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MILITIA SANCTÆ MARIÆ Província de S. Nuno de Santa Maria - 14 de abril de 2016 –

Leitura da Regra:

CAPÍTULO II - DO ESTADO DAS PESSOAS E DA HIERARQUIA DA ORDEM

1. (…) Ainda que as pessoas possuindo uma influência social vasta sejam naturalmente chamadas à cavalaria, contudo é preciso não obedecer, no recrutamento, a considerações puramente humanas. Não são os ricos e os poderosos deste mundo que foram os pioneiros da Ordem de Cavalaria nos seus princípios. Lembremo-nos sempre que a Ordem não é um agrupamento fortuito de indivíduos prosseguindo cada um o seu fim particular, nem círculo intelectual mundano, mas o corpo orgânico constituído por membros unidos na vida e na morte, no amor e serviço das mesmas grandes realidades. _______

Comentário:

A leitura da nossa Regra, de cada vez que o fazemos, traz-nos novidades. Há sempre uma perspectiva nova a reter ou uma passagem que se salienta em determinado momento da história humana e da vida da MSM. Assim, aconteceu comigo recentemente ao reler o Capítulo II e a passagem que quero sublinhar é a seguinte: “Lembremo-nos sempre que a Ordem não é um agrupamento fortuito de indivíduos prosseguindo cada um o seu fim particular, nem um círculo intelectual mundano, mas um corpo orgânico constituído por membros unidos na vida e na morte, no amor e serviço das mesmas grandes realidades”.

O nosso Fundador, nesta passagem, deixa bem claro o que quis que fosse a MSM: uma comunidade fraterna, de membros unidos pelo Amor e abertos para o serviço dos nossos irmãos, mesmo dos que não são cristãos. Por isso, tem sido uma preocupação constante do meu ministério como Mestre, primeiro servidor da MSM, fazer uma pedagogia, uma súplica, para que todos nós, a começar por mim próprio, vivamos fraternalmente mas em saída para o mundo. Esta postura implica: 1 – A nossa santificação pessoal, porque só querendo ser santos seremos capazes de construir unidade (recordo que a Unidade perfeita é Deus e que Deus é Uno e Trino e Jesus ordenou-nos que fôssemos santos como o Pai);

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2 – Compreender e esforçarmo-nos por viver com o lema que o Cardeal Danielou disse em “A oração um problema político”: “o cristão é um pagão em conversão permanente”; 3 – Que a nossa conversão tem de ser a força para a saída;

4 – Que a saída para o mundo, não é para fazermos o que o mundo faz! Por isso, exige-se uma formação permanente, não para nos auto-satisfazer-nos como fazendo parte de um clube recreativo e cultural, de obesos de intelectualidade! Caros freires e amigos: não somos nem devemos querer ser um grupo assim, mas temos a obrigação total de sermos e estarmos preocupados com a nossa formação permanente. O mundo em que vivemos assim o exige. Nunca podemos nem devemos esquecer que não somos resquícios decadentes de uma mentalidade há muito ultrapassada. Vivemos hoje. Neste tempo e nesta cultura pagã que cultua o hedonismo e o relativismo e todos os dias somos “bombardeados” por imagens e mensagens que muitas vezes vemos e ouvimos acriticamente ou então, o que vai dar ao mesmo, respondemos ressabiados e sem consistência, com argumentos frágeis e nem sempre bem fundamentados. Nunca podemos esquecer que A MILITIA é o conjunto dos MILES (combatentes!). Daí a urgência de estarmos sempre em formação para sempre estarmos em saída. Como dizia recentemente o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino (10.IV. 2016): “Constatamos que o Corpo Místico de Cristo, a sua Esposa santíssima, está ferida pelo egoísmo e pelas fraquezas dos seus membros, pastores e fiéis (…) além disso, a unidade da Igreja e consequentemente a sua dignidade não podem ficar abandonadas ao julgamento sumário da opinião pública espalhada por tantos media. (…) Além disso, a catolicidade exige multiplicidade de línguas, pôr em comunhão e harmonia as riquezas da humanidade no amor do Crucificado. (…) devemos acreditar com a Igreja de sempre, de todos os continentes, de todas as culturas, de todas as línguas.” E a minha pergunta, para mim e para cada de nós, é: em que medida é que por causa do nosso egoísmo e da nossa fragilidade, também em termos de formação, não estamos a contribuir para uma Igreja ferida? 5 – Que sejamos capazes de sermos verdadeiros construtores de uma comunidade. E todos podemos e devemos comprometer-nos neste esforço.

Há um longo e difícil caminho a percorrer! A MSM, na sua Regra, que temos a obrigação, assim nos comprometemos, de ler semanalmente um a passagem, para melhor a conhecermos, logo no Prólogo nos lança o repto: “Se temes o esforço e procuras a tua própria tranquilidade, se aceitas sem revolta o reino da mediocridade, da hipocrisia e do vício, este livro não é para ti: fecha-o e continua na tua falsa paz”. Neste Ano Santo da Misericórdia a Igreja lança-nos o desafio de sermos misericordiosos como o é o nosso Pai do Céu. Como escreveu o Cardeal Poupard (“Onde está o teu Deus?”, Ed da MSM): um desafio não é um obstáculo! Seja-me permitida a boleia do Cardeal Poupard deixando-me e deixando-vos o desafio: sejamos construtores, já, de uma MSM que seja, de facto, uma verdadeira COMUNIDADE plena de Misericórdia e irradiante dessa mesma Misericórdia. __

Carlos Aguiar Gomes, Mestre da MSM

Braga, 14 de abril de 2016

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Comentário à Regra da Militia Sanctae Mariae - 14 de abril de 2016  
Comentário à Regra da Militia Sanctae Mariae - 14 de abril de 2016  

Comentário à Regra da Militia Sanctae Mariae - 14 de abril de 2016

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