Issuu on Google+

ENTREVISTA

A retomada de um círculo virtuoso O círculo já pode estar se desenhando, de acordo com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o mineiro Robson Braga de Andrade. Ele avalia que o Governo está disposto a construir consensos capazes de melhorar o ambiente de negócios, o que vai gerar a confiança e os investimentos necessários para reanimar a indústria. Dentre os pontos centrais destacam-se as reformas da Previdência e trabalhista, a maior inserção internacional e a melhoria dos gastos públicos, além da redução de incertezas jurídicas. A produção industrial voltou aos patamares de 2004 e a participação da indústria de transformação recuou a menos de 10% do PIB. Qual é o significado da desindustrialização para o desenvolvimento do País?

O setor praticamente estagnou desde a crise internacional de 2008 e, em 2014, a situação se agravou, quando a indústria puxou para baixo o Produto Interno Bruto. A perda da importância do setor é ruim para o Brasil. Com uma indústria menor, surgem menos opções. O segmento gera empregos com melhores condições de trabalho e remuneração, alavancando a economia como um todo. A recuperação do setor e da taxa de investimento é indispensável para o crescimento sustentado da economia brasileira. Não se faz um país forte sem uma indústria forte. Na gestão anterior, o Governo se posicionou como principal agente econômico, centralizando as principais decisões e ações. Para uma retomada industrial é preciso mais mercado e menos governo? 6 Santa Catarina > Novembro > 2016

O aumento da participação privada nos investimentos e na gestão de empreendimentos deve ser prioridade se o País quiser reverter o atraso na área de infraestrutura e retomar o crescimento da economia. Os empresários devem ser os protagonistas do desenvolvimento e as concessões em infraestrutura representam uma grande oportunidade. A carência desses serviços é impeditiva à competitividade do Brasil e na atração de investidores nacionais e internacionais. É imprescindível efetivar as concessões e parcerias público-privadas. Precisamos aperfeiçoar a execução dos modelos de outorga e os marcos regulatórios de maneira a melhorar as condições de execução dos investimentos e tornar as concessões atrativas e rentáveis. Atualmente, enquanto sobram regras muitas vezes confusas para alguns setores, faltam diretrizes básicas para outros. A CNI tem reiterado que a competitividade da indústria depende de reformas tributária e trabalhista e de maior segurança


Revista Indústria e Competitividade - FIESC 11° Edição