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Universidade Federal de Pernambuco Centro de Educação

PROJETO REDE JOGOS NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA FORMADORA: Mércia Gomes de Moura

ALUNAS: Fabiana Maria Dantas dos Santos Georgina Cavalcante de Lima Katia Cristina Cabral de Souza


O conceito de estrutura multiplicativa, assim como os demais utilizados nas operações fundamentais, estão presentes e são estimulados nas diversas situações do cotidiano. Segundo GIOVANNI & BONJORNO, 2002, p.347: "As primeiras atividades matemáticas da humanidade estavam ligadas à contagem de objetos de um conjunto, enumerando seus elementos.” A análise combinatória é uma das possibilidades para trabalhar este conceito. Visto que é a área da Matemática que trata dos problemas de contagem. A resolução de problemas é a parte principal da Análise Combinatória, que estuda a maneira de formar agrupamentos com um determinado número de elementos dados, e de determinar quantos são esses agrupamentos, sem precisar contá-los um a um, desenvolvendo, assim, a criatividade e raciocínio lógico. A fim de aprimorar conhecimentos existentes, previamente vivenciados em outras ocasiões didáticas, este jogo visa despertar no estudante uma outra aplicação da multiplicação, através de análises combinatórias. A confecção deste jogo é de baixo custo (sucata e/ou materiais de fácil acesso), possibilitando que os estudantes confeccionem individualmente e possam utilizá-lo em outros espaços de vivência, além da escola.


1 Tabuleiro de guache ou emborrachado onde se encontram: 9 cartelas contendo elementos do vestuário, com os respectivos nomes, distribuídas na vertical / horizontal e a legenda da cor / pontuação: 1 Ponto

5 Pontos

2 Pontos

10 Pontos


No verso do tabuleiro: 1 envelope contendo 30 fichas com as respectivas situações combinatórias: 9 fichas vermelhas – que valem 1 ponto cada uma 10 fichas amarelas – que valem 2 pontos cada uma 10 fichas verdes – que valem 5 pontos cada uma 1 ficha preta (coringa) – que vale 10 pontos Observação: Nessas fichas estarão escritas situações combinatórias entre elementos do vestuário. O resultado da combinação estará no verso da ficha quando o jogo for dirigido para estudantes do 3º Ano. Uma vez que facilita a rápida análise da resposta fornecida pelo oponente.


FRENTE


Conseguir o maior número de pontuação ao sortear e responder corretamente as fichas coloridas que contém valores de pontuação diferenciados.


 Este jogo pode ser de dois ou quatro jogadores;  Os jogadores devem decidir no par ou ímpar quem inicia o jogo, a partir daí jogam alternadamente;  O jogador que não vai iniciar a partida segura o tabuleiro (com o verso voltado para ele), para que o adversário sorteie uma ficha colorida, que será devolvida para que o mesmo leia a situação combinatória contida nesta ficha;  O jogador só marcará ponto cada vez que responder corretamente a combinação lida pelo adversário;


 Ao responder corretamente ele ficará com a ficha sorteada e marcará ponto de acordo com o valor que está especificado na legenda do tabuleiro;  As fichas, cujas respostas não foram respondidas corretamente serão descartadas (colocadas separadamente), pois não terá valor de pontuação para as equipes que estão participando da partida;  Existe duas formas diferentes de encerrar uma partida: 1. Quando cada jogador ou grupo sortear 5 fichas e respondê-las; 2. Quando o tempo de 10 minutos, estipulado previamente pelos jogadores, terminar. Nas duas formas citadas acima os jogadores farão levantamento de quantos pontos marcaram para saber quem foi o vencedor da partida.


 Desenvolver a capacidade de resolução dos problemas que envolvem análises combinatórias;

 Estimular o raciocínio lógico;  Explorar o mapeamento das possibilidades;  Identificar cores relacionando à pontuações específicas.


 Análise combinatória  Conceito de estrutura multiplicativa  Conceito de estrutura aditiva  Probabilidade  Leitura de algoritmo


O jogo das combinações foi aplicado com os alunos do 3º Ano “D”, da E.M. Professor Potiguar Matos. Os próprios alunos escolheram, como uma das regras, que cada partida do jogo teria 5 rodadas para cada dupla ou grupo de 4 alunos e quem perdesse cederia o lugar para outro colega, no caso de dupla. Cada ficha contendo uma possível combinação estava com a resposta no verso para favorecer a verificação. Os alunos classificaram o jogo das combinações como “ótimo” e ficaram muito animados ao participar de uma nova partida. As regras foram facilmente entendidas e o jogo se desenvolveu normalmente. O jogo manteve a turma atraída, estimulando o raciocínio lógico, a multiplicação e a soma. Concluindo: O jogo das combinações, sem perder o caráter lúdico da aprendizagem, conseguiu atingir o objetivo de trabalhar o princípio multiplicativo.


O jogo foi aplicado com o 5º Ano “C”, da E.M. Serra da Prata. Como regra foi estipulado um tempo de 10 minutos para o término de cada partida e no verso das fichas não tinha as respostas referentes às combinações solicitadas. Podemos observar que com a prática do jogo, os alunos se demostraram bastante dispostos a participarem de forma desafiadora e competitiva usando sempre o coletivo. Durante todo o processo do jogo os alunos usaram o raciocínio lógico, utilizando as figuras expostas para tentar fazer as combinações e em seguida responder as perguntas das cartelas. Enquanto outros alunos utilizaram mentalmente o cálculo da multiplicação, sendo mais rápido nas respostas. O bom e talvez o mais atrativo era de conseguir tirar uma cartela de cor que tivesse uma pontuação maior para poder ganhar o jogo mesmo estando na desvantagem das respostas exatas. Portanto todos os alunos solicitaram a confecção do mesmo para poder interagir nos seus recintos com seus familiares e os vizinhos da sua comunidade. É interessante ressaltar que alguns depoimentos deles mostraram que eles estavam muito satisfeitos, que este jogo proporcionou para eles o gosto de estudar a multiplicação e o prazer de poder confeccionar um jogo partindo de um material puramente simples e de sucata.


O jogo foi aplicado com os estudantes do 3º Ano “C”, da Escola Municipal Professor Potiguar Matos. Como regra do jogo nesta turma uma partida acabava depois que os jogadores ou grupo jogasse 5 rodadas e no jogo confeccionado, as fichas com as possíveis combinações tinham no verso as respostas corretas para facilitar a verificação entre os jogadores. À medida que se iniciava uma nova partida os estudantes ficavam mais entusiasmados, para saber qual a ficha colorida seria sorteada, pois facilmente entenderam que este fato significava uma pontuação maior, caso eles acertassem o valor das combinações propostas. Outro ponto positivo foi que até na hora do recreio eles optaram por jogar ao invés de realizar outras brincadeiras, realizando partidas entre as turmas que participaram deste trabalho (3º Ano “C” x 3º Ano “D”). Os conteúdos explorados no jogo foram compreendidos pelas crianças, que puderam de forma lúdica e prazerosa construir e revisar conceitos matemáticos com maior facilidade.


Nas turmas, onde o Jogo das Combinações foi aplicado, houve um grande avanço quanto à compreensão da estrutura multiplicativa, bem como quanto ao trabalho com análise combinatória. Antes de vivenciar o jogo, os estudantes apresentavam dificuldades com relação aos conteúdos citados, principalmente na resolução de problemas e no trabalho com os algoritmos da multiplicação. Hoje podemos constatar que muitas destas dificuldades foram superadas, as crianças participam das atividades propostas com um novo olhar, assimilando os conteúdos de uma maneira mais divertida. Além disto o jogo também facilitou as relações interpessoais que acontecem na sala de aula, uma vez que os estudantes se relacionaram, durante as partidas, de forma positiva, com respeito mútuo e esperando o tempo do outro. Estes fatores nos mostram que existem diferentes possibilidades na Educação Matemática que estimulam aprendizagens significativas e a utilização de jogos com o material de sucata e/ou outros materiais de baixo custo é mais uma destas possibilidades, que pode ser usada em prol do processo ensino-aprendizagem.


"Tomar a ação educativa como uma situaçãoproblema é assumir que formar-se é uma ação constante já que na dinâmica das relações humanas os problemas produzidos exigem a cada momento novas soluções onde o ato educativo se faz necessário." (Manoel Oriosvaldo de Moura, 1994)


GIOVANNI, José Ruy; BONJORNO, José Roberto & JR. GIOVANNI; José Ruy. MATEMÁTICA FUNDAMENTAL: uma nova abordagem. Coleção Delta. Ensino Mpedio. Vol. único. São Paulo. FTD. 2002. LUPINACCI, Vera Lúcia Martins; BOTIN, Mara Lúcia Muller & HOFFMANN, Gertrudes Regina. O ensino de análise combinatória utilizando jogos e resolução de problemas. (Texto disponível em: www.sbem.com.br/files/.../MC18361331034T.doc Acesso em: 30/11/2011)

MOURA, M. O. A Atividade de Ensino como Unidade Formadora. São Paulo: USP, 1994a. (texto) ________ A Séria Busca no Jogo: do lúdico na Matemática. A Educação Matemática em Revista. SBEM – Nacional, ano 2, n.3, 1994b.


JOGO DAS COMBINAÇÕES