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ao o d n i v Seja bem o s r e univ dos

s o r r ca

! s e r sola


Justificativa A energia é essencial para manutenção e desenvolvimento da sociedade. A atual matriz energética do mundo utiliza predominantemente fontes não renováveis, que possuem muitas desvantagens quanto ao seu uso, pois elas prejudicam o meio ambiente, possuem reservas limitadas e algumas possuem alto custo de obtenção. Só o nome “não renovável” dá indícios de que, no futuro, o uso de fontes renováveis de energia se tornará não uma alternativa, mas sim uma necessidade. A maioria dos carros, atualmente, utiliza combustíveis derivados do petróleo, cujo processo de combustão emite CO2 em grande quantidade, além de outras substâncias nocivas ao meio ambiente e à saúde. Além disso, a eficiência de um motor de combustão é muito baixa (cerca de 25%) e somado o fato do crescimento do número de carros e da falta de manutenção dos mesmos, chegamos à conclusão que o problema tende apenas a crescer. Portanto, uma revolução no setor automotivo deverá ser feita e torna-se necessário colocar em pauta o uso de uma fonte renovável de energia aplicada aos carros. A energia solar é uma dessas fontes renováveis. Sua utilização nos carros contorna os problemas citados, pois se trata de uma energia renovável, limpa e abundante.

objetivo Inspirados nessa ideia que rodeia diversas equipes do mundo, o Solares foi criado na Universidade Federal do Espírito Santo por um grupo de amigos com um sonho em comum: Construir um carro solar. A ideia do carro solar é estudada e praticada por diversas universidades e os resultados têm sido bastante satisfatórios. Os desafios são grandes, mas o sonho é ainda maior. A equipe vem, desde então, trabalhando e se organizando em busca de realizar esse sonho.


a energia na história Domínio do fogo 30.000 AC

Descoberto há muito tempo, o fogo depois de dominado permitiu a iluminação e o cozimento dos alimentos.

Surge a agricultura

O vento na navegação

8.000 AC

1.000 AC

Já sendo usado junto ao remo pelas embarcações egípcias, com os fenícios o vento é capaz sozinho de mover barcos inteiros.

Após um período de escassez, o homem passou a armazenar o excedente de energia nas plantações e criações de animais.

Moinhos de ventos 1350

O vento era usado na Persia e na China para moagem de grãos. Mas foi com os holandeses que os moinhos ganharam 4 pás.

Energia elétrica 1882

A primeira aplicação se deu nos telégrafos. Em 1882 Thomas Edison construiu as primeiras usinas geradoras em CC para sistemas de iluminação. A exploração de uma jazida a 21m foi o marco inicial da idústria do petróleo. Cem anos depois, o petróleo viria a substituir o carvão como maior fonte primária de energia

Indústria do óleo 1859

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Com o propósito inicial de drenar água das minas, a máquina a vapor dispensava a tração animal e era indiferente as condições do tempo, além de desenvolver maior potência que os antigos meios.

Máquinas a vapor 1781


Contexto energético

A energia é essencial para manter a indústria, o estilo de vida da sociedade, além de desenvolver o planeta!

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O carvão mineral surge como o primeiro combustível utilizado nas máquinas a vapor após a Revolução Industrial, iniciando a dependência da sociedade em combustíveis não renováveis. Porém, em 1961 o petróleo substitui o carvão mineral e o mundo experimenta um desenvolvimento nunca visto antes, pois, até então, a abundância desse recurso na natureza fez com que seu preço inicialmente fosse reduzido. Refinando-se o petróleo, obtém-se matéria-prima para fabricação de muitos produtos, como, por exemplo, plástico, têxteis sintéticos, borrachas sintéticas, detergentes, combustíveis e outras tantas aplicações. Se por um lado a versatilidade do petróleo beneficiou o mundo com um grande desenvolvimento, por outro lado a crescente demanda por essas forma de energia também fez com que o mundo começasse a se preocupar com a oferta. A dificuldade de encontrar novos poços ficou cada vez maior. Os poços encontrados necessitavam de tecnologias avançadas para a exploração. A demanda e os problemas de exploração se somam e o preço do petróleo começa a subir, preocupando todas as empresas do mundo consumidoras de petróleo. Devido ao consumo descontrolado e abusivo de energias fósseis, o mundo passa hoje por uma situação problemática: Cada vez mais precisa-se de energia, e a cada dia que passa as reservas vão se esgotando. O pior de tudo é que não há uma forma de substituir o petróleo atualmente e a dependência por essa fonte é muito grande. A tabela abaixo ilustra o quadro energético de 2010. O gráfico 1 confirma o aumento no preço do petróleo desde a sua descoberta.

FONTE

BRASIL

MUNDIAL

Petróleo

35,3

43,1

Carvão mineral

23,2

6,0

Gás natural

21,1

7,5

Biomassa tradicional

9,5

8,5

Energia nuclear

6,5

1,8

Energia hidroelétrica

2,2

14,0

Biomassa moderna

1,7

23,0

Outras energias 0,5 0,1 renováveis Tabela 1. Composição da matriz energética mundial em porcentagem no Brasil e no mundo no ano de 2010. Fonte: IEA (Mundo) e MME (Brasil).

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Gráfico 1. Evolução do preço do barril de pretróleo desde 1989, saindo de 22,82 dólares para, aproximadamente, 105 dólares. Fonte:World Bank.

O problema se agrava quando se percebe os impactos ambientais que o uso de energias fósseis promove. A liberação de gases causadores do efeito estufa tem como consequência um aumento na temperatura da terra, aparecimento de fenômenos e catástrofes naturais como tempestades, inundações e secas em locais nunca antes afetados. A energia é a base para manter o atual modelo tecnológico e o estilo de vida contemporâneo, que exigem mais energia a cada dia que passa. Segundo o relatório da Agência Internacional de Energia, até 2040 o consumo de energia irá aumentar 56% e o esgotamento das reservas obriga a economia mundial a procurar outras formas de gerar energia e a disponibilidade das mesmas será decisiva.

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O Futuro: Energia renováveis

No futuro, o uso de energias renováveis se tornará não uma alternativa, mas uma obrigação.

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Os diversos fatores já citados levam-nos a pensar nas fontes renováveis de energia, como a solar e a eólica. Essas fontes, além de já serem consagradas como excelentes formas de obtenção de energia devido as suas inúmeras vantagens, ainda permitem aproximar os centros de produção às áreas de consumo, descentralizando os sistemas de energia. Isso reduz o custo da eletricidade e ainda evita o desperdício na transmissão e na distribuição, sem mencionar o fato de emitirem quase nenhum gás de efeito estufa. Por todas essas razões, elas serão indispensáveis no futuro. Apesar da maturidade econômica e técnica dessas novas tecnologias se encontrarem em níveis diferentes, elas existem em uma enorme variedade atraente e competitiva. Como a solar e eólica, já citadas anteriormente, temos também a biomassa, a energia oceânica e a geotérmica. Os novos investimentos nessas duas primeiras (solar e eólica) no ano de 2012 diminuiu em relação o ano anterior, 11% e 10% respectivamente, todavia a capacidade global de energia continuou a crescer fortemente devido a custos menores para ambas tecnologias, o que as permite atingir paridade em muitos mercados. A tabela abaixo ilustra a evolução e previsão do uso de energias renováveis no Brasil. Projeção de energias renováveis no Brasil (GW) 2010 2020 2030 2040 2050 Hidrelétrica

87

114

136

151

161

Biomassa

4,5

10,4

15

19

24

Eólica

0,9

15

24

35

44

0

0

0

0

0

0,4

1,1

3

8,0

Geotérmica

Solar fotovoltaica 0 (PV) Energia solar concentrada (CSP)

0

0

0,9

2,3

3

Oceânica

0

0

0

0,4

1

Total

92

140

177

211

240

Tabela 2. Projeção de energias renováveis no Brasil. Fonte: GreenPeace - Revolução energética

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Eólica É uma energia produzida por aerogeradores que são compostos por uma torre, um gerador elétrico e uma hélice. O vento faz com que as pás girem e o gerador transforma esse movimento em energia elétrica. Os parques eólicos podem ser onshore – localizados na terra - ou offshore – localizados no mar - sendo que o último gera mais energia que o primeiro. Na última década, essa energia se tornou uma das fontes que mais cresce no mundo e por isso tem atraído grandes investimentos. O Atlas Eólico Brasileiro estima que o potencial do Brasil chegue até 143 mil MW e segundo a Abeeólica – Associação Brasileira de Energia Eólica – com uma melhor medição e um aumento das alturas das torres esse número pode chegar até 350 mil MW.

Figura 1. Parque de energia eólica da Siemens no Mar do Norte.

Biomassa No Brasil, a bioeletricidade tem no bagaço da cana o seu principal substrato, porém, biomassa é toda matéria orgânica animal ou vegetal que pode ser usada para aquecer ambientes, movimentar veículos ou para gerar eletricidade. No caso da cana, após a extração do caldo ainda é possível queimar o bagaço em caldeiras gerando vapor que pode ser reutilizado na forma de calor ou alimentando turbinas para gerar energia elétrica – pode totalizar uma potência de 14 mil MW, o equivalente a usina de Itaipu -, esse processo é chamado de cogeração. O mesmo funciona como uma termelétrica, mas o combustível é renovável e as emissões de CO2 são reabsorvidas na safra seguinte.

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Solar Esse ramo apresenta duas grandes modalidades: fotovoltaica e o CPS – energia concentrada. A primeira é gerada por painéis que captam luz e transformam a radiação em eletricidade, e os mesmo possuem um conjunto de módulos e baterias recarregáveis, que podem armazenar energia elétrica para ser usada em dias de pouca incidência, como no dias nublados ou à noite. Dados do Atlas Solarimétrico do Brasil indicam que o Brasil produz até 2.300 kWh/m²/ano, isso indica que se 3% da área urbana do nosso país fosse coberta por painéis, um décimo da demanda brasileira seria suprida.

Figura 2. Maior usina solar do mundo na Califórnia.

A energia concentrada é uma produção similar com as termelétricas, a diferença resume-se na obtenção da energia que consiste no aquecimento de vapor quente em alta pressão, por meio de grandes espelhos ou calhas parabólicas que concentram luz solar em um ponto ou linha, que movimenta turbinas que geram eletricidade. Esses sistemas são apropriados para lugares com altos índices de radiação solar direta como o Nordeste do Brasil e podem ser armazenados para gerarem energia em horários de pico de acordo com a demanda, além de poder ser um sistema híbrido com biomassa ou combustíveis fósseis garantindo uma geração de energia mais estável.

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Energia solar avanços e desafios

Energia Solar: DisponĂ­vel em praticamente todo lugar, pronta para ser usada sem prejudicar o planeta!

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A tecnologia das células fotovoltaicas é recente e pouco desenvolvida, apresentando ainda baixa eficiência, entre 7 e 22%, além de ter muita sensibilidade em relação as condições de trabalho e possuir alto custo de fabricação. Por esses motivos, o uso dessa tecnologia se torna limitado, sendo mais restrito a aplicações residenciais e acadêmicas. Mesmo com todas essas dificuldades ainda se investe nessa fonte de energia. Por quê? A terra recebe energia proveniente do sol a uma taxa de 1,8x10^4 kW. No entanto, em média, somente 60% desta energia chega à superfície. Mesmo assim, se 0,1% desta quantidade fosse convertida em energia elétrica com um rendimento a 10%, seria quatro vezes a capacidade mundial de produção de energia. Além disso, essa forma de energia é limpa, abundante e não emite ruídos [6]. Devido a isso, a energia solar vem crescendo e ganhando novos investimentos ao redor do mundo, como as usinas SEGS nos EUA e Solnova Solar Power Station na Espanha, que tem capacidade de gerar 354 e 150MW, respectivamente. Para a confirmação do avanço da energia solar, basta analisarmos o gráfico abaixo, onde um aumento significativo de instalações fotovoltaicas é perceptível entre 2009 e 2011, principalmente no continente europeu.

Gráfico 2. Evolução das instalações fotovoltaicas nos continentes. Um aumento significativo houve entre 2009 e 2011. Final 2011: Total 70GW aproximadamente 0,9% da demanda mundial de eletricidade. Fonte: EPIA (European Photovoltaic Industry Association).

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Em 2012 um investimento de US$ 140,4 bilhões teria sido feito em energia solar, o que gerou 41% de aumento da capacidade solar fotovoltaica instalada no mesmo ano, ultrapassando 100GW. Estudos mostram que em 2016 a produção de energia solar no mundo pode ultrapassar a marca de 200GW sendo a China, a Alemanha e os Estados Unidos as grandes potências nessa geração. Com o crescente investimento nessa fonte de energia, seu uso chegou aos meios de transporte e tem se tornado um desafio para muitas empresas e instituições do mundo. A construção de um carro elétrico tripulado movido a energia solar é, portanto, uma inovação na questão de mobilidade urbana, que traz muitos benefícios, sendo a diminuição acentuada da poluição do ar o principal deles.

? Você sabia? ?

Globo de Broessel

Imagine se as tecnologia das células fotovoltaicas produzissem energia até durante a noite. Pode parecer impossível, mas não é! Um arquiteto alemão chamado André Broessel desenvolveu um meio de captar energia de modo muito mais eficiente. Em termos simples, eis como ele funciona: o globo de Broessel é enchido com água que amplia os raios solares em mais de 10.000 vezes, tornando possível captar energia da lua, ou até mesmo do sol em dias nublados.

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O veículo elétrico

Thomas Edison com seu veículo elétrico em 1926.

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O início: século XIX

A história dos carros elétricos começa em meados do século XIX. Desde o primeiro veículo elétrico, diversos avanços ocorreram nesse período, principalmente em relação à tecnologia das baterias. Além destas, conceitos como frenagem regenerativa e sistemas híbridos contribuíram para melhorar o desempenho dos carros elétricos. Na virada do século XIX, três tecnologias de propulsão concorriam no mercado de automóveis: o carro elétrico, a vapor e a gasolina.

Ascensão e queda: século XX

Em 1903, havia cerca de quatro mil automóveis registrados na cidade de Nova York, sendo 53% a vapor, 27% a gasolina e 20% elétricos. Em 1912, quando a frota de carros elétricos naquela cidade atingiu o ápice de 30 mil unidades, a quantidade de automóveis a gasolina já era trinta vezes maior. A partir de então, a trajetória dos carros elétricos seguiu em forte queda. Entre os principais fatores apontados para o declínio dos carros elétricos a partir de então, podem-se citar o sistema de produção em série de automóveis, desenvolvido por Henry Ford, que permitiu que o preço final dos carros a gasolina ficasse entre US$ 500 e US$ 1.000, o que correspondia à metade do preço pago pelos elétricos e a partida elétrica, que eliminou a manivela utilizada para acionar o motor dos veículos a gasolina e alavancou a produção de veículos a combustão, deixando a produção de veículos elétricos quase estática.

A reabilitação

Somente após a década de 1960, quando a opinião pública começou a se voltar para os problemas ambientais, os automóveis elétricos voltaram a atrair a atenção das grandes montadoras. Naquela época, o chumbo ainda era utilizado como aditivo para a gasolina, não haviam filtros nem catalisadores para conter as emissões e o automóvel era considerado uma das principais fontes da poluição atmosférica nas grandes cidades.

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A partir do ano de 1970, a questão ambiental passou a fazer parte do debate sobre a geração e o consumo de energia. Nesse contexto, a utilização dos carros elétricos era vista como uma das condições mais importantes para a sustentabilidade proposta. Em 1997, a Toyota lançou no mercado japonês o Prius, um sedã híbrido de quatro portas. No mesmo ano, a Audi lançou o Duo, o primeiro híbrido do mercado europeu, que se revelou um fracasso. A Honda, em 1999, foi a primeira empresa a lançar um híbrido no mercado americano, o Insight, que foi um sucesso imediato. Em 2000, o Prius também chegou ao mercado dos EUA, obtendo um sucesso muito maior que o esperado pela Toyota, efeito que se repetiu mais tarde no mercado europeu. Em 2003, a Honda lançou o Civic híbrido, com a mesma aparência e dirigibilidade do Civic convencional. Em 2004, a Ford lançou o Escape, um veículo utilitário esportivo, em versão híbrida.

Figura 4. O uso de carros híbridos pode diminuir em até 90% a poluição do ar (em condições ideais). No futuro, utilizando automóveis híbridos a diesel e movidos a célula de combustível, é esperada redução ainda maior da emissão, tendo como objetivo final a emissão-zero pelos automóveis.

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Projeto hórus A célula solar é a tecnologia mais importante do carro. É responsável por transformar energia solar em energia elétrica.

O motor é o componente responsável por movimentar o carro, transformando energia elétrica em mecânica.

As bateriais são responsáveis por armazenar a energia captada pelas placas e garantir certa autonomia ao carro. Desenho beta do Hórus - Veículo hibrído que está sendo projetado e construído pela equipe Solares.

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O chassi é a parte estrutural do carro, responsável basicamente por sustentar e acomodar o piloto e componentes mecânicos e elétricos.

O pedal é o componente responsável por transmitir a energia do ciclista para as rodas.


Critérios de desenvolvimento

Os critérios utilizados nas escolhas dos componentes se baseiam em 4 fatores principais: - Regulamento da competição - Preço - Benefícios ao meio ambiente - Disponibilidade no mercado O regulamento da competição limita as dimensões do carro, a área de placas solares, a capacidade máxima do banco de baterias, a velocidade mínima do veículo, os mecanismos de frenagem obrigatórios, os equipamentos de segurança a serem utilizados e mais alguns outros parâmetros relevantes na construção do veículo. O preço é um fator fundamental em um projeto de Engenharia. Os componentes envolvidos com a geração e armazenamento de energia solar ainda possuem um preço elevado, e como o Solares é um projeto recente e com verba limitada, muitas vezes o preço é mais relevante do que a eficiência dos componentes. O ponto mais importante do projeto é o fato de que ele trará um enorme benefício ao meio ambiente. Sendo assim, a escolha dos componentes deve levar em consideração os impactos que podem ser causados seja pelo uso do veículo, seja pelo descarte dos componentes ao fim de sua vida úti Como o projeto Solares não tem apoio financeiro direto da Universidade, precisamos buscar o apoio de instituições de fomento e de empresas. Dessa forma, a escolha dos componentes muitas vezes fica restringida a uma certa região onde as possibilidades de encontrar uma empresa disposta a apoiar é maior.

? Você sabia? ?

Significado do nome “Hórus”

Na mitologia egípcia, Hórus era um deus solar, filho de Osíris e Ísis, considerado como a manifestação do poder do Sol. Era considerado o “deus dos Céus” e ficou conhecido desde a primeira dinastia como HORAKHTI, que significa “Hórus do Horizonte” ou da “Terra do nascimento do Sol”. “Senhor das duas Terras, sob cujas asas está o circuito do céu, o falcão que irradia luz dos seus olhos”. Hórus será o primeiro carro desenvolvido pela equipe Solare.

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Tecnologias e materiais

1) Painéis Os painéis fotovoltaicos são responsáveis por fornecer parte da energia utilizada pelo motor elétrico para movimentar o veículo. Eles convertem a energia dos raios luminosos em energia elétrica graças ao efeito fotoelétrico, conceito que garantiu o prêmio Nobel a Einstein em 1921. Em algumas situações, como nos momentos em que a incidência de radiação solar excede a demanda energética do motor, o banco de baterias é carregado. A escolha dos painéis solares deve considerar o máximo aproveitamento da área disponível de acordo com a legislação da competição. A área máxima disponível para tal aproveitamento seria de 4m² e as dimensões máximas são 2 e 5 m de larguda e comprimento, respectivamente. Outro importante ponto a ser observado é a tensão dos painéis, que depende dos outros componentes do sistema.

Atualmente os modelos de painéis mais utilizados são os de silício policristalino e monocristalino, sendo este mais eficiente e com um custo maior.

2) Baterias Em aplicações que utilizam a energia solar precisamos de uma forma de armazenamento para suprir a demanda do sistema em períodos de pouca ou nenhuma radiação. Uma das formas mais utilizadas são as baterias de chumbo-ácido, devido à sua robustez e seu menor preço. Porém, elas são muito pesadas e podem sofrer danos por vazamentos e vibrações causadas pelas irregularidades da estrada. As baterias seladas de gel são um tipo de bateria de chumbo-ácido mais leves do que as convencionais e que possuem uma baixa susceptibilidade a vazamentos, e alta resistência a vibrações, choques (mecânicos) e temperaturas elevadas. Já as baterias de íon-Lítio - tecnologia empregada em celulares e notebooks - são mais eficientes e mais leves, porém, mais caras. 3) Motor O motor, junto com o ciclista, é responsável pela tração do veículo. Ele recebe energia dos painéis fotovoltaicos, baterias e ultracapacitores. A eficiência energética

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é um fator de extrema relevância pois quanto menos se desperdiça, menos se gasta e menor é o impacto causado ao meio-ambiente. Sendo assim, o motor a ser utilizado no veículo deve ser eficiente e, além disso, ser compacto para se adaptar ao desenho do carro e torná-lo mais leve. O motor brushless é um motor de corrente contínua de ímã permanente que não possui escovas, o que faz com que ele possua uma eficiência superior a 80%. Ele é o tipo de motor predominante em bicicletas e triciclos elétricos em todo o planeta. Para que se possa controlar sua velocidade, aceleração e usá-lo como gerador na frenagem regenerativa, se faz necessário o uso de um controlador, que muitas vezes vem acoplado internamente ao motor, o que reduz a massa total do conjunto.

4) Ultracapacitores Pensando ainda em eficiência energética, é de extrema importância aproveitar a energia cinética do veículo nos momentos de frenagem. Como essa energia é fornecida em um curto período de tempo, não se pode direcioná-la para o banco de baterias de gel, pois estas tem capacidade/velocidade de armazenamento limitada. Por isso, utilizam-se ultracapacitores que são capacitores capazes de armazenar uma maior quantidade de energia do que os convencionais e suportam receber energia de forma extremamente rápida. 5) Sistemas de controle Para otimizar o fluxo de energia do sistema é necessário um mecanismo de controle automático. Uma boa opção é a utilização de um microcontrolador, que é um dispositivo eletrônico programável que possui entradas e saídas diversas. O controlador lê informações disponibilizadas por sensores e as processa, alterando assim as suas saídas e consequentemente o estado do sistema. Ele recebe informações como posição do pedal de aceleração, posição do pedal de freio, tensão e corrente nos painéis, tensão e temperatura do banco de baterias e do banco de ultracapacitores, velocidade do motor, entre outros. Através dessas informações ele controla a aceleração do motor, o ponto de operação dos painéis, a carga e descarga das baterias e ultracapacitores e informa ao ciclista quando ele deve pedalar e em que marcha ele deve fazer isso.

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6) Estrutura A estrutura é responsável por dar a forma base ao veículo. Suas principais funções são equivalentes às exercidas pelo esqueleto humano: Sustentar todo o corpo, fornecendo resistência mecânica, tenacidade, resistência a flambagem e ductilidade ao conjunto. Além disso, a estrutura deve disponibilizar espaço suficiente para armazenar todos os compontentes responsáveis pelo funcionamento do veículo, como baterias, placas de circuito, o equivalente aos órgãos internos de uma pessoa, e acoplar as suas extensões, como suspensão, direção e transmissão, representando a cartilagem, braços e pernas de um homem. A escolha do material da estrutura destinada a competição deve considerar, principalmente, a densidade (kg/m³) e o índice de mérito de resistência mecânica fornecida por densidade. Analisando estes dois critérios em conjunto com pesquisas, os materiais indicados para o serviço são alumínio e aço. O aço apresenta resistência mecânica notável para o serviço, além da tecnologia do seu manuseio ser bastante difundida, tornando extremamente interessante. Já o alumínio, apesar da boa relação resistência/peso e da alta resistência à corrosão,o que o torna ideal, sua soldagem é difícil. Sendo assim, a escolha entre esses materiais de levar em consideração o custo e a qualidade de serviço de soldagem no mercado acessível ao projeto.

7) Suspensão A suspensão faz o papel da cartilagem e joelhos do ser humano. Sua principal função é amortecer impactos, reduzir a vibração percebida pela estrutura, possibilitando maior conforto para o piloto, e transmitir o peso do carro para os pneus. Para este serviço, foi selecionado a suspensão do tipo duplo A para as rodas dianteiras, nome este dado devido a presença de duas bandejas em formato de “A” . A escolha deve-se ao tipo ser própria para veículos de competição, pois, além de apresentar alta resistência, reduz bastante a vibração transmitida ao chassi. Suas desvantagens estão no preço e no espaço requisitado. Para a traseira, uma suspensão mais simples foi selecionada, porém sem perder o foco nas suas propriedades chave. Está sendo cogitada a possibilidade de utilizar uma suspensão traseira que sirva como garfo para a roda traseira e seus agregados.

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8) Direção A direção, como o nome já diz, tem a responsabilidade de conduzir o veículo enquanto em movimento, representando as pernas/braços. Foi feita a escolha de direção através de um guidão simples de bicicleta visando uma maior familiaridade do piloto com o sistema de funcionamento do veículo.

9) Transmissão

Esse é o sistema responsável por mover o veículo. Em conjunto com o motor, coroas e correntes são acoplados ao sistema de modo a fornecer rotação às rodas através de transmissão traseira. A transmissão é dividida em uma dupla de coroas ligadas por correntes, como o encontrado em bicicletas. Para liga-las, uma coroa de cada conjunto, chamada de coroa central, é acoplado no mesmo eixo, de modo a compartilhar a rotação. As coroas acopladas aos pedais e à roda traseira, chamadas de coroas dianteira e traseira, respectivamente, possuem um conjunto de coroas menores que serão utilizadas para mudança de marcha. A mudança de marcha está prevista para funcionar como as de alavanca de bicicletas adaptadas ao veículo. 10) Coroa dianteira Após consultar ciclistas profissionais, uma coroa oval foi considerada para ser utilizada na coroa dianteira. Foi aberta esta opção devido à possibilidade de otimizar a força feita pelo piloto para impulsionar o veículo devido ao ciclo de pedaladas do piloto, segundo eles. Apesar da vantagem de facilitar o ganho de velocidade do veículo, perde-se em torque. A implementação ainda está em estado de testes, devido à diferença entre o posicionamento do piloto no veículo e em uma bicicleta.

11)

Assento

O assento é o local onde o piloto vai se posicionar para dirigir o veículo durante todo o tempo de corrida. Devido ao tempo de competição, é extremamente importante que o banco seja confortável e permita ao piloto recostar toda as suas costas e cabeça nele, lembrando de respeitar às exigências apresentadas no regulamento. A inclinação da parte do chassi responsável pela fixação do assento deve ser tal que possibilite ao piloto pedalar da forma mais eficiente e confortável possível.

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resultados esperados e futuro

Felizmente, o mundo está ficando cada vez mais consciênte e os benefícios trazidos por isso estão crescendo cada vez mais!

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Tecnologia e Sociedade

Existem no mundo hoje, milhões de pessoas trabalhando em projetos e fazendo pesquisas que envolvem veículos elétricos e fontes renováveis de energia e é esse trabalho que pode proporcionar um maior desenvolvimento tecnólogico e consequentemente uma diminuição nos custos em se utilizar tecnologias como a energia solar, por exemplo. Além dos benefícios tecnológicos envolvendo carros elétricos diretamente, temos uma série de novas tecnologias que surgem e podem ser empregadas em diversos outros setores. Preocupação com o meio-ambiente e com o futuro do planeta e de seus habitantes é uma marca de uma sociedade sustentável e a evolução dos veículos elétricos e das energias renováveis contribui muito para que esse pensamento se torne cada vez mais frequente. Por ser um projeto de extensão, o Solares se preocupa com o retorno que suas atividades geram para a sociedade, e por isso, participa de eventos locais e regionais divulgando o desenvolvimento tecnológico e conscientizando a população para que os frutos do trabalho acadêmico possam ser vistos (ou sentidos) por toda a sociedade. Existem planos de se criar após a competição uma divisão dentro do projeto, responsável exclusivamente por divulgar o projeto em nossa região, promovendo palestras e oficinas em escolas de todos os níveis, visitando empresas para buscar soluções para a Grande Vitória, disponibilizando resultados de nossas experiências, etc. Marketing e Economia

Devido ao atual panorama global, muitas empresas buscam meios de associar seu nome à sustentabilidade. Essa prática traz resultados como aumento do número de clientes e melhora da imagem da empresa no mercado e na sociedade, pois em um mundo em que há cada vez mais pessoas conscientizadas a respeito das necessidades de se consumir com respeito ao meio-ambiente, é natural que essas pessoas procurem se associar a empresas que pensem como elas. A produção de veículos está intimamente ligada com o crescimento da economia de uma nação e como as fontes de petróleo são escassas, a busca por alternativas, como veículos elétricos e energia solar, é fundamental para a manutenção do crescimento econômico.

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Meio Ambiente Questões que envolvem o meio ambiente têm se tornado alvo de grande preocupação na sociedade atual, visto que a mudança climática e as catástrofes ambientais vêm acontecendo com mais frequência. As inúmeras formas de poluição dos grandes entros urbanos tornaram-se uma fonte de prejuízos à saúde do ser humano, além dos grandes impactos que elas têm causado ao meio ambiente – afetando o pensamento do estilo de vida sustentável. Diante disto, o desenvolvimento de carros híbridos mostra-se como uma opção viável para a melhoria na qualidade do transporte, tendo em vista a preocupação com o meio ambiente. Estes carros ajudam a minimizar os problemas da poluição e, além disso, possuem grande participação na ideia de substituir a principal fonte de energia dos carros convencionais, o petróleo, que por sua vez, é uma fonte esgotável.

? Você sabia? ?

Desafio Solar Atacama

Carrera Solar Atacama é um projeto da ONG La Ruta Solar com o objetivo de gerar inovações e novas pesquisas em tecnologias fotovoltaicas, além de contribuir para o desenvolvimento de meios de transporte sustentáveis, formando jovens que desenvolvem uma consciência sobre o importante papel que as fontes renováveis de energia exercem numa sociedade cada vez mais sustentável.

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Figura 5. Carro solar da equipe xof1. Reproduzida com a autorização do proprietário.

A construção e desenvolvimento de um carro solar de alto nível é o grande objetivo da equipe. A foto acima ilustra o veículo da equipe xof1, que é um modelo de carro que desejamos projetar.

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Equipe Orientador Prof. Dr. Juan Sérgio Romero Saenz co-orientador Prof. Dr. Antônio Bento Filho membros Ana Luiza Côrte Bruno Rodrigues Lellis Clara Monteiro Gomes Cleivisson Allan Santos de Sousa Felipe Silva Filipe Ribeiro dos Santos Gabriel Carvalho Benedito Gabriel da Fontoura Alves Gabriel de Freitas Campanharo Gustavo Vicente Lós Henrique Coelho Marcos André Torrezani Rodrigues Maysa Santos Pacheco Nathália Hartuiq Nickolas Oliveira Soares Otávio Scopel Campagnario Pedro Paulo de Carvalho Moraes Rafael Cardoso de Castro Renner Tetzner Ramos Ricardo da Mota Salvador Tais Rocha Bulgareli Thalita Santos Tiago Welison Mattedi

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Referências [1] FARIAS, Leonel Marques. SELLITO, Miguel Afonso. Uso da energia ao longo da história: evolução e perspectivas futuras. Revista Liberato, Novo Hamburgo, v.12, n.17, p. 01-106, jan./jun. 2011. [2] GreenPeace - Revolução energética, a caminho do desenvolvimento limpo. Disponível em < http://www. greenpeace.org/brasil/Global/brasil/image/2013/Agosto/Revolucao_Energetica.pdf>. Acessado em: jan/2014. [3] EPE - Empresa de pesquisa energética. Balanço Energético Nacional 2013. Disponível em < https://ben. epe.gov.br/downloads/Relatorio_Final_BEN_2013.pdf>. Acessado em: jan/2014. [4] BARROS, Evandro Vieira de. A Matriz Energética Mundial e a Competitividade das Nações: Bases de uma Nova Geopolítica. ENGEVISTA, v. 9, n. 1, p. 47-56, jun/2007. [5] World Watch Institute. Growth of Global Solar and Wind Energy Continues to Outpace Other Technologies. Washington, D.C, July 30 2013. Disponível em < http://www.worldwatch.org/growth-global-solar-and-wind-energy-continues-outpace-other-technologies-0>. Acessado em: jan/2014. [6] Schuch, Luciano. Energia Solar Fotovoltaica: Oportunidades e Desafios. UFSM. Disponível em < http:// grupomontevideo.org/ndca/caenergia/wp-content/uploads/2012/10/5-Luciano-Schuch-Energia-Solar-Fotovoltaica.pdf>. Acessado em: jan/2014. [7] HAGE, José Alexandre Altahyde. A política externa brasileira e o etanol: um exercício de planejamento estratégico. In Proceedings of the 3rd ENABRI 2011 3° Encontro Nacional ABRI 2011, 2011, São Paulo (SP, Brazil) [online]. 2011 [cited 04 April 2014]. Avaliado de: <http://www.proceedings.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=MSC0000000122011000200037&lng=en&nrm=iso> . [8] CASTRO, Bernardo Hauch Ribeiro de. FERREIRA, Tiago Toledo. Veículo elétricos: aspectos básicos, perpectivas e oportunidades. BNDES Setorial 32, p. 267-310.

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Solares - Apresentação  

Documento de apresentação do projeto Solares.