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Estado, e, diante das más condições que encontraram, decidiram tentar a vida em São Ludgero, no Sul catarinense, também sem sucesso, até finalmente se instalarem no Alto Vale do Itajaí. Diante do bom número de encomendas de guarda-roupas, mesas, cadeiras e criados-mudos, Samuel logo precisou contratar alguns empregados. Depois da primeira década, no entanto, ele se deu conta que fazer produtos sob medida para cada cliente, de forma artesanal, era um processo muito trabalhoso e que acabava sendo pouco rentável, além de limitar seus planos de crescimento. Passou então a pensar num jeito de ter uma produção mais seriada, que permitisse aumentar a escala. Chegou à ideia das portas de madeira, em tamanhos padrão. Graças à qualidade dos produtos e da confiabilidade dos prazos de entrega, ele logo criou fortes vínculos com comerciantes do Rio de Janeiro que passaram a encomendar com regularidade as portas da Rohden. Um grande impulso adicional viria no final dos anos 1960 por conta da expansão da infraestrutura brasileira. A empresa se especializou em produzir carretéis para enrolar cabos para projetos de eletrificação, e fez disso sua principal fonte de receita naquele período – chegou a carregar 100 caminhões trucks por mês com os carretéis enviados para várias partes do País. Além da percepção de uma oportunidade, foi também uma forma inteligente de lidar com a crescente escassez das madeiras nobres usadas nas portas, a exemplo de canela, imbuia e peroba. Os carretéis podiam ser feitos com espécies mais simples, como caixeta, tanheiro, canjerana e vassourão. Segundo de 12 filhos, Lino começou a trabalhar com o pai no final da década de 1970. Foi o único a se formar na universidade – fez Administração de Empresas em Curitiba, onde cursara o ensino secundário. Enquanto o rapaz estudava, o pai e o tio decidiram pôr fim 54 Santa Catarina > Novembro > 2016

FOTOS: EDSON JUNKES

PERFIL

à sociedade. Dividiram os clientes e cada um seguiu adiante com uma parte dos negócios. Quando voltou a Salete, Lino assumiu um cargo na diretoria da empresa do pai, implementando vários conceitos até então desconhecidos ali, especialmente no que dizia respeito à inteligência de mercado e ao controle de custos. Os negócios de Samuel cresceriam bastante, dando origem a três outras empresas. No início da década de 1990, Samuel decidiu fazer a partilha das empresas entre os filhos. Formou-se um grande “leilão” familiar, intermediado por um escritório de advocacia, para que as cotas distribuídas pudessem ser negociadas, já que alguns irmãos preferiam transformá-las imediatamente em dinheiro. Lino se desfez de todo o patrimônio pessoal acumulado até então e abriu mão das cotas nas outras empresas para chegar a 40% de propriedade da Rohden Portas e Artefatos de Madeira. Ao longo dos anos seguintes, foi adquirindo os 60% restantes, até se tornar o único proprietário da empre-

Revista Indústria e Competitividade - FIESC 11° Edição  

A 11° edição traz como destaque o Capital Humano nas empresas, a exportação de industrializados e ainda destaques dos setores moveleiro e pe...

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