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devido à instabilidade cambial. No ano passado, quando o dólar flutuou perto dos R$ 4, a empresa investiu R$ 5 milhões em novas máquinas de corte de madeira e partiu para recuperar os clientes internacionais, gerando US$ 12 milhões em vendas externas, resultado 25% superior ao de 2014. “Mas este ano o dólar se aproxima de patamares perigosos para que o mercado externo continue atraente”, afirma Franzoni. As exportações de móveis em Santa Catarina caíram 4,6% nos sete primeiros meses de 2016.

Solução temporária

EDSON JUNKES

Situação semelhante se repete em grande parte das indústrias do polo moveleiro do Planalto Norte, responsável por 52,5% das exportações catarinenses e 18,6% das nacionais. Fundada em 1940 em São Bento do Sul, a Móveis Weihermann também enfrentou dificuldades para se adaptar ao mercado interno depois de orientar 90% de sua produção à exportação até 2009. “Foi necessário criar novamente o nosso produto, redescobrir o gosto do consumidor brasileiro e se ajustar ao varejo local. Isso, para nós, levou algo em torno de cinco anos”, conta Arnaldo Huebl, presidente da empresa, que produz móveis de quarto e sala voltados ao consumidor das classes B e C. “Quando chegamos em 2014 e estávamos com nosso mercado mais ou menos estabilizado, atingindo a meta estratégica de direcionar 60% da produção para o mercado nacional e 40% para exportação, chegou esta crise econômica e

política que estamos vivendo e as vendas caíram fortemente.” A solução – temporária, segundo ele – foi inverter a proporção e reforçar as vendas para o exterior. “Esperamos fechar o ano com um crescimento de 15% em valor sobre 2015, porque fomos buscar essa diferença no mercado externo.” Contudo, Huebl ressalta que o planejamento da Móveis Weihermann para este ano era trabalhar com um dólar entre R$ 3,80 e R$ 3,50 e que, abaixo disso, a projeção de crescimento pode não se concretizar. “Há muita insegurança no mercado interno e instabilidade no câmbio, o que dificulta um planejamento para daqui a cinco ou dez anos. O que fazemos é focar no médio e curto prazo, procurando não tomar muito dinheiro emprestado e trabalhar com recursos próprios para ter mais margem de manobra”, afirma o Huebl: exportações empresário, que mantém ajudam, mas a fábrica operando com objetivo é crescer no mercado interno 60% da capacidade pro-

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Revista Indústria e Competitividade - FIESC 11° Edição