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capa 49 Final

22/08/2006

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Nº 49 ARC DESIGN

R$ 15.00 QUADRIFOGLIO EDITORA

Nº 49

2006

2006

REVISTA BIMESTRAL DE DESIGN ARQUITETURA INTERIORES COMPORTAMENTO

CAMPER SAPATOS E MUITO MAIS

SPFW MODA, CENOGRAFIA E DESIGN SE ENCONTRAM

SP DESIGN WEEK SÃO PAULO GANHA A SUA SEMANA DO DESIGN

OS NOVOS CELULARES DESIGN E TECNOLOGIA CAMINHAM JUNTOS

JAPÃO ARQUITETURA HOJE

REVISTA EMIGRE E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O DESIGN GRÁFICO

24/08/2006

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Foto cenário: Luis Calazans Luz / Foto modelo: Fernanda Calfat

2ªcapa/editorial 49 final3

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O casal Daniela Thomas, cenógrafa, e Felipe Tassara, arquiteto, desenvolve há quase dez anos projetos de design de exposições no Brasil e em outros países. Dentre eles, destacamos “Brésil Indien” (Grand Palais, Paris, 2005); “Fashion Passion” (São Paulo, 2004), com 600 obras de fotógrafos e estilistas; os espaços públicos da São Paulo Fashion Week nas temporadas de 2004 a 2006; “Picasso na Oca” (São Paulo, 2004); “China: os Guerreiros de Xi’an e os Tesouros da Cidade Proibida” (São Paulo, 2003); “50 Anos de Arte Britânica na Tate” (São Paulo, 2003), com acervo da Tate Gallery; “500 Anos de Arte Russa” (São Paulo, 2002); “De Picasso a Barceló” (Buenos Aires, 2001).

Acervo ARC DESIGN

Acima, imagem da capa: ao fundo, o mosaico tridimensional criado por Daniela Thomas e Felipe Tassara. As cores e os grafismos utilizados remetem à África, foco da edição deste ano. Abaixo, um dos modelos de “lambe-lambe” criados por Daniela Thomas e utilizados na demarcação das portas e outros elementos. Na modelo, vestido de Jefferson Kulig

Daniela Thomas é também cineasta. Realizou os longas “Terra Estrangeira” e “O Primeiro Dia”, em parceria com o diretor Walter Salles. Seu trabalho como cenógrafa de teatro é extenso e já recebeu inúmeros prêmios. O arquiteto Felipe Tassara foi responsável pelo design de um grande número de exposições no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo e no Museu Niemeyer em Curitiba, entre outros.

A vontade de passar mensagens, apontar em uma direção, exprimir uma idéia de transformação pelos próximos, digamos, dez anos, tem sido o ideal perseguido por Paulo Borges, idealizador e organizador da São Paulo Fashion Week. Com Daniela e Felipe introduziuse o princípio do cenário em papelão, dobrado como caixas (janeiro 2006), em dobraduras de origami, na cor original ou em cores e desenhos encontrados na África, onde foram pesquisar (junho 2006). Transformação é a palavra-chave desde 2005. Em janeiro de 2006 os cenógrafos criaram uma poesia cinética e, aproveitando as duas Abaixo, vista da cenografia criada para a SPFW de janeiro de 2006. Formas sólidas, paralelepípedos com fendas, se encaixam uns aos outros, resultando em superfícies retas e curvas, seguindo as linhas de Niemeyer. Para o corte das peças, dois tipos de faca foram desenhados especialmente, conforme a superfície final (reta ou curva). Uma repetição geométrica, como nos ladrilhos de Athos Bulcão

vistas que o cenário permitia, escreveram, em uma das faces, palavras como “formação”, “fusão”, “mutação”; em outra, lia-se apenas “trans” e, caminhando, as palavras se uniam, formando “(trans)fusão”, “(trans)mutação”, “(trans)formação”, etc. A cenografia de junho de 2006 foi pensada depois de uma incursão da equipe do SPFW à África do Sul. A idéia dos cenógrafos não foi

Nelson Kon

a de reproduzir esses símbolos ao pé da letra, mas de “samplear” sensações, pois visitando tribos, além das favelas ou guetos, percebe-se um grande sincretismo cultural nessas regiões da África. Um último dado a acrescentar: o papelão, na arquitetura efêmera, permite uma obra limpa, de custo menor, e não deixa resíduos. Terminada sua vida útil, todo o material é entregue para reciclo. Ou seja, uma cenografia sustentável.

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Nesta edição predomina a moda – em sentido amplo: moda nas roupas, cenários para a moda, ambientes na moda. São Paulo Fashion Week em sua visão total, apoiada em uma iconografia que foi buscar inspiração na África do Sul. Mais que moda, comportamento – é a Camper chegando ao Brasil. Por enquanto, os sapatos que, em si, já são um novo modo de vida, alegre. Uma ditadura – positiva – do conforto. Você sabe qual o celular que lhe convém nessa “floresta” que se renova e avança veloz, prestação x complicação? Ainda existem aqueles que desejam apenas um telefone móvel, mas entre os mais antenados, há quem ame brincar nos joguinhos, quem compulsivamente documente tudo o que vê, seja em foto ou gravação, quem faz do celular sua interação com o mundo. Escolha o seu – está tudo explicado... até hoje. No design e arquitetura internacionais temos a maravilhosa Charlotte Perriand, que atravessou o século com seu olhar agudo e moderno e, em contraposição, a jovem arquitetura japonesa. Emigre, nome familiar para o universo do design gráfico, é uma revista que já interrompeu sua carreira. Vale o olhar e a leitura dessa panorâmica sobre a mais importante publicação norte-americana no campo do design gráfico ao longo de 21 anos e 69 edições. O evento SP Design Week foi realizado pela primeira vez este ano. Uma iniciativa de ARC DESIGN, que “abraçou” os diversos eventos de arquitetura e design que aconteciam na mesma data. Casa Cor; Museu da Casa Brasileira com a mostra sobre Santos Dumont e as homenagens a Paulo Mendes da Rocha – Prêmio Pritzker 2006; Bienal Brasileira de Design e Bienal de Design Gráfico. Focados no evento, ARC DESIGN, em parceria com a ABD, organizaram o seminário Design Hoje, que contou com a participação do arquiteto e crítico de design italiano Enrico Morteo, além de Marcelo Rosenbaum, Ricardo Scura e os irmãos Campana. O tradicional Roteiro do Design mostrou os mais destacados show-rooms de São Paulo, com a convivência harmônica entre o design brasileiro e o internacional. Nas últimas páginas, a seção Loucos por Design, que, ao longo das edições, mostrará quais os objetos que marcaram e marcam nosso tempo. Bom divertimento! Maria Helena Estrada Editora

ARC DESIGN

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Em sintonia com as coleções apresentadas, murais, lounges, passarelas e cenários da última São Paulo Fashion Week mostram que moda e design caminham juntos – e fazem um belo par!

22

28

Mesmo com a grande diversidade de abordagens e conceito, muitas coleções apresentadas na São Paulo Fashion Week apresentavam um elemento comum: a exploração da geometria, dos recortes às dobraduras nipônicas, das pregas aos bordados. Acompanhe conosco

Tirar fotos, fazer filmes, tocar música digital, navegar na internet, contar calorias... Novas funções adquiridas pelo celular que em nada lembram sua obrigação inicial: fazer e receber chamadas. Confira os últimos lançamentos

Maria Helena Estrada

ORA DIREIS... SIMPLES SAPATOS?

Winnie Bastian

DESIGN PARA A MOBILIDADE

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Camila Lima

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LIÇÃO DE GEOMETRIA

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Marcelo Lima

OS ESPAÇOS DA MODA

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Com design, cores e modelos muito próprios, a marca espanhola de calçados Camper chega ao Brasil, mais exatamente a São Paulo, para atender um público ávido de peças originais e únicas. Conheça também o perfil do hotel e do espaço gastronômico da marca

NEWS

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REVISTA BIMESTRAL DE DESIGN ARQUITETURA INTERIORES COMPORTAMENTO

ABRE-TE, SÉSAMO!

34

nº 49, agosto/setembro 2006

UM MATERIAL DESCARTADO...

38

Um pa Sã po na coo

46

ito çaxaum niotel a

Um evento que nasceu para fazer parte do calendário paulistano: a São Paulo Design Week, organizada por ARC DESIGN, reuniu profissionais da área em diversas atividades coordenadas

50

56

A trajetória da designer que inventou um novo conceito de habitar por meio de suas obras e criações de móveis, equipamentos e objetos para casa, desde 1927 (quando fazia parte da equipe de Le Corbusier) até o final de sua vida, em 1999

Tecnologia e tradição, sensibilidade e apuro construtivo: essas e outras características da arquitetura japonesa contemporânea podem ser observadas no livro “Architecture in Japan”, lançado pela Taschen, que reúne obras dos principais arquitetos desse país

David Cabianca

EMIGRE: A (R)EVOLUÇÃO DA TIPOGRAFIA

Winnie Bastian

ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA JAPONESA

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Maria Helena Estrada

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CHARLOTTE PERRIAND: UMA ARTE DE VIVER

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Da Redação

SÃO PAULO DESIGN WEEK

Indice 49 final 2

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Uma amostra do caminho trilhado pela revista Emigre durante seus 21 anos de existência. Vanguardista por princípio, a publicação teve grande impacto no design gráfico norte-americano

EXPEDIENTE

70

COMO ENCONTRAR (ENDEREÇOS)

LOUCOS POR DESIGN

74

ENGLISH VERSION

76 www.arcdesign.com.br

Grendene 4-5

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Grendene 4-5

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Arq design dupla_3

7/20/06

4:05 PM

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Projeto: Arq. Edgar Casagranda | Foto: Roali Majola

www.sca.com.br

cozinha em MDF laminado branco | abertura em perfil de alumínio com TS bege alto brilho | frentes de gaveta em laminado alumínio | escada deslizante em alumínio anetto | tampo em Silestone

Mais de 140 lojas no Brasil e exterior

Arq design dupla_2

7/20/06

4:04 PM

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Fรกbrica: Tel.[54] 2102 2200 | Vale dos Vinhedos | Bento Gonรงalves | RS

TokStok 8-9

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DM9 É DDB

Não se prenda aos seus móveis velhos.

w 0

TokStok 8-9

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Com o seu tok e o nosso stok, você renova sua casa e sua vida. Tok&Stok tem: Design assinado Projeto de decoração Entrega e montagem Serviço pós-venda Garantia de 2 anos Ponto vermelho Lista de casamento Loja virtual

www.tokstok.com.br 0800 70 10 161

25 lojas no Brasil

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IDADE: 15 ANOS Além da função, os produtos têm que ter emoção. É assim que a Imaginarium cria seus produtos desde que foi registrada com esse nome, em 1991. Até então era conhecida como Christimas by Karin, uma loja que vendia artigos para Natal confeccionados pelos próprios donos, um médico e uma arquiteta. Hoje, além de peças para casa e decoração, a marca vende também camisetas, pijamas, bijuterias, cremes para o corpo... Este ano, a Imaginarium completa 15 anos com 70 lojas espalhadas pelo país, de Porto Alegre a Ma-

INOVAÇÃO FORMAL E FUNCIONAL Um ventilador de teto sem as tradicionais lâmpadas no centro e com as pás iluminadas é o novo modelo lançado pela empresa alemã Serien Lighting. O nível da luz, que provém de uma lâmpada incandescente halógena, e a velocidade de

naus, e chega a lançar em média 30 novos produtos por mês. Todos baseados no conceito “fundesign”, que valoriza a emoção com irreverência e alegria. Ao lado, revisteiro Pêndulo. www.imaginarium.com.br

rotação podem ser regulados independentemente, por meio de um controle remoto. Criado pelo designer israelense Yaacov Kaufman, o Propeller também pode ser lavado, pois é

“IO-IÔ” COM LUZ?

feito de alumínio escovado, aço e tecido stretch. Pelo que se

Um aparelho estranho, porém

vê, além de circulador de ar, o ventilador ganhou uma nova

tão funcional e charmoso que

função: difusor de luz. www.serien.com

deve fazer sucesso. O Dot-it, lançamento mundial da Osram, é uma fonte de luz auxiliar. Para acendê-lo, basta tocar o centro e uma forte luz branca, fornecida por três LEDs, é acio-

DE UMA VEZ SÓ

nada. Uma poderosa fita ade-

Um banco dobrável, cujas arti-

siva em sua base permite que

culações estão todas ocultas pela

o Dot-it seja colado e descolado até 20 vezes, em diversos tipos de

estrutura de poliamida. Assim é o One

superfície. Como é pequeno e portátil (funciona com três pilhas AAA),

Shot, criado pelo designer francês Pa-

pode ser utilizado em várias situações, conforme a necessidade e a

trick Jouin e produzido pela em-

imaginação do usuário. Algumas dicas: um

presa belga Materialise. Executa-

cantinho da casa onde não haja luz; barra-

do com a técnica de prototipagem

cas de camping; bolsas; porta-luvas; vitri-

rápida Selective Laser Sintering, o pro-

nes e espaços para exposição. Para os

duto sai da máquina em sua forma final, já com eixos, pa-

mais corajosos, pode ser usado até mesmo

rafusos, molas e dobradiças.

como acessório.

www.materialise-mgx.com

www.osram.com.br

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GRANDE FINAL EM LONDRES A designer Paula Dib foi escolhida por um time de seis especialistas brasileiros para concorrer à premiação International Young Design Entrepeneurs 2006, em Londres, cujo prêmio inclui uma apresentação na feira. O evento faz parte das atividades da 100% Design, que este ano, em parceria com o British Council, ofereceu a oportunidade a dez jovens designers de concorrerem ao prêmio, que terá apenas um vencedor. Paula, de 29 anos, trabalha com comunidades carentes do sul da Bahia ensinando-as a reaproveitar sobras de eucalipto, fibras de coco e outros materiais e a transformá-las em peças de decoração (como os bowls abaixo) – e geração de renda. Foi essa sua vocação para o empreendedorismo que levou o júri a selecioná-la para representar o Brasil. A premiação acontece em setembro e o vencedor receberá 7.500 euros, que deverão ser investidos em um projeto que tenha ligação com o Reino Unido. Agora é só torcer e aguardar pelo resultado, que será anunciado nos sites www.britishcouncil.org.br e www.100percentdesign.co.uk

SEM LÂMPADA, MAS COM LUZ Poste sem lâmpada faz sentido? Pois é o que a Zidesign e a Eneltec estão tentando provar com o desenvolvimento da ZipLux. A “mágica” só é possível porque o projeto é baseado no sistema de fibra ótica. A idéia é trazer o ponto de luz para baixo, ao contrário da iluminação pública tradicional, para facilitar a manutenção e reduzir a interferência no trânsito ocasionada pelos grandes equipamentos utilizados na hora da troca das lâmpadas convencionais – apenas um técnico, em uma moto, é o suficiente. Outros pontos positivos são a redução da emissão de raios ultravioleta e a eficiência energética de aproximadamente 30%, o mesmo percentual de dispersão nos postes convencionais. O projeto está em fase de desenvolvimento do protótipo para testes finais e as empresas buscam parceiros para a fabricação em escala. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (21) 2613-3641. inc@inc.coppe.ufrj.br

SOBRE O DESIGN... MANUAIS PARA ARQUITETOS

O livro “História, Teoria e Prática do Design

A AsBEA criou duas ferramentas, verdadeiros manuais, para

de Produtos” ganhou uma nova versão, re-

ajudar profissionais de escritórios de arquitetura a planeja-

vista e atualizada pelo autor Bernhard E.

rem melhor as suas atuações no mercado. São elas: Planilha

Bürdek. Lançada pela Editora Edgard Blü-

de Cálculo de Custo de Projeto e Manual de Escopo de Contra-

cher, a obra aborda a história e os cami-

tação de Projetos e Serviços para a Indústria Imobiliária. As

nhos que o design de produtos está toman-

duas se complementam, pois enquanto a primeira objetiva

do, além de relatar suas principais teorias e metodologias. Descreve

organizar de forma clara o valor cobrado por cada fase do pro-

também a evolução do design em países da Europa, Américas e Ásia,

jeto, a segunda detalha o conteúdo e a metodologia de traba-

com exemplos que vão desde a prática e o desenvolvimento do

lho. O manual já está disponível para download no site da as-

design corporativo e estratégico atual até chegar ao humano.

sociação: www.asbea.org.br.

www.blucher.com.br

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SUSTENTABILIDADE EM DISCUSSÃO

ARTE POPULAR EM CARTÕES-POSTAIS

Inovações, notícias e reflexão

Uma viagem ao Nepal inspirou o

sobre a sustentabilidade das

designer Gringo Cardia a criar o Proje-

cidades são os temas de Sus-

to Ambulantes do Design, em parceria

tentAção, nova revista da

com a empresária Andrea Fasanello e o

Quadrifoglio Editora – que

apoio do Instituto Telemar. Segundo

também publica ARC DESIGN.

ele, as crianças nepalenses desen-

“Nosso foco é o viveiro urba-

havam, em papel, fragmentos do seu

no, o ambiente, a energia, o transporte, a habitação, a arqui-

país e vendiam aos turistas. No projeto, essa idéia foi adequada com

tetura, o design, o bem-estar, o consumo inteligente e a cul-

a produção de cartões-postais feitos e pintados em madeira com

tura promotora do equilíbrio entre crescimento, meio ambien-

temas que revelam a arte popular carioca. Os autores dos trabalhos

te e progresso social”, sintetiza o editor Ricardo Arnt.

são cerca de 40 pessoas, entre adultos e adolescentes da periferia do

Com projeto gráfico assinado por Fernanda Sarmento e im-

Rio de Janeiro que, durante quatro meses, participaram de aulas

pressa totalmente em papel reciclado, a primeira edição da

diárias de História da Arte, História do Rio de Janeiro, Design e

revista combina a divulgação de práticas sustentáveis, como

Desenho Industrial e também de workshops com novos talentos,

a revitalização urbana e o reciclo, à discussão de questões

como Mana Bernardes e Fernando Felicius dos Santos. Os postais

polêmicas e importantes, como o desenvolvimento de um

serão vendidos em carrocinhas iguais as dos pipoqueiros. “A idéia de

novo modelo de exploração madeireira no Brasil.

ser ambulante é a que permeia a autonomia de todo vendedor de rua

Os interessados em receber SustentAção poderão se cadas-

que põe sua mercadoria no carrinho, na cabeça, ou seja lá onde for, e

trar pelo e-mail sustentacao@arcdesign.com.br

ganha o mundo com seu produto”, explica Gringo. Mais informações pelo telefone (21) 8112-2992, com Andrea Fasanello ou pelo e-mail ambulantesdodesign@yahoo.com.br

PROFISSÃO: DESIGNER GRÁFICO

CORIAN PROMOVE CONCURSO

A Editora Rosari lança o livro “A

tão convidados a participar do Concurso Internacional de Design The

Prática do Design Gráfico – uma

Skin of Corian, promovido pela DuPont e pelo portal Designboom. O

Metodologia Criativa”. Baseado

desafio é criar projetos para ambientes internos, residenciais ou co-

em suas experiências como do-

merciais, com novas idéias de efeitos decorativos, tratamento ou

cente e mais de 30 anos traba-

acabamento da superfície do material fabricado pela DuPont. Os ins-

lhando na área, autor – o fotó-

critos devem explorar as características do material e usar soluções

grafo e designer gráfico uruguaio Rodolfo Fuentes – situa o

e técnicas como translucidez, impressão por sublimação (transfer a

designer principiante no campo do trabalho cotidiano e traça

quente) e litografia. É possível participar individualmente ou em

parâmetros para a construção de uma linguagem própria.

grupos, em duas categorias: Conceito e Projeto Executado. Os traba-

“Apesar de temas puramente técnicos, minha intenção pri-

lhos serão julgados por arquitetos de diferentes países, e o valor do

mordial é abrir um espaço didático elementar e acessível so-

prêmio é de 2.500 euros para cada categoria.

bre o que considero fundamental e atemporal nessa ativida-

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site www.design-

de”, explica. O livro pode ser encontrado em diversas livrarias;

boom.com/corian2006.html até o dia 15 de setembro; regulamento

confira a relação completa no site www.rosari.com.br

e outras informações estão disponíveis no site www.corian.com.br

Estudantes, profissionais e amantes do design do mundo todo es-

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INTERIORES CONTEMPORÂNÊOS E SOB MEDIDA As arquitetas Ligia Meirelles e Julia Maksoud acabam de inaugurar em São Paulo a loja Catallogo, cujo foco está em produtos adequados a projetos contemporâneos e com flexibilidade de medidas. Apesar de especializada em móveis para decoração de interiores, a loja também vende acessórios e móveis para áreas externas em vários materiais, como madeira, vidro, acrílico e ferro. A maioria das peças, como o banco Teris (abaixo), é assinada pela dupla, que já comanda o escritório Meirelles e Maksoud Arquitetura desde 2001, mas também há produções de outros designers, como Arthur Casas – aliás, foi no escritório dele que Ligia e Julia se conheceram e iniciaram a parceria. Catallogo: Rua Lisboa, 500, São Paulo. Tel.: (11) 3061-0870. www.catallogo.com.br

HORA DO BALANÇO Em 2003, o Design Excellence Brazil foi criado pela APEX-Brasil, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e a Câmara Brasil-Alemanha, para promover o reconhecimento internacional do design de produtos e serviços desenvolvidos no Brasil. Agora, após três anos de trabalho, há muitas razões para comemorar. Durante esse período, 800 cadastros foram realizados e 405 selecionados para apoio e inscrições em premiações internacionais. Dos inscritos no IF Product Design Award – que acontece anualmente em Hannover, na Alemanha –, 326 chegaram à fase final e 61 foram premiados. “Pela primeira vez, quatro projetos brasileiros receberam o Troféu IF Silver e Gold, a conquista máxima dessa premiação. Acima, bebedouro Liz, um dos premiados na última edição do IF. Além disso, o Brasil esteve entre os seis mais premiados, ficando atrás apenas da Alemanha, EUA, Japão, Itália e Coréia”, conta Paula Marques, coordenadora do Design Excellence Brazil. A instituição aproveita também para fazer um balanço do perfil das empresas inscritas nesses três anos: 67% concentram-se na Região Sudeste e 30% na Região Sul. Com relação ao porte das empresas participantes, 35% são micro, 28% pequenas e 25% médias – entre elas, as pequenas e médias se sobressaíram nas premiações. www.debrazil.com.br

CORREÇÃO Na edição 48 de ARC DESIGN, divulgamos, na seção News, os vencedores do Prêmio Masisa. Diferentemente do que foi publicado, o projeto “Casa para um casal”, premiado com o segundo lugar na categoria Obra Construída, é de autoria exclusiva do arquiteto André Hornos Eisenlohr, do Estúdio Célula. O partido do projeto, de integração com o entorno, é expressado em diversos aspectos, como nas aberturas generosas e no uso da estrutura aparente, composta por pilares de eucalipto e vigas de muiracatiara. Respondendo às baixas temperaturas do local, o arquiteto usou duas placas de 15 mm de OSB no fechamento das paredes, com um colchão de ar de 5 centímetros entre elas, aumentando o isolamento térmico. Na parte externa, o OSB foi protegido com verniz Cetol especial que valorizou a textura original e aumentou sua durabilidade e impermeabilidade. Como a casa ocupa um terreno com declive acentuado, foram utilizadas técnicas de alpinismo e montanhismo durante a construção – como a redução de pesos com cordas e polias. www.estudiocelula.com.br

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Fotos Luis Calazans Luz

OS ESPAÇOS DA MODA Design e moda já viveram um longo noivado. Agora decidiram casar. Até quando? Bem, parece um enlace duradouro e rico, a julgar pelo que foi visto na última São Paulo Fashion Week, realizada no mês de julho. Uma semana da moda vibrante, colocando novas idéias no ar – em sintonia com o mundo Marcelo Lima 16 ARC DESIGN

Fernanda Calfat

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Acima, vistas gerais do Pavilhão da Bienal, decorado com os origamis de Daniela Thomas (veja 2ª capa). À esquerda, silhueta equilibrada no jogo de formas proposto por Jefferson Kulig: a parte de baixo do corpo ganha volume, com saias-balões e suas diversas camadas de tule, em contraponto aos tops mais secos e retos

“Espaço é estar dentro de uma coisa, não distinta do próprio corpo. Alguma coisa de penetrável e sensual que comporta uma experiência humana e erótica.” Sob o prisma da moda, as palavras do designer italiano Gaetano Pesce para contextualizar o espaço expositivo de sua última retrospectiva internacional não causam estranheza. Muito pelo contrário. 17 ARC DESIGN

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Luis Calazans Luz

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Caroline Bittencourt

Caroline Bittencourt

Acima, nas duas páginas, vistas do lounge da Melissa, projeto de Marcelo Rosenbaum. As peças desta “floresta sintética” foram apresentadas em pequenos “aquários” que contextualizavam as criações – quase uma micropaisagem –, direcionando o olhar para detalhes do objeto

Acima e ao lado, duas vistas do lounge da Tim, com um interessante trabalho de iconografia afro-brasileira, pontuado por elementos contemporâneos: à esquerda, estofados Strips, de Cini Boeri, contracenam com as paredes revestidas com lascas de móveis; acima, cadeiras de Philippe Starck, em alumínio, contrastam com o calor da parede vermelha

18 ARC DESIGN

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À direita, criação dos cariocas do Oestudio, que brincaram com estampas pixeladas em longos vestidos de malha e t-shirts

Na moda, por ser mais aberta à sensorialidade, à fantasia e a uma percepção direta, menos racional do produto, a idéia de associar intimamente local e obra nunca soou estranha, seja no ateliê, na passarela ou nas lojas. Para todos os efeitos, no vocabulário fashion, comunicar (e, por que não, vender?) pode ser bem traduzido por assegurar a maior continuidade e coerência possíveis. Mestres incontestes das poderosas técnicas do “allestimento” – termo que inclui a atmosfera do espaço expositivo e sua dimensão não perceptível –, os italianos, há muito conscientes do diferencial que o enfoque cenográfico pode trazer aos olhos de um consumidor antenado, não se cansam de encantar o mundo com inspiradas produções. Esta edição da São Paulo Fashion Week acaba de dar

sociável, a começar pelo “murais” de Daniela Thomas, pelo desenho dos “lounges”, espaços exclusivos dos patrocinadores e dos muitos clientes de passagem –

Márcia Fasoli

mostras de plena vitalidade, construindo um todo indis-

que se transformaram em pontos de encontro obrigatório para quem pretendia fugir do burburinho do evento, 19 ARC DESIGN

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ou entrar de cabeça nele. A depender do “mood”. “É um dos trabalhos que mais me estimulam. Existe, sim, uma série de parâmetros que condicionam o projeto, como boas condições de circulação, iluminação e mobiliário adequado. Mas também uma enorme abertura para a imaginação, para a fantasia”, declara o arquiteto Marcelo Rosenbaum, o mais bem cotado no ranking dos profissionais da área, e que nesta edição assinou dois concorridos lounges. Destinado a seduzir um público de idade ou vocação jovem, o espaço Melissa teve como tema a exuberância tropical. Quase uma floresta sintética, na qual o arquiteto não economizou em cores e formatos vibrantes para apresentar, em plástico, toda a coleção de sapatos e sandálias lançados pela empresa e que levam a assinatura de Alexandre Herchcovitch, Fernando e Humberto Campana e Acima e na página ao lado, lounge do WGSN: em sintonia com a temporada, o maior site internacional do segmento de moda investiu em uma atmosfera retrô. Pratos, xícaras e pires de porcelana estampados, da Oxford, compunham o ambiente criado Marcelo Rosenbaum. Abaixo, vestido Osklen com botões revestidos de látex da Amazônia; macacões e macaquinhos também exibiam o material, nas alças

Karim Rashid. Também de sabor deliciosamente pop, paredes inteiramente revestidas com pratos, iluminadas por dois monumentais lustres construídos a partir de xícaras de chá (coleção da Oxford) foram os ingredientes empregados no espaço do WGSN – para embalar seus convidados. Moda e design também se entrelaçaram no enorme estande da Tim, com móveis da Forma, de Mies a Starck. Espaço mutável, o desenho da passarela, por definição aberta à somatória aleatória de imagens, sem referências temporais ou históricas – além das sugeridas pelos estilistas a cada estação –, também insinua permanente renovação a cada temporada. Este ano, de marcada influência geométrica e ortogonal, ela fez da arquitetura sua referência básica. “Não vejo nenhum exagero em reconhecer em meu trabalho traços de arquitetura. Na verdade, convivo com as mesmas preocupações de ordem plástica e estrutural. O que muda mesmo é o tempo de construção: por aqui, é mais reduzido ainda...”, declara o designer José Marton. Não por acaso, fragmentos e elementos arquitetônicos aparecem também em todos os outros cenários que levaram sua assinatura: nas escadarias iluminadas de Herch-

Fernanda Calfat

covitch, nas imensas plataformas da Neon ou ainda nos vitrais em acrílico desenhados para a Vide Bula. “Arquitetura efêmera, é pena, fadada a desaparecer no mesmo instante. Mas fazer o quê?”, pergunta. É, digamos que são coisas da vida. Ou melhor, coisas da moda. ❉ 20 ARC DESIGN

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LIÇÃO DE GEOMETRIA Mais do que África ou qualquer outra tendência, por trás de todas as estampas e tecidos ultratecnológicos da 21ª edição da SPFW, a moda mostra suas bases. Deixando de lado os prints felinos e todo

Márcia Fasoli e Zé Takahashi

fashion week FINAL

o perfume étnico que decora e remete ao antigo continente, alguns estilistas se preocuparam antes de tudo com a forma. Recortes, pregas e dobraduras foram alguns dos recursos utilizados, ao lado de formas geométricas básicas, como triângulos e trapézios. Confira Camila Lima

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À esquerda e abaixo, peças da coleção de Érika Ikezili: origamis, em versões mega, viraram flores, que se transformaram em vestidos ou serviram de aplicação para outras peças. “Inspirei-me nos fractais florais, formas geométricas que fogem das definições matemáticas convencionais. Eles são divididos em pedaços semelhantes aos do objeto original, mas com um número infinito de pequenos detalhes”, explica

Fernanda Calfat

Fernanda Calfat

À direita, Raquel Davidowicz, da Uma, traçou um paralelo entre o punk e o geométrico, e aplicou recortes estratégicos sobre matérias-primas fluidas, valorizando a própria pele como um componente do look

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Márcio Madeira

Fernanda Calfat

À direita, Alexandre Herchcovitch apresentou estampa trabalhada, bordada por minúsculos canutilhos e repleta de referências visuais. A geometria também foi o tema de sua passarela, acima, projetada pelo designer José Marton. Abaixo, da ligação entre o universo científico e a pesquisa de matérias-primas alternativas nasce a nova coleção de Jefferson Kulig. Os tops ganharam moulage em fibra de tururi e detalhes assimétricos, ora no barrado, ora nas golas

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Márcio Madeira

Márcio Madeira

Acima, a estamparia afro-brasileira, desenvolvida por Goya Lopes e inspirada nos índios Kadiwéu, foi uma das principais apostas de Rita Comparato e Dudu Bertholini, da Neon. Novamente a geometria é o mote do cenário em três níveis, criado por José Marton, que explorou a sutileza por meio do uso de texturas estriadas e da iluminação embutida

Ao lado e no pé da página, à direita, Pedro Lourenço abusou das miniproporções e da silhueta fragmentada, com espaço para coletes com maxigolas de tule, vestidos com cintura marcada e saias volumosas. Destaque para o alto-relevo das peças, com texturas de couro que remetiam às escamas dos peixes

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Márcio Madeira

Márcio Madeira

Acima, ângulos e planos são os ingredientes da passarela minimalista – um píer em madeira – também criada por José Marton para a Iódice. Abaixo, Glória Coelho trabalhou os volumes e usou saiotes engomados para dar corpo a saias palacianas. Sobreposições ainda brincaram com as formas da silhueta feminina e complementaram o desfile. À direita, Reinaldo Lourenço investiu na forma trapézio e em flores de organza como acabamento, dando às saias um efeito translúcido e remetendo a borboletas, tema central da coleção

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maria bonita

maria bonita

Acima, apresentação de Karlla Girotto: mais do que um desfile, uma performance de moda ao ar livre. Desta vez, as modelos foram substituídas por balões brancos, suporte de vestidos volumosos, com muitas saias godês e várias camadas de pano e nesgas. O amplo se confirma como a grande aposta da temporada. Abaixo, à esquerda, a arte de picotar fez parte das novidades da Raia de Goeye, de Paula Raia e Fernanda de Goeye. Losângos, triângulos e semicírculos vazados, arrematados por imensas fivelas, ilhoses e outras estruturas de metal marcaram presença em quase todas as peças. As curvas do matelassê e dos microcoletes com gola altíssima complementaram a alma gráfica e elegante da coleção. Na sequência, dois looks Maria Bonita, de Danielle Jensen: no centro, estampas metalizadas (uma das fortes apostas da estação) coordenadas com outras peças de motivos gráficos; à direita, uma brincadeira entre transparências, com roletês, passantes e costuras aparentes desenhando as peças

Fernando Louza

Márcio Madeira

Márcio Madeira

Acervo ARC DESIGN

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ARC DESIGN

E-NEWS

Ágil. Instigante. Informativo. Opinativo.

JUM NAKAO É DESTAQUE NO SÃO PAULO FASHION WEEK Na passarela, a cor branca sobressaia nos corpos cobertos

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por um colante preto. As “paper dolls” – produzidas com maquiagem carregada e peruca estilo Playmobil – exibiam

DESIGN E-news, informativo eletrônico com

peças elaboradas, inspiradas em trajes do fim do século 19: vestidos perfeccionistas, saias de construção volumétrica e blusas com mangas bufantes – modelagens confeccionadas

notícias indispensáveis de todo o mundo

com quase uma tonelada de papel vegetal e “costuradas” com fita crepe. Para o efeito admirável da estamparia, das

sobre design, arquitetura, moda, cultura

rendas e dos babados, utilizou-se a tecnologia dos cortes a laser. Um trabalho de excelência, aniquilado ferozmente pe-

material, exposições e matérias especiais.

las 15 modelos no término do desfile. Valendo-se da arte conceitual, a pretensão do autor foi atingida. A coleção “Desejos” ignorou o aspecto comercial e provocou reflexões importantes acerca do universo da moda. “O que eu queria era exatamente isto: levar emoção, fazer as pessoas

ARC DESIGN E-NEWS ARC DESIGN mais perto de você

pensarem, entenderem que a moda é transitória. Quis abordar ainda a questão do inatingível; as roupas rasgadas representam a inevitabilidade da perda, geram a falta, criam

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o vazio”, argumenta o criador, Jum Nakao. Veja matéria completa no site

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DESIGN PARA A MOBILIDADE

Concentrando um número cada vez maior de funções, os telefones celulares assumem importância incontestável em nosso cotidiano e modificam hábitos, nas mais diversas esferas. Ao que tudo indica, em breve inventaremos outra palavra para nomear esse aparelho, já que telefonar é, cada vez mais, apenas um detalhe... Recém-lançado no Brasil, o Nokia N93 é um aparelho multimídia: além de MP3 player e rádio*, possui câmera de 3.2 MP com lentes Carl Zeiss e zoom óptico de 3x, capturando vídeo em até 30 fps com sistema de estabilização. Possui visor giratório de 2,4” e, conforme o modo como é aberto, ativa as funções de captura de imagens (acima), visualização (abaixo, à direita) e conversação (abaixo, no centro). Possui teclas dedicadas para o uso da câmera, slot para cartões de memória e saída para TV, além de wi-fi, bluetooth e saída USB. Além disso, suporta TV digital* e permite o recebimento de e-mails com arquivos anexos

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Nesta página, três modelos que exploram o aspecto “fashion” do celular e apostam na diferenciação formal. Acima, à esquerda, LG MX 800, com abertura slide e teclado ultra-sensível, possui comandos externos para as funções de música e pesa apenas 88 gramas. Na sequência, PEBL em versão colorida, apresentado pela Motorola na última São Paulo Fashion Week: com acabamento emborrachado, abre com um toque suave no flip. Ambos possuem MP3 player, câmera, bluetooth e permitem acesso à internet

Winnie Bastian “Uma significativa parcela da população brasileira vai ter acesso à internet pela primeira vez no celular e não no PC.” A frase, dita por Vinton Cerf, um dos “pais” da internet e atual “Evangelista-Chefe” do Google, em recente visita ao Brasil, chama atenção para uma nova realidade. Não é exagero dizer que um abismo separa os primeiros celulares, grandes e desajeitados, surgidos há pouco mais de dez anos (!), dos modelos atuais, de tamanho mínimo e design sedutor. Além da evolução física e formal, esses aparelhos estão assumindo uma nova personalidade ao concentrar diversas funções além da simples conversação: a maioria hoje é capaz de tirar fotos, fazer filmes, tocar música digital e navegar na internet. Mas as “1001 utilidades” podem ir muito além: alguns modelos oferecem contador de calorias, medidor de taxa de glicose e até bafômetro! Essa concentração de funções, na onda da convergência digital, ampliou enormemente a mobilidade de pessoas e informações, refletindo-se em mudanças comportamentais e de estilo de vida. Os smartphones incorporam recursos antes exclusivos dos computadores, com uma diferença fundamental: a mobilidade absoluta, já que os celulares,

Acima, o RAZR V3i Dolce & Gabbana: o conhecido aparelho da Motorola ganhou versão de luxo, criada em parceria com a dupla italiana. Possui MP3 player (iTunes), câmera de 1,2 MP, slot para cartão de memória, bluetooth, saída USB e permite acesso à internet e sincronização da agenda de compromissos e contatos com o Outlook

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pequenos e ágeis, acompanham seu dono o dia todo, do cinema ao supermercado, do carro ao banheiro. Assim, não surpreende que tenham se firmado como um gadget básico – a velocidade de comunicação é crescente e a conectividade, cada vez mais valorizada, não custa lembrar. O uso de celulares é maciço em todo o mundo e os números impressionam: no Brasil, a base de assinantes em maio de 2006 era, segundo a Anatel, de 92,4 milhões, o que corresponde a mais de um celular para cada duas pessoas. A difusão e o uso constante elevaram-no à condição de objeto pessoal: nele, há uma espécie de registro da vida do usuário: suas músicas preferidas, mensagens trocadas, fotos e endereços dos amigos... Nesse contexto, a personalização é uma tendência crescente, seja no próprio aparelho, nos acessórios ou mesmo nos aplicativos. Um exemplo é a coleção de protetores de tela desenhada por Alexandre Herchcovitch para a Motorola, lançada durante a 15ª São Paulo Fashion Week.

Acima, Samsung X820, o celular mais fino do mundo, com apenas 6,9 milímetros de espessura e 66 gramas. Ainda assim, oferece diversas funções, como câmera de 2 megapixels, MP3 player, bluetooth e acesso à internet. Tal proeza é resultado da Smart Surface Mounting Technology (SSMT), que permite que os componentes sejam “comprimidos” no interior da concha. Ainda não é comercializado no Brasil

O LG KP3400, acima, incorpora funções não-convencionais, mas bastante úteis: é capaz de medir as taxas de glicose e de gordura do usuário, assim como seu nível de estresse! Também oferece recursos “normais”, como câmera de 1,3 MP e MP3 player. Já o LP5500 (à esquerda), também da LG, se destaca pela câmera de 5 MP, com definição muitíssimo superior à média encontrada nos celulares. Além disso, possui MP3 player, slot para cartão de memória e saída para TV. Os dois modelos ainda não têm previsão de lançamento no Brasil

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A forma dos novos aparelhos é determinada por dois fatores principais: a busca de conexão emocional com o usuário – explorada principalmente pelo uso de cores e texturas que despertem sensações e lembranças – e a concentração de novas funções, como acontece no Nokia 3250, cuja rotação de parte do corpo aciona o funcionamento da câmera digital. No caso do Q-fi EF 51 da BenQ Siemens e do MX 800, da LG, as funções de música (MP3 player) estão separadas fisicamente das demais existentes no telefone, facilitando o acesso aos comandos e também gerando diferenciação formal. Enquanto nos primeiros modelos os recursos de áudio eram acessados pelo mesmo teclado do telefone, os atuais tendem cada vez mais a migrar estes comandos para o exterior do aparelho, facilitando o uso. Confira os modelos selecionados por ARC DESIGN dentre os lançamentos das empresas no Brasil e no mundo. ❉

O smart phone P990i, da Sony Ericsson, acima, concentra funções que permitem produtividade em qualquer lugar. Além de acessar a internet (também por wi-fi) e possuir programas específicos para receber e-mails, editar textos, planilhas e apresentações, digitaliza e armazena cartões de visita e suporta videoconferência (possui duas câmeras digitais, uma posicionada especialmente para esse fim). Também inova ao permitir que o usuário escolha se quer ou não usar o flip que oculta o teclado completo e contém as teclas tradicionais; nesse caso, as ligações são feitas por comando de voz. Ainda não está disponível no Brasil

Acima, Kyocera Strobe. Criado para o público teen, traz um teclado completo em seu interior, ideal para compor mensagens de texto (a forma de comunicação mais utilizada pelos adolescentes. segundo pesquisas). Para os pais, dois atrativos: o preço (resultado da ausência de recursos sofisticados) e o localizador por GPS*. O Ming, à direita, é o smart phone mais avançado da Motorola. Baseado no sistema Linux, permite a visualização de documentos, recebe e-mails com anexos e digitaliza e armazena cartões de visita. A tela sensível ao toque tem reconhecimento de escrita (OCR), mas apenas em chinês (por enquanto, o Ming só é vendido na China). Também possui câmera de 2 MP, rádio*, MP3, bluetooth e slot para expansão de memória. Graças ao flip transparente, anotações e compromissos podem ser vistos com o telefone fechado

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O Nokia 3250 chama atenção pela sua concepção “twist”: as funções de áudio e a câmera são acionadas com a rotação da base do aparelho. Possui MP3, câmera de 2 MP (faz fotos panorâmicas), bluetooth, slot para cartão de memória, comando de voz, viva-voz, gravador e teclas dedicadas para controle do áudio (no verso da base)

Entretenimento é o foco no Q-fi EF51 (acima), da Benq Siemens, e seu design é um reflexo disso: além de migrar para fora do aparelho, ocupando um lugar à parte, os controles de áudio remetem aos botões dos aparelhos tradicionais, com os mesmos símbolos, facilitando sua identificação e o uso. Compacto, possui, além do MP3, rádio*, slot para cartão de memória, câmera de 1,3 MP, bluetooth e acesso à internet

Abaixo, Sony Ericsson W710i: permite medir a velocidade da corrida, a distância e o tempo percorridos ou apenas contar o número de passos caminhados. As aplicações fitness e as funções de áudio podem ser controladas pelo display externo e acionadas com as teclas de acesso rápido, facilitando seu uso em movimento. Também possui MP3, rádio*, câmera 2 MP, bluetooth, slot para cartão de memória e acesso à internet

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O FUTURO DO CELULAR O cenário anunciado por Vinton Cerf para o Brasil já é

possível no final deste ano. A TV móvel, de sinal digital,

realidade no Japão: no início de julho, uma pesquisa do

também já está em testes em outros países, e deve che-

governo japonês revelou que o número de usuários de

gar ao Brasil até 2008. E as perspectivas são bastante

internet que acessam a rede pelo celular havia excedi-

otimistas. A Philips holandesa estima que dentro de dez

do, já em 2005, aqueles que navegavam a partir de

anos os telefones móveis substituirão as televisões; Leon

computadores. E a diferença era considerável: mais de

Husson, executivo da empresa, prevê que 50% dos apa-

3 milhões de pessoas!

relhos celulares virão habilitados para TV até 2013.

Outro indicador do sucesso do acesso à internet pelo

O pagamento móvel é uma das aplicações emergentes

celular é o correio do Google, que desde o início de ju-

dos celulares que tem sido mais aguardada, podendo

lho oferece interfaces criadas especialmente para se-

substituir os atuais cartões de débito. Com o uso da

rem exibidas em pequenas telas, como as dos celulares

tecnologia NFC (Near Field Communication), basta que

e as dos micros de mão. Já os serviços mais sofistica-

o usuário movimente o celular próximo ao terminal de

dos, como o Google Maps e o Google Earth, ainda devem

pagamento. O mesmo sistema ainda pode ser usado

demorar algum tempo para chegar às telinhas, devido à

como uma chave eletrônica para acessar a casa, o es-

complexidade do redesenho das interfaces exigido para

critório ou o carro, ou ainda para acessar transporte

essa adaptação.

público. Há quatro tipos de operação, conforme a fun-

Outras novidades podem ser esperadas no universo dos

ção a ser executada: “touch and go”, “touch and con-

celulares a curto e médio prazos, devendo torná-los

firm”, “touch and connect” e “touch and explore”. O

ainda mais imprescindíveis. No Reino Unido, por exem-

sistema ainda está em desenvolvimento, com projetos

plo, comprar música diretamente do celular (escutar na

pilotos sendo realizados em algumas cidades, como

rádio digital e depois comprar o arquivo MP3) já será

Xiamen (China) e Amsterdã (Holanda).

Abaixo, Sony Ericsson W950i: com impressionantes 4 GB de memória interna, permite o armazenamento de até 4 mil músicas. Sua tela sensível ao toque e o uso do stylus (caneta especial para escrita na tela) agilizam a navegação na internet; também possui reconhecimento de escrita (OCR), facilitando a inserção de dados. Além do MP3 player, possui rádio* e bluetooth

*Funções sujeitas à disponibilidade da operadora

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ABRE-TE SÉSAMO!

Abaixo, maçaneta Wave, design Luciano Devià para a Papaiz. Executada em Zamack (alumínio com resistência à maresia), está disponível com acabamentos em cromo fosco, cromado, oxidado, anodizado natural e anodizado ouro. Acompanha roseta redonda

Até há pouco tempo, quem quisesse comprar maçanetas com desenho diferenciado deveria procurar as importadas. Hoje, os fabricantes brasileiros investem em design – chegando, em alguns casos, a contratar profissionais famosos – e apresentam diversos modelos, aumentando as opções à disposição de profissionais e consumidores. E, é claro, respeitando a ergonomia

Acima, modelo Stella, design Silvano Basiglio para a Altero. Produzida em Zamack, nas versões cromo escovado, cromo acetinado, ouro, ouro escovado e antique brass. Acompanha roseta redonda

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A maçaneta Vougue, da Pado, foi desenvolvida pela equipe interna da empresa. Executada em alumínio cromado, vem acompanhada de roseta redonda em aço inoxidável

Assinada pelo designer Dennis Karassawa, a Volare, da Papaiz, é executada em Zamack, com acabamento em cromo fosco, cromado ou oxidado. Acompanha roseta redonda

Disponível com os acabamentos cromo escovado, cromo acetinado, ouro, ouro escovado e antique brass, a maçaneta Luna (MA118), da Altero, é feita em Zamack e foi criada pelo designer italiano Silvano Basiglio. Acompanha roseta redonda

A linha Bamboo, criada pelo arquiteto Jefferson Silveira para a Papaiz, é executada em Zamack e pode ter acabamento em cromo fosco, cromado ou oxidado. Acompanha roseta quadrada

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Maçaneta Ecco, em Zamack, criada pelo designer italiano Silvano Basiglio para a Altero. Pode ter acabamento em cromo escovado, cromo acetinado, ouro, ouro escovado ou antique brass. Acompanha roseta redonda

Da La Fonte, modelo Inova 242 desenvolvido pelo designer Márcio Mussi, disponível nos acabamentos cromado, cromado perolado, antique brass e pintado preto fosco epóxi (PPF). Acompanha roseta redonda

Maçaneta Malba, fabricada pela IMAB e com desenvolvimento interno da empresa. Pode ser adquirida em latão ou Zamack, com acabamento cromado, cromo acetinado ou antique brass. Roseta quadrada opcional

Da Altero, modelo Luna (MA108) criado pelo designer italiano Silvano Basiglio. Produzido em Zamack, com opções de acabamento em cromo escovado, cromo acetinado, ouro, ouro escovado e antique brass. Acompanha roseta quadrada

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UM MATERIAL DESCARTADO... ...que, com a sensibilidade de uma designer, se transforma no principal componente formal de uma bela coleção de objetos

Keila Bis / Fotos Studioleco “Não fui eu que achei os retalhos, eles me acharam.” Quem fala é a designer Jacqueline Terpins, descrevendo o momento em que visitava a fábrica da Riva, em Caxias do Sul (RS) e encontrou o material que orientou a concepção da linha lançada pela empresa. A história começou quando a designer foi convidada pelo proprietário, Rubens Simões, a desenvolver uma coleção de 30 utilitários para mesa, com liberdade total para criação. “A Jacqueline trabalha com vidro, um material que usamos muito em nossas linhas, e eu sempre me identifiquei com as características das suas criações, simples e contemporâneas”, explica.

Nas duas páginas, produtos da linha Trama, design Jacqueline Terpins para a Riva. Nesta página, à esquerda, saladeira redonda; no alto, bule de chá. Os detalhes geométricos de ambos têm origens em retalhos de aço inox, “resgatados” com sucesso pela designer

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Os retalhos de aço

moldes precisaram ser criados. Os retalhos vazados po-

vazado que foram encon-

deriam enroscar, por exemplo, na hora do polimento.

trados empilhados eram sobras da produção de ou-

No entanto, todo o investimento nessa nova criação não

tras linhas e logo seriam revendidos para a Acesita,

foi perdido. “As peças são compostas por 50% de tramas

mesma indústria onde o material é comprado. “Mas

(os tais “retalhos”) e a outra metade constitui a matriz.

eu me encantei pelo desenho delicado e pelas novas

Portanto, sem a trama nós podemos usar o molde em

espessuras dos filetes geométricos”, conta. A partir

outras linhas”, explica Rubens. Para os artesãos, todo

daí, as tramas foram a base de todo o projeto. Ao ver

esse processo também foi um grande desafio, pois tive-

o material, a designer imediatamente associou-o à

ram que desenvolver um novo método de trabalho –

prataria portuguesa, com suas formas “rendadas”. As-

essa é a primeira vez que uma artista do vidro desenha

sim, buscou criar peças que combinassem a geome-

uma linha para a empresa e também o primeiro mo-

tria a essa referência lusitana, bastante presente no

mento em que se utiliza o material que seria descarta-

Brasil. Além disso, os produtos deveriam ser simples,

do. A coleção, lançada em agosto na feira Abup, rece-

permitindo à matéria falar por si mesma.

beu o nome, apropriado, de Trama e está disponível

Para que as peças pudessem ser desenvolvidas, novos

em aço inox e em prata. ❉

Os detalhes vazados – com função estrutural ou apenas decorativa – proporcionam leveza e movimento às peças da coleção. À direita, suporte para travessas; acima, centro de mesa oval; no alto da página, bandeja retangular

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ORA DIREIS...SIMPLES SAPATOS? Um sucesso internacional chega a São Paulo. Desta vez não é uma grife de luxo – mas um universo de conforto, design, humor... e outros valores da modernidade. Razões para seu enorme sucesso? A força da marca, baseada Miguel Czernikovski

na coerência encontrada em cada detalhe – dos sapatos ao food design, ao hotel. Quando o design se pasteuriza e todos imitam todos, é sem dúvida a originalidade aliada à força da A comunicação da marca Camper também é tratada com muito cuidado. No alto da página, pôsteres promocionais – considerados marcos para o desenho gráfico contemporâneo espanhol; acima, modelos de sacolas com mensagens e desenhos sobre liberdade e inovação

marca que faz a diferença. O que é ser original? É ser o primeiro a pensar aquilo que depois todos irão copiar Maria Helena Estrada

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Acima, à esquerda, Camper Food Ball, em Barcelona, um espaço para alimentação sem mesas ou cadeiras, mas com extensos bancos – degraus com almofadas de onde se assistem a vídeos com imagens da natureza; na sequência, duas vistas do hall de entrada do hotel Casa Camper, em Barcelona, com bicicletas penduradas no teto para uso dos hóspedes. Abaixo, um dos locais para escolher e servir-se dos alimentos

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O modelo Wabi, em silicone, tem palmilha de fibras de coco, que atuam como regulador tĂŠrmico. Pode ser usado com ou sem a meia impermeĂĄvel, vendida separadamente

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Simplesmente andar – esta é a idéia que orientou o desenvolvimento da Camper, marca espanhola de calçados, com 170 anos de tradição. “Walk, don’t run”, tornou-se slogan publicitário, símbolo dessa nova onda. “Very, very cool.” Camper é sinônimo de contemporâneo avançado. Sintetiza bem-estar, bem vestir e bem caminhar. Quem são os “descobridores” do conceito, os criadores dos sapatos? Uma família de Marbella, Espanha, que conta com a própria tradição e com aquela, bem famosa, das “espadrillas” de Barcelona, em corda e lona, com fitas coloridas para amarrar. Para que público se destina a Camper? Sem dúvida para os modernos, mulheres que abominam o salto agulha, homens muito chiques e esportivos. Suas lojas estão hoje espalhadas por mais de 60 países e São Paulo acaba de receber o primeiro espaço brasileiro, que mantém sua identidade também no layout das lojas, com grandes bancadas nas quais são expostos os modelos e, ao mesmo tempo, são ocupadas por finas almofadas, redondas, em palha trançada. Como a Camper é, a bem dizer, sinônimo de uma nova forma, natural e sadia, de viver, a consequência lógica foi a criação de um espaço gastronômico – um food design – com interiores e comidas desenhadas pelo catalão Marti Guixè. Barcelona e Berlim já têm seu Food Ball. “Da terra à mesa”, dos alimentos às almofadas, iguais às das lojas, nos degraus, do conceito de bioconstrução para o espaço aos pratos e talheres biodegradáveis, tudo faz parte da mesma filosofia. O que se come no Food Ball? Bolinhas de arroz integral recheadas de frango, de ervilhas, de algas, de anchovas, alguns molhinhos, e ainda sopas, frutas, tâmaras, sucos, cerveja de cânhamo... O que mais faltaria como demonstração da extrema preo-

Acima, outro modelo da linha Wabi; abaixo, Twins, linha criada para aproximar a marca do mundo da arte. Cada pé tem personalidade própria, expressada por diversos motivos de pintura e até mesmo de fotografia

cupação com o conforto nesse viver descontraído? Um hotel, a Casa Camper. Os diferenciais? A fachada quase imperceptível dá entrada para um hall que mais parece uma galeria de arte ou loja de bicicletas – há dez bicicletas penduradas no teto, disponíveis para os hóspedes. Um bar self-service “com tudo dentro”, grátis, aberto 24 horas por dia. Cada quarto tem dois aposentos, separados pelo corredor de circulação: um para dormir, voltado para uma rua silenciosa e de frente para um jardim vertical; o outro, em frente, é o espaço de estar, totalmente equipado para o trabalho e o lazer! Isto sem contar os 43 ARC DESIGN

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Acima, linha Right: sua criação foi inspirada no mundo das bailarinas e das ginastas tanto no aspecto quanto no conforto. No pé da página, exemplos do uso de grafismos nas solas, um recurso bastante explorado nos sapatos da marca

Acima, modelo Peu – pé, em catalão – da coleção feminina, desenvolvido para se adequar ao pé, e não o contrário. É produzido por meio de molde com o formato exato de um pé; versões em pelica com cadarço de elástico

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Presente em todas as coleções da marca, o modelo Pelotas Ásia tem grande durabilidade, podendo ser usado de cinco a oito anos. Feito em couro, possui sola em poliuretano com saliências na forma de bolas que massageiam os pés

Acima, outro modelo da linha Right, cuja palmilha anatômica absorve os impactos do caminhar; abaixo, mais um modelo da linha Wabi feito manualmente com fibras de juta de Bangladesh

chinelinhos e todas as invenções possíveis para o máximo conforto dos hóspedes. Mas vamos aos sapatos. A coleção exemplifica o bom design, onde um pequeno detalhe faz toda a diferença. Os solados são em poliuretano, finos, antiderrapantes. Alguns modelos são sóbrios, quase clássicos, outros são divertidos, há os irônicos, os lúdicos, os unissex, aqueles totalmente em borracha com o suporte das palmilhas em raspa de coco, e um grande sucesso é aquele a meio caminho entre o sapato e a sandália... uma infinidade de pequenas idéias. Uso de tendências da moda? De leve, bem de leve. As coleções são cheias de surpresas e a sensação de bem-estar é maior do que andar de pé no chão. Mas, sereno e em paz, “walk, don’t run”. ❉ 45 ARC DESIGN

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SP DESIGN WEEK O design em suas diversas vertentes se une em São Paulo, no mês de junho, em uma grande semana: é a São Paulo Design Week, uma série de manifestações em torno ao design de produtos, design de interiores, design gráfico, com exposições em museus, seminários... e festas

Da Redação Design Week é hoje um evento internacional presente em quase todas as capitais européias. É um momento de sinergia, que envolve a cidade, os profissionais e o público “louco por design”. É a oportunidade para cada empresa mostrar sua produção anual, as escolhas internacionais e os caminhos da atualidade nos diversos campos do design. É também uma ocasião para entender e discutir o “design hoje”, e por que não, uma boa hora para festejar. ARC DESIGN percebeu tal sinergia e “reuniu” todas as manifestações do mês de junho, criando a Semana do Design – agora um evento anual no calendário da cidade. Em parceria com a Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD), o Núcleo de Decoração e o Shopping D&D, a revista promoveu um seminário internacional e um circuito interligando as lojas e show-rooms especializados na região dos Jardins. O arquiteto e jornalista italiano Enrico Morteo foi o convidado especial do seminário “Design Hoje”,

Abaixo, alguns momentos do seminário realizado no WTC Hotel: à esquerda, vista do auditório; ao centro, da esquerda para a direita, Maria Helena Estrada, Ricardo Scura, Enrico Morteo, Fernando Campana, Humberto Campana e Brunete Fraccaroli durante o seminário; à direita, Marcelo Rosenbaum durante sua apresentação

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Nesta pรกgina, flashes da festa comemorativa da SP Design Week, realizada na Oca. Acima, os convites criados para os eventos; abaixo, da esquerda para a direita: vista geral da festa; Cristiano Barata e Marcos Weinstock; Mauro Gonรงalves, Baba Vacaro e Marton; Fernanda Sarmento, Tadeu Jungle e Marieta Ferber

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realizado em parceria com a ABD, que reuniu ainda o arquiteto Marcelo Rosenbaum e os designers Ricardo Scura e Fernando e Humberto Campana. Sucesso de público, o seminário teve mais de 400 participantes e os textos das conferências estarão, em breve, disponíveis no site www.arcdesign.com.br. Junho é o mês da Casa Cor, manifestação que acontece há 20 anos em São Paulo, e está cada vez mais afinada com o viver contemporâneo. Também na Casa Cor se realizou um seminário que discutiu a evolução do morar nas duas últimas décadas e a expectativa do mercado para os próximos 20 anos. Outro evento que integrou a Design Week foi a 1ª Bienal Brasileira de Design, promovida pelo Movimento Brasil Competitivo com apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Com curadoria do professor Fabio Magalhães, a mostra O tour pelas principais lojas de design e decoração da cidade movimentou São Paulo. Acima, o Museu da Casa Brasileira, ponto de partida das vans, e alguns dos monitores que acompanharam os passeios. Abaixo, nas duas páginas, as lojas participantes

A Lot Of

Artefacto

Auping

Benedixt

Bom

Dominici

Dpot

Etel Interiores

Firma Casa

Form

Ornare

Puntoluce

Rimadesio

Safira Sedas

S.C.A

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foi realizada na Oca, espaço também escolhido por ARC DESIGN para comemorar a SP Design Week, com uma grande festa. No campo do design gráfico, aconteceu a 8ª Bienal Brasileira de Design Gráfico, promovida pela ADG Brasil. A presença do Museu da Casa Brasileira, sede consagrada do design em São Paulo, não poderia faltar. Na ocasião, o Museu exibia a incrível mostra de Guto Lacaz sobre nosso primeiro designer – Santos Dumont – e, para completar, festejava-se o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, vencedor do Prêmio Pritzker 2006. Era também do Museu da Casa Brasileira e da Casa Cor que partiam as vans para o “circuito da decoração”, o prestigiado “tour” pelas mais importantes lojas de São Paulo. Aguardem a São Paulo Design Week 2007! ❉ Agradecemos aos patrocinadores que nos apoiaram nesta primeira edição: Casa Brasil, S.C.A., Shopping D&D, Suzano Papel e Celulose e Tok & Stok A visita orientada e a troca de experiências entre os profissionais garantiram o sucesso do tour. Acima, a proprietária da loja Collectania, Liliana Tuneu (em primeiro plano, à esquerda), conversa com os arquitetos e designers de interiores durante uma das paradas

Bom Clima

Breton Actual

Casa 21

Conceito: Firma Casa

Forma

Futon Company

La Lampe

Manufatura

S.C.A .

Santa Mônica

Sartoria Italiana Armadi

Zona D

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Imagens © Arquivo Charlotte Perriand

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CHARLOTTE PERRIAND

UMA ARTE DE VIVER Um “bar sob o telhado”, mansarda na Paris de 1927, lança aquela que, resoluta e com o pensamento sempre voltado para o futuro, abriria novos caminhos na forma de habitar do século XX. Arquiteta, designer, colaboradora de Le Corbusier, Charlotte Perriand percorreu o século, de 1925, data de seu primeiro projeto, aos 22 anos, até 27 de outubro de 1999, quando morreu, um ano após publicar sua autobiografia

No alto da página, Charlotte Perriand e sua doce alegria, nos Alpes que amava. Acima, um dos primeiros exemplares da chaise-longue de regulagem contínua, com a jovem Charlotte. Abaixo, versão da chaise-longue como exemplo da transposição para o bambu de uma técnica criada para o aço, realizada no Japão

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Acima, “bar sous le toit”, em aço cromado e alumínio anodizado, na mansarda onde Charlotte Perriand habitava, exposto no Salão do Outono, Paris, 1927. Abaixo, modelo original da poltrona Grand Confort. No pé da página, com estrutura em tubos cromados, sala de jantar com mesa extensível (o tampo “escorrega” para dentro da base próxima à parede) e cadeiras giratórias. Salão dos Artistas Decoradores, Paris, 1928

Maria Helena Estrada “Mulher de seu tempo, avançando sempre, sem jamais

A mulher, vital, esportista,

perder seu norte”, escreve Elisabeth Vedrenne no livro

vanguardista também em seu

“Charlotte Perriand” (Ed. Assouline, Paris, 2005). Pionei-

modo de viver, de vestir e

ra do modernismo, ela repensa e projeta, antes mesmo

comportar-se, sintetizava a

do encontro com Le Corbusier, o que seria o início de

própria noção da casa contem-

um novo conceito de habitar.

porânea ao afirmar que “mais vale passar um dia ao

Sua aventura criativa começa quando, ainda estudante,

sol do que a tirar o pó de objetos inúteis”.

participa do Salão de Artes Decorativas, Paris, em 1925.

Em 1927 ingressa na equipe de Le Corbusier, encarre-

Dois anos depois comparece ao “Salon d’Automne”

gada dos projetos de móveis e equipamentos e, mes-

com o “bar sous le toit”, agora reproduzido na mostra

mo hoje, é difícil dizer até que ponto recebeu influên-

sobre sua obra, em exibição na Bienal Brasileira de

cia ou influenciou o mestre na criação de sua famosa

Design, edição 2006, na Oca, São Paulo.

coleção de mobiliário.

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Com uma forte consciência política e social, talvez um dos motivos de seu afastamento de Le Corbusier, ela perseguiu toda sua vida o ideal de criação de habitações para o maior número possível de pessoas e “a construção do alojamento do homem, não a partir da fachada, mas de seu gesto, de seu corpo”, escreve Marie-Laure Jousset, conservadora e chefe da coleção Design no Pompidou, na introdução ao catálogo da mostra. Em sintonia com seu pensamento, o Japão foi decisivo para a obra de Perriand. No início de 1940, recebe convite para atuar como conselheira para o design junto ao Ministério do Comércio do Japão. Sua função seria a de criar obras de arte decorativa, ou seja, móveis e objetos. Contratada por um ano, Perriand é retida pela guerra, transfere-se em 1943 para a Indochina, onde se casa e, em 1946, é repatriada para a França. No Japão, já havia travado conhecimento com artesãos e todas as suas técnicas; em Hanói, organiza uma grande exposição de artesanato. São dessa época, e com forte influência oriental, alguns dos móveis agora reeditados pela Cassina e presentes na mostra, como a mesa Éventail, além da versão da chaiselongue em madeira e bambu. Gestos, formas e técnica, é assim que ela define sua passagem pelo Japão, onde reforça sua percepção de volumetria do espaço e a noção de vazio. Toda a sua obra é pontuada pelo estudo das condições do habitar, do mínimo

© Tommaso Sartori / Cassina

necessário capaz de permitir o vazio. Entre 1946 e 1949, volta a colaborar com Le Corbusier, convidada a projetar os equipamentos para a célula-tipo das Unidades de Habitação de Marselha, França. Entre 1962 e 1968, Charlotte Perriand vem diversas vezes ao Brasil, primeiro para a realização de um projeto em parceria com Ana Maria Niemeyer. “Se eu pensava aproveitar peças e soluções já aprovadas, logo compreendi que só se projeta bem no próprio local da obra. O Brasil não é o Japão e o Rio não é Paris. A natureza é exuberante e uma sólida arte barroca marcou o país.” Charlotte Perriand “mergulhou” nas treliças de bambu, nos azulejos, nas redes, no jacarandá. Na década de 1980, Perriand vem a São Paulo para inaugurar uma exposição sobre sua obra, no IAB. Fala para centenas de pessoas aglomeradas no auditório, dentre as quais Pietro Maria Bardi e um comovido arquiteto, Julio Katinsky. É nessa oportunidade que visita Lina Bo Bardi, encontro emocionante de duas grandes mulheres que se 52 ARC DESIGN

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Acima, quarto de estudante, Maison de la Tunisie, na cidade universitária, Paris, 1952: um dos muitos ambientes compactos estudados por Charlotte Perriand, nos quais era mestra em racionalizar espaços. Abaixo, um dos últimos grandes projetos de Perriand com o arquiteto Gaston Regairaz: fachada norte do primeiro hotel-residência na estação de esqui Les Arcs, um conjunto de três grandes prédios, cada um a uma cota de altitude: 1.600, 1.800 e 2.000 metros, com um total de 30 mil leitos. Perriand dirigiu a equipe de arquitetos e engenheiros e trabalhou no projeto por 16 anos, de 1967 a 1982. Na página ao lado, no alto, protótipo de 1950, de cozinha-bar para as unidades habitacionais de Marselha, famoso projeto arquitetônico de Le Corbusier; no centro, banheiro compacto, de 1952; embaixo, mesa Éventail, realizada no Japão e reeditada em 2005 pela Cassina, Itália

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Acima, Casa de Chá concebida para o Festival Cultural do Japão na Unesco (1993): construída no centro de um bambuzal, sua estrutura também é feita com bambus presos ao chão, “aprisionados” na coroa de madeira, e se curvam sob o peso do guarda sol em “mylar”

admiravam, mas jamais haviam se encontrado.

é a volta à normalidade, ou ao “supernormal”, como de-

É também nessa década que a arquiteta inaugura sua

claram Jasper Morrison e Naoto Fukasawa ao enunciar

última grande obra, a esplêndida estação de esqui, Les

o novo conceito. Objetos simples, em sintonia com o uso

Arcs, em Tarentaise, nos Alpes franceses, da qual faz

cotidiano, de vida longa. E originais em sua concepção.

parte uma residência-hotel com 30 mil quartos.

“Copiar é roubar.” Era com essa frase que Charlotte

Um século de arquitetura e design. A partir do início do

Perriand iniciava suas conferências. ❉

século XX, quando “nasce” o design, este já se espelhou na arte, traduziu seu tempo, já passou por grandes invenções, por geniais criações, até cair no atual marasmo dos revivals e cópias. O que estará para acontecer? Uma retomada da ordem natural, tendência emergente, 54 ARC DESIGN

BIBLIOGRAFIA VÉDRENNE, Elisabeth. Charlotte Perriand. Assouline: Paris, 2005 Charlotte Perriand. Centre Pompidou: Paris, 2005 Charlotte Perriand – Un Art de Vivre. Musée des Arts Décoratifs / Flammarion: Paris, 1985

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A diversidade da arquitetura japonesa e a inventividade de seus criadores podem ser conferidas num dos mais recentes lançamentos da Taschen, o livro “Architecture in Japan”, que reúne trabalhos recentes de 17 escritórios japoneses. Escrito por Philip Jodidio, que por mais de duas décadas foi editor da revista francesa Conaissance des Arts, o livro traz um panorama da arquitetura japonesa contemporânea, formada por edifícios de naturezas variadas, mas com um denominador comum: a alta qualidade construtiva, seja nos edifícios high-tech, construídos com materiais de ponta, ou naqueles executados com técnicas tradicionais, como o concreto e a madeira Winnie Bastian

Nas duas páginas, Louis Vuitton Roppongi Hills, projeto de Jun Aoki em parceria com os arquitetos Eric Carlson (da Louis Vuitton) e Aurelio Clementi. A fachada é composta por inúmeros cilindros de vidro com 10 centímetros de diâmetro e 30 de comprimento. Ao mesmo tempo que gera um interessante efeito de fragmentação da paisagem para quem está no interior da loja, este recurso permite que a fachada ostente o logotipo da empresa em grandes proporções sem agressão ao entorno

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ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA JAPONESA

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Jodidio introduz o tema levantando questões fundamentais para a compreensão da arquitetura japonesa, como a alta densidade populacional urbana (fenômeno que se intensificou sensivelmente após a Segunda Guerra Mundial) e a “noção de fragilidade perene”, resultado das catástrofes que atingiram o país. “Os sucessivos desastres, alguns naturais e outros por ação do homem, moldaram, por exemplo, a face contemporânea de Tóquio”, afirma. O autor também menciona a influência que arquitetos ocidentais exerceram na arquitetura do país, desde o século XIX, com o inglês Thomas Waters (responsável pela reconstrução da ala sudeste do Palácio Imperial de Meiji, destruída em um incêndio), até tempos recentes, com Frank Lloyd Wright (autor do Hotel Imperial, em Tóquio, finalizado em 1922 e demolido em 1967) e Le Corbusier (com o projeto do Museu Nacional de Arte Ocidental, em Tóquio, 1959).

“Um submarino, cuja torre é o periscópio.” Assim os arquitetos Takaharu e Yui Tezuka descrevem seu projeto para o Museu de Ciências Naturais de Matsunoyama. O edifício, “submerso” em neve durante boa parte do ano, é um grande tubo de aço corten que serpenteia por 111 metros seguindo a topografia do terreno, e foi projetado para responder à dilatação que sofre no verão. A torre de observação, com 34 metros de altura, é o único elemento do projeto com fundações normais

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O livro apresenta ao leitor os principais arquitetos japo-

elementos, as outras duas têm seu ponto de partida

neses, classificados em três grupos: os mundialmente

na relação com a natureza.

consagrados (Arata Isozaki, Yoshio Taniguchi, Fumihi-

Projeto de Jun Aoki, a loja Louis Vuitton de Roppongi

ko Maki, Hiroshi Hara, Tadao Ando e Toyo Ito), os pro-

Hills (2002-2006) foi concebida como “uma coleção de

fissionais em ascensão (Kazuyo Sejima & Ryue Nishi-

unidades circulares simples com 10 centímetros de

zawa, Kengo Kuma, Shigeru Ban, Shuhei Endo, Jun

diâmetro, tanto no interior como no exterior”, explica

Aoki e Makoto Watanabe) e aqueles promissores (Ma-

o arquiteto. A fachada é composta por mais de 28 mil

saki Endoh, Makoto Yokomizo, Takaharu & Yui Tezuka

tubos de vidro transparente encaixados em dois pai-

e Hitoshi Abe). Cada obra é acompanhada por um texto

néis refletores de aço inox, perfurados para o encaixe

de apresentação (também em português) e os dados do

dos tubos. “Esses elementos, que fazem lembrar um

escritório, como endereço e website.

olho composto, provocam efeitos difusos e captam as

Os projetos aqui publicados são uma pequena amos-

luzes e as cores mais próximas, mudando sutilmente

tra das obras que ilustram o livro, selecionadas para

de aspecto”, revela Aoki.

demonstrar diferentes abordagens da arquitetura e,

Também seguindo a lógica do acúmulo, mas de maneira

assim, resultados também diversos. Curiosamente,

bastante distinta, o Museu de Arte Contemporânea do

podemos verificar uma certa proximidade entre elas:

século XXI (2002-2004), em Kanazawa, projetado pelo

enquanto duas são concebidas a partir do acúmulo de

escritório Sanaa, de Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa,

Quatro amplas janelas de Perspex (com 75 milímetros de espessura) em pontos estratégicos permitem a entrada da luz (abaixo), em grande parte do ano filtrada por uma densa camada de neve: com sensibilidade, os arquitetos tiram partido das condições naturais do lugar, permitindo que os visitantes observem a mudança da luz e das cores refletidas pela neve, seja dentro do museu, sob a neve, ou a partir da torre de observação, com a visão de todo o conjunto coberto de branco

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foi construído a partir da junção de peças de formas e tamanhos diversos, unificadas por um grande círculo. Ao combinar galerias de várias proporções e condições de iluminação – de espaços com clarabóias até outros sem qualquer luz natural, com pé-direito oscilando entre 4 e 12 metros –, esse conceito permite grande variedade na qualidade dos espaços, comportando exposições dos mais diversos tipos. Ainda buscando a flexibilidade de usos, as áreas de circulação foram projetadas para poderem ser utilizadas como espaços de exposição adicionais. Toyo Ito, por sua vez, buscou inspiração na natureza para conceber o edifício da Tod’s (2002-2004) em Omotesando, famoso distrito da moda em Tóquio. As paredes externas, em concreto e vidro, foram criadas a partir da sobreposição das silhuetas de nove árvores zelkova, espécie característica das ruas locais. Além de seu impacto estético – o edifício destaca-se do entorno, povoado por outras construções assinadas por arquitetos famosos –, as árvores de Ito atuam estruturalmente,

Acima e abaixo, fachada e interior de um dos pavimentos da Tod’s Omotesando, projeto de Toyo Ito. Num entorno repleto de edifícios assinados por arquitetos mundialmente famosos, o edifício se sobressai graças às “árvores” de concreto da fachada. Criadas a partir da sobreposição das silhuetas de nove zelkovas, as árvores de Ito também atuam estruturalmente, permitindo que os pavimentos fiquem livres de colunas

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direcionando as cargas para as fundações do edifício. O próprio arquiteto, normalmente bastante reservado, afirmou que o edifício “incorpora conceitos e técnicas na vanguarda da arquitetura contemporânea”. A natureza também foi determinante no projeto do escritório Tezuka Architects para o Museu de Ciências Naturais de Matsunoyama (2002-2004). Situado em uma região onde as nevascas são frequentes, o museu foi construído sem fundações profundas, uma vez que o edifício sofre uma dilatação de 20 centímetros durante o verão. Assim, os arquitetos Takaharu e Yui Tezuka projetaram um grande tubo de aço corten, fechado com chapas de 6 milímetros de espessura, capaz de suportar até 2 mil toneladas de neve. Aberturas estratégicas permitem que os visitantes “sintam a luz e as cores sob diferentes alturas de neve, desde os 4 metros de profundidade até 30 metros acima do nível do solo”, explicam os arquitetos, mostrando que a tradicional sensibilidade japonesa também se faz presente nos edifícios contemporâneos. ❉

Nesta página, Museu de Arte Contemporânea do Século 21, projeto de Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa: todos os ambientes foram “encaixados” em um círculo de 112,5 metros de diâmetro. Os visitantes são surpreendidos por um pátio interno com obras de arte permanentes, como a piscina falsa de Leandro Erlich, na qual uma lâmina d’água cobre uma folha de vidro, enquanto a piscina sob o vidro permanece vazia, e pode ser acessada pelos visitantes

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EMIGRE: A (R)EVOLUÇÃO DA TIPOGRAFIA

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Durante 21 anos e 69 edições, a revista Emigre foi a protagonista da vanguarda do design gráfico, definindo – e depois redefinindo – a trajetória do design gráfico exercido nos Estados Unidos. Um grande feito para uma revista que é desconhecida por muitas pessoas. A primeira edição da Emigre foi publicada em 1984 por Rudy VanderLans (e por outros dois holandeses, Menno Meyies e Marc Susan, que deixaram a revista a partir da quarta edição. Seu editor e designer, VanderLans, utilizou-a como um veículo para a exploração da cultura holandesa em um contexto norte-americano. No entanto, no começo da segunda edição, a revista se tornou uma vitrine para as fontes criadas por Zuzana Licko (esposa e sócia de Rudy), que esteve entre os primeiros designers a usar o então recentemente lançado computador Apple Macintosh

David Cabianca Inicialmente disponíveis em 1985, as primeiras fontes desenhadas por Licko – Emperor, Universal, Oakland e Emigre – exploraram as oportunidades dadas pela nova tecnologia das telas bitmap de resolução grosseira e impressoras matriciais para criar o que agora chamamos de fontes pixeladas ou “FlashTM”. Hoje achamos seus contornos serrilhados rudimentares, mas eles foram acréscimos bem-vindos para o que era um universo bastante limitado naquela época. O objetivo de Licko era moldar a tecnologia ao desenho das fontes tradicionais, o que criou belos resultados. VanderLans utilizou as novas fontes na tipografia da revista e elas logo se tornaram populares, atraindo compradores – o que levou VanderLans e Licko a concluírem que eles poderiam funcionar como uma oficina de fontes digitais e ter lucro com as vendas das mesmas. Com o fluxo corrente de novas letras desenhadas por Licko e outros designers, a revista tornou-se uma vitrine para idéias e um parque de diversões para o design gráfico.

No alto da página, Rudy VanderLans ao lado da coleção completa da revista Emigre. Ao fundo, sob o texto, exemplos da fonte digital Emigre, uma das primeiras desenhadas por Zuzana Licko, criada inicialmente como fonte bitmap – para ser usada somente na tela de computador, a 72dpi – antes do surgimento das fontes de alta resolução para impressão

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Nesta página, capas de Emigre no formato tablóide 285 x 425 mm. Em sentido horário: edição n. 1 (1984), que mostra a perspectiva dos profissionais que vivem ou viveram fora do seu país de origem e sua contribuição às duas culturas; edição n. 11 (1989), que aborda questões ligadas às mudanças no mundo do design gráfico provocadas a partir do lançamento do computador Macintosh; edição n. 30 (1994), que discute o ensaio “O Culto do Feio”, de Steven Heller; edição n. 14 (1990), que aborda questões de design gráfico através do olhar de designers suíços de destaque

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THE TROUB WITH TYPE Acima, edições 46 (1998) e 42 (1997): a primeira trata de fanzines e designers que criam as próprias publicações, enquanto a segunda discute a influência do custo e da tiragem no alcance da revista – a partir desta edição, a Emigre abriu espaço para anunciantes e passou a ser gratuita para o público formador de opinião. Abaixo, capa e páginas internas da edição n. 49 (1999), que republicou o “First Things First”, um manifesto aos designers, com artigos e entrevistas de vários críticos da cultura de consumo, como Kalle Lasn e Chris Dixon, respectivamente editor e diretor de arte da revista Adbusters

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UBLE PE Acima, páginas internas da edição n. 43 (1997), onde foi utilizada a fonte Base (c.1995), criada por Zuzana Licko. Ao centro, no fundo da página, variações da fonte Modula (c.1995), também desenhada por Licko. À direita, exemplo da fonte ZeitGuys (c.1994), composta por ilustrações, design Eric Donelan e Bob Aufuldish para a Emigre. Abaixo, à esquerda, páginas internas da edição n. 61 (2001), a segunda de uma série dedicada a expor a música alternativa e conectá-la ao design gráfico; na sequência, capa da edição 64 (2003), já no formato de livro de bolso, na qual a Emigre desafia os jovens designers a desenvolverem uma atitude crítica em relação ao próprio trabalho

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Acima, trecho de conto de John Fante, de 1939, reeditado pela Emigre Graphics em 2001 na fonte Dalliance (2000), design Frank Heine. No pé da página, Template Gothic (c.1990), design Barry Deck, outro exemplo de fonte do catálogo da Emigre que se tornou bastante popular. Na página ao lado, ao fundo, exemplo da fonte Matrix Script (c.1992), design Zuzana Licko

Combinando teoria e prática, a revista tornou-se um veí-

decoro? Quando o design gráfico acontece? Por que ele

culo para exibir novas fontes (trocadas constantemente)

tem a aparência que tem? Como alguém pode definir

em textos que desafiaram as bases do design gráfico. Os

“beleza”? Qual a importância dos diferentes modos de

anos de 1980 e 1990 foram tempos férteis e turbulentos

exercê-lo? Como o design gráfico pode resistir à mera

para o design. O impacto causado pela introdução do

função de “empacotar” a informação e vir a participar

computador pessoal e das impressoras domésticas reor-

ativamente em análises críticas? Emigre não procurou

ganizou a prática do design de uma forma nunca vista

responder perguntas, mas provocar uma resposta: as-

desde a vanguarda histórica dos anos de 1920: de re-

sim como orgulhosamente proclamava em suas primei-

pente, qualquer pessoa com um computador e uma im-

ras edições, era “uma revista que ignorava fronteiras”.

pressora poderia se tornar um designer gráfico! A tec-

O fato que Emigre estava escrevendo novas “regras”

nologia libertou o design gráfico dos limites da escala,

tanto quanto estava quebrando as antigas atraiu seus

do grid ortogonal e facilitou a manipulação das ima-

leitores. Cada edição era única. Em suas páginas, en-

gens. O computador permitiu transparência, sobreposi-

contravam-se debates sobre legibilidade, feiúra, experi-

ção de camadas e, em geral, uma sede por experimen-

mentação e os papéis da teoria, história e crítica, edu-

tação. Mas design e divertimento são trabalhos sérios e

cação, design, arte, tecnologia e autoria, para nomear

muitas questões deveriam ser discutidas. O que era

apenas alguns dos tópicos abordados. Emigre era a re-

essa coisa chamada “design gráfico” que requeria tanto

belde nas bancas de revista. Uma linha comum por trás

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Acima, fonte Blue Eye Shadow (c.1995), da família Apollo Program, criada por Elliott Peter Earls. No pé da página, a fonte Filosofia na versão unicase, com uma única altura para todos os caracteres – que normalmente seriam diferenciados em caixa alta e caixa baixa. Com a transformação da Emigre em uma revista cada vez mais teórica, Zuzana Licko sentiu a necessidade de tipos que permitissem boa leitura em textos longos. Na fonte Filosofia (c.1996), Licko fez uma interpretação pessoal da Bodoni, com menos contraste entre as hastes para facilitar a leitura em corpos pequenos

da direção editorial de VanderLans foi sua disposição

de uma forma imediata: eles seguravam um trabalho

para publicar as vozes de “jovens indignados” que esta-

de design gráfico na palma de suas mãos. Os layouts

vam descontentes com o “status quo”. Esses escritores

eram audaciosos, autorais e altamente não-ortodoxos,

eram normalmente jovens designers, estudantes e pro-

em face do design sério do modernismo corporativo

fessores recém-saídos da escola, que estavam desiludi-

dos anos 1970 e 1980. Emigre não somente pregou um

dos com o domínio da ortodoxia mantida por uma velha

sistema de valores de experimentação radical como

guarda conservadora e defensiva. De fato, diversas das

também o praticou. Sua disposição para desafiar a tra-

primeiras edições foram devotadas ao trabalho de estu-

dição preparou o caminho para designers como David

emigr

dantes de duas escolas que se tornariam conhecidas por

Carson e a revista Ray Gun popularizarem uma sofisti-

seu caráter experimental: Cranbrook Academy of Art,

cação visual que se tornaria conhecida como estética

em Detroit; e California Institute of the Arts, em Los An-

“desconstruída” no design gráfico e, no fim, o caminho

geles. Até hoje, o compromisso de VanderLans de apos-

que ela havia forjado não era mais “radical”, mas cons-

tar em vozes desconhecidas do design gráfico é sem pa-

tituía uma tendência.

ralelo no mercado editorial.

Em constante evolução, a partir da edição 33, a revis-

Com a revista Emigre, os leitores não eram apenas ca-

ta teve seu tamanho reduzido de um enorme tablóide

tivados pelo conteúdo teórico e crítico, frequentemente

de 285 x 425 mm para um formato mais convencional

provocativo, mas puderam também vivenciar os textos

de 216 x 280 mm e o conteúdo tornou-se mais auto-

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Acima, à esquerda, fonte Hipnopaedia (c.1997), composta por símbolos criados a partir da repetição e rotação de letras do catálogo da Emigre: os caracteres podem ser agrupados criando estampas; design Zuzana Licko. Na sequência, capa da Emigre n. 24 (1992), que comenta os bastidores da famosa revista Ray Gun, feita pelo designer gráfico David Carson. Abaixo, no fundo do texto, outro exemplo da fonte Modula e, no pé da página, exemplo de “flourishes” da fonte Dalliance. Esses floreios podem ser combinados de várias maneiras e também ligados ao início ou final de letras. Na página ao lado, a fonte Keedy Sans (c.1989), design Jeffery Keedy para a Emigre

reflexivo. Durante essa fase, teoria e crítica tornaram-

revista. A presença da internet e o fato de todo web blog

se mais proeminentes. Isso, por sua vez, foi seguido

ser capaz de dar vazão à crítica, ou mais corretamente,

por um número de edições que incluíram CDs do selo

“opinião comum” – não importa quão banal e secundá-

de música da Emigre e, finalmente, uma nova redução

ria –, fez a escrita coletiva de Emigre parecer, para al-

do formato para um livro de bolso, fortemente textual.

guns, acadêmica e de difícil compreensão. Então depois

Dentro das páginas havia escritos de críticos emergen-

de 21 anos, a revista Emigre chegou ao fim. Mas Emi-

tes e designers incluindo Lorraine Wild, Andrew Blau-

gre, a empresa de design, continua: Rudy VanderLans é

velt, Kali Nikitas, Anne Burdick, Jeffrey Keedy, Denise

também um talentoso fotógrafo e Zuzana Licko conti-

Gonzales Crisp, Diane Gromala, Kathy McCoy, Louise

nua a produzir fontes originais. Estamos todos esperan-

Sandhaus, Kenneth Fitzgerald e muitos outros. Rudy

do para ver até onde eles levarão o design gráfico. ❉

também desenvolveu um estilo de entrevistar que parecia casual para o leitor, mas era cuidadosamente criado para enfatizar linhas de pensamento que poderiam passar desapercebidas para um editor menos atento. As entrevistas incluem nomes como Ed Fella, David Carson, Steven Heller e Nick Bell. Ironicamente, talvez o sucesso da Emigre em difundir teoria e crítica tenha contribuído para o fechamento da 68 ARC DESIGN

David Cabianca ensina design gráfico na York University em Toronto, Canadá. Ele recebeu títulos da University of Reading, Cranbrook Academy of Art e a Master of Architecture da Princeton University

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Uma Publicação Quadrifoglio Editora ARC DESIGN n° 49, agosto/setembro 2006

Apoio:

Diretora Editora Maria Helena Estrada Diretor de Marketing Cristiano S. Barata Diretora de Arte Fernanda Sarmento

Apoio Institucional:

REDAÇÃO Editora Geral Maria Helena Estrada Editora de Design Gráfico Fernanda Sarmento Chefe de Redação Winnie Bastian Redatora Keila Bis Revisora Jô A. Santucci ARTE Designers Ana Beatriz Avolio Betina Hakim Estagiário Danilo Costabile Participaram desta edição Camila Lima David Cabianca Luis Calazans Luz Marcelo Lima Nelson Aguilar Departamento Administrativo-Financeiro Silvia Rosa Silva Departamento de Marketing Ana Thereza Gil, Guilherme Vilela Departamento de Circulação e Assinaturas Bernardete Jabra Tavares, Lúcia Martins Pereira Conselho Consultivo Professor Jorge Cunha Lima, diretor da Fundação Padre Anchieta; arquiteto Julio Katinsky; Emanuel Araujo; Maureen Bisilliat; João Bezerra, designer, especialista em ergonomia; Rodrigo Rodriquez, especialista em cultura e design europeus, consultor de Arc Design para assuntos internacionais Pré-impressão Cantadori Artes Gráficas Ltda. Impressão Prol Papel: Suzano Papel capa: Supremo Duo Design 250g/m2 miolo: Couché Suzano Silk L2 130g/m2 Distribuição nacional Fernando Chinaglia Distribuidora S/A

ARC DESIGN – endereço para correspondência Rua Lisboa, 493 – CEP 05413-000 São Paulo – SP Telefones Tronco-chave: (11) 6808-6000 Fax: (11) 3898-2854 E-mails Administração administracao@arcdesign.com.br Assinaturas assinatura@arcdesign.com.br Direção de Arte arte@arcdesign.com.br Editora editora@arcdesign.com.br Marketing mkt@arcdesign.com.br Publicidade comercial@arcdesign.com.br Redação redacao@arcdesign.com.br

Os direitos das fotos e dos textos assinados pelos colaboradores da ARC DESIGN são de propriedade dos autores. As fotos de divulgação foram cedidas pelas empresas, instituições ou profissionais referidos nas matérias. A reprodução de toda e qualquer parte da revista só é permitida com a autorização prévia dos editores, por escrito. Cromos e demais materiais recebidos para publicação, sem solicitação prévia de ARC DESIGN, não serão devolvidos.

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LOUCOS POR DESIGN

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Haron Cohen é o segundo convidado da série Loucos por Design. Acompanhe as escolhas do arquiteto, famoso pela qualidade de seu trabalho, tanto em arquitetura quanto em cenografia – é

ARC DESIGN – Quando e com qual objeto sua atenção foi despertada para o design? HARON COHEN – Os objetos que primeiro me chamaram a atenção foram os de

gastronomia, com formas incrivelmente diferenciadas, que chegavam a modificar nossa maneira de fazer e comer. Isso aconteceu quando cursei a faculdade de arquitetura, e explodiu alguns poucos anos após minha ida para um congresso de arquitetura em Helsinke, na Finlândia, onde os objetos com design fazem parte do cotidiano e da cultura. Foram meus primeiros objetos adquiridos.

de sua autoria o projeto expositivo da AD – A que você dá mais atenção: à forma, à utilidade ou ao material de que o

1ª Bienal Brasileira de Design, que

objeto é feito?

aconteceu entre junho e agosto na Oca,

HC – Nessa área do design, parece-me que o primordial é a função. Mas, na

em São Paulo Da Redação / Fotos Nelson Aguilar

verdade, os três elementos são igualmente importantes. Só então um objeto será considerado ótimo, sempre que acrescido de uma grande dose de emoção e sentimento. Para mim, a reflexão sobre a estética de qualquer objeto só é possível quando sofre uma análise sobre esses três elementos, possibilitando uma leitura de síntese, sem a qual não há história. AD – O que motivou a escolha das peças aqui publicadas? HC – A poltrona Sinbad, criada por Vico Magistretti, na década de 1980, é uma

experiência fantástica e notável de conforto e bem-estar, talvez a poltrona mais bem-resolvida que encontrei. Com seus braços largos, encosto alto e generoso e profundidade adequada, ajusta-se perfeitamente ao corpo. Ergonomicamente “senta-se” e “sente-se” uma nova postura de estar. A luminária Tizio, de Richard Sapper, tem importância histórica, pois causou uma transformação na maneira de projetar os objetos de iluminação. Coloca-se de forma delicada e esbelta no ambiente e pontua uma luz transparente e confinada ao que se quer iluminar. Suas três articulações permitem uma infinidade de combinações e, assim, diversas maneiras de iluminar. Quanto aos talheres de Tsubame Shinko, impõem uma nova e sutil maneira no comer, chegando ao limite mínimo do uso e mostrando que qualquer acréscimo empobreceria o objeto. Acima, talheres japoneses Tsubame Shinko, prêmio IF Design 1993. Abaixo, luminária Tizio, design Richard Sapper. Na página ao lado, Haron Cohen posa com a poltrona Sinbad, de Magistretti e, ao fundo, painel de José Roberto Aguilar

AD – Qual designer brasileiro você citaria como destaque? Por quê? HC – Gosto sempre de citar profissionais que tiveram uma relação designerempresa. A partir da década de 1960, dois deles fizeram essa relação com muita acuidade: Sergio Rodrigues (OCA) e Michel Arnoult (Mobília Contemporânea). Joaquim Tenreiro é outro designer que admiro. Na atualidade, citaria Fernando Prado, um jovem sério e talentoso, também ligado à indústria. Seu trabalho experimental na Lumini lhe rendeu vários prêmios no país e no exterior. AD – E quanto aos designers internacionais, há algum que você admire mais? Por quê? HC – Nomes importantes da Bauhaus, como Mies van der Rohe, Gropius e Breuer,

além de Aalto e Perriand. A partir da década de 1960, Magistretti – uma paixão, em qualquer proposta sua vislumbra-se algo de novo – e Arne Jacobsen – inovador na área do mobiliário e principalmente na área dos produtos em aço inox. Também Achille Castiglioni e Joe Colombo. São tantos... Dos atuais, citaria Ron Arad e a cadeira empilhável Tom Vac, perfeito casamento entre forma e função.

COMO ENCONTRAR

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OS ESPAÇOS DA MODA Art Mix (Oxford) Al. Lorena, 1.579, São Paulo www.artmix.com.br www.oxford.ind.br Daniela Thomas e Felipe Tassara danielathomas@uol.com.br felipetassara@uol.com.br Forma Av. Cidade Jardim, 924, São Paulo www.forma.com.br Jefferson Kulig Praça das Guianas, 56, São Paulo www.jeffersonkulig.com.br José Marton www.martonemarton.com.br Marcelo Rosenbaum www.rosenbaum.com.br Melissa Rua Oscar Freire, 827, São Paulo www.melissa.com.br O Estudio www.oestudio.com.br Osklen Rua Oscar Freire, 645, São Paulo www.osklen.com Tim www.tim.com.br WGSN www.wgsn.com

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