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62 Santa Catarina > Março > 2015

de estocagem. Então adquirimos uma moto e instalamos uma caixinha atrás dela. Quando o pão saía do túnel de congelamento, era colocar na caixa e sair correndo para entregar”, lembra o empresário, que dividia com o irmão a função de entregador.

Indústria de verdade Com o tempo, foi possível comprar uma caminhonete para transportar os pães acondicionados em caixas de isopor. Depois um pequeno caminhão com câmara fria. A ideia de sair do mercadinho para uma sede própria começou a ganhar forma em 2006, quando Volmir organizou uma visita a uma feira de panificação na Alemanha. Mas o mercadinho ainda chegaria a produzir 90 mil unidades por dia, de um mix cada vez mais diversificado, até que a família decidiu vender a loja no final de 2009 para tentar financiar o grande sonho de se tornar uma indústria “de verdade”. Mas parecia ser um passo grande demais

SHUTTERSTOCK

Ivan Ansolin/Agência IAF

pegar o telefone do representante de uma marca italiana de máquinas para o setor. Mas a máquina, de custo elevado para os padrões do mercadinho, foi adquirida apenas em 2004 com um financiamento obtido com muito esforço e que zerou a capacidade de investimento da empresa. “Então fechamos a padaria, empurramos algumas estantes do mercado e instalamos a máquina ali mesmo. Para minimizar ainda mais os custos, quem operava era eu, o pai e a mãe, sob a orientação da minha cunhada, que já tinha alguma noção de panificação.” Nascia a Dipães, que começou produzindo mil pãezinhos por dia para abastecer o SuperMeotti e os outros membros da Amesmo. “Antes de comprar o equipamento, fiz uma reunião com eles e firmamos uma parceria que me permitiu começar já com nove clientes”, conta Volmir. Só faltava resolver a questão da logística. “Não tínhamos como comprar um caminhão refrigerado e nem uma câmara

Linha de produção da Dipães: objetivo é atender toda a Região Sul até 2017

para o filho de um casal de agricultores que, aos (Sindialimentação), o que o aproximou ainda mais 14 anos, saiu de um sítio no pequeno município da FIESC. Ele passou a frequentar as reuniões e a de Águas Frias para, junto com os pais e os dois participar das viagens da Câmara de Desenvolviirmãos mais velhos, tentar a vida em São Miguel mento da Indústria da Panificação. “Os momentos do Oeste. “Sempre tive o sonho de montar uma in- mais marcantes na minha evolução profissional dústria, e sabia que daria certo. Só que me deparei, vieram dos vínculos com o associativismo”, diz o logo de saída, com a informação de que precisaria empresário, que atualmente produz 300 mil pães de R$ 5,5 milhões apenas para começar a fábrica.” por dia e emprega 186 funcionários em Paraíso. Ao invés de desistir, ele mais uma vez buscou alternativas para viabilizar seu projeto. “Não queÉ só o começo ria sócios. Então fui buscar parceiros, já que tinha bons contatos e uma relação de confiança esta“Volmir é um entusiasta, mas sempre com o belecida com fornecedores”, conta Volmir, que pé no chão. Ele tem objetivos e metas claras”, diz apresentou o projeto para empresas que con- Norberto Vianna, presidente da Câmara de Panicordaram em ceder matéria-prima em condições ficação, enfatizando que o mercado para o pão facilitadas para os primeiros meses de produção. congelado em Santa Catarina ainda tem muito Outro parceiro importante foi o município de Pa- espaço para crescer. “Várias empresas já tentaraíso, que ofereceu condições facilitadas para a ram investir, mas fecharam as portas por falta de instalação da fábrica, inaugurada em 2012. planejamento, principalmente no que se refere à Paraíso tinha na época um dos menores IDHs operação logística”, explica Vianna. do Estado, apenas uma indústria e Mas visão estratégica é o que uma pequena parcela da popunão falta à Dipães. Pronto para lação com carteira assinada. Era dar o próximo passo de uma tranecessário alavancar a economia jetória que, segundo ele, “está só Sede local. A negociação com a prefeicomeçando”, Volmir, aos 42 anos, Paraíso tura resultou na cessão, em forma traça metas ambiciosas. Depois de Produção de comodato, do terreno e grangarantir a estrutura para ampliar a 300 mil pães/dia de parte da estrutura física para a produção e desenvolver um mix Capacidade montagem da linha de produção, de 138 produtos – entre conge1 milhão de pães/dia com capacidade para 1 milhão de lados, assados e biscoitos –, os Mix pães por dia. Nessa etapa foi imesforços se voltam para conquis138 produtos portante a parceria com o SENAI tar consumidores do outro lado Funcionários para a preparação dos funcionádo Estado. Com a inauguração de 186 rios, já que os recursos humanos um centro de distribuição em Italocais tinham pouca ou nenhuma jaí, o empresário planeja entregar qualificação. seus produtos em uma área que Em 2012, além de inaugurar vai desde Criciúma até Joinville. sua fábrica, Volmir assumiu a preDepois a meta é instalar centros sidência do Sindicato das Inde distribuição no Rio Grande do dústrias de Alimentação do Sul e Paraná, e até 2017 atender Extremo Oeste Catarinense toda a Região Sul. Indústria & Competitividade 63

Revista Indústria e Competitividade - 6ª Edição  

A importância do Design e o poder de transformação dessa ferramenta. Máquinas inteligentes e Edificações sustentáveis são alguns dos assunto...

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