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Num patamar menos sofisticado, mas igualmente importante, houve também avanço em segmentos como o da cerâmica vermelha. As olarias amargaram longo período de defasagem e só tardiamente algumas empresas implantaram a modernização tecnológica com a introdução de novos fornos, rolamentos, redutores, motorredutores, cortadores automáticos, além de novos produtos químicos. Assim foi possível oferecer uma linha mais diversificada de telhas e tijolos, como telhas esmaltadas, glasuradas e de concreto ou tijolos maciços de vários modelos e tamanhos. Forças geradas no próprio Estado catarinense levaram à diversificação produtiva, num criativo efeito dominó: uma atividade econômica, ao esgotar seus primeiros e mais significativos impulsos, abria espaço para atividades ainda inéditas nas regiões. Havia assim um rompimento da dependência em relação a um setor hegemônico, como aconteceu em Criciúma, que dependia do carvão e diversificou para o cerâmico, o plástico e o vestuário. Ou em Caçador, que dependia da madeira e, depois de qualificar as atividades extrativas, partiu para a produção de calçados, metalurgia e plástico. Um exemplo da diversificação foi o setor de máquinas para a indústria moveleira, com empresas como a Fezer. As décadas de 1960 e 1970 marcaram profundamente as empresas moveleiras do Estado, que se concentram no Alto Vale do Rio Negro, nos municípios de São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre. Herdeiras da comercialização da madeira e da erva-mate, elas fizeram sucesso produzindo móveis no estilo colonial e vendendo para o resto do País e para alguns países do exterior. Os trabalhadores mais experientes tinham se estabelecido por conta própria, o que gerou uma proliferação de estabelecimentos. A difusão do estilo colonial e a expansão do consumo fizeram o setor passar por intensas mudanças estruturais, com a concentração e proliferação de novas unidades. Foi nos anos 1950 e 1960 que o setor de papel e celulose, que vinha desde os anos 1930 em Santa Catarina, se destacou. A maioria eram empresas de pequeno porte, com exceção da Irani, da Cia. Itajaí e da Olinkraft. Em 1973 havia 16 fábricas de papel, 18 de pasta mecânica e sete de celulose. O salto do setor na quantidade produzida foi graças aos investimentos do final dos anos 1960 e início dos anos 1970 por grandes grupos estrangeiros. A primeira a se instalar foi a Olinkraft, atual Igaras, em 1958, e depois a Papel e Celulose Catarinense, do Grupo Klabin, ambas em Lages. Em 1974 foi a vez da Rigesa, do grupo Westvaco (EUA), em Três Barras. Em 1974 o grupo paranaense Trombini adquiriu a Industrial Fraiburgo, pertencente à família Frey. Em 1972 outro grupo paranaense, a Imaribo, comprou em Campos Novos a Fábrica de Papelão Ibicuí, mais tarde Iguaçu. A Celulose Irani, fundada em 1941 em Joaçaba foi comprada em 1996 pelo grupo Habitasul. Outras empresas catarinenses que se destacam são Primo Tedesco, Adami e Avelino Bragagnolo. A indústria catarinense de transformação registrou crescimento médio de 8% ao ano ao longo da década de 1960. A FIESC acompanhou esse crescimento. Em 1963, a entidade inaugurou o edifício Palácio da Indústria. Localizado na Rua Felipe Schmidt, no Centro de Florianópolis, o prédio abrigou os departamentos regionais do SENAI e do SESI e tornou-se a base política dos empresários na Capital. Na eleição para a presidência da Federação realizada em 1966, Celso Ramos foi reconduzido ao cargo – que deixou em outubro do mesmo ano para candidatar-se a uma vaga ao Senado Federal. Em outubro de 1966, Ramos passou a presidência da FIESC para seu vice, Adhemar Garcia. A eleição seguinte, realizada em 1968, marcaria o fim de um ciclo político na entidade. Carlos Cid Renaux, representante do setor têxtil, foi eleito presidente. Ao assumir o cargo, Renaux deu início a um processo de reorganização institucional, que tinha por objetivo modernizar a administração e descentralizar as atividades da FIESC. O novo presidente também enfatizava a necessidade de atua-

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Ebook FIESC 65 anos