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A passagem do irmão pela presidência ampliou o prestígio de Celso Ramos no meio empresarial. Capitaneada por ele, a FIESC teve forte atuação política, uma das metas iniciais da entidade. De 7 a 11 de novembro de 1955, Ramos e um grupo de empresários catarinenses participaram da 2ª Reunião Plenária da Indústria, realizada em Porto Alegre com a finalidade de discutir os rumos da industrialização brasileira e seus principais gargalos. Do evento, Celso Ramos extraiu a ideia de promover e coordenar um amplo processo de diagnóstico da indústria catarinense, que resultasse em um plano de investimentos e metas. As aspirações de Celso Ramos inseriam-se em um contexto desenvolvimentista que tomava conta do País. Em 1947, durante a presidência do general Eurico Gaspar Dutra, o Plano Salte (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia) representou a primeira tentativa deliberada – e depois frustrada – de desenvolvimento. Inspirado no Salte, o governador de Santa Catarina, Irineu Bornhausen, lançou em 1951 o Plano de Obras e Equipamentos (POE), que tinha por objetivo minimizar a carência de infraestrutura no Estado. Em 1953, o governo de Getulio Vargas deu um passo importante nesse sentido, com a criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), que se tornaria um agente fundamental à industrialização nas décadas seguintes. Ao assumir a presidência da República em 1956, Juscelino Kubitschek deu início a seu Plano de Metas, programa que definia a política econômica do governo federal. Eram 31 objetivos, distribuídos em seis grandes grupos: energia, alimentação, transportes, indústria de base, educação e construção de Brasília. Assim, o governo JK promoveu uma grande atividade do Estado, tanto no setor de infraestrutura quanto no incentivo à industrialização. Ao mesmo tempo, concedeu grandes facilidades ao capital externo, atraindo investimentos estrangeiros em áreas consideradas prioritárias pelo governo: estradas de ferro, eletricidade, aço, transportes aéreos e indústria automobilística. No setor industrial, os resultados do Plano de Metas foram surpreendentes. De 1955 a 1961, a produção industrial registrou crescimento médio de 80%. Alguns setores alcançaram índices impressionantes, como material de transporte (600%), eletricidade e comunicações (380%) e mecânica (125%). Entre 1957 e 1961, o PIB cresceu a uma taxa anual de 7% – em toda a década de 1950, o PIB per capita brasileiro foi cerca de três vezes maior que o registrado no restante da América Latina. Por meio de intensa atuação política, a FIESC buscava inserir Santa Catarina na rota do desenvolvimento, combatendo um dos maiores problemas gerados pelas políticas públicas da época: a concentração do parque industrial no Sudeste do País. A alocação dos investimentos nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais agravava as deficiências de Santa Catarina, tendo em vista que não sobravam recursos do governo para atender as demandas locais. Em 1958, com a morte do irmão Nereu Ramos em um acidente aéreo, Celso Ramos tornou-se o principal líder do Partido Social Democrático (PSD) em Santa Catarina. No ano seguinte, com o Seminário Socioeconômico, financiado pela CNI e coordenado por técnicos da Federação, teve início o levantamento da situação econômica e social em todas as regiões do Estado. A partir das constatações, a meta era propor planos de ação para o desenvolvimento. Em um primeiro momento, cerca de três mil pessoas, espalhadas por todos os principais municípios catarinenses, responderam a um questionário com 15 temas. Elas representavam lideranças regionais e entidades públicas e privadas. As respostas foram sintetizadas em encontros microrregionais e, por fim, consolidadas em um evento realizado em Florianópolis, de 3 a 5 de dezembro de 1960. Desse evento, completamente coordenado pela FIESC, nasceu o Plano de

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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