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Isso aconteceu por meio de uma profunda transformação da economia brasileira na segunda metade dos anos 1960. Num cenário definido pelo Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), foram feitas reformas fiscais e trabalhistas, a correção monetária, o Banco Central e as Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTN), título público federal para pagar uma remuneração corrigida e evitar a corrosão da inflação sobre as aplicações futuras. O novo arranjo foi seguido por um processo de competição por recursos e clientes, gerando concentração do sistema bancário. Dos 336 bancos comerciais existentes em 1964, havia 195 em 1970. A diversificação industrial exigia mudanças profundas, especialmente a criação de um banco de fomento como o BDE, que fazia parte do novo padrão de crescimento. A política industrial se sofisticava. Em 1962 foi criado pelos três governadores dos Estados do Sul o BRDE, para proporcionar as novas condições financeiras que a indústria necessitava, já que os bancos estaduais não dispunham de capital suficiente. Já o Fundesc foi criado em 1963 para servir de fonte de recursos para o BDE, que financiava o Plameg. O Fundesc foi substituído em 1975 pelo Procape - Programa Especial de Apoio à Capitalização das Empresas. Com os recursos liberados pelo BDE, Fundesc, Procape, BRDE, Badesc e Prodec, o complexo agroindustrial deu um salto quantitativo e qualitativo, o setor metalmecânico tornou-se profundamente dinâmico, a indústria de revestimentos cerâmicos integrou-se rapidamente à economia nacional e internacional e o Vale do Itajaí se tornou o segundo polo têxtil do País. A industrialização brasileira e o sucesso da integração produtiva de Santa Catarina são resultados de uma obra que somou políticas públicas com o empreendedorismo vocacionado e diversificado dos inovadores que souberam avançar dos seus redutos para conquistas amplas e significativas. Estava pronto o cenário para o grande salto industrial que ocorreria na década de 1970.

CAPITAL ESTADUAL Fundado em 1935, com sede em Itajaí, o banco INCO marcou época como instituição financeira de origem exclusivamente catarinense. Seu auge foi entre as décadas de 1950 e 60, contando com agências nas principais cidades catarinenses, no Paraná, no então Estado da Guanabara e em São Paulo. Dentro do novo cenário político-econômico nacional, o INCO foi incorporado em 1968 pelo Bradesco.

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PIONEIRO INSPIRADOR Idealizadas pelo alemão Friedrich Raiffeisen (foto) e aperfeiçoadas pelo italiano Luigi Luzzatti, as cooperativas de crédito do chamado modelo RaiffeisenLuzzatti serviram de inspiração para a criação de instituições similares em Santa Catarina, que representaram forte impulso à atividade agroindustrial estadual.

Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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