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PROJECTO MOBILIDADE SUSTENTÁVEL RELATÓRIO DE ANÁLISE E DIAGNÓSTICO – NAZARÉ MESTRADO EM ENGENHARIA CIVIL – CONSTRUÇÕES CIVIS

ÍNDICE 1.

2.

3.

INTRODUÇÃO .......................................................................................................................4 1.1.

A MOBILIDADE SUSTENTÁVEL: DESÍGNIOS E OBJECTIVOS ...................................................4

1.2.

ENQUADRAMENTO DO ESTUDO .........................................................................................4

1.3.

OBJECTO DO RELATÓRIO DE ANÁLISE E DIAGNÓSTICO ........................................................4

CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DA NAZARÉ ..........................................................................5 2.1.

BREVE ENQUADRAMENTO TERRITORIAL ............................................................................5

2.2.

DELIMITAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ...................................................................................6

CARACTERIZAÇÃO E DIAGNÓSTICO .........................................................................................8 3.1.

SISTEMA DE POVOAMENTO ..............................................................................................8

3.1.1.

Estrutura do Povoamento ........................................................................................8

3.1.2.

Uso do Solo e Parque Habitacional ..........................................................................8

3.2.

PÓLOS GERADORES E ATRACTORES DE TRÁFEGO ............................................................ 10

3.2.1.

Comércio ............................................................................................................... 10

3.2.2.

Indústria e Construção Civil ................................................................................... 12

3.2.3.

Equipamentos de Serviços .................................................................................... 13

3.2.4.

Equipamentos de Educação e Ensino .................................................................... 14

3.2.5.

Equipamentos de Saúde e Acção Social ................................................................ 15

3.2.6.

Equipamentos Desportivos / Lazer / Espaços Verdes............................................. 16

3.2.7.

Espaços Culturais e Sociais................................................................................... 18

3.2.8.

Principais Pontos de Interesse Turístico................................................................. 19

3.2.9.

Equipamentos de Alojamento Turístico .................................................................. 21

3.3.

CARACTERIZAÇÃO DA OFERTA E PROCURA DE TRANSPORTES ........................................... 23

3.3.1.

Ligações Inter-Concelhias...................................................................................... 23

3.3.2.

Hierarquização da Rede Viária............................................................................... 24

3.3.3.

Transportes Colectivos .......................................................................................... 25

3.3.3.1.

Transportes Colectivos Nacionais ................................................................... 26

3.3.3.2.

Transportes Colectivos Urbanos ..................................................................... 27

3.3.3.3.

Ascensor ........................................................................................................ 32

3.3.4.

Serviço de Táxi ...................................................................................................... 35

3.3.5.

Transporte Individual ............................................................................................. 36

3.3.6.

Estacionamento em Parque e em Zonas Tarifadas ................................................ 38

3.3.7.

Rede Pedonal e Rede Ciclável............................................................................... 42

4.

CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 44

5.

ANEXOS ............................................................................................................................ 45 5.1.

ANEXO I ....................................................................................................................... 45

5.2.

ANEXO II ...................................................................................................................... 50

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ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1: Localização Geográfica do Concelho da Nazaré. ........................................................5 Figura 2: Localização Geográfica das Freguesias no Concelho da Nazaré. ...............................6 Figura 3: Localização Geográfica da Área em Estudo. ..............................................................7 Figura 4: Mapa de Ocupação do Solo (Revisão do PDM da Nazaré). ...................................... 10 Figura 5: Mapa de Localização da Área de Comércio. ............................................................. 11 Figura 6: Mapa de Localização dos Equipamentos de Serviço................................................. 13 Figura 7: Mapa de Localização de Equipamentos de Educação e Ensino. ............................... 15 Figura 8: Mapa de Localização de Equipamentos de Saúde e Acção Social. ........................... 16 Figura 9: Mapa de Localização de Equipamentos Desportivos / Lazer / Espaços Verdes......... 17 Figura 10: Mapa de Localização de Espaços Culturais e Sociais. ............................................ 18 Figura 11: Mapa de Localização dos Principais Pontos Interesse Turístico – Região de Turismo do Oeste. ................................................................................................................................ 19 Figura 12: Mapa de Localização dos Principais Pontos Interesse Turístico. ............................. 21 Figura 13: Mapa de Localização dos Equipamentos de Alojamento Turístico........................... 22 Figura 14: Mapa de Ligações Inter-Concelhias. ....................................................................... 24 Figura 15: Mapa de Hierarquização Viária da Nazaré. ............................................................. 25 Figura 16: Linha Amarela – Transportes Rodoviários Urbanos. ............................................... 29 Figura 17: Linha Vermelha – Transportes Rodoviários Urbanos. ............................................. 30 Figura 18: Ladeira do Sítio. ..................................................................................................... 32 Figura 19: Mapa de Localização da Central de Táxis na Av. Vieira Guimarães. ....................... 36 Figura 20: Mapa de Localização do Centro Histórico da Nazaré. ............................................. 37 Figura 21: Mapa de Localização da Zona Histórica da Nazaré................................................. 38 Figura 22: Mapa de Localização das Zonas de Estacionamento. ............................................. 39

ÍNDICE DE QUADROS Quadro 1: População Residente por freguesia e densidade populacional (1991 a 2011) ...........8 Quadro 2: Divisão do Sistema de Transporte em Quatro Modais ............................................. 23 Quadro 3: Passageiros transportados nas carreiras urbanas durante o ano de 2010 e para as linhas amarelas e vermelha..................................................................................................... 31 Quadro 4: Tarifas das carreiras escolares, urbanas e turísticas em vigor de 10 de Agosto a 31 de Dezembro de 2011. ............................................................................................................ 31 Quadro 5: Tarifas praticadas no Ascensor em vigor desde 12 de Agosto de 2011. .................. 35 Quadro 6: Critérios para definição do nível de serviço em estradas de vias múltiplas. ............. 41 Quadro 7: Taxas de Estacionamento do Município. ................................................................. 42

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ÍNDICE DE FOTOS Fotos 1, 2 e 3: Comércio da Nazaré. ....................................................................................... 12 Fotos 4 e 5: Bombeiros Voluntários, Câmara Municipal da Nazaré. ......................................... 14 Fotos 6 e 7: Centro Escolar da Nazaré e Externato D. Fuas Roupinho. ................................... 15 Fotos 8, 9 e 10: Centro de Saúde, Clínica do Sítio e Farmácia Ascenso. ................................. 16 Fotos 11, 12 e 13: Pavilhão Municipal, Pavilhão Gimnodesportivo e Piscinas Municipais......... 18 Fotos 14, 15 e 16: Biblioteca Municipal, Praça de Touros (Sítio) e Theatro Chaby Pinheiro (Sítio). ..................................................................................................................................... 19 Fotos 17, 18 e 19: Farol da Nazaré, Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, Santuário N. S. Nazaré. ................................................................................................................................... 21 Fotos 20, 21 e 22: O arrendamento sazonal “peculiar/tradicional” da Nazaré. .......................... 22 Fotos 23: O estacionamento dos autocarros............................................................................ 27 Fotos 24 e 26: Cabine de venda de bilhetes e zona de espera dos utentes. ............................ 27 Fotos 27, 28 e 29: Ladeira do Sítio. ......................................................................................... 33 Fotos 30 e 31: Ascensor da Nazaré. ....................................................................................... 33 Fotos 32 e 33: Placas de Sinalização e Parquímetro. .............................................................. 40 Fotos 34, 35, 36 e 37: Rede Pedonal. ..................................................................................... 43

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1. INTRODUÇÃO 1.1. A MOBILIDADE SUSTENTÁVEL: DESÍGNIOS E OBJECTIVOS Hoje em dia a sustentabilidade é reconhecida como o novo paradigma de como fazer e produzir uma cidade. Ainda assim, estamos perante um conceito muito mais “falado” do que efectiva e territorialmente observado, fruto da sua extensa abrangência e complexidade. O Projecto de Mobilidade Sustentável tem por objectivo a elaboração / consolidação de um Plano de Mobilidade Sustentável para o Município em questão, visando a melhoria contínua das condições de deslocação, a diminuição dos impactes no ambiente, e a promoção da qualidade de vida e bem-estar dos cidadãos, indo ao encontro das grandes orientações estratégicas comunitárias e nacionais neste âmbito, numa lógica de sustentabilidade.

1.2. ENQUADRAMENTO DO ESTUDO O presente relatório, realizado pelos alunos do Mestrado em Engenharia Civil – Construções Civis, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria, surge no âmbito da unidade curricular do 2º Ano – Planeamento e Gestão da Mobilidade.

1.3. OBJECTO DO RELATÓRIO DE ANÁLISE E DIAGNÓSTICO No presente relatório pretende-se expor o resultado do estudo de diagnóstico de mobilidade/acessibilidade da Vila da Nazaré. Numa segunda fase serão apresentadas propostas de minimização das dificuldades e problemas de funcionamento apresentadas no presente relatório. Como tal, foram realizadas diversas visitas ao local em estudo com vista ao conhecimento e caracterização dos hábitos de mobilidade local, da oferta e procura de transportes ao nível dos diferentes modos de transporte disponíveis no Município, das suas necessidades e potencialidades. Observamos ainda neste relatório um diagnóstico da situação actual do sistema de transportes, recorrendo ao levantamento da situação actual das infra-estruturas, bem como uma avaliação sumária do modo de funcionamento de cada um dos modos de transporte existentes/ou em operação no Município.

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2. CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DA NAZARÉ 2.1. BREVE ENQUADRAMENTO TERRITORIAL

O concelho da Nazaré localiza-se no distrito de Leiria, junto ao Atlântico, e é um dos concelhos que compõem a sub-região do Oeste, em plena região da Estremadura, delimitado a Este pelo Concelho de Alcobaça e a Oeste pelo Oceano Atlântico. Situado a cerca de uma hora da capital de Portugal, Lisboa, e a duas horas do Porto, o município da Nazaré está hoje servido por importantes vias de comunicação, que colocam esta região a poucas horas de distância de todos os pontos do interior do País e, também, de Espanha. O concelho da Nazaré é atravessado pela A8 (Lisboa-Leiria), sendo servido pelo nó de Valado dos Frades, a cinco quilómetros da sede concelhia; e situa-se a curta distância da A1 (nó de Leiria) e da A15, que liga a A8 ao interior do País.

Figura 1: Localização Geográfica do Concelho da Nazaré. (Fonte: www.wikipédia.org e www.cm-nazaré.pt)

A vila da Nazaré, sede do concelho homónimo, aglutina três antigos povoados que são a Pederneira, o Sítio da Nazaré e a Praia da Nazaré e mais recentemente novos bairros da


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segunda metade do século XX, como o Rio Novo ou a Urbisol, consequência da natural expansão dos três núcleos primitivos. Este concelho é subdividido em três freguesias: Nazaré, Famalicão e Valado dos Frades. Devido à concentração/densificação populacional e das actividades que confina no seu espaço geográfico, a Nazaré é a freguesia que mais significado e influência tem no contexto concelhio.

Figura 2: Localização Geográfica das Freguesias no Concelho da Nazaré. (Fonte: www.wikipédia.org e www.cm-nazaré.pt)

2.2. DELIMITAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO O limite da área em estudo abrange o perímetro urbano da Vila da Nazaré (Nazaré, Sítio, Pederneira, Calhau e Nova Nazaré), correspondente à área identificada na figura abaixo.

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Figura 3: Localização Geográfica da Área em Estudo. (Fonte: Google Earth)


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3. CARACTERIZAÇÃO E DIAGNÓSTICO

3.1. SISTEMA DE POVOAMENTO

3.1.1. Estrutura do Povoamento Nos últimos anos, registaram-se modificações relevantes na forma como as populações se distribuem pelo território, fruto das transformações sociais, económicas e culturais ocorridas no nosso país. Como tal, salienta-se a concentração da população nos aglomerados de maior dimensão, ou seja, nas cidades e/ou sedes de freguesia, dotadas de melhores equipamentos e infra-estruturas bem como uma maior oferta de emprego. A densidade populacional, tratando-se de um cálculo bastante elementar, constitui-se como um indicador que transmite uma leitura de enquadramento necessária ao entendimento da ocupação do território, mas não tomando em consideração as características do espaço físico onde se insere a população em análise. No quadro abaixo apresentam-se os valores referentes à população residente e densidade populacional de 1991 a 2011 (INE), tendo-se registado um decréscimo de 1991 a 2001 mas uma estabilização de valores em 2011.

1991

2001

2011

Freguesia

Área 2 (Km )

Pop. Residente

Densidade Popul. 2 (hab/km )

Pop. Residente

Densidade Pop. Popul. Residente 2 (hab/km )

Densidade Popul. 2 (hab/km )

Famalicão

21,5

1461

68,0

1672

77,8

1737

80,8

Nazaré

41,9

10451

249,2

10080

240,3

10224

243,8

Valado dos Frades

19,1

3401

178,4

3308

173,6

3107

163,0

Total do Concelho da Nazaré

82,5

15313

185,6

15060

182,5

15068

182,6

Quadro 1: População Residente por freguesia e densidade populacional (1991 a 2011) (Fonte: Câm ara Nazaré; INE)

3.1.2. Uso do Solo e Parque Habitacional PLANEAMENTO E GESTÃO DA MOBILIDADE

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Relativamente a este capítulo, podemos delimitar zonas distintas quanto à ocupação do solo no concelho da Nazaré. A parte Norte do Concelho, compreendendo as freguesias da Nazaré e Valado, são Zona de Pinhal, por serem detentoras de um importante coberto arbóreo de pinhal bravo. Parte das freguesias de Valado dos Frades e Famalicão são abrangidas pela Zona dos Aluviões do Campo (zona agrícola), e por isso fortemente vocacionadas para as culturas intensivas. Numa pequena mancha localizada a sudoeste da freguesia de Famalicão encontramos a Zona das Culturas Permanentes, e a Zona das Culturas Arvenses é formada por uma pequena zona que envolve a Nazaré e o norte da freguesia de Famalicão. Encontram-se ainda as zonas dos afloramentos rochosos calcários, zonas dos incultos e algum pinhal. Na imagem seguinte apresenta-se a estrutura urbana da área de intervenção Neste ponto apresenta-se, em traços gerais, a estrutura urbana da área de intervenção, apontando as orientações delineadas nos planos urbanísticos aprovados e decorrentes dos planos de investimento previstos para a Cidade (ver Figura 5).

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Limite do Concelho Perímetros Urbanos em Vigor ÁREAS ARTIFICIAIS Área Edificada Área Industrial Área de Lazer Área Portuária Infra-Estrutura Rodoviária Pedreira ÁREAS AGRÍCOLAS Culturas Anuais Olival Pomar Vinha ÁREAS FLORESTAIS Carvalhos Eucalipto Folhosas Pinheiro Bravo Pinheiro Manso ÁREAS NATURAIS Curso de Água Lagoa Matos Dunas Praia OUTRA INFORMAÇÃO Povoamentos Florestais Percorridos por incêndios

Figura 4: Mapa de Ocupação do Solo (Revisão do PDM da Nazaré). (Fonte: www.cm-nazare.pt )

3.2. PÓLOS GERADORES E ATRACTORES DE TRÁFEGO

3.2.1. Comércio As actividades relacionadas com o sector do comércio concentram-se na sua generalidade na Vila da Nazaré. Desta forma o ramo comercial do concelho da Nazaré caracteriza-se pelos estabelecimentos de pequena dimensão, com mão-de-obra familiar e com enormes


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adversidades à introdução de novas inovações e técnicas do artesanato local. Trata-se de uma actividade muito tradicional e virada para o turismo, com ênfase para o artesanato e restauração. A localização deste tipo de comércio concentra-se fundamentalmente nalgumas artérias da Praia da Nazaré. Estes estabelecimentos têm enormes dificuldades em modernizarem-se, pois os problemas de circulação e estacionamento daquelas artérias e a concorrência das médias e grandes superfícies localizadas em concelhos próximos colocam em causa o futuro de muitos dos estabelecimentos comerciais existentes. A sazonalidade é um factor que condiciona o sector do comércio e as suas áreas de negócio, uma vez que não existe uma regularidade ao longo do ano, considerando-se apenas por picos de grande procura nas alturas do verão, passagem do ano e carnaval.

Figura 5: Mapa de Localização da Área de Comércio. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

O sector da restauração e bebidas encontra-se demasiado ligado à procura de veraneio na Nazaré. Desta forma, o sector sofre uma forte ameaça (oferta flutuante e pouco qualificada). A crise económica que afecta o País e o excesso de restaurantes, poderá levar muitos

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estabelecimentos a entrar em ruptura. A procura não aumenta e tem de se dividir pelos estabelecimentos existentes e pelos que vão abrindo pontualmente em zonas com muita oferta, muitos deles com níveis de qualidade e atendimento que levam a uma deterioração da imagem desse património cultural do conselho, que é a gastronomia.

Fotos 1, 2 e 3: Comércio da Nazaré.

3.2.2. Indústria e Construção Civil O sector industrial da Nazaré tem vindo a desempenhar ao longo dos anos um papel relevante na economia do concelho da Nazaré, especialmente na freguesia de Valado dos Frades. Este sector emprega uma percentagem considerável da população activa residente no concelho. A estrutura industrial do concelho baseia-se numa forte especialização no ramo dos Produtos Minerais Não Metálicos, sobretudo o fabrico de porcelana e faiança, localizadas na freguesia de Valado dos Frades (fora da área de estudo), sendo estas, as principais responsáveis pelo emprego desta população, onde a existência do eixo Alcobaça/Valado dos Frades corresponde a uma importante bolsa de especialização produtiva neste segmento. Existe ainda, o concelho de Caldas da Rainha que representa uma elevada especialização produtiva na fabricação de olaria de barro, atraindo desta forma activos residentes das freguesias de Famalicão e da Nazaré. A indústria da cerâmica, no concelho de Alcobaça, e a fabricação do vidro, neste concelho e no eixo Leiria/ Marinha Grande, constitui também um foco de atracção de activos das freguesias do concelho, designadamente da Nazaré e de Valado dos Frades. Dos restantes ramos de actividade da indústria transformadora, apenas assumem alguma relevância as indústrias da madeira e da cortiça, as alimentares e de bebidas e a fabricação de produtos metálicos e produtos de transporte. O sector da construção civil e das obras públicas constitui também um sector importante no concelho da Nazaré uma vez que, nas últimas duas décadas tem apresentado um dinamismo positivo, devido aos investimentos efectuados pela Administração Central e Local em infraPLANEAMENTO E GESTÃO DA MOBILIDADE

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estruturas e equipamentos de apoio à população e, mais recentemente, pela “proliferação” de residências secundárias e edificação de alguns bairros sociais. No entanto, e como reflexo de todo o País, este sector teve uma queda abismal, levando a uma profunda recessão do sector, aumentando o desemprego da região e do País. O sector secundário na base económica, acelerou num curto prazo, com o lançamento definitivo da Zona Industrial de Valado de Frades, servida por excelentes acessibilidades viárias (nó de acesso à A8). Localizada entre dois fortes clusters produtivos: cerâmica e moldes/plásticos.

3.2.3. Equipamentos de Serviços Os serviços sociais registaram nos últimos anos na Nazaré um elevado crescimento, que reflecte, na melhoria das condições de vida das populações. A população local passou a usufruir de um maior leque de ofertas de serviços de educação, saúde, desporto, entre outros. Relativamente aos restantes ramos do sector terciário não ocorreram alterações significativas na sua importância. Contudo, deve salientar-se o “fraco” peso do número de pessoas empregadas no sector da administração, o que sugere um reduzido número de centros de decisão localizados no concelho da Nazaré.

Figura 6: Mapa de Localização dos Equipamentos de Serviço. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

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Fotos 4 e 5: Bombeiros Voluntários, Câmara Municipal da Nazaré.

3.2.4. Equipamentos de Educação e Ensino No concelho da Nazaré, a educação tem assinalado melhorias ao longo dos últimos anos, uma vez que a oferta em equipamentos, o número de alunos matriculados e a percentagem de alunos que concluem o ensino obrigatório aumentou. A oferta de ensino, abrange o ensino superior (desde o ano de 2005). Assim, de acordo com a fig7 podemos identificar 6 pólos educacionais de grande relevo na nossa área de estudo: •

Centro Escolar da Nazaré (Ano 2011) – 600 alunos (1ºciclo) e 100 crianças (préprimária);

Pré-Primária do Bairro dos Pescadores (Ano 2011) – 40 crianças;

Jardim de Infância da Confraria da N.S. da Nazaré (2011) – 220 crianças;

Externato D. Fuas Roupinho (2011) – 574 alunos;

Escola C+S Amadeu Gaudêncio (2011) – 460 alunos (2º e 3º ciclos);

Escola Profissional (não foram fornecidos dados do número de alunos matriculados)

Para além dos equipamentos escolares anteriormente referidos, existe ainda o pólo do Instituto Politécnico de Leiria, localizado na Nazaré. Contempla Cursos de Especialização Tecnológica, em 3 áreas preferenciais: gestão de animação turística, aplicações informáticas de gestão e técnicas e gestão hoteleira.

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Figura 7: Mapa de Localização de Equipamentos de Educação e Ensino. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

Fotos 6 e 7: Centro Escolar da Nazaré e Externato D. Fuas Roupinho.

3.2.5. Equipamentos de Saúde e Acção Social No concelho da Nazaré a oferta pública de cuidados de saúde é assegurada pelo Centro de Saúde localizado na vila da Nazaré e pelas extensões localizadas em Valado dos Frades, Famalicão e Fanhais.

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No que diz respeito aos equipamentos de apoio a idosos as três freguesias estão cobertas por valências diferentes e genericamente insuficientes. Na vila da Nazaré existe o Lar da Confraria da Nossa Senhora da Nazaré, têm as valências de Lar e de Centro-Dia. Na figura8 pode-se verificar os equipamentos de saúde de maior relevância e com mais afluência verificada durante os últimos anos.

Figura 8: Mapa de Localização de Equipamentos de Saúde e Acção Social. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

Fotos 8, 9 e 10: Centro de Saúde, Clínica do Sítio e Farmácia Ascenso.

3.2.6. Equipamentos Desportivos / Lazer / Espaços Verdes A oferta de equipamentos desportivos e de lazer encontra-se praticamente polarizada na vila sede de concelho, tendo registado nos últimos anos um elevado crescimento, reflectindo, por

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um lado, o esforço do município em melhorar a qualidade de vida das suas populações e, por outro, uma crescente procura da população. Na vila da Nazaré, junto à EN242, próximo da ligação da vila ao Sítio localiza-se o Complexo Desportivo da Nazaré que engloba o Estádio Municipal com pista de atletismo, um Campo sintético nº2, um Pavilhão Desportivo Municipal, Pavilhão Gimnodesportivo, 2 campos de ténis e duas piscinas cobertas (uma das quais com 25 metros). Na freguesia da Nazaré existe ainda um outro Campo de Ténis no Parque da Pedralva junto à Pederneira, dois Pavilhões Cobertos (um da Associação Pederneirense e outro do Planalto). Destaque ainda para um Complexo Aquático localizado no Sítio, junto à Praia do Norte, contemplando piscinas descobertas e escorregas aquáticos Alguns desportos, de aventura, possuem neste concelho alguma implantação, nomeadamente ao nível do Asa Delta, Parapente, Surf e Bodyboard. Na figura9 pode-se visualizar os pólos mais atractivos para a prática desportiva, quer em recintos fechados, quer ao ar livre.

Figura 9: Mapa de Localização de Equipamentos Desportivos / Lazer / Espaços Verdes. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

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Fotos 11, 12 e 13: Pavilhão Municipal, Pavilhão Gimnodesportivo e Piscinas Municipais.

3.2.7. Espaços Culturais e Sociais A Nazaré distingue-se também pelos seus espaços sociais e de cultura, que proporcionam não só aos residentes, mas também aos turistas. Na figura10 verifica-se a distribuição dos equipamentos e espaços socioculturais de maior importância.

Figura 10: Mapa de Localização de Espaços Culturais e Sociais. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

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Fotos 14, 15 e 16: Biblioteca Municipal, Praça de Touros (Sítio) e Theatro Chaby Pinheiro (Sítio).

3.2.8. Principais Pontos de Interesse Turístico A Nazaré sob o ponto de vista Turístico, enquadra-se territorialmente, na zona “Turismo do Oeste”, de acordo com a figura11.

Figura 11: Mapa de Localização dos Principais Pontos Interesse Turístico – Região de Turismo do Oeste. (Fonte: www.rt-oeste.pt)

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A importância dos ramos do turismo e, de certo modo, dos transportes e comunicações relaciona-se com a importância que o produto praia adquire em toda a base económica e comercial do concelho e da região. Trata-se, de resto, da principal vantagem comparativa do concelho e da sua imagem de marca. Neste sentido, qualquer estratégia de desenvolvimento para o concelho da Nazaré deve levar em consideração a importância da actividade turística, procurando oferecer serviços e produtos com uma qualidade competitiva face a outros centros com funções semelhantes. O riquíssimo valor patrimonial do concelho baseia-se num conjunto de locais cuja singularidade nem sempre é explorada da maneira mais correcta. O vasto leque de opções que oferece concedem ao concelho uma posição privilegiada no contexto da Região em que se insere, podendo facilmente integrar os mais variados itinerários e circuitos estabelecidos ou a estabelecer. Um dos lugares de visita obrigatória é o Sitio. É aqui que se encontram o miradouro do Suberco, a Igreja do Santuário da Senhora da Nazaré, a Ermida da Memória, o Museu Dr. Joaquim Manso e o Teatro Chaby Pinheiro. Outro local a visitar, e que juntamente com o anterior integra a Rota das Lendas, é o Largo da Misericórdia e a Igreja do mesmo nome onde se localiza o miradouro do Sitio. A sul a Serra da Pescaria, com os seus contornos de verde, os moinhos, a tranquila Praia do Salgado e a Igreja visigótica de S. Gião poderão captar a atenção dos visitantes. Também o Monte de S. Brás (e respectiva capela), o Forte de S. Miguel Arcanjo e a própria Vila da Nazaré (nomeadamente as suas ruas e ruelas antigas) são locais de visita obrigatória. Para além dos locais anteriormente referidos, na fig12 identifica-se ainda, outros pontos de interesse turístico que atraem um numero razoável de tráfego.

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Figura 12: Mapa de Localização dos Principais Pontos Interesse Turístico. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

Fotos 17, 18 e 19: Farol da Nazaré, Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, Santuário N. S. Nazaré.

3.2.9. Equipamentos de Alojamento Turístico A Nazaré, por todos os seus factores e características apelativas ao nível do turismo tem variados pólos de alojamento turístico e de diversas origens, de entre as quais destacamos: •

Apartamentos Turísticos;

Estalagens e Albergarias;

Hotéis;

Pensões e Residenciais;

Turismo no Espaço Rural (fora do perímetro do nosso estudo)

A Nazaré em geral, e em especial na área correspondente ao presente estudo, tem a peculiaridade da famosa imagem da Nazarena com um cartaz para arrendamento sazonal, conforme as fotografias20, 21 e 22. PLANEAMENTO E GESTÃO DA MOBILIDADE

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Fotos 20, 21 e 22: O arrendamento sazonal “peculiar/tradicional” da Nazaré.

Na figura 13, mapeiam-se os principais hotéis, pensões e residenciais.

Figura 13: Mapa de Localização dos Equipamentos de Alojamento Turístico. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

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3.3. CARACTERIZAÇÃO DA OFERTA E PROCURA DE TRANSPORTES O sistema de transporte, mais concretamente, o de passageiros, poderá dividir-se em 4 modais fundamentais: marítimo, fluvial ou lacustre (margens dos lagos); rodoviário, ferroviário e aéreo. Estes possibilitam a intermodalidade, isto é, a integração e o uso dos vários meios de transporte nas viagens das populações ou turísticas, permitindo grande flexibilidade de itinerário. Indica-se a seguir em Quadro 2, como estes sistemas de transporte estão divididos, incluindo as suas vantagens e desvantagens.

Quadro 2: Divisão do Sistema de Transporte em Quatro Modais (Fonte: adaptado de Paolilo & Rejowski, 20006, pg. 12)

3.3.1. Ligações Inter-Concelhias A entrada na zona de intervenção está bastante favorecida não só local e regionalmente mas também a nível nacional. Localmente, as estradas EN242 e EN8-5 são as principais vias de acesso intermunicipais, sendo que a EN242 estabelece a ligação à Marinha Grande e a São Martinho do Porto, e a EN8-5 assegura a ligação ao Valado dos Frades, a Alcobaça e ao IC1/A8. Acresce-se ainda a Estrada Atlântica que, pelo litoral, liga o Sítio à Praia da Vitória no concelho de Alcobaça.

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Figura 14: Mapa de Ligações Inter-Concelhias. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

3.3.2. Hierarquização da Rede Viária Quando se pretende planear uma rede viária de um dado município considera-se indispensável e de primordial importância determinar quais são os pólos mais atractivos da zona em estudo, pois tem-se a consciência de que não basta a existência de bens e serviços num determinado local, sendo necessário que o seu acesso seja possível e cómodo. No domínio da rede viária é imprescindível hierarquizar toda a estrutura viária em que as funcionalidades e as prioridades de cada via sejam nitidamente delineadas entre elas bem como também entre os diferentes meios de transporte. A hierarquização da rede viária pretende que as acessibilidades se optimizem para alcançar a maior fluidez possível.

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A hierarquização da estrutura viária opera como meio de racionalizar os investimentos na rede, assegurar as condições de mobilidade, segurança e acessibilidade pretendidas, ajustando as condições da estrutura viária às funções desejadas para cada tipo de estrada. Assim sendo temos na zona em estudo Vias Distribuidoras Principais, Vias Distribuidoras Locais e Vias de Acesso Locais (Fig15).

Figura 15: Mapa de Hierarquização Viária da Nazaré. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

3.3.3. Transportes Colectivos Os transportes públicos em vilas ou cidades proporcionam o deslocamento de pessoas entre dois pontos dentro da área urbana dessas vilas ou cidades. A maioria das áreas urbanas de

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médio e grande porte tem algum tipo de transporte público suburbano, urbano e por vezes inter-municipal. O fornecimento destes serviços em Portugal é, regra geral, assegurado pelos municípios podendo estes conceder licenças de exploração a empresas particulares. O transporte público urbano é parte essencial do desenvolvimento de uma vila ou cidade. Concentrando os passageiros em transportes públicos e evitando os individuais, diminui-se a poluição atmosférica e sonora, a degradação das rodovias permitindo ainda o deslocamento de pessoas que, não possuindo viatura própria, necessitam de se deslocar no interior desse espaço urbano. Outro aspecto interessante será a dispensa de grandes espaços públicos para estacionamento dando prioridade a espaços pedonais e espaços verdes permitindo ainda um desfrutar mais agradável da vila ou cidade e promovendo a sociabilização das pessoas, diminuindo ainda o stress. Neste ponto pretende caracterizar-se a rede municipal de transportes públicos urbanos nomeadamente os que circulam na freguesia da Nazaré, bem como as suas infra-estruturas, descrevendo as redes existentes e avaliando a sua adequação face à realidade.

3.3.3.1.

Transportes Colectivos Nacionais

Avaliando a localização das infra-estruturas, deparamo-nos com um problema de base operacional, uma vez que não existe parque apropriado e exclusivo para os veículos de serviço público rodoviário, nem zona de espera adequada para os seus utentes. Os autocarros encontram-se estacionados em local público inapropriado para veículos desta dimensão e inadequado para constituir local de espera aos utentes do serviço. No local apenas existe um posto para venda de venda de bilhetes formado por uma pequena cabine pré-fabricada com um pequeno telheiro frontal que não garante condições adequadas de permanência aos utentes durante o período de espera. Desconhece-se, á data, uma solução definitiva para o problema dado que esta localização tem carácter provisório desde que a antiga estação rodoviária foi desactivada na Av. Vieira Guimarães relevando-se aqui o facto de o edifício ora demolido ter sido projectado pelo arquitecto Ernesto Korrodi (1870 – 1944).

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Fotos 23: O estacionamento dos autocarros.

Fotos 2425 e 26: Cabine de venda de bilhetes e zona de espera dos utentes.

Como complemento apresentam-se em anexo I os horários e percursos dos trajectos rodoviários nacionais.

3.3.3.2.

Transportes Colectivos Urbanos

Essencialmente, os transportes públicos urbanos na freguesia da Nazaré estão disponíveis por via rodoviária sendo a excepção os que se processam pelo Ascensor que liga a vila da Nazaré ao lugar do Sitio. Os transportes urbanos na freguesia da Nazaré são colocados á disposição dos utentes pelos Serviços Municipalizados da Câmara da Nazaré que os administram e actualizam consoante as necessidades dos munícipes e a sazonalidade turística.

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Actualmente, os Serviços Municipalizados da Nazaré dispõem, entre autocarros e mini-bus, de 5 viaturas que, em regime de revezamento, asseguram 2 percursos urbanos rodoviários na freguesia da Nazaré sendo que cada um destes terá variantes que depende da sua adaptação à época do ano e do período escolar. Dos dados que nos foram fornecidos pelos Serviços Municipalizados da Câmara da Nazaré quer no que refere aos transportes urbanos rodoviários quer no que respeita ao ascensor. Propomos dividir esta informação em 3 partes distintas:

Transportes Urbanos Rodoviários – Percurso de Inverno;

Transportes Urbanos Rodoviários – Percurso de Verão;

Ascensor.

Percurso de Inverno



O percurso de inverno permite o transporte urbano fundamentalmente direccionado para a população residente e população escolar, variando nos dias de fins-de-semana e feriados adaptado o percurso e horários aos turistas que visitam a Nazaré nestes períodos. Subdividimos este percurso em 5 linhas distintas: •

Linha Vermelha Geral de 2ª a 6ª feira com variante suplementar efectuada com uma segunda viatura;

Linha Vermelha Geral de fins-de-semana e feriados;

Linha Amarela Geral com variante nos períodos escolares;

Linha Amarela Escolar;

Linha Vermelha Escolar.

Apresentam-se em anexo os horários e percursos de cada um dos 5 trajectos urbanos rodoviários efectuados durante a estação de inverno na freguesia da Nazaré.



Percurso de Verão

O percurso de verão não difere significativamente do percurso indicado para a estação de inverno notando-se as maiores alterações fundamentalmente nos horários e nos locais de paragem salientando-se o suprimento dos percursos escolares bem como o reforço de visita aos locais de maior relevo turístico. Subdividimos este percurso em apenas 2 linhas distintas: PLANEAMENTO E GESTÃO DA MOBILIDADE

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Linha Vermelha Geral

Linha Amarela Geral

Porque as variantes em cada uma das linhas, amarela ou vermelha, são função da época balnear vs época normal e da época escolar vs período de férias, apresentam-se em plantas nas figuras 16 e 17 os percursos gerais de cada uma das linhas indicando os locais que cada uma visita. Como complemento apresentam-se em anexo II os horários e percursos de cada um dos 7 trajectos rodoviários urbanos efectuados durante as estações de inverno e verão na freguesia da Nazaré.

Figura 16: Linha Amarela – Transportes Rodoviários Urbanos. (Fonte: www.cm-narzaré.pt )

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Figura 17: Linha Vermelha – Transportes Rodoviários Urbanos. (Fonte: Câmara Municipal Nazaré)

Dados fornecidos pelos Serviços Municipalizados na Nazaré mostram uma variação pouco significativa de passageiros transportados para os 12 meses do ano havendo um ligeiro aumento no mes de Agosto. O quadro 3 seguinte mostra a distribuição do número de passageiros ao longo do ano (dados de 2010) e para cada uma das linhas Amarela e Vermelha. No quadro 4 estão indicadas as tarifas dos transportes urbanos rodoviários em vigor de 10 de Agosto a 31 de Dezembro de 2011.

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Refira-se que, pelo facto do centro escolar se encontrar em funcionamento apenas desde o presente ano lectivo (2010/2011), não existem ainda dados finais sobre o número de passageiros transportados nas carreiras urbanas que fazem o transporte escolar.

Quadro 3: Passageiros transportados nas carreiras urbanas durante o ano de 2010 e para as linhas amarelas e vermelha. (Fonte: Serviços Municipalizados Nazaré)

Quadro 4: Tarifas das carreiras escolares, urbanas e turísticas em vigor de 10 de Agosto a 31 de Dezembro de 2011. (Fonte: Serviços Municipalizados Nazaré)

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NOTA - As crianças com idade igual ou superior a quatro anos e igual ou inferior a doze anos, pagarão meio bilhete, tendo direito à ocupação de lugar (Decreto-Lei Nº 37272 de 31/12/1948).

3.3.3.3.

Ascensor

Em meados do século XVII os poucos habitantes do lugar do Sitio (local onde, em conjunto com o lugar da Pederneira, vinha a nascer a Nazaré) para se deslocarem á praia dando mais tarde lugar ao aglomerado piscatório da Nazaré (e que ascendeu a vila em 1912), faziam-no por um caminho de areia desenhado na encosta do promontório (fig. 18) com cerca de 290m de comprimento vencendo um desnível de 60m (20% de inclinação). A ideia seria alcançar a praia no menor percurso disponível. Embora a descida não oferecesse dificuldades, a subida era penosa e de difícil percurso (fotos 27, 28 e 29).

Figura 18: Ladeira do Sítio. (Fonte: Câmara Municipal Nazaré)

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Fotos 27, 28 e 29: Ladeira do Sítio.

Em Julho de 1889 foi inaugurado o primeiro ascensor (fig. 18) que viria a permitir a ligação mecânica entre a ainda aldeia da Nazaré e o Sítio, numa extensão de linha que ronda os 320m e uma inclinação de 42% vencendo um desnível de 80m constituindo o primeiro meio de transporte urbano no lugar mas sobretudo uma atracção turística na altura sobejamente conhecida inclusivamente a nível internacional (fotos 30 e 31).

Fotos 30 e 31: Ascensor da Nazaré. (Fonte: Dias dos Reis)

Dados fornecidos pelos Serviços Municipalizados na Nazaré mostram o número de passageiros transportados pelos 2 carros do ascensor nos anos de 2007, 2008 e 2009 não tendo sido possível obter os dados relativos ao ano de 2010.

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Estes valores, distribuídos mensalmente, indicam um acentuado aumento de passageiros transportados durante a época balnear (meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro) representando nestes 4 meses cerca de 70% dos passageiros transportados ao longo do ano. Conclui-se, pelos dados apresentados neste capítulo que, entre o transporte urbano rodoviário e o ascensor, há maior utilização do ascensor em detrimento das carreiras urbanas e, mesmo nos meses de época baixa (não balnear), verifica-se que o ascensor tem uma procura superior embora seja menos versátil dado que liga dois pontos fixos durante todo o ano. Constata-se que as causas que estão por detrás destes números são: •

Maior conforto;

Menor extensão no percurso entre o sítio e a vila da Nazaré;

A vista que a viagem proporciona;

Prática do mesmo preçário entre os dois sistemas;

Existência de equipamento religioso no sítio bem como o miradouro;

Uma mais densa zona urbana no sítio proporciona um menor percurso entre a gare do sítio e o destino final para além da excelente localização da gare na Nazaré.

Maior regularidade e pontualidade nas carreiras do ascensor comparativamente com as praticadas pelas carreiras urbanas.

Apresentam-se no quadro 5 o preçário praticado no ascensor em vigor desde 12 de Agosto de 2011.

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Quadro 5: Tarifas praticadas no Ascensor em vigor desde 12 de Agosto de 2011. (Fonte: Câmara Municipal Nazaré)

3.3.4. Serviço de Táxi Além do transporte colectivo urbano, a mobilidade da população da Nazaré é complementada com um pequeno serviço de táxi rodoviário cujo centro de funcionamento se situa na Av. Vieira Guimarães frente ao mercado municipal (Fig 19) embora pela vila se distribuam lugares singulares de parqueamento para táxis. Formado por 6 pequenas empresas individuais aos quais correspondem outros tantos veículos, o serviço de táxis na vila tem predominância no fornecimento de serviços turísticos embora seja igualmente solicitado pela população local que pretende essencialmente transporte urgente, quer dentro ou para deslocações fora do concelho.

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Figura 19: Mapa de Localização da Central de Táxis na Av. Vieira Guimarães. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

3.3.5. Transporte Individual O meio de transporte mais utilizado na vila da Nazaré é, como na grande maioria dos centros urbanos, a viatura particular. A vila da Nazaré, pela sua orografia, não seria espectável que a mobilidade das pessoas fosse feita por meios de transporte que não fossem motorizados tais como a utilização da bicicleta ou circuitos pedestres. O recurso constante á viatura particular têm particular relevância, nomeadamente negativa, na vila, dadas as características das vias de acesso local que são, na sua maioria e concretamente no centro histórico (Fig 20) de largura estreita e muitas não têm saída o que torna problemática a mobilidade dos veículos particulares nomeadamente nesta zona. Acresce ainda o facto de, em época alta (época balnear) ou em datas festivas (passagem de ano, carnaval, Páscoa) e outras datas onde se realizem eventos relevantes tais como a Meia Maratona da Nazaré, a procissão do mar ou simplesmente fins-de-semana mais solarengos, é difícil mobilizar uma viatura mesmo nas vias de distribuição local sendo que as de acesso local, nestas datas, estão completamente congestionadas. Neste aspecto deveremos ser realistas na avaliação do planeamento e gestão da mobilidade na vila da Nazaré.

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O urbanismo secular e impreparado para a realidade actual de circulação quer rodoviária quer pedonal, a orografia e a sazonalidade constituem os 3 pontos principais e indissociáveis a apontar como base de partida para a melhoria das condições de mobilidade na vila embora convêm salientar que a solução não se fará por conceitos ou processos normais ou já implementados em outro qualquer lugar. Note-se que na vila da Nazaré existem: •

Ruas sem qualquer saída ou entrada lateral a viaturas, com 180m de comprimento, 6% de inclinação e 3m de largura;

Esta condição afecta não só a mobilidade pedestre da população (a tendência de deixar o carro o mais próximo possível da habitação) mas principalmente afecta todo o serviço de socorro se necessário;

Os lugares para estacionamento são manifestamente insuficientes em época alta sendo largamente suficientes em época baixa. Este facto é de particular relevância quando se pretende obter uma resolução do problema através do investimento pois nunca será rentabilizado.

Os transportes urbanos não cobrem nem poderão alguma vez cobrir a vasta área de 82.000m2 (Mapa xxx) da zona histórica central da Nazaré entre a Rua Adrião Batalha, Rua dos Barrancos, Av. Vieira Guimarães e a Marginal onde o acesso a estas viaturas, tal como as conhecemos, nunca se fará.

Todas estas condicionantes demonstram que a viatura particular não só é necessária como constitui um problema na planificação da gestão da mobilidade na Nazaré.

Figura 20: Mapa de Localização do Centro Histórico da Nazaré. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

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Figura 21: Mapa de Localização da Zona Histórica da Nazaré. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

3.3.6. Estacionamento em Parque e em Zonas Tarifadas Procedendo à avaliação da localização das infra-estruturas foi constatado o problema que a sazonalidade tem ao nível do estacionamento, uma vez que no Verão, em alguns fins-desemana e períodos do ano subsistem carências neste domínio. No entanto, projectos recentes foram desenvolvidos e colocados em prática aumentando e diversificando o leque de opções disponíveis para residentes e visitantes (designadamente a construção do novo parque de estacionamento e dos novos loteamentos. Estes novos espaços e bolsas de estacionamento constituem uma medida de prevenção para a emergência de novos problemas. Será sem dúvida uma questão que não deverá deixar de merecer uma especial atenção nas orientações estratégicas a definir. Apesar de todos os espaços identificados, quer de estacionamento pago quer de não pago, existem muitas outras bolsas de terra batida, autênticos baldios (junto à Av. do Município e de acordo com a fig22) que servem de estacionamento desordenado e alternativos à falta de resposta das infra-estruturas ao nível de parques de estacionamento. A procura de lugares disponíveis nas bolsas de estacionamento não regulamentadas bem como o seu esvaziamento influência negativamente o funcionamento da Av.ª do Município e da EN242. Da mesma forma se verifica em dias de feira, onde os terrenos baldios por vezes não são suficientes para resolver tal problema, apesar de existir perto o Bairro dos Pescadores que de alguma forma colabora com mais lugares de estacionamento.

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Identifica-se desta forma um problema estrutural, agravado por picos de afluência nomeadamente no verão, carnaval passagem de ano, onde nos dois últimos eventos existe uma afluência de entre 50mil e 100mil pessoas à vila da Nazaré. Na figura22 identifica-se as zonas com parque de estacionamento com maior preponderância ao nível de procura, dos quais resulta algum sucesso no ordenamento viário. Destaca-se ainda na referida figura a distinção entre parques taxados, não taxados e puros baldios.

Figura 22: Mapa de Localização das Zonas de Estacionamento. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

Foram criados recentemente novos lugares na Avenida da República (só de um lado), no troço entre a Av. Vieira Guimarães e a Praça Sousa Oliveira; na Av. Vieira Guimarães, no troço entre a Rua dos Barrancos e a Av. da República; na Rua da Sub-Vila, no troço entre a Av. Vieira Guimarães e a Rua A. Carvalho Laranjo, e na Rua Mouzinho Albuquerque, entre a Rua Rio Maior e a Avenida da Independência. Com esta alteração ao Plano de Trânsito foram, ainda, criados dois lugares de estacionamento destinados a Táxis, na Av. do Município, perto da actual estação da Rodoviária Nacional, que substituirão os lugares actualmente existentes na Rua Sub-Vila, ao lado do Mercado.

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Verifica-se ainda muitas outras bolsas de estacionamento aleatórias e ruas no núcleo central da vila da Nazaré que por inexistência de restrições ao acesso de veículos, que combinada com o facto de se encontrarem nesta zona os principais pólos de geradores de atracão de população, como restaurantes, alojamentos e a praia, incrementa uma procura elevada do estacionamento. A simbiose destes factores leva a um elevado número de estacionamentos incorrectos junto às vias e ruas estreitas, originado pelo facto da oferta ser deficiente e não tarifada. O efeito é verificado por autênticas ocupações frequentes da infra-estrutura pedonal existente. Uma das situações verificadas, relaciona-se com as paragens de carros de mercadorias no sentido de efectuarem a carga ou descarga de produtos. Estas operações quando não são regulamentares prejudicam os níveis de desempenho da rede viária. Na figura32.verifica-se algumas indicações reguladoras de estacionamento na marginal. Os lugares de estacionamento ao longo da Av.ª Manuel Remígio são tarifados de ambos os lados com a excepção na zona do Porto que tem uma bolsa considerável de estacionamento livre e ordenada. Houve um aumento significativo ao nível de fiscalização realizada pela PSP, que resultou numa diminuição de lugares que permanecem indevidamente ocupados mais tempo que o permitido ou até mesmo em infracção total, impedindo a rotatividade e causando uma diminuição da oferta disponível. Na foto 33 visualiza-se um parquímetro tipo da Nazaré.

Fotos 32 e 33: Placas de Sinalização e Parquímetro.

Foi criado o parque Cândido do Reis, com uma capacidade de 536 lugares, encontrando-se em funcionamento 24 horas e apresenta uma procura razoável durante o dia e reduzida durante a noite. Os tarifários praticados estão expostos na Quadro 6 (fonte cmn).

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Quadro 6: Critérios para definição do nível de serviço em estradas de vias múltiplas. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

Assim, e conforme fonte da Câmara Municipal da Nazaré, com a existência de um regulamento de Taxas do Município da Nazaré (ano 2011 – em vigor), é possível verificar os preços praticados em qualquer estacionamento da Nazaré, conforme apresentado no Quadro7.

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Quadro 7: Taxas de Estacionamento do Município. (Fonte: www.cm-nazare.pt)

3.3.7. Rede Pedonal e Rede Ciclável Da análise efectuada ao sistema pedonal da Nazaré, foram detectadas algumas deficiências e dificuldades na mobilidade de pessoas principalmente as de mobilidade reduzida. Nas Avenidas da Marginal do lado do areal, verificou-se que o passeio tem uma largura razoável para os picos de afluência a que está sujeita, pecando apenas por uma falta de ciclovia, misturando-se peões e bicicletas. No outro lado da Marginal, os passeios possuem dimensões reduzidas com a agravante de na maioria da sua extensão e largura serem ocupados por comércio e restaurantes com as suas explanadas, obrigando desta forma os peões a circularem na via de rodagem. Para além dos factores acima referidos, acresce-se os estacionamentos indevidos e as operações de carga/descarga da maioria dos estabelecimentos existentes. PLANEAMENTO E GESTÃO DA MOBILIDADE

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Estas situações acontecem com frequência nas zonas junto ao mercado municipal. A mobilidade de peões no centro da Nazaré é dificultada pelas características inerentes das ruas, tais como, ruas estreitas, estacionamento indevido, ruas em calçada à antiga portuguesa, inclinações acentuadas e ainda passeios estreitos ou a inexistência deles. Uma das artérias mais importantes, a Praça Sousa Oliveira, foi alvo de uma intervenção, diminuindo a passagem de veículos mas aumentando o espaço pedonal visto esta ser uma zona de grande concentração de restaurantes e bares. Foi igualmente verificada que as acessibilidades pedonais aos principais serviços de transportes públicos não são as melhores. Em plena época balnear, estas interfaces são desajustadas e insuficientes.

A Rede Ciclável na zona em estudo é inexistente, ainda que os largos passeios na Avenida da República / Avenida Manuel Remígio permitam a circulação conjunta das mesmas com os peões. As estradas fechadas à circulação viária no centro histórico permitem igualmente a utilização livre de passeio neste veículo.

Fotos 34, 35, 36 e 37: Rede Pedonal.

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4. CONCLUSÃO Ao longo deste diagnóstico foram identificadas algumas carências ao nível da mobilidade quer pedonal, ciclável ou rodoviária apesar de terem sido efectuados e concretizados alguns projectos no âmbito da requalificação urbana e da mobilidade da Nazaré. Foi verificado também que a Nazaré é um pólo muito grande de turismo tendo um efeito benéfico para toda a economia da área em estudo. No entanto, provoca um efeito negativo na mobilidade devido à flutuação da afluência ao longo do ano, deixando a Nazaré praticamente deserta ou sobrelotada de pessoas. Neste último caso, a Nazaré ainda não tem condições aceitáveis para um bom acolhimento da afluência que regista. A avaliação e desempenho da rede viária não foi por nós efectuada pois, a nosso entender, uma correcta avaliação dos sistemas só faria sentido se se pudesse comparar níveis de pico de tráfego que a Nazaré possui ao longo do ano, nomeadamente o Carnaval, a Passagem do Ano e a Época Balnear. Uma vez que este trabalho foi realizado durante os meses de menor afluência (final de Outubro, Novembro e início de Dezembro) ir-se-ia realizar uma caracterização completamente atípica e irreal, pois todas as infra-estruturas viárias e pedonais seriam suficientes e a Nazaré estaria preparada para a realidade actual (o que não é verdade).

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5. ANEXOS 5.1. ANEXO I

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5.2. ANEXO II 5.2.1. Percurso de Inverno

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5.2.2. Percurso de Verão

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Mobilidade Sustentável NAZARÉ - Caracterização da Situação Actual  

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