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O fim de semana em Governador Valadares terá sol entre nuvens e pode chover. www.climatempo.com.br

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26o 16o

MÁXIMA

Não Conhecemos Assuntos Proibidos

MÍNIMA

ANO 1 NÚMERO 10

FIM DE SEMANA DE 30 DE MAIO A 1 DE JUNHO DE 2014

ENTREVISTA DA SEMANA

“Valadares não podia esperar mais...” O professor Henrique Duque de Miranda Chaves Filho, reitor da UFJF, é o entrevistado deste Figueira nesta edição. Ele fala sobre a sua sucessão e sobre a campanha eleitoral acirrada que acontece na universidade. Reconhece os problemas estruturais que existem nos campi da UFJF em Governador Valadares, mas diz que a situação está se normalizando e ficará totalmente solucionada com o término da construção do Campus, que segue acelerada. Leia na Página 9

FIGUEIRA DO RIO DOCE / GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EXEMPLAR: R$ 1,00

MAMMOUDÃO COM OS DIAS CONTADOS

Vem aí o novo estádio do Esporte Clube Democrata Não há como negar que o Estádio José Mammoud Abbas foi o principal palco da história do Democrata, apesar de não ter sido o seu primeiro campo. E, ao que parece, também não será o último. Na semana que vem o Executivo enviará à Câmara de Vereadores um projeto de lei que autoriza a alienação do quarteirão que abriga o campo. Na prática, não teremos mais as ruas Sete de Setembro e Rua Afonso Pena congestionadas em dias de jogos. Teremos de ir um pouco mais longe para ver a Pantera. Saiba onde será o novo estádio do Democrata nas Páginas 6 e 7 Fábio Moura

PARLATÓRIO

Vai ter Copa?

Arquivo Pessoal

NÃO!

Enquanto o governo não respeitar os direitos das pessoas, nós vamos gritar: não vai ter Copa! Quem diz isso é a midiativista Janaína de Castro Alves, a moça da foto. Arquivo Pessoal

SIM!

LEIA MAIS

Presença brasileira no

Exército Brasileiro

Haiti

Ao tomarmos conhecimento da nossa designação para compormos um Batalhão de Operação de Paz no Haiti, um misto de emoções afloram a nossa mente, coisas que nos preocupam, que nos dão satisfação, o temor ao desconhecido, a distância familiar, o longo período de clausura no interior de uma base militar..., sensações e preocupações somente superadas pelo orgulho de ter sido escolhido para o cumprimento de uma missão tão nobre, que ressoa como o mais próximo possível da finalidade para a qual, nós militares somos vocacionados.

Edileila Portes abre a sua tão sonhada Exposição neste fim de semana

Esta é a introdução do texto escrito pelo Capitão do Exército Brasileiro, Jairo Cruz, colaborador deste Figueira, sobre a missão militar brasileira no Haiti.

Página 5

Militares brasileiros no Haiti, perto de um blindado das Nações Unidas

“Entre a matéria e o espírito”. Este é o título da exposição de desenhos e pinturas da artista plástia Edileila Portes, uma grande pedida para este fim de semana. Página 11

Arquivo Pessoal

Palco de memoráveis partidas, o velho estádio Mammoud Abbas vai virar pó, e o time ganhará uma arena multiuso, longe da área central, mas acessível a todos

Artes Plásticas

Futebol é festa! O advogado Pedro Tengrouse pensa assim, e mesmo considerando os erros do governo na preparação para a Copa do Mundo, ele afirma: vai ter Copa! Página 2


OPINIÃO

Editorial O Olho Vivo é assunto do momento na cidade. Ou a falta dele em alguns lugares. Em ano eleitoral, vários órgãos públicos e da sociedade civil, assim como entidades de classe ganham ares de agremiações políticas. O Clube de Dirigentes Lojistas, a Associação Comercial, o alto comando local da Polícia Militar, e até a Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra se reuniram a exigir que o município resolva a situação de 14 câmeras com defeito no sistema Olho Vivo, entre as 54 instaladas na cidade. Ao contribuinte deste município sobram estranhezas e faltam informações: - em Belo Horizonte o sistema Olho Vivo foi totalmente instalado e tem sido mantido pelo Estado, sem participação financeira do município; - em várias cidades em que o sistema foi instalado com ônus para o município, ele já saiu de uso, dado o alto custo. Um exemplo é o município de Ipatinga, que dispõe de muito mais recursos que Valadares e desativou por completo o serviço; - o contribuinte de Valadares tem arcado com os custos de 33 servidores cedidos pelo município e selecionados pela PM para o monitoramento do sistema. O número de servidores já chegou a 45 em alguns momentos. São 67 mil reais por mês de salários desses servidores, 900 reais de pagamento da energia elétrica do sistema, 1.800 reais por mês de pagamento à Cemig pelo uso dos postes. A conta anual paga pelo conjunto dos valadarenses aproxima-se de 900 mil reais por ano; - há mais de um ano a prefeita Elisa Costa se reuniu e notificou o secretário de Estado da Defesa Social, Rômulo de Carvalho Ferraz, quanto ao fato de o município ter extrapolado em mais de 100% os seus compromissos financeiros com o sistema – em planilha de previsão para dez anos de funcionamento, pactuada na assinatura do convênio em 2010; - nessa mesma notificação, a prefeita deixou claro que o município não faria a manutenção das câmeras, por total impossibilidade de assumir mais encargos, requisitando do Estado assegurar o bom funcionamento do sistema. Até hoje, nenhuma resposta do Estado foi dada. O mesmo cidadão que tem clara a contribuição do sistema Olho Vivo na prevenção e no combate ao crime precisa ter informação correta para posicionar-se e exigir dos responsáveis constitucionais pela Segurança Pública as medidas cabíveis. Novo Estádio Em edição anterior destacamos a passagem sofrida e festejada do Democrata para a Primeira Divisão do Campeonato Mineiro de Futebol. Agora, apresentamos em reportagem central o projeto de novo estádio, que comporá com o Campus da Universidade Federal, em construção, a área principal de expansão da cidade. O Democrata depende, agora, de aprovação pelos vereadores e pelas vereadoras de autorização para negociar o atual imóvel, onde está o estádio acanhado e estrangulado da Esplanada, para dotar Valadares de estádio nos padrões que a CBF e a FIFA estabelecem. Pelo projeto, a condicionante de inalienabilidade do atual terreno é transferida para o imóvel novo, não havendo, assim, perda da razão pública. Para um time que entrou na elite do futebol mineiro é necessária uma casa digna que dê a ele as condições econômicas para sustentação também. Casa própria para a nova classe trabalhadora Enquanto o governo municipal destaca já ter entregue duas mil moradias do Minha Casa Minha Vida a famílias de renda entre 0 e 3 salários mínimos, passa despercebido o fato das empreiteiras da cidade e a Caixa Econômica Federal já terem entregue nos últimos três anos 3.411 moradias novas para famílias com renda de 4 a 6 salários mínimos. Só para esse segmento, também com subsídios do programa Minha Casa Minha Vida foram investidos em Valadares 328 milhões de reais, movimentando a economia, mantendo aquecida a indústria da construção civil, assegurando empregos. Esta edição traz cobertura do Feirão da Caixa, do final de semana, que movimentou 93 milhões de reais em contratos firmados de mais de 800 novas unidades residenciais.

Expediente Jornal Figueira, editado por Editora Figueira. CNPJ 20.228.693/0001-83 Av. Minas Gerais, 700/601 Centro - CEP 35.010-151 Governador Valadares MG - Telefone (33) 3277.9491 E-mail redacao.figueira@gmail.com São nossos compromissos: - a relação honesta com o leitor, oferecendo a notícia que lhe permita posicionar-se por si mesmo, sem tutela; - o entendimento da democracia como um valor em si, a ser cultivado e aperfeiçoado; - a consciência de que a liberdade de imprensa se perde quando não se usa; - a compreensão de que instituições funcionais e sólidas são o registro de confiança de um povo para a sua estabilidade e progresso assim como para a sua imagem externa; - a convicção de que a garantia dos direitos humanos, a pluralidade de ideias e comportamentos, são premissas para a atratividade econômica.

Ombudsman José Carlos Aragão Reg. 00005IL-ES

Conselho Editorial Áurea Nardely de Magalhães Borges Edvaldo Soares dos Santos Enio Paulo Silva Jaider Batista da Silva João Bosco Pereira Alves Lúcia Alves Fraga Regina Cele Castro Alves Sander Justino Neves Sueli Siqueira

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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

Tim Filho Granja Comary vive clima de Copa!

De Olho Vivo no Olho Vivo

Diretor de Redação Alpiniano Silva Filho

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Parlatório Vai ter Copa? A Copa não tem o poder de transformar a infraestrutura do Brasil SIM

Pedro Tengrouse

Vai ter Copa. E a Copa não passa de uma grande festa, não tem o poder de transformar a infraestrutura do Brasil ou de qualquer outro país. O governo errou ao associar a Copa a obras nos aeroportos, mobilidade urbana, telecomunicações ou segurança. O Brasil, uma das dez maiores economias do mundo, já deveria ter isso com ou sem Copa. Os recursos investidos nessa área já estavam nos cofres públicos, não foram trazidos pela Copa. O erro foi incluir essas promessas no pacote da Copa. Criou-se uma expectativa exagerada e não se conseguiu entregar. A frustração é enorme, mas as obras da Copa são os estádios, que estão prontos. Todo o resto não diz respeito à Copa. Colocam na conta da Copa a responsabilidade por algo que já deveria ter sido feito. O problema não é dinheiro, mas gestão. Para fazer os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, prometeu-se a despoluição da Baía de Guanabara, a extensão do metrô até a Barra. Nada disso foi entregue, mas essas promessas se repetem agora para a Olimpíada de 2016. Dá para acreditar? É um novo equívoco. Em vez de apresentar os jogos como uma grande festa para receber de braços abertos gente do mundo todo, prometem novamente transformar a vida das pessoas, que se frustram porque não veem transformação nenhuma. Isso aconteceu no Pan e na Copa e já podemos dizer que está acontecendo na Olimpíada de 2016. Estamos cometendo o erro recorrente de prometer demais e entregar de menos. Vejamos o exemplo da Jornada Mundial da Juventude. A JMJ foi vendida como era: um congraçamento. Todos ficaram satisfeitos, visitantes e cariocas, mesmo com todos os problemas estruturais. A expectativa gerada foi correta. Ninguém disse que a Jornada transformaria aeroporto ou metrô. Se Copa e Olimpíada tivessem sido

vendidos na sua real dimensão, não estaríamos vivendo todo esse mau humor. Por que esperar que o governo vai fazer tudo o que nunca fez em pouco tempo por causa de um evento esportivo? Dizer que Copa e Olimpíada vão transformar o país é uma ofensa à nossa inteligência. E, sobretudo, um erro estratégico. O Brasil tem total condição de fazer, pagar e realizar um evento como a Copa. Mas, tem de ter a consciência de que vai ser a Copa do Mundo do Brasil. O país não vai se transformar na Alemanha só porque vai receber a Copa. A Copa é uma grande festa, mas mesmo sendo grande ainda é pequena comparada ao PIB brasileiro. Precisamos de infraestrutura por causa do tamanho da nossa economia, não por causa da Copa. No final das contas, o Brasil pode pagar por esses eventos, que são bons para o país e deveriam ser motivo de alegria. O Brasil ama o futebol, adora esporte e festa. O governo se perdeu. Continua falando em aeroporto e mobilidade a 20 dias da Copa em vez de falar do evento. É uma postura que só reforça a frustração. O governo diz respeitar o direito de protestar, mas não vai tolerar ações para impedir a realização dos jogos. É a postura correta? O governo não precisava falar nada. Nenhuma democracia pode tolerar vandalismo. Quando as coisas chegam a esse ponto numa manifestação em Paris e a polícia intervém, a França não fica menos democrática. Pedro Trengrouse é valadarense, advogado, autor de uma dissertação de mestrado que orientou a criação do Departamento de Responsabilidade Social da Fifa. Foi consultor das Nações Unidas para legislação esportiva e coordena uma pós-graduação sobre o tema na Fundação Getúlio Vargas (FGV). * Este artigo é uma síntese autorizada da entrevista de Pedro Trengrouse ao jornal O Globo, em 26/05/2014

Se não tiver direitos, não vai ter Copa! NÃO

Janaína de Castro Alves

A identidade brasileira está intrinsecamente ligada à paixão por futebol. No processo de construção do país que temos hoje – iniciada em 1930 com Vargas, com desenvolvimento industrial e conquistas trabalhistas – o futebol foi essencial para unir todos os brasileiros em uma única paixão, o reconhecimento identitário do que é ser brasileiro. Sendo assim, como é possível que milhares de brasileiros estejam unidos no grito “Não Vai ter Copa?” Mesmo com os inúmeros avanços sociais que tivemos com a diminuição da pobreza e o surgimento de uma nova classe média pelos programas assistenciais, o Brasil ainda desaloja e extermina os pobres com a política “Padrão FIFA”. É essa política que destruiu a ilusão de que o legado da Copa seria positivo. É essa política que faz que, simbolicamente, não esteja tendo Copa. Estima-se que mais de 250 mil pessoas foram removidas de suas casas nos últimos anos. A maior parte dessas remoções é feita de forma ilegal, não respeitando o direito constitucional à moradia. Quando a remoção é feita dentro da lei, o que tem sido cada vez mais raro na cidade, é dado à família um aluguel social de R$ 400,00, quantia insuficiente para locação de imóveis até mesmo em favelas. As remoções não afetam apenas famílias pobres, a classe média que vive de aluguel também foi atingida. O aluguel de um apartamento de 2 quartos na Zona Sul do Rio de Janeiro custa em média 3 mil reais. O sistema de transporte urbano, que deveria ser o maior legado dos grandes eventos, é o mais caro do mundo. O aumento da passagem de ônibus, estopim das reivindicações das jornadas de junho de 2013, continua sendo pauta no dia a dia dos movimentos sociais. Com contratos licitatórios fraudulentos e obscuros, a máfia das empresas de ônibus e concessionárias de metrô e trem continua cobrando valores absurdos nas tarifas, com a proteção dos governos municipais e estaduais de todo país. O sistema de transporte já não comporta o número de usuários do cotidiano, os milhares de turistas que estarão no país para ver os jogos transformarão as cidades em verdadeiras zonas de caos. Além dos problemas que concernem ao poder público, a Copa do Mundo também interfere negativamente nos direitos individuais dos cidadãos brasileiros. A FIFA pressionou os políticos brasileiros para a criação da Lei Geral da Copa (Lei nº 12.663 de 5 de Junho de 2012) que fere a nossa Constituição em diversos incisos, mesmo sendo uma lei provisória (os atos inconstitucionais da Ditadura Militar também eram leis provisórias). O trânsito de pessoas será restrito em um raio de 2 km dos estádios. É proibido o uso da expressão que Copa do Mundo 2014 sem pagamento de royalties. Os vendedores ambulantes estão proibidos de vender qualquer mercadoria no entorno dos estádios, impedindo assim que trabalhadores possam lucrar

com o evento. Os direitos trabalhistas foram flexibilizados, permitindo trabalho infantil e trabalho não remunerado. Os ingressos para os estádios reformados no “Padrão FIFA” subiram em média 300% em dias de jogos normais. Na Copa, os ingressos chegam a U$ 2.998.00 dólares, aproximadamente R$ 7.000,00. Esse lucro pertence integralmente a FIFA. Para cada um dos vencedores da Copa (jogadores, reservas e equipe técnica), a FIFA pagará um prêmio no valor de R$ 100.000,00 que sairá integralmente do Tesouro Nacional, assim como quaisquer danos materiais ao patrimônio público causado pela Federação durante os jogos. Ou seja, a FIFA lucra e a gente paga. Existe ainda em tramitação no Senado o Projeto de Lei 728/2011 que tipifica o crime de terrorismo com um conceito vago, fazendo que qualquer pessoa possa ser considerada terrorista. A lei é vista com maus olhos por diversos advogados e juristas, por ferir a soberania nacional, uma vez que o Brasil não reconhece a tipificação “terrorista” no direito penal. Essa lei condiz muito com o autoritarismo que vivemos nos duros anos de Ditadura Militar, mas deve ter agradado bastante o atual presidente da CBF, José Maria Marín, que é o responsável direto pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog. Marín era, à época, deputado da Arena. Dias antes da morte do jornalista, o então deputado fez um caloroso discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo contra Vladimir Herzog que era diretor da Tv Cultura, acusando-o de veicular conteúdo “comunista”. Herzog foi torturado e assassinado na mesma semana. Portanto, a Confederação Brasileira de Futebol de hoje não é nem um pouco avessa ao caráter autoritário sugerido pela Lei Geral da Copa e a PL 728/2011, chamada popularmente de “AI-5 da FIFA”. Destruíram nosso sonho de sediar o maior evento esportivo do mundo, estão nos dando migalhas enquanto nos sugam a alma. Todo lucro do mundo para a FIFA e para os dirigentes da CBF. Copa para os Ricos, remoções e violência para os pobres. “Da copa, da copa, da copa eu abro mão. Eu quero mais dinheiro pra saúde e educação” diz a palavra de ordem. Se o poder público cuidasse dos direitos básicos de todos os cidadãos como cuida de garantir o lucro dos patrocinadores da Copa, não haveria conflito. A festa seria linda, estaríamos todos satisfeitos. Mas, infelizmente, a Copa serviu para que pudéssemos enxergar todo o descaso dos nossos governantes (em todas as instâncias, a culpa é de todos os partidos. Estamos vivendo uma crise geral da democracia representativa) e nos rebelarmos contra tantos abusos. Não queremos só a alegria do futebol, queremos direitos. Pode até ter jogo de futebol, mas a magia da Copa das Copas foi destruída, por isso gritamos: Não vai ter Copa! Janaína de Castro Alves, midiativista, valadarense que mora no Rio de Janeiro, integrante do coletivo “Rio na Rua”.


CIDADANIA & POLÍTICA

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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

Da Redação

Onde come um, comem dois?

Sacudindo a

Figueira

A Secretaria Municipal de Educação prefere apontar a inflação dos alimentos como responsável, mas é corrente nas escolas a constatação de que o agravamento da perda de qualidade na alimentação escolar – antes chamada merenda – se deu após autorização para os 4.600 servidores docentes e administrativos das escolas partilharem das refeições das crianças. A alimentação que é definida por calorias per capita, com refeições sob medida para 22 mil crianças e adolescentes matriculados na rede municipal, agora dividida por quase 27 mil, deixou de atender ao padrão de qualidade nutricional e há alguns meses não vê carnes nem legumes nem frutas. Arroz e feijão foi o que sobrou para todos.

A figueira precipita na flor o próprio fruto Rainer Maria Rilke / Elegias de Duino

2 Cidades sem aeroporto na Copa... da Alemanha. A Copa do Mundo da Alemanha foi uma das mais organizadas e bem preparadas. Mas, duas entre as doze cidades sede nem aeroportos tinham. Para os torcedores chegarem a Nuremberg e Gesenkirchen viajaram muito de ônibus.

Caricutura de Olívio Dutra feita pelo genial Mário Alberto

Carro do povo, uso particular?

Belém uma das 12 sedes da Copa. Deixou escapar para Manaus. Orgulhosos de Belém, que chamam de Porta da Amazônia, e que tem times com torcidas apaixonadas como o Remo, o Paissandu e Tuna Lusa, os paraenses cobraram o seu apego ao futebol nas urnas.

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Clima da Copa em Valadares – dezenas de pedidos, todos os dias, para o Serviço de Limpeza Urbana, como este: “Vê se manda uma equipe para dar uma limpeza aqui nas nossas ruas. Estamos com um projeto para enfeitar tudo para a Copa, mas a porta da minha casa não ajuda. Fica perto do Salão do Josias, nas ruas Beirute, Vaticano e Paris, no Grã-Duquesa. Conto com a sua colaboração.” Colabora, Juliana!

3 Na derrota do PT na tentativa de reeleição para o governo do Estado do Pará, em 2010, pesquisas qualitativas mostraram que o que mais pesou para o paraense foi o fato de o governo petista do Estado não ter conseguido fazer de

SEÇÃO

Pó de Mico

Juventude do PT encolhe

Faltaram os alunos

Enquanto a juventude do PT em Valadares sumiu das ruas e redes sociais, a do PSDB local já é uma das cinco maiores do Estado e marcará presença na convenção que lançará a candidatura Aécio Neves, nos dias 13 e 14 de junho, em São João Del Rei e São Paulo, respectivamente.

O grande mérito da Unipac é o da inclusão massiva, mesmo antes que houvesse Prouni. A inclusão de milhares de estudantes por meio das mensalidades mais baixas exige gestão austera dos recursos e organização moderna e enxuta da instituição e de suas unidades. Mas, na festa dos 50 anos da Unipac, os maiores beneficiados por esse modelo eficiente, os estudantes, não estavam presentes.

Dobradinha surreal

Os velhos modos da velha dama

Heldo Armond e Paulo Maloca para deputado estadual e federal respectivamente. Dá pra entender? Quem se converteu? Ou tudo não passa de jogo de cena?

A Associação Comercial continua cheia de mistérios. Anunciou extemporaneamente o engenheiro Renato Fraga como o seu novo presidente. Garantia de dedicação e bom trabalho, por sinal. O que a velha dama entende que não cabe à patuléia saber é o que levou o cargo a ficar vago e porque, uma vez vacante, o cargo não foi preenchido pelo vice-presidente. Boa de arranjos essa senhora.

Dobradinha surreal 2 Hélio Gomes dobrando com João Magalhães, Leonardo Monteiro e de quebra sua mulher Brunny Gomes. É pra confundir?

Frase de Apparício Torelly, o Barão de Itararé

Nas redes sociais, está uma festa só o anúncio da possível candidatura do Galo das Missões, o ex-governador Olívio Dutra ao Senado do Rio Grande do Sul. PTB e outros partidos da recandidatura do atual governador Tarso Genro já deram aval público, pois veem nesse gesto um reforço enorme na campanha. Olívio é dos petistas que assumem que o mensalão ocorreu de fato e que o Supremo nada mais fez que colocar as coisas no devido lugar, dando ao partido oportunidade de corrigir as falhas e sintonizar-se de novo com os sentimentos da população.

Sacudindo na Copa

Do jornalista Ricardo Melo, na Folha de S. Paulo, de 26 de maio: “Entre encarar a corrupção e as mazelas do país e tentar criar um clima de não vai ter Copa vai uma distância muito grande. Brasileiro gosta de futebol, assim como detesta roubalheira. Colocar tudo no mesmo saco só faz sentido na cabeça de senhores e oportunistas que conhecem massas apenas quando servidas em cantinas de luxo.”

As duas cobras que estão no anel do médico significam que o médico cobra duas vezes, isto é, se cura, cobra, e se mata, cobra.

O Galo Missioneiro

O relatório de vistoria do FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, da Coordenação de Monitoramento e Avaliação de Alimentação Escolar, indica, entre outras falhas, “ausência de controle do número de refeições servidas”. Para livrar-se das críticas pesadas da imprensa local, dos “companheiros” e do Sindicato, que exigiam o direito das professoras e do pessoal administrativo dividirem as refeições das crianças, a Secretaria de Educação cedeu e agora está diante do pior cenário: falta para todos.

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As duas cobras do médico

Presença constrangida Na cerimônia dos 50 anos da Unipac, com 10 de funcionamento em Valadares, na Câmara de Vereadores, o reitor da Univale ficou na galeria, não no plenário. Presença constrangida no meio do povo, em vez de encontro de reitores pares de universidades irmãs.

Incomodou muito à vizinhança das ruas Santos Dumont e Rondônia, na entrada do bairro de Lurdes, um veículo da Câmara de Vereadores, que passou todo o domingo por ali, como se fosse carro particular. Um casal e outra pessoa ocupavam o carro de placa HNM 99263, até o domingo à noite, quando se retiraram, levando o carro embora. Oportunidade na Federal - 36 vagas para cada um dos cursos de Medicina, Economia e Administração; 28 vagas nos cursos de Educação Física, Nutrição, Odontologia e Farmácia; 22 vagas no curso de Fisioterapia. Os estudantes interessados nas 242 vagas em oito cursos de graduação do Campus da UFJF em Valadares, devem se inscrever no SISU/MEC (sicu.mec.gov.br) entre os dias 2 e 4 de junho. Para concorrer, é necessário que o candidato tenha feito a edição 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Surpresa Surpresa mesmo foi a retirada de cena de Renato Fraga e a pré-candidatura de Edvaldo Soares. Sem nunca ter sido testado nas urnas, Edvaldo foi convocado pelo PMDB local para assumir a vaga deixada por Renato, na disputa à Assembleia Legislativa. Ele que quase elegeu seu filho vereador nas últimas eleições municipais, tem a seu favor o fato de ser novo na política, além de independente e profissionalmente resolvido.

Ibope: bom pra todo mundo Pesquisa Ibope, realizada entre 15 e 19 de maio, demonstra que Dilma Rousseff (PT) reage. Não apenas para de cair, como ainda sobe uns pontinhos em relação à pesquisa de abril, depois de enfrentar um verdadeiro inferno de más notícias; Aécio Neves (PSDB) é o que mais cresce, seguido de perto – em percentual de crescimento - do candidato Eduardo Campos (PSB), embora ainda distantes da presidenta que tenta a reeleição. Se as eleições fossem hoje, Dilma levaria a melhor ainda no primeiro turno, é o que mostra a pesquisa, que também mostra uma tendência a que as eleições só se decidam no segundo turno. Coisa de maluco? Não, é que a diferença da candidata Dil-

ma que era de 13% da soma dos demais candidatos, caiu para apenas 4% agora. Bom, pesquisa é assim mesmo, depende da leitura que se faz. Os governistas comemoram, por exemplo, o fato de que 56% querem mudança, mas com continuidade - e aí o PT acerta em cheio na polêmica campanha do “medo do passado”; embora a maioria prefira que isso aconteça sem Dilma na presidência, o que agrada em cheio aos oposicionistas. Bom é lembrar que, primeiro, pesquisa é apenas retrato de um momento e apenas mostra tendência e, segundo, Dilma, nas eleições, terá o dobro do tempo de seus adversários na propaganda na TV.


GERAL

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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

Feirão movimenta R$ 93 milhões em negócios em GV Das 3.700 pessoas que foram ao Feirão da Casa Própria, no Filadélfia, 841 saíram de lá com os contratos assinados, num total de R$ 93 milhões

Fábio Moura

Fábio Moura/Repórter

A Sociedade Recreativa Filadélfia recebeu o 10° Feirão Caixa da Casa Própria no último fim de semana. 3.700 pessoas circularam pelo local em busca de boas oportunidades para garantir o seu imóvel. 841 saíram de lá com contratos assinados ou encaminhados. No total, foram negociados mais de R$ 93 milhões. Apesar da menor procura em relação ao ano passado, os números marcam um aumento nos negócios contratados e no montante comercializado. Imóveis de todos os preços, na planta, em lotes ou novinhos em folha foram apresentados por doze construtoras. O gerente regional da construção civil da Caixa, José Feliciano Júnior, lembra que o Feirão acontece em um fim de semana, mas gera negócios para o ano todo. “Alguns clientes compram imóvel aqui e outros fazem cadastros nas construtoras para lançamentos futuros de imóveis. O Feirão gera mais contratos para a construtora do que as unidades que ela traz pra vender. Temos um público que já veio, comprou e, agora, vem em busca de uma casa maior, com área de lazer. Temos imóveis aqui entre R$ 95 mil e R$ 1,2 milhão”. André Filipe se casou há dois meses e paga aluguel na casa onde mora. “O Feirão da Caixa é a oportunidade de termos contato com várias construtoras, diferentes tipos e valor de imóvel num mesmo lugar. Fechei um contrato com a Projecon. O apartamento, no Bairro Santos Dumont, está abaixo dos R$100 mil e será entregue no início de 2016”. Izaltino Corrêia, proprietário da Construtora Caboclo, garante que não há lugar melhor para fazer negócios. “Trouxe 15 residenciais e quase 300 imóveis para comercializar aqui no Feirão. A ideia é ir embora com tudo fechado. Já fizemos boa parte das negociações”. A rede de agências da Caixa continua a atender as pessoas interessadas em financiar a casa própria, com as mesmas condições do Feirão. Este ano, quem contratar o financiamento imobiliário durante o período do Feirão pagará a primeira prestação em janeiro de 2015. A maior parte dos imóveis ofertados são novinhos em folha, conforme exigência para financiamento com subsídio do Programa Minha Casa Minha Vida. A face mais visível do programa são as moradias para famílias com renda de 0 a 3 salários mínimos, em residenciais populares que se espalham pela cidade. No entanto, na faixa de renda familiar de 4 a 6 salários mínimos, mais comum ao Feirão, a Caixa já entregou em Valadares, nos três anos de existência do Minha Casa Minha Vida, 3.411 unidades residenciais, representando, até março deste ano, investimento de R$ 328 milhões.

. .

Durante o Feirão da Casa Própria, funcionários da CAIXA prestaram todas as orientações para os clientes, que fecharam 841 contratos de compra

EMPREGO & EDUCAÇÃO

IFMG abre vaga para contratação de professor na área de Direito Estão abertas, até o dia 4 de junho, as inscrições para processo seletivo do Instituto Federal de Minas Gerais IFMG - Campus Governador Valadares, para à seleção de 1 professor temporário na área de Direito. É necessário ser bacharel em Direito e as disciplinas a serem ministradas são: Legislação do Trabalho, Legislação e Licenciamento Ambiental e Responsabilidade Socioambiental. A inscrição deve ser realizada, exclusivamente, por via eletrônica (www.ifmg.edu.br) e o valor da taxa é de R$50,00. O regime de trabalho é de 20 (vinte) horas semanais. Essa carga horária será distribuída para atendimento às aulas dos cursos diurno, vespertino e noturno, no IFMG – câmpus Governador Valadares. A

remuneração mensal é de R$1.966,67. O Processo Seletivo constará de prova de desempenho didático e de títulos. Mais informações: www.ifmg.edu.br/gv Endereço do Campus: Avenida Minas Gerais, 5189, bairro Ouro Verde.

para Governador Valadares, é o curso de Tecnólogo em Gestão Ambiental e o bacharelado em Engenharia de Produção são oferecidos no Campus Governador Valadares. As provas para os cursos técnicos e superiores serão realizadas no dia 20/07, de 14 às 18 horas.

Vestibular

Serviço

As inscrições para o Vestibular e Exame de Seleção 2014/2 do IFMG começam no próximo dia dois (02/06) e vão até o dia sete de julho. A previsão é que o edital do vestibular seja divulgado até o dia 28 de maio. O destaque desta seleção, segundo o coordenador da Comissão do Vestibular do IFMG, Cláudio Aguiar Vita,

O período de solicitação de isenção de taxa de inscrição será de dois até 20 de junho. As regras e condições para solicitar a isenção, bem como informações completas sobre o Vestibular e Exame de Seleção poderão ser conferidas no edital. Mais informações: www.ifmg.edu.br/gv

Notícias do Poder José Marcelo / De Brasília

Exclusivo

Uma iniciativa da Associação dos Notários e Registradores Brasileiros (Anoreg), entidade que representa os mais de 15 mil cartórios do país pode dificultar e muito a vida dos falsificadores de documentos. É que, até o fim do ano, a Anoreg quer implantar um banco de dados único, que vai concentrar as informações de todos os nascidos vivos no Brasil. Como isso ainda não existe, as quadrilhas especializadas em falsificação criam certidões de nascimento que permitem a qualquer pessoa forjar todo tipo de documentação, como carteira de identidade, CPF e títulos de eleitor.

Falsificação fácil

A falsificação mais fácil de acontecer no país é a da carteira de identidade. É que não existe um documento único. Como basta ao cidadão apresentar uma certidão de nascimento, em cada estado ele consegue uma carteira, com número diferente e original. O pior é o motivo porque isso acontece: não existe um banco de dados nacional com as impressões digitais de todos os cidadãos brasileiros. Os institutos de identificação de cada unidade da federação só têm as digitais de quem tirou carteira de identidade no estado. E todos se recusam a compartilhar a informação, para não perder o direito de emitir o documento, porque a medida confere certo prestígio. Enquanto a queda de braço permanece, quem mais sofre é a Previdência, principal alvo das quadrilhas que atuam no ramo das falsificações. São bilhões anuais desviados, por meio de benefícios fraudados com esses documentos.

Vantagem Além de complicar a vida de falsificadores, o banco de dados deve permitir que a pessoa possa pedir uma segunda via da certidão de nascimento em qualquer cartório, de qualquer parte do país, independentemente de onde ela tenha sido registrada. Hoje, isso só é possível se ela for ao local onde o documento foi feito, originalmente.

Mãos limpas É mais do que o desejo de ter de volta uma cadeira na bancada de sustentação. A estratégia do PT ao pedir o mandato do deputado André Vargas (PR), que se desligou do partido e pediu afastamento da vice-presidência da Câmara, é descolar a imagem dele da do PT e, consequentemente, de Dilma Rousseff.É uma maneira de afastar qualquer relação desgastante. A tentativa de faxina na imagem da legenda e da candidata estaria sendo tratada pela equipe de marketing da campanha, para tentar trazer de volta a Dilma sorridente, correta e eficiente de quatro anos atrás. Naquela época, a cirurgia plástica, o corte de cabelo e os tratamentos estéticos ajudaram muito. Agora é preciso mais.

Mãos limpas 2 E por falar em desgastes, a cúpula do PT nem fala mais nos mensaleiros presos.

Na casa do inimigo

Pacote de bondades

Por falar em estratégias eleitorais, os assessores da presidente Dilma Rousseff andam de cabelo em pé com a agenda da candidata à reeleição. De certo, sabem apenas que ela dedica atenção muito especial a Minas, onde não perde nem inauguração de parquinho infantil. A cidade visitada é que muda, a todo instante. Uma dor de cabeça para quem precisa cuidar do cerimonial na cidade-destino. É que Dilma quer ganhar território principalmente no quintal do adversário Aécio Neves. Com ele enfraquecido em Minas, a campanha ganharia ainda mais fôlego.

Depois da correção da tabela do Imposto de Renda e do aumento do Bolsa-Família, o governo anunciou como permanente um benefício que era provisório: isenção de impostos para os setores automotivo, pneumáticos, têxtil, naval, aérea, de material elétrico, meios de comunicação, móveis e brinquedos.Mas, reforma fiscal mesmo, que seria boa para todo mundo e tiraria esse caráter eleitoreiro, imediatista e que beneficia só alguns setores, isso não anda. Arrasta-se no Congresso desde o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso.

Diferencial

E o vice?

Como viaja para inaugurações e compromissos oficiais e não para “fazer campanha”, todo o percurso é feito no avião presidencial.

Está virando piada a indefinição em torno da escolha do vice do senador Aécio Neves (PSDB-MG), na corrida presidencial. Até o senador Aloysio Nunes já teria tirado o time de campo. Estaria tentando convencer o ex-senador Tasso Jereissati (CE) a compor a chapa.

José Marcelo dos Santos é comentarista de política e economia e apresentador da edição nacional do Jogo do Poder, pela Rede CNT. É professor universitário de Jornalismo, em Brasília.


REPORTAGEM

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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

Exército Brasileiro

A imagem que se tem do povo haitiano é a de praticantes de religiões africanas, como o vudu e similares, mas a maioria é evangélica. A difusão da fé cristã é feita por missionários brasileiros e norte-americanos

Presença brasileira no Haiti

Jairo Cruz

O preparo para ser braço forte e mão amiga Ao tomarmos conhecimento da nossa designação para compormos um Batalhão de Operação de Paz no Haiti, um misto de emoções afloram a nossa mente, coisas que nos preocupam, que nos dão satisfação, o temor ao desconhecido, a distância familiar, o longo período de clausura no interior de uma base militar..., sensações e preocupações somente superadas pelo orgulho de ter sido escolhido para o cumprimento de uma missão tão nobre, que ressoa como o mais próximo possível da finalidade para a qual, nós militares somos vocacionados. Na realidade, a missão em solo haitiano tem a duração de seis a sete meses, porém, os trabalhos para composição do Brabat (Brasilien Battalian), têm o seu início seis meses antes do embarque, período no qual haverá a formação estrutural do batalhão composto por militares oriundos dos diversos rincões do nosso Brasil. Esse período caracteriza-se por evidenciar a necessidade de muito trabalho e a construção do espírito de corpo da organização militar recém-formada, em nossa mente existe um só pensamento, um só objetivo, o de representar da melhor maneira possível o nosso país, e sermos verdadeiramente o braço forte e a mão amiga, para isso o treinamento é duro e exaustivo e as palavras de ordem são superação e comprometimento. Para que venhamos a nos adaptar o mais rapidamente possível ao pisarmos em solo caribenho, é necessário conhecermos os aspectos sociológicos, antropológicos, que agregados a outros fatores, compõem a cultura haitiana. Em um primeiro momento, para o leigo, ao observar traços fisionômicos do povo haitiano, de imediato notar-se-á uma grande semelhança com a população de cútis negra brasileira, porém, com o aprofundamento do conhecimento pode-se afirmar que apesar da semelhança física, as aspirações, modus vivendi e aspectos culturais são bastante divergentes aos nossos. Por mais terras que eu percorra Finalmente, após seis meses de exaustivo treinamento aguardamos tão somente o momento do

embarque, para os que possuem uma família com esposa e filhos, o rompimento dos laços umbilicais são bastante complicados. Para a esposa, caberá o papel do homem e da mulher do lar, dar continuidade à vida cotidiana da família com todas as suas nuances, para os filhos pré-adolescentes ou adolescentes, que já compreendem as coisas correlatas à vida do pai, ou mãe militar, que irá deslocar-se para o cumprimento dessa missão, é um grande herói. Para os mais novos, que ainda não compreendem corretamente as idas e vindas desta vida, torna-se um momento de amargura e a sensação de abandono aflora nos seus sentimentos. Lembro que meu filho de seis aninhos, na época do meu primeiro embarque, sequer falava comigo pelo skype ou telefone, quando muito, um “oi paiiii ... !!!”, bastante desconfiado e choroso. O Haiti que eu vivi Ao pisar pela primeira vez em solo haitiano, estava bastante apreensivo, ao observar os escombros oriundos do devastador terremoto em janeiro de 2010, que provocou em torno de 200.000 mortes e muita destruição, pude notar que mesmo em meio a tanta dor, a alma do povo não foi afetada, e apesar do ambiente inóspito e exótico, pude observar no semblante de cada um o orgulho de ser haitiano, tanto que em vários locais, principalmente na capital, Porto Príncipe, são exibidas várias bandeiras haitianas, que mesclam-se às do Brasil. Em algumas situações, nota-se apesar de toda a pobreza, a altivez daqueles que de acordo com a história, formam o primeiro país de etnia negra e o segundo das Américas a obter a liberdade, a independência, uma saga marcada por muito derramamento de sangue e sacrifício de muitas vidas, mas, que é o grande motivo do orgulho deste povo. Esperava, conforme o nosso conhecimento inicial, um povo praticante de religiões africanas, como o vudu e similares, porém, vê-se claramente que hoje existe uma ampla população evangélica, fé bastante difundida por missionários brasileiros e norte-americanos, bem como pela Igreja Católica, esta em menor proporção. O grande trunfo que nós, militares brasileiros, carregamos e que nos dá acesso a locais onde tropas de outros países são normalmente hostilizadas ou apedrejadas está estampado em nossos uniformes, a

Militar do Exército Brasileiro em uma ação social no Haiti, distribuindo suco para crianças haitianas

bandeira do Brasil. Outro trunfo é a capacidade nata do soldado brasileiro de interagir e compreender que a realidade daquele povo, guardada as devidas proporções, não é muito diferente da nossa. Existe um esforço muito grande das tropas enviadas pela ONU, para tentar reverter o quadro caótico em termos humanitários, o estado de pobreza é bastante abrangente. Após o terremoto, muitas crianças ficaram órfãs, o que faz com que os orfanatos venha a ser um “negócio” bastante interessante no sentido de se obter donativos e recursos de ONGs. Há esgoto a céu aberto percorre toda a cidade, grande índice de pessoas contagiadas com o vírus HIV, malária e atualmente a filariose.

portar. O índice de violência e de homicídios ainda é muito grande, a PNH - Polícia Nacional Haitiana, totalmente despreparada e truculenta, dá margem ao crescimento da criminalidade. Sabemos que existe a necessidade daquele país começar a andar por suas próprias pernas, mas, em um elementar estudo, verifica-se a necessidade urgente de uma mudança de mentalidade da população, e isso somente virá através da educação, que também é comercializada; somente os mais “abastados” têm esse direito. O desafio continua

O interessante é que ao retornar para o Brasil, sinto em meu coração que poderia fazer mais. Por O grande trunfo que nós, incrível que possa parecer, apesar dos momentos militares brasileiros, carregamos de angústia que passamos, longe do seio familiar e e que nos dá acesso a locais dos amigos, fica essa sensação. Imagens marcantes saltam à nossa memória, o sorriso branco de uma onde tropas de outros países criança de olhos redondos cor de jabuticada, a todo são normalmente hostilizadas ou apedrejadas está estampado instante querendo por força tomar o nosso colo quase nos dizendo “me faz um carinho, eu não esem nossos uniformes, a tou acostumado a me tratarem tão bem..., não vão bandeira do Brasil. embora, vocês são a nossa única esperança de dias melhores”, o olhar carinhoso e desconfiado de uma Às vezes, ao sairmos em patrulha motorizada ou senhora haitiana marcada pelo sofrimento, o esforço à pé, no caótico trânsito na capital, durante o dia, é co- em querer se comunicar conosco falando um portumum nos depararmos com um fluxo de pessoas muito guês quase baianês e o gingado espontâneo daquegrande indo e vindo de um lado para o outro, com o les que nos chamam de “bombagai” - gente boa. Certa vez, um recém-chegado oficial brasileiolhar fixo no nada, em busca de mangê, a comida. A água captada no subsolo por companhias haitianas ro, ao se deparar com o Wilson, nome emprestado não recebe tratamento algum, e não pode ser conside- de um amigo haitiano de dezesseis anos, fez-lhe a rado como um serviço público. É um domínio para a inocente pergunta: “O que você pretende ser no fuexploração comercial por uma classe social que aufere turo?”, o jovem por sua vez posicionou-se de frente ao militar brasileiro, suspirou profundamente e lucro com a monopolização desse bem de consumo. O comércio é de caráter informal, com vários em um tom de insatisfação e conformismo afirmou ambulantes comercializando tudo o que podem. La “Eu..., não vou ser nada, no Haiti, nós não podemos Sallines, ou mais comumente chamado cozinha do sonhar, sobrevivo dia após dia.” Esta triste realidade, por mais que os anos pasinferno, corresponde a um grande mercado a céu aberto, onde o fator mais marcante é o odor insu- sem, ficarão marcadas em minha vida e o sentimento unânime da tropa é que parte de nós ficou para portável e a condição precária de higiene. É comum vermos IDP (Internally Displaced trás e jamais seremos os mesmos. People), ou campo de deslocados, também conhecidos como refugiados internos. São pessoas que foram forçadas a sair de suas casas após o terremoto Jairo Xavier Cruz é Capitão do Exército Brasileiro, e que hoje sobrevivem na mais completa, caótica e componente do BraBat 2/14 e 2/17, dirige a Junta de degradante condição que um ser humano pode su- Serviço Militar em Valadares atualmente.

Ruas com muito lixo são o retrato da infraestrutura deficiente em um país entregue ao caos


METROPOLITANO

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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

São 65 anos de histórias. Provavelmente não romperemos a barreira das sete décadas. Seja Campo dos Eucaliptos, Estádio José de Magalhães Pinto ou Estádio José Mammoud Abbas; aqui, o Democrata se eternizou no interior de Minas

A paixão alvinegra vai mudar de endereço O Democrata pode trocar de casa pela terceira vez em sua história. A alienação do quarteirão do atual estádio, impedida por lei, entrará em jogo na próxima semana para apreciação da Câmara de Vereadores. Fábio Moura/ Repórter / Texto e fotos

Hoje em dia, todos estão se modernizando. O Democrata merece um estádio novo, sim. Ainda mais com esta torcida. Veja só como é difícil a situação atual do Mammoudão. Eu, particularmente, sonho com o Democrata em um estádio novo. Ganha-se em tudo. Quanto à distância, hoje, todos os novos estádios estão afastados da cidade. Não tem outra saída.

Gilmar Estevam, Técnico do Democrata no Módulo II do Campeonato Mineiro 2014

À esquerda da Rua Direita. Foi lá que o Democrata deu início à sua história, antes mesmo que a Figueira se emancipasse politicamente, em 1938, quando adotou o nome de Governador Valadares. Era 1932, ainda, e a bola já rolava há mais de uma década por essas paragens. A bola, pois outros objetos rolavam muito antes disso. Foi Manso de Andrade quem trouxe a primeira bola de verdade para a cidade. Foi tão importante, que merecerá espaço cativo adiante, nas próximas edições deste Figueira. Pois bem. A Rua Direita, hoje Prudente de Morais, era a principal via da cidade à época. Caminhava lado a lado com a estrada de ferro que vinha do litoral capixaba e seguia rumo ao centro de Minas Gerais. À sua esquerda, mais precisamente no quarteirão onde hoje está Colégio Imaculada Conceição, situava-se o primeiro campo da Figueira. Lá, o Flamengo Foot-Ball Club deu os primeiros passos de sua curta trajetória. A Figueira crescia em ritmo acelerado e cada vez mais pessoas desembarcavam na Estação aos pés da Ibituruna. E, como já era comum naquele tempo, em momentos de folga, os figueirenses queriam mais era uma bater bola. É aí que surge o Ibituruna Foot-Ball Club para travar duelos com o Flamenguinho que incendiariam os domingos do vilarejo. O time de garotos treinava num quarteirão cercado pelas ruas São Paulo, Marechal Deodoro, Caio Martins e Marechal Floriano. O Ibituruna, pra quem não sabe, dissolveu-se após tomar uma sonora goleada do Palestra Itália, de Cachoeirinha, hoje Tumiritinga. Aí, então, começa a história do Sport Club Democrata – o nome se aportuguesou apenas na década de 1940. Boa parte dos dissidentes do Ibituruna resolve montar um novo time, que treinaria no mesmo lugar daquele que o precedeu. Ficou lá até o fim da década de 1930, quando a Prefeitura de Peçanha, município ao qual pertencia a Figueira, doou outro terreno para o clube. A mudança fazia-se necessária diante do avanço urbano do vilarejo em direção à região que hoje abriga a Rodoviária. A permuta foi por um terreno alguns quarteirões acima, mais distante do Rio Doce. Foi lá, que na década de 1940, a recém emancipada Governador Valadares viu brilhar o Expresso do Vale. Sob o comando de Valter Melo, o “diabo louro”, o Democrata ganhou esse apelido, pois não perdoou nenhum dos times que enfrentou ao longo da estrada de ferro. Fora e dentro dos gramados do seu mais novo campo. Imbatível, o Democrata conquistou também o segundo campeonato da Liga Amadora de Governador Valadares, em 1948. Mas, Governador Valadares continuava a se desenvolver rapidamente. O que mudava de lugar agora era a Estrada de Ferro Vitória a Minas. A cidade havia crescido ao seu redor e ela teve de mudar o seu trajeto. Foi pra onde? Pra cima do campo do Democrata, não é? Quase. A nova linha foi rasgada ao seu lado, o que fez o time buscar outra casa, pois ali se instalaria a Praça da Estação. Após um longo imbróglio com a Vale, em 19 de fevereiro de 1949, o prefeito da época, Dilermando Rodrigues, sanciona a Lei de N° 50. Em seu primeiro artigo, trazia o seguinte texto: Art.1º - Fica o Prefeito Municipal autorizado a fazer doação ao “Esporte Club Democrata”, associação esportiva desta cidade, para a instalação de sua praça de esportes, o terreno constituído pelos quarteirões nrs. 59 (cincoenta e nove) e 147 (cento e quarenta e sete) da planta primitiva da cidade, com a área de 22.000.00 ms2, (vinte e dois mil metros quadrados), parcialmente circundado por muro e conhecido pela denominação de “Cemitério Novo”, abrangendo 44 lotes e mais 4 (quatro) outros que resultaram do fechamento da Rua Trinta e Nove. O terreno era arenoso por demais e não serviria para receber o tal Ce-

mitério Novo. Mas, serviria para receber um campo. No caso, o Campo dos Eucaliptos, a terceira casa do Esporte Clube Democrata. Foi lá que a Pantera travou diversos duelos com o Clube Atlético Pastoril, time com o qual estabeleceu uma rivalidade ferrenha. O nome do campo não era em vão, e foi no meio dessas árvores que o Democrata perdeu quase todos os campeonatos da Liga Amadora para o rival nos anos 50. Levou o título apenas em 1956. Com a década de 1960, chega ao clube José Mammoud Abbas. O novo gestor do Democrata trouxe também a vontade de erguer arquibancadas que dariam ao campo o status de estádio. Depois de derrubar os eucaliptos, vender 730 cadeiras cativas e gastar 50 milhões de cruzeiros, inauguravase no fim de 1963 o Estádio José de Magalhães Pinto. O lance de concreto instalou-se de costas para a Rua Oswaldo Cruz. No centro, cadeiras e cabines de rádio. Nas duas laterais, mais cimento em degraus para abrigar mais 2.000 torcedores. As extremidades das ruas Afonso Pena, Sete de Setembro e Francisco Sales continuavam cercadas apenas por muros. Antes de chegar ao campo, havia ainda os alambrados. Entre eles, uma enorme massa democratense acompanhava os jogos. Em 1981, na gestão do presidente Almyr Vargas, o estádio ganha uma nova perspectiva. Na extremidade da Afonso Pena, um novo lance de concreto, mais baixo, deu origem à “geral”. De costas para a Francisco Sales foram edificadas as arquibancadas metálicas. Foi também nessa década que o estádio deixou de homenagear o governador mineiro dos primórdios da década de 60 e passou a condecorar o idealizador de sua construção: Estádio José Mammoud Abbas. Foi no Mammoudão que vimos o Democrata lançar grandes craques como Ziquita, Juvenal, Pagani e Batistote. Foi lá também que a Pantera levantou a Taça Minas Gerais e travou duelos emocionantes com times da cidade e, porque não, com os de expressão nacional. Foi lá que vimos um time de garotos quase levar o título mineiro em 1991; e conquistar o título de campeão do interior por quatro anos seguidos. Assistimos a Pantera na segunda divisão do Campeonato Brasileiro e, também, na Copa do Brasil. Vimos o time ser rebaixado. Mas, com 13 mil pessoas amontoadas, assistimos ao seu retorno glamouroso. Assistimos à conquista do pentacampeonato do interior e à penúria até uma nova queda. Choramos e vibramos naquelas arquibancadas. Em pé nas metálicas ou sentados nas cadeiras. Lotamos aquele estádio até em jogos da categoria de base, amistosos ou treinos, mesmo. Vimos de tudo. Vimos até mesmo uma pincelada divina no dia 20 de abril deste ano. Num passe de mágica, voltamos à primeira divisão em um jogo memorável. Havia menos de mil pessoas, mas ainda éramos a maior do interior dentro do caldeirão valadarense. Enfim, debaixo do sol escaldante ou do sereno da noite, estávamos lá, ávidos e eufóricos. Pois bem, leitor. Essa pode ter sido uma das últimas conquistas no nosso Mammoudão. Jogamos nesse quarteirão há 65 anos e assistimos de tudo. Às vezes, com uma capacidade de público muito maior do que a permitida hoje, como os 17 mil que acompanharam a partida contra o Cruzeiro em 1982. Até agora, o Democrata está impedido de alienar o seu terreno, mas isso pode ser alterado em alguns dias. A Pantera, então, mudaria pela terceira vez e deixaria pra trás a casa mais tradicional de toda a sua história. Mudar pra onde? No apagar das luzes do ano de 1992, no dia 30 de dezembro foi sancionada a Lei 3.658 – quatro anos mais tarde teve seu texto parcialmente alterado pela Lei 4.224 – que dispunha sobre a doação do terreno ao Es-


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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

Fábio Moura

No lombo de dois mangalargas chegamos ao “Buraco do Cachorro”, local que será doado ao Democrata, caso o campo, na região central, tenha a alienação permitida pelo projeto de Lei que chegará à Câmara na próxima semana

porte Clube Democrata e dava outras providências. Uma das tais outras providências era a seguinte: “(...) não podendo dito terreno ser alienado em hipótese alguma”. É isso mesmo, assim como está escrito. O Democrata não pode se desfazer daquele quarteirão no Bairro Esplanada, sob a pena de ter a posse do terreno revertida ao município. O Executivo Municipal está avaliando a Minuta do Projeto de Lei que dispõe sobre uma revogação dessa medida. Logo no artigo 1º: “Fica o Esporte Clube Democrata, com sede neste município, autorizado a alienar o imóvel por ele recebido em doação do Município de Governador Valadares (...)”. Mas, isso não vai ser feito de qualquer jeito. A Minuta traz, ainda, algumas outras disposições. O novo estádio deverá ter capacidade mínima para 15 mil pessoas – parte dela, a exemplo da estrutura atual, deverá ser coberta -, além de ter acesso pavimentado e uma distância máxima de 10 km do Centro de Governador Valadares. E o principal: “Fica vedada a demolição, total ou parcial, do Estádio José Mammoud Abbas, antes que se efetive a entrega do estádio ou praça esportiva, sob a pena de revogação de autorização da alienação”. Tudo isso deve ser concluído quatro anos após a publicação da Lei que será enviada para avaliação da Câmara de Vereadores na próxima semana.

turas e alcançar as dimensões exigidas pelas federações. Além, ainda, dos problemas de trânsito, estacionamento e do hospital que são irreversíveis”, explica Edvaldo Soares. O novo estádio já tem um possível terreno e um projeto. A nova Arena da Pantera seria construída num espaço doado pelo presidente do clube. O “Buraco do Cachorro”, como é conhecido o local, está há cerca de 5 km do anel rodoviário da BR 259, na Av. Minas Gerais. O acesso seria feito na maior parte pela própria BR. O quilômetro final, ao sair da rodovia, ainda terá de ser pavimentado. Este é o único espaço oferecido ao Democrata até agora, mas, de acordo com o presidente, há mais alguns empreendedores que se dizem dispostos a doar parte de seus terrenos para o clube. Contudo, as propostas vêm da mesma direção geográfica. “Hoje, este espaço ainda pode soar um pouco distante no imaginário do valadarense. Mas, a cidade cresce em ritmo acelerado naquele sentido e já já os arredores do estádio serão abarcados pela construção civil. Torcedores de toda a cidade percorrem distâncias similares para chegar ao Mammoudão. Além do que, haverá acesso por transporte coletivo ao local e grandes áreas de estacionamento”, relata Edvaldo. A nova arena terá capacidade para 20 mil torcedores e está orçada em R$ 28 milhões. Ela seguiria os moldes do Estádio Soares de Azevedo, do Nacional de Muriaé. Isso, porque pretende-se fazer aqui o mesmo que foi feito lá: ancorar as arquibancadas nas montanhas que circundam o que será o campo. O terreno disponível oferece essa estrutura. Isso reduziria os custos da obra, pois não seria necessário erguer pilastras de sustentação em três dos quatro lados. A estrutura receberia, ainda, lojas, apartamentos, vestiários, banheiros, salas para administração e parte do novo centro de treinamentos – integrado ao estádio. Pretende-se, também, utilizar o espaço como fonte de renda para o Democrata. A arena sediaria jogos de outras equipes, a exemplo do Ipatingão, shows e outros eventos culturais.

Todo ano é uma dificuldade pra conseguir a liberação do estádio. Ninguém quer assinar o laudo de vistoria. Vai chegar um dia em que não vamos mais poder mandar jogos aqui

Osório Silva Secretário do ECD

Fala quem sente na pele

Só tem craque na foto. O Democrata da década de 50 tinha Ruy Moreira, Jorge Carvalho, Apolinário, Jota, Carioca e mais um bocado de jogadores de alto nível. O registro é no Campo dos Eucaliptos, um dos primeiros nomes do atual Mammoud Abbas “Um novo estádio é a salvação para o Democrata”, afirma Edvaldo Soares, presidente do clube. Mas, por quê? Perguntam os mais desavisados. Mais uma vez o campo do Democrata está no caminho de expansão da cidade. Governador Valadares cresceu, alcançou e ultrapassou o Estádio José Mammoud Abbas. Vias de intenso fluxo de automóveis instalaram-se ao seu redor. Até mesmo, o Hospital São Vicente foi parar nas sua vizinhança. “Em dias de jogo é um caos. O estádio não oferece estacionamento. Então, é possível ver carros estacionados irregularmente daqui até a Praça Serra Lima. O trânsito de carros fica inviável. Não fosse por questões de segurança, viria pra cá a pé. Os vizinhos sofrem com a desorganização. Os pacientes do hospital, então...”, justifica Edvaldo Soares. “Todo ano é uma dificuldade pra conseguir a liberação do estádio. Ninguém quer assinar o laudo de vistoria. Vai chegar um dia em que não vamos mais poder mandar jogos aqui”, confidencia Osório Silva, secretário do clube. O alerta de Osório é feito em função da luta travada antes do início de todos os campeonatos para que o Democrata possa mandar seus jogos no Mammoudão. O estádio já não atende mais as exigências das federações esportivas e teve a sua capacidade de público reduzida para 8.678 espectadores. As arquibancadas metálicas são consideradas inseguras – apesar de serem submetidas a revisões anuais – e a estrutura de vestiários, dormitórios e administrativa vai sendo usada da forma que dá. Mas, por que não reformar o estádio e continuar por aqui mesmo? “Primeiro, porque não há verba. Qualquer modificação geraria custos que o Democrata não tem para gastar. Um novo estádio seria construído com os recursos angariados da venda dos imóveis deste quarteirão. Fora isso, estamos limitados às ruas. Não temos condição de expandir nossas estru-

É certo que a maior do interior não irá abandonar a Pantera. Mais distante ou não, o estádio do Democrata ainda será sinônimo de caldeirão e pressão para os adversários. Mas, e quem mora lá dentro? O Parceirinho ajudou a construir as arquibancadas de concreto do Estádio José Mammoud Abbas, na década de 60, e vive nos fundos da geral até os dias de hoje. Lá, criou seus filhos, permeou diversas gestões e manteve um dos melhores gramados de Minas Gerais. “Comecei minha era no Democrata nesse estádio e vou terminá-la aqui. Assim que o time seguir pra sua nova casa, vou pro mundo”. Getúlio Anacleto, massagista do clube, mora debaixo das arquibancadas do Mammoudão desde a década de 1990 e vai seguir junto à Pantera por alguns anos, ainda. “Se é bom pro Democrata, que seja feito logo. Se tiver um barraquinho lá, eu vou. Debaixo da arquibancada mesmo, já tá bom”. Ídolo da Pantera nos anos 90, Gilmar Estevan voltou ao clube para marcar mais uma vez o seu nome na história. Levou o time de volta à 1ª Divisão do Campeonato Mineiro. Pra ele, não tem nem de pensar duas vezes. “Hoje em dia, todos estão se modernizando. O Democrata merece um estádio novo, sim. Ainda mais com esta torcida. Veja só como é difícil a situação atual do Mammoudão. Eu, particularmente, sonho com o Democrata em um estádio novo. Ganha-se em tudo. Quanto à distância, hoje, todos os novos estádios estão afastados da cidade. Não tem outra saída. Os torcedores terão de se adaptar à nova realidade. Ganharemos, ainda, nos trabalhos com as categorias de base, além de conforto e de uma estrutura que se fez necessária no futebol moderno”. Mas, nem todo mundo está satisfeito com a mudança. O novo local ainda é um entrave para a torcida. “A identidade do Democrata é o Mammoudão. O estádio é a cara do torcedor do clube. Um novo estádio dificilmente receberá públicos que o Mammoudão recebe. Além disso, a chamada arena certamente será um campo neutro, como é o Ipatingão, a Arena do Jacaré e o Parque do Sabiá. No âmbito estrutural, um estádio novo pode ser bom para a cidade, mas no âmbito esportivo, não. O Jacaré depois da Arena só caiu, o Uberlândia não consegue sair do módulo II. Tem uma área gigante atrás do Mammoudão que poderia servir de estacionamento. No papel tudo é bonito, mas na prática teremos transporte mais caro, ingressos mais caros e tudo mais”, relata o torcedor Higor Terra. Mas há quem veja com bons olhos. Edmilson Rodrigues, um dos fundadores da Pantera Cor-de-Raça, na década de 1980, entende que os pontos negativos serão suprimidos. “A cidade tem uma perspectiva de crescimento naquele sentido irrefreável. O Democrata vai estar sempre limitado às suas ruas. Clubes que vivem de bilheteria ou arrecadações proporcionadas pelo espaço do estádio, precisam de algo mais apresentável, mais confortável. A estrutura é muito acanhada, hoje. Em quatro anos, será ainda mais. O torcedor vai, sim, desde que haja algo que interesse a ele. E o Democrata interessa a muitos. O mesmo aconteceu em Belo Horizonte. O Mineirão e a UFMG foram construídos longe do centro urbano da capital. Hoje, foram abarcados pelo crescimento da cidade. O Campus da Universidade Federal, em construção, e o novo estádio do Democrata têm a tendência de viverem a mesma situação”.

Em dias de jogo é um caos. O estádio não oferece estacionamento. Então, é possível ver carros estacionados irregularmente daqui até a Praça Serra Lima. O trânsito de carros fica inviável. Não fosse por questões de segurança, viria pra cá a pé. Os vizinhos sofrem com a desorganização. Os pacientes do hospital, então...

Edvaldo Soares dos Santos Presidente do ECD


GERAL

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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

Políticas Públicas de Saúde

Cidadania

Derli Batista da Silva

Atendimento Domiciliar e Saúde da Pessoa Idosa Outro dia, estava em um hospital privado, conveniado ao SUS, quando encontrei um amigo de infância, morador na mesma comunidade em que fui criado. Ele saía com a sua mãe, de oitenta e quatro anos de idade, em uma cadeira de rodas; uma senhora bastante abatida fisicamente, demonstrando muita fragilidade e alta dependência, condição que exige cuidados especiais. Ao abraçá-lo, informou-me, com angústia: “Minha mãe estava internada há dias, está com ferida nas nádegas, não consegue andar e sente fortes dores...” Na recepção do hospital, ele procurava por táxi e também já estava ao telefone pedindo a alguém ajuda para levar a mãe para casa. Claro, como qualquer amigo ou ser humano, como você, leitor (a), faria, me ofereci para levá-los ao seu lar e o fiz. Ele é eletricista. Pelo que sei, não há ninguém na família que seja enfermeiro, técnico em Enfermagem, médico ou outro profissional de saúde... Como cuidar da sua mãe idosa, em casa, com o estado de saúde tão debilitado pós internação hospitalar? O Estatuto do Idoso - Lei nº 10.741/03 - determina como “obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde...” (art. 3º) e define que é “obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.” (art. 9º). Ainda esta Lei, em seu artigo 15, assegura “a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde - SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde...”. E, garante “atendimento domiciliar, incluindo a internação, para a população que dele necessitar e esteja impossibilitada de se locomover (...)”. A atenção domiciliar se caracteriza por um conjunto de ações de promoção à saúde, prevenção e tratamento de doenças e reabilitação prestadas em domicílio, com garantia de continuidade de cuidados por equipe multiprofissional de saúde. Isso quer dizer que no caso citado, por exemplo, já deveria ter a ambulância na porta do hospital à espera da paciente, com profissionais da equipe de internação domiciliar, pois o Ministério da Saúde também libera dinheiro público para esta finalidade, desde que o município encaminhe a proposta e

assuma responsabilidades com o programa Melhor em Casa. O programa Melhor em Casa, que tem como lema “A segurança do hospital no conforto do seu lar”, é um direito e pode gerar muitos benefícios à saúde das pessoas e suas famílias, em momentos difíceis que requerem cuidado de profissionais da saúde. Então, qual o motivo para Governador Valadares ainda não ter implantado este serviço de atendimento domiciliar? No Manual Instrutivo do Melhor em Casa, publicado pelo MS, disponível no site saude.gov.br, lê-se: “Os serviços de atenção domiciliar surgiram na década de 1960 e vêm se multiplicando no Brasil mais intensamente a partir da década de 1990...”, por aí percebe-se que, neste aspecto, o sistema de saúde em nossa cidade está atrasado há pelo menos três décadas.

Para garantir o direito à saúde, em serviços públicos ou privados, por vezes, é necessário recorrer à Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (telefone 3278 7692) e à Ouvidoria do SUS (Disque 136). A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia.

Ora, quem se propõe a governar na direção da justiça social, da dignidade humana e do compromisso real com as camadas menos favorecidas - respeitando o princípio da equidade -, tendo por isso a nossa confiança, não pode permanecer na marcha lenta e nem se contentar com os resultados da gestão já que ações e programas essenciais de saúde ainda não foram efetivamente garantidos à população. É muito importante que as comunidades e, especialmente, as famílias de pessoas que precisam de atendimento em casa estejam atentas ao direito à saúde de forma integral, ou seja, que atenda à pessoa em todas as suas necessidades, conforme a legislação determina, as famílias anseiam e o governo deve garantir de fato. Assim, a caminhada pela assistência digna à saúde deve alcançar órgãos que provavelmente estão adormecidos ante a dura realidade de significativa parcela da população que depende dos serviços de saúde. Para garantir o direito à saúde, em serviços públicos ou privados, por vezes, é necessário recorrer à Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (telefone 3278 7692) e à Ouvidoria do SUS (Disque 136). A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia. Derli Batista da Silva é enfermeiro e professor universitário.

Paz na Escola é tema de gincana realizada na E. M. Octávio Soares Começou no dia 22 de maio a gincana Paz na Escola, que envolve toda a comunidade escolar (funcionários, alunos e pais). Ao todo, mais de 350 alunos, professores, pedagogos e funcionários de serviços gerais participam da competição, que está dividida em cinco equipes compostas por quatro turmas, mais doze funcionários cada uma. Entre os objetivos principais estão a melhora no relacionamento entre todos, a cooperação, o respeito mútuo e as normas. A gincana visa, também, a arrecadar materiais de limpeza (sabão em pó, cloro, detergente), de higiene pessoal (papel higiênico) e produtos alimentícios (canjica branca, açúcar, amendoim, carne, entre outros). O encerramento da competição será no dia 27 de junho durante a 1ª Festa Junina promovida pela escola. Durante a festa, haverá apresentações de danças típicas, contação de paródias e desfiles. A banca de jurados será composta por representantes da Secretaria Municipal de Educação (SMED), da empresa Vale e dos porteiros da escola, que avaliarão o desempenho das equipes conforme critérios previamente estabelecidos nas regras do jogo. A equipe vencedora será conhecida durante o evento e receberá como prêmio um dia de recreação em local ainda a ser definido. O evento será aberto ao público e serão vendidas comidas típicas. Toda a renda será revertida em benefícios para a escola.

Ombudsman

Além do arco-íris

José Carlos Aragão

NUDI’s

Pregação Na contramão A seção Parlatório tem a grande virtude de ser um espaço plural e democrático deste jornal. É nela que se pratica, toda semana, o sadio debate de opiniões divergentes. Mas, plural nas ideias, peca por não ser tão plural nos temas que ali são discutidos, ou por andar a reboque de temas que já foram alvo de reportagens anteriores do próprio jornal. As vozes divergentes poderiam ter sido ouvidas já nas reportagens, abrindo espaço no Parlatório para outras polêmicas ainda inéditas. Uma nova polêmica, essa sim, é que poderia vir a ser pauta para uma nova reportagem, não o inverso. Por pouco “Rodovia do desenvolvimento, prega Dilma (...)”. Por uma vírgula, a presidenta não acabou “crucificada” pela manchete da página 4, na edição passada do Figueira. Ainda assim, não é um título feliz e, ademais, está tecnicamente errado. “Prega”, como verbo flexionado, tem várias acepções possíveis e completamente distintas: pode referir-se tanto a fixar com pregos, quanto a fazer sermão, evangelizar, alardear ou extenuar-se. Na opção mais infeliz ao caso – especialmente para a presidenta, em um ano eleitoral -, “pregar” significa “fazer acreditar, iludindo” (cf. Aurélio). O mais adequado, portanto teria sido fazer o mais simples para esses casos: usar o verbo afirmar. O erro técnico é que, ao utilizar um fragmento de uma fala de alguém, o correto é que o texto pinçado venha entre aspas: “Rodovia do desenvolvimento”, afirma Dilma (...). Arte da sedução I A função do subtítulo, em uma manchete, é, principalmente, agregar informação ao título. De preferência, visando seduzir o leitor, para que este se disponha a ler uma reportagem ou notícia mais longa. Essa prática, contudo, não tem

sido observada pelo Figueira. Mais que uma simples redundância a ser evitada, essa recorrência denota alguma limitação criativa e, até, pouca ousadia para conquistar leitores. Arte da sedução II Titular textos é uma arte. E é para poucos. Nas antigas redações, era comum até haver um profissional destacado para essa função específica, tal o zelo que se dedicava a “vender” uma boa notícia ou um bom texto. Eles sabiam que, tecnicamente, o bom título deve ser curto; preferir as palavras curtas; evitar as desnecessárias; e focar na informação que é mais relevante da notícia. Fugir aos clichês e lugares comuns também agrega qualidade. Ser espirituoso é a cereja do bolo. Samba do índio doido É o que parece ser a matéria intitulada “A declaração aos Krenak de 13 de maio de 1808”, da edição passada do Figueira. O texto se divide em três partes distintas: uma introdução, a transcrição da citada declaração e um poema de cordel sobre o assunto. Falta, entretanto, coesão ao conjunto. Também falta poder ser caracterizado como texto jornalístico. Se o fosse, haveria uma introdução sumária (o que, em jornalismo, é chamado “lead”), um desenvolvimento e um arremate. Básico. A transcrição do documento e o cordel seriam textos complementares e seriam apresentados como quadros (‘boxes”, no jargão jornalístico) anexos ao texto principal. Além disso, sendo o segundo um poema, deveria ser apresentado como tal: em estrofes. E, no que diz respeito à matéria, falta – claro! – um título pra chamar de título.

José Carlos Aragão, ombudsman do Figueira, escritor e jornalista. Escreva para o ombudsman: redacao.figueira@gmail.com

O Senhor é o meu Pastor e me aceita como sou “Ando extremamente constrangida com uma situação vivenciada há alguns dias. Depois de mais de uma década de convívio, descobri que o irmão de uma pessoa bem próxima é gay. Até aí nada de diferente. O que me chocou foi saber que a família, por ser muito religiosa, esconde esse irmão.” Partindo desse relato, lembramos que o escritor judeu-gaúcho Moacyr Scliar (1937-2011) fez uma versão interessantíssima do livro dos cristãos, no seu romance ‘A Mulher que Escreveu a Bíblia’, em 1999. Trouxe um relato fictício do que seria a primeira versão desse livro sagrado, acrescentando um versículo em todas as impressões existentes e que ouvi em uma comunidade gay de Belo Horizonte: “O Senhor é o meu pastor e me aceita como sou.” Essa história de não aceitar o outro, de banílo do convívio diário, de renegá-lo ao ostracismo talvez derive da ideia de famílias ditas normais, da dogmatização de um modelo congelado. Seja lá de onde vem, o estrago é grande. A questão é que ao “esconder” um familiar gay, retira-o da condição de ser humano que, como qualquer outro, tem direito à convivência familiar e comunitária, tem sentimentos, capacidades e possibilidades de crescimento e direito de escolher estar no meio em que nasceu e foi criado. Será que ser gay faz o indivíduo perder a condição de ser humano? Essa prática leva o indivíduo ao exílio, como se tivesse cometido algum crime que o obrigue a buscar proteção em outro lugar. Proteção de quê? Da não aceitação de seus familiares? Mas que crime ele cometeu mesmo? Amar! Amar fora do padrão imposto pela sociedade e por sua família e nada mais que isso. “Não existe democracia em que a relação entre membros se estabelece pela opressão de uns sobre os outros” (CARMO, 2006). A concepção de que pessoas tidas como “normais” mereçam espaços privilegiados sugere que pessoas diferentes devam ser privadas desses mesmos espaços. Em uma sociedade que preza direitos igualitários, essa postura precisa ser repensada. Ainda hoje nos deparamos com um desafio constante: garantir que a manifestação das diferenças aconteça, e que contribua sobremaneira

com o enriquecimento das relações, com as trocas, com a percepção de novas possibilidades. Considerar aspectos históricos e culturais facilita o entendimento de determinados comportamentos e atitudes que combatemos. A consolidação de direitos de minorias, ou de marginalizados, faz que tenhamos outra postura frente aos diferentes. Promover ou dar eco a essa discussão é de fundamental importância para a garantia de avanços sociais que definem o tipo de sociedade que almejamos construir.

Essa história de não aceitar o outro, de baní-lo do convívio diário, de renegá-lo ao ostracismo talvez derive da ideia de famílias ditas normais, da dogmatização de um modelo congelado. Seja lá de onde vem, o estrago é grande.

Assumir a decisão política de dar voz aos diferentes, garantindo-lhes a reivindicação e/ou posicionamento em relação às suas dificuldades e seus desejos como pessoas ou cidadãos é nosso dever, assim como construir espaços para a discussão e as vivências diferenciadas que contemplem a todos e todas. Nosso desejo é sensibilizar, ou dessensibilizar grupos, por meio de um conjunto de reflexões que promovam curiosidade e respeito por tendências e possibilidades. Por fim, faz- se urgente mobilizar a comunidade valadarense rumo a uma flexibilização de paradigmas, mudança de comportamento, que resultará em ambientes mais ricos, menos hostis... Mais seguros, sensíveis e humanizados. NUDI’s – Núcleo de Debates sobre Diversidades e Identidades É exatamente para isso que convidamos você a estar presente no CINE NUDI’s, no debate sobre o filme “Orações para Bobby”, no sábado, dia 31 de maio, às 18h24, no Centro Cultural Nelson Mandela. Esperamos você!


ENTREVISTA

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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

Entrevista Prof. Henrique Duque

“Realmente, a nossa estrutura de campi temporários estava padecendo” Fábio Moura

Mineiro da pacata Rio Casca, na Zona da Mata, Henrique Duque de Miranda Chaves Filho chega ao fim de oito anos à frente da Universidade Federal de Juiz de Fora, em setembro deste ano. Graduado em Odontologia pela UFJF, em 1970, Henrique Duque passou a integrar o corpo docente da instituição dois anos depois. Doutor em Odontologia Restauradora, ele trilhou toda a sua trajetória acadêmica em Juiz de Fora. Em 1994, assumiu a vice-direção da Faculdade de Odontologia; quatro anos mais tarde foi eleito diretor. Lá, permaneceu por dois mandatos, de onde saiu para tornar-se reitor da UFJF, em 2006. Encabeçando uma chapa única, foi reeleito em 2010 com 86% dos votos. Daqui a três meses ele chega ao fim de sua gestão na UFJF, em meio à implantação do Campus Avançado da UFJF em Governador Valadares. Em entrevista a este Figueira, ele falou sobre as dificuldades da expansão, sobre os problemas nos campi temporários e sobre as chapas que concorrem à Reitoria no início de junho. Figueira: A situação dos campi temporários da UFJF em Governador Valadares é pauta recorrente de professores e alunos. Como você avalia os espaços disponíveis à comunidade acadêmica da UFJF/GV? Henrique Duque: Ainda em 2011, nas primeiras visitas que fizemos a Governador Valadares, tínhamos a expectativa de pactuar com a Prefeitura o uso de parte do Campus I da UNIVALE, de propriedade do município*. Na hora de dar início às aulas, tivemos alguns problemas e, com isso, partimos para o aluguel do Campus da Faculdade Pitágoras. Com o caminhar dos períodos, tivemos de ampliar nossa oferta de estrutura em Valadares para o aluguel de ambientes do Campus II da UNIVALE, em função dos laboratórios para os cursos da área de Saúde. No entanto, a UNIVALE trazia algumas pendências no SICAF [Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores], o que provocou um ano muito turbulento na prestação de serviços e naquilo que estávamos oferecendo aos nossos alunos. Realmente, a nossa estrutura de campi temporários estava padecendo. Isso, agora, vem se normalizando. Figueira: Há duas semanas, Governador Valadares recebeu os candidatos à Reitoria da UFJF para uma tarde de debate. Muitas críticas foram feitas em relação à falta de planejamento na implantação do campus na cidade. Como você enxerga a expansão da UFJF ao longo dos últimos anos? Henrique Duque: Os candidatos que se dizem de oposição não são novos no pedaço; não são novos na administração. Eles já assumiram pró-reitorias na gestão anterior aos meus dois mandatos. Eles ficaram por lá nos oito anos que antecederam a nossa gestão - de tempo igual. Em 2002, eles expandiram os cursos noturnos da Universidade Federal de Juiz Fora. Fomos de seis para nove mil alunos. Não houve planejamento algum. Colocaram tudo na conta da Universidade. Não houve aumento no número de professores, de técnicos administrativos e, muito menos, da infraestrutura disponível. Deixaram a Universidade com um passivo enorme. Nós, do meio acadêmico, sabemos que é possível tocar os quatro primeiros períodos com salas de aula e estrutura mínima ideal. Porém, quando se fazem necessários laboratórios, o aumento no investimento e no pessoal é inevitável. Essa expansão da gestão deles foi feita no governo do Fernando Henrique Cardoso, mas a UFJF não pediu

me desconforto em nossa comunidade acadêmica. Não tivéssemos enfrentado isso, neste momento os prédios já estariam em fase final de construção, algumas disciplinas já estariam sendo ministradas no campus e esse desconforto pela falta de uma casa própria, pela falta de uma identidade, já estaria resolvido. Figueira: Uma das principais reivindicações da comunidade acadêmica da UFJF/GV faz referência à autonomia. Quão autônoma será a unidade de Governador Valadares, ao fim do processo de implantação do campus?

O reitor da UFJF, prof. Henrique Duque, está no último ano de mandato

Valadares já sofreu muito com ciclos extrativistas e emigratórios. Por isso, a instalação de uma Universidade Federal, uma vez decidida, tinha de ser imediata. Não havia mais tempo a perder. A atividade acadêmica aqui já tornou a cidade mais participativa política e socialmente.

nem recebeu nada dele. Quando o Lula entrou, também não tomaram providências de pedir que cobrisse o passivo e auxiliasse em possíveis novas expansões. Quando a nossa gestão teve início, consertamos isso por meio do REUNI – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, instituído pelo governo Lula em 2007. Figueira: E a expansão da UFJF para além dos limites da sua sede, em Juiz de Fora, foi planejada? Henrique Duque: Estamos partindo do zero. Governador Valadares não tinha Universidade Federal e agora tem. Partimos do zero com os cursos, alunos, professores e técnicos administrativos. Partimos do zero também com o campus: terraplanagem, construção de estradas de acesso e de prédios. É um momento delicado e que requer muito trabalho e compreensão da comunidade universitária. A coisa só está acontecendo em função da coragem da administração superior e da direção dos cursos. A expansão da UFJF para Governador Valadares seguiu um cronograma. Cursos, discentes, docentes e técnicos administrativos vêm chegando a Universidade, conforme planejado. O que escapou ao nosso planejamento foi a expansão da infraestrutura. Ela não se realizou no tempo, pois uma empresa, não satisfeita com o resultado da licitação, entrou com um recurso no Tribunal de Contas da União denunciando sobrepreço. Com isso, o projeto do campus da UFJF/ GV ficou sob investigação por um ano. Depois desse período, o TCU liberou a obra, afirmando que não havia sobrepreço e que estava tudo correto. Com esse atraso, ficamos submetidos aos problemas estruturais dos campi temporários e isso gerou um enor-

Henrique Duque: Nenhuma Universidade tem autonomia plena. Todas as Instituições de Educação Superior são submissas ao Ministério da Educação. É ele que coloca o recurso, que dá autorização para os concursos e que estabelece regras quanto ao número de alunos. Creio que o campus daqui já tem dado os seus primeiros passos rumo à autonomia possível. Já tem uma unidade orçamentária própria, um CNPJ próprio. Creio que até o fechamento desse ciclo - de maturação do Campus de Valadares - conquistar-se-á uma autonomia ainda maior com um dirigente do campus escolhido pela comunidade acadêmica local, por exemplo. Além, é claro, de toda a estrutura administrativa com sede em Valadares. Dentro da minha caminhada acadêmica, entendo que esse tipo de campus tem totais condições de conquistar autonomia própria; de se tornar uma Universidade local, sem dever qualquer satisfação a Juiz de Fora. Creio que é uma questão de tempo. Figueira: Qual o papel de uma Universidade Pública no desenvolvimento social, cultural e econômico de uma cidade? Henrique Duque: Qualquer atividade de ensino, pesquisa e extensão da UFJF visa atingir Juiz de Fora de alguma forma. E isso traz mudanças culturais, sociais e econômicas. Traz movimentação pra cidade: as padarias, os clubes, enfim. O nível de escolaridade do município é infinitamente superior, uma vez que o acesso à educação superior se dá de forma gratuita e democrática. São benefícios imensuráveis. Valadares já sofreu muito com ciclos extrativistas e emigratórios. Por isso, a instalação de uma Universidade Federal, uma vez decidida, tinha de ser imediata. Não havia mais tempo a perder. A atividade acadêmica aqui já tornou a cidade mais participativa política e socialmente. À medida em que os cursos avançam e se concretizam, a contribuição à cidade deixa de ser apenas potencial. * O complexo do antigo MIT, parte do Campus I da UNIVALE, na Vila Bretas, serviu à UNIVALE por décadas em regime de comodato. Em 2010, a VALE decidiu vender todo o patrimônio que não lhe fosse de uso direto, em todo o país. Neste caso, a oferta foi feita primeiramente à Fundação Percival Farqhuar, mantenedora da UNIVALE, que não manifestou interesse em adquirir o imóvel. Após os prazos das consultas, a VALE doou o imóvel para a Prefeitura de Valadares, para instalação de serviços educacionais. O local pode receber a Secretaria de Educação, como poderia ter recebido o Campus da UFJF inicialmente. Nesse período, a mantenedora da UNIVALE desfezse do quarteirão restante do Campus I, desmobilizando a sua sede administrativa ali. Também viu a matrícula da universidade reduzir-se de 7 mil para 3.250 alunos, com ociosidade inclusive no Campus II. No entanto, a UNIVALE, por sua mantenedora, moveu uma ação judicial que impediu a instalação do Campus da UFJF e impede, já por mais de três anos, a Prefeitura de assumir os prédios que hoje são propriedade pública, do município.

Arquivo Pessoal

BravaGente

Salve, simpatia!

Arquivo Pessoal

José Souza, um ator valadarense na Suiça

Salve, Souza Netto!

Carol Lotus Ela é fera no traço

Na próxima semana, os textos dos articulistas deste Figueira serão identificados não apenas pelos nomes de autores e autoras, mas também por um desenho de perfil, sobre fotografia, em plano americano. Quem fez estes desenhos foi a menina prodígio Carol Maciel, que aparece acima em foto e em desenho (autorretrato). Valadarense, Carol estudava Arquitetura e Urbanismo na Univale, mas se mudou para Belo Horizonte, para cursar Belas Artes na UFMG. É dispensável falar de talento de Carol como ilustradora. É melhor apreciar o seu trabalho, que é coisa fina. Bravo, Carol!

Pense num cara simpático, gente boa, educado, atencioso. Este cara é o ator José Souza, o Souza Netto, valadarense que migrou para a Suíça em 1993. Mora em Lausanne e trabalha como “auxiliar em Enfermagem na área da psicogeriatria e pessoas com mobilidade reduzida”. Cria da professora de teatro Celsa Rosa, que lecionava no CEART - Centro de Artes da antiga Universidade Santos Dumont (hoje, Univale), Souza atuou em Valadares nos anos de 1980 e depois seguiu carreira na fria Suíça. E este uniforme nada compatível com o uniforme de trabalho de um auxiliar em Enfermagem, que ele veste nesta foto? Calma, na foto ele aparece como mordomo, personagem de uma peça apresentada em Lausanne. Vamos aplaudir!


COTIDIANO A vitória da Frente Nacional de Marine Le Pen (Partido de Extrema Direita e Nazi) na França e a forte abstenção na maioria dos países europeus, ensombram os destinos da própria União Europeia. Os cidadãos eurocéticos exigem mais dedicação e transparência da classe política. Resta saber qual vai ser o futuro da União Europeia e especialmente dos países Mediterrânicos. Tal como aconteceu em 2014, a taxa de participação nas eleições europeias do passado fim de semana ficou muito aquém daquilo que a classe política europeia sonhava. O abstencionismo, uma vez mais foi elevado na maioria dos países da União Europeia, ficando demonstrado que o eleitorado europeu está descontente com a política centralizadora e tecnocrática de Bruxelas. É bom recordar que o desemprego tem crescido bastante nos países mediterrânicos (Espanha, Itália, Grécia e Portugal) nos últimos anos. A crise e austeridade também têm afetado alguns países da chamada Europa Central: Holanda, Bélgica e Luxemburgo. E tudo isso faz com que as camadas mais jovens da população optem por não ir votar. Desde as primeiras eleições europeias que tiveram lugar em 1979, que a taxa de abstenção tem vindo a aumentar. Segundo o sociólogo Boaventura Sousa Santos, “os cidadãos europeus estão cada vez mais descrentes com a classe política que os representa e no caso dos países da Europa do Sul, a maioria dos eleitores acha que os deputados europeus não têm poder para enfrentar os tecnocratas de Bruxelas e por isso mesmo decidem não votar”. Em Portugal o Partido Socialista (PS) conseguiu vencer as eleições deste domingo, elegendo 8 deputados. António José Seguro, acha que “no próximo ano os portugueses vão dar uma maioria absoluta aos socialistas porque já não aguentam mais a austeridade imposta pela direita”. Já os candidatos da Aliança Portugal (PSD e CDS), assumem a derrota e consideram que “nas eleições legislativas do próximo ano não vão perder para os socialistas, uma vez que o governo está a fazer um bom trabalho e até já conseguiu ver-se livre da Troika”. A novidade destas eleições europeias em Portugal deve-se ao facto de o Movimento Partido da Terra (MPT), fundado pelo arquiteto paisa-

Café com leite Marcos Imbrizi / De São Paulo Roda Viva - O programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, conta com a participação de alguns dos pré-candidatos à presidência da República. É uma oportunidade para o público conhecer um pouco mais os candidatos e suas ideias. O senador Aécio Neves será o entrevistado na próxima segunda-feira, 2 de junho. Eduardo Campos, pré-candidato do PSB, foi o entrevistado na semana passada. Já convidada, a presidenta Dilma Roussef ainda não confirmou sua participação. As entrevistas são transmitidas ao vivo sempre às 22h e podem ser acompanhadas no site http:// tvcultura.cmais.com.br/rodaviva.

Ele poderia começar lá pelas bandas das Minas Gerais, onde vários jornalistas são perseguidos por criticar o governo mineiro

Democratização dos Meios de Comunicação – O jornalista Carlos Balladas, presidente da Adjori - Associação dos Jornais do Interior de São Paulo, informa que o senador Aécio Neves recebeu recentemente em seu gabinete em Brasília alguns dos representantes das associações estaduais de jornais do interior. Na oportunidade, o ex-governador mineiro se comprometeu em apoiar o processo de democratização da mídia no Brasil. Os convidados participavam do 2º Congresso de Jornais do Interior do Brasil, realizado na Capital Federal, com o objetivo de

Vitória a Minas Vinícius Quintino / De Vitória

A arte mora ao lado

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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

D’outro lado do Atlântico José Peixe / De Lisboa

Extrema Direita ensombra futuro da União Europeia

A novidade destas eleições europeias em Portugal deve-se ao facto de o Movimento Partido da Terra (MPT), fundado pelo arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Teles há 40 anos, ter conseguido eleger um deputado: António Marinho Pinto (ex-bastonário da Ordem dos Advogados). A maior novidade eleitoral da Península Ibérica.

gista Gonçalo Ribeiro Teles há 40 anos, ter conseguido eleger um deputado: António Marinho Pinto (ex-bastonário da Ordem dos Advogados). A maior novidade eleitoral da Península Ibérica. Para Marinho Pinto a sua eleição deve-se a um ato perfeitamente normal do eleitorado: “Os portugueses estão descontentes com os políticos, estão fartos da crise, e austeridade e dos burocratas de Bruxelas. Por isso, decidiram votar num movimento de cidadania. Terei a responsabilidade de os representar e defender”. Mas em França aconteceu o impensável. A Frente Nacional de Marine Le Pen (Extrema Direita Nazi) foi a força partidária mais votada. Conseguiu cerca de 25% dos votos para o Parlamento Europeu, enquanto os socialistas do Presidente François Hollande se ficaram apenas e só pelos 14,7%. Estes resultados foram humilhantes para os franceses gaulistas e nacionalistas. E na segunda-feira, François Hollande ainda levantou a hipótese de apresentar a sua demissão. Na

Holanda e Dinamarca, os partidos de extrema direita também subiram o número de votos. “Os resultados destas eleições para o Parlamento Europeu são preocupantes e exigem que os principais líderes políticos da União Europeia tomem uma outra postura a partir de agora. Nota-se que os cidadãos estão saturados e estão a procurar alternativas em forças políticas antidemocráticas”, afirmou o Presidente francês François Hollande. Para os especialistas em política europeia, as eleições do passado fim de semana devem ser analisadas com maior rigor por parte da Comissão Europeia, porque começa a notar-se que os eleitores estão a desinteressar-se pelo que se passa na União Europeia, especialmente os eleitores mais jovens. E isso é muito mau para o futuro da União Europeia e para a própria Democracia. José Valentim Peixe é jornalista e doutor em Comunicação

trocar experiências e valorizar essas publicações. O evento contou, entre outros, com a participação do ex-presidente Lula e do exgovernador pernambucano Eduardo Campos. Em sua página do Facebook um amigo jornalista fez o seguinte comentário acerca da promessa de Aécio: “Ele poderia começar lá pelas bandas das Minas Gerais, onde vários jornalistas são perseguidos por criticar o governo mineiro”. Natura Musical – Além de cosméticos, a Natura conta com um projeto muito bacana de incentivo à música brasileira, o Natura Musical. Em sua página na Internet http://www.naturamusical. com.br/ além de notícias referentes aos shows e festivais, o visitante encontra também vídeos, músicas para download gratuito, editais de incentivo e o melhor: uma webrádio com uma programação 24 horas no ar com o melhor da música popular brasileira. A cantora Fernanda Takai foi uma das mais recentes contempladas. Com o apoio do projeto a vocalista do Pato Fu lançou recentemente seu quarto disco solo “Na medida do impossível”. Na página do Natura Musical é possível ouvir e baixar “Sou do tipo”, uma das faixas do disco, produzida em parceria com a cantora Pitty. O músico Makely Ka, um dos destaques atuais do cenário musical independente é outro mineiro agraciado com o apoio do Natura Musical. Com os recursos ele gravou seu segundo trabalho “Cavalo Motor”. A faixa que dá nome ao disco também está disponível para download gratuito no site do programa.

Marcos Luiz Imbrizi é jornalista, mestre em Comunicação Social, ativista . luta das rádios livres. na

bem humoradas para retratar a relação entre viagem, tempo e espaço. Para a curadora Clara Sampaio, “ser viajante é se colocar em situação vulnerável em que tudo é estímulo, e ao estar em ‘forma aberta’ é se transformar em captor de histórias, momentos e imagens, ao mesmo tempo em que se compromete a se levar e se trazer de volta”. Formas de Voltar Para Casa retrata a fugacidade do tempo e a inexistência de fronteiras para o artista. O processo criativo passa a ser visto como um fenômeno temporal, de modo que o passado já não passa mais, o presente permanece em construção e o futuro, antecipado, passa a ser vivido no presente.

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A tradição cultural capixaba, sempre marcada por importantes nomes do cenário artístico nacional, hoje divide espaço com uma nova e brilhante geração de autores. Quem outrora se encantou com a beleza das crônicas de Rubem Braga, pela originalidade do teatro de Stênio Garcia e pela singularidade das letras de Sergio Sampaio, hoje se impressiona pela diversidade e riqueza das obras de autores como Saulo Simonassi, Gean Pierre, Bruno Venturim, FicoreKabelera, DeadFish, Silva etc. A história se repete e o Espírito Santo se torna novamente palco das mais variadas expressões artísticas. No campo das belas artes, merece destaque a mostra “Formas de Voltar Para Casa”, em cartaz na Sala ao Lado desde o último dia 19. A vernissage contou com fotografias, instalações, textos e arte conceitual de Fernanda Porto, Haroldo Saboia, Polliana Dalla Barba e Thais Graciotti, além da curiosa performance dos convidados, que, em celebração, transformavam a Própria Sala ao Lado na mais pura expressão da arte. A Sala ao Lado, localizada no Centro Histórico de Vitória, é um projeto independente, criada para ser um espaço expositivo experimental, capaz de facilitar o diálogo entre artistas, curadores, pesquisadores e público interessado. Na exposição, os artistas apresentaram visões românticas e

Seja na música, no teatro, nas artes plásticas o Espírito Santo surpreende novamente o cenário cultural brasileiro, com destaque para o alto nível dos jovens artistas.

A coleção reflete o movimento artístico iniciado na década de 60, segundo o qual o autor extrapola os muros dos museus e faz do ambiente urbano seu próprio ateliê. A exposição fica em cartaz até o dia 27 de junho, na Sala ao Lado, Praça Ubaldo Ramalhete, Centro – Vitória. Seja na música, no teatro, nas artes plásticas o Espírito Santo surpreende novamente o cenário cultural brasileiro, com destaque para o alto nível dos jovens artistas. E, para os amantes da pintura brasileira, fica o convite para outra exposição: “Di Cavalcanti De Flores e Amores” em cartaz até 20 de julho, no Palácio Anchieta. Vinícius Quintino é pesquisador em Administração Pública e Servidor Público Federal

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Direitos humanos Paulo Vasconcelos

PNDH: Você precisa conhecer Durante a campanha presidencial de 2010, muito se atacou o Programa Nacional de Direitos Humanos — PNDH, principalmente porque sua terceira edição há pouco havia sido lançada, após um intenso debate público, em escala nacional, coincidindo com a 11ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos, que ampliou as proposições sugeridas nos PNDHs de edições anteriores. Contrariando o que algumas pessoas andaram dizendo na época, tais propostas ainda buscam garantir uma maior universalidade dos Direitos Humanos e, consequentemente, equiparar as condições de acesso e promoção desses direitos a uma maioria que havia sido desprivilegiada por um passado escravista, subalterno, elitista e excludente. A Declaração de Viena em seu artigo 1º afirma que “a natureza universal de tais direitos não admite dúvidas”. E ainda que “o direito e a liberdade da pessoa humana; a sua proteção e promoção constituem a primeira responsabilidade dos Governos”. Então, tentaremos abrir as páginas do PNDH III aos leitores desta coluna numa sequencia que busque evitar dúvidas e em consequencia fortalecer a participação popular na construção de uma consciência de direitos humanos. Nos dias 14 a 25 de junho de 1993, foi realizada em Viena a Conferência Mundial de Direitos Humanos, cujo Comitê de Redação foi presidido pelo Brasil. A Conferência orientou que os Estados membros das Nações Unidas constituíssem, objetivamente, programas nacionais de Direitos Humanos. O Brasil foi um dos primeiros países a promover essa formulação. No ano de 1996, a primeira versão do programa foi concluída com 228 propostas de ações governamentais. Em 2002, na segunda versão, o texto de algumas propostas foi modificado, direitos econômicos e sociais que haviam sido esquecidos no PNDH I foram incluídos, tais como o direito a moradia e alimentação. Seu texto passou a contar com 518 propostas, passando a vigorar o PNDH II. Já em maio de 2010 houve modificação no texto de algumas propostas e foram acrescentadas mais 3. Foi o suficiente para tentarem transformar um conjunto de propostas para políticas públicas em ferramenta de campanha eleitoral. Assim foi feito por vários meios de comunicação e iniciativas individuais que encheram a internet. Porém, uma em especial voltou às redes sociais recentemente como fosse atual. O Dr. Ives Gandra Martins sendo entrevistado por Jô Soares naquela época, ataca o PNDH III como sendo uma criação única de um Governo, então do presidente Lula, com intenções comunistas, ditatoriais e censoras da liberdade de imprensa. Admiro a pessoa e o profissional de que me refiro, como bom advogado, além de exímio conhecedor das leis, da história do Direito e seus pensadores. Argumenta muito bem e domina a arte do convencimento. Isso não significa que detenha a verdade do Direito. Sua fala confunde muito bem aos que por um motivo ou outro não puderam até então ter acesso às proposições contidas no PNDH III. O PNDH vem sendo construído há anos por mais de um Governo. É importante tomar conhecimento de um trecho da introdução do PNDH I: ”Na elaboração do Programa foram realizados entre novembro de 1995 e março de 1996 seis seminários regionais - São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belém, Porto Alegre e Natal, com 334 participantes, pertencentes a 210 entidades. Foram realizadas consultas, por telefone e fax, a um largo espectro de centros de direitos humanos e personalidades. Foi realizada uma exposição no Encontro do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, em Brasília, no mês de fevereiro de 1996. Finalmente, o projeto do Programa foi apresentado e debatido na 1ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, com o apoio do Fórum das Comissões Legislativas de Direitos Humanos, Comissão de Direitos Humanos da OAB Federal, Movimento Nacional de Direitos Humanos, CNBB, FENAJ, INESC, SERPAJ e CIMI, em abril de 1996. O Programa foi encaminhado, ainda, a várias entidades internacionais. Neste processo de elaboração, foi colocada em prática a parceria entre o Estado e as organizações da sociedade civil. Na execução concreta do Programa, a mesma parceria será intensificada. Além das organizações de direitos humanos, universidades, centros de pesquisa, empresas, sindicatos, associações empresariais, fundações, enfim, toda a sociedade brasileira deverá ter um papel ativo para que este Programa se efetive como realidade.” Paulo Gutemberg Vasconcelos é educador social e presidente do Conselho Municipal de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos.


CULTURA

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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

Álbum de Edileila Portes

Cotidiano Lucimar Lizandro

Copa do Mundo no Brasil: do apoio amplo à contestação

Artes Plásticas Edileila Portes

A arte entre a matéria e o espírito Exposição da artista plástica Edileila Portes revela elementos da cultura brasileira em desenhos e pinturas, que segundo a artista foram capturados na essência da vida. Da Redação

Os povos Krenak e Maxacali também influenciaram muito o trabalho de Edileila, como no uso de cores e aplicação de forEm junho de 2012, a professora universitária e artista plástica mas, presentes em desenhos que a encantavam. Tudo isso serviu Edileila Portes, concedeu entrevista à revista Benedita (editada de amadurecimento para o seu trabalho e, de certa forma, está pela Editora Figueira) e, apresentando seus projetos futuros, dis- na exposição aberta na última sexta-feira. Nos trabalhos exposse que estava preparando uma mostra de arte autoral, cujo nome tos, Edileila expressa na matéria o que percebe da vida. “Tento era “Entre a matéria e o espírito”. Dois anos depois, ela abre o seu capturar a essência da vida. É como aquele ditado ‘o que os olhos ateliê para esta mostra, com desenhos em pastel oleoso sobre pa- nâo veem...’, aí, tento mostrar isso por meio dos símbolos: cores, pel, e com pinturas, feitas com tinta acrílica sobre painel. formas, traços”. Nestes dois últimos anos, Edileila Portes dedicou mais tempo A experiência vivida nos vales do Jequitinhonha e Mucuri está para a arte. Até então, dividia seu tempo com as idas e vindas à presente no trabalho atual de Edileila e na exposição atual. “RelaUnivale, onde lecionava nos cursos de Design Gráfico, Arquitetuta ciono a minha arte com a identidade brasileira, em vários manifese Urbanismo, Jornalismo e eventualmente em outros, quando a tações estéticas que temos e que “desconhecemos”. Seguimos, às vegrade curricular exigia aulas de Arte. Como deixou a universida- zes os cânones tradicionais, impostos. Então, procurei estudar tudo de, teve mais tempo para viver a sua paixão. que se refere à arte, do erudito ao popular, as sociedades nativas, e Mas, Edileila nunca deixou de ensinar ensinar Arte e recebe percebo que todas se relacionam. É disso que ‘falo desenhando’. em sua casa regularmente, vários alunos, interessados neste munPara montar a exposição, Edileila teve um trabalho tão grando fascinante das cores e das formas. É uma atividade sempre pre- dioso quanto o de produzir cada uma das 25 telas. Teve de pensar, sente em sua vida, desde que concluiu o curso de Belas Artes na pensar, pensar, para não “amontoar” os trabalhos. “Foi como se UFMG. Logo depois da graduação, ensinou Arte para camponeses eu colocasse tudo no tridimensional, usando a mesma linguagem nos vales do Mucuri e Jequitinhonha. Foi um período de trocas, que coloco nos trabalhos. Esteticamente falando foi uma produou seja, aprendeu muito sobre o “fazer arte” com a cultura local, ção, que exigiu uma disposição bem especial, para o visitante comcom o modo de ser e de viver da gente simples destes dois vales. preender a obra. Edileila conta que durante um curso de cerâmica que ela ministrava, seus alunos, lá do Jequitinhonha, disseram que naquele dia Serviço: não poderia ser coletado o barro, porque a lua não era boa e a Entre a matéria e o espírito, exposição deEdilela Portes cerâmica ia se quebrar. Ela coletou o barro, fez e trabalho e não De 31/05 a 01/06, de 15h às 22h deu outra: tudo quebrado. Rua Afonso Pena, 1916 - Centro

Memória

O cuidado com a memória da cidade

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Na edição impressa nº 8 deste Figueira, foi exposto o desrespeito à memória da cidade, no ato de demolição da fachada do sobrado da família do farmacêutico Octávio Soares, na Rua Marechal Floriano, em frente ao Fórum. Nessas duas fotos, mostramos, agora, dois bons exemplos de preservação da história da cidade, sem parar no tempo: 1 - Barril de Pólvora ou Cadeião da Afonso Pena. De 1942, a Cadeia Pública de Governador Valadares foi projetada para abrigar 40 presidiários. Mas, como é comum em todo o sistema carcerário brasileiro, chegou a abrigar mais de 200, nos anos 1990. Em fevereiro deste ano, tornou-se espaço de leitura, de cultura, de produção de conhecimento. O Centro Cultural Nelson Mandela abriga a Biblioteca Municipal Prof° Paulo Zappi, galerias de arte, área de eventos e um auditório. Além da fachada da antiga Cadeia, foram preservados ambientes internos como o pátio para os presos tomarem sol e receber visitas. 2 - Açucareira – Em 1946, foi erguida a estrutura que daria base à Companhia Açucareira Rio Doce - CARDO, que chegou a produzir um total de 25,5 mil toneladas de açúcar, o equivalente a 600 sacas por dia. Em 1963, o empresário paulista José Egreja comprou e transferiu para São Paulo todo o equipamento aproveitável, deixando apenas as sucatas. Em 1972, encerraram-se todas as funções. Tombada como patrimônio cultural em 2001, a Açucareira abrigará um Centro de Convenções, com auditórios e espaços para exposições. Esta etapa das obras tem conclusão prevista para dezembro de 2014.

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Lucimar Lizandro Freitas é graduado em Administração de Empresas pela FAGV e Especialista em Gestão Pública pela UFOP

Fábio Moura

Desenho com pastel oleoso sobre papel, da série “Entre a matéria e o espírito”, uma das obras expostas na exposição de Edileila Portes

A escolha do Brasil, no ano de 2007, para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014 foi comemorada efusivamente pela maioria dos brasileiros, como se tal conquista significasse mais um passo no processo de inserção e reconhecimento do Brasil como uma nação importante no contexto mundial. Desde aquele momento, entre nós, alguns preferiram insistir no complexo de viralatas, acreditando que nós não teríamos condições de sediar um evento de tamanha envergadura. Os anos se passaram e o sentimento de apoio à Copa deixou de ser majoritário entre os brasileiros. Várias manifestações foram realizadas. Algumas pacíficas e ordeiras; outras nem tanto. Para o período da Copa outras manifestações já estão programadas. O combustível do movimento contestatório é o falso conceito de que a realização da Copa drenaria recursos que poderiam ser aplicados na Educação, na Saúde, na Infraestrutura, na Segurança Pública, por exemplo. Tal sentimento foi potencializado pela inércia do governo, que só agora começa a esclarecer melhor a população sobre os investimentos realizados. Os dados oficiais dão conta de que a Copa custará 25,8 bilhões de reais, sendo um terço deste valor para a construção dos estádios. Entre as ações e obras realizadas com recursos públicos podemos citar a modernização e ampliação dos aeroportos, os investimentos em mobilidade urbana, o aparelhamento das polícias estaduais com recursos a fundo perdido, além das obras de telecomunicações, de energia e em portos. Os críticos fingem não conhecer esse legado, como também ignoram os milhares de empregos gerados na preparação e os que serão criados durante a Copa, além do grande número de turistas que virão ao nosso país, com a possibilidade de retornar futuramente. A construção dos estádios, alvo principal dos críticos da copa, com custo de 8 bilhões de reais, foi executada pela iniciativa privada. O governo federal, por meio do BNDES, financiou metade desse valor por meio de operações de crédito. Somente três governos estaduais tiveram algum gasto imprevisto na construção dos estádios. A realização da Copa no Brasil custa o equivalente a 9% de tudo que é aplicado em educação pública durante um ano, algo como 280 bilhões de reais. É o que o país investe em Educação em um mês. Considerando-se, ainda, que tais gastos ocorreram num período de sete anos, percebemos a fraqueza do argumento. Ainda que alguns não queiram enxergar, a Copa será benéfica para o Brasil. Será a chance de mostrar ao mundo uma nação em construção, que luta para dar mais dignidade e qualidade de vida para a sua população. Realizar a Copa do Mundo de Futebol e construir um país mais justo são, na realidade, as duas faces de uma mesma moeda.


ESPORTES

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FIGUEIRA - Fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2014

Copa do Mundo 2014

Granja Comary já vive o clima de Copa Rafael Ribeiro/CBF

AO HEXA, BRASIL!

FIGUEIRA NA COPA

Clima de Copa, de confiança e determinação, e de trabalho sério, pesado, iniciado nesta segunda-feira com o rigor nos exames médicos

Olé, Brasil! Ana Paula Barbosa

O amor está no ar

Da Redação (*) Com informações da CBF

A Seleção Brasileira já está treinando na Granja Comary desde a segunda-feira. Treino físico, treino com bola e exames médicos estão entre os trabalhos do técnico Luiz Felipe Scolari e sua equipe. De segunda a quarta, os exames médicos foram realizados de forma rigorosa e eficiente. Estes exames são cruciais antes do início de etapas de preparação para competições importantes, e com a Seleção Brasileira não seria diferente para começar a disputa da Copa do Mundo FIFA 2014. Para que os jogadores estejam 100%, todos passaram por exames médicos. Os jogadores de linha se revezaram entre os exames médicos - organizados pelos médicos da Seleção Serafim Borges, José Luiz Runco e Rodrigo Lasmar, e o fisioterapeuta Luiz Alberto Rosan - e os trabalhos na academia com o preparadores físicos Paulo Paixão e Anselmo Sbragia. E os resultados foram ótimos, segundo os médicos da Seleção. Nenhum problema. E a bola rolou Júlio Cesar, Jefferson e Victor, os três goleiros, foram muito exigidos em campo no primeiro treino específico com o prepador de goleiros Carlos Pracidelli. Além do primeiro contato com o novo gramado

Imensa Nação Atleticana. Que felicidade... Vou contar uma coisa pra vocês... Trem bom é ser atleticano e não me canso de agradecer ao meu querido pai por ter me ensinado a trilhar o caminho do bem e amar as cores alvinegras desde menino. Enquanto vida eu tiver vou render graças ao meu velho e manter o compromisso de ensinar aos seus netos e bisnetos como cultivar essa paixão que, de tão intensa, não pode ser descrita em palavras. E assim vamos seguindo levando alegria para a torcida do Glorioso Clube Atlético Mineiro, o mais querido, amado e idolatrado time de futebol do mundo. No Vale do Aço, o Galo mais uma vez mostrou a sua força e superou todas as expectativas, vencendo o time do Fluminense com um show à parte de Marion, Dátolo e Tardeli. Pena que o Tricolor ameace recorrer para tentar ganhar os pontos no tapetão da CBF, alegando que teve um jogador expulso sem sequer tocar na bola e isso “ofende ao que está consubstanciado no artigo 264, letra “b”, do capítulo III (que trata das “Mutretas e Armações”), do Regimento Interno da ‘Associação dos Amigos das Laranjeiras’”, entidade que defende os interesses futebolísticos dos clubes cariocas. É o tapeflu voltando a atuar. Podem anotar aí, pois vou vaticinar... O Galo assumirá a liderança do Brasileirão no próximo domingo já que o atual ocupante do lugar, flanelinha convicto, não tem competência para ali se manter. Todo mundo sabe que o Cruzcredo é igual golfinho... Sobe, faz umas gracinhas e depois afunda de novo. Enquanto a Copa não vem, o Glorioso vai fazendo a sua parte e, aos trancos e barrancos, sobe na tabela

Daniel Alves faz cara feira durante os exames médicos na Granja Comary, em Teresópolis

da Granja Comary, foi o primeiro contato com a brazuca, a bola da Copa do Mundo. “A bola é muito rápida, pega muito efeito e cai muito rápido - observou Pracidelli aos goleiros. A expectativa para que a bola rolasse na Granja Comary era grande, tanto dos jornalistas como dos jogadores e da comissão técnica. E ela rolou. Às 10 horas da manhã de quarta-feira, os 20 jogadores de linha entraram no novo gramado do CT acompanhado de Felipão, Murtosa, Paulo Paixão e toda a comissão. O aquecimento, comandado por Paulo Paixão e Anselmo Sbragia, começou com um trabalho individual com bola; seguido de um bate-bola em dupla.

Enquanto os 20 da linha se aqueciam, Jefferson, Júlio Cesar e Victor treinavam separadamente no campo 2. O treino continuou para os jogadores da linha com o tradicional dois toques em campo reduzido. Jô marcou o primeiro gol do trabalho. O gramado, o mesmo dos estádios da Copa do Mundo FIFA, está testado e aprovado. a preparação física e tática, a Seleção também iniciou preparação psicológica, com as psicólogas Gisele Silva, Regina Brandão e Aline Magnani. (*) O noticiário da Seleção Brasileira é fornecido a este Figueira pela Assessoria de Imprensa da CBF, que cede textos e fotos.

Love is in the air... O amor está no ar. Ai, meu Deus! Essa velha canção serve como trilha sonora no ambiente da Seleção Brasileira, para o casal Neymar e Bruna Marquezini. Acho que já temos um casal pra reeditar o namorico de Casillas e Sara Carbonero na Copa 2010. Mas será que isso ajuda ou atrapalha? Acho que não atrapalha nem ajuda. O fato deles terem reatado o namoro não vai mudar o foco dele, não. O Neymar é bastante profissional, vai saber “driblar” isso! Até isso...rs. A Bruna só não pode ficar lá no meio da torcida, com o smartphone no sutiã, como fez aquela paraguaia, a Larissa Riquelme, na Copa da África, não é? Senão ela vai tirar a atenção do nosso craque Neymar, do Galvão Bueno e do Laerte, aquele flautista da novela das oito que começa às nove. Esse flautista é o “outro” na vida do Neymar... rs. E do jeito que ele (o flautista) é possessivo, é bem capaz dele ir aos jogos do Brasil, agarrar a Marquezine, tirar ela de lá à força... aiaiai...rs. É Neymar, abra teu o olho! Mas, quer saber: se o Casillas pôde, porque não o Neymar? E ele tá na casa dele? Viva o amor, né! É bom que eles (Neymar e Marquezini) vão mostrar pra Deus e o mundo que estão de volta, firmes e fortes nesse relacionamento. E o amor parece que está envolvendo a “Família Scolari”. Os meninos estão unidos e isso ajuda muito! Dentro e fora de campo, o companheirismo e entrosamento dominam a cena. E isso é bom, porque o jogo rende mais, afinal, o amor está no ar! Só não pode é aparecer mais atrizes na história, senão vai virar novela e a gente precisa ganhar essa Copa. Ana Paula Barbosa é comerciária, fanática pela Seleção Brasileira e pelo Brasil

Canto do Galo

Toca da Raposa

Pedro Zacarias

Hadson Santiago

arrancando pontos preciosos que nos levarão ao bicampeonato brasileiro, título que as marias nunca conquistaram. Tardeli voltou a jogar o bom futebol que quase o levou para a Seleção Brasileira e vem mostrando a todos quão importante é para o novo esquema do Levir. O Galo, mesmo com onze jogadores entregues ao Departamento Médico, faz um bom trabalho e o técnico vem extraindo dos jovens talentos do Galinheiro todo o potencial que deles se espera. E como dá alegria ver a atuação sempre segura do nosso segundo goleiro, comprovando que em Minas Gerais atuam hoje os dois melhores arqueiros do Brasil... Victor e Giovani, claro.

Enquanto vida eu tiver vou render graças ao meu velho e manter o compromisso de ensinar aos seus netos e bisnetos como cultivar essa paixão que, de tão intensa, não pode ser descrita em palavras. E assim vamos seguindo levando alegria para a torcida do Glorioso Clube Atlético...

Enquanto isso, o Fábio “mão de alface” continua nos dando alegrias e motivos para novas piadas: chacota nacional e frangueiro inveterado. Mas, calma amigos “azules”... Toda tristeza tem dia e hora para acabar. Por isso, assinem logo a ficha de filiação da Galoucura e vamos ser felizes porque Deus mandou... Pedro Zacarias de Magalhães Ferreira é Galo Doido e reciclador de madeira.

Saudações celestes, leitores do Figueira! O Cruzeiro voltou a apresentar um bom futebol no Campeonato Brasileiro e as vitórias reapareceram. A atuação contra o Internacional foi contundente e não deixou dúvidas sobre as reais chances da equipe na competição. O campeonato é longo e duríssimo. Tropeços ocorrerão, claro, mas o mais importante é encarar cada partida como se fosse uma final e nunca perder a garra. Isso agrada o torcedor. Nas vitórias sobre Coritiba (3 x 2) e Sport (2 x 0), o Cruzeiro atuou com uma camisa amarela com detalhes em azul. Seria uma homenagem à Seleção Brasileira. Quem merece, e muito, que o Cruzeiro use o amarelo em seu uniforme é Raul Guilherme Plassmann, o maior goleiro da história do clube. Um caso raro no futebol em que um único jogador é responsável por agregar uma cor aos pavilhões de um clube. Raul é paranaense. Teve rápidas passagens por Atlético-PR e São Paulo antes de chegar ao Cruzeiro, em meados da década de 1960. Logo caiu nas graças da torcida e assumiu a titularidade do gol celeste. Um dia, no vestiário do Mineirão, teve problemas com a camisa oficial do uniforme. Sem pestanejar, pegou emprestado do lateral-esquerdo Neco um blusão amarelo, adaptou o número 1 e foi para o jogo. Numa época em que os goleiros atuavam com camisas pretas, cinzas ou azul marinho, aquele jovem usando uma camisa amarela causou um tremendo alvoroço. A partir de então, aquela camisa amarela passou a ser sua marca registrada. Raul encantava a torcida e, boa pinta, também fazia sucesso com as mulheres. Isso incomodava os adversários, os quais passaram

a chamá-lo de Wanderléa, numa alusão à cantora da Jovem Guarda que, diga-se de passagem, nasceu em Governador Valadares. Raul continuava a fechar o gol cruzeirense e era uma unanimidade entre os torcedores celestes. “Raul sai da meta e cata com firmeza!”, ecoava o grito do locutor Lucélio Gomes, da Rádio Guarani. Alegria geral no mundo azul!

A camisa amarela foi companheira de Raul em quase todos os 22 anos de sua carreira. Um goleiro bem articulado fora de campo, um craque nos gramados e uma referência para toda uma geração.

Ele poderia ter disputado pelo menos três Copas do Mundo: 1970, 1974 e 1978. O bairrismo de Zagallo e Cláudio Coutinho aliado à fama de Raul de não gostar de treinar, impediram o goleiro de ir a um Mundial. Em 1978, após ganhar diversos títulos com o Cruzeiro, entre eles a Taça Brasil e a Taça Libertadores, Raul foi para o Flamengo. Lá, ao lado de Zico & Cia., ganhou outros tantos títulos até encerrar a carreira. A camisa amarela foi companheira de Raul em quase todos os 22 anos de sua carreira. Um goleiro bem articulado fora de campo, um craque nos gramados e uma referência para toda uma geração. Raul merece homenagens eternas do Cruzeiro. O amarelo da camisa do Cruzeiro é dele. Hadson Santiago Farias é cruzeirense, democratense e pai do Pequetito, do Pingo e do Pisqüila.


Figueira dez  
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