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GOSTINHO DE INFÂNCIA

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armelo é fruta gostosa... que dá na ponta da vara!” Essa cantiga me remete às alegrias da infância em Sete Lagoas e ao delicioso paladar do doce da fruta – cuja receita reaparece nesta edição. Havia apenas um inconveniente: a sua vara comprida envergava nas mãos das severas avós, nos corretivos aplicados às crianças levadas, entre as quais me incluía, sempre que havia “oportunidade”. Desta vez, a hospitaleira Sete Lagoas se apresenta em nosso guia ainda como uma pequena cidade do interior, apesar de seu grande desenvolvimento, mostrando toda a vocação e tradição ainda explícitas e preservadas nas cozinhas artesanais e nos causos de artistas, que fizeram e fazem sua história à beira dos fogões. São receitas gostosas, algumas aparentando ser variações de temas já vistos, mas sempre com alguma novidade. Histórias como a de Fabrícia – uma jovem que começa a buscar seu sonho de ser dona de uma barraca na feira para mostrar todo o seu talento nos tachos e alcançar uma vida melhor – se sucedem. É o caso da trajetória de dona Maria Leda da feijoada, que começou servindo sua fiel clientela sob um teto de capim e lona e hoje, depois de alguns anos, emprega 22 pessoas, a maioria de sua família. Esses casos de talento, perseverança e sucesso se repetem por todo o estado, apesar das dificuldades impostas pelas rígidas regras estabelecidas por órgãos de vigilância sanitária, que, infelizmente, ainda não distinguem os modestos artesãos dos grandes produtores. Sete Lagoas e região, de tantos causos, de tantas lembranças, como das empadinhas, broas e quitutes da Fazenda da Lapa, das geleias de mocotó do Vô Quito e dos sorvetes cremosos da Padaria Nevada, ainda preservam muitas receitas daquele tempo e esperam por sua visita. Venha saborear um pouco dessa história e desfrutar da hospitalidade do povo desta bela terra das lagoas formosas. Bom apetite! Eduardo Avelar Chefe de cozinha 3


COLHERADAS DE MAGIA Doces Há três anos no mercado, a marca de doces Tacho de Ouro usa típicas receitas caseiras na produção. Vendidos em todo o estado, os doces são variados e o pé de moça, uma reinvenção do pé de moleque, é o mais apreciado. Contato: (31) 3771-2121.

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Criatividade é item que não falta na cozinha de Wansol forte e as altas temperaturas do verão podem até desanimar alguns, mas é com todo fôlego que o Sabores de Minas prepara a bagagem para botar o pé na estrada. Afinal, Minas é fonte de infinitas e saborosas descobertas que merecem ser degustadas. Desta vez, os aromas conduzem os viajantes à cidade de Sete Lagoas, a 70 quilômetros de Belo Horizonte. Para começar, uma receita que desperta a curiosidade e os sentidos. É a geleia de abacaxi com pimenta, uma iguaria que pode ser degustada como doce ou como tempero. O criador da geleia, o mineiro Wander Gomes de Oliveira, ensina como explorar a versatilidade de sua invenção. “A geleia é ótima para temperar carne de porco. Além de dar sabor, serve para dourar a carne. É só passar antes de assar”, ensina. Técnico em laticínios, Wander começou com a produção de doces por pura distração e, hoje, a marca batizada de Poção de Amor é vendida em vários lugares, inclusive na capital. O segredo da qualidade é o modo de preparo, que ainda passa pelos tachos de cobre. Além disso, as receitas são joias de família, guardadas há várias gerações. Com atributos assim, fica difícil resistir a essa mágica poção.

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Geleia de abacaxi com pimenta

INGREDIENTES ● 1 kg de abacaxi picado ● 800 g de açúcar cristal ● 80 g de pimenta-dedo-de-moça, sem sementes

COMO FAZER Bater, separadamente, o abacaxi e as pimentas no liquidificador. Levar ao fogo alto, de preferência em um tacho de cobre, com o açúcar, mexendo algumas vezes. Retirar do fogo depois de uma hora, ou assim que der o ponto, que pode ser medido colocando uma colher da mistura em uma superfície lisa e fria. Se, ao passar o dedo, a geleia não grudar e ficar com a aparência enrugada, está pronta. Retirar e servir depois de esfriar ou gelada. Receita fornecida por Wander Gomes de Oliveira, de Sete Lagoas: (31) 3771-9679

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BOAS-VINDAS À MINEIRA Arte Montado em um casarão do século 19, o Centro Cultural Nhoquim Drumond, em Sete Lagoas, abriga trabalhos de diversos artesãos da cidade. Destaque para os suportes para pratos feitos de bambu, os jogos americanos bordados e outros objetos que dão charme à cozinha.

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Antônio Cláudio mostra como aliar cor e sabor nos pratos

s viajantes mal desembarcam em Sete Lagoas e a boa recepção da cozinha mineira dá as caras. Na hora do almoço, surgem as mais belas expressões de nossa vasta cultura, todas enfileiradas ali, no calor do fogão a lenha. Seguindo preciosas dicas, chegamos ao Restaurante Donana, que há 19 anos presenteia os paladares de setelagoanos e visitantes com iguarias caprichadas. O dono do lugar, Antônio Cláudio Maciel, ou Tonico, como é chamado, é quem faz as honras da casa, com receitas para fazer qualquer visita querer ficar um pouco mais. O suculento lombo, preparado pela experiente cozinheira Vicentina, se anuncia pelo cheiro, que invade as narinas e faz salivar. Para acompanhar, a salada tropical, uma opção saudável e saborosa para enfrentar o calor. A salada, aliás, ganha sabor especial quando se sabe da procedência dos ingredientes. “As verduras são todas compradas nas hortas comunitárias da cidade”, conta Tunico. O projeto, mantido pela prefeitura, usa terrenos na via pública e oferece trabalho a centenas de famílias. As hortaliças, cultivadas sem uso de agrotóxicos, chegam fresquinhas e tornam pratos, como a salada tropical, ainda mais apetitosos. Garfo e faca à mão, é hora de conferir o tempero das maravilhas postas à mesa.

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Lombo com salada tropical

INGREDIENTES

Para a salada

Para o lombo

● 1 pé de alface roxa ● 1 pé de alface crespa

● 1 peça de lombo suíno de 3 kg

● 200 g de palmito picado

● 1,5 colher (sopa) de tempero

● 200 g de tomates-cereja, partidos

caseiro (alho e sal) ● 1 cebola picada ● Meia colher (chá) de pimentacalabresa ● 2 colheres (sopa) de molho de soja ● 3 colheres (sopa) de óleo

ao meio ● 300 g de uva picada ● 50 g de figo em calda picado ● 50 g de abacaxi picado ● 50 g de pêssego sem casca picado ● 50 g de manga picada ● 50 g de laranja picada

COMO FAZER Temperar o lombo com o tempero caseiro, o molho de soja e a pimenta. Aquecer o óleo em uma panela e pôr a cebola e o lombo. Deixar dourar e, à medida que for secando, pingar água sem que cubra a carne. Ir virando o lombo, até que ele cozinhe por completo. Para a salada, misturar todos os ingredientes e temperar a gosto. Servir com fatias do lombo. Arroz é um bom acompanhamento. Receita fornecida por Vicentina Elizabete Cruz, de Sete Lagoas: (31) 3773-7806

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COMBINAÇÃO SOBERANA Especial Fabricados em Inhaúma e vendidos em Sete Lagoas, os embutidos Schroeder são sinônimo de qualidade. Há 10 anos no mercado, paio, salaminho, lombo defumado e outros são vendidos na loja que leva o nome da marca. Lá, o visitante encontra também linha especial de pães, bebidas e carnes. Contato: (31) 3774-7465.

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Silvana adiciona requinte à famosa goiabada com quei-

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m almoço de primeira pede sobremesa à altura. E a cozinha do Restaurante Donana não deixa a desejar. A oferta vem melhor do que a encomenda, com uma receita que surpreende pela praticidade e pelo sabor de cada garfada. A torta mineira, como foi batizada, é apresentada pela funcionária Silvana Ferreira Cunha. Palpite ali, sugestão aqui, o resultado foi uma torta com massa que quebra na boca e traz no recheio a perfeita combinação que enche os mineiros de orgulho: goiabada com queijo. Segundo Silvana, a torta foi sucesso logo que foi servida ao público e, de tão especial, só pode ser apreciada uma vez por semana. “A gente sempre serve o básico e, semanalmente, colocamos uma receita diferente na parte de sobremesas. Para isso, pesquisamos e trazemos de casa algo que achamos interessante, para que outros experimentem e façam alguma modificação”, diz. O básico, no caso, já é de atiçar a gula. Um desfile de compotas, tortas enfeitadas e doces cremosos cobrem a mesa que, para muitos, representa tentação difícil de resistir. Se essa conversa já despertou o desejo de beliscar um doce, não deixe de preparar a torta. Basta ter os ingredientes à mão e um liquidificador. Pronto. Torta montada, vai ao forno e já está no ponto de servir. Goiabas fatiadas dão o toque especial e fazem cada mordida virar um sonho do qual não se quer despertar.


Torta mineira

INGREDIENTES ● 500 g de queijo-de-minas picado ● 200 g de creme de leite ● 1 copo (americano) de açúcar cristal ● 2 colheres (sopa) de amido de milho ● 1 copo (americano) de leite ● 300 g de biscoito de maisena ● 2 goiabas vermelhas, cortadas em rodelas ● 100 g de goiabada cremosa (de comer de colher) ● 3 colheres (sopa) de margarina ● 4 ovos

Material 1 forma redonda de fundo solto, com aproximadamente 20 cm de diâmetro

COMO FAZER Bater os biscoitos no liquidificador para que fiquem triturados e, em uma vasilha à parte, misturar com a margarina, amassando até obter massa homogênea. Cobrir o fundo e as laterais da forma com a massa e levar ao forno por 5 minutos. Bater no liquidificador o creme de leite, o queijo, o leite, o amido de milho, o açúcar e os ovos. Despejar a mistura por cima da massa, ainda na forma, e levar ao forno por uma hora. Deixar esfriar e desenformar. Despejar a goiabada por cima do creme de queijo e decorar com as rodelas de goiaba. Receita fornecida por Silvana Ferreira Cunha, de Sete Lagoas: (31) 9859-9227

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MORDIDAS DE SONHO Cachaça Para os apreciadores da branquinha, um bom programa para o fim de semana é conhecer a produção da cachaça Vitorina, na cidade de Fortuna de Minas. O produtor, Vítor Braga, é quem recepciona os grupos e apresenta cada etapa da elaboração da bebida, reconhecida com uma das melhores do país. A boa época para visitas é de junho a novembro. Contato: (31) 3773-4790.

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Perseverança e talento são receita do sucesso de Fabrícia

ensibilidade talvez seja a palavra adequada quando se fala nessa iguaria. Primeiro, para desfrutar do perfume que ela exala e, depois, para degustar cada pedacinho, sentindo na boca o prazer causado pela mistura dos sabores de especiarias, chocolates, mel e frutas. A setelagoana Fabrícia Mendes de Araújo ainda acrescentou a essa saborosa lista um ingrediente a mais: a pimenta. É ela que dá o toque final a seus pães de mel, quitute que poucos têm coragem de recusar, graças à magia em cada mordida. A jovem de 27 anos aprendeu a receita há quatro anos, quando trabalhava em uma confeitaria. Desempregada, lançou mão de seus dotes culinários e iniciou uma pequena produção de pães de mel, que, segundo ela, é a receita que mais lhe dá satisfação. Com sua cesta, Fabrícia roda a cidade vendendo as iguarias, seja batendo de porta em porta, seja oferecendo aos transeuntes ou nos portões das escolas. Enquanto encara a jornada diária, a moça alimenta o sonho de montar seu próprio negócio e já está dando os primeiros passos. Em breve, terá uma barraca na feira de maior movimento da cidade, nas noites de sexta e sábado, no Centro de Sete Lagoas. Lá, certamente, ela encantará muitos paladares com essa receita que tem a determinação como principal tempero.

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Pão de mel INGREDIENTES Para a massa-base ● 1 xícara e meia (chá) de açúcar

mascavo ● 1 xícara (chá) de água ● 2 ovos ● 2 xícaras (chá), mais um quarto,

de farinha de trigo ● Um quarto de colher (chá) de

cravo em pó e a mesma medida de canela em pó e de nozmoscada em pó ● 1 colher (chá) de gengibre picadinho ● 1 colher (sopa) de chocolate em pó ● Meia colher (sopa) de bicarbonato de sódio ● Meia xícara (chá) de leite ● Meia xícara (chá) de mel ● 1 colher (sopa) de xarope de glucose

Para o recheio ● 200 ml de creme de leite ● 3 pimentas-dedo-de-moça, sem

sementes e picadas ● Casca de meia laranja ● 500 g de chocolate meio

amargo picado ● 50 g de manteiga derretida ● 2 colheres (sopa) de mel ● 400 g de chocolate ao leite

picado

Para a cobertura ● 2 tabletes (170 g cada) de

chocolate meio amargo e 4 de chocolate ao leite

Material ● Forminhas redondas de

alumínio ou tabuleiro (untar com manteiga e polvilhar farinha)

COMO FAZER Para a massa, levar ao fogo a água e o açúcar até obter uma calda clara e grossa. Deixar esfriar. Bater as claras em neve. Em outra vasilha, misturar a farinha, a canela, o gengibre, o cravo e a noz-moscada, a calda de açúcar, o chocolate em pó, o bicarbonato dissolvido no leite, as gemas e o xarope de glucose. Misturar bem e pôr o mel e as claras em neve. Mexer. Untar as forminhas ou o tabuleiro e pôr massa. Assar por 20 minutos em forno pré-aquecido. Para o recheio, levar ao fogo o leite, a pimenta e a casca de laranja por 5 minutos. Peneirar e voltar ao fogo. Acrescentar os chocolates, mexendo até que derretam. Pôr a manteiga, o mel e misturar bem. Levar à geladeira, para esfriar. Abrir cada pão de mel ao meio sem separar as duas metades e rechear. No caso da massa do tabuleiro, cortar em quadradinhos e rechear. Derreter os chocolates da cobertura em banho-maria e banhar os pães de mel, um a um.

Receita fornecida por Fabrícia Mendes de Araújo, de Sete Lagoas: (31) 3776-2295

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TRADIÇÃO RENOVADA Caseiro Uma produção familiar que caiu no gosto do público. São os doces Querença, feitos de forma artesanal na fazenda de mesmo nome, em Inhaúma. A goiabada, uma tentação feita com os frutos colhidos na própria fazenda, é o carro-chefe da marca. São aceitas encomendas de todo o país. Contato: (31) 3773-2538.

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Conhecida quitanda ganha toque diferente com Danizete o lado do pão de queijo, dos biscoitos caseiros e do queijo-de-minas, o bolo de fubá é a iguaria que não pode faltar quando se pensa nas boas e velhas mesas de café em nosso estado. A receita já atravessa gerações e, a cada cozinha, ganha um toque diferente que a torna única e especial. É o caso do exemplar encontrado pelos viajantes em Sete Lagoas, preparado com maestria pela dona de casa Danizete Délcia Ribeiro. Nos ingredientes, nada de surpresa, mas o mesmo não se pode dizer do modo de fazer. Antes de ir ao forno, a mistura vai ao fogão para que cozinhe, num procedimento que lembra o preparo do angu. O bolo de fubá cozido é conhecido de Danizete desde os tempos de menina, quando a mãe, experiente quitandeira, o preparava no fogão a lenha. Além da receita, a mineira herdou da mãe o gosto pela mesa farta, algo comemorado pelos quatro filhos. “Toda a vida gostei de fazer as coisas, encher a mesa de pão e bolo. É por isso que o povo daqui está gordo”, brinca. Para o preparo do bolo de fubá cozido é preciso atenção e cuidado na hora de pôr o fermento, como ensina Danizete. “Tem que cozinhar em uma panela grande, porque na hora de pôr o fermento a massa sobe. Na primeira vez que fiz, não sabia disso e tomei um susto.” E para que a receita fique ainda mais completa, sirva com café coado na hora e boa prosa. Algo a reclamar?

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Bolo de fubá cozido

INGREDIENTES ● 4 copos (tipo americano)

de fubá ● 3 copos (americano) de açúcar ● 1 copo (americano) de óleo ● 4 copos (americano) de leite ● 4 ovos ● 1 pitada de sal ● 2 colheres (sopa) de queijo-de-

minas curado, ralado ● 2 colheres (sopa, rasa) de

fermento em pó

Para untar ● Óleo

COMO FAZER Em uma panela grande e funda, pôr o fubá, o leite, o açúcar, o óleo e o sal. Mexer e levar ao fogo. Deixar cozinhar, mexendo, como se fosse um angu. Retirar do fogo assim que engrossar. Bater as gemas e as claras juntas e despejar na panela aos poucos, mexendo bem. Pôr o queijo e, por último, o fermento em pó, com cuidado, pois a massa vai subir. Mexer e despejar no tabuleiro untado. Assar em forno alto, até o bolo crescer e ficar dourado. Receita fornecida por Danizete Délcia Ribeiro, de Sete Lagoas: (31) 3773-0134

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NOMES SABOROSOS Cultivo Há 27 anos, o projeto Hortas Urbanas Comunitárias é fonte de renda para centenas de famílias de Sete Lagoas. Nas sete hortas do município, em áreas da prefeitura ou de servidão da Cemig, é proibido o uso de agrotóxicos e as hortaliças são vendidas sempre frescas. A venda ocorre nas ruas, diretamente nas hortas ou em feiras da cidade.

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Lúcia e Nília fazem um divertido intercâmbio de iguarias or aqui já passaram o beiçudo, o chimango, o espremido, o voador, o ferradura, o caramujo e muitos outros ilustres. Agora, para se juntar a essa galeria, apresentamos, diretamente de Sete Lagoas, o tareco. Ainda não entendeu o assunto em questão? Os nomes, uns engraçados, outros curiosos, são nada mais nada menos que tradicionais biscoitos preparados nas cozinhas de Minas. A origem da maioria das denominações ninguém sabe explicar de onde veio, mas isso nem é necessário. Ao levar uma dessas quitandas à boca, pouco importa como é chamada, o que vale mesmo é o sabor. No caso do tareco, as irmãs Lúcia e Nília Alves só sabem dizer que aprenderam a receita com uma quitandeira de Jequitibá, cidade próxima a Sete Lagoas. “A gente vai aprendendo. Vem um à nossa casa e já passa uma receita, depois vamos à casa de outro e aprendemos outra coisa. É assim”, resume Lúcia. As irmãs produzem e vendem seis variedades de biscoitos e, mesmo com o cansaço de bater perna com as cestas cheias, não reclamam. “Dá trabalho, mas vale a pena porque a gente acaba conhecendo muita gente”, diz Nília. A produção é feita na fazenda onde moram, a nove quilômetros do Centro de Sete Lagoas. Duas vezes por semana, 20 quilos de biscoitos saem do forno a lenha. De lá, seguem rumo à freguesia, que já aguarda com o nome de cada um na ponta da língua.

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Biscoito tareco

INGREDIENTES ● 1 kg de fécula de batata ● 1 kg de farinha de trigo com fermento ● 900 g de açúcar refinado ● 500 g de manteiga ● 200 ml de leite de coco ● 100 g de coco ralado ● 7 ovos

Para untar e polvilhar ● Óleo e farinha de trigo

COMO FAZER Misturar a farinha, a fécula, a manteiga e o açúcar. Pôr o leite de coco e o coco ralado. Misturar. Pôr, um a um, os ovos e amassar até que a massa dê ponto de enrolar com as mãos. Fazer cordões de aproximadamente 3 cm de largura e 1 cm de espessura e cortar em pedaços no tamanho desejado. Pôr em um tabuleiro untado com óleo e assar em forno pré-aquecido, na temperatura máxima, por cerca de 15 minutos. Receita fornecida por Lúcia Alves e Nília Alves Dias, de Sete Lagoas: (31) 9643-4998

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DESFILE DA GULA Boteco Este ano, o festival Sabor de Bar, realizado em Sete Lagoas entre julho e agosto, chega à sexta edição e promete repetir o sucesso. A coordenadora do evento, Paula Alves, adianta que uma das novidades será a premiação para artistas plásticos da cidade. Cerca de 20 bares participam do concurso que avalia os melhores tira-gostos, a higiene, o atendimento e a temperatura da cerveja. Informações: www.sabordebar. com.br

JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS

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Combinação de Henrique tem cor e sabor de mineiridade m Sete Lagoas, ao procurar um restaurante para almoçar, o visitante descobre que, por aquelas bandas, a gula está longe de ser pecado. Basta perguntar a um, assuntar com outro e, observando os locais mais indicados, percebe-se que prezam pela boa mesa. O Restaurante Minas D’água é um deles. Localizado em um tranquilo recanto da cidade, é de deixar qualquer um de queixo caído. Logo ao entrar, um fogão a lenha enorme, montado no meio do rústico e amplo salão, abriga panelas e tabuleiros com as mais apetitosas iguarias. Em uma chapa próxima à brasa, carnes e nacos de queijo-de-minas são passados, o que garante o perfume do ambiente. Com o prato na mão, a tarefa é escolher o que servir. Se a opção é pelo clássico, vamos a uma suculenta costela de porco pururucada, farofa, arroz e couve. Para abrir o apetite, o gerente, Henrique Abel Teixeira, oferece uma dose da cachaça produzida na própria casa. Formado em direito, ele não chegou a exercer a profissão, já que descobriu na área de restaurantes e eventos aquilo que realmente lhe dá prazer. “Comecei montando barzinhos em exposições. Gosto de trabalhar na área e, principalmente, de lidar com o público”, conta. Sem medir esforços para agradar os viajantes, oferece a receita da costelinha. Uma relíquia de nossa culinária que recebe sinceros aplausos.

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Costela de porco pururucada

INGREDIENTES Para a costela

● 1 colher (sopa) de manteiga

● Peça de costela de porco de

● 200 g de milho verde

aproximadamente 1 kg com a pele ● Tempero caseiro (alho e sal), pimenta-malagueta e cheiroverde a gosto ● 2 litros de banha de porco

● 1 xícara (chá) de batata-palha

Para a farofa ● 2 ovos

● 1 tomate ● Meio pimentão verde e meio

vermelho ● Cheiro-verde a gosto ● 1 cebola picada ● Meia xícara (chá) de uva-passa ● 2 xícaras (chá) de farinha de

mandioca

COMO FAZER Temperar a costela e deixar na geladeira, coberta, de um dia para o outro. Levar para assar em uma forma untada com manteiga, por cerca de uma hora e meia. Retirar do forno e pôr a costela em um tacho ou panela funda, de modo que a parte da pele fique para cima. Aquecer bem a banha e, com uma concha, despejar a gordura por cima da pele da costela. Retirar a costela do tacho e pôr em um recipiente para servir. Para a farofa, refogar a cebola na manteiga e fritar os ovos. Pôr os demais ingredientes, sendo por último a cenoura e a batata-palha. Servir com a costela. Receita fornecida por Henrique Abel Teixeira, de Sete Lagoas: (31) 9839-0101

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A PAZ DE UMA BOA MESA Diversidade Tem verduras frescas, temperos cheirosos, frutas da estação, mel puro, quitandas, peixes, linguiças, churrasquinhos, caldo de cana e pastéis fritos na hora. É a tradicional feira do Bairro Boa Vista, em Sete Lagoas, que ocorre religiosamente aos domingos. Vale a visita.

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Alexandre serve fartas porções de sabor e hospitalidade ue atire a primeira pedra aquele que, em meio à correria das grandes cidades, não desejou trocar todo o barulho e agitação urbana por um recanto de paz e sossego em meio à natureza. Ser destino para quem quer dar uma trégua à confusão diária é a proposta do requintado Águas do Treme Lake Resort, uma área de 300 hectares, em Inhaúma, vizinha a Sete Lagoas, a 83 quilômetros da capital. Ali, a regra é esquecer o relógio e os problemas e entregarse à preguiça, à boa mesa, à paisagem exuberante e às confortáveis hospedagens. O lugar abriga o maior lago de pesca esportiva da América Latina, com 60 hectares, e é de lá que vem a matéria-prima de uma receita servida em um dos restaurantes montados no espaço. A moqueca de surubim é preparada pelo chefe Alexandre Rosa que, com sua equipe de 14 funcionários, prepara iguarias das cozinhas regional e internacional, de acordo com o gosto do hóspede. “Trabalhar em hotel é muito bom, porque a gente tem a oportunidade de mostrar ao cliente todo nosso trabalho, da hora do café da manhã ao jantar”, explica. A piscicultura do Águas do Treme se desenvolve em 20 tanques e produz diversas espécies, sendo o surubim a mais aclamada pelo público, em diversas receitas do cardápio. Abençoados pela natureza, os viajantes saboreiam um dos pratos, que, sem exageros, merece a classificação de divino.

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Moqueca de surubim

INGREDIENTES ● 600 g de filé de surubim, cortado em cubos grandes ● 200 ml de leite de coco ● 100 g de pimentão verde picado em tirinhas finas ● 100 g de pimentão vermelho picado em tirinhas finas ● 100 g de pimentão amarelo picado em tirinhas finas ● 200 g de tomate sem casca e semente picado em tirinhas finas ● 1 colher (sopa) de alho moído ● 2 colheres (sopa) de azeite de dendê ● 2 colheres (sopa) de azeite de oliva ● 100 g de extrato de tomate ● 150 g de cebola picada ● 1 maço de cheiro-verde picado ● Suco de 1 limão ● Sal a gosto

COMO FAZER Temperar o surubim com limão e sal. Aquecer uma panela, de preferência de pedra, e despejar os azeites de dendê e oliva, a cebola, o alho e os pimentões. Quando murcharem, pôr o extrato de tomate e deixar no fogo por 3 minutos. Pôr o leite de coco, o peixe, os tomates, o sal e cobrir com água. Deixar cozinhar por 10 minutos. Provar o tempero, salpicar cheiro-verde e servir. Receita fornecida por Alexandre Rosa, de Inhaúma: (31) 3716-4800

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PARA TODAS AS ESTAÇÕES Criativo A cada três meses, cardápio e decoração diferentes. De novidades vive o Nosso Bar, um aconchegante espaço, com capacidade para apenas 35 pessoas, montado no Bairro Jardim Cambuí, em Sete Lagoas. Às quintas, a cerveja e o tiragosto são acompanhados por música ao vivo. Contato: (31) 9372-7478.

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Receita de Leda tem lugar garantido, chova ou faça sol

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á quem diga que há cada ano o verão vai ficando mais quente. Com os termômetros nas alturas, tudo o que se quer é uma comidinha leve e refrescante, não é verdade? Contudo, em Sete Lagoas, uma receita tipicamente brasileira, conhecida por aquecer o corpo, de tão boa, é muito bem vinda, mesmo no calorão. Nem o sol escaldante impede que a tradicional feijoada do Restaurante Tia Leda seja servida. Afinal, há sete anos a iguaria é degustada pelos clientes, religiosamente, às sextas, sábados e domingos. E o público aprova. Basta ver as panelas vazias ao fim de cada dia. Por vez, a dona do estabelecimento, Maria Leda Silva Santos, cozinha cinco quilos de feijão, sem contar as carnes e acompanhamentos como arroz, farofa, couve e vinagrete. Não sobra nada para contar história. Experiente cozinheira, Leda saiu do antigo emprego para montar seu próprio negócio. Desde então, sua vida tem sido uma luta diária, mas repleta de satisfação. “Quando começamos, eu tinha que pedir pratos emprestados para o vizinho. O teto era coberto com capim e lona e não havia grades. Hoje, emprego 22 pessoas. Toda a família está trabalhando. Tenho muito orgulho disso”, diz. Mesmo com o restaurante estruturado, Leda não abandona a cozinha e antigos hábitos, como buscar, de bicicleta, ingredientes que faltam bem no meio do expediente. O resultado de toda essa determinação é sentido logo na primeira garfada.


Feijoada mineira

INGREDIENTES ● 1 kg de feijão preto ● 1 kg de pé de porco ● 500 g de orelha de porco ● 200 g de paio picado ● 200 g de linguiça-calabresa picada ● 150 g de bacon picado ● 200 g de charque picado ● 200 g de costelinha ● Tempero caseiro (alho e sal) e folhas de louro a gosto ● 500 ml de óleo

COMO FAZER Temperar o pé de porco, a orelha e a costelinha. Fritar cada um, separadamente, no óleo quente. Deixar o charque de molho por duas horas, escorrer e, em seguida, fritar na mesma gordura. Cozinhar o feijão na panela convencional por 30 minutos ou até que comece a amolecer. Pôr o pé e a orelha de porco, as folhas de louro e tempero e deixar cozinhar por uma hora. Acrescentar o restante dos ingredientes, misturar e deixar cozinhar por mais 30 minutos. Durante todo o preparo, pôr água quente, à medida que o feijão for secando. Servir com couve, arroz, farofa e vinagrete. Receita fornecida por Maria Leda Silva Santos: (31) 9161-5805

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VERÃO DE PALADARES Licor Pequi, jenipapo e jabuticaba são as matérias primas dos licores Nhô Tunico, fabricados na comunidade de Fazenda Velha, em Sete Lagoas. Há cinco anos, Rosângela Silva produz as iguarias que fazem sucesso em feiras e festas da Associação dos Pequenos Produtores da Fazenda Velha. O licor também é feito sob encomenda para outros eventos. Contato: (31) 3214-2936.

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Sabor das saborosas iguarias de Eliana está nos detalhes

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ol, calor e verão combinam com sombra e água fresca. Na falta de mar em Minas, a opção é se refrescar nas águas geladas de nossas cachoeiras ou, para quem está na cidade, aproveitar o dia nas piscinas dos clubes. Em Sete Lagoas, um dos lugares preferidos para um bom banho é o Clube Náutico, que, no verão, recebe gente o dia inteiro. Para manter as energias e tornar o lazer completo, não pode faltar um lanche ou tira-gosto e é a empresária Eliana Avelar Freitas quem se encarrega de suprir o apetite dos frequentadores. Salgados fresquinhos e bem feitos e petiscos de primeira são preparados diariamente aos consumidores que, principalmente durante a noite, lotam o bar. Paralelamente ao trabalho no clube, Eliana mantém o bufê Oficina do Sabor, cuja especialidade são cardápios elaborados e bem feitos. “Gosto de fazer coisas mais detalhadas e me preocupo com tudo, até com as vasilhinhas em que a comida vai ser servida”, diz. As pequenas quiches são exemplo desse capricho. A partir da massa, o quitute de origem francesa que caiu de vez no gosto dos brasileiros ganha novas caras a cada festa. Com criatividade, Eliana desenvolve os mais variados recheios, como o de goiabada com queijo, que é a nossa cara. Arrumados em um prato, convidam o paladar a deleitar-se e curtir cada mordida dessa suave e perfeita combinação.


Quiche de queijo com goiabada

INGREDIENTES Para a massa

● 2 xícaras (chá) de ricota

● 300 g de farinha de trigo

● 1 xícara (chá) de leite

● 100 g de gordura vegetal

● 5 colheres (sopa) de leite

amassada

hidrogenada ● 3 colheres (sopa) de maionese ● 2 colheres (sopa) de leite ● 2 colheres (sopa) de açúcar ● 2 gemas

condensado ● 1 colher (sopa) de essência de

baunilha ● 1 xícara (chá) de goiabada

cascão em lascas ● 100 ml de creme de leite ● 3 ovos batidos

Para o recheio

● 2 colheres (sopa) de açúcar

COMO FAZER Misturar os ingredientes da massa e deixar descansar na geladeira, embrulhada em filme plástico, por 30 minutos. Misturar o leite condensado com a ricota, o leite e a goiabada cascão. Forrar o fundo das forminhas ou da forma grande com a massa e pôr a mistura. Bater o creme de leite, os ovos e o açúcar e cobrir. Assar por 20 minutos. Receitas fornecidas por Eliana Avelar Freitas, de Sete Lagoas: (31) 3773-9294

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TACHOS DE DOÇURA Sucesso Há seis anos de portas abertas, o Kirina’s Bar está sempre lotado, oferecendo ao público cerveja gelada, ambiente descontraído e, é claro, tira-gostos deliciosos. Uma das boas pedidas são os pratos que já competiram no festival Sabor de Bar e que integram o cardápio da casa. Contato: (31) 3774-5760.

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Dona Jandira conhece cada utilidade dos frutos da terra

jornada pede um caminhar mais lento e, para tanto, os viajantes seguem para a zona rural de Sete Lagoas em busca das preciosidades guardadas nas cozinhas da roça. Por tradição, o que se encontra é uma riqueza de receitas passadas de mãe para filha, das quais as que mais encantam são as dos doces de frutas. Na Fazenda Velha, comunidade a poucos quilômetros do centro urbano, exemplares de nossa cultura gastronômica são encontradas aos montes, como o doce de marmelo preparado por dona Jandira Pereira Ferreira. Aos 78 anos, a mineira, que hoje é ajudante de uma das filhas na cozinha, lembra-se da época em que o marmelo era facilmente encontrado na região e se surpreende ao ouvir dos viajantes que nunca haviam visto a fruta. “Engraçado vocês nunca terem visto. Aqui já teve muito, era a terra do marmelo”, diz. Segundo ela, na sua casa havia três pés, fato que é motivo de piada na família. “Era um para cada filho, porque a vara do marmelo era usada para bater nos meninos”, brinca um dos netos de dona Jandira. Diferente da marmelada, o doce de marmelo em calda leva a fruta picada em cubinhos, o que faz com que o gosto fique mais acentuado. Para acompanhar, dona Jandira não dispensa o bom queijo-de-minas. Esse sim, parceiro que não pode faltar.

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Doce de marmelo

INGREDIENTES ● 2 kg de marmelo ● Água ● 1 copo (americano) de açúcar

COMO FAZER Descascar os marmelos e retirar as sementes. Picar em cubinhos e, num tacho, cozinhar, em água suficiente para cobrir, por 30 minutos ou até que fiquem macios. Pôr o açúcar e retirar quando a calda ficar em ponto de fio (quando forma um fio ao escorrer da colher). Receita fornecida por Jandira Pereira Ferreira, de Sete Lagoas: (31) 3776-8048

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DO QUINTAL PARA O FOGÃO Laticínios Muçarela, requeijão, ricota e manteiga são alguns dos produtos da marca Laticínios Sete, fabricados pela Cooperativa Regional de Produtores Rurais de Sete Lagoas. As iguarias podem sem compradas facilmente no comércio da cidade. Contato: (31) 3773-2899.

Dona Maricota conhece a doce arte de agradar paladares

a cozinha da casa de dona Jandira também saem doces de mamão, de figo, de leite e uma goiabada cascão daquelas de deixar qualquer um enlouquecido. É a filha Maria da Conceição Dias, a Maricota, quem prepara esses manjares com o auxílio da mãe. A goiaba vem dos fundos da casa e, quando falta, não é difícil conseguir com outros moradores da região. Na lida dos tachos há 16 anos, Maricota considera o ofício, antes de tudo, um programa de lazer. Apesar de a produção ser pequena, ela tem nos doces um complemento para a renda da casa. “Foi o doce que pagou o material escolar das crianças e hoje ele ajuda a pagar outras contas”, conta. Mas nem todo o produto é vendido. Uma parte, segundo ela, é dada a vizinhos e amigos. Na pacata Fazenda Velha, é desse jeito. O que é produzido na cozinha de um, logo vai para a casa do outro. Não há truques nas receitas que não sejam compartilhados e o maior prazer está em trocar figurinhas sobre a culinária. E assim, tecendo as mais variadas teorias sobre a arte de fazer doces, desfrutamos da companhia de Maricota, saboreando dois ícones do nosso estado: a goiabada com queijo e a boa prosa de nossa gente.

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Goiabada cascão

INGREDIENTES ● 8 kg de goiaba vermelha ● 1 kg e meio de açúcar cristal

Material ● Fôrmas retangulares

COMO FAZER Retirar e desprezar as sementes e descascar as goiabas. Pesar as frutas e usar 4 kg, que é a medida necessária para a quantidade de açúcar da receita. Lavar as goiabas e levar ao fogo médio, em um tacho de cobre, com o açúcar sempre mexendo. Cerca de uma hora depois, quando o doce começar a desgrudar do fundo do tacho, retirar uma pequena porção e pôr em um copo com água fria, para medir o ponto. Se a porção formar uma espécie de balinha, o doce está pronto. Retirar do fogo e despejar em formas forradas com papel filme. Receita fornecida por Iracema Antunes dos Santos, de Salinas: (31) 3776-8048

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DEDICAÇÃO QUE DÁ GOSTO RESTAURANTES ● Gôndola Ristorante (31) 3771-8686 ● Lagoa Espetos (31) 3775-2888 ● Churrascaria Três Marias (31) 3775-2888 ● Pizzaria Fiorenza (foto) (31) 3771-8931 ● Posto Três Poderes (31) 3773-9291 ● Fogão de Minas (31) 3774-4119 ● Quatro Estações Grill (31) 3771-9227 ● Frigideira Restaurante (31) 3771-6149 ● Vida Saudável (31) 3771-6312 ● Restaurante Engenho (31) 3773-9012

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Maria de Fátima não se cansa da tarefa de agradar à me-

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ntes de nos despedir da comunidade da Fazenda Velha, ainda reservamos um tempo na agenda e um espacinho no estômago para experimentar outra iguaria. Seguindo o rastro das doceiras de mão cheia do lugar, batemos na casa de Fatinha, apelido de Maria de Fátima da Silva, que por lá vive há 35 anos. Desse tempo, 20 anos são dedicados à arte culinária, atividade que ela mantém com gosto e sem planos de interromper. “O pessoal fala que já está na hora de parar, mas eu não aguento. Faço porque gosto”, diz. Um dos doces aprendidos nessa jornada é o de pêssego verde em calda, uma iguaria que, à primeira vista, pode parecer doce de figo, devido ao tamanho e à cor semelhantes. Mas basta uma olhada mais de perto para identificar a fruta. “Por aqui a gente encontra muito, na minha casa mesmo tem um pé. Ele é menor do que os outros e mais verdinho”, explica. O doce de pêssego é um dos que enfeitam uma bonita prateleira que Fatinha usa para expor suas criações. Ao lado dele, compotas de laranja da terra, mamão, goiaba e limão. A doceira teve as primeiras aulas de cozinha com a mãe, em um período em que ela estava doente e não podia cozinhar. Depois disso, nunca mais parou de aprender. Nem de ensinar doces lições.


Doce de pêssego verde em calda

INGREDIENTES ● 1 kg de pêssego verde inteiro ● 800 g de açúcar cristal ● 1 colher (sopa, rasa) de sal amoníaco ● Água

COMO FAZER Ferver água suficiente para cobrir os pêssegos. Quando ferver, pôr as frutas já lavadas. Quando voltar a ferver, pôr o sal amoníaco e retirar assim que as cascas dos pêssegos tenham saído. Escorrer as frutas e lavar. Em um tacho, levar ao fogo um litro de água e o açúcar. Quando formar uma calda em ponto de fio (obtido quando a calda forma um fio ao escorrer da colher) pôr os pêssegos, que devem ser aquecidos antes em uma panela com água. Deixar ferver por cerca de 10 minutos e retirar do fogo. Receita fornecida por Maria de Fátima da Silva, de Sete Lagoas: (31) 3776-8193

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RAINHA DA MESA

ONDE FICAR ● Alvorada (31) 3771-3560 ● Riviera Palace Hotel (31) 3775-1010 ● Hotel Real (31) 3773-3301 ● Vila Serrana (31) 3776-4422 ● Lago Palace Hotel (31) 3774-6044 ● Sete Lagoas Residence Hotel (31) 3775-1010 ● Turi Hotel (31) 3771-4555 ● Hotel Solar do Engenho (31) 3799-3233 ● Hotel Rural Morada do Sabiá (31) 9139-9328 ● JN Resort (31) 3773-4348

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Cardápio de Claudinho mostra a versatilidade da tilápia passagem da equipe do Sabores de Minas por Sete Lagoas chega ao fim. Mas ainda resta tempo para entrar em mais uma cozinha e desvendar segredos preciosos. Pegando carona na fama boêmia da cidade, o lugar para a despedida não poderia ser outro senão um boteco de primeira. Seguindo indicações, chegamos à Cabana do Peixe, um lugar que tem tudo a ver com o verão. A começar pelo ambiente, espaçoso e arejado. O cardápio, então, nem se fala. Como o próprio nome sugere, os peixes têm destaque no menu e ocupam mais da metade das opções. Na dúvida do que escolher, o dono da casa, Cláudio Luiz Silva, o Claudinho, sugere: tilápia. Não importa como seja preparada, é mesmo uma delícia. E o público parece seguir à risca a sugestão. Por mês, os fregueses consomem uma tonelada de tilápia. Além de servida em porções, é complemento de outras pedidas, como o premiado “Francesinha do Velho Chico”, prato vencedor do concurso Sabor de Bar do ano passado. O nome charmoso da iguaria se refere a uma massa fina de crepe, recheada com pedaços generosos do peixe, envolvidos em um molho de tomate caseiro, com lascas de champignon e requeijão. Deu água na boca, não é mesmo? Então, aproveite os dias quentes, abra aquela gelada e aprecie, em sua própria casa ou em Sete Lagoas, essa maravilha. Até a próxima!

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Crepe de tilápia

INGREDIENTES Para a massa ● 2 copos (tipo americano) de leite ● 3 ovos ● 1 colher (sopa) de sal ● 6 colheres (sopa) de farinha de trigo ● Óleo para preparar

Para o recheio ● 1 litro de molho de tomate caseiro ou industrializado ● 1 kg de champignons fatiados ● 1 kg de filé de tilápia ● Meia colher (sopa) de manteiga ● Tempero a gosto ● Muçarela (uma fatia para cada crepe) ● Cheiro-verde a gosto

COMO FAZER Bater os ingredientes da massa no liquidificador. Aquecer uma frigideira grande e untar com óleo. Pôr uma concha de massa e deixar dourar dos dois lados. Repetir o processo até a massa acabar. Temperar a tilápia e grelhar em uma frigideira com a manteiga. Reservar 300 ml do molho de tomate. Misturar o restante com o requeijão e o champignon. Em cada crepe, pôr pedaços do filé e molho. Fechar a massa unindo as duas extremidades em forma de meia-lua e, por cima de cada um, pôr um pouco do molho de tomate que foi reservado, uma fatia de muçarela e cheiro verde. Levar ao micro-ondas ou ao forno convencional, em um recipiente ou em porções individuais, para derreter o queijo. Receita fornecida por Cláudio Luiz Silva Nogueira, de Sete Lagoas: (31) 3771-6359

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Roteiro do guia

ESTADO DE MINAS Diretor de Redação Josemar Gimenez Editor Arnaldo Viana Editor de Artes Gráficas Álvaro Duarte Consultor técnico Eduardo Avelar

Textos Bárbara Fonseca

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Fotos Marcos Michelin

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Informações sobre distâncias e localização dos municípios baseadas em dados do Instituto de Geociências Aplicadas (IGA)

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Guia Sabores de Minas 66