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De janeiro a setembro deste ano, as expor­ tações de Santa Catarina diminuíram 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, pas­ sando de US$ 5,94 bilhões para US$ 5,64 bilhões. Mas há, do lado das empresas, empenho e inte­ resse crescentes em exportar. “Os empresários catarinenses em particular têm feito um esforço alto em reduzir custos, manter empregos e me­ lhorar produtos para participar do mercado inter­ nacional, mas há um déficit no Brasil de políticas públicas que estimulem essa inserção”, afirma Maria Teresa Bustamante.

Preço para competir Um exemplo de empresa disposta a enfrentar os riscos do mercado mundial é a Nugali Choco­ lates, indústria de chocolates finos instalada em Pomerode que começou a ex­ portar em 2014. Hoje, o mer­ cado externo é responsável por 5% de seu faturamen­

Desenvolvemos linhas de produtos com características brasileiras para conquistar o mercado externo” Maitê Lang, fundadora e diretora da Nugali

DIVULGAÇÃO

zam os instrumentos oficiais como o Programa de Financiamento às Exportações e as linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvol­ vimento Econômico e Social (BNDES) devido à exigência excessiva de garantias, e outras 16,8% por restrições burocráticas. Outra ação considerada essencial é a reinstitui­ ção da alíquota de 3% do Reintegra, um programa que devolve aos empresários parte dos tributos incidentes na cadeia produtiva de bens exporta­ dos, por meio de créditos do PIS e Cofins. A alíquo­ ta caiu para um percentual simbólico – de 0,1% –, mas a previsão é que suba para 2% em 2017. Por fim, a CNI pediu a adoção de políticas macro­ econômicas voltadas para reduzir as oscilações da taxa de câmbio e evitar a valorização excessiva do real, um resistente entrave às exportações brasilei­ ras que prejudica profundamente setores como o de móveis (leia reportagem subsequente). Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), propostas como a necessidade de reformas estruturais, investimentos em infraestrutura e desburocratização são importantes para resgatar a competitividade das empresas e restaurar a participação do Brasil no comércio internacional – mas não se deve esperar resul­ tados de curto prazo. “Os efeitos virão em dois ou três anos. A única proposta com resulta­ do imediato é a do Reintegra”, afirma Castro. Para além das pautas pontu­ ais, para ele o mais importante é que o Governo se preocupe com a redução de custos das empre­ sas. “O dólar ficou acima de R$ 4 no ano passado e nem por isso as exportações de manufatura­ dos aumentaram. Nosso proble­ ma é de custo e o câmbio, sozi­ nho, não consegue resolver isso”, diz o executivo.

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Revista Indústria e Competitividade - FIESC 11° Edição