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N. 34, 13 DE JUNHO DE 2014

EDIÇÃO EM PORTUGUÊS

Fédération Internationale de Football Association – Desde 1904

Febre de futebol

O FENÔMENO DA COPA INGLATERRA FORÇA QUE VEM DO TREINO MENTAL

SEPP BLATTER JÁ É POSSÍVEL SENTIR A FORÇA DO FUTEBOL

GANA RESPEITO DOS CONCORRENTES W W W.FIFA.COM/ THEWEEKLY


ÍNDICE

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América do Norte e América Central 35 membros www.concacaf.com

Um passeio por São Paulo A Copa do Mundo finalmente começou. Mas o que o futebol significa para os brasileiros? E como seria suportar uma eliminação precoce da Seleção? Perikles Monioudis fez um passeio a caminho do palco da partida de abertura junto com um fotógrafo local. O resultado foi uma reportagem que mostra toda a atmosfera da cidade.

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França A seleção francesa viajou para o Brasil sem Franck Ribéry e Samir Nasri, mas o seu mais famoso torcedor estará presente no estádio: Clément d’Antibes e o seu galo Balthazar. O seu canto é considerado um presságio de vitória ou derrota dos franceses.

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Sepp Blatter O presidente da FIFA contou na sua coluna que o espírito da entidade máxima do futebol não está apenas em fortalecer as nações líderes: “A FIFA é exigida principalmente onde é necessário um trabalho de desenvolvimento.”

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U m sérvio no Brasil Dejan Petkovic defendeu sete clubes do Brasil, tornou-se cônsul honorário da Sérvia e entrou para a Galeria da Fama do futebol brasileiro. Mas os planos iniciais eram de permanecer no país apenas nove meses.

América do Sul 10 membros www.conmebol.com

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Inglaterra Com um psicólogo esportivo, o técnico Roy Hodgson quer acabar com a angústia do English Team nas disputas por pênaltis.

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Honduras O país da América Central quer chegar longe na Copa do Mundo com muita garra e aplicação.

EDIÇÃO EM PORTUGUÊS

Fédération Internationale de Football Association – Desde 1904

Febre de futebol

O FENÔMENO DA COPA INGLATERRA FORÇA QUE VEM DO TREINO MENTAL

SEPP BLATTER JÁ É POSSÍVEL SENTIR A FORÇA DO FUTEBOL

GANA RESPEITO DOS CONCORRENTES W W W.FIFA.COM/ THEWEEKLY

O fenômeno Copa A foto de capa mostra o jovem Neymar, de 22 anos, após o seu primeiro gol contra a Croácia em 12 de junho. O Brasil venceu a Croácia no jogo de abertura da Copa do Mundo da FIFA, em São Paulo, por 3 a 1. Foto AFP /Fabrice Coffrini

Grupos da Copa do Mundo A – C Grupo A

Aplicativo da FIFA Weekly A revista FIFA Weekly está disponível en cinco idiomas a cada sexta-feira em uma versão eletrônica bastante intuitiva.

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Grupo B

Grupo C

Brasil

Espanha

Colômbia

Croácia

Holanda

Grécia

México

Chile

Costa do Marfim

Camarões

Austrália

Japão

Getty Images / REUTERS

N. 34, 13 DE JUNHO DE 2014


A SEMANA DO FUTEBOL MUNDIAL

Europa 54 membros www.uefa.com

África 54 membros www.cafonline.com

Ásia 46 membros www.the-afc.com

Oceania 11 membros www.oceaniafootball.com

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Pergunte ao Netzer! O colunista Günter Netzer fala sobre o fenômeno da síndrome do isolamento durante torneios importantes.

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Gana Que Alemanha, Portugal e EUA fiquem avisados: a seleção ganesa de Kevin-Prince Boateng está muito bem preparada para a Copa do Mundo.

Grupos da Copa do Mundo D – H

imago / AFP

Grupo D

Grupo E

Grupo F

Grupo G

Grupo H

Uruguai

Suíça

Argentina

Alemanha

Bélgica

Costa Rica

Equador

Bósnia e Herzegovina

Por tugal

Argélia

Inglaterra

França

Irã

Gana

Rússia

Itália

Honduras

Nigéria

EUA

Coreia do Sul

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emirates.com

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EM DE S TAQUE

Tão brasileiro

Neymarmania Os dois gols do superastro brasileiro fizeram o povo de Natal comemorar. No final, o Brasil derrotou a Croácia por 3 a 1.

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Gabriel Rossi/Getty Images

rabalhar como repórter é uma experiência única e tem a ver com autenticidade. Afinal, é neste momento que o jornalista vive a sua verdadeira profissão. No começo da semana, quando o telefone da redação da Weekly tocou e Perikles Monioudis descreveu as suas impressões do Brasil, o planejamento da revista ganhou um novo impulso. Imediatamente ficou claro: esta é a nossa reportagem de capa para a estreia da Copa do Mundo. Monioudis havia se encontrado em São Paulo com um fotógrafo local e juntos eles procuraram por lugares onde brasileiros e brasileiras vivem o seu dia a dia. Em cafés, no metrô, em campinhos de futebol. A questão central era: o que o futebol significa para essas pessoas? Em uma matéria de sete páginas, documentamos a atmosfera da maior cidade do Brasil.

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á os ingleses estão um pouco menos eufóricos atualmente. Eles adotam um tom de moderação ao falar em título mundial porque vários dos seus grandes jogadores se aposentaram nos últimos tempos. Será que justamente o fato de não ser considerada favorita poderá dar força à equipe? O técnico Roy Hod-

gson se preparou para o caso de uma disputa por pênaltis com um psicólogo do esporte. “Ele não pode nos ajudar a acertar um passe, mas pode explicar o que acontece dentro da nossa cabeça”, comenta o capitão Steven Gerrard. Descubra tudo sobre a ânsia britânica pelo seu segundo triunfo na página 24.

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a sua coluna semanal, o presidente da FIFA lembra a importância do Congresso da FIFA e se alegra com o início da Copa do Mundo. “Finalmente podemos nos concentrar no embate entre as 32 melhores seleções do planeta”, afirma Joseph S. Blatter. “Com toda a sua diversidade técnica e tática e muita categoria. Desejo a todos uma emocionante Copa do Mundo. Vida longa ao jogo bonito!”

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lém disso, estivemos presentes nas concentrações de Gana, França e Honduras. O meio-campista Kevin-Prince Boateng declarou haver apenas um favorito no Grupo G: Portugal. O ganês nascido em Berlim quer tirar a Alemanha da disputa pelo título. Å Alan Schweingruber T H E F I FA W E E K LY

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A GRANDE NOVEL A A vitória por 3 a 1 do Brasil na partida de abertura ­contra a Croácia serviu para apaziguar o medo de ­fracasso. Um passeio por São Paulo.

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Dribles e truques Pelo menos uma bicicleta

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Perikles Monioudis (texto) e Pio Figueiroa (fotos), São Paulo

uca chuta a bola na parede de concreto, recolhe com as mãos e faz o lançamento. “É verdade, a Copa é algo grandioso”, comenta o jovem goleiro, enquanto assiste aos dribles dos colegas na pequena quadra de cimento. Eles riem ao tentar dominar a bola. Aqui, cada um tem a permissão para fazer o próprio show. Afinal, quem conta o placar em uma pelada tipicamente brasileira? É fim de tarde. A temperatura cai, e os termômetros marcam 20 graus para os 12 milhões de paulistanos. Perto da quadra, um caminhão ensurdece quem passa pela avenida 9 de Julho. Luca manda a bola para Oscar, que faz um passe rápido – justamente para o colega que grita mais alto. Atrás do 8

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jovem, o trânsito caótico faz-se ouvir. “O Brasil chega na final”, afirma Luca. “Mas a Alemanha também tem um time forte, assim como a Argentina.” Só até a final? E o hexa? “Na final”, repete Luca, decidido. O amigo Guillermo junta-se ao coro. “Seria ótimo ganhar a Copa. Mas vamos ver o que vai acontecer.” Longe de parecerem arrogantes, os jovens boleiros mantêm uma saudável distância da Seleção. Esse tem sido o comportamento de muitos dos torcedores brasileiros – e, aqui, quem não receberia esse adjetivo? Definitivamente, torcedor e brasileiro são nada menos que sinônimos. Quando a seleção brasileira entra em campo, as ruas se esvaziam, e as pessoas se reúnem em frente à TV e assistem às partidas como se o que estivesse valendo fosse algo muito maior que o simples resultado de um jogo e, sim, algo fundamentalmente pessoal. Porque as vitórias são festejadas coletivamente, e os cinco títulos mun-

diais proporcionaram oportunidades para isso. Porém, no Brasil, as derrotas são sentidas individualmente, na forma de um fracasso pessoal que pertence não só àqueles que estiveram em campo, mas a todos – como se quem estivesse do lado de fora pudesse fazer alguma coisa. A identificação é completa, e o medo de uma derrota é maior que a esperança pelo título. Seria um caso típico de autoproteção? Na lanchonete, passa um capítulo da novela Há 64 anos, o Brasil teve a chance de chegar ao topo do futebol mundial na própria casa. Mas, em pleno Maracanã, acabou derrotado nos últimos instantes pelos uruguaios. Conhecido como Maracanazo, o trauma que abalou a história do país, deixando marcas na alma dos brasileiros, agora precisa ser superado de uma vez por todas. As palavras são de Pelé. Vestido de preto, o maior jogador de todos os tempos aparece,


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Sonho e trauma Museu do Futebol no Estádio Pacaembu

como combinado, no bar na avenida Brigadeiro Luis Antônio. Apesar de todo o esforço das últimas semanas e meses, o Rei está alegre, e o sorriso no rosto contamina quem está perto. Como sempre, Pelé dá total atenção ao interlocutor, escuta pacientemente e responde à pergunta sobre a possibilidade de o Brasil ­c hegar ao título. “Nós respeitamos todas as seleções que se classificaram para a Copa”, comenta. “Acredito que chegaremos à final.” Para ganhar da Argentina na final? “Não, o Uruguai deve ser o nosso adversário, pois ­temos algo a consertar.” Segundo escreveu o grego Aristóteles há dois mil anos, um drama contém duas características: a imitação da realidade e a catarse ou realização, o que faz com que possamos amar, rir, brigar e morrer. Esses dois atributos se encontram em excesso no futebol e fazem com que o esporte seja tão popular. Mas por que de uma maneira tão intensa no Brasil? Talvez, pela

No Brasil, as vitórias são festejadas coletivamente. As derrotas, porém, são sentidas individualmente, como um fracasso pessoal. mesma razão que faz com que os brasileiros sejam tão aficionados pelas novelas. Em uma lanchonete localizada na subida da rua Aspicuelta, a televisão está ligada. Não está passando futebol e, sim, a reprise do capítulo da novela do dia anterior. A imagem oscila, mas

isso não parece incomodar ninguém. Clara olha nos olhos pixelizados do noivo Cadu e ri com um sorriso de quem não tem nada a perder. Cadu pergunta: “Agora, que você vai embora, me fala: você ficou comigo porque me amava ou tinha pena de mim?” Clara responde: T H E F I FA W E E K LY

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Mais futebol, impossível

Cinco títulos Mundiais na mesma foto Cafu e Pelé no evento da FIFA Weekly em São Paulo.

J

á houve motivo para festejar logo às vésperas da Copa do Mundo da FIFA. Em um evento realizado em São Paulo, que contou com a presença dos campeões mundiais Pelé e Cafu e de veículos de comunicação de todo o planeta, o diretor de Comunicações e Assuntos Públicos da FIFA, Walter de Gregorio, apresentou a revista The FIFA Weekly, o mais novo produto de mídia da entidade máxima do futebol mundial. “Em um momento no qual as empresas de comunicação estão repensando as estratégias de veículos impressos, a FIFA vai contra a corrente e, em um gesto simbólico, publica a FIFA Weekly”, anunciou De Gregorio em bom português. Ressal-

tando a qualidade jornalística e fotográfica da publicação, ele informou que a revista será publicada semanalmente em quatro idiomas. Durante a Copa do Mundo da FIFA, a FIFA Weekly estará disponível também em português, no app para tablets e celulares. Além disso, ela está disponível digitalmente na internet. Todas as versões podem ser baixadas gratuitamente. Pelé e Cafu já foram protagonistas de grandes entrevistas para a revista, que é especializada em reportagens jornalísticas e traz, a cada edição, a seção “Ponto de inflexão”, na qual personalidades do futebol mundial relembram momentos marcantes que mudaram as suas vidas.

Toda semana, a FIFA Weekly convida o público para um debate. A partir da coluna semanal do presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, os leitores e leitoras da revista participam de uma discussão sobre um tema atual do mundo do futebol, desde a tecnologia da linha do gol até a luta contra o racismo. O evento teve como pano de fundo a impressionante paisagem produzida pelos ­ arranha-céus de São Paulo. Entre luzes e ­ ­antenas, o cenário se mostrou o palco ideal para as c­ elebridades presentes – e o lugar ­perfeito para uma revista que carrega na alma o futebol.

A semana no mundo do futebol Uma revista de futebol da FIFA? E que revista! A edição semanal possui 40 páginas e é publicada em inglês, alemão, francês e espanhol em papel, para tablets Android e Apple e em formato digital na internet. Leia reportagens, entrevistas, notícias de campeonatos de todo o mundo e as melhores histórias do futebol, seja de Malaui, Senegal, Samoa, Costa do Marfim, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Estados Unidos ou Austrália... Participe também do Quiz da Copa e ganhe prêmios incríveis! www.fifa.com/theweekly

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“Você precisa do meu amor e não da minha compaixão. Eu tenho pena é daqueles que não conseguem começar de novo.” Começar de novo é algo que tem um grande significado no Brasil – e abrange tanto uma nova fase da vida, como também a próxima partida de futebol. A novela “Em Família” se tornou uma sensação, da mesma forma que grande parte das novelas, ao menos as produzidas pela Rede Globo. Uma audiência de até 70% dos televisores deixa bem claro o sucesso obtido. Cadu teve de passar por uma operação no coração, e isso fez com que Clara tivesse de adiar a decisão. O país, dividido sobre o que seria certo ou errado, esperava ansiosamente pela definição da história. Mas uma coisa era certa: no fim, tudo ficaria bem. Metrô sobrecarregado Isso vale apenas em parte para o trânsito caótico de São Paulo. Aqui, a situação não irá melhorar tão cedo. O centro da maior cidade do país, constituído por poucos e extensos quarteirões compostos majoritariamente por estabelecimentos comerciais, é rodeado pelas outras vizinhanças nas quais vivem a grande maioria dos paulistanos. Do centro saem as linhas de metrô, cinco até agora, das quais uma, a “amarela”, é administrada pela iniciativa privada. Todas recebem manutenção e limpeza, mas vivem constantemente sobrecarregas. Além disso, greves têm causado lentidão no metrô, que recebe os visitantes com os dizeres em um painel luminoso: “Bem-vindo ao Metrô de São Paulo”. A jovem mulher em trajes comerciais está sentada no vagão iluminado, próxima à porta automática. Ela conta que gasta todo dia três horas na viagem até o trabalho, e três horas para voltar. E não é a única: os operários na parte posterior do trem também precisam de quase o mesmo tanto. A insatisfação com as más condições do transporte público é extravasada em manifestações locais. Em resposta, os governantes trouxeram um novo contingente de funcionários do metrô, os quais deveriam direcionar o fluxo de passageiros. Porém, os trabalhadores acabaram se utilizando da legislação que prevê um dia de folga a quem doa sangue. Como protesto contra as condições de trabalho, a categoria resolveu se aproveitar coletivamente da folga, deixando assim os passageiros por si. No mesmo dia, os centros de doação de sangue ficaram lotados. A Copa acelerando os negócios Mais linhas de metrô. Para muitos, essa seria uma das soluções. Se, em volta do centro da cidade, fossem construídos outros pequenos

O comerciante Armando Fazendo a contabilidade da euforia da Copa

A lei proíbe publicidade permanente nas ruas, o que faz com que esse tipo de trabalho seja agora bastante frequente. centros, diminuiria também o trânsito que entra e sai da região central. Porém, planejar uma megalópole já consolidada como a capital paulista não é uma tarefa fácil. E a alternativa se chama “colapso”. Na 25 de Março, os paulistanos encontram tudo do que precisam para festejar com a Seleção: buzinas e cornetas ensurdecedoras, bandeiras de todos os tamanhos, chapéus, bonés, capas

para retrovisores, camisas, perucas e guirlandas. Ninguém passa entre as barracas. Armando está sentado atrás do seu estande, onde se ocupa com a contabilidade. “A Copa acelerou o nosso negócio”, diz. A esposa consente, enquanto o filho passeia com um chapéu verde-amarelo. As pessoas se esbaldam com os artigos da Copa. Elas compram rapidamente, como se estivessem em um saldão, mas pensam antes de T H E F I FA W E E K LY

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Fome de futebol Restaurante no bairro Vila Madalena

fechar o negócio. Cada um parece ter ponderado sobre a sua lista de compras. Armando também está com um chapéu verde-amarelo, como se tivesse garantido o seu próprio exemplar. Não dá para não imaginar o tamanho da festa no Brasil caso os anfitriões sejam campeões mundiais. E também não dá para não imaginar como será se isso não acontecer. Anjos e artistas Na larga rua Dona Maria Pera, várias pessoas estão sentadas no meio-fio, segurando setas de papelão do tamanho de um braço. Elas fazem propaganda para hotéis duvidosos e lanchonetes decadentes. A lei proíbe publicidade permanente nas ruas, o que faz com que esse tipo de trabalho seja agora bastante frequente. Levantar e mandar a desgraça para os ares é algo que os pobres carregadores de setas dificilmente farão – mesmo se os instrumentos de trabalho virarem um par de asas. 12

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No Museu do Futebol, dentro do Estádio Pacaembu, os craques caseiros são chamados de “anjos barrocos”. Ronaldinho, Rivellino, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldo, todos diante de Pelé e Garrincha, cuja essência atemporal é descrita em um quadro na penumbra da sala de exibições do primeiro andar: eles sobrevivem ao presente porque existem para a eternidade, como anjos barrocos. Em telas extensas e translúcidas, penduradas no teto, as estrelas brilham como anjos. Elas têm o dom de presenciar as gerações vindouras com o talento.

São Paulo População: cerca de 12 milhões História: São Paulo é o local de nascimento do futebol brasileiro. Foi aqui que veio ao mundo Charles Miller — o filho de imigrantes britânicos que no ano de 1894 trouxe o futebol

Em que outro lugar do mundo é assim? Na segunda parte do museu, artistas, intelectuais e comentaristas descrevem, cada um, os dez gols brasileiros mais bonitos na opinião deles. Eles representam a simpatia dos brasileiros pelos seus craques, a reverência de uma nação pelo talento verdadeiro, não importa de

para a cidade. Nome do estádio: Arena de São Paulo Jogos da Copa do Mundo: Brasil x Croácia (12/6), Uruguai x Inglaterra (19/6), Holanda x Chile (23/6), Coreia do Sul x Bélgica (26/6), ­o itavas de final (1/7), semifinais (9/7).


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Fuleco de ouro A Copa no Brasil também é um evento de moda

onde ele venha e por qual dificuldade tenha passado. O talento verdadeiro até mesmo na derrota é incomparável. Na terceira parte do museu, os melhores jogadores brasileiros de todos os tempos são comparados a poetas, arquitetos e músicos da mesma época e relacionados ao contexto histórico em questão. Em que outro lugar do mundo é assim? Perguntando de outra forma: o que pode acontecer caso a Seleção não vença o título em casa? As paredes do restaurante São Cristóvão, na Vila Madalena, estão repletas de fotos e desenhos de jogadores e flâmulas de times de todo o país. Entre idas e vindas, o garçom batuca um samba na bandeja sobre a qual leva copos vazios. Perto do balcão, há uma pequena foto na parede. Ela mostra um torcedor no estádio, segurando um grande cartaz, com os dizeres para o time do coração: “Mesmo que eu morra de enfarte por tua causa, eu te amo”. No Brasil, o futebol é uma grande novela. Å

Jogos do Brasil na fase de grupos: Croácia (12/6), México (17/6), Camarões (23/6) T H E F I FA W E E K LY

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CONCENTR AÇÃO

Gana

Uma boa exibição dá o que pensar Sven Goldmann é especialista em futebol no jornal “Tagesspiegel”, de Berlim.

Foi uma exibição e tanto. Das tribunas, Jürgen Klinsmann parecia impressionado com o que acabara de presenciar. O treinador dos Estados Unidos deixou os comandados embarcarem para São Paulo sozinhos porque queria observar e analisar, pessoalmente, o primeiro adversário dos americanos na Copa. No último teste de Gana antes do Mundial, o que se viu foi uma demonstração de força – 4 a 0 contra a Coreia do Sul. Ninguém havia esperado por uma goleada, ainda mais depois da má exibição que culminou na derrota por 1 a 0 para a Holanda.

África do Sul, Boateng foi uma das principais peças da equipe que chegou até as quartas de final e acabou desclassificada por falta de sorte no jogo contra o Uruguai. Devido ao grande desgaste, o meia se retirou da seleção, mas voltou atrás na decisão. No Brasil, ele irá formar o meio-campo junto com Sulley Muntari. Os dois já jogaram juntos pelo Milan e passaram pelos treinos da seleção na Holanda e na Flórida sem maiores problemas. Dois outros jogadores não tiveram a mesma sorte. Primeiro, o zagueiro Jerry Akaminko, do clube turco Eskisehirspor. No amistoso contra a Holanda, que terminou com derrota por 1 a 0, Akaminko sofreu uma grave lesão no tornozelo e teve de ser cortado pelo treinador Kwesi Appiah da equipe que disputa o

Mundial. Sem Akaminko, os ganeses foram para os treinamentos finais na Universidade Internacional da Flórida, nos Estados Unidos, onde tiveram outro azar. O goleiro Adam Larsen Kwarasey machucou a coxa e acabou poupado dos treinos. No último teste contra a Coreia do Sul, Kwarasey não jogou e deu lugar ao reserva Fatau Dauda, que teve uma noite tranquila contra os asiáticos. Å

Par tidas de Gana na fase de grupos EUA (16 de junho), Alemanha (21 de junho) e Portugal (26 de junho)

Diante dos sul-coreanos, porém, tudo deu certo. “Mas contra os americanos será outro jogo”, tratou de declarar, prudentemente, o técnico Kwesi Appiah. “Acredito que teremos uma equipe bem diferente da que entrou em campo hoje.” Foi também uma noite de orgulho para o antigo craque Abedi Pelé, que assistiu à grande exibição dos filhos Jordan e André Ayew. Jordan, que foi emprestado pelo Olympique de Marselha ao Sochaux, marcou três gols, um dos quais teve a assistência do irmão André, que atua pela equipe de Marselha. Mesmo tendo começado no banco, Jordan Ayew não esperou muito para jogar, tendo entrado em campo logo aos cinco minutos para substituir o lesionado Abdul Majeed Waris. Por fim, Asamoah Gyan marcou o quarto gol e definiu o placar.

Mladen Antonov / AFP

O técnico da seleção alemã Joachim Löw também deve ter parado para pensar após assistir à boa exibição dos ganeses. Os germânicos enfrentarão Gana na segunda rodada da fase de grupos e, se acontecer o que Kevin-Prince Boateng prevê, as duas seleções irão brigar pela segunda vaga do Grupo G. Para o meia ganês, Portugal é a equipe mais forte da chave. “Se Cristiano Ronaldo estiver em forma, vai ser difícil derrotar os portugueses”, afirmou. Depois de Portugal viriam Alemanha e Gana, o que significa que “apenas um Boateng seguiria na competição”, seja ele mesmo ou o irmão Jérôme, do Bayern de Munique e da seleção da Alemanha. Nascido em Berlim, Kevin-Prince atua hoje pelo Schalke 04. Com poucas chances com Joachim Löw, ele aceitou com prazer o chamado para jogar pela seleção de Gana, terra natal do seu pai. Há quatro anos, no Mundial da

Mantendo o foco Kevin-Prince Boateng, de Gana, durante a convincente vitória por 4 a 0 sobre a Coreia do Sul.

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CONCENTR AÇÃO

Aquecimento para a primeira vitória na Copa do Mundo?

Honduras atua com garra e uma aplicação descomprometida.

Nicola Berger é jornalista esportivo e vive em Zurique.

No último sábado, Honduras e Inglaterra empataram em 0 a 0 em Miami em um amistoso que foi o último teste para as duas equipes antes de elas viajarem para o Brasil. O que pode soar como um jogo monótono e sem grandes atrativos foi na realidade uma partida intensa e emocionante. Honduras se defendeu com todas as suas forças. E com faltas que quase passavam do limite. O habilidoso jogador do Liverpool Steven Gerrard se mostrou insatisfeito com a violência do adversário depois do confronto. “Podemos ficar contentes por ninguém ter se machucado”, afirmou. “Algumas entradas foram muito violentas, e faltando tão pouco para a Copa do Mundo.” A irritação de Gerrard era compreensível, mas a forma como os hondurenhos se portaram, também. Depois de derrotas contra Turquia

(2 x 0) e Israel (4 x 2), a equipe estava sob pressão. No país, as críticas já começavam a aparecer. Além disso, está claro que tática e tecnicamente Honduras não estará entre as melhores seleções presentes no Brasil 2014. Logo, a equipe do técnico colombiano Luis Fernando Suarez procura compensar as suas deficiências jogando com garra e uma aplicação descomprometida. A questão é: até onde os catrachos, como são chamados os cidadãos do país, conseguirão chegar confiando primordialmente na sua raça e força de vontade? O grupo, com França, Equador e Suíça, não é nada fácil. Para Wilson Palacios, 29, Honduras pode chegar muito longe. O meio-campista do Stoke City é o jogador mais talentoso e mais famoso do elenco. Em 2009, o Tottehham pagou cerca de 15 milhões de euros para contar com o seu futebol. “Em Honduras as pessoas comem, vivem e sonham com o futebol”, afirmou. “Quando a seleção joga, toda a vida pública no país para.”

Não há muitos países em que uma pausa no cotidiano é tão bem-vinda. Honduras é o segundo país mais pobre da América ­Central, à frente apenas do Haiti. Cartéis de drogas aterrorizam a população, e o país tem a maior taxa de assassinatos do planeta com grande distância para o segundo colocado. Palacios já sentiu essas mazelas na própria carne. Em 2009, o seu irmão Edwin, então com 16 anos, que também era jogador da seleção juvenil, foi assassinado por sequestradores. Na época, Palacios chegou a pensar até em se aposentar, mas hoje a ideia é motivar o seu país. Ele falou sobre o assunto em entrevista recente ao jornal inglês The Guardian. “Depois da nossa vitória por 2 a 1 contra o México, em setembro, o país se afundou em êxtase. Queríamos dar às pessoas um motivo para comemorar.” Em duas participações em Mundiais, em 1982 e 2010, Honduras ainda não conseguiu nenhuma vitória. Na África do Sul, a equipe não marcou sequer um gol. No Brasil, ­Palacios quer mudar isso. Pelo povo sofrido e pelo irmão Edwin. Å

Jogos de Honduras na fase de grupos França (15/6), Equador (20/6), Suíça (25/6)

Para chegar longe Wilson Palacios, aqui em um amistoso contra a Inglaterra (Gerrard à direita), quer chegar às oitavas de final com Honduras. 16

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David Klein / imago/Sportimage

Honduras


CONCENTR AÇÃO

O animal no brasão francês O galo não apenas enfeita a camisa da França, mas também é representado pessoalmente em cada jogo por Balthazar.

França

Cocoricó Sarah Steiner é colaboradora da redação da FIFA Weekly.

imago

As esperanças da seleção francesa estavam praticamente todas sobre os ombros de Franck Ribéry. No entanto, na semana passada se descobriu que o craque não poderá ajudar o seu país na Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. Os franceses viajaram para o Mundial sem o seu maior ídolo, e isso depois que o técnico Didier Deschamps havia deixado de lado o meio-campista Samir Nasri, do Manchester City. A questão agora é quem impulsionará a França rumo ao gol. No último amistoso antes da Copa do Mundo, contra a Jamaica, a resposta foi dada em campo. Em Lille, a seleção francesa goleou os caribenhos por 8 a 0. A união do grupo vem sendo muito enaltecida. “O astro é a seleção francesa”, afirmou o capitão Hugo Lloris. “Ninguém está acima de ninguém.” As expectativas dos franceses são grandes — como sempre. De Paris a Marselha, nin-

guém sonha com outro resultado que não seja o título. Dezessete mil torcedores franceses compraram ingressos para o Brasil 2014. Entre eles está Clément Tomaszewski, mais conhecido pelo apelido de “Clément d’Antibes”. Ele é o mais famoso torcedor bleu e já acompanhou mais de 200 partidas da sua seleção no estádio — a primeira delas no dia 16 de junho de 1982, na Copa do Mundo na Espanha. Desde que a França se sagrou campeã mundial, em 1998, a fama de Clément d’Antibes ultrapassou as fronteiras do país. Tudo porque desde o torneio em casa ele começou a levar o seu animal de estimação, o galo Balthazar, ao estádio. Batizado em homenagem ao amigo Balthazar Comandato, com quem ele foi ao seu primeiro jogo da França e que morreu pouco depois, o galo é considerado o mascote do selecionado gaulês — e também uma espécie de oráculo: quando o galo canta

Quando o galo canta, as chances de vitória são boas.

na manhã do jogo, as chances de vitória são maiores; se ele fica mudo, a situação se torna sombria. Seja de carro, trem ou avião, Balthazar está sempre presente. Apenas na Coreia do Sul/ Japão 2002 Clément precisou viajar sem o companheiro. O animal até tinha permissão para embarcar, mas devido às precauções relacionadas à gripe aviária, ele não poderia retornar à França. O substituto obtido em Seul não podia ser comparado ao original, e a força das suas cordas vocais de fato não foi suficiente para incentivar a França, que viajou como campeã e retornou logo ao término da fase de grupos sem nenhum gol marcado. No Brasil, o galo poderá acompanhar os jogos ao vivo no estádio. O dono está convencido de que ele impulsionará os franceses até bem longe no torneio — o retorno só está planejado para depois da final. E, evidentemente, ele espera que Balthazar volte a cantar alto na manhã de 13 de julho, um dia antes do Dia da Bastilha. Å

Jogos da França na fase de grupos: Honduras (15/6), Suíça (20/6), Equador (25/6) T H E F I FA W E E K LY

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DEBAT E

“Pioneiros para a esperança”

Apelo Durante o pronunciamento no Congresso, o presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, lembrou os delegados presentes sobre a responsabilidade social deles.

Perikles Monioudis, São Paulo

A

cidade da partida de abertura da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 estava encoberta por nuvens no dia do 64º Congresso da FIFA, e a chuva ameaçava desabar sobre São Paulo. Mas o sol brasileiro também insistia em brilhar sobre o Transamerica Expo Center, onde representantes das 209 federações afiliadas à FIFA se reuniram. O Congresso deste ano foi realizado tendo por plano de fundo o Mundial. No seu discurso perante os delegados, o presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, enfatizou a importância do futebol como um motor para mudanças sociais. “Precisamos nos tornar um dos pioneiros para a esperança”, afirmou o suíço. Blatter declarou que o futebol é importante na luta contra o racismo e qualquer forma de 18

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discriminação e também em prol do bem-estar das pessoas. Ele comentou ainda sobre a necessidade de se comportar de modo leal, solidário e íntegro dentro e fora de campo. Sem limitação de tempo no cargo O presidente da câmara investigatória do Comitê de Ética da FIFA, Michael J. Garcia, deu informações sobre o trabalho da sua comissão, inclusive sobre o processo de candidatura aos Mundiais de 2018 e 2022. Membro do Comitê Executivo, Theo Zwanziger fez um resumo das importantes conquistas do processo de reforma de governança. A respeito dos pontos restantes, o Congresso rejeitou a introdução de um limite de idade para oficiais — o que seria uma medida discriminatória — e também de um limite de tempo no cargo. Em relação às finanças da FIFA, o Congresso aprovou o orçamento para 2015-2018 (com um valor estimado de US$ 5 bilhões e investimentos de US$ 4,9 bilhões), que terá investimentos de US$ 900 milhões para o desenvolvimento do futebol, isto é, US$ 100 milhões a mais do que no ciclo atual. Atualmente, a FIFA investe a cada dia mais de US$ 500 mil no desenvolvimento do futebol das suas 209 federações filiadas.

Luta contra a manipulação de resultados O Congresso recebeu informações detalhadas sobre as iniciativas de integridade, lançou diversas medidas no campo da prevenção, gestão de riscos, obtenção de informações, investigação e sanções e apoiou a FIFA nos seus esforços para proteger a integridade do futebol. O radar da Early Warning System foi ampliado. Agora, além dos torneios da FIFA, ele também vigia jogos importantes fora da Europa. O Congresso aprovou ainda dez diretrizes para o fomento do futebol feminino. Para o próximo ciclo, ficou decidida também a duplicação dos recursos para o desenvolvimento do futebol feminino. Å

O debate da Weekly. Algum assunto tira o seu sono? Qual tema você gostaria de debater? Envie sugestões para feedback-theweekly@fifa.org

Stuart Franklin /FIFA via Getty Images

Não deve haver futebol sem ética e integridade. Esta é uma das principais preocupações do 64º Congresso da FIFA.


DEBAT E

MENSAGEM DO PRESIDENTE

A FIFA Weekly perguntou no FIFA.com: Qual é a sua opinião sobre as seleções do Mundial? No momento, Nasri é o melhor meia do mundo. É uma falta de experiência do Sr. Deschamps não tê-lo convocado para o Brasil. O comandante francês ainda vai perceber isso durante o Mundial. jeanrhony, EUA

Fiquei chocado ao constatar que Tévez não foi convocado para a seleção da Argentina. Penso que, pela Costa do Marfim, Eboué merecia ter ido ao Mundial. Se eu fosse espanhol, teria chamado Arbeloa. Mesmo que ele não tenha jogado uma temporada incrível, esse jogador, que venceu tudo com a Espanha, merecia pelo menos jogar a sua última Copa! Ioscbarca, França

Estou satisfeito com a seleção argelina! Acredito que Mahrez irá se integrar rapidamente à equipe. Quanto a Belfodil, achei lógico que ele não tenha sido chamado, pois ele perdeu a eficiência. Para os jogadores que estão sem ritmo, sei que Vahid irá aplicar um programa especial para que eles recuperem a forma. Espero que possamos chegar longe no Brasil! Viva a Argélia! raf_dz21, Argélia

Portugal possui um time incrível. Estou satisfeito que continuamos com Rafa. Eu amo a minha seleção! Tosama, Portugal

Não entendo por que Maxwell seria melhor que Felipe Luiz ou Adriano. Além disso, um jogador do nível do Kaká iria acrescentar bastante à equipe. Também lamento que Lucas Moura não tenha sido chamado. Pelos menos, ainda temos Neymar, Hulk e os outros. Elvinho7, Brasil

Belo time o da Coreia do Sul! Com Guus Hiddink, os sul-coreanos têm pelo menos um ótimo treinador! RVP_97, Nova Zelândia

Vamos, Alemanha! Desta vez, a vitória é de vocês. Pessoalmente, não me iludo sobre as chances da Costa do Marfim, mesmo que eu continue torcendo para a seleção. Porém, tenho a sensação de que adoramos ficar na média. Todos os outros países possuem um time com 23 jogadores e uma comissão técnica, menos a Costa do Marfim. Se você enviar 23 jogadores sem um comando efetivo, esperando que eles façam milagres, fica bastante difícil. willykiller, Costa do Marfim

“Vamos, Alemanha! Desta vez, a vitória é de vocês.” Espero por uma Copa incrível, que possa fazer história. Tenho certeza que todas as 32 seleções irão jogar muito e que, no fim, o melhor vai se sagrar campeão. Por causa do amor ao esporte, todos precisamos comemorar com os campeões, porque esses jogadores terão de se esforçar muito durante todo o mês. BamBoul’a, Canadá

“Pelos menos, ainda temos Neymar, Hulk e os outros.”

A democracia do futebol

F

inalmente a Copa começou! Enfim podemos nos concentrar na disputa entre as 32 melhores seleções do planeta, com toda a diversidade técnica e tática em altíssimo nível. A força mundial do futebol já pôde ser claramente sentida no Congresso realizado em São Paulo. Politicamente, o encontro anual das federações afiliadas é a data mais importante do nosso calendário, pois constitui a base democrática do futebol. Nele, cada um dos 209 membros da FIFA possui os mesmos direitos – seja Burundi ou Alemanha, Vanuatu ou Brasil. Com 209 federações afiliadas, a FIFA é maior que a ONU. Só esse fato já mostra o tamanho da nossa responsabilidade. O objetivo da FIFA não é “somente” fortalecer a posição dos países líderes e, assim, solidificar a hierarquia. O nosso trabalho também é crucial onde melhorias são necessárias, sejam elas técnicas, estruturais ou logísticas. A FIFA tem a possibilidade de utilizar o seu papel de liderança para o desenvolvimento do esporte. O futebol não acaba ao sul da Itália,­ a oeste da Inglaterra ou a leste da Rússia. Por isso, iremos vivenciá-lo durante as próximas semanas nos gramados brasileiros. No Congresso, tivemos uma noção da força global do nosso esporte. Caro leitor, eu desejo a você uma Copa do Mundo empolgante, do mais alto nível e inesquecível no país que chegou o mais perto da perfeição no futebol e que representa as possibilidades ilimitadas do esporte. Vida longa ao jogo bonito!

Sepp Blatter T H E F I FA W E E K LY

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Primeiro amor

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Local: Daca, Bangladesh Data: 29 de maio de 2014 Hora: 16h58

Andrew Biraj / REUTERS

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11 D A F I F A

TIRO LIVRE

As maiores goleadas da Copa do Mundo

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Os ônibus da Copa do Mundo Thomas Renggli

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uando José Mourinho “estaciona o ônibus” da sua equipe na defesa, os espectadores sabem que ele armou uma forte retranca para manter os atacantes adversários longe do seu gol. Mas quando o treinador do Chelsea estaciona dois ônibus, todos sabem que ele está em busca de uma goleada por 1 a 0. Na Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, os ônibus (pelo menos os veículos fortemente escoltados das 32 seleções) andam em ritmo acelerado. Além disso, eles mandam também o seu grito de guerra para a concorrência: cada nação passa pelas ruas brasileiras ostentando o seu lema oficial para o Mundial. Nesse sentido, os estrategistas de publicidade de certas seleções devem ter encontrado inspiração em um safári. A Costa do Marfim, por exemplo, se movimentará durante a Copa do Mundo seguindo o mote “Elefantes ao ataque no Brasil”. Com esse espírito, Drogba e companhia já podem se sentir com sorte por terem conseguido entrar em terras brasileiras. Afinal, existem diversas restrições à importação de animais selvagens no país. A seleção camaronesa é outra que poderia ter enfrentado problemas para entrar no país do futebol. Para os camaroneses, “Um leão permanece um leão”. Vale a pena lembrar o aviso das alfândegas brasileiras: “Animais que forem transportados para o Brasil sem a devida documentação estarão sujeitos a quarentena para entrar no país. O custo oriundo da não apresentação dos documentos exigidos deverá ser pago pelo responsável pelo animal transportado!” Os escritores amadores da Costa Rica se empolgaram com a grande superfície do ônibus à sua disposição: “A minha paixão é o futebol, a minha força é o povo, o meu orgulho é a

Costa Rica”. O longo lema costa-riquenho acabou se parecendo mais com o início de um sermão do que com um simples slogan motivacional. Já a delegação colombiana precisará tomar cuidado para não sofrer de agorafobia: “Aqui viaja uma nação, não apenas uma equipe”. Segundo estimativas recentes, a Colômbia conta com 46.413.791 habitantes. A Nigéria é outra que apostou no sentimento de comunidade: “Apenas juntos podemos vencer”. Ao criar a sua frase, a campeã olímpica de 1996 não devia estar de olho no prêmio por originalidade. Mas pelo menos os nigerianos compreenderam a natureza do jogo. Afinal, o futebol é mesmo um esporte coletivo. Enquanto isso, a Suíça não terá problemas com falta de confiança: “Ponto final: 07/13/14 Maracanã”. Pelo menos a informação poderá servir como uma dica para calcular os problemas de capacidade no trânsito do Rio de Janeiro. Mas é bem possível que o ônibus suíço chegue ao seu destino final sem passageiros no dia da final. Por fim, a Austrália deixou claro no seu ônibus como fará para chegar longe no Mundial: “Socceroos: saltitando no nosso caminho para fazer história”. Nada contra métodos pouco convencionais de locomoção, mas é bom lembrar que a distância entre Cuiabá, onde a seleção australiana fará a sua estreia, e o Rio de Janeiro, palco da final, é de 1.577 quilômetros. É bom que os jogadores australianos tenham pernas bem fortes para aguentarem saltitar por um caminho tão longo. Å

Coluna semanal da redação da FIFA Weekly

Hungria 9 x 0 Coreia do Sul Jogo: fase de grupos Data: 17 de junho de 1954

Iugoslávia 9 x 0 Zaire Jogo: fase de grupos Data: 18 de junho de 1974

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Hungria 10 x 1 El Salvador Jogo: fase de grupos Data: 15 de junho de 1982

4

Suécia 8 x 0 Cuba Jogo: quartas de final Data: 12 de junho de 1938

Uruguai 8 x 0 Bolívia Jogo: fase de grupos Data: 2 de julho de 1950

A lemanha 8 x 0 Arábia Saudita Jogo: fase de grupos Data: 1º de junho de 2002

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Uruguai 7 x 0 Escócia Jogo: fase de grupos Data: 19 de junho de 1954

T urquia 7 x 0 Coreia do Sul Jogo: fase de grupos Data: 20 de junho de 1954

Haiti 0 x 7 Polônia Jogo: fase de grupos Data: 19 de junho de 1974

Portugal 7 x 0 Coreia do Norte Jogo: fase de grupos Data: 21 de junho de 2010

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Brasil 7 x 1 Suécia Jogo: quadrangular final Data: 9 de julho de 1950

Fonte: FIFA (Copa do Mundo da FIFA, Marcas e Recordes, Kit de Estatísticas, 12/05/2014) T H E F I FA W E E K LY

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INGL AT ERR A

Pequeno paraíso A seleção inglesa se prepara para a fase de grupos no Rio de Janeiro, nas proximidades de Copacabana. Depois disso, os ingleses querem seguir em frente para a fase de mata-mata.

Ciência e história a favor da Inglaterra Jovem, rejuvenescida e inspirada, a seleção inglesa luta com um novo ímpeto contra velhas dificuldades. E um cientista explica o que fazer para converter pênaltis.

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Thomas Renggli, Rio de Janeiro

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de bom tom na Inglaterra adotar uma postura moderada e subestimar certos eventos pouco agradáveis. Após uma greve de metrô de vários dias, a conversa entre ingleses seria sobre um pequeno atraso. “Que clima adorável” seria um típico comentário britânico sobre uma garoa que parece não ter fim. “Situação um tanto desagradável” seria uma boa forma de definir o fim do mundo que se aproxima na Terra da Rainha. Quando o assunto é futebol, no entanto, a cortesia e a humildade são deixadas de lado. Desde que entrou em campo pela primeira vez (em 31 de julho de 1872 no empate por 0 a 0 contra a Escócia), a Inglaterra declarou a sua própria supremacia no esporte. O fato de o único título mundial da seleção inglesa em 1966 ter acontecido devido a um problema de visão de um árbitro suíço também não diminui o seu orgulho. Nos últimos 44 anos, sempre que chega uma Copa do Mundo os ingleses se autoproclamam os favoritos inquestionáveis. E acreditam que o título é tão inevitável quanto a troca da guarda às 11h30 da manhã na frente do Palácio de Buckingham. Porém, faltando pouco para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 a situação parece subitamente ter mudado. Em vez de declarar guerra e já começar a cantar vitória, a Inglaterra se vê dominada


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Com humildade no Brasil. Os pilares da equipe Wayne Rooney (esquerda) e Steven Gerrard em uma pausa em um treinamento no final de maio.

Wong Maye-E/Ap/Keystone, Richard Heathcote/Getty Images

por um tom de derrotismo e humildade. “A única coisa certa é que disputaremos três jogos no Brasil”, afirmou o treinador inglês Roy Hodgson. “Claro que gostaríamos de jogar sete partidas, mas inicialmente serão apenas três.” O comandante inglês adota um discurso modesto. O valor pago pelas casas de aposta caso a Inglaterra vença a Copa do Mundo atingiu um recorde histórico com valores entre 28 e 66 para 1, o que mostra toda a falta de confiança dos ingleses na sua seleção. Há quatro anos, o rateio pago era de 6 para 1 — em 2006, o valor era de 8 para 1. Treinamento mental pode ajudar O principal motivo da humildade inglesa é a atual fase de transição. Grandes jogadores dos últimos tempos se aposentaram ou passaram do auge das suas carreiras. No entanto, esses mesmos craques nunca justificaram a sua fama jogando pelo país. Em 2010, a Inglaterra foi eliminada pela Alemanha nas oitavas de final. Em 2006, voltou para casa depois de derrota nos pênaltis contra Portugal pelas quartas de final. E com isso mencionamos um aspecto que pode ser considerado a raiz de todos os males dos ingleses — as disputas por pênaltis. Desde 1990, a Inglaterra participou de sete decisões por penalidades em Mundiais ou Eurocopas — e por seis vezes foi derrotada. Quando a seleção britânica foi eliminada dos Jogos Olímpicos de

2012 pela Coreia do Sul em mais um embate que foi definido em cobranças de 9,15 metros de distância, o comentarista da BBC afirmou em tom de consternação, fatalismo e ironia que “certas coisas não mudam nunca”. Pensando nisso, o treinador Roy Hodgson contratou para a sua comissão técnica o psicólogo esportivo Steve Peters. Peters, que entre outras façanhas ajudou os heróis do ciclismo inglês Chris Foy e Victoria Pendleton a vencerem o ouro olímpico e acompanhou o astro da sinuca Ronnie O’Sullivan em momentos difíceis da sua carreira, deverá acabar com o medo de fracasso dos ingleses. Mas o capitão Steven Gerrard, que já conhecia Peters pelo seu trabalho no Liverpool, acredita que não se pode superestimar a medida. “Ele não pode ajudar a ter mais precisão em um passe de 40 metros ou fazer você correr mais rápido de repente — mas ele pode explicar o que está acontecendo na sua cabeça”, observa. Cobradores loiros acertam com mais frequência Sven-Göran Eriksson, um dos malfadados predecessores de Hodgson, era o comandante da Inglaterra nas duas derrotas nos pênaltis contra Portugal na Eurocopa 2004 e na Copa do Mundo 2006. “Cobranças de pênalti são um desafio mental; não há nenhuma técnica envolvida”, afirmou o treinador sueco. “No caminho do meio de cam-

Campanhas da Inglaterra desde a C o p a d o M u n d o d e 19 6 6 1966: Campeã (Vitória na final contra a Alemanha) 1970: Eliminada nas quartas de final (contra a Alemanha) 1974: Não se classificou 1978: Não se classificou 1982: E liminada na segunda fase de grupos 1986: E liminada nas quartas de final (contra a Argentina) 1990: E liminada nas semifinais (contra a Alemanha) 1994: N  ão se classificou 1998: E liminada nas oitavas de final (contra a Argentina) 2002: E liminada nas quartas de final (contra o Brasil) 2006: E liminada nas quartas de final (contra Portugal) 2010: E liminada nas oitavas de final (contra a Alemanha) 2014: G  rupo com a Itália (14/6), Uruguai (19/6), Costa Rica (24/6)

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Campanha gloriosa em casa O capitão da Inglaterra Bobby Moore é carregado pelos colegas pelo gramado de Wembley em 1966 depois da vitória por 4 a 2 contra a Alemanha.

po até a marca do pênalti, muitos pensamentos passam pela sua cabeça.” Os ingleses também receberam um grande apoio do famoso físico Stephen Hawking. A pedido de uma casa de apostas, o cientista de 72 anos analisou o desempenho da Inglaterra em todos os Mundiais desde 1966 e deu até mesmo algumas dicas úteis para Hodgson. Para uma maior eficácia, seria importante dar mais de três passos antes de chutar, chutar na região superior bem à esquerda ou à direita do gol e selecionar um cobrador de cabelos claros. Segundo Hawking, os cobradores loiros convertem 84% dos seus chutes, em comparação com 71% de acerto de jogadores calvos e 69% de morenos. Ele informou ainda que é indiferente se os cabelos são da sua cor natural ou tingidos. As estatísticas trouxeram à luz três outros fatos interessantes: a seleção inglesa é mais bemsucedida quando atua de vermelho, quando adota o esquema 4-3-3 e quando a partida é comandada por um juiz europeu. No entanto, nem mesmo Stephen Hawking conseguiu apresentar uma resposta para as dificuldades enfrentadas pelo goleiro quando o adversário está na marca da cal. Experiência e ímpeto no ataque Mas nem todo o brilhantismo de Hawking convencerá Roy Hodgson a alterar o esquema tático 26

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atual. A sua aposta é a de que uma geração de jogadores com ânimo novo e livres de antigas pressões e pensamentos sombrios consigam dar novas esperanças aos sonhos ingleses na Copa do Mundo. A base da seleção é formada por jogadores do Liverpool, entre eles o capitão Gerrard, o prodígio de 19 anos Raheem Sterling e Daniel Sturridge, que junto com Luis Suárez forma a dupla de ataque mais perigosa da Premier League. Na última temporada, o atacante marcou 21 gols e deu nove assistências, ficando atrás apenas do seu companheiro uruguaio. O arquirrival Everton contribuiu com uma dose de despreocupação e categoria com Ross Barkley, de 20 anos, enquanto o Southhampton forneceu mais dois jovens talentosos: Adam Lallana e Youngster Luke Shaw. Mesmo assim, a produção de gols continua sendo responsabilidade principalmente dos jogadores mais experientes. No 2 a 2 contra o Equador em Miami, Wayne Rooney (28) e Rickie Lambert (32) marcaram os gols da equipe. Em especial, Rooney segue sendo um dos mais importantes nomes da Inglaterra com a sua presença física e a sua técnica apurada. Antes da aventura pelas selvas contra a Itália em Manaus, os ingleses também devem estar depositando as suas esperanças na fragilidade mostrada recentemente pelo adversário, já que os italianos apenas empataram por 1 a 1 há alguns dias no seu amistoso preparatório contra Luxemburgo.

Semelhanças mágicas com 1966 A verdade é que os ingleses não parecem acreditar tanto em retrospecto ou em coincidências esportivas. Se considerassem os paralelos entre o momento atual e o ano de 1966, eles estariam mais otimistas. Certos acontecimentos de então parecem estar se repetindo quase magicamente em 2014. O Real Madrid foi campeão da Liga dos Campeões, enquanto o seu rival Atlético de Madri venceu o Campeonato Espanhol. O Fulham foi rebaixado para a segunda divisão. Pela FA Cup, o campeão também precisou reverter uma desvantagem de 2 a 0 (em 1966, o Everton — em 2014, o Arsenal). E até mesmo o vencedor do concurso Eurovision se repetiu, a Áustria, graças ao cantor drag queen Conchita Wurst. Todas as peças do quebra-cabeça parecem se encaixar para que a Inglaterra conquiste o bicampeonato mundial. Mas dois fatos contradizem as esperanças britânicas: no Brasil 2014 será utilizada pela primeira vez em um Mundial a tecnologia da linha do gol. E além disso, ao contrário de 1966, não haverá nenhum árbitro suíço na Copa do Mundo. Å

Jogos do Inglaterra na fase de grupos Itália (14/6), Uruguai (19/6), Costa Rica (24/6)


Perigoso Daniel Sturridge (24)

Cobiรงado Luke Shaw (18)

Astro em ascensรฃo Raheem Sterling (19)

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Shaun Botterill/FIFA via Getty Images (4), Popperfoto (1)

Habilidoso Ross Barkley (20)

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PON T O DE INFLE X ÃO

“9 meses se tornaram 17 anos” Na Sérvia, ele é conhecido como “Rambo”. No Brasil, “Pet” é considerado um dos melhores estrangeiros a ter passado por aqui. Hoje, Dejan Petkovic é patrimônio cultural brasileiro.

Nome Dejan Petkovic

Joka Madruga

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ra o verão de 1997, e a minha carreira não havia decolado como eu imaginara. Mesmo tendo um contrato com o Real Madrid, eu não vinha jogando pela equipe. Em um torneio de pré-temporada realizado na ilha de Mallorca, entrei em campo com a equipe reserva para enfrentar o Vitória, de Salvador. Para mim, era uma obrigação. No entanto, quando hoje olho para trás, vejo que aquele foi o momento que iria mudar não apenas a minha carreira de jogador, mas também a minha vida. Anotei dois gols e deu assistência para outro. Os diretores do Vitória ficaram impressionados e me fizeram uma proposta. Confessei a eles que não sabia quase nada sobre o time. Aí, alguém veio e me disse que o Vitória era o então campeão. Naquele momento, fiquei maravilhado e achei que eles eram os campeões brasileiros. Mais tarde, acabaria descobrindo a verdade: o Vitória ­havia sido campeão baiano. Conversei com um amigo sobre a proposta. “Os melhores jogadores brasileiros jogam todos na Europa”, ele me disse. “Se você se firmar no Campeonato Brasileiro, também vai acabar, mais cedo ou mais tarde, sendo contratado por um grande clube europeu.” Os argumentos dele me convenceram. Eu não queria necessariamente ir jogar no Brasil, mas aceitei a proposta do Vitória e pensei comigo: em nove meses, estou de v ­ olta à ­Europa. Por coincidência, durante as negociações com o Vitória, uma delegação do Borussia

Data e local de nascimento 10 de setembro de 1972, em Majdanpek (Iugoslávia) Clubes como jogador Radnički Niš, Estrela Vermelha de Belgrado, Real Madrid, Sevilla (empréstimo), Racing Santander (empréstimo), Vitória, Venezia, Flamengo, Vasco da Gama, Shanghai Shenhua, Al-Ittihad, Fluminense, Goiás, Santos, Atlético Mineiro Clubes como treinador Atlético Paranaense sub-23 Seleção iugoslava 7 jogos, 1 gol

Dortmund apareceu em Madri com uma oferta para me contratar. Porém, rejeitei, pois estava apalavrado com o clube alvinegro. Isso impressionou a direção do Vitória quase o mesmo tanto que a minha performance dentro do campo – e, mais tarde, ­compensaria todo o resto. Hoje, os nove meses planejados de início já somam 17 anos. Desde então, joguei por sete clubes – só no Rio, por Fluminense, ­Flamengo e Vasco –, me tornei cônsul honorário da Sérvia e recebi um prêmio mais que especial: fui o quinto estrangeiro e terceiro europeu, depois de Eusébio e Franz Beckenbauer, a entrar para a Calçada da Fama do Maracanã. Além disso, recebi o título de ­cidadão honorário do Rio de Janeiro e de ­Petrópolis. Por causa das minhas conquistas

com o ­Flamengo, fizeram até uma música: “É o Pet”. Isso tudo mostra o significado do ­futebol no Brasil. E eu me sinto muito orgulhoso por ter tido a oportunidade de fazer parte dessa ­cultura. Å Gravado por Thomas Renggli

Personalidades do futebol relembram um momento marcante da sua vida. T H E F I FA W E E K LY

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Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, Brasil

1950

fotogloria/Global Photo

A Copa do Mundo 1950 chegou ao seu auge no velho Maracanã. No último momento, o Brasil desperdiçou o título mundial, que ficou com o Uruguai. O país ficou em estado de choque.

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MÁQUINA DO TEMPO

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Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, Brasil

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AFP

Com um novo brilho, o Maracanã espera pelo seu destino. Sessenta e quatro anos depois, a Seleção quer conquistar o hexacampeonato mundial e deixar definitivamente para trás o maior trauma da sua história.

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Nome Sunday Oliseh 14 de setembro de 1974, em Abavo (Nigéria) Clubes como jogador Liège, Reggiana, Colônia, Ajax, Juventus, Borussia Dortmund, Bochum (empréstimo), Genk Pela seleção nigeriana 62 partidas e 4 gols

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Thomas Schweigert / 13 Photo

Data e local de nascimento


A EN T REV IS TA

“Os africanos têm talento” No Mundial de 1998, o nigeriano Sunday Oliseh entrou para a história com um gol antológico. Em entrevista, ele explica por que a Copa do Mundo da FIFA é difícil para os africanos e revela os seus favoritos ao título.

Oliseh, o que você espera das seleções africanas neste Mundial – Nigéria, Gana, Camarões, Argélia e Costa do Marfim?

fazem da Nigéria uma das mais bem-sucedidas seleções africanas. Qual é o segredo desse sucesso?

Há deficiências na formação de jogadores?

Sunday Oliseh: Espero que eles façam melhor do que em 2010, quando África do Sul, Argélia e Camarões saíram na fase de grupos e Gana foi até as quartas. Inclusive, acredito que Nigéria, Costa do Marfim e Gana estejam em um nível mais alto do que Camarões e Argélia.

É um pouco de tudo. Por um lado, com certeza, o tamanho do país – a Nigéria possui 170 milhões de habitantes. Depois vem a importância do futebol, que é uma das paixões nacionais, quase como uma religião. Além disso, temos jogadores com muita técnica e condição física. Os nigerianos são rápidos, principalmente em pequenas distâncias. Somos uma nação cheia de corredores de 100 metros, mas não de maratonistas.

Aos 15 anos, você se transferiu para a Bélgica. Não havia perspectivas na Nigéria?

A experiência de ter se classificado para as quartas de final na última Copa pode ser considerada uma vantagem para a seleção de Gana? Não acredito nisso. Pode até mesmo ter o efeito contrário. Por causa do bom resultado no Mundial de 2010, a pressão será maior agora. Os ganeses também não podem mais se aproveitar do status de time surpresa. Além disso, a média de idade da equipe é mais alta do que há quatro anos. No clima brasileiro, isso pode acabar virando uma desvantagem.

Nunca uma seleção europeia venceu a Copa do Mundo da FIFA em território sul-americano. Você acha que os africanos podem acabar se valendo disso no Brasil? Teoricamente, sim. Os africanos estão mais acostumados com o clima tropical. No entanto, atualmente a maior parte dos jogadores atua na Europa – e isso muda tudo. Eu me lembro, dos tempos em que era jogador, que jogar pela seleção em casa era uma grande mudança, como se estivéssemos atuando, na verdade, como visitantes. Os jogadores já conhecem o inverno europeu e sabem que ele é longo e difícil... (risos)

O clima brasileiro irá influenciar de alguma forma o estilo de jogo? Sim, com certeza. Acredito que o segredo será a compactação das equipes. Quem joga de forma compacta oferece menos espaços para sofrer contra-ataques e não gasta tanta energia. As seleções irão tentar deixar os seus jogadores o máximo atrás da bola. Nessa estratégia, é muito importante que a passagem entre ataque e defesa seja feita rapidamente.

O tricampeonato na Copa Africana de Nações e a medalha de ouro na Olimpíada de 1996

Porém, na Copa do Mundo, o país nunca passou das oitavas de final ... A razão está além dos campos. Falta estrutura ao futebol nigeriano. Mas não quero falar sobre isso.

As expectativas são muito grandes? Não mais. Antigamente era diferente. Os torcedores esperavam que vencêssemos nada menos que o título.

Você ficou marcado pelo gol antológico contra a Espanha no Mundial de 1998, um chute de longa distância, mais de 20 metros ... (risos) Ultimamente, esse gol tem voltado a ser praticamente onipresente, sendo mostrado na televisão e postado na internet, com os torcedores discutindo no Twitter e no Facebook sobre ele. Acaba que às vezes eu também entro nas discussões.

No entanto, aquela seleção foi desclassificada pela Dinamarca logo nas oitavas. Você ainda lamenta ter perdido aquela chance? É um privilégio da idade poder observar as coisas com mais calma e desprendimento, mas devo dizer que éramos melhores individualmente. Só que fomos derrotados por uma equipe que taticamente tinha uma vantagem clara. O sucesso, no futebol, não é o resultado da soma de 11 individualistas. Pelo contrário, isso vem de uma proximidade como equipe e da compreensão mútua de jogo.

Precisamos de mais estrutura.

A transferência para a Europa foi a minha grande oportunidade. Um olheiro da Bélgica me descobriu e me levou para um teste de dez dias no Liège. Acabei contratado. No entanto, o início na Europa foi bem difícil. Fui morar com uma família local e precisei me adaptar a uma realidade completamente diferente. Tudo era diferente da Nigéria, mas a minha vontade de superação era imensa.

Os atletas africanos costumam ir cedo demais para o exterior? Não. É a única chance que eles têm. Quanto mais cedo eles forem para a Europa, melhor. Sempre digo que o aço consegue a melhor forma quando está no fogo.

Você ainda vive na Bélgica. Enquanto jogador, você passou por Itália, Holanda e Alemanha. Quais são as maiores diferenças entre o futebol africano e o europeu? Muitos jogadores africanos possuem mais talento e vontade de vencer do que os atletas europeus. Porém, falta a eles compreensão tática ou disciplina. Uma equipe africana é formada por 11 artistas solitários, enquanto um time europeu, por 11 jogadores que formam um coletivo e estão prontos para assumir os seus papéis.

No dia 13 de julho, quem irá levantar a taça da Copa do Mundo da FIFA? (risos) Não me arrisco a responder essa pergunta, porque não quero problemas com ninguém. Mas posso dizer que será uma destas cinco equipes: Espanha, Brasil, Argentina, Alemanha e Nigéria. E eu sei que esse palpite também não é muito arriscado. Thomas Renggli conversou com Sunday Oliseh

O que é preciso para as seleções africanas aproveitarem melhor o seu potencial? Vou responder de forma diplomática: bons pais criam bons filhos. T H E F I FA W E E K LY

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Copa do Mundo da FIFA™. É onde todos querem estar.


R ANKING MUNDIAL DA FIFA

→ http://pt.fifa.com/worldranking/index.html

Pos. Seleção

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 23 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 52 54 55 56 57 57 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77

Movimento no ranking Pontos

Espanha Alemanha Brasil Portugal Argentina Suíça Uruguai Colômbia Itália Inglaterra

0 0 1 -1 2 2 -1 -3 0 1

1485 1300 1242 1189 1175 1149 1147 1137 1104 1090

Bélgica Grécia EUA Chile Holanda Ucrânia França Croácia Rússia México Bósnia e Herzegovina Argélia Dinamarca Costa do Marfim Eslovênia Equador Escócia Costa Rica Romênia Sérvia Panamá Suécia Honduras República Tcheca Turquia Egito Gana Armênia Cabo Verde Venezuela País de Gales Áustria Irã Nigéria Peru Japão Hungria Tunísia Eslováquia Paraguai Montenegro Islândia Guiné Serra Leoa Noruega Camarões Mali Coreia do Sul Uzbequistão Burkina Fasso Finlândia Austrália Jordânia Líbia África do Sul Albânia Bolívia El Salvador Polônia República da Irlanda Trinidad e Tobago Emirados Árabes Unidos Haiti Senegal Israel Zâmbia Marrocos

1 -2 1 -1 0 1 -1 2 -1 -1 4 3 0 -2 4 2 -5 6 3 0 4 -7 -3 2 4 -12 1 -5 3 1 6 -2 -6 0 -3 1 -2 1 -3 5 3 6 -1 17 0 -6 2 -2 -6 1 -9 -3 1 -2 0 4 1 1 3 -4 3 -5 4 -11 3 3 -1

1074 1064 1035 1026 981 915 913 903 893 882 873 858 809 809 800 791 786 762 761 745 743 741 731 724 722 715 704 682 674 672 644 643 641 640 627 626 624 612 591 575 574 566 566 565 562 558 547 547 539 538 532 526 510 498 496 495 483 481 474 473 470 460 452 451 444 441 439

Pos.

01 / 2014

02 / 2014

03 / 2014

04 / 2014

05 / 2014

06 / 2014

1 -41 -83 -125 -167 -209

78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 90 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 110 112 113 114 115 116 116 118 119 120 120 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 134 136 137 137 139 140 140 142 143 144

Liderança  

Quem mais cresceu  

Bulgária Omã Macedônia Jamaica Bielorrússia Azerbaijão RD do Congo Congo Uganda Benin Togo Gabão Irlanda do Norte Arábia Saudita Botsuana Angola Palestina Cuba Geórgia Nova Zelândia Estônia Zimbábue Catar Moldávia Guiné Equatorial China Iraque República Centro-Africana Lituânia Etiópia Quênia Letônia Bahrein Canadá Níger Tanzânia Namíbia Kuwait Libéria Ruanda Moçambique Luxemburgo Sudão Aruba Malaui Vietnã Cazaquistão Líbano Tadjiquistão Guatemala Burundi Filipinas Afeganistão República Dominicana Malta São Vicente e Granadinas Guiné-Bissau Chade Suriname Mauritânia Santa Lúcia Lesoto Nova Caledônia Síria Chipre Turcomenistão Granada

-5 3 0 0 1 2 4 7 0 10 1 -2 -6 -15 -1 1 71 -5 7 14 -5 -1 -5 -2 11 -7 -4 1 -2 -6 -2 0 -5 0 -10 9 6 -7 3 15 -4 -7 -3 35 0 -7 -6 -11 -5 -3 -3 11 -2 -5 -4 -7 50 31 -5 2 -4 2 -2 -6 -12 13 -8

Quem mais caiu

425 420 419 411 397 396 395 393 390 386 383 382 381 381 375 364 358 354 349 347 343 340 339 334 333 331 329 321 319 317 296 293 289 289 284 283 277 276 271 271 269 267 254 254 247 242 241 233 229 226 221 217 215 212 204 203 201 201 197 196 196 194 190 190 189 183 182

144 146 147 148 149 149 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 164 164 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 176 178 179 180 181 182 183 184 185 186 187 188 189 190 190 192 192 192 195 196 196 198 198 200 201 202 202 204 205 206 207 207 207

Madagascar Coreia do Norte Maldivas Gâmbia Quirguistão Tailândia Antígua e Barbuda Belize Malásia Índia Cingapura Guiana Indonésia Porto Rico Mianmar São Cristóvão e Névis Taiti Liechtenstein Hong Kong Paquistão Nepal Montserrat Bangladesh Laos Dominica Barbados Ilhas Faroe São Tomé e Príncipe Suazilândia Comores Bermudas Nicarágua China Taipei Guam Sri Lanka Ilhas Salomão Seychelles Curacao Iêmen Ilhas Maurício Sudão do Sul Bahamas Mongólia Fiji Samoa Camboja Vanuatu Brunei Timor-Leste Tonga Ilhas Virgens Americanas Ilhas Cayman Papua-Nova Guiné Ilhas Virgens Britânicas Samoa Americana Andorra Eritreia Somália Macau Djibuti Ilhas Cook Anguila Butão San Marino Turcas e Caícos

45 -9 6 -14 -3 -6 -9 -8 -8 -7 -8 -5 -5 -9 14 -7 -4 -12 -5 -5 -5 22 -5 5 -6 -9 -7 -5 5 10 -6 -8 -6 -7 -6 -8 -5 -5 -4 -4 16 0 0 -6 -6 0 -10 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 -1 0 0 0 0 0 0 0 0

T H E F I FA W E E K LY

182 175 171 166 163 163 158 152 149 144 141 137 135 134 133 124 122 118 112 102 102 99 98 97 93 92 89 86 85 84 83 78 78 77 73 70 66 65 61 57 47 40 35 34 32 28 28 26 26 26 23 21 21 18 18 16 11 8 8 6 5 3 0 0 0

35


Only eight countries have ever lifted the FIFA World Cup Trophy.

Yet over 200 have been winners with FIFA. As an organisation with 209 member associations, our responsibilities do not end with the FIFA World Cup™, but extend to safeguarding the Laws of the Game, developing football around the world and bringing hope to those less privileged. Our Football for Hope Centres are one example of how we use the global power of football to build a better future. www.FIFA.com/aboutfifa


NETZER RESPONDE!

OBJETO

A síndrome de isolamento ainda ocorre no Mundial? Pergunta de Steve Lennon, Perth (Austrália)

Perikles Monioudis

À

O rímel é indispensável Günter Netzer aos 28 anos antes de participar de um show em 1972

imago

S

im, ela continua existindo antes de torneios longos. Mas acredito que o risco de uma síndrome de isolamento séria hoje em dia seja pequeno. Certamente um ­jogador pode se sentir oprimido quando vive durante várias semanas sob um mesmo teto com os mesmos companheiros de equipe. Mas é improvável que o clima entre em colapso por causa disso. Os jogadores têm muitas possibilidades hoje em dia. Nos grandes hotéis eles têm opções de distração ou podem se recolher quando for necessário. Durante a Copa do Mundo de 1974, nós ficamos acomodados em escolas de esportes alemãs. Não havia muito luxo. Eu me recordo de uma mesa de p ­ ingue-pongue e muitos livros. Obviamente, jogávamos cartas com ­bastante frequência. Mas para mim as condições externas são secundárias. Para que tudo funcione e a vida

interna de uma seleção permaneça harmoniosa, os jogadores precisam entrar no torneio com a mentalidade certa. Anseios pessoais não podem ser uma questão de primeira ordem. Os astros devem se refrear e precisam procurar se subordinar. Se questões de ego ficarem em primeiro plano, uma dinâmica negativa poderá se desenvolver rapidamente e a equipe não jogará coletivamente. De resto, o mesmo se aplica ao convívio com os jogadores mais excêntricos. Se um ritual supersticioso perturba a equipe de alguma maneira, ele não se justifica de forma nenhuma. Å

s vezes parece que a única forma de evitar que os lápis caiam da mesa no chão e se quebrem é colocá-los em um estojo. Geralmente, antes mesmo de percebermos que o lápis começou a rolar ele já atingiu o solo. Basta um momento de desatenção para que esses objetos de grafite ou coloridos caiam silenciosa e rapidamente. Por isso, é essencial um lugar para protegê-los, e um estojo de madeira alongado é ideal para guardá-los. Estojos e lápis parecem quase exigir a existência um do outro. Esses lápis também são um exemplo de uma perfeita divisão de trabalho: uma metade é vermelha e a outra é azul. Basta usar a outra ponta para mudar a cor. No caso da imagem, nada mais fácil do que trocar o lado e fazer a transição entre o confortável e permissivo azul para o alarmante e vigilante vermelho. Esse caráter dicotômico também pode ser observado no futebol, que está representado com tanta graça no estojo. A transição, no caso do esporte mais popular do planeta, é feita da defesa para ataque e depois do ataque de volta para a defesa — dependendo de quem estiver com a posse de bola. Mas o estojo de lápis de cor representado acima (Coleção da FIFA) tem mais uma vantagem. Com a ajuda dos seus lápis, é possível desenhar e pintar os escudos de vários clubes muito populares. Ele seria ideal para torcedores de Barcelona, Basel, Bayern de Munique, etc. Um lápis branco e preto seria ideal para torcedores do Newcastle ou do Corinthians — e também do Real Madrid, cujo uniforme é totalmente branco. Estritamente falando, o branco não é uma cor. Mas em estudos de heráldica o branco equivale à prata. Faz sentido pensar no Real Madrid vestindo um uniforme prateado, uma cor clara e brilhante. Apenas o ouro superaria isso. E, nesse caso, o uniforme seria amarelo — camisa, calções e meias amarelas. Assim como o nosso lápis. Å

O que você sempre quis saber sobre futebol? Pergunte a Günter Netzer: feedback-theweekly@fifa.org T H E F I FA W E E K LY

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The FIFA Weekly Uma publicação semanal da Fédération Internationale de Football Association (FIFA) Internet: www.fifa.com/theweekly Editora: FIFA, FIFA-Strasse 20, CEP: CH-8044 Zurique Tel.: +41-(0)43-222 7777 Fax: +41-(0)43-222 7878

QUI Z DA C OPA DO MUNDO DA F IFA

Cinco estrelas, três camisas e um texano – tente adivinhar!

1

Entre os senhores abaixo, qual dupla tem o mesmo nome estampado na camisa?

Presidente: Joseph S. Blatter Secretário-geral: Jérôme Valcke

L Primeira e terceira fotos P Primeira e quarta fotos M Segunda e quarta fotos T Segunda e terceira fotos

Diretor de comunicação e relações públicas: Walter De Gregorio Redator-chefe: Perikles Monioudis Redação: Thomas Renggli (autor), Alan Schweingruber, Sarah Steiner

2

O que estes dois fazem?

Direção de arte: Catharina Clajus

A E O R

Editor de fotografia: Peggy Knotz Produção: Hans-Peter Frei Layout: Richie Krönert (coordenação), Marianne Bolliger-Crittin, Susanne Egli, Mirijam Ziegler

3

Cantam a música oficial da Copa do Mundo da FIFA São os criadores do logotipo da Copa do Mundo da FIFA 2014 São campeões da Copa do Mundo da FIFA Apresentaram o Sorteio da Copa do Mundo da FIFA 2014

Quais países classificados para o Mundial levam esta constelação nas suas bandeiras nacionais?

Revisão: Nena Morf, Kristina Rotach Equipe regular: Sérgio Xavier Filho, Luigi Garlando, Sven Goldmann, Hanspeter Kuenzler, Jordi Punti, David Winner, Roland Zorn Equipe especial para esta edição: Nicola Berger, Alissa Rosskopf, Andreas Wilhelm (imagens) Secretária de redação: Honey Thaljieh

S Y L D

4

Austrália e Brasil Chile e Camarões Nigéria e Chile Só Austrália

A maioria das seleções levam dois uniformes mais uma camisa de goleiro para o Mundial no Brasil. Quem, porém, vai levar três uniformes para o time – nas três cores da bandeira?

Gerência de projeto: Bernd Fisa, Christian Schaub Traduções: Sportstranslations Limited www.sportstranslations.com Impressão: Zofinger Tagblatt AG www.ztonline.ch

E

O

S

T

Contato: feedback-theweekly@fifa.org A reimpressão de fotos e artigos da The FIFA Weekly, ainda que apenas de excertos, só é permitida com a autorização da redação e fazendo referência à fonte (The FIFA Weekly, © FIFA 2014). A redação não tem a obrigação de publicar textos e fotos que nos sejam enviados sem solicitação. A FIFA e o logotipo da FIFA são marcas registradas. Produzido e publicado na Suíça. As opiniões publicadas na The FIFA Weekly não necessaria­ mente correspondem aos pontos de vista da FIFA.

A solução do Quiz da semana passada foi: WOOD Explicação em detalhes em www.fifa.com/theweekly Inspiração e motivação: cus

Envie a sua solução até 18 de junho de 2014 para o email feedback-theweekly@fifa.org Todos os participantes que enviaram soluções corretas desde o quiz publicado no dia 13 de junho de 2014 participarão de um sorteio em janeiro de 2015 cujo prêmio será dois ingressos para a cerimônia de gala da Bola de Ouro FIFA no dia 12 de janeiro de 2015. Antes de enviarem as suas respostas, os participantes devem ler e aceitar as condições de participação e as regras do concurso, que podem ser vistas no link: http://pt.fifa.com/mm/document/af-magazine/fifaweekly/02/20/51/99/pt_rules_20140613_portuguese_portuguese.pdf T H E F I FA W E E K LY

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P E R G U N T E À F I F A W E E K LY

ENQUETE DA SEMANA

Quais serão os dois classificados do Grupo D?

Qual é o número da camisa dos maiores artilheiros? Sara Dennler, de Düsseldorf Se contarmos todos os gols marcados em Mundiais desde 1954, os jogadores com os números 9, 10 e 11 foram os que mais balançaram as redes. O recordista em gols na Copa do Mundo, Ronaldo (15 gols), vestia a camisa 9. O possível sucessor dele, Miroslav Klose, está no Brasil com a 11. No entanto, não existe um número da sorte. Roberto Baggio marcou nove gols com três números diferentes (10, 15 e 18). Um caso curioso foi o do argentino Osvaldo Ardiles. Em 1982, o meia balançou as redes vestindo a camisa 1. (thr)

Três campeões mundiais, uma zebra: com Itália, Inglaterra, Uruguai e Costa Rica, o Grupo D vem sendo considerado o mais difícil desta Copa. Quais serão as duas seleções que irão seguir em frente? Envie a sua resposta para feedback-theweekly@fifa.org

R E S U LTA D O DA Ú LT I M A S E M A N A Como termina a partida de abertura entre Brasil e Croácia? 78% 14%

Vitória do Brasil Empate

8%

Vitória da Croácia

4 307 17 A SEMANA EM NÚMEROS

jogo) foram mostrados

aux Ailes d’Or”, com 30 cm. A

pelos juízes na Copa do

estátua, feita de ouro, foi o

Mundo da FIFA Alema-

primeiro troféu da Copa do

nha 2006, um recorde.

anos e 249 dias era a idade de Pelé na final da

Mundo, recebida pelo uru-

28 foi o número de

Copa de 1958, na Suécia. Com isso, ele é até hoje o

guaio José Nasazzi das mãos

expulsões. No Mundial

jogador mais jovem a ter participado de uma

do então presidente da FIFA

de 2010, na África do Sul,

decisão de Mundiais. A Seleção venceu os anfitri-

Jules Rimet após a conquista

a média caiu considera-

ões por 5 a 2 e se sagrou campeã pela primeira vez.

do Mundial de 1930.

velmente (3,8 por jogo).

 K

Pelé marcou dois gols e se tornou uma estrela.

imago (2), AFP, Getty, FIFA

cartões amarelos (4,8 por

kg é o peso da taça “Victoire


The FIFA Weekly Edição #34