Maio de 2017 | Allegro e Vivace 4

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FORTISSIMO Nº 07

Allegro Vivace

11 MAI 12 MAI

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VOCÊ ESTÁ AQ U I

2017


FOTO: ANDRÉ FOSSATI

Uma sala para a música A construção da Sala Minas Gerais foi anunciada pelo Governo estadual em cerimônia para a imprensa e convidados. Naquela noite, a estreia do violinista israelense Vadim Gluzman com a Filarmônica soou como um brinde a essa notícia tão importante para a história da Orquestra.

Clássicos ao ar livre Desde o início da história da Filarmônica, os concertos em praças e parques de Belo Horizonte e região metropolitana são momentos de muita alegria combinada a um rico repertório. No Parque Lagoa do Nado, o maestro Marcos Arakaki fez sua estreia como regente assistente da Orquestra; dois anos depois, Arakaki se tornaria regente associado.

16 a 19 jun

Turnê Estadual Cidades históricas Um roteiro para não se esquecer. Nas igrejas de Tiradentes, São João del-Rei, Ouro Preto (foto) e Mariana, a música barroca foi a passagem para uma verdadeira viagem no tempo. Os concertos tiveram solo de Elisa Freixo no cravo e no órgão, com regência de Marcos Arakaki.

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FOTO: RAFAEL MOTTA

17 abr


017

A Filarmônica de Minas Gerais FOTO: ELISA MENDES

apareceu no Rio de Janeiro em agosto para fazer um programa impressionista no

Estreia em palcos tradicionais

Theatro Municipal [e] produziu versão

Com regência de Fabio Mechetti e tendo Pascal Rogé ao piano, a Filarmônica se apresentou pela primeira vez no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (foto) e no Theatro Municipal de São Paulo. No repertório, obras do mineiro Sergio Rodrigo, de Saint-Saëns e de Ravel.

4 ago

17 e 18 ago

brilhante da suíte sinfônica Daphnis et Chloé, de Ravel. OS MELHORES CONCERTOS DE 2011, JORNAL O GLOBO, 27 DEZ

25 ago 8 a 14 set

Ilustres convidados

Turnê Nacional Sul e Sudeste

A Filarmônica foi responsável por trazer a Belo Horizonte artistas consagrados no cenário internacional da música clássica. Entre eles, o norte-americano Joshua Bell, que veio interpretar o Concerto de Tchaikovsky, sob direção de Fabio Mechetti.

Com a brasilidade do Concerto para piano nº 2 de Hekel Tavares e a Segunda Sinfonia de Rachmaninov, a Filarmônica levou sua música a Porto Alegre, Florianópolis, Blumenau, Curitiba, Londrina e Paulínia. Uma vez mais, o pianista Arnaldo Cohen foi o companheiro nessa jornada conduzida por Fabio Mechetti.

LINHA DO TEMPO — 4 de 12 Em cada programa de concerto das séries Allegro, Vivace, Presto e Veloce você encontra um pedacinho da nossa história. No fim do ano, teremos relembrado nosso percurso até a décima temporada.


FOTO: ALEXANDRE REZENDE

Caros amigos e amigas,

Lindembergue Cardoso foi um dos mais talentosos compositores originários da Bahia. Ele foi capaz de unir com sucesso a forte influência de sua terra natal à linguagem contemporânea da segunda metade do século XX. Esse sincretismo musical está fortemente representado em seu Ritual, que o regente convidado desta noite, Carlos Prazeres, nos apresenta.


Conheceremos também a

O pianista brasileiro Alexandre Dossin

Quinta Sinfonia do inglês

executa um dos concertos para

Ralph Vaughan Williams, compositor

piano mais explosivos da literatura

que soube aliar positivamente

para o instrumento, unindo a

as demandas orquestrais da

força física de suas demandas

música do século passado à

técnicas ao lirismo próprio da

estrutura clássica da forma

música folclórica armênia.

sinfônica, conferindo a ela grande integridade, cor e profundidade.

Tenham todos um bom concerto.

F A B I O M E C H E T T I Diretor Artístico e Regente Titular


Fabio Mechetti

FOTO: EUGÊNIO SÁVIO

DIRETOR ARTÍSTICO E REGENTE TITULAR


Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico

Realizou diversos concertos no México,

e Regente Titular da Orquestra Filarmônica

Espanha e Venezuela. No Japão dirigiu as

de Minas Gerais, sendo responsável pela

orquestras sinfônicas de Tóquio, Sapporo

implementação de um dos projetos mais bem-

e Hiroshima. Regeu também a Orquestra

sucedidos no cenário musical brasileiro. Com

Sinfônica da BBC da Escócia, a Orquestra

seu trabalho, Mechetti posicionou a orquestra

da Rádio e TV Espanhola em Madrid,

mineira nos cenários nacional e internacional

a Filarmônica de Auckland, Nova Zelândia,

e conquistou vários prêmios. Com ela,

e a Orquestra Sinfônica de Quebec, Canadá.

realizou turnês pelo Uruguai e Argentina e realizou gravações para o selo Naxos.

Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti serviu

regularmente na Escandinávia, particularmente

recentemente como Regente Principal

a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a de

da Orquestra Filarmônica da Malásia,

Helsingborg, Suécia. Recentemente fez sua

tornando-se o primeiro regente brasileiro a

estreia na Finlândia, dirigindo a Filarmônica

ser titular de uma orquestra asiática. Depois

de Tampere, e na Itália, dirigindo a Orquestra

de quatorze anos à frente da Orquestra

Sinfônica de Roma. Em 2016 estreou com

Sinfônica de Jacksonville, Estados Unidos,

a Filarmônica de Odense, na Dinamarca.

atualmente é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular da Sinfônica

No Brasil, foi convidado a dirigir a Sinfônica

de Syracuse e da Sinfônica de Spokane.

Brasileira, a Estadual de São Paulo, as orquestras

Desta última é, agora, Regente Emérito.

de Porto Alegre e Brasília e as municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Trabalhou com

Foi regente associado de Mstislav

artistas como Alicia de Larrocha, Thomas

Rostropovich na Orquestra Sinfônica

Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen,

Nacional de Washington e com ela dirigiu

Nelson Freire, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori,

concertos no Kennedy Center e no Capitólio

Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros.

norte-americano. Da Orquestra Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo

Fez sua estreia no Carnegie Hall de

a Ópera de Washington. No seu repertório

Nova York conduzindo a Orquestra Sinfônica

destacam-se produções de Tosca, Turandot,

de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras

Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte,

orquestras norte-americanas, como as de

La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro

Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix,

de Sevilha, La Traviata e Otello.

Columbus, entre outras. É convidado frequente dos festivais de verão nos

Fabio Mechetti recebeu títulos de mestrado

Estados Unidos, entre eles os de Grant Park

em Regência e em Composição pela

em Chicago e Chautauqua em Nova York.

prestigiosa Juilliard School de Nova York.


MinistĂŠrio da Cultura e Governo de Minas Gerais apresentam


Allegro e Vivace 11 e 12 / MAI

C A R LOS P R A Z E RES, regente convidado A L EX A N D R E D OSSI N, piano

*

programa

LINDEMBERGUE CARDOSO Ritual, op. 103

ARAM KHATCHATURIAN Concerto para piano em Ré bemol maior, op. 38 • Allegro ma non troppo e maestoso • Andante con anima • Allegro brillante

intervalo

RALPH VAUGHAN WILLIAMS Sinfonia nº 5 em Ré maior • Prelúdio • Scherzo • Romanza • Passacaglia

*


FOTO: ZUPPA FILMES FOTO: AN DRÉ FOSSAT I


CARLOS PRAZERES

Carlos Prazeres é um dos mais

Orquestra Cherubini, Youth Orchestra

requisitados maestros brasileiros

of the Americas, Junge Philharmonie

de sua geração. Regente titular da

Salzburg, Filarmônica de Buenos Aires

Orquestra Sinfônica da Bahia, é

do Teatro Colón, Filarmônica de Mendoza,

também um dos principais convidados

Filarmônica de Montevidéu, Filarmônica

da Orquestra Petrobras Sinfônica, no

de Bogotá, Orquestra Internacional

Rio de Janeiro, onde foi assistente

do Festival de Riva del Garda, Itália,

de Isaac Karabtchevsky até 2012.

Orquestra Amazonas Filarmônica, Sinfônica de Porto Alegre (Ospa),

Em sua trajetória, Carlos Prazeres

Sinfônica do Sergipe, Orquestra Sinfônica

tem dividido o palco com artistas

da USP (Osusp), Sinfônica de Campinas,

como Ramón Vargas, Antonio Meneses,

Jazz Sinfônica de São Paulo e a Orquestra

Heléne Grimaud, Rosana Lamosa,

do Teatro São Pedro, no Rio Grande do Sul.

Ilya Kaler, Jean-Louis Steuerman, Fábio Zanon, Augustin Dumay,

Carlos Prazeres estudou regência

Wagner Tiso, Gilberto Gil, João

com Isaac Karabtchevsky, graduou-se

Bosco, Ivan Lins, Stanley Jordan

em Oboé na UNI-Rio e foi bolsista

e Milton Nascimento, entre outros.

da Fundação Vitae durante seus estudos de pós-graduação na Academia

Como maestro convidado, Prazeres

da Orquestra Filarmônica de Berlim/

dirige importantes conjuntos sinfônicos,

Fundação Karajan. Desempenhou as

tais como a Orchestre National des Pays

funções de oboísta solista junto à

de la Loire, França; Sinfônica de Roma,

Barock Orchester Berlim, Orquestra

Sinfônica Siciliana e Orquestra da

Petrobras Sinfônica, Orquestra

Arena de Verona, Itália; Orquestra

Sinfônica Brasileira e Orquestra do

Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp),

Teatro Municipal do Rio de Janeiro.


FOTO: DIVULGAÇÃO FOTO: AN DRÉ FOSSAT I


ALEXANDRE DOSSIN

Pianista brasileiro radicado nos

CD com suas gravações. São elas As Estações

Estados Unidos, Alexandre Dossin

e Álbum para a Juventude de Tchaikovsky,

estudou no Conservatório Tchaikovsky

Visões Fugitivas de Prokofiev, Consolações e

de Moscou e fez o doutorado de piano na

Liebesträume de Liszt, além de dois volumes

Universidade do Texas. Em Moscou, estudou

com Prelúdios de Rachmaninov. Em 2005

com Boris Romanov e Sergei Dorensky;

gravou o álbum A Touch of Brazil, com a música

nos Estados Unidos, com William Race

para piano de Edino Krieger, e realizou recitais

e Gregory Allen; no Brasil, com

e palestras centrados na obra do compositor.

Hubertus Hofmann e Dirce Knijnik.

Sobre essa gravação, Peter Burwasser, da revista Fanfare, falou em sua crítica: “Dossin

Em 2003, Alexandre Dossin recebeu

interpreta essa música cativante com todo

o primeiro prêmio e o prêmio especial

o coração e maestria. Vale a pena ouvi-lo”.

no Concurso Internacional de Piano Martha Argerich, em Buenos Aires,

Atualmente, Alexandre Dossin é professor

Argentina. Presidindo o júri, Martha Argerich

titular e coordenador do departamento

declarou que suas apresentações durante

de Piano na Universidade de Oregon e se

o concurso foram “magníficas, com extrema

apresenta em concertos e recitais nos

sensibilidade e verdadeira virtuosidade”.

Estados Unidos, Canadá e Brasil. Em 2015,

Dossin também foi laureado em importantes

foi um dos quatorze professores premiados

concursos internacionais, como o Grand Prix

com o Fund for Faculty Excellence Award,

Maria Callas, em Atenas, Grécia, e o

o mais importante prêmio dessa universidade,

Mozart International Piano Competition,

reservado somente a professores que se

em Salzburgo, Áustria, além de ter sido

destacam internacionalmente em suas áreas.

vencedor em vários concursos no Brasil. Dossin foi eleito vice-presidente da Artista exclusivo do selo Naxos, Alexandre

American Liszt Society em 2015. Em

Dossin lançou em 2009 dois CDs com a obra

2016, foi nomeado International Steinway

pianística de Dmitri Kabalevsky. Em 2012

Artist, tendo seu nome incluído em uma

publicou o álbum Liszt na Rússia, sua segunda

seleta lista de pianistas internacionais

contribuição para a série Liszt. E em 2015 lançou

honrados pela grande marca de pianos.

a obra para piano de Leonard Bernstein em CD da série American Classics da Naxos. Dossin

Alexandre Dossin mora em Eugene,

é editor na G. Schirmer e, nessa companhia,

Estados Unidos, com sua esposa Maria

participou de publicações que trazem um

e os filhos Sophia e Victor.


LINDEMBERGUE CARDOSO Ritual, op. 103

Brasil, Livramento de Nossa Senhora, 1939

O compositor Lindembergue Cardoso

O reitor Edgar Santos dera carta branca

formou-se no contexto dos Seminários

ao professor H. J. Koellreutter para a

Livres de Música da Universidade

criação dos Seminários e para escolher

Federal da Bahia (UFBA), que, nas

seus auxiliares. Os notáveis professores

décadas de 1950 e 1960, em razão

europeus chamados por Koellreutter se

de convergência de pensamento

tornaram os baianos mais fervorosos –

e atitudes políticas de vanguarda,

como Ernst Widmer, Piero Bastianelli,

deslocaram o eixo da modernidade no

Walter Smetak e tantos outros. Foram

país, criando um movimento cultural

eles os formadores dos jovens da Bahia

de extraordinária força criadora.

que, a exemplo de Lindembergue, se tornaram compositores: Jamary Oliveira,

Vindo da pequenina Livramento de

Fernando Cerqueira, Alda Oliveira,

Nossa Senhora, na Chapada Diamantina,

Rinaldo Rossi, entre outros, além do

onde desde menino já tocava em

argentino Rufo Herrera e do mineiro

banda de música e praticava a

Marco Antônio Guimarães. Quando se

música de bailes, de banda de pau e

formou o famoso Grupo de Compositores

corda, chorinho – ampliando sempre

da Bahia, já estavam todos integrados,

seu domínio dos instrumentos –,

professores e discípulos. Widmer e

Lindembergue chegou a Salvador em

Lindembergue concorriam nos festivais

1957, para terminar o curso secundário

da Guanabara de igual para igual.

e cuidar da vida. Aos dezoito anos, foi logo levado a conhecer os

Lindembergue Cardoso foi um dos

Seminários de Música e ali se integrou

talentos mais fascinantes desse grupo.

como aluno, descobrindo a música

Sem limites em suas experiências

erudita, o dodecafonismo, o serialismo,

criativas, em que utilizava, além da

a prática da música renascentista,

música, recursos visuais e cênicos,

a própria orquestra sinfônica. Toda a

deixou uma obra numerosa e diversa.

música popular do interior da Bahia e

Foi professor da Escola de Música

a influência da cultura africana estavam

da Universidade da Bahia, na qual

sempre presentes e eram valorizadas.

se transformaram os Seminários,


10 min

1987 Brasil, Salvador, 1989

e regente do Madrigal da UFBA. Sua participação inúmeras vezes como professor dos festivais de inverno em Ouro Preto e Diamantina

INSTRUMENTAÇÃO Piccolo, 2 flautas,

2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, 2 trombones, tuba, tímpanos, percussão, cordas.

levou-o a uma colaboração intensa e múltipla com o Grupo Giramundo de teatro de bonecos. Para esse grupo compôs, entre outras partituras notáveis, a obra-prima Cobra Norato. Em seu extenso catálogo figuram missas, cantatas, muita música de câmara e orquestral, composições e arranjos para coro e uma ópera – Lídia de Oxum. A obra sinfônica Ritual foi composta e estreada em 1987, na Segunda Semana de Música Contemporânea, em Salvador. Como característica de sua produção, também neste Ritual existe um especial conteúdo de comunicabilidade. Lindembergue introduz na orquestra um rico instrumental de percussão típico, como atabaque, agogô e outros. A composição, de grande

PARA   O UVIR CD Memória

Lindembergue Cardoso – Orquestra Sinfônica da UFBA; Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC; Madrigal da UFBA – Lindembergue Cardoso e outros, regentes – Governo da Bahia (volume 3) Orquestra Sinfônica da UFBA – Piero Bastianelli, regente Acesse: fil.mg/critual PARA   L ER Eduardo Bastos –

Lindembergue Cardoso: Réquiem para o Sol – Coleção Gente da Bahia – Assembleia Legislativa da Bahia – 2010 León Biriotti – Grupo de Compositores de Bahia: reseña de un movimiento contemporâneo – Publicaciones del Instituto de Cultura UruguayoBrasileño, Montevidéu – 1971 PARA   V ISITAR

www.lindemberguecardoso.mus.ufba.br MAIS REFERÊNCIAS Acesse: fil.mg/ccav4

força e solenidade, se baseia no clima ritualístico do candomblé, apresentando estruturação rítmica de notável expressividade.

BERENICE MENEGALE Pianista, fundadora e diretora da Fundação de Educação Artística.


ARAM KHATCHATURIAN Concerto para piano em Ré bemol maior, op. 38

1936

Geórgia, 1903

Em sua grande janela, frente à densa

é considerado mais uma obra étnica

floresta dos arredores de Moscou,

do que propriamente nacionalista,

Khatchaturian encontrou inspiração

por conter uso extensivo do folclore

para compor seu exuberante Concerto

armênio. Com ele, Khatchaturian

para piano: “trabalhei rapidamente,

inseriu a escola de composição de

facilmente, minha imaginação parecia

seu país no cenário internacional.

voar”, rememorou o compositor. Ele colhia os louros de um brilhante curso de

Como todo artista que vivenciou a

composição realizado no Conservatório

opressora era stalinista, Khatchaturian

de Moscou e rejubilava-se do recente

foi obrigado a fazer “arte a serviço

enlace com a pianista e compositora

do povo soviético”, rejeitando as

Nina Makarova, que fora sua colega

influências da música contemporânea

na classe de Nikolai Miaskovsky.

ocidental. O resultado de tal restrição, entretanto, pode ser considerado

O Concerto para piano, primeira obra

como positivo em sua arte, pois foi

concertante de Khatchaturian e também

levado a transformar canções folclóricas

seu primeiro sucesso mundial, inaugurou

armênias – que ele mesmo recolhera –

o conjunto de três concertos que seriam

em temas para suas obras.

dedicados aos membros do legendário Trio Oistrakh: o violinista David Oistrakh,

O exotismo da música armênia é

o celista Sviatoslav Knushevitsky e o

percebido no tema de abertura do

pianista Lev Oborin – famoso por vencer

Concerto para piano, apresentado pelo

o Primeiro Concurso Chopin, em 1927.

piano após uma pequena introdução da

Oborin estreou a obra a ele dedicada

orquestra. Tal tema, irregular quanto à

em julho de 1937, num concerto a céu

distribuição métrica dos compassos e

aberto, acompanhado pela Filarmônica

dissonante, devido às harmonizações

de Moscou. Ao que tudo indica, a

politonais, é, ao mesmo tempo, claro

estreia não foi bem-sucedida, pois os

e robusto. É facilmente reconhecível

óculos do maestro Lev Steinberg caíram

em suas reaparições, notadamente no

durante a performance, atrapalhando

terceiro movimento, como desfecho

a regência. Seu Concerto para piano

da obra. No movimento central,


34 min

Última apresentação desta obra — 19 fev 2009 Fabio Mechetti, regente | Terrence Wilson, piano

Rússia, 1978

um canto folclórico é entoado num instrumento raramente utilizado em obras orquestrais: o flexatone, que emite sons percussivos e melódicos

INSTRUMENTAÇÃO Piccolo, 2 flautas,

2 oboés, 2 clarinetes, clarone, 2 fagotes, 4 trompas, 2 trompetes, 3 trombones, tuba, tímpanos, percussão, cordas.

simultaneamente, de acordo com as vibrações realizadas pelo intérprete e a curvatura da lâmina de metal. O flexatone – sons flexíveis, por assim dizer – pode ser substituído pelo serrote musical vibrado por um arco de violoncelo. O resultado é exótico, hipnótico e sedutor.

PARA   O UVIR CD 20th Century

Classics – Khachaturian, Piano Concerto & Violin Concerto – London Philharmonic Orchestra; London Symphony Orchestra – Sir Adrian Boult, regente – Cristina Ortiz, piano – David Oistrakh, violino – Warner Classics – 2010 PARA   A SSISTIR Orquestra de

Em 1942, após a estreia do Concerto para piano em Boston pelo célebre pianista norte-americano William Kapell, regido por Serge Koussevitsky frente à Sinfônica de Boston, Khatchaturian recebeu em Moscou uma significativa mensagem de felicitações pelo sucesso da obra. Entre 1942 e 1943, Kapell executou o Concerto

Paris – Kazuki Yamada, regente – Jean-Yves Thibaudet, piano Acesse: fil.mg/kpiano PARA   L ER David Ewen –

Maravilhas da Música Universal – João Henrique Chaves Lopes, tradução – vol. 1 – verbete Khachaturian – Editora Globo – 1959 PARA   V ISITAR www.khachaturian.am

mais de quarenta vezes, fazendo dessa obra um autêntico monumento diplomático entre Rússia e Estados Unidos. Segundo Dmitri Shostakovich, Khatchaturian foi “o primeiro dos compositores a ter convincentemente trazido à luz os mais variados métodos de orquestração sinfônica da música do Oriente Soviético para expressar fortes emoções dramáticas, sentimentos patrióticos e profundos”.

MARCELO CORRÊA Pianista, Mestre em Piano pela Universidade Federal de Minas Gerais, professor na Universidade do Estado de Minas Gerais.


RALPH VAUGHAN WILLIAMS Sinfonia nº 5 em Ré maior

Inglaterra, 1872

À sua maneira, Ralph Vaughan Williams

então, tem sido reconhecida, com justiça,

sempre escreveu música tradicional,

pelas qualidades que sempre teve.

em pleno século XX. Talvez, por isso, sua projeção internacional tenha sido

Vaughan Williams compôs nove sinfonias,

difícil e tardia. Considerado inicialmente

além de óperas, balés, concertos, música

apenas um compositor promissor, a

de câmara e um número enorme de

onda modernista que varreu a Europa

canções e peças sacras. Em suas obras

por volta dos anos 1910 não o envolveu.

está evidente sua ligação visceral com a

Nos anos 1930, quando quase todo

grande tradição da música elisabetana,

grande compositor converteu-se ao

usando frequentemente, mas com

neoclassicismo, Vaughan Williams

liberdade, formas características

passou a ser reconhecido. Na década de

de seus predecessores daquela

1950, já era tido nos meios eruditos da

época de ouro da música inglesa.

Europa como o maior compositor vivo de seu país, chefe da escola nacional

A Sinfonia nº 5 foi composta entre 1938

inglesa. Interessava-se pelo folclore

e 1943, portanto, durante a guerra. Muito

britânico, do qual recolheu grande

do seu material é derivado da sua ópera,

número de temas que veio a utilizar em

então inacabada, The Pilgrim’s Progress

muitas de suas obras, a exemplo do que

(a ópera foi concluída em 1949, mais

Bartók realizou em relação ao folclore

de quarenta anos após os primeiros

húngaro e de outros países da região.

esboços). A estreia da Sinfonia se deu em 24 de junho de 1943 em

No cenário musical dos anos 1980,

um dos concertos da série BBC Proms,

quando o novo e o revolucionário já não

no Royal Albert Hall, em Londres, com

eram os únicos valores a serem levados

a Orquestra Filarmônica de Londres

em consideração, a música de Vaughan

sob a regência do compositor.

Williams encontrou seu lugar definitivo no repertório internacional. Talvez porque

Escrita em quatro movimentos, o

o público estivesse mais receptivo a uma

primeiro (Prelúdio) funciona como uma

pluralidade de estilos, sua música, desde

espécie de grande abertura meditativa


39 min

1938/1943

1951 (revisão) Inglaterra, 1958

para a Sinfonia e termina como um hino de paz. E um Scherzo surge, colocado aqui como segundo movimento, e não terceiro, como se fazia no século

INSTRUMENTAÇÃO Piccolo, 2 flautas,

oboé, corne inglês, 2 clarinetes, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, 3 trombones, tímpanos, cordas.

XIX. Com sua vivacidade típica, a rítmica do scherzo parece vir à tona e tomar o lugar da melodia. O terceiro movimento (Romanza) é o mais lírico dos quatro e uma das mais belas músicas escritas por Vaughan Williams. Nele, as relações temáticas entre a Sinfonia e a ópera citada são mais evidentes. O quarto movimento é intitulado Passacaglia, como referência àquele seu profundo interesse pela música da época elisabetana. O movimento se inicia como uma autêntica passacaglia (gênero musical característico do Barroco, em que um tema na voz do

PARA   O UVIR CD Vaughan Williams –

The nine symphonies – London Philharmonic Orchestra – Adrian Boult, regente – Warner Classics – 2012 (5 CDs) PARA   A SSISTIR Orquestra

Sinfônica da Rádio de Frankfurt – Andrew Davis, regente Acesse: fil.mg/vwsinf5 PARA   L ER Michael Kennedy – The

works of Ralph Vaughan Williams – Clarendon Press – 1994 Lionel Pike – Vaughan Williams and the symphony – Toccata Press – 2003 PARA   V ISITAR www.rvwsociety.com

baixo é insistentemente repetido, dando origem a variações nas vozes superiores). Logo o autor passa a tratar com liberdade as variações, com transformações radicais, incluindo reminiscências do primeiro movimento. Na verdade, a intenção de Vaughan Williams, como artista, é buscar seu próprio meio expressivo, ao invés de simplesmente repetir uma prática do passado.

GUILHERME NASCIMENTO Compositor, Doutor em Música pela Unicamp, professor na Escola de Música da UEMG, autor dos livros Os sapatos floridos não voam e Música menor.


Orquestra Filarmônica de Minas Gerais Fabio Mechetti

DIRETOR ARTÍSTICO E REGENTE TITULAR REGENTE ASSOCIADO  Marcos

PRIMEIROS VIOLINOS Anthony Flint – Spalla Rommel Fernandes – Spalla associado Ara Harutyunyan – Spalla assistente Pablo de Leon – Spalla convidado Ana Paula Schmidt Ana Zivkovic Arthur Vieira Terto Bojana Pantovic Dante Bertolino Joanna Bello Hyu-Kyung Jung Roberta Arruda Rodrigo Bustamante Rodrigo M. Braga Rodrigo de Oliveira SEGUNDOS VIOLINOS Frank Haemmer * Leonidas Cáceres *** Gideôni Loamir Jovana Trifunovic Luka Milanovic Martha de Moura Pacífico Matheus Braga Radmila Bocev Rodolfo Toffolo Tiago Ellwanger Valentina Gostilovitch VIOLAS João Carlos Ferreira * Roberto Papi *** Flávia Motta Gerry Varona Gilberto Paganini Juan Díaz Katarzyna Druzd Luciano Gatelli

* principal

Arakaki

Marcelo Nébias Nathan Medina

Andrew Huntriss Francisco Silva

GERENTE Jussan Fernandes

VIOLONCELOS Philip Hansen * Robson Fonseca *** Camila Pacífico Camilla Ribeiro Eduardo Swerts Emilia Neves Lina Radovanovic Lucas Barros William Neres

TROMPAS Alma Maria Liebrecht * Evgueni Gerassimov *** Gustavo Garcia Trindade José Francisco dos Santos Lucas Filho Fabio Ogata

INSPETORA Karolina Lima

CONTRABAIXOS Nilson Bellotto * André Geiger *** Marcelo Cunha Marcos Lemes Pablo Guiñez Rossini Parucci Walace Mariano FLAUTAS Cássia Lima * Renata Xavier *** Alexandre Braga Elena Suchkova OBOÉS Alexandre Barros * Públio Silva *** Israel Muniz Moisés Pena CLARINETES Marcus Julius Lander * Jonatas Bueno *** Ney Franco Alexandre Silva

TROMPETES Marlon Humphreys * Érico Fonseca ** Daniel Leal *** Tássio Furtado TROMBONES Mark John Mulley * Diego Ribeiro ** Wagner Mayer *** Renato Lisboa TUBA Eleilton Cruz * TÍMPANOS Patricio Hernández Pradenas*

ARQUIVISTA Ana Lúcia Kobayashi ASSISTENTES Claudio Starlino Jônatas Reis SUPERVISOR DE MONTAGEM Rodrigo Castro MONTADORES André Barbosa Hélio Sardinha Jeferson Silva Klênio Carvalho Risbleiz Aguiar

PERCUSSÃO Rafael Alberto * Daniel Lemos *** Sérgio Aluotto Werner Silveira TECLADOS Ayumi Shigeta *

FAGOTES Catherine Carignan * Victor Morais ***

** principal associado

ASSISTENTE ADMINISTRATIVA Débora Vieira

*** principal assistente

KHATCHATURIAN Editorial: Herdeiros Khatchaturian Representante exclusivo: Barry Editorial


GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS Fernando Damata Pimentel

SECRETÁRIO DE ESTADO DE CULTURA DE MINAS GERAIS Angelo Oswaldo de Araújo Santos

VICE-GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS Antônio Andrade

SECRETÁRIO DE ESTADO ADJUNTO DE CULTURA DE MINAS GERAIS João Batista Miguel

Instituto Cultural Filarmônica

Oscip – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – Lei 14.870 / Dez 2003

CONSELHO ADMINISTRATIVO PRESIDENTE EMÉRITO Jacques Schwartzman PRESIDENTE Roberto Mário Soares CONSELHEIROS Angela Gutierrez Berenice Menegale Bruno Volpini Celina Szrvinsk Fernando de Almeida Ítalo Gaetani Marco Antônio Pepino Marco Antônio Soares da Cunha Castello Branco Mauricio Freire Octávio Elísio Paulo Brant Sérgio Pena DIRETORIA EXECUTIVA DIRETOR PRESIDENTE Diomar Silveira DIRETOR ADMINISTRATIVOFINANCEIRO Estêvão Fiuza DIRETORA DE COMUNICAÇÃO Jacqueline Guimarães Ferreira DIRETORA DE MARKETING E PROJETOS Zilka Caribé

DIRETOR DE OPERAÇÕES Ivar Siewers

ASSISTENTE DE PRODUÇÃO Rildo Lopez

MENSAGEIROS Bruno Rodrigues Douglas Conrado

EQUIPE TÉCNICA

EQUIPE ADMINISTRATIVA

JOVEM APRENDIZ Yana Araújo

GERENTE ADMINISTRATIVOFINANCEIRA Ana Lúcia Carvalho

SALA MINAS GERAIS

GERENTE DE COMUNICAÇÃO Merrina Godinho Delgado

GERENTE DE PRODUÇÃO MUSICAL Claudia da Silva Guimarães GERENTE DE RECURSOS HUMANOS ASSESSORA DE Quézia Macedo Silva PROGRAMAÇÃO MUSICAL ANALISTAS Gabriela Souza ADMINISTRATIVOS João Paulo de Oliveira PRODUTORES Paulo Baraldi Luis Otávio Rezende Narren Felipe ANALISTA CONTÁBIL Graziela Coelho ANALISTAS DE COMUNICAÇÃO SECRETÁRIA Marciana Toledo EXECUTIVA Mariana Garcia Flaviana Mendes Renata Gibson Renata Romeiro ASSISTENTE ADMINISTRATIVA ANALISTA DE Cristiane Reis MARKETING DE RELACIONAMENTO ASSISTENTE DE Mônica Moreira RECURSOS HUMANOS Vivian Figueiredo ANALISTAS DE MARKETING E RECEPCIONISTA PROJETOS Meire Gonçalves Itamara Kelly Mariana Theodorica AUXILIAR ADMINISTRATIVO ASSISTENTE DE Pedro Almeida MARKETING DE RELACIONAMENTO AUXILIARES DE Eularino Pereira SERVIÇOS GERAIS Ailda Conceição Rose Mary de Castro

GERENTE DE INFRAESTRUTURA Renato Bretas GERENTE DE OPERAÇÕES Jorge Correia TÉCNICO DE ÁUDIO E ILUMINAÇÃO Rafael Franca ASSISTENTE OPERACIONAL Rodrigo Brandão

FORTISSIMO maio — nº 7 / 2017 ISSN 2357-7258 EDITORA Merrina Godinho Delgado EDIÇÃO DE TEXTO Berenice Menegale ILUSTRAÇÕES Mariana Simões FOTO DE CAPA Alexandre Rezende O Fortissimo está indexado aos sistemas nacionais e internacionais de pesquisa. Você pode acessá-lo também em nosso site.


FILARMÔNICA ONLINE WWW.FILARMONICA.ART.BR Concertos — maio DIA 6, 18h FORA DE SÉRIE / BARROCO ALEMÃO

H. I. Biber Buxtehude / Chávez Pachelbel Telemann Haendel / Beecham Bach / Elgar

DIAS 11 E 12, 20h30

Prezado (a) assinante, amigo (a) e ouvinte, Ao apresentar o ingresso do concerto desta noite em um dos restaurantes parceiros da Filarmônica, você ganha benefícios especiais. HAUS MÜNCHEN Você compra um prato e ganha outro de igual ou menor valor. Rua Juiz de Fora, 1.257 – Santo Agostinho (31) 3291-6900

ALLEGRO / VIVACE

L. Cardoso Khatchaturian Vaughan Williams

VERANO GOURMET Você ganha 10% de desconto

DIA 14, 11h

(31) 2514-9927

no valor final da sua conta e do seu acompanhante. Rua Ludgero Dolabela, 738 – Gutierrez

PRAÇA / TRILHAS DE CINEMA

AU BON VIVANT Você ganha 15% de desconto no

DIAS 18 E 19, 20h30

valor final da sua conta e do seu acompanhante.

PRESTO / VELOCE

(31) 3227-7764

J. Antunes Bartók Brahms

DIAS 25 E 26, 20h30

Rua Pium-í, 229 – Cruzeiro

Bom apetite! Saiba mais em www.filarmonica.art.br/

ALLEGRO / VIVACE

concertos/ingressos.

Dvorák Hindemith Villani-Côrtes Kodály

Válido apenas para o jantar, no mesmo dia do concerto. Benefícios não cumulativos com outras promoções.

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

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para  melhor apreciar  um  concerto

TOSSE A tosse perturba a concentração. Tente controlá-la com a ajuda de um lenço ou pastilha.

PONTUALIDADE Seja pontual. Após o terceiro sinal as portas de acesso à sala de concertos serão fechadas.

FOTOS   E   G RAVAÇÕES EM   ÁUDIO   E   V ÍDEO Não são permitidas durante os concertos.

APARELHOS CELULARES Não se esqueça de desligar o seu celular ou qualquer outro aparelho eletrônico. O som e a luz atrapalham a orquestra e o público.

CONVERSA O silêncio é o espaço da música. Por isso, evite conversas ou comentários durante a execução das obras.

CUIDADOS COM A SALA Abaixe o assento antes de ocupar a cadeira. Também evite balançar-se nela, pois, além de estragá-la, você incomoda quem está na sua fila.

CRIANÇAS Não é recomendável a presença de menores de 8 anos nos concertos noturnos. Caso traga crianças, escolha assentos próximos aos corredores para que você possa sair rapidamente se elas se sentirem desconfortáveis.

APLAUSOS Deixe os aplausos para o final das obras. Veja no programa o número de movimentos de cada uma e fique de olho na atitude e gestos do regente.

Nos dias de concerto, apresente seu ingresso em um dos restaurantes parceiros e obtenha descontos especiais.

COMIDAS   E   B EBIDAS Não são permitidas no interior da sala de concertos.


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Sala Minas Gerais

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