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P rtela #12 magazine Dezembro 2013

Distribuição gratuita Periodicidade Trimestral

Declarações dos vencedores das autárquicas Entrevista a Mário de Carvalho

«Querem que as pessoas estejam coisificadas» Conhece a Associação de Moradores da Quinta da Vitória? Revista da Associação dos Moradores da Portela


Caros leitores:

MENSAGEM DA PRESIDENTE

Carla Marques Presidente da Associação dos Moradores da Portela

Nestes tempos de receios e de incertezas, em que tudo e todos são contestados, em que o papel do Estado é questionado e posto à prova, em que é generalizada a desconfiança nas instituições, proponho-me falar-vos sobre o papel do associativismo e a sua importância na evolução de uma sociedade democrática. Começo por referir a lei constitucional portuguesa, que é clara ao apontar, nos seus artigos 73.º e 79.º, a obrigatoriedade de colaboração do Estado com as «associações e fundações de fins culturais, as colectividades de cultura e recreio, as associações de defesa do património cultural, as organizações de moradores e outros agentes culturais» e com as «associações e colectividades desportivas», na promoção e na democratização da cultura e do desporto. O direito à livre associação constitui uma garantia básica de realização pessoal dos indivíduos na vida em sociedade, sendo que é obrigação do Estado fomentar e apoiar a criação e a generalização do associativismo. Ora, o fomento dos movimentos associativos e o reforço da sua sustentabilidade organizativa e financeira é um dos propósitos do Estado, a quem incumbe valorizar e apoiar as actividades regulares das associações estimulando a participação das populações. De facto, a importância do movimento associativo em Portugal remonta ao final do século XVIII/ /início do século XIX, e surge associado ao início do processo de

Há associações cujo orçamento é maior do que o da sua freguesia e grupos de associações cujo orçamento é superior ao do município respectivo. Trata-se de uma fortíssima actividade económica cujo produto é reinvestido socialmente em actividades e serviços prestados aos associados, na melhoria das condições dessa prestação, no enriquecimento do património associativo, ou ainda no funcionamento geral das associações. A dimensão e o crescimento desta actividade económica, em geral benéfica para as associações, em muitos casos assume dimensões que acabam por gerar as mais diversas confusões no que respeita à gestão das instituições.

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industrialização, quando aparecem as primeiras colectividades operárias assentes em princípios de solidariedade e de cooperação, com responsabilidades na luta dos direitos dos trabalhadores à instrução, à cultura e à protecção social. O surgimento destas estruturas associativas representa a evolução da consciência social no plano da formação pessoal, cívica e política das populações, que rapidamente se tornam em espaços de convívio da comunidade local e pólos de criatividade das artes e das letras. Mesmo antes do 25 de Abril, as associações exerciam já o direito de livre associação, de reunião, de expressão e de opinião. A prática da democracia e da liberdade era uma realidade na vida interna destas instituições, que, não só desenvolviam as suas actividades, culturais e recreativas, como as aprofundaram, tendo mesmo assumido um importante papel de resistência ao poder, de organização, de luta e de consciencialização do povo. Após a Revolução de Abril, o movimento associativo conheceu um novo e diversificado crescimento, com o surgimento de associações de âmbito social, de reformados, de deficientes, juvenis e estudantis, ambientais, associações de moradores, associações de pais, entre outras. Num país debilitado, o movimento associativo, os seus dirigentes e associados deram um contributo indiscutível para o desenvolvimento e progresso das localidades em que estavam inseridos. Ainda hoje, e cada vez mais, o movimento associativo desempenha um papel inestimável junto das populações, continua a ser o garante da democratização, do acesso à criação e fruição cultural, social e desportiva, direitos conquistados pelo 25 de Abril, mas que o Estado nem sempre assegura. A capacidade de realização e mobilização do movimento associativo em torno de aspectos sociais,


culturais e desportivos é enorme. A sua participação diária em diversas dimensões da vida local, no desporto, na cultura, na acção social e cooperação, na educação e juventude, como parceiros na organização de iniciativas juntamente com as autarquias, constitui um grande potencial de organização, intervenção e reivindicação das populações locais. Sem dúvida que a promoção da participação das populações na vida local, a partilha das suas preocupações e a busca de soluções contribuem indiscutivelmente para o desenvolvimento local. No passado, como no presente, o movimento associativo assume-se como um espaço de formação pessoal e cívica, de aprendizagem e exercício dos valores democráticos, da participação e da liberdade. Afirma-se como espaço de exercício e de reivindicação de direitos, mas, acima de tudo, aprofunda o seu papel de consciencialização e emancipação das populações, desde logo porque, pela sua própria natureza, o associativismo constitui a expressão e o exercício de liberdade e um exemplo de vida democrática. Para o desenvolvimento e a afirmação do movimento associativo, é consensual a importância da valiosa participação e envolvimento dos seus associados, pela dinâmica e mobilização que imprimem às organizações que integram. Intervir num espaço de luta e de reclamação por objectivos concretos e imediatos; dar expressão a formas concretas de mobilização é a génese do associativismo. É indispensável ainda ter presente que a actividade e o papel fundamental do movimento associativo ao serviço das populações não são substituíveis por qualquer alternativa de organização social e ainda menos por qualquer solução de ordem comercial. A afirmação, o desenvolvimento e o reconhecimento do papel social do movimento associativo exigem a solução de alguns problemas

que o podem descaracterizar, tais como as questões da renovação e adequação às novas realidades, aspirações, interesses e pólos de atracção das populações, assim como da sua independência e autonomia de acção ante os poderes constituídos. No nosso País, não está quantificado o produto do trabalho dos milhares de voluntários que intervêm no movimento associativo, nem a sua capacidade de captação de recursos, nem o valor social e financeiro do trabalho voluntário, mas este é certamente um dos maiores valores da vida em sociedade. De facto, a participação voluntária dos associados em toda a vida das associações é um factor decisivo para que o movimento associativo possa cumprir integralmente a sua vocação ante as populações e o meio. Esta mobilização é um desafio que se coloca aos seus corpos dirigentes, que têm de encontrar as formas de relacionamento, as iniciativas, as formas de informação e comunicação que motivem e estimulem a ampla participação de todos os associados, assegurando a qualidade das áreas de actividade das associações e respondendo à crescente diversificação e evolução da sociedade. Sem perder as suas características essenciais, torna-se premente que o movimento associativo, hoje, como no passado, assuma um papel relevante na elevação do nível cultural e da consciência das populações, na pesquisa de novas actividades e de novas soluções de actuação, a fim de dar uma resposta colectiva à satisfação de interesses e necessidades comuns. O papel que as autarquias podem

desempenhar na defesa e no aprofundamento das características de intervenção social das associações constitui um contributo de relevante importância para a consolidação da democracia no nosso País. Torna-se indispensável para atingir este objectivo que o próprio movimento associativo e os seus dirigentes tomem consciência e reconheçam a sua força social e que procurem o reconhecimento do valor do associativismo na sociedade e intensifiquem o seu poder de reivindicação junto do Governo e da Administração Local. E este tem sido e continuará a ser o desígnio da AMP, que nunca se contentou apenas com o desempenho de um relevante papel na dinamização desportiva na freguesia, e que hoje, como sempre, mas cada vez mais, pretende contribuir para o desenvolvimento cultural e social da nossa localidade. Bem-haja a todos os que contribuíram e continuam a contribuir para o desenvolvimento da nossa Associação.

A independência económica é uma condição essencial para a independência e autonomia de acção das associações. As associações em geral vivem dos recursos que conseguem, mas têm o direito e devem exigir ao poder local o apoio e a colaboração financeira para o desenvolvimento da sua actividade em prol das populações, enquanto parceiros autónomos num quadro de relacionamento e cooperação com os poderes do Estado.

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EDITORIAL

Da lentidão como virtude manuelmonteiro_@hotmail.com

Manuel Monteiro

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aceleramento da sociedade globalizada e «sem fios» conduziu à hiperinformação. Essa pletora de informação e desinformação – 60% dos artigos da Wikipedia contêm erros factuais, revelou um aturado estudo de Marcia W. DiStas – instantânea, veloz, em catadupa dificulta e, em muitos casos, retira ao cidadão comum, crescentemente obnubilado, a possibilidade de um refúgio de paz, silêncio e distanciamento que lhe permita reflectir e comparar. Aristóteles defendia que só deveríamos formular um juízo sobre um assunto depois de termos dissecado toda a informação respeitante ao mesmo e de termos observado de todos os ângulos o nosso objecto de estudo. Nunca como hoje se viveu tão opostamente à ideia aristotélica. Dir-me-ão: mas hoje há mais liberdade, hoje já mais democracia. Verdade, ainda que muitas vezes meramente formal, mas o ponto não é esse. O nervo da questão é que antes se sabia que se vivia em ditadura, antes sabia-se que havia censura e hoje pensa-se que não há, pensa-se que a informação é livre, pensa-se que temos acesso à realidade à distância de um clique. A auto-ilusão do

conhecimento é feroz, a auto-ilusão do «Vi na Net» como mecanismo suficiente de certificação de veracidade cresceu a tal ponto, que caminhamos para uma sociedade em que todos têm opinião sobre tudo. Verifico inúmeras citações com milhares de likes, com referências em inúmeras páginas da Internet (algumas delas «credíveis» como o Citador...) em que a frase é atribuída a um pretenso autor (sendo Fernando Pessoa um dos mais massacrados. García Márquez ainda foi a tempo de avisar o mundo da sua falsa «carta de despedida», lida e comentada por milhões...). Como escreveu Manuel Maria Carrilho, vivemos numa época de «inflação de notícias sem a correspondente capacidade para as organizar, hierarquizar ou metabolizar». Há hoje demasiada distracção sensorial e demasiada pressa para a concretização da condição essencial ao ser vivente e pensante definida por Leonardo Coimbra: a necessidade de a alma se recolher. Regresso a Carrilho: «A lentidão, que na verdade foi sempre uma condição sine qua non da civilização, tem vindo a ser cada vez mais substituída por uma apologia estonteada da velocidade.» As conversas demoradas parecem não ter cabimento no mundo hodierno; o que não produz um estí-

Ficha Técnica Portela Magazine – Revista Trimestral – Proprietário Associação dos Moradores da Portela – Director Manuel Monteiro – Redacção Eva Falcão, Filipa Assunção, Leonor Noronha – Colaboradores Armando Jorge Domingues, Bonifácio Silva, Carla Marques, Diogo Coelho, Fernando Caetano, Hugo Rosa, Humberto Tomaz, José Alberto Braga, Miguel Esteves Pinto, Miguel Matias, Patrícia Guerreiro Nunes, Rui Rego – Sede de Redacção Associação dos Moradores da Portela, Urbanização da Portela, Parque Desportivo da AMP, Apartado 548, 2686-601 Portela LRS – Telefone 219 435 114 – Site www.amportela.pt – E-mail amportela_secretaria@gmail.com – Email Comercial portelamagazinepub@gmail.com – Direcção Comercial: António Rodrigues – Grafismo ITW-Ideas That Work, Lda. – Impressão Grafedisport – Impressão e Artes Gráficas, SA – Tiragem 6500 exemplares – Depósito Legal n.o 336956/11 – ISSN N.o 2182-9551

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mulo imediato é deitado no caixote do lixo das coisas maçudas; a língua é reduzida ao léxico mínimo (90% das conversas telefónicas nos EUA utilizam as mesmas 150 palavras, relevou a companhia telefónica Bell; um número arrepiante se nos lembrarmos de que Joyce usou mais de 30 mil palavras diferentes só numa obra e Shakespeare mais de 24 mil); a ditadura do visual esmaga a palavra e o pensamento; o soundbite e o tópico do PowerPoint triunfam sobre um arrazoado, necessariamente longo e complexo (por isso, assimilamos acriticamente tantas verdades feitas que nos impingem sem estudo, sem epistemologia, sem fundamentos, sem comparações de época e de lugar, sem multidisciplinaridade); e, claro, só um tolinho não percebe que a privacidade enquanto valor essencial da civilização morre dia a dia. Repare-se, por exemplo, como as redes sociais e os aparelhos de comunicação nos estão sempre a «convidar» para indicar onde estamos. Não há hoje um tema que seja tão consensualmente imune a uma crítica holística como as novas tecnologias – quem ousa denunciar perigos inerentes às novas tecnologias é imediatamente rotulado de Velho do Restelo (personagem que adquiriu um sentido absurdamente pejorativo). Exagero? Um estudo da Experian Marketing Services revelou que, em 2013, 16 minutos de cada hora de um norte-americano em linha foram passados numa rede social. No Reino Unido foram 14 e na Austrália 13. De acordo com o Nielsen’s annual Social Media, o tempo passado em redes sociais pelos habitantes dos EUA (e muitos não têm...), só


no mês de Julho de 2012, equivaleu – atente-se bem – a 230 060 anos. Em média, um utilizador da Internet só está três minutos dedicado a um assunto. São inúmeras as pessoas que vivem em directo, expondo ao mundo fotografias das suas refeições, da sua casa, das suas férias, das primeiras fraldas do seu bebé, dos seus estados de alma, de bons-dias e de boas-noites atirados ao ecrã na so(li)fregui(dão) que pena por esse mecanismo de validação social que é actualmente o like do Facebook. Tudo é vaidade, já o sabíamos desde o Eclesiastes, mas nunca a irracionalidade e o narcisismo tinham possuído um tanque ilimitado para lhes dar vazão... Sempre que estou num café ou em transportes públicos, mais de metade das conversas sub-23 que intercepto são sobre o Facebook. São as gerações nascidas neste Admirável Mundo Novo em que o que não está na Internet não existe – e como isso é falso para tantos livros, por exemplo. Basta observar a interacção grupal – quantas vezes não vemos quatro ou cinco amigos e amigas todos juntos e cada um mergulhado no seu aparelho, completamente alienado do mundo circundante? O espaço e o tempo como barreiras esbatem-se dia a dia – e este fenómeno merece ser estudado, sem anátemas nem endeusamentos. O ali passou a aqui e agora, tudo se tornou premente e objecto da ditadura do imediato, estilhaçando o pensamento do médio e do longo prazo. O trabalhador e o cidadão está hoje permanentemente contactável, e, por isso, permanentemente disponível, seja pelo e-mail, pelo telemóvel, pelo Facebook, pelo Viber, pelo WhatsApp; e, pior do que isso, caminha-se para que todos estejamos permanentemente localizáveis (o chip nos automóveis é já uma

realidade no Brasil, por exemplo). O pior é que o trabalhador e o cidadão, grosso modo, não percebe que está a ser policiado, condicionado, que a empresa passa a ser dona do seu tempo, que o lazer e o trabalho deixam de ser compartimentos estanques, que o que veio «facilitar» e «libertar», afinal, o aprisiona e domestica. É conhecido que muitas empresas perscrutam o Facebook dos candidatos como ferramenta de exclusão e que o despedimento executado por um singelo e-mail vai desumanamente grassando... É importante termos em mente que conhecemos pelos media apenas a ponta do icebergue. Antes das revelações de Snowden, muitos que expunham os seus temores quanto à prefiguração de uma sociedade totalitária de tipo orwelliano eram apelidados de paranóicos. Dizem alguns: mas só usa esses instrumentos quem quer! Falsíssimo. Recuemos 20/25 anos. O telemóvel era uma opção, o e-mail era uma opção – quantos trabalhadores podem hoje dar-se ao luxo de dizer à entidade patronal que não têm telemóvel nem e-mail? Quantos jovens podem prescindir do telemóvel e do e-mail (e até das redes sociais nas faixas etárias mais juvenis) sem graves danos na sua sociabilidade? Não sejamos ingénuos. Quem estuda a tecnologia (Heidegger, Jacques Ellul, John Zerzan, Theodore Kaczynski) mostra isso mesmo – na história da tecnologia, tudo o que aparece como um extra acaba, bastas vezes mais cedo do que tarde, por ser obrigatório, reconfigurando-se permanentemente a sociedade em função das exigências tecnológicas. Pensem, por exemplo, quan-

Quer ver a sua carta de leitor publicada? Escreva para manuelmonteiro_@hotmail.com ou para a sede da Associação dos Moradores da Portela, identificando-se com o primeiro e o último nomes e o número de um documento de identificação.

tas empresas podem hodiernamente prescindir do e-mail, que começou por ser «uma opção»? Dizem outros: mas há mecanismos de controlo dos abusos. A realidade está aí para quem a quiser ver: cada vez há mais ca-

sos de cyberbullying, cada vez há mais jovens (maioritariamente raparigas) que se suicidam pela perseguição psicológica a que foram sujeitos por difamações na Internet, por exposição de vídeos da sua intimidade sexual. De acordo com os últimos dados do PWE Internet and American Life Survey, 33% dos adolescentes dos EUA foram vítimas de cyberbullying em 2011. Termino voltando a Manuel Maria Carrilho: «O cérebro de um viciado na Internet transforma-se num cérebro análogo ao de um alcoólico ou de um drogado, com “reduções” de dez a vinte por cento na massa cinzenta responsável pelas funções da linguagem, da memória, do controlo motor, das emoções. A situação é tal que o DSM (The Diagnosos Statistical Manual of Mental Disorders) do próximo ano [2013] incluirá, pela primeira vez, a “Internet Addiction Disorder”...» P.S. Sugestão de um vídeo sobre como grande parte da nossa vida está na Internet: Escreva «Fantástico - O Vidente - Segurança nas Redes Sociais» no YouTube.

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AUTÁRQUICAS 2013

Autárquicas Loures 2013

Resultados eleitorais Manuel Monteiro

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PCP-PEV foi a força política mais votada na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal de Loures. A Câmara Municipal de Loures era há 12 anos uma câmara do PS, presidida por Carlos Teixeira. Se compararmos os votantes e as percentagens de 2009 com 2013 para a Câmara Municipal de Loures, o PCP passou de 20 667 votos (22,96%) para 28 572 (34,74%), enquanto o PS desceu de 43 342 votos (48,16%) para 25 699

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(31,24%). O PSD, o BE e o CDS-PP baixaram as suas votações, enquanto o PCTP-MRPP foi a força política que mais subiu proporcionalmente a sua votação. Na Assembleia Municipal, o PCP (ganhou 3 mandatos) ultrapassou o PS (perdeu 4 mandatos) e o PCTP-MRPP passou a ter um mandato, sendo a composição política restante igual à de 2009. Na inédita junção de freguesias de Portela e Moscavide, o PSD (concretamente, a coligação PPD/ /PSD-MPT-PPM) venceu, ficando a presidência atribuída a Manuela Dias. Na composição da Assembleia de Freguesia, o PSD perdeu a maioria absoluta. A anterior composição de 7 membros do PSD, 4 do PS, 1 do PCP e 1 do CDS-PP passou para 6 do PSD, 5 do PS e 2 do PCP.

A Comissão Nacional de Eleições não divulgou os votos desagregados por freguesias da Portela e Moscavide. Podemos, contudo, analisar os votos para a Câmara Munipal e a Assembleia Municipal nas freguesias de Portela e Moscavide de forma conjunta. Para a Câmara Municipal, o PS foi o partido mais votado, seguido pelo PSD e o PCP. Na Assembleia Municipal, o partido mais votado foi o PSD, seguido pelo PS e pelo PCP. Declarações dos vencedores Após 18 anos como deputado e 11 enquanto líder da bancada do PCP, Bernardino Soares deixa a Assembleia da República e assume a presidência da Câmara Municipal de Loures. O novo presidente da Câmara Municipal de Loures afirmou que «esta vitória aconteceu por-


que a população se revoltou contra a estagnação, a promiscuidade e a má gestão», prometendo uma auditoria às contas da câmara. Manuela Dias, a agora presidente da união das freguesias de Moscavide e da Portela, afirmou à Portela Magazine: «Sempre considerei que estas eleições representavam a opção por modelos de gestão autárquica distintos que foram praticados nas antigas freguesias de Moscavide e Portela. A população escolheu o modelo, o projecto e a equipa que considerou mais ajustado às suas necessidades.» Sem especificar quais os modelos de gestão au-

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AUTÁRQUICAS 2013 tárquica distintos, recorde-se que uma das bandeiras de campanha do PSD, quer para a câmara, quer para a junta, foi o número alegadamente excessivo de funcionários, reconhecendo, todavia, a nova presidente a obra social deixada por Daniel Lima em Moscavide. Sobre o desafio de abraçar a freguesia de Moscavide, Manuela Dias afirma que «nenhuma fre-

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guesia é homogénea. Enquanto Presidente da Junta de Freguesia da Portela lidei sempre com as realidades diferentes, por exemplo, dos residentes das pracetas junto ao Seminário, dos habitantes da Quinta da Vitória ou dos moradores do Bairro Municipal. O trabalho de um autarca é esse mesmo, saber gerir as necessidades da sua comunidade e trabalhar com vista

a melhorar a qualidade de vida de todos. O desafio deste mandato é o mesmo que existiu durante os últimos quatro anos: fomentar o espírito de comunidade e de pertença e fazer da nova freguesia uma freguesia de excelência no concelho de Loures». Manuela Dias deixa ainda um apelo aos Portelenses e Moscavidenses: «Gostaria de lançar um repto a todos os que vivem, trabalham, visitam ou estudam na nossa freguesia de Moscavide e Portela: que possam, dentro das suas possibilidades, intervir de forma activa e positiva na nossa comunidade. Contamos com todos!»


Figuras da PORTELA

Dados biográficos

É presidente da Comissão Política do PSD de Loures, foi candidato a deputado pelo Distrito de Lisboa. É membro do Gabinete de Estudos do PSD.

Ex-director do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil em 2011/2012.

«O futuro será sempre sorridente»

Estudou nas Escolas da Portela e nos Olivais. Estudou Direito na Universidade Internacional e na Clássica, em Lisboa.

Manuel Monteiro Fez parte do Grupo de Acólitos da Portela e foi catequista.

É membro da Assembleia de Freguesia da Portela e é membro da Assembleia Municipal de Loures.

Colabora em diversos projectos de solidariedade fora e dentro do concelho.

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conhecido por muitos portelenses pelo seu empenho em múltiplas actividades, mormente na esfera da política, e pelo seu trato educado e simpático. Ricardo Andrade tem 37 anos e nasceu em Lisboa, mas com coração ribatejano, de Riachos (é sócio do Clube Atlético Riachense), concelho de Torres Novas. Foi o cabeça-de-lista do PSD à Assembleia Municipal e é comissário de bordo da TAP. À Portela Magazine, deixa a promessa: «Defenderei de forma igual os interesses de todos os Lourenses, não esquecendo nunca de onde vim, e o que cá aprendi. Tenho um sentimento de responsabilidade, ainda para mais tratando-se da minha terra.» Pese embora o descrédito que muitos portugueses atribuem aos jovens que fazem «carreira» política, nomeadamente nos partidos

do designado «arco governativo», Ricardo Andrade, que se desdobra em inúmeras tarefas, entre elas projectos de solidariedade, garante que pretende «servir a população e ser sempre fiel aos meus princípios, não esquecendo nunca que os cargos públicos só fazem sentido se trabalharmos para e pelas pessoas. Não é a ambição ou os sonhos que me movem, mas sim os princípios e os projectos. Acredito no que faço e em tudo coloco a minha energia e capacidade a 100%. Foi desta forma que na minha família, desde cedo, me ensinaram a viver. Também nunca esqueço os meus amigos, os meus professores, os meus colegas de trabalho e todos aqueles com quem fui privando e que fazem de mim quem sou hoje». Em jeito filosófico, e contra o pessimismo reinante, conclui: «Desde que me mantenha fiel a estes princípios, o futuro será sempre sorridente.».

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ENTREVISTA

Mário de Carvalho à conversa com os seus leitores

«Os leitores dos livros são autores dos livros» Gentil, afável, humanista. Um dos maiores escritores de língua portuguesa. Mário de Carvalho teve um longo e profícuo diálogo com o Clube de Leitura do Portela Sábios a convite da escritora Isabel Fraga, mentora do projecto. O mote foi o livro Os Alferes. manuelmonteiro_@hotmail.com

No seu texto Doze Notas sobre Literatura em Tom de Preceito, afirma que «Mesmo o texto mais solene e dorido tem um fio lúdico». Enquanto leitor, encontro esse fio lúdico nas suas obras. Mesmo na literatura mais circunspecta, mais carregada, mais sombria, há sempre algo que apela ao nosso sentido de jogo, ao nosso sentido lúdico. Trata-se de uma arte. A imaginação e a criatividade do receptor, do leitor estão sempre envolvidas e são sempre desafiadas. Por outro lado, é importante que nos autores haja uma certa graça, graça no sentido de encher plenamente o espírito, como encontramos em Aquilino Ribeiro, em Gógol. Há uma inspiração que como que corre o texto mesmo em autores mais soturnos como Dostoiévski. Há um fio que escapa à banalidade e nos eleva. Um tema recorrente nos seus textos e até em entrevistas é o do retorno do fascismo sob várias máscaras e várias capas, quase como se a civilização fosse um intervalo da barbárie. É por comodidade de conversação que falo em «fascismo». A história não volta. Quando falo em «fascismo», quero significar esta situação

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Fotografia: Albertina Guerreiro

Manuel Monteiro

em que um ser humano oprime outro, humilha, rebaixa, esmaga o outro. Esta situação de desigualdade e de injustiça é própria de fases anteriores da humanidade. A liberdade e aquilo a que nós chamamos «civilização» foram conquistadas com tanto esforço. Este patamar a que nós chegámos tem de ser defendido a cada momento, porque

a animalidade, o primitivismo espreitam a cada momento. Aconteceu em civilizações como o Japão que apresentam requintes de delicadeza. Os alemães da Madame de Staël no século xviii são criaturas encantadoras, poéticas, imaginativas e depois vamos encontrar no século xx coisas monstruosas. Não têm que ver com a natureza deste


ou daquele povo, têm que ver com esta facilidade com que nós somos recuperados pelo mal. É o regresso ao predador, à violência. O Dicionário Houaiss afirma no preâmbulo que é um registo das palavras que os escreventes e os falantes usam. Como escreve palavras caras, eruditas, infrenquentes, vejo-o como um perpetuador de palavras em vias de extinção. O escritor deve procurar salvar as palavras do olvido utilizando-as? As palavras estão provisoriamente adormecidas. A comunicação social, especialmente as televisões, procura nivelar pelo mais baixo – a linguagem afunila-se, reduz-se. É uma linguagem muito primária, muito básica. A nossa língua tem imensos recursos e esse armazém que está ao nosso dispor deve ser utilizado. Toda a paleta e toda a gradação de cores que nós queremos emprestar estão ao nosso dispor, basta ir buscá-las. Afirmou hoje que «As palavras são cargas eléctricas» e explicou a uma leitora como não é só o significado das palavras que é importante, mas também o som, referindo a propósito da frase citada a intenção da assonância. Subscreve a tese de que não há sinónimos perfeitos? Não há, porque tudo faz sentido. Às vezes, a própria diferença de sonoridades. A Demanda do Santo Graal é muito diferente de A Procura da Tijela Sagrada. Encontros com o leitor como este, em que o autor é confrontado com

tantas leituras sobre a sua obra, o que produzem no escritor? Quando o texto é entregue e circula, o autor deixa de ter poder sobre ele e pouco adianta dizer qual foi a intenção. O que importa é o que lá está e que é refeito e reconstruído pelos leitores de acordo com a sua enciclopédia pessoal e com a sua vivência pessoal. No fundo, os leitores dos livros são autores dos livros à sua maneira também. Há uma velha história judaica que conta que uma vez os rabis estavam a discutir um problema sério sobre a alma da mulher e Deus estava lá em cima farto de os ouvir e disse: «Eu vou explicar isso.» E os rabis disseram: «Não, não. O Senhor criou o mundo, mas a nós compete-nos interpretá-lo.» É aos leitores que compete interpretar o livro. Uma das observações mais frequentes hoje foi: «Não conhecia esta palavra, tive de ir ao dicionário.» Não precisamos de saber tudo. Isso privava-nos de ler o D. Quixote que tem indicações sobre armas, comidas e vestuário do século XVII, ou Guerra e Paz com tantas personagens. Contudo, se houver um apelo ao leitor para ir ao dicionário, isso não é mau. O enriquecimento do vocabulário enriquece a nossa visão sobre o mundo, temos mais palavras com que abordá-lo, descrevê-lo, decifrá-lo. O facto de hoje qualquer figura pública ou semipública conseguir publicar um livro dificulta o florescimento de novos autores?

Hoje, publica-se muitíssimo mais. Esta diferença entre várias formas de estar na literatura sempre existiu. Há autores do século xix que tiveram uma grande popularidade e de que ninguém fala hoje. Porque não há-de haver autores populares que vendam cem mil exemplares? Mas é a tal diferença entre o best-seller e o long-seller. A literatura também está organizada em hierarquias. O que é um bocado irritante é que as pessoas que têm esse senso de massas muitas vezes julgam que a literatura é só aquilo. Há um cânone que foi formado durante séculos e perante qualquer leitor informado há limites que são difíceis de ultrapassar: Camões, Pessoa, Gógol, Tolstói, Tchékhov. É com eles que devemos aprender. Como vê os conglomerados editorais e o encerramento de livrarias e editoras que não têm como único móbil o lucro, como única vocação a comercial? No outro dia, passei pelo Rossio e fiquei espantado, porque mais uma livraria de referência fechou. A Sá da Costa tem uma tradição honrosa e fechou. É preocupante. A nossa forma de dar resposta a isto é criar novos públicos, novos espaços de cultura, de leitura. Não deixar que todo o espaço cultural seja dominado pelos interesses, pelo negócio. O que é que querem as grandes cadeias de televisão? Que as pessoas estejam pegadas aos televisores para passarem os seus anúncios. Que as pessoas estejam coisificadas.

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FOTOGRAFIA MIGUEL ESTEVES PINTO

Arte moderna?

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REPORTAGEM

Associação de Moradores da Quinta da Vitória:

uma associação que poucos conhecem Filipa Assunção

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m 17 de Junho de 1974, um grupo de bairro decidiu juntar-se em Moscavide e fundar a Associação de Moradores da Quinta da Vitória. Foram campeões juniores e femininos em futebol de salão nos Jogos de Lisboa e organizaram inúmeras actividades. Contudo, desde cedo que as dificuldades, a falta de apoios e de verbas se fizeram sentir nesta pequena associação. Floriano Rebelo foi um dos presidentes, tendo sido em 1982 que começou a exercer o seu cargo. Foi há cerca de 15 anos, durante a sua presidência, que a sede da associação se mudou para o local onde ainda hoje se encontra. «Fui presidente durante 4 ou 5 anos e ajudei sempre no que pude. Este bairro tem uma história muito grande e desde o início que tivemos dificuldade em tudo. Através da Lusoponte e da Câmara, todo o terreno do bairro deveria pertencer-nos, mas como se passaram alguns anos sem se construir nada, a associação perdeu o direito ao terreno. Acabou por ser a Lusoponte que nos ajudou a construir tudo, porque a única ajuda que a Câmara nos deu foi para a construção do balcão do café», conta. Hélio Lima é o actual presidente, que abraça todos os dias o desafio e a responsabilidade de manter viva esta associação: «No total, existem cerca de 80 a 90 sócios que deveriam pagar 1 euro por mês, mas menos de metade dos sócios são pagantes. Alguns desistiram, outros não se interessam ou têm o cartão e não vêm à sede. Nós sobrevivemos das quotas e do funcionamento do bar, que serve para pagar as contas», diz. O desinteresse e a falta de tempo dos sócios ditaram o afastamento da participação em jogos e actividades ao nível municipal. Actualmente, os entretenimentos mais comuns são os jogos de cartas, de snooker e de matraquilhos, em que ainda se realizam alguns torneios. Hélio comenta que «Viver por nós próprios» é um dos lemas que têm seguido para tentar contornar todas as dificuldades encontradas. «No entanto, é de salientar o apoio da Dra. Manuela Dias, que tem sido

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muito importante para o desenvolvimento desta associação.» «A câmara deixou de apoiar o nosso bairro porque estivemos cerca de 10 anos sem pagar rendas, e no final desse período vieram exigir as rendas legais. A maior parte das pessoas pagaram, mas algumas não pagaram até hoje. Como a câmara nunca lucrou nada com o nosso bairro, nunca nos apoiou, pois dizia que o orçamento não era suficiente para resolver os nossos pequenos problemas, que não eram mais do que arranjar buracos, pintar paredes, etc. Só pintaram os dois blocos exteriores, aqueles que são visíveis para quem entra no bairro», relata o presidente. Apesar

de o café ser a sede da Associação de Moradores, o espaço não é suficientemente grande para dinamizar as actividades pensadas. «Temos uma sala aqui ao lado, com duas divisões independentes. Já tivemos uma reunião com a Câmara onde nos disseram que aquela divisão tinha sido atribuída a outra associação. O espaço esteve fechado durante muito tempo, mas só agora é que apareceu a presidente da AIDGLOBAL e disse que a Câmara lhe tinha cedido o espaço. Contudo, está dividido em duas partes, e uma delas é onde nós temos a sala de reuniões. Com esta situação, temos de devolver a nossa metade do espaço e ficamos sem essa sala. Fazia mais sentido que este espaço fosse todo nosso, visto que já temos as nossas instalações aqui criadas, e que lhes fosse atribuído outro espaço, mais perto da sua sede. Estamos a tentar que a Associação de Moradores da Quinta da Vitória, em conjunto com a AIDGLOBAL, consiga fazer um pedido à Câmara para que se arranje outro espaço para eles, de modo a que pudéssemos dinamizar o espaço com as nossas actividades. A nós, dava-nos muito jeito ter aquela parte para poder promover actividades de informática para os miúdos ou até mesmo actividades para a terceira idade, como crochet, bordados, etc.» Floriano Rebelo remata ainda dizendo que «fazia muita falta tirar as crianças da rua. Quando a Dr. Geni era a presidente da junta ainda utilizámos o campo de futebol do Ralis e levámos os miúdos para lá. Há uns anos, tentámos que isso acontecesse, mas como não tínhamos verbas nem apoios o projecto acabou por ficar parado». Apesar da sua pequena dimensão, a associação organiza todos os anos duas festas especiais: uma de aniversário e outra em Setembro, quando a população regressa ao trabalho. É num espírito de companheirismo, solidariedade e amizade que associações como esta conseguem resistir e manter a população unida. «Temos orgulho em mostrar o nosso bairro e aquilo que fazemos», remata um dos sócios desta Associação.


CINEMA diogofcoelho@sapo.pt

Diogo Coelho

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screvo hoje com um sentimento de alegria com contornos de tristeza. A série Breaking Bad, do canal norte-americano AMC, acabou ao fim de cinco temporadas e 62 episódios. Muitos críticos revelaram, logo após o término deste programa, que a televisão norte-americana terá de se esforçar imenso para produzir uma série como Breaking Bad. É assim tão grave a situação ou será um claro exagero para impulsionar ainda mais a reputação da série e os prémios que, obviamente, virão num futuro próximo? Bem, a verdade é que muito provavelmente os críticos estarão certos. Será muito difícil a criação de uma nova série televisiva como esta. Com todo o respeito para os demais canais e para os demais programas, Breaking Bad elevou a fasquia no que ao meio diz respeito e conseguiu um lugar no panteão de qualidade televisiva que, de certa maneira, diria até que suplanta as suas próprias barreiras e restrições inerentes ao universo televisivo. Breaking Bad é Arte. Não, não estou a exagerar. Existem poucas alturas em que se pode observar um produto cultural e saber, desde o seu início, que está destinado à grandeza, à elevação do género e que, no fundo, pertence a uma liga de uma equipa só. A série conta a história de Walter White, um professor de Química do ensino secundário que passou ao lado de uma carreira brilhante por decisões tomadas em cima do joelho e por alguma falta de sorte. Walter vive com a sua mulher Skylar e o seu filho Walt Jr, numa vivenda típica de classe média norte-americana. Em certa altura, Walter descobre que tem cancro nos pulmões e que a sua situação não é de todo solucionável. Walter decide, então, com a ajuda de um rapaz que vendia substâncias ilícitas chamado Jesse Pinkman, começar a cozinhar

E agora para algo completamente diferente... a melhor metanfetamina do mercado para assim poder pagar o tratamento e garantir dinheiro para o futuro da sua família. Parece incrivelmente estranho, não é? Na verdade, é um pouco. O problema (ou aliás, a solução) é que toda esta narrativa serve-se do melhor que os vários departamentos técnicos têm ao dispor: os melhores actores de televisão, escolhidos a dedo; os melhores técnicos visuais e realizadores que dão à série um estilo completamente único e estilizado; os melhores argumentistas que nos oferecem situações cómicas no meio de situações dramáticas, sempre com um olhar no futuro da série e esforçando-se por nos trocar as voltas quando menos esperamos e sobretudo a noção e a confirmação de um valor artístico que não estava presente nas séries de televisão desde Sete Palmos de Terra. Tudo isto pode passar por uma hiperbolização clara do autor desta crónica e, acreditem, chegou a passar pela sua cabeça se não estaria a exagerar na categorização desta série. A verdade é que não está, é facilmente identificável o empenho, a dedicação e a suprema qualidade técnica e visual envolvida nesta série, que nunca retira o pé do acelerador quando não deve, não poupando o espectador à mais crua realidade que muitos filmes e séries

tentam embelezar. A falibilidade do ser humano, a sua inerente capacidade de se corromper e, no fundo, as decisões e escolhas que fazemos e a sua repercussão no futuro de cada um. A linha entre a ficção e a realidade está presa por um fio apenas e, em alguns momentos, chegamos a preferir uma versão mais romantizada, talvez mais fantasiosa dos acontecimentos, para que não tenhamos de confrontar aquilo que sabemos que corresponde, no fundo, à verdade mais dura e crua. Eu sei que muitos esperariam uma crítica pormenorizada às cinco temporadas da série, mas a minha noção de uma crítica passa por uma observação geral ao rigor e à qualidade do produto, para que possa ser apreciada de uma forma pessoal e específica por qualquer pessoa. Um pouco como o «faça você mesmo» e neste caso faça, veja esta série e deixe-se arrebatar pela forma como ela penetra no seu interior e o trabalhará por dentro; na forma como as personagens deixam de ser criadas para passarem a ser «vivas» e, no fim, sabendo que se trata apenas de uma série de televisão que conseguiu algo que poucos filmes podem orgulhar-se de conseguir: domar o espectador. Um feito televisivo inigualável, que dificilmente sairá da nossa mente mesmo após a sua conclusão.

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ACONTECEU NA AMP

Acrobática – AcroPortela

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Dança Jazz

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s classes de Dança Jazz da AMP iniciaram a sua actividade no dia 17 de Setembro pela mão da nossa professora Manuela Bastos. Esta modalidade já com uma longa história na AMP é uma das nossas referências e está dividida em 2 classes, Dança Jazz I e Dança Jazz II, com um total de 36 atletas. As nossas classes de Dança Jazz fizeram já a sua primeira apresentação no sarau realizado no dia 20 de Outubro, no Fórum do Montijo.

Acroportela iniciou no dia 1 de Setembro os treinos para a próxima época dando continuidade ao projecto iniciado pelos treinadores José Maria Peixoto e Cátia Gomes. Esta época conta com 27 atletas, prova da qualidade do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido e do seu reconhecimento público. Em Dezembro, os nossos atletas realizaram a sua festa de Natal com um pequeno torneio interno e troca de presentes. Foi grande o companheirismo entre eles. Continuação de um bom trabalho e boa sorte aos nossos atletas nesta época desportiva.

Desporto Sénior

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AMP dá continuidade à sua colaboração em conjunto com a Câmara de Loures e a Junta de freguesia da Portela na promoção do Desporto Sénior. Assim, a nossa professora Alexandra Granado irá continuar a trabalhar com a classe de Ginástica Sénior (+ 55 anos) da AMP em prol de uma vida mais activa e saudável dos nossos seniores e conta neste ano já com 26 alunos.

Veteranos de parabéns...

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m resultado da excelente época dos nossos atletas, a equipa de Ténis da AMP foi galardoada com uma distinção da Câmara Municipal de Loures na 5.ª Gala do Desporto realizada no dia 11 de Outubro no Pavilhão Paz e Amizade. Decorreram no fim-de-semana de 5 e 6 de Outubro os Campeonatos Nacionais de Veteranos em que a AMP esteve representada nos escalões de +45 Masculinos e +60 Masculinos. Mais uma vez, a nossa associação deu provas do seu valor evidenciando um inegável espírito de grupo e dando mostras do valor dos seus atletas. Premiados pelo seu esforço, os nos-

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sos atletas +60 lograram alcançar o título de Campeões Nacionais da 2.ª Divisão do seu escalão, ganhando na final por 2-1 à não menos prestigiosa equipa do Millennium BCP. Não menos esforçados foram os +45 dada a curta equipa que se deslocou à terra do fundador. Com o longo calendário pela frente, havia que chamar todas a forças e encarar todos os encontros com desportivismo. Deste modo, a classificação de 3.º lugar, que nos dá a subida à 1.ª divisão, é prova da dedicação dos nossos atletas. Parabéns a todos os premiados, continuação do excelente trabalho e que os resultados desta época sejam igualmente brilhantes.


O ano lectivo da nossa Universidade Sénior – Portela Sábios teve início no dia 7 de Outubro, neste ano com mais alunos, mais professores e novas disciplinas, das quais destacamos Alemão; Italiano; Russo; Filosofia; Cultura Clássica (módulo de Grego e módulo de Romano) e Oficina da Escrita. Passamos assim a contar com um leque de 39 disciplinas. Para este ano lectivo, será este o nosso calendário escolar: – 1.º Período: 7 de Outubro a 14 Dezembro; – 2.º Período: 3 Janeiro a 15 Março; – 3.º Período: 2 Abril a 28 de Junho; – Pausas lectivas – Férias de Natal de 17 Dezembro a 2 Janeiro de 2013; Carnaval de 11 a 13 Fevereiro e Férias Páscoa de 18 Março a 1 Abril. Desejamos a todos um excelente ano lectivo recheado de sapiência…

Jantar Início Ano Lectivo 2013/2014

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ara marcar o início do novo ano lectivo do Portela Sábios, realizámos no dia 12 de Outubro mais um jantar convívio, no qual e à semelhança dos anteriores, a animação foi uma constante. Neste ano, os nossos alunos, professores, colaboradores e restantes convidados foram surpreendidos com uma exibição de Danças de Salão por parte dos alunos da Associação de Dança de Moscavide, a quem muito agradecemos.

Façam-se amigos do Portela Sábios e do Portela Jovem e da Portela Magazine através do facebook

Mário de Carvalho no Clube de Leitura do Portela Sábios

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escritor Mário de Carvalho foi o convidado especial de mais um Clube de Leitura do Portela Sábios. Iniciativa promovida por Isabel Fraga, orientadora do nosso clube de leitura, que juntou uma série de leitores deste autor para conversarem sobre o livro Os Alferes.

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ACONTECEU NA AMP

4.º Ciclo de Palestras

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este ano, iniciamos o nosso ciclo de palestas mais cedo e realizamos conjuntamente com a IAC uma conferência pública sob o tema «EQM (Experiência de Quase Morte): Haverá vida para além da vida?» A IAC – Internacional Academy of Counsciousness é uma organização de pesquisa e educação, sem fins lucrativos, dedicada à investigação da consciência de forma

integral (abrangendo múltiplas dimensões e existências). A IAC considera a terceira idade como uma fase da vida em que existe uma maior disponibilidade para o desenvolvimento pessoal, crescimento e maior autoconhecimento, sendo o conteúdo dos seus cursos e das suas conferências públicas do interesse dos nossos alunos da Universidade Sénior Portela Sábios.

Continuidade das nossas Tertúlias Alimentar o Ser

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stas tertúlias são realizadas uma vez por mês, normalmente no último sábado de cada mês e após as férias de Verão, reiniciaram no mês Setembro. No passado dia 30 de Novembro, foi já realizada a 16.ª edição destas tertúlias, desta vez subordinada ao tema Relacionamento.

As tertúlias são realizadas no Centro de Convívio do Portela Sábios, são de entrada livre e estão abertas a toda a comunidade, é só ficar atento à data, a qual normalmente é publicitada através do facebook da AMP e do Portela Sábios. Apareçam e divirtam-se com sabedoria.

Portela Jovem com novas instalações E ste ano lectivo começou cheio de surpresas, desde logo os nossos jovens foram surpreendidos com um novo espaço, mais amplo e agradável. O Portela Jovem passou a funcionar nas instalações do Centro de actividades da AMP, um espaço partilhado com a nossa Universidade Portela Sábios, mais um paço para fomentar a intergeracionalidade e a partilha entre estes dois grupos etários. Os nossos jovens podem ainda beneficiar da ajuda dos nossos seniores na realização das suas tarefas escolares, contando com o apoio de professores no plano da língua

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portuguesa, matemática e história. Esperamos que aproveitem bem os ensinamentos dos nossos sábios e desejamos a todos os nossos jovens um ano escolar recheado de sucesso e com muito juízo. O dia de São Martinho foi comemorado no Portela Jovem com a realização de um painel especial, alusivo à época, decorado pelos nossos jovens com a ajuda da nossa querida professora Dra. Manuela Rego. Tivemos ainda algumas guloseimas e castanhas assadas para o lanche, foi um dia diferente, animado, de convívio entre os nossos jovens.


Portela Sábios no anfíbio

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s alunos do Portela Sábios tiveram oportunidade de viver uma experiência única na cidade de Lisboa. Um passeio a bordo do único veículo anfíbio do país que permite explorar as diferentes facetas da nossa capital quer por terra, quer por mar, sem ter de sair do mesmo lugar!!! Tal foi o sucesso desta viagem que foram já realizados 3 passeios para abranger todos os nossos alunos que manifestarem interesse nesta viagem! Ainda antes das férias lectivas do Natal, os nossos sábios foram ao Teatro Politeama assistir à mais recente produção de Filipe La Féria – Grande Revista à Portuguesa –, uma megaprodução que homenageia o género mais genuíno do nosso teatro, num espectáculo que revisita o humor e a arte de ser português.

VAI ACONTECER NA AMP As férias lectivas do Natal estão a chegar e a equipa do Portela jovem já organizou o seu programa para as férias de Natal para os vossos filhos, que inclui vários passeios e actividades lúdicas e culturais adequadas à época. Será sem dúvida uma forma divertida de passar o tempo de merecido descanso após um intenso período escolar. Durante as férias de Natal, o Portela Jovem recebe também os jovens que não estão connosco durante o período lectivo. Reservem já o lugar para os vossos filhos – Para mais informações sobre o programa de Férias de Natal, contactar a secretaria da AMP – telef. 21 9435114 ou 918552954, ou através de e-mail amportela.secretaria@gmail.com ou portela.jovem@gmail.com

A AMP está consciente das dificuldades que as nossas famílias enfrentam. Desta forma, através do projecto Portela Solidária, vamos, à semelhança do ano anterior e dando corpo ao protocolo celebrado com a Câmara Municipal de Loures, realizar mais uma recolha de bens essenciais. Esta recolha será realizada durante o mês de Dezembro e será posteriormente entregue nas Lojas solidárias que os irá canalizar às famílias mais carenciadas. Por favor, ajude-nos a ajudar e colabore com esta ideia!

A AMP deseja a todos os seus associados e amigos um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de saúde e alegria! Façam-se amigos da Associação dos Moradores da Portela através do facebook Apareçam, colaborem e desfrutem da Vossa Associação! Carla Marques Presidente de Direcção

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CULTURA

Que fazer quando tudo ardeu?

Leiturasdemadamebovary.blogspot.com

Patrícia Guerreiro Nunes

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o meu quarto, há uma réplica da Ofélia morta de Millais. Agrada-me adormecer sob o signo daquela que morreu de amor. Criada ou não pela literatura, tive desde idade muito precoce uma propensão para amores fatais. Desconfiava dos amores calmos e seguros e, como seria de prever, dediquei a primeira década adulta a coleccionar paixões impossíveis e várias crises nervosas. Consegui, apesar de tudo, chegar aos trinta anos com várias mortes imaginárias, mas nenhum óbito efectivo. A morte real foi sempre interrompida pela leitora que há em mim; insónia após insónia, narrativizava cada amor até me aperceber de que o amante em questão era demasiado medíocre para um desfecho tão sublime. Não quero com isto desvalorizar os homens que amei ou julguei amar, eles foram os amantes necessários. Lidos no seu conjunto, eles contam a história da formação do meu desejo. Como peças de um puzzle ou fragmentos de uma epopeia menor. Franchizado o desamor, comecei a interessar-me por outro tipo de heroínas literárias: as que sobrevivem ao fim do amor. Neste campo, também não é fácil encontrar uma personagem à altura do meu desejo. Se a literatura parece exímia a ensinar os corações a despedaçarem-se, poucas são as pistas para quem deseja um caminho alternativo. Leitoras ou não, as mulheres sempre foram percebidas como um perigo que não se sabia bem como controlar. Era preciso dar-lhes um destino, uma solução, e o dispositivo literário soube apropriar-se da ideia de amor romântico para arrumar o género feminino. De ora em diante, a mulher tinha uma função muito clara: con-

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sagrada a Eros, deveria dedicar a sua vida à procura e à prática do amor. A questão é que a própria solução se revelou também problemática, pois um pharmakon nunca é inteiramente controlável. A primeira fenda no edifício romântico é a sua profunda antítese com o casamento; «contratualizado» o amor, logo este devém tédio ou neurastenia, se preferirmos o termo clínico em voga no século XIX. Onde Eros falha, o dispositivo literário convoca Tanatos e as mulheres que transgridem o espaço doméstico são punidas com a morte. É o caso de Madame Bovary e de Anna Karenina. Entre Eros e Tanatos, que alternativas nos sugere a literatura para lidar com este problema literário? Além das narrativas de ascetismo redentor ou de voluptuosidade da carne, as respostas são raras. Estava a ficar sem esperanças numa emancipação literária da mulher relativamente à ideia de amor quando encontrei uma assombração textual: Thérèse Desqueyroux. As afinidades com Madame Bovary denotam uma intenção óbvia de Mauriac em reescrever a história da aparição de um desejo feminino incontrolável. Como Emma, também Thérèse sufoca numa vida menor na província, casada com um homem simples e a maternidade não lhe traz qualquer alegria ou paliativo. Mas o que inte-

ressa em Thérèse não são as afinidades que a unem a Emma Bovary, mas o desacordo que as distingue. Thérèse é uma leitora ávida e inteligente. Casou com um homem simples e rude na esperança de que ele a simplificasse, mas não conseguiu acomodar-se na ordem da família e salvar-se da sua própria inquietude. Perante este falhanço, Thérèse encerra-se em si, num isolamento sem lenitivos nem amantes («Não suspeitava de que um outro homem lhe pudesse ser de algum socorro. Ao fim, ao cabo, Bernardo não era assim tão mau. Ela execrava nos romances a pintura de seres extraordinários, como nunca se encontram na vida»). Como a outra, sonha com uma vida mais intensa; ao contrário da outra, não se deixa devorar pelos ideais românticos. Opta por se intoxicar com cigarros e envenenar o marido com arsénico. Despedimo-nos de Thérèse em Paris. O marido liberta-a na grande urbe, libertando-se também da ameaça que esta mulher sempre significou. Ela tem finalmente o tempo e a solidão que tanto desejou para se fixar no seu desespero misterioso. Inicialmente, tem medo desta liberdade desconhecida – é que também ela se sente ameaçada pelo seu poder cego. Se o marido a pudesse perdoar, imagina-se a voltar com ele de bom grado para o seu papel de mãe e de esposa burguesa. Mas, felizmente, o desejo de uma vida maior vence e, na última vez que a vemos, Thérèse ri sozinha e pinta os lábios com minúcia, antes de se perder pelas ruas da cidade. O que acontece depois é um enigma. Como o desejo feminino.


Humor www.facebook.com/hugohrosa

Hugo Rosa

Uma Carta Aberta aos Comerciais MEO

Excelentíssimo(a) Sr(a). Comercial: Eu já tenho MEO. Não preciso que me toque à campainha para tentar vender o M4O! E sabe porquê? Porque eu já tenho o M4O! Comprei o pacote literalmente cinco minutos depois de ver os Gato Fedorento a gozar com aquele senhor norte-americano. Por um lado, achei um anúncio cómico e brilhante. Por outro lado, eu sou facilmente influenciável e compro de tudo, como poderá comprovar pelo cortador de relva movido a energia solar que está guardado na minha garagem, na eventualidade de um dia ter um jardim no interior do meu apartamento na Portela. Estou seguro de que, algures no mundo digital das bases de dados, está escrito que eu já tenho o seu produto. Será que não tem acesso a esta informação a priori? É que já estou mesmo farto de interromper jantares, filmes e a ocasional relação sexual para lhe abrir a porta. Acredite, nem eu quero ver a sua cara, nem você a minha erecção. São minutos que ambos perdemos e, no meu caso, por mais que tente, não vão entrar para a estatística como tempo útil de «jogo». Para mim, a sua laia está apenas ligeiramente acima da das Testemunhas de Jeová, que me batem à porta de 2 em 2 dias. E até nesses casos, se no passado já respondi «Sim» à pergunta «Conhece a palavra do Senhor?», diria que cumpro os requisitos mínimos para que, de futuro, não me chateiem. Parece que os Jeovás só têm 2 leis: Não fazer transfusões de sangue e não investir num sistema informático centralizado de «convertidos». Mas voltando a si, peço-lhe encarecidamente que não me deixe o panfleto informativo com o seu contacto telefónico, apesar de já lhe ter dito que possuo MEO. «É para o caso de conhecer alguém que esteja interessado.» Ahhhh, agora ainda quer que faça o seu trabalho por si? Além de não saber quem são os seus clientes, é incompetente! Um coala narcoléptico faria um melhor trabalho. A partir do momento em que me dá o panfleto, ele tem o destino traçado: lixo, juntamente com os rissóis que deixei queimar porque tive de lhe abrir a porta. Para concluir, uma nota positiva: desejo que desfrute da sua breve carreira enquanto comercial. Sei que não é o seu emprego de sonho e que só o está a fazer porque tem algo muito importante para pagar, ou porque tirou Psicologia. De qualquer das formas, a culpa não é sua. Despeço-me cordialmente, Hugo Rosa P.S. – Eu não sou Testemunha de Jeová, simplesmente dá menos trabalho mentir-lhes.

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Jogo de Apresentação FUTSAL

e Expectativas para a Nova Época

Leonor Noronha

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equipa Sénior de Futsal da Portela recebeu, no passado dia 18 de Setembro, o Sporting Clube de Portugal, Campeão Nacional, para o jogo de apresentação da equipa da casa. A Portela entrou em campo com excelentes indicadores frente a um Sporting muito forte, num jogo marcado por alguma indisciplina por parte dos jogadores. A equipa da casa chegou ao intervalo a vencer por 3 a 1, mas a oito minutos do final do jogo os campeões nacionais já tinham dado a volta ao resultado e o placard já assinalava 4-4. O jogo foi muito equilibrado, mas os Leões conseguiram dar a volta ao resultado e venceram por 4-7. Nuno Dias, treinador do Sporting Qual a sua opinião sobre a equipa da Portela? Acho que está melhor que no ano passado, muito sinceramente. Viemos cá no ano passado, regressámos este ano e parece-me que a equipa está, de uma forma geral, melhor organizada. É um ano com este treinador novo e parece-me que o Mário tem qualidade e trabalha bem. É uma equipa organizada, que sabe o que faz. Pelo que vi, e se não começarem tão mal como na época passada, acho que neste ano há fortes hipóteses de estarem connosco na próxima época na primeira divisão. Mário Silva, treinador da equipa sénior da AMP Quem são as novidades da equipa para esta época? A aposta nesta época foi claramente na continuidade. Mantivemos o plantel praticamente todo, excepção feita a um dos guarda-redes, uma vez que por necessidade terminámos a temporada passada com quatro. Infelizmente, no início dos trabalhos já tivemos uma contrariedade com a saída do João Pinheiro por motivos profissionais. As caras novas são três: Osvaldo Moreno ex-Belenenses, Bruno Santos

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ex-Leões de Porto Salvo e Ricardo Cardoso ex-Torpedos. Quais as expectativas para a época 2013/2014? Como todos os que são exigentes no seu trabalho, nós não fugimos à regra e achamos que há sempre espaço para melhorar o que foi feito. Mentalmente, entramos em todos os jogos para vencer e com a responsabilidade de dignificar os valores da Associação dos Moradores da Portela por todo o País bem presente. O mais importante é termos a consciência de que se alguma vez não conseguirmos atingir os nossos objectivos desportivos, que seja porque outros foram mais competentes e nunca porque não demos tudo. O pior sentimento que uma equipa pode ter é esse! Quais as principais dificuldades que pensa que vão encontrar? Neste ano, a segunda divisão nacional está mais exigente. No ano passado existia um núcleo de cinco ou seis equipas que podiam lutar pelo objectivo subida e este ano parece-me que esse número se mantém, com uma grande diferença. A qualidade dessas equipas está substancialmente melhor. Acrescido a isso, as alterações nos quadros competitivos que entram em vigor neste ano também são um factor de agravamento das dificuldades. Neste ano, apenas uma equipa subirá de divisão ao contrário das tradicionais duas. De qualquer das formas, preparámo-nos bem e os três novos jogadores também colmataram algumas lacunas que tínhamos no nosso jogo. Tão ou mais importante que isso, a selecção natural que se foi fazendo da equipa na época passada permite-nos hoje pensar que temos um grupo muito mais homogéneo na forma de pensar, de trabalhar, nos valores,

e isso poderá ser um factor decisivo na estabilidade emocional da equipa e na prevenção de incidentes internos que nos prejudicam e prejudicaram. Kiko, capitão de equipa AMPortela Quais as expectativas para a época 2013/2014? Tentar fazer melhor que na época passada (no ano passado ficámos em 2.º lugar, a 1 ponto da subida de divisão). Nesta época, vamos tentar, jogo a jogo, dar sempre o nosso melhor e encarar os jogos como finais, para que no final possamos alcançar uma melhor classificação que a da época passada. O grupo está a trabalhar muito bem e com grande ambição, daí, se tudo correr bem, estivermos unidos e formos uma verdadeira equipa à AMPortela, estaremos perto de atingir os nossos objectivos. Quais as principais dificuldades que pensam que vão encontrar? Todas as épocas existem dificuldades e esta não será excepção com toda a certeza. Temos um plantel experiente que neste ano foi reforçado com jovens com muita qualidade, que permitem à Portela ser encarada como um dos «alvos a abater» como tem sido ao longo destes últimos 3/4 anos. Daí, sabermos de antemão que todos os adversários vão querer dificultar-nos ao máximo o nosso trabalho, mas esta questão não pode ser vista como dificuldade, mas sim como forma de nos aplicarmos ainda mais quer em treino quer no jogo. A grande preocupação que o plantel da Portela tem de ter neste ano é dar sempre tudo de si, por forma a que todas as dificuldades possam ser ultrapassadas com o nosso trabalho, sempre com base nas directrizes da equipa técnica. Claro está que por vezes as lesões poderão influenciar o rendimento da equipa, mas, como disse anteriormente, neste ano a AMPortela tem um plantel vasto e com muita qualidade, daí não podermos estar preocupados com esta questão.


TECNOLOGIA Bonifácio Peter da Silva

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aros leitores, hoje trago-vos uma grande novidade, o Google Glass (óculos da Google). Já se imaginou a passear pela rua e estar ligado à Internet, aceder às mensagens electrónicas, editar a agenda pessoal, utilizar o telefone e estar ligado à rede de satélites para obter direcções, tudo isto e muito mais, ao mesmo tempo, de forma discreta e de mãos nos bolsos? Hoje, é possível fazer isso e muito mais, o Google Glass é um projecto da Google, cuja missão é organizar as informações do mundo e torná-las mundialmente acessíveis e úteis, mas

Google Glass aceder desta forma vai certamente alterar a forma de interagir com uma máquina. Com um design arrojado, este wearable gadget substitui o mais avançado smartphone, tornando-os obsoletos. Podemos fazer videoconferências no escritório e enviar mensagens de textos com o comando da voz, além de filmar ou fotografar momentos da vida real e compartilhar na Internet. Através

da triangulação das antenas das redes móveis, Wi-Fi ou até de satélites GPS, podemos encontrar as melhores direcções para localizar um amigo. Destaco duas características que me impressionaram, o facto de o som ser transmitido pelos ossos, através de dois condutores colocados na parte posterior das hastes. É, de facto, algo que nunca imaginaria possível no presente. Outra coisa que me impressionou foi o reconhecimento facial, o facto de olharmos para um rosto e obter todos os dados que estejam na base de dados sobre essa pessoa (assim como toda a informação disponibilizada nas redes sociais). Tudo o resto achei normal para um aparelho daquele tamanho, a bateria é que terá de ser carregada diariamente. O protótipo já se tornou público, muitos foram distribuídos por colaboradores e alguns especialistas para avaliação, prevendo-se, para breve, o lançamento mundial cujo preço rondará os 500 €. É certo que é mais caro do que um médio smartphone, mas, se levarmos em conta as funcionalidades destes óculos e o valor de muitos aparelhos que o normal português utiliza, o preço nem é elevado. Em Portugal, a apresentação e demonstração desta maravilha ocorreu no passado dia 19 no IST Porto. Na certeza de não estar disponível, em tempo útil, para este Natal, quem não gostaria de abrir um embrulho com um par destes óculos?

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Portela magazine n 12  
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