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A capacidade de expansão da indústria precisou destravar antigos nós, que vinham desde 1930, quando estava limitada por frágeis bases técnicas e financeiras. A história bancária de Santa Catarina está dividida em três períodos. De 1907 a 1935, predominavam as cooperativas de credito agrícola; de 1935 a 1962, surgem e se expandem em todo o Estado os bancos catarinenses, e de 1962 a 1998 são criados os bancos de fomento e ocorre a incorporação de bancos locais por grandes bancos nacionais. Era importante fazer a união banco-indústria, comandada a partir de interesses nacionais. A solução foi encontrada em 1952, com um sistema estatal de financiamento centrado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e a busca de recursos externos. O primeiro estabelecimento de crédito agrícola em Santa Catarina foi a Caixa Cooperativa do Sindicato Agrícola de Blumenau, fundada por pequenos proprietários em 1907, que emprestava dinheiro sob a hipoteca de imóveis. Ela foi incorporada em 1927 pela Caixa Agrícola de Blumenau. Em 1916 o Banco do Brasil se instalou em Florianópolis, em 1918 foi também para Joinville e no final dos anos 1950 já tinha 11 agências. O cooperativismo começou a ser apoiado financeiramente na segunda metade dos anos 1920. As cooperativas de crédito agrícola, que prestavam assistência financeira aos agricultores, tinham uma área de abrangência limitada e um caráter solidário. Esse tipo de instituição fazia parte do chamado modelo Raiffeisen-Luzzatti. As cooperativas Raiffeisen foram idealizadas por Friedrich Wilhelm Raiffeisen (1818-1888) entre os anos de 1847 e 1848, como sociedades de auxílio-mútuo para atender às necessidades dos agricultores da região de Flammersfeld, Alemanha. Em 1854, Raiffeisen fundou outras sociedades dessa natureza em Heddesford, que posteriormente foram substituídas por cooperativas de crédito e cujo sucesso resultou na fundação de entidades semelhantes em outras localidades. Já em 1865 surgiram na Itália cooperativas de crédito do tipo Luzzatti, os chamados bancos populares, modelo inspirado no cooperativismo de crédito urbano da Alemanha e idealizado principalmente por Leone Wollemborg e Luigi Luzzatti, político, escritor e professor universitário, que publicou em 1863 “A difusão do crédito e o Banco Popular”, obra em que expôs suas ideias a respeito do cooperativismo de crédito. Quem mais se destacou nessa linha que ajudou a implantar as bases do cooperativismo no Estado foi o Banco de Crédito Popular e Agrícola de Bella Alliança (atual Rio do Sul), fundado em 1928 e incorporado pelo Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina. Com o nome fantasia de INCO, o banco foi fundado em 1935 pelas famílias Bornhausen e Renaux, com sede em Itajaí. Em poucos anos o INCO já contava com agências nas principais cidades catarinenses, expandindo-se para outros Estados. Em 1956 eram 55 agências em Santa Catarina, sete no Paraná e uma na Guanabara. No ano seguinte, incorporou o Banco Nacional da Cidade de São Paulo, ampliando o número de agências para 101, sendo 34 em São Paulo. A proliferação das agências era uma exigência de diversificação e ampliação da indústria. O importante era o crédito de longo prazo, já que os bancos locais não atendiam às necessidades de moeda. Os bancos catarinenses acabaram sendo incorporados no final dos anos 1960 e início dos 1970 por grandes bancos nacionais. A maior incorporação foi a do INCO, pelo Bradesco, em 1968. A solução para a escassez de moeda para financiar a ampliação industrial veio principalmente depois de 1962, com a criação do Banco de Desenvolvimento de Santa Catarina (o BDE), do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), do Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Badesc), do Fundo de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Fundesc), do

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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