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CARTA DO PRESIDENTE

Não é gasto,

é investimento

O

FERNANDO WILLADINO

s acalorados debates sobre a Proposta de Emenda à Constituição 241/2016, ou PEC do Teto de Gastos, passam invariavelmente por temores ou críticas ao possível congelamento das despesas públicas com educação e saúde nos próximos anos. O fato chama atenção para a relevância do tema para a sociedade brasileira. Nós, da indústria, compartilhamos desse sentimento, mas adotamos um ponto de vista que ultrapassa a visão assistencialista que muitas vezes domina o debate no País. Educação e saúde são a base da formação do capital humano, que no Brasil apresenta baixo nível de desenvolvimento, segundo o Fórum Econômico Mundial. O capital humano é considerado o principal fator de progresso de organizações e países. Portanto, os recursos aplicados em educação e saúde são na verdade investimentos que, a depender de como são direcionados, proporcionam retornos fantásticos. Não se trata de comparar pessoas a bens materiais e mensurar objetivamente seu retorno. O fato é que as pessoas são as primeiras beneficiadas quando se investe nelas. Pessoas educadas e qualificadas não são apenas mais inovadoras e produtivas. Elas se envolvem menos em acidentes e cuidam melhor de sua saúde, vivendo melhor e demandando menores gastos com hospitais, tratamentos e pensões. Reciprocamente, pessoas saudáveis também são mais inovadoras e produtivas. Doenças crônicas afligem 40% dos brasileiros e são responsáveis pelo baixo envolvimento e fraco desempenho no trabalho. Quando, como agora, se impõe uma reforma no sistema previdenciário, que contemple o aumento da idade para aposentadoria, é fundamental que o maior período de vida dedicado ao trabalho seja associado à constante atualização de conhecimentos e aos cuidados com saúde – o que se obtém com investimentos em capacitação, bem-estar e prevenção de doenças. Em Santa Catarina, a indústria encampou essa agenda por meio de duas grandes mobilizações. O Movimento Santa Catarina pela Educação, criado há quatro anos, envolve cada vez mais atores na luta pela formação adequada dos trabalhadores e pela qualidade da educação no Estado. A Aliança Saúde Competitividade, lançada neste ano, enriquece o debate sobre o tema e constrói pontes para o diálogo entre indústria, trabalhadores e Justiça do Trabalho, dentre outros. Afinal, quem não deseja o desenvolvimento de nosso capital humano? Esta é uma agenda capaz de superar diferenças e unir o País.

Glauco José Côrte Presidente da FIESC


Revista Indústria e Competitividade - FIESC 11° Edição