início do século XX, e foi substituída. (SILVA, 2006). Cabe destacar que a área que se encontrava a Estação Barracão, tão conhecida até os dias atuais, foi instalada numa área que não fazia parte do núcleo original, porém era um terreno junto a sede, que a Mojiana instalou a estação, e comprou-o posteriormente, e essa área não foi loteada, conforme afirma SILVA (2006). ZAMBONI (1993), afirma que a Estação Barracão, foi construída em 1900, então pode-se concluir que a Estação Barracão foi feita para substituir a primeira, que foi incendiada, assumindo as mesmas funções. Ainda segundo SILVA (2006), as estações ajudavam a prevalecer o caráter de elite no centro e dos mais pobres na periferia, uma vez que os mais abastados desembarcavam na estação central e os trabalhadores na Estação Barracão.

219 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto A partir da imagem 20, pode-se identificar a Sede, marcada em verde, e a segunda seção do Núcleo, marcada em vermelho, e também a localização da Estação Barracão. Devido a esses Barracões a primeira e segunda seção ficaram conhecidas como Barracão de cima, e a terceira seção como Barracão de baixo, onde foi construído um barracão feito posteriormente ao de cima, como já mencionado.

Figura 54 - Recorte – Mapa Seções do Núcleo Colonial Antônio Prado – Fonte: SILVA (2006)60

Em contrapartida ao tamanho da sede, a segunda seção, que fazia limite com ela, era a maior de todas, totalizando 300 hectares divididos em 68 lotes. No outro extremo a sede fazia limite com a primeira seção, sendo separadas pela principal via de acesso ao centro, que na época era uma extensão da atual rua Duque de Caxias. (SILVA, 2006).

A segunda seção veio a ser cortada pelo ramal da Mojiana para Sertãozinho, em 1889, depois que o núcleo teve sua emancipação, (ZAMBONI, 1993) mas era algo previsto, visto estes não passaram na Sede, e esses lotes não sofreram desapropriações, nem alterações. Já os que foram cortados pelos trilhos, na segunda seção, a Mojiana comprou partes destes, para tal fim. (SILVA, 2006)

Assim como em todo o resto do núcleo, essa área foi sendo ocupada em sua maioria por imigrantes, que ali constituíam seu trabalho e suas moradias. Juntamente com a terceira seção já explicada, a sede também foi sendo urbanizada mais rapidamente, mas pelo motivo de ter sido planejada para isso. Porém, a segunda seção e as demais, já em 1935 ainda se encontravam rurais, desenvolvendo-se só depois. Destaca-se ainda que apesar da instalação de água e luz, a pavimentação demorou muito para chegar no bairro. Uma importante rua do bairro, teve origem no núcleo, sendo um eixo da urbanização da segunda seção, que correspondia a Rua Capitão Salomão e que no Ipiranga passa a se chamar Av. Dom Pedro. Com a emancipação do Núcleo Colonial, e o aumento dos loteamentos também nessa área, essa Rua constituiu um eixo de atividade comercial, que é presente até nos dias atuais. Cabe lembrar que as mesmas regras para os loteamentos descritas no texto do Campos Elíseos, vale para todo núcleo, assim sendo, a área antecessora ao Ipiranga também as seguiu, dando continuidade ao traçado do “tabuleiro de xadrez”, às larguras das ruas, e as travessas geradas por não haver um plano viário maior. Assim, o bairro foi configurado com essas características. Segundo relata SILVA (2006), após o declínio do café, o bairro recebeu grande parte das pessoas advindas das fazendas, que não mais tinham trabalho, e verificou-se um aumento 60 Figura 21 - Recorte – Mapa Seções do Núcleo Colonial Antônio Prado – Fonte: SILVA (2006)

220 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto progressivo no setor de ambulantes da cidade, onde 21% localizavam-se no bairro. Outros bens importantes além da estação Barracão foram sendo construídos no bairro, conforme sua urbanização, como a escola EE. Alfeu Gasparini, e novos armazéns do CEEAGESP, em 1963. (SILVA, 2006). Conforme relato de moradores antigos, relatados no relatório da fase I do inventário de bens patrimoniais (2010), no início, no bairro não havia muito lazer, e eles saiam para visitar o centro e a Vila Tibério. Mas posteriormente foram criados o Ipiranga Futebol Clube e a Sociedade Recreativa do Palmeira, e mais adiante, em 1969, foi fundada a Escola e Academia de samba do Ipiranga, onde o carnaval tornou-se tradição do bairro, mesmo depois da substituição da escola para Tradição do Ipiranga, em 1994, e a até atualmente. (JÚNIOR, 2010). Cabe destacar uma informação interessante apresentada no relatório da fase I do inventário dos bens patrimoniais (2010), que o bairro até 1970 era chamado de Barracão, e nesse ano houve um plebiscito onde o nome foi substituído por Ipiranga, nome em referência ao time de futebol do bairro.

Atualmente – Análise Geral O bairro Ipiranga, assim como os outros do núcleo, atualmente abriga famílias tradicionais, e a classe mais baixa, uma caraterística não anulando a outra. O bairro configura-se com a predominância de uso residencial, sobretudo o recorte destacado. Porém, em sua totalidade, também se considera autônomo, por abrigar comércio diversificado, prestação de serviços, agências bancárias, indústrias de pequeno e médio porte, escolas, e até uma faculdade. Cabe ressaltar que as áreas do bairro, assim como as demais originais do núcleo, foram sendo ocupadas sem uma lei que previa a destinação de áreas verdes, por isso há a carência destas, mesmo na atualidade. A estação Barracão, que foi tão importante para a formação da área, compreendida como o bem patrimonial mais importante do bairro Ipiranga, ainda se encontra ali, em estado de abandono e bastante degradada, apesar de tantos projetos já terem sido feitos para sua revitalização.

10 221


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.3.6 ÁREA DE ESTUDO - ÁREA 06 – MORRO DO SÃO BENTO Delimitação da área A área de estudo 06 compreende toda a área do Parque Municipal do Morro do São Bento e seu entorno imediato. Essa área além de ser a principal área verde da cidade, é também patrimônio urbano, e abriga vários outros bens patrimoniais de interesse para a história de Ribeirão Preto: Bosque Municipal, Complexo Esportivo, Complexo Cultura “Antõnio Palocci”, o Mosteiro de São Bento, o Santuário da Sete Capelas e a Escola Industrial. Tem como acessos principais a Av. Meira Júnior, e a Rua Capitão Salomão. E é localizada próxima ao centro e ao faz divisa com os Campos Elíseos.

60 Mapa

10 - Área 06 – Morro do São Bento. (Fontes > Base: Google Earth. Dados: Relatório da Fase I do Inventário de Bens Culturais de Ribeirão Preto / Google Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas)


Mapa 10 – Área 06 – Morro do São Bento60


FICHAS – BENS PATRIMONIAIS – Morro do São Bento

10 225


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia BOSQUE E ZOOLÓGICO MUNICIPAL FÁBIO BARRETO Patrimônio Urbano / Ambiental 2. LOCALIZAÇÃO Rua Liberdade, s/n – Campos Elíseos - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área

9. IMAGENS

Bem patrimonial (84)

- --

1937 –Bosque 1942 – Zoológico

250.000m² (Área de todo morro do São Bento – excluindo adjacências)

4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Federal/ individual Municipal/ individual Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável Original: Chácara Olímpia / Morro do Cipó Atual: Bosque e Zoológico X Pública Privada Mista Outra

Foto: https://media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/03/ae/fa/b9/bosque-ezoo- ribeirao.jpg

Observações: Protegido como área do Parque Municipal do Morro do São Bento. Protegido como área de preservação. 8. HISTÓRIA / VALOR Começando pela história geral do Morro do São Bento, ele é formado por quase 251.000 m², remanescentes da Chácara Olímpia, e era reconhecido anteriormente como Morro do Cipó. Já no século XIX, eram realizadas festas no local, recreação para a cidade. Parte da área também ficou conhecida como Parque Tamboril, devido a uma majestosa árvore presente no local. A primeira iniciativa oficial de preservação da mata do Morro do Cipó foi em 1899, por Cel. Francisco Schmidt, cafeicultor e vereador de Rib. Preto, e em 1907 a prefeitura comprou o território, entre essa data até a década de 40, a prefeitura arrendou parte do morro para arrendatários que utilizavam do local em troca de fazer melhorias ali, onde os contratos foram reincididos a partir de denúncias de desmatamento da floresta, e então a prefeitura passou a tomar conta de toda área, atribuindo-lhe novas funções, preservando-o como área verde e também institucional, desde então foram sendo realizadas diversas obras ali, até a área toda tornar-se o Parque Municipal morro do São Bento, em 1995, englobando a área do bosque/zoológico e complexos cultural e esportivo, através da Lei Complementar 476, cujo objetivo "preservação dos ecossistemas naturais, a recuperação das áreas degradadas, a garantia do lazer à população pela integridade das atividades culturais e esportivas, bem como a promoção da educação ambiental" (Artigo 1o, parágrafo 1o). O bosque em si não foi a primeira obra, mas configura-se como uma das mais importantes. O Prefeito Fábio Barreto (atuou como prefeito da cidade entre 1936-1944), em todo seu período como prefeito, empenhou-se em tornar o local uma área destinada à preservação da flora e da fauna nacional e em 1937 implantou o Bosque Municipal e buscou doações de plantas e animais para este. Em 1942 inaugurou ali dentro o Parque Botânico, o Jardim Zoológico, o Orquidário. Em 1948 o Bosque passou a se chamar “Bosque Fábio Barreto”. Até os dias atuais o local já passou por algumas reformas de ampliações e adequações. Atualmente o Bosque e Zoológico Fábio Barreto, conta com diversos setores, dentre eles os setores que se destinam aos animais do zoológico – Filhotes (berçário, atendendo animais nascidos no zoológico e também aqueles encontrados na região, vítimas de maus tratos, acidentes ou abandono), Aves (recanto das aves e praça das aves – aves de pequeno porte de várias espécies de psitacídeos, e aves de espécies do cerrado, campo e floresta), Mamíferos (30 espécies entre primatas, felinos, canídeos, roedores, da ordem artiodátila, entre outros), Meliponário (4 espécies de abelhas nativas: 12.000 abelhas), Repteis (terrário: espécies de serpentes não peçonhentas e serpentes peçonhentas; lagos no zoológico: jacarés, tartarugas e lagartos), Reabilitação de Aves de Rapina ( reabilitação dos animais que geralmente são vítimas da ação humana e chegam debilitados ao zoológico), Biotério (manutenção e procriação de animais de pequeno porte usados para enriquecer a dieta de animais do zoológico), Enriquecimento Ambiental e Comportamental (oferecem um conjunto de técnicas para a manutenção dos animais mantidos em cativeiro, englobando o entretenimento dos animais e ambientação dos seus recintos), Técnico (engloba os profissionais que trabalham no zoológico, das áreas de medicina veterinária, biologia e zootecnia). Além do setor de Educação Ambiental, que desenvolve diversas atividades desse caráter, voltadas a estudantes de todos os níveis de ensino, além de ações para a conscientização de todo público, sendo o trabalho realizado por monitores capacitados, o programa inclui visitas monitoradas pelo bosque com enfoque em diversos temas, além de oferecer cursos de férias para crianças. Além destes setores, no local também se encontra o Jardim Japonês, o Mirante e a Casa da Ciência. O Jardim Japonês foi inaugurado em 1969, com acompanhamento do Engenheiro Luiz Castilho e passou por revitalização em 2008 (no Centenário da Imigração Japonesa), contando com área original de 20.000m², ele segue um projeto paisagístico tipicamente oriental, do paisagista Mitsutery Naganune, possuindo vasta vegetação, pontes, lagos, pedras, flores, bancos e quiosques. O Mirante “Cel. Alfredo Condeixa Filho” conta com uma área de 200m², e foi construído por funcionários do bosque, localiza-se atrás do jardim japonês, com cerca de 45 metros de altura e capacidade para 180 pessoas, proporciona uma bela visão da cidade. A Casa da Ciência é subordinada à Secretaria Municipal da Educação, e constitui-se como uma unidade de divulgação cientifica através da comunidade, com o objetivo de facilitar o processo e difusão do conhecimento cientifico, oferecendo formação de educadores, cursos, eventos, exposições e projetos para estudantes e o público geral. A entrada do Bosque e Zoológico é gratuita, de quarta-feira à domingo, das 9h às 17h, e ele constitui um bem de imenso valor, sobretudo ambiental, para Ribeirão Preto, sendo referência na cidade e região.

Foto: https://imagesapt.apontador-assets.com/fitin/640x480/03ecc2eaebdc461aac2be1245b42f608/bosque-e-zoologico-municipald.jpg


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia ANTIGO MOSTEIRO DE SÃO BENTO – ATUAL Patrimônio Arquitetônico – Uso Religioso

9. IMAGENS

Bem patrimonial (85)

SECREATRIAS DE PLANEJAMENTO E DA EDUCAÇÃO

2. LOCALIZAÇÃO Praça Alto do São Bento, 11 – Jardim Mosteiro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1913-1948 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual X Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Mosteiro Razoável Atual: Sede Secretarias Municipais

Observações: Tombado pelo CONPPAC. 8. HISTÓRIA / VALOR O Mosteiro de São Bento foi uma das primeiras construções da área, antes mesmo dela se tornar de posse da prefeitura. Não foram encontradas informações precisas sobre, mas indica-se que em 1913 iniciaram obras da construção de um hospital no morro, erguido pela ordem religiosa dos Scalibrianos. Quando a prefeitura comprou a área, as obras do hospital já tinham sido iniciadas, e demorou até 1923 para a efetiva autorização da continuação deste. Em 1935 foi solicitada a complementação do edifício, e até 1942 as construções ainda estavam inacabadas, quando então decidiu-se doar o prédio aos padres (Monges Beneditinos) e destiná-lo a um mosteiro, o Mosteiro de São Bento, sendo foi inaugurado em 1948. Neste mesmo ano iniciaram-se as obras do monumento do Sagrado Coração de Jesus, localizado no centro da Praça do Alto do São Bento (que só foi inaugurada anos depois), de frente ao mosteiro. E em anos seguintes foram sendo construídas as sete capelas. Os fieis visitavam muito o local nessa época. É importante destacar que foi o Mosteiro que deu o novo nome ao morro, passando a denominar-se de Morro do Cipó à Morro do São Bento, após a lei n. 672, de março de 1951, que nomeou o caminho entre o Bosque e o Mosteiro e as Sete Capelas, de Via São Bento. Atualmente o Mosteiro passou a funcionar na Igreja Santo Antônio, e o antigo prédio abriga agora secretarias municipais, a Secretaria de Planejamento e Gestão Pública e Secretaria da Educação.

Foto: Google Maps - Street View – Earth


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

Bem patrimonial (86)

PRAÇA ALTO DO SÃO BENTO – MONUMENTO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS (FAZ PARTE DO COMPLEXO CULTURAL PROF. ANTONIO PALOCCI)

9. IMAGENS

Patrimônio Urbano / Ambiental

2. LOCALIZAÇÃO Praça Alto do São Bento, s/n – Jardim Mosteiro - Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Monumento: 1948-1952 6.650 m² Monumento: Frei Casemiro Maria Mazzetti Praça: 1953 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Mista Outra

Foto:Arquivo pessoal

Federal/ individual Municipal/ individual Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS

7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO

Original / Atual: Espaço Público (Praça)

Razoável

Observações: Protegido como área do Parque Municipal do Morro do São Bento. 8. HISTÓRIA / VALOR O início das obras do monumento do Sagrado Coração de Jesus se deram em 1948, mesmo ano da inauguração do Mosteiro de São Bento, localizado na frente deste. A estátua foi construída com face voltada para a região central de Rib. Preto. Ela foi idealizada pelo Monge Beneditino D. Casimiro Mazetti, construída em bronze, tem a altura total de 20 metros, sendo 10 metros da estátua e 10 metros da base de granito, foi inaugurada em 1952. Após a construção do monumento, iniciaram-se as obras da praça ao seu redor, localizada no ponto mais alto da cidade, a 518 metros de altitude. A praça foi inaugurada em 1953. Atualmente a praça é palco para diversas manifestações culturais e artísticas, como a Virada Cultural, o festival Tanabata, e feiras.

Foto: https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/turismo/images/f-cristo-redentor.jpg


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Bem patrimonial (87) Escola Profissional Mista - Escola Profissional Patrimônio Arquitetônico – Uso Educacional “José Martimiano da Silva” - ETEC 2. LOCALIZAÇÃO Rua Tamandaré, 520 – Jardim Mosteiro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área - -1922 - 1927 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável Original / Atual: Escola Profissionalizante Observações: Protegido como área do Parque Municipal do Morro do São Bento. 8. HISTÓRIA / VALOR A Escola Profissional Mista (Escola Profissional de Artes e Ofícios) foi uma das primeiras obras da área, quando a prefeitura doou parte da área para a construção do seu edifício, tendo sua pedra fundamental lançada em 1922, e inaugurada em 1927. Os primeiros cursos foram mecânica, marcenaria, fundição, eletricidade, desenho e costura. Em 1945 recebeu o nome de Escola Profissional José Martimiano Silva. Desde sua abertura até 1977 a escola realizava constantemente feiras tecnológicas, realizavam exposições de produtos manufaturados na própria escola e a renda era revertida para sua manutenção e melhoria. O curso de costura realizava doações de roupas às creches, desenvolvendo um trabalho social. Em 1994 a escola passou a pertencer ao Centro de Educação Tecnológica Paula Souza, tornando-se ETEC, Escola Técnica Estadual José Martimiano da Silva, oferecendo ensino técnico nas áreas de administração, design de interiores, edificações, eletrônica, mecatrônica, nutrição e dietética, secretariado e telecomunicações. A partir de 2009, foram incluídos os cursos técnicos de automação industrial, eletrotécnica, logística, gestão ambiental, serviços jurídicos, saúde bucal, informática e informática para web. Todos os cursos têm o objetivo de formar profissionais qualificados conforme as demandas do mercado de trabalho, para que os alunos saiam prontos para ingressar nele. A Escola tem grande valor histórico e arquitetônico para a cidade, sendo de extremo valor na formação de profissionais locais desde sua construção até a atualidade.

9. IMAGENS

Foto:http://www.revide.com.br/media//upload/tinymce/Escola%20Profissional%20Jose % 20Martimiano%20da%20Silva%20antes.jpg

Foto:http://www.revide.com.br/media//upload/tinymce/Escola%20Profissional%20Jose % 20Martimiano%20da%20Silva%20depois.jpg


1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia SANTUÁRIO DAS SETE CAPELAS Patrimônio Arquitetônico – Uso Religioso 2. LOCALIZAÇÃO Praça Alto Do São Bento / Via São Bento, s/n – Jardim Mosteiro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área - -1948 - 1960 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual X Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7.ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Religioso - Capelas Razoável

9. IMAGENS

Bem patrimonial (88)

Observações: Protegido como área do Parque Municipal do Morro do São Bento.

Foto: https://cooltivar.files.wordpress.com/2013/08/35.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR Seu nome oficial é Santuário Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, porém é mais conhecido como Santuário das Sete Capelas. Consiste em um complexo religioso composto por sete capelas, que começaram a ser erguidas após a construção do Mosteiro, localizadas ao lado deste. Cabe destacar que a área em que estão as sete capelas, foi uma antiga pedreira, explorada por arrendatários da área, cedida pela prefeitura. Da exploração da pedreira eram retiradas as pedras para o calçamento da cidade, mas o contrato de arrendamento foi desfeito por volta de 1937, quando o arrendatário Sr. José da Cruz Horta, descumpriu o acordo, desmatando a floresta. A partir daí a prefeitura passou a tomar conta de todo local do parque, com o projeto de atribui-lhe o destino de preservação. O complexo foi idealizado e construído pelos monges beneditinos do Mosteiro, e foi concluído em quase 10 anos de obras. Cabe destacar que em 1951, o caminho entre o Bosque Municipal e o Mosteiro foi denominado de Via São Bento, onde se localiza também o complexo. Cada uma das capelas tem sua própria arquitetura e é dedicada a um santo. Seguindo a ordem cronológica das construções, elas começaram a ser erguidas em 1948 e a última se concluiu um pouco antes de 1960. Nossa Senhora das Graças (1948), São Judas Tadeu (1951), Nossa Senhora Aparecida (1954), Santa Terezinha (1954), São Jorge (1955), Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (1955-1960), Capela da Penitência (19551960). Elas estão dispostas em um semicírculo, voltadas para o centro de um largo. No complexo também há uma lojinha com artigos religiosos. Atualmente acontecem missas diárias no complexo e é aberto para visitação, convidando para um ambiente de observação e reflexão.

Foto: https://cooltivar.files.wordpress.com/2013/08/33.jpg


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (89) Tipologia COMPLEXO ESPORTIVO “ELBA DE PÁDUA LIMA Patrimônio Arquitetônico – Uso Educacional / Esportivo – TIM” 2. LOCALIZAÇÃO Rua Camilo de Mattos, 667 – Jardim Mosteiro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Ginásio Gavino Virdes: Eng. Nelson Nóbrega 1950-1952 - -4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Razoável Original / Atual: Complexo Esportivo Observações: Protegido como área do Parque Municipal do Morro do São Bento.

9. IMAGENS

Foto: https://encryptedtbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTqmaeHnCl8Jg6NrGr53An7hWco7-- xk1SCDMFvliLTqogUzbjwQ

8. HISTÓRIA / VALOR O Complexo Esportivo Elba de Pádua Lima é constituído por equipamentos de esportes e toda infraestrutura necessária para o funcionamento destes, além da presença da Secretaria. Engloba o Ginásio Gavino Virdes, Quadra Poli Esportiva "Prof. Luiz Augusto Velludo", Quadra Poli Esportiva "Prof. Nelson Antonio de Castro", Piscina Olímpica "Luiz Antonio Musa Julião", Pista de Atletismo "Prof. Geraldo de Pádua Melo", Alojamentos, Secretaria de Esportes, Sala de Musculação, Cozinha, Sala de Reuniões, Salas, Área de Saúde. A área de implantação do complexo é chamada de Cava do Bosque (entre a Rua Camilo de Mattos e o Bosque). Os estudos para a implantação de um ginásio e campo de esportes iniciaram-se em 1950, e começaram as desapropriações e obras. O objetivo inicial da construção do ginásio foi sediar a 17ª Edição dos Jogos Abertos do Interior, que naquele ano seria realizado em Ribeirão Preto. A abóbada de madeira do ginásio, com 56 metros de diâmetro e 27 metros de altura, eram, na época de sua construção, uma maravilha da engenharia, sendo noticiada em vários países. O Ginásio foi inaugurado no final de 1952, e logo Rib. Preto se tornou campeã de várias modalidades esportivas em campeonatos da região. Não se encontrou informações precisas sobre as construções dos demais equipamentos esportivos e de apoio, mas sabe-se que em 1988 foram realizadas obras de construção, reforma e ampliação na área do Ginásio, e no mesmo ano foi inaugurado o Complexo Esportivo e também quando o Ginásio recebeu o nome atual, em homenagem a um radialista falecido de Rib. Preto. O Ginásio, atualmente, tem capacidade para 3500 pessoas sentadas, quatro vestiários, placar eletrônico, sistema de som, tribuna de autoridades e tribuna de imprensa e recebe jogos de futsal, vôlei, basquete e também já foi espaço para realização de diversos eventos. A quadra poliesportiva Prof. Luiz Velludo, tem medidas oficiais e marcação para as modalidades de basquete, vôlei, handball e futsal, tem capacidade para 700 pessoas, seguindo as normas de acessibilidade, e são ali realizados treinamentos e torneios, atendendo também escolinhas de iniciação esportiva e treinamento de basquete sobre cadeira de rodas. A quadra poliesportiva Prof. Nelson Castro está preparada para atender a torneios e campeonatos de modalidades de lutas e ginástica, tendo capacidade para 700 pessoas sentadas, nesta área também são realizadas as aulas de ginástica olímpica, judô, ginástica aeróbica, que contam com a participação de mais de 600 alunos. A Piscina Olímpica (Conjunto Aquático) tem uma arquibancada com capacidade para 1000 pessoas sentadas, ali são realizados os treinamentos da equipe de natação da cidade, conta também com a piscina “Prof. Abílio Couto”, adaptada e aquecida para a recreação e utilização de alunos iniciantes, deficientes e idosos, ao todo o conjunto aquático atende mais de 900 pessoas através de aulas regulares. A pista de atletismo tem 320 metros de extensão e tem área para treinamento e competição de corridas, saltos, arremessos e lançamentos, contando ainda com um campo de futebol de 90x45 metros, onde são realizados os treinamentos de futebol e complementação de outras modalidades, sendo a modalidade de atletismos responsável por atender mais de 150 alunos. A Sala de Musculação conta com aparelhos básicos de musculação e banheiros, e atende a todas as modalidades oferecidas. O complexo também possui uma cozinha bem equipada e quiosque coberto e um refeitório. O complexo conta também com salas que são cedidas para as ligas de diversas modalidades, e também conta com salas de reuniões bem equipada com capacidade para cinquenta pessoas, nela também estão expostos a maioria dos troféus conquistados pelas equipes de Rib. Preto. O Complexo conta ainda com oito alojamentos coletivos, contando com cinco beliches de alvenaria e com banheiros, que atendem até 80 pessoas por temporada. Possui também área da saúde com médicos, enfermeiros e atendentes que dão suporte aos atletas que defendem a cidade nos jogos oficiais e amistosos. O Complexo também abriga a Secretaria de Esportes, englobando o gabinete do secretário de esportes, departamentos administrativos e técnico, divisões e seções. Todo o complexo configura- se como uma área muito importante da história e evolução da cidade, sobretudo na área esportiva, desenvolvendo um trabalho de caráter social através disso.

Foto: http://photos.wikimapia.org/p/00/00/04/22/43_big.jpg


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (90) Tipologia TEATRO DE ARENA JAIME ZEIGER (FAZ PARTE DO COMPLEXO CULTURAL PROF. Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural ANTÔNIO PALOCCI) 2. LOCALIZAÇÃO Praça Alto do São Bento, s/n – Jardim Mosteiro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Jaime Zeiger 1969 6.000 m² 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Teatro de Arena Razoável Observações: Protegido como área do Parque Municipal do Morro do São Bento.

9. IMAGENS

Foto: http://4.bp.blogspot.com/_lGQBIs3uHhk/TEeg3Fai-WI/AAAAAAAACHg/171popT_R8/s1600/teatrodeArenaNet.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR Com exceção da Praça Alto do São Bento, os edifícios que compõe o Complexo Cultural Prof. Antônio Palocci começaram a ser construídos no final da década de 60. Os dois teatros, o de Arena e o Municipal, foram inaugurados no mesmo ano, 1969. O Teatro de Arena é obra de Jaime Zeiger, construído em uma meia-encosta, em uma área de cerca de 6.000 m², previamente estudada e escolhida por ser a área que mais favorecia a qualidade acústica do teatro. Foi o primeiro teatro de arena construído no interior de São Paulo. O local fica ao ar livre, conta com 15 lances de arquibancadas de cimento em forma de ferradura, terminando na concha acústica de cimento com 17,2m de largura X 8,5m de altura. O teatro passou por reformas em 1986 e foi reinaugurado em 1987. Há poucos anos, o teatro passou pela segunda reforma, graças as reinvindicações da comunidade e grupos de artistas que formaram o movimento “Pró-Arena”, foi fechado por quase dois anos para a reforma, contando os atrasos, a obra custou cerca de 1,2 milhão, reabrindo em 2014. Esta reforma ampliou os camarins e o palco, reativou a bilheteria, construiu novos sanitários, nova cabine de som, rampas de acessibilidade, elevador, iluminação, catracas e pisos instalados. O teatro também conta com uma lanchonete própria. Atualmente tem capacidade para aproximadamente 2.500 pessoas, dentre estas 2.100 pessoas sentadas e também possui estacionamento para 70 carros. Desde sua inauguração até os dias atuais, o teatro de arena foi palco para diversos eventos culturais, shows, espetáculos, manifestações, reunindo ribeirão-pretanos e também atraindo pessoas da região. Faz parte do Complexo Cultural Prof. Antônio Palocci, sendo um bem histórico, artístico e arquitetônico importantíssimo para Rib. Preto.

Foto:http://www.revide.com.br/media//upload/tinymce/livro%2025%20anos%20revide % 20-%20teatros%20e%20museus%20(4)%20OK.jpg


Bem patrimonial (91) TEATRO MUNICIPAL (FAZ PARTE DO COMPLEXO CULTURAL PROF. ANTÔNIO PALOCCI)

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural

2. LOCALIZAÇÃO Praça Alto do São Bento, s/n – Jardim Mosteiro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Teatro: Mario Reginato e Jaime 1969 - -Zeiger, Palco: Bassano Vaccarini. 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Teatro Razoável Observações: Protegido como área do Parque Municipal do Morro do São Bento. 8. HISTÓRIA / VALOR Localizado no Alto do São Bento, o Teatro Municipal de Ribeirão Preto foi inaugurado em 1969 e faz parte do Complexo Cultural Prof. Antônio Palocci. O teatro tem acesso por escadarias e também e rampas para acesso de deficientes físicos. Seu auditório tem capacidade para 515 pessoas sentadas em poltronas estofadas e numeradas, possui amplos corredores de circulação, ar condicionado e duas saídas de emergência. O teatro possui bilheteria com dois guichês, com acesso externo ao público, localizando-se na parte frontal do teatro. Possui seis camarins contíguos, localizados ao fundo do palco, servidos por três banheiros com chuveiros. Além de toda infraestrutura técnica necessária para seu funcionamento. Possui também um belo jardim lateral e um estacionamento ao lado do teatro com capacidade para aproximadamente 40 carros. Obra de Mario Reginato e Jaime Zeiger, e desenho do palco do artista Bassano Vaccarini, deram ao teatro linhas modernas. Sua agenda oferece bastante peças teatrais, apresentações artísticas em geral, eventos e atos culturais, sendo bem avaliado pela população da cidade, como um teatro popular de boa qualidade. É um bem de grande valor histórico, cultural, artístico e arquitetônico de Rib. Preto.

9. IMAGENS

Foto: https://0.kekantoimg.com/v2W2hI0T258CitEKS6DILDlcTE=/520x205/s3.amazonaws.com/kekanto_pics/pics/976/813976.j pg

Foto: http://www.maisribeiraopreto.com.br/img2015/noticias_jul_2015/noticia_33.jpg


1. IDENTIFICAÇÃO Bem patrimonial (92) Tipologia CASA DA CULTURA JUSCELINO KUBITSCHECK (FAZ PARTE DO COMPLEXO Patrimônio Arquitetônico – Uso Cultural CULTURAL PROF. ANTÔNIO PALOCCI) 2. LOCALIZAÇÃO Praça Alto do São Bento, s/n – Jardim Mosteiro – Ribeirão Preto/SP. 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto / Engenheiro Data Área Empresa Cozac – Engenheria e Construção Ltda: Eng. Wilson Luiz Laguna 1976-1977 - -Arquitetos Durval Soave e José Antônio Barbosa 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original / Atual: Teatro Razoável Observações: Protegido como área do Parque Municipal do Morro do São Bento.

9. IMAGENS

Foto: https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/images/f-sec-cultura.jpg

8. HISTÓRIA / VALOR

Em outubro de 1975, durante o governo do prefeito Welson Gasparini, foi iniciado o edital de concorrência para a construção da Casa da Cultura no alto do Morro do São Bento, com o local já definido, ao lado da Casa do Radioamador. Uma comissão de julgamento foi montada e o projeto foi escolhido, tendo suas obras iniciadas em 1976 e finalizadas em 1977, quando foi oficialmente inaugurada a Casa da Cultura Jucelino Kubitschek. O projeto da Casa da Cultura foi pensado inicialmente para ser um espaço multiuso para a realização simultânea de várias atividades. Consiste em um Centro Cultural, um dos mais importantes da cidade. Atualmente é sede da Secretaria da Cultura, da Fundação Instituto do Livro, Biblioteca Guilherme de Almeida, da Sala de Exposições "Leonello Berti", do Museu da Imagem e do Som (MIS) e da Escola de Arte do Bosque, e possui um auditório com capacidade para 50 pessoas. A Fundação do Instituto do Livro tem como objetivo a eficiência nas questões culturais literárias, consideradas de utilidade pública, com a atribuição de incentivar a leitura e a formação cultural, através da realização de projetos e oficinas que as estimulem ou através da preservação e difusão do patrimônio cultural literário, sendo responsável também pelo espaço físico e administrativo de bibliotecas e arquivos e organizações públicas literárias. O Museu da Imagem e do Som José da Silva Bueno (MIS), foi estabelecido em 1978, e seu acervo, encontrado no local, está distribuído em iconografia, discos, fitas de rolo e cassete, máquinas de cinefotografia, aparelhos de rádio, gravadores, aparelhos de som e documentos de história dos veículos de comunicação; e ele também promove diversas exposições acerca do universo da Imagem e do Som. A Escola de Arte do Bosque Candido Portinari oferece cursos gratuitos de artes placas e realiza exposições dos trabalhos realizados pelos alunos na Casa da Cultura, os cursos vão desde a iniciação artística infantil, passando pelos adolescentes, e adultos, através de aulas de desenho, pintura, história da arte, escultura e gravura. Atualmente também cede espaço para Oficina Cultural “Cândido Portinari”. No Jardim da Casa da Cultura encontra-se esculturas de Bassano Vaccarini e Thirso Cruz. Faz parte do Complexo Cultura Prof. Antônio Palocci e também possui grande valor histórico, artístico, cultural e arquitetônico para a cidade.

Foto: http://www.temnacopa.com.br/media/upload/materia/casa-da-cultura2.jpg


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto História e Evolução da Área Segundo informações do livro Paisagem Cultural do Café (2010), a qual é baseada grande parte desse histórico, o Parque Municipal do Morro do São Bento é formado por uma área de quase 251.00m², remanescente da Chácara Olímpia, era anteriormente conhecido como Morro do Cipó. Antigo horto municipal, não fazia parte do Núcleo Colonial Antônio prado, mas fazia limite com ele. (SILVA, 2006). A primeira iniciativa para a preservação da mata do Morro do Cipó foi em 1899, por um cafeicultor da cidade, que apresentou a Câmara Municipal uma indicação para a preservação daquela área, onde em 1907, a iniciativa se concretizou, quando a prefeitura comprou o território, preservando-o como área verde e também institucional. A cronologia das construções institucionais ali instaladas começou em 1922, quando a prefeitura cedeu parte da área para a construção da Escola Profissional Mista, que posteriormente, em 1945 foi denominada de Escola Profissional José Martimiano da Silva. Mas antes disso, já estava sendo erguido no morro o prédio que inicialmente seria destinado a um hospital, construído pela ordem religiosa dos Scalibrianos, onde o início das obras data de 1913. As informações encontradas apresentam datas divergentes da compra do morro pelo poder público e religioso da cidade,

porém, o que dá para concluir é que antes da compra do morro, o hospital já estava com suas obras iniciadas e quando houve a compra demorou até 1923 para a autorização da efetiva construção deste. Em 1935 foi solicitada a complementação do edifício, e até 1942 as construções ainda estavam inacabadas, quando então decidiu-se doar o prédio aos padres e destiná-lo a um mosteiro, este que foi inaugurado em 1948, e em seguida foram sendo edificadas as sete capelas, até um pouco antes de 1960, todas já tinham sido inauguradas. Retomando a cronologia, em 1937, por iniciativa do atual prefeito Fábio Barreto, foi implantado o Bosque Municipal. Em 1948 deram início a construção do monumento do Sagrado Coração de Jesus, localizado no centro da Praça do Alto do São Bento (que só foi inaugurada dois anos depois), de frente ao Mosteiro de São Bento, que como já mencionado, foi inaugurado nesse mesmo ano. Em 1942 inaugurou-se o Parque Botânico e o Zoológico. Em 1951, o caminho entre o Bosque Municipal e o Mosteiro foi denominado de Via São Bento. Em 1953 foi inaugurada a praça entorno do monumento de São Bento. No mesmo ano que finalizavam as obras do prolongamento da Rua Capitão Salomão, para acesso à área. Entre 1950-1952 foram realizadas aas obras da construção do Ginásio de Esportes, conhecido pela população como “Cava do Bosque”.

235 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Em 1988 o ginásio passou por ampliações e tornou-se o Complexo Esportivo “Elba de Pádua Lima (Tim) ”. Os edifícios que compõe o Complexo Cultural começaram a ser erguidos no fim da década de 60 e terminaram em 1987 com a composição do conjunto finalizada, constituinte pelos Teatros Municipal e de Arena, as obras de arte e praças na área da Casa Cultura, e a própria Casa da Cultura, onde também funciona uma escolinha de artes. Em 1969 foi inaugurado o Teatro de Arena. Em 1977 foi inaugurada a Casa da Cultura.

A área de esportes também é um ponto muito importante do local. E nas áreas do seu entorno, pode-se dizer que predominam residências, porém estas misturam-se com uso institucional, prestação de serviço e pequenos comércios, estes que são maiores na proximidade com a Av. Francisco Junqueira.

Em 1995, o morro foi transformado em uma unidade de preservação permanente para preservar sua mata, pois é uma das poucas originais restantes na área urbana.

Atualmente – primeiras análises Antes de mais nada, a área configura-se como um importante polo cultural da cidade. Atualmente na área há vários departamentos administrativos da Prefeitura Municipal. Muitos eventos acontecem nessa área, tanto shows, que ocorrem com mais frequência no Teatro de Arena, como festivais, onde dois deles são importantíssimos para a identidade cultural da cidade, que é o Tanabata e a Fest’Itália, comemorações dos imigrantes na cidade.

236 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.3.7 ÁREA DE ESTUDO - ÁREA 07 – USP / MUSEUS / FAZENDAS DE CAFÉ Delimitação da área A área de estudo 07, compreende todo território do Campus da USP em Ribeirão Preto. Essa área é importante para a história da cidade, visto que foi originada da antiga fazenda de café Monte Alegre, onde edificações do período do auge do café permanecem “preservadas”, sobretudo duas principais, tendo seu uso como o Museu do Café e o Museu Histórico de Ribeirão Preto. A área tem como principais acessos e limites a Av. do Café, a Av. Bandeirantes, a Av. Luigi Rosiello, Av. Gov. Lucas Nogueira Garcês, Av. Dr. Nadir Aguiar e Av. Virgílio Soeira, conforme pode-se ser identificado no mapa 11, a seguir.

61 Mapa

11 - Área 07 – USP/MUSEUS/FAZENDAS. (Fontes > Base: Google Earth. Dados: Relatório da Fase I do Inventário de Bens Culturais de Ribeirão Preto / Google Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas)


Mapa 11 – Área 07– Morro do São Bento61


FICHAS – BENS PATRIMONIAIS – USP/ Museus/ Fazendas de Café

10 240


Bem patrimonial (93)

1. IDENTIFICAÇÃO Tipologia

MUSEU DO CAFÉ “FRANCISCO SCHMIDT” E MUSEU HISTÓRICO E DE ORDEM GERAL “PLÍNIO TRAVASSOS DOS SANTOS”

9. IMAGENS

Patrimônio Urbano / Ambiental

2. LOCALIZAÇÃO Campus da USP - Av. Prof. Dr. Zeferino Vaz, s/n (acesso pela Av. do Café) - Vila Monte Alegre Ribeirão Preto/SP 3. CONSTRUÇÃO Arquiteto Data Área Museu Histórico: Const. - entre 1870-1880. / Inauguração: 1950 Museu do Café: Const. / Inauguração - 1957

240.000 alqueires – USP 17.000 m² – - -área Museus 4.PROPRIEDADE 5.PROTEÇÃO EXISTENTE X Pública Patrimônio mundial X Estadual/ conjunto Privada Federal/ individual Municipal/ individual Mista Federal/ conjunto X Municipal/ conjunto Outra Estadual/ individual Entorno de bem protegido 6. USOS 7. ESTADO DE CONSERVAÇÃO Original: Fazenda Cafeeira / Escola Agricultura Razoável - Ruim Atual: Campus da USP / Museus Observações: Remanescentes da antiga Fazenda Monte Alegre – Edificações, Sistema Viário e Área Verde –

Foto: http://www.direitorp.usp.br/wp-content/uploads/2014/03/historia_ribeirao_preto.jpg

Tombado pelo CONDEPHAAT, n° do processo 24699/86, resolução de tombamento 7 de 22/03/1994, Livro do Tombo Histórico inscrição n° 314, p.79, 01/06/1994. Tombado também pelo CONPPAC.

8. HISTÓRIA / VALOR A área em que se encontra os dois museus é também a área atual do Campus da USP, área que foi originada da antiga fazenda Monte Alegre, uma das mais importantes produtoras de café da região, seu proprietário (que comprou a fazenda em 1890 – o primeiro proprietário era Cel. João Franco de Moraes Octávio) Francisco Schimidt era conhecido como Rei do Café. Na fazenda, em 1920, existiam cerca de um milhão de pés de café, viviam aproximadamente 14.000 colonos na fazenda, e eram produzidas mais de 700.000 sacas de café anualmente. A sede da fazenda, área dos museus, foi construída ainda quando a fazenda pertencia ao antigo dono, na década de 1870. A casa grande, que abriga o Museu Histórico, é um exemplar da arquitetura rural cafeeira da região, segue o partido tradicional da casa mineira, implantada sobre terreno em aclive para aproveitar a meia altura para a construção do porão, e sua volumetria é em “L”, com varandas em volta nas áreas sociais e intimas, separando a casa dos empregados, que ficava ao fundo da sede. Coronel Schmidt contribui para a casa tal como é hoje, depois de se mudar para o local, quando empreende uma série de reformas na sede, acrescentando na casa as varandas circundantes sustentadas por grossas colunas, decorações no capitol, remodelação dos jardins com a construção das fontes e o Belvedere. Com a morte de Schimdt, em 1924, a fazenda ficou para seu filho Jacob, que vendeu a propriedade para João Marquese, depois da quebra da bolsa, quando o café teve seu declínio, mas já em 1940 o governo estadual desapropria a fazenda para fins educacionais, instalando ali a Escola Prática de Agricultura, quando a maioria dos prédios hoje da USP foram construídos, e a sede adaptada. A Escola funcionou até o final da década de 40, quando a área de 240.000 alqueires foi doada para a Faculdade de Medicina, que começou a funcionar de fato em 1952. Dentre a área, em 1950, 17.000m² foram doados para a prefeitura municipal de Rib. Preto, essa área abrangia a antiga sede da fazenda. Já era projeto municipal a criação de um museu histórico e um destinado ao café, e a coleção foi sendo preparada e abrigada em outros prédios fora dali e depois foi transferida para a casa sede da fazenda, que foi inaugurada com o Museu Histórico em 1950. A construção que abriga o Museu do Café foi feita posteriormente ao Museu Histórico, com estilo neocolonial, um pavilhão para a exclusiva finalidade de abrigar as peças da produção cafeeira, abarcando a simbologia do café, localiza-se á 50m do primeiro museu. As peças do acervo do café, que anteriormente ficavam no Museu Histórico, passaram ao Museu do Café “Francisco Schimdt”, inaugurado em 1957, e o primeiro destinou-se a ser um exemplar da arquitetura e estilo de moradia rural da época de sua construção, além de abrigar objetos de arte e de história em geral e algumas coleções de caráter cientifico, na área do seu porão abriga um centro de documentação, formando o Museu Histórico e de Ordem Geral “Plínio Travassos dos Santos”. Os dois museus, são bem patrimoniais muito importantes para Rib. Preto, há algum tempo, fazendo parte da lista dos museus mais visitados do estado, porém, atualmente se encontram em condições precárias, tendo até o Museu do Café ser fechado por falta de manutenção do teto, que desabou em partes. Estes, juntamente com todo restante do remanescente da fazenda Monte Alegre, configuram-se como patrimônio não só do município, como também do Estado de São Paulo, reconhecendo a importância desse complexo e a imp ortância de sua preservação.

Foto: http://www.cidadederibeiraopreto.com.br/thumb.php?./img/1395.jpg

10 241


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto História e Evolução da Área Segundo SILVA (2010), a área da USP, bem como todo o bairro adjacente, o Monte Alegre, é remanescente da antiga Fazenda Monte Alegre, uma das fazendas produtoras de café mais importantes da região, tanto que seu proprietário, que comprou a fazenda em 1890, Francisco Schimidt, era conhecido como o Rei do Café. A sede da fazenda foi construída ainda quando a fazenda pertencia ao seu antigo dono, João Franco de Moraes. Sua construção remonta ao período dentre 1877 e 1880. A casa segue o partido tradicional da casa mineira, implantada sobre terreno em aclive para aproveitar a meia altura para a construção do porão, e sua volumetria é em “L”, com varandas em volta nas áreas sociais e intimas, separando a casa dos empregados, que ficava ao fundo da sede. Para a produção do café, a fazenda também contava com casa de máquinas, terreiros, tulha e também tinha algumas casas para abrigar as colônias de trabalhadores. Depois do declínio do café, entre o final dos anos trinta e o início dos anos quarenta, a fazenda foi desapropriada pelo Governo do Estado, o qual destinou-a para a implantação da Escola Técnica de Agricultura. A fazenda foi adaptada para esse novo uso.

Em 1950, o Estado doou parte dessa área para o município de Ribeirão Preto, território com cerca de 17 mil m² e que abrangia a sede da antiga fazenda, que então, o município transformou em Museu Histórico e de Ordem Geral “Plínio Travassos dos Santos”. Nessa mesma área, em 1957, foi inaugurado, a cerca de 50m de distância da sede, o prédio construído para abrigar o Museu do Café “Francisco Schimidt”.

Atualmente – primeiras análises Atualmente, a área compreende ao Campus da USP, e ainda preserva muitas das edificações remanescentes da antiga fazenda, como algumas casas das colônias de trabalhadores, a tulha, a casa de máquinas, canaletas originais por onde corria a água que era usada para lavar o café, partes do jardim com as fontes, a casa dos empregados, e sobretudo a sede, que é o Museu Histórico, e também o Museu do Café. Estes remanescentes da história da cidade, que apesar de se manterem com uso e/ou visitação da população, não estão recebendo o devido cuidado, tanto que vem sofrendo com desgastes ao ponto de parte do forro do Museu Histórico desabar, tendo então o complexo fechado à visitação no primeiro semestre deste ano, 2016, alegando que passarão por reformas.

242 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.4 LEVANTAMENTOS

Optou-se por realizar os levantamentos de uma forma geral da área como um todo, visto que é a integração da área como um CONJUNTO o objetivo do trabalho. Essas análises visão obter um panorama geral da área para se obter respostas mais a fundo sobre a problemática urbana nesses locais. Através destes será possível obter uma visão das intervenções necessárias, e as estabelecer então as vocações de uso dos bens selecionados e posteriormente promover a ligação entre eles, promovendo a melhoria das relações do cotidiano urbano e sua história, seus percursos.

Uso e Ocupação do Solo / Gabarito Os mapas 12 e 13 de uso e ocupação do solo e gabarito permitem uma análise sobre o caráter de usos predominantes em cada região, sobretudo em volta dos bens patrimoniais. Em uma próxima etapa estes serão analisados separadamente a fim de estabelecer os usos para cada bem, sobretudo os que se encontram vazios. Em uma primeira análise geral, já puderam ser levantadas algumas identificações do caráter dos bairros, já mencionadas nos textos referentes a cada área e também cabe destaca-las aqui, de uma maneira geral. Sobre o uso e ocupação do solo confirmar a questão do caráter comercial e de prestação de serviços da área central, embora essa também se misture com muitas residências. No centro também pode ser encontrado os usos de caráter institucional e religioso, podendo dizer que – embora esses usos não estejam separados no mapa – o primeiro em maior quantidade. Pode-se perceber também no que tange aos limites entre o centro e a área do Morro do São Bento e Vila Tibério, que ali concentram-se também uma maior predominância de serviços e comércio, e também uma parcela institucional.

243 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Ademais, as áreas são predominantemente residenciais, tendo uma concentração de serviços e comércio nas avenidas e ruas principais. Os equipamentos institucionais se encontram mais espalhados pelos bairros, a fim de se atender melhor toda a população. Vale ressaltar que nessas análises, optou-se por separar as áreas verdes e vazias do mapa de uso, e destaca-las em mapas separados, pois estas serão pontos muito importante para o desenvolvimento das diretrizes de uso. Em uma análise a toda a área, percebe-se que o setor menos presente é o industrial. Em relação ao gabarito, percebe-se uma verticalização maior na área central, fato já discutido no capítulo que trata dos centros urbanos. Vale lembrar que a verticalização se dá pela intenção de um melhor aproveitamento do solo, e sendo o centro uma área cujo valor imobiliário é mais elevado, tende então a ter uma verticalização maior. É possível perceber que, frequentemente, edifícios mais altos geralmente estão próximos, conjuntos, e não isolados. Já os de altura média são espalhados por todo território. Nas primeiras análises, percebeu-se também que há um eixo de verticalização na Av. do Café, rumo a USP. Ademais, o que prevalece são edificações térreas, ou até dois pavimentos.

62 Mapa

12 - Uso e Ocupação do Solo. (Base: PMRP. Dados: Goole Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas). 63 Mapa 13 - Gabarito. (Base: PMRP. Dados: Goole Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas).

244 10


Mapa 12 – Uso e Ocupação do Solo 62


Mapa 13 – Gabarito 63


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Áreas Verdes O mapa 14 que apresenta as áreas verdes da área auxilia na compreensão dos espaços abertos, em sua maioria públicos, como as praças que estão presentes em todos os bairros que compõe a área, em maior ou menor escala. Vale destacar a presença de grandes espaços de área verde como parte do campus da USP, o morro de São Bento e o Parque Maurilio Biagi. Estes espaços deverão integrar o plano como pontos de encontro, que poderão complementar as atividades propostas para os bens, a serem definidas na próxima etapa.

Vazios Urbanos / Principais Imóveis Sem Uso O mapa 15 que apresenta as áreas vazias e sem uso é de fundamental importância para o trabalho, visto que são as áreas que mais carecem de proteção e mais passíveis de intervenção. A partir das bases do referencial teórico pôde-se confirmar que o USO é um dos fatores determinantes na conservação e proteção dos bens patrimoniais imóveis, no que tange as edificações. Um espaço / edificação sem uso não estão fazendo o seu papel, pois estes são construídos para o uso das pessoas, seja qual for sua categoria, eles não foram feitos para serem vazios, pois assim seriam somente uma casca e o que se deseja são que estes tenham vida. Como já discutido, tratar dos bens patrimônios como elementos

“intocáveis”, só agrava sua situação, ao invés de protege-los, isso os exclui de suas funções, e acabam sendo deixados à mercê do tempo. Edifícios e espaços abandonados contam uma história triste, de descaso e falta de respeito a memória de uma sociedade, quando deveriam contar com muito orgulho sobre a identidade do povo a que pertencem. Áreas vazias, espaços abandonados, mesmo na escala do edifício, sempre representam um problema, pois ali o sangue vido da cidade não circula, causa conflitos, doença no sistema. E é por isso que esse levantamento é tão importante, pois uma vez essas áreas identificadas, se pode propor intervenções e propostas para lhes recuperar, reintegrá-los no tecido urbano, e sobretudo na vivência das pessoas. Em uma leitura geral, identifica-se a partir daí uma série de espaços vazios na área, além dos sem uso. Dentre esses, podem ser destacados os Casarões abandonados no centro, a Cervejaria Antártica, a fábrica Matarazzo, os Galpões Ceagesp, o Poliesportivo do Comercial, a Estação Barracão, o Lar Santana, a Cervejaria Bertoldi, entre outros.

64 Mapa

14 - Áreas Verdes: PMRP. Dados: PMRP – Mapa de Áreas/Espaços Livres de RP. Goole Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas). 65 Mapa 15 - Vazios Urbanos e Sem uso. (Base: PMRP. Dados: Goole Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas).

249 10


10 250


Mapa 14 – Áreas Verdes 64


Mapa 15 – Áreas Vazias e Sem Uso 65


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Levantamentos Viários Primeiramente foi elaborado um mapa a partir do mapa viário disponibilizado pela prefeitura de Ribeirão Preto. Esse mapa diz respeito as ligações da cidade, as estradas e aos municípios que vizinhos. Sendo assim, o mapa 16 é de escala da cidade e de seu território. Esse mapa apresenta também a hierarquia das vias da cidade, divididas em três níveis, o primeiro engloba as vias arteriais, o segundo as vias principais e o terceiro as vias secundárias. Dentro do primeiro grupo se encontra ainda as vias expressas, ou seja, as de grande e rápido fluxo e que fazem ligação com as estradas. Dentro do segundo grupo se enquadram as avenidas, que são as maiores responsáveis pelos deslocamentos dentro da cidade, fazendo as ligações entre os setores. E no último grupo se encaixam as vias de caráter secundário, caracterizadas pelas vias coletoras, que captam o fluxo das avenidas e distribuem dentro dos bairros. O outro grupo, que não precisa ser mapeado, pois são todas as demais ruas, caracterizam as ruas locais. Um segundo mapa – mapa 17 - também foi elaborado para se ter uma noção de como é a hierarquia dentro da área de estudo, uma aproximação foi feita e pode-se perceber as principais vias que compõe a malha viária dessa área. Pode-se destacar a Avenida Bandeirantes, que é uma via expressa, que colhe o fluxo da estrada para dentro da cidade, e liga diretamente um extremo da área de intervenção.

E dentro de outras análises puderam ser destacadas as principais avenidas, estas que também estabelecem limites para a área. Dentre elas as principais destacadas nessas primeiras análises foram a Av. Nove de Julho, a Av. Marechal Costa e Silva, a Via Norte, Av. Jerônimo Gonçalves, Av. Francisco Junqueira, Av. Independência, Av. Quito Junqueira, Av. da Saudade (essa classificada como coletora). Os mapas foram elaborados para se ter uma visão geral da malha urbana, mas as análises pormenorizadas ainda estão sendo feitas acerca de como fazer a integração entre os bens patrimoniais. Outras análises foram feitas, porém não serão aqui destacas, mas foram imprescindíveis para a elaboração da integração, estudos de fluxos – hierarquia viária funcional – transportes públicos e também o levantamento dos perfis das vias, que são analises indispensáveis para a elaboração das diretrizes.

66 Mapa

16 - Mapa Viário Síntese – Ribeirão Preto (Base: PMRP. Dados: Goole Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas). 67 Mapa 17 - Mapa Viário Síntese – Área de Estudo (Base: PMRP. Dados: Goole Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas).

10


10 256


Mapa 16– Mapa Viário Síntese – Ribeirão Preto66


Mapa 17 – Mapa Viário Síntese –Área de Estudo67


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto SINTESE PRELIMINAR A partir do referencial teórico, dos levantamentos históricos, da análise dos casos de referência, e das primeiras análises da área, sobretudo a partir do mapa de usos, foi possível identificar quais áreas são mais passíveis de intervenção ou que carecem mais desta, de forma geral, e como poderiam ser traças as diretrizes de uso e de integração. Os imóveis foram classificados de acordo com seu uso histórico e também o seu uso atual, reconhecendo, inclusive, aqueles que estão vazios, de maior escala ou menor escala, que são os bens que demandam maiores observações. Em um mapa síntese, buscou-se marcar um eixo estruturador de ligação / COSTURA. Um eixo principal então foi demarcado no percurso que apresenta mais bens patrimoniais sem uso e também tem o grande ponto de mobilidade que é a rodoviária. Também são marcados os imóveis próximos, passíveis de intervenção e também os Parques. Esse eixo então definiu-se da Av. Marechal Costa e Silva, passando pela antiga fábrica Matarazzo, e nas proximidades do Barracão e da Cerâmica São Luiz, e as áreas vazias que ali se encontram. O eixo então continua pela Av. Jerônimo Gonçalves, passando pela Antiga cervejaria Antartica, pela Rodoviária, pelos Estúdios Kaiser, pela Antiga Algodoeira, pelo Parque Maurilio Biagi e segue rumo a Av. do Café, e faz ligação com o Museu do Café e o Museu Histórico de Ribeirão Preto.

Em uma bifurcação desse eixo principal, ele ao invés de seguir a Av. Jerônimo Gonçalves, continua para a Av. Francisco Junqueira, dá a volta no centro - o que cria a possibilidade de fácil acesso a essa área que reúne tantos bens patrimoniais - passando pela Av. Independência e pela Av. Nove de Julho e segue passando pelo Solar Villa-Lobos rumo a Av. Bandeirantes ou a Patriarca, onde liga-se aos Galpões Ceagesp, outro ponto importantíssimo para a proposta. Esse eixo pode ser melhor entendido a partir do mapa 17, e nas diretrizes que se seguem, porém este foi um pouco alterado conforme as demais análise, porém a costura continua passando pelos pontos mais importantes destacados.

68 Mapa

18 - Síntese Preliminar 1 (Base: PMRP. Organização: Flávia Vilas Boas)

10 261


Mapa 18 – Síntese Preliminar68


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto

7.5 ESTUDO DE VOCAÇÕES > DIRETRIZES DE USO Devido à abrangência do tema e dimensão da área, o que é proposto no presente TFG são em escala de estudos e diretrizes, a cerca de patrimônio, conservação e integração. Mediante uma análise geral, os novos usos propostos como diretrizes de conservação patrimonial para os imóveis serão, em sua grande maioria, de caráter institucional, pois deverão servir à população, prevalecendo em muitos deles o uso cultural. Cada área em particular tem suas características cada intervenção proposta deverá levar em conta os conceitos levantados em toda fundamentação teórica, defendendo a história da cidade e de sua população, onde cada mudança deverá ser feita de maneira a estudar-se os locais e atentando as especificidades de cada um. O objetivo geral visa a harmonia entre espaço, tempo e circulação, formará um percurso pela história da cidade, com vistas a uma integração social por meio dos novos usos aos bens, e é isso que norteará todas as intervenções, o respeito ao antigo e a integração com o novo.

Cabe aqui destacar os levantamentos essenciais para a elaboração de todo trabalho, em uma escala maior, para melhor compreensão, serão apresentados a seguir o MAPA GERAL DOS

FRAGMENTOS PATRIMONIAIS (Mapa 18) e em seguida o MAPA DOS BENS PATRIMONIAIS QUE SE ENCONTRAM VAZIOS, SEM USO, OU QUE CONSIDERA-SE MUDAR O USO ATUAL (Mapa 19), a estes destina-se os estudos de vocação e diretrizes de intervenção apresentadas ao longo do capítulo.

68 Mapa

18 - Mapa Fragmentos Patrimoniais – Ribeirão Preto (Base: PMRP. Dados: Goole Earth / Maps. Relatório Base. Organização: Flávia Vilas Boas). 69 Mapa 19 - Mapa Áreas Intervenções – (Base: PMRP. Dados: Goole Earth / Maps. Organização: Flávia Vilas Boas).

264 10


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

LEGENDA:

82

83

50

40

78

46

81 77

76

52

75

41 57 47

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

42 55 53

56

54

45

66

51 43 58

72

68

73

LAGO

44

60

71 93

48

59

49

61

87

69

67

7

4

63

74 65

84 62 64

70

91 90

PARQUE MUNICIPAL

23

92 86

8

85

1 3

19 18 20 21

2 39

31

5

16 17

CAVA DO BOSQUE

15

33

88

89

PARQUE

30 10

14 12

MUNICIPAL

11

9 27 36 38

35VALOR

28

37

24 13

34 22 32

26

6

25 29

0 50 100 250

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

HOSPITAL DAS

500

1000M


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

LEGENDA:

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

LAGO

TERMINAL

VAZIOS URBANOS SEM USO - ABANDONADO

0 50 100 250

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

HOSPITAL DAS

500

1000M


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.1 Metodologia e Diretrizes Gerais Todos bens patrimoniais passíveis de intervenções (Bens patrimoniais sem uso/vazio, ou que estão sendo descaracterizados pelo seu uso atual, ou alguns bens urbanos passíveis de melhorias) e destacados no mapa anterior, terão as propostas definidas a partir dos levantamentos e análises já apresentados, e além disso, outras pesquisas também serão acrescentadas, sendo o estudo de vocações baseado então na

leitura básica do local (dimensões, tipologia...), da história do bem e da área, a análise de faixas etárias nas proximidades, bem como as características de usos e equipamentos presentes em seus arredores, além destes estudos, também é muito importante levar em conta as

reinvindicações da população para o local, por meio de informações obtidas por entrevistas promovidas por diversos órgãos. No mais, diversos projetos realizados para a

implantação no local também poderão ser levados em conta em alguns casos. As propostas de uso se completaram com as propostas da integração entre os bens patrimoniais, uma vez que se compreende a situação atual da área total e dos arredores dos bens patrimoniais, pode-se propor diretrizes que melhorarem o fluxo nesses locais, e ligar um local com o outro de forma eficiente, de acordo com as demandas atuais, somada as novas demandas derivadas dos novos usos propostos.

Cabe lembrar que tudo isso tem o intuito de formar um conjunto, onde haja a costura dos fragmentos patrimoniais através da reintegração deste com o cotidiano, juntamente com a fácil circulação entre eles. O resultado que se propõe é um percurso que una todo o conjunto dos conjunto que permita contar a história da cidade, devido a isso as intervenções contarão com um padrão visual, de materialidade, e todo suporte de informações disponíveis em fácil acesso para toda população. *Devido ao pouco tempo disponível para o desenvolvimento desse trabalho final de graduação e por se tratar de uma área muito ampla, os planos serão desenvolvidos em escala de estudos e diretrizes, com aproximações mais detalhadas em alguns pontos para que se permita entender melhor algumas intervenções propostas. Os levantamentos não serão colocados em sua totalidade, sendo destacados somente os pontos mais importantes referentes a cada bem patrimonial. No mais, os imóveis que não foram feitas propostas de uso mais detalhadas, não terão seus usos modificados, mas caberá a todo o circuito passar por análises e intervenções urbanísticas, e a implantação de melhorias, caracterizando o conjunto cultural como uma unidade. ***

10 267


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto A partir de cada uma das análises/levantamentos destacados, cada bem patrimonial pode ser analisado mais detalhadamente, o que está presente no subcapítulo a seguir, onde estes serão divididos pelas áreas em que estão, para um entendimento mais fácil. Será primeiramente apresentado a problemática e as características do bem e em seguida é identificada uma vocação para o local, e então apresentada algumas medidas de intervenções cabíveis, exemplificando posteriormente, um antes e depois do local com a implantação de algumas intervenções cabíveis, sobretudo com enfoque no que se refere as ligações, sendo bem evidenciada a ciclofaixa que aqui representa a linha de costura entre estes. Exemplo de levantamento de faixas etárias– Fonte: IBGE Cidades. Exemplo Dados demográficos– Fonte: IBGE Cidades.

Pirâmide etária Rib. Preto – Fonte: IBGE

268 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.2 Estudos de Vocação e diretrizes – Área Central A área central apresenta grande parte dos bens patrimoniais selecionados para o estudo de vocações, totalizando 9 imóveis selecionados. - Hotel Brasil - Algodoeira - Palacete Joaquim Firmino - Solar Francisco Murdocco - Palacete Jorge Lobato - Palacete Albino de Camargo Netto - Palacete Camilo de Matos - MARP - Biblioteca Altino Arantes

HOTEL BRASIL: Dados locais: O prédio conta com uma área de quase 2.000 m². Tem 3 pavimentos. Dados da história do bem: O prédio data de 1921 e foi um hotel muito famoso na cidade. De arquitetura eclética, foi construído no período do auge cafeeiro na cidade. (Vide ficha do imóvel)* Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O imóvel fica em uma das avenidas que formam o quadrilátero central, na chamada “baixada”. Do seu lado da avenida, pertencendo a uma área com alto índice de uso comercial e sobretudo prestação de serviços, e do outro lado, uma área com equipamentos como uma UBDS, rodoviária e praça, este lado da avenida está sempre movimentado devido a esses equipamentos, porém é considerada uma área bem perigosa. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades, não há muita presença de crianças, tendo esse número aumentando a partir de adolescentes e com bastante incidência de jovens entre 20-24 anos. Esse número diminui para as faixas adultas, e volta a subir com pessoas acima de 60 anos, mas a faixa de jovens entre 20-24 ainda é maior. Dados das reinvindicações da população: De acordo com pesquisas feitas pela Rede de Identidades Culturais (2010), a população considera o Hotel Brasil um dos bens patrimoniais mais importantes da cidade e acreditam que algo social/cultural deva ser feito ali.

269 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Dados de projetos para a área: Sabe-se que existem vários projetos estudantis para a revitalização do Hotel Brasil, porém nenhum com o apoio municipal foi encontrado. O imóvel é privado, e seus proprietários começaram reformas nele mas não apresentaram a documentação necessária ao CONPPAC, então a obra foi embargada. VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO =

ALBERGUE SOCIAL

CENTRO DE APOIO /

A proposta de um centro de apoio e albergue social se dá primeiramente pela área em que se encontra o imóvel, uma vez que o local tem alto índice de moradores de ruas e de pessoas que precisam de auxilio. Além de estar muito próximo a rodoviária. Outro motivo se dá pelo fato da própria configuração e história do imóvel, onde essa proposta seria uma forma de continuar em certa parte o caráter de seu uso original. A proposta é que o albergue funcione durante a noite para acolher moradores, e durante o dia sirva como um centro de apoio, que encaminharia essas e demais pessoas aos órgãos sociais/culturais que estivessem interessadas, além de fornecer informações sobre o circuito.

Fotomontagem realizada pela autora, com algumas intervenções propostas.

DIRETRIZES DE INTEGRAÇÃO = A partir dos estudos para a implantação da ciclofaixa, ela deverá passar na Avenida Jerônimo Gonçalves, promovendo a ligação desse e outros patrimônios com vários outros, conforme o mapa das ciclofaixa destacará mais adiante.

270 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.2 Estudos de Vocação e diretrizes – Área Central Dados locais: O terreno ocupa metade de um quarteirão e atualmente está praticamente vazio, cerca de 75% do prédio da antiga algodoeira foi demolido, restando apenas a fachada, treliças e frontão. Dados da história do bem: Data de 1932-1935 e foi um dos primeiros galpões industriais construídos na cidade. De arquitetura inglesa, esse bem patrimonial já é da época da industrialização em Rib. Preto, época posterior a queda do café. Atualmente é de propriedade privada da Igreja Universal. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O terreno fica na chamada “baixada” da área central, em uma área com a presença de comércio, prestação de serviço, mas com mais índice residencial. Na quadra ao lado encontra-se a sede da CODERP (órgão municipal), e também um terminal urbano construído recentemente. Do outro lado da av. encontra-se o Parque Maurílio Biaggi e a Câmara Municipal. Também é próxima da rodoviária central. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades, não há muita presença de crianças, tendo esse número aumentando a partir de adolescentes e tendo presença média de jovens entre 20-24 anos. Esse número diminui para as faixas adultas, e volta a subir com pessoas acima de 60 anos nas proximidades, mas que também é um número médio, sendo um pouco maior que a população de jovens.

ANTIGA ALGODOEIRA: Dados das reinvindicações da população: Não foram encontradas informações sobre. Dados de projetos para a área: A Igreja Internacional da Graça de Deus, proprietária do terreno, pretende construir um tempo ali. O projeto teria capacidade para alojar 2 mil pessoas e teria 5 andares, e estava em conformidade com o CONPPAC, porém nada foi feito até hoje. VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO =

IDOSO

CENTRO DE APOIO AO

A proposta de um centro de apoio ao idoso se dá sobretudo pelo alto índice de idosos na região central. O local foi escolhido para abrigar este, visto as dimensões da área, e estar em sua maior parte sem nada construído, o que facilita a construção de um centro totalmente adaptado as necessidades dos usuários, sem precisar mexer no patrimônio em si, que seria o caso extremo e inviável se optasse por instalar esse centro em um bem totalmente edificado, como algum casarão. A proposta é um centro que dê o suporte para a população mais velha da cidade, oferecendo atividades de saúde, de assistência social, de atividades físicas, de recreação, podendo usar o parque em frente para complementar estas atividades.

271 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.2 Estudos de Vocação e diretrizes – Área Central PALACETE JOAQUIM FIRMINO + PRAÇA DAS BANDEIRAS: Dados locais: O casarão conta com 2 pavimentos, localizados na esquina em frente a Praça das Bandeiras. E tem um anexo de 3 pavimentos, construídos posteriormente. Esse é um dos poucos casarões que é um bem público. Dados da história do bem: O prédio data do início do século XX, sendo mais um remanescente da arquitetura residencial desse período na cidade, o período do auge cafeeiro e da arquitetura eclética. Foi residência de um dos prefeitos da cidade. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O imóvel fica em uma área predominantemente comercial e de prestação de serviços, com alguns prédios residenciais próximos. . A algumas quadras se encontra uma escola estadual de ensino fundamental e médio, e um colégio particular do ensino infantil ao médio. Além de ficar em frente a Praça das Bandeira e a Catedral. É um ponto que, atualmente, recebe muitas pessoas, sobretudo pelo ponto principal de ônibus da cidade, e pela Igreja, sendo o coração do centro. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades não há muita incidência de crianças, aumentando o número de pessoas partir de 15 anos (número baixo), com incidência média e equiparada entre faixas etárias entre 20-54 anos. E maior incidência de pessoas com mais de 60 anos de idade. Dados das reinvindicações da população: Como o imóvel está em uso, não foram encontrados dados sobre.

Dados de projetos para a área: Como o imóvel está em uso, não foram encontrados dados sobre. VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO =

CENTRO ARTESANATO

A proposta se dá primeiramente, com base em informações do plano municipal de cultura, que destaca a produção de artesanato na cidade, e afirma que é preciso que os artesãos tenham mais suporte e se organizem, para fortificar o seguimento. Pensando nisso, essa proposta é a de implantação de um Centro de Artesanato. O local foi escolhido por sua proximidade com a Praça das Bandeiras, onde existe uma feira de artesanato que acontece em vários dias da semana, sendo uma área que já tem esse caráter, e a praça seria como uma extensão do centro. O prédio em questão está sendo utilizado pela Polícia Militar, porém pode ser transferido para outro local próximo. A proposta é um centro que servirá de sede para os artesãos, para suas oficinas e também espaço para aulas de artesanato. O local conta com o casarão original, e também um anexo, que dará todo o suporte e espaço para as salas de aula/oficinas.

272 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para RibeirĂŁo Preto

Fotomontagem realizada pela autora, com algumas intervençþes propostas.

273 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.2 Estudos de Vocação e diretrizes – Área Central Dados locais: O uso atual do Solar consiste em um bar no pavimento térreo e residência no pavimento superior, e o imóvel é de porte pequeno. Acredita-se que esses usos não dão o valor necessário a esse bem patrimonial, inclusive a fachada foi bastante descaracterizada pelo uso do bar, a instalação de letreiro, propagandas. Dados da história do bem: O prédio data de 1916, mas não se obteve maiores informações sobre. Dados proximidades – Usos / Equipamentos: Em seus arredores há bastante prestação de serviço e comércio, também um pouco residencial e também há um colégio de ensino básico e médio.

SOLAR FRANCISCO MURDOCCO: A partir desses dados, e visto o pequeno porte do edifício, a proposta para ele é um PONTO DIGITAL, que sirva tanto para a população mais velha, quanto a mais jovem. O ponto deverá contar com todo suporte para auxilio dos usuários. A proposta integra o passado do local com a atualidade, na era digital. Assim como todos outros bens que farão parte do “conjunto”, este também seguirá o padrão visual e/de informações sobre a história da cidade e como este faz parte dela.

Dados proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades se encontram parte de população jovem, sendo menor incidência de crianças e maior de jovens acima de 15 anos, e a maior parte de população acima de 60 anos. Dados das reinvindicações da população: Não foram encontrados dados. Dados de projetos para a área: Não há conhecimento de nenhum projeto para esse bem. VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO

ESPAÇO CAFÉ

=

PONTO DIGITAL /

274 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto DIRETRIZES DE INTEGRAÇÃO = A rua do imóvel conta com 3 faixas, sendo usadas 2 como estacionamento e uma para passagem. Essa rua terá a sua faixa direita, que hoje é destinada a estacionamento, transformada em ciclovia. A ciclovia passará em frente o imóvel, que terá como mobiliário de apoio um bicicletário, e a instalação de semáforos nos seus arredores, melhoramento das calçadas.

Fotomontagem realizada pela autora, com algumas intervenções propostas.

275 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.2 Estudos de Vocação e diretrizes – Área Central Dados locais: O terreno do palacete em cerca de 2000m² (500m² de área construída). O imóvel tem dois pavimentos, porão e jardim. Dados da história do bem: O prédio data de 1922, com uso original residencial. O prédio é um dos remanescentes do auge do café na região, servindo de residência a um membro importante na história da cidade. Dados proximidades – Usos / Equipamentos: Fica a uma quadra da Praça das Bandeira e da Catedral. Em uma área com bastante incidência de uso comercial e prestação de serviço, também há pouca presença de uso residencial. Há escolas perto, mas não exatamente no entorno imediato do imóvel. Dados proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades não há muita incidência de crianças, aumentando o número de pessoas partir de 15 anos (número baixo), com incidência média de jovens entre 20-24 anos, pouca presença também de população entre 30-54 anos, com uma taxa alta de pessoas acima de 60 anos de idade. Dados das reinvindicações da população: A população reivindica que algo seja feito nesse imóvel, seja algo cultural ou comercial, mas que não deixem o casarão se perder como vem acontecendo.

PALACETE JORGE LOBATO: Dados de projetos para a área: Dois irmãos compraram o imóvel e estão realizando os levantamentos em conjunto a Universidade Moura Lacerda. A intenção é transformar o local em algo que conte sua história, como um café e espaço para artes.

VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO = CAFÉ / ESPAÇO

ARTES

Devido sua história no auge do ciclo do café e estar localizado na área central da cidade, em uma área predominantemente comercial, que se torna um tanto vazia durante a noite, a proposta para esse Palacete, seguindo também a sugestão dos novos donos, é abrigar um CAFÉ / ESPAÇO ARTE. A intenção é que o local fique aberto tanto durante o dia, quanto a noite, atendendo tanto a pessoas mais velhas, quanto jovens presentes na área e na cidade, atraindo desde pessoas que queiram fazer uma pausa, se alimentar, até pessoas que buscam interação e sobretudo um pouco de cultura e arte, que além do próprio prédio representar isso, ele também abrigará exposições de arte. As pessoas que ali passarem poderão saber um pouco mais sobre a história da cidade e trocar vivências.

10 276


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.2 Estudos de Vocação e diretrizes – Área Central Dados locais: O imóvel tem 2 pavimentos, e se encontra em ruínas. Dados da história do bem: O prédio data do início do século XX, sendo mais um remanescente da arquitetura residencial desse período na cidade, o período do auge cafeeiro e da arquitetura eclética. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O imóvel fica em uma área predominantemente comercial e de prestação de serviços, e a uma quadra deste há um grande colégio de ensino básico. Ainda é bem próximo da Praça XV de setembro, do Teatro Pedro II e do CCP. Vale ressaltar que o imóvel fica entre dois estacionamentos, que podem ser desapropriados para servir como extensão do novo uso. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades não há muita incidência de crianças, aumentando o número de pessoas partir de 15 anos (número baixo), com incidência média e equiparada entre faixas etárias entre 20-54 anos. E maior incidência de pessoas com mais de 60 anos de idade. Dados das reinvindicações da população: O palacete se encontra em ruínas, e sem vigilância e com portões abertos, transformou-se em abrigo para mendigos e usuários de drogas. O local acumula muito lixo e causa vários transtornos para a população próxima, que reivindica que algo seja feito no local. A Dona diz que não tem condições de fazer algo sozinha, e a prefeitura também não entram em acordo.

PALACETE ALBINO DE CAMARGO NETO: Dados de projetos para a área: Não há projetos encaminhados para o local, porém a dona diz tentar fazer um memorial. E em indicação do blog “Largado às Traças”, no local poderia ser feito um local de pesquisa arqueológica.

VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO =

ARTES CÊNICAS

CENTRO MÚSICA /

A proposta se dá pelo fato da proximidade com o Teatro Pedro II e o CCP, onde estes e o novo centro poderiam complementar suas atividades. Além de poder oferecer parcerias com o colégio próximo. Levando em conta a desapropriação dos estacionamentos, há área suficiente para a proposta. Sabe-se que falta mais espaços desse na cidade, uma vez que a maior concentração de atividades desse segmento está localizada no Centro Cultural do Campos Elíseos, e menos em outros centros culturais da cidade, que não são suficientes. A localidade fica muito vazia durante a noite, e esse centro daria vida para o local. Todos os públicos de diversas faixas etárias poderiam ser atendidos.

277 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.2 Estudos de Vocação e diretrizes – Área Central PALACETE CAMILO DE MATOS + PRAÇA XV + BIBLIOTECA ALTINO ARANTES: Dados locais: O imóvel tem 2 pavimentos, e encontra-se abandonado, a mercê do tempo, porém tem muro e é vigiado, para diminuir as ocorrências de invasão. O terreno possui uma área total de aproximadamente 400m². É um bem privado. Dados da história do bem: O prédio data do início de 1920, sendo mais um remanescente da arquitetura residencial desse período na cidade, o período do auge cafeeiro e da arquitetura eclética. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O imóvel fica em uma área predominantemente comercial e de prestação de serviços, porém com mais incidência de uso residencial no entorno imediato. Fica em frente a Praça XV de Setembro e bem próximo ao quarteirão paulista. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades não há muita incidência de crianças, aumentando o número de pessoas partir de 15 anos (número baixo), com incidência média e equiparada entre faixas etárias entre 20-54 anos. E maior incidência de pessoas com mais de 60 anos de idade. Dados das reinvindicações da população: Assim como os demais casarões, a população reivindica que algo seja feito, pois os imóveis estão se desfazendo com o tempo, além de ser um lugar que pode ser invadido por população indesejada e animais transmissores de doenças.

Dados de projetos para a área: Desde 2011 há um projeto para tornar o imóvel sede da Fundação Feira do Livro, segundo site da cidade e plano da cultura, mas não foi encontrado nenhum documento sobre. VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO = SEDE FUNDAÇÃO DA FEIRA

DO LIVRO

Um dos eventos mais importantes da cidade é a Feira do Livro que acontece todos os anos. São desenvolvidas atividades e exposições em torno desse universo na área central da cidade, sobretudo no Teatro Pedro II e na Praça XV. Atualmente a maior responsável por essa feira é a Fundação da Feira do Livro, criada especificadamente para tal. Esse órgão não tem sede própria ainda, e segundo o plano municipal de cultura, isso facilitaria seu funcionamento. Por isso a proposta segue o préestabelecido. O local seria ideal para tal, pois é em frente a Praça XV de Novembro, onde acontece a feira em si, e próxima também aos demais locais que realizam-se as atividades. Além de estar muito próximo a biblioteca Altino Arantes (que já conta com projeto de ampliação pela prefeitura municipal), que deverá complementar essas atividades. O local deverá ser aberto ao público, e com um local próprio, pode oferecer atividades culturais ao longo de todo ano, além do período da feira, atividades para todas as faixas etárias.

278 10


Cabe destacar aqui que foi desenvolvido um mobiliário para fazer parte e dar identidade ao percurso cultural, permeado pela ciclofaixa, este que será melhor detalhado no próximo subcapítulo. * A maioria das fotomontagens foram feitas em cima de fotos do Google Earth/Street View.

Fotomontagem realizada pela autora, com algumas intervenções propostas.

279 10


Fotomontagem realizada pela autora, com algumas intervençþes propostas. Biblioteca Altino Artantes.

280 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.2 Estudos de Vocação e diretrizes – Área Central Dados locais: O imóvel tem 2 pavimentos, e um porão. Atualmente abriga o Museu de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto. Dados da história do bem: O prédio data de 1908, e foi construído para ser sede do Clube da Sociedade Recreativa de Rib. Preto. Abrigou também a câmara municipal e partir de 1992 passou a ser um Museu. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O imóvel fica em uma área predominantemente comercial e de prestação de serviços, porém com alguma incidência de uso residencial. Fica em frente a Praça Carlos Gomes e bem próximo a usos institucionais e outros bens patrimoniais em destaque, como o Palácio do Rio Branco e casarões. Também é bem próxima a um grande colégio do ensino infantil ao médio. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades não há muita incidência de crianças, aumentando o número de pessoas partir de 15 anos (número baixo), com incidência média-baixa e equiparada entre faixas etárias entre 2049 anos. E o índice aumenta a partir dos 50 anos, com maior concentração de pessoas acima de 60 anos de idade.

MARP + PRAÇA CARLOS GOMES: VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO =

PRAÇA

AMPLIACÃO MARP +

A proposta não tem o intuito de dar outro uso ao MARP, porém coube destacar que são possíveis ampliações do mesmo, e melhorias, para que este se torne um museu maior e bem melhor equipado, além de dar mais suporte aos usuários. Anexos podem ser criados a partir da desapropriação dos terrenos adjacentes ao imóvel. A proposta também visa estender as atividades do museu para a Praça Carlos Gomes, tornando-os um conjunto cultural. DIRETRIZES DE INTEGRAÇÃO = Implantar um calçadão entre o MARP e a Praça, promovendo integração entre esses espaços e abrindo-o como um espaço de convívio para as pessoas.

Dados das reinvindicações da população: Não foram encontrados dados sobre. Dados de projetos para a área: Sabe-se que há diversos projetos estudantis para melhorias e ampliações do MARP, porém não foi encontrado nenhum com apoio municipal de fato.

281 10


282 10


283 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.3 Estudos de Vocação e diretrizes – Vila Virgínia A área em questão guarda um dos bens patrimoniais mais importantes da cidade, sendo um dos exemplares mais antigos, que é a Casa Caramuru, além dos Gslpões Ceagesp, que apresenta grande potencial para uso cultural, institucional, ambiental. - Solar Villa-Lobos/ Casa Caramuru - Armazéns Gerais / Galpões Ceagesp

SOLAR VILLA-LOBOS / CASA CARAMURU Dados locais: Construída a meia encosta, o imóvel conta com térreo e porão habitável. Tem quartos que se abrem para uma varanda, construídos sob o porão. A cozinha e o banheiro ficam nos fundos da casa sob o terreno. Seu acesso principal atual é pela Av. Caramuru. Tem aproximadamente 550-600m². Dados da história do bem: É uma das primeiras casas a serem construídas em Ribeirão Preto, datando de aprox. 1883. Era a sede de uma fazenda, apresentando tipologia rural, que foi sendo modificada ao longo do tempo, inclusive sua fachada foi incorporada a construção na década de 1890. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O imóvel fica em uma avenida, em uma área que mescla o uso de prestação de serviços, comercio e residência. Não há nenhum equipamento muito importante mais próximo. Há terrenos vagos nas proximidades. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades não há muita incidência de crianças menores de 5 anos, aumentando o número de pessoas partir de 6-19 anos, com incidência um pouco maior de jovens de 20-24 anos, e volta a diminuir entre 30-49 anos. O índice volta a aumentar a partir dos 50 anos, com maior concentração de pessoas acima de 60 anos de idade (mas mesmo assim não é muito).

284 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.3 Estudos de Vocação e diretrizes – Vila Virginia Dados das reinvindicações da população: Há mais de 30 anos, depois do seu tombamento, a população espera uma resposta a esse patrimônio tão importante da cidade. A intenção maior é dar a ele um uso cultural aberto à população. Dados de projetos para a área: Projetos já foram encaminhados com verbas estaduais e também municipais para o restauro da casa, inclusive foi realizado um concurso público de restauro, em 2012/2013, por meio do Programa de Ação Cultural (ProAC), mantido pela Secretaria de Estado da Cultura, o ganhador foi Siaa Mpdm Arquitetos Ltda. A proposta é transformar o local em um espaço cultural, com café, biblioteca, sala de leitura, espaço aberto, e suporte. Vale lembrar que nada saiu do papel ainda. VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO = ESPAÇO

A proposta também inclui anexos, para que se interfira o mínimo possível nas estruturas da casa. Com essa proposta, o local passará a dar um caráter cultural a área, que é bem carente nesse aspecto, e atenderá a população da região e todos interessados em cultura, arte, patrimônio, e evolução urbana. DIRETRIZES DE INTEGRAÇÃO = Para a ligação deste patrimônio com os demais, é proposta uma ciclofaixa margeando o canteiro da Av. Caramuru, passando em frente ao imóvel.

CULTURAL

A proposta para esse bem seguirá a proposta já realizada pelo concurso acima mencionado. O projeto está pronto, aguardando verbas e autorizações. A proposta é transformar o imóvel em um espaço cultural que abrigará uma biblioteca, um café, salas de estudos, recepção do CONPPAC, e todo suporte necessário. A proposta inclui a desapropriação do bar que fica na esquina da casa, em seu lote, para que ali se crie um novo ponto visual e um novo acesso ao espaço aberto que estará vinculado à casa.

285 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para RibeirĂŁo Preto

Projeto proposto por Siaa Mpdm Arquitetos Ltda .

286 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.3 Estudos de Vocação e diretrizes – Vila Virginia Dados locais: Trata-se de uma vasta área com dois galpões edificados, além da caixa d’água e da balança. Um dos galpões está em ruínas, sobrando apenas alguns pilares e suas fachadas. O outro galpão está em estado razoável de conservação e é em parte utilizado pela prefeitura municipal como banco de alimentos. A área total do terreno tem por volta de 67.000m², sendo o Galpão A (ruínas): 13;340m² e o Galpão B: 10.321m². Dados da história do bem: Vide ficha imóvel* Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O imóvel fica entre duas avenidas. Do lado da Av. Patriarca, é uma área de uso predominante residencial, com alguma incidência de prestação de serviços em terrenos maiores próximos. Há duas escolas estaduais de ensino fundamental e médio nas proximidades. Há também alguns terrenos vazios, de porte pequeno à médio (até cerca de meio quarteirão). Já no lado da Av. Bandeirantes, a predominância é de terrenos grandes com o uso de prestação de serviços e indústria, e também há incidência de grandes terrenos vazios, além da proximidade do córrego. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades não há muita incidência de crianças menores de 5 anos, aumentando o número de pessoas partir de 6-19 anos, com incidência um pouco maior de jovens de 20-24 anos, e volta a diminuir entre 30-49 anos. O índice volta a aumentar a partir dos 50 anos, com maior concentração de pessoas acima de 60 anos de idade (mas mesmo assim não é muito).

GALPÕES CEAGESP: Dados das reinvindicações da população: A população reclama do abandono do local, que apesar de em parte estar sendo utilizado como banco de alimentos pela prefeitura, o restante do terreno fica a mercê de usuários de drogas e baderneiros. A área é bem grande e poderia abrigar um espaço cultural, educacional, e afins. Dados de projetos para a área: Sabe-se que existem vários projetos estudantis para o local, e também alguns de arquitetos. Um dos projetos mais significativo é a Sede do Projeto Dança Vida (projeto social que atende cerca de 307 crianças e jovens), desenvolvido pelo design Pedro Useche em parceria com R2B arquitetos. O projeto era para ter começado em 2013/2014, porém o impasse com a prefeitura não deixa o projeto sair do papel, pois a prefeitura mostra-se mais interessada em vender o local, que é avaliado em 6,8 milhões de reais (aproveitando que ele pode ser vendido, pois está em processo provisório de tombamento, tendo seu tombamento definitivo negado, devido ao interesse de venda). Porém, em contrapartida a essas informações, no plano municipal de cultura, válido de 2010-2020, há a destinação de recursos e intenções para a restauração dos galpões e a transformação da área em um amplo centro cultural com foco na formação.

COMPLEXO CULTURAL (+SEDE PROJETO DANÇA VIDA) + PARQUE (+EDUCAÇÃO AMBIENTAL)

VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO =


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Visto a grande área disponível, a intenção é seguir as propostas culturais previamente analisadas. A proposta é, primeiramente, sem tirar dali o uso como banco de alimentos, que já uma característica do local, e restaurar os galpões, transformando-os em áreas de um amplo centro cultural, que abrigará também o projeto dança vida, além de . Como a área é vasta, anexos deverão ser feitos para o melhor atendimento possível e de uma forma integrada. Com a proximidade do córrego Laureano, o projeto poderá ser integrado a um parque linear e áreas para a educação ambiental, que aumentará o complexo, além de também poder ter ligação com a USP e os Museus, com o parque Maurilio Biaggi, e a casa Caramuru. A proposta dará vida a essa área que está degradada, e será aberto a população da região. DIRETRIZES DE INTEGRAÇÃO = Prevista uma ciclovia que atravesse o terreno e ligue com o parque linear, até chegar os museus da USP.

2 288


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.4 Estudos de Vocação e diretrizes – Campos Elíseos - Antiga Fábrica Matarazzo/Cianê - Antigo Imóvel da Cia São Paulo e Minas - Antiga Fábrica de Cerveja Bertoldi - Antiga Cerâmica São Luiz -Antiga Secretaria da Cultura do Bairro

ANTIGA FÁBRICA MATARAZZO/CIANÊ: Dados locais: Trata-se de uma vasta área com 3 galpões industriais históricos e anexos. De propriedade da prefeitura municipal, a área total tem 40.000m², dentre esses 8.000m² de área construída. Dados da história do bem: Os galpões foram construídos em 1945-1951 para abrigarem a fábrica de tecidos e todo suporte. Instalados ali pela área estar se tornando, à época, um grande eixo industrial da cidade. Após a falência da Matarazzo em 1981, a Cianê comprou a fábrica, e também decretou falência em 1994. Atualmente, parte da área é da prefeitura. Os galpões são remanescentes da época da ascensão da indústria na cidade, que deixou suas cascas abandonadas, e hoje estão à mercê do tempo, e degradando a região, apesar de vários projetos para sua revitalização. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: A área fica entre duas avenidas de fluxo mais rápido, tendo acesso pelas duas. Fica no bairro mais populoso da cidade e em suas proximidades há todo tipo de uso, com mais proximidade de comércio e prestação de serviço nas avenidas. É próximo da Santa Casa de Misericórdia, da Secretaria Municipal de Saúde Mental – CAPS III, de órgãos sociais, de algumas escolas de educação infantil, e com certa proximidade com o Centro Cultural do Campos Elíseos. Encontrase algumas áreas vazias de grande porte nas proximidades.

289 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades há incidência baixa de crianças e jovens até 19 anos, aumentando um pouco esses números entre jovens e adultos entre as faixas de 20-54 anos. Com um índice maior de idosos com mais de 60 anos. Dados das reinvindicações da população: A população reclama do abandono do local, sobretudo por ser um grande polo de atração para usuários de drogas e baderneiros. Um local que poderia estar beneficiando a área, está causando perigo. Dados de projetos para a área: Já foram feitos vários projetos para a recuperação dessa área, entre as propostas e projetos com o apoio da prefeitura ou realizados por ela, está, em 2010, proposto pelo Plano Municipal da Cultural, o Centro Cultural Cianê, que seria constituído de 4 galpões, onde um abrigaria um memorial da Fábrica de Tecido Matarazzo, mais web café, loja de suvenir, recepção; um outro abrigaria um espaço destinado ao centro de formação, ofertando cursos relacionados ao universo cultural; o terceiro abrigaria a nova sede do Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto, Fundação Instituto do Livro e Biblioteca; e o quarto galpão abrigaria o Museu da Imagem e do Som. Em 2011 houve outro projeto para a área, que seria a implantação de uma FATEC. E Em 2014 uma nova proposta foi feita para a área com a implantação do IFSP – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Porém, até hoje nenhum desses projetos saiu do papel. VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO = CENTRO

CIÊNCIA E TECNOLOGIA.

Das propostas previamente analisadas, acredita-se que a melhor proposta para a área é a implantação de um centro de educação, ciência e tecnologia, nos moldes do instituto proposto em 2014. O local conta com uma localização boa para tal, pois tem fácil acesso através de duas avenidas importantes da cidade, estas que também se conectam com as saídas da cidade, facilitando os usuários de outras cidades, pois se tratará de um equipamento regional. A área conta com áreas vazias em seu entorno, o que também possibilitaria a implantação de núcleos de apoio/suporte, se necessário. O projeto atenderá centenas de pessoas da cidade (cerca de 30 bairros da cidade, segundo a divulgação inicial do IFSP) e da região, oferecendo gratuitamente ensino médio, superior e profissionalizante, também com parcerias com as escolas do bairro e da cidade. O complexo cultural proposto pelo plano da cultura não será descartado, apenas a proposta será tratada em outro local (Cervejaria Antarctica).

DE EDUCAÇÃO,

10 290


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.4 Estudos de Vocação e diretrizes – Campos Elíseos Dados locais: Não foram encontradas muitas informações sobre o local, em uma visita a área pode-se constatar que o imóvel encontra-se em parte edificado, com a tipologia de um galpão industrial, e ao lado há um terreno com indicações que também faz parte da fábrica, mas que a edificação ali foi demolida. A área construída tem por volta de 550-600m², e somando a área demolida, o terreno todo tem por volta de 1500m². É um imóvel térreo. Dados da história do bem: A construção data de 1900-1901. Foi uma fábrica importante na cidade, a primeira a obter maior sucesso. Instalada em um dos eixos comerciais/industriais do bairro, teve sua falência decretada devido as novas concorrentes que chegaram na cidade (Cia Paulista e Antarctica), e uma administração falha. O imóvel não é tombado. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O bairro em que está situado é um bairro de uso bem misto, por isso em suas proximidades, com destaque para sua localização próximo a uma avenida e estar em uma rua principal, se encontra o uso residencial, comercial, prestação de serviços, institucionais, religioso, esportivo, com destaque para igrejas e sindicatos. Há alguns colégios particulares de educação infantil próximos, inclusive na mesma quadra que o imóvel se encontra um, além da escola de ensino fundamental E.E A. Diederichsen. Também há próxima uma escola estadual de ensino médio.

Antiga Fábrica de Cervejas Livi & Bertoldi aumentando um pouco esses números entre jovens e adultos entre as faixas de 20-49 anos. Com um índice maior de pessoas entre 5059 anos, aumentando ainda mais para idosos com mais de 60 anos. Dados das reinvindicações da população: Não foram encontrados dados sobre. Dados de projetos para a área: Não foram encontrados dados sobre. VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO =

MUSEU DA CULTURA

ITALIANA É proposto um uso compatível com sua história e também aconselha-se ser feito algo em torno da ação social, visto que Quarto Bertoldi, tinha uma intensa vida social, ajudou na fundação do Grupo Escolar Antônio Diederichsen, trabalhou com Padre Euclides na instalação da santa Casa, ajudou os padres Olivetanos na construção da Abadia de Santo Antônio, entre outras ações sociais. Ele faleceu em 1867.

Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades há incidência baixa de crianças e jovens até 19 anos,

291 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.4 Estudos de Vocação e diretrizes – Campos Elíseos Dados locais: Atualmente, restou da cerâmica três chaminés, forno industrial, pórtico de entrada, rua interna de entrada, rua interna com calçamento em paralelepípedos, o conjunto de prédios formado pela antiga casa do caseiro e galpão contíguo, e as árvores existentes no entorno. Estes elementos são protegidos por lei e por isso foram salvos, apesar do restante ter sido demolido. Restou muito pouco, mas ainda dá para se fazer algo. Dados da história do bem: A construção data de 1932. Foi um símbolo do desenvolvimento do bairro, e de seu caráter operário. Funcionou até 1995. Em 2003 teve boa parte de suas instalações demolidas para a dar lugar a um hipermercado. Atualmente, o que sobrou da cerâmica só é acessado pelo estacionamento do supermercado, e funciona ali a sede da ONG Viva Cidade, que promove atividades culturais. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O bairro em que está situado é um bairro de uso bem misto, além de se localizar em uma avenida com predominância de prestação de serviços. Há também a presença maior de uso comercial e residencial. Há uma escola estadual de ensino médio. E tem uma certa proximidade com o corpo de bombeiros e o centro cultural do Campos Elíseos. Há também terrenos vazios em suas proximidades. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades há incidência baixa de crianças e jovens até 19 anos, aumentando um pouco esses números entre jovens e adultos entre as faixas de 20-49 anos. Com um índice maior de pessoas entre 50-59 anos, aumentando ainda mais para idosos com mais de 60 anos.

Remanescentes da Antiga Cerâmica São Luiz: Dados das reinvindicações da população: A demolição de parte da cerâmica em detrimento da construção de um estabelecimento comercial, foi um total descaso com o patrimônio da cidade, sobretudo porque esse bem já era tombado. Como punição, os responsáveis tiveram que recuperar outro bem (UGT) da cidade, porém ainda se luta pela restauração da parte que sobrou da cerâmica. Dados de projetos para a área: Não foram encontrados projetos para o local (Após sua demolição, pois foi encontrado um de antes), mas a ONG Viva Cidade, que tem ali sua sede, já dá um uso cultural ao local e realiza vários eventos para arrecadação de fundos para a revitalização do local. A proposta da ONG é de um centro de documentação e educação patrimonial, recentemente a biblioteca foi reinaugurada. VOCAÇÕES

/

DIRETRIZES

DOCUMENTAÇÃO BIBLIOTECA

E

DE

USO

EDUCAÇÃO

CENTRO DE PATRIMONIAL + =

A proposta para este bem segue a proposta da ONG Viva Cidade, sobretudo por ela ter grande embasamento na própria história do local, visto que a educação patrimonial é algo necessário na cidade, além de um local de documentação, pois isso facilitaria muito as pesquisas

10 292


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.4 Estudos de Vocação e diretrizes – Campos Elíseos sobre o assunto, este que precisa ser muito difundido ainda, para que todos tenham conhecimento da importância dos bens patrimoniais na história, evolução e cotidiano da cidade. O centro poderá firmar parcerias com as escolas próximas, e também as demais. A biblioteca será importante suporte para as pesquisas realizadas. O local também pode ter um espaço de convivência/exposições. A proposta também engloba dar um acesso exclusivo ao centro, e dar independência ao centro, sem que precise ficar vinculado ao estacionamento do hipermercado.

293 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto

Dados locais: O imóvel é térreo e possui aprox. 450m². Fica em uma esquina, de frente a uma praça. Dados da história do bem: Não foram encontradas maiores informações sobre o bem, porém sabe-se que era a antiga secretaria da cultura do Campos Elíseos e foi até recentemente sede do 2° Distrito da Policia Civil, sendo desativado em 2013.

Antiga Secretaria da Cultura do Bairro: VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO = O imóvel não grandes

dimensões, porém pode ter uso em integração com a praça, ainda podendo ser também um ponto digital um pouco maior dos que os já proposto, para o Solar Francisco Murdocco, por exemplo.

Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O bairro em que está situado é um bairro de uso bem misto, além dele estar na esquina com a Av. da Saudade, há a predominância de comércio e prestação de serviço, além da presença de escolas e colégios de nível básico a médio, e próximo ao clube Palestra de Itália e a Igreja Santo Antônio. Localiza-se em frente a Praça Santa Antônio. Dados das proximidades – Faixa etária da população: As faixas etárias da área são bem equiparadas, apresentando baixos números de jovens, sobretudo entre 16-19, e também baixos níveis de adultos, o número aumenta um pouco para pessoas com mais de 60 anos, mas ainda é baixo. Dados das reinvindicações da população: Não foram encontrados dados sobre a antiga secretaria da cultura, porém sabe-se que, quando o Distrito Policial foi desativado em 2013, a população reclamou, pois o crime aumentou na região. Dados de projetos para a área: Não foram encontrados projetos para o local.

10 294


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para RibeirĂŁo Preto

295 10


296 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.5 Estudos de Vocação e diretrizes – Vila Tibério

- Antiga Cervejaria Antarctica - Lar Santana - Antigo Cine Vitória - Prédio Patrimonial Sem Uso - Antiga Fábrica de Garrafas - Conjunto Poliesportivo Botafogo

Antiga Cervejaria Antarctica Dados locais: A área do bem tem cerca de 35.000m², em uma localização de fácil acesso. Dados da história do bem: Construída em 1911, foi importantíssima para a modernização da cidade e dos bairros onde se localiza. Desativada em 2002, está abandonada desde então, até começarem as obras do Shopping em 2015. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O bem fica entre a área central da cidade e o bairro Vila Tibério. De frente a uma das avenidas mais importantes da cidade, a Av. Jerônimo Gonçalves. Na área predomina o uso residencial e prestação de serviço. Fica ao lado da praça da locomotiva e muito próxima ao UBDS, rodoviária e parque Maurilio Biaggi, além de estar de frente para os Estúdios Kaiser de Cinema ( Antiga Cia Paulista de Cervejaria). Nas suas proximidades também há centros de assistência social e a escola próxima é a E.E Sinhá Junqueira, na Vila Tibério. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades há incidência baixa de crianças e jovens até 19 anos, aumentando um pouco esses números entre jovens e adultos entre as faixas de 20-49 anos. Com um índice maior de pessoas entre 5059 anos, aumentando ainda mais para idosos com mais de 60 anos. Dados das reinvindicações da população: Muitas pessoas estão comemorando a realização de um projeto para o local, o que é muito esperado, de fato, porém há uma desconfiança se um Shopping foi a melhor opção.

297 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto

Dados de projetos para a área: O projeto do Shopping Buriti já está em andamento, iniciando as obras em 2015, o projeto vai demolir parte da cervejaria e preservar outras, como o prédio administrativo. O projeto foi aprovado pelo CONPPAC e já está em fase de obras. VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO =

CULTURA + MUSEU DA CERVEJA

COMPLEXO DA

Essa proposta vai contra a proposta do Shopping, pois há outros projetos que valorizariam mais o local, sem demolir tanto, e resguardariam mais a história do lugar. No plano municipal de cultura, há uma proposta para implantação de novas sedes do Arquivo Público e Histórico, Museu da Imagem e do Som, Fundação do Livro e Biblioteca, para a Fábrica Cianê, porém, como a proposta da Cianê é um Centro Tecnológico, e como a Cervejaria tem a área bem parecida, optou-se por passar essa proposta para esse local, sem a biblioteca (que deverá ser colocada em outro ponto, por falta de espaço), e com a inclusão do Museu da Cerveja, resgatando a história do local e dando utilidade pública. Isso valorizará a área e atrairá movimento para essa área que atualmente é considerada perigosa.

298 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para RibeirĂŁo Preto

299 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto

LAR SANTANA Dados locais: Sua área construída representa por volta de 6.642m², porém a área total do terreno ocupa mais de ¾ do quarteirão. Dados da história do bem: O lar foi criado para atender meninas da periferia e sempre foi cuidado por religiosos, que sofrem por falta de apoio dos órgãos públicos e tiveram que encerrar suas atividades em 2014.

VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO = RESTAURAÇÃO

REABERTURA

E

O lar realizava um trabalho social muito importante, por isso é proposto sua restauração, adequação e reabertura.

Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O bem se encontra em uma área predominantemente residencial, com algum uso esporádico de prestação de serviços e comércios. Na direção direita ao imóvel há certa incidência de usos institucionais, como centros sociais e associações, unidades de saúde, unidades policiais e também uso religioso. Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades há incidência baixa de crianças e jovens até 19 anos, aumentando um pouco esses números entre jovens e adultos entre as faixas de 20-49 anos. Com um índice maior de pessoas entre 5059 anos, aumentando ainda mais para idosos com mais de 60 anos. Dados das reinvindicações da população: Reabertura. Dados de projetos para a área: Não foram encontrados dados sobre.

300 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto

Antigo Cine Vitória Dados da história do bem: Vide ficha do imóvel. Dados das proximidades – Usos / Equipamentos: O bem se encontra em uma área com usos equiparados entre residencial, institucional, religioso, comércio e prestação de serviço, tendo esses últimos índices um pouco maiores. Também destaca-se a presença de centros sociais e assistenciais e usos esportivos. Há a presença da E.E .Sinhá Junqueira, que oferece ensino fundamental, e a Paróquia e a Praça Coração de Maria em frente o imóvel.

VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO = CENTRO DE ARTES

VISUAIS + CINEMA POPULAR (EXTENÇÃO PRAÇA) Recuperando seu caráter original. Visto um estacionamento que tem ao lado, pode-se aumentar seu programa.

Dados das proximidades – Faixa etária da população: Nas suas proximidades há incidência baixa de crianças e jovens até 19 anos, aumentando um pouco esses números entre jovens e adultos entre as faixas de 20-49 anos. Com um índice maior de pessoas entre 50-59 anos, aumentando ainda mais para idosos com mais de 60 anos. Dados das reinvindicações da população: Dar um uso a este espaço. Dados de projetos para a área: Não foram encontrados dados sobre.

301 10


302 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto 7.5.6 Estudos de Vocação e diretrizes – Ipiranga

Ipiranga: Estação Barracão Clube Atlético Brasileiro

ESTAÇÃO BARRACAO + PRAÇA + GALPÕES VOCAÇÕES / DIRETRIZES DE USO = CONJUNTO: MUSEU

TREM, ANEXOS E PRAÇA

DO

Já há uma proposta do Plano Municipal de Cultura para a implantação de um Museu do Trem em Rib. Preto. A Estação Barracão configura-se como um ótimo ponto para tal, ainda mais visto os galpões antigos ao seu lado e a praça (atualmente fechada). É proposto fazer um conjunto em torno do tema da ferrovia, do trem, recuperando assim o caráter original do local e revalorizando sua história, integrando-o com o presente.

303 10


304 10


305 10


306 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto

Não foram feitas análises e propostas de todos os imóveis listados como passíveis de intervenção, porém tendo a maior parte deles englobada e feitas as considerações sobre cada um, as diretrizes então ficam lançadas, é possível fazer o mesmo com os demais. Sempre buscando a integração entre o passado e o presente, conforme as demandas da história, cultura, e mobilidade, e atualidade. É possível reintegrar estes imóveis ao cotidiano da cidade, estudos não faltam para que isso seja colocado em prática, basta um pouco de força de vontade do poder público. Diante do mapeamento de bens patrimoniais abandonados ou sem uso, pode-se concluir que em Rib. Preto há grande potencial para fazer jus uma de suas denominações, como cidade cultural. Através de uma conservação integrada, isso é possível, de forma a apresentar qualidade aos usuários. No subcapítulo seguinte, uma vez elaboradas as vocações e diretrizes de usos dos bens patrimoniais, desenvolveu-se então a COSTURA entre eles, tendo a bicicleta escolhida como alternativa de ligação, sobretudo pela sua sustentabilidade, e desaceleração.

307 10


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto

7.6 A COSTURA ENTRE OS FRAGMENTOS PATRIMONIAIS Uma vez que os bens patrimoniais foram selecionados, tendo vocações estabelecidas a eles, propõe-se então as ligações entre eles, afim de se promover um conjunto cultural. É proposto um percurso de bicicleta, pois esta configura-se como uma solução simples de ser implantada e eficiente. Mas o maior fator que pesa nesta escolha, é o quesito de um percurso de bicicleta ser muito mais lento do que de algum automóvel. As pessoas, nas cidades contemporâneas, vivem a correr e muitas vezes a cidade passa completamente despercebida. Nisso a bicicleta, que tem um velocidade menor, promoverá uma desaceleração, para que a cidade e os bens patrimoniais como um todo, possam ser melhor apreciados. Para a proposta, foi estudado a hierarquia das vias, e visto se era possível a implantação de rotas de bicicleta por ali, propondo então vias que não somente ligavam os patrimônios, mas também promovem melhorias na mobilidade urbana em geral, com o intuito de desafogar o transito e estabelecer um percurso mais natural. A proposta visou também a menor intervenção possível, por isso adota em sua grande parte, ciclofaixas, que ocupam menor espaço. Ainda foi proposto o alargamento das calçadas do percurso, acopladas a um novo mobiliário urbano, que proporcione maior conforto aos usuários. O trajeto total está representado no mapa 20, apresentado a seguir. Com tipologias diferentes de percursos, adequando-se as preexistências.

308 10


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

R.

Ge ne ral

Ca

ma ra

LEGENDA:

R. Ac

Av. C

osta e

Silv a

re

de

ul

e

an Gr

ins art ilv .M

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

l. L

nic oP rad

uiz

o

Jo aq uim

da C

un ha

.S

R.

Ce

ne

art i

R.

Av

M

aggio

co M

R.

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

Av. F

HOSPITAL DAS

Av .d

aS

au

da d

o

Ri R.

S do

Na bu co

R.

Ri

od eJ

an

LAGO

eir

rlo

co

ad rd

om

es

cis

ra

e

sG

Ju

nq

ue

be

.F ran

Ca

Li

ro

R.

T3 8

R.

Av

R. Co n

R. Au

se R. l.D Ro an dr tas igu es Al ve s

o

ira

16

T3 alg

ad

o

7

R. R. D

afa

iet

aJ

de

un qu

eir

a

Ca

xia

R.

R. L

ari an

ue

Cm te.

Ceagesp

M

uq

M

arc

on

de

sS

Parque Linear

s

13

e

Av

.N

ov ed eJ

ulh

o

BENS PATRIMONIAIS CICLOVIA PARQUE LINEAR - CEAGESP / USP AVENIDA - 9M - CICLOFAIXAS UNIDIRECIONAIS MARGEANDO O CANTEIRO CENTRAL AVENIDA - 8M - CICLOFAIXAS UNIDIRECIONAIS MARGEANDO O CANTEIRO CENTRAL E FAIXA DE MOB + CIRC. DENTRO DO CANTEIRO

RUA 6M - CICLOFAIXA UNIDIRECIONAL RUA 6M - CICLOFAIXA BIDIRECIONAL - SEM FAIXA DE MOB.

AVENIDA - 9M - CICLOFAIXA BIDIRECIONAL NO LUGAR DA FAIXA DA DIREITA

RUA 7M - CICLOFAIXA UNIDIRECIONAL

AVENIDA - 10M - AV. SEM CANTEIRO - CICLOFAIXA UNIDIRECIONAL LADO DIREITO

RUA 7M - CICLOFAIXA BIDIRECIONAL

0 50 100 250

RUA 8M - CICLOFAIXA UNIDIRECIONAL RUA 8M - CICLOFAIXA BIDIRECIONAL

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

CICLOVIAS BIDIRECIONAIS INDEPENDENTES

500

1000M


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto

7.6.1 As tipologias do percurso Visto as diferentes vias em que se deveria passar a costura, várias tipologias foram elaboradas, de acordo com as características atuais das vias existentes. Essas tipologias são listadas a seguir, e vale destacar quais as ruas da cidade em que passam as bicicletas e quais seus tipos. Para a elaboração das diretrizes das ciclofaixas e demais alterações nas vias foi seguido várias referências encontradas, e o que se estabeleceu foi: 3,5m > Faixa de Carro/Ônibus que fica ao lado de ciclofaixa unidirecional; 3,0m > Faixa de Carro/Ônibus que fica ao lado de ciclofaixa bidirecional 1,5m > ciclofaixa unidirecional 3,0m> ciclofaixa bidirecional 2,0m> Estacionamento de Carro Aumentar as calçadas por módulos, colocando as “faixas de mobiliários” propostas e apresentadas a seguir.

310 10


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

1

2

Estacionamento (2m)

- Av. Francisco Junqueira

- Av. Mal. Costa e Silva

Barreto

- Av. Nove de Julho

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

- Av. Cap.

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

3

AVENIDA 8 M a 9 M - CANTEIRO LARGO (Atualmente = 3 Faixas p/

4

- Av. Silveira Martins

- Av. Francisco Maggione

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

5

cada) e 2 faixas para estacionamento nas extremidades (2m cada)

6

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

ou

Estacionamento intercalando com as faixas de mob+veg.

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

- Av. da Saudade


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

7

8

CICLOVIAS INDEPENDENTES

CICLOVIA - PARQUE LINEAR

- Pq. Maurilio Biaggi

- Pq. Linear

- CEAGESP

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

- USP e Museus

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

9

RUA 6M - CICLOFAIXA UNIDIRECIONAL (OU LADO DIREITO OU LADO ESQUERDO)

10

RUA 6M - CICLOFAIXA BIDIRECIONAL (OU LADO DIREITO OU LADO ESQUERDO)

Lado Esquerdo: - R. Rio Grande do Sul

Lado Direito: - Trecho entre Maggione - Trecho na Cap.

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

Bento - Rua da Liberdade

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

portaria 3 do Bosque

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

11

RUA 7M - CICLOFAIXA UNIDIRECIONAL (OU LADO ESQUERDO OU LADO DIREITO)

12

RUA 7M - CICLOFAIXA BIDIRECIONAL (OU LADO DIREITO OU LADO ESQUERDO)

Lado Direito:

Estacionamento intercalando com as faixas de mob+veg.

ou

- Rua da Liberdade - R. Carlos Gomes

Lado Esquerdo:

Lado Esquerdo:

Lado Direito:

- R. Conselheiro Dantas

- R. General Camara - R. Mariana Junqueira

- R. Joaquim Nabuco

Abreu - R. Marcondes Salgado.

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

Alencar


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

13

RUA 8M - CICLOFAIXA UNIDIRECIONAL (OU LADO DIREITO OU LADO ESQUERDO)

14

RUA 8M - CICLOFAIXA BIDIRECIONAL (OU LADO DIREITO OU LADO ESQUERDO)

Lado Direito: - R.Luiz Barreto

- R. Cel. Luiz da Cunha - R. Lafaiete - R.Duque de Caxias - R. Rodrigues Alves - R. Silveira Martins - R. Mal Costa e Silva

ou

Lado Direito: - R. Aurora - R. Camilo de Mattos - R. Municipal Pessoa Lado Esquerdo: - R. Martinico Prado: PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

Lado Esquerdo: - R. Martinico Prado

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

Estacionamento intercalando com as faixas de mob+veg.

- R. Acre - Av. Dom Pedro


Cap.7 O Delineamento de uma Proposta para Ribeirão Preto

7.6.2 Mobiliário Urbano Sabe-se que o mobiliário urbano de Rib. Preto é escasso, de má qualidade, deixando muito a desejar. E conforme o caráter urbano da proposta, foi necessário o desenvolvimento também de um mobiliário, para integrar e complementar os percursos propostos. Inspirado nas CAMADAS e SOPREPOSIÇÕES que compõe as cidades, o mobiliário é composto por módulos, estes que combinando treliças escuras e treliças cor de tijolo, tem o intuito de lembrar blocos de tijolos, estes que remetem as construções antigas, e as treliças remetem as construções industriais, buscou-se essa mistura. Inclusive, o ponto de ônibus tem a proposta de ter paredes de tijolo realmente. O bloco principal tem 0,90 X 0,45m, o que permite várias combinações diferentes. Todo o mobiliário baseia-se nessas medidas, salvo os bebedouros. O mobiliário é composto então, por blocos de bancos que podem virar mesa se acoplados; lixeiras; bebedoras, bicicletário, e módulos da estrutura que serve como ponto de ônibus, que pode ser aumentada ou diminuída através dos seus módulos. No ponto de ônibus é proposto uma parede lateral de projeção que mostre a história dos patrimônio, além de indicar que a pessoa está no percurso cultural, onde totens espalhados pelo percurso também exercem essa função.

317 10


Além de tudo, há a previsão de pontos de alugueis e empréstimo de bicicletas espalhados pelo percurso, e estes devem ficar em locais de mais fácil acesso, como praças.


CONSIDERAÇÕES FINAIS A conservação patrimonial isoladamente já é um tema muito abrangente e complexo, juntar esse tema com outros, formando conceitos de conservação integrada é algo extremamente abrangente e tratado em diferentes escalas. No presente trabalho, a conservação integrada foi mais focada nos temas de patrimônio e mobilidade, porém, no panorama real das cidades, estes devem ser acoplados em vários outros temas pertinentes para o seu bom funcionamento, assim traçando planos efetivos para as cidades contemporâneas. Os dois temas foram escolhidos, devido a uma visão de que são problemas muito agravados em Ribeirão Preto. Os imóveis patrimoniais estão se perdendo, deixados a mercê do tempo, quando poderiam estar integrados em uma rede cultural, ou mesmo que individualmente, estar aberto ao uso da população. E sobre a bicicleta como meio de transporte, acreditando-se ser uma alternativa muito interessante e eficaz para a mobilidade urbana, acopla-se muito bem com o tema da conservação patrimonial, uma vez que propõe percursos mais naturais e menos acelerados, permitindo ao usuário uma melhor percepção do espaço.

E posteriormente, faixas pedonais também podem ser uma ótima solução. Onde locais inteiros deverão ser fechados a circulação maior de carros e tornando-se espaços para pedestres e ciclistas. As cidades são compostas por muitas camadas, e parte dessas camadas são as pessoas, que também tem suas diferentes camadas, sendo a cidade um espaço da mais variada produção humana, tendo então de haver espaço para tudo e todos, sobretudo o espaço entre o antigo e o novo, espaço entre o carro e a bicicleta/pedestre. A integração dessas camadas não só é possível, como é extremamente recomendada, para que a cidade funcione como um organismo vivo e saudável, para todos.

Ao longo do desenvolvimento, pode-se concluir que a população de Rib. Preto se interessa por temas a cerca de patrimônio, inclusive, há muitas reinvindicações para dar uso aos bens que se encontram abandonados. Contudo, o objetivo do trabalho era levantar essas questões e mostrar como pode-se e deve integrar diferentes temas dentro do tema da preservação patrimonial, e como a presença da população reaviva uma área que pode parecer morta. Em um possível desdobramento do trabalho, muitas outras linhas de ciclofaixas poderão ser derivadas do percurso proposto,

318 10


REFERÊNCIAS CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. São Paulo: Editora Unesp, 2006. KÜHL, Beatriz Mugayar. Gustavo Giovannoni – Textos escolhidos. São Paulo: Editora Ateliê Editorial, 2013. VARGAS, Heliana Comin; CASTILHO, Ana Luisa Howard de. Intervenções em Centros Urbanos – Objetivos, estratégias e resultados. São Paulo: Editora Manole, 2009. SILVA, Adriana Capretz Borges da. Campos Elíseos e Ipiranga – Memórias do Antigo Barracão. Ribeirão Preto: Editora COC, 2006. MELLO, Erick de Santana. Mobilidade Urbana Sustentável em projetos estruturantes: análise urbanística e ambiental do corredor de transporte da Avenida Bernardo Vieira - Natal/RN. 2008. 84 fls. Tese de mestrado em Arquitetura e Urbanismo. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. VILLELA, Ana Teresa Cirigliano. Mnemo – Núcleo cultural no centro histórico de Uberaba. 136 fls. TFG (graduação em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de Uberaba, Uberaba, 2010 SILVEIRA, Carlos Eduardo Ribeiro; MORAES, Nilson Alves de. Fragmentos Urbanos: o patrimônio e a construção das paisagens simbólicas nas cidades contemporâneas. Pós-Graduação em Patrimônio e Museologia (PPG-PMUS) UNIRIO / MAST. CASTELLO, Lineu. Revitalização de áreas centrais e a percepção dos elementos da memória. Faculdade de Arquitetura UFRGS. COSTA, Otávio. MEMÓRIA E PAISAGEM: em busca do simbólico dos lugares. Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). ZANCHETI, Sílvio Mendes; DOURADO, Catarina; Cavalcanti, Fábio; LIRA, Flaviana; PICCOLO, Rosane. Da autenticidade nas cartas patrimoniais ao reconhecimento das suas dimensões na cidade. Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada. VAZ, Lilian Fessler; Silveira, Carmen Beatriz. Áreas centrais, projetos urbanísticos e vazios urbanos. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


MEDEIROS, Valério Augusto Soares de; HOLANDA, Frederico Rosa Borges de. O oásis no labirinto das cidades brasileiras: centros antigos e configuração urbana. Universidade de Brasília (UNB). GRAMMONT, Anna Maria de. A Construção do Conceito de Patrimônio Histórico: Restauração e Cartas Patrimoniais. Revista de Turismo y Patrimonio Cultural. Universidad de La Laguna España, 2006. MAYUMI,Lia. A cidade antiga nos CIAM, 1950-59. Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (FAUSP). Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo (http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.3ece191cdbb97673b47b5f57e2308ca0/?vgnextoid=84fc343c80f37210VgnVCM1000002 e03c80aRCRD&vgnextchannel=84fc343c80f37210VgnVCM1000002e03c80aRCRD, acessado em 27 de março) Prefeitura de Ribeirão Preto (https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/i14principal.php, acessado em 18 de março) Prefeitura de Ribeirão Preto (https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/cafe-acucar/relatorio_2.pdf, acessado em 18 de março) Prefeitura de Ribeirão Preto (https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/cafe-acucar/relatorio.pdf, acessado em 18 de março) Prefeitura de Ribeirão Preto (https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/arqpublico/i14index.php?pagina=/scultura/arqpublico/historia/i14tombamento.htm, acessado em 18 de março) IPHAN (http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/218, acessado em 12 de março) Patrimônio Ribeirão (http://patrimonioribeirao.blogspot.com.br/2013/03/patrimonio-tombado-bens-imoveis.html, acessado em 23 de março de 2016)


Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/2013/06/1296985-mobilidade-e-apontada-como-o-maior-problema-de-ribeiraopreto.shtml, acessado em 20 de março de 2016) Jornal A Cidade (http://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/cotidiano/cidades/NOT,2,2,845561,Proprietarios+desaprovam+tombamentos+de+imoveis+em+Ribeir ao+Preto.aspx, acessado em 20 de março de 2016) G1 (http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2016/03/cultura-preve-museu-historico-de-ribeirao-preto-fechado-no-1-semestre.html, acessado em 20 de março de 2016) Bologna Navettee – Disponível em file:///C:/Users/usuario/Downloads/Navette.pdf>. Acesso em 12 de agosto de 2016. Referências – Disponível em <http://www.ascom.bo.it/flex/cm/pages/ServeBLOB.php/L/IT/IDPagina/1940>. Acesso em 12 de agosto de 2016. Ingegneria e architettura – Disponível em <http://www.biblioteche.unibo.it/ingegneria/risorse-disciplinari/relazioni-delle-conferenze-della-scuoladi-ingegneria-e-architettura/presentazione-monti>. Acesso em 12 de agosto de 2016. Gestão urbana – Disponível em <http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2015/07/150512-Caderno-Centro-Aberto-tela72.pdf>. Acesso em 13 de agosto de 2016. Mobilidade Urbana – Disponível em <http://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/tag/bolonha/>. Acesso em 13 de agosto de 2016. Estudo geral – Disponível em <https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/27576>. Acesso em 17 de agosto de 2016. Bolonha, símbolo de mobilidade sustentável – Disponível em <http://thecityfixbrasil.com/2012/11/14/bolonha-na-italia-e-simbolo-demobilidade-sustentavel/>. Acesso em 17 de agosto de 2016. Bolonha – Disponível em <file:///C:/Users/usuario/Downloads/bologna_lesson.pdf>, Acesso em 17 de agosto de 2016. Bolonha – Disponível em <http://www.voyagesphotosmanu.com/imagens-bolonha.html>. Acesso em 17 de agosto de 2016.


Bolonha: erudita, gorda e vermelha – Disponível em <http://historiaeviagem.blogspot.com.br/2014/08/bolonha-erudita-gorda-e-vermelha.html>. Acesso em 17 de agosto de 2016. Intervenção na cidade Histrica – Disponível em <http://pt.slideshare.net/joaquim.flores/planos-interveno-na-cidade-histrica>. Acesso em 20 de agosto de 2016. Conservation as socialist standard – Disponível em <http://www.academia.edu/1333637/Area_conservation_as_socialist_standard-bearer_a_plan_for_the_historical_centre_of_Bologna_in_1969>. Acesso em 20 de agosto de 2016. Mirror of modernity – Disponível em <http://www.fredmussat.fr/e-proceedings2_dec09/mirror_of_modernity_bravo.htm>. Acesso em 20 de agosto de 2016. Bologna celebrates one year of a bold experiment – Disponível em <http://www.shareable.net/blog/bologna-celebrates-one-year-of-a-bold-experiment-in-urban-commoning>. Acesso em 23 de agosto de 2016. Bologna: regeneration projects – Disponível em <http://www.urbancenterbologna.it/en/bologna/regeneration-projects/in-center-porticoesstreets-squares>. Acesso em 23 de agosto de 2016<http://comune.bologna.it/portici/en/story/urban-center-bologna-regeneration-porticoesroads-and-squares>. Acesso em 23 de agosto de 2016. <https://www.google.com.br/search?q=regenerate+historic+center+bologna&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjAuvjB3u7OAhXNqZA KHaglCmEQ_AUICSgC&biw=1366&bih=623#imgrc=Wnvkgc_R8QaBLM%3A>. Acesso em 24 de agosto de 2016. Cuando el plan de bolonia erauna – Disponível em <http://urban-networks.blogspot.com.br/2014/07/cuando-el-plan-de-bolonia-era-una.html>. Acesso em 24 de agosto de 2016. New plan for Bologna – Disponível em <http://www.planum.net/a-new-plan-for-bologna>. Acesso em 26 de agosto de 2016. Academy of Urbanism – Disponível em <https://www.academyofurbanism.org.uk/bologna/>. Acesso em 26 de agosto de 2016. Transparenza – Disponível em <http://www.comune.bologna.it/trasparenza/contenuti/161:19966/>. Acesso em 28 de agosto de 2016. Patrimônio – Disponível em <http://www.cittametropolitana.bo.it/patrimonio/>. Acesso em 28 de agosto de 2016. Mapa – Disponível em <https://www.google.com.br/search?q=bologna+maps&oq=mapas+bolo&aqs=chrome.1.69i57j0l2.5054j0j4&sourceid=chrome&ie=UTF8#q=plan+bologna+urbanism>. Acesso em 23 de agosto de 2016. Mobilidade e História História da cidade – Disponível em <https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/city-historica/revista/index.html>. Acesso em de 6 outubro de 2016. Ampliação da biblioteca Altino Arantes – Disponível em <http://www.blogdogaleno.com.br/ribeirao/noticias/biblioteca-altino-arantes-serampliada>. Acesso em 6 de outubro de 2016.


Restauração para prédios tombados – Disponível em <https://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/cotidiano/cidades/NOT,2,2,1062572,Com+projetos+de+restauracao+parados+predios+tombados+va o+virando+ruinas+em+Ribeirao.aspx>. Acesso em 12 de outubro de 2016. Projetos para prédios tombados – Disponível em <http://www.agendaribeirao.com/noticias/NOT,2,2,952958,Poucos+projetos+para+predios+tombados+em+Ribeirao+Preto.aspx>. Acesso em 12 de outubro de 2016. Revitalização urbana – Disponível em <https://www.behance.net/gallery/18453601/Revitalizacao-Urbana-Ribeirao-PretoSP>. Acesso em 18 de outubro de 2016. Implantação do centro cultural Ciane Matarazzo – Disponível em <http://www.ribeiraopretotem.com.br/noticias/implantacao-do-centro-culturalciane-matarazzo/2329>. Acesso em 18 de outubro de 2016. Plano Municipal de Ribeirão Preto – Disponível em <http://cultura.gov.br/documents/10907/963783/1382040868788PLANO-MUNICIPALRIBEIR%25C3%2583O-PRETO.pdf/c859815f-cc2b-4f35-bd09-caf272553535>. Acesso em 21 de outubro de 2016. <https://www.ufmg.br/rededemuseus/crch/simposio/CAPRETZ_ADRIANA_E_MANHAS_MAX_PAULO.pdf>. Acesso em 21 de outubro de 2016. Ciclovias e ciclofaixas Ciclofaixas em São Paulo – Disponível em <http://www.brasilpost.com.br/2014/09/10/ciclofaixas-sao-paulo_n_5800142.html>. Acesso em 2 de novembro de 2016. <http://www.solucoesparacidades.com.br/wp-content/uploads/2014/08/AF_CICLOVIAS_WEB.pdf>. Acesso em 2 de novembro de 2016. <http://www.rpu.org.br/Diretrizes%20para%20a%20constru%C3%A7%C3%A3o%20de%20ciclovias%20-%20Cristiane%20Bastos.pdf>. Acesso em 2 de novembro de 2016. <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/28577/000769157.pdf?sequence=1>. Acesso em 11 de novembro de 2016. Projeto de ciclovias – Disponível em <http://vadebike.org/2014/06/cet-projeto-ciclovias-400-km-trecho-piloto/>. Acesso em 16 de novembro de 2016. Largura mínima para ciclofaixas e ciclovias – Disponível em <https://vadebici.wordpress.com/2012/04/14/sobre-largura-minima-para-ciclofaixase-ciclovias/>. Acesso em 16 de novembro de 2016. Mobilidade geral Política de mobilidade sustentável – Disponível em <http://www.mobilize.org.br/estudos/126/politica-de-mobilidade-sustentavel-e-inclusiva-emribeirao-preto-sp.html>. Acesso em 11 de agosto de 2016. Comur critica plano de mobilidade em Ribeirão – Disponível em <http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2015/02/comur-criticaapresentacao-de-plano-de-mobilidade-em-ribeirao-preto-sp.html>. Acesso em Acesso em 11 de agosto de 2016. <https://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/cotidiano/cidades/idnoticia=1028626/cidades_internaNOT.aspx>. Acesso em 13 de agosto de 2016. <http://ribeiraotopia.blogspot.com.br/2015_09_01_archive.html >>>>> LARGURA DAS VIAS!>. Acesso em 13 de agosto de 2016.


Fichas imรณveis <http://olhares.uol.com.br/igreja-matriz-de-vila-tiberio-ribeirao-preto-foto5768728.html> Acesso em 5 de setembro de 2016. <http://www.coffeebreak.com.br/noticia/49819/Ribeirao-revitaliza-Centro-historico-com-a-trajetoria-do-cafe-.html>. Acesso em 5 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/J321/pesquisa.xhtml;jsessionid=1263a27e3d04d4629b31ac04b278?leiImpressao=4389>. Acesso em 5 de setembro de 2016 <http://noticias.bol.uol.com.br/folhaonline/cotidiano/2010/05/21/comerciante-vende-banca-em-camelodromo-por-ate-r-200-mil-em-ribeirao-preto-sp.jhtm>. Acesso em 5 de setembro de 2016. <http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?p=87933384>. Acesso em 5 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/J321/pesquisa.xhtml?lei=2365>. Acesso em 7 de setembro de 2016. <file:///C:/Users/usuario/Downloads/5250-18211-1-PB.pdf>. Acesso em 7 de setembro de 2016. <http://aamco.org.br/memoria/category/memorial-da-classe-operaria-ugt/>. Acesso em 7 de setembro de 2016. <http://falagrupoelo.blogspot.com.br/2013/01/patrimonio-vivo-um-breve-historico-da.html>. Acesso em 7 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/J321/pesquisa.xhtml?lei=16767>. Acesso em 7 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/J332/noticiaWebImprimir.xhtml?id=30391>. Acesso em 8 de setembro de 2016. <https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/arqpublico/i14index.php?pagina=/scultura/arqpublico/historia/i14tombamento.htm>. Acesso em 8 de setembro de 2016. <http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/fotos/2012/06/fotos-de-predios-historicos-mostram-passado-de-ribeirao-preto.html#F479893>. Acesso em 8 de setembro de 2016. <https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/arqpublico/historia/i14p-joaquim.htm>. Acesso em 8 de setembro de 2016. <http://livros01.livrosgratis.com.br/cp024270.pdf.> Acesso em 8 de setembro de 2016. <https://peregrinosrp.wordpress.com/2010/08/17/caminhada-urbana-na-cidade-de-ribeirao-preto-2/>. Acesso em 8 de setembro de 2016. <http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2015/06/restauracao-de-palacete-em-ribeirao-resgata-esplendor-da-decada-de-1920.html>. Acesso em 8 de setembro de 2016. <http://largadoastracas.blogspot.com.br/2013/04/casarao-jorge-lobato.html>. Acesso em 8 de setembro de 2016. <http://www.aeaarp.org.br/images/revista/20160112_143225_painel-243.pdf>. Acesso em 8 de setembro de 2016. <http://defender.org.br/tag/ribeirao-preto/page/7?print=print-search>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/arqpublico/historia/i14palacete.htm#bio>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://largadoastracas.blogspot.com.br/2013/05/palacete-albino-de-camargo-neto.html>. Acesso em 10 de setembro de 2016.


<http://www.agendaribeirao.com/noticias/NOT,2,2,952958,Poucos+projetos+para+predios+tombados+em+Ribeirao+Preto.aspx>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ribeirao/ri1002201003.htm>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://www.agendaribeirao.com/noticias/NOT,2,2,952958,Poucos+projetos+para+predios+tombados+em+Ribeirao+Preto.aspx>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://patrimonioribeirao.blogspot.com.br/2013/04/palacete-camilo-de-mattos-rua-duque-de.html>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/cotidiano/cidades/NOT,2,2,1062572,Com+projetos+de+restauracao+parados+predios+tombados+vao+virando+ruinas+em+Ribeir ao.aspx>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.bb3205c597b9e36c3664eb10e2308ca0/?vgnextoid=91b6ffbae7ac1210VgnVCM1000002e03c80aRCRD&Id=cb761a a56faac010VgnVCM2000000301a8c0____>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://patrimonioribeirao.blogspot.com.br/2013/04/quarteirao-paulista-tombamento.html>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/palace/i14centro_cultural.php>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.bb3205c597b9e36c3664eb10e2308ca0/?vgnextoid=91b6ffbae7ac1210VgnVCM1000002e03c80aRCRD&Id=cb761a a56faac010VgnVCM2000000301a8c0____>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://www.achetudoeregiao.com.br/sp/ribeirao_preto/teatro_pedro_II.htm>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://www.cidadederibeiraopreto.com.br/descritivo1409-teatro-pedro-ii.html>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.br/2010/10/representante-da-coroa-esteve-na.html>. Acesso em 10 de setembro de 2016. <http://www.theatropedro2.com.br/institucional.php>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://inconfidenciaribeirao.com/2010/07/anonimo-2/>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <https://vinhocapital.com/2016/09/02/choperia-pinguim-celebra-80-anos-de-historia/>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://www.pinguimochopp.com.br/>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://inconfidenciaribeirao.com/2010/01/o-velho-diederichsen/>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://www.infopatrimonio.org/?p=470#!/map=1460&loc=-21.17500100000001,-47.80983436000001,17>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/neh/1905-1910/1907Ginasio_de_Ribeirao_Preto.pdf>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://www.infopatrimonio.org/?p=469#!/map=1460&loc=-21.181253460000022,-47.80964519,17>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://www.escol.as/191574-fabio-barreto>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.bb3205c597b9e36c3664eb10e2308ca0/?vgnextoid=91b6ffbae7ac1210VgnVCM1000002e03c80aRCRD&Id=e85c27 064a737410VgnVCM1000008936c80a____>. Acesso em 11 de setembro de 2016.


<http://patrimonioribeirao.blogspot.com.br/2013/04/avenida-nove-de-julho-tombamento.html>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/J321/pesquisa.xhtml?lei=31405>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://www.folhadaregiao.com.br/Materia.php?id=95099>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://patrimonioribeirao.blogspot.com.br/2013/03/patrimonio-tombado-bens-imoveis.html>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://www.colegiosmaristas.com.br/marista-ribeirao-preto-o-colegio-historia/d823>. Acesso em 11 de setembro de 2016. <http://catedralrp.com.br/?pag=historia>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2014/06/catedral-de-sao-sebastiao-em-ribeirao-e-tombada-pelo-condephaat.html>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://arquidioceserp.org.br/?pag=noticias_ver&codigo=514>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.bb3205c597b9e36c3664eb10e2308ca0/?vgnextoid=91b6ffbae7ac1210VgnVCM1000002e03c80aRCRD&Id=dd5713 2b8f86e410VgnVCM1000008936c80a____>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2014/06/catedral-de-sao-sebastiao-em-ribeirao-e-tombada-pelo-condephaat.html>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://catedralrp.com.br/?pag=arte>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopretoonline.com.br/noticias/predio-do-museu-de-arte-de-ribeirao-preto-e-tombado/25230>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopretoconvention.org.br/fiquemaisribeiraopreto/marp-museu-de-arte-de-ribeirao-preto-2/> Acesso em 14 de setembro de 2016. <https://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_de_Arte_de_Ribeir%C3%A3o_Preto>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.cidadederibeiraopreto.com.br/descritivo1399-museu-de-arte-de-ribeirao-preto--marp.html> Acesso em 14 de setembro de 2016. <https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/marp/i14historico.php> Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.revide.com.br/editorias/especial/um-novo-capitulo-biblioteca-altino-arantes/>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <https://quartodenoticias.wordpress.com/2010/09/25/biblioteca-altino-arantes-um-patrimonio-ribeiraopretano/>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.tribunaribeirao.com.br/aplicativo/predio-da-biblioteca-altino-arantes-passara-por-reforma/>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.blogdogaleno.com.br/ribeirao/noticias/biblioteca-altino-arantes-ser-ampliada>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.recra.com.br/historia>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://italiaguatapara.blogspot.com.br/2013/08/uma-volta-ao-passado-visitando-o-solar.html>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://correio.rac.com.br/_conteudo/2013/02/ig_paulista/33469-casarao-da-caramuru-pode-virar-cafeteria-em-2014.html>. Acesso em 14 de setembro de 2016.


<http://www.plataformaverri.com.br/index.php?bib=1&local=book&letter=R&idCity=24&idCategory=8&idBook=1790>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/cotidiano/cidades/NOT,2,2,1062572,Com+projetos+de+restauracao+parados+predios+tombados+vao+virando+ruinas+em+Ribeirao.aspx>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.metropole.arq.br/Casa-Caramuru>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://cidadeselugares.blogspot.com.br/2008/08/abadia-santo-antnio-ribeiro-preto-sp.html>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://coremesantacasarp.com/page_1.html>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.santacasarp.com.br/site/institucional.php>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.redehebecamargo.saude.sp.gov.br/sociedade-beneficente-e-hospitalar-santa-casa-de-misericordia-de-ribeirao-preto/>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://cidadeselugares.blogspot.com.br/2009/12/igreja-mais-antiga-de-ribeirao-preto.html>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://arquidioceserp.org.br/?pag=paroquias_ver&codigo=12>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.estacoesferroviarias.com.br/r/ribpreto-spm.html>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/sinfra/manu/i18cem_saudade.php>. Acesso em 14 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/arqpublico/i14index.php?pagina=/scultura/arqpublico/historia/i14cemiterio.htm>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.artefunerariabrasil.com.br/cemiteriosBrasileiros.php?estado=S%E3o%20Paulo%20%20SP&cidade=Ribeir%E3o%20Preto&cemiterio=Cemit.%20da%20Saudade&pg=historia>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://cervisiafilia.blogspot.com.br/2012/07/fabrica-de-cerveja-livi-bertoldi.html>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <file:///C:/Users/usuario/Downloads/BURATI_G%20(1).pdf>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/bairros/norte/NOT,2,2,1012581,Lar+Padre+Euclides+cuida+de+53+idosos.aspx>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.larpadreeuclides.com.br/index.html>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.procon.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/arqpublico/monumentos/i14m-100-rpsantonio.php> . Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.infopatrimonio.org/?p=466#!/map=1460&loc=-21.16839982999999,-47.817603070000004,17>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.bb3205c597b9e36c3664eb10e2308ca0/?vgnextoid=91b6ffbae7ac1210VgnVCM1000002e03c80aRCRD&Id=5f4c27064a737410 VgnVCM1000008936c80a____>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.escol.as/191585-sinha-junqueira-dona>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://arquidioceserp.org.br/?pag=paroquias_ver&codigo=24>. Acesso em 15 de setembro de 2016.


<http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/2015/01/1569230-conselho-decreta-tombamento-de-quatro-areas-em-ribeirao-preto.shtml>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.maisribeiraopreto.com.br/noticias/prefeita-assina-decreto-de-tombamento-do-quarteirao-paulista-e-do-palacio-rio-branco-2586>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://revistacafeicultura.com.br/?mat=8342>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2015/02/icone-historico-maria-fumaca-abriga-morador-de-rua-em-praca-de-ribeirao.html>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ribeirao/59404-maria-fumaca-centenaria-comeca-a-ser-restaurada-em-ribeirao-preto.shtml>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/scultura/arqpublico/historia/i14jeronimo.htm#praรงa>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopretoonline.com.br/antigas/sociedade-amiga-dos-pobres-completa-95-anos-com-festa/10934>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.revide.com.br/editorias/gerais/lar-santana-fecha-portas-depois-de-96-anos/>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/2014/12/1558698-cenario-marcante-na-ditadura-lar-santana-fecha-as-portas-em-ribeirao.shtml>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/cotidiano/NOT,2,2,1075861,Pela+preservacao+do+Lar+Santana.aspx>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://pt-ribeirao.org.br/na-camara/noticias/lar-santana-e-patrimonio-historico-por-iniciativa-do-beto>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.blogdogaleno.com.br/ribeirao/noticias/arquivo-histrico-pode-ir-para-o-lar-santana> Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.irmaclarafietz.com.br/livro_fic/casas_fic/casas_fic3_r_preto.html>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopretoonline.com.br/servicos/onde-orar/15/sociedade-espirita-allan-kardec---vila-tiberio-/26>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.seakrp.com.br/portal/index.php/fale-conosco>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <https://www.facebook.com/pg/seakrp/about/?ref=page_internal>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://cebatuira.org.br/livraria.asp>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://cebatuira.org.br/centro.asp?cadastroid=2>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <https://www.youtube.com/watch?v=Zsd0JxAK7i0>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.jornaldavilatiberio.com.br/img/edicoes/JVila105_jun14.pdf>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.memorialdaresistenciasp.org.br/memorial/upload/memorial/bancodedados/130834497569834284_FICHA_COMPLETA_LAR_SANTANA.pdf>. Acesso em 15 de setembro de 2016


http://www.fielforcatricolor.com.br/sede>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.fielforcatricolor.com.br/sobre>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.jornaldavilatiberio.com.br/img/edicoes/JVila115_abr15.pdf>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://correio.rac.com.br/index.php?id=/esporte/botafogo/historia>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/esportes/comefogo/NOT,2,2,880374,Ex-poli+do+Botafogo+esta+a+venda+pelo+dobro.aspx>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopretoonline.com.br/esportes-futebol/botafogo-nao-pretende-ressarcir-socios-pela-venda-do-poliesportivo/42727>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/esportes/NOT,2,2,1175667,Tupy+tradicional+time+do+amadorzao+chega+aos+60+anos.aspx>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://arquidioceserp.org.br/?pag=noticias_ver&codigo=1178>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.tribunaribeirao.com.br/aplicativo/cidade-alem-das-paredes-leva-programacao-cultural-a-pracas-de-rp/>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.bb3205c597b9e36c3664eb10e2308ca0/?vgnextoid=91b6ffbae7ac1210VgnVCM1000002e03c80aRCRD&Id=08bfd 0db350af010VgnVCM1000004c03c80a____>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.aeaarp.org.br/images/revista/painel%20183.pdf>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.estacoesferroviarias.com.br/b/barracao.htm>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.estacoesferroviarias.com.br/r/ribpreto.html>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.niahistoria.com.br/2016/09/estacao-barracao-em-ribeirao-preto-sp.html>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.aeaarp.org.br/images/revista/painel%20183.pdf>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/seducacao/escolas/alfeu/i15alfeu.php>. Acesso em 15 de setembro de 2016. <http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/jornal-da-eptv/videos/v/moradores-cobram-iluminacao-na-praca-pedro-biagi-no-bairro-ipiranga-em-ribeirao/5045121/>. Acesso em 16 de setembro de 2016. <http://www.sincovarp.com.br/sincovarp.asp?menu=news&id=1921>. Acesso em 24 de setembro de 2016. <https://leismunicipais.com.br/a/sp/r/ribeirao-preto/lei-ordinaria/1965/159/1587/lei-ordinaria-n-1587-1965-denomina-pracas-publicas-de-pedro-biagi-e-romulomorandi>. Acesso em 24 de setembro de 2016. <http://www.blogdogaleno.com.br/ribeirao/noticias/fbrica-e-maquinrio-da-douradinha-continuam-preservados>. Acesso em 25 de setembro de 2016.



Fragmentos Patrimoniais: Percursos pela História de Ribeirão Preto