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4 O REINO DOS CÉUS QUAL O TAMANHO DA ÁRVORE?

No relato de Lucas da parábola do grão de mostarda, Jesus diz que o grão de mostarda "cresceu e fez-se árvore..." (Lucas 13:19). Já observamos que esta parábola ressalta mais o contraste entre semente e árvore do que a imensidão de seu crescimento final. Como A. B. Bruce observou, a parábola parece chamar mais a atenção para a pequenez do começo do reino do que para a grandeza do seu fim. Tão grande árvore como a que possa crescer de um grão de mostarda, ela nunca rivalizará com as verdadeiras árvores que sobressairão acima dela. As parábolas emparelhadas do grão de mostarda e do fermento parecem ser ambas destinadas a ilustrar o crescimento futuro e a influência do reino. Uma fala de seu crescimento extenso e visível, a outra da mudança espiritual intensa. Mas a questão que permanece é se Jesus está olhando para a parábola do grão de mostarda no vitorioso destino final de seu reino ou simplesmente para a crescente e visível influência espiritual do evangelho na História. A escolha de Jesus da árvore de mostarda para ilustração do futuro do reino parece ser uma metáfora improvável com a qual descrever sua glória final. Parece ter sido escolhida de propósito para ressaltar a grande influência espiritual que o reino de Deus exerceria no mundo e na história, apesar de seu pequeno começo, e ainda não dar a seus discípulos nenhuma visão de glória mundana. Dentro do âmbito da geração deles o evangelho deveria ser "pregado a toda criatura debaixo do céu" (Cl 1:23) e tocar os corações dos homens desde Jerusalém "até aos confins da terra" (At 1:8). Mas seria a árvore de mostarda concebida para falar do crescimento da igreja até ser uma instituição de tal poder mundano que a sociedade dos homens ímpios tremesse diante dela? Esta visão parece mais afinada com a teologia católica romana ou com as especulações pré-milenares. O que as parábolas precedentes do semeador e do joio já disseram claramente é que o reino do céu é destinado a ser rejeitado pela vasta maioria dos homens e a estar em guerra com os filhos do diabo enquanto o mundo durar. Não há lugar nas parábolas para a igreja

de Deus dominar suprema em algum renovado Santo Império Romano ou presidir sobre a absoluta paz e justiça de um milênio terreal. Haverá, sem dúvida, tempos quando o evangelho será mais "oportuno" do que em outros (2 Tm 4:2), mas tais tempos de paz e maior "crescimento em número" (Atos 9:31) são provavelmente sempre seguidos por períodos de oposição, retração e apostasia (1 Tm 4:1; 2 Tm 3:1-5; 4:3-4). Pessoas justas não são nunca destinadas a escapar da perseguição nesta vida (2 Tm 3:12). A parábola do joio nos diz francamente que o tempo de glória final e triunfo para o reino virá "na consumação do século" (Mateus 13:39) quando o Filho do Homem enviar seus anjos, e eles "ajuntarão do seu reino [todos os homens vivos e mortos, Romanos 14:9, PE] todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade" (Mateus 13:41). Será então, e não antes, que ao mesmo tempo os perversos serão lançados na fornalha acesa, e "os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai" (Mateus 13:42-43). Será então que o reino de Deus encherá toda a terra, e o Senhor e seu Ungido, sempre tendo soberania absoluta, porão os reis da terra em completo ridículo e os destroçarão como um vaso de oleiro (Salmo 2). É o modo do Senhor operar suas maravilhas por meio das mais humildes pessoas e circunstâncias e assim evidenciar que somente Deus poderia tê-las feito acontecer. Paulo diz do evangelho que "Deus ... escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes.... a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus" (1 Cor 1:27,29). O Senhor conduziu Israel através de um deserto sem trilhas, sem mais coisa alguma a não ser sua promessa de sustentá-los, de modo que, na necessidade deles, ele pudesse conhecer o que estava em seus corações e eles pudessem saber que o homem não vive somente de pão, mas da palavra de Deus (Deuteronômio 8:2-3). Seremos, provavelmente sempre, um "pequenino rebanho" (Lc 12:32) enviado pelo Senhor "como ovelhas para o meio de lobos" (Mateus 10:16), de modo que somente nele confiaremos. Enquanto isso, o reino do céu será sempre uma árvore bastante grande para abrigar cada coração verdadeiramente arrependido que busque refúgio em seu Senhor, e uma árvore suficientemente despida de atrações mundanas para não ter encantos para os comedores de carniça que possam buscar abrigo em seus ramos para suas próprias sombrias e carnais razões. (Paul Earnhart)

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