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TERCEIRA – ESTÓRIA CADA UM TEM SEU VALOR Certo dia... No paiol da fazenda Luz da Vida, encontravam-se vários sacos de trigo. Existiam milhões deles, pois a terra era fértil e possuía bastante espaço para o plantio. Como eles ficavam bastante tempo juntos até chegar ao mercado, faziam amigos, pois ninguém é de ferro, neste caso, até o trigo. Havia dois milhos inseparáveis; chamavam-se: Trigolina e Triguito. Só que Triguito tinha uma deficiência, nasceu com uma mancha, o que fazia com que na hora dos homens do mercado virem buscá-los para o comércio, nenhum o escolhia. Triste, Triguito disse à Trigolina: - Estou tão triste, sei que não tenho culpa de ter nascido com um problema, porém me sinto infeliz; há dois meses estou aqui dentro, agüentando humilhações e vendo os meus amigos partirem e eu permanecer. Com um tom de voz dócil, Trigolina respondeu: - Não se preocupe, amigo, todos somos importantes e para algum ofício viemos ao mundo. O que não podemos fazer é desistir, pois devemos ser humildes e termos fé de que um dia conseguiremos conquistar o nosso espaço. Triguito não ficou satisfeito com as palavras de Trigolina, pois era consciente de que quem deveria realmente ouvir aquilo era o pessoal do mercado. Porém, ficou grato pelo carinho que recebeu. Após algum tempo se despediram e cada um foi para o seu lado. Anoiteceu. O silêncio reinava no paiol. Todos os trigos estavam repousando, após um dia cansativo sem ter o que fazer dentro daquele pequeno saco, repleto de grãos de trigo inquietos esperando sua vez. Apenas um deles ainda estava acordado, pensando nas palavras de trigolina, e se um dia teria o privilégio de representar a sua terra no comércio.

A lua começou a se esconder, o sol ainda não aparecia por completo, mas a correria no paiol já havia começado há muito tempo. De repente ouviu-se o trote de um animal, e apareceu uma bela moça sobre um cavalo branco, que logo disse aos trabalhadores: - Com licença, sou uma artesã e estou à procura de lascas de madeira e sementes diferenciadas para um novo trabalho. Será que posso procurar por aqui? Eles apenas disseram que sim, através de um gesto, e voltaram ao trabalho. A artesã passou horas coletando diversos materiais para a sua obra. Quando voltou ao paiol, os trabalhadores permitiram que ela olhasse os sacos, procurou até chegar ao último, o de trigos. Já sem esperança, examinou um por um, até que percebeu lá no fundo um pequeno grão de trigo com uma mancha verde sobre o amarelo; além de representar as cores da pátria, ainda possuía um tom sobrenatural. Rapidamente o pegou; o mais especial, que o trigo escolhido era Triguito, que sentiu tamanha alegria. E não foi apenas ele que ficou feliz, também Trigolina, pela conquista do amigo, e a artesã, que havia encontrado o que faltava em sua obra. Triguito ainda comovido pelo o acontecimento, foi dentro de uma maleta até o ateliê da artista. Lá conheceu gente nova e ainda pôde observar como é belo o mundo da arte. Ele foi bem tratado, puseram vários produtos para que ficasse impecável. Passaram três semanas até que Triguito fosse colocado na tela. Na festa de inauguração ele era a atração! A obra foi comprada por um museu muito famoso e reconhecida por anos e anos. Foi assim que aquele triguinho mudou não só a vida da artesã, como a das futuras gerações, que aprenderam uma lição de vida com sua história. Autora: Larissa Gabriel Bitencout ( 4ª série – Içara-SC

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