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MILITIA SANCTÆ MARIÆ Província de S. Nuno de Santa Maria - 17 de março de 2016 –

Leitura da Regra:

Quinta-feira da 5ª Semana da Quaresma

CAPÍTULO II

DO ESTADO DAS PESSOAS E DA HIERARQUIA DA ORDEM

1. A Ordem dos Cavaleiros de Santa Maria não faz aceção de pessoas conforme o espírito do Evangelho e os princípios fundamentais da cavalaria. Contudo, é evidente que o pleno exercício da vida regular supõe uma certa cultura geral, e um mínimo de recursos e de tempo livre de que a apreciação fica a cargo do padrinho e do comendador. Ainda que as pessoas possuindo uma influência social vasta sejam naturalmente chamadas à cavalaria, contudo é preciso não obedecer, no recrutamento, a considerações puramente humanas. Não são os ricos e os poderosos deste mundo que foram os pioneiros da Ordem de Cavalaria nos seus princípios. Lembremo-nos sempre que a Ordem não é um agrupamento fortuito de indivíduos prosseguindo cada um o seu fim particular, nem círculo intelectual mundano, mas o corpo orgânico constituído por membros unidos na vida e na morte, no amor e serviço das mesmas grandes realidades. _______

Comentário:

Meus irmãos…

[Pergunto a cada um de nós se já, algum dia, dedicamos um pouco do nosso tempo a ler e meditar este capítulo da nossa Regra]…

A Militia Sanctæ Mariæ, a que todos nós livremente um dia decidimos aderir, tal como bem sabemos, foi fundada no fim da segunda guerra mundial, na senda da longa e gloriosa tradição da cavalaria cristã e das Ordens Militares que foram criadas para alargar na Terra as fronteiras do reino de Deus. Foi então chamada de Regular e Militante, para que fosse “mediante a graça divina, um conservatório de Honra e uma escola de heroísmo ao serviço dos mais altos valores da humanidade” [devendo cada Cavaleiro procurar] “primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça,

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sabendo que o resto, isto é, a paz sobre a terra – e os benefícios que daí decorrem – são dados por acréscimo”1.

A nossa Regra, logo no primeiro capítulo, dedicado aos fins da ordem, diz-nos que o fim essencial da Militia Sanctæ Mariæ é a “glória de Deus pela realeza universal de Seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo”, devidamente associada “à sua Santíssima Mãe, a Bem-aventurada Imaculada e sempre Virgem Maria que é também Mãe da Igreja e de cada um [nós]”2. S. Louis M. Grignion de Montfort, no Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem [que todos devemos ter como um dos principais manuais] diz-nos que “a devoção à Santíssima Virgem é necessária à salvação” e que “a verdadeira devoção à Santíssima Virgem consiste em se lhe devotar e entregar” na certeza de Ela é aquela que o “Altíssimo fez tesoureira de todos os seus bens, dispensadora de suas graças, para enobrecer, elevar e enriquecer a quem Ela quiser, para fazer entrar quem Ela quiser no caminho estreito do céu, para deixar passar, apesar de tudo, quem Ela quiser pela porta estreita da vida eterna”3. É por tudo isto, que todos nós reconhecemos a Santíssima Virgem como a nossa própria Dama e Suserana, como Soberana da nossa Ordem, invocando a sua proteção e amparo para combater o bom combate, sem trégua nem descanso, e contribuir para alargar na Terra as fronteiras do reino de Deus. Posto isto, julgo oportuno elencar os fins da Ordem4. A saber:   

A Ordem serve a Fé católica, apostólica e romana, não somente confessando-a perante os homens “na sua integridade, pureza e vigor”, mas também agindo para a espalhar, proteger, fortificar e fazê-la irradiar em todos os domínios da vida humana; A Ordem ama e defende a Santa Igreja Católica, Esposa imaculada de Cristo, sem descanso em qualquer campo que a ataquem, pela oração e por atos, contra todos os partidos, movimentos, seitas, heresias e erros denunciados pelo Soberano Pontífice; A Ordem trabalha pela promoção da Cristandade e da Paz, estando ao serviço do povo de Deus, sobretudo dos mais fracos e dos oprimidos, combatendo as ideologias que causam dano à dignidade humana e à liberdade do homem criado à imagem e semelhança de Deus.

Neste momento devem estar a pensar o que é que o já explanado tem a ver com a passagem da Regra que acabamos de ler… A meu ver tem tudo!... A nossa livre adesão à Militia Sanctæ Mariæ, torna-nos como que “membros de Cristo dispostos segundo uma hierarquia que não olha senão ao valor de cada um”, obrigando-nos a “voltar as costas ao mundo para alcançar mais e melhor”, adotando “um estilo de vida, uma doutrina e um vasto campo de ação onde [cada um de nós vai] exercer o seu zelo, e por acréscimo, uma fraternidade humana e cristã verdadeira” vivendo fortemente “as virtudes cristãs da humildade, de paciência, de tolerância, de coragem, de perseverança; deixa[ndo] à entrada [da MSM] toda a ambição ou a pretensão de fazer salientar a [sua] própria pessoa no que fosse [até] porventura legítimo”, sabendo que se “é Cavaleiro de Nossa Senhora antes de tudo, em tudo, sempre e em todo o lado”.5 E somo-lo muito antes de sermos membros da Militia… Pelo sacramento do Batismo, que um dia recebemos, tornamos família de Deus, passámos a ser parte do corpo místico de Cristo… Regra da MSM, Prólogo. Regra da MSM, Cap I. 3 S. Louis M. Grignion de Montfort, no Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. 4 Regra da MSM, Cap I. 5 Regra da MSM, Cap II. 1 2

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Deus tomou posse das nossas vidas, incorporando-nos na de Cristo e como tal impondo-nos, já nessa altura, a condição de miles, de combatentes que persistem toda a vida num combate entre o bem e o mal, entre o caminho de Deus e o de “Satanás e os outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas”6, impondo-nos a obrigação de que ter-mos que “procurar o Senhor Deus e o seu poder, buscando constantemente a sua face! lembrando as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as palavras de seus lábios!”. Com a nossa adesão à Militia Sanctæ Mariæ, reforçamos o compromisso do nosso Batismo. Aceitamos a missão de escolher um novo género de vida, baseada na fidelidade absoluta ao Senhor, uma vida de combate, para a qual estávamos já marcados desde no nosso Batismo.

Termino, recordando uma vez mais S. Louis M. Grignion de Montfort. Somos escravos de Maria… sim somos… fomos chamados a ser “ministros do Senhor ardendo em chamas abrasadoras, que lançarão por toda a parte o fogo do divino amor”7, e dessa forma, quando um dia “Cristo em glória voltar por Maria para tomar posse do seu Reino como cavaleiro vitorioso”, poderemos augurar dizer que fomos fieis ao nosso Batismo e à nossa condição de miles, de Cavaleiros de Maria, e que combatemos o bom combate e que estamos preparados para “entrar no inumerável Exército celeste revestido de branco”8. Que Nossa Senhora nos acompanhe… __

Filipe Amorim,

Braga, 17 de março de 2016, Quinta-feira da 5ª semana da Quaresma.

Da Oração de São Miguel Arcanjo. S. Louis M. Grignion de Montfort, no Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. 8 Prologo da Regra da MSM. 6 7

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Comentário à Regra da Militia Sanctae Mariae - 17 de março de 2016  
Comentário à Regra da Militia Sanctae Mariae - 17 de março de 2016  

Comentário à Regra da Militia Sanctae Mariae - 17 de março de 2016

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