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Lizzie, a formiga vermelha


Olá! Deixem-me apresentar! Sou um burro de dezoito anos e o meu nome é Joe Sparrow. Vivo numa quinta ecológica com mais oito burros e muitos outros companheiros. Como sou o mais velho, os outros burros pedem-me para lhes contar histórias antes de irmos dormir. E eu sei algumas... ouvi-as quando estava a viver numa outra quinta. Uma dia contar-vos-ei a minha própria história, mas agora, eis uma das minha favoritas: a verdadeira história de uma formiguinha chamada Lizzie. Passou-se no jardim do meu amigo homem, o Tony.

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Ol谩!

Eu

sou

o

Joe. Sou

um

burro

e

tenho

Eu vivo numa

quinta e

vou

contar uma

outros

antes

irem

dormir.

animais

de

hist贸ria

anos.

aos

3


Estamos na Primavera! É madrugada e corre uma brisa suave. O jardim está lindo coberto por uma relva fresca, verde e tufos de flores de todas as cores. É cedo e nada se move no jardim. Os passarinhos ainda estão a dormir nos ramos da cerejeira e os animaizinhos estão à espera que o Sol nasça. De repente, há uma confusão perto das margaridas, que crescem no meio de tulipas coloridas, onde as formigas pretas construiram a sua casa. É uma grande família de formigas pretas, brilhantes como ébano. Estão muito felizes a espalhar a boa-nova. - Os bebés nasceram! A rainha-mãe está bem. Que felicidade! Toda a família está ocupada a preparar uma grande festa. A rainha convidou toda a gente para conhecer as novas formiguinhas. Está tão orgulhosa! - As minhas pequeninas são tão perfeitinhas! São todas pretas como o ébano e brilham como jóias.

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Esta

Estamos

história

na

é

sobre

uma

Primavera.

Todos estão contentes,

formiga

As

a

chamada

formigas

rainha-mãe

está

Lizzie.

nasceram.

contente.

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A rainha beija-as uma a uma e depois quase desmaia de susto perto da Lizzie. - O que é isto? Uma pinta vermelha na cabeça da Lizzie? Ela não é toda negra! Que vergonha, tenho de a esconder... Ninguém a pode ver! Desta maneira, a rainha pegou na Lizzie que estava adormecida e escondeu-a num buraco escuro. Não podia ser vista! Agora, o Sol já vai alto e a festa está espectacular na grande cidade das formigas. Todas estão felizes e celebram até o pôr-do-sol. É hora de dormir. No dia seguinte a vida continua: trabalhar, limpar, procurar comida e ensinar as novas formiguinhas a fazer parte da família. Elas crescem muito depressa! E a Lizzie? Ela acorda no buraco escuro. Está sozinha e cheia de medo. Está tão escuro que mal consegue ver a pontas dos dedos. - Mamã, onde estás? Tenho fome e estou cheia de medo! - soluça ela. Levanta-se e caminha no escuro até à sala brilhante onde vive a rainha-mãe. Quando chega lá, chama: - Mamã! Cá estou eu! Estou cheia de fome e de medo Lizzie corre para a mãe e tenta abraça-la, mas a rainha olha para ela e grita: - Sai daqui! Não és minha filha! És feia! Sai da minha casa! Rua! Rua!

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De repente,

e

disse:

a

rainha-mãe

Tu

não

viu

uma

és

preta.

formiga

Tu

diferente.

és

ficou

furiosa

vermelha!

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Vai

embora.

desta

casa.


Lizzie está confusa! A mãe não gosta dela, Porquê? A pintinha vermelha na cabeça da Lizzie já não é só uma pinta. Espalhou-se, e agora a Lizzie está toda vermelha brilhante. Mas como pode ela saber? Não tem espelho para se ver. Quer a ternura da sua mãe. Precisa tanto do seu amor. Mas em lugar de ternura Nos olhos dela só há horror. As formigas chegam e vêem a Lizzie. Ela é vermelha e não preta como o ébano. - Ela é tão estranha e feia - gritam elas - não é uma de nós! Tem que se ir embora! Pegam na Lizzie e empurram-na para fora da cidade. Lizzie sai e vê e as margaridas, sente o calor do sol, ouve as abelhas as canções dos passarinhos e chora, chora, porque mais uma vez está sozinha. Tenho medo. Estou tão sozinha. Que tenho eu de tão errado! Devia ser preta, diz a mãezinha Mas o meu corpo é todo encarnado Que posso fazer? Para onde irei? Não tenho amigos. Que farei? Lizzie senta-se debaixo de uma margarida branca e olha à sua volta. Ela é tão pequenina e o mundo é tão grande!

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A

Lizzie

ficou triste.

Foi

muito

embora

medo.

sozinha

e

com

9


Um raio de Sol afaga-a. É tão quente e tão suave... e a luz fá-la brilhar como um rubi. Ainda não sabe mas também ela é uma joia. Uma joaninha vai a passar e diz: Que linda és pequena formiga. Tão vermelhinha e brilhante. Tu queres ser minha amiga? Um gafanhoto elegante da um salto e exclama alto: - Gostava de ser como tu. Brilhas como ninguém. Eu quero ser teu amigo também. A Lagarta gorda que está deitada na relva sussura: - Tenho poucos amigos, mas gosto de ti. Sou velha, gorda, lenta e toda verde. E tu és a formiga mais bela que já vi. Lizzie estava triste, mas agora já se sente melhor. Afinal ela não é feia. Ela é apenas diferente e arranjou, não um, mas três amigos que gostam dela tal como é. - Obrigada a todos! Quero ser vossa amiga, mas tenho saudades da minha família e da minha casa. Apesar da vossa amizade, continuo a sentir-me sozinha. Os novos amigos da Lizzie estão tristes porque não podem ajudá-la. Abraçam-na e a lagarta gorda da-lhe um grão de milho como presente.

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Apareceram

alguns

animais:

Tu

posso

Eu

Posso

tambĂŠm

ser

sou

tua

ĂŠs

ser

muito

teu

bonita,

amigo?

vermelha.

amiga?

Eu

mas

sou

gosto

de

verde,

gorda

e

feia,

ti.

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Naquele momento ouvem um som terrível um barulho profundo. O sol já não brilha, o céu escurece e de repente, enormes pingos de chuva começam a cair. Eles correm a esconder-se mas a Lizzie não tem casa para onde ir. Está de novo triste e sozinha. Na cidade das formigas, estão todas assustadas. A tempestade é grande e a chuva está a entrar e a destruir as suas casas. Não têm como escapar e gritam alto. Lizzie, está muito perto da cidade e ouve os gritos. Corre e começa a escavar. Tem de salvar a sua mamã e a família. Cava, cava, até que entra na cidade: - Por aqui! Venham por aqui! Depressa! Saiam e escondam-se debaixo das margaridas. Lá é seguro! Todas as formigas ouvem a Lizze e correm para o túnel. Saem e escondem-se debaixo das margaridas todas estão sãs e salvas.

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A

chover

Lizzie

ficou

feliz.

Conseguiu

fazer

novos

amigos.

Comeรงou

a

muito.

A Lizzie ouviu gritar

socorro.

Para ajudar,

comeรงou

a escavar.

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Lizzie fica à chuva. Ela está muito cansada. De repente a chuva pára e um raio de Sol afaga-a de novo. Ela sente-se quentinha e mais uma vez, brilha como um rubi.

As outras formigas olham para ela, vêem-na brilhar e dizem: É a Lizzie, que pusemos fora. É tão corajosa e forte e agora A sua feia cor encarnada Já não nos parece tão errada.

A rainha-mãe sente-se muito envergonhada e pede a Lizzie que a perdoe: Perdoa-me minha filha. Sinto-me tão orgulhosa! Fui ignorante e cruel! E tu foste tão generosa. Fica connosco a partir de agora

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Por favor, não vás embora!


A Lizzie

Ajudou

foi corajosa.

as suas irm達s

formigas.

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Lizzie corre para os braços da sua mãe e elas abraçam-se. Agora chora porque está feliz. Já não está sozinha. Todas as outras formigas rodeiam mão e filha e dizem a uma só voz:: Lizzie, és vermelha, és diferente. Não és como nós, és cor de rubi. Agora seguimos todas em frente Já não podemos viver sem ti. Queremos dar-te o nosso amor E fazer-te esquecer o medo e a dor Depois da festa lembram-se que não tinham casa. - Perdemos a nossa cidade e as nossas casas. Temos de procurar outra, mas onde? – diz a rainha-mãe. Elas estão de novo assustadas. O Jardim é tão grande! A Lizzie quer ajudar. Ela é uma heroína, não é? Tem de ajudar, mas como? Ela pensa e repensa. Ela só conhece aquele pequeno cantinho onde crescem as margaridas. Então os amigos dela aproximam-se e a joaninha diz: - Olha, Lizzie! Há ali um belo canteiro de flores. É quentinho e acolhedor! - Ali as flores cheiram maravilhosamente bem - grita o gafanhoto! A lagarta gorda sussurra: - Lá as flores são deliciosas! Lizzie olha e vê as flores mais belas que alguma vez poderia ter imaginado e mostra-as à rainha-mãe. - Mas que belo lugar, querida! – diz a mãe – Vamos construir lá a nossa nova cidade. Conduz-nos até lá, está bem? Lizzie não pode estar mais feliz! Todas as formigas a seguem agora e rapidamente alcançam o canteiro e começam a construir a nova cidade, protegida por belas rosas vermelhas que brilham como rubis à luz do Sol.

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Ficaram todos

A rainha-mĂŁe

desculpa

A Lizzie

voltou para

junto

da famĂ­lia e das rosas

felizes.

pediu

Ă  Lizzie.

vermelhas.

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Gostaram desta hist贸ria? Esperem pela pr贸xima. Agora s茫o horas da caminha... durmam bem!

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Ficha técnica: Título original: My Backyard Memories-Lizzie, the red ant

Autor: Emília Belo

Adaptação: Ana Silva, Ana Mendes, Natércia Belo

Ilustrações: Natércia Belo

Edição e Execução Gráfica Filipa Santos, Ana Paula Ferreira

Apoio:

Agradecimentos: Os coordenadores deste projecto pretendem agradecer a todos os que, directa ou indirectamente colaboraram e tornaram possível este pequeno projecto. Bem hajam!!!

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Lizzie, a formiga vermelha