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magazine Dezembro 2012

Distribuição gratuita Periodicidade Bimestral

Est� Nata� vam� ajudar que� mai� precis� CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE NACIONAL ERA 2012

Entrevista a António o maior cartunista português, e reportagem fotográfica no aeroporto || PÁGS. 14 E 15

Entrevista a Maria José Morgado «A crise aumenta inevitavelmente a corrupção» || PÁGS. 12 E 13

Reabertura da biblioteca! || PÁGS. 2 E 3

Revista da Associação dos Moradores da Portela


MENSAGEM DA PRESIDENTE

a consciência de que o rancor, o ódio e outros sentimentos mesquinhos a nada levam, apenas corrompem a nossa alma. Que tenhamos a Paz de Espírito para o discernimento de que estamos a faz aquilo que é justo e correcto para nós e os nossos semelhantes. Que tenhamos o prazer de ser útil a alguém.

Carla Marques Presidente da Associação dos Moradores da Portela

Caros leitores: No cenário mundial contemporâneo, desejar simplesmente FELIZ NATAL parece um pouco vago, mas se este desejo significar mais humanidade, paz de espírito, solidariedade e a busca de relações mais puras e respeitosas, um simples Feliz Natal poderá significar tudo. E é com o coração cheio de esperança que vos dirijo a minha mensagem hoje. Em nome da direcção da AMP, desejo que todos os nossos leitores tenham um Natal repleto de Felicidade, de Paz e Amor e que todos nós tenhamos

E que o novo ano... seja um ano de muitas transformações e realizações para todos, não só no campo material, mas principalmente no nosso «eu» interior. Que neste Natal se iluminem o vossos sorrisos para que eles se torne tão sinceros quanto o sorriso de uma criança. Porque num mundo em que o individualismo e o corporativismo dão origem à exclusão, é importante sublinhar o espírito no qual se exerce a actividade humana, e se cada um de nós tiver por missão lutar contra essa exclusão e ser um agente de solidariedade, estamos, sem dúvida a contribuir para uma melhor e mais justa sociedade. Este é também o papel que a AMP tem vindo a desempenhar, por uma solidariedade activa e responsável na sociedade, porque acreditamos que a Responsabilidade Social diz respeito ao cumprimento dos deveres e das obrigações dos indivíduos e das or-

ganizações para com a sociedade em geral. Por uma sociedade mais justa – TODOS SEREMOS MUITOS. Nesta quadra festiva e sem querer parecer pretensiosa, gostaria de fazer minhas as palavras de David Mourão-Ferreira e dedicar a todos o seguinte poema: Natal, e não Dezembro Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio no prédio que amanhã for demolido... Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio. Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos o rastro de uma casa, a cave, a gruta, o sulco de uma nave... Entremos, despojados, mas entremos. De mãos dadas talvez o fogo nasça, talvez seja Natal e não Dezembro, talvez universal a consoada. David Mourão-Ferreira FELIZ NATAL Carla Marques Presidente de Direcção da AMP

ACONTECEU NA PORTELA

20.˚ Aniversário da Igreja de Cristo-Rei da Portela Manuel Monteiro

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o dia 15 de Novembro, a Igreja de Cristo-Rei da Portela completou 20 anos da sua dedicação, o que culminou na missa das 19.00 em que a Portela Magazine marcou presença. O padre Alberto Gomes anunciou nesta data emblemática a reabertura da Biblioteca Cardeal Ribeiro, realçando o trabalho desen-

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volvido pela igreja, que salientou ser em grande parte alicerçado em trabalho voluntário, e a necessidade de encontrar respostas num tempo de

adaptações constantes. Sobre a biblioteca, foi dito que esta terá uma nova configuração e identidade, procurando ser uma biblioteca vocacionada para a evangelização. Questiona-se naturalmente o que aconterá aos milhares de livros que não cumprem um propósito evangélico. A Portela Magazine procurou entrevistar Sua Eminência. Esperamos consegui-lo numa futura edição.


manuelmonteiro_@hotmail.com

EDITORIAL

Manuel Monteiro

O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética. O que me preocupa é o silêncio dos bons. Martin Luther King

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uma altura em que fechar um jornal ou uma revista é prática comum, a aventura de criar, sem quaisquer tipo de apoios, uma publicação periódica do zero afigura-se como uma aventura condenada ao fracasso. Há um ano, aquando da decisão da Associação dos Moradores da Portela de criar a Portela Magazine, nem o mais optimista imaginaria que a revista cresceria tanto. É certo que o elogio de outros é mil vezes mais valioso do que uma autoproclamação. Mas, sem qualquer falsa modéstia, orgulhamo-nos do caminho percorrido. Recebemos literalmente centenas de cartas elogiosas. Os conteúdos da nossa revista foram divulgados e comentados por leitores anónimos, designadamente na Internet. Entrevistámos personalidades das mais diversas áreas. Fernando Dacosta, Alice Vieira, Pinto Monteiro, Marinho e Pinto, Garcia Pereira, entre outras. Divulgámos o trabalho de muitos portelenses, nomeadamente na área da cultura. Extravasámos claramente as fronteiras da nossa freguesia com conteúdos nacionais. Crescemos largamente em publicidade. Estamos também bastante satisfeitos com a qualidade gráfica e a textura do papel e com a distribuição da revista. A título pessoal, e mudando da primeira pessoa do plural para a primeira pessoa do singular, manifesto o meu contentamento pelo contributo que a Portela Magazine deu em duas questões importantíssimas para a nossa freguesia: o alargamento do horário do centro comercial e a reabertura da biblioteca. Suscitámos na edição de Julho com o artigo «Os estranhos horários do Centro Comercial da Portela» o debate em torno do horário do centro e do prejuízo que este representava para os lojistas. Foi com enorme alegria que soubemos que o alargamento do horário do centro está neste momento a ser analisado pela Câmara Municipal de Loures. E, finalmente, após várias edições em que frisámos o absurdo de mais de 28 000 mil livros estarem impedidos de ser lidos ou consultados, a Biblioteca Cardeal Ribeiro reabriu no dia 15 de Novembro. Verifiquei nestas duas questões que muita gente se indignou, mas que muito poucos ousaram dar a cara ou mexer uma palha para corrigir uma situação que sentiam ser injusta. O medo devora a alma, como no filme de Fassbinder. Afinal, vale a pena lutar. Termino dizendo que apesar de a revista ser propriedade da AMP, nunca a sua direcção exerceu qualquer pressão para que saísse A ou não saísse B. Agradeço sentidamente a todos aqueles que participam neste projecto.

Ficha Técnica Portela Magazine – Revista Bimestral – Proprietário Associação dos Moradores da Portela – Director Manuel Monteiro – Redacção Eva Falcão, Filipa Assunção, Leonor Noronha – Colaboradores Armando Jorge Domingues, Bonifácio Silva, Carla Marques, Fernando Caetano, Filipa Lage, Humberto Tomaz, José Alberto Braga, Miguel Esteves Pinto, Miguel Matias, Rui Garção, Rui Rego – Sede de Redacção Associação dos Moradores da Portela, Urbanização da Portela, Parque Desportivo da AMP, Apartado 548, 2686-601 Portela LRS – Telefone 219 435 114 – Site www.amportela.pt – E-mail amportela_secretaria@gmail.com – Email Comercial – pubportelamagazine@gmail.com – Direcção Comercial Keep In Touch, Lda. – Grafismo ITW-Ideas That Work, Lda. – Impressão Nova Gráfica do Cartaxo – Tiragem 6500 exemplares – Depósito Legal n.o 336956/11 – ISSN N.o 126156

CARTAS DOS LEITORES Vivemos tempos tristes, toda a gente vê os dias a passar e Portugal cada vez mais distante do que merecemos. É fácil apontar o dedo ao Sócrates, ao Passos Coelho, ao Cavaco, a todos os políticos, do ratinho ao elefante. Diria mesmo que difícil, muitas vezes, é não o fazer. No entanto, já que o Estado Providência pouco providencia, é tão bom quando temos surpresas... Feliz fiquei, ao sair do centro comercial com o já clássico croissant de chocolate, quando me deparei com uma fantástica resposta à crise em que vivemos. Uma resposta dupla, algo invulgar. O fantástico lago ali perto da igreja, com queda de água e tudo. Por um lado, mostra alguma preocupação para com os lojistas, esperando atrair mais clientela, não se olhando a gastos para tal. Por outro, uma preocupação social fantástica: uma nova piscina para os financeiramente muito infelizes, e esta tem chuveiro e tudo. Os meus parabéns! João Silva Sr. Manuel Monteiro, aproveito este dia de greve nacional para lhe enviar uma mensagem de estimulo e apreço pelos assuntos desenvolvidos ao longo dos seis números da Revista Portela Magazine da qual o Sr. é director.Há já algum tempo que o queria fazer mas só hoje encontrei disponibilidade,ainda sou das que possuem emprego e por isso o meu tempo é escasso para me dedicar a outras tarefas.Tenho ficado surpreendida com as personalidades entrevistadas, a vossa revista consegue ser interessante do principio ao fim.Toda a equipa está de parabéns,nota-se a vossa isenção, coerência e honestidade,qualidades dificeis de encontrar nos tempos que correm.Apesar de não conhecer a biblioteca da freguesia, foi sem dúvida,um dos assuntos que me despertou mais atenção,não só porque gosto de ler,mas também pelos métodos utilizados.Pela entrevista da funcionária da biblioteca e pelo direito de resposta do padre,concluo que a Igreja da nossa freguesia não passa de um belo exemplo de moderna arquitectura religiosa.Mas, decerto que a nossa freguesia tem muitas “coisas” boas para

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CARTAS DOS LEITORES mostrar,conto com vocês para essa descoberta. É um prazer ler a revista,continuem o excelente trabalho, A leitora dedicada Angélica Miranda Manuel Monteiro, terei de o felicitar pela reabertura imaginária da biblioteca,as atitudes das pessoas que “trabalham” na paróquia reflectem o estado do país, anda tudo á deriva e a maioria dos que por lá passam são todos escolhidos a dedo. Nestes quinze dias em que a biblioteca Cardeal Ribeiro está aberta,os computadores não funcionam, fichas de inscrição não há,levar livros para casa nem pensar, livros de autores manifestamente ateus nem vê-los,os voluntários que estão no espaço mudam todos os dias.Anda tudo ás aranhas,como a biblioteca esteve encerrada 10 meses contava encontrar um espaço mais vivo, dinâmico, cheio de boas novidades.Encontro um espaço com menos livros,escuro,com voluntárias simpáticas mas que não sabem nada sobre autores ou tão pouco sabem onde se encontram os livros. Qualquer pergunta tem como resposta isso é com o Dr. Vitor! Quem é o Dr. Vitor? É o novo bibliotecário? Se é está mais que chumbado, a biblioteca está desarrumada,confusa, novidades nem vê-las.Tanto tempo para apresentarem este triste panorama?Com a catequese e a missa a começarem ás 18.30 h e a biblioteca a encerrar ás 18.00h devem ter muitos leitores.O encerramento ao Sábado é mais uma indicação de que quem está á frente do assunto percebe tanto de bibliotecas como do nascimento e tempo de vida do grilo ou da plantação de beterrabas.Resumindo a biblioteca foi reaberta para ser uma extensão da catequese e para calar o Patriarcado e a Câmara,e principalmente a população da Portela, deixamos de ter uma biblioteca pública para ter uma biblioteca para “elites duvidosas” que alimentam o marasmo doentio que impera na instituição.Volto a repetir a quem serve uma biblioteca reaberta das 14 ás 18h?

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Quanto ao direito de resposta de Sua Excelência o Sr.Padre Alberto Gomes, só lamento que a revista da associação de moradores da Portela ter levado por tabela,mantenho as palavras que proferi,não pretendi ofender ninguém mas sim dar a conhecer os “hobbys privados”.Eu também gosto de motocross e não levo o meu hobby para o trabalho.Triste a atitude da Junta de freguesia e da Câmara Municipal,mas assim sempre sabemos com o que contamos. Conto com vocês para denunciarem casos deste género,a prepotência tem de acabar e os que precisam é que necessitam de ser ajudados,a biblioteca cumpriu a sua actividade pública até 31 de Janeiro.Não entendo, cada vez se ouve mais Bispos e Padres a opinarem sobre a crise social e o diálogo mas,o Padre Alberto mantém-se impávido e sereno,aqui há mistério! Outro dos aspectos incorrectos para que chamo a atenção pretende-se com a página de facebook criada para a biblioteca: https://www.facebook.com/bibliotecacribeiro?fref=ts ;A 25 de Novembro de 2007 foi relançada a biblioteca paroquial Cardeal Ribeiro,onde foi servido um porto de honra ;nesse mesmo dia pelas 16.30 houve uma conferência:”Do Concílio à Democracia-D.António Ribeiro,Patriarca de Lisboa”,proferida pelo prof. Doutor António Matos Ferreira;ás 19 h a Eucaristia solene foi presidida por Sua Eminência Reverendíssima o Senhor Cardeal -Patriarca de Lisboa,D. José da Cruz Policarpo (guardo o convite).Não entendo porque teimam em mentir sistematicamente.A biblioteca já existe há mais de uma década e o seu verdadeiro mentor foi sua excelência o Cónego Janela. Pelo que já vi,os senhores limitaramse a reabrir um espaço no qual já tinham a “papinha feita”,limitaram-se a selecionar os autores mal-amados,e agora aparecem como uns apaixonados pela leitura e pelos livros.Quem ficou a perder foram os leitores e os doadores dos livros. Quem mexeu os cordelinhos para que a Biblioteca Cardeal Ribeiro chegasse a esta mediocridade também tem muitos telhados de vidro.Não foi por acaso que certos elementos foram afastados no tempo do Cónego Janela,a menina que teve a “ousadia” de colocar a biblioteca no facebook,não se deve ter esquecido da época em que era a responsável pela catequese,só juntou

prejuízo atrás de prejuizo,enquanto a sua sucessora só deu lucro.Colocar uma biblioteca que já estava devidamente organizada ,aproveitar-se do trabalho alheio não me parece um acto de boa indole.Mas, se pensarmos bem,vindo de quem vem já não se estranha.As conclusões ficam a cargo dos leitores,esses sim conhecem a biblioteca. Muito obrigado a toda a equipa, João Franco Manuel Monteiro, os meus elogios são mais que merecidos,este último número foi o que me agradou mais pela variedade de temas. Quanto à biblioteca suponho que no nº100 da revista ainda andamos a falar nela.Já reparou no hórario e programa ridículo.Só está aberta de das 14 ás 18 horas aos dias da semana.Isso não é fazer pouco dos leitores? E o programa? E a página de Facebook?A biblioteca da qual era leitor era ilegal?No facebook diz que foi inaugurada este ano!Nunca tive noção de que existia gente tão mesquinha,já acho que foi uma benção a senhora da biblioteca ter sido despedida.Trabalhar num sitio de vespas e mentirosos não deve ser nada fácil. O que leva a uma instituição a ter um Conselho Pastoral ,Económico e Movimentos pastorais tão fracos?.Essas pessoas para além de serem obrigadas a pedir desculpas deviam demitir-se. Alguém gosta de ir á missa sabendo que é tão mal frequentada?Eu irei sempre que sinta necessidade, mas do meu bolso não sairá mais um cêntimo.Os que andaram a fazer mal a pessoas competentes que alimentem a instituição. Se o Padre Alberto fizer outro direito de resposta,espero que seja mais objectivo,para além de ser ofensivo para a revista só se afundou mais, nada explicou,a não ser que se considera uma personalidade prestigiada. Isso também eu,sou diretor numa empresa com 200 pessoas e tenho feito das tripas coração para não despedir, pago todos os impostos ao Gaspar,sou generoso e quando estou mal-disposto isolo-me para não haver contágio Também registei o mau desempenho da Junta de freguesia. Até ao próximo número Um abraço a toda a equipa Gonçalo Telles


FIGURAS DA PORTELA

Já se vê o fumo... já há castanhas!!!

Filipa Assunção

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hega o Outono, a chuva, o frio... Chega o fumo no ar, os vendedores pela rua e o cheiro das castanhas a estalarem cinzentas na brasa. As estações do ano vão passando, mas há tradições que ainda se mantêm. Vera Lúcia, de 29 anos, herdou a profissão dos seus pais e é vendedora de castanhas assadas na Portela há 12 anos. Apesar de morar em Moscavide, foi numa das entradas do Centro Comercial da Portela que escolheu exercer a sua profissão. Quem para lá se dirige sabe que antes de entrar muito provavelmente se cruza com ela, podendo deliciar-se e aquecer as mãos enregeladas do frio. Durante o resto do ano, ocupa-se da venda de fruta, também na nossa freguesia. Caracteriza a Portela como sendo um bairro normal, com pessoas simpáticas e clientes fiéis, que fazem questão de a visitar todos os anos, ajudando a prevalecer esta saborosa e quente tradição. «As pessoas dizem que gostam de mim e acabei por aqui ficar, mas acho que o centro devia ter algo que chamasse mais gente, porque agora tem estado muito parado. Há muitas lojas de pronto-a-vestir, cafés e restaurantes e faz falta outro chamariz. Penso que os parques de estacionamento também não deveriam ser pagos», realça. A venda de «dúzias» tem-se tornado cada vez mais difícil de manter, imperando os pedidos de meia dúzia de castanhas. Confessa que este ano está a ser muito fraco, com as consequências da crise a serem cada vez mais notórias no dia-a-dia da população, já que comprar castanhas quase se tornou num luxo para alguns. «Antigamente, facturava muito mais. Agora, as coisas estão muito mais paradas e no máximo facturo cerca de 50 € por dia. Até há pessoas que me pagam 0,50 € por 3 castanhas», diz. Questionada acerca da ordem da ASAE para a extinção dos cartuchos feitos de listas telefónicas ou de papéis de jornal, Vera é da opinião que o papel actualmente utilizado é mais higiénico, apesar de quebrar a tradição das castanhas enroladas em papel antigo: «Agora, as castanhas são servidas em saquetas ou em papel branco, mas cada saquinho custa cerca de 0,45 €, sendo mais acessível optar pelo papel branco.» Foram-se os magustos e as festas, mas ainda vão restando os vendedores, que invadem e animam as nos-

sas ruas com o saboroso cheiro a castanhas assadas, abrindo-nos o apetite e apregoando pedaços de alegria e tradição. «Quem quer quentes e boas?» PUB

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PERCURSOS DE VIDA Filipa Assunção

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ecorria o ano de 1951, quando Albertina Guerreiro iniciou o seu percurso de vida, de uma forma curiosa e pouco habitual. A sua mãe regressava de Paris, quando ela decidiu vir ao mundo antes de tempo, acabando por nascer em altomar, num barco que traçava a sua rota entre Lisboa e Luanda. Com o decorrer dos anos, foi tentando recolher peças da sua vida, com a ambição de tentar compreender o que se tinha passado naquele dia. Sentia-se vazia, com o coração pouco preenchido e precisava de saber o que se tinha passado realmente. As peças foram surgindo e Albertina consegue-nos agora contar a sua história. Filha das águas do mar, acabou por perder a sua mãe duas horas depois de sentir pela primeira vez as ondulações do mar. O navio Império estava cheio de passageiros, que rapidamente se prontificaram a angariar fundos para comprar uma urna, tendo em conta que existia apenas uma no barco, destinada ao comandante que não a cedera. Contudo, a sua mãe acabou por ser atirada ao mar. Com um percurso de vida a iniciar-se, Albertina foi criada em Luanda pelas suas tias e pela avó, que sempre deram tudo o que tinham e não tinham para a ver feliz: «Tive uma vida tão feliz que acho que nunca senti falta da minha mãe, a não ser mais tarde quando fui mãe. Aí, tive pela primeira vez consciência da falta que uma mãe faz», confessa. Prosseguiu a sua vida, viajando continuamente em memórias e em pedaços de história que sonhava um dia conseguir juntar. Alimentava-se de esperanças, de um dia poder vir a descobrir os pormenores do seu nascimento, e quais as histórias que estavam escondidas por detrás daquela embarcação. «O meu problema era o de que dificilmente iria encontrar alguém que se lembrasse do dia em que nasci. Podia encontrar alguém mais novo, mas que não tivesse a percepção do que realmente tinha acontecido», diz. Sem nunca desistir, apoiou-se nas novas tecnologias e criou um grupo no facebook intitulado «Nasci num barco», com o intuito de partilhar a sua história, de ficar a conhecer outras, e principalmente, de tentar encontrar alguém que tivesse presenciado aquele momento. Ao saber que o Império iria passar em Luanda, na sua última viagem, Albertina aproveitou para ir conhecê-lo e para se familiarizar com o barco que a vira nascer. Foi então que descobriu mais uma pessoa que também tinha nascido a bordo.

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Nascer num barco Se lhe contasse, acreditava que Albertina nasceu num barco? E se ainda lhe dissesse que, nesse mesmo barco, estava Julieta e que anos mais tarde viriam a trabalhar juntas na mesma freguesia? Parece coincidência, mas a verdade é que estas histórias existem.

Conta ainda que tem conhecimento que, ao todo, nasceram lá 5 pessoas. Mas parece que a história de Albertina ganhou novos contornos quando veio para Portugal na época do 25 de Abril e escolheu a Portela, local onde já mora há 36 anos. «Faço parte da direcção da AMP e sou também professora da Universidade Sénior. Nas horas livres, brinco com as cores e com as palavras», diz. Quando pensava não ir descobrir mais nada sobre o dia do seu nascimento, eis que Julieta Oliveira se cruza no seu caminho e, sem imaginarem, surgem novos detalhes. Julieta é natural da Régua, mas África sempre foi a paixão da sua vida. No ano em que completou 18 anos, embarcou pela primeira vez para Luanda, na companhia da sua mãe, celebrando a bordo as festas de S. João. Por lá ficou e aos 19 anos acabou mesmo por casar. No entanto, com os problemas da Independência a serem cada vez mais acentuados, foi obrigada a regressar a Portugal com o seu marido. Após alguns períodos mais conturbados, a Portela acabou por ser o local escolhido. «Acho que está tudo muito programado e destinado. Vim para a Portela, porque achei que tinha de ser. Senti uma empatia muito grande com esta zona e sabia que havia muita gente aqui que também tinha vindo de África», diz. Actualmente, é colaboradora da AMP e conhece Albertina há cerca de 30 anos, mas nunca tinha acontecido cruzarem as suas histórias de vida, à excepção deste ano, em que o destino se encarregou desse feito. «Como trabalhamos as duas na AMP, costumamos estar presentes nos mesmos eventos, mas nunca tínhamos falado sobre isto. No dia da aula inaugural do novo ano lectivo da Universidade Sénior, o assunto do meu nascimento foi tema de conversa e acabámos por descobrir que tínhamos estado juntas no mesmo barco. A D. Julieta estava

na barco onde eu tinha nascido», conta Albertina comovida. Se até então nunca tivera obtido as informações que pretendia sobre o processo de nascimento, acabou por descobrir que Julieta assistira ao funeral da sua mãe, o qual contou com a presença de um padre e de uma pequena cerimónia fúnebre antes de o corpo ser lançado ao mar. «Estávamos a conversar e a Albertina começou a contar a sua história. A certa altura, notei que quando fui para Luanda, me tinha acontecido exactamente a mesma coisa. Perguntei logo: Em que barco? Em que ano? E aí, percebemos que tínhamos estado no mesmo barco. Nessa noite, eu não consegui dormir», relembra Julieta. Com mais algumas peças encontradas, o puzzle da sua vida ganhou novos contornos e cores: «Foi uma grande e agradável coincidência. Chorámos muito as duas e ficámos muito comovidas. Se eu já gostava da Dona Julieta, fiquei a gostar ainda mais», diz Albertina, recordando este acaso da vida. Actualmente, quando conta a sua história, as pessoas ficam admiradas. Se por um lado se torna curioso o facto de ter escrito nos seus documentos «Nascida a bordo», em contrapartida surgem alguns problemas burocráticos por não ter um local de nascimento. Costuma mesmo dizer, em tom de brincadeira: «Eu não nasci, eu apareci.» Por ter tido sempre presente na sua vida inúmeras questões para as quais não conseguia encontrar respostas, sente que agora existe uma serenidade que não existia antigamente. «Era vazio, frio e doloroso saber que a minha mãe tinha sido atirada ao mar, mas agora, ao saber que houve uma cerimónia dedicada a uma pessoa que termina os seus dias e deve ser encaminhada com toda a dignidade que merece, fiquei mais serena. Foi um conforto muito grande ter encontrado a D. Julieta.», confessa. Se a vida é feita de acasos, esta história é apenas mais uma ilustração desse pensamento. A história de duas jovens senhoras, que viram as suas vidas entrelaçadas pelo destino, permitiu encontrar as respostas procuradas. Afinal, todos fazemos parte do puzzle da vida, em que todas as peças se vão encaixando à medida que o tempo passa. Peça por peça, o puzzle do seu nascimento está perto de ficar completo, repleto de memórias, recordações e pessoas especiais, como Julieta, que ficarão guardadas no seu coração para toda a vida. Afinal, as coincidências existem..


EDUCAÇÃO

Fernando Caetano

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situação que se vive actualmente no país está a afectar todos os sectores produtivos e o ensino superior não é excepção. Os sucessivos cortes orçamentais que têm vindo a ser feitos às universidades estão a asfixiar o seu funcionamento e cada vez mais se caminha para uma situação que poderá vir a ser insustentável. As universidades têm, entre outras, autonomia administrativa e financeira, mas têm continuado a depender do financiamento do Estado para poder continuar a ter uma oferta pedagógica relevante para o país. Actualmente, existe uma instituição independente, a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), entidade independente no exercício das suas competências, que analisa a qualidade de cursos no ensino superior. Ainda recentemente foi anunciado o encerramento de mais de uma centena de cursos, entre universidades públicas e privadas (na sua maioria privadas, mas isso é outra questão). Mas as universidades portuguesas e os seus docentes e não docentes respondem aos desafios procurando realizar trabalho de qualidade que contribua para um ensino de excelência. Bolonha trouxe um novo paradigma às universidades e pode mesmo argumentar-se que a redução das licenciaturas para três anos foi meramente por questões de poupança económica, uma vez que a partir daí são os próprios estudantes que têm de pagar, na íntegra, os custos da sua formação, deixando de haver responsabilidades de financiamentos estatais. Mas, mesmo assim, o que se tem ob-

A crise e o ensino superior servado é uma contínua diminuição do financiamento estatal, ano após ano. Mas que funções têm as universidades perante a sociedade? Elas contribuem para a formação de recursos humanos qualificados em todas as áreas, sendo importantes para o desenvolvimento dos países. A quase totalidade do conhecimento criado, técnico, científico e cultural, é aí criado. Por outro lado, a forma de funcionamento das universidades públicas obriga a uma gestão muito eficiente dos recursos disponíveis, que deve ser transparente, e é sempre auditada, gerando receitas próprias que, em muitos casos, é já superior à verba do financiamento do Estado. Relativamente à investigação, esta é, em grande parte, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), ainda que haja outras fontes possíveis e, também aqui, dados os cortes constantes, se caminha para a rutura completa. A preparação de projectos a concursos financiados pela FCT tem suportado o desenvolvimento científico e tecnológico e a possibilidade de formação de mais pessoas qualificadas com o grau de mestre e de doutoramento. Tudo isso está em vias de acabar já que, sem financiamento, não há investigação e os docentes do ensino superior são avaliados pela qualidade da sua investigação. Não podendo realizar trabalho de investigação, deixam de estar a par dos colegas dos outros países. Poder-se-ia dizer que a investigação científica deveria ser coordenada com o tecido empresarial/industrial nacional para conseguir encontrar outras formas de financiamento, à semelhança do que se faz, por exemplo, no Reino Unido. Mas a grande diferença entre estes dois países está na quase

inexistência de indústria de monta em Portugal, capaz de suportar modelos de investigação como a reserva de parte dos seus lucros para aquelas actividades. Já para não falar que a crise instaurada está também a afectar a sua capacidade produtiva… No passado dia 9 de Novembro, foi feita uma comunicação ao país pelos reitores pertencentes ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) avisando para os perigos de um corte de cerca de 9,4% previsto no Orçamento de Estado 2013. Entre 2005 e 2012, a redução do financiamento público foi já de 144 milhões de euros e atingirá 200 milhões a manter-se aquela proposta de OE2013, ou seja, representa quase 39% do que já foi reduzido naqueles anos. Nesta comunicação, os reitores avisam para os riscos de não haver verbas para pagar aos seus funcionários durante o ano de 2013. Diversas escolas de ensino superior têm desligado aquecimentos e muitos equipamentos para poderem cortar nas suas despesas – por exemplo, o Instituto Superior Técnico encerrou completamente as suas portas durante duas semanas em Agosto. Neste momento, a resposta encontrada para aqueles cortes previstos no OE2013 para as universidades parece ser através da retirada de verbas ao ensino básico e secundário. O que é que isto quer dizer? Que se está a fazer mais do mesmo, tapando a cabeça, destapando as pernas. A maior fonte de riqueza de um país é através da educação, seja ela superior, secundária ou básica, como um todo. A sua destruição nunca deveria estar em cima da mesa, como parece estar. Uma educação bem estruturada torna o país mais forte e capaz de responder a todos os desafios, mas é algo que só traz mais-valias ao fim de algumas, poucas, décadas. Está na hora de realizar este investimento. Já se perdeu demasiado tempo.

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PORTELA CULTURA Filipa Assunção

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oi numa garagem da Portela que, em meados de 2010, um grupo de jovens percebeu que o seu sonho podia tornar-se real. Os Zepher nascem da partilha do mesmo amor à música e do desejo de compor temas originais, aliados a uma enorme vontade de dar a conhecer o seu estado de espírito. O nome tem origem na adaptação da palavra «Zephyr» associada à calma, à brisa e à harmonia com que o grupo se pretende caracterizar. Deram-se a conhecer pela primeira vez no evento Portela Summer Fest, organizado pela AMP, em Setembro do ano passado. Confessam que «O primeiro concerto marca sempre. Foi bom termos tocado em casa na nossa primeira actuação, porque tínhamos os nossos amigos e familiares connosco sempre a apoiar-nos. Começámos logo lá em cima, porque tivemos muita sorte de ter sido aqui, com tão boa organização e material técnico». O grande objectivo do grupo (na altura ainda constituído por 5 elementos) era o de formar uma banda consistente, tal como sempre tinham sonhado. Foram passando por alguns proces-

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r e h p e Z Da garagem para os palcos sos de mudança, evoluindo cada vez mais, tanto no plano da qualidade técnica como no número de elementos, que trariam novos tons e mais brilho às suas músicas. Com a formação do grupo concluída, actualmente os Zepher são compostos por: Duarte Sampaio, Filipe Fernandes, Francisco Gonçalves, Joana Nunes, João Cunha, Pedro Neves e Zé Pedro. Com os contornos musicais a atingir os níveis que sempre tinham desejado, apostaram na criação de mais originais e foram surgindo algumas oportunidades de concertos, destacando-se um concerto de beneficência em Camarate e uma recente actuação na Universidade Lusíada. As estruturas estavam cada vez mais complexas e era visível uma notória evolução e maturidade, o que tornou possível o lançamento do single A meu lado, muito bem recebido pelo público, e tornando-se ainda num factor de motivação para que não

desistissem do projecto: «Andamos todos na faculdade e é difícil gerir sete vidas completamente diferentes, para podermos ensaiar todas as semanas.» O grupo revela-se no panorama musical com um género ainda um pouco indefinido, podendo ser considerada uma banda de pop/rock, que vai buscar algumas influências ao estilo urbano do hip-hop e à tranquilidade do Reggae, resultado da influência de cada um dos 7 elementos, que tenta trazer um pouco das suas raízes e vivências pessoais. Mais recentemente, a banda regressou às origens, tendo tocado nas Festas da Junta de Freguesia, nas quais voltaram a sentir o conforto e a proximidade do público: «A Junta de Freguesia e a AMP ajudaram-nos muito, tanto no primeiro como no último concerto que aqui demos. Temos de agradecer muito, porque numa altura em que se corta tanto na cultura, fazemos parte de uma freguesia que nos apoia tanto e que pretende dar a conhecer o que aqui se faz. » Futuramente irá ser lançado o primeiro CD, que estará disponível para download em: http://www.facebook. com/zephermusic A determinação, o companheirismo, a força de vontade e um infinito amor à música partilhado por todos são a chave fundamental para que este grupo de amigos nunca deixe de acreditar que é possível sair de uma pequena garagem, para os palcos do país.


PORTELA CULTURA

Leonor Noronha

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ímido e reservado é assim que se apresenta o Manuel Monteiro autor. Respostas curtas e pouco opinativas com receio de que as suas declarações venham a influenciar a opinião dos futuros leitores: «Há uma frase de Kubrick, da qual gosto muito, que diz que “O autor não devia dar uma opinião sobre a sua obra, porque essa opinião colar-se-ia à obra como única e que isso esvaziaria todas as infinitas possibilidades que as pessoas poderiam ter” e nesse sentido eu tenho muita dificuldade em falar sobre o meu livro.» O autor revelou-nos que o título da obra é inspirado numa frase da canção Disintegration, que traduziu para a revista cultural Alice, interpretada pela banda inglesa The Cure, que diz «The soft and the black and the velvety/ Up tight against the side of me» [NR: O suave e o negro e o aveludado/ arremessados compactamente contra o meu lado] e acrescenta que «escolhi este título porque se trata de um livro de contrastes, de tons suaves e de tons negros». «Acho que ele dá um excelente dramaturgo» Fernando Dacosta aceitou com muito gosto o convite do autor de O Suave e o Negro para apresentar o seu segundo romance. Dacosta considera que Manuel Monteiro

Um escritor portelense

«Trata-se de um livro de contrastes» O Suave e o Negro é o segundo romance de Manuel Monteiro, director da Portela Magazine. O lançamento do livro, publicado pela editora QuidNovi, ocorreu na Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa, e a apresentação esteve a cargo do escritor Fernando Dacosta. «tem um estilo muito próprio e essa é para mim a qualidade principal de um escritor, ser diferente, ser original. Ele tem essa originalidade. Agarrou-me muito pela temática e pelo diálogo, que é muito complicado, mas muito expressivo. Fiquei muito tocado pelo talento que o Manuel tem para diálogo. Acho que ele dá um excelente dramaturgo». Para Tiago Sousa Garcia, da QuidNovi, a publicação desta obra justifica-se porque: «Nós temos é de encontrar talentos novos como o Manuel Monteiro e trazê-los cá para fora, uma vez que é isso que dá continuidade à literatura. O livro do Manuel despertou-nos; trata-se de uma narrativa muito, muito interessante, mestre quase, e tornou-se óbvio que tínhamos de publicar. Se o Manuel continuar a

escrever com certeza que vamos continuar a publicá-lo.» Amizade e política, amizade e abuso: poderão elas conviver numa relação? «Alexandre meteu-se na política porque acreditava que podia mudar o mundo e salvar todos os infelizes que se cruzavam com ele» é o que podemos ler na contracapa de O Suave e o Negro. Este é o ponto de partida para a trama imaginada por Manuel Monteiro; nesta luta pelos seus ideiais Alexandre conhece José, músico, com quem desenvolve uma amizade doentia suportada por um misto de culpa e compaixão. Até que ponto uma amizade pode ser destrutiva? Ou tornar-se num vício? Para isso, há que ler este romance e deixar-se levar pelas palavras do autor.

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LOJAS SOLIDÁRIAS

Solidário

o ano inteiro

Habitualmente, o sentimento solidário cresce na época natalícia. Aumentam as campanhas de ajuda a várias instituições e a compaixão desperta no ser humano. No entanto, quem precisa, precisa durante o ano inteiro. As Lojas Solidárias do concelho de Loures tentam satisfazer as carências dos bens de primeira necessidade de cada vez mais famílias atingidas pela situação socioeconómica do país. Mas também elas necessitam de ser abastecidas quer por particulares, quer por empresas. Eva Falcão

A

s Lojas Solidárias de Loures são estruturas que gerem os bens doados por particulares ou por empresas e são uma resposta social desenvolvida pelo município em parceria com as juntas de freguesias e as instituições sociais. «Nós elegemos para o actual mandato, que teve início em Novembro de 2009, a área social como uma das áreas prioritárias de intervenção. Daí, sob o slogan “Mais Social” temos vindo a pôr em prática um conjunto de projectos e as Lojas Solidárias aparecem como uma resposta às famílias que são acompanhadas no âmbito do atendimento integrado num atendimento de melhor qualidade, mais centralizado rentabilizando os recursos técnicos existentes», explica Sónia Paixão, vereadora responsável pelo departamento de Coesão Social e Habitação da Câmara Municipal de Loures. Além das famílias com baixos rendimentos (incluindo os beneficiários do Rendimento Social de Inserção) encaminhadas pelos técnicos do Atendimento Integrado ou por outros parceiros da Rede Social de Loures, podem aceder às Lojas Solidárias pessoas em

situação de desemprego prolongado, doença, abandono, separação, vítimas de violência doméstica, idosos com fracos recursos económicos, crianças e jovens com necessidades básicas de subsistência. «Sabemos que ligada à problemática do desemprego está a escassez dos recursos financeiros e a impossibilidade das famílias, por si só, conseguirem fazer face às suas despesas fixas. Fica muito menos para a questão da alimentação. Mas quando falamos de Lojas Solidárias estamos a falar num princípio que é o da dignidade da pessoa humana e que está subjacente nestes espaços. As pessoas têm ideia de que vão mesmo a uma loja», continua a vereadora. Nas Lojas Solidárias, além dos géneros alimentares pode encontrar-se roupa, calçado, artigos de puericultura, alguns equipamentos domésticos, livros, etc. Actualmente, são já 450 as famílias que usufruem das três Lojas Solidárias do concelho. A primeira Loja Solidária de Loures abriu em Dezembro de 2010 num espaço da Casa da Cultura de Sacavém e encontra-se integralmente sob a gestão do município. A de Moscavide abriu em Setembro de 2011 numa loja do Mercado Municipal e resulta de uma parceria entre a câmara e a Junta de

Atendimento Integrado

Freguesia de Moscavide. Na gestão da loja de Camarate, estão envolvidas a Junta de Freguesia de Camarate e uma IPSS local tendo todas elas a mesma filosofia. Alimentar estas lojas As Lojas Solidárias são alimentadas fundamentalmente pelas campanhas de solidariedade que se têm levado a cabo. São calendarizadas duas campanhas ao ano à semelhança do que faz o Banco Alimentar, mas desfasadas destas. «Há uma adesão bastante grande por parte dos munícipes. Em cada campanha realizada, aumentamos sempre os nossos números o que revela que os nossos munícipes são solidários e estão despertos para a causa», confirma Sónia Paixão, que sublinha «já conseguimos acreditar o projecto. Vamos devidamente identificados como Câmara Municipal de Loures através do nosso banco de voluntariado e explicamos sempre do que é que se trata e porque estamos a fazer aquelas campanhas. O que é certo é que, de uma campanha para outra, o espírito de solidariedade tem vindo a aumentar». O receio de que a crise viesse intervir nas dádivas dissipou-se na recolha de Abril. «Estávamos um pouco reticentes: será

Para a melhoria da qualidade do atendimento e do acompanhamento prestado às famílias em situações de risco ou de exclusão social, o Instituto da Segurança Social, a Câmara Municipal de Loures, as juntas de freguesia e as instituições de solidariedade locais implementaram um programa de Atendimento Integrado (AI), que se constitui como um serviço de grande proximidade às pessoas. A metodologia adoptada permite o acompanhamento das famílias nas suas múltiplas problemáticas. Através de um «gestor de caso», a quem compete delinear uma estratégia de intervenção concertada que possa minimizar os problemas de cada um dos membros da família, é possível encontrar respostas globais, diminuir os tempos dessas respostas e qualificar a intervenção. «Porque ao invés das famílias terem que estar a contar a sua história aos vários técnicos das várias instituições por onde têm de passar naquele caso em concreto, está tudo centralizado num único que se chama gestor de caso que põe todas as áreas em funcionamento», explica Sónia Paixão. «É um dos bons exemplos do que é trabalhar em parceria. Já tínhamos um excelente conhecimento da realidade, por isso delineámos este atendimento e um conjunto de respostas que pudessem ir ao encontro das necessidades das pessoas carenciadas no concelho.» O atendimento integrado é feito por onze técnicas da câmara juntamente com algumas técnicas de juntas de freguesia e de instituições intervenientes no projecto.

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Movimento Desperdício Zero

Em Abril do corrente ano, a Câmara Municipal de Loures celebrou um protocolo com a Associação Dar e Acordar, entidade relacionada com o movimento Desperdício Zero no qual estão envolvidos dez estabelecimentos comerciais do grupo Jerónimo Martins. Estes estabelecimentos aceitaram doar os seus desperdícios, ou seja, alimentos que foram confeccionados, não foram vendidos e que, ao fim do dia, têm de ser recolhidos pois não podem voltar a ser postos à venda no dia seguinte. Um projecto feito na base do voluntariado já que são os próprios trabalhadores das IPSS às quais os mais carenciados recorrem em busca de alimentação que vão às superfícies comerciais fora do horário de serviço buscar estes alimentos dos quais já beneficiam diariamente ou semanalmente cerca de 400 famílias. «Só em dimensão estamos perto das catorze toneladas de alimentos entre Maio, Junho e Julho passados, num valor de quase 24 mil euros. Falamos de coisas que iam para o lixo e que entraram em casa de 392 famílias», adianta Sónia Paixão. Tal como as autarquias, as Instituições Particulares de Solidariedade Social têm um conhecimento aprofundado da realidade. É também a elas que as famílias recorrem para pedir ajuda nas mais variadas vertentes entre as quais a alimentação.

que vai ter o mesmo impacto das edições anteriores? Será que as pessoas por causa da crise vão ficar um pouco resguardadas e não querem colaborar tanto? Muito pelo contrário, o espírito é de dar e pensar se um dia não sou eu que vou precisar.» Existe, ainda, uma estratégia de marketing para com algumas das empresas do concelho às quais a autarquia tem feito pedidos pontuais. «Atendendo às dimensões do concelho, temos tido empresas que têm uma costela solidária mais acentuada e que têm dado mais alguns contributos.» Internamente, por parte dos funcionários da própria autarquia existe também alguma colaboração. «Temos feito campanhas de bens alimentares e de produtos de higiene que umas vezes têm maior número de bens doados do que outras, mas sabemos que a vida dos nossos trabalhadores não está fácil, estando a função pública a ser o principal alvo dos cortes.» Os particulares que estejam interessados podem ir a qualquer uma destas lojas levar os bens que pretendam doar. Existe um horário de funcionamento para cada uma delas, mas os munícipes que não possam fazê-lo por incompatibilidade podem deixá-los nas instalações da Junta de Freguesia correspondente que, sendo parceira desta dinâmica, contacta com a câmara para que os vá buscar. «Não queremos que haja qualquer obstáculo para a concretização da dádiva e muitas vezes as pessoas não têm horários compatíveis com os das lojas.» Mobiliário e electrodomésticos são igualmente bem recebidos. «Há sempre famílias a precisarem, ou porque ficaram sem nada fruto de incêndios, ou mulheres vítimas de violência doméstica que têm que começar a vida do nada.» E a autarquia tem sempre forma de os ir buscar e fazer chegar ao destinatário. Novos ou usados, as Lojas Solidárias providenciam aos seus utentes roupa, calçado, brinquedos, livros, material didático, artigos de puericultura e de higiene pessoal e bens alimentares. Neste momento, precisam de ser reabastecidas de fraldas quer de criança, quer de adulto, roupa e produtos de higiene

pessoal (como gel de banho, champôs, pasta e escovas de dentes, sabonetes, espuma de barbear, lâminas de barbear, desodorizantes, algodão, cotonetes, toalhitas húmidas para bebé, cremes hidratantes para bebé, cremes hidratantes para adultos, papel higiénico, etc). Por isso a AMP está a levar a cabo uma campanha de recolha destes mesmos bens até ao próximo dia 4 de Janeiro de 2013. Alteração do utente tipo Só no segundo trimestre de 2012 foram en-

Contactos

Atendimento Social Integrado Portela - Junta de Freguesia 2.ª e 4.ª Quarta-feira de cada mês 9h30 – 12h30 Marcações: 219 446 417 Neste link tem os contactos das 18 freguesias http://www.cm-loures.pt/doc/AIntegrado.pdf Lojas Solidárias de Loures – Camarate, Moscavide, Sacavém, Para ter acesso ou doar bens, contacte: Departamento de Coesão Social e Habitação 211 150 792 disps@cm-loures.pt Loja Solidária de Sacavém Casa da Cultura de Sacavém Urbanização Municipal Terraços da Ponte, Parcela P 2685 Sacavém 211 150 114 lojasolidaria_sacavem@cm-loures.pt Loja Solidária de Moscavide Mercado Municipal Casal dos Marcos 1885 Moscavide 219 458 670/9 geral@jf-moscavide.pt Loja Solidária de Camarate Rua Manuel João dos Santos, 16 C 2690-107 Camarate 219 473 085 freguesiamaissolidaria@gmail.com

caminhadas para a Loja Solidária de Sacavém 212 famílias. Números preocupantes para a autarquia. O utente tipo de acção social alterou-se substancialmente. «O utente tipo não é o mesmo que era há dois, três anos atrás. As dificuldades estão a chegar à classe média que neste momento fica desempregada, que ainda consegue pagar todas as despesas fixas, mas depois não tem dinheiro para comer.» No entanto, Sónia Paixão tem uma preocupação acrescida: «A alimentação que nós conseguimos proporcionar naturalmente que não é a melhor nem a mais diversificada. Acima de tudo não é suficiente. Estas famílias não vivem só de salsinhas e atum e, em termos alimentícios, é o que temos para oferecer. Espero que do pouco dinheiro que consigam ter na sua gestão familiar ainda lhes sobre qualquer coisa para irem comprar carne e peixe». E, por isso, Sónia Paixão espera que não haja muitas famílias a dependerem em exclusivo das lojas solidárias. É que a filosofia das Lojas Solidárias é a de que não sejam uma solução ad eternum, mas apenas um apoio temporário até que as famílias consigam reequilibrar o seu rendimento. No entanto, «temos famílias que, já com alguma idade, os nossos seniores de 70, 80 anos, cuja perspectiva de melhoria de rendimento praticamente não existe (e ao contrário de aumentar, está a diminuir) usufruíram da Loja Solidária durante, por exemplo, seis meses. Não lhes podemos dizer que já não podem usufruir mais. Sabemos que estas famílias infelizmente não vão conseguir inverter o ciclo que estamos a atravessar». Por ser autarca e pela proximidade com os munícipes que o próprio cargo lhe confere, Sónia Paixão tem conhecimento dos casos reais na primeira pessoa. «Ainda na semana passada, tive a oportunidade de contactar com um casal de idosos que paga a renda da casa, a água e a electricidade. Não tem despesas que podemos considerar como secundárias e cujo pequeno-almoço são três bolachas Maria e água.» A vereadora defende a necessidade de não se restringirem, como está a acontecer, as políticas sociais que já estavam em vigor.

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O mrpp na adolescência ENTREVISTA

Fui militante do MRPP na minha adolescência, era uma estudante radicalizada. Claro que há sempre uma questão de fundo: a luta pela justiça, o desejo de uma sociedade mais justa – o que afinal, não é uma herança MRPP. Depois há o desmistificar da história. Recomendo um belo filme sobre o ridículo da militância maoista, como foi a minha: La Chinoise de Godard.

Maria José Morgado é um dos rostos mais mediáticos do combate à corrupção em Portugal. Conhecida por quem trabalha consigo pela sua energia inesgotável, dedica-se a este causa dia e noite. De tal modo, que a entrevista foi concedida num domingo. Manuel Monteiro

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ideia de que os corruptos raríssimas vezes são julgados e condenados em Portugal vai-se disseminando pela sociedade. É uma percepção correcta ou distorcida em seu entender? Estando do lado do combate à corrupção, sente que há poucos meios em Portugal para travar essa luta? A percepção da impunidade é um fenómeno diferente da verdadeira impunidade. Seja como for, os níveis de acusação e de condenação dos autores de corrupção são notoriamente inferiores à realidade conhecida. Eu diria que os Tribunais e o MP [Ministério Público] ainda não conseguiram criar um risco sério para os autores da corrupção e das actividades análogas. O que é um falhanço da justiça penal. As pessoas têm uma sensação generalizada de impunidade dos ricos, dos conhecidos e dos poderosos. Que a justiça penal não é igual para todos. Concorda? É um facto. A justiça penal é feita de

leis e de homens e mulheres que a aplicam, de advogados que influenciam a marcha dos processos… Preferia dizer que o mais importante «é que a justiça não seja fraca com os fortes nem forte com os fracos». Nem sempre o consegue. Outra ideia que tem vindo a galopar na sociedade portuguesa é a de que os políticos não são honestos. Pensa que esta visão da classe política pode minar a democracia? O que se pode fazer para inverter esta visão? A democracia está notoriamente em crise. Uma das consequências é o desvio das exigências populares para os tribunais e não para os políticos. Aí, os tribunais falham, porque a sua vocação não é a de fazer «revoluções», mas a de resolver os problemas das pessoas e das empresas aplicando a lei com equidade e rapidez. Não há varinhas mágicas na justiça. Tem de haver trabalho, trabalho e mais trabalho. Todos os dias se recomeça do nada. A punição dos crimes informáticos, nomeadamente as constantes violações dos direitos de autor, parece

não ter o efeito desejado. Há cerca de 2000 queixas arquivadas. São também frequentes os ataques à integridade pessoal na blogosfera, a utilização de citações com nomes trocados e os vídeos de divulgação da intimidade sexual de outras pessoas. Este paradigma pode mudar? Como? Há uma dificuldade pericial em apanhar os seus autores? O principal problema entre nós é que enquanto o crime usa as tecnologias de informação para as suas actividades lesivas dos direitos das pessoas, a justiça penal não usa as mesmas tecnologias de informação para combater e prevenir o crime. Estamos assim a combater cibercriminalidade com fisgas, o que é caricato. O MP não tem recursos periciais informáticos, o que é impensável. Continuamos nas questões prévias. Depois há as outras. A cibercriminalidade ou os crimes praticados através da Internet revelam uma tendência de aumento exponencial, são muito voláteis, dificultam a recolha da prova da autoria, dado o anonimato das comunicações, a velocidade, a globalização dos comportamentos. É o maior desafio da justiça no século XXI. Afirmou recentemente que «a cri-

Dedicação ao trabalho

Não faço a mínima ideia dos meus horários. Gosto de madrugar, de disciplina férrea, de trabalhar, de alguma dureza de vida, são feitios. De responder a entrevistas ao domingo à tarde. O meu marido adorava trabalhar ao domingo, achava que não devíamos acumular muitos dias seguidos de descanso… era ele um hedonista.

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«Os crimes praticados através da Internet são o maior desafio da justiça no século XXI» se cria riscos corruptíveis sérios». Acha que a crise potencia a fraude e o esquema? Refere-se concretamente a quê? A crise aumenta a economia paralela, a evasão fiscal, o branqueamento de capitais e com isso inevitavelmente a corrupção que é instrumental destes fenómenos criminais. A crise é também crise da justiça, o que potencia a impunidade e as cifras negras do crime organizado, nele incluindo a corrupção. A crise do Estado de Direito nunca foi boa conselheira, como qualquer pessoa pode compreender. A criminalidade parece ser hoje mais violenta. Mata-se para roubar e a imprensa noticia mortes por encomenda a troco de centenas de euros. Isto não acontecia antes com esta frequência? A percepção da violência está muito mediatizada, o que dramatiza a sua própria natureza. Temos uma violência própria da nossa época. Ela surge entrelaçada com fenómenos de criminalidade altamente organizada, mas também pode surgir em redes sociais de forma insidiosa. É uma arma com fins diversos. Assistimos também a um aumento da violência gratuita, tipo Laranja Mecânica, com os jovens a torturar jovens, por exemplo queimando-lhes cigarros no corpo, pelo simples exercício da violência per se. O crescimento dos gangues juvenis aumentou 400% em sete anos, há jovens que vão armados para as escolas e o fenómeno do bullying faz cada vez mais vítimas. A que se deve? Devemos temer uma certa brasileirização da sociedade portuguesa? O culto da violência juvenil é um acontecimento oriundo da desagre-

gação familiar, da crise económica e de valores, do desemprego. Tem aí a raiz do mal. As redes sociais reforçam a capacidade e os currículos de violência procurados pelos jovens marginais, criam excitação na divulgação e acumulam ainda mais agressividade. É um fenómeno comum em toda a Europa. Concorda com o limite legal dos 16 anos para a imputabilidade penal? Considera que as prisões portuguesas exercem, grosso modo, a sua missão regeneradora? Faltam psiquiatras e psicólogos nas cadeias portuguesas? Concordo. A missão regeneradora é um mito. A estatística da reincidência demonstra-o bem. Se não é possível arranjar emprego, nem ocupação social, não é possível nada. A delinquência instala-se como um modo de vida. A psicologia é ineficaz nestes cenários. Se por um lado, assistimos ao aumento e à sofisticação da criminalidade, por outro vão aumentando as críticas quanto ao torpediar dos direitos, liberdade e garantias. Ainda na recente manifestação da CGTP, a Amnistia Internacional criticou as irregularidades na actuação da polícia. Numa época de crise, é mais fácil mutilarem-se os direitos, liberdade e garantias do cidadão?

Não há direitos absolutos. A liberdade só existe se for limitada, se cada um de nós renunciar a uma parte da sua liberdade para ser verdadeiramente livre. É essa a lição do 11 de Setembro. Para defender os direitos, liberdades e garantias, temos de os limitar em nome da paz pública e da protecção de todos. Concorda com a fiscalização do financiamento dos partidos políticos? O que acha da tentativa de incriminação do enriquecimento ilícito dos titulares de cargos públicos? Concordo. A incriminação do enriquecimento ilícito é a quimioterapia de que precisamos para curar a doença grave e crónica. Não podemos proteger fortunas privadas feitas com dinheiros públicos. Há uma recomendação sobre esta incriminação na Convenção da ONU Contra A Corrupção, que até foi ratificada por Portugal. O que pensa da ideia de transpor uma directiva comunitária que obriga à publicitação dos condenados por abusos sexuais de menores? A ministra da Justiça afirmou numa entrevista que não a repugna nada a castração química dos pedófilos se a pedido dos próprios. Veria nesta medida uma necessidade ou um retrocesso à barbárie? Não sei, acho que devemos evitar políticas criminais sentimentais ou feitas de emoção. Podem ser perigosas. É público que gosta de andar de transportes públicos. Não tem receio? Andar de transportes públicos é bom. Faz bem à saúde porque se anda mais a pé, e faz bem à cabeça porque conhecemos como vivem as pessoas. É um bom hábito.

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Fotografia: Bonifácio Peter da Silva

ENTREVISTA

António Antunes, mais conhecido por António, é o melhor e mais conhecido cartunista português. Começou a sua carreira no República. Mantém uma relação de três décadas de colaboração assídua com o Expresso. As suas quarenta e nove caricaturas inscritas na estação de metro do Aeroporto são uma das mais bem conseguidas intervenções artísticas no espaço público português. Manuel Monteiro Como surgiu o projecto de caricaturar 50 figuras portuguesas em 49 desenhos [Gago Coutinho e Sacadural Cabral estão num só desenho] na estação de metro do Aeroporto? Foi uma proposta minha que foi aceite e que se foi desenvolvendo com o tempo e que passou por três administrações diferentes. Na altura em que o projecto arrancou [o projecto começou em 2005], ainda não havia projecto de arquitectura e portanto foi preciso encaixar uma coisa na outra, e ter em conta os espaço comerciais e os espaços de intervenção artística. Quais foram os critérios que presidiram à escolha das 50 figuras? Os critérios são sempre discutíveis. O que se tentou foi abarcar um pouco da vida portuguesa em várias áreas, na literatura, pintura, ciência, política, no teatro, na música clássica, na música ligeira. Nunca duas pessoas estarão de acordo. Eu próprio acho que deveriam estar mais dois ou três que não estão. Considera este um dos seus mais importantes projectos? A estação do Aeroporto não é uma

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estação qualquer. É uma porta de entrada do país. Por outro lado, acho que é importante para a caricatura portuguesa. É lhe dada um lugar de destaque. A caricatura ainda está um pouco no gueto e era importante que em Portugal se desse o pontapé de saída. Quer os Lisboetas quer os visitantes gostaram. Está no Expresso há três décadas. Tem sido um casamento sem sobressaltos? Teve alguns, mas é uma relação muito sólida. Houve uma altura no final dos anos setenta, princípio dos anos oitenta, em que saí em litígio com o jornal. Foi numa altura em que houve uma desvalorização dos salários pela inflação. É uma relação muito estável que passou por Governos mais à esquerda, mais à direita. Eu assino, tenho o peso da assinatura e sou res-

ponsável por aquilo que faço. A sensação que se tem é a de que o cartune enfraqueceu em Portugal. Recentemente, o celebrado Cid anunciou que deixaria o cartune. Há uma falta de renovação do cartune no nosso país. Concorda com esta afirmação? Estamos pior, o Cid viu-se obrigado a deixar o cartune. Entretanto, o António Jorge Gonçalves, que é relativamente jovem, fazia parte dessa renovação, desenhava no Inimigo Público, que ao que parece vai acabar. A Cristina Sampaio já teve muito mais espaço do que tem hoje, o Fazenda foi-se embora. Resta o Carrilho que vai tendo o seu espaço... Em relação ao humor inteligente e interventivo, considera que há renovação? Tem havido algumas coisas, os Gato

A experiência com a televisão

É curioso que o grande órgão de comunicação de massas que é a televisão teve várias tentativas com o cartune e todas correram mal em Portugal. Há uma sensibilidade terrível. Tive experiências com a RTP, a TVI e mais recentemente com a SIC com o Carrilho, a Cristina Sampaio e o Fazenda. No meu caso, chegou a acontecer que o desenho ficou fechado no armário e ninguém tinha a chave e depois não foi publicado e, portanto, chegámos todos à conclusão de que não vale a pena.


«Prefiro o excesso de liberdade à ausência de liberdade» Fedorento, nomeadamente o Ricardo Araújo Pereira [RAP]. Houve um ciclo do Herman José que se esgotou, era um tipo talentoso que se eclipsou. Na rádio e na televisão, acho que não estamos pior. Temos a Maria Rueff, o Bruno Nogueira, tem havido renovação. O RAP tem um humor com conteúdo político, há outros que não. Eu lembro-me daquela coisa genial do aborto em que alguém de uma forma cruel e muito inteligente atropelou o Marcelo Rebelo de Sousa com o seu próprio discurso. As reacções violentas na sequência da publicação dos cartunes na Dinamarca fazem-nos pensar que estes podem interferir no rumo da sociedade? Acabam por fazer mossa. Aconteceu no tempo de Nixon. Eu prefiro o excesso de liberdade à ausência de liberdade. Mesmo não concordando, acho muito bem que se façam cartunes de Maomé, Jesus Cristo, Hitler, do que se quiser. Depois, há tribunais para resolver os excessos e abusos. A onda de choque dos cartunes da Dinamarca foi completamente artificial, aparece seis meses após a sua publicação, não tem nada de espontâneo, é completamente fabricado. Em países de grandes tiragens, ou em países como os EUA em que os autores publicam o mesmo desenho em várias publicações, pode acontecer. O seu cartune do Papa João Paulo II com o preservativo no nariz foi o que até hoje suscitou maior polémica. Voltaria a ele com a mesma acutilância? Voltaria. A Igreja começa a caminhar no sentido de se tornar mais

tolerante, ainda cheias de mas e de ses, mas vai ter de lá chegar porque a Igreja está desfasada do tempo, da vida, da realidade. Em relação àquele cartune, é tudo muito claro. Eu tinha razão porque eu estava com o meu tempo, com as preocupações das pessoas e sensível às mortes causadas nomeadamente pela sida, e do outro lado estava uma organização fechada sobre si própria, autista, dogmática. Que conselhos daria a quem lhe dissesse que pretendia seguir o ofício de cartunista? Houve um tempo forte do cartune na Primeira República, depois o Estado Novo acabou com isso tudo e depois foi necessário refazer tudo. Hoje, o cartunista deve ter outros meios de subsistência porque a situação além do mais na imprensa é má. O enquadramento económico é muito mau. Os jornais ou não compram ou compram muito barato ou compram coisas que são publicadas noutros lados e

chegam aqui em segunda mão muito mais baratos. A crise do cartune não é só aqui, é internacional, e é muito à base da Internet e do computador. O computador é uma máquina extraordinária, mas eu sempre tratei os computadores por você. É uma questão geracional. Gosto de sujar as mãos, gosto sensorialmente do papel. Tem mantido boas relações de intercâmbio cultural com o Brasil. Os assuntos portugueses despertam curiosidade no Brasil? Eu movo-me num Brasil muito especial, que não é o Brasil do homem de rua. Há muitos brasis. Em geral, penso que não se interessam especialmente por Portugal. Por outro lado, eles são muito americanos, americanos no sentido da América Latina, e com uma inspiração muito forte da América do Norte. As pessoas que têm algum poder de compra começam a perceber que Portugal também é Europa. A Expo 98 foi importante para isso. A culpa também é muito nossa, porque nós não divulgámos bem a nossa modernidade. Mas ainda há a cultura de cliché, da anedota do português. Há uns anos, eu era o alvo das anedotas enquanto o português no meio do jornalismo. É precisa uma certa insensibilidade à susceptibilidade do visado para se fazer humor livremente? O cartune interessa-me no plano das ideias. Não o ataque pessoal só porque sim. No plano das ideias, sim. As pessoas são portadoras de ideias e é nesse ponto que devem ser atacadas, digamos. Pegar num ponto da realidade, exagerá-lo, ampliá-lo e se possível bater onde dói.

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OPINIÃO

Eu bebo, sim O grande desafio é manter-se sóbrio enquanto bêbado José Alberto Braga

B

eber ou não beber, eis a questão, prosaica ou hamletiana, a depender das papilas gustativas e do cérebro de cada um. Naveguemos então, não nas águas, mas no álcool em questão. Sir Winston Churchill, figura decisiva na derrota do mauzão Adolf Hitler, bebia para lá de Bagdad. Sobejamente conhecido é o caso de John Wayne, que, apesar da interminável quantidade de litros de bourbon, continuou a ser escalado por John Ford para empurrar os índios para debaixo das legendas dos filmes. Apesar de ser da turma do funil, o também actor Richard Burton não deixou de interpretar Shakespeare (segundo dizem, melhor até do que Laurence Olivier). Quem diria, Richard Milhous Nixon também era da turma da pesada e, literalmente, chegou a tomar um porre federal antes de se demitir da presidência dos EUA (foi Kissinger quem delatou). E há o poetinha Vinícius de Morais, o homem que dizia «não é o cão, mas, sim, o uísque o melhor amigo do homem». A propósito, esta eu vi. Certo dia, escalado para uma conferência no Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, Vinícius chegou e logo colocou os pontos nos is: «Só falo se puserem duas garrafas de uísque na minha frente.» Veio o precioso néctar e o bardo discorreu fácil sobre tudo e mais alguma coisa. Entretanto, entrou em campo Tom Jobim que,

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justificadamente, brindava, e muito, às suas músicas memoráveis que encantam os nossos ouvidos. Entre um copo e outro, ele dizia: «Viver em Nova Iorque é bom, mas é uma merda. Viver no Rio de Janeiro é uma merda, mas é bom!» Há cerca de duas décadas, o já então veterano Dorival Caymmi cantou em Lisboa, acompanhado de dois dos seus filhos não menos talentosos, Danilo e Nana. Depois da cantoria, sobrevivemos a uma grande jantarada, ilustrada pelo omnipresente embaixador José Aparecido de Oliveira. Depois da sobremesa, fomos apresentados a duas escocesas, garrafas, naturalmente. Nana, mais rápido do que o gatilho do John Wayne, disse: «Esta é minha, a outra é de vocês.» Leitores, eu vi: a moçoila enxugou a dita escocesa em menos de duas horas de paleio. Claro, nunca ouvi dizer que a vivíssima Nana, Maysa Matarazzo ou Dolores Duran tenham vozes imortais só por causa da bebida que lhes passou no gogó. Ou será que sim? Eu sei lá, já estou meio bêbado só por mergulhar no assunto. Como parte do elenco feminino do nosso tema, avulta a figura de Eneida de Moraes, uma brasileira que, se viva fosse, já estaria para lá dos cem anos. Jornalista e escritora, era uma das mais profundas conhecedoras do Carnaval brasileiro (ela foi homenageada pela Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, do Rio de Janeiro, em 1984, sob o tema do samba-enredo Eneida,

Amor e Fantasia). Certo dia, a jornalista e escritora Elsie Lessa (cronista e escritora, que viveu vários anos em Lisboa e faleceu em Cascais) perguntou a Eneida porque ela morava num «quarto e sala», quando tinha um amplo imóvel ao seu dispor. «Que é feito do seu lindo apartamento?», perguntou Elsie. Ao que Eneida respondeu: «Ah, como era bonito, sim. Mas aquele apartamento... eu bebi.» Curiosamente, a sede alcança espaços nunca dantes navegados; pior, chega a secar apartamentos... O tema é vasto, mas o espaço é pequeno para tanta bebida. Está na hora de lembrar a frase genial de Humphrey Bogart: «O problema da humanidade é estar sempre três uísques atrasada.» Ou cinco, como exige o humorista brasileiro Jaguar. Em Portugal, convivi com colegas jornalistas, bons de copo. O surrealista Mário Henrique-Leiria, com o qual trabalhei (ele editava e eu colaborava num suplemento de humor que saía no jornal “República”, do resistente jornalista Raul Rego), derrotava-me sempre na ginjinha. Bebida doce nunca foi o meu forte, mas nela, o autor de Contos do Gin Tonic era imbatível. Baptista-Bastos também «goelava» bem, mas, tanto quanto sei, aposentou o copo. Para mim, o mais engraçado era o Hélder Costa, actor e director d´A Barraca. «Vamos tomar um copo?», dizialhe eu. Ele olhava-me muito sério e perguntava:


«Que horas são?» «19.30, Hélder.» «Então, pode ser.» Perguntava sempre as horas, como se algum poder vigilante interferisse no pode ou não pode beber, antes ou depois de algum horário. Fossem as horas que fossem, o copo era garantido. Perguntar as horas era apenas uma mania irónica de dar a partida... Mas a história mais engraçada que eu conheço aconteceu com o jornalista português José Maria Rodrigues, no começo de vida profissional enquanto assessor do empresário teatral Vasco Morgado. Ele também era conhecido por fazer pequenos papéis no cinema português dos anos 50 do século passado (e assediar as coristas dos teatros de revista). José Maria aportou no Rio de Janeiro onde sobreviveu a trabalhar nos jornais do meio luso-brasileiro, nomeadamente a Voz de Portugal. Em Lisboa, ou no Rio, sempre foi um homem da noite e das luzes da ribalta. Numa noite de copos infindáveis, dois dos amigos de José Maria Rodrigues bebiam e esperavam a hora de pegar o avião para Lisboa. E resolveram pregar uma peça ao nosso jornalista. Passaram com ele na sua casa, pegaram o seu passaporte e... ala para Lisboa. O José Maria acordou de manhã num hotel num fim de piela de fazer gosto. Foi abrir a janela e... «Caramba, bebi tanto, que até parece que estou em Lisboa!» Ele estava realmente, graças a uma partida

inesquecível dos seus «amigos». Aliás, o compositor Joaquim Pimentel (autor de Só Nós Dois é Que Sabemos), vendo-o sempre na noite com o indefectível copo na mão, inspirou-se nele para fazer o fado Coitado do Zé Maria, que falava do autêntico buraco existente na alma do jornalista, que vivia no Brasil a pensar diariamente em Portugal. Pimentel disse-me que se arrependeu da autoria do fado tão realista. Mas já era tarde, a música entrara nos ouvidos do povo. Bem, perguntava eu no começo do texto. Beber ou não beber? De minha parte, eu bebo – ainda que inutilmente – para tentar chegar àquela maldita luz que antevejo no fim do túnel. O dia que conseguir chegar lá, eu juro que paro de beber. Chega. Está na hora de pedir a conta! Companheiro, de que é que estávamos mesmo a falar? PUB

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SAÚDE

Gelatina, a sobremesa saudável

Será que a gelatina é uma aliada das dietas? Terá a gelatina propriedades benéficas, ou não, para a saúde? Falámos com Patrícia Almeida Nunes, nutricionista, sobre este assunto e damos-lhe a resposta a estas e outras questões relacionadas com este alimento. Leonor Noronha

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resca, saborosa e doce, a gelatina está entre as sobremesas preferidas de quem quer fazer um plano alimentar para perder peso. Associada a alimentos de baixas calorias, sacia, muitas vezes, a gula dos mais gulosos evitando assim que ingiram chocolate, sobremesas ou outros doces. Mas se pensa que apenas quem faz dietas é que deve ingerir gelatina, desengane-se pois este alimento poderá ser benéfico para muitos. A verdade é que os benefícios deste alimento são mais do que aqueles que se possam imaginar. Daí termos consultado uma dietista, com experiência comprovada, para desmistificar os mistérios que existem por trás daquele pó mágico que se transforma num doce muito apreciado. A gelatina pura é «constituída essencialmente por proteínas (84 a 90%) e de fácil digestão. Contêm na sua composição 9 nove dos 10 aminoácidos essenciais, e 1 a 2% de sais minerais, sendo o resto água», explica Patrícia Almeida Nunes. Gelatina pura é aquela que se apresenta em folhas ou em pó e cujo valor calórico é baixo., Aalém desta característica muito vantajosa, é também «rica em proteínas, fornecendo cerca de 86 gr por 100 gr, é isenta de colesterol e de matéria gorda e tem apenas vestígios de hidratos de carbono e de aditivos». No entanto, é importante realçar que os preparados «à base de gelatina, que se encontram à venda

prontos a consumir em pequenas taças ou que necessitam de ser preparados com adição de água, têm características nutricionais diferentes das gelatinas “puras”: fornecem por cada 100 gr, menos proteínas (em média 9,3 gr) e são muito ricos em sacarose (açúcar, como fonte de hidratos de carbono)», esclarece a nutricionista. Contudo, já existem no mercado preparados menos calóricos e com menos açúcar (por terem edulcorantes), que fornecem igualmente menos proteínas. Benefícios e malefícios A gelatina tem duas origens: animal e vegetal. As primeiras são compostas por «gelatina pura proveniente dos tecidos dos mamíferos, que sofrem vários processos industriais para serem elaborados, aos quais se adiciona açúcar e alguns aditivos. Os preparados de origem vegetal, são constituídos por açúcar e por aditivos, entre eles os espessantes», explica a dietista. Este alimento é rico em colagénio, «pelo que pode

«Uma Especialista em Nutriçcão no Supermercado» Tem a certeza de que quando vai àás compras adquire os alimentos mais saudáveis? Compra produtos light/ diet com o objectivo de manter a linha? A verdade é que é muito importante atentar nos rótulos daquilo que compra, porque, muitas vezes, são enganadores e pode estar a fazer uma compra pouco aconselhável. Patrícia Almeida Nunes desmistifica estas e outras dúvidas neste guia prático de compras completo que será o seu maior aliado nas deslocações ao supermercado. A especialista analisou milhares de rótulos de diferentes produtos alimentícios e escreveu este guia que ajuda todos os consumidores a escolherem os produtos mais saudáveis para a saúde de cada um.

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contribuir para o crescimento e para o fortalecimento das unhas e dos cabelos»; no entanto, os «preparados à base de gelatina» fornecem menos proteína. Como já foi referido, muitas pessoas vêm na gelatina um substituto dos doces e sobremesas convencionais, o que poderá ser uma razão para que ingiram gelatina com maior frequência. Patrícia Almeida Nunes esclarece que «a gelatina pura é muito pouco calórica, um litro pode fornecer apenas 40 calorias e uma folha cerca de sete. Os preparados à base de gelatina (em pó ou prontos a consumir em taças/copos), que a maioria das pessoas apelida vulgarmente de gelatina, podem ser pouco calóricos se em vez de sacarose tiverem na lista de ingredientes edulcorantes em sua substituição (caso do maltitol, aspartame, acesulfame K), que se apresentam ao consumidor com a designação de «sem ou 0% de açúcar» e acrescenta que «os preparados ditos “normais” fornecem em média dois pacotes de açúcar por cada 100 g, o que equivale a um copo pequeno tipo iogurte sólido». A especialista conclui que «regra geral, a gelatina tem a vantagem de dar saciedade e é menos calórica do que as sobremesas tradicionais». Mas as qualidades deste alimento não se ficam por aqui, «a gelatina pura é importante para as dietas que necessitem de reforço proteico, podem ser utilizadas na hidratação, dão saciedade e têm pouco valor calórico. Os preparados, também podem ser utilizados na hidratação, mas são tradicionalmente uma fonte de açúcar simples – a sacarose». No entanto, não se pense que só há benefícios, «o seu consumo em excesso pode contribuir, entre outraos coisas, para o aumento de peso e para alterações glicémicas em diabéticos. As versões sem açúcar devem ser evitadas por doentes com fenilcetonuria».


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HUMOR

Hugo Rosa

Adios, adieu, auf wiedersehen, goodbye... Festival Eurovisão

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com enorme pesar que hoje falo sobre a renúncia de Portugal em participar no Festival Eurovisão da Canção 2013. Este era, a par com o Campeonato Mundial de Curling Feminino, o evento a não perder para o próximo ano. E, tal como no Curling, eu estava em pulgas para ver a sempre estrondosa participação Portuguesa. Mas quer o destino que assim não seja, sendo que neste caso o destino se chama RTP. A cadeia de televisão justificou a decisão com «a actual conjuntura orçamental, que não permite que se possam acumular eventos de monta», tendo de «optar por aqueles que tragam maior dignidade» aos cantores e sejam mais «abrangentes» em termos de público. Dignidade, dizem eles? Mas haverá algo mais digno do que 9 músicas no Top 10, em 45 participações? Haverá algo mais digno do que a nossa participação de 1997 na qual, em termos pontuais, seríamos apenas batidos pelo actual desempenho do Sporting no campeonato? Temos conceitos de dignidade muito diferentes, minha cara RTP. E desde quando é que a abrangência em termos de público é um critério? A RTP rejeita assim tão facilmente o público na faixa dos 65 – «ligados ao ventilador»? É preciso entender que este festival representa tradição em Portugal e as tradições, tal como as touradas de morte e a violência doméstica, têm um valor imensurável na progressão de uma sociedade que se quer moderna e vanguardista. Ao relegar esta participação, a RTP está também a negar aos músicos portugueses a hipótese de se mostrarem ao mundo. Não há maior montra para um músico do que o Festival Eurovisão da Canção. Basta pensar em todo o sucesso internacional que foi alcançado pelas Non Stop ou pela Célia Lawson. E como pretenderá a RTP preencher o vazio deixado na programação por este evento? Que irão fazer para nos mandar areia para os olhos? Mais uma edição do Prós e Contras? Mais uma edição de um espaço em que se reúnem alguns dos melhores profissionais de uma dada área para debater e discutir temas pertinentes e, às vezes, até de vital importância para Portugal? Suponho que a RTP esteja à espera que eu engula esta fachada de acesso à informação, num formato imparcial em que diferentes pontos de vista podem ser expostos em prol dos portugueses. A mim não me enganam! Despeço-me com um apelo à RTP: Não desistam de participar no Festival! Chamem a música, com essa lusitana paixão, como um conquistador. Minha querida RTP, não sejas má para mim.

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ACONTECEU NA AMP

Exposição de Pintura de Andreia Tourais

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esde o dia 30 de Novembro, que a AMP acolhe, no seu Centro de Actividades, a exposição de pintura de Andreia Tourais, uma jovem e promissora pintora Lisboeta. A exposição intitula-se As duas Paixões.

Concerto de Natal

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Portela Jovem em festa

ssociação dos Moradores da Portela, em parceria com a Polyphonia Scola Cantorum, realizou no dia 8 de Dezembro, pelas 21H30 um Concerto de Natal no Auditório da Paróquia de CristoRei da Portela que contou com a presença de inúmeros dos nossos associados.

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ntre estudo, testes e explicações, os jovens que frequentam o nosso Centro de Actividades celebraram duas ocasiões festivas num ambiente divertido e bemdisposto. No Halloween, houve tempo para máscaras, bruxas, abóboras, doçuras e travessuras. Já o são Martinho foi festejado com muitas castanhas assadas e quentinhas que animaram uma tarde de outono fresquinha.

Novo Site da AMP

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Site da AMP está em reestruturação, apresentando já um novo visual e organização, mais «limpo» e mais dinâmico. É já possível ir acompanhando as nossas equipas de futsal, conhecer os seus atletas e os resultados obtidos. Visite-nos em www.amportela.pt

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Venha Visitar-nos Estamos abertos todos dias das 8h30 às 20h00. 20 PGANESHA rtela HAIR SPA magazine

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Campanha de Solidariedade

Associação dos Moradores da Portela (AMP) e o Portela Wellness (PW) associaram-se neste ano às Lojas Solidárias da Câmara Municipal de Loures para uma campanha de Natal. Entre os dias 3 de Dezembro e o dia 4 de Janeiro estaremos a angariar bens, em especial roupas e produtos de higiene pessoal (inclusive fraldas) para crianças e adultos, para as Lojas Solidárias de Loures. A entrega dos bens recolhidos será realizada no dia 6 de Janei-

ro na Câmara Municipal de Loures que se encarregará posteriormente de os distribuir pelas lojas Solidárias de Moscavide, Sacavém e Camarate, de acordo com as necessidades. As lojas solidárias constituem uma nova resposta social que pretende minimizar os impactos do actual contexto socioeconómico do país nas famílias, satisfazendo carências de bens de primeira necessidade. Além das famílias com baixos rendimentos encaminhadas pelos técnicos do Atendimento Integrado ou por outros parceiros da Rede Social de Loures, podem aceder

às lojas solidárias pessoas em situação de desemprego prolongado, doença ou separação, vítimas de violência doméstica ou abandono, idosos com fracos recursos económicos e crianças e jovens que apresentem necessidades básicas de subsistência. Deste modo, pedimos a participação e divulgação de todos. É importante dar a quem menos tem, a entrega dos bens deverá ser efectuada no Centro de Actividades da AMP E desde já um muito obrigado em nome da Direção da AMP.

A Portela continua Solidária

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campanha do Banco Alimentar intitulada «Papel por Alimentos», à qual a AMP se associou, continua a ser desenvolvida com a preciosa colaboração dos nossos associados. Congratulamo-nos por ter conseguido fazer mais uma entrega de papel no Banco Alimentar, as quais totalizaram mais 400 kg os quais serão convertidos em alimentação para quem mais precisa. A campanha continua!

Portela Wellness Solidário

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ACONTECEU NA AMP

FLIC FLAC – O Espetáculo Gímnico

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ntre os dias 13 e 16 de Dezembro, no Multiusos de Odivelas, a Federação de Ginástica de Portugal apresentou um grande evento gímnico especial, nunca antes visto em Portugal. Dedicado ao tema Viagem, FLIC FLAC foi um espetáculo dedicado a todas as idades, um encontro mágico entre os ginastas das seleções nacionais de artística, rítmica, trampolins, acrobática e aeróbica e um grupo de bailarinos, músicos, artistas de circo e de parkour. Veja um pouco mais do evento no site Flic-Flac.

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m meados de Outubro, a empresa Cadeifoz (sede em Águeda) doou ao Portela Sábios 22 cadeiras que foram estufadas de novo. Estas mesmas cadeiras estão agora na nossa sala de convívio para todos os sábios e jovens que queiram usufruir do nosso espaço. Um obrigado especial a quem, mesmo em momento de crise, quer participar de forma voluntária neste nosso projecto que cresce de ano para ano. O início do ano lectivo 2012/2013 do Portela Sábios foi marcado, no dia 17 de Outubro, com a realização de jantar partilhado e entrega de diplomas aos nossos Sábios que nos honraram por terem frequentado o ano lectivo de 2011/2012 e contou com a presença dos nossos sábios e professores, de elementos da Direcção da AMP e ainda com a ilustre presença da Directora Distrital da Segurança Social, Dra. Susana Branco, bem como do Sr. Presidente da Câmara Municipal

de Loures e Reitor do Portela Sábios Eng.º Carlos Teixeira e a Senhora Vereadora, Dra. Sónia Paixão. Nesta cerimónia uma das nossas ilustres sábias, Maria do Carmo Carneiro ofertou à AMP um dos quadros que pintou na nossa aula de Artes, a quem muito agradecemos e que irá certamente embelezar o nosso Centro de Atividades.

Início do 4.º Ciclo de Palestras PORTELA SÁBIOS

D Acrobática AcroPortela

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ealizou-se entre os dias 15 e 17 de Dezembro, nas instalações da Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana em Paço de Arcos, o primeiro estágio de preparação da época desportiva da nossa classe AcroPortela.

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ando já início às habituais Palestras Portela Sábios, no dia 7 Novembro, pelas 18H30, realizou-se a primeira palestra do nosso 4.º Ciclo de Palestras, com a presença do Dr. Paulo Ferreira, dermatologista do Hospital Cuf Descobertas e colaborador da PSOPortugal, o qual nos veio falar sobre o Dia Mundial da Psoríase e as problemáticas relacionadas com esta doença.

Tertúlia «Alimentar o Ser»

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conteceram mais duas das já famosas Tertúlias «Alimentar o Ser», vamos já na 8.ª Tertúlia que neste ano lectivo passou a realizar-se nas instalações da Universidade Sénior - Portela Sábios da Associação dos Moradores da Portela. Estas tertúlias realizam-se uma vez por mês, fique atento à data da próxima e se estiver interessado e quiser juntar-se a nós é só… aparecer. Após as férias de Natal, a nossa Universidade Sénior – Portela Sábios retoma a sua atividade no dia 3 de Janeiro com mais novidades.


VAI ACONTECER NA PORTELA

Acrobática – AcroPortela

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os dias 9 e 10 de Fevereiro, a AcroPortela vai representar a AMP no Campeonato Distrital de Acrobática da Associação de Ginástica de Lisboa, que se irá realizar no Pavilhão Alto dos Moinhos, Catojal. Estaremos ainda presentes no 1.º torneio de Desenvolvimento de Acrobática, nos dias 23 e 24 de Fevereiro, novamente no Pavilhão do Catujal. Apareçam para apoiar os nossos jovens atletas.

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s Férias de Natal chegaram – As inscrições mantêm-se abertas e destinam-se a todos os jovens, quer os que estão connosco durante todo o ano no nosso Centro de Actividades para Jovens, quer para jovens que apenas se juntam a nós nos períodos de férias escolares. – Para mais informações, contactar a secretaria da AMP – telef. 21 9435114 ou 918552954, ou através de e-mail amportela.secretaria@ gmail.com ou portela.jovem@ gmail.com

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ontinuam abertas as INSCRIÇÕES DO PORTELA SÁBIOS e do PORTELA JOVEM para o ANO LECTIVO 2012-2013 e para as MODALIDADES DESPORTIVAS DA AMP – para mais informações contactar a secretaria da AMP – telef. 21 9435114 ou 918552954, ou através de e-mail amportela.secretaria@gmail.com ou portela.sabios@gmail.com ou portela.jovem@gmail.com Apareçam, colaborem e desfrutem da Vossa Associação!

Novos Protocolos

oi realizado um protocolo com as Clínicas ONE Dental and Facial Concept que irá beneficiar os nossos associados e funcionários e respectivos familiares em 1.º grau da seguinte forma: • Aplicar os preços descritos no Anexo «Tabela de Preços – Protocolo» nos tratamentos mencionados; • Desconto até 25% nos tratamentos não mencionados na referida tabela de preços; • As consultas e os tratamentos poderão ser realizados nas clínicas: ONE EXPO sita em Avenida D. João II, n.1.16.03 A, 1990-083 Lisboa, ONE SALDANHA sita em Avenida da Republica n.6, 1050-191 Lisboa, ONE SETUBAL sita em Avenida dos Combatentes da Grande Guerra n.11, 2900-329 Setúbal, em virtude das preferências do paciente. (Eventualmente, se necessário e de acordo com a complexidade do diagnóstico médico, alguns tratamentos estarão apenas disponíveis em clínica a designar.); • Formas de pagamento adaptadas às necessidades de cada paciente, tal como as distintas possibilidades que as clínicas ONE podem oferecer no seu programa de financiamentos e pagamentos fraccionados na ONE EASY; • Agendar consultas de reavaliação da saúde oral a cada seis meses; • As limpezas orais serão gratuitas, uma vez iniciado o tratamento prescrito pelo médico; • Prioridade no agendamento das consultas e tratamentos; • Realização de uma acção de rastreio anual, a efectuar nas instalações da AMP, em data a agendar entre as partes; • Oferta de um vale de desconto nos tratamentos a efectuar aos beneficiários que comparecerem ao rastreio anual, com prazo de validade de 3 meses; • Uma sessão de esclarecimento anual sobre saúde oral orientada para o público infantil/júnior e outra para o público sénior, a efectuar nas instalações da AMP, em datas a agendar entre as partes.

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Justiça para todos JUSTIÇA Eva Falcão com Carla Marques

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a edição anterior, abordámos duas formas mais céleres e menos dispendiosas de resolver litígios, a Mediação e os Julgados de Paz. Os Centros de Arbitragem são uma alternativa igualmente rápida e financeiramente mais acessível.*

A Arbitragem A Arbitragem voluntária é mais uma das formas de resolução alternativa de litígios (prevista na Lei n.o 31/86, de 29 de Agosto). Nela, as partes, através de um acordo de vontades que se designa por convenção de arbitragem, submetem a decisão a árbitros por elas escolhidos, desde que o litígio não esteja exclusivamente atribuído a tribunal judicial ou a arbitragem necessária e não respeite a direitos indisponíveis. A convenção de arbitragem pode ser de dois tipos: compromisso arbitral quando a convenção de arbitragem tem por objecto um litígio actual mesmo que se encontre afecto a tribunal judicial; cláusula compromissória sempre que abarque os eventuais litígios futuros emergentes de uma determinada relação jurídica contratual ou extracontratual. Os interessados em promover a realização de arbitragens voluntárias com carácter institucionalizado devem requerer ao Ministro da Justiça a criação dos respectivos Centros de Arbitragem, respeitando o disposto no Decreto-Lei n.o 425/86, de 27 de Dezembro. Os Centros de Arbitragem Os Centros de Arbitragem são entidades que prestam informações, disponibilizam aos cidadãos mediação e conciliação e, caso não se chegue a acordo por uma dessas vias, a Arbitragem, sob a forma de Tribunal Arbitral. Os Centros de Arbitragem operam em função da sua área geográfica, em função do tipo de litígios que podem resolver e, em regra, em função do limite do valor dos litígios. O prazo legal de duração dos processos não deve exceder os 6 meses, embora possa ser superior se as partes assim o convencionarem. O Ministério da Justiça, por razões de ordem social

e atendendo à importância de certas áreas, apoia determinados Centros de Arbitragem: sete na área do consumo, a saber: – Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo do Distrito de Coimbra – CACCDC; – Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo de Lisboa – CACCL; – Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo do Vale do Ave – CACCVA; – Centro de Informação de Consumo e Arbitragem do Porto – CICAP; – Centro de Informação, Mediação e Arbitragem da Região de Consumo do Algarve – CIMAAL; – Centro de Informação, Mediação e Arbitragem de Consumo (Tribunal Arbitral) – CIAB; – Centro Nacional de Informação e Arbitragem de Conflitos de Consumo – CNIACC; dois no sector automóvel: Centro de Informação, Mediação, Provedoria e Arbitragem de Seguros – CIMPAS; e o Centro de Arbitragem do Setor Automóvel – CASA; – Centro de Arbitragem para a Propriedade Industrial, Nomes de Domínio, Firmas e Denominações – ARBITRARE e o Centro de Arbitragem Administrativa – CAAD. A criação de Centros de Arbitragem observa sempre os mesmos procedimentos e regras legais, sendo a criação de todos autorizada pelo Ministro da Justiça. Acesso à justiça Direito fundamental previsto no artigo 20.o da Constituição da República Portuguesa, a Lei de Acesso ao Direito e aos Tribunais consagra, como formas de acesso ao direito e aos tribunais, a informação jurídica e a protecção jurídica (consulta jurídica e de apoio judiciário). A informação jurídica serve, essencialmente, para que todos conheçam os seus direitos e deveres, cabendo ao Estado divulgar o Direito aplicável aos cidadãos. A protecção jurídica é concedida em questões ou causas judiciais concretas ou susceptíveis de concretização que versem sobre direitos directamente lesados ou ameaçados de lesão e em que o utente demonstre estar em situação de insuficiência económica e tenha um interesse próprio. A protecção jurídica abrange as modalidades de

consulta jurídica e de apoio judiciário. A consulta jurídica consiste no esclarecimento técnico sobre o direito aplicável a questões ou casos concretos, apreciando da existência ou não de fundamento legal para a pretensão do utente. O apoio judiciário deve em regra ser requerido antes da primeira intervenção processual e pode compreender as seguintes modalidades: dispensa de taxa de justiça e demais encargos com o processo, nomeação e pagamento da compensação de patrono, pagamento da compensação de defensor oficioso, pagamento faseado de taxa de justiça e demais encargos com o processo, nomeação e pagamento faseado da compensação de patrono, pagamento faseado da compensação de defensor oficioso e atribuição de agente de execução. Têm direito a protecção jurídica os cidadãos nacionais e da União Europeia, bem como os estrangeiros e os apátridas com título de residência válida num Estado membro da União Europeia que demonstrem estar em situação de insuficiência económica. As pessoas colectivas com fins lucrativos e os estabelecimentos individuais de responsabilidade limitada não têm direito a protecção jurídica. As pessoas colectivas sem fins lucrativos têm apenas direito à protecção jurídica na modalidade de apoio judiciário. A insuficiência económica é aferida mediante factores de natureza económica e respectiva capacidade contributiva, ou seja, quando não existem condições objectivas para suportar, pontualmente, os custos de um processo. A apreciação dessa insuficiência económica deverá ser feita de acordo com o rendimento, o património e a despesa do agregado familiar. Cabe ao requerente fazer a prova da sua situação económica. O simulador de cálculo do valor do rendimento, relevante para efeitos de protecção jurídica encontra-se disponível no sítio da Internet da Segurança Social e da Rede Judiciária Europeia em Matéria Civil e Comercial. Qualquer requerente pode saber se tem ou não direito ao benefício e em que modalidade e medida mediante a aplicação da fórmula de cálculo do rendimento relevante para efeitos de protecção jurídica. A insuficiência económica das pessoas colectivas sem fins lucrativos é aferida nos mesmos moldes que a das pessoas singulares, tendo em conta o rendimento, o património e a despesa.

O que é necessário para requerer Protecção Jurídica?

Pode requerer-se protecção jurídica em qualquer serviço de atendimento da Segurança Social. Os formulários de requerimento são gratuitos e devem ser apresentados pessoalmente em qualquer balcão de atendimento ao público dos serviços de segurança social, enviados por fax, por correio ou por e-mail (através do preenchimento do respectivo formulário digital). Para mais informações: 808 26 2000 (custo de chamada local) e http://www.dgpj.mj.pt/sections/gral/arbitragem *informação recolhida em http://www.gral.mj.pt

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Os nossos Atletas nas selecções…

AMP

A Associação dos Moradores da Portela vê com orgulho dois atletas seus serem seleccionados para representarem a Selecção Nacional de Portugal e a Selecção Distrital de Lisboa.

Futsal Armando Jorge Domingues

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assados três meses desde o início da época 2012-2013, a AMP e a sua equipa Sénior ainda não conseguiram a evolução em relação à época anterior. Não atingimos até agora o nível de qualidade exibicional para subirmos mais um degrau na progressão do que ambicionamos para esta época. O Futsal é uma aposta consciente da nossa Associação. Temos excelentes técnicos e praticantes, e um público que queremos mais entusiasta… É o trabalho dos atletas e de todos os restantes elementos que fazem com que isso aconteça. Quanto à nossa formação, tem sido

um regalo ver a nossa equipa de Escolas/Benjamins, sempre bem apoiados pelos pais e um público que se anima com a garra, querer e vontade dos nossos atletas. Os nossos Infantis e Iniciados, em crescendo e a cada jornada mostrando-se mais consistentes em termos de jogo. Juvenis e Juniores, cumprindo com o que deles se espera, proporcionando bons jogos. Sabemos dos valores das NOSSAS equipas, sabemos que será uma época difícil, mas é para sermos melhores que trabalhamos e certamente com muito esforço e dedicação vamos procurar e encontrar TODOS o que objetivamos…

NILSON MIGUEL Este jovem talento, atleta da AMP deste a época passada, é internacional universitário e disputou de 11 a 17 de Dezembro de 2012 o Torneio de St. Petersburgo na Rússia, representando a Selecção Nacional de Futsal Sub-21. JOÃO AMARAL Guarda-Redes da AMP desde a presente época, vai representar a Selecção Distrital de SUB-20 de Futsal – A. F. Lisboa para o Torneio Inter-Associações a disputar de 11 a 13 de Janeiro de 2012. Votos de muito SUCESSO! Haja Alegria… Mística… Portela… a «cultura» do ser PORTELENSE… É esse o nosso sucesso! PUB


AMP Eva Falcão

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equipa sénior de futsal da AMPortela esteve em destaque na 4ª Gala do Desporto da Câmara Municipal de Loures. Uma menção honrosa pelo primeiro lugar do campeonato nacional da terceira divisão, um prémio pelo melhor treinador e uma homenagem ao atleta Nilson Miguel traduziramse no reconhecimento do trabalho dos atletas e da equipa técnica na época desportiva 2011/2012. A Câmara Municipal de Loures promoveu no passado dia 17 de Novembro a 4ª Gala do Desporto. Uma iniciativa do Departamento de Cultura, Desporto e Juventude da autarquia que tem como objectivo homenagear atletas, equipas e treinadores do concelho que se destacaram na época desportiva 2011/2012, tendo por base as classificações obtidas nos quadros competitivos do sistema desportivo federado e/ou escolar. O evento pretende reconhecer o esforço e empenho dos vários agentes desportivos incentivando, desta forma, a prática de actividade física. Entre os homenageados, destaque para David Grachat, campeão nacional e atleta paraolímpico em natação adaptada, nomeado pela GesLoures como Atleta do Ano e o «nosso» Mário Silva como Treinador do Ano e campeão nacional da 3ª divisão de futsal pela Associação dos Moradores da Portela. As menções honrosas foram, por sua vez, atribuídas a Armando Ribeiro, treinador de taekwondo, e campeão nacional, pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Loures, à equipa sénior de futsal da Associação dos Moradores da Portela, que se sagrou campeã nacional da terceira divisão, a Carlos Clara, atleta de natação da Gesloures, vice-campeão nacional dos 400 e 200 metros livres e vencedor do XVII Meeting Internacional do Estoril, Rui Rodrigues, atleta de taekwondo do Grupo União Lebrense, campeão nacional em sub-21 e seniores e vencedor do Open Internacional de Londres, Renato Ferreira, atleta de BTT, campeão nacional de rampa sub-23 e primeiro classificado sub-23 no campeonato nacional de maratonas e a Augusto Vitorino, ciclista do Grupo Desportivo de Lousa, campeão nacional de contra-relógio. Unir pelo desporto No decorrer do evento, Carlos Teixeira, Presidente da Câmara Municipal de Loures, des-

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Portela premiada na Gala do Desporto tacou a enorme diversidade de modalidades existentes no município, enaltecendo o valor daqueles que diariamente, pela sua prática, honram o nome do município. João Pedro Domingues, VicePresidente da Câmara Municipal de Loures, defendeu a prática do desporto como forma ímpar no exercício da cidadania. «O desporto une sem diferenças nas origens, línguas ou culturas, fazendo dessa força o seu próprio código de intervenção. Ao longo do último ano, mais de sete mil atletas e 400 treinadores e muitas centenas de dirigentes continuaram a fazer do desporto a sua forma de estar na sociedade e do seu trabalho uma exemplar forma de cidadania plena, determinada e convicta.» O autarca lembrou as «dificuldades com que todos os agentes desportivos se debatem hoje, pois partilhamos diariamente das suas limitações, mas queremos continuar a ser a parte da solução e não apenas um mecanismo do problema. A Câmara Municipal de Loures nos últimos 11 anos promoveu uma política desportiva assente na criação de infra-estruturas para a prática desportiva. Investiram-se largos milhões de euros na construção de pavilhões, na requalificação de recintos desportivos e na instalação de relvados sintéticos. Mas acima de tudo apostamos na formação. Na formação não apenas de atletas, mas também de técnicos e de dirigentes», acrescentou. Trabalho reconhecido O futsal sénior da Portela foi distinguido com três nomeações: melhor treinador, melhor atleta (Nilson Miguel, internacional universitário português que se estreou aos 19 anos no escalão sénior pela AMPortela, num jogo frente ao Sassoeiros, a contar para a Taça de Portugal) e melhor equipa. No entanto, Mário Silva, vencedor do troféu de Melhor Treinador do Ano sublinha que se trata de um prémio colectivo, e não individual. «É um prémio atribuído ao trabalho de uma equipa técnica composta por mim,

José Amado e Tiago Cordeiro, onde nunca existiram treinadores principais nem secundários. Sem eles seríamos sem dúvida mais fracos, e com menor capacidade de sucesso.» Não esconde a (agradável) surpresa já que se trata do reconhecimento a «um treinador jovem, no primeiro ano de actividade. Ser reconhecido pelo trabalho desempenhado é bastante gratificante. Encoraja-nos a trabalhar mais e melhor, com a mesma dedicação e entrega. É neste espírito que, tanto eu como a restante equipa técnica, encaramos esta distinção, tendo sempre a noção que fomos premiados pelo que fizemos no passado». Foi precisamente aquando da atribuição do prémio que Mário Silva expressou publicamente a preferência pelo prémio de melhor equipa, sentimento que se mantém inalterado. «Fiquei com uma sensação de angústia, porque senti e sinto que os verdadeiros obreiros do nosso sucesso foram os atletas. Fizemos uma selecção dos mesmos com base no carácter, e tivemos a felicidade de todos eles terem cumprido com as expectativas, ficando tudo mais fácil. Acredito que para todos o reconhecimento de um trabalho bem realizado é sinónimo de motivação e espero que a equipa sinta isso e mantenha a vontade de ser sempre melhor.» Mas Mário Silva prefere encarar tudo isto numa perspectiva de continuidade. «Todos têm noção de que o que alcançámos desportivamente no ano passado foi muito positivo, fizemos história, batemos records, mas como se diz na gíria, quem vive de passado é museu. Temos de continuar a ser capazes de nos adaptarmos aos novos desafios, e a termos a capacidade de ir mudando de acordo com as dificuldades e exigências que se nos vão deparando. Só assim vamos continuar a evoluir e a almejar os objectivos traçados.» Termina com uma citação de John Fitzgerald Kennedy: «A mudança é a lei da vida. Aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente, irão certamente perder o futuro.»


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Portela Magazine nº 7  

Edição número 7 da Revista bimestral Portela Magazine.

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