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magazine Abril 2013

Distribuição gratuita Periodicidade Bimestral

Marcelo Rebelo de Sousa

«às vezes, rezo o terço no trânsito»

Carlos Zorrinho líder parlamentar do Partido Socialista

«este Governo tem muito pouco amor a Portugal» Revista da Associação dos Moradores da Portela


MENSAGEM DA PRESIDENTE

Carla Marques Presidente da Associação dos Moradores da Portela

Caros leitores: Iniciado mais um mandato à frente dos destinos da Associação dos Moradores da Portela (AMP), importa fazer um balanço e dar a conhecer as áreas de intervenção que foram dinamizadas pela direção que cessou funções e quais os novos desafios que a direcção agora eleita tem por incumbência abraçar. Gostaria, antes de mais, de reconhecer e de agradecer a todos os funcionários e colaboradores da AMP e ainda aos elementos da Direcção que cessou funções em Março, pelo apoio incondicional que me foi prestado e pelo esforço e excelente trabalho desenvolvido. Todavia, e sem desprimor para os restantes, cumpre destacar dois dos colegas que por motivos pessoais não puderam continuar a acompanhar esta equipa de excelência na direção recentemente eleita: — Ao Eng. Fernando Cota Teixeira, que ao longo dos dois últimos mandatos se empenhou pessoal e profissionalmente para viabilizar e concretizar um grande sonho da Direcção da AMP – a edificação do nosso Centro de Actividades e Sede do Portela Sábios. Muitas foram as horas de trabalho e muitos foram os dias de preocupação para levar a bom porto esta grandiosa e relevante obra que tanto veio beneficiar a nossa freguesia. Em meu nome e certamente em nome de todos os nossos Associados e Portelenses – Obrigada, Cota Teixeira, e cá te aguardamos futuramente com novas ideias… — Ao Dr. Rui Garção, que no último mandato teve por incumbência dirigir os destinos do Futsal da AMP, e que conseguiu concretizar

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alguns feitos que ficam nos anais da história do nosso Futsal. Sob a sua Direção, a Equipa Sénior disputou pela primeira vez os quartos-de-final da Taça de Portugal na época 2011/2012, sagrou-se Campeã Nacional da 3.ª Divisão e garantiu a subida à 2.ª Divisão Nacional, tendo sido qualificada como a melhor equipa do ponto de vista defensivo de todos os campeonatos nacionais, sem derrotas. De referir ainda o trabalho realizado nas nossas equipas de formação que passaram a disputar 1.ª Divisão dos campeonatos distritais em todos os escalões de formação – Obrigada, Rui, contigo a Portela e as equipas da AMP passaram novamente a ser uma referência no futsal Nacional. A AMP connosco deixou de ser apenas uma referência no plano desportivo, passando também a ser reconhecida no âmbito da sua intervenção social e cultural, a qual vai além das fronteiras territoriais da nossa freguesia. O mandato de 2010/2011 foi marcado pelo forte incremento das actividades culturais e pelo desenvolvimento dos nossos projectos de apoio social, o Portela Sábios e o Portela Jovem, o primeiro direccionado à população sénior e que se consubstancia na criação de uma UTI – Universidade para a Terceira Idade, hoje com perto de 350 sábios; o segundo, um centro de actividades para jovens, destinado ao apoio à família e vocacionado para a ocupação dos mais novos. A construção do novo edifício da AMP, com 4 salas, uma biblioteca e uma sala de convívio que foi concluído no mandato 2011/2012, foi um passo muito importante para o crescimento e a consolidação do projeto da Universidade Sénior. Agora, os nossos professores e alunos já têm um espaço seu em que podem aprender, ensinar e, principalmente, passaram a ter um espaço para desenvolver várias actividades lúdicas. O edifício serve ainda de apoio ao projeto Portela Jovem, projecto voltado para jovens a partir dos 10 anos e que estão a frequentar o 2.o ou 3.o ciclos. O objetivo é a ocupação dos mesmos, durante todo o ano lectivo e também nas férias. Na vertente desportiva, é de salientar o facto de no ano de 2012 a Associação dos Moradores da Portela ter visto a sua equipa sénior de Futsal ser agraciada com uma menção honrosa pela Câmara Municipal de Loures, fruto de um desempenho desportivo irrepreensível, invicta e que culminou na subida à 2.ª Divisão Nacional. Foram igualmente distinguidos pela mesma entidade, Mário Silva, como melhor treinador de Futsal do Concelho e Nilson Miguel, como jogador revelação. Para o biénio 2013/2014, pretendemos termi-

nar a renovação do parque informático da AMP com a entrada em vigor dos novos cartões de sócio e dinamizar o terreno onde estava o antigo parque infantil. Queremos continuar a desenvolver sistemas e serviços de voluntariado e manter a participação activa na comissão de freguesia da rede social de Loures e no Conselho Geral do Agrupamento de Escolas e Moscavide. Vocacionar a nossa acção para o desenvolvimento de actividades culturais destinadas a uma camada da população que tem pouca opção de escolha dentro da freguesia – os nossos adolescentes e jovens adultos, através da promoção de festivais musicais, organização de espaços de convívio e de actividades para ocupação dos tempos livres nas férias escolares, tais como a organização de campos de férias e intercâmbio cultural com organizações nacionais e internacionais congéneres. No âmbito do projecto Portela Amiga, e devido à conjuntura económica que o país atravessa, vamos continuar a trabalhar no sentido de que este projeto venha a ser reconhecido pelas empresas como uma mais-valia, por via do qual se pretende não só premiar os sócios da AMP proporcionando-lhes condições mais favoráveis na aquisição de bens e serviços, mas também dar o seu contributo na dinamização do comércio e das empresas locais. Ao abraçarmos novas vertentes, não vamos descurar as valências desportivas de referência da AMP, às quais se pretende dar continuidade, incrementando a formação desportiva dos nossos jovens e apoiando as nossas equipas de competição no âmbito das actividades desportivas federadas que se têm desenvolvido ao longo dos anos e que constituem um marco nas actividades desportivas da AMP, tais como o Futsal, o Ténis, a Dança Jazz e a Ginástica Acrobática. A Direcção da AMP está consciente do seu papel na defesa dos interesses da população e, com a prevista agregação das freguesias de Portela e Moscavide, queremos continuar a ter uma intervenção de relevo e estaremos, estamos como sempre estivemos, disponíveis para estabelecer uma franca cooperação com as entidades autárquicas, por forma a preservar e melhorar o bem-estar da população portelense e garantir a continuidade das mais-valias existentes na Portela. Este é um projeto ambicioso que conta com o envolvimento de TODOS os nossos Associados. Carla Marques Presidente da Direcção da AMP


NOTÍCIAS DA FREGUESIA Leonor Noronha

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auditório da Biblioteca Cardeal Ribeiro, na Portela, encheuse no dia 31 de Janeiro para ouvir o engenheiro Rafael António falar sobre a importância das bilbiotecas hoje e no futuro. O espólio da biblioteca e a importância do horário deste espaço, por forma a servir um maior número de utentes, foram alguns dos temas abordados e desenvolvidos. O engenheiro, aproveitando a presença do Padre Alberto

Uma Biblioteca Século XXI: o quê? para quê? como? Gomes, apresentou três propostas para uma melhor utilização da Biblioteca, a saber: — criação de um conselho de leitura que decidirá sobre quais os livros que vale a pena conservar neste local; — criação de zona de leitor para leitor, isto é, haverá uma caixa à entrada com livros colocados pelos leitores que estes trocarão à sua passagem, podendo assim usufruir do momento de leitura longe das burocracias das bibliotecas, uma

vez que estes livros não seriam catalogados; — criação de acções, usando as salas para debates e conferências, de modo que os utentes se aproximem mais dos livros quando forem assistir. No final, ficou a palavra do Padre Alberto que não só sugeriu que algumas das salas fossem usadas também pelo Centro Social, como prometeu ir reflectir e pensar sobre as propostas apresentadas.

Talho do centro assaltado Filipa Assunção

N Eleições na Associação dos Moradores da Portela Manuel Monteiro

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o dia 23 de Março, decorreram as eleições dos corpos directivos da Associação dos Moradores da Portela. Num universo de 41 votantes, a lista única A saiu eleita. Por parte da Assembleia Geral, recolheu 100% dos votos nas urnas, do Conselho Fiscal 100% dos votos também, e da Direcção 97,6% derivado de um sócio ter votado em branco.

Ficha Técnica Portela Magazine – Revista Bimestral – Proprietário Associação dos Moradores da Portela – Director Manuel Monteiro – Redacção Eva Falcão, Filipa Assunção, Leonor Noronha – Colaboradores Armando Jorge Domingues, Bonifácio Silva, Carla Marques, Fernando Caetano, Filipa Lage, Humberto Tomaz, José Alberto Braga, Miguel Esteves Pinto, Miguel Matias, Patrícia Guerreiro Nunes, Rui Garção, Rui Rego – Sede de Redacção Associação dos Moradores da Portela, Urbanização da Portela, Parque Desportivo da AMP, Apartado 548, 2686-601 Portela LRS – Telefone 219 435 114 – Site www.amportela. pt – E-mail amportela_secretaria@gmail.com – Email Comercial – pubportelamagazine@gmail.com – Direcção Comercial Keep In Touch, Lda. – Grafismo ITW-Ideas That Work, Lda. – Impressão Nova Gráfica do Cartaxo – Tiragem 6500 exemplares – Depósito Legal n.o 336956/11 – ISSN N.o 126156

o passado dia 15 de Fevereiro, o «Talho Central» do Centro Comercial da Portela foi alvo de um assalto inesperado. Sem que ninguém se apercebesse, um indivíduo alto, magro e com boa aparência, entrou no talho e conseguiu cumprir o seu objectivo. O Sr. Mário, dono do talho, conta que foi um acto realizado com muita habilidade. Segundo diz, «o jovem com cerca de 20 anos conseguiu actuar de costas voltadas para a máquina registadora, levantando-a e abrindo-a por fora. Segurou a gaveta com uma mão para não fazer barulho, e com a outra foi tirando as notas que estavam guardadas na máquina e meteu-as no bolso. Esta situação ocorreu sem que ninguém se desse conta, enquanto ele conversava com a funcionária. «Apercebemo-nos do que se estava a passar, pouco tempo depois, quando se ouviu o barulho da máquina registadora a fechar.» No entanto, o indivíduo conseguiu fugir, levando consigo cerca de 125 €.

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EDITORIAL

O Horror Económico

Manuel Monteiro

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odos os dias, há uma notícia sobre a suspensão ou o fecho de uma actividade ou a extinção ou a mutilação de um direito. São tantas as tristezas, que a capacidade de compaixão e de revolta se desloca em muitos portugueses para um estado de perigoso alheamento. «Eu já nem quero ver as notícias para não ficar com uma carga de negatividade», disse-me um amigo meu, normalmente interessado nos assuntos. Vivemos na banalização do mal, o conceito de Hannah Arendt aplicado aos totalitarismos. É certo que muitos portugueses protestam, é certo que muitos estão tristes e indignados. Já ouvi um motorista de táxi dizer que dava um tiro a determinados membros do Governo se os apanhasse, já ouvi muitos dizerem que se virem A ou B lhes dão uma valente sova. A verdade é que «o melhor povo do mundo», como nos chamou o ministro das Finanças, tem reagido frouxamente ante as atrocidades que se cometem, canalizando o seu descontentamento, na maioria das vezes, apenas para «conversas de café». Num fenómeno tipicamente português, afirma-se: «Não percebo como é que ninguém faz nada.» E tu? Já fizeste alguma coisa? «Pois, não.» Observo tristemente o seguinte: aceita-se com brandura que o imperativo economicista esteja hoje acima de qualquer outro valor. Os jornalistas têm culpa na matéria, cada vez mais serventuários de uma novilíngua. Já não se desregulamenta o mercado de trabalho, flexibiliza-se. Já não se diminuem salários, procede-se a um ajustamento salarial. Já não se despedem pessoas, «consegue-se uma poupança por intermédio de uma reestruturação na área do pessoal» . Uma palavra («racionalização») é hoje atirada como um valor que cega e nos impede de questionar qualquer política. Muitos já interiorizaram que se aparece a palavra «racionalização» associada a qualquer nova medida é porque era premente e necessário aplicá-la, é porque antes vivíamos acima das nossas possibilidade e agora temos de pagar a factura limpando gorduras e ineficiências, e portanto essa palavra justifica tudo, rasurando qualquer outra perspectiva. Curiosamente, a palavra é mal empregada, porque racionalizar é submeter ao domínio da razão e não racionar, e deste modo talvez se assimile mais acriticamente que qualquer racionamento apresentado era, enfim, a única solução racional. Infelizmente, as notícias mais preocupantes dos sinais de nazismo económico não abrem os telejornais nem fazem manchetes. Eis uma recolha de apenas algumas

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das muitas trágédias humanas do catálogo de horrores a que assistimos como a uma selvajaria inevitável. «Mais de 40 alunos surdos não estão a frequentar as aulas por falta de transporte até à escola de Lamaçães, em Braga.» Os surdos deixam de ter a intérprete de linguagem gestual no telejornal da RTP2 às 22h, tendo de esperar até à meia-noite. «O Ministério da Saúde recebe um parecer que dá luz verde para poupar na despesa com os tratamentos mais caros para doenças como cancro, sida ou doenças reumáticas.» O presidente da Liga Portuguesa contra o Cancro diz que hospitais de norte a sul do país estão sem os medicamentos necessários para os doentes com cancro devido a uma lógica economicista. Com a redução nos transportes públicos e o fecho de instalações de saúde, «no litoral alentejano e no interior, há idosos sem dinheiro sequer para chegar às urgências e que já trocam produtos básicos por medicamentos». Depois dos doentes com cancro, são agora os doentes mentais que se vêem sem possibilidade de acesso aos medicamentos. E, claro está, isto não parará por aqui. A Confederação das Associações de Pais denuncia que há crianças que passam fome nas cantinas das escolas. «O Número de beneficiários do Apoio Social a Idosos Carenciados das Comunidades Portuguesas baixou de 4000 para 150 em três anos.» «Portugal é hoje um dos


quatro países da União Europeia (UE) onde se regista um alargamento do perfil socioeconómico da população sem-abrigo em consequência do aumento do desemprego e dos cortes nos apoios sociais, segundo indica um relatório da Federação Europeia das organizações que trabalham com os sem-abrigo (Feantsa).» «Mais de 20 enfermeiros foram dispensados de oito centros de saúde de Lisboa através de uma mensagem de correio electrónico que justificava a decisão com a “sustentabilidade das contas públicas assumida no memorando com a troika.» «Passos Coelho confirmou, nesta segunda-feira, que o programa de rescisões amigáveis na função pública incidirá sobre funcionários menos qualificados, “assistentes operacionais e assistentes técnicos”, referiu, como forma de evidenciar a “qualificação” da administração pública. [...] o primeiro-ministro defendeu que o programa a ser lançado este ano pelo Governo deve ser encarado como “uma oportunidade e não como uma ameaça.» «A D. Teresa tem 72 anos, vive na Mouraria, os seus rendimentos são uma pensão de sobrevivência no valor de 254 euros, paga 25 euros de renda. Recebeu uma carta, taxativa, ameaçadora de uma imobiliária – “a sua renda passa para 200 euros.”» E quantas donas Teresas há nesta situação? «O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) recebeu em 2012 mais 489 pedidos de ajuda relacionados com tentativas de suicídio, do que no ano anterior, que perfizeram um total de 1672», «tratandose já da principal causa de morte auto-infligida, à frente, inclusive, dos acidentes de viação». «Governo tem estudo para cortar subsídio de desemprego aos mais velhos. Metade dos desempregados com subsídio tem 45 anos ou mais. FMI e OCDE querem cortar aos mais velhos para subir cobertura nos jovens. Estudo defende que idade deve dar menos direitos.» «Menos 1 446 882 consultas médicas em centro de saúde em 2012 do que um ano antes.» «A crise mais do que triplicou o número de pareceres favoráveis, exigidos pela lei para que as empresas possam despedir grávidas, lactantes ou pais em gozo de licença.» «A GNR identificou 23 mil idosos a viver sozinhos ou isolados, no âmbito da “Operação Censos Sénior”, que decorreu entre 15 de Janeiro de 2013 e 29 de Fevereiro de 2013. Este número representa um acréscimo de 7405 em relação à operação realizada o ano passado.» Etc, etc, etc. Leio no Público um «estudo» de quanto custa um fumador ao Estado e de quanto recebe o Estado via impostos de um fumador. O que se irá seguir? Quanto custa um alcoólico? Quanto custa um diabético? Quanto custa

um doente que necessite de hemodiálise? Quanto custa um obeso? Quanto custa um toxicodependente? Quanto custa um velho? Quanto custa um deficiente? Quanto custa um desempregado? Todo este terrível acréscimo de Sofrimento Interno Bruto para quê? Para chegarmos ao final de 2012 com uma contracção de 3,2% do PIB? Qual a extensão de redução do produto, de falência de empresas, de extinção de postos de trabalho que resultará desta política? Porque recusam os media a convocação deste grande debate nacional? Mesmo do ponto de vista estritamente financeiro (já nem digo económico!), o mirífico défice não desce. Quem preside a esta loucura, tendo errado até agora em todas as previsões, entende que a fórmula é para repetir e com mais força. Porquê? Para quê? Todas as previsões oficiais para 2013 são piores do que as do Governo, que já são, elas próprias, bastante más. Comprovadamente, a realidade mostra-nos que o rendimento de uns é a despesa de outros – as pessoas têm menos rendimento disponível, logo consomem menos, logo as empresas vendem menos, logo há falências, logo há mais desemprego, logo há menos produto e logo o Estado gasta mais em prestações sociais (a não ser que deixe a população morrer de fome), e assim sucessivamente. Quem trava esta espiral fanática de extermínio do país? Pergunto-me se ensandecemos. PUB

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ENTREVISTA

Entrevista ao Padre Alberto Gomes

«Devido à escassez de clero, o Bispo vê-se obrigado a nomear o mesmo padre para várias missões» Depois de vários contactos, o Padre Alberto Gomes, da Paróquia da Portela, acedeu e concedeu uma entrevista à Portela Magazine. O trabalho enquanto Pároco da freguesia, a sua Missão e as obras aqui desenvolvidas foram alguns dos temas sobre os quais respondeu. Leonor Noronha e Manuel Monteiro

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sta entrevista foi realizada com algumas condições indicadas, a priori, pelo Padre Alberto Gomes. A saber: não falar da biblioteca («Em primeiro lugar acerca da questão da biblioteca não direi mais nada do que já foi dito, quer no exercício do direito de resposta quer no comunicado feito aos paroquianos.»), ser por escrito («A ser feita seria enviando-me as perguntas») e a certeza de que nem todas as perguntas teriam resposta («Aguardo as perguntas para ver ao que poderei responder.»). Com base nestes pressupostos, esta foi a entrevista possível. Há quanto tempo está na freguesia da Portela? Estou na Paróquia da Portela desde Outubro de 2010. Porque é que veio para esta freguesia? Como qualquer pároco fui nomeado pelo meu Bispo, o Sr. Cardeal Patriarca para esta missão. O Bispo no seu cuidado pastoral nomeia os párocos de acordo com as necessidades e oportunidades, procurando responder da melhor maneira ao exercício do serviço pastoral que lhe está confiado. A decisão da nomeação dos párocos é um acto livre de governo do Bispo Diocesano, e o padre obedece, como consequência natural do cumprimento do voto de obediência que fez ao Bispo. Vim para a Portela com a mes-

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ma alegria e disponibilidade como fui para qualquer outra missão para a qual fui nomeado. Desde que sou pároco da Portela recebi mais duas nomeações, pois nos tempos que correm, devido à escassez de clero, o Bispo vê-se obrigado a nomear o mesmo padre para várias missões. Fui nomeado Chefe do Serviço de Legados Pios e Defensor do Vinculo do Tribunal Patriarcal, além de outras missões que exerço há diversos anos, como ser membro do Departamento de Liturgia do Patriarcado de Lisboa. Tem vivido tempos felizes na Portela? A nossa vida é feita de momentos felizes e menos felizes, mas quando procuramos cumprir a nossa missão até os momentos menos felizes são importantes para com eles aprendermos e descobrirmos aquilo que é essencial no exercício do serviço, da missão a que Deus nos chamou. O que é que esta freguesia e a sua comunidade católica têm de diferente das outras? As comunidades não se olham pelas diferenças, por dizer se esta é melhor ou pior. Temos que olhar sempre como a vinha do Senhor que nos é confiada com aquilo que é especifico de cada comunidade, com as pessoas concretas, que podem ser mais idosas ou mais novas, com maior formação intelectual ou menor, mais ou menos envolvidas na paróquia, mas acima de tudo saber que são as pessoas que Deus nos confiou para conduzir para o seu Reino, através da vida sacramental, da escuta da Palavra de Deus, da vivência da Caridade. Foi fácil suceder a uma figura carismática como o Cónego Janela? Não posso dizer se é fácil ou difícil, pois somos pessoas diferentes e como tal não podemos estar preocupados com esse aspecto que se pode tornar muito pouco espiritual; ambos recebemos a mesma missão, ser pastores desta comunidade e cada um no seu tempo pôs ao serviço os talentos que Deus lhe deu. Que importância tem para a comunidade a transmissão da Santa missa na RTP? A transmissão televisiva da celebração da Eucaristia deve chamar a comuni-

dade, qualquer que ela seja, a uma forma responsável de testemunhar a fé. A RTP transmite a missa regularmente da mesma comunidade, o que se torna um desafio constante a esse testemunho. Mas, mais mês menos mês, será outra a comunidade a ser chamada a prestar este serviço de celebrar a fé com aqueles que não podem ir à casa da Igreja – é algo que está previsto acontecer. Quais os projectos do senhor pároco para 2013? Não sou eu que tenho projectos, é a Comunidade Paroquial que tem projectos. No início do Ano Pastoral 2012/2013, o Conselho Pastoral definiu, em ligação com o programa Pastoral da Diocese, as linhas orientadoras da acção para este ano e as actividades a realizar. Gostaria de destacar as diversas actividades ligadas com a celebração do Ano da Fé e dos cinquenta anos do início do Concílio Vaticano II: a apresentação das várias partes do Credo, a apresentação dos quatro grandes documentos do Concílio (Sacrosanctum Concilium, Lumen Gentium, Gaudium et Spes e Dei Verbum) e ainda as peregrinações a Fátima, como preparação do ano, a que iremos realizar à Sé em Maio, e a de Setembro ao Santuário do Senhor Jesus do Carvalhal. Outra actividade muito interessante que temos realizado no âmbito do Ano da Fé é o de dar a conhecer a história dos Santos como testemunhas da vida na relação com Deus: andamos a percorrer os Santos Portugueses que nos apresentam exemplos de grande riqueza. Quais as principais obras da Paróquia? Cada Paróquia tem as obras ou movimentos que pensa responderem às necessidades presentes. Isto quer dizer que o que hoje é necessário e responde aos desafios, não é o mesmo que responderá amanhã, o homem muda e as respostas têm de se adequar ao concreto da vida do homem. Por isso, a Paróquia da Portela tem uma longa série de obras e movimentos que respondem aos desafios de hoje: ligados à Liturgia e Oração temos os Acólitos, Leitores, Ministros Extraordinários da Eucaristia, Cantores, Apostolado da Oração, Oração de Mães, Legião de

Maria; ligados à Evangelização temos a Catequese, Mulheres Missionárias da Consolata, Renovamento Carismático, Caminho Neo-catecumenal, Escuteiros, Ágape, Jovens sem Fronteiras, Vida Ascendente, CPM, CPB, Pastoral Familiar; ligados à Caridade existem a Conferência Vicentina e a Legião de Maria. Não fui exaustivo, estes são os que de momento envolvem mais pessoas, outros há que agem de forma mais discreta. Apenas destaco um, aquele que em todas as paróquias tem um papel fundamental que é a Catequese, para as crianças, jovens e adolescentes e adultos. Da catequese depende o futuro da Igreja e por isso deve empenhar toda a comunidade paroquial, todos e cada um dos cristãos. Quem são e quantos elementos compõem a Direcção do Centro Social? O Centro Social tem uma direcção composta por cinco membros efectivos e dois suplentes, todos voluntários, e todos nomeados no tempo do Sr. Cón. Janela. Um dos membros, por razões pessoais, pediu dispensa do exercício da sua missão. Quais as áreas em que o Centro actua? O Centro tem duas valências sociais: o Centro de Convívio, que existe desde o início, e o Apoio Domiciliário. Qualquer um destes serviços procura responder à sua missão da melhor maneira possível. Tem aumentado a procura do Centro de Convívio, fundamentalmente pela necessidade de as pessoas saírem de casa e terem um lugar onde possam estar acompanhadas e conversar, no fundo estar em relação, pois muitas vezes passariam os dias sós. O Apoio Domiciliário procura responder às necessidades das pessoas nos seus domicílios e particularmente a pessoas com algum grau de dependência que lhes torna muito difícil o sair de casa. O serviço de Apoio Domiciliário é muito variável na quantidade de pessoas que são assistidas, pois são muitos os factores que levam uma pessoa a pedir o apoio: pode ser por razões temporárias, como a recuperação de uma cirurgia, ou por uma grande debilitação física, ou outra. Para qualquer destes serviços bas-

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ENTREVISTA ta unicamente a inscrição junto à técnica de serviço social que ela avaliará a melhor resposta e forma de actuar. Há também uma valência cultural, a Biblioteca, que estamos a reestruturar para que seja um pólo de irradiação e de atracção na Portela. Ainda relativamente ao Centro Social, quem é remunerado? Qualquer destes serviços tem acordo com a Segurança Social e funciona no cumprimento das normas, quer no que se refere às comparticipações, quer no que se refere à ratio de funcionários. Como vê a crise que afecta o nosso país? Sobre a crise não há muito a dizer ou há muito a dizer, corremos o risco de cair nos lugares-comuns. Nós, portugueses, já passámos por muitas provações ao longo da nossa história e, de uma maneira ou de outra, fomos capazes de as vencer. Saberemos, também agora, vencer as dificuldades, principalmente porque elas despertam em nós uma grande capacidade de solidariedade. Como homem de fé e de esperança, acredito que seremos capazes de vencer, mas para isso temos de olhar para a frente e caminhar sem ter medo. Tal como fizeram os nossos antepassados diante das dificuldades, não podemos ficar sempre no lamento e a dizer que tudo vai correr mal: olhar para a frente e caminhar é o que devemos fazer e confiarmo-nos sem dúvida nas mãos de Deus, deixando que Ele guie os nossos passos. Qual o seu Papa de referência? Porquê? Esta pergunta ganha um destaque diferente depois da renúncia do Papa Bento XVI ao ministério petrino. Não posso dizer que tenha um Papa que seja a minha referência. Quando nasci, o Papa era João XXIII que para mim, embora não o conhecendo, é sempre uma referência como expressão da bondade de Deus. Com Paulo VI, o Papa da minha infância e adolescência, aprendi o amor ao

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Papa como sucessor de Pedro, aquele que Deus nos dá para nos conduzir a Ele; lembro-me a vinda dele a Fátima seguida pela televisão. João Paulo I é a imagem do sorriso de Deus. João Paulo II marcou metade da minha vida, foi o primeiro Papa que cumprimentei, a sua proximidade, o seu jeito simples de se encontrar com o homem contemporâneo é marcante na minha vida. Por fim Bento XVI, alguém que continuamente nos surpreende, como agora aconteceu com o gesto de renúncia, o seu olhar tímido, a sua clareza de pensamento tem sido para mim muito importante. Estive pessoalmente com ele em Lisboa, foram poucos minutos, mas toda a sua atenção foi para mim: foram palavras de um homem de Deus que nos fortalece na fé e nos encoraja a nunca desistir de levar Deus aos homens. O Papa de referência é aquele que Deus nos dá – hoje, dia 28 de Fevereiro, é Bento XVI; daqui a um mês ou um pouco mais, será o Papa que Deus escolheu e que os Cardeais com o seu voto manifestaram ao mundo. Perguntas sem resposta Muito antes de o Padre Alberto Gomes ter aceitado responder à nossa entrevista, esta já estava preparada. Portanto, quando fomos avisados de que nem todas as perguntas teriam resposta e tendo em conta que, à excepção da biblioteca, não sabíamos quais os temas a que o Padre não responderia enviámos perguntas sobre todos os assuntos que tínhamos preparado. Por responder ficaram as perguntas em baixo: Porque foi feita uma garagem na arrecadação com uma porta directa ao

anfiteatro? E porque foi essa porta fechada? Há quanto tempo se começou a dedicar à actividade da paramentaria? Pode contar-nos um pouco a história e o seu envolvimento... Para quem reverte os lucros da paramentaria? Porque não continuou a Paramentaria em Sacavém? Qual o valor da renda, água, luz, telefone que a paramentaria paga à paróquia? As funcionárias da paramentaria são funcionárias da paróquia? A quantas pessoas prestam serviço domiciliário? O número de pessoas tem vindo a aumentar? Têm sentido os efeitos da crise? O que é preciso fazer para se ser sinalizado e receber este apoio? Porque festejam o feriado Municipal de Lisboa quando pertencem a Loures? Recebemos cartas dizendo que o Padre Alberto tirou 2 meses de férias e o vice-presidente ainda mais. Quer comentar? Como analisa as fortes críticas de D. Januário Torgal à acção do actual Executivo? Pensa que a Igreja deve ter uma palavra a dizer quanto à actuação dos políticos? Nota da redacção: À data desta entrevista, o Papa Bento XVI terminava o seu papado e nem a data do Conclave nem, obviamente, o nome do novo Papa eram ainda conhecidos.


FIGURAS DA PORTELA

A fruta também se vende na rua

Filipa Assunção

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abituada desde sempre a uma vida de trabalho, cansaço e dedicação, foi cedo que Dona Gertrudes, agora com 63 anos de idade, começou a ajudar o seu pai na venda de fruta e legumes: «Ele já amanhava hortaliça e, na altura, íamos vender para o Mercado da Ribeira. Casei, tive o meu filho e quando tirei a carta de condução comecei nesta vida. Ainda cheguei a trazêlo comigo nestas andanças enquanto lhe dava o biberão. O tempo passa.» Apesar de morar em Loures, é nas ruas da Portela que ocupa o seu dia a vender fruta a todos os Portelenses. Foi há cerca de 35 anos, quando o seu marido começou a trabalhar em São João da Talha, que sentiu vontade de vir trabalhar para esta zona. «Na altura, era um bairro que estava em construção e estavam a vir para cá muitas pessoas de Angola e Moçambique. Comecei a vender fruta por várias ruas da Portela e, onde estava há cerca de 30 anos, é onde estou actualmente», diz. O seu dia-a-dia é passado entre várias zonas, tentando estar presente nos locais onde as pessoas mais a procuram. Começa o seu dia por volta das 9h, na parte de cima da Portela, permanecendo por lá até cerca das 13h. Ao início da tarde, encontra-se na Rua Eça de Queirós e, para terminar a sua venda ambulante, regressa à zona da escola básica, ficando por lá até às 18h. «Eu fui habituada e criada nesta vida. É muito cansativo, até porque depois de estar aqui, ainda vou vender para o mercado. Mas gosto muito daquilo que faço e se toda a gente fizesse aquilo de que gosta era tudo mais fácil e as pessoas eram todas muito mais felizes», confessa de sorriso no rosto.

Gosta de trabalhar na Portela, com clientes simpáticos, e revela ainda que algumas senhoras são quase como uma família para si. Confessa também que: «Já não tenho vontade de ir vender para outro lado. Gosto de estar aqui. Prefiro andar com a carrinha do que ter uma banca fixa. Se assim fosse, tenho a certeza que deixava esta vida. Gosto de estar em vários sítios e foi assim que eu escolhi viver. Estou habituada aos meus clientes, a virem ter comigo a esta ou aquela rua.» No que diz respeito a preços e à situação em que o país se encontra relativamente ao aumento do IVA, Gertrudes não considera que a fruta tenha aumentado o seu preço, pois o IVA mantém-se nos 6%. Contudo, diz que a diferença é mais acentuada noutro tipo de produtos, como a azeitona, que passou para os 23%. É da opinião de que «a fruta não está mais cara, porque o preço até se tem mantido ao longo dos anos, o problema é que as pessoas agora não compram tanto. As pessoas não deixaram de comprar, mas compram em menor quantidade. Em vez de me pedirem 1 kg, às vezes já me pedem para pesar duas ou três peças de fruta». Relembra que as vendas estão a passar por uma época complicada, em comparação com o que se vendia há 30 anos. No entanto, a sua venda tem mais sucesso de manhã do que à tarde, apesar de ao fim do dia ter alguns clientes à sua espera. Com alguns clientes antigos, outros que já partiram e alguns que surgem pela primeira vez, a verdade é Gertrudes mantém o sorriso nos lábios, a vontade de trabalhar e uma energia que se mantém ao longo do dia. Apesar de não gostar de fruta, acabou por seguir as pisadas do seu pai, trazendo cor e sabor à Portela. Afinal, a fruta também se vende na rua.

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REPORTAGEM

Marcelo Rebelo de Sousa e a fé católica

«Para mim, é mais importante ser católico do que ser português» No dia 16 de Fevereiro, Marcelo Rebelo de Sousa esteve na Portela. A convite da Paróquia de CristoRei da Portela, veio falar ao auditório da igreja, que se encheu de gente para o ouvir, sobre «Gaudium et Spes – documento acerca da presença da Igreja no Mundo», no âmbito do conjunto de palestras «Conhecer o Concílio». O Professor Marcelo foi efusivamente aplaudido pelos presentes, havendo até o pedido de que se candidatasse a Presidente da República. Manuel Monteiro

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audium et Spes – a sua originalidade Marcelo Rebelo de Sousa começou por declarar o seu catolicismo, designadamente o seu «Catolicismo Concílio Vaticano II», e por destacar o seu apreço pela constituição Gaudium et Spes, um documento «longo e original que foi criticado por querer falar de tudo». A originalidade do documento, sublinhou, começa na sua metodologia que, em vez de partir da doutrina para a realidade, parte da realidade para a doutrina. «Há a preocupação em ser mais uma meditação do que doutrina, em usar o poder dos argumentos da razão mais do que o da moralização.» A diversidade temática foi outro traço singular destacado pelo professor. «A economia, a cultura, a sociedade, a política, a ciência, a tecnologia, a psicologia, o humanismo. Foi o primeiro documento que falava da cultura como autónoma, como uma realidade específica. Fez uma denúncia da manipulação da cultura pelo poder político e pelo poder económico.»

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Um documento marcadamente «cristocêntrico». Foi assim que Marcelo definiu Gaudium et Spes. «Noutros documentos, era mais Deus Pai do que Deus Cristo. Aqui é Cristo e Cristo Homem. Olha-se para o ser humano e para a sua indagação interior.» A par da figura central desse Cristo Homem, não há no documento o medo de «sujar as mãos no mundo». Exemplos disso são os conselhos ministrados aos casados, bem como aos políticos. O casamento é considerado uma construção diária sendo convocado «o debate de se saber se o casamento é feito para a procriação ou se vai além disso e a visão é a de que vai além disso». Do ponto de vista político, «procura um equilíbrio entre o individualismo e o colectivismo, denuncia as injustiças e a pobreza, sublinha a necessidade de controlo social e económico pela política, os direitos dos mais carenciados à contribuição da sociedade, a valorização do trabalho, a protecção social, o papel dos trabalhadores na gestão empresarial, o papel dos sindicatos». Há ainda um apelo político aos cristãos e à Igreja. «Os cristãos não se devem alhear da vida

política, não é a Igreja que deve participar, são os cristãos.» Outra novidade introduzida no documento foi o «examinar da posição do ateísmo» e a compreensão de que «há vários ateísmos». O catolicismo segundo Marcelo Rebelo de Sousa «Não há salvação a sós com Deus, ao contrário de outras religiões e de outras crenças. Que sorte nós temos por sermos portadores da graça de Deus.» Para o Professor Marcelo, um católico não se deve retirar do mundo «e ir para as catacumbas porque isto está tudo perdido. Essa posição é errada. Não evangelizar é pecar por omissão. A posição salvífica é perdífica. Gostamos muito de apostar no Euromilhões. Quem quer melhor Euromilhões do que o acesso à vida eterna?» Com uma ironia que produziu muitas gargalhadas, o Professor Marcelo salientou a importância de os crentes darem mais atenção à sua pertença religiosa. «O mais cómodo é ir à missinha ao domingo, fazer as orações de manhã e à tarde, e os mais rigorosos, como eu, rezar o terço. Às vezes, rezo o terço no trânsito, o que é uma fonte de grandes complicações.» Citou um


padre seu amigo que dizia: «O sítio mais bonito para rezar o terço é no Terceiro Anel do Estádio da Luz.» Acrescentou: «Nunca experimentei no Estádio de Braga porque apanhava uma pleuresia!» «Todos os mandamentos se reconduzem à caridade, todo o pecado se reconduz ao egoísmo. Vimos irmãos nossos, concretamente uma irmã nossa, ser atacada na fé quando no dia-a-dia a sua fé é feita no seu testemunho.» Do ponto de vista dos costumes, Marcelo Rebelo de Sousa vincou o seu conservadorismo, dizendo que se poderia ter evitado a lei do aborto se os católicos «fossem mais sagazes do que os das trevas». Um pouco aflito com a palavra «trevas», corrigiu imediatamente para «penumbras», acrescentando que haverá desafios futuros a travar quanto ao testamento vital e à eutanásia. Novo Papa No final da palestra, houve perguntas da assistência. A renúncia de Bento XVI já era conhecida, mas o nome do novo Papa ainda não. O pároco Alberto Gomes, que estava sentado na

mesa ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou a sua «confusão e impressão» por os comentadores, designadamente da Igreja Católica, tratarem o assunto como se fosse uma mera eleição humana, não falando da acção do Espírito Santo. Marcelo Rebelo de Sousa subscreveu as palavras do padre, ainda que manifestasse uma ligeira preferência por um Papa não-europeu [o que veio a suceder]. «Isto é do mais importante na nossa vida. Para mim, é mais importante ser católico do que ser português. É mais importante para mim o meu pai espiritual do que o meu pai político ou cultural. Nós, católicos, acreditamos e temos a liberdade de acreditar que ele é escolhido por inspiração divina. Estou mesmo a ver amanhã a cara da Judite de Sousa [no jornal televisivo de domingo na TVI] quando lhe disser que o Papa é de inspiração divina. Da última vez que o disse na televisão, a minha interlocutora ficou: “Inspiração divina? Mas você que é tão inteligente acredita nisso?” Acham que um homem inteligente não pode acreditar nisso. » Convidando à reflexão, contrastou o

modo como a sociedade em geral recebera Bento XVI e o modo como era visto após a sua renúncia. «O mundo tinha dito mal do Papa e agora fez um mea culpa e diz que é muito inteligente, corajoso, desprendido. Hoje, já temos a distância suficiente para perceber porque é que o Espírito Santo o escolheu. Era o complemento do anterior.» Paulo VI Perante a pergunta de um membro da assistência que sublinhou a omissão de Paulo VI no seu solilóquio, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que «não teria havido Gaudium et Spes sem Paulo VI». «É preciso ter muita fé para conviver com a Cúria Romana e continuar católico. É uma estrutura muito complexa e durante o concílio foi mais complexa ainda. Paulo VI deve ter vivido tempos muito angustiantes: a corrida ao armamento, fenómenos de ruptura mundial. A Igreja está hoje muito mais unida do que estava no seu tempo. Temos de agradecer a Paulo VI o concílio ter chegado ao fim. Sou muito grato a Deus por nos ter dado Paulo VI naquela altura.»

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ENTREVISTA

Entrevista a Ana Lacerda

Esforço e dedicação Eva Falcão

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na Lacerda é bailarina principal da Companhia Nacional de Bailado desde 1995, mas conta já com 24 anos de carreira. Foi considerada a 20.ͣ Melhor Bailarina do Mundo por uma revista britânica da especialidade e a sua versatilidade artística mereceu-lhe prémios e condecorações por interpretações de papéis quer de carácter clássico, quer moderno. Em 2000, foi nomeada para os Prémios Bordal; em 2003 foilhe atribuído o Prémio de Excelência pela Direcção da Associação dos Amigos da CNB para a Melhor Bailarina do Ano e no biénio 2005/2006 foi convidada a representar a NIKE em Portugal. Em Fevereiro de 2006, recebeu das mãos do Presidente da República, Jorge Sampaio, a Comenda da Ordem do Mérito. Em 2009, recebeu o Prémio Carreira, pelos Amigos da Dança, por ser esse o ano em que completou 20 anos de carreira e pela brilhante interpretação n´O Lago dos Cisnes. Em 2009, recebeu o Prémio de Melhor Bailarina na Área de Dança Clássica no Festival Prémios da Dança realizado em Portugal. Tem dançado com estrelas internacionais como Carlos Acosta (Royal Ballet), Alen Bottaini (Ópera de Munique) e Filip Barankiewicz (Ballet de Estugarda) e participado em diversas galas internacionais e como artista convidada em Itália, Moscovo, Praga, Alemanha, no Festival de Miami, nas primeiras quatro edições das Galas Internacionais de Bailado da Companhia Nacional de Bailado em Portugal e no Festival de Bangkok. Ana Lacerda esteve à conversa com a Portela Magazine. Como surgiu o ballet na sua vida?

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A partir de que idade passou a considerar o ballet uma potencial carreira? Comecei a frequentar aos 5 anos, por influência da minha mãe, aulas de Ballet na escola onde estudava. Com 10 anos, fui admitida na escola do centro de formação profissional do Teatro Nacional de São Carlos da Companhia Nacional de Bailado. Nessa altura, o director da Companhia Nacional de Bailado era o seu fundador, o meu caro Armando Jorge. Digo muitas vezes que a influência que os meus pais tiveram na escolha da minha profissão e carreira foi como um abrir de caminho para tudo aquilo que sou e consegui construir até hoje a nível profissional. Por isso, só lhes poderei agradecer por serem sempre pessoas tão atentas, interessadas e por me terem dado todo o apoio de forma incondicional e sincera. Quais as suas principais influências no campo artístico nomeadamente no da dança? Houve, sem dúvida, momentos únicos durante estes 24 anos, falando da

experiência profissional e humana como resultado das pessoas que se vão cruzando connosco ao longo dos anos. Ter tido o privilégio e a sorte de poder dançar, durante dois anos, com este gigante da dança, chamado Carlos Acosta, do privilégio que é poder trabalhar com e dançar bailados de grandes coreógrafos estrangeiros como: Balanchine, William Forsythe, Cranko, Kenneth MacMillan, Nacho Duato, Hienz Spoerli, Edward Clug, de portugueses como Olga Roriz, Rui Lopes Graça, Vasco Wellemcamp, entre outros. Uma lista interminável desta grande partilha que até hoje tem sido a minha carreira. Como é ser considerada a 20.ͣ melhor bailarina do mundo? O reconhecimento ajudará sempre a alimentar a carreira de qualquer profissional e não esquecendo que são momentos raros e muito especiais, tenho consciência de que trazem consigo o preço das grandes responsabilidades e o cotejo com a nossa própria realidade. Sei que tenho a «obrigação» de representar a dança com toda a dignidade e com todo o orgulho no meu país e de lutar persistentemente pelo futuro desta nossa forma tão única de comunicar e partilhar. Estou ciente da luta que tem sido conseguir chegar aqui e não quero perder nunca essa sensação, a de ter uma profissão única que me ensinou a ser uma mulher mais disciplinada, forte, persistente, com coragem para conquistar objectivos. Por tudo isto, só posso sentir gratidão pelo apoio incondicional de um público muito especial e por todos os dias me deixarem continuar a seguir esta viagem. Nunca se sentiu tentada a seguir uma carreira internacional? Terá certamente recebido convites…


Fiz a minha escolha de forma consciente e decidida e passados 24 anos tenho a absoluta certeza de que valeu a pena. Investir profundamente no que é nosso, criar e ter coragem de lutar quando nada se apresenta da forma mais simples. Tem de existir essa entrega se queremos ver frutos nas coisas que empregamos e acreditamos. É óbvio que faz parte da carreira de um bailarino conhecer o que se passa no mundo e é claro que também faz parte da minha vida a partilha com esse «lá fora» e o privilégio profissional e humano que tem sido trabalhar com grandes nomes da dança por todo o mundo. Que conselhos dá àqueles que ambicionam seguir uma carreira semelhante? Muita persistência, disciplina e nunca se deixarem desmotivar com a pouca adesão aos espectáculos porque, infelizmente, a crise que atravessamos sente-se um pouco por todo o lado. Não há nada que nos possa desanimar tanto como sentir que temos uma sala vazia. Penso que começa porque todas estas vertentes artísticas pressupõem uma certa educação e sabemos perfeitamente que existe uma grande lacuna no nosso país a nível cultural. A falta de políticas de incentivo, a pouca divulgação e a falta de apoios serão sempre uma grande falha na expansão da cultura em qualquer parte do mundo. Como vê o panorama cultural em Portugal, nomeadamente no campo da dança? Há anos que lutamos para que seja reconhecida a especificidade da profissão de bailarino de dança clássica ou

contemporânea, a condição de desgaste rápido e o direito à aposentação no final das nossas carreiras, assim como soluções de reconversão. Não estamos só a pedir uma aposentação ao fim de 25 anos de carreira, mas também dispostos a contribuir com maiores descontos para a Segurança Social. Não existimos para alienar a nossa responsabilidade como artistas por um certo preço. Numa profissão demasiado efémera, construída pela persistência e baseada em valores humanos, nunca fará sentido andarmos a perder tempo com estatísticas e gráficos. Há a urgente necessidade de uma política de incentivo que seja mais sensível à nossa situação. Estamos verdadeiramente preocupados com o futuro da dança em Portugal. Este é o nosso ofício, somos acima de tudo intérpretes de mais uma forma de arte e a dança é a nossa maneira de comunicar. Que outras paixões tem paralelamente à dança?

A arte terá sempre um papel determinante na minha vida e acredito que não iria fugir muito desse caminho. Gosto de desenhar, de compor imagens, de grafismos e de cores. A ideia de poder trabalhar com cenógrafos e figurinistas também me atrai faz alguns anos. Tive experiências muito positivas em vários workshops da companhia com os figurinos das peças de alguns jovens coreógrafos e também com os meus próprios figurinos nas galas internacionais que a CNB tem realizado. O que é a INÚTIL? Surge com que finalidade? A INÚTIL é uma revista de experimentação do registo poético através da escrita e da imagem. Cada revista tem um tema, um convidado central, muitos textos, poemas, ilustrações e fotografias, de autores conhecidos e reconhecidos, e de autores estreantes. Tentamos que a INÚTIL seja uma porta aberta à palavra e à imagem. Temos sido muito bem recebidos pelo público, a primeira edição foi lançada em Outubro de 2009 e a última edição foi lançada em Dezembro 2012. Como surge na vida de uma bailarina principal a edição de uma revista? Um telefonema feito por dois amigos (Maria Quintans e João Concha) numa tarde de Março. No meio de alguns risos e piadas, surge o convite para fazer parte da direcção da INÚTIL. Tem sido uma lufada de ar fresco no meio deste nosso país tão cheio de limites e barreiras em relação à mudança e à expansão de qualquer forma de expressão artística.

Principal Repertório dançado na CNB como bailarina solista e principal: La Fille Mal Gardée (Georges Garcia), A Sagração da Primavera (Vaslav Nijinsky), Festival das Flores e Napoli (August Bournonville), Sonho de Uma Noite de Verão (Gray Veredon, Armando Jorge, Heinz Spoerli), O Quebra-Nozes (versões de Armando Jorge e de Mehmet Balkan), Concerto (Kenneth MacMillan), D. Quixote (versões de Maya e Eric Volodine e versão de Mehmet Balkan), A Bela Adormecida (Ted Bransen), Coppélia (John Auld), Cinderela (Michael Corder), Romeu e Julieta (John Cranko), Giselle (Georges Garcia), Paquita, Bayadère, O Lago dos Cisnes, Raymonda (Armando Jorge), Les Sylphides (Mikhail Fokine), Ever Near Ever Far (Hienz Spoerli), A Dama das Camélias, O Lago dos Cisnes, Bach a L´Oriental, Corsário (Mehmet Balkan), Pedro e Inês (Olga Roriz), Tema e Variações, Quatro Temperamentos, Agon, Apollo, Serenade, Who Cares? (George Balanchine), Without Words (Nacho Duato), Adagietto (Renato Zanella), Gestos de Filigrana, Lento para Quarteto de Cordas (Vasco Wellenkamp), In The Middle Somewhat Elevated, Artifact II (William Forsythe) e A Morte do Cisne, Bomtempo, Present Tense, Cantoluso (David Fielding), DeSete, Llanto, Intacto, Dançares, Savalliana, Cantoluso, Remain (Rui Lopes Graça), 5 Tangos (Hans Van Manen), Four Reasons (Edward Clug), Isolda (Olga Roriz).

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ENTREVISTA

Entrevista a Carlos Zorrinho, líder parlamentar do Partido Socialista

«Em 2013, não há condições para ser aplicada mais nenhuma medida de austeridade» Manuel Monteiro

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ue leitura faz da manifestação de dia 2 Março do Que se lixe a troika? Em termos de cidadania, sinto-me fazendo parte daquela corrente de indignação construtiva. Foi uma manifestação muito significativa. Provavelmente, nem todos os que estavam naquela manifestação queriam a mesma coisa, mas todos os que ali estavam sabiam o que não queriam. E o que não queriam era o empobrecimento do país, a perda da nossa capacidade de sermos como sempre fomos na história uma nação-ponte, um país-rede que se conseguiu sempre posicionar como não-periférico e como importante nos intercâmbios internacionais, que nunca foi subjugado por nenhuma grande potência. É esse sentido de desalento, de subjugação a uma ideologia que não tem mostrado qualquer tipo de resultados e que é errado, que se viu nas ruas. A manifestação de 2 de Março foi lida por muitos como um desgaste ante a classe política. As sondagens realizadas demonstram a má imagem dos políticos perante os Portugueses, inclusivamente que apenas pouco mais de 50% dos Portugueses defendem o regime democrático. O desrespeito ante os partidos pode perigar o regime democrático? É muito muito muito preocupante. Isso mostra que é necessário dar alguns passos ao nível da forma como

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se pratica a democracia no século das redes sociais. Durante algum tempo, as pessoas tinham um mandato e tinham legitimidade para governar para as pessoas. Julgo que esse paradigma tem de ser alterado e os governantes têm de governar com as pessoas. Temos obrigação de todos os dias dar conta do que é que fizemos, porque é que tomámos determinado tipo de decisões. Não pode haver arrogância democrática. Tem havido um pouco na Europa em geral e em Portugal em particular. Por outro lado, não gosto nada da definição «classe política» e acho que é um erro tomar a nuvem por Juno. Aos poderes mais fortes, interessa enfraquecer a regulação política, mas a regulação dos políticos é aquilo que em democracia pretende equilibrar interesses, garantir a justiça, garantir níveis de solidariedade. O apelo que como político faço é que, como em tudo na vida, há bons futebolistas e maus futebolistas, bons professores e maus professores, bons pasteleiros e maus pasteleiros, bons políticos e maus políticos. A atitude correcta não é desligar da política, é participar ainda mais e fazer as escolhas adequadas. A revista Visão, falando da divisão entre os defensores de António José Seguro e de António Costa, punha-o como um dos homensfortes de António José Seguro. Vêse deste modo? No PS, e todos me conhecem, milito há muitos muitos anos, nunca fui um militante de facção ou de ten-

dências. Sempre estive do lado da solução e, neste momento em concreto, bato-me para que o PS volte ao poder e que António José Seguro seja primeiro-ministro de Portugal, porque está preparado para isso e é claramente uma alternativa mais credível e mais forte do que a que temos. Uma das críticas apontadas à direcção actual do PS é que esta enaltece os objectivos do crescimento económico e do emprego sem apresentar propostas concretas. É uma crítica justa? Não, é uma crítica injusta. Temos vindo a verificar que com mais de um ano de atraso e de uma forma mitigada o Governo tem vindo a seguir alguns passos que quando nós os propusemos eram preventivos, isto é, tinham evitado a dor, e que agora já não sei sequer se vão a ser paliativos. Há uma questão importante a ter em conta. Nós, Partido Socialista, queremos crescimento e emprego no contexto da União Europeia e no contexto do euro. Há propostas simplistas que outros partidos podem fazer, mas que nós, para sermos coerentes com essa visão, não devemos fazer. As propostas que nós fazemos são propostas compatíveis com a permanência no euro, com o pagamento da dívida, ainda que em condições mais favoráveis, e designadamente propostas que fizemos como a de que em 2013 não há condições para ser aplicada mais nenhuma medida de austeridade, porque sem medidas de austeri-


dade acrescidas, a previsão de austeridade é de tal maneira, que nós podemos aproximarmo-nos muito de um desemprego de quase 20%. É muito importante darmos um novo folêgo à procura interna. Sabemos que a procura interna pode fazer disparar de novo os défices de transacções externas, mas se esse folêgo à procura interna for dado através do aumento do rendimento daqueles que mais precisam, nomeadamente o salário mínimo, as pensões mais baixas, as formas de inserção profissional para os desempregados que não têm qualquer tipo de apoio. São pessoas que com o seu rendimento marginal vão sobretudo animar as economias locais, os cafés, os supermercados, as lojas da sua zona. Não têm um consumo marginal de importação de grandes bens de luxo e animam a economia local que é extremamente importante. Por outro lado, nós há muito tempo que defendemos, e é quase criminoso que não se faça, os12 mil milhões de euros que nós estamos a pagar de juros à troika para capitalizar os bancos em Portugal pudessem ser utilizados para a criação de um banco de fomento para o suporte a uma linha de crédito com o Banco Europeu de Investimento e para a recapitalização das empresas, como agora propusémos que os sócios que coloquem suprimentos nas empresas tenham benefícios fiscais iguais aos que se os colocarem no sistema financeiro. Depois, apostamos claramente em retomar algo que foi perdido. Repara-se que perdemos muita coisa que tínhamos conseguido: a curva do investimento e da aposta em investigação em desenvolvimento começou a inverter-se, o número de alunos em universidades, as parcerias internacionais, as patentes registadas, a balança tecnológica, as energias renováveis e a capacidade que nós temos de sermos líderes nas energias renováveis. Havia uma aposta de modernidade que também foi nesta enxurrada. Nós temos indicadores piores e uma estrutura da economia pior. Porque é que agora a nossas exportações começaram a cair a pique? Nós, ao termos pas-

sado a apostar em exportações de baixo valor acrescentado, ficámos muito mais dependentes das flutuações da economia internacional. Se estivessemos a exportar, como exportámos muito, computadores inteligentes, torres eólicas, plataformas de energia solar, não estaríamos tão dependente das flutuações de mercado. Quando nós começamos a exportar com base no baixo salário e a concorrer com países de baixo salário, há uma retracção na Europa e vamos por aí abaixo... Considera que este Governo é mais ou menos troikista do que a troika? Em quê? A troika parte de um pressuposto errado. Muita gente diz: «A troika já cá veio seis vezes e deu nota positiva.» Porque é que não dá nota negativa? Porque vem saber se nós pagamos e nós temos pago. Ainda bem. Mas a troika tem uma visão que é a de que Portugal viveu acima das suas possibilidades e que, portanto, tem de empobrecer. Isto é o mesmo que um amigo emprestar dinheiro e dizer: «Eu empresto-te dinheiro, mas tens de mudar do teu T3 para um T1, deste bairro para um bairro pior, mudas o carro para um carro mais baixo e assim eu empresto-te dinheiro.» Isto

foi aceite pelo Governo português como uma estratégia. Não consigo perceber como é que um Governo pode ter como objectivo empobrecer os seus concidadãos. Vitor Gaspar e Passos Coelho têm uma visão exactamente compatível com a da troika. Desde que eles fiquem cá, a troika não vai embora. A questão não é mandar a troika embora, é mudar as políticas da troika. Fernando Dacosta afirmou que este Executivo não tem perfil de estadista ao tentar pôr velhos contra novos, trabalhadores privados contra trabalhadores públicos, quebrando assim os laços comunitários. Concorda? Este Governo tem muito pouco amor a Portugal. Sei que o Governo anterior também cometeu erros, mas sei bem o orgulho que nós sentíamos em afirmar Portugal como um país que liderava nalgumas áreas, que crescia noutras, que se começava a desenvolver na área aeronáutica, por exemplo, que era uma ponte geoestratégia que conseguiu ir para o Conselho de Segurança da ONU. Neste Governo, não sinto esse orgulho. Cada um trata da sua quinta, alguns dos seus negócios, este Governo muitas vezes confunde os negócios do Estado com os negócios do Governo e não sinto em nenhum membro deste Governo esse apelo pela História que nós temos. Muitas das gafes protagonizadas pelo Governo decorrem desse sentido de desistência e de não orgulho em Portugal e nos Portugueses. Eu tenho enorme orgulho em que os meus filhos tenham nascido em Portugal e a missão que nós temos é a de honrar o orgulho em nascermos portugueses Mira Amaral disse que faltam cabelos brancos ao Governo. Subscreve esta crítica? Tenho conhecido na minha vida gente velha muito imatura e gente nova muito madura. Que este Governo é imaturo é de certeza. João Miguel Tavares escreveu um artigo em que sublinha que dez jornalistas transitaram da redacção do Diário de Notícias para cargos de nomeação directa do

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ENTREVISTA Governo de Pedro Passos Coelho. Como vê o jornalismo actual e as suas relações com o poder executivo? Não me preocupa tanto que jornalistas conceituados e de carteira possam numa fase da sua vida prestar serviço público em assessoria política, sobretudo se forem jornalistas com forte sentido deontológico. Preocupa-me mais a grande dependência que existe de muitos jornalistas precários que têm todos os dias de tomar decisões entre a salvaguarda da sua independência e a salvaguarda do seu emprego. As previsões do Governo falham, o desemprego e as falências aumentam, o produto retrai-se, as contestações ao Governo de norte a sul do país são diárias, mas nas sondagens o PS não descola do PSD. O que se passa? 18 meses. Parece uma eternidade, parece que este Governo já fez o mal por décadas, mas o PS só saiu do Governo há 18 meses. Mesmo assim, somos dos partidos da esquerda moderna que nas sondagens estão mais acima. Em todas as sondagens, há uma percentagem muito grande de pessoas que dizem que não vão votar, que dizem que estão indecisas. No contexto de uma campanha eleitoral, as pessoas acabarão por votar. Estou convencido de que, no momento certo, o PS ganhará com condições para governar. Como vê as críticas, designadamente de Clara Ferreira Alves e não só, nomeadamente de pessoas afectas ao Partido Socialista, de que Seguro exerce uma liderança pouco firme e pouco carismática e de que é o principal sustentáculo do Governo de Passos Coelho? Só quem não o conhece. Às vezes, na política, começar com baixas expectativas não é necessariamente mau. Trabalho diariamente com António José Seguro e posso con-

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firmar que tem muito maior capacidade e é muito melhor do que aquilo que em média o fazem e as pessoas que o vão conhecendo melhor vão melhorando a sua opinião. Em todos os estudos de opinião, a popularidade de António José Seguro tem vindo a subir e é já hoje o líder político com maior popularidade. Julgo que António José Seguro tem todas as condições para ser um grande primeiro-ministro. Há quem aponte que Seguro e Passos Coelho são a face dos aparelhos partidários e exemplos de pessoas que nunca tiveram actividade fora da política. António José Seguro tem um currículo que não é estritamente partidário: professor do ISCTE, colabora, como já disse, na gestão de alguns negócios familiares. Não teve uma vida fácil, foi um empreendedor desde muito jovem, criou aliás um jornal em Penamacor. Mesmo no seu percurso político, foi líder da associação internacional dos jovens socialistas, vice-presidente do Parlamento Europeu, tem um percurso muito interessante. A questão levar-nos-ia a uma reflexão muito alargada. A sociedade não pode ao mesmo tempo querer que estejam na política os mais experientes nos sectores fora da política e depois criar condições para o exercício da política que não são minimamente atractivas para isso. Há uma grande contradição. Tem é de haver mais fiscalização e mais transparência. A propósito das manifestações e, nomeadamente, dos apupos a Miguel Relvas no ISCTE, houve

quem não gostasse da excessiva brandura do PS e do seu sublinhar da liberdade de expressão do ministro. Eu sublinho de novo. A liberdade de expressão é algo que deve ser sagrado. Quer do ministro, quer de quem não gosta do ministro. Essa liberdade de expressão implica que as pessoas podem receber um ministro com os assobios e as pateadas que quiserem, podem fazê-lo também no final da intevenção, mas ele deve poder fazer a intervenção e esse é um ponto de equilíbrio que não devemos ultrapassar. Senão, pode haver uma deriva em que nós podemos ficar a perder. As manifestações têm de decorrer sem violência e sem impedir a liberdade de expressão de quem tem de se exprimir Quem tem de avaliar a saúde das instituições é o Presidente da República. O Presidente da República Cavaco Silva já deveria ter demitido o Governo? O Presidente da República foi eleito para fazer esse trabalho de avaliação e eu não fui eleito para lhe dar conselhos. O Presidente da República é eleito pela maioria dos portugueses e nunca é imune à maioria que o elegeu . Ele foi eleito por uma maioria de direita e tem uma sensibilidade acrescida ao discurso de uma maioria de direita. O PS já fez o balanço da governação de José Sócrates? Vai fazendo em cada momento e já temos a consciência do que fizemos melhor e do que poderíamos ter feito melhor. É um processo normal e não traumático. Cada vez mais, as pessoas que fizeram parte desses governos têm a consciência de que a sorte não os acompanhou. Tivemos uma enorme crise internacional, mas deixámos muitas e boas marcas que o futuro vai assinalar. O tempo nos julgamentos políticos é bom conselheiro. Na economia geral, depois do 25 de Abril, virão a ficar muitas marcas positivas associadas ao Governo de Sócrates como ficarão ao de José Seguro. Já tenho mais dúvidas se ficarão marcas positivas associadas à governação de Passos Coelho.


REPORTAGEM Eva Falcão

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bullying é cada vez mais uma realidade presente na comunidade escolar. Atento a este fenómeno, o projecto da Associação dos Moradores da Portela, Portela Jovem, promoveu uma palestra submetida ao tema. Ana Ferreira, psicóloga clínica e coordenadora do Gabinete de Apoio à Criança e à Família, foi a oradora de serviço. A conversa contou, ainda, com um testemunho na primeira pessoa. O termo bullying é relativamente recente e perde-se na tradução para o português, muito embora o tipo de comportamentos a ele associado sempre tenha existido na nossa sociedade. No entanto, é um fenómeno democrático cada vez mais presente nas nossas escolas e que não acontece apenas aos filhos dos outros. Os especialistas alertam para a necessidade de se estar de sobreaviso quanto aos comportamentos sintomáticos. «Por bullying, podemos entender o comportamento entre colegas de escola, que acontece quando um(a) aluno(a) é gozado(a), empurrado(a), ameaçado(a), post(o)a de parte do seu grupo de amigos, insultado(a) por parte de outros colegas, perseguido(a) e até humilhado(a) de forma repetida e intencional», explica Ana Ferreira. Um comportamento adoptado por um ou mais estudantes contra outro ou outros e que se distingue das outras formas de violência por ser um comportamento intencional. «O objectivo é provocar mal-estar e ganhar controlo sobre outra pessoa», continua a técnica. O bullying é levado a cabo repetidamente e ao longo do tempo. «Não é nem ocasional, nem um acto isolado. Tem de existir um desequilíbrio de poder. Os agressores vêem as suas vítimas como um alvo fácil, mais fracos e vulneráveis», acrescenta Ana Ferreira. Agressores e seus comportamentos Os comportamentos associados a esta problemática são os mais variados. «Alguns autores atribuem-lhes níveis de distinção», refere a psicóloga. As acções físicas que se traduzem em bater, dar pontapés, forçar a dar dinheiro, etc.; as acções verbais, atribuídas ao acto de chamar nomes ou dar alcunhas; as acções psicológicas como são as ameaças e a exclusão (deixar deliberadamente um indivíduo fora do grupo); as acções sexuais (assédio, abuso); e, finalmente a acções virtuais – Cyberbullying, ou seja, as acções ofensivas realizadas através das tecnologias de informação e comunicação ao alcance de todos os jovens e que representa um perigo maior, já que é um fenómeno à escala global. As crianças e jovens que adoptam comportamentos de Bullying são, geralmente, indivíduos

Alerta bullying que cresceram em contextos com ausência de regras, não sendo, ou sendo pouco contrariados, que gostam de exercer poder sobre os outros, que raramente se sentem bem com os outros alunos e que revelam dificuldades nas relações com os outros. As vítimas As vítimas do bullying são, geralmente, alunos frágeis, que se sentem prejudicados e inferiores aos colegas, mas que muito raramente pedem ajuda. Revelam muita dificuldade em estabelecer relações sociais. São, habitualmente, crianças ou jovens de baixa estatura, com problemas de obesidade ou algum tipo de deficiência física ou sensorial. O uso de óculos ou aspectos culturais, étnicos ou religiosos podem ser, também, factores que desencadeiam o fenómeno. A vítima típica sofre, com frequência, agressões por parte de outros alunos, revela extrema sensibilidade, timidez, passividade, submissão, insegurança, baixa auto-estima, dificuldades de aprendizagem, ansiedade e sintomas depressivos. «Sente dificuldade em impor-se ao grupo, tanto física como verbalmente». Mas existe também a vítima provocadora que procura atrair e provocar reacções agressivas contra as quais não consegue lidar. Estas vítimas podem ser alunos hiperactivos, inquietos, caracterizados pelos professores como muito desatentos e dispersos. «São, de um modo geral, indivíduos imaturos e com comportamentos sentidos como irritantes pelos colegas. É quase sempre responsável por causar conflitos nas relações com os outros.» A vítima agressora reproduz os maus-tratos que habitualmente sofre, ou seja, para compensar esses maus-tratos procura um colega mais frágil, cometendo sobre este as agressões sofridas na escola ou em casa, tornando o Bullying num ciclo vicioso. «Por exemplo, um aluno do 7.˚ ano que estando a ser maltratado por outro do 8.˚ ano começa a maltratar um do 5.˚ ano.» Os sintomas Os sintomas apresentados pelas vítimas e aos quais é necessário estar-se atento são, fundamentalmente, a depressão, as insónias e os pesadelos, a anorexia e/ou bulimia, as dores de cabeça e abdominais frequentes, a enurese (o famoso «chichi na cama») nocturna, os pensamentos suicidas ou mesmo o suicídio. «Os alunos vítimas de bullying obedecem a um pacto de silêncio perante o mundo dos adultos. A pressão social é um factor determinante no impedimento da denúncia. Geralmente, são as raparigas que denunciam mais as situações de bullying, enquanto os rapazes têm de ser fortes», explica Ana Ferreira. O medo de represálias por

parte do agressor, a ignorância sobre o que lhes está a acontecer já que muitos dos alunos que são vítimas não percebem que aquilo que lhes está a acontecer é bullying, (no caso de crianças mais pequenas, muitas vezes, nem têm a noção de que bater, dar pontapés ou pôr um colega de parte é errado), a resignação, já que algumas crianças e jovens acham que se a maioria dos colegas os gozam é porque há algo errado com ele e que, façam o que fizerem, haverá sempre alguma coisa com que os outros possam gozar e a negação («muitas crianças que são persistentemente vitimadas vão suportando as agressões com a esperança de que quem as maltrata acabe por se fartar destas “brincadeiras” e tudo termine») levam ao silêncio. Na primeira pessoa Nuno Sousa, hoje com 14 anos, foi vítima de bullying aos 8 anos de idade, por dois colegas da mesma escola do primeiro ciclo com 13 e 14 anos. Batiam-lhe, exigiam-lhe dinheiro, punham-no de parte. Chegou mesmo a sofrer uma agressão mais séria na presença dos auxiliares da escola que se mantiveram impávidos perante a situação. Nuno apresentava em casa todos os sintomas. Mas como se mantinha em silêncio, confundiram-se com possíveis problemas de saúde. Aos domingos à noite, nunca se sentia bem, assim como todos os dias de manhã momentos antes das aulas. Os pais levaram-no a médicos de várias especialidades. Fez dezenas de exames durante cerca de um ano. Nada. E a resposta estava tão perto… O desespero, já no limite, levou-o a furtar uma navalha, que o pai mantinha guardada numa gaveta, com o intuito de fazer frente aos agressores. Felizmente, a dita navalha foi encontrada na sua mochila a tempo de evitar um eventual desfecho trágico. E só nesse momento é que os pais de Nuno são chamados à escola pela directora do estabelecimento. Só nessa altura foram postos ao corrente do que se passava. No entanto, na escola nada foi feito. Apenas uma advertência aos pais dos agressores. Nuno acabou por sair do estabelecimento de ensino no final do ano lectivo. Há cerca de dois meses, Nuno reencontrou um dos agressores. Não pensou ser reconhecido por ele e estava longe da atitude que tomaria: «Pediu-me desculpa.» Nuno perdoou… e muito desse perdão, acredita, passa pelo apoio psicológico que tem recebido desde então e que considera essencial a todos os que passam pela mesma experiência. «É muito importante que possamos falar com alguém que não seja os nossos pais, porque nem sempre lhes conseguimos dizer tudo.»

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REPORTAGEM

25.˚ Aniversário da Universidade Aberta

«A aula não tem limites de tempo ou de espaço. O aluno vai no autocarro, liga o smartphone e entra na aula» Manuel Monteiro

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Fotografia: Fernando Caetano

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sta é a universidade estatal, em Portugal, de ensino a distância, a par de algumas congéneres de elevada qualidade no plano internacional. Tendo um modelo pedagógico reconhecido internacionalmente, permite ao estudante fazer uma formação superior ao nível da licenciatura, do mestrado e do doutoramento em diversas áreas de especialidade e a aprendizagem ao longo da vida. As mais-valias da Universidade Aberta A Universidade Aberta, instituição de ensino superior público, foi criada há exactamente vinte e cinco anos e desenvolve a sua actividade no ensino a distância e e-learning, em particular, para a população adulta», explica o reitor da Universidade Aberta (UAb), o professor catedrático Paulo Dias, doutorado em Educação. A especificidade da UAb tem, no entendimento do seu reitor, as seguintes mais-valias: « A flexibilização do acesso aos estudos universitários; a qualificação da população adulta; a requalificação profissional; e a formação ao longo da vida de acordo com as necessidades e os espaços profissionais.» O aluno-tipo da UAb é o adulto que interrompeu o seu processo de estudos regular e retoma a formação como forma de valorização pessoal e profissional. O reitor sublinha que «a maioria dos nossos alunos se situa no intervalo 30-40 anos», sendo a idade mínima de entrada de 21 anos. «Em qualquer lugar do mundo», slogan da Universidade Aberta «O espaço de ação da UAb não se limita a Portugal continental e ilhas. A lusofonia constitui a área de intervenção para a oferta educativa e de formação no desenvolvimento da língua e da multiculturalidade. Esta Uni-

versidade está territorialmente em qualquer lugar e com qualquer pessoa.» Não pretendendo concorrer com as instituições de ensino presenciais, a UAb tem vindo a promover «cenários de complementaridade com os projetos em desenvolvimento por outras instituições, quer em Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde e Timor ou nas comunidades da diáspora portuguesa. Tudo o que deve ser feito é no sentido do respeito e da valorização dos projectos locais.» A grande mais-valia é que os alunos da UAb «acedem a redes de conhecimento internacionais.» A Universidade Aberta tem alunos espalhados por todo o mundo, numa rede que se estende, neste momento, a 31 países nos diferentes continentes. Aprendizagem ao longo da vida As ideias centrais que subjazem ao paradigma da Universidade Aberta são as de que não há idade para a aprendizagem, nem um modelo uno de ministrar o ensino, nem a visão de que, obtido o diploma de uma instituição de ensino tradicional o indivíduo deva

estar fechado para a aquisição de conhecimento. «A aprendizagem é um processo contínuo ao longo da vida. E, neste sentido, a fomação na universidade não deve ser um projecto limitado no tempo. O papel da escola e da universidade está, assim, na abertura, no acompanhamento e apoio aos diferentes momentos e necessidades de aprendizagem e de construção de conhecimento ao longo da vida, pois estamos permanentemente a enfrentar novos problemas e a procurar novas soluções.» As críticas à mudança paradigmática do conhecimento digital São vários os estudos como, por exemplo, os salientados pelo professor Manuel Maria Carrilho, que evidenciam que a capacidade de concentração na Internet é de três minutos em média, e que, no ensino não-presencial, o professor deixa de ser a referência central, que o léxico entre as novas gerações se vai deteriorando com as redes sociais e que os laços sociais entre os pares se vão dissolvendo.


Para o reitor, «as tecnologias não vêm substituir o professor nem os modelos de comunicação através da interacção entre pares. As tecnologias terão de ser observadas como novos suportes para o desenvolvimento dos ambientes de interacção professor-aluno, aluno-aluno, com a comunidade, centros de cultura, museus, laboratórios, que implicam, também, novas abordagens pedagógicas. A tecnologia não é um fim, mas um meio para a mediação das interacções nos processos cognitivos e sociais da aprendizagem.» Sobre a centralidade dos problemas de atenção, «salienta que há estudos que apresentam outras interpretações para as mudanças em curso. No âmbito de um estudo internacional pioneiro na avaliação das práticas de e-learning conduzido com alunos do 1.˚ ciclo foi utilizada uma plataforma para trabalho colaborativo, a FLE ou Future Learning Environment, e os dados recolhidos da actividade de aprendizagem dos participantes evidenciaram níveis de envolvimento que se traduziram no aumento da capacidade de se expressarem fluentemente. O problema, em relação à atenção, está, em parte, na forma como são concebidos os ambientes para a aprendizagem e no acompanhamento pedagógico». O reitor da UAb aponta também que a multitarefa digital que ocorre quando um jovem está no computador a desempenhar várias funções, a ouvir música, a recolher informação e a escrever um texto tende para um tratamento de informação demasiado superficial. «A imersão na rede não significa, necessariamente, um trabalho aprofundado. Para que isso aconteça, é preciso o desenvolvimento da capacidade de focagem no problema ou na actividade», conclui. Refere, porém, que «através de uma rede social, pode-se promover a resolução de um problema através da participação activa dos membros da rede. Pode ser a análise de um jogo de futebol ou a explicação de um teorema. Não é um processo de exposição às diferentes formas de apresentação da informação, mas a definição de um objectivo partilhado pelos membros da rede para a experiência de um cenário enriquecido». Recorda ainda que todas as mudanças tecnológicas têm implicações profundas nas atitudes e nas práticas sociais. «Estamos a desenvolver um processo de mudança disruptiva com a introdução das tecnologias na educação. A distância foi anulada com a presença virtual e em rede no e-learning. Numa outra leitura, a disponibilização

de computadores aos alunos, como a que foi realizada com o Magalhães, permitiu o acesso às redes de conhecimento, além de alterar a forma de participação de muitas famílias neste processo, porque, para muitas, foi o primeiro computador que, ao entrar nas suas casas, lhes permitiu um novo acesso ao conhecimento.» Questionado sobre o estudo recente que aponta que a Wikipedia tem 60% de erros factuais, rejeita a linearidade entre a profusão da informação e uma falta de rigor e qualidade associadas à mesma. «O importante na Internet é começar a formar as pessoas para saber procurar e avaliar a informação. A Internet permite uma nova forma de participação através da voz social nas redes e a profusão de publicações de todo o tipo. No entanto, não podemos deixar de assinalar que é necessário distinguir a forma e a natureza dos processos, procurando, igualmente, meios para a validação da informação, sempre que tal seja necessário, e a Wikipedia tem a preocupação de assinalar isso.» É preciso, segundo o reitor, etiquetar e autenticar a informação, de modo que se promova uma cultura da qualidade na informação. Sobre a perda dos laços de sociabilidade do ensino não-presencial, assevera que «o campus digital é um outro campus, não pretende recriar o espaço do café presencial, por exemplo, uma vez que há novas sociabilidades que só podem surgir no campus digital. O campus digital da UAb é um espaço para a emergência de novas sociabilidades, longe dos processos de replicação dos cenários presenciais. O desafio que enfrentamos consiste em construir um ambiente de imersão na rede de aprendizgem». A perda de importância do léxico com o desenvolvimento das novas tecnologias é contraposto, do ponto de vista do ensino digital, que não se limite a modelos de escrita rá-

pida, com o facto de «os níveis de exigência no mundo virtual serem muito maiores. A fluidez na oralidade é diferente da fluidez na escrita. Na construção da ideia ou da narrativa, há um nível de exigência que não tem nada que ver com o da oralidade. É necessário ser rigoroso e preciso e muito mais fino no detalhe». «Uma sociedade digital tem uma dimensão completamente distinta de uma sociedade pós-industrial, obriga ao desenvolvimento de competências no sujeito para enfrentar uma dinâmica fluida e de enorme incerteza», salienta. MOOC – Massive Open Online Courses Um exemplo de «conhecimento etiquetado», isto é, de conhecimento disponível na Internet, mas sem certificação formal, são os MOOC. «O ensino ou o conhecimento é livre, feito pela disponibilização de conteúdos abertos, sem qualquer espécie de custos. Não há inscrições num quadro formal. A aula não tem limites de tempo ou de espaço. O aluno vai no autocarro, liga o smartphone e entra na aula.» O reitor da Universidade Aberta distingue dois tipos de MOOC: o MOOC que se baseia no modelo de disponibilização de conteúdos e o MOOC que, além da disponibilização dos conteúdos, promove a construção de redes de experiência e conhecimento que dão forma aos grupos de aprendizagem.«Este último é um MOOC de partilha e em rede. O conhecimento é uma construção que resulta não só da interacção individual com os conteúdos, mas também dos processos de diálogo e interpretação realizados pelo conjunto dos membros da rede. É um processo colectivo na definição de um objetivo, na resolução de um problema, e na integração das diferentes perspectivas e formas de interpretação na representação do conhecimento. Os MOOC podem constituir um processo de inovação disruptiva na educação, mas, para que isso aconteça, terão de ser mais do que espaços de disponibilização de conteúdos. A educação aberta é construída na convergência das representações individuais através do diálogo, na interacção que conduz às redes de aprendizagem e conhecimento. Para o professor Paulo Dias, «mais importante do que a experiência dos lugares de conhecimento é a capacidade de interação», vincando o conceito de liderança partilhada. «Uma equipa de futebol é dos casos mais espantosos em que o centro da acção pode ser partilhado por todos os jogadores.»

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ACONTECEU NA AMP

Assembleia Geral da AMP

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o dia 1 de Março, foi realizada a Assembleia Geral ordinária de discussão e votação do relatório de contas da Direcção e do parecer do Conselho Fiscal, relativos ao exercício de 2012 e do relatório de actividades de 2012, cujos documentos estão acessíveis aos nossos associados no sítio da AMP através do endereço www.amportela.pt

Órgãos Sociais da AMP – biénio 2013/2014 Em 30 de Março, a AMP realizou a Assembleia Geral com vista à eleição dos órgãos sociais para o biénio 2013/2014, tendo-se apresentado uma lista única composta pelos seguintes elementos, os quais tomaram posse na semana imediatamente seguinte à respectiva eleição:

ASSEMBLEIA-GERAL Presidente – JOÃO MIGUEL GIRÃO QUEIRÓS FELGAR – SÓCIO N.º 1465 FERNANDO COTA TEIXEIRA – SÓCIO N.º 292 MANUEL NORBERTO NUNES DA SILVEIRA – SÓCIO N.º 1976 PAULO JORGE LARANJEIRA ASSEICEIRO- SÓCIO N.º 1278

CONSELHO FISCAL Presidente – RUI MANUEL DUARTE GARÇÃO – SÓCIO N.º 2814 ACÁCIO JORGE ALMEIDA DOS SANTOS – SÓCIO N.º 3767 ANA SOFIA SANTOS SIMÕES DE CARVALHO – SÓCIO N.º 4392 MANUEL JOSÉ PAULOS ANTUNES – SÓCIO N.º 244

DIRECÇÃO

Acrobática – AcroPortela

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os dias 9 e 10 de Fevereiro, a AcroPortela representou a AMP no Campeonato Distrital de Acrobática da Associação de Ginástica de Lisboa, que se realizou no Pavilhão Alto dos Moinhos, Catujal. Estivemos ainda presentes no 1º torneio de Desenvolvimento de Acrobática, nos dias 23 e 24 de Fevereiro, novamente no Pavilhão do Catujal. Em Março, participámos nas provas qualificativas de Iniciados, Infantis, Juvenis, Juniores e Seniores. Nos dias 25, 26 e 27 de Março, durante as férias da Páscoa foi realizado um estágio da equipa na Faculdade de Motricidade Humana, na Cruz Quebrada, com vista à preparação para o Portugalgym que vai decorrer no mês de Junho, em Guimarães.

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Presidente – CARLA MARIA FERRO MARQUES – SÓCIO N.º. 2514 ALBERTINA FILOMENA PEREIRA GUERREIRO – SÓCIO N.º 404 ANTÓNIO MANUEL GERALDES BOTELHO – SÓCIO N.º 5654 CARLOS ALBERTO E. COSTA MANTEIGAS – SÓCIO N.º 2536 FERNANDO JOSÉ PIRES CAETANO – SÓCIO N.º 2252 JOAQUIM SANTOS MARQUES ANTUNES – SÓCIO N.º 2347 MARIA MARGARIDA PEDRO LOURO – SÓCIO N.º 1265 MIGUEL NUNO PEDRO CARDOSO MATIAS – SÓCIO N.º 84 NELSON DA CONCEIÇÃO VENTURA LOURENÇO – SÓCIO N.º 536 RUI JORGE ALVES OLIVEIRA ROSÁRIO REGO – SÓCIO N.º 4875

Dança Jazz

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s classes de Dança Jazz da AMP representaram a AMP no dia 10 de Fevereiro no evento GymForLive, realizado na cidade de Coimbra, no qual obtivemos a medalha de bronze. No dia 16 de Março, estivemos no Festival Novidades 2013, em S.João da Talha, com a nossa classe de Pequenotas.


Palestras

PORTELA SÁBIOS

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m 6 de Fevereiro, foi realizada uma visita de estudo à Casa Museu Leal da Câmara em Rio de Mouro, através das disciplinas de Francês e Fórum Sociedade, Actualidade e Cultura. Em 25 de Fevereiro, realizou-se mais uma visita de estudo pela disciplina História de Loures, desta vez à Igreja Matriz de Frielas e em 11 de Março os nossos sábios tiveram a oportunidade de visitar a Igreja Matriz de Unhos e o Poço Manuelino. Foi um verdadeiro percurso pela história dos campos e várzea de Loures com que a nossa Professora Dra. Paula Assunção uma vez mais nos brindou.

Durante todo o mês de Fevereiro, esteve patente nas nossas instalações uma Exposição dos alunos de Pintura do Portela Sábios sob a temática do Dia dos Namorados, e que excelentes trabalhos podemos ver. Em 13 de Março, realizámos uma visita às Caves Aliança em Sangalhos, aberta a todos os alunos do Portela Sábios, que contou com um almoço nas caves e visita guiada às mesmas. As merecidas férias lectivas dos nossos sábios decorreram de 18 de Março a 1 de Abril, mas logo no começo de mais um período que se espera tão intenso como os anteriores, o Portela Sábios vai dar inicio a mais uma disciplina, Geografia do Turismo, no horário de quartas-feiras das 14.00 às 15.00. Finalmente, no dia 16 de Abril, realizámos uma visita ao Convento de Cristo e à Sinagoga em Tomar. Visita promovida pela disciplina Bíblia Hebraica e Cristã, mas aberta a todos os alunos do Portela Sábios.

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urante as Férias da Páscoa, os nossos jovens beneficiaram do merecido descanso das actividades lectivas e dedicaram-se a realizar visitas e várias actividades lúdicas repletas de muito divertimento e brincadeira.

Dando continuidade às nossas palestras, em 23 de Fevereiro foi realizada mais uma conferência sobre Bullying, uma promovida pelo Portela Jovem, que contou com a presença da Dra. Ana Teresa Ferreira, Psicóloga do Gabinete de Apoio do Aluno e da Família das Escolas da Portela e com o testemunho de um dos nossos jovens que já foi vítima desta triste realidade que muito afecta os nossos jovens nos dias que correm e que merece toda a atenção da comunidade escolar e dos encarregados de educação. No dia 27 de Fevereiro, ocorreu um workshop de Shiatsu para os nossos alunos da Universidade Sénior. Em 4 de Março, tivemos a presença de uma técnica da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, a Dra. Sandra Ferreira, que nos veio elucidar sobre a «Mudança de comercializador face à liberalização do Sector da Electricidade e do Gás Natural». Esta sessão de esclarecimento foi aberta a toda a comunidade portelense e tivemos casa cheia. E como o cuidado com a nossa imagem também é importante, no dia 16 de Março proporcionámos às nossas sábias um workshop de Tratamento do Rosto, realizado por uma promotora da Mary Kay.

Tertúlia «Alimentar o Ser»

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os meses de Fevereiro e Março, foram realizadas a 10.ª e 11.ª «Tertúlia Alimentar o Ser» promovidas por alunos do Portela Sábios e abertas a amigos dos mesmos. Como habitualmente, as temáticas foram muito interessantes e acompanhadas de muito boa disposição, na Sala de Convívio do Portela Sábios.

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VAI ACONTECER NA AMP

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s próximas Tertúlias Alimentar o Ser estão previstas para 27 de Abril, 25 de Maio e 29 de Junho pelas 17h na Sala de Convívio do Portela Sábios. Junte-se a nós e passe bons momentos de descontracção. O Jantar Partilhado e Festa de Encerramento de mais um ano lectivo do Portela Sábios está programado para o dia 18 de Junho. Novidade – Neste ano, o Portela Sábios irá realizar algumas actividades durante as férias lectivas de Verão. Assim, para Julho, em datas a serem divulgadas, iremos promover umas matinés com filmes e debates, em conjunto com a nossa Prof.ª Elisabete Carriço. Não deixe de aparecer…

Grupo de Teatro AMP

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rama ou comédia? AMP cria grupo de teatro… Tem veia de artista? Gostava de subir a um palco e de interpretar um personagem? A AMP está em processo de formação de um grupo de teatro, mas para isso precisamos de actrizes e de actores. Se está interessado em representar para uma plateia e vestir uma personalidade diferente, então envie-nos um e-mail para portelateatro@gmail. com

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Façam-se amigos do Portela Sábios e do Portela Jovem e da Portela Magazine através do facebook

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Apesar de ainda faltar algum tempo, estamos já a promover o 3.o Acampamento do Portela Jovem a realizar-se de 24 a 28 de Junho. Com já é costume, será uma semana passada no Parque de Campismo de São Pedro de Moel em que jovens e monitores ficam alojados em bungalows. A equipa do Portela Jovem está também já a organizar a programação para as férias de Verão e será sem dúvida um programa muito divertido. Reservem já o lugar para os vossos filhos. As inscrições para as actividades de Verão já estão abertas e destinam-se a todos os jovens, quer os que estão connosco durante todo o ano no nosso Centro de Actividades para Jovens, quer para jovens que apenas se juntam a nós nos períodos de férias escolares. Para mais informações contactar a secretaria da AMP – telef. 21 9435114 ou 918552954, ou através de e-mail amportela.secretaria@gmail.com ou portela.jovem@gmail.com

Acrobática – AcroPortela Dança Jazz

urante o mês de Abril, as nossas equipas de Acrobática e Dança Jazz vão estar presentes em dois espectáculos, um deles, no dia 20, o Festival de Ginástica – FESTA JOVEM, no Pavilhão do Complexo Municipal de Desportos de Almada. E, no dia 27, a AMP vai realizar a 3.ª edição do Espectáculo de Dança – Gente da Rua, no antigo cinema da Encarnação, em que, além das nossas classes de Dança jazz e Acrobática, estarão presentes

outras prestigiadas classes convidadas. Nos dias 4 e 5 de Maio, vai realizar-se mais uma edição do Acromix Cup, campeonato particular, no Catujal, no qual estaremos presentes com a nossa classe de Acrobática. Ainda em Maio, no dia 11, será realizado o Festival de Modalidades da AMP – FAMP 2013, e em 27 o LouresGym no Pavilhão Paz e Amizade, em que estará representada uma das classes da AMP.


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Uma outra forma de fazer a história…

o dia 22 de Março de 2013, a AMP lançou a sua Caderneta de Cromos, que faz a história dos que representam a nossa Instituição na época 2012/2013, sendo esta também uma forma de divulgar e de agradecer de uma forma divertida a todos os que contribuem dia a dia para tornar esta Associação maior e melhor.

Estão representadas as nossas modalidades de Futsal, Ginástica Acrobática, Dança Jazz e Ténis. Deixamos um convite a todos que se divirtam coleccionando os nossos cromos. Os cromos estão disponíveis na sede da AMP, no Portela Ténis, no Quiosque e no Pavilhão.

Lojas já Aderentes com Protocolos em Vigor Novos Protocolos Tivoli Hotels e Resorts – www. tivolihotels.com; reservations@ tivolihotels.com; francisco.braga@ tivolihotels.com ; telef. 213932687 ou 911963820. Desconto – 10% sobre a tarifa de Bar nos Hóteis Tivoli (válido até 31-122013). – 10% na factura do Restaurante Hippopotamus no Hotel Tivoli Oriente. Hotel do Parque – Termas de São Pedro do Sul – 3660-692, Várzea São Pedro do Sul, telef. 232723461 Desconto – 10% do valor do alojamento em estadias de mais de 4 noites. – 15% do valor do alojamento em estadias de menos de 4 noites. – 10% nos programas especiais (individuais). Termalistur – Termas de S. Pedro do Sul E.E.M. – Praça Dr. António José de Almeida, Termas de S. Pedro do Sul, 3660-692 Várzea, telef. 232 720 300, geral@termas-spsul.com Desconto em todas as Curas Termais e Tratamentos de Bem-Estar a realizar nas Termas de São Pedro do Sul – 20% entre 1 de Dezembro e 28 de Fevereiro. – 5% entre 1 de Março e 30 de Novembro. CABELEIREIRO H.L. – Centro Comercial da Portela loja 96 Piso 1 Desconto – 20% em todos os serviços prestados

LOJAS JAO – Praça da Figueira, n.º 11, Ed. Jao – Estação de Metro do Campo Grande, loja 10 Desconto – 10% no acto de aquisição de produtos e nos serviços prestados pelos estabelecimentos JAO. ONE DENTAL & FACIAL CONCEPT – Cliníca de Saúde Oral – ONE EXPO sita em Avenida D. João II, n.1.16.03 A, 1990-083 Lisboa; ONE SALDANHA sita em Avenida da Republica n.6, 1050-191 Lisboa; ONE SETUBAL sita em Avenida dos Combatentes da Grande Guerra n.11, 2900-329 Setúbal Desconto – até 25% nos tratamentos não mencionados na referida tabela de preços. – Formas de pagamento adaptadas às necessidades de cada paciente, tal como as distintas possibilidades que as clínicas ONE podem oferecer no seu programa de financiamentos e pagamentos fraccionados na ONE EASY. – Agendar consultas de reavaliação da saúde oral a cada seis meses. – As limpezas orais serão gratuitas, uma vez iniciado o tratamento prescrito pelo médico. – Prioridade no agendamento das consultas e tratamentos. – Realização de uma acção de rastreio anual, a efectuar nas instalações da AMP, em data a agendar entre as partes. – Oferta de um vale de desconto nos tratamentos a efectuar aos beneficiários que comparecerem ao rastreio anual, com prazo de validade de 3 meses. – As prestações descritas anteriormente estão sujeitas às seguintes práticas médicas existentes nas Clínicas ONE: Cirurgia Oral; Dentisteria Operatória; Implantologia Oral; Ortodontia; Prostodontia; Periodontologia; Endodontia; Odontopediatria; Cirurgia oral e Maxilofacial. CEAP – Centro de Estudos Aplicados da Portela – Centro de Explicações -Centro Comercial da Portela, 1.º andar, loja 5. Desconto – 10% no acto de aquisição de serviços prestados pelo estabelecimento CEAP. TELERAÇÕES – Venda e entrega ao domicílio de produtos para Animais – Rua da Corredoura, n.º 15 A, 2660-028 Frielas, telef. 925953596 ou 925953595, loures@teleracoes.com Desconto – 10 a 17% na aquisição dos produtos. LOSTIVALE – Restaurante Pizzeria – Centro Comercial da Portela, loja 3 no Piso 1 Desconto – 5% em todos os serviços prestados. VANTAUTO – Comércio e Reparação de Automóveis – R. Afonso de Albuquerque, lote 5 lojas A e B – Sacavém. Desconto – 10% na mão-de-obra e 15% em peças. ANA CABELEIREIRO – Cabeleireiro - Centro Comercial da Portela loja 76 Piso 1. Desconto – 7,5% em todos os serviços prestados. EDEN JOIAS – Joalharia – Centro Comercial da Portela loja 46 Piso 1.

Desconto – 10% na aquisição de produtos e serviços prestados. HELEN DORON EARLY ENGLISH do Parque das Nações – Ensino de Inglês para crianças a partir dos 3 Meses – R. Nova dos Mercadores, lote 2.06.03 B. Desconto – 10% na inscrição de crianças em cursos anuais ou de férias para filhos e netos dos sócios. – 10% em aulas de inglês interdinâmicas em semanas de férias do Portela Jovem. – Aulas de demonstração gratuitas (a combinar data). ALIANÇA D’ EMOÇÕES – Joalharia – Centro Comercial da Portela loja 55 R/C. Desconto – 5% na aquisição de produtos e serviços prestados. CÉSARS – Joalharia – Centro Comercial da Portela loja 34 B R/C. Desconto – 10% na aquisição de produtos e serviços prestados. REMAX PLATINA C2M do Parque das Nações – Alameda dos Oceanos n.º 316.01 F Desconto – 5% sobre o valor da prestação de serviço de mediação imobiliária. VALE D’EL REI SUITE & VILLAGE RESORT – Hotel - Quinta Vale D’el Rei, Lagoa Desconto – 10% em restauração e bar e 20% em alojamento. GRANESHA HAIR SPA – Cabeleireiro – Centro Comercial da Portela loja 20 A – Cave. Desconto – 10% em todos os serviços prestados. PTC – Paula Tomás Consultores, Lda. – Entidade de formação sediada no Parque das Nações (Norte) sito Rua das Vigias, Lote 2 – 2.º F, 1990-506 Lisboa; Site: www.ptomasconsultores.pt Desconto – 25% no acto de aquisição de produtos e nos serviços prestados pelo estabelecimento PTC. – Nos cursos de 1 dia: 15% do valor do curso. – Nos cursos de 2 dias: 15% do valor do curso. MANJARES DIVINOS - venda de produtos alimentares gourmet via electrónica, como por exemplo queijos, enchidos, compotas e bolos caseiros, com entrega ao domicílio www.saboresdavolinda.com Desconto – Oferta do valor que se pagaria pela entrega em mão na morada de residência das encomendas a serem realizadas através do Manjares Divinos, a todos os associados, familiares e funcionários da AMP. FLASH SERVICE VIAGENS, Agência de Viagens – Campo Grande loja 220 B. 1700 094 Lisboa, Telefone: 21 7900610, www.flashviagens.com Desconto – Desconto até 15% no acto de aquisição de produtos e nos serviços prestados, com excepção de todos os serviços cotados a valores fixos, como grupos, viagens à medida, meios de transporte isolados, suplementos, diferentes taxas e outros a ser informado no acto da reserva.

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CULTURA leiturasdemadamebovary.blogspot.com

Quem tem medo de Sylvia Plath?

Patrícia Guerreiro Nunes

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oda a gente sabe que mulheres que lêem são perigosas. E que mulheres que lêem e escrevem são fatais. Historicamente, as mulheres foram sempre mais vulneráveis à loucura pela identificação romanesca. Sylvia Plath, encontrada morta na sua casa, em 11 de Fevereiro de 1963, com a cabeça dentro do forno e o gás ligado, tornou-se o ícone pop da femme fatale que lê e escreve. Bonita, inteligente e perturbada, o seu nome foi usado para designar o célebre efeito Plath, designando uma suposta propensão das poetisas para os distúrbios mentais. Devota das palavras certeiras, Sylvia consagrou a sua vida ao grande striptease, confundindo literatura e vida. Em Lady Lazarus, escreveu sobre as suas tentativas de suicídio: Soon, soon the flesh The grave cave ate will be At home on me And I a smiling woman. I am only thirty. And like the cat I have nine times to die. O que quase ninguém sabe ou diz é que existem textos que matam. Textos que deixam as mãos, os olhos e os ouvidos ensanguentados. Palavras que incitam à revolta, ganas de sair pelas ruas gritando o que todos calam, que assim, meus senhores, não se pode viver. É preciso inventar uma outra vida que não estes dias chãos, dias de cão roendo os ossos e as vísceras. Inventar um amor novo, louco e forte, para derrotar o medo que corrompe as falanges. A vida inteira revistada e não se encontra recordação que sirva de mastro, farol ou almofada. Tudo tão violento para depois se morrer no fim. Textos assassinos cujas palavras, dispostas numa determinada sequência, nos amarrotam o peito com uma mão negra e tornam a morte certa e inevitável. Suspeitei desde cedo de que as palavras não são tão inofensivas como a

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presente cultura da imagem pretende fazer esquecer e que tudo pode ser textualmente produzido, desde o amor até à morte. Ou: sobretudo o amor e a morte. E foi nas palavras de Sylvia Plath no poema Three Women que encontrei a minha primeira grande máquina de morte escrita, numa encenação teatral da qual saí lívida e assustada. When I first saw it, the small red seep, I did not believe it. I watched the men walk about me in the office. They were so flat! There was something about them like cardboard, and now I had caught it, That flat, flat, flatness from which ideas, destructions, Bulldozers, guillotines, white chambers of shrieks proceed, Endlessly proceed and the cold angels, the abstractions. I sat at my desk in my stockings, my high heels, And the man I work for laughed: ‘Have you seen something awful? You are so white, suddenly.’ And I said nothing. I saw death in the bare trees, a deprivation. Assustada de morte. De repente, era tarde demais. Tarde demais para de-

sejar, tarde demais para descansar. O mistério da vida revelava-se sob a forma de uma pergunta atroz, impedindo qualquer resposta que não fosse violenta. Exposto aos sons destas letras, o corpo perdia a sua capacidade de ser casa e quietude. Expulso da vida, estava entregue à noite e ao silêncio. Mas nem todos os textos matam de um só golpe. Existem outros que se instalam nos escaninhos da alma e lentamente a corroem até à derrocada. No entanto, esta morte textual não está destinada a todos e é imprevisível. Depende da sequência das leituras e só acontece a quem aceita tomar o tempo e o pensamento com a mesma compulsão voraz de quem toma uma droga. Os dias sucedem-se graves e mesmerizados como estátuas de gelo, cada minuto sacrificado no altar do demónio internalizado. É assim que se caminha e se cai ao mesmo tempo, e da alegria mais fértil nasce o desespero mais daninho. Sobrevém depois o grande abalo. O chão treme como um dia a cabeça desejou e os pés já não dançam como antes. Dentro do corpo, tudo se escoa e se converte em detrito e fica-se a sós com um grande medo que não autoriza esquecimento ou sono. É-se tomado por uma tristeza que não nos pertence, um bicho arcaico vindo de tempos arcaicos para se alojar num organismo estranho e parasitar as suas entranhas. Mas nem sempre se acaba com a cabeça dentro do forno. Às vezes, um texto assassino é o golpe de misericórdia necessário para uma mulher se parir a si mesma. E é possível regressar das mortes múltiplas sibilando baixinho: a literatura é sobretudo exercício de queda e voo. Nela dificilmente encontrarás amparo ou abrigo, coração excessivo. É preciso que continues caindo para a frente e descubras como pode uma morte convalescer. Felizmente, existe também a música.


HUMOR

Crise de alguma idade www.facebook.com/hugohrosa

Hugo Rosa

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stou a chegar a uma idade interessante: faço trinta anos em Julho. Por um lado, estou ansioso de entrar nesta nova etapa da minha vida. Sinto que é uma idade em que grandes feitos estão à espera de ser alcançados. Por exemplo, sabiam que Jesus foi baptizado aos trinta? Eu fui baptizado logo ao fim de um ano de vida. Portanto, Hugo um, Jesus zero. Pimba! Viram? Ainda nem fiz trinta e já estou a ganhar pontos ao filho de Deus! Por outro lado, Albert Camus, o filósofo, descreve este marco na vida de um homem como sendo o momento no qual se toma uma nova consciência sobre o significado do tempo. E eu concordo. Eu sei que nunca terei de volta aquelas 36 horas seguidas que passei a jogar Football Manager. Por outro lado, ganhei a Liga dos Campeões com o Rio Ave. Com resultados destes, não se discute. Quantas Ligas dos Campeões ganhou Jesus, perguntam vocês? Exacto. Hugo dois, Jesus zero. Pimba! Imparável. A dura realidade é que ter trinta anos significa deixar de ser jovem. Este axioma só se apoderou de mim quando, num restaurante no Bairro Alto, uma jovem que não devia ter mais de vinte anos

me deu um encontrão acidental e disparou: «Ah, desculpe!» Ela não disse «Desculpa», «Com licença» ou «Queres o meu número de telefone?». Ela disse «DesculpE», colocando-me assim na mesma categoria que coloca os pais (parto do princípio de que ela era de Cascais). Dez anos de diferença não é uma diferença tão grande entre adultos que votam. Ela ainda ia ao «castigo», com um sorriso na cara... na minha cara, na dela uma mordaça. Já me começaram a tratar por «você»! Estou oficialmente numa espiral decadente. Dentro em breve, deixo de correr para apanhar o autocarro. Não tarda sou o públicoalvo dos serões da TVI. Quando der conta, estão com dois dedos no

meu recto e a pedir que tussa. É demasiado para processar... É por isso que decidi encarar esta nova década da minha vida com ambição, mas também humildade. Tracei alguns objectivos para cumprir nos próximos anos, com os quais me despeço : – Até aos trinta e um: terminar finalmente a minha Dissertação de Mestrado; – Até aos trinta e dois: viajar de mochila às costas, pelo Sudoeste Asiático; – Até aos trinta e três: caminhar sobre a água, curar leprosos e transformar água em vinho, evitando a crucificação, por forma a oficializar o hattrick sobre o Messias. Resultado final: Hugo três, Jesus zero. .


FUTSAL Armando Jorge Domingues

Site

O Futsal e a sua informação…

No nosso site, já podem acompanhar as nossas equipas. Seja no que diz respeito à calendarização, à marcação de jogos, aos resultados e às classificações, toda a informação está disponível. Está também apto a receber a newsletter com o mapa de jogos e outras actividades relacionadas com a nossa modalidade. Para isso, basta inscrever-se e deixar o seu correio eletrónico. Pode também comentar os jogos e dar a sua opinião. Apoie e ajude-nos a dinamizar o nosso site.

Escolas de Lazer

Os Encontros de Petizes e Traquinas de Futsal são torneios realizados no âmbito da formação não competitiva e integram as mais diversas escolas de formação. Os nossos atletas Petizes e Traquinas das Escolas de Lazer também representaram a nossa instituição em dois Torneios realizados no Pavilhão Paz e Amizade, obtendo em 7 jogos 4 vitórias, 1 empate e 2 derrotas. Nos meses de Abril e Maio, irão disputar mais 3 Torneios.

Taça da Portela

1.º Torneio de Futebol Feminino

A Associação dos Moradores da Portela apoiou a «Taça da Portela – 1.o Torneio de Futebol Feminino» no dia 9 de Março de 2013 pelas 13h e que decorreu no Polidesportivo Sintético da AMP. Esta iniciativa realizada pela nossa estagiária Jéssica Matos (do Curso Tecnológico de Desporto da Escola Secundária da Portela) contou com as presenças do CD Olivais e Moscavide, AD Bobadelense, Quintajense FC e Arsenal 72, trouxe muito público, numa boa jornada de propaganda para o Futebol Feminino e para a modalidade de Futebol 7. Para a história, fica o Quintajense FC como o primeiro vencedor desta Taça.

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Futsal Sénior

Consistentes quanto baste, mas estamos na luta…

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epois de uma entrada no Campeonato Nacional de Futsal da 2.ª Divisão pouco consistente, a equipa sénior da AMP mantém a sua ambição para atingir os seus objetivos. Os resultados não deixam dúvida quanto à capacidade desta equipa e das suas possibilidades. A luta pela subida não é apenas uma miragem. Temos conquistado o nosso lugar com emoção, numa época que não tem sido fácil até para o nosso plantel, com lesões graves de alguns dos nossos atletas.

Somos uma equipa unida, que está junta há muito tempo, que conhece bem os nossos processos e adaptados ao modelo de jogo definido pela equipa técnica. Faltam 7 jornadas, em que tudo queremos dar, e vamos lutar juntamente com todos os que nos têm acompanhado e apoiado. Ao público que nos tem acompanhado, sócios, simpatizantes e adeptos… Juntos, vamos continuar a fazer a História desta Associação.

Futsal Formação:

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a nossa formação, as equipas de Juniores e Juvenis cumpriram os objetivos, mantendo-se na próxima época a disputar o Campeonato Distrital da 1.ª Divisão de Honra da Associação Futebol de Lisboa. Não foi fácil, lutaram com garra e espírito de grupo até ao fim e dignificaram a nossa Instituição. É tempo agora de preparar a próxima época. Nesse sentido, vão disputar o Torneio Extraordinário da AF Lisboa, por forma a manter o ritmo competitivo e a integrar os atletas no seu novo escalão. Os Iniciados, Infantis e Escolas Benjamins continuam a disputar os seus Campeonatos lutando pela melhor classificação possível e dando a cada fim-de-semana o seu melhor para elevar o nome da AMP.

Estamos bem representados, com atletas de carácter, lutadores, que honram a camisola com as cores da AMP. Para a razão do sucesso da nossa formação, muito contribui o apoio de um público entusiasta que não se cansa de nos acompanhar composto pelos pais, sócios e adeptos que não passam sem o Futsal ao fim-de-semana. Obrigado… Contamos com o Vosso apoio.


TECNOLOGIA

Austeridade tecnológica

Vivemos em tempo de crise, todos nós procuramos cortar nas despesas, nos bens de luxo, nos jantares fora com os amigos, na troca de carro. Os que pouco têm não conseguem cortar mais, os que ainda têm algum evitam despesas Bonifácio Silva

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o campo da tecnologia, deixámos de trocar de telemóvel todos os anos, já não ligamos com tanta frequência aos amigos, já não temos aquelas assinaturas monstruosas, mas devo dizer que são as operadoras as verdadeiras responsáveis por esse decréscimo. Certamente, devem ter analisado o Orçamento da Assembleia da República para 2013, do qual destaco a seguinte afirmação: «O Parlamento Português participa no esforço da República para responder à emer-

gência que o País vive.» Analisando pormenorizadamente esse mesmo orçamento, encontrei umas alíneas tão estranhas, que não percebo para que servem nem compreendo como possam existir, mas, focando nas tecnologias de comunicação, podemos ver que esse mesmo orçamento prevê as seguintes verbas: 96 200 € Comunicações – Acessos Internet 30 000 € Comunicações fixas – Dados 415 500 € Comunicações fixas – Voz

205 100 € Comunicações Móveis 12 000 € Comunicações – Outros serviços (Consult./outsouc./etc) Somando apenas estas parcelas, chegamos a um montante de 758 800 €. Todos nós levamos com a publicidade agressiva das operadoras, oferecendo chamadas ilimitadas, tráfego de Internet ilimitado, mais e mais canais de televisão e tudo isto por menos de 80 €. Se eu mandasse, aproveitando o facto de ter uma calculadora, fiz mais umas contas e se dividir esse mesmo total dava para ter mais de 790 pacotes anuais que poderíamos oferecer a todos aqueles que lá trabalham, que ainda ficavam com televisão paga em casa, paga por nós, é claro, como sempre foi. Lembro que estamos perante um mero orçamento, pois em breve irá aparecer o Orçamento Suplementar, porque eles, tal como os demais humanos, também erram nas contas, na maioria dos anos erram 2 vezes e levamos todos com um 3.º orçamento. Quanto às alíneas estranhas que mencionei, vale a pena uma visita à página da Assembleia e verificar pelos seus próprios olhos, pois é fácil criticar baseando-nos apenas no que os outros dizem. Nada como sermos nós a tirar as nossas próprias conclusões.

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Portela Magazine nº 9  

Edição nº 9 da Revista bimestral da AMP.

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