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magazine Fevereiro 2013

Distribuição gratuita Periodicidade Bimestral

Passos Coelho na Portela Declarações exclusivas à Portela Magazine

Revista da Associação dos Moradores da Portela


MENSAGEM DA PRESIDENTE

que não pode «baixar os braços», que não pode desistir, que não se pode conformar a esta sentença de morte. Somos um povo lutador, determinado, corajoso, honesto e trabalhador. Sempre o fomos e sempre o seremos. E vamos «dar a volta por cima» porque é assim que tem de ser. Estamos conscientes de que não é fácil, nunca o é… Sabemos que o nosso bem-estar é cada vez menor e que se apresenta como um objectivo longínquo.

Carla Marques Presidente da Associação dos Moradores da Portela

Caros leitores: Em cada começo de ano, enchemo-nos de esperanças renovadas, enfrentamos novos desafios, idealizamos novos projectos e desejamos alcançar novas metas, enfim… Queremos Mais… E o ano de 2013 não pode ser excepção. Muito se tem falado na malfadada crise que atingiu este velho continente e em particular o nosso país. Nos meios de comunicação, nas conversas de café, entre amigos e em família, este é o tema. De facto, nos últimos anos, temos sido assaltados por grandes dificuldades e contingências adversas que têm provocado o crescente empobrecimento das populações. O flagelo do desemprego, o crescente aumento de impostos e dos preços dos bens essenciais, o descalabro económico que temos assistido no nosso país tem originado um sentimento generalizado de falta de esperança, de revolta, de desilusão e desmotivação, entristecendo o nosso povo. Mas é este Nobre Povo e esta Nação Valente, como dita o Hino Nacional,

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A realidade é que, nestes tempos de incertezas, quase nos bastamos se tivermos saúde, um emprego e um salário no final do mês que garanta a nossa subsistência e da nossa família. Mas não nos podemos bastar com tal realidade, nem descurar a ambição de ir mais longe. Devemos tomar as rédeas da nossa vida. Devemos projectar um futuro melhor. Porque este é o ensinamento que os nossos pais e avós nos deixaram. Também eles não desistiram. Também eles não se resignaram. Também eles não «baixaram os braços» e corajosamente lutaram por um Portugal melhor. E conseguiram… A liberdade é um bem supremo e essa é a nossa grande vitória, a qual temos a obrigação de prosseguir. Sem dúvida, o maior bem que as gerações anteriores nos deixaram foi a liberdade de escolha, a liberdade de expressão… o poder dizer «Não» sem medo. A nossa obrigação neste momento difícil é mantermo-nos despertos e unidos, conscientes do nosso papel na sociedade, agarrar o nosso futuro, ser rigorosos com os que nos governam, exigir que sejam competentes

nas suas funções, foi para isso que foram eleitos e porque fomos nós que os elegemos. Não podemos continuar a eximirmo-nos das nossas responsabilidades enquanto elementos de uma sociedade e deixarmos que entreguem nas mãos de outrem o nosso futuro. O futuro deste nobre povo, o futuro da nossa amada pátria, somos nós que temos de construir. Levantemo-nos hoje de novo, enquanto povo valente, corajoso e vitorioso. E com a criatividade que nos caracteriza, iremos conseguir (re)inventar o nosso amanhã, conscientes de que somos capazes, porque sempre o fomos… Somos uma nação valente e vamos levantar a cabeça, vamos lutar com todas as nossas forças por um país melhor, pelo nosso futuro e pelo futuro dos nossos filhos. Ficar parado…NUNCA. Resignarmo-nos à nossa malfadada sorte… NUNCA. Vamos dizer BASTA. Vamos honrar os nossos ANTEPASSADOS. PORQUE ESTE É E SEMPRE FOI O NOSSO DESÍGNIO. Carla Marques Presidente de Direcção da AMP


cartas dos leitores Sr. Director do Portela Magazine, Ao abrigo do direito do contraditório e pelo interesse da comunidade da Portela relativamente ao tema “Biblioteca Cardeal Ribeiro”, tenho acompanhado com curiosidade a novela jornalística em que transformou a sua história. Uma leitura desapaixonada sobre os vários textos publicados nos últimos números facilmente levam a concluir que, através dos livros, se pretendem resolver questões de outro foro e espantar fantasmas sem proteger o essencial. Não me compete a mim discutir o que foi feito ou os contornos desta polémica nem este é o espaço para abordar questões de natureza biblioteconómica ou de política cultural, que deveriam ser prévias a toda esta discussão entre os directamente interessados e envolvidos. E para não ficar apenas pelas opiniões que qualquer um, em função dos seus interesses ou sensibilidade, poderá tomar sobre o assunto decidi conhecer a realidade concreta e juntei-me a outros voluntários que de forma generosa se propuseram ajudar a reabrir a Biblioteca. E foi por isso com espanto que li as opiniões expressas no último número! De facto, com o devido respeito pela opinião contraria, não entendo o que pretende um outro leitor quando afirma que “anda tudo às aranhas…e não saibam nada sobre autores ou onde se encontram os livros” Conforme refere Humberto Eco, a Biblioteca também serve para “descobrir livros de cuja existência não

se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós.” E para isso nem é necessário dispor dos computadores que parece tanto são reclamados pois bastará deambular pelas estantes, que estão em livre acesso, devidamente identificadas por grandes áreas /temas e com rapidez seleccionar a obra que se procurava. Por isso ou estamos a falar de realidades diferentes ou então só pode tratar-se de um equívoco, quando se misturam acusações com conceitos de uma biblioteca ficcionada levando os leitores/moradores a acreditar numa anterior realidade inexistente. Todos sabemos que as não verdades repetidas sistematicamente se tornam em verdades. Desde já, permita-me Dr. Manuel Monteiro que o aconselhe a visitar a Biblioteca para que possa verificar por si, para depois nos ajudar a esclarecer, onde estão os mais de 28.000 livros que no seu Editorial afirma existirem, pois não encontrei em nenhum local prova de tal número. A base de dados existente no computador apenas contem 9.345 obras, trabalho realizado entre 4 de Janeiro de 2007 e 16 de Dezembro de 2010. Onde estarão registadas as restantes? E onde se encontram? Fazendo fé no que afirma o desaparecimento de 18.655 exemplares é grave e quero acreditar que não foram lançadas no lixo até porque tal volume daria seguramente nas vistas. Mas ainda concedendo que possam existir “algures” quero afirmar que um inventário exaustivo aos 28.000 livros teria levado pelo menos cerca de 1000 horas (1 ano de trabalho a tempo parcial). Então interroguemo-nos: Será que alguém fez este inventário? Onde se encon-

Ficha Técnica Portela Magazine – Revista Bimestral – Proprietário Associação dos Moradores da Portela – Director Manuel Monteiro – Redacção Eva Falcão, Filipa Assunção, Leonor Noronha – Colaboradores Armando Jorge Domingues, Bonifácio Silva, Carla Marques, Fernando Caetano, Filipa Lage, Humberto Tomaz, José Alberto Braga, Miguel Esteves Pinto, Miguel Matias, Patrícia Guerreiro Nunes, Rui Garção, Rui Rego – Sede de Redacção Associação dos Moradores da Portela, Urbanização da Portela, Parque Desportivo da AMP, Apartado 548, 2686-601 Portela LRS – Telefone 219 435 114 – Site www.amportela. pt – E-mail amportela_secretaria@gmail.com – Email Comercial – pubportelamagazine@gmail.com – Direcção Comercial Keep In Touch, Lda. – Grafismo ITW-Ideas That Work, Lda. – Impressão Nova Gráfica do Cartaxo – Tiragem 6500 exemplares – Depósito Legal n.o 336956/11 – ISSN N.o 126156

tra? Ou trata-se apenas um número opinativo ou “mágico”? E a propósito de números gostaria também de salientar outras realidades que são muito relevantes para a discussão séria deste tema. Ao preço de mercado, a catalogação das obras já registadas em computador, 9.345, correspondem a um investimento aproximado de 27.000 euros, ora se de facto existem os 28.000 livros, como se diz, para os restantes 18.655 alguém teria de despender mais cerca de 50.000 euros. Não querendo ser injusto, por não se conhecerem os indicadores dos anos anteriores (não foi encontrada informação disponível) sobre a afluência de público, no caso da contratação de um bibliotecário mesmo em horário parcial o custo médio actual por leitor atendido rondaria os 20 euros. Haverá alguém disposto a financiar estas realidades? Aproveito a oportunidade para sugerir aos responsáveis da Portela Sábios a organização de uma conferência/ encontro sobre “Bibliotecas e Arquivos”, onde todos os Portelenses interessados poderiam aproveitar para aprender e debater um tema que tantas paixões tem despertado na colunas do Magazine. Os meus melhores cumprimentos, Rafael António Dr.Manuel Monteiro, Diretor da revista “Portela Magazine”, é na qualidade de mera ex-funcionária da Biblioteca Cardeal Ribeiro propriedade do Centro Social e Cultural da Paróquia da Portela e na plenitude de todas as minhas faculdades mentais que lhe escrevo. Cabe ao Sr. Diretor o direito da publicação ou não desta carta. Em virtude de me ter chegado ás mãos cartas lesivas á minha pessoa e ao trabalho que efetuei durante 6 anos na referida biblioteca(na especialidade de documentalista) considero por bem esclarecer, a quem interessar os referidos pontos: Quando cheguei á Biblioteca em 2006 existiam 80 metros lineares de

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CARTAS DOS LEITORES estantes com livros espalhadas por 3 salas e com um acervo de 11.000 livros. No dia em que informei o Sr. Vice-Presidente que tinha recebido uma carta do Hospital(26/01/2012) a informar que iria ser operada no dia 15 de Fevereiro de 2012,por imposição do Presidente do Centro Social e Cultural da Portela e pela mão do seu Vice -Presidente foi-me apresentado ,nesse mesmo dia,uma rescisão de contrato amigavél. Não assinei a rescisão de contrato nesse dia,quis levar o contrato para casa para ler e conferir o montante em causa.No dia seguinte,fui confrontada com o facto de o Presidente do Centro Social e Cultural da Portela exigir o reconhecimento da minha assinatura,coisa que fiz de bom grado na companhia do sempre portavoz Sr. Manuel Fiel,o Vice-Presidente da Instituição. Quando saí , no dia 31 de Janeiro de 2012, deixei mais de 240 metros lineares de estantes com livros espalhadas por 4 salas e um depósito a abarrotar tendo deixado um acervo de mais de 28.000 volumes.Este número não era um número mágico era a realidade.Facto que pode ser facilmente comprovado na medida em que para além de fazermos parte da rede concelhia de bibliotecas da Camara Municipal de Loures concorríamos á atribuição de um pequeno subsidio anual. Como para opinar e falar do que não se sabe há sempre muita gente,dirigi-me no dia 17 de Janeiro de 2013 á Biblioteca a fim de constatar o que se estava a passar. Quando passei os olhos pelas salas e especialmente pelo depósito, senti que aquele já não era o espaço que tinha concebido com a ajuda de preciosos e sábios voluntários,alguns infelizmente já não estão entre nós. Não encontrei resposta para o desaparecimento de inúmeros livros

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e publicações periodicas, como por ex: a” Revista Flama”,”O tempo e o modo”,ou livros de David Lodge ,Philip Roth,Tom Sharpe,Camilla Lackberg,entre outros.No meu último dia de trabalho,recebi uma doação de 30 sacos de livros sobre ioga, medicinas alternativas,e das mais variadas religiões e sinceramente não os detectei em lado nenhum.Não querendo ferir suscetibilidades nem fazer juízos de valor injustos tudo me leva a quer que tenha sido criado um outro depósito noutro local. Recordo que no nº 1 da Portela Magazine foi escrito um texto sobre a Biblioteca da autoria da Sr.ª Jornalista Leonor Noronha.Mais uma vez, o vice-presidente,a mando do Sr. Padre Alberto Gomes (Presidente da Instituição) informou-me que teria de ser eu a dar a entrevista.Deste modo,o protagonismo de que os ilustres membros do Centro Social e Cultural tanto reclamam que a revista me proporcionou foime concedido pelo seu mais ilustre membro.A revista “portela Magazine” não se colou a mim...foram os senhores que me colaram a ela.Recordo ainda a maioria dos elementos que compõem tão prestigiado orgão social nunca “pôs os pés” na biblioteca logo as suas palavras e atitudes devem ser entendidas como um acto de desespero ou uma assinatura em cruz. Quanto aos números apresentados pelo sr.Júlio Rafael António,são descabidos e irrealistas.Eu era a única funcionária,limpava e encerrava as estantes,registava,catalogava,cla ssificava e indexava livros das mais variadas áreas.Para além disso,fazia atendimento, recebia as doações, aconselhava os leitores.Perante um número tão estonteante,nem me atrevo a perguntar qual a estimativa para um utilizador da Biblioteca Nacional.Se porventura a conferência/ encontro sobre “Bibliotecas e Arquivos” se concretizar pode contar com a minha presença.Aprender sempre com os bons é o meu lema. Durante a minha função de mera funcionária, tive o prazer de ter na Biblioteca Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarcal de Lisboa,D.

José Policarpo e Monsenhor Carlos Azevedo,tendo eu recebido os maiores elogios sobre o meu trabalho. Sobre a Biblioteca ainda ficou muito por dizer.E, sinceramente, se alguém dizer continuar esta trágico-comédia o melhor mesmo é avançar para as entidades competentes.Terei todo o gosto em mostrar todas as fotos que ao longo dos tempos fui tirando, os livros técnicos que fui pagando do meu bolso e os cursos e conferências em que participei para os quais tinha de tirar férias,também será fácil provar que a sala juvenil (da qual já foram tiradas fotos para ilustrar uma entrevista dada para toldar os espíritos mais fracos)foi inteiramente organizada por mim. Está na hora de acabarem as acusações, difamações e mentiras.Nada tenho contra o padre Alberto Gomes enquanto pároco, irei continuar a frequentar a Igreja tal como tenho feito ao longo da vida.No entanto,tendo sofrido na pele humilhações e atitudes impróprias para com a minha pessoa não o considero a pessoa indicada para estar á frente de uma instituição tão rica em termos culturais e humanitários,o que não me impede se o respeitar e cumprimentar se assim houver ocasião. Que fique bem claro:NÃO FINANCIO MENTIRAS. A todos os que voluntariamente me ajudaram,a todos os leitores e a todos os utilizadores um grande abraço e o meu sincero obrigado pelos momentos únicos e inesquecíveis. Com os meus melhores cumprimentos, Irene Tarouca Carta Aberta do director da Portela Magazine ao Centro Social e Cultural da Paróquia da Portela A Portela Magazine convidou duas vezes Sua Reverência Pároco Alberto Gomes para uma entrevista. O primeiro convite foi recusado, o segundo teve a resposta de que a entrevista só seria dada se não se falasse da biblioteca. Tendo Sua Reverência manifestado a preferência pela entrevista escrita (por e-mail),


esta possibilidade foi-lhe concedida em ambos os casos. Sublinhe-se ainda que entreguei duas cartas na secretaria da Igreja para que o direito de resposta fosse exercido da vossa parte. Porque não se pronunciam sobre questões que tanta polémica têm suscitado e continuam a suscitar? Do que fogem? Porque adoptam a política da avestruz? Refira-se ainda, em abono da verdade – e vossas excelências sabem-no –, que me reuni duas vezes na Igreja de Cristo-Rei da Portela com o Pároco Alberto Gomes, que mostrou disponibilidade e capacidade de ouvir, para falar sobre o encerramento da biblioteca. Procurei também falar de viva voz com um dos membros do Centro Social e Cultura da Paróquia da Portela que teve o máximo do despudor de me dizer que eu não queria ouvir ninguém da Igreja, não dialogando comigo. Ouvi inúmeras fontes sobre a questão do encerramento da biblioteca. Só cartas, recebemos, quer eu quer a Associação dos Moradores da Portela (AMP), mais de duas centenas contra o encerramento da biblioteca. Lamentavelmente, uma parte da Igreja, quer por escrito, quer em conversas comigo, procurou sempre a mesma narrativa. Não acreditavam que tais pessoas «existissem mesmo» e só podia ser alguém a utilizar o mesmo e-mail várias vezes. Nem o facto de vos chamar a atenção para que também recebíamos cartas físicas com remetente e morada na sede da AMP produziu qualquer eco na razão. Foram igualmente várias e eminentes figuras da Igreja, insisto, várias e eminentes figuras da Igreja a manifestar-se extremamente indignadas contra o encerramento da biblioteca. Sobre os livros encontrados no lixo, só me resta repetir a verdadade. E repeti-la-ei sempre que voltarem a questionar a notícia. Uma quantidade impressionante de livros foi mesmo encontrada nos contentores junto da Igreja da Portela. Mais: entre eles, figuravam inúmeros livros religiosos. Espanta-me que sobre isto nada esclareçam, quando

eu próprio entreguei na secretaria da Igreja da Portela uma carta solicitando que exercessem o direito de resposta após a edição de Julho, na qual os livros encontrados no lixo foram noticiados. Falei com pessoas da Igreja, designadamente o Dr. Victor Adragão, actual responsável pela biblioteca. Primeiro, disseramme que de nada sabiam. Depois, diziam que tinha sido alguém de fora que deitara livros da sua biblioteca pessoal no lixo. Depois, fora, afinal, uma incauta funcionária (quem? quando?) que tendo encontrado um saco de doações para a biblioteca de alguém que desconhecia que a biblioteca já fechara os depositara inadvertidamente nos contentores. Sobre a notícia, os registos que tenho da fonte não permitem desmentidos. Entendem vossas excelências que deveria ter silenciado o assunto do encerramento da biblioteca? Entendem que após uma reportagem devidamente autorizada de divulgação da biblioteca pela Portela Magazine

em Dezembro de 2011 não poderia falar sobre o seu fecho inesperado no mês seguinte? Consideram que deveria ter censurado as centenas de cartas que recebi, não fazendo eco neste órgão de comunicação social de nenhuma das preocupações expressas pelos leitores e doadores da biblioteca? Deveria ter ignorado o pedido do doador de livros que exigia que os livros do seu pai falecido doados à biblioteca não poderiam ficar a apodrecer fechados? Será que o património afectivo e familiar não vale nada? Porque era uma decisão da Igreja, entendem que deveria ter censurado todas as vozes considerando a Igreja acima de todo e qualquer escrutínio? Consideram que um jornalista deve tratar apenas de defender o bom-nome das pessoas e instituições, sem quaisquer preocupações adicionais com o bem-estar da comunidade em que estão inseridas? Mais me espanto que tendo a reportagem sobre a biblioteca saído em Dezembro de 2011, e devidamente

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CARTAS DOS LEITORES autorizada pelo Centro Social e Cultural da Paróquia da Portela, ninguém tenha questionado os 28 000 livros senão agora. Porque durante mais de um ano nunca se questionaram estes números? Já sabiam quando a reportagem foi feita que a biblioteca ia fechar no mês seguinte? São muitas as perguntas a que infelizmente não dão resposta. Porque esteve a biblioteca fechada? Comunicaram que esta iria fechar antes de consumarem o seu encerramento? Avisaram a comunidade? Se sim, onde divulgaram a notícia? Só as pessoas que vão à missa têm o direito de estar informadas? Que resposta davam às pessoas que iam questionar o fecho da biblioteca à igreja? Contactaram os doadores de livros para saber o que achavam? E os leitores? E a comunidade da Portela? E agora porque a reabriram? E porque esteve esta entretanto fechada durante cerca de dez meses?A anunciada colaboração da Junta de Freguesia da Portela não teve afinal qualquer papel? Porque não chegaram a um entendimento? No vigésimo aniversário da dedicação da Igreja de Cristo-Rei da Portela e vigésimo quinto aniversário da comunidade católica da Portela, no qual marquei presença, realizado no dia 15 de Novembro de 2012, e no qual estranhei o facto de apenas o primeiro pároco estar presente (o Padre Manuel Marques), o Pároco Alberto Gomes afirmou que a biblioteca reabria com uma nova identidade, apenas com livros de natureza evangelizadora. O actual responsável pela biblioteca, o Dr. Victor Adragão, afirmou numa entrevista ao Notícias da Portela que é necessário proceder a uma limpeza da biblioteca.

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Se quer publicar uma carta de leitor, envie-a para: manuelmonteiro_@hotmail.com. Ou para a sede de redacção desta revista. Publicamos as cartas TAL QUAL RECEBEMOS, pelo que pedimos atenção à ortografia e à sintaxe. Visite-nos em www. facebook.com/portelamagazine. (Sítio criado e gerido por Filipa Assunção.)

O que acontecerá aos outros livros que decretarem não serem evangelizadores? Para que querem então os livros que entendem excedentários? Porque não responderam sequer ao apelo da presidente da AMP, Carla Marques, no sentido de a biblioteca da AMP acolher os livros que considerassem excedentários? Se não querem os livros, porque não permitem que os seus doadores os vão recolher? A biblioteca é um serviço à Igreja ou um serviço à comunidade? Admitindo que é apenas um serviço à Igreja, consideram que as pessoas que frequentam a Igreja só estão interessadas em ler os livros que os vossos doutos entendimentos decretam ser de natureza evangelizadora? Que nada mais lhes interessa? Supõem que ter um curso de bibliotecário é uma inutilidade? Que qualquer pessoa pode catalogar e servir o público numa biblioteca? Estas questões vão ao encontro das interrogações de muitos portelenses. O silêncio e a omissão absoluta não resolvem nenhum dos problemas. Expliquem à comunidade. Não é um favor que fazem, é uma exigência. Muitos livros foram doados pela comunidade portelense. Continuamos na Portela Magazine a receber cartas críticas sobre as condições de reabertura da biblioteca. Porque decidiram fechar ao sábado e encurtar o horário das 19.30 para

as 18.00, sabendo que grande parte das pessoas que trabalha ficará privada de poder assim frequentar a biblioteca? Fui à biblioteca. É um acervo impressionante que está lá. De literatura portuguesa, estrangeira, infanto-juvenil, de grandes clássicos, nomeadamente em edições que já não se encontram nas livrarias, mas também de bastante autores actuais, de livros políticos, de História, de grafologia, de tudo. E de religião também. Folgo em ver autores tão diferentes como Salazar, Mao Zedong, Hayek. Folgo em ver tantos autores ateus. É uma grande biblioteca. E com bastantes DVD também. Merece ser conhecida pelos portelenses (e não só). Espero que continue assim, espero ardentemente que não se libertem dos livros «não evangelizadores». Que alarguem o horário. Que divulguem a biblioteca. Que promovam iniciativas culturais, com exibição de filmes, debates, tertúlias. Que continuem a organizar e a catalogar a biblioteca. Que punham todos os livros visíveis nas estantes. E que peçam fichas de inscrição e de quotização. A mim, foi-me dito pela voluntária de serviço que não havia. Contem connosco, Portela Magazine, em tudo o que reporte à divulgação de actividades da biblioteca. O que recebermos será publicado. Manuel Monteiro


FIGURAS DA PORTELA

Um quiosque especial com uma pessoa especial... Filipa Assunção

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lém do Centro Comercial da Portela, o quiosque da D.Cristina tem-se tornado numa referência para quem todos os dias lá passa. Seja de forma apressada, a caminho do centro, ou no regresso a casa depois de um longo dia de trabalho, a verdade é que se tornou quase obrigatório fazer uma paragem no quiosque, perto do centro, para trocar algumas palavras. Apesar de ser moradora da Portela há 20 anos, só há cerca de dois é que o quiosque lhe pertence. «Era de uma amiga minha que já cá estava há cerca de 30 anos, mas que ia deixar o negócio. Durante 15 anos, fui fazendo os fins-de-semana e fui criando uma ligação muito forte com os clientes. Na altura, achei que se isto fechasse, a pessoa que para aqui viesse não ia ter uma ligação tão grande com os clientes como a que eu já tinha criado. Falei com a AMP e propus ficar com o quiosque. Apesar de estar efectiva no meu trabalho, optei por largar tudo para vir trabalhar para aqui. Foi um grande risco», conta D.Cristina. Desde essa altura, o seu dia começa mais cedo, abrindo o quiosque por volta das 6h45, quando ainda há pouco movimento na rua. «O meu quiosque serve como posto de informação e posto de ajuda, onde as pessoas se vão ajudando umas às outras. Já me pediram uma colher para comer a sopa ou até para carregar o telemóvel. Às vezes, também fico com os cães das pessoas que vão ao centro e, em dias de feira, há pessoas que deixam aqui os saquinhos. Acontece de tudo um pouco», diz. Entre notícias boas e menos boas, são inúmeras as que passam pelo seu quiosque e vão dando vida aos dias que passa, rodeada de jornais e revistas. Ao contrário do que se podia esperar, confessa que não tem por hábito ler as revistas, mas quando os clientes pedem para saber alguma coisa, lê e depois conta-lhes: «São muitos anos e ganha-se muita afinidade com as pessoas. Isto aqui é uma espécie de aldeia, onde nos conhecemos todos uns aos outros, e até já sei o que as pessoas querem comprar quando aqui vêm. Aliás, a maior parte das pessoas que aqui vêm não são clientes, são amigos. Para mim, os clientes são aqueles que passam. Há pessoas que dei-

xam de vir quando chove, mas tenho outros que, mesmo assim, vêm aqui comprar o seu jornal. Se não vêm um dia ou dois, sente-se falta e vai-se à procura deles, para saber se está tudo bem.» Nos dias que correm, em que a crise se acentua a cada dia que passa, este tipo de negócio acaba por sofrer as consequências. Antigamente, existia uma parede cheia de gomas, mas nos últimos tempos, tem-se verificado que os jovens compram menos, não compensando ter a quantidade que tinha outrora. «Nota-se bem a crise. Os jornais ainda se vendem bem, mas houve uma grande quebra em relação às revistas, principalmente as mensais. As pessoas compram muito menos», diz. Apesar de gostar muito de morar na Portela e de gostar da experiência que abraçou ao ter trocado o seu trabalho pelo quiosque e pela proximidade aos clientes, conta ainda que por vezes há alturas difíceis. Em Outubro, o quiosque foi assaltado pela primeira vez, tendo sido roubadas as caixas das sobras: «Os homens vêm cá deixar os jornais e levam as sobras. Nesse dia, quando chegaram, já não estavam cá as caixas». Conta ainda que, ao ler um artigo da Portela Magazine sobre o guarda-nocturno, optou por recorrer aos seus serviços. Apesar de ter um sistema de segurança da Prosegur, não se torna excessivo ter mais alguém atento ao quiosque, que durante a noite fica muito isolado. «O grande problema que existe aqui perto é a falta de iluminação. As pessoas também se queixam muito desta descida que vai para a AMP, porque há muita gente a utilizar este trajecto. Como está escuro, as pessoas de mais idade tropeçam e acabam por cair. Já falei com a Junta de Freguesia, mas disseramme que esta zona é da responsabilidade da AMP», diz. Depois da Associação de Moradores da Portela ter sido contactada, pôde concluir-se que, apesar da iluminação estar no espaço da AMP, esta é gerida autonomamente pela Câmara. Desse modo, a AMP, que anteriormente nunca recebera nenhuma queixa, prontificou-se a alertar as entidades competentes para se proceder à colocação de candeeiros e solucionar o problema.

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SOLIDARIEDADE

Elo Social, solidário há 30 anos Promover o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas com deficiência é o lema do Elo Social – Associação para a Integração e Apoio ao Deficiente Jovem e Adulto. Uma instituição que convive, há 30 anos, paredes-meias com a freguesia da Portela. Eva Falcão

Clientes precisam-se O Centro de Emprego Protegido é composto por uma série de unidades de prestação de serviços à comunidade. O objectivo passa por permitir às pessoas com deficiência, e que não têm oportunidade de integrar o mercado aberto de trabalho, o desempenho de uma actividade produtiva e, sempre que possível, a transição para o mercado de emprego normal. «Neste centro, estão integradas 29 pessoas com deficiência sendo os serviços coordenados por profissionais competentes em cada uma das áreas: lavandaria industrial, estofamento, carpintaria, jardinagem e outros serviços», explica Cremilde Zuzarte, presidente da direcção. Devido aos actuais cortes orçamentais transversais a todos os sectores da economia nacional, a lavandaria do Elo Social encontra-se deficitária de trabalho. Esta unidade com capacidade de lavagem de turcos, fardamentos e roupas de cama (edredons, cobertores, etc) na ordem dos 300 kg por dia perdeu o seu

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elos https://www.facebook.com/

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Associação Elo Social – Associação para a Integração e Apoio ao Deficiente Jovem e Adulto – fará já, em Outubro próximo, 30 anos de existência. Uma instituição fundada com o intuito de promover o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas com deficiência mental na idade jovem e adulta. Adquiriu o estatuto de Instituição Particular de Solidariedade Social exactamente há dez anos e desde então tem celebrado acordos de cooperação com o Instituto de Segurança Social e com o Instituto do Emprego e Formação Profissional por forma a levar a cabo os projectos do Centro de Actividades Ocupacionais, o Serviço de Apoio Residencial e o Centro de Emprego Protegido. Em Junho último, na cerimónia oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o Elo Social foi agraciado pelo Presidente da República com o título de Membro Honorário da Ordem de Mérito.

principal cliente, o exército, que teve de reactivar as suas próprias lavandarias. «Para além dos clientes particulares, precisamos de arranjar clientes como lares, restaurantes, corporações de bombeiros, clínicas, etc». Já nas oficinas de estofamento, encomendas não faltam. Tudo se deve à qualidade do trabalho e ao passa-palavra dos clientes satisfeitos. «Também fazemos os sofás de novo, o seu restauro, tirando e voltando a pôr pele, ou tirando e voltando a pôr tecido. A pessoa pode escolher cá o tecido e nós encomendamos ou pode trazer o tecido depois de falar com o nosso encarregado e ele aconselhar quais as quantidades necessárias.» Nesta unidade, também se executam cortinados de todos os tipos. Desde japonesas a reposteiros. Fazem-se ainda colchas iguais aos cortinados e cabeceiras de cama.* As brigadas de jardinagem são bastante afamadas. «Também somos contactados para arranjo de jardins de vivendas, podas, etc.» Estes trabalhos só podem ser executados pontualmente quando os utentes se encontram libertos das funções resultantes das parcerias com a

Câmara Municipal de Lisboa. «Finalmente, temos os jovens que fazem o acompanhamento das carrinhas de pessoas com mobilidade reduzida e que resulta de uma parceria com o pelouro da Acção Social da Câmara Municipal de Lisboa. Um protocolo que tem já doze, treze anos.» Todas estas funções inerentes ao Centro de Emprego Protegido são «uma prova de que eles são capazes de desempenhar uma tarefa como outra pessoa qualquer desde que a deficiência esteja num grau ligeiro, porque embora não tenham capacidade para tirar um grau de ensino, na prática são muito competentes e responsáveis. São as pessoas mais assíduas da casa, extremamente pontuais. E é muito importante para eles saberem que têm um sítio onde se sentem úteis e onde podem vir ganhar o seu ordenado mínimo nacional». Manter utentes activos e interessados O Centro de Actividades Ocupacionais apoia 74 beneficiários divididos em dois sectores: o Centro de Actividades Ocupacionais Úteis e o Cen-


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tro de Actividades estritamente Ocupacionais, nos quais é prestado apoio terapêutico, pedagógico e assistencial às pessoas com deficiência que não possuam capacidade de execução de um trabalho com carácter produtivo. Os utentes são integrados num conjunto de actividades de natureza útil e lúdico- recreativa, por forma a mantê-los activos e interessados. «Falamos de dois tipos de pessoas: as que são portadoras de uma deficiência grave e que não têm capacidade de executar qualquer tarefa relacionada com trabalho, e outras – uma grande faixa de população que temos no centro de actividades ocupacionais, cerca de 45 a 50 utentes – com capacidade de desenvolver tarefas rotineiras», esclarece a dirigente. «Aí, temos muita dificuldade em encontrar no mercado tarefas que eles possam fazer.» Desenvolvem-se actividades úteis subcontractadas às empresas, como a embalagem dos bucins para os cabos elétricos, a escolha e embalagem de talheres para os aviões (cerca de dez mil talheres por dia) e a embalagem e expedição de materiais via correio. «Temos um protocolo com a BP que perdura há muitos anos. Fazemos a expedição de todos os kits para recolha de óleos que vão para análise, normalmente fora do país. São dez frasquinhos que vão dentro de uma caixa expedida por Express Mail para uma oficina que trabalha com óleos BP. Eles pagam-nos a matéria-prima e por cada kit que sai eles pagam-nos um valor variável em função do próprio kit», acrescenta. Estes protocolos representam uma mais-valia económica permitindo que os utentes possam, no final do mês, receber uma gratificação que varia em função da tarefa desempenhada. «Essa gratificação tem como base uma avaliação diária conseguindo, assim, controlar os comportamentos menos adequados e estimular a assiduidade e o arranjo pessoal.» Alguns dos utentes têm pais muito idosos e, por isso, torna-se importante tentar que ganhem, por eles, o gosto de se arranjarem. Além destas ocupações, são desenvolvidas actividades de Artesanato, Horticultura Biológica e Cozinha Pedagógica. «Temos uma horta de produtos biológicos fertilizados com estrume de cavalo. Temos os legumes relativos a cada época para consumo próprio nas residências, e para venda.» Esta actividade, tal como as desenvolvidas no âmbito do Centro de Emprego Protegido, promove uma maior abertura da instituição. «Toda a gente vem cá comprar. Temos um hortelão, os utentes ajudam-no apanhando os legumes e entregando-os aos clientes que já os conhecem.» Uma ligação de extrema importância quer para utentes, quer para a própria instituição cujo objectivo passa por promover uma relação estreita com a comunidade envolvente. Complementarmente, os utentes usufruem de apoios especializados nas áreas do Serviço Social, Psicologia, Educação Física, Ginástica/Desporto, Natação, Hipoterapia,

Remo Adaptado, Fisioterapia, Animação Musical, Desenvolvimento Pessoal e Social, Estimulação e Relaxação (Snoozelen). «Têm muitas actividades, mas quando não estão em nenhuma, temos, de facto, dificuldade na ocupação destes jovens. É muito difícil encontrar no mercado pequenas tarefas para eles desempenharem», lamenta Cremilde Zuzarte. «São homens e mulheres para os quais é muito importante dizerem que vão trabalhar e que recebem um ordenado mesmo sendo uma pequena gratificação. Dá-lhes muita alegria», conclui. Reequilibrar a família O Apoio Residencial surge como um serviço de apoio às pessoas com deficiência e suas famílias, mas que não pretende substituir-se a estas. «Chamam-se apoios residenciais precisamente porque o nosso objectivo nunca foi substituirmo-nos à familia sempre que ela exista e sempre que ela funcione. Valorizamo-las muito e trabalhamos com as famílias em ordem a uma maior autonomia afectiva, pessoal e social do utente e como um elemento reequilibrador do sistema familiar na maioria das vezes abalado quer física, quer psicologicamente.» Nos casos em que os utentes fiquem desprovidos do apoio familiar por falta dos pais ou de outras figuras de substituição, esta valência funciona como lar com carácter permanente e definitivo integrando três tipos de respostas. O Apoio Residencial propriamente dito de natureza mais assistencial para os indivíduos com maior nível de dependência. «Temos quatro residências: três, dentro da instituição com capacidade para dez utentes cada, e uma fora. 35 camas ao todo. As Residências Supervisionadas e Autónomas, no exterior da Instituição, para integração das pessoas que possam aceder a um maior nível de autonomia e vida independente. «Temos uma

no Bairro da Encarnação para pessoas com mais autonomia, que vão e vêm todos os dias. Tentamos sempre que possível que eles fiquem integrados na comunidade e não aqui a viver dentro da instituição. São apartamentos supervisionados. Há uma pessoa que orienta, mas a autonomia permite-lhes ficarem sós. Essa pessoa retira-se e está apenas contactável.» A Residência de Transição tem como objectivo a formação do utente para a autonomia e vida independente. «Estas residências são para os utentes que vêm 4 dias por mês numa aprendizagem com vista a melhorar as suas competências e a sua autonomia. Aprendem a desvincular-se daquela mãe que os superprotege e nunca esteve um dia sem eles e aprendem, também, os próprios pais a desligarem-se e a viverem sem eles por uns dias. Tem funcionado lindamente.» Nestas residências, os utentes vão comprar a sua alimentação à praça, fazem o seu jantar, limpam a sua residência. «São treinados tal como aqueles que já passaram para o exterior para poderem dar o salto para uma residência autónoma.» Aposta para 2013 Mais recentemente, a Instituição estendeu a possibilidade de vir a apoiar os pais dos utentes da Associação, quando, por motivo de idade e de saúde, venham a necessitar de apoio dos serviços de Centro de Dia, Apoio Domiciliário e Lazer. O grande projecto a arrancar ainda neste ano será uma estrutura com 24 quartos e uma capacidade de cerca de 40 lugares. «Uma residência geriátrica na qual daremos sempre a prioridade aos pais dos nossos utentes nesta fase da vida onde ficarão ligados aos filhos até ao final, mas que se destina também a ex-funcionários e sócios que necessitem deste tipo de cuidados». *Pode requisitar estes serviços por telefone contactando o 21 854 03 60 ou através do e-mail: cep@elosocial.org

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AMP HISTÓRIA

Sócia N.º 1 da AMP, Maria Antónia Ferreira Monteiro Ramos Costa

«Uma Associação com estas características é sempre importante» Maria Antónia Ferreira Monteiro Ramos Costa é a sócia n.o 1 da Associação dos Moradores da Portela (AMP), número que «herdou» do marido, Ramiro Carlos Ramos Costa, um dos fundadores. Conversei com a sócia mais antiga da AMP sobre a Associação e a Portela. Leonor Noronha

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se entrevistasses o primeiro sócio da Associação?» sugeriu uma colega numa reunião. Da sugestão à prática foi um ápice e rapidamente cheguei ao contacto com a minha entrevistada. Discreta, tímida, voz tranquila, foram as primeiras impressões que tive de Maria Antónia Ramos Costa. Conversámos sobre os primeiros tempos da Portela e da Comissão de Moradores, actualmente AMP, da qual o marido foi um dos sócios-fundadores. Foi em 1974 que se mudou para a Portela; o casal vivia no Bairro Alto, em Lisboa, e mudou-se para a Portela porque «era um bairro novo, a nascer, que iria ter espaços verdes segundo se supunha na altura. A casa onde vivíamos era pequena, mas tivemos que mudar porque a família ia começar a crescer». A escolha recaiu sobre a Portela, uma vez que foi aqui que encontraram uma casa que reunia as condições que procuravam. «Uma casa mais ampla e com mais luz», explica a sócia número um da AMP. A entrevistada relembra que a mudança foi radical, porque na altura «os jornais nasciam no Bairro Alto e era um local que fervilhava de gente interessante». A ligação com a Associação Ao fim de cerca de um ano a viverem na Portela, começaram a «surgir alguns problemas na urbanização, que estava a começar. E em 1975 surgiu a Comissão de Moradores e Trabalhadores da Portela da qual o meu marido foi um dos grandes impulsionadores e entusiastas e, como consequência, o sócio número 1». Na altura, não havia espaço próprio nem sede, mas «os responsáveis pelo Seminário facul-

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taram uma sala para as reuniões da Comissão e abriram também os jardins para nosso usufruto. De maneira que o nosso espaço de lazer era a mata do Seminário que era um sítio maravilhoso, muito maior do que aquilo que é hoje.» Maria Antónia Ramos Costa realça a importância de uma organização destas para a comunidade e relembra uma história que demonstra o poder de acção da Associação à época da sua criação: «Ninguém tinha telefone na Portela e foi por intervenção da Comissão que se conseguiu a primeira cabina telefónica que ficou colocada à entrada da rua do Seminário.» A entrevistada referiu que a existência de uma estrutura destas é uma mais-valia para a freguesia e salientou que «as condições e os motivos mais fortes do início são diferentes dos de agora. Hoje, os objetivos são diferentes: promover actividades desportivas, de música e de lazer associadas às artes e música». Na opinião de Maria Antónia, este tipo de instituição «agrega as pessoas criando laços entre elas e contribui para se conhecerem. Inicialmente, havia convívios entre os associados; não participei muito na altura devido aos meus afazeres familiares e profissionais, mas as pessoas começaram a conhecer-se a partir daí. Sobretudo aquelas que moravam na parte mais antiga, a dos prédios mais baixos junto do Seminário e que foram os primeiros a ser construídos, começaram a falar entre elas, a juntar-se, a perceber os problemas que existiam na freguesia e a Comissão teve um papel muito importante nessa altura» e acrescenta «uma Associação com estas características é sempre importante e daí eu nunca ter deixado de ser sócia».

A entrevistada relembra o início do bairro da Portela quando o comércio era muito escasso, o que não facilitava a vida dos moradores. «O Centro Comercial ainda não estava aberto e não havia nada. Antes tínhamos que ir comprar tudo a outros sítios. Onde é hoje a Igreja havia uma tabernazinha, uma tasca pequenina, onde os trabalhadores das obras iam nas suas horas de lazer tomar um café, mas era a única coisa que existia. Quando o Centro abriu foi uma grande mudança.» Laços de amizade Há quase 40 anos na Portela, Maria Antónia, é peremptória quando afirma «continuo a gostar de viver na Portela, apesar de a freguesia precisar de algumas mudanças, está-se e vivese bem aqui». A hipótese de mudar de casa para outro local já foi pensada várias vezes, tendo a última ocorrido no ano passado, mas «acabo por ficar. No meu prédio, criámos um núcleo de amizade, podemos até ser um exemplo porque como somos todos do início, funciona como uma família. Há uma grande ligação entre nós todos e, como tal, sinto-me bem aqui também por essa razão. Há um forte sentido de comunidade e entreajuda» e conclui, com um brilho nos olhos, «o mais importante que me prende à Portela é o bom ambiente familiar que existe no prédio, penso que é o que pesa mais na decisão final. Mas a verdade é que sempre que começo à procura acabo por ficar». A entrevistada não põe totalmente de parte a mudança, mas para já continua adiada e sem data marcada. No final da conversa, lançou um repto ao Portela Sábios: a criação de uma disciplina de Italiano.


CRIME

Guarda-Nocturno da Portela ajuda na detenção de 3 indivíduos

depois de tentarem fazer explodir uma caixa ATM Filipa Assunção

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á cerca de dois meses, a Divisão de Investigação Criminal, com o apoio da Unidade Especial de Combate ao Crime Especialmente Violento do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, deu início a uma operação de investigação que tinha como objectivo a captura e detenção de um grupo de indivíduos que se dedicava ao roubo de viaturas, recorrendo a violência física sobre os condutores. Durante o mês de Dezembro, através da Divisão de Investigação Criminal, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP deteve três homens suspeitos pela prática do crime de Furto Qualificado de um ATM. Os indivíduos, com idades compreendidas entre os 28 e os 33 anos, foram identificados na tentativa de fazer explodir um ATM na zona do Lumiar (Avenida Nuno Krus Abecassis). Na madrugada do dia 6 de Dezembro de 2012, foi montado um dispositivo policial para vigilância e consequente detenção dos suspeitos, quando se verificou que estes se deslocavam para o local, numa viatura roubada, e com recurso a uma bateria e uma botija de gás, com o intuito de fazer explodir uma caixa ATM ali existente.

Ao tentarem provocar uma forte explosão para a concretização do roubo, foram accionados os meios policiais, que rapidamente se deslocaram para o local. Perante a aproximação policial, os indivíduos iniciaram a sua fuga, mas sempre perseguidos pela PSP, que acabou por conseguir a sua detenção. «Eram cerca das 4h15 quando circulava na Avenida Alfredo Bensaúde, em direcção à Portela, e verifiquei o despiste de uma carrinha Audi de cor cinzenta, na rotunda de acesso à Portela/Jardins do Cristo Rei. Dentro dessa viatura saíram 3 indivíduos encapuzados que, de imediato, se puseram em fuga em direcção à Portela. Encetei perseguição aos mesmos, enquanto contactava a central de Polícia através do 112. Já com a presença da PSP no local e depois de mais algumas descrições por mim fornecidas, foi feita uma busca nas imediações do local do acidente, onde um dos indivíduos acabou por ser detectado e detido pela PSP», conta o guarda-nocturno da Portela, que foi crucial para que esta operação tenha sido bem sucedida. É certo que estava montado um enorme trabalho de investigação por parte da PSP/DIAP, mas «apesar de a Polícia ter a vigilância apertada aos criminosos, os indivíduos conseguiram fugir por outros locais, até se despistarem. O patrulhamento do guarda-nocturno é sempre importante, e tendo verificado o acidente seguido da fuga, a detenção de pelo menos um indivíduo acabou por ficar mais facilitada», conta ainda António Matias. Após terem sido realizadas as detenções, procedeu-se também a duas buscas domiciliárias que permitiram a apreensão de uma arma de caça com os canos serrados, uma botija de gás, uma bateria com cabos e mangueiras, três viaturas, quatro automóveis e cerca de 200 € do Banco Central Europeu em dinheiro. Os detidos foram convocados para o 1.º Interrogatório Judicial no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, para a aplicação as respectivas medidas de coacção, sendo que um dos detidos já cumprira anteriormente pena de prisão efectiva pela prática de crimes de roubo. Os indivíduos tinham como refúgio a Quinta da Vitória. Guarda-Nocturno da Portela - António Matias Usufrua dos seus serviços: amcmatiass@gmail.com e 968 033 815 (a partir das 17h)

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ENTREVISTA

Sara Butler, a portelense do Inspector Max

«Eu tenho três vidas: o curso, a música e a representação» Chegou ao mundo da moda, porque queria imitar o irmão. Seguiram-se a música e a representação. Sem tirar os olhos e a concentração dos estudos, que considera muito importantes, Sara Butler tem uma vida cheia e preenchida. Apresento-lhe mais uma actriz que nasceu na Portela. Leonor Noronha

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ortela Magazine – Começou a sua carreira de modelo aos seis anos; como é que isso aconteceu? Sara Butler – Foi um processo interessante; o meu irmão era modelo e eu como irmã mais nova sentia uma pontinha de ciúme e também queria fazer o mesmo. Então a minha mãe fez-me a vontade e inscreveu-me numa agência de modelos e a partir daí fui fazendo catálogos de fotografia e alguns anúncios para a televisão. Lembra-se de como reagiu ao mundo da moda? Perfeitamente; eu andava na escola e era uma criança igual às outras, mas que fazia coisas diferentes das outras crianças. Por vezes, não era bem visto por parte dos colegas. Normalmente, eles não compreendiam, não entendiam que era uma criança que trabalhava e que tinha uma vida de adulto. Da moda saltou para o mundo da televisão onde participou em vários projectos. Mas foi no Inspector Max que ganhou mais visibilidade, certo? Sim, sim, sem dúvida; ainda hoje sou reconhecida na rua como a «menina» do Inspector Max, o que por vezes me causa algum desconforto; já passaram tantos anos e as pessoas crescem e evoluem e é sempre constrangedor estar num sítio qualquer e ser sempre conhecida como «a rapariga daquela série». Por outro lado, é bom, porque o nosso trabalho é reconhecido e é sinal que os miúdos vêm, acompanham e gostam. Mas as séries que passam são as antigas? Sim, sim; e continuam a transmitir na TVI, é porque teve sucesso e as crianças gostam e só temos que ficar contentes pelo facto de o nosso trabalho ser reconhecido. Nessa altura, era uma menina de 13 anos; como é que se sentiu a trabalhar ao lado de nomes

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consagrados como Ruy de Carvalho ou Fernando Luís? Confesso que sempre fui uma grande fã destes dois actores. Acompanhava o trabalho do Fernando Luís no Médico de Família, na SIC. Esta série teve um sucesso gigante e todas as pessoas da minha geração, e até mais velhas, acompanharam o crescimento da série, a evolução dos actores e eu era uma grande fã de todo o elenco, adorava-os e vir a trabalhar com eles, com os meus ídolos, foi excelente. Como é que eles são como colegas? São óptimos colegas de trabalho. Ali funciona-se

como uma família; uma série com um núcleo familiar acaba por ser mesmo a nossa segunda família. Nós passamos a maior parte do nosso dia dentro de um estúdio a trabalhar com pessoas que não conhecemos de lado nenhum, mas que depois com o decorrer do tempo se tornam amigos. Aprendeu muito com eles? Sim, aprendi muito. Foi uma grande escola. Enquanto a maioria dos actores da minha geração tem a escola dos Morangos com Açúcar, eu tenho a escola do Inspector Max, que é um pouco diferente, mas que acaba por ser uma escola também.


Também participou na Floribela… Sim, sim (risos); isto é uma coisa que pouca gente sabe. Entrei na segunda temporada e ainda gravei durante três meses, no entanto por causa da escola a minha personagem teve de acabar. Na altura, eu andava no secundário, já tinha escolhido a área de estudos, já tinha outra responsabilidade e era complicado porque em termos de estudos era difícil. Eu teria gostado muito de continuar na série, mas seria impossível estar a faltar à escola; além disso, eu não queria fazê-lo, porque os meus estudos estão sempre em primeiro lugar e sempre estiveram. Voltemos um pouco atrás. Na altura do Inpector Max, como é que conciliou os estudos com as gravações? Não foi fácil e devo dizer, para todas as pessoas, que tem que se ter muita cabeça para se entrar neste mundo. Mesmo que comecem cedo e que tenham os pais e a família por trás é sempre complicado, porque tem de se saber gerir o tempo. Estava no colégio, tinhas testes e tinha trabalhos para entregar, obviamente não tinha o mesmo nível de exigência requerido no secundário, mas estava a estudar e acabava por faltar muito às aulas. Gravávamos a semana inteira e houve semanas em que nem sequer fui às aulas. Os professores compreenderam a situação? Sim, tive muita compreensão da parte dos professores. Fui falar com eles, explicar a situação e eles apoiavam-me imenso. Marcavam-me os testes para dias diferentes dos dos meus colegas, devido à minha falta de disponibilidade. Não admito que tenha sido uma fase fácil, foi complicado; foi um período difícil, mas que me fez crescer muito, ganhar responsabilidade e acabei por amadurecer muito cedo. Fui uma criança diferente das outras no sentido em que não ia para casa brincar ou ao cinema com os meus amigos; eu saía das aulas para ir trabalhar e foi sempre assim até hoje. Sente que o seu crescimento ficou, de alguma forma, prejudicado devido a esta situação? Não, de todo. Ganhei responsabilidade, o que até se verificou nas classificações escolares: em vez de baixar as notas, o que é normal, as minhas notas subiram, porque estudava mais. Eu era uma excelente aluna, mas reforço que tem que se ter cabeça para entrar neste mundo, porque não é fácil. Até porque neste meio o deslumbramento é fácil, não é? É, mas eu nunca fui pessoa de me deslumbrar. Sempre tive os pés muito assentes na terra, sempre fui muito low profile, nunca gostei de multidões à minha volta nem de pessoas a apontarem-me o dedo. Gosto quando me fazem críticas construtivas, que venham ter comigo e que me falem do meu trabalho, mas não gosto de estar exposta. Sempre tive a minha vida, sempre resguardei a minha vida privada até ao nível das faculdade e dos estudos. São vidas completamente diferentes. Faço o meu trabalho e se alguma coisa não está bem gosto que me digam de forma a tentar melhorar e superar as

dificuldades. Nunca me sobrevalorizei ou mostrei que tenho mais que os outros; sempre fui igual às outras crianças com uma diferença: era uma miúda que trabalhava e que gostava daquilo que fazia. Neste mundo é preciso ter muito cuidado, porque é muito competitivo e perigoso. Os seus estudos continuaram e neste momento está a estudar Ciências da Comunicação. Que área pretende seguir? Entrei no curso com a ideia de seguir jornalismo, mas também gostei muito de marketing. Quando entrei no curso, a minha ideia era mais tarde vir a ter a minha própria revista ou outro tipo de negócio relacionado com o jornalismo. Mas o marketing também me agrada e estou um pouco dividida, contudo há sempre formas de conjugarmos tudo. Por exemplo, eu também tiro fotografia, sou uma apaixonada por fotografia, e reconheço que já tirei fotos com alguma qualidade, não sou uma profissional e nunca tirei nenhum curso. Mas gostava muito de poder conciliar todas estas áreas: o jornalismo, o marketing e a fotografia. Na situação económico-financeira em que estamos acho que a nossa polivalência é sempre importante e valorizada; temos que nos adaptar às situações e aprender a fazer várias coisas ao mesmo tempo. A Sara é muito versátil e tem mais uma paixão: a música. Como é que entrou neste mundo? Havia dois produtores franceses que andavam à procura de crianças para formar uma banda juvenil ao estilo dos Onda Choc. E queriam implementar o formato em Portugal e andavam à procura de crianças que fossem extrovertidas e tivessem o desejo de aliar a representação, a expressão corporal e a expressão vocal a uma coreografia e formar um projecto interessante com miúdos de várias nacionalidades. Como é que entrou nessa banda? Houve um casting, em Lisboa, eu fui, mas nunca pensei que fosse seleccionada. Nunca tinha cantado na vida, nunca tinha pensado ir para o mundo da música e nem me sentia vocacionada para esta área. Mas, de facto, fui escolhida para integrar o projecto e daí para a frente passei a ter aulas de dança todos os fins-de-semana, a ter concertos agendados regularmente e ensaios atrás de ensaios. Tudo isto me deu uma grande bagagem e

a partir daí o gosto pela música foi crescendo, apesar de sempre ter gostado de música mas apenas do ponto de vista de quem ouve, culminando numa paixão que ainda hoje tenho, e é isso que, realmente, eu gosto de fazer. Tem algum projecto musical agora? Tenho, tenho, aliás a minha segunda paixão é seguramente a música. Tenho uma banda chamada The Ballard Pond e já actuámos na Junta de Freguesia. Existimos desde 2011, somos um trio, conhecemo-nos na faculdade e juntámo-nos. Eles já tiveram outros projectos musicais e como temos esta paixão em comum decidimos formar um projecto. Como foi o início? Achámos que íamos ser uma banda que só tocaria para os amigos, para nos divertirmos como hobby, mas foi tudo evoluindo na direcção certa e acabámos por comprar os nossos instrumentos, o nosso material técnico, investimos bastante dinheiro e trabalho. Começámos a dar concertos e entretanto participámos no Festival Termómetro, no Porto, o que nos levou a um outro público e a sair da nossa zona de conforto. Fazem versões de outras canções ou só tocam originais? É tudo originais. Estamos a gravar alguns e esperamos, agora que vamos ter mais reconhecimento, poder divulgar mais o nosso trabalho através de EP e das redes sociais. Como funciona o vosso processo criativo? É um processo complicado. Cada um de nós pode ter melodias diferentes na cabeça e depois no ensaio cada um revela as suas ideias e juntamos tudo e caminhamos de forma a encontrar uma melodia que agrade a todos. Ficamos horas a improvisar em estúdio e depois surgem coisas interessantes que podem realmente transformarse em canções. A letra vem sempre depois da composição; nós fazemos sempre a música, porque o nosso principal objectivo é jogar com sons e com sonoridades e depois vem a letra, porque a voz é encarada como mais um instrumento do que o factor primordial das nossas composições Pode sizer-se que a Sara tem uma vida muito preenchida? Eu tenho três vidas: o curso, a música e a representação.

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REPORTAGEM

Pedro Passos Coelho na Portela

Envelhecer de forma activa A Associação dos Moradores da Portela recebeu, no passado dia 21 de Dezembro, a visita de Pedro Passos Coelho. O primeiro-ministro deslocou-se às instalações da AMP no âmbito das celebrações do encerramento do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações. Eva Falcão

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AMP foi, por ocasião das celebrações do encerramento do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações, palco da visita do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Presentes na cerimónia estiveram, também, além dos órgãos sociais da instituição, o ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, a vereadora da Câmara Municipal de Loures, Maria Geni Veloso das Neves, em representação do Presidente da Câmara e Reitor da Universidade Sénior – Portela Sábios, os presidentes das juntas de freguesia de Moscavide e de Bucelas e Joaquina Madeira, presidente da Comissão Nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações. Carla Marques, presidente da direcção da AMP, depois de uma breve apresentação sobre a instituição, falando mais em particular do projecto Universidade Sénior, motivo da cerimónia, lembrou que «nos últimos anos, a associação, tem vindo a desenvolver um importante trabalho ao nível da responsabilidade social, incrementando diversas actividades de cariz social e cultu-

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ral, das quais destacamos pela sua relevância, os projectos Portela Jovem e Portela Sábios». Este último direccionado à população sénior. «É uma universidade para a Terceira Idade com 4 anos de existência e mais de 300 alunos distribuídos pelas 38 disciplinas leccionadas por mais de 28 professores voluntários.» Um projecto que visa proporcionar aos cidadãos a possibilidade de aprenderem e/ ou ensinarem, assim como o convívio e a comunicação entre pares por forma a combater a solidão e o isolamento. «Num mundo onde o individualismo e o corporativismo dão origem à exclusão, é importante sublinhar o espírito no qual se exerce a actividade humana de várias organizações de solidariedade social, cuja missão é lutar contra essa exclusão. Este é também o


Fotografia: Fernando Caetano

papel que a AMP pretende desempenhar, por uma solidariedade activa e responsável na sociedade», acrescenta Carla Marques. Sementes lançadas «À medida que envelhecemos, é normal deixarmos de fazer aquilo que não podemos fazer. O problema é deixarmos de fazer aquilo que ainda podemos fazer.» Foi com as palavra do filósofo romano Cícero que Joaquina Madeira, presidente da Comissão Nacional para o Envelhecimento Activo, deu início ao balanço das actividades da comissão que preside. «O balanço é muito positivo para lançar sementes na resolução de problemas.» Em jeito de desafio, afirma que falta ao país um observatório que saiba o que está a acontecer neste campo para que se tenha uma visão integrada e global. «Uma estratégia nacional que desse sentido e coerência a tanto que se está a fazer.» Disse ainda que o país «está dinâmico e com energia» e que o envelhecimento activo veio para ficar. Atribui à sociedade a criação de barreiras na idade que afastaram os mais velhos para o território da inutilidade, mas sublinha não haver um período específico para uma participação activa e cí-

vica. Por isso, aponta a necessidade de juntar gerações. «Há uma energia dinâmica que está a nascer em Lisboa que já deu o seu contributo, mas que agora está a dar de si de outra maneira», afirmou Joaquina Madeira, referindo-se à disponibilidade para o voluntariado que muitos reformados têm apresentado, nomeadamente no que respeita ao apoio escolar aos mais novos. Actividades já promovidas pela AMP e confirmadas por Carla Marques. «Começamos a promover actividades intergeracionais, nomeadamente ao nível do auxílio ao estudo promovido por alunos do Portela Sábios ao Portela Jovem.» Acções que têm o intuito de promover uma solidariedade sustentável entre jovens e seniores com base na dinamização de projectos e acções lúdicas, culturais e de convívio incrementando a relação de troca e de partilha entre gerações. Pedro Passos Coelho lamenta que à medida que o tempo passa, percamos a natural curiosidade por tudo o que nos rodeia. «Começamos a tratar o mundo como se fosse tão familiar, que não nos suscita já grandes dúvidas. É vulgar as pessoas perderem interesse pelo conhecimento e deixarem de se questionar sobre as

coisas, desligam-se delas, e quando o fazem desligam-se de si próprias. O envelhecimento activo parte do princípio de que esta curiosidade pelo que está à nossa volta é uma das razões para prolongarmos a nossa cidadania e viver com muita dignidade a relação social em que vamos construindo o nosso próprio ser. Deixar de ler, deixar de conversar, passar ao papel passivo da leitura da realidade é um dos primeiros passos para o isolamento e envelhecimento precoce.» Mas o governante garante ser possível evitar este salto que vem com a reforma e com o facto de se deixar de ter um trabalho regular. «Somos úteis até mais tarde e sendo úteis damos a nós próprios mais sentido durante mais tempo. As universidades seniores são uma das expressões desta forma de poder envelhecer activamente. E esta experiência que aqui na Portela tem sido um sucesso é um dos muitos exemplos no país do aparecimento desta nova visão sobre o papel que aqueles que se reformaram podem, ainda, desempenhar.» Substituir o Estado Em jeito de resposta a Joaquina Madeira, o governante recomenda a instituição do observatório desejado

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REPORTAGEM

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sem que tenha de ser o Estado a determiná-lo. «Hoje em dia, há capacidade para instituir mecanismos dessa natureza que não tenham necessariamente que ser públicos, embora sejam de apropriação pública, de maneira a que todos possam seguir pela Internet e pelos meios tecnológicos que hoje estão ao alcance da sociedade. Cada um pode acrescentar um elemento para essa informação. As redes de informação que hoje existem podem permitir-nos tratar esses elementos de forma estruturada e sistemática sem que tenha de caber ao Estado essa responsabilidade.» Pedro Passos Coelho critica a tendência para a segmentação das instituições na sociedade civil e questiona que papel se deve atribuir ao Estado e às instituições sociais. «Em bom rigor, estas segmentações não deviam existir. O Estado só existe porque nós existimos e confiamos-lhe um certo tipo de funções. Chama-se a isto o princípio da subsidiariedade. Nós só delegamos um determinado nível de acção quando vemos que outros o podem fazer melhor que nós. E o melhor quer dizer à escala própria, de forma mais eficiente do que nós conseguimos». E elogia o trabalho da AMP. «O facto de esta associação de moradores ter uma obra tão assinalável só significa que esta comunidade não espera que outros possam realizar o que lhes diz mais directamente respeito.» Dirigiu um cumprimento especial à actual direcção e àqueles que desde 1975 se têm envolvido na vida da associação «e que sabem que o papel que esta desenvolve é muito importante para as suas vidas, que n��o é um corpo estranho, é alguma coisa que lhes pertence, que é delas, que depende delas para ser bem sucedida. Isso significa uma cidadania activa e deve ser elogiada». Deixa a promessa do fortalecimento de mecanismos referentes ao voluntariado de todo o sector social. «Nós temos tido um diálogo muito importante com todo o sector social, vamo-nos apercebendo que existe hoje uma energia muito maior, uma disponibilidade muito maior para valorizar este tipo de iniciativas e precisamos de mudar. Na medida em que caiba

aos poderes públicos facilitar esses processos, nós estamos disponíveis para fazê-lo.» 2014, ano de crescimento O governante teve oportunidade, ainda, para desejar as Boas Festas aos presentes, esperando que 2013 seja um ano melhor do que o anterior. «Sabemos que ainda vai ser difícil, mas temos de olhar para as adversidades, para as dificuldades em que vivemos, e aprendermos a dominá-las.» O governante lamenta haver quem acrescente dificuldades às coisas. «Às vezes, fica a impressão que em alguns sectores, em alguns domínios se acrescentam dificuldades, se põe mais pessimismo do que aquele que é razoável ter. E de cada vez que alguém quer combater esse excesso de pessimismo atribui-se-lhe o epíteto de irrealista, de optimista, de viver fora da realidade. Por outro lado, de cada vez que alguém quer sublinhar as dificuldades apenas para que se note que elas têm que ser ultrapassadas, diz-se que estamos a carregar demasiado no cinzento e no preto, estando a tirar a esperança às pessoas e a cavar debaixo dos próprios pés.» Espera que o ano de 2013, além de ser um ano de viragem, de preparação para o crescimento em 2014, regressando a um padrão de criação de emprego seja, também, um ano em que as pessoas esqueçam o pessimismo e não acrescentem dificuldades às já existentes. «Esse espírito não é um espírito que a sociedade portuguesa precisa. E quando as dificuldades são muitas nós temos que encontrar o melhor dentro de nós próprios para conseguirmos vencê-las num trabalho que é colectivo.» Garante não estar, com isto, a «sacudir a água» do capote e a «lavar as mãos» de responsabilidades. «Claro que tenho responsabilidades especiais como primeiro-ministro, todos aqueles que desempenham funções públicas têm essas responsabilidades, assim como toda a sociedade que tem a responsabilidade na construção do seu futuro.» Lembra que o país é dos mais velhos da Europa, mas que, no entanto, tem tido sempre a capacidade de se rejuvenescer, de se reinventar e de se reconstruir.


Declarações exclusivas de Pedro Passos Coelho à Portela Magazine

«Há um trabalho de natureza praticamente comunitária extraordinário na Portela»

Manuel Monteiro

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irigi-me à Associação dos Moradores da Portela [AMP] algumas horas antes da chegada do primeiro-ministro. Queria cheirar o terreno. Percebi logo que não se tratava de mais um dia na vida da nossa freguesia. O aparato policial era já extenso e uma parte considerável da Portela estava já «cercada». Perceberia mais tarde que os polícias eram muito mais do que os fardados, dada a quantidade de jovens de boné, fato de treino, brinco que trocaram sorrisos e piscares de olhos quase imperceptíveis com os polícias fardados. Sabia de antemão que o primeiro-ministro não prestaria declarações à Comunicação Social. Sabia também que não poderia conceder uma entrevista à Portela Magazine porquanto tinha recusado inúmeras entrevistas recentemente. Aguardei pacientemente pelo final dos discursos, acompanhei Pedro Passos Coelho e Pedro Mota Soares à sala da direcção da AMP, na qual se realizaria o «Porto de Honra» e na qual não estariam presentes jornalistas. Passos Coelho viu os troféus da AMP, fez uma dedicatória no livro de visitas da AMP e brindou com a direcção fazendo votos de um «bom Natal». Fui informado de que dentro de dois minutos o primeiro-ministro teria de sair da Portela, sendo que nesse mesmo dia ainda estava agendada a sua deslocação à Associação dos Deficientes das Forças Armadas. A minha missão estava dificílima. Pedi à presidente da Associação dos

Moradores da Portela, Carla Marques, que entregasse a edição de Dezembro da Portela Magazine ao primeiro-ministro. Vi-o folhear a revista, exclamando: «Olha o António [o cartunista entrevistado na edição anterior], muito bem, muito bem! E a Dra. Maria José Morgado! Ela é residente cá?» Eu tinha de o entrevistar. Mas eu não tinha permissão para o entrevistar. Claro que perguntas ao primeiro-ministro não me faltariam. Basta pensar que apenas 7,6% dos Portugueses se declararam favoráveis à promulgação do Orçamento do Estado pelo Presidente da República na Eurosondagem para o Expresso e a SIC do mês de Dezembro. Disse-lhe então: «Deixe-me fazer a pergunta mais inócua que algum jornalista já lhe fez.» Educada e simpaticamente, sem nunca deslizar um átomo no seu tom formal, disse-me: «Então, faz favor, faz favor. Força.» Em baixo, transcreve-se o diálogo. A sua relação com a Portela já tem uns anos? Conhecia a Portela nos primeiros anos em que o bairro, em que toda a urbanização cresceu e tenho muito gosto em revisitar aqui a Portela e ver que há um trabalho de natureza praticamente comunitária extraordinário que foi desenvolvido ao longo destes anos e que deixou uma obra muito importante que eu hoje quis homenagear também.

Costumava ir a casa do Miguel Matias quando vinha à Portela? O Miguel Matias [advogado e mem-

bro da direcção da AMP] é um amigo de longa data, fomos os dois colegas de escola em Silva Porto que agora se chama Quíto [ou Kuíto], um planalto central em Angola. E é verdade que quando ele veio viver aqui para a Portela de Sacavém volta, meia-volta, eu vinha cá passar férias com ele, e houve mesmo um ano em que estive cá quase um mês. Perdia-me um bocado por cá, perdemo-nos de resto com muitas coisas, mas não nos chegámos a perder de todo... E a casa do Ângelo Correia? A casa do Ângelo Correia aqui nunca vim. No final da conversa, o primeiro-ministro disponibilizou-se ainda para uma sessão fotográfica com um dos fotógrafos da Portela Magazine, Fernando Caetano. Antes de abandonar a Portela, dirigiu-se aos manifestantes para lhes desejar um bom Natal e um bom ano de 2013, seguido de perto pela polícia. Entre vários apupos e vários cartazes, algumas dezenas de manifestantes gritavam contra o Executivo, a troika e o primeiro-ministro. «Governo ladrão rouba-nos o pão» era o mote. Depois dos votos do primeiro-ministro, os manifestantes protestaram: «Rodeado pela polícia, o gajo é muito corajoso», «A ver se ele fala com os trabalhadores sem ser com a polícia atrás». Como o primeiro-ministro se dirigira a um dos manifestantes enquanto seu interlocutor, fui ouvi-lo. Manuel Glória disse à Portela Magazine: «Lá o recomendaram a minha pessoa, não sei por que razão. Veio pedir-me para ser o porta-voz dos desejos de boas festas e de bom Natal e eu respondi que com melhores políticas para o povo português. Foi provocatório e gratuito, eu estou aqui como outra pessoa qualquer. Nós estamos a manifestar-nos no âmbito dos nossos direitos. Que necessidade tem o primeiro-ministro de vir fazer isto cheio de polícias à paisana a rodeá-lo?»

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Padre Manuel entrevista

«A biblioteca estava projectada desde o princípio do projecto que foi concluído em 1983» Manuel Monteiro

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m homem culto, afável, seguro, aberto, desempoeirado. Sua Eminência D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, refere-se ao padre Manuel Marques Gonçalves no texto «Uma Homenagem Justa» que serve de prefácio ao livro A Palavra do Pároco, em tom muito elogioso, destacando o seu «largo currículo de serviço à Igreja, na actividade missionária, na Faculdade de Teologia, na Reitoria do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Paris, nas Paróquias de que foi Pároco, nos serviços centrais da Cúria Diocesana». Uma viagem no tempo aos primórdios da Portela «A urbanização da Portela de Sacavém é anterior ao 25 de Abril, com um projecto avançado e com o centro comercial ao centro», afirma o padre Manuel Marques Gonçalves. Com o 25 de Abril, «uma parte significativa dos portugueses de Angola vieram viver para a Portela». No início, a Portela pertencia às freguesias de Moscavide e de Sacavém e quem superintendia religiosamente eram as paróquias de Sacavém e de Moscavide. «Um território, duas freguesias, duas paróquias», sintetiza o Padre Manuel. Por contactos que tinha com o cardeal António Ribeiro, com António Marcelino, entretanto nomeado bispo auxiliar de Lisboa, «houve uma

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série de convergências e quando surge a avalancha de portugueses de Angola e de Moçambique, há a necessidade de dar o apoio espiritual cristão a essas pessoas que eram pessoas muito dinâmicas e muito vivas, mesmo cristãmente». «O Cardeal Ribeiro pediu-me a mim em Agosto de 1975 para ser o congregador de uma comunidade cristã na Portela com um estatuto já canónico e assim fui nomeado o primeiro animador sacerdotal de uma comunidade que não existia, mas que se ia formar. Pretendia-se criar um espaço cristão que congregasse as pessoas na sua fé, mas ao mesmo tempo um espaço onde as pessoas se encontrassem porque não havia nada aqui na Portela. O centro estava em construção. No terreno da igreja, havia uma grande taberna com uma espécie de cantina, onde iam beber uns copos os trabalhadores das obras. Não havia telefones na Portela, o telefone da Portela era o do seminário. Du-

rante anos, as pessoas dirigiam-se à recepção do seminário, e antes dirigiam-se ao palácio. A Portela não tinha acessos, eram duas vielazinhas e não havia transportes, não havia autocarro. Até 1978, a coisa era complicada.» O papel da AMP e da Igreja no início dos inícios «Houve duas acções muito importantes: da Associação dos Moradores da Portela [AMP] e da comunidade cristã incipiente. Lembro-me muito bem do primeiro autocarro que veio para a Portela. A AMP teve uma grande acção na parte social, de estruturas. Por outro lado, a comunidade cristã começa a avançar e tem um papel importante, quanto à formação de crianças, à congregação dos jovens e um pouquinho também quanto ao aspecto cultural e do convívio porque não havia nada, não havia lugar.» Recorda o bem-sucedido Carnaval de 1976 e os santos populares. «O primeiro carnaval fei-

Apresentação da maqueta da Igreja Cristo-Rei com o arquitecto Luiz Cunha num salão do Seminário de Cristo-Rei


Marques Gonçalves

– o iniciador da Paróquia de Cristo-Rei da Portela

to na Portela, um Carnaval de porta aberta, realizou-se no seminário e tudo correu bem. Os santos populares também, várias vezes ao lado e à frente do palácio.» Destaca ainda a acção caritativa realizada. «Havia aqui uma coroa de pobreza e desempenhámos uma acção social considerável, nomeadamente com férias para crianças pobres.»

A construção da igreja «A ideia original foi minha, em diálogo com o arquitecto Pimentel, de que devíamos convidar o arquitecto Luiz Cunha, um arquitecto moderno, porque a Igreja precisava de um igreja moderna. Houve um projecto que esteve à discussão pública e que recebeu muitas sugestões. O centro comercial era frio, era um redondel, sem o jardim e a abertura interior que tinham prometido. A igreja seria um contraste com esse espaço monolítico, impositivo, algo que seria mais arejado, mais apelativo. Queria que a igreja fosse visível, contrária ao tempo das igrejas-catacumbas. Veja-se a diferença que há entre esta igreja e a dos Olivais. Acompanhei o projecto até ao fim, até estar tudo acabado.» Em 1983, acabou o projecto e foi para Lovaina terminar o doutoramento, na altura em que era professor na Universidade Católica, só se desvinculando

juridicamente da Portela em 1985. Durante o seu período em Lovaina, o serviço pastoral foi assegurado pelos padres Pinheiro e Virgínio, já falecidos, e pelo ex-padre Matias. Em 1985/1986, o Pároco designado pelo Patriarca Cardeal Ribeiro foi o padre Joaquim Lopes. A seguir, veio o padre João Rocha, que muitos portelenses conhecem, «que dinamizou a comunidade sem alterar o projecto» e ergueu o templo projectado. O projecto inicial da igreja «O projecto inicial abrangia a parte social e cultural, o auditório é precisamente para isso, as salas para jovens, as salas para encontro, tudo. A função pastoral, catequética e a função social, cultural, isso está tudo no projecto. A biblioteca estava projectada desde o princípio do projecto que foi concluído em 1983. A biblioteca era um serviço à comunidade.»

A primeira pedra da igreja «De 27 de agosto a 3 de Setembro de 1981, participei numa peregrinação trazendo pedras para introduzir na primeira pedra da igreja. A primeira pedra da igreja tem lá dentro pedras de Jerusalém, Belém, Nazaré.»

A Constituição da República e o Evangelho «Há valores que estão na Constituição que são evangélicos. A Constituição da República tem valores de fraternidade, de solidariedade que são essencialmente evangélicos.»

Bênção e assinatura de João Paulo II

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ACONTECEU NA AMP

A Portela continua Solidária

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campanha do Banco Alimentar intitulada «Papel por Alimentos», à qual a AMP se associou, continua a ser desenvolvida. Com a preciosa colaboração dos nossos associados, congratulamo-nos de ter procedido no passado mês de Dezembro à entrega de mais de 500 kg, a qual será convertida em alimentos para quem mais deles necessita. A AMP continua a ser ponto de recolha de papel, e contamos com a boa vontade dos portelenses que poderão deixar o papel de que já não necessitam no edifício do Portela Sábios.

Campanhas de Solidariedade

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ntre os dias 3 de Dezembro e o dia 4 de Janeiro, a AMP e o Portela Wellness (PW) associaram-se às Lojas Solidárias da Câmara Municipal de Loures para uma campanha de Natal de recolha de bens, em especial roupas e produtos de higiene pessoal (inclusive fraldas) para crianças e adultos. No âmbito desta campanha, foi entregue no passado dia 6 de Janeiro na Loja Solidária de Moscavide uma enorme quantidade de bens doados pelos nossos associados. Também a AMP e o PW contribuíram para esta causa, tendo doado às Lojas solidárias de Loures o valor correspondente a 1% das mensalidades pagas durante o mês de Dezembro pelos utentes do PW, da aquisição de outros serviços PW SPA e das inscrições, valor que foi revertido também ele em produtos de higiene pessoal e alimentos, reforçando assim o stock de bens que as lojas solidárias posteriormente disponibilizam às famílias que mais necessitam. Foi ainda realizada uma outra campanha de Natal de recolha de brinquedos, com os quais se construiu uma árvore de Natal de brinquedos, a qual os nossos associados puderam ver nas nossas instalações e que foram distribuídos também pelas lojas solidárias e por duas instituições de solidariedade social que se dedicam ao acompanhamento de crianças. A Direcção da AMP agradece a todos os nossos associados que se disponibilizam a ajudar nestas boas causas.

Cerimónia de Encerramento do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações

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o dia 21 de Dezembro, a AMP teve a honra de ter sido a instituição escolhida pela Comissão Nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações para aí realizar a cerimónia de encerramento das comemorações deste ano Europeu. No âmbito das referidas celebrações, a AMP foi agraciada com a presença de Sua Excelência o Sr.

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Primeiro-ministro do Governo Português, Dr. Pedro Passos Coelho, de Sua Excelência o Ministro da Segurança Social, Dr. Pedro Mota Soares, da Sra. Vereadora da Câmara Municipal de Loures, Dra. Maria Gani Veloso das Neves em representação do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Loures e Reitor da Universidade Sénior da AMP – Portela Sábios, da Dra.

Joaquina Madeira presidente da Comissão Nacional de Comemorações do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações. Estiveram ainda presentes na cerimónia os senhores Presidentes das Juntas de Freguesias de Moscavide e de Bucelas, os elementos dos corpos dirigentes da AMP e muitos dos nossos associados.


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Acrobática – AcroPortela

o passado dia 7 de Janeiro, os nossos alunos da disciplina de História Local leccionada pela Dra. Ana Paula Assunção, na sequência da abordagem do tema Importância da Maçonaria em Portugal e da relevância das mulheres maçons do Conselho de Loures, foram ao Bairro Alto, visitar o Museu Maçónico.

Fórum sobre a história da Portela

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o dia 20 de Janeiro, a nossa classe de acrobática participou com alguns dos seus atletas no TORNEIO «ANO NOVO» ACROMIX CAMARATE CLUBE. Podemos dizer que a AcroPortela iniciou o ano de 2013 da melhor forma possível, considerando os excelentes resultados obtidos no MINITRAMPOLIM E SOLO: – No ESCALÃO B (disputado por 14 equipas), as equipas da AMP constituídas pelos atletas Francisco Rodrigues; Sofia Pinto; Sara Aguilar e Carolina Leiria (equipa 1) e pelos atletas Carolina Crispim; Leonor Rocha; Diogo Dias e Laura Mendes (equipa 2), obtiveram respectivamente as taças correspondentes ao 4.º e 5.º lugares; – No ESCALÃO C (disputado por 16 equipas) os nossos atletas Maria Miranda; Mariana Pereira; Catarina Rebelo; Maria Dias; Guilherme Sousa; Gonçalo Sampaio, obtiveram o 5.º lugar; – No ESCALÃO D (disputado por 5 equipas), a AMP subiu ao pódio e recolheu a taça correspondente ao 1.º Lugar, com os nossos atletas Patrícia Aguiar; Ana Silva; Vasco Alves; Alexandra Moura; Catarina Aguiar. De destacar ainda o papel das nossas atletas mais experientes na modalidade: Joana Fatela; Mariana Garção, Maria Inês Pereira e Rita Marçal que também honraram a bandeira da AMP ao integrarem, a convite da organização, o conjunto de juízes deste torneio. Estão de parabéns os nossos Atletas.

o mês de Janeiro, foi apresentado nas aulas do Forúm, Sociedade e Cultura um intensivo e meritoso trabalho de investigação desenvolvido pelos nossos sábios Álvaro Santos e António Mesquita, que já integraram várias direcções da AMP e que muito deram e têm dado à nossa associação. Os nossos sábios realizaram várias pesquisas junto do Arquivo Municipal de Loures e consultaram os estudos havidos desde os anos 50 do seculo passado até ao Anteplano da urbanização das quintas da Portela, à expansão do Aeroporto da Portela e ao planeamento das vias rápidas que foram a Auto Estrada do Vale do Tejo, a 1.ª Circular de Lisboa e a Circular Externa de Lisboa. Estão previstas mais duas sessões sobre esta temática, sendo mais tarde apresentadas as histórias da Urbanização da Portela, da Associação de Moradores e a Criação da Junta de Freguesia. Um trabalho de grande valor para a Portela e os Portelenses que a Portela Magazine não deixará de divulgar assim que os seus autores entendam que está concluído. No dia 6 de Fevereiro, foi realizada mais uma visita no âmbito das disciplinas de Francês e do Fórum Sociedade, Actualidade e Cultura, desta vez à Casa Museu Leal da Câmara. Também as aulas de Direito, leccionadas pelo Dr. Miguel Matias, têm sido muito participadas e os nossos sábios puderam contar no dia 15 de Janeiro com a presença do Procurador da República João Aibéo que veio falar sobre o papel do Ministério da Público no Direito Português. No dia 15 de Janeiro, os nossos sábios tiveram uma aula prática deslocando-se ao Campus da Justiça onde visitaram as Varas Criminais e tiveram oportunidade de assistir a uma sessão de julgamento.

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ACONTECEU NA AMP

Palestras PORTELA SÁBIOS

Baile de Máscaras AMP 2013

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o dia 9 de Fevereiro, em celebração do Carnaval, realizou-se o já habitual Baile de Máscaras da AMP, que vai na sua 3.ª edição e que contou com a presença dos alunos do Portela Sábios e muitos associados e amigos da AMP.

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as férias de Natal, os nossos jovens realizaram diversas actividades e passeios: foram à Vila Natal Óbidos, ao Cinema, conhecer Lisboa, ao Pavilhão do Conhecimento e ainda tiveram tempo para a desenvolver Dinâmicas de Grupo e alguns trabalhos manuais alusivos à época.

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o dia 23 de Janeiro, realizou-se no Portela Sábios o Workshop intitulado «Ser com Positividade», que teve como oradora a Dra. Tânia Baptista, licenciada em Psicologia das Organizações, pelo ISCTE e que actualmente é formadora e coach nas áreas de desenvolvimento pessoal e positividade. Foi uma sessão muito participada e que teve a lotação máxima de 20 participantes. No dia 16 de fevereiro, foi realizada pela Dra. Ana Teresa Ferreira, psicóloga do GAAF da Portela, uma Palestra sobre «Bullying», um tema bastante preocupante, actual e dirigido aos jovens e educadores do Portela Jovem, aos sábios e à população portelense no geral.

Tertúlia «Alimentar o Ser»

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o dia 26 de Janeiro, aconteceu a 9.ª Tertúlia «Alimentar o Ser», desta vez subordinada ao tema «Valores na Sociedade Contemporânea». Estas tertúlias têm uma periodicidade mensal e realizam-se em regra no último sábado de cada mês nas instalações da Universidade Sénior – Portela Sábios da Associação dos Moradores da Portela. São tertúlias abertas a quem nelas queira participar e destinam-se a reunir amigos num ameno debate sobre temas diversos, em que se pode declamar, cantar, tocar, debater ideias ou apenas ouvir, fique atento à data da próxima e se estiver interessado e quiser juntar-se a nós é só… aparecer.

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VAI ACONTECER NA AMP

Acrobática – AcroPortela

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staremos ainda presentes no 1.º troneio de Desenvolvimento de Acrobática, nos dias 23 e 24 de Fevereiro, novamente no Pavilhão do Catujal. Em Março, vamos participar nas qualificativas de Iniciados, Infantis, Juvenis, Juniores e Seniores e, em Abril, durante as férias da Páscoa, será realizado um estágio da equipa na Faculdade de Motricidade Humana.

As Férias de Páscoa estão a chegar – e o Portela Jovem tem já o plano de actividades a desenvolver com os nossos jovens durante esta pausa lectiva e muitas são as novidades, visitas e divertimentos que estão programados, como por exemplo, geocaching, oficinas de desenho e pintura, caças ao tesouro, piqueniques, actividade de karts em Palmela, visitas ao centro de recuperação do Lobo Ibérico, às filmagens Flash Mob, ao Museu do Mar, à casa Paula Rego. As inscrições estão já abertas e destinam-se a todos os jovens, quer os que estão connosco durante todo o ano no nosso Centro de Actividades para Jovens, quer para jovens que apenas se juntam a nós nos períodos de férias escolares. Para mais informações, contactar a secretaria da AMP – telef. 21 943 51 14 ou 918 552 954, ou através de e-mail: amportela.secretaria@gmail. com ou portela.jovem@gmail.com

Espectáculo de Dança – «Gente da Rua»

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o dia 27 de Abril, a AMP vai mais uma vez apresentar um espetáculo de dança, cor e música, neste ano no auditório do Cinema da Encarnação. Esta será a 3.ª edição deste espetáculo de palco, e que irá contar com as actuações das prestigiadas classes de Dança Jazz e Acrobática da nossa associação, assim como de outros artistas convidados Será sem dúvida uma mostragem de qualidade que esperamos seja do agrado de todos.

Grupo de Teatro AMP

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rama ou comédia? AMP cria grupo de teatro… Tem veia de artista? Gostava de subir a um palco e interpretar um personagem? A AMP está em processo de formação de um grupo de teatro, mas para isso precisamos de actrizes e actores. Se está interessado em representar para uma plateia e vestir uma personalidade diferente, então envie-nos um e-mail para portelateatro@gmail.com

No dia 27 de Fevereiro, será realizado um workshop de Shiatsu, com Inês Figueira, terapeuta e aluna de Shiatsu, na Escola de Shiatsu de Portugal, através do Instituto de Macrobiótica de Portugal. «Pressão do dedo» é o significado do termo japonês Shiatsu, um método de tratamento que visa a recuperação e manutenção da saúde, através do reequilíbrio da rede energética do nosso corpo. Esta rede dirige o nosso crescimento, funções vitais, actividade e consciência ao longo de toda a vida. Ainda em Março, em data a definir, será realizada uma Sessão de Esclarecimento por Técnicas de Apoio ao Consumidor da ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, subordinada ao tema da mudança de comercializador ante a liberalização do sector da electricidade e do gás natural. No mês de Março, o Portela Sábios está a organizar uma viagem de quatro dias a Paris e no dia 13 de Março está planeado um passeio de dia inteiro a Sangalhos, com almoço incluído e visita às Caves Aliança. Não deixe de participar. Continuam abertas as INSCRIÇÕES DO PORTELA SÁBIOS e do PORTELA JOVEM para o ANO LECTIVO 2012-2013 e para as MODALIDADES DESPORTIVAS DA AMP – para mais informações contactar a secretaria da AMP – telef. 21 943 51 14 ou 918 552 954, ou através de e-mail amportela.secretaria@gmail.com ou portela.sabios@gmail.com ou portela.jovem@gmail.com

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CULTURA leiturasdemadamebovary.blogspot.com

Patrícia Guerreiro Nunes

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o início, havia o campo, os Invernos rigorosos e uma estranha guerra ocupava os dias. O corpo era muito magro e frágil, mas vingou ao abrigo da comunhão com os livros, os cães e os irmãos. Assim se constituiu a sua ideia pessoal de felicidade: uma cama, um livro, um cão e um amante que fosse também um camarada. Terá sido então que os livros se entrelaçaram com o erotismo numa enigmática, mas bela coincidência. [O pai estava ausente: sentado no sofá, fumava cigarro atrás de cigarro e lia um livro grosso. Complexo de Electra. Livros e cigarros: uma compulsão fálica de inspiração-expiração.] Dos livros, recebeu, portanto, a sua educação sentimental e o gosto pelas palavras certeiras. A sua segunda pele. Anos mais tarde, ao deixá-los empacotados num sótão amigo para viajar durante um ano, sentir-se-á estranhamente livre e nua. A doença do livro colou-se aos ossos. As noites serão perdidas para a insónia, na angústia de a vida não durar nem para metade dos livros que deseja. Sentirá sempre que não se pode ler um livro sem ter lido todos. Por consolo, conceberá a ideia de paraíso-biblioteca. No entanto, terá sempre as suas poupanças empenhadas, penará sempre que muda de casa e irá cometer muitas imprudências na vida, tentando igualar a beleza da arte. Irá sofrer, mas nos ombros sentirá sempre asas prestes a despontar. Aprende-se mulher, cativa-se na ideia de um amor louco. Enternece-se com os desvarios de uma tal Madame Bovary, parece que escolheram ambas viver mal, mas poeticamente. Às vezes, vacila, as pernas já não prestam para andar, mas sempre acha novo vigor em poemas

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Amar um livro (ou serão elegias?) como o de Alexandre O’Neill: Gosto de Ofélia ao sabor da corrente. Contigo é que me entendo, piquena que te matas por amor a cada novo e infeliz amor e um dia morres mesmo em «grande parva, que ele há tanto homem!» A sua história da leitura confunde-se com os seus amores e desamores. O primeiro será amado com todo o arsenal literário da adolescência, um amor nietzscheano incapaz de durar porque consagrado ao fogo violento. Depois, virão as noites das paixões nómadas e cada aurora a achará, deitada num desalinho etílico, com um amante-livro diferente. O coração será um caçador solitário e o amor uma faca que ela usará para se esventrar, procurando acertar em si mesma. Partilhará o sono com mil amores emprestados até que um dia acordará esvaindo-se em sangue. Vermelho-imperfeito. [Os encontros fortuitos na biblioteca. Traz o livro para casa, bem junto ao peito, como quem se orgulha de um crime. As mãos seguras da sua textura. Durante dias, não faz mais do que olhá-lo, acariciá-lo e adormecer junto dele. Sonha com a fantasia de um sexo de ler: um texto-carne a penetrá-la, a doer-lhe fundo e um orgasmo acontecendo pelas palavras.]

As noites seguintes serão assombradas pelo chamamento de sereias impiedosas. Conseguirá sobreviver apenas graças às terríveis palavras de Herberto Helder. Ele nunca saberá, mas salvará a sua vida numa altura em que mão alguma a poderia alcançar. Numa noite de Primavera adiada, virá esse amor louco e bruto, tão arduamente sonhado. Os dias serão então fartos em fomes e enfartes e o corpo, inquieto, cirandará pela cidade, buscando as suas palavras. Será finalmente um livro de pernas abertas que alguém conseguirá ler. Mas de novo a desilusão. Desta vez quase fatal. Vermelho-perfeito. Atravessará então a morte desértica, acompanhada apenas pela indignação de Raskólnikov. Sobrevirá depois a grande solidão e, durante a travessia desse deserto inumano, nenhum homem ou livro será amado. Os livros continuarão lá, à espera do seu regresso, amantes leais que ela saberá reencontrar quando regressar à casa que o coração construiu para se abrigar. Com um livro bem junto do peito, ela sentirá por fim a sua alma junta, adormecendo contente e satisfeita, como se tivesse tido uma noite inteira de amor. Um acto de amor diferido, mediado pela solidez do papel, consumado na liquidez da tinta. As frases indizíveis acharão por fim aconchego nos corpos desencontrados no Tempo. E carne e letra fundir-se-ão num só Livro.


HUMOR

Crescer na Portela www.facebook.com/hugohrosa

Hugo Rosa

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oje, conto-vos uma história que data de 1997, quando eu tinha 13 anos, e que acho espelha o que é crescer na Portela. Foi no início do Verão, Junho, um dos meses mais quentes de que havia memória. Recordo-me de alguém o descrever como «igual ao Deserto do Saara, mas sem “aquela” brisa». Eu e o Rui (ou o Tiago, não sei bem, não sou muito bom com nomes) saímos do nosso prédio com uma bola de futebol debaixo do braço e com destino ao prédio do Ricardo (ou seria do Pedro?). Eu e o Rui/Tiago tínhamos sido desafiados para uma jogatana. Não, ele chamava-se Diogo. Acho eu... Exacto, eu e o Rui/Tiago/Diogo tínhamos sido desafiados para uma futebolada. Em jogo, estava o desafio lançado na escola no dia anterior: «O Sporting é melhor do que o Benfica!» – disse ele. «Não é nada!» – respondi assertivamente. Além disso, havia a possibilidade de a mãe do Ricardo/Pedro, a PUB

Dona Ana, nos convidar para subir e oferecer um lanche com as suas míticas panquecas com chocolate. Naquela altura, bastava dizer aos meus pais: Olha, vou jogar futebol para o prédio do Ricardo/Pedro e volto para jantar. A minha mãe, que confundia com muita facilidade os nomes dos meus amigos, perguntava sempre: Quem é o Ricardo/ Pedro? É o irmão do João, ou Manuel, ou lá como ele se chama? E eu lá esclarecia: Não, o João/Manuel é irmão do Rui/Tiago/Diogo, com quem eu vou. Mas o prédio é do Ricardo/Pedro. É incrível como naquela altura também se faziam planos, mesmo sem telemóvel, Internet ou Segways. Ao chegar ao prédio do Ricardo/ Pedro, ele apresentou-nos a sua irmã, Diana, que tinha uma gémea de seu nome Andreia. A Diana/ Andreia era a sua parceira no nosso épico confronto de dois contra dois. Eu e o Rui/Tiago/Diogo pensámos logo uma rapariga? Isto assim vai ser fácil. O que não sabíamos é que a Diana/Andreia jogava futebol desde os cinco no Sporting. PUB

Não me recordo ao certo em que posição ela jogava no Marítimo, mas devia ser ponta-de-lança. Creio que nos marcou quatro golos. Foi uma das mais divertidas partidas de ténis da minha vida. O resultado final escapa-me, mas sei que no fim a Dona Ana/Joana ofereceu o lanche. Foram os melhores crepes da minha vida. E com geleia de morango, tal como eu gosto. Porque é que esta história é relevante? Porque na semana passada encontrei o Rui/Tiago/Diogo no Centro Comercial. Estava com a sua esposa, a Diana/Andreia, a comer um croissant misto da Tarik, tal como naquela manhã fria de 1997. Relembrámos as circunstâncias de como eles se conheceram e revelaram que tinham acabado de comprar casa na Portela. Voltaram, porque querem que a filha tenha as mesmas experiências que nós tivemos.


Novas Tecnologias Bonifácio Silva

H

oje, veio ter comigo uma amiga a lamentar-se de que tinha deixado cair o portátil. Na loja, informaram-na de que o disco ficara severamente danificado, pelo que teria de ser substituído. O que a incomodava não era o valor da reparação, mas a perda das fotografias que tinha do tempo da universidade e da filha. Eram milhares e milhares de fotografias, das quais nem uma centena tinha em formato de papel. Muitos são os que hoje em dia transportam uma «máquina» fotográfica digital. Longe vão os tempos em que este hobby nos obrigava a carregar um equipamento pesado e volumoso. Entrámos há algum tempo na era em que os amadores facilmente conseguem tornar-se em verdadeiros profissionais. Com um investimento reduzido, conseguimos adquirir equipamentos necessários para captar aquela imagem que outrora parecia impossível, com ou sem

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Analógico vs. Digital recurso a programas de melhoramento e edição de imagem. Esta mudança deve-se em muito aos grandes investimentos que as grandes marcas de outros tempos fazem para inundar o mercado de máquinas de topo a preço da uva mijona. Vemos lentes de marca de elite num vulgar equipamento de telemóvel, vemos a guerra dos tão afamados megapixels em máquinas compactas, vemos telemóveis que filmam em HD, até onde irá esta guerra? Muitos desconhecem o prazer do analógico, a consulta dos gráficos de exposições, o uso e cálculos do

fotómetro (equipamento utilizado para a medição de luz), as experiências com os filtros, o minucioso trabalho de revelar as próprias fotos, a escolha do papel e muito mais. Hoje, não damos valor a tudo isso, porque, em poucos segundos, podemos captar milhares de fotografias, e a nossa mente distorcida permite-nos pensar que facilmente usamos 10 ou 20 para enviar por correio eletrónico, enviar por mensagem multimédia ou até apenas para mostrar no visor o resultado de algo que não custou nada. Já perdemos o hábito de as visitas consultarem os nossos álbuns fotográficos, já não existe a verdadeira arte de captar aquele olhar, o sorriso no momento certo, no ângulo certo e com as cores e tons correctos. Se quisermos ver fotografias, ligamos o portátil e tudo o que vemos são imagens tratadas pelas máquinas e corrigidas com recurso a programas. Muitos são os que nem se lembram de guardar uma cópia de segurança e isto porquê? Porque não custou nada, logo, não damos valor. Para evitar estas situações, o meu conselho é que imprimam as melhores fotografias e façam cópias de segurança, um DVD custa menos de 1 euro e armazena dezenas de milhares de fotografias.


LOJAS SOLIDÁRIAS

AMP doa bens a Lojas Solidárias do concelho de Loures A Associação dos Moradores da Portela (AMP) doou, no passado dia 7 de Janeiro, artigos de higiene, alimentos, roupa e brinquedos às Lojas Solidárias do concelho de Loures, resultado da campanha levada a cabo durante a época natalícia e que mobilizou sócios e funcionários da AMP. Eva Falcão

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Loja Solidária de Sacavém, situada na Casa da Cultura da freguesia, foi palco, no passado dia 7 de Janeiro, da doação de bens resultantes da campanha levada a cabo durante a época natalícia pela AMP junto de associados e funcionários. Produtos de higiene pessoal, roupa, brinquedos, bens alimentares e roupa serão entregues a famílias carenciadas do concelho. Famílias com baixos rendimentos, pessoas em situação de desemprego prolongado, doença ou separação, vítimas de violência doméstica ou abandono, idosos com fracos recursos económicos e crianças e jovens que apresentem necessidades básicas de subsistência podem deslocar-se às Lojas Solidárias do concelho. No seu todo – Sacavém, Moscavide e Camarate – apoiam regularmente cerca de quinhentas famílias, encaminhadas pelos serviços de Acção Social da Câmara Municipal de Loures. Presentes na cerimónia de entrega estiveram Sónia Paixão, vereadora responsável pelo Departamento de Coesão Social e Habitação, e Carla Marques, presidente da direcção da AMP. «Conhecemos e apoiamos este projecto. Lançámos esta campanha no princípio do mês de Dezembro. Solicitámos aos nossos sócios e aos moradores da Portela produtos de higie-

ne pessoal, fraldas para crianças e adultos, roupas e brinquedos. Sabíamos que eram estes os bens que as lojas mais necessitavam na altura e que, tendencialmente, são menos doados», explicou a dirigente que esclareceu «não queremos substituir-nos às entidades existentes que já fazem este tipo de trabalho, queremos, sim, juntar esforços e ajudar a minimizar o impacto negativo que o actual contexto socioeconómico do país tem tido nas famílias do concelho. Estamos inclusivamente em vias de assinar um protocolo com a Câmara de Loures que fará da AMP um centro de recolha de bens de primeira necessidade, ajudando assim a fornecer com regularidade as lojas solidárias do concelho». Uma percentagem dos produtos entregues resultou das doações de sócios e funcionários. A restante resultou do valor angariado (400 €) pelo Portela Wellness através da campanha «Presentes Solidários» promovida durante o mês de Dezembro e para a qual revertia 1 € por cada nova inscrição no Portela Wellness e 1 € por cada 20 € em vales de oferta do Well SPA. Entretanto, e paralelamente, o PW, na pessoa do professor Humberto Tomaz, levou a cabo, no Dia de Reis, uma doação de brinquedos e livros infantis e juvenis, resultado da construção de uma árvore de Natal com estes bens ofereci-

Doações Shampô - 18 frascos Gel de banho - 27 frascos Pasta de dentes - 12 embalagens Sabonetes - 13 unidades Fraldas séniores - 5 pacotes Pensos incontinência - 4 pacotes Fraldas bebés - 27 pacotes Escovas de dentes - 3 unidades Óleo Johnson-1 frasco Pacote de algodão - 1 Sabonete líquido - 1 frasco Pó de Talco - 1 embalagem Papel Higiénico - 12 rolos Água oxigenada - 1 frasco Papas infantis - 6 pacotes Leite - 24 l Latas de salsichas - 39 Esparguete - 12 pacotes Massinhas - 14 pacotes Arroz - 20 kg Atum - 5 latas Detergente para roupa - 5 l E ainda dezenas de brinquedos e centenas de peças de vestuário para bebé, criança e adulto.

dos pelos sócios e funcionários da AMP. Estes brinquedos e livros foram doados à Casa do Infantado e à Casa da Palmeira. No entanto, a campanha terá superado todas as expectativas, tendo sido, assim, possível doar brinquedos também às Lojas Solidárias.

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Portela Magazine nº 8