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GESTÃO

(Raízes do Atraso Econômico Brasileiro, em tradu- mente se define como desengajamento, que ção livre), lançado recentemente pela Elsevier e por sua vez deságua no “presenteísmo”, a condiainda sem edição em português, o economista ção em que o sujeito apresenta um rendimento Alexandre Rands Barros demonstra que no iní- no trabalho muito aquém das suas potencialicio do século 19 o Brasil era mais rico do que a dades. Segundo pesquisa do instituto Gallup, o Austrália e a Suécia, mas quase toda a população desengajamento é a regra para 73% dos trabaera analfabeta. A opção pelo investimento no ca- lhadores brasileiros. A boa notícia é que, tendo pital humano, que foi negligenciada pelo Brasil, identificado o problema, empresas tratam de conduziu os outros países a estágios avançados investir em seu capital humano. “A chave da de desenvolvimento. No século 20, teóricos de- competitividade está nas pessoas. Investir na senvolvimentistas esperavam um maior investi- qualificação e no bem-estar dos trabalhadores mento do País nas pessoas, como consequência é o meio para termos uma indústria mais proda industrialização direcionada pelo Estado. Foi dutiva e inovadora”, afirma Glauco José Côrte, um erro de avaliação de causa e efeito, segundo presidente da FIESC. Rands Barros. Para ele, a lógica é inversa: é o capiDesenvolvimento mútuo tal humano construído e acumulado que acaba por ditar os rumos do desenvolvimento. Discussões acadêmicas à parte, a “econoBons frutos dessa estratégia são colhidos mia real” já está percebendo, na prática, onde pela Audaces, de Florianópolis, produtora de se encontra o verdadeiro fator de geração de softwares e equipamentos para design de valor para os negócios. Ele moda. Um exemplo é a traestá onde sempre esteve, jetória do jovem Magner nas fábricas e nos escritórios, Steffens. Em 2002, quando operando máquinas, desencursava o Tecnólogo em Auvolvendo projetos ou ventomação Industrial no SENAI, Aumento do PIB dendo mercadorias. Só que ele obteve uma vaga de espor trabalhador muitas vezes ele está afastágio na empresa. Depois foi associado a um tado do trabalho por causa efetivado, atuando em proano adicional de de dores nas costas, picos de jetos para fazer os softwares escolaridade estresse ou em consequênda Audaces se comunicarem cia de acidentes. Na maioria com as máquinas de corte O trabalhador com cinco dos casos seu potencial é de tecidos instaladas nas anos de escolaridade é 54% mais produtivo subaproveitado, por falta de indústrias dos clientes. Foi que o trabalhador com conhecimentos ou compequando Steffens começou a dois anos de escolaridade tências. E, principalmente, alimentar a ideia, juntamendevido ao desinteresse pelo te com o presidente Cláudio Cada ano adicional de escolaridade pode trabalho e as possibilidades Grando, de que a empresa aumentar a renda dele advindas. Neste últipoderia fabricar suas próindividual em 10% mo caso, o trabalhador se prias máquinas. Steffens, no Fontes: E&Y/FGV, IJSA, FIESC enquadra no que modernaentanto, não possuía os co-

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Revista Indústria e Competitividade - FIESC 11° Edição  

A 11° edição traz como destaque o Capital Humano nas empresas, a exportação de industrializados e ainda destaques dos setores moveleiro e pe...

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