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“EU AMO AS MINHAS CRIANÇAS”

Tradução: Província Nossa Senhora do Rogate


Eu amo as minhas crianças A Superiora:

Hoje, Festa da natividade de Maria SS.ma, experimentamos a alegria e a exultação pascal, ao lembrar como, no Quarteirão Avignone, nosso amado Padre Fundador deu início oficial à obra de caridade do Orfanato feminino. São anos que marcam a história da salvação da nossa Família religiosa e também de toda a família do Rogate, anos marcados por tantos “SIM”, mesmo entre tantas dificuldades e tribulações. Ao primeiro Sim de Pe. Aníbal seguiram-se outros: a adesão dos primeiros sacerdotes e leigos arrastados pela sua caridade sobrenatural, o SIM luminoso de Madre Nazarena, amadurecido na fidelidade amorosa e materna para com tantos meninos e meninas que nela encontravam o amor jamais recebido, a aceitação de muitas coirmãs que entregaram a vida a serviço dos pequenos, a colaboração das comunidades onde floreceu e florece ainda hoje esta obra de acolhimento, de educação e de promoção humana tão querida ao Coração SS.mo de Jesus. Estes SIM construiram uma estrada, a estrada da caridade, e ainda hoje nos indicam o caminho a seguir.Um caminho que nós, Filhas do Divino Zelo, desejamos continuar a percorrer com fidelidade creativa e alegre disponibilidade.

Dirigente:

Iniciamos expressando com um canto o nosso louvor e o nosso agradecimento à SS.ma Trindade por estes anos de amor doado e recebido.

Canto de louvor

(enquanto as crianças com as Irmãs educadoras e o pessoal da equipe entram e se colocam nos devidos lugares.)

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1. Um dom do céu Leitor 1 -

“Eu recebo estas primeiras quatro meninas, de vossas mãos, e mais ainda das mãos do próprio Deus. Recebo-as como algo muito caro, como jóias preciosas, que me confiais, e, ainda que envoltas no pó da própria mesquinha condição, vós m´as confiais para que as restitua a vós quando estiverem civilizadas, instruidas, educadas, se tornarem boas e laboriosas cidadãs...Eu, de minha parte, para cumprir essa tarefa, as confio a estas Irmãs, a estas virgens, que há muito tempo se consagraram a esta sublime missão.”

Leitor 2 -

“Ó jovens irmãs, ó Filhas do Divino Zelo, recebei estas meninas neste dia tão solene. A partir deste momento, elas são vossas filhas. As almas de seus pais falecidos certamente assistem ansiosos esta entrega, para que suas filhinhas abandonadas encontrem em vós novas mães. E, vós fazei-vos de mães, tende o maior cuidado de caridade para com elas; sacrificai por elas e por todas que virão depois, o vosso tempo, a vossa paz, o vosso repouso e, se necessário, também a vossa vida.”


Dirigente:

As palavras do Padre Fundador ressoam ainda hoje, para nós, Filhas do Divino Zelo, como uma entrega, que com o transcorrer dos anos, não diminuiu a força e a atualidade: elas fazem parte integrante da nossa vocação e missão na Igreja. Louvemos o Senhor pelas grandes obras que nos concedeu realizar:

Refrão: Bendito seja o Senhor, que nos cumulou com a sua

misericórdia (cantado)

2 

Aclamai a Deus, ó terra inteira, dai glória ao seu nome, dai-Lhe esplêndido louvor. Dizei a Deus: «Maravilhosas são as Tuas Obras! ».

Vinde e vede as obras de Deus, admirável em seu agir sobre os homens. Bendizei, ó povos, o nosso Deus, fazei ressoar o seu louvor; é Ele quem salvou a nossa vida e não deixou vacilar os nossos passos.

Senhor, tu nos colocaste à prova; nos fizeste passar pelo crizol, como a prata; nos fizeste passar pelo fogo e pela água; Vinde, ouvi, vós todos que temeis a Deus, e narrarei tudo que Ele fez por mim.

A Ele dirigi o meu grito, a minha língua cantou o seu lovor. Deus ouviu, tornou-se atento à voz da minha súplica. Bendito seja Deus que não afastou a minha oração, que não me recusou a sua misericórdia.

2. O olhar atento Leitor 3 - Entrei por acaso no quarteirão Avignone e assutei-me

à vista de tanta miséria e abandono. Os meninos imersos na lama, as meninas expostas aos perigos… (Pode se trazer um vaso cheio de terra “a terra maldita de Avignone” e dos Avignones de ontem e de hoje ou uma figura do Quarteirão Avignone)

Leitor 4 -

O olhar atento de Padre Aníbal percebeu a situação de carência de tantos meninos e meninas, um olhar atento que não parou só no presente, no contingente, mas soube ver nas chagas empoeiradas e secretas da pobreza e da miséria, os sinais da esperança, os sinais do amor privilegiado de Deus por eles. 3

Dirigente:

Hoje tanto como ontem o período da infância, da adolescência, é muitas vezes amargo, arrancado brutalmente; o empenho e o amor devem continuar a impelir a nós, Filhas do Divino Zelo, de hoje e do futuro, a restituir a infância às crianças traídas e lezadas em seus sorrisos, em sua alegria, em suas brincadeiras. As crianças que sofrem no mundo são faces, olhares que “buscam” o nosso coração, são mãos que se estendem para o alto, são frágeis vozes que perguntam: por que? O grito do “sofrimento inocente” é para nós, Filhas do Divino Zelo, oração incessante.


A cada invocação respondamos:

Refrão: Tu és, Senhor o socorro dos fracos  11 milhões de menores morrem cada ano, antes de completar 5 anos, por doenças ou problemas que poderiam ser facilmente eliminados: doenças intestinais, bronquites e enfermidades que podem ser prevenidas com vacinas como sarampo, coqueluche, tétano, difteria, tuberculose. 150 milhões de crianças sofrem de má- nutrição. Ref.  123 milhões de crianças nunca freqüentaram a escola. Destes, a maioria são meninas. 211 milhões de crianças trabalham; 600 milhões de crianças, isto é um quarto das crianças do mundo vivem em condições de extrema pobreza. Ref. 2 milhões de crianças foram mortas, nos últimos dez anos, devido aos conflitos armados. 300 mil crianças foram recrutadas e combatem em diversos países africanos, asiáticos e do Oriente Médio em exércitos regulares e grupos armados de oposição; Ref. 4 * 130 milhões de mulheres sofreram, quando meninas, mutilações sexuais e a cada ano outros dois milhões passam por isso; Ref.  mais de 1 milhão de crianças, por ano, são vítimas dos traficantes, são “vendidas” e obrigadas a submeter-se a abusos e exploração no mercado sexual. 20 milhões foram obrigadas a abandonar suas casas. 14 milhões de crianças perderam a mãe, o pai ou ambos por causa da Aids e muitos estão com esta enfermidade; Ref.  Grande parte da violência contra menores permanece escondida, fechada entre os muros domésticos. As crianças muitas vezes sofrem em silêncio, com os grandes olhos tristes perdidos no vazio. Ref. (Podem ser citados fatos próprios do contexto cultural em que se vive. Enquanto se lê ou durante o canto - com as crianças presentes - pode ser “montado” um quebra-cabeças de crianças em situação de pobreza e guerra.) CANTO DE MEDITAÇÃO

3. Início do Orfanato Leitor 5 . Quem acolhe um desses pequenos no meu nome é a Mim que acolhe. (Mt18,5) Leitor 6 - Alarga o espaço da tua tenda, estente sem medo tuas lonas, alonga tuas cordas,

finca bem tuas estacas, porque te estenderás à direita e à esquerda; tua estirpe herdará nações e povoará cidades desertas. Não temas, não terás de envergonhar-te, não te envergonhes, não te afrontarão; esquecerás o rubor do tempo de solteira, já não recordarás


a afronta da tua viuvez. Pois aquele que te fez, te toma por esposa; seu Nome é Senhor dos Exércitos. Teu Redentor é o Santo de Israel; Ele se chama o Deus de toda a terra. (Isaias 54,2-6) 5 Na terra maldita, Deus fez renascer a vida: trazer flores ou fotos de crianças felizes de nossas comunidades que serão usadas para sobrepor o quebra-cabeças)

Leitor 7 -

Padre Aníbal decidiu morar entre os pobres do Quarteirão Avignone, tornou-se pobre entre os pobres. Com sua presença constante, o Evangelho começou a percorrer os becos esquecidos daquele pedaço de terra marcada pela degradação e pelo abandono.

Leitor 8 -

Foi apresentada ao Padre Annibale uma menina de poucos anos, órfã de pai e mãe, abandonada, doentinha: ele a acolheu com aquele espítrito de fé que o animava ao socorrer os necessitados, sentiu que era o Senhor quem a mandava, como resposta à sua ânsia de salvar todas as crianças do mundo. A semente havia sido lançada, o agricultor havia suado para cultivá-la: Deus pensaria em fazê-la crescer.

Leitor 9 -

Após alguns dias da primeira menina junta-se a ela a segunda: teve assim início o orfanato feminino nas casinhas daquelas ruelas do quarteirão Avignone. Foi inaugurado no dia 8 de setembro de 1882, festa de Nossa Senhora Menina e, teve o nome de Pequeno Refúgio do Coração de Jesus que depois, com a Chegada de uma estátua de Nossa Senhora, sorteada na paróquia de Santo Antônio Abade, foi trocado para “Pequeno Refúgio de Maria Imaculada”. A Obra havia começado! (Pode-se proclamar, e onde for possível, fazer mímica com a poesia “Eu amo as minhas crianças”)

Canto de louvor 6

4. Uma ajuda do céu e . . . da terra Os santos protetores : S. José, S. Antônio, benfeitores, colaboradores, voluntários…

Dirigente:

O Padre Fundador sabe que a obra iniciada é imensa mas não desanima, antes, procura ajuda não só na terra mas sobretudo no céu.

Leitor 10 -

“Sentimos o dever de fazer um agradecimento especial ao gloriosíssimo S. José. Enfim voltou-se em nosso favor, de forma extraordinária, o celeste taumaturgo S. Antônio de Pádua, que nos provê de tudo a cada dia, por isto os nossos orfanatos são chamados Orfanatos Antonianos,… Ora, entre nós, estamos profundamente convencidas de que S. José tenha obtido para nós, do céu, a proteção de S. Antônio.”


Leitor 11 -

A 13 de junho de 1901 o Padre Fundador proclamou solenemente S. Antônio de Pádua como Benfeitor insigne da Rogação Evangélica e dos Orfanatos que colocara sob a sua especial proteção. No verão de 1908 sugiu o periódico “Deus e o Próximo” que devia ser instrumento de ligação entre os benfeitores e os amigos do Instituto e as suas obras sociais e que ainda hoje, com a generosidade de tantas pessoas, é um instrumento preciosíssimo contribuindo, de uma parte, para tecer laços de solidariedade em favor dos pequenos e pobres, e de outra parte, também com o mundo. Encontrou na Providência um gancho estável, desde o nascer das obras, uma chamada a transcender-se.

Dirigente :

A cada intenção, digamos juntas: Assiste-nos, Senhor, com a tua providência! 7  Nós Te agradecemos, Senhor, porque em S. Antônio deste um Patrono especial à nossa família, faze que, imitando as suas virtudes, trabalhemos sempre para a tua glória.  Senhor, que concedeste a S. Antônio trazer-Te em seus braços, faze que as crianças encontrem sempre braços que as acolham, e mãos generosas que enxuguem suas lágrimas.  Tu que fizeste S. Antônio saborear a doçura da oração, concede também às crianças e aos jovens de nossos dias, encontrar- Te na oração, para que sejam guiados por Ti em suas vidas.  Nós Te agradecemos e louvamos, Senhor, pelas inúmeras graças que concedes, por intercessão de S. Antônio, a nós e aos nossos benfeitores. Continua a assistir-nos com a tua amável proteção e abençoa a todos que nos fazem o bem.  Nós Te louvamos por tantos leigos que chamaste a partilhar de nossa missão de caridade para com os pequenos. Acompanha-os pela vida e aumenta em seus corações a ânsia pela salvação das crianças e jovens a eles confiados.

Canto de louvor e homenagem floral a S. Antônio Dirigente : Leitor 12

A educação da juventude, sobretudo das crianças em estado de carência e de marginalização, é a expressão mais perfeita da nossa caridade para com a grande messe das gerações futura. (cf Cost.83) – (...) “Conservarei no coração o ardente desejo da salvação de todas as crianças do mundo e pedirei com a oração ardente , aos Corações Santíssimos de Jesus e de Maria”. 8

Leitor 13 - “Grande recompensa está preparada

para aqueles que se esforçam pela dupla salvação dos pequenos, aos quais fazem conhecer o sorriso do amor santo nos olhos e sobre os lábios, em que havia sugido o pranto e o desespero duplamente infeliz. Não, não existe


obra mais importante, ousamos dizer, mais agradável ao Coração Santissimo de Jesus, do que a educação das crianças e jovens”.

 Nós Te pedimos perdão Senhor! Dirigente:

Queremos elevar ao Senhor da messe o nosso pedido de perdão pelas vezes que, pessoal e comunitariamente, não fomos expressão da caridade de Cristo:

Refrão:

Cantarei para sempre a Misericórdia do Senhor.

Nós Te pedimos perdão, Senhor, se nem sempre conseguimos ser colo, casa, família para aqueles que foram confiados aos nossos cuidados. Torna-nos instrumentos do Teu amor. Ref.

Nós Te pedimos perdão, Senhor, pelo mal presente em nosso coração e que deixamos propagar no interior de nossas comunidades e pelas vezes que fomos sinal de divisão, de egoísmo e individualismo, colocando a nós mesmos e as nossas necessidades em primeiro lugar. Torna-nos raios da Tua luz . Ref.

Perdoa Senhor a pouca responsabilidade e consciência no desempenho da nossa missão de educacadoras, pelas vezes em que não soubemos acolher, ouvir, proteger as crianças e as jovens a nós confiadas. Torna-nos reflexos da Tua misericórdia.

Ref

 Nós

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Te louvamos pelo bem que foi feito

Dirigente:

Reconhecemos que nestes anos também se realizou muito bem em prol dos meninos e meninas a nós confiados, certamente com a ajuda da graça divina. Por isto queremos louvar ao Senhor

(Ouvir o testemunho de uma educadora, de uma ex- assistida, eventualmente também de uma FDZ que amadurecera a sua vocação na obra socio-educativa. Após cada testemunho, acender uma lâmpada diante de Jesus. Canta-se um refrão de louvor. Onde não for possível pode-se ouvir os seguintes testemunhos, por inteiro ou em parte) Canto do Magnificat (só o refrão)

A experiência de uma Filha do Divino Zelo educadora Desde pequena, herdei de minha mãe uma especial atenção aos pobres, aos pequenos e aos necessitados de tudo. De fato, a nossa casa estava sempre aberta a todos eles.


Esta minha inclinação para os miseráveis e fracos foi mais reforçada no noviciado, pela Madre mestra para quem as órfãs eram as preferidas e tanto falava sobre elas que se não tivesses amor por elas no coração, ela te contagiava. Lembro-me que nos dizia: “No futuro algumas de vós poderão ser superioras; lembrai-vos de ter predileção para com nossas órfãs e se vos acontecesse ter dificuldade econômica fazei logo um presente às nossas meninas e vereis que a providência chegará logo. Hoje, com toda a sinceridade, posso afirmar de ter feito a experiência direta de quanto isto seja verdadeiro. 10 Estive diretamente em contato com as nossas meninas menores durante 15 anos, como educadoras e duranre 12 anos como superiora. Os primeiros anos foram os mais difíceis: para que tudo funcionasse tive que colocar em dia todo meu amor materno, que aliás em nós mulheres, faz parte de nossa natureza. A primeira experiência eu fiz em Roma com um grupo de, aproximadamente, 20 meninas de 11 a 14 anos. Naquela época as meninas visitavam a família só pelo Natal, Pásqua e nas férias, e não todas. O primeiro dia que fui à repartição delas foi terrificante: encontrei todas sentadas no chão a gritar e lamentar; tive a impressão de estar diante das meninas hippy de Trinità dei Monti. À minha chegada, não mudaram por nada, de atitude! Pensem em meu estado de espírito... Nova e sem experiência, havia apenas deixado os bancos da escola, tinha apenas concluido meus estudos e agora me encontrava sozinha com pequenas “ potros” para domar. Depois seguiu-se a experiência de Messina com 32 jovens de 15 a 17 anos. Procurei fazer o melhor, porém atingir a todas era só utopia. Posso dizer que com algumas consegui me entender bem, com outras, mais ou menos. Com boa vontade procurei colocar-me ao lado de cada uma delas; com algumas consegui descobrir o caminho certo, com outras tive que me cansar muito. Nesta arte e nesta ciência não se avança, mas se aprende dia a dia. Primeiro as crianças depois as jovens me levaram a aprender muito. Com elas aprendi a capacidade de enfrentar sofrimentos e a querer amar e viver a vida, não obstante as profundas feridas que me causavam. Enquanto estive com elas tive de enfrentar tarefas às vezes ingratas como ter de comunicar-lhes a morte de um dos pais. Momentos duros e sofridos, mas ser posta ao lados delas com silêncio e com muito afeto, fazendo-lhes sentir-me próxima, com profundo amor, foi de válida ajuda para elas e conforto para mim. Aconteceu-me de passar a noite junto delas e, às vezes, próxima à sua cama e segurar-lhe a mão, deixando a jovem falar durante toda a noite, ouvindo a sua dor, pela perda de alguma pessoa querida. Posso dizer que jamais voltei atrás e, naqueles momentos de tão grande sofrimento, eu sentia que a menina ou a jovem me pertenciam e que embora eu não a tivesse dado à luz fisicamente eu a sentia verdadeiramente minha e posso assegurar, com certeza, que os laços espirituais, quando são verdadeiros, superam muito àqueles do sangue. Meu grande desejo seria rever a todas e saber da situação atual de cada uma e fazê-las sentir-me perto delas. Confio todas ao Senhor e por elas rezo assim: “ Ó Senhor, Tu que tudo sabes e tudo podes, eu Te peço: guia o caminho destas nossas “Pérolas preciosas”, como nosso Santo Aníbal as chamava, e se alguma delas se perder ao longo da estrada, eu Te peço: reconduze-a a Ti. Seja a vida delas sempre segundo a Tua vontade divina; eu Te peço, do fundo do meu coração, nos momentos mais difíceis carrega-as em Teus Braços Amém.

Canto do Magnificat (só refrão)


Experiência de uma ex-assistida Relembro sempre, de boa vontade, e com profunda saudade os anos transcorridos no Instituto Antoniano. Lembro o primeiro dia que meu pai acompanhou a mim e as minhas irmãs Catia e Daniela, ao “colégio”. No ingresso veio ao nosso encontro a Irmã da portaria que, imediatamente avisou da nossa chegada às Coirmãs “instrutoras”, que a partir daquele momento tomariam conta de nós. Para mim era a terceira experiência de vida colegial e, sem dúvida, a mais inesquecível e a mais edificante, mas isto só descobri mais tarde. Naquele primeiro instante no meu coração aninhavam-se sentimentos tumultuosos e sensações contrastantes. Prevaleciam curiosidade, medo, resignação, tristeza, ceticismo e confiança. Só após poucos dias nos adaptamos às regras, aos ritmos e aos tempos que haveriam de marcar todas as nossas atividades por muitos meses a vir. Lembro-me, com simpatia, do curso de estudos da Escola Média inferior, impenhativo mas enfrentado com cara feia e diligência por todas as assistidas, amparadas pela confortante presença da Irmã Diretora, encorajadas e guiadas pelas educadoras que nos acompanhavam na parte da tarde, nas horas de estudo. 12 Lembro-me dos muitos momentos recreativos, que se alternavam com as horas escolares: o esporte era praticado intensamente e os passeios culturais organizados freqüentemente. Como esquecer a boa cozinha das irmãs que eu pessoalmente premiava, à mesa, comendo dupla porção de tudo. A ordem e a limpeza reinavam, seja nos ambientes internos como nos externos do Instituto (jardim, varandas, área de jogos). Nós meninas éramos encarregadas, em primeira pessoa, de mantê-los inalteráveis e as irmãs nos ensinavam como colaborar nisso. Como não lembrar a ilimitada paciência exercitada pelas irmãs e posta continuamente a dura prova por nós, crianças, muito exuberantes e travessas. Estes três anos, iniciados com tantas incertezas de minha parte, trascorridos do melhor modo, concluiram-se com entusiasmo e grande esperança para um futuro, enfim, não mais obscuro. O que foi narrado acima foi, sem dúvida, o período mais belo da minha atormentada adolescência, proveitoso sob todos os aspectos da minha personalidade, que se inseriu no momento mais difícil da minha vida, momento marcado pelo prematuro desaparecimento de minha mãe, que deixara um vazio sem igual. Então foi preciosa e admirável a obra da minha irmã educadora que soube substituir com grande tato e renovado afeto, a figura de minha mãe. Durante todo o período de nossa convivência. ela soube compreender, com sensibilidade, o meu estado de espírito e a minha prostração psicológica. Suportou pacientemente as intempenraças de meu caráter exacerbado pela dolorosa perda, compreendeu o endurecimento de meu coração profundamente ferido e a rebelião de meu espírito perante uma provação tão dura . Após muito tempo, considero que não foi por acaso que me encontrei no Instituto justamente quando veio a coincidir com o período mais difícil da minha existência. Provavelmente tudo foi planejado pela Providência Divina. O Senhor não nos deixa jamais órfãos. Devo ser grata por tanto bem recebido, ao Santo Fundador Padre Aníbal Maria Di Francia e à Madre Maria Nazarena Majone pela sua grande obra de assistência à infância abandonada. Sem o seu trabalho incansável, o seu espírito de sacrifício, o seu empenho -13-


missionário e, sobretudo sem o trabalho atual das Irmãs do Divino Zelo e dos Padres Rogacionistas, legítimos herdeiros e garantia da continuidade da obra do Padre Fundador, nós órfãs certamente teríamos tido difícil alternativa de resgate e maiores dificuldades de inserirnos na sociedade. E hoje, como no passado, o empenho renovado não diminuiu. Muitas vezes retorno, de bom grado, a visitar as Irmãs do Instituto, e cada vez que volto a ver este ambiente que me hospedou quando menina, percebo o mesmo perfume, respiro a mesma atmosfera de acolhimento, de paz, de serenidade daquele tempo. Abandono-me, de bom grado, a estas recordações, cheias de saudade e para mim ainda tão caras.

Canto do Magnificat (só refrão)

Experiência de uma Filha do Divino Zelo, ex-assistida Obrigada, Senhor, pela Tua Presença operante nesta Obra Sócio-educativa, pequena criatura do Teu amor. Obrigada por tantas religiosas que acolheram o Teu Chamado para fazerem-se pequenas entre as crianças e jovens necessitados. Louvo-Te de modo particular porque colocastes em meu caminho consagradas que vivendo na humildade e na obediência o Carisma do Rogate, me acolheram com ternura e paciência, interessando-se por meu crecimento humano, pela minha saúde física e moral, me levaram a olhar com otimismo a vida, também em seus aspectos dolorosos e tristes, mas sobretudo me levaram a descobrir o dom maravilhoso da vocação; me acompanharam com discrição e delicadeza; me apoiaram, com a paciência dos encontros interpessoais e a avaliação, na decisão da escolha nesta família religiosa das Filhas do Divino Zelo. Senhor, obrigada por cada uma destas minhas coirmãs que com o sacrifício, a oração e com alegria foram testemunhas do Teu Amor, da Tua Ternura. -14Suscita ainda para esta Obra mulheres prontas ao generoso dom total de si, verdadeiras mães que saibam socorrer com amor desinteressado os filhos desta sociedade pobre, louca e continuem sabendo ler no coração de cada menina e jovem a Tua presença e a acolher o eventual germe do Teu chamado. Senhor da Messe dá-nos o dom de gerar e fazer crescer filhos e filhas para Ti e para a Tua Igreja. Obrigada.

Canto do Magnificat (só refrão) Dirigente:

A cada intenção, feita espontaneamente, respondamos: “ Nós Te agradecemos, Senhor!” 

Por todas as meninas e meninos acolhidos em nossas comunidades,

Por todas as adolescentes, sobretudo por aquelas mais difíceis, que conseguimos amar e acalmar,


Pelas centenas de educadoras que prestaram, apesar de todos os limites, o seu serviço de acolhimento e cuidado para com as meninas e os meninos,

Pelas coirmãs que permanecem no coração de nossas jovens por sua capacidade de amar e enxugar seu pranto, e fazer florescer nelas o sorriso,

Pelas coirmãs que com seu exemplo de vida e de oração ensinaram a amar o Senhor e apontaram a elas o caminho da consagração religiosa,

Pelas jovens acolhidas em nossos orfanatos, nos Institutos educativos assistenciais, em nossos colégios e hoje, nas Obras socio-educativas, que Te encontraram e escolheram consagrar suas vidas a Cristo e à messe, 15 -

Rezemos juntas: Senhor Jesus, dá-nos os teus olhos, capazes de “ver” as necessidades dos irmãos. Dá-nos os teus ouvidos, sempre prontos a acolher qualquer pedido de ajuda, dá-nos o teu coração, aberto a “toda hora” a quem bate. Senhor Jesus, dá-nos os teus lábios, capazes de consolar e dizer palavras boas, dá-nos os teus pés, sempre prontos a ir ao encontro de quem te busca, dá-nos as tuas mãos, sempre abertas para doar. Senhor Jesus, torna-nos como Tu.

 Nós Te pedimos, Senhor Dirigente:

As palavras de Padre Aníbal, nos interpelam ainda: “O que são estes poucos órfãos que se salvam? E estes poucos pobres que são evangelizados, diante de milhões que se perdem e que jazem abandonados como grei sem pastor?». Contemplemos a messe que loureja para a colheita e que espera o dom de numerosos e santos operários. Espera o nosso zelo para agir, o nosso coração para amar, as nossas mãos estendidas para o encontro, os nossos joelhos dobrados em oração... que possamos tornar o mundo habitável para as crianças com sua alegria. Faze sim, que em toda parte do mundo as crianças sintam-se em casa. A cada pedido respondamos:

Envia, Senhor, apóstolos santos a Tua Igreja e às

nossas comunidades. (Cada casa exprima as suas próprias intenções de ora;ção envolvendo também as crianças presentes e quem se encontra a rezar conosco nesse encontro).

Dirigente: Concluamos invocando Deus, nosso Pai e pai de todos: Pai Nosso... - 16 -

Conclusão


Superiora: Cada dia

devemos partir de Deus com a oração e a Ele voltar, seja junto com as crianças, com seus familiares, seja como comunidade educadora. Neste caminho deu os primeiros passos “a pequena caravana”, neste caminho também nós devemos caminhar e fazer resplandecer de nova e viva beleza o Carisma do nosso Santo Fundador. Não deixemos perder o sentido da nossa história, mas aprendamos a ver, com novos olhos, as coisas antigas. Isto quer dizer ter memória e esperança

Canto final: Il ragazzo del grano (ou outro semelhante) (Durante o canto final se pode distribuír às Irmãs e aos leigos presentes, desenhos coloridos de mãos, pés e corações, como sinal de disponibilidade para dar amor e caminhar juntos).

CELEBRAÇÃO 41 - EU AMO AS MINHAS CRIANÇAS  

EU AMO AS MINHAS CRIANÇAS

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